O governo de Michelle Bachelet, no Chile, enfrenta oposição cerrada à direita e à esquerda. Seu gabinete é uma coalizão da Democracia Cristã, do PPD (Partido para a Democracia, centro) e do seu próprio Partido Socialista, este último em posição minoritária. As taxas de popularidade da presidente chegaram a um nível baixíssimo com a implementação da Transantiago, o novo sistema de transporte coletivo da capital, recebido com muitos protestos. A violenta repressão ao movimento secundarista, em 2007, não ajudou muito as coisas. No mês passado, o movimento em favor dos direitos reprodutivos sofreu uma derrota no Chile: a Suprema Corte, por 5 votos a 4, proibiu o sistema público de saúde de distribuir a pílula do dia seguinte. Sublinhe-se que a presidente Bachelet lamentou a decisão.
Recentemente, as taxas de aprovação de Bachelet voltaram a subir, mas a oposição de esquerda continua protestando vigorosamente contra a utilização das leis anti-terrorismo de Pinochet contra líderes mapuches. No começo deste ano, a líder mapuche Patricia Troncoso concluiu uma greve de fome de 109 dias, arrancando do governo algumas concessões. Recentemente, lideranças mapuche entregaram ao Conselho de Direitos Humanos da ONU um relato da repressão contínua que vêm sofrendo os protestos. Quase um milhão de pessoas se declaram de origem mapuche; os falantes nativos da língua, no Chile, são aproximadamente 200 mil.
Chega-me agora este belo vídeo do grupo Sub(verso), que trabalha alguns desses temas. Confira o rap:
Olá Idelber , tudo bem?
Seu post me fez recordar o filme 'Chove em Santiago', de Hévio Sotto.
Michelle perguntou e respondeu logo que foi eleita; “Quem poderia pensar há 20, 10 ou 5 anos que o Chile iria eleger uma mulher presidente? A democracia permitiu-o, bem como o voto de milhões de vocês. Não se trata do triunfo de uma só pessoa, de um partido, de uma coligação, mas o conjunto de todos nós”
Parece que memória não é o forte no meio político.
Nos protestos de agosto do ano passado em Santiago, depois de 'dialogar' com os manifestantes por meio de cacetetes ela declarou;
"Não vou aceitar que se questione minha vocação e a vocação de meu governo pela justiça social e exijo que os progressos sejam avaliados com serenidade e maturidade".
E ainda;
"o único caminho razoável sempre é o diálogo, porque somos capazes de, dialogando, chegar a acordos"
Arturo Martinez, presidente da Central Única de Trabalhadores do Chile, afirma que procurou o governo solicitando um pacto social para o aumento do salário minimo, e não houve dialogo, daí os protestos.
Já lí vários artigos em jornais chilenos comparando Michelle Bachelet, ao general Pinochet.
Será que continuará a chover em Santiago?
O governo Bachelet padece de um mal que não lhe é exclusivo; Procurar costurar alianças com a direita e rejeitar um diálogo mais profundos com os movimentos sociais vem sendo uma atitude recorrente de alguns governos de esquerda pelo mundo.
Recentemente na Itália,Romano Prodi, na ânsia de manter a governabilidade, acabou tecendo alianças com a direita berlusconica e fascistóide, perdeu a moral com a esquerda e no fim das contas perdeu, ironicamente, a própria governabilidade. Renunciou.
É claro que devemos levar em conta o fato de que os fascistas chilenos possuem grande influencia naquele país, afinal de contas, não houve uma ruptura que resultasse na Democracia chilena, ou seja, quem ficou rico por conta da ditadura Pinochet permanesceu rico e poderoso depois; Eles não são maioria e seus simpatizantes não são maioria na sociedade chilena, entretanto, eles estão suficiente bem posicionados para influenciar um presidente mesmo que ele seja de esquerda e tenha apoio da maioria.
O único modo seria Bachelet buscar um diálogo direto com os movimentos sociais para equilibrar isso daí, reprimi-los é contrasenso, ela, no máximo vai conseguir ficar sozinha; Hoje o Chile vive um momento ímpar onde as decisões tomadas poderão fazer toda a diferença para o futuro, ou o país usa os recursos oriundos do crescimento economico dos últimos anos para criar um sistema de proteção social ou vai ruir e isso terá desdobramentos imprevisíveis.
No fim, fica a lição de que um governo que se pretende progressista não pode fazer acordos com setores reacionários e abrir mão de dialogar com os movimentos sociais, pois não vai conquistar a simpatia do primeiro e ainda perderá o apoio justamente de seus próprios aliados, quando acordar verá que não há mais chão.
Mano blogueiro,
tenho simpatia pela presidente chilena. Penso o seguinte: os tempos do velho tirano privilegiaram um grupo que agora anda estranhando uns pequenos avanços sociais.
Naqueles lugares "onde as pragas botam ovos" sai de tudo, a contar que se lhes dê uma mizeriazinha qualquer.
E presidente sem maioria confiável fica sempre naquela de negociar um mel daqui, outro dali, até que o mel começar rarear.
paz e bom humor, sempre
De fato, a Bachelet não tem no debate um de seus pilares governamentais. Os estudantes tem muita razão nos protestos, a educação básica é um tema de muita preocupação.
Há um componente que deve ser agregado: a Concertación está bastante desgastada. Houve avanços sociais significativos no país desde que a democracia voltou ao país, mas a dívida social era muito grande. O Chile possui a segunda pior distribuição de renda da América Latina, por exemplo.
A questão Mapuche passa ainda por um outro problema, a sociedade chilena é extremamente classista. Mapuches não conseguem emprego facilmente.Portanto, independente do governo, esta é uma questão que ainda irá se arrastar por anos, embora já tenha alguns avanços. Por exemplo, no doutorado, em uma universidade pública (e paga, claro, aqui tudo é pago) acaba de ingressar uma mapuche.
Bem notado esse negócio da Transantiago. Na Colombia, há um sistema idêntico, o Transmilênio, que também ajudou a derrubar o candidato do Uribe à prefeitura de Bogotá. Ambos têm, em comum, a participação do Jaime Lerner na concepção e execução. O mesmo Lerner que agora assessora o Arruda, governador do DF, para botr um troço parecido em Brasília. Há quem diga que o problema do sistema é seu sucesso, que fez encher os ônibus. Outros acusam o esquema de ser desconfortável. Seja bom ou ruimm, podemos dizer com orgulho: é coisa nossa! Ou melhor, do lerner.