Meu Perfil
Um blog sobre política, literatura, música e futebol basquetebol. Na rede desde outubro de 2004.



Email: idelberavelar arroba gmail ponto com

O autor
 No Twitter
 No Facebook
 Curriculum Vitae
 Página pessoal em Tulane


Histórico
 agosto 2009
 julho 2009
 junho 2009
 maio 2009
 abril 2009
 março 2009
 fevereiro 2009
 janeiro 2009
 dezembro 2008
 novembro 2008
 outubro 2008
 setembro 2008
 agosto 2008
 julho 2008
 junho 2008
 maio 2008
 abril 2008
 março 2008
 fevereiro 2008
 janeiro 2008
 dezembro 2007
 novembro 2007
 outubro 2007
 setembro 2007
 agosto 2007
 julho 2007
 junho 2007
 maio 2007
 abril 2007
 março 2007
 fevereiro 2007
 janeiro 2007
 novembro 2006
 outubro 2006
 setembro 2006
 agosto 2006
 julho 2006
 junho 2006
 maio 2006
 abril 2006
 março 2006
 janeiro 2006
 dezembro 2005
 novembro 2005
 outubro 2005
 setembro 2005
 agosto 2005
 julho 2005
 junho 2005
 maio 2005
 abril 2005
 março 2005
 fevereiro 2005
 janeiro 2005
 dezembro 2004
 novembro 2004
 outubro 2004


Assuntos
 A eleição de Obama
 Clube de leituras
 Direito e Justiça
 Fenomenologia da Fumaça
 Filosofia
 Futebol e redondezas
 Gênero
 Literatura
 Metablogagem
 Música
 New Orleans
 Palestina Ocupada
 Polí­tica
 Primeira Pessoa



Visito
 Abobrinhas psicodélicas
 Ademonista
 Afonso, o Chato
 Agência Carta Maior
 Ágora com dazibao no meio
 Aguafuertes
 Alcinéa Cavalcante
 Além do jogo
 Alessandra Alves
 Alfarrábio
 Alto volta
 Amálgama
 Amante profissional
 Os amigos do Presidente Lula
 André Deak
 Animot
 Ao mirante, Nelson!
 Argemiro Ferreira
 Arlesophia
 Até aqui tudo bem
 Atemporalizando
 Bala perdida
 Balípodo
 Bereteando
 Biajoni!
 Blog do Alon
 Blog do Favre
 Blog do Juarez
 Blog do Juca
 Blog do Mello
 Blog dos Perrusi
 Blog do Protógenes
 Blog do Rovai
 Blog do Sakamoto
 Blog do Tsavkko, Angry Brazilian
 Blogafora
 blowg
 Botequim do Bruno
 Branco Leone
 Brasília, eu vi
 Bratislava
 Bugio
 A bundacanalha
 O caderno de Patrick
 Caldos de tipos
 Caquis caídos
 O carapuceiro
 Carla Rodrigues
 Carnet de notes
 Carreira solo
 Carta da Itália
 Caryorker
 A casa da colina
 Casa da tolerância
 Casa de paragens
 Catarro Verde
 Catatau
 Cidadania
 Cinema e outras artes
 Cinematógrafo
 Cintaliga
 Cloaca News
 Conejillo de Indias
 Consenso, só no paredão
 Contemporânea
 Contra Capa
 Controvérsia
 Conversa afiada
 Conversa de bar
 Cria Minha
 Cris Dias
 Cyn City
 Cynthia Semíramis
 Uma dama não comenta
 Daniel Aurélio
 Daniel Lopes
 de-grau
 De olho no fato
 De primeira
 Descurvo
 Diálogico
 Diário de Bordo
 Diario de trabajo
 Diário gauche
 Didascália e ..
 Diplomacia bossa nova
 Direito e internet
 Direitos fundamentais
 Disparada
 Dissidência
 Dito assim parece à toa
 Doidivana
 Don Quijote
 Dossiê Alex Primo
 ¡Drops da Fal!
 Duas Fridas
 É bom pra quem gosta
 eblog
 Ecologia Digital
 Enloucrescendo
 Escreva, Lola, escreva
 O escrevinhador
 Escrúpulos Precários
 Escudinhos
 Estado anarquista
 Eu sei que vivo em louca utopia
 Eugenia in the meadow
 Fabricio Carpinejar
 Faca de fogo
 Faça sua parte
 Favoritos
 A Feminista
 Ferréz
 Fiapo de jaca
 Flor do maracujá
 Fósforo
 Fina flor
 A flor da pele
 Fogo nas entranhas
 Fotógrafos brasileiros
 Frankamente
 Fundo do poço
 Futebol, política e cachaça
 Gabinete dentário
 Galo é amor
 Garotas que dizem ni
 Gravatá
 Groselha news
 Googalayon
 Guaciara
 Guerrilheiro do entardecer
 Hargentina
 Hedonismos
 Hermenauta
 Hipopótamo Zeno
 História em projetos
 Histórias do Brasil
 Homem do plano
 Idéias mutantes
 Imaginação sociológica
 Impedimento
 Impostor
 Incautos do ontem
 O incrível exército Blogoleone
 Ingresia
 Inquietudine
 Inside
 Interney
 Ius communicatio
 jAGauDArTE
 Jean Scharlau
 João Villaverde
 O jornalismo morreu
 Kit básico da mulher moderna
 Lembrança eterna de uma mente sem brilho
 A Lenda
 Liberal Libertário Libertino
 Limpo no lance
 Linkillo
 Lixo Tipo Especial
 Lixomania
 Luis Nassif
 Luz de Luma
 Mac's daily miscellany
 O malfazejo
 Uma Malla pelo mundo
 Malvados
 Márcia Bechara
 Marconi Leal
 Maria Frô
 Marmota
 Marjorie Rodrigues
 Meta.comunix
 Milton Ribeiro
 Mineiras, uai!
 Modos de fazer mundos
 Mox in the sky with diamonds
 Mundo-Abrigo
 Mundo de K
 NaMaria News
 Na prática a teoria é outra
 Nababu
 Nación apache
 Nalu
 Namorado imaginário
 Nei Lopes
 Nova corja
 Nóvoa em folha
 Odisséia literária
 Óleo do diabo
 Onde anda Su?
 Ontem e hoje
 Overmundo
 Palestina do espetáculo triunfante
 Pálido ponto branco
 Panóptico
 Para ler sem olhar
 Parede de meia
 Paulodaluzmoreira
 Pecus Bilis
 Pedro Alexandre Sanches
 Pedro Doria
 Peneira do rato
 O pensador selvagem
 Pensar enlouquece
 Pictura Pixel
 O pífano e o escaninho
 Pirão sem dono
 Poemas del alma
 políticAética
 Política & políticas
 Politika etc.
 Ponto media
 Por um punhado de pixels
 Porão abaixo
 Posthegemony
 Prás cabeças
 Prosa caótica
 Quarentena
 Que cazzo
 Quelque chose
 Quintarola
 Quitanda
 Rafael Galvão
 Recordar repetir elaborar
 Reinventando Santa Maria
 Retrato do artista quando tolo
 Roda de ciência
 RS urgente
 Samurai no Outono
 Sergio Leo
 Sérgio Telles
 Serbão
 Sergio Amadeu
 Sérgio blog 2.3
 Silenzio, no hay banda
 O sinistro
 Sob(re) a pálpebra da página
 A Sopa no exílio
 Sorriso de medusa
 Sovaco de cobra
 Stella psicanálise
 Sub rosa v.2
 SublimeSucubuS
 Superfície reflexiva
 Talqualmente
 Taxitramas
 Terapia Zero
 A terceira margem do Sena
 Tiago Dória
 Tiago Pereira
 Todos os fogos o fogo
 Tom Zé
 Tordesilhas
 Torre de marfim
 Träsel blog
 Tudo pode acontecer
 Túlio Vianna
 Ultimas de Babel
 Um que toque
 Urbanamente
 Vê de vegano
 Velho do farol
 Viajando nas palavras
 La vieja bruja
 Viomundo
 Virunduns
 Vistos e escritos
 A volta dos que não foram
 Zema Ribeiro




selinho_idelba.jpg


Movable Type 3.36
« Maio de 68 e jabás :: Pag. Principal :: Robert Fisk relata a guerra por procuração no Líbano »

quinta-feira, 08 de maio 2008

A decadência de um clã: Balanço das primárias democratas

michelleobama2.jpg O declínio de um clã tende a ser mais melancólico que o de uma pessoa, já que ao indivíduo costuma estar dada a possibilidade de ir descendo com um pouco mais de dignidade. Os clãs, especialmente os da política, têm excessivas obrigações, digamos, teatrais. Quanto maiores e mais poderosos são, mais ampla será a discussão interna acerca de como admitir, com classe, que sofreram a derrota emblemática, a que indica, nas palavras do NYT, uma troca da guarda. É a história dos Clinton nos últimos poucos meses e, especialmente, nesta semana.

“Derrota” aqui é relativo, claro. Hillary continua senadora poderosa de NY e Bill uma referência ineludível de presidente de sucesso, apesar de tudo. Eles mantêm considerável poder de barganha e força no partido. Mas a história recente indica a derrota, mais que da candidatura Hillary, da estratégia que os Clinton canonizaram nos 90: a combinação entre a apropriação de bandeiras republicanas -- rigor fiscal, “transição do welfare para o trabalho” etc. --, as táticas violentas de corpo-a-corpo contra os adversários políticos e um componente populista com algumas bandeiras, defendidas com a consciência de que apelos simbólicos bem manipulados são suficientes para manter feliz uma parte cativa do eleitorado do Partido Democrata (leia-se aqui: negros).

Este último componente sustentou aquele escandaloso mito, o de Bill Clinton como o “primeiro presidente negro” dos EUA -- idéia que talvez seja a principal baixa, o mais ilustre cadáver da campanha destas primárias, em que Hillary concorreu contra Barack Obama como se ela fosse a candidata do Partido Republicano. Os Clinton não esperavam cair assim: no ano da “candidata inevitável” (slogan da campanha de Hillary até aproximadamente jan./08), surpreendidos por um garoto de 40 e poucos anos, senador júnior, ao mesmo tempo de origem humilde e de Harvard e, para piorar, mais brilhante retoricamente que Bill, pondo-o no chinelo na batalha discursiva da campanha. Para completar o baile, ainda por cima, o cara é preto. É surpresa demais para quem traz a história que trazem os Clinton.

Por isso há que se dar tempo para combinem entre si a forma mais elegante de ir admitindo a derrota (de qualquer forma, não interessa a Barack Obama ser coroado semi-oficialmente na semana que antecede a primária da Virgínia Ocidental). Esta derrota não seria difícil de assimilar para um grupo menos ambicioso que os Clinton: caramba, não é vergonha para ninguém perder por aproximadamente 52 x 48 no cômputo geral, mantendo um assento no senado por Nova York e a opção de ser líder da maioria ou qualquer outra coisa que quiser (não a Vice-Presidência na chapa Obama, que não é boa idéia para ninguém). Mas, para os Clinton, é uma dinastia que se desmorona.

Quando se diz aqui “os Clinton”, entenda-se não só Bill e Hillary, mas todo um grupo (cuja estratégia política fica em mãos de James Carville, Mark Penn etc.) que é diretamente responsável por uma campanha eleitoral que foi a maior acumulação de sandices das Américas desde que Parreira inventou o 6-0-4. Primeiro havia que se coroar Hillary antes de começar o jogo, pois era a candidata “inevitável”. Esta tática durou até as primárias de Iowa – estado branquelíssimo -- em que Barack levou, John Edwards ficou em segundo e Hillary em terceiro. Daí houve o breve momento pseudo-feminista da campanha, a rápida virada de Hillary em New Hampshire com o choro emocionado num diner e o tema do I found my voice. Quem conhecia sua trajetória com as bandeiras feministas --- assim como com as sociais, as raciais, as democráticas – sabia que a transcendência delas para Hillary sempre havia sido eminentemente eleitoral. Feministas atrás de feministas atrás de feministas já haviam aderido à campanha de Obama. Em todo caso, o momento morreu ali porque nas primárias seguintes Obama passou a vencer também entre as mulheres, na maioria dos estados.

Daí foi morro abaixo: dos ataques pessoais contra Obama inaugurados na Carolina do Sul aos argumentos usados para desqualificar os estados que votaram nele na Super-terça, definiu-se o que seria o perfil da campanha de Hillary. Era a chamada kitchen-sink strategy, que se poderia traduzir livre e futebolisticamente como abaixo do gogó tudo é canela ou se não sangrou nem fraturou, não é falta. A barragem de ataques foi coisa que não se via em décadas no Partido Democrata. Paralelamente, operava a tática da inevitabilidade: as vitórias do adversário haviam que ser desqualificadas. Não valem vitórias em estados que certamente votarão Republicano no outono (Utah, Idaho), não valem vitórias no Sul de concentração negra (Mississippi, Geórgia, Louisiana), não contam os estados que usam assembléias em vez de cédulas (Maine, Alaska, Kansas). Havia que se pensar no candidato que poderia derrotar McCain nos chamados swing states. Daí Obama passa a vencê-la em vários swing states (Virgínia, Colorado, Wisconsin, Missouri) e a estratégia da desqualificação assinada por Mark Penn e Carville em nome dos Clinton passa a precisar de malabarismos ainda mais mirabolantes. A última tentativa foi grudar em Obama o rótulo de inelegível porque ele continuava perdendo entre o eleitorado hillbilly dos Apalaches:

Appalachian_Region_of_US.jpg
(fonte do mapinha: Wikipedia; sobre o delírio que é apresentar Obama como inelegível porque "somente" consegue 40% dos votos num eleitorado pequeno, caipira e reacionário, que geralmente vota Republicano de qualquer forma, cobre-se-me outro post. Esta é a única cordilheira que conheço razoavelmente bem).

Enquanto Obama se consolidava como o “candidato da esperança e da mudança”, Clinton se credenciava como a candidatura que dizia duas coisas: 1) “essas mudanças não acontecerão tão facilmente como vocês imaginam”; 2) elections are a full-contact sport [eufemismo para vamos dar porrada mesmo] and if you can't take it, drop out of it. Quando eclode o escândalo fabricado com o pastor Jeremiah Wright e Obama tem seu primeiro momento de baque real, ao invés de abraçar a chance de fazer uma campanha coerente com a história do partido, Hillary embarca na tática do culpado por associação de estirpe republicana: e dá-lhe declarações de que eu teria saído daquela igreja, dá-lhe falsa indignação com ele ficou 20 anos naquela igreja, dá-lhe vídeos estilo política do medo, dá-lhe hesitação calculada em cadeia nacional ao responder a pergunta sobre ela saber ou ou não que Obama sempre foi cristão e nunca muçulmano.

O que é mais promissor nestas primárias é que Obama teve N chances de desenterrar esqueletos dos Clinton para uma campanha negativa e não o fez (e, acredite, como há esqueletos no armário! Comecemos onde? Em 1975?). Algumas dessas possibilidades de adoção da kitchen-sink strategy viraram até enquete no blog. Obama as recusou, como a maioria. Criticou, claro, Clinton em questões legislativas (seu voto pela guerra do Iraque, a demagógica proposta de suspender o imposto da gasolina por um verão e fingir que as petroleiras pagarão a conta), mas só quem falsifica a realidade em nome da preferência eleitoral ou da “ponderação” veria, nestas primárias americanas, as baixarias como responsabilidade das duas campanhas. Não. Foi a estratégia de um clã em declínio, recusada pelo outro lado.

Essa é a gigantesca tarefa do luto com a qual se defrontam hoje os Clinton: não só era um senador júnior; não só deu um baile retórico em Bill; não só chegou a Harvard tendo sido pobre; não só, heresia das heresias, era preto. Ainda por cima ganhou jogando limpo. É muita petulância. Ora, ora, desde 1992 se sabia – supúnhamos – que política não é um jogo que se ganha jogando limpo.

A reversão desta "lei" é o legado da vitória parcial de Obama e a imensidão do choque que os Clinton têm sobre o seu colo. Que caíssem num tiroteio contra a extrema-direita de Rush Limbaugh e Kenneth Starr era um final heróico para o qual estavam preparados. Que tenham caído agindo como Limbaugh, contando com o apoio de Limbaugh (que os preferia como adversários) e tentando manchar um jovem senador negro que veio como candidato da esperança foi, sem dúvida, uma amarga ironia que a História reservou para os Clinton. Por mais traições que tenham cometido, eles talvez não a mereciam. Mas é fato que ainda têm tempo de lidar com ela dispondo de alguma grandeza.



  Escrito por Idelber às 18:34 | link para este post | Comentários (35)


Comentários

#1

Excelente texto. como tudo parece facil de entender quando é lido aqui....:)

beijos

cristina em maio 8, 2008 8:33 PM


#2

Isso é o que se poderia chamar de "relatório de autópsia". E dos bons...

Só um acréscimo (se é que precisa...): a tentativa final e desesperada de forçar a inclusão da Florida e Michigan na disputa, inclusive com ameaças de cortar o apoio financeiro ao partido, pode ser o epitáfio que falta na mais mal conduzida campanha da qual tenho conhecimento.

Luiz em maio 8, 2008 9:52 PM


#3

off topic: e essa do Álvaro Dias, hein? vão continuar falando em 'dossiê'???

Serbão em maio 8, 2008 10:11 PM


#4

só uma pergunta:
há sinais de que Hillary vai largar o osso?

Max em maio 8, 2008 10:11 PM


#5

Como disse o Luiz aí em cima, a campanha da Hillary está insistindo na apelação para que as prévias de Michigan e Flórida sejam validadas.Além disso, estão tentando desesperadamente convencer os superdelegados de que Hillary tem mais condições que Obama de vencer McCain.

Não é fácil admitir uma derrota, ainda mais nessas condições que vc expôs no post, mas essa candidatura está praticamente enterrada. Cabe à senadora tentar abandonar a disputa de cabeça erguida, para manter boas condições de barganha e influência, e não prejudicar ainda mais a candidatura do Obama e, por consequência, entregar a presidência de mão beijada para os republicanos.

Bruno Pinheiro em maio 8, 2008 10:28 PM


#6

Nossa senhora! Idelber, por favor, tem como vc corrigir o meu nome no comentário aí de cima? É Bruno, e não Brubo! Tô ficando doido...

Bruno Pinheiro em maio 8, 2008 10:48 PM


#7

Corrigido :-)

Idelber em maio 8, 2008 11:06 PM


#8

Falou e disse! E a foto dos Obama tá ótima. O que será que ele diz? Yes, we can!

Marcelo Manzano em maio 8, 2008 11:48 PM


#9

Caro Serbão, difícil falar depois da Dilma ser elogiada do Catarro Verde ao Noblat. A Mary W disse já o que eu diria.

Idelber em maio 9, 2008 12:15 AM


#10

Eu me pergunto se alguém está fazendo a contabilidade dos recursos - e não falo só do dinheiro - que o Partido Democrata jogou ralo abaixo nestes meses de atrito desnecessário.

A impressão que eu tenho é que, seja quem for o candidato, sairá das primárias esfarrapado e exausto - e com um partido e eleitorado dividido - para pegar um McCain relativamente focado e tranqüilo.

Douglas Donin em maio 9, 2008 12:29 AM


#11

Idelber, já estão falando na possibilidade de Hillary entrar como vice. Se você estivesse no lugar de Obama, aceitaria essa? Olha, eu vou dizer uma coisa. Se fosse eu, teria muito medo de um Clinton como vice... Ah! E a capa da TIME, hein? Se a moda pega, basta a mídia querer para acabar a campanha da Hillary. Já pensou todos os jornais e revistas mostrando a vitória final de Obama antes mesmo de ela desistir? Seria um fim vergonhoso para os Clinton.

Sidarta em maio 9, 2008 8:42 AM


#12

Sidarta, o argumento definitivo contra a VP: você imagina Bill Clinton morando na Casa Branca sem ter nada o que fazer?

É um pesadelo. E eleitoralmente não faz sentido, tampouco.

Idelber em maio 9, 2008 9:01 AM


#13

Nossa Idelber que texto maravilhoso!!!
Parabéns!!!!
Adorei a foto tb que mostra esse homem político com coração....
Obrigada pelo post.

Grande abraço

Izabella em maio 9, 2008 9:16 AM


#14

Um dos maiores desafios de Barack Obama, para o eleitorado comum, eh desvincular-se das associacoes. Ainda eh cedo para dizer o que vem ou pode vir, mas sem acreditar em teorias conspiratorias e sem necessitar puxar-se o "coitadismo" racial, obviamente aceitar um presidente negro eh mais dificil do que aceitar Hillary Clinton presidente. Fatidicamente, democratas veem-se divididos, e os republicanos preferem Clinton, por mais odiada seja. Ao menos assim aparenta ser, em alguns casos, mas nem sempre eh. Os movimentos internos deste pais nao se encontram mais estagnados. Ha exploses inevitaveis. Ha mudancas na opiniao publica, mesmo que ainda haja racismo, haja quadradismo e caretismo, haja manipulacao midiatica, e nao haja futebol.

So por associacoes, e ate agora nem por associacoes, conseguirao derrubar Obama. E so conseguirao por que querem, especificamente, derrubar Obama.

Adorei o blog, e venho por indicacao de Luma ;-)

abraxao,

RF

Roy Frenkiel em maio 9, 2008 10:26 AM


#15

Valeu, Roy, volte sempre. Dei uma consertada no seu link, para que o pessoal possa te visitar. O link tinha vindo com um ponto a mais. Abração.

Idelber em maio 9, 2008 10:47 AM


#16

eu tinha decidido nao mais comentar sobre eleição americana por aqui. porque temos posições absolutamente divergentes e reconheço que vc tem um dominio muito maior a respeito do assunto. mas entretanto e doravante. eu considero que suas análises nao levam em conta o sexismo do eleitor. vc foca nas estrategias de campanha e nos discursos. e o eleitor fica de escanteio. ao mesmo tempo vc diz que os clintons tinham o eleitorado negro. entao, eu presumo, que vc considera o eleitor para raça/etnia. e nao o considera para genero. e vc diz "os clintons". como se esse clã óbvio para analistas fosse tb obvio para o eleitor. pq se esse eleitor negro adere tao rapidamente a obama (sendo q *o* clinton tinha esse apoio incondicional), talvez ele nao faça a associação tao rapida e obviamente entre o casal. o q parece ser bastante provavel já q 1) o charme pessoal do bill é sempre evocado; 2) a grande imprensa foi bastante parcial e sexista na cobertura.

mary w. em maio 9, 2008 10:56 AM


#17

Mary, você é minha ídola e é sempre bem-vinda. E neste caso temos mesmo que concordar em discordar, o que não significa que a conversa não valha a pena. Vamos por partes, porque eu não discordo de tudo.

Não acho que seja verdade que eu não considerei a questão de gênero. Considerei até mais que a questão da raça. Metade do quinto parágrafo é sobre gênero. não o considerei como você queria, que é explicar a derrota da Hillary com o argumento do sexismo. Porque realmente não explica. Sério: no meu círculo há incontáveis feministas. Não conheço sequer uma que atribua o fracasso dessa campanha ao sexismo.

Houve abordagem sexista na mídia? Sem dúvida. Especialmente no começo. O auge das representações sexistas dela na TV ocorreram antes da primária de New Hampshire, antes de sua única grande vitória. Nos últimos meses, com a blitz dos Clinton sobre a mídia, a coisa foi muito mais para o outro lado. Semanas e semanas inteiras vendo o pastor de Obama, berrando, todo pretão e assustador, enquanto Hillary pontificava sobre "o problema de Obama com os eleitores brancos de classe trabalhadora". Não vi nenhuma menção de Obama a, digamos, um "caráter emocional" dela, ou estereótipo sexista do tipo.

As pessoas que detestam Hillary por motivos sexistas são muitas. Mas, em geral, não votaram nestas primárias. Estão no campo oposto. A figura conduziu uma campanha que foi um desastre atrás do outro. Surgiu um candidato com palavra mais confiável, outro modo de fazer política, um histórico legislativo muito mais progressista. Hillary concorreu fazendo uma campanha de direita. E depois da mídia nos tratar a um mês inteiro de terror com o pastor de Obama, vamos colocar a culpa da derrota dela no sexismo? Não dá. Não quero ficar usando argumento de autoridade, mas juro que o Brasil é o único lugar onde conheço gente que acredita nessa teoria. Aqui, sinceramente, não conheço ninguém. Uma blogueira feminista pró-Hillary como, por exemplo, Digby, não acredita nisso.

Agora, falemos "dos Clinton". São eles que se apresentam assim. Exemplo? O argumento central de Hillary era o da "experiência". Mas que experiência, dado que ela tem menos tempo de Senado que Obama? Contava, é óbvio, o seu tempo na Casa Branca. É justo que conte. Foi uma primeira-dama muito mais ativa que qualquer outra. O plano de saúde do governo Clinton, por exemplo, foi de responsabilidade de Hillary (foi, aliás, um desastre conhecido por qualquer um que tenha morado aqui em 1993). Então, se conta a "experiência" como primeira-dama, é normal que as pessoas a associem ao reinado dos anos 90. É ela própria que reivindica essa associação (menos nas coisas que não deram certo, como o NAFTA: estas ela atribui a Bill e diz que ela fazia oposição por trás das cortinas). É essa desonestidade básica que a derrotou.

Claro que levei em conta a questão do gênero: é a questão de gênero que sustentou o seu eleitorado mais fiel, ou seja, os eleitores católicos de mais de 55 anos, que votam nela exatamente por motivos sexistas (por ter mantido, humilhada, o casamento).

Na boa, Mary, se eu quisesse desenterrar esqueletos anti-feministas de Hillary, faltariam bytes neste blog. Nunca quis fazer isso, exatamente pela importância histórica da candidatura dela. Mas para um gostinho do que seriam esses esqueletos, é só seguir o link que diz "1975" lá em cima.

Idelber em maio 9, 2008 11:50 AM


#18

Ah, mais uma coisinha: quem tinha o apoio do eleitorado negro não era *o* Bill. Eu não disse isso. Hillary tinha também. Ela foi eleita senadora em Nova York com esmagadora votação entre os negros.

Perdeu os negros como perdeu os jovens. E perdeu também as mulheres não católicas de menos de 55 anos. Foi o que disseram as urnas.

Idelber em maio 9, 2008 11:54 AM


#19

Idelber, o Bill abriu o escritório dele em Harlem em 30 de julho 2001, a Hillary chegou ao congresso em janeiro do mesmo ano. Até na época não parecia que tinham apoio absoluto dos negros.
Pesquei uma do líder dos novos panteras negras, na ocasião da mudança de Bill para o Harlem: "Bill Clinton is no friend of Harlem...Poor black men and poor black women will not have a home in Harlem any more because rents will be going up. ... We are losing our urban inner-city that is ours."

Cristiano em maio 9, 2008 12:45 PM


#20

gostei tanto dessa resposta. obrigada mesmo. só pra constar. eu nao acho em nenhum momento q o obama foi sexista. ele tem se saído bastante bem "culturalmente", pelo que acompanho daqui. eu acho q é um componente do eleitor. que estava doido por uma alternativa masculina. claro q aí parece q eu sou biruta de querer "ler" o inconsciente do eleitor. pq ela era SIM a "candidata inevitável". e o obama que está atrapalhando o partido democrata. ele q nao tava no script. por isso q eu nao gosto da idéia dela desistir embora eu (q nem eleitora sou) tenha admitido a derrota tipo em fevereiro ou março. outra coisa é q os negros de NY sao bem distintos dos negros do sul. sao dois eleitorados, certo? e outra coisa ainda. eles querem ser os clintons. mas nao sao para os eleitores. isso q me parece. claro q ela quer colar a imagem no bill. mas nao colou. tipo. esqueceram o eleitor. mesmo q a campanha fosse a caneladas, se ela nao representasse o q representa, teria mais facilidade. porque era inevitavel. e o problema dela é ser uma mulher fálica. pelo menos pro eleitor médio. acho q é nesse ponto q a gente nao vai conciliar. vc vê outros problemas com ela e acredita q o eleitor tb.

mary w em maio 9, 2008 12:50 PM


#21

Muito bom o biscoito. A massa fina então é das melhores. Vai para os favoritos.

sidney borges em maio 9, 2008 1:18 PM


#22

Caro Idelber,
Você pirou? Parreira inventou o 6-4-0, e não o 6-0-4, que ele não é louco de jogar com quatro atacantes.

Sérgio Sinotti em maio 9, 2008 4:06 PM


#23

Sérgio, 6-0-4 foi uma expressão que eu, mary e outros usamos na época da Copa (a autoria da fórmula é da mary, não minha, aliás: eu só me apropriei) para designar um time que tinha Kaká, R. Gaúcho, Adriano e Ronaldo Gordo, mas não tinha meias-armadores, meio-campo propriamente dito.

O que a gente queria dizer era 6-0-4 mesmo.

O que não significa, claro, que o time fosse "ofensivo". Não quer nem dizer que a equipe tivesse 4 atacantes, claro, porque aquele "4" desaparecia quando entrava em campo. A idéia era essa....

Abraços.

Idelber em maio 9, 2008 5:56 PM


#24

Cristiano: vero, vero. Mas ao longo dos anos 90 o eleitorado negro já votava maciçamente em Clinton.

Idelber em maio 9, 2008 5:58 PM


#25

Mary e Idelber,
Desculpe-me a intromissão na conversa de vocês, mas queria dar meus pitacos.

1 - Acredito que a "inevitabilidade" da nomeação da Hillary foi uma tática de campanha antecipada, vendida "pelos Clintons" (dentro daquele conceito de Bill+ Hillary + staff + parte do partido democrata que a endossou desde o início) e comprada pela mídia, mas não "fechada" com os eleitores. Este foi o primeiro (e talvez o mais grave) erro deles, ao desconsiderarem a importância dos eleitores na distribuição e na decisão dos delegados (por motivos eleitorais, que sejam), e não seguirem o que parecia ser uma "indicação clara"do partido: Hillary para presidente. Eles apostaram tudo na base política, e não eleitoral, achando que esta seria fácil de manipular.

2 - Tido que não haveria disputa dentro do partido, a campanha da Hillary não se preparou para ela. Desde a "inevitabilidade" de sua candidatura, tudo foi pensando visando um confronto com o partido republicano, e não com outra candidatura democrata. Os Clintons estavam preparados para combater os republicanos com as mesmas armas que eles usaram para derrotar os democratas em eleições anteriores: calcada no medo, na segurança nacional, na experiência, na necessidade de um comandante-em-chefe que protegesse os americanos contra as ameaças do mundo externo. Vem daí o argumento de que ela seria mais indicada para combater McCain em novembro, visto que não os dois teriam, pelo menos no campo político, muitas diferenças a serem ressaltadas. E foi assim que ela se apresentou também diante do candidato democrata, pois não havia um Plano B preparado para o caso de enfrentarem alguma resistência dentro do partido.

3 - A questão do sexismo... Acho que, novamente, preparada para a campanha contra os republicanos, o combate ao sexismo seria outra "arma", ou bandeira, a ser usada contra eles. Todo o discurso feminista estava preparado, mas a campanha de Obama não aceitou a provocação (inúmeras vezes feita pela própria campanha da Hillary); talvez até porque já soubesse que estava fazendo uma provocação maior: um candidato preto. Ou seja, todo um discurso preparado para defender a Hillary dos bad-boys caiu no vazio. Em nenhum momento a campanha de Obama (e aqui há que se diferenciar manifestação de campanha e manifestação de eleitores, tanto de um lado quanto de outro) fez qualquer uso de estratégias sexistas, nunca colocou a Hillary na posição que ela tanto precisava para formar uma coalizão feminina: a de vítima. E que ainda trouxe para a cena duas mulheres fortíssimas, também do tipo fálico: a mulher e a mãe. Vale a pena conhecer a história da mãe dele, aqui: http://www.time.com/time/nation/article/0,8599,1729524-1,00.html (está certo que não são elas as candidatas, mas se é válido o conceito de culpado por associação, que o contrário também o seja).

Então, se a campanha ou a trajetória do Obama não poderia ser chamada de sexista, sobrou para quem? Os eleitores; mas principalmente As eleitoras. Para mim, isto explica um pouco o porquê de tantas mulheres jovens não apoiarem Hillary Clinton só porque ela é mulher; ou só porque elas são mulheres. Com as mais velhas (acima de 55 anos), há a questão de identificação ou de coroação de lutas do movimento feminista. Com as mais jovens, a união em torno do movimento feminista pró-Hillary nunca colou. Primeiro, porque as mulheres mais jovens percebem a dissociação entre discurso e atuação que tem marcado a carreira/vida da Hillary. Não sei, mas acho que, por exemplo, ao ser humilhada por causa de mentiras e traições conjugais tornadas públicas, uma "verdadeira feminista" não iria passar a mão na cabeça do marido e dizer que seu comportamento predador, anti-ético e compulsivo é justificável porque ele sofreu nas mãos de duas mulheres: a mãe e a avó. E que ele se deixou levar por "white trailer trash", às quais, inclusive, ela mesma tratou de entrevistar e ameaçar. Ou seja, uma feminista que, para defender um comportamento masculino indefensável, é capaz de desqualificar as mulheres que o criaram e as que foram seduzidas por ele. Se as "antigas feministas" aprovam isso, as "novas" não aprovam, e se sentiram atiradas (se já não estavam) nos braços da candidatura do Obama quando foram chamadas de "inocentes", "manipuláveis", "irresponsáveis", "cegas e insensíveis aos claros ataques sexistas" que nunca existiram da maneira como eram esperados ou que poderiam vir numa disputa com o partido republicano.

Hillary não soube ou não pode conduzir o momento importante que sua candidatura criaria ao colocar em destaque a questão do feminismo, ou da mulher em situações de independência e poder. Por outro lado, ironicamente, ajudou a criar oportunidades para que Obama pudesse conversar clara e seriamente com a sociedade americana, dizendo: sou preto sim, e o quanto isso amedronta vocês? Será que vocês são adultos o suficiente para tentarmos entender o que isso significa e e seguirmos em frente? E sabe quem parece ainda não ter entendido? A Hillary sabe, e por isso se agarra tanto a eles: os "hardworking white american men, os mesmos que poderiam fazer o jogo do gênero nestas eleições democratas. Os que, talvez para espanto até da própria Hillary, estão do lado dela. Eles são os eleitores que ela acha, e apregoa aos quatro cantos, que nunca conseguirão superar a questão racial para votar em um preto. E é usando-os (pois na campanha de Bill Clinton, quando estes não o apoiavam, ela disse que eles não tinham importância, que eles nunca tinham feito nada para o Bil e que, por isso, a eles nada era devido), que ela tenta convencer os delegados a dizerem para Obama: "pois então, garoto, você foi muito bem. Mas não podemos te dar a nomeação porque, em novembro, os americanos brancos não votarão em você porque você é preto". Isto, mais do que nunca, quer dizer o "indizível", ao pensarmos no contraponto de hardworking-tax-payers-white-class: lazy-or-unemployed-and-dependable-from-the-governement-black-class.

Ou seja, acho que o mais irônico disto tudo é que Obama ganhou a nomeação depois de ter sido levado a concorrer com o tipo de campanha preparada para dar a nomeação a Hillary: na defensiva de ataques de uma campanha republicana. O que vocês acham?

Ana em maio 9, 2008 8:16 PM


#26

Idelber, não sei se alguém já mencionou, mas se Hillary fosse eleita agora, teríamos , em 24 anos, apenas DUAS dinastias se revezando na Casa Branca: os Clinton e os Bush. se ela fosse reeleita, 28 anos(1988-2016).
estranho isso numa democracia tão importante como a americana.

Serbão em maio 9, 2008 8:40 PM


#27

Mary: Rá! Acho que chegamos num ponto rico, que me interessa muito como tema, que é a mulher fálica.

Eu acho que quanto à Hillary, nisso, você tem e não tem razão. Ou seja, haveria que matizar. Sem dúvida você está certa que a alta taxa de rejeição da Hillary (pelo menos uns 4/5, eu diria, dos 40 e tantos por cento de rejeição que ela tem) vem da herança da Hillary fálica de 1993-98 e do sexismo assustado e auto-defensivo de parte do eleitorado. Digamos, do plano para a saúde de 1993 até Monica Lewinski.

Depois, a própria construção da "persona" dela passa por outras comarcas que incluem a imagem da avó populista e benevolente (com os "working-class voters") ou mesmo da cristã beatificada-humilhada-purificada (que é a Hillary na qual vota em peso o eleitorado católico de mais de 50, feminino e masculino.

Isso não quer dizer que ela não tente reprojetar essa condição de mulher fálica em outras esferas, como a política externa: Hillary, ao contrário até de McCain, falou em "obliterar" o Irã com bombas! Mas a estratégia não costuma funcionar muito bem para ela, porque nota-se que é a tentativa de "look tough", ser "durona" -- aqui não há nada, me parece, específico de gênero. A tentativa não funciona assim como não funcionou a história de inventar uma moratória de dois meses no imposto da gasolina: soa e parece falso, simplesmente.

Aí eu sigo Hannah Arendt: demonstração exagerada de instinto violento pode ser um indício da perda, não da conquista de poder. O contra-exemplo perfeito aqui me parece Marty Suplicy: fálica até as últimas consequências, mais coerentemente, me parece.

Quanto aos negros do Sul / NY: sim, claro, são totalmente diferentes! É o problema com a campanha de Clinton: faz uma qualificação em bloco desse eleitorado de uma forma que, claro, não é exatamente racista, mas é bem desprovida de sensibilidade para a coisa, na medida em que sugere que "todos eles me abandonaram porque o outro candidato era negro".

O que é enganoso, porque várias vezes o eleitorado negro já optou por candidatos brancos quando concorria um negro nas primárias (contra Al Sharpton, em 2004, para não ir mais longe).

Para resumir um longo e confuso comentário: acredito que o sexismo auto-defensivo e assustado ante a mulher fálica cumpriu um papel na construção da enorme rejeição de Hillary entre a direita nos anos 90, mas pouco papel em sua derrota nas primárias este ano. Se algum papel teve, pode até ter sido em seu favor, na medida em que seu eleitorado mais fiel (católicos idosos) vota nela exatamente por razões anti-feministas.

É o paradoxo amargo que a História reservou, desta vez não para "os Clinton", mas para a Hillary em particular.

Idelber em maio 9, 2008 10:00 PM


#28

Ana. Você tocou num ponto que eu SEMPRE me esqueço. Que é a forma como a Hillary lidou/lida com as traições do marido. Acho sim que isso a descredencia com as eleitoras jovens. Até pela despolitização na esfera pública, o comportamento privado acaba sendo decisivo.
Quanto a inevitabilidade. Eu não acho que é invençao de campanha. Os Clintons são um símbolo de viabilidade eleitoral pro partido democrata. O partido tratava assim. Como inevitável. Tanto que *os* Clintons estavam confiantes nos superdelegados. E a impressão que me deu foi que os superdelegados demoraram pra perceber que podiam apoiar Obama. De modo que ele é o azarão. O mundo todo esperava a candidatura dela. Ela "escolheu", inclusive, não disputar a eleição anterior por considerar que essa era barbada. Justamente por isso ela nem se preparou para esse embate.
Mas eu continuo achando que existia/existe uma resistência anterior a ela que é bastante sexista. Quanto ao Obama não ser eleito por ser negro (caso nao seja). Acho que é uma dúvida que todos nós temos. Como eu mantenho a minha em relaçao a Hillary. Nunca vou ficar segura de que a nao-indicaçao dela foi simplesmente politica. Nao consigo deixar de enxergar sexismo.


Idelber. Grosso modo eu poderia dizer que os negros do Sul dão um voto mais classista e os negros de NY optam por um voto mais identitário ou nao tem nada a ver?

mary w em maio 10, 2008 2:30 AM


#29

"arrumando" porque nao ficou claro. é uma duvida q existe. quando se trata de minorias. e a campanha usa pq sabe q as pessoas têm essa dúvida. nao acho legal que use. mas nao acho racista o uso. é um golpe baixo. pq é um lance terrorista. mas nao acho racista. na salon hj tem um artigo dizendo q eles ultrapassaram a linha e tal. tá tudo muito perigoso, anyway. é um momento da campanha q eu nao to gostando, claro. mas como vc, ana, disse, parece q eles partiram prum eleitorado conservador. e enfim. eu espero q de alguma forma ela mantenha o respeito pelas questoes de identidade, é um posiconamento q deve sempre ser firme pq é o modus operandi dos movimentos.

mary w em maio 10, 2008 2:48 AM


#30

Excelente texto, Idelber! Lembra os bons textos de Woody Allen. Há um tema, uma mensagem passada de forma ao mesmo tempo sofisticada e simples, e piadas geniais no meio do caminho (a do esquema tático do Parreira é para rir e até perder onde parou a leitura!).

Parabéns.

A saída honrosa ao clã, a meu ver, é reconhecer a vitória de Obama antes dela ser matematicamente inevitável (embora já praticamente o seja) e conclamar o PD a um grande movimento de coalizão, união etc.

Já que vão perder, mesmo, ao menos mantêm a pose de líderes e saem como conciliadores. Claro que isso é dolorido e não se imagina Hillary fazendo algo assim.

Mas é o que resta. Esperar o último segundo para perder e gastar todo esse tempo para atacar seu "adversário" (que, a rigor, NÃO É UM ADVERSÁRIO!) é uma tática não apenas "suja", mas contraproducente do ponto de vista eleitoral.

No mais, um chute: se fosse Obama o derrotado, ou o "prestes-a-ser-derrotado", provavelmente teria feito exatamente isso, uniria o partido e aplaudiria Hillary.

Quem sabe os Clinton não aprendem a ser um pouco "Obama", né?

Gravatai Merengue em maio 11, 2008 3:41 AM


#31

Eu, por acaso lendo as memórias do Booker T. Washington (Up From Slavery- 1901). Tem um capítulo que ele fala do Alabama e conta como os negros votavam sempre contra os candidatos brancos, no matter what. Ai ele diz (pg 53): I am glad to add, however, that at the present time the disposition to vote against the white man merely because he is white is largely disappering, and the race is learning to vote from principle, for what the vote considers to be for the best interests of both races . Tudo muito lindo, pois. Fiquei imaginado quanto seria bacana, se agora no século 21 pudéssemos substituir "negros" e "brancos" por brancos e/ou negros/latinos/etc e/ou mulheres/homens e/ou glbts ou whatever.
I have a dream, ele é bom, tô com medo de acordar ;>(

Márcia W. em maio 11, 2008 5:59 AM


#32

Sinceramente, quando você fala de Barack Obama, você deixa em casa todo o senso crítico que você costuma ter em outros assuntos. Você virou fã, sem dúvida alguma. Até aí tudo bem, mas neste caso eu me reservo ao direito de pular esses posts em que o Obama aparece.

Bill Clinton tem milhões de defeitos, e é em parte por isso que eu gosto dele. E acredito mesmo que a consciência dele sobre a sua ausência de perfeição que lhe ajudou a fazer o melhor governo americano do pós-guerra, e um dos melhores de todos os tempos. Não sei se a Hillary conseguiria fazer um governo tão bom quanto o dele, mas com certeza não é por nada relacionado a isso que ela não está conseguindo a indicação. Se tem gente capaz de dizer que não votaria nela porque ela perdoou o marido na traição, então é porque simplesmente, no manejar de preconceitos, o Obama se desvencilhou melhor daqueles que o atingem do que a Hillary.

Barack Obama vai perder a eleição geral para o McCain. Mas se ganhar, vai tentar mimetizar o governo Clinton no que for possível, e não vai conseguir.

André Pessoa em maio 11, 2008 3:10 PM


#33

Caraca, Idelber: este texto nem parece escrito por vc, que quase sempre consegue analisar os assuntos de uma forma equibilibrada, sopesando os vários argumentos até chegar a uma conclusão clara e sem tanta parcialidade. Até chega a ameaçar retirar esqueletos do armário, na tentativa de denegrir a imagem da outra candidata. A talvez provável vitória do Senador Obama será mais um erro dos Democratas nesta campanha, quando deverão perder aquela que seria a eleição mais ganha da história (poderiam ganhar até com o Geninho de técnico...). Não tenho dúvidas de que um número decisivo de eleitores que, como eu, pensava votar Democratas optará pelo risco menor e dará a vitória a Mc Cain, uma vitória que cairá em seu colo por análises tão equivocadas e agressivas como a que vc fez em seu texto.

M. em maio 14, 2008 12:20 AM


#34

Ninguém brincou falando que é o “Candidato da esperança” X a “Candidata desesperada”? Q falta de senso de humor... ;-)

Ulisses Adirt em maio 14, 2008 3:53 PM


#35

Oi,

Gostaria de netender porque os institutos de pesquisa nos EUA mostram resultados tão divergentes. Por exemplo, a Zogby diz que Obama cresceu está 8 pontos na frente do McCain. A Gallup diz o contrário, Obama caiu e está 3 pontos atras. Algumas pesquisas mostram que Obama é mais forte para vencer Mccain. Outras dizem o contrário. No Brasil, onde estamos acostumados a ter acertos e convergências muito grande das pesquisas, quando não se frauda pesquisa, estranhamos essas discrepâncias. Vc que está aí, acha que o Obama ganha do McCain?

Bruno Galvão em maio 21, 2008 2:04 PM


Deixe seu comentário:






Lembrar seus dados?

(you may use HTML tags for style)