Produz certo cansaço ver alguns clichês sobre a eleição americana sendo repetidos sem muita pesquisa. Os mais comuns deles são que “ninguém sabe quais as posições de Obama” ou “Obama não tem currículo” ou “ninguém sabe o que Obama fez no Senado”. Não compartilho do entusiasmo de alguns apoiadores que o apresentam como salvador da pátria e obviamente estou alguns quilômetros à sua esquerda na maioria das questões, mas desafio alguém a me apresentar um currículo de três anos e quatro meses no Senado que se compare ao de Obama em legislação relevante aprovada. O que caracteriza o sujeito são duas coisas bem raras: 1) um incrível talento para trabalhar com políticos de posições diferentes e encontrar soluções de compromisso; 2) uma detalhada atenção a legislação obscura e não necessariamente sexy, mas de importância incontestável.
Aí vai, então, uma listinha dedicada aos amigos e amigas que declararam que “ninguém sabe o que Obama fez no Senado”. Nenhuma dessas leis vai trazer a felicidade eterna ao mundo, mas todas demonstram um estudo detalhado de problemas relevantes. Obama é autor (ou, no primeiro e no décimo casos, co-autor) de:
1) uma lei que regulamenta o financimento e os procedimentos para a eliminação de armas nucleares e convencionais.
2) uma lei que especifica punições para fraudes eleitorais e intimidação de eleitores, problema crônico nos Estados Unidos, especialmente nas regiões pobres e negras.
3) legislação que cria uma comissão para fiscalizar a ética no Congresso, com amplos atributos para investigar e punir subornos, atividades ilegais de lobistas e falcatruas do gênero.
4) uma lei que, pela primeira vez, dirigiu a atenção do Senado para a gripe aviária e balizou a pesquisa e o combate a ela.
5) uma lei que regulamentou os planos de saúde para veteranos de guerra, incluído o tratamento dos distúrbios pós-traumáticos.
6) legislação (pdf) que regulamenta e melhora as condições para testes genéticos, muito elogiada por especialistas.
7) legislação que proíbe a FEMA (agência encarregada das emergências) de contratar empresas sem licitação, prática escandalosamente comum, de New Orleans a Bagdá.
8) importantíssima legislação que cria um banco de dados público, na internet, com os gastos do governo federal.
9) legislação que estabelece novos padrões para a economia de combustível.
10) uma lei – também elogiada por especialistas – que regulamenta os processos judiciais contra médicos e hospitais sem tirar os direitos dos pacientes vítimas de abuso real.
11) legislação que criou o fundo de assistência às vítimas do furacão Katrina.
12) legislação que regulamenta os gastos de governantes com viagens.
13) uma lei (pdf) que limita severamente a atividade de lobistas no Congresso.
14) uma lei (pdf) que proíbe e regulamenta a punição por práticas enganosas nas eleições federais.
15) legislação que aumenta a segurança das indústrias químicas.
16) uma lei que torna ilegal a venda de dados pessoais por companhias que preparam imposto de renda.
17) um adendo intitulado Iraq War De-Escalation Act, que reduz o número de tropas e estabelece prazos para a saída dos americanos do Iraque.
Sim, Obama é o autor de toda essa legislação. Em menos de três anos e meio. Da próxima vez que você ouvir que “ninguém sabe o que Obama fez no Senado”, já tem um link para fornecer.
A Executiva Nacional do PT não tem um histórico muito bom quando decide interferir nas decisões das sessões locais do partido. A situação calamitosa do PT fluminense vem de longe, mas foi sacramentada em 1998, depois que a convenção escolheu a candidatura de Vladimir Palmeira ao governo do estado. A mando de José Dirceu e cia., a cavalaria cossaca do PT paulista invadiu o Rio para impugnar a decisão e impor Benedita da Silva como vice numa chapa com .... Garotinho!, na mais burra coalizão já feita na história do partido. A lógica do golpe era garantir uma aliança nacional com um Leonel Brizola que, naquele momento, já tinha menos peso eleitoral que Enéas. Os petistas fluminenses sabiam quem era Garotinho e previram o desastre, mas a Avenida Paulista falou mais alto outra vez. Não digo que Vladimir ganharia a eleição, mas ele tinha chances. O fiasco com Garotinho só trouxe, para o PT fluminense, uma desmoralização da qual ele não se recuperou até hoje (à luz desse episódio, diga-se de passagem, fica claro o imenso cinismo de José Dirceu, comemorando a vitória das “bases” sobre os “caciques” na recente prévia em que Maria do Rosário derrotou Miguel Rossetto em Porto Alegre: os petistas do Rio conhecem o respeito que Dirceu tem pelas bases).
Agora, a história é ao revés. A sessão local quer fazer uma aliança e a Executiva Nacional impugnou. Já não é segredo para ninguém que o prefeito Fernando Pimentel (PT-BH), político com índices de aprovação superiores aos de Lula entre seus representados, anda de namoro com Aécio Neves (PSDB-MG), com vistas a uma aliança na qual o PSB (sim, os socialistas, não os tucanos) indicaria a cabeça-de-chapa para a prefeitura de Belo Horizonte e o próprio Pimentel sairia como candidato ao governo do estado, apoiado por Aécio. Qualquer um que saiba a diferença entre a Savassi e o Cachoeirinha entende que, com os apoios de Aécio e Pimentel, até José Roberto Wright se elege prefeito de Belo Horizonte. Pimentel foi eleito no primeiro turno com 69% dos votos e sua taxa de aprovação anda por volta dos 74%. A aliança PT-PCdoB-PSB governa Belo Horizonte há 16 anos.
A nota da Executiva que veta o acordo afirma que O DN e o Diretório Estadual de Minas Gerais consideram o governo Aécio Neves uma administração comprometida com políticas frontalmente distintas daquelas que compõem nosso ideário e o nosso programa de governo . Dez anos atrás, essa frase teria sido defensável. Hoje, depois das alianças do PT com José Sarney e Jáder Barbalho, ela soa cínica aos olhos de grande parte do eleitorado. Não discuto o mérito dessas alianças. Minha posição é que elas só poderão ser eliminadas depois de uma reforma política. O problema é concreto: o que vai pensar o eleitor petista em Minas, vendo o partido jogar pela janela a possibilidade de governar o segundo maior estado da federação? A pior parte da nota da Executiva é o ponto seguinte, que estabelece que o partido não autorizará, em nenhuma hipótese, o PT a participar de qualquer coligação da qual faça parte o PSDB naquela capital . Note-se que o virtual candidato a prefeito de BH não é do PSDB; é do PSB, partido historicamente aliado ao PT. Sabedora de que a aliança não prevê apoio a nenhum candidato do PSDB, a Executiva vai além e proíbe a participação em qualquer coligação na qual o PSDB esteja presente. Não custa lembrar que o carlismo foi enterrado na Bahia com não desprezível papel de uma série de alianças PT-PSDB. Em Minas, Aécio age de olho em sua candidatura a presidente? É óbvio que sim. Mas também está claro que Aécio, que dá nó em pingo d'água, sabe que essa aliança não lhe garante nada quanto à posição do PT – um partido complexo – em 2010.
Não defendo a coalizão mineira necessariamente, mas acho que o PT nacional não está lidando com o desafio da forma mais inteligente. O PT já poderia, por exemplo, ter deslocado o nome que está sobre a mesa, do Secretário Estadual do Desenvolvimento Econômico, Márcio Lacerda (PSB), sobre quem pairam dúvidas de ordem ética, em favor do outro nome que havia sido oferecido, a excelente ex-reitora da UFMG, Ana Lúcia Gazzolla (PSB), sobre cuja integridade e competência não paira nenhuma dúvida. Agora parece que já é tarde. Mesmo em Minas, há setores resistentes ao acordo, especialmente na esquerda do PT. O argumento é que se for para abrir mão da cabeça-de-chapa em BH, que seja em favor de uma velha aliada, a deputada federal do PC do B Jô Moraes (em quem votei, aliás). Ela é a atual líder das pesquisas em qualquer cenário que não inclua Patrus Ananias. Se o PT terminar indicando o vice de Jô Moraes ao invés de costurar o acordão com Aécio, isso pode repercutir nas eleições de São Paulo, emplacando Aldo Rebelo como vice de Marta Suplicy. Aliás, já está impossível acompanhar as duas corridas isoladamente. Reitero que não sou fã de Aécio Neves, mas o PT vai passar por um desgaste muito grande se dinamitar essa aliança sem tato e aparecer, daqui a dois anos, fazendo campanha para Ciro Gomes.
Eu apostei porque sou torcedor. Mas acreditem, eu já temia isso. Se vocês vasculharem os arquivos do Galo é amor, verão uma série de comentários meus, desde o início do ano, malhando a diretoria do Atlético-MG pela absurda decisão que abriu a temporada: recusar-se a renovar o contrato de Leão, que tinha feito uma boa campanha no ano passado, e trazer Geninho, um dos maiores picaretas da história do futebol brasileiro. Leão é chato, cri-cri, reclamão, autoritário e vaidoso. Mas você não vê as equipes de Leão – por mais frágeis individualmente que elas possam ser – levando essas goleadas que sofrem os times de Geninho.
Há conquistas no futebol que criam famas imerecidas. O título brasileiro de 2001, conquistado pelo Atlético Paranaense, é um deles. Além daquela conquista, fruto de um surto de genialidade de Alex Mineiro, Kléberson e Kleber nos jogos finais, Geninho nunca ganhou nada. Colecionou desastres por onde passou. Conseguiu perder o Campeonato Goiano dirigindo o Goiás. O que dizer de uma criatura que consegue perder o Campeonato Goiano dirigindo o Goiás? Que eu saiba, Geninho é o único treinador da história a ter escalado uma equipe no 3-5-2 sem nenhum meio-campista armador. Sim, isso aconteceu nas quartas-de-finais do Campeonato Brasileiro de 2002, quando ele dirigiu o Galo contra o Corinthians no Mineirão, e escalou um 3-5-2 com três zagueiros, dois laterais, três volantes e dois atacantes: um mostrengo incapaz de chegar ao gol adversário. O Corinthians nos enfiou 6 x 2 e liquidou a fatura no primeiro jogo. Agora, Geninho inclui mais uma grande originalidade no seu currículo: o único treinador em cem anos de história do Clube Atlético Mineiro a ter levado 5 x 0 do ex-Ipiranga.
O resultado foi vexatório o suficiente para, provavelmente, encerrar a carreira de Geninho no Galo, tendo ele escalado, de surpresa, no clássico, uma equipe que jamais havia jogado junta. Entregamos o Mineiro para o ex-Ipiranga. De positivo, fica o fato de que pela primeira vez em muito tempo tivemos um clássico sem nenhum incidente de violência grave. Coisa bonita. O ex-Ipiranga é o merecido campeão mineiro. Não tem culpa da burrice da diretoria do Galo.
Parece que já errei as previsões em Minas e em São Paulo. No Rio, ainda aposto no Fogão. Caixa de comentários aberta para protestos e gozações. É do jogo.
O governo de Michelle Bachelet, no Chile, enfrenta oposição cerrada à direita e à esquerda. Seu gabinete é uma coalizão da Democracia Cristã, do PPD (Partido para a Democracia, centro) e do seu próprio Partido Socialista, este último em posição minoritária. As taxas de popularidade da presidente chegaram a um nível baixíssimo com a implementação da Transantiago, o novo sistema de transporte coletivo da capital, recebido com muitos protestos. A violenta repressão ao movimento secundarista, em 2007, não ajudou muito as coisas. No mês passado, o movimento em favor dos direitos reprodutivos sofreu uma derrota no Chile: a Suprema Corte, por 5 votos a 4, proibiu o sistema público de saúde de distribuir a pílula do dia seguinte. Sublinhe-se que a presidente Bachelet lamentou a decisão.
Recentemente, as taxas de aprovação de Bachelet voltaram a subir, mas a oposição de esquerda continua protestando vigorosamente contra a utilização das leis anti-terrorismo de Pinochet contra líderes mapuches. No começo deste ano, a líder mapuche Patricia Troncoso concluiu uma greve de fome de 109 dias, arrancando do governo algumas concessões. Recentemente, lideranças mapuche entregaram ao Conselho de Direitos Humanos da ONU um relato da repressão contínua que vêm sofrendo os protestos. Quase um milhão de pessoas se declaram de origem mapuche; os falantes nativos da língua, no Chile, são aproximadamente 200 mil.
Chega-me agora este belo vídeo do grupo Sub(verso), que trabalha alguns desses temas. Confira o rap:
Este blog tem uma baita tradição de acertar os resultados dos estaduais. Na semana passada, acertei as semifinais no Rio e em São Paulo. Houve protestos dos tricolores, achando que eu tinha algo contra seus times. Mas não era. Tratava-se de observação mesmo, apesar de que tenho visto poucos jogos.
Para as finais, aí vão as previsões: o Triângulo das Bermudas será alvi-negro.
Alguém aposta?
São bem-vindas as sugestões de prendas -- dentro dos limites do razoável -- para os perdedores das apostas.
Do loooongo trabalho que vou apresentar hoje à tarde aqui no Simpósio de Direitos Humanos na Universidade de Minnesota, escolhi três parágrafos polêmicos para traduzir e publicar aqui no blog. Aí vão, dedicados à Mary W, para quando ela tiver tempo de passar por aqui:
Um outro exemplo de como se negociam as fronteiras no discurso dos direitos humanos se encontra num artigo publicado por Piya Chatterjee e Sunaima Maira, intitulado An Open Letter to All Feminists: Support Palestinian, Arab, and Muslim Women. O artigo levanta uma questão interessante, ao assinalar que as feministas norte-americanas têm apoiado fortemente as lutas contra os assassinatos “de honra”, a mutilação genital e os casamentos forçados no mundo árabe, mas não dizem praticamente nada sobre a violência sofrida pelas mulheres árabes como resultado das ocupações ocidentais. Nas palavras de Chatterjee e Maira: “incomoda-nos o fato de que as feministas norte-americanas ... estejam participando num discurso seletivo de direitos humanos que ignora os crimes de guerra e os abusos de direitos humanos dos Estados Unidos.” Segundo as duas autoras, uma série de afirmações de feministas norte-americanas acerca das mulheres árabes ou muçulmanas têm sistematicamente se focalizado nelas somente como vítimas de sua própria cultura, e não como vítimas da violência colonial ou imperial perpetrada pelas ocupações. Note-se que Chatterjee e Maira em nenhum momento sugerem que as feministas parem de denunciar, por exemplo, a mutilação genital ou os casamentos forçados. Não se trata disso.
Não estamos aqui diante do velho debate do universalismo contra o particularismo, da defesa dos direitos humanos versus a defesa das tradições culturais locais. Na realidade, mais atenção, por parte das feministas norte-americanas, ao trabalho realizado por mulheres do Terceiro Mundo sobre essas questões já as teria levado à conclusão de que a própria oposição entre universalismo e tradições locais – ambos os termos, ou seja, a totalidade da dicotomia – só se mantém na medida em que nos situamos no ponto de vista do sujeito imperial do Primeiro Mundo: “é assustador que nestes tempos catastróficos, muitas feministas liberais dos Estados Unidos só enfoquem as práticas misóginas associadas com as culturais particulares locais, como se estas existissem em cápsulas, longe da arena da ocupação imperial”. Ao usar a expressão “discurso seletivo dos direitos humanos universais”, as autoras levantam um aparente paradoxo, na medida em que a universalidade supostamente eliminaria a seletividade. O universal, pensaríamos, não é seletivo.
Na verdade, por trás desse paradoxo se encontra o processo de constituição de todo universal. Qualquer categoria universal se fundamenta sobre uma abjeção, um elemento expelido que demarca suas fronteiras, uma exclusão que chamaremos aqui de lá fora constitutivo. Para o sujeito dos direitos humanos no nosso tempo, uma dessas abjeções constitutivas se emblematiza na categoria de combatentes fora-da-lei (unlawful combatants), termo com o qual a administração Bush exclui os detentos de Guantánamo não só das Convenções de Genebra, aplicadas a prisioneiros de guerra, como também da Convenção sobre a Tortura, aplicada a todos os seres humanos. A categoria de combatente fora-da-lei constrói, portanto, não só um sujeito extra-jurídico, mas também um lá fora da humanidade mesma.
Foi diferença exata para não significar nada e prolongar a agonia. Havia mais ou menos um consenso de que uma vitória de Hillary por somente 3 a 5 pontos seria letal para suas pretensões de virar o jogo para cima de Obama. Também era mais ou menos consensual que uma vitória por 15 ou 20 pontos a colocaria em condições (remotas, é verdade) de começar a fazer contas para a virada. A diferença foi de 10 pontos. Fundamentais na vitória de Clinton foram suas grandes vantagens entre os donos de armas e os religiosos.
Esta vitória de Clinton por 10 pontos nos deixa onde estávamos. Da margem de quase 150 delegados em favor de Obama, Hillary recuperou, provavelmente, 6 ou 7. Acabaram-se os grandes estados onde ela poderia tirar a diferença. A próxima primária importante é no dia 06 de maio, na minha primeira morada nos EUA, a Carolina do Norte, onde Obama é franco favorito.
Posso confessar uma coisa? Já não agüento mais comentar essas primárias. Está ficando agônico. Alguém aí está com a mesma sensação de cansaço?
O jornalista Luis Nassif publicou outro capítulo do dossiê Veja, com referência a fatos que foram debatidos à exaustão aqui no blog nos últimos dias. À luz de tudo o que foi dito, gostaria de tecer algumas considerações sobre o meu post anterior.
1. O post fazia uma crítica violenta a Luis Nassif pela sua resposta a um questionamento de Gravataí Merengue. A resposta envolvia a vereadora Soninha, gesto pelo qual Nassif já se desculpou. O post cumpriu a função de chamar a atenção a essa injustiça.
2. O post também insistia na presunção da inocência de uma jornalista que estava sendo acusada sem que se tivessem suficientes elementos sobre a mesa. Neste aspecto, o post também cumpriu, acho, um papel positivo, ao insistir em que ninguém se precipitasse a julgar. Apesar de um ou outro excesso de parte a parte, o debate que se produziu foi extremamente positivo e se ateve aos fatos. O leitor que visitar as duas caixas de comentários dedicadas ao assunto terá amplos elementos para julgar por si próprio.
3. No entanto, ao criticar a precipitação, eu cometi, eu mesmo, no post original, duas ou três precipitações. Me referi ao post do Gravata como “absolutamente irrefutável.” Ora, irrefutável, nesta vida, pouquíssimas coisas são. Esse post do Gravata não é uma delas, apesar de que cumpriu um papel positivo. Mais adiante, eu afirmava que Nassif havia dado “um tiro na credibilidade do dossiê Veja”. Essa metáfora era inapropriada. O correto haveria sido insistir no fundamental naquele momento: a falta de elementos suficientes para se julgar uma acusação. Não me limitei a isso e redigi duas ou três frases que davam a entender que eu já havia resolvido, na minha cabeça, a questão, dando razão a um dos lados. Por essa precipitação eu peço desculpas ao conterrâneo Luis Nassif.
4. Que fique claro o que significam e o que não significam estas desculpas: significam que eu reconheço que me excedi nas críticas a Nassif, ao redigir um post que já praticamente atribuía a razão total a um dos lados. As desculpas não significam que eu tenha me decidido pela culpabilidade de quem quer que seja. O novo capítulo do dossiê Veja está aqui e a contra-argumentação poderá ser acompanhada no blog da Janaína Leite, visita que o Biscoito recomenda para que o leitor possa cotejar todas as versões dos fatos.
5. A decisão editorial da casa, para este post, é manter a caixa de comentários fechada. Acredito que devo uma satisfação aos leitores por ela: não me sinto confortável transformando uma caixa de comentários do meu blog em imenso tribunal armado ao redor de uma fogueira de Torquemada, ante a qual se debate a integridade de uma colega blogueira (seja ela de que posição política for). Os foros apropriados para este debate são o blog do Nassif e o blog da própria Janaína, ambos dotados de moderação de comentários, sagrado direito blogueiro que o Biscoito prefere não exercer.
6. Ficam aqui, pois, o esclarecimento e os links a todos os textos relevantes deste debate.
Pautas possíveis para a imprensa esportiva independente
O excelente Impedimento fez uma reunião de pauta um dia desses. Comecei a redigir um comentário e ficou extenso demais, razão pela que acabei transformando-o em post. Como apreciador de futebol, vejo uma infinidade de temas para cuja investigação a imprensa esportiva tem sido extremamente tímida. Nessa carência podem entrar os bons blogs de futebol, como o Impedimento, o Balípodo, o Futepoca, o De Primeira, o Além do Jogo e outros poucos blogueiros equipados para fazê-lo, como o Marmota e, na grande imprensa, o indispensável Juca.
1.As contas da CBF são uma caixa preta, escondida sob a brecha legal que estabelece que se trata de uma organização privada. Trata-se de uma falácia lógica, mas juridicamente sustentada hoje no Brasil. A CBF administra um bem essencialmente público, um patrimônio que pertence ao país; ela opera como dona de marcas que são de todos, como a da Seleção Brasileira. Recentemente, revelou-se que a Seleção Francesa recebia da Nike um valor 5 vezes maior que o do Brasil. Para onde vai o dinheiro é pergunta de resposta nebulosa, que a imprensa não investiga.
2.Inúmeras suspeitas já foram levantadas sobre o funcionamento do Conselho de Arbitragem e a escalação de juízes. A imprensa não seguiu nenhuma dessas pistas.
3.Incontáveis indícios de relações incestuosas entre os chefes de organizadas e os cartolas – coisa que vai além da já conhecida distribuição de ingressos, subsídios e viagens – permanecem sem investigação na imprensa.
4.Há um par de semanas, a Placar noticiou um inquérito da Polícia Federal sobre os irmãos Perrella, do Cruzeiro, acusados de lavagem de dinheiro, evasão de divisas e sonegação fiscal. Uma ou outra nota apareceu na televisão, mas na imprensa escrita mineira, pelo que vejo, há um silêncio absoluto. Como é possível que haja repórteres vivendo o dia-a-dia de um clube sem saber de algo que é comentado à boca pequena até no Café Nice da Afonso Pena?
5.Também há uns 15 dias, o Ipatiga teria efetuado uma tentativa de suborno sobre o Villa Nova, de acordo com o testemunho de um jogador, o goleiro Glaysson (que denunciou o caso à diretoria e fez um partidaço, sendo chave na vitória de 3 x 2) e o atacante Ricardinho, que não jogou e curiosamente foi parar no Ipatinga na seqüência, depois de expulso do Villa Nova em condições estranhas. A Gazeta deu notinha, depois mais nada. Tem imprensa atrás desse fato? Se tiver, será uma surpresa para mim.
6.Que fique claro: também adoraria que se investigassem as contas do Galo, especialmente das diretorias pós-Elias Kalil. Naquela época, o Galo tinha um dos patrimônios mais sólidos do país, junto com o São Paulo e os dois do Sul, além de possuir um naco enorme da Seleção Brasileira – jogadores vendidos por valores que, puxa, eu adoraria ver como entraram ao clube em sua totalidade. Depois, sobre grandes vendas como a de Gérson (centroavante, ex-Inter), há muitas perguntas. Tem investigação jornalística atrás disso? No creo.
7.Há gente bem informada com motivos para suspeitar que pelo menos parte da matéria da Veja com o árbitro Edilson Pereira de Carvalho também pode ter atendido interesses – evidentemente, a matéria baseia sua verossimilhança no fato de que o próprio culpado se confessa. Que Edilson se envolveu em corrupção de um jeito ou outro, é fato. Não afirmo com certeza quem foi o corruptor. Algumas das arbitragens dos jogos anulados pareceram – no contexto escabroso da arbitragem brasileira – bastante razoáveis. A anulação foi chave para que Corinthians ultrapassasse o Internacional em 2005 e a nova tabela – com o hipotético “como ela ficaria com a anulação dos jogos apitados por E.P.C.” -- já acompanhava a primeira matéria da Veja sobre o escândalo. Será que está no radar do Nassif? Será que não valeria a pena entrar no radar do jornalismo esportivo independente?
8.O glorioso Clube de Regatas Vasco da Gama merece um microscópio especial, posto que hors-concours em termos de falcatruas no topo. Mas aí, claro, já é tarefa para quem não tem muito amor à vida.
Outros fãs de futebol com certeza seriam capazes de lembrar de ocasiões e histórias nebulosas que deveriam ser investigadas. É pesquisa difícil e, em alguns casos, barra-pesada. Mas, se os blogs em algum momento preenchessem essa demanda da qual 95% da imprensa não parece dar conta, seria um grande salto.
Se você habita Blogolândia há mais de três anos, provavelmente já ouviu falar daquele que eu apelidei aqui, carinhosamente, de Deus. Convidado a palestrar por esta chiquérrima universidade – que concentra, sem dúvida, o maior número de imberbes de terno e gravata do planeta –, tive a oportunidade de conhecer Deus pessoalmente.
Deus é Fábio Sampaio, o responsável direto pelo fato de que você possa ler e escrever no Biscoito em condições de total conforto, segurança, tranqüilidade e privacidade. Webmaster, ás da tecnologia, um dos maiores conhecedores de Movable Type do mundo, o Fábio há anos cuida dos bastidores do blog e resolve todos os problemas que aparecem com rapidez e competência alucinantes. Por fim, pudemos nos conhecer.
Acabamos indo juntos para a Grande Meca passar o dia. Para os que admiram o trabalho do Fábio, aí vai a notícia: trata-se de um grande cervejeiro! Ales, ambers, lagers, ele traça todas. Com o dia belíssimo e o sol brilhando em Nova York, optamos por uma Summer Ale no Bryant Park, enquanto repassávamos futebol, política, tecnologia e blogs, entre boas risadas. A Summer Ale dos novaiorquinos foi aprovada: ótimas textura, consistência, sabor e aroma. Depois, rodízio brasileiro na Rua 39: alcatra, maminha, lombo, cupim, carneiro, lingüiça, frango, coração e picanha para fazer qualquer vegetariano benzer-se três vezes.
Foi um dia memorável nessa que ainda é a minha cidade favorita, a mãe de todas as urbes. Mais uma vez, lembrei-me do que realmente faz a diferença em Blogolândia: a possibilidade de conhecer gente interessante e divertida. Valeu, Fábio.
PS: Ao falar do Fábio, não posso deixar de agradecer também outro pioneiro que possibilitou a existência deste blog: Nemo Nox, que desenhou o layout original que você vê aqui e me ajudou enquanto eu dava os primeiros passos, em 2004. Minha próxima visita a Nova York será em outubro, e dessa vez arrastaremos também o Nemo, que trabalha em Washington. Sim, este blog já entrou em cena auxiliado por pioneiros da internet brasileira.
PS 2: O juiz era Luiz Carlos da Silva, mas mesmo assim o Galo foi bravo e está nas finais do Campeonato Mineiro.
PS 3: Não poderei assistir os jogos decisivos dos Estaduais aí no Brasil, mas deixo meus palpites: acho que em São Paulo dá Palmeiras e no Rio dá Botafogo. Em São Paulo, o Biscoito torce pela Ponte Preta e celebrou a sua vitória sobre o time-empresa do Guaratinguetá.
Artigo 5°
Ninguém será submetido a tortura nem a penas ou tratamentos cruéis, desumanos ou degradantes.
A oito meses de seu sexagésimo aniversário, a Declaração Universal dos Direitos Humanos continua a ser diariamente pisoteada ao redor do mundo, hoje talvez mais que nunca. Poucos documentos combinam de tal forma o prestígio e a irrelevância; poucos são tão universalmente reconhecidos e aceitos ao mesmo tempo que universalmente desrespeitados. A Carta completa 50 60 anos justo quando se revela que, na outrora exemplar democracia americana, não só a tortura é legalizada como a cúpula governamental se reúne para decidir quais técnicas serão usadas em quais prisioneiros. É fartamente sabido pelos historiadores que os Estados Unidos têm uma longa história de promoção da tortura ao redor do mundo, mas a situação que vivemos hoje é de gravidade inédita.
Talvez a universidade americana que mais consistentemente tenha trabalhado com o tema seja a Universidade de Minnesota, onde se encontra, inclusive, um programa de estudos, um centro dedicado exclusivamente ao assunto e uma vasta biblioteca digital em cinco línguas. Para marcar o aniversário da Declaração dos Direitos Humanos, a Universidade de Minnesota reúne, nos dias 23 e 24, nove acadêmicos que apresentarão palestras longas, de um hora, sobre o tema. Por engano ou distração, convidaram este atleticano blogueiro – que anda meio em pânico de falar diante de um público de feras especialistas, que inclui até mesmo ex-comissários das Nações Unidas.
Meu trabalho está em preparação (portanto, se eu desaparecer do blog, vocês já sabem o que é). A idéia é falar um pouco do que foi e é excluído do espaço delimitado pelo “humano” na expressão “direitos humanos”. Será, enfim, um trabalho sobre o lá fora dos direitos humanos, assim como suas fronteiras, ao longo da história. A lista é longa e abarca desde as mulheres que, em várias sociedades, enfrentam incontáveis obstáculos a exercitar o controle sobre seus próprios corpos até os sujeitos recolhidos em Guantánamo, figuras não-jurídicas, fora de toda lei, desprovidos da mais básica humanidade; desde os palestinos, subtraídos do artigo décimo quinto da declaração (e por extensão de todos os outros) até gays e lésbicas, formalmente reconhecidos como iguais pela lei, mas freqüentemente impedidos de exercitar o direito de andar de mãos dadas sem serem espancados.
O pensador italiano Giorgio Agamben cunhou a expressão vida nua para designar esse mais além (ou mais aquém) do humano – esse sujeito que se constitui num espaço limítrofe, desprovido de direitos, reduzido a uma existência nua. A obra de Agamben tem sido iluminadora para pensar o problema das fronteiras e do lá fora dos direitos humanos.
O objetivo deste post é abrir o espaço para que meus generosos leitores contribuam com o que quiserem. O que quiserem, mesmo. Se você é advogado e se interessa pelo tema, deixe aí o depoimento. Se tem atuação política e já refletiu sobre a situação dos direitos humanos, no Brasil ou em qualquer lugar, escutarei seu pitaco com atenção. Se já parou para pensar sobre os direitos específicos às mulheres, aos gays e lésbicas, aos imigrantes, aos negros, aos indígenas, às crianças, aos presos ou a qualquer outro grupo social, deixe aí seu comentário. Se trabalha com artes ou literatura e já parou para pensar na representação deste mais cabeludo dos temas, escreva aí. Bons links são muito bem-vindos.
Open thread dos direitos humanos, para ajudar o blogueiro a não passar vergonha no meio dos gente grande lá em Minnesota semana que vem.
O jornalista Luis Nassif publicou um post retratando-se com a vereadora Soninha, pelo fato de tê-la atacado depois das críticas feitas pelo Gravataí Merengue, seu ex-chefe de gabinete, a um capítulo do dossiê Veja. Este blog, que criticou Nassif durissimamente por essa confusão, não poderia deixar de linkar o post e louvar sua atitude. É próprio dos grandes reconhecer quando erram. O post de Nassif não só usa as palavras minhas desculpas como oferece o link para o texto em que Soninha lhe responde. As desculpas foram aceitas por Soninha e este aspecto do episódio está encerrado.
Sobre o conteúdo da discussão, o que posso dizer é que estou em contato com Nassif por email, li com muita atenção os 124 comentários postados até agora e reservo julgamento por enquanto. Em breve, será publicado um novo capítulo do dossiê Veja. Para finalizar, fica o agradecimento ao inacreditável time de comentaristas que exerce um controle de qualidade permanente sobre este blog. Obrigado.
Na semana que vem, depois que chegarem os resultados das primárias da Pensilvânia, no dia 22, vocês me cobrem uma reflexão sobre o poder eleitoralmente demolidor que pode ter, na política americana, o simples ato de dizer a verdade sobre a classe trabalhadora. O problema da verdade dita por Obama na semana passada – e que simplesmente não para de ser tema de debates, programas, comerciais e ataques, tanto de Hillary como de McCain – é que se tratava de uma verdade que escondia uma verdade maior.
Ao ser perguntado, num evento de campanha, sobre como ele conseguiria os votos da classe trabalhadora da Pensilvânia, Obama fez alusão às frustrações causadas pelas muitas promessas não cumpridas pelos políticos. Para arrematar, ele disse: não surpreende que eles [eleitores de classe trabalhadora] se sintam ressentidos [bitter, "amargos"]; eles se agarram às armas ou à religião ou à antipatia contra as pessoas que não se parecem com elas ou aos sentimentos anti-imigrante ou anti-comércio como forma de explicar suas frustrações.
Soltaram os cães de dentro do inferno. Seguiram-se quatro dias de ataques pesadíssimos a Obama, “o elitista”. Hillary não resistiu e soltou mais um comercial negativo sobre o tema. McCain atacou com o bordão de que Obama está “fora de sintonia” [out of touch] com a América. Mesas-redondas, debates, programas televisivos, manchetes de jornal, tudo girou em torno disso nos últimos dias. A campanha de Hillary na Pensilvânia passou a distribuir adesivos que diziam we are not bitter. Enquanto tece loas ao papa, a campanha de Hillary também coleciona manifestações de ultraje contra o horror das declarações de Obama.
Para quem só lê o escrito, fica difícil entender o que está implícito ali. Qualquer pessoa familiarizada com a política americana, no entanto, extrai o subtexto. A pergunta não o dizia, mas se referia obviamente à questão racial. Traduzida em linguagem direta, a indagação era: como você vai ganhar esses eleitores de classe trabalhadora branca que se recusam a votar em um negro? Claro que Obama poderia simplesmente ter respondido vou fazer o possível para conquistá-los, ou qualquer generalidade do tipo. Mais uma vez, pode ser que tenha que pagar o preço por tocar temas tabus. Mas pode ser que isso acabe funcionando a seu favor.
Pessoas que não se parecem com elas significa, em linguagem codificada, negros. Obama disse o óbvio: brancos de classe trabalhadora com freqüência usam negros ou imigrantes como bodes expiatórios para suas frustrações com a perda de empregos. Não o disse assim, claro. Usou a frase citada acima. Tentou um circunlóquio que talvez tenha sido uma emenda pior que o soneto. Talvez.
Na Pensilvânia, o apoiador mor da campanha de Hillary Clinton, o governador Ed Rendall, disse claramente, quando perguntado sobre a elegibilidade dos candidatos: acho que alguns brancos não estão dispostos a votar num candidato afro-americano. A frase não era uma simples constatação. Era um ato de campanha. Era um argumento acerca da elegibilidade. É como se o porta-voz mor da campanha de Clinton na Pensilvânia estivesse dizendo: votem em Hillary, pois ela tem melhores chances de vencer, por ser branca. A isto está reduzido o debate das primárias democratas. Enquanto isso, McCain vai surfando na sua condição de darling da mídia.
Resta saber se todo esse imbróglio afetará a performance de Obama na Pensilvânia, o estado natal de Clinton, no qual uma derrota por menos de 10 pontos já será, para ele, um ótimo negócio. A julgar pelas últimas pesquisas, a barragem de ataques ainda não surtiu efeito; a vantagem de Clinton, que chegou a ser de mais de 20 pontos, está bem reduzida. Talvez seja porque, pela primeira vez em muito tempo, ao ser demonizado por um comentário controverso, um candidato democrata escolhe reafirmar o dito, ao invés de jogar o perene joguinho do recuo. Veja a resposta de Obama aos ataques:
A Pensilvânia vota no dia 22 de abril, terça-feira, e uma boa performance de Obama por lá pode terminar com estas agoniantes primárias, que ninguém aguenta mais, a não ser os Republicanos, claro, felicíssimos de ver o seu futuro adversário detonado diariamente por uma liderança democrata.
Nassif dá tiro no pé: o assassinato de reputação contra Janaína Leite e o gol de placa de Gravataí Merengue
Antes das minhas posições políticas e do meu desgosto com certos veículos de comunicação, está minha coerência e meu compromisso com a verdade. Mesmo exausto depois de uma palestra e várias reuniões aqui no Novo México, com dor de cabeça e o corpo seco por causa da altitude, não posso deixar de escrever agora sobre o que aconteceu nas últimas 24 horas.
O jornalista Luis Nassif pisou na bola, feio. Acaba de dar um tiro na credibilidade do seu dossiê Veja. Vamos aos fatos. Como sabe o leitor desta bodega, eu emprestei minha solidariedade à série de reportagens feita por Nassif sobre a Veja. Nela, se elencavam uma série de fatos de difícil refutação, que mostram como a publicação da Abril enveredou por algo que já não pode ser chamado de jornalismo. Se você prestar atenção, verá que, ao listar os argumentos, eu me abstive de qualquer referência ao caso Daniel Dantas / Telecom, por dois singelos motivos: 1) sobre este imbróglio eu não sei nada e, para dizer a verdade, nem quero saber; 2) nota-se visivelmente que Nassif tem um envolvimento de intensidade bem maior com este assunto que com os demais. Tudo bem. Nada disso tira a credibilidade dos outros fatos levantados pelo dossiê. Aos leitores que me interpelavam dizendo que Nassif tem interesses, eu respondia – e continuo respondendo – que o que importa é a veracidade dos fatos que ele levanta.
Mas no caso Daniel Dantas, eu estranhei, já na primeira leitura, uma série de ilações – sim, ilações – feitas contra a jornalista Janaína Leite, que cobriu o assunto para a Folha de São Paulo. Visitei o seu blog e tive as impressões de 1) uma jornalista íntegr