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segunda-feira, 28 de abril 2008

Ah, esses mineiros!

A Executiva Nacional do PT não tem um histórico muito bom quando decide interferir nas decisões das sessões locais do partido. A situação calamitosa do PT fluminense vem de longe, mas foi sacramentada em 1998, depois que a convenção escolheu a candidatura de Vladimir Palmeira ao governo do estado. A mando de José Dirceu e cia., a cavalaria cossaca do PT paulista invadiu o Rio para impugnar a decisão e impor Benedita da Silva como vice numa chapa com .... Garotinho!, na mais burra coalizão já feita na história do partido. A lógica do golpe era garantir uma aliança nacional com um Leonel Brizola que, naquele momento, já tinha menos peso eleitoral que Enéas. Os petistas fluminenses sabiam quem era Garotinho e previram o desastre, mas a Avenida Paulista falou mais alto outra vez. Não digo que Vladimir ganharia a eleição, mas ele tinha chances. O fiasco com Garotinho só trouxe, para o PT fluminense, uma desmoralização da qual ele não se recuperou até hoje (à luz desse episódio, diga-se de passagem, fica claro o imenso cinismo de José Dirceu, comemorando a vitória das “bases” sobre os “caciques” na recente prévia em que Maria do Rosário derrotou Miguel Rossetto em Porto Alegre: os petistas do Rio conhecem o respeito que Dirceu tem pelas bases).

Agora, a história é ao revés. A sessão local quer fazer uma aliança e a Executiva Nacional impugnou. Já não é segredo para ninguém que o prefeito Fernando Pimentel (PT-BH), político com índices de aprovação superiores aos de Lula entre seus representados, anda de namoro com Aécio Neves (PSDB-MG), com vistas a uma aliança na qual o PSB (sim, os socialistas, não os tucanos) indicaria a cabeça-de-chapa para a prefeitura de Belo Horizonte e o próprio Pimentel sairia como candidato ao governo do estado, apoiado por Aécio. Qualquer um que saiba a diferença entre a Savassi e o Cachoeirinha entende que, com os apoios de Aécio e Pimentel, até José Roberto Wright se elege prefeito de Belo Horizonte. Pimentel foi eleito no primeiro turno com 69% dos votos e sua taxa de aprovação anda por volta dos 74%. A aliança PT-PCdoB-PSB governa Belo Horizonte há 16 anos.

A nota da Executiva que veta o acordo afirma que O DN e o Diretório Estadual de Minas Gerais consideram o governo Aécio Neves uma administração comprometida com políticas frontalmente distintas daquelas que compõem nosso ideário e o nosso programa de governo . Dez anos atrás, essa frase teria sido defensável. Hoje, depois das alianças do PT com José Sarney e Jáder Barbalho, ela soa cínica aos olhos de grande parte do eleitorado. Não discuto o mérito dessas alianças. Minha posição é que elas só poderão ser eliminadas depois de uma reforma política. O problema é concreto: o que vai pensar o eleitor petista em Minas, vendo o partido jogar pela janela a possibilidade de governar o segundo maior estado da federação? A pior parte da nota da Executiva é o ponto seguinte, que estabelece que o partido não autorizará, em nenhuma hipótese, o PT a participar de qualquer coligação da qual faça parte o PSDB naquela capital . Note-se que o virtual candidato a prefeito de BH não é do PSDB; é do PSB, partido historicamente aliado ao PT. Sabedora de que a aliança não prevê apoio a nenhum candidato do PSDB, a Executiva vai além e proíbe a participação em qualquer coligação na qual o PSDB esteja presente. Não custa lembrar que o carlismo foi enterrado na Bahia com não desprezível papel de uma série de alianças PT-PSDB. Em Minas, Aécio age de olho em sua candidatura a presidente? É óbvio que sim. Mas também está claro que Aécio, que dá nó em pingo d'água, sabe que essa aliança não lhe garante nada quanto à posição do PT – um partido complexo – em 2010.

Não defendo a coalizão mineira necessariamente, mas acho que o PT nacional não está lidando com o desafio da forma mais inteligente. O PT já poderia, por exemplo, ter deslocado o nome que está sobre a mesa, do Secretário Estadual do Desenvolvimento Econômico, Márcio Lacerda (PSB), sobre quem pairam dúvidas de ordem ética, em favor do outro nome que havia sido oferecido, a excelente ex-reitora da UFMG, Ana Lúcia Gazzolla (PSB), sobre cuja integridade e competência não paira nenhuma dúvida. Agora parece que já é tarde. Mesmo em Minas, há setores resistentes ao acordo, especialmente na esquerda do PT. O argumento é que se for para abrir mão da cabeça-de-chapa em BH, que seja em favor de uma velha aliada, a deputada federal do PC do B Jô Moraes (em quem votei, aliás). Ela é a atual líder das pesquisas em qualquer cenário que não inclua Patrus Ananias. Se o PT terminar indicando o vice de Jô Moraes ao invés de costurar o acordão com Aécio, isso pode repercutir nas eleições de São Paulo, emplacando Aldo Rebelo como vice de Marta Suplicy. Aliás, já está impossível acompanhar as duas corridas isoladamente. Reitero que não sou fã de Aécio Neves, mas o PT vai passar por um desgaste muito grande se dinamitar essa aliança sem tato e aparecer, daqui a dois anos, fazendo campanha para Ciro Gomes.



  Escrito por Idelber às 05:46 | link para este post | Comentários (46)


Comentários

#1

é, eu acho que realmente nao dá pra defender uma alianca com aécio neves; se fosse outro cara talvez. aécio agora é uma das coisas mais podres da política brasileira (imagina isso!). o que vc tem que levar necessariamente em consideracao: 1. quem é márcio lacerda, meu deus (e oq ue é hoje o psb)? 2. pimentel faz qualquer coisa pelo governo do estado, e desrespeitou os próprios pts municipal e estadual; 3. por que motivo patrus nao acorda de seu sono letárgico-cristao e faz alguma coisa? 4. tem conversado com os (verdadeiros) petistas mineiros? eles estao revoltados com uma aproximacao a aécio (os acordos políticos teriam um limite ético?) 5. se houve erro do pt nacional, houve primeiro o erro da chamada turma do pimentel, e agora o imbroglio está difícil de resolver; e por aí vai. aqui em bh está todo mundo insatisfeito, de qualquer forma. parece que quem vai se dando bem é sérgio miranda. quanto a Jô, andam falando de uma alianca em contagem com newtao... que vai sair para prefeito. em quem votar?

ana em abril 28, 2008 9:59 AM


#2

Idelber,
uma nota curiosa sobre o episódio Garotinho em 1998: ouvi de fontes ligadas ao PDT na época que o apoio do PT local não era questão de honra para Brizola, que era mais do que escolado em promessas não-cumpridas dos petistas, desde a eleição estadual de 1990(até porque, como se sabe, o PT do Rio nunca teve enraizamento popular e operava como uma espécie de partido da intelligentsia da Zona Sul). Teria sido a própria Executiva Nacional do PT que fez força pela aliança como forma de controlar a luta interna e esmagar o lado oposto.

João Marcelo em abril 28, 2008 10:14 AM


#3

Quando eu soube da decisão da DN me deu vontade de chorar. Ainda voto no PT, mas parei de militar na época da intervenção no Rio, que foi feita muito mais para quebrar um núcleo de resistência à DN do que para ganhar o apoio do Brizola. Parabéns aos petistas mineiros que estão resistindo. Eu acho que a aliança PT/PSDB poderia ser o começo de um diálogo muito mais profundo, que, por enquanto, só pode ser feito por meio dos partidos do bloquinho, que ainda conservam alguma interlocução com os dois.

Na Prática a Teoria é Outra em abril 28, 2008 10:21 AM


#4

Posso estar errado, mas qto mais leio isso, mais eu acho que isso é uma bola levantada para o Lula cortar. Vao trocar o candidato, e o Lula vai intervir pra forçar a coligação e estender ainda mais a divisão entre tucanos.

the talk of the town em abril 28, 2008 11:15 AM


#5

Idelber:

Estou muito decepcionado com você. Até agora, não comentou o nojeto caso de censura ao blog do Gravataí. Acho que as suas afinidades ideológicas turvaram o seu senso de certo e errado.

Thiago em abril 28, 2008 11:20 AM


#6

Idelber,

Em primeiro lugar, gostaria de dizer que estou longe de achar o Aécio um santo, e penso que o tratamento que ele recebe da imprensa mineira é uma das coisas mais escandalosas que já vi em minha vida. É o imperador de Minas.

Mas o fato é que após a eleição do Lula acabaram-se todas as ilusões. Pelo menos as minhas. O PT não tem hoje legitimidade para impugnar essa aliança em termos programáticos, não depois de cortejar Quércia, compor com Maluf e aliar-se a Jader e at caverna.

Acho que boa parte da esquerda, incluída aquela bem intencionada e mais ideológica, talvez não esteja atentando para a importância do jogo jogado em MG. Para além da manutenção de uma bem sucedida parceria administrativa que é maciçamente aprovada pela população de BH, penso que o maior benefício dessa aliança é a abertura de uma janela de oportunidade de construção de um novo patamar de disputa política, que ultrapasse esse jogo rasteiro e golpista que vemos hoje em dia, onde mais vale discutir a tapioca do ministro, a picanha do Lula, o vinho francês do FHC e se foi dossiê ou não do que debater os grandes temas nacionais.

Aécio Neves é um grande articulador político. Isso nem seus adversários negam. Acho excelente que ele tente se habilitar como o candidato do pós-Lula, ao invés de ser o anti-Lula. Se essa aliança saísse, e se Minas conseguisse marchar senão unida, mas em harmonia, em 2010, poderíamos acabar com o impasse político que vivemos e alcançar um novo patamar de estruturação institucional.

Já imaginou o PT na oposição, fazendo o mesmo combate de antes, apenas menos pior do que aquele que a oposição faz hoje?

Eu gostaria de um governo que, apesar de ter oposição, conseguisse estabelecer diálogo com ela, construir consensos para alcançarmos algumas mudanças relevantes no nosso arcabouço institucional. Reforma política, tributária, melhora do marco legal que facilite investimentos em alguns setores. Reforma da previdência não, pelo menos não nos termos propostos pela grande mídia.

Enfim, acho que o PT escolheu seu adversário tucano preferencial, e ele é paulista. E reafirmou seu desejo de candidatura própria em 2010, na reafirmação de um DNA hegemônico que às vezes me irrita justamente por atentar contra a melhora do ambiente político, tornando-o menos dependente de composições com as legendas de aluguel que pululam por aí.

Queria escrever mais, mas minha hora de almoço tem limite.

Abraço.

Paulo em abril 28, 2008 11:37 AM


#7

a lógica da política municipal é outra. já vi em outras eleições alianças até do PT com o então PFL.

Serbão em abril 28, 2008 11:43 AM


#8

"(...) a excelente ex-reitora da UFMG, Ana Lúcia Gazzolla (PSB), sobre cuja integridade e competência não paira nenhuma dúvida."

Idelber, pela primeira vez fiquei decepcionado com algo que você escreve aqui no blog. Pergunte a respeito de Ana Lúcia Gazzola para qualquer um que estudou na UFMG durante o mandato dela (evite perguntar aos reacionários de plantão, que abundam ali). Pergunte especificamente sobre diálogo com os alunos. Toda a repressão ao movimento estudantil que vemos hoje foi iniciada por ela. Evitou o debate sobre Reuni, bandejão, a existência de assistência estudantil privada (cobrando taxa semestral dos alunos vinculada à matrícula), proibiu a realização de eventos no Campus e o consumo de bebida alcoólica (exceto é claro, nas diversas festas e coquetéis realizados na própria reitoria em eventos fechados).
Concordo que seria uma escolha menos ruim que Márcio Lacerda, mas ela está longe de ser essa beleza que você pintou.

Felipe em abril 28, 2008 12:08 PM


#9

Mano blogueiro,
ando falando que PSDB e PT são partidos irmão - primos irmãos, vá lá - e que são as duas únicas forças capazes de dar consistência à melhoria de vida dos brasileiros. Mas são ranzinzas também. Vivem com estes odiozinhos familiares, estas miseriazinhas que tomam a vida política de infâmias burocráticas. Então o PSDB se alia ao seu contrário, o PFL, e o PT se alia aos seus contrário, PP, PTB do Jefferson, etc.
Briga de família é fogo. Um não vai fazer nada muito diferente do outro, mas quer fazer sozinho.
Paz e bom humor, sempre
Walmir
http://walmir.carvalho.zip.net

Walmir em abril 28, 2008 12:40 PM


#10

Na verdade, aproveitando a deixa do Walmir, o que eu acho é que PT e PSDB deveriam se aproximar, cautelosa, transparente e programaticamente. Afinal, o PT se converteu à Social-Democracia, e o PSDB um dia desses precisa fazer isso de verdade.

Suspeito que, para isso, seja necessário o surgimento de um partido de direita mais ou menos higiênico. Enquanto do outro lado só tiver PFL, vai ficar nisso mesmo.

Na Prática a Teoria é Outra em abril 28, 2008 12:49 PM


#11

Idelber,

O candidato do PSDB é o Serra e eu duvido que a cúpula paulista abra mão. O PT não tem outro nome e sem o Lula é o legendinha como outra qualquer. É por isso que há esse mobilização em relação a um terceiro mandato.
O que enoja nessa interferência é a prova de que o PT está cagando para a sua base. Mas se formos levar seus interesses em consideração, esta decisão da DN é bem mais lúcida que a de 98 no rio. Afinal, o que é melhor: Lula apoiar Ciro Gomes ou apoiar Aécio (que poderia se candidatar pelo PMDB) em 2010?

Gabriel Mendes em abril 28, 2008 1:27 PM


#12

Sua análise é uma beleza! Sou do Rio e lembro-me da tragédia que foi a coligação com Garotinho e a atuação de Zé Dirceu (e de Lula) no episódio. Sobre BH, sou contra a coligação com o PSDB. Creio que só beneficia o projeto pessoal do Pimentel e do Aécio.
Essa união é tudo que o Aécio quer para, em 2010 (no PSDB ou no PMDB), posar de candidato que não é contra Lula e se eleger na esteira da ausência de um candidato do Governo que, de início, seja forte eleitoralmente. Como esse candidato (Patrus, Dilma ou Jacques Wagner) e o Partido vão dizer que o Aécio é oposição se o próprio PT coligou-se com ele em BH? Politicamente, considero essa aliança muito ruim exatamente porque vai confirmar o que setores democráticos da esquerda mais temem como conseqüência do atual Governo: a formação de um centrão político amorfo, que vai comandar o País por muito tempo, para que tudo continue como está. Os pequenos, e alguns um pouco maiores, avanços deste Governo seriam deixados de lado ou cairiam na "normalidade democrática", insípida e inodora. Os que pensam diferente seriam alijados do processo político, principalmente a esquerda, e toda e qualquer chance de avanço das idéias progressistas após 2010 iria para o ralo. A política seria resumida à "gestão", que é o que o Aécio faz em Minas.
Como sucessor da mítica tradição da política mineira, Aécio quer se eleger sem brigar com ninguém abertamente. Eleger sem ser contra ou a favor do Governo Lula, sem ter que se posicionar claramente sobre nada.
E a possibilidade de que isso ocorra é culpa principalmente do PT, que tem, de um lado, amplos setores que ficariam felizes nesse governo Aécio sem alma e, de outro, os que enxergam isso e querem evitar o que seria um retrocesso na política brasileira, mas não sabem como fazê-lo.
Falham na comunicação por não saberem dizer porque não querem se coligar com o Aécio. Aí soltam notas tolas, como essa feita pelo DN. E não sabem dizer porque, apesar de sentirem um mal-estar, não conseguem diagnosticar a doença, não notaram que perderam a capacidade de se articular em termos políticos e ideológicos, não perceberam que só conseguem ser a favor do Governo, que mataram qualquer vitalidade do Partido que o tornasse capaz de ser diferente, distinto, de um Governo de coalizão. O PT virou o "Zelig" de Woody Allen. Assim, se Lula não bater de frente com Aécio, ou o contrário, o que nunca vai acontecer, o PT fica sem discurso para dizer NÂO à coligação e sequer é capaz de uma saída minimamente honrosa, como as que você apontou.

Mauro Gabriel em abril 28, 2008 2:02 PM


#13

Hoje eu prometo responder os comentários com calma. Vai ser à noite, porque o dia está cheio.

Ana, eu entendo seu ponto de vista. Mas tenho umas ponderações. Vou lhe responder em detalhe.

Eu só ia chamar a atenção para o excelente comentário do Paulo e pedir que os leitores refletissem sobre ele. E aí apareceu o excelente comentário do Mauro Gabriel, com o ponto de vista oposto, que me balançou para o outro lado.

Ai ai. Esse negócio de pensar com a própria cabeça dá um trabalho danado.

Idelber em abril 28, 2008 2:13 PM


#14

Concordo com o Mauro Gabriel.
Acho que a democracia brasileira está amadurecendo agora e os campos estão se definindo. O PT representa uma alternativa de poder de centro-esquerda e o PSDB de centro-direita. Isso não quer dizer que não exista soluções de continuidade aí. Elas existem, e muitas ( vide política econômica do PT ao chegar ao poder). Mas as matizes ideológicas estão se delineando, estão ficando mais claras para a população. Para ficar só em Minas, nós sabemos o que esperar, quais as prioridades do Patrus( do PT) e do Aécio( do PSDB), por exemplo.
Na minha opinião essa polarização, desde que não haja radicalização , é importante para a nossa democracia incipiente.
Imagine só um acordão, o Aécio presidente apoiado por um centrão, com o PT incluso na aliança. Que facilidade ele teria para fazer uma reforma da previdência à maneira dos neoliberais!( não estou dizendo que ele faria isso. É só um exemplo). E quem gritasse contra essa reforma? Seria um "radical", um "jurássico", um "neobobo", ou coisa que o valha...
Aquela máxima "nada mais parecido com um tucano no poder do que um petista no poder" pode até ser verdadeira. Poderíamos falar isso também entre republicanos e democratas nos EUA ou entre trabalhistas e conservadores na Inglaterra, que são democracias mais consolidaddas que a nossa. Mas, eu acho, que o debate, o contraditório são indispensáveis.
É lógico que eu estou pensando é num possível desdobramento dessa aliança mineira e não num impacto imediato em Minas ou BH. Pois não haveria impacto já que essa aliança existe na prática. Aliás,seria importante que Minas tivesse outros pólos alternativos de poder...
Veja, eu não sou contra uma aliança do PT com o Aécio em 2010 ( ele é um político reconhecidamente habilidoso). Eu sou contra uma aliança PT e PSDB, pois eu acha que ela seria necesssariamente maléfica.
Agora suponhamos o seguinte quadro: Serra é o candidato do PSDB , apoiado por DEM e PPS. O Aécio vai para o PMDB e é candidato. Aí nesse caso uma aliança com Aécio seria benéfica, criando uma candidatura de centro-esquerda. Seria uma boa chapa: Aécio ( com sua habilidade política) e Dilma ( com sua capacidade administrativa) , pela coligação PMDB/PT/PSB/PDT/PCdoB ( Ciro e Lula seriam os grandes fiadores da aliança). Aí nós manteríamos o jogo democrático, com debates, com o contraditório.
Mas eu duvido que o PT aceitaria ceder a cabeça da chapa....
Vou ficando por aqui. O debate está ótimo





Bruno Pinheiro em abril 28, 2008 4:10 PM


#15

Caro Idelber
Concordo no geral.
No caso do Rio por você mencionado LOGO DE INÍCIO, e já bastante abordado aqui, RESSALTE-SE o grande equívoco que o líder Leonel Brizola cometeu e que lhe foi apontado pela Deputada Cidinha Campos com dois dias de governo de Garotinho. Comprovou-se na época a astúcia do governador Garotinho que no mesmo lance driblou Zé Dirceu e Brizola, O QUE NÃO É POUCO!
O episódio carioca e sua repetição em BH (ao revés, como diz você) mostra a pouca capacidade que os partidos brasileiros tem de fazer alianças, no século XXI como no século passado, em torno de objetivos NÃO fisiológicos. Vida que segue.

Paulo em abril 28, 2008 4:42 PM


#16

Idelber,

Achei ótima também a análise do Mauro, embora aparentemente diversa da minha. Agora não tenho tempo para escrever, mas depois farei outras colocações.

Passarei a assinar Paulo SPS (Paulo sem poder de síntese, hehehehe), já que outro colega chamado Paulo costuma postar aqui também.

Abraço

Paulo em abril 28, 2008 5:08 PM


#17

a única coisa que posso dizer, repito, é o seguinte: aécio neves, meus caros, nao dá. nao dá mesmo. é pessoa de baixa qualidade humana, como esperar dele algum compromisso político? será que nós, petistas (sou mesmo) nao vamos amargar essa decisao por muitos anos?

ana em abril 28, 2008 5:29 PM


#18

Política é o samba do crioulo doido mesmo.
Está só faltando desenterrarem de vez a "política do café-com-leite" da velha República.

gugala em abril 28, 2008 5:36 PM


#19

O ponto chave disso tudo é que parece estar claro que o DN do PT agiu eleitoreiramente,não ideologicamente.
O medo dos caras é uma aproximação do Aécio com alguns nomes do PT o que poderia afiançar uma candidatura dele pelo PMDB com apoio de Lula , de Pimentel e de Patrus (como ressaltou muito bem o Bruno Pinheiro), haja visto que a indicação de Aécio pelo PSDB é um pouco complicada dada a natureza paulistanocêntrica do partido tucano.
Mais que isso, vale a pena ressaltar o desequilíbrio da distribuição do poder dentro dos dois principais partidos do país. Não resta dúvida da importância de São Paulo na Federação, entretanto, o "resto" do país equivale a 70% do PIB nacional e 78% do eleitorado, mas hoje em dia os 30% da fatia da economia e os 22% do eleitorado que SP representa parecem estar falando mais alto e criando anomalias pelo país como aconteceu com o desmonte por parte do PT paulista...digo do DN do PT no Rio e no que tange a bisonha candidatura Alckimin em 2006 pelo PSDB.
No fim das contas, a aliança Aécio/Pimentel tem mais a ver com uma rebelião contra o esquema demasiadamente paulista da política de PSDB (por parte de Aécio) e uma mera aliança local para Pimentel do que numa tentativa de implementar uma uniformidade ideológica na política nacional, o que já fato consumado, infelizmente, há uns cinco anos.

Hugo Albuquerque em abril 28, 2008 5:53 PM


#20


O Mauro Gabriel teme o estabelecimento de um "centrão político amorfo", que vai comandar o país para deixar tudo como está. O problema, a meu ver, que esse centrão amorfo existe há muito tempo é alimentado exatamente pelo falso antagonismo entre PT e PSDB.

O PT e o PSDB são partidos modernos - ou com discursos modernizadores - mas que para manter a governabilidade de suas gestões precisam se associar com que existe de mais podre, anacrônico e patrimonialista na política brasileira. O PSDB fez isso no seu governo, e Lula faz isso no atual mandato.

Centrão político amorfo? O que é isso se você é aliado de José Múcio (que também foi de FH), de Jader Barbalho (que também foi de FH), de Renan Calheiros (que também foi de FH), de Sarney (que também foi de FH), de Maluf (que também foi de FH), de Inocêncio de Oliveira (que também foi de FH)? Esses caras são a banda podre da política brasileira, que usam do público para se beneficiar pessoalmente. Eles são os fiadores do governo Lula, tanto como foram do governo FH.

O mais trágico no Brasil é que os partidos pretensamente modernos, como PSDB e PT, preferem se aliar ao patrimonialismo do que dialogarem entre si. Ao contrário do que querem crer os "pundits" da blogosfera brasileira, PT e PSDB não são pólos antagônicos. Não digo que eles sejam iguais, mas são programaticamente próximo o bastante para estabelecerem um diálogo com termos dignos (e não o "diálogo" fisiológico e interesseiro que tratam com os patrimonialistas). Coalizão não é suborno partidário (vide mensalão). Coalizão se faz com partidos DIFERENTES que encontram um denominador comum programático. E isso, por incrível que pareça, tucanos e petistas têm mais entre si do que alguns raivosos blogueiros podem imaginar.

De política de ação afirmativa à política indigenista, passando pela política social focada, a ortodoxia na política monetária, os tucanos e petistas muito se assemelham. Há diferença de ênfases, de origem social, não de substância.

O problema é que em São Paulo, por disputa de espaço político (e não questões ideológicas), petistas e tucanos não se bicam. O que não quer dizer que em outros lugares do país, essa aliança faça todo sentido de existir. Em Minas, certamente.

E é a imprensa de São Paulo - e sua blogosfera - que fomenta com grande sucesso a polarização entre tucanos e petistas. Que hoje internautas por blogues a fora fiquem se xigando de tucanalhas e petralhas, como se fossem antípodas radicais, é um fenômeno que carece de estudo.

Cesar em abril 28, 2008 6:21 PM


#21

O PT mineiro é deprimente.

Katarina em abril 28, 2008 6:31 PM


#22


Inclui na conta da turminha do Dirceu o afundamento da candidatura do Eduardo Suplicy em 1992. A Articulação (máfia petista) chegou a comemorar a vitória do Maluf. Depois ter feito a mais sacana oposição a todo o governo da Eurundina.

É a mesma turma que tem feito o PT do Paraná ir a reboque do Requião na última década. Nada contra, que ele está sendo um ótimo governador, mas eu prefiria o PT no governo estadual e por duas vezes não tive esta opção eleitoral. Em 1998 se o PT tivesse apresentado candidato o Jaime Lerner não teria sido eleito em primeiro turno para fazer, no seu segundo mandato, o pior governo da história do nosso estado...

André Egg em abril 28, 2008 7:59 PM


#23

Pimentel e Aécio estão se esquecendo de "combinar" com o povo. Só faltava essa, sermos tratados como índios à espera das decisões dos nossos neo-caciques. Márcio Lacerda: não tenho idéia se é alguém confiável ou não. Mas a questão é justamente esta: alguém, em BH, já tinha ouvido falar nele? Alguém sabe o que ele pensa sobre, digamos, transporte público, educação municipal, valerioduto etc?

henrique em abril 28, 2008 9:00 PM


#24

Idelber,

Legal a discussão neste post. Pelo menos ninguém ficou tentando saber onde trabalho até agora...

Bem, achei interessantes os comentários do Mauro e do Cesar. A tese do centrão amorfo é interessante, e reflete um temor da parcela mais à esquerda do espectro político que teme perder totalmente o já pequeno poder de influência no debate político que detém no contexto atual.

Quero deixar bem claro que não estou desqualificando essa corrente ao falar de sua influência reduzida. De modo algum. O que lamento, aliás, é exatamente que não consiga qualificar mais o debate, que seus questionamentos quanto à política econômica, quanto à estruturação de nossas instituições políticas e jurídicas, sobre política cultural, enfim, sobre mil temas, não recebam a devida repercussão da grande mídia.

Apenas perdi a ilusão de que isso possa acontecer no curto e médio prazos. A última grande chance foi Lula, pela sua origem popular, pelo apoio que detinha em setores importantes da sociedade civil, pelo momento político que foi criado na época de sua eleição.

Mas ele claramente optou pela composição, não pela radicalização democrática do debate, e quase perdeu o mandato porque tentou cooptar setores que nunca o engoliram. Para sua sorte, as políticas sociais que implantou e o bom momento econômico, além de seu enorme carisma, salvaram o mandato e permitiram a reeleição contra o poste chamado Alckmin, vulgo picolé de chuchu.

Mas quem vai negar que sua política econômica é conservadora? Quem vai negar que o Banco Central, e sua ultra ortodoxia tecnicamente injustificável, fizeram parte do seu pacto de governabilidade?

É difícil saber se Lula ainda seria Presidente se não houvesse optado por esse caminho.

Dito isso, considero que Aécio, com todos os seus defeitos, é muito melhor quadro político do que o lixo fisiológico que bancou FHC e agora sustenta Lula. A vida me ensinou que há pessoas honestas em todo o espectro político, assim como há bandidos supostamente esquerdistas.

Não estou bancando a honestidade de Aécio. Mas o considero sim qualificado para comandar um projeto minimamente reformista, a partir da construção de consensos entre atores políticos que não deveriam polarizar com tanto antagonismo como o fazem PT e PSDB.

Então, esse centrão amorfo de certa forma já existe sim. É mais fácil um projeto de esquerda minimamente reformista influir num governo de consenso como o que espero no futuro (e que não é necessariamente de Aécio, pode ser Ciro, Patrus e até Pimentel, se logo tiver um cargo federal) do que conseguir impor uma hegemonia no atual quadro político, fundamentalmente dependente da construção de maiorias fisiológicas sem as quais os governos não garantem sua governabilidade.

Acho equivocado criticar a bandeira da gestão. O Brasil precisa disso sim, não como fim em si mesmo, mas como MEIO para a ampliação de políticas sociais, investimentos em infra-estrutura, melhoria do ambiente econômico no geral. Dou um exemplo da área jurídica: São Paulo há anos dá o calote nos precatórios (pagamentos de dívidas judiciais que devem ser incluídas no orçamento do ano seguinte e que simplesmente são ignoradas). Reportagem da FSP demonstrou há tempos atrás que o famoso "choque de gestão" tucano de Covas-Alkmin se fez fundamentalmente em cima disso. Aqui em MG, além de investimentos que se vê em várias áreas, do salário em dia do funcionalismo (o que não ocorria há anos), os precatórios estão sendo pagos. E não os do Aécio apenas, mas ele já pagou de governos passados também. É um exemplo singelo, sei, mas reflete um compromisso com um bom governo, já que ninguém dá bola para o tema. Seria fácil ele fazer mais do mesmo, e gastar o dinheiro em algo que dá voto...

Abraço a todos

Paulo SPS em abril 28, 2008 9:26 PM


#25

Chorei de rir com a parte do Brizola. Realmente, seu peso era inferior ao de Enéas. E o que a executiva nacional petista fez contra Wladimir Palmeira foi monstruoso.

No mais, nas tantas vezes que fui para BH, notei que tanto Pimentel quanto Aécio contam com margens ótimas de aprovação.

Você tem razão ao dizer que a executiva nacional do PT não foi muito inteligente por conduzir tudo dessa forma.

Só discordo da parte do José Roberto Wright. Ele não se elege pra coisa alguma aí em BH. Na boa.

Gravatai Merengue em abril 28, 2008 10:21 PM


#26

Idelber e demais blogueiros,

eu tambem acho que o PT nacional esta tentando evitar o fortalecimento do Aecio como nome anti-Serra, seja saindo pelo PMDB ou qualquer outra legenda e atraindo setores importantes do PT, mas o risco de jogar fora a prefeitura de BH eh grande, Aecio e Pimentel juntos elegem sim o Wright e o Aragao como prefeito e vice, com partido ou sem partido.

fernando lara em abril 28, 2008 10:51 PM


#27

Disse o Mauro Grabriel: "A política seria resumida à 'gestão', que é o que o Aécio faz em Minas."

Quem vê de dentro (eu, no caso), e a partir de um nível inferior de hierarquia (servidora de curso superior - arquiteta - trabalhando na Secretaria de Estado de Educação), tende a achar que essa "gestão" é uma farsa.

Não há planejamento, não há organização. O que existe é uma cornucópia de projetos pedagógicos e de ordem de rede física das escolas com nomes bonitos ("Projeto Incluir" , "Criando Espaços", "Escola Viva, Comunidade Ativa", "Poupança Jovem") e pouca efetividade. Atualmente temos a novidade do "Projeto Serra Verde" que, coincidentemente, propõe a reforma de todas as escolas que estejam na região (chamada Serra Verde) em que será instalada a Aeciolândia (o novo centro administrativo do governo, com seus inéditos na América Latina 150 metros de vão livre, da grife Niemeyer - aí, certamente, sobra planejamento).

No meu trabalho, as coisas são precárias (em todos os sentidos imagináveis), pouco planejadas, feitas nas coxas (porque não há outra forma de fazer). Há demandas urgentes absurdas e o que a gente faz é só apagar incêndios causados pela falta de planejamento e de condições de trabalho (apesar de leiga em administração, acho, na base do bom senso, que gestão tem de levar em conta planejamento e condições para execução de projetos).

Demorei mais de um ano para ter um microcomputador para desenvolver meu trabalho - usava um "de favor" de outro setor. No equipamento que finalmente consegui, o Windows é o 98. Quando meu monitor queimou, foram 3 meses para conseguir outro, "catado" no refeitório, no meio de sucata que seria doada a escolas.

Isso sem falar nos incêndios maiores, causados por demandas políticas que funcionam para tornar o governo Aécio tão aceito como é pela população (ou por promessas malucas da Secretária de Educação para o Governador), mas que, no sentido efetivo de ações para melhoria das condições administrativas que, conseqüentemente, resultem em melhores condições para a população, são pura farsa.

Não vou contar as histórias nem citar os exemplos porque me alongaria demais no comentário, mas afirmo que a coisa, para quem está dentro, é muito feia. E, para quem está fora, tem nomes bonitos e usa maquiagem de primeira. Eu diria que o Photoshop metafórico impera.

No caso da Secretaria de Educação, único caso que conheço e do qual posso falar, tudo com a regência de uma também ex-reitora da UFMG.

Posso falar apenas do meu universo de trabalho, mas faço questão de dizer que:

- Avaliação de desempenho do servidor público = farsa, gambiarra.

- Planejamento de obras em escolas = farsa, gambiara. Empreiteiros fazem projetos e planilhas de custos "de graça" a pedidos de diretores de escolas (que passam por tal constrangimento), e o detalhamento do material é o mínimo possível.

- Condições materiais de trabalho = precárias. Meu setor (trabalho na secretaria há dois anos) ainda não conseguiu uma impressora.

- Acompanhamento e fiscalização reais de obras em escolas = inexistentes. Há regionais de ensino com mais de 220 escolas e uma só profissional (técnica em edificações) para analisar propostas de reforma, acompanhar obras, etc, etc, etc.

- Diretores de escola que mal sabem escrever tendo nas mãos recursos que chegam a R$600.000,00 para gerir sem saber calcular a área do piso de uma sala de aula = área do quadrado ou área do retângulo = realidade.

Bom, paro por aqui. E vejam que não estou contando "os casos".

Sobre o salário prefiro não falar, pois é constrangedor. Sorte minha ter, agora, a oportunidade de sair da arapuca em que entrei há 2 anos.

S. em abril 29, 2008 2:33 AM


#28

Caro Idelber
Creio que quando você atribuiu peso menor ao Brizola (na época mencionada), quis dizer nacionalmente, não é mesmo?
Brizola ainda tinha alguma força no Rio. E veja que destas alianças, que se mostraram desastrosas para o PDT, surgiram dois nomes nacionais Garotinho e a atual ministra (que no exato dia de hoje brada a favor do álcool nos EUA).
Crias do PDT de Brizola!

PS. E o curioso é constatar que os contemporâneos de Garotinho pelo PT no Rio alcançaram escasso reconhecimento nacional.

Paulo em abril 29, 2008 7:38 AM


#29

Bem, prometi resposta aos comentários para ontem à noite e não cumpri -- em parte por cansaço, em parte porque queria pensar mais um pouco. A discussão foi excelente, mas eu ainda quero ouvir um pouco mais. Me limito a dizer o seguinte por enquanto:

1. o PT-MG apoiou Newton Cardoso para o Senado em 2006. Sinceramente, impugnar essa conversa já no começo, com o argumento de que Aécio representa "o que de pior existe na política brasileira", não vai convencer muita gente. Sim, o governo Aécio prima pelo descaso com o funcionalismo (como mostra bem o depoimento da colega S. acima) e pela mordaça sobre a imprensa. Mas alguém aí está disposto a argumentar que Aécio é pior que Newtão?

2. O acordo não inclui cláusula de apoio a Aécio em nada. Como o PT vai lançar candidato próprio em 2010 tendo feito acordo com Aécio em Minas? Ora, da mesma forma que lançou candidatos próprios depois de ter feito uma série de acordos regionais ao longo da história.

3.Sobre a Ana Lúcia Gazzolla, aqui sim, tenho opinião formada e firme. Caro Felipe, se a proibição de bebidas alcóolicas no campus é o pior que se pode dizer da reitoria dela, bem, você acaba me dando razão. "Repressão ao movimento estudantil" é muito vago. Que eu saiba, a polícia jamais entrou no campus durante a reitoria dela. A UFMG deu um salto gigantesco em termos de reconhecimento internacional. Com uma universidade quebrada, ela produziu resultados acadêmicos reconhecidos mundialmente. Respeito o movimento estudantil, mas convenhamos que ele não é conhecido como um movimento com posições necessariamente muito maduras sobre problemas políticos mais amplos. Eu aceitaria, sim, o seu desafio: que se faça uma eleição para prefeito na comunidade da UFMG com os nomes que estão colocados. Se Ana Lúcia tiver menos de 55% dos votos, eu visto a camisa do ex-Ipiranga aqui no blog.


4 – A discussão sobre o “centrão” está muito boa.

Idelber em abril 29, 2008 11:29 AM


#30

eu só diria de novo o seguinte: aécio pode ser sim mais perigoso que newton cardoso, porque tem fachada modernosa, sobrenome e blindagem 100 por cento. essa é uma combinacao muito perigosa. eu tenho medo de uma alianca com o cara, e olho com apreensao os discursos que dizem que ele nao é tao ruim assim. desenvolvimento social em 6 anos de aécio no governo de minas? zero. muito dinheiro em autopromocao, isso sim. o depoimento da funcionária do estado diz tudo.

ana em abril 29, 2008 12:55 PM


#31

É preciso acrescentar que Pimentel chegou ao cargo como vice do ex-prefeito Célio de Castro, do PSB, que sucedeu Patrus Ananias, do PT. Não há nada de novo nessa dobradinha, exceto a entrada do PSDB, que não vem nem com o vice, muito menos com o prefeito.

Carlos Alberto em abril 29, 2008 1:05 PM


#32

Ah, ótima a referência ao José Roberto Wright.

Carlos Alberto em abril 29, 2008 1:10 PM


#33

Idelber, se fosse para exagerar na questão dos entendimentos políticos, eleitorias ou não, poderia ser dito que: como a política econômica de 1994 a 2002 foi mantida, aprofundada e gerida, a partir de 2003, até com o concurso de quadros do governo anterior, o grande entendimento entre as ditas maiores forças partidárias hoje já foi realizado muito antes. Em sendo assim, malgrado o exagero, as arrumações que ocorrem às vésperas das eleições municipais, podem ter como foco formas de como administrar o arranjo já concretizado lá atrás. Tanto que, apesar da negativa do arranjo para BH, a direção do partido situacionista permitiu arranjos com o maior partido da oposição em cerca de 200 municípios. Sem dizer que em alguns estados praticamente não há oposição haja visto o grande leque de partidos que sustentam os atuais governadores desses estados. São arranjos que tem ecoam a ampla base construída para sustentação congressual do governo federal.

Dawran Numida em abril 29, 2008 2:20 PM


#34

ah, esse petê...

poxa, senti falta do link ali ao lado ;)

Kelly em abril 29, 2008 4:48 PM


#35

PT-MG precisa aprender que política se faz com alianças e não com brigas estúpidas que lembram uma certa vaidade e sede pelo poder,aliás...já existe um histórico de manobras erradas...

leo seabra em abril 29, 2008 5:31 PM


#36

Como o PT poderia não se coligar com o Brizola em 1998? Anacronismo dizer que essa coligação era desnecessária. Não conheco o caso mineiro, mas como se atrelar assim automaticamente com Aécio neves até 2010? Somente para o prefeito se eleger governador? Isso me parece um interesse muito particular, tanto quanto os dos petistas de São Paulo. A coligação pode ocorrer, mas precisa ser bem explicada. Por outro lado, será que o PT não leva a prefeitura sozinho? Pelo que sei Lula é bem avaliado em BH e o prefeito também. Então, fica mais estranho ainda a coligação.

Jorge em abril 29, 2008 7:26 PM


#37

Quem pensa que o PT é apenas o Lula se engana completamente. É o partido mais querido do Brasil, com um voto de legenda enorme, todas as pesquisas indicam.

Jorge em abril 29, 2008 7:28 PM


#38

Minha opinião bate muito com a do César, mas pra mim o maior símbolo desse centrão podre e fisiológico que já existe não é a turminha reconhecidamente corrupta, os malufs e collors da vida. O maior símbolo é o PMDB.

Quer coisa mais amorfa? O PMDB tem uma representativa enorme tanto na Câmara como no Senado, mas como partido, não tem opinião sobre absolutamente nada. Ou alguém sabe a visão do PMDB sobre a reforma agrária, sobre a reforma política, sobre as políticas sociais e econômicas, enfim, sobre qualquer coisa?

Vou reformular. O PMDB não tem opinião sobre absolutamento nada, até que lhe sejam oferecidos(ou não) os devidos cargos e ministérios. Sua opinião será baseada no volume dessa oferta e em nada mais. É um mercenário gigante que desde 94 faz todo presidente de refém, aparelhando o Estado em todo santo governo e posando de maior aliado de qualquer um que estiver lá no Planalto.

O partido parece mais um grande catadão de líderes regionais, interessados só numa forte máquina partidária para lhes dar suporte. Ou alguém enxergua grandes afinidades ideológicas entre Jader Barbalho, Michel Temer, Orestes Quércia, Joaquim Roriz, Newton Cardoso, Roberto Requião, José Sarney e cia? Citar a canalhice em comum de alguns citados não vale. E cabe sempre mais nessa mãezona política, desde que com a devida força eleitoral - o víés ideológico é completamente irrelevante. Brigou com o Brizola, Garotinho? Pode vir! O DEM não gostou do seu apoio ao Lula, Roseana? Papai tá te esperando! Pro Aécio então, as portas estão mais do que escancaradas.

O PMDB, fisiológico ao extremo e desprovido de qualquer ideologia, é o eterno braço direito de qualquer governo desde 1994. Aí está o seu centrão amorfo, que vibra a cada tapa trocado por tucanos e petistas.

Ivan em abril 29, 2008 11:42 PM


#39

Coincido totalmente, Ivan. Por isso sempre achei que a reforma política é urgente. Talvez não resolva totalmente o problema, mas há que se reduzir o poder de barganha desses caciques fisiológicos. Abraço.

Idelber em abril 29, 2008 11:55 PM


#40

Idelber, é a análise que faltava escrever. Perfeita. Abraço,

jayme em abril 30, 2008 3:51 PM


#41

Caro Jayme, que você veja sentido e mérito na argumentação é sempre muito importante, e é motivo de alegria para mim. Abração.

Idelber em abril 30, 2008 4:52 PM


#42

Caro Idelber,

Essa notícia talvez traga alguma luz sobre a decisão da cúpula petista (leia-se: cúpula paulista) sobre o veto à aliança mineira:

http://br.noticias.yahoo.com/s/01052008/25/politica-marta-pt-oferecem-vaga-vice-erundina.html

Para viabilizá-la agora nestas eleições, Erundina precisa ser vice na chapa da Marta. Se não, nada feito.

Criando dificuldade e vendendo facilidade.

Gravatai Merengue em maio 1, 2008 2:51 PM


#43

O dado que o Carlos Alberto sublinha é chave para se entender essa história.

Idelber em maio 2, 2008 3:00 AM