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Um blog atleticano e antropocêntrico.



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1. Em coluna para a Folha de São Paulo em 23/08/2008, Fernando Rodrigues afirma que John McCain é a "síntese de uma ala republicana liberal". Evidentemente, ninguém nos EUA caracteriza McCain como liberal, nem ele mesmo.

2. Na edição 2.020 da Revista IstoÉ, sob o título Símbolo da fundação de Roma, o monumento Lupa Capitolina é mais novo do que se imaginava, a reportagem afirma: ... os historiadores sempre acreditaram que fora erigido por volta de 500 anos antes da era cristã. Como é esse monumento que data o nascimento da capital italiana, fixou-se então, logicamente, o surgimento de Roma nesse mesmo período (...) Na semana passada ocorreu uma reviravolta envolvendo tal marco: arqueólogos revelaram que a estátua é datada do ano 1300 a. C, ou seja, Roma é mais jovem do que se supunha.... A Revista IstoÉ se esqueceu de que 1.300 a.C é mais velho que 500 a.C., ou seja, deu a impressão de não saber que, antes de Cristo, a contagem das datas se faz para trás (obrigado, Serbão).

3. Em coluna publicada na Folha de São Paulo em 06 de agosto, Abram Szajman, presidente da Federação do Comércio de São Paulo, diz que o voto hispânico "já alcança cerca de 25% dos eleitores" dos EUA. Errou só por 100%. Segundo os últimos números oficiais, o eleitorado hispânico dos EUA é 12,5%.

4. A Folha Online relata que o último spot publicitário da campanha de Obama afirma que McCain é um político submisso às grandes petrolíferas e lembra que o senador conservador recebeu milhões em contribuições eleitorais dessa indústria. O anúncio divulgado hoje por McCain procura desfazer esses mitos. A palavra mitos vem assim, sem aspas. Alguém esqueceu de avisar à Folha que as milionárias contribuições das petrolíferas a McCain não são mitos.

5. Em entrevista a João Pereira Coutinho na Folha Online, Daniel Piza, o homem que enforcou Jesus Cristo e transformou o entrudo em "dança de salão", afirma que muitos na verdade ainda estão em Bakunin, "toda propriedade é um roubo". A frase "a propriedade é um roubo", evidentemente, é de Proudhon (obrigado, Tiago Mesquita).



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sexta-feira, 07 de março 2008

Uma pergunta ético-política sobre a campanha americana

Está instalada uma dinâmica bem bizarra na campanha eleitoral americana. Barack Obama recebeu 600.000 votos a mais, tem uma liderança praticamente inalcançável no número de delegados, venceu mais estados e tem uma performance superior à de Hillary Clinton contra John McCain em qualquer pesquisa que você olhe. Com a recente certificação dos votos da Califórnia, mais 8 delegados foram para a coluna de Obama, o que por si só cancela todo o ganho da vitória de Hillary na terça.

Mas a julgar pela dinâmica das manchetes e das declarações de ambas campanhas, é como se Obama, e não Clinton, estivesse nas cordas. Aliás, Obama está nas cordas. Psicológica e discursivamente, enquanto Clinton está em apuros matematicamente. Se é que vocês me entendem.

A dinâmica dos últimos dez dias – e particularmente de quarta-feira para cá – é de pancada atrás de pancada do campo Clinton em Obama, incluindo-se ataques pessoais que fazem os Republicanos delirar de alegria. Obama se vê repetidamente explicando coisas anódinas, sem substância. Não parte para a ofensiva. É curioso porque, entre os dois, é ela, não ele, quem tem o armário cheio de esqueletos mal explicados. No entanto, por mais que parte da base exija, Obama se recusa a fazer ataques (veja a boa análise de Josh Marshall sobre isso) e mantém a tal campanha positiva. É de se admirar, porque se há dois políticos democratas susceptíveis a ataques éticos, é o casal Clinton.

Pois bem, eis que em pleno aeroporto de Guarulhos me vem a notícia – fonte oral – de que chegou a ser proposta dentro da campanha Obama a veiculação de um comercial que perguntasse a Hillary Clinton onde anda sua declaração de imposto de renda do ano passado, que há meses ela se recusa a apresentar, apesar de várias promessas. Tenho para mim que um simples comercial perguntando Senadora Clinton, por que a Sra. não apresenta a sua declaração de imposto de renda?, veiculado durante 48 horas entre o domingo e a terça, em Ohio e no Texas, já teria decidido a indicação democrata.

Foi proposto. Barack vetou.

Você faria? Ou acha que sujar as mãos com esse tipo de comercial agora já implica não tê-las limpas depois? Ou acredita que Barack estaria mais que justificado em veiculá-lo? Lembre-se: 48 horas perguntando pelo imposto de renda, em Ohio e no Texas, e ele já teria saído para o abraço. O que você teria feito no lugar dele? Pergunta ético-política. Estou interessado em ouvir.



  Escrito por Idelber às 21:07 | link para este post | Comentários (83)


Comentários

#1

Interessante a pergunta Idelber. Acho bacana não usar a sujeira do adversário nesse momento, já q na matemática Obama está ganhando, a troco de que ele sujaria as mãos. Ele estaria fazendo o mesmo "psicojogo" d s Senadora. Não acha?

Izabella em março 7, 2008 11:01 PM


#2

Eu faria algo como "Hillary, the Rove's Candidate", e explicaria os problemas da campanha dela em relação a mentiras, contradições e distorções. "Is that the kind of president that you want?" seria a frase final.

Mas o mais importante seria um vídeo simples, nem precisa ser na TV, pode ser no youtube, meio viral, mostrando que a mídia está distorcendo a matemática em favor da Hillary.

Alexandre Lemke em março 7, 2008 11:05 PM


#3

Caro amigo, isso me faz lembrar aquele filme "Cruzadas" de Ridley Scott(Kingdom of Heaven): o que é preferível, respeitar as necessidades políticas ou respeitar o "reino da consciência"? No filme, o personagem principal recebe uma proposta do rei que está próximo a morrer: Matar o marido da irmã deste mesmo rei, casar-se com ela e evitar uma guerra sangrenta tornando-se então um rei justo ou não matar esse mesmo marido (ainda que ele seja um crápula)e respeitar os ditos "valores da cavalaria"? Num outro nível, não seria a mesma pergunta que dizem que Satanás fez a Jesus? "Darei a ti todo o meu reino, se me adoráres". Um leitor, por fim, de "O principe", de Maquiavel, talvez afirma-se que Obama não possui a "virtú" para aproveitar a oportunidade de tornar-se príncipe, e que os Clinton teriam, exatamente por isso, mais condições do que Obama de governar o país...

Jaques em março 7, 2008 11:13 PM


#4

Estou com Obama. Vencer a qualquer custo não parece ser a praia dele. Talvez ele prefira a frase "os princípios justificam os meios" do que aquela outra mais famosa e praticada. Se Obama usar as mesmas armas dos Clinton, não será mais Obama. Se não ganhar dessa vez, ainda é jovem. Poderá aguardar o amadurecimento do povo americano, caso esse não seja o momento. Com essa notícia, Idelber, admiro mais ainda o senador. Palmas pra ele. E pra você também, pela sensibilidade de sua visão. Abraço!

Sidarta em março 7, 2008 11:35 PM


#5

Sabe por que o Obama não aceitou? Porque não é bobo -- ele percebeu que a Hillary quer continuar recebendo questionamentos sobre o Imposto de Renda, só para depois mostrá-lo (eventualmente ele vai ser obrigada) dizendo "eu não disse que não havia nada errado? Obama continua questionando non-issues..."

A Sra. Clinton é uma bruxa, praticamente veterana nesse tipo de jogo. Obama sabe que, se for para atacá-la, precisa de algo mais substancial -- mas que não aliene seus (dela) eleitores.

Marcelo Camanho em março 8, 2008 12:06 AM


#6

Concordo com vc Marcelo

Izabella em março 8, 2008 12:21 AM


#7

Esse bom-mocismo do Obama me lembra o de Lula, na campanha contra o Alckmin. Chega um momento em que irrita. É importante manter o equilíbrio e não parecer agressivo ou meramente revanchista. Mas saber ser firme e atacar quando agredido denota segurança e personalidade. É o que se espera de um futuro presidente. Ou não?

Bruno Ribeiro em março 8, 2008 12:32 AM


#8

Olha, cá do meu canto, pensando e sem nada a perder eu digo que não faria. Esse tipo de campanha suja tem que ser sepultado, o salto que a democracia no mundo precisa tem como um pilar a discussão programática entre as forças políticas.

Porém, admito que ali, no calor da batalha, depois de ter sido ofendido gratuitamente por uma campanha suja e corrupta como é a de Clinton, talvez tivesse caído no jogo e ido para o pau.

E essa decisão só fez aumentar meu respeito por Obama, por manter a coerência consigo, mesmo com todo o ataque sofrido.

E isso também me faz temer mais ainda um governo dele. Será que esse movimento será capaz de sobreviver ao lodo da presidência? Ou será tragado pelo poder e decepcionara (como, apesar de todos os incontestável avanços, faz em certa medido o governo Lula)todos os que nele acreditam?

thiago em março 8, 2008 12:55 AM


#9

Será que existe uma fôrma para presidenciáveis???
Bonzinho, agressivo, bobo, esperto?

Izabella em março 8, 2008 12:56 AM


#10

Idelber,

Eu apoiaria a decisão de Obama, se estivesse na direção da campanha.

O vale-tudo da Política, em qualquer canto, é o grande responsável (talvez "um dos") por "desvios de conduta", se posso falar assim, que desvirtuam boas intenções. Sei que parece maniqueísmo ingênuo, mas talvez seja o caso. Acredito sinceramente que as disputas políticas, a competição a todo custo por quinhões de poder, acontecem num plano diferente da realidade. Os figurões se estapeiam com suas luvas de pelica, enquanto o que de fato deveria ser feito, fica relegado a um segundo plano bem próximo do limbo.

O Obama tem sido uma opção pela mudança. Tem construído seu caminho nesse sentido. Marketing à parte, é de fato o que uma administração encabeçada por ele seria. Você mesmo, em suas excelentes análises deixa isso claro. Por que, então, se valer de expedientes antigos - que se mostram tão ineficientes na solução de problemas graves? Não vejo uma boa explicação. (Mas posso estar enganado; certamente nos outros comentários, que ainda não li, encontrarei respostas.)

Penso que novos ares são sempre bem-vindos. Aliás, seriam imensamente bem-vindos por aqui.

(Aproveito pra te parabenizar e te agradecer pelos ótimos posts sobre o assunto.)

Grande abraço,

Thiago em março 8, 2008 2:19 AM


#11

Idelber,

Eu apoiaria a decisão de Obama, se estivesse na direção da campanha.

O vale-tudo da Política, em qualquer canto, é o grande responsável (talvez "um dos") por "desvios de conduta", se posso falar assim, que desvirtuam boas intenções. Sei que parece maniqueísmo ingênuo, mas talvez seja o caso. Acredito sinceramente que as disputas políticas, a competição a todo custo por quinhões de poder, acontecem num plano diferente da realidade. Os figurões se estapeiam com suas luvas de pelica, enquanto o que de fato deveria ser feito, fica relegado a um segundo plano bem próximo do limbo.

O Obama tem sido uma opção pela mudança. Tem construído seu caminho nesse sentido. Marketing à parte, é de fato o que uma administração encabeçada por ele seria. Você mesmo, em suas excelentes análises deixa isso claro. Por que, então, se valer de expedientes antigos - que se mostram tão ineficientes na solução de problemas graves? Não vejo uma boa explicação. (Mas posso estar enganado; certamente nos outros comentários, que ainda não li, encontrarei respostas.)

Penso que novos ares são sempre bem-vindos. Aliás, seriam imensamente bem-vindos por aqui.

(Aproveito pra te parabenizar e te agradecer pelos ótimos posts sobre o assunto.)

Grande abraço,

Thiago em março 8, 2008 2:21 AM


#12

Desculpe o comentário duplicado. Fique à vontade pra apagar o clone.

=)

Thiago em março 8, 2008 2:22 AM


#13

eu lançaria esse e outros que houvesse, sem problemas de consciencia nenhuns. eu não tenho nenhuma consideração por quem não a demonstrar comigo... inimigo é pra por o pé na garganta e ter o cuidado de não tirar enquanto respirar...

cristina em março 8, 2008 4:12 AM


#14

só para dizer que entendo a resposta da Sidarta mas....quem continua a agir assim, NÃO VENCERÁ NUNCA uma eleição. se você quer de facto fazer alguma coisa, e para isso precisa vencer, então o primeiro passo é vencer! sem isso nunca mudará nada.
é que em politica ser bonzinho é de uma imensa ingenuidade...

cristina em março 8, 2008 4:17 AM


#15

Idelber e comentadores,
Se o cara diz que "we can change" acho que a primeira coisa é abandonar o façam o que eu digo mas etc. Mas claro que o buraco (o baraca?) da tua pergunta é mais embaixo, a questão é saber como sobreviver e avançar eticamente no imenso lodaçal do mundo político. Eu QUERO acreditar que exista uma forma de atuação política relevante nesta parte da galáxia que não envolva mergulhar na lama. (you may say I´m a dreamer, mea culpa, mea culpa rs rs)

Márcia W. em março 8, 2008 7:49 AM


#16

Não, Idelber. Eu não faria. É por isso, talvez, que eu tenha certeza que seria um retumbante fracasso como político. Não duraria duas reuniões de comitê partidário. Aliás, duas sim... uma para dizer oi e outra para dizer adeus.

MarcosVP em março 8, 2008 8:00 AM


#17

Claro que eu faria.
Se eu fosse político faria o que fosse necessário para ser eleito.E por isso eu acho,que apesar da torcida contra de quase toda a mídia,Hillary será indicada pelo partido democrata.
Gostaria de ressaltar,"se eu fosse político".Mas não sou.

sergio em março 8, 2008 8:21 AM


#18

Oi, Cristina!

Respondendo ao seu comentário, talvez você já tenha ouvido que "os fins justificam os meios". Muitos políticos pensam que, para vencer uma eleição, tudo vale, até mesmo jogar sujo. Uma vez que se entra nessa maneira de atuar, dificilmente se sai. Prefiro princípios como a honestidade, a verdade, a justiça, por exemplo, justificando os meios, embasando as ações. Se você usa as mesmas armas do inimigo, acaba se igualando a ele.

Obama parece querer fazer uma política diferente, e quando fala em mudança, precisa de coerência em suas ações, senão perde boa parte do seu eleitorado, que está com ele justamente pelo seu diferencial. Mudança na política pede também mudança na forma de fazer campanha política. Talvez exista um público crescente que deseje ver isso acontecer, e por isso não podemos dizer que quem pensa assim nunca vencerá uma eleição, porque assim estamos concluindo que nunca haverá mudança na política.

Se Obama vencer as eleições com essa estratégia, para mim é prova do amadurecimento do povo americano, que ficou cansado da repetição das politicagens em seu país.

Sidarta em março 8, 2008 8:43 AM


#19

Caro Idelber
OBAMA está certo.
Não há efeito prático.
Em nosso país (como exemplo) vários MENSALEIROS não foram reconduzidos?
Creio que OBAMA está sendo PRUDENTE. Não se preocupe quanto a ele estar ou não nas cordas AGORA. Pelo andar da carruagem ele tem grande chance de ser presidente, QUANDO TODOS PASSARÃO A APOIÁ-LO. Vida que segue.

Paulo em março 8, 2008 8:51 AM


#20

Obama agiu corretamente. Mais cedo ou mais tarde Hillary terá que mostrar a tal declaração. O Obama deve dar umas cotoveladas de vez em quando, mas não apelar para a baixaria. Deve saber dar o troco. Sem o juiz ver...

Doni Andrade em março 8, 2008 9:30 AM


#21

Eu sempre me sinto um pouco intimidada de comentar aqui, porque acho que não tenho a experiência e o talento discursivo de seus leitores, Idelber, mas esse assunto me dá coceiras, me toca.
Eu acho que a posição mais próxima do que eu penso é a do Alexandre Lemke (coment. #2 aí em cima). Acho que a posição atual do Obama, conquanto louvável eticamente e ideal em termos do que desejamos para a política (ingenuamente, na minha modesta opinião, pelo menos a curto prazo), corre o sério risco de parecer, para a grande massa, equivocada. Equivocadíssima. Ouso dizer que muito pouca gente tem esclarecimento suficiente, mesmo nos eua, ou lê bastante nas entrelinhas, para fazer essa leitura que está exposta aqui, neste post e em seus comentários. A maioria, creio, tende a vê-lo, nesta situação específica, ou como covarde, ou como tendo realmente o rabo preso, ou no mínimo como insosso. Ou ainda, como alguém que se coloca acima dessas picuinhas todas, mas de maneira pejorativa.
Ninguém gosta de ninguém bonzinho demais. Mostrar um pouco de sangue nas veias também pode ser uma boa estratégia de marketing. Não precisa ser virulento, fazer o mesmo jogo. Tem que haver uma alternativa, não é possível que sejam só essas duas - ou passa incólume por tudo, com pose de "essa lama não me atinge" ou joga sujo e pesado nas acusações contra o outro.
Eu não entendo bem dos meandros todos da política e da psique americana, mal e mal tento ir além dos clichés com que nos bombardeiam todo o tempo, mas se fosse, por exemplo, numa eleição aqui no Brasil, eu esperaria do meu candidato (e o Obama é o meu candidato) um pouquinho de maldade, sim. Que ele não esbofeteasse de volta, com o mesmo gosto de sangue e veneno, mas que soubesse se esquivar e desse umas beliscadas, de preferência com humor ferino, pra mostrar quem é que está realmente na melhor posição, e quem é que está se debatendo no desespero.
Acho que nunca escrevi tanto, aqui. ;-)

Ana Paula em março 8, 2008 9:38 AM


#22

Eu sempre me sinto um pouco intimidada de comentar aqui, porque acho que não tenho a experiência e o talento discursivo de seus leitores, Idelber, mas esse assunto me dá coceiras, me toca.
Eu acho que a posição mais próxima do que eu penso é a do Alexandre Lemke (coment. #2 aí em cima). Acho que a posição atual do Obama, conquanto louvável eticamente e ideal em termos do que desejamos para a política (ingenuamente, na minha modesta opinião, pelo menos a curto prazo), corre o sério risco de parecer, para a grande massa, equivocada. Equivocadíssima. Ouso dizer que muito pouca gente tem esclarecimento suficiente, mesmo nos eua, ou lê bastante nas entrelinhas, para fazer essa leitura que está exposta aqui, neste post e em seus comentários. A maioria, creio, tende a vê-lo, nesta situação específica, ou como covarde, ou como tendo realmente o rabo preso, ou no mínimo como insosso. Ou ainda, como alguém que se coloca acima dessas picuinhas todas, mas de maneira pejorativa.
Ninguém gosta de ninguém bonzinho demais. Mostrar um pouco de sangue nas veias também pode ser uma boa estratégia de marketing. Não precisa ser virulento, fazer o mesmo jogo. Tem que haver uma alternativa, não é possível que sejam só essas duas - ou passa incólume por tudo, com pose de "essa lama não me atinge" ou joga sujo e pesado nas acusações contra o outro.
Eu não entendo bem dos meandros todos da política e da psique americana, mal e mal tento ir além dos clichés com que nos bombardeiam todo o tempo, mas se fosse, por exemplo, numa eleição aqui no Brasil, eu esperaria do meu candidato (e o Obama é o meu candidato) um pouquinho de maldade, sim. Que ele não esbofeteasse de volta, com o mesmo gosto de sangue e veneno, mas que soubesse se esquivar e desse umas beliscadas, de preferência com humor ferino, pra mostrar quem é que está realmente na melhor posição, e quem é que está se debatendo no desespero.
Acho que nunca escrevi tanto, aqui. ;-)

Ana Paula em março 8, 2008 9:39 AM


#23

Argh, saiu duplicado também. Eu fiz alguma coisa errada? Apague a cópia, por favor, Idelber.

Ana Paula em março 8, 2008 9:39 AM


#24

Aonde entram os super delegados nessa contabilidade aí?
Nesse item a Hillary não levaria boa vantagem?

HRP Mané! em março 8, 2008 9:50 AM


#25

Aonde entram os super delegados nessa contabilidade aí?
Nesse item a Hillary não levaria boa vantagem?

HRP Mané! em março 8, 2008 9:51 AM


#26

eu dava ok. se o chumbo não é direcionado pra qualquer pinimba - ou seja, é visto como um ás dourado bonito demais pra ficar na mão, não usar o recurso pode passar uma impressão de falta de força, ou polidez demais, que pode se voltar (e já está sendo usado) contra Obama. wag the dog.

tiagón em março 8, 2008 9:56 AM


#27

Estou lendo os comentários com atenção. De novo do aeroporto de Guarulhos, desta vez rumo a Porto Alegre.

Caralho, este blog pode até não ser dos melhores, mas eu tenho os melhores comentaristas do mundo.

Não se preocupem com as duplicações, depois eu apago.

HRP Mané, eu faço as contas sem os superdelegados, porque eles podem mudar a qualquer momento -- e têm mudado, na direção de Obama. Para resumir a matemática: Obama tem liderança de 140 e poucos delegados conquistados no voto. Jogando os super na parada, a diferença baixa para 110, por aí.

Mas a diferença a favor de Hillary entre os superdelegados já foi muito maior do que é hoje.

Abraços!

Idelber em março 8, 2008 10:35 AM


#28

Uma vez que Obama utiliza como mote mudanças e não colocou nenhum, ou quase nenhum componente étnico ou de classes em sua campanha, fez bem em não utilizar tal expediente. Mobiliza sua base de outra forma, que pode trazer mais resultados no futuro do que tal tipo de ataque. O que, aliás, soa mais como armadilha.

Dawran Numida em março 8, 2008 10:39 AM


#29

Complemento: armadilha contra ele mesmo, num momento em que está sobre ataque cerrado e tendo sua vida, livro e discursos analisados por potentes microscópios. Se atacasse dessa forma abriria mais um flanco perigoso para a exploração.

Dawran Numida em março 8, 2008 10:44 AM


#30

Em momentos como esse, todo político faz as "contas" do perde/ganha, com pragmatismo. Obama tem informações que nós obviamente não temos, do jogo interno de coligações no Partido Democrata, e de pesquisas de opinião pública. Arrisco-me a dizer que ele deve estar pensando no cenário imediatamente subsequente às prévias, como candidato formal do partido, em que precisará da simpatia dos eleitores e de parte (pelo menos) da estrutura de campanha de Hillary.

Cláudio Freire em março 8, 2008 11:00 AM


#31

eu acho que tem que se impor limites mesmo, senao descamba pra barbarie... vide as regras que o gabeira impos para se lancar candidato... a questao eh: serah antietico do barack fazer essa pergunta? acho que nao...

alex castro em março 8, 2008 1:01 PM


#32

Amigos

Há que endurecer sempre sem perder a elegância jamais.

A elegância de Obama foi fundamental para que atingisse sua atual posição. Logo, não há por que abrir mão dela agora.

A política visa objetivos ideais que jamais serão integralmente alcançados. Logo, não há fins em política, mas somente meios. Se adotarmos meios eticamente questionáveis, a política estará irremediavelmente comprometida.

Por outro lado, não nos iludamos tanto com Obama. Os gigantescos financiamentos indispensáveis à campanha eleitoral nos EUA, praticamente obrigam o governo eleito a privilegiar interesses de grupos econômicos, em detrimento da maioria da população, dos direitos humanos, da autodeterminação dos povos, da ecologia e da paz mundial.

Mudando de assunto, necessitamos urgentemente fazer uma campanha para impedir que a ANATEL continue fechando rádios comunitárias. Na minha cidade (Pelotas/RS) a única rádio que cumpria os princípios e objetivos da comunicação social inscritos na Constituição Federal, a Rádio Com - 104,5 MHz, está fora do ar por temer a truculência da ANATEL.

Saudações democráticas.

Ricardo Petrucci Souto em março 8, 2008 1:18 PM


#33

Amigos

Há que endurecer sempre sem perder a elegância jamais.

A elegância de Obama foi fundamental para que atingisse sua atual posição. Logo, não há por que abrir mão dela agora.

A política visa objetivos ideais que jamais serão integralmente alcançados. Logo, não há fins em política, mas somente meios. Se adotarmos meios eticamente questionáveis, a política estará irremediavelmente comprometida.

Por outro lado, não nos iludamos tanto com Obama. Os gigantescos financiamentos indispensáveis à campanha eleitoral nos EUA, praticamente obrigam o governo eleito a privilegiar interesses de grupos econômicos, em detrimento da maioria da população, dos direitos humanos, da autodeterminação dos povos, da ecologia e da paz mundial.

Mudando de assunto, necessitamos urgentemente fazer uma campanha para impedir que a ANATEL continue fechando rádios comunitárias. Na minha cidade (Pelotas/RS) a única rádio que cumpria os princípios e objetivos da comunicação social inscritos na Constituição Federal, a Rádio Com - 104,5 MHz, está fora do ar por temer a truculência da ANATEL.

Saudações democráticas.

Ricardo Petrucci Souto em março 8, 2008 1:18 PM


#34

O Box é uma ótima metafora para a vida nos estados unidos, assim como o futebol é a metáfora ideal para as cosias da vida no Brasil.
Do ponto de vista eleitoral, e eu continuaria fazendo o que Obama está fazendo. Seguir a receita (ser fiel) do que ele chama; Uma 'nova' maneira de fazer política.
Não tenho a mínima idéia se isso ético ou não, mas explica, em parte o porque dele estar na frente de Hillary. Ver o gráfico de toda a campanha é elucidador.
Mas é somente uma hipótese afirmar que se ele fizesse a indagação Hillary estaria fora da luta.
Netse caso a luva de pelíca pode ser considerada uma legítima boxing glove.
Ficar nas cordas não seria apenas táticas para cansar o adversário?
Mas eu acho que, trazendo para a realidade brasileira, desejar que Obama agrida Hillary, é o mesmo que desejar que Reinaldo desse caneladas nos zagueiros eh eh eh.
Cito o Reinaldo porque hoje é sábado e creio que seria dia de Galo neste blog.
Ou seja, dia de lamentação eh eh eh.

fm em março 8, 2008 1:51 PM


#35

Fosse eu, também não aprovaria. Meter a mão em cumbuca e o pé em armadilha a essa altura do acontecimento? E perder toda a imagem de mudança que vem sendo construída arduamente desde antes da campanha começar?

Chumbo grosso deve ser guardado para quando se precisa realmente dele. Se ele está na frente, então deixa a Hillary se afogar na própria tinta, como os polvos quando cozidos em água fervendo -- e guarde os petardos para quando ele tiver que enfrentar o John McCain, porque AÍ SIM ele vai precisar...!

Anna C. em março 8, 2008 2:04 PM


#36

"A pureza é um mito" (Hélio Oiticica via Torquato Neto)

Homo antiquus em março 8, 2008 4:23 PM


#37

Paz e bem!

OFF TOPIC

Qual tua programação em Porto Alegre?
Pode ser que nos encontremos?

Eugenio Hansen em março 8, 2008 4:57 PM


#38

Eu acho que ele está certo em não permitir o anúncio na TV. Iria contra a pregação dele até agora.

Porém, a direção da campanha dele vem soltando repetidas notas sobre o assunto "Imposto de Renda", não deixando o assunto morrer completamente e, de certa forma, estocando munição para depois.

Parcial do caucus do Wyoming: Obama 58,6% , Hillary 40,6% , apurados 78% dos precints.

Luiz em março 8, 2008 5:51 PM


#39

Acho muito gozado tudo isso quando:
• O primeiro comercial negativo veio da parte da equipe do Obama, o video mash "!984" onde Hillary substituía a MSoft.

• Não há ninguém na história dos EUA mais investigado que o casal Clinton.

• A acusação de cafetinizar a Chelsea Clinton veio da mídia.

• O Partido Republicano e não um bestalhão anunciou há poucas semanas que preferia OBAMA. Está em manchetes de vários jornais.

• A chefete da campanha Obamista teve que renunciar depois que sua entrevista na Escócia saiu publicada aqui. Ela chamou a Hillary de "Monstro" e afirmou que jamais eles contratariam ninguém do campo da Hillary. (LATimes.com de hoje.)

É direio previsto pela constituição não declarar imposto. Tanto que o Wesley Snipes estava no Oscar©. O Obama tampouco explicou sua relação com o Tony Rezko, um tipo meio que mafioso, que foi a julgamento agora. Nem explicou por quê não fez nada contra a British Petroleum, que despeja um trocentão de poluentes no eco-sistema dos Grandes Lagos.

Fontes, fontes, fontes. Depende do ponto de vista, meu caro Professor Avelar,Ph.D. Para você o glorioso é o CAM. Para mim é o Botafogo de Futebol e Regatas. Respeitosamente...

tina oiticica harris em março 8, 2008 7:31 PM


#40

Oi Idelber, pensando cá com os meus botões, eu acho que não entraria no jogo da sujeira, acredito que não se deve alimentar os imbecis, e nem to falando de ética, é uma questão de pragmatismo antes de qualquer outra coisa. Mas eu tbm acho que não se pode deixar acuar por ofensas, acusações. Vc simplesmente não parte pra porrada com alguém que te ofende, mas tbm não se cala frente a uma injustiça, ou parecerá culpado, conivente ou fraco. Se eu estivesse no lugar dele, num debate, reponderia apenas algo como: Esperava mais elegancia de uma senadora, e voltando ao assunto, acho que blablabla, minha proposta, eu fiz, etc. Se fosse pra fazer um comercial seria um pronunciamento calmo, elegante, centrado, sem exaltação, bem presidencial, sabe? mas com um toque de humor pra mostrar que não é pra se levar a sério o que ela está falando.
Quanto a quetão da ética eu pergunto: não era uma coisa obrigatória ele entregar a declaração? E as pessoas não tem o direito de saber disso? pq isso seria anti-ético? Não acho que fosse tão eficaz, acho que seria alimentar os imbecis, deselegante, mas tbm não acho anti-ético.
beijos

Ana em março 8, 2008 7:59 PM


#41

Idelber,
Estou com a Tina Oiticica. E digo mais: isso é briga de cachorro grande e nós aprendemos que não existe ética no capitalismo. Aliás, o capitalismo é aético por hipótese. Tudo bem que o casal Clinton é barra pesada e não dá para confiar. Mas dá para confiar em quem é o campeão de arrecadação de fundos? Precisamente, não acredito que Obama tenha barrado a campanha por uma questão ética. Se o fez, certamente o foi por uma questão estratégica. É claro que não estou querendo aqui comparar Obama, Clinton ou Bushinho. São diferentes, é claro. Melhor Obama do que Clinton. Bushinho eu nem comento. O ponto é apenas salientar que a questão ética me parece extemporânea nesta discussão. E o que vale mesmo é o Galo, e aqui sim, respeitosamente.
Abraços

Fred em março 8, 2008 8:10 PM


#42

Sidarta, oi :)

eu entendo completamente o que você diz sobre manter os principios, porem, a minha questão é: se não ripostar não será eleito. ou seja, se não souber contra atacar, não vai servir de nada ao povo americano que ele tenha imensas qualidades, porque não vão tê-lo lá para as usar! entende o que quero dizer??

se o inimigo joga baixo eu não tenho problema com jogar ao nivel dele. já a forma como se exerce o poder é outra coisa. por isso escolheriamos a ele e não a ela. agora amiga!, neste momento, ou ele mostra as garras ou sai com o rabo entre as pernas, o que não deixa de ser uma desilusão para a onda de gente que o quer ver na presidencia.

não sei se me expliquei...

abraços

cristina em março 8, 2008 8:37 PM


#43

Se o filme 'Segredos do Poder', com John Travolta interpretando Bill Clinton, disse a verdade, então Obama tem muito mais artilharia para usar contra Hillary e Bill do que eles tem contra ele.

Isso de Imposto de Renda é fichinha perto do que estes 2 já aprontaram...E olha que eu sempre admirei e respeite Bill Clinton. Aliás, ele somente não enterrou Hillary, até agora, por causa do Bill, que é muito mais popular do que a esposa.

Marcos em março 8, 2008 10:26 PM


#44

somos verbo... e pelo verbo conhecemos....quanto cinismo e ironia no post #39...nem sei o que estou fazendo aqui...mas a vida é boa...Saudações Avelar...continue mandando ver, não perca o fôlego!!

Homo antiquus em março 9, 2008 12:06 AM


#45

Idelber,
Li um perfil enorme do Obama na revista Piauí. Reproduzido da New Yorker. Fiquei fã do homem. Se você leu, pode dizer se ele é mesmo aquilo tudo? Quanto a pergunta, creio que ele se fez candidato , com chances de ganhar a indicação e a presidência dos EUA, ao se apresentar como "diferente". Porque ele iria partir para o ataque e mostrar aos eleitores que é apenas "mais do mesmo"? Lembra o final da Fórmula 1 do ano passado? Ele não vai querer se arriscar a repetir o Hamilton.
Abs.
Rodrigo Eduardo- UBerlândia

rodrigo em março 9, 2008 12:21 AM


#46

Acho que fazer o jogo do concorrente para vencer é mostrar que não´há diferença alguma, portanto, para que vencer? Se o cara quer mostrar que é diferente, tem que manter as mãos limpas. E, além disso, concordo com o Marcelo, comentário 5. A história pode muito bem ser uma armadilha montada pela senadora.

aiaiai em março 9, 2008 7:57 AM


#47

Tendo em vista alguns comentários recentes, com os quais concordo, gostaria de acrescentar qual foi a base do meu comentário #30. Sei que é muito polêmico o que vou dizer, agravado pelo fato de que fica extremamente simplificado num comentário de algumas linhas. Mas vamos lá. Participei do mundo político o suficiente para constatar que, na prática, Política e Ética "vibram" em frequências diferentes. Não estou fazendo juízos de valor disto, apenas constatando uma prática que é muito diferente da teoria. É claro também que acho possível e desejável que a atuação dos agentes políticos respeite valores éticos. Mas, acima de tudo, os líderes políticos pensam pragmaticamente quando têm que tomar decisões estratégicas, pois a política é, fundamentalmente, uma disputa pelo poder hegemônico. Maquiavel, em "O Príncipe", demonstra magistralmente isto (não preciso falar que há por aí muita simplificação do pensamento dele, que é muito sofisticado). Acho que a aproximação dessas duas frequências (Política e Ética) é proporcional ao aperfeiçoamento de formas cada vez mais eficazes e adequadas de controle social e representação política. Mas, de forma geral, concordo com os comentários que reforçaram que questões como esta não estão necessariamente atreladas a parâmetros éticos, ainda que, num mundo ideal, seria fantástico se assim acontecesse.

Cláudio Freire em março 9, 2008 10:14 AM


#48

Ética... Ética, ética, etc... Usamos a palavra "ética" tanto quanto usamos "isso é certo!", "isso é errado!". O problema é que de tão usadas, às vezes, essas palavras passam como se estivéssemos em um lugar comum, um terreno conquistado... Quando talvez seja a maior "terra de ninguém" que já se deparou em todos os tempos. Principalmente depois do que na Filosofia se chama "cisão do sujeito", "cisão da razão moderna".
Não estou propondo que pelo fato de haver problemas em definir universalmente o que é o "justo ou injusto", deva-se deixar de lado todo e qualquer valor. O problema maior, sem querer ofender ninguém, é que se não pensamos no que implica nossa fala podemos estar falando muitas palavras, sem dizer muita coisa (flatus vocis?!), ou sem saber o que estamos dizendo.
Peço desculpas sobre a digressão filosófica, não pensei aqui em nenhum dos comentadores... É que fiquei refletindo o seguinte: Se Obama está sendo antiético, para afirmar isso só podemos nos basear sobre um princípio ético aceito universalmente (o que já é complicado por si só). Digamos que o que muitos pensam quando falam que Obama agiria de modo "sujo" é que ele não deve "pagar com a mesma moeda", não fazer à Hillary o que não gostaria que se fizesse com ele se ele estivesse no lugar dela, não fosse desumano com ela, etc.
Mas isso nem mesmo é tão fácil de pensar... Se tivessemos problema com nosso imposto de renda, não seria importante que fosse falado para então acertarmos nossas contas. E se essa informação pode impedir que essa Hillary entre já torta na presidência, não seria faltar com o dever com os próprios eleitores não divulgá-la... Não seria por outro lado faltar com a ética com eles, pois sem essa informação votariam em alguém que não está cem por cento com seus impostos? Uma outra questão é: quê problema há com o imposto de Hillary?; Tem muito dinheiro? Bem, Obama deve ter também... Sonega? Bem, então é melhor que não seja eleita e mesmo é importante que isso seja divulgado.
Obrigado, Idelber! É minha primeira participação em um blog. Parabéns por ele e me perdoe se me estendi.

Jaques em março 9, 2008 10:40 AM


#49

A questão é totalmente política, se estamos falando em estratégia de poder. Desculpem-me, mas se Obama acha certo ou errado falar sobre o imposto de renda da Hillary, não me parece que seja bem o ponto. Isso porque a questão é ver o impacto disso diante dos eleitores norte-americanos. “Ei, Obama! Você é jovem, siga a moral cristã e talvez na próxima eleição você ganha... Isso se não aparecer uma outra Hillary no seu caminho... Aí, você tenta na próxima encarnação, talvez os americanos possam te entender nas gerações futuras. Pelo menos o Sidarta Gautama , dizia que existia outra vida.”
Como eu disse, a questão é política. Concordo plenamente com alguns comentadores que pensaram principalmente em estratégias para chegar ao poder. Concordo que não podemos ser incoerentes, pois estamos lidando com a opinião pública norte americana e, ainda que digam que ela não é muito inteligente, ela acredita em suas “éticas”. O que não concordo é supor que Obama está fazendo sua campanha apenas por seus princípios éticos. Pode até ser, mas isso não me parece tão óbvio. Li certa vez que perguntaram para Sócrates se ele não achava que um tirano que tinha matado muitos e chegado no poder era feliz e virtuoso. Sócrates disse que só afirmaria com certeza se houvesse convivido e dialogado diretamente com ele, durante algum tempo... Torço por Obama, mas, repito, a questão é muito mais de estratégia de campanha do que de princípios éticos.

Jaques em março 9, 2008 10:45 AM


#50

Gosto da atitude dele. E está sendo consistente ao resistir à "tentação". Na minha opinião ele ganha pontos com isso, mas na prática sabemos que não é bem assim que funciona.
A questão aqui é: os fins justificam os meios? Vale "vender" a alma pra conseguir chegar lá? Já vi esse filme...
Renata

renata em março 9, 2008 11:23 AM


#51

Oi, Cristina!

Permita-me apresentar. Sou brasileiro e moro no estado do Ceará. O nome Sidarta vem de um livro homônimo de Hermann Hesse, e fala da história do Buda (Sidarta era um príncipe hindu que deixou o palácio buscando respostas para a vida). Minha mãe gostou tanto da história que tirou os nomes dos filhos todos do livro: Sidarta (eu sou o mais velho), Gautama (sobrenome do príncipe que depois se tornou o Buda), Hermann e Nirvana (que significa o estado de espírito mais elevado para o budismo).

Cristina tem a ver com Cristo? Interessante, li um livro uma vez chamado "Vivendo Buda, vivendo Cristo". Não estou aqui querendo colocar religião no meio de uma conversa sobre política, mas nossos nomes acabaram me levando a isso... ;)

Bem, eu li o seu comentário e compreendi o que quis dizer. Mas o que está em jogo aqui, e estendo essa reflexão a todos, não é apenas ganhar ou perder uma eleição. Para mim, a notícia que o Idelber compartilhou conosco nos remete a uma coisa maior ainda, que é a forma de se fazer política. Aparentemente é isso o que a campanha de Barack Obama tenta mostrar.

Precisamos nos perguntar que política nós queremos de fato. Se a mesma que nossos "representantes" fazem há anos ou se percebemos que está tudo errado e desejamos mudar o estado das coisas.

Obama poderia pensar que, para haver mudanças, precisaria primeiro chegar ao poder. Lula e o PT pensaram assim. Chegaram ao governo, e para obter algum poder, tiveram de se aliar com parte do que havia de pior na política brasileira.

Talvez por isso o Cláudio Freire, em seu comentário #48, diga:

"Participei do mundo político o suficiente para constatar que, na prática, Política e Ética "vibram" em frequências diferentes. Não estou fazendo juízos de valor disto, apenas constatando uma prática que é muito diferente da teoria."

Sabe o problema de separar a Política da Ética numa campanha política? É que a fatura sempre é cobrada no governo. Além disso, se você se acostuma a não ser ético numa campanha, quem garante se não usará os mesmos métodos para governar? Se o eleitor aceitou aquela forma de agir antes, com que argumentos cobrará depois?

Não estou dizendo aqui que Barack Obama não deve atacar Hillary Clinton. Deve fazê-lo, mas com suas próprias armas, porque a Ética também as tem, se forem utilizadas com sabedoria.

Num comentário anterior, #40, a Ana sugere:

"Se eu estivesse no lugar dele, num debate, reponderia apenas algo como: Esperava mais elegancia de uma senadora, e voltando ao assunto, acho que blablabla, minha proposta..."

Não sei se essa seria a melhor resposta, mas é preciso encontrar novos caminhos. O que não pode é deixar o público sem respostas. E há uma diferença, nesse caso, entre reagir e agir.

Então vou me despedindo, que eu já falei demais...

Abraços!

Sidarta em março 9, 2008 11:31 AM


#52

O que é desanimador nos blogs em geral é apresença inevitável de alguns rancorosos. Tive o desprazer de ler um comentário (felizmente retirado)com ofensas pessoais ao anfitrião do Biscoito. O que move esse tipo de gente? Há de se ter mu