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quarta-feira, 09 de abril 2008
Viva o povo brasileiro: Uma releitura decepcionante
Eu sabia que Viva o Povo Brasileiro (1984), de João Ubaldo Ribeiro, seria uma boa escolha para o curso que estou ditando aqui este semestre, sobre ficção e populismo. Apesar de minha leitura ser antiga, eu me lembrava que era um romance perfeito para se analisar a operação do populismo na ficção – a construção da imagem de um “povo” essencialmente sem fraturas, exceto por aquelas que o opõem a uma elite também imaginada de forma binária. Mas eu confesso que não me lembrava que o romance era tão ruim.
Aconteceu algo que raramente ocorre nos seminários por aqui. Todos os 10 pós-graduandos chegaram à primeira aula sobre o romance babando sangue e não gastaram mais que um par de horas para depenar o livro. Apesar de, em geral, tentar evitar juízos de valor taxativos em sala de aula, fui obrigado a concordar com eles. A fúria com que desconstruíam o livro era contagiante.
O projeto de João Ubaldo é ambicioso: atravessar quatro séculos de trajetória do Brasil contando o “avesso” da história oficial. O romance revela como os heróis se constroem pelo engodo (Perilo Ambrósio, um dos personagens da elite, tira onda de herói de uma batalha assassinando um escravo e sujando-se com seu sangue), como a mestiçagem foi, com freqüência, o produto da violência sexual contra as negras (Vevé, escrava, é estuprada por Perilo e paga um preço alto por uma gravidez que não provocou), como a igreja foi cúmplice desse sistema de dominação (o Cônego é um poço de racionalizações da estrutura colonial e escravista), como os oprimidos (representados por Budião e Maria da Fé) vão forjando os seus instrumentos de luta e como os mestiços em busca de ascensão social (representados por Amleto) vão ocultando suas origens e adotando as práticas da elite.
Este blogueiro eminentemente esquerdista não teria nenhum problema com o argumento, exceto por um detalhe: é tudo artificial demais. Todos os ricos malvados, todos os pobres altivos e batalhadores. Para não dizer que só há isso, o romance inclui o mulato malandro, Leléu, que faz o meio-de-campo entre as duas forças. Depois de 500 páginas de didatismo populista, o romance ainda nos brinda com um cego (só podia ser!) perorando durante uma dezena de páginas sobre como a história oficial oculta as coisas. É de lascar. Sublinhe-se: não há qualquer ironia no título do livro.
Gosto de João Ubaldo; do seu jeitão, da sua simpatia. É amigo de um querido amigo meu e, além de tudo, baiano. Considero Sargento Getúlio um romance importante da nossa literatura e, apesar de achar A Casa dos Budas Ditosos um dos piores livros já escritos no Brasil, cheguei, depois de mais de vinte anos, a essa releitura de Viva o Povo com muita boa vontade. O projeto do curso é fazer uma análise crítica do populismo na ficção, mas os outros livros lidos até agora (Pedra do Reino, de Ariano Suassuna, Catatau, de Paulo Leminski) renderam bastante. Nem toda a boa vontade do mundo deu jeito em Viva o Povo.
PS 1: Agradeço ao leitor Enio Vieira a cessão de sua tese sobre Viva o Povo, defendida na UNB. Sem dúvida, a tese do Enio é muito melhor que o livro.
PS 2: Boas vindas ao Pedro Dória, que estará aqui em Gringolândia em breve, com uma bolsa na chiquérrima Stanford University.
PS 3: E essa história do boicote aos Jogos Olímpicos, hein, como anda?
Escrito por Idelber às 02:47 | link para este post
| Comentários (29)
#1
Ontem não deu tempo nem de tomar um cafezinho na padaria! João Ubaldo ERA um dos meus escritores preferidos há vinte anos atrás. Ou seja, levando-se em conta o contexto de uma sociedade brasileira que me parecia, naquele momento, tão maniqueistamente dividida quanto as personagens da obra. Outra coisa que gostava na obra é seu ar de romanção, ou seja, aquelas obras que parecem intermináveis. A pergunta é: mudei eu ou a sociedade? Acho que ambas. As outras obras de João Ubaldo me pareceram repetições do mesmo, aí perderam a graça. Li algumas crônicas dele e gostei de várias, acho que nesse gênero o humor, que é seu grande charme e relativiza vários pontos de vista, tem, como diz uma amiga minha, “a fortidão certa”. Sargento Getúlio é uma pérola, mas o resto...Demorei demais na média, tenho que ir trabalhar!
Maria Andréia em abril 9, 2008 6:56 AM
#2
aqui, nada que se refira a pekim 2008 tem tom festivo. ha condescendência com os atletas, entretanto, com o governo, não. 40 deputados, de direita e esquerda, protestavam segunda-feira na frente do hotel de ville de paris. o prefeito delanoë suspendeu a cerimônia e despachou a tocha de ônibus.
sarkozy não descarta boicotar a cerimônia de abertura.
mais ou menos isso no geral.
na tv: não tem enviados especiais, nossos réporteres ja estão em pekim, etc. não faço idéia de como serão as transmissões.
um abraço.
larissa em abril 9, 2008 7:58 AM
#3
Acho o Catatau um livro brilhante... sem querer querendo o Leminski criou uma espécie de alegoria do Brasil. Tem um monte de teses lá, sobre o Brasil, a racionalidade, e a história; e teses bem interessantes, que ainda estão para serem destrinchadas por alguém que consiga ler o livro até o fim. Aliás, a própria leitura é outro caráter muito interessante, acompanhando as próprias teses do livro.
Catatau em abril 9, 2008 9:23 AM
#4
Poxa... Viva O Povo Brasileiro foi um dos livros que mais gostei de ter lido! E eu estava justamente pensando em reler a obra, tantos anos depois... Não gosto de João Ubaldo como escritor. Mas este livro, na minha opinião, merecia méritos maiores. Bem maiores do que Sargento Getúlio.
Bruno Ribeiro em abril 9, 2008 9:52 AM
#5
Nossa. João Ubaldo. A que ponto chega a minha incapacidade de sair do óbvio: você falou em curso sobre populismo backing up num texto do João Ubaldo, as vozes na minha cabeça imediatamente protestaram, "mas não era mais fácil ter usado romantismo+Ao Vencedor as Batatas?". Nunca li nada do João Ubaldo, e pode parecer engraçado, mas agora que eu li sua crítica ao texto, me deu vontade de ler o Viva o povo brasileiro.
Bruno ( ) em abril 9, 2008 11:56 AM
#6
Prezado,
raramente comento aqui, embora leia diariamente teu blog (muito bom, aliás). Sem entrar no mérito das obras escolhidas, apenas me chamou a atenção o uso do conceito de "populismo" como chave interpretativa. Pessoalmente, acho que é um conceito que opera mais como uma espécie de "obstáculo epistemológico" do que como uma ferramenta explicativa para algo. Na historiografia brasileira contemporânea, alguns trabalhos estão justamente demonstrando os limites e equívocos do conceito quando usado para explicar fenômenos como varguismo, brizolismo etc (penso na Angela Castro Gomes, Jorge Ferreira etc). Como pouco conheço da área de estudos culturais, fiquei curioso para saber o, digamos assim, "estado da arte" do populismo como recurso para decifração de romances, novelas etc.
João Marcelo em abril 9, 2008 11:59 AM
#7
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Djalma Santesso
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djalma santesso em abril 9, 2008 12:43 PM
#8
Caro João Marcelo: obrigado pelo comentário. Tentamos manter o máximo de atenção possível aos problemas do conceito de populismo (conheço bem o trabalho de Angela Castro Gomes, a quem admiro muito; Jorge Ferreira eu ainda não tive a oportunidade de ler com a atenção devida).
Apesar de tudo, eu ainda defenderia a operacionalidade do conceito. De toda a bibliografia que manejamos para o curso, o texto que nos foi mais útil foi o ótimo livro recente do anglo-argentino Ernesto Laclau, On Populist Reason, que critica bastante usos anteriores do termo baseados em "listas de características". Seria complicado resumir, mas para Laclau o populismo não é um movimento, mas uma lógica política, que tem, sim, sua especificidade: a construção discursiva de um "povo" que emerge no momento em que uma determinada demanda que vem do campo social hegemoniza, "traduz" outras demandas que vinham dispersas. Apareceria aí um antagonismo simplificado ("povo" versus "elites"; "povo" versus "imperialismo estrangeiro", etc.), que seria uma das marcas do populismo. A análise de Laclau é bem sofisticada, e não estou fazendo justiça a ela aqui.
No campo literário, o termo não tem uma história de uso muito rigoroso. Mas me pareceu que valia a pena arriscar utilizá-lo para pensar, digamos, correntes literárias que constroem a imagem de uma comunidade sem fraturas, que compartilha determinados traços essenciais. No caso do João Ubaldo, isso me parece bem visível.
Ainda está tudo muito embrionário, claro, e seu comentário me ajuda a manter a atenção para os possíveis limites do termo. Mas me deu muita curiosidade saber o que você pensaria do livro do Laclau, que teve um baita impacto nos estudos sobre populismo aqui nos EUA e na Europa.
Abraços,
Idelber em abril 9, 2008 3:26 PM
#9
Sem dúvida, Catatau é das maiores obras literárias já escritas em língua portuguesa. Os alunos se assustaram bastante com o texto, que é dificílimo. Depois de umas aulas, estavam mergulhados na obra, apaixonados.
Vejam o que é o Brasil: a CosacNaify reeditou o livro recentemente. Tiragem de 1.500 ou 2.000 exemplares, não me lembro com exatidão. Resultado? Livro esgotado de novo. Sabe-se lá quando o teremos de volta nas prateleiras.
Idelber em abril 9, 2008 3:32 PM
#10
A análise de Laclau parece interessante (o google books tem trechos, além do site da FCE), mas o debate me parece um pouco mais amplo do que aquele que ele analisa. Concordando com o João Marcelo, acho interessante as críticas levantadas pela história social à operacionalidade do conceito. Não sei como está no EUA, mas pelo menos dois historiadores daí (John D. French e Daniel James) discordam de certas perspectivas levantadas pelas ciências sociais. No entanto, creio que o populismo tem lá, conceitualmente, seu lado interessante, desde que uma ferramente de partida, não de chegada.
Também me pareceu estranha a crítica de Laclau, como exposta acima. Di Tella e Weffort, por exemplo, vêem o populismo não como movimento (embora existam movimentos populistas), mas como estágios do desenvolvimento capitalista latino-americano e, no caso de Weffort, uma forma de organização do Estado (o tal "Estado de compromisso"). Assim sendo, eles não postulam uma "lista de características" (embora existam características próprias) apenas, mas que o populismo é um fenômeno político que expressa certa lógica ou estrutura social e econômica típica do descompasso latino-americano. Parece que Laclau, ao introduzir a idéia de identidade, pode ser colocado em diálogo justamente com a história social.
A idéia de examinar obras literárias com a noção de discurso populista me parece muito interessante, na medida em que postula (postula?) certa identidade a grupos sociais ou à nação (seria isso), o que, mais uma vez, pode ser articulado com as novas abordagens sobre a história sindical e operária. Creio que, à parte o trabalho de A. C. Gomes e de Claudia Wasserman, que não são mais extensos no assunto, não há sequer uma análise mais profunda da retórica e do discurso populista no Brasil. Para a Argentina há bem mais coisa.
Há no seu curso, Idelber, uma articulação com o momento de redemocratização no qual estas obras foram escritas? E com trabalhos sobre o discurso populista de um Perón ou de um Vargas?
Um abraço,
João Paulo
João Paulo Rodrigues em abril 9, 2008 5:24 PM
#11
Caro João Paulo,
É verdade que não seria justo reduzir o trabalho de um Weffort à tal “lista de características”. Quando Laclau critica essa abordagem, os contra-exemplos são, em geral, tomados de Gino Germani ou de teóricos anglo-saxões como Margaret Canovan, Kenneth Minogue, Peter Wiles ou Peter Worsley – gente que tentou fazer uma tipologia do populismo.
Laclau discordaria frontalmente da idéia de que o populismo é um estágio histórico. Laclau é um anti-historicista por excelência, e apresenta argumentos bem fortes contra a idéia de que o populismo seria um “estágio superado” (sei que não é isso que você está dizendo, mas o argumento é recorrente). Para ele, o populismo seria uma lógica própria à “costura” de uma coleção de demandas dispersas pelo corpo social. Acho que é uma idéia frutífera, que valeria a pena explorar.
Quanto aos historiadores latino-americanistas daqui que você cita, conheço bem a ambos (estudei com eles, lá na Carolina do Norte e em Duke). Lembro-me bem das críticas de Danny James à idéia de “Perón, o grande manipulador”, mas não me lembro dele impugnar o conceito de populismo enquanto tal. Ou você estará pensando em algum trabalho dele posterior ao “Resistance and Integration”, que é o que eu conheço?
Em todo caso, a discussão é fascinante. Veja bem como é a coisa. Outro dia, fiz um post elogiando o John Edwards, pré-candidato democrata. Um leitor me objetou: mas Idelber, você mesmo não disse que ele é um populista?. Ou seja, do ponto de vista desse leitor – e da grande maioria – o termo já é pejorativo. Talvez esse seja o melhor argumento em defesa do ponto de vista de que sua operacionalidade já anda desgastada.
No curso, lemos, sim, os clássicos sobre o período Vargas (Weffort, Octavio Ianni, etc.). Sobre a Argentina um pouco menos, já que o curso é só sobre a literatura brasileira. Concordo que a discussão na Argentina está bem mais avançada (inclusive, lá é possível para um grande parcela da intelectualidade reinvidicar um projeto populista sem pedir desculpas: penso em Horacio González ou Nicolás Casullo, por exemplo). E você colocou o dedo na ferida dos estudos do populismo no Brasil: não há um trabalho sobre a retórica populista. Os historiadores e cientistas sociais que trabalharam o tema não atentaram o suficiente (nem poderiam, quiçá) para o fato de que o populismo inclui uma baita operação sobre a linguagem, que tem que ser estudada como tal.
Um abraço,
Idelber em abril 9, 2008 5:49 PM
#12
Para quem quiser ler trechos do livro do Laclau, eis aqui o link mencionado pelo João Paulo, no Google Scholar. O capítulo 4, "The People and the Discursive Production of Emptiness" é o coração da obra.
Idelber em abril 9, 2008 5:59 PM
#13
Oi Idelber, até teria coisas pra dizer sobre os dois assuntos, mas minha exaustão mental não me permite escrever muito, mas pra vc ter uma idéia de como anda a repercussão da revolta no Iibet na China da uma olhada na comunidade do Orkut Brasileiros na China (http://www.orkut.com/Community.aspx?cmm=940546), nos tópicos sobre o Iibet, precisa de muuuuita paciencia, mas tem vários chineses que fazem parte da comunidade e comentaram o assunto, ai dá pra vc ter uma idéia de como isso está sendo lidado por lá.
Beijos
ana em abril 9, 2008 6:11 PM
#14
Há algum tempo tentei ler Tenda dos Milagres, de Jorge Amado e abandonei a leitura por um desconforto com as padronizações de personalidades e, especialmente, com a certa dose de bobagem mesmo na frase, que comprometia o que pudesse ter de relevante na tese do romance. Quando li sua crítica ao Viva o povo brasileiro identifiquei no conceito de populismo na ficção algo que me ajuda a entender meu desinteresse pelo célebre livro de Jorge Amado.
Parabéns pelo blog.
Um abraço,
José Carlos em abril 9, 2008 6:13 PM
#15
Oi, Ana, valeu, estou indo.
Pois é, José Carlos, acho que a simplificação do João Ubaldo é herdeira direta de alguns romances do Jorge Amado.
Mas vejo no populismo do Jorge Amado um certo encanto que está ausente no João Ubaldo. Acho que talvez seja a dose carregada de ideologia. Não sei. O fato é que comigo não funcionou.
Idelber em abril 9, 2008 6:20 PM
#16
Engraçado essa visão do livro. Eu também o li há muitos anos e na época gostei. Mas realmente ficou um gosto de esquematismo exagerado...
Mas o que eu queria dizer é outra coisa. Sabe quem incensou o livro na época? O José Guilherme Merquior! Disse que era uma obra importantíssima, talvez "o" grande romance brasileiro, etc. Olha só quem não viu o populismo do livro...
Parece então que muita gente "caiu no conto do livro" sem perceber. Isso me faz desconfiar que era muito difícil se desvencilhar de uma certa visão maniqueísta das coisas naquela época, com a redemocratização, etc.
caliban em abril 9, 2008 6:50 PM
#17
hohoho, caliban, dessa eu não me lembro! Merquior incensando Viva o Povo? Não dá para acreditar.
Quem tiver a referência, me avise. Eu vou atrás, com prazer :-)
Idelber em abril 9, 2008 7:09 PM
#18
Poxa, Idelber, quais são os blogues nesse Brasilzão que podem se dar ao luxo de ter uma discussão tão fina sobre a noção de populismo! Muito bom isso aqui.
A referência da aprovação de Merquior ao romance está num relato biográfico que José Mário Pereira fez do polemista, chamado "O fênomeno Merquior". O texto está - por incrível que pareça - no site do Olavo de Carvalho.
A citação é essa: "Não perdia encenações do diretor italiano Giorgio Strehler, e se tornou amigo de Gláuber Rocha, a quem considerava, "com a lucidez da sua loucura, o melhor sismógrafo da turma de 60". Nos últimos tempos quase não lia romance, mas leu e gostou de Viva o povo brasileiro!, de João Ubaldo Ribeiro."
http://www.olavodecarvalho.org/convidados/0122.htm
Mas não sei de nenhum texto assinado pelo próprio onde esse juízo esteja declarado.
Cesar em abril 10, 2008 2:54 AM
caliban em abril 10, 2008 9:27 AM
#20
Idelber, vejo que não estou só - tbem acho o João Ubaldo apenas um cara simpático, mas um escritor mediano. Comecei Viva o Povo..., o inicio parecia promissor, mas depois caiu num marasmo e larguei.
Sargento Getulio funcionou mais como filme, graças ao Lima Duarte e à trilha do Penna(hj presidente do PV) e Paulinho, "O Macaco Avoa"...
aliás, alguém teria em mp3 essa trilha? estou atrás há anos.
Serbão em abril 10, 2008 10:57 AM
#21
Esse livro específico de Laclau não li, embora conheça outro trabalho dele sobre o tema que me pareceu muito interessante. De maneira geral, fiquei com a impressão que ele não "demonizava" o fenômeno, tratando-o como uma forma de interlocução política que pode ser operada num sentido, digamos, mais aberto. É condizente com a própria história política argentina, onde o peronismo foi apropriado das mais diversas formas, inclusive por uma tradição guerrilheira.
Na verdade, aproximei-me do tema no mestrado, quando escrevi sobre a "história intelectual" do conceito nas ciências sociais brasileiras, mas não expandi isso para uma discussão teórica mais ampla. Interessava-me mais os usos do conceito do que os fenômenos a que ele se referia. Obrigado pelas referências.
Ah, eu adorei "Viva o Povo Brasileiro" quando o li, talvez por ter certa simpatia pela tradição política alvejada pelo conceito de "populismo", rsrsrs. Grande abraço.
João Marcelo em abril 10, 2008 11:01 AM
#22
PS - meu pitaco - acho que os protestos durante a passagem da tocha e boicote à abertura dos Jogos estariam de bom tamanho, para chamar atenção ao Tibet. sugiro incluir aí nos protestos a situação de Taiwan(aka 'Provincia Rebelde'), que vive há décadas sob a mira dos mísseis chineses.
sou contra o boicote aos Jogos. não gosto da idéia de misturar politica ao esporte. os boicotes em Moscou e Los Angeles estavam no contexto da Guerra Fria não resolveram nada. não deviam era marcar os Jogos para Pequim. agora não seria justo privar atletas que se preparam durante 4 anos da maior competição da vida delas.
e os EUA não são doidos de fazer desfeita com um dos seus cinco maiores credores...
Serbão em abril 10, 2008 11:06 AM
#23
Faleceu a mãezinha do P.Doria.....estamos tentando dar uma força pro cara.....off topic.....
HRP Mané Reloaded em abril 10, 2008 11:06 AM
#24
Eu também simpatizo muito com o João Ubaldo. Seu jeito bonachão, seu sotaque divertido. Aliás, eu até me divirto com algumas de suas crônicas publicadas nos jornais. O problema é que ele é escritor e eu nunca vi muita coisa em algum livro seu. Não consegui terminar Viva o Povo Brasileiro, justamente por achar tudo muito caricato, tudo muito simplista. Já a Casa dos Budas Ditosos eu achei um livro muito, mas muito ruim mesmo.
Arnaldo em abril 10, 2008 11:33 AM
#25
Pessoal, a caixa continua com problemas, se Oxalá quiser, só até sábado. Ao clicar "enviar", você vê uma página branca. Parece que não entrou, mas entrou. Não precisa reenviar. Já estamos no encalço do problema.
Desculpem a inconveniência :-)
Valeu a referência, Cesar.
Idelber gripadaço :-)
Idelber em abril 10, 2008 1:15 PM
#26
Cesar e Idelber,
Só para esclarecer. A citação no site do OC foi o que eu achei com o Google, mas eu me lembro muito bem do elogio do Merquior, feito naquela época. Ou seja, minha referência é minha memória, não o texto do jornalista.
caliban em abril 10, 2008 3:22 PM
#27
E, agora, depois de tudo, o João Ubaldo se especializou em espancar o governo Lula. Que deus o tenha. Razão tinha Henfil que não ia com a fachada do baiano.
Armando do Prado em abril 10, 2008 5:53 PM
#28
Idelber,
Como diz outro comentarista, parabéns pela finíssima discussão sobre o conceito de populismo.
Sou profissional da área das ditas Ciências Exatas. Não sou capaz, por isso, de avaliar, de imediato, a pertinência das concepções, referências, etc. que vc. e comentaristas "esgrimiram". Mas a discussão me pareceu muito interessante mesmo. Parabéns a todos os envolvidos.
Li o "Viva o povo brasileiro" há muito tempo. Não me impressionou muito. Tanto é que eu o passei adiante para alguém que queria lê-lo, dizendo que não precisava me devolver o livro.
Ah! Como o mundo é um zoológico de fauna muito diversificada, "este bicho" que aqui escreve adora a "Tenda dos Milagres" de Jorge Amado!...
Luiz Otavio em abril 10, 2008 6:58 PM
#29
hoho, e viva a diversidade de gostos, Luiz Otavio.
Idelber em abril 10, 2008 7:32 PM
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