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Um blog de esquerda sobre política, literatura, música e cultura em geral, com algum arquivo sobre futebol. Estamos na rede desde 28/10/2004.



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quinta-feira, 29 de maio 2008

Histórias do futebol: Obdulio Varela

obdulio.jpg Diz a lenda que na noite de 16 de julho de 1950, Obdulio Varela saiu sozinho para tomar uma cerveja no Rio de Janeiro. Por si só, esse fato já é um testemunho da diferença entre o futebol de então e o de hoje. Varela, o capitão da Seleção Uruguaia, acabara de protagonizar o mais chocante feito da história das Copas do Mundo: a vitória de virada sobre a favorita Seleção de Zizinho e Ademir, proclamada campeã por antecipação pelos jornais brasileiros.

Depois de algumas cervejas, El Negro Jefe é chamado pelo dono do bar. Havia um torcedor brasileiro que queria falar com ele. Varela se levanta preparado para o pior: um xingamento, uma agressão. O torcedor se aproxima, encara-o olho a olho, abraça-o e desaba num choro desesperado e convulsivo. Conta a lenda, ainda, que o capitão uruguaio consolou esse torcedor durante mais de meia hora.

Muito tempo depois, numa entrevista, Varela diria que nesse momento, com o torcedor brasileiro chorando em seu peito, ele se havia dado conta da dimensão daquela derrota para o Brasil. Também afirmaria que se soubesse que aconteceria tal tragédia nacional, ele não teria se esforçado tanto para ganhar, pois, afinal de contas, só os cartolas uruguaios lucraram com aquela vitória.

Eu lamentei muito não ter tido a oportunidade de entrevistar El Negro Jefe antes de sua morte, em 1996. Estive no Uruguai em 1995. Por uma fatalidade, o encontro não rolou. Varela é o autor da inesquecível frase: Los de afuera son de palo.

PS: Assisti ao épico 2 x 2 entre Fluminense e Boca Juniors ontem, em Avellaneda. Se aquele Noronha pode comentar futebol, eu posso dar aulas de física nuclear. O jornalismo esportivo brasileiro é uma vergonha. O televisivo é o pior de todos.



  Escrito por Idelber às 15:31 | link para este post | Comentários (46)


Comentários

#1

belo post, a história dele consolando o torcedor é fantástica. não a conhecia.

e sobre o """jornalismo esportivo televisivo""" (só um conjunto de aspas é pouco), gostaria apenas de entender como, e porquê essas pessoas são as escolhidas. ontem não ia ligar o rádio para acompanhar o jogo (muita velocidade e frenesi, às vezes), mas ao ouvir a dupla Luis Roberto/Noronha, cedi ao 600 AM.

e depois eles me irritaram mudos, ainda - mantendo horas de comemoração de copa do mundo ao invés de abrir logo o sinal para os pênaltis em São Januário. "jornalismo".

tiagón em maio 29, 2008 3:52 PM


#2

Concordo contigo, esse jornalismo esportivo é uma bomba. Só querem falar de futebol, caramba. (-;

S Leo em maio 29, 2008 4:01 PM


#3

Você tem razão sobre o tar do jornalismo esportivo brasileiro. Dos narradores de futebol, acho que só o Cléber Machado salva. Comentaristas, tem alguns bons, mas só na TV paga.

O pior é quando comparamos o nível brasileiro de transmissão de uma corrida com o padrão europeu... aí é pra querer se matar mesmo.

Eu não sei o que ocorre. Deve ter muita gente boa, competente, querendo trabalhar com isso. Mas só os animadores de auditório conseguem vaga.

Danilo em maio 29, 2008 4:38 PM


#4

O melhor canal é a ESPN Brasil.
E há uma "nova" geração de comentaristas por volta dos trinta e poucos anos, que vem recuperando o prestígio da classe. O expoente é o PVC; mas dá pra incluir o Mauro Betting, o Calçade, o Birner, o Noriega. Nem tudo está perdido.
Quanto ao Noronha, você foi injusto. Tá aqui um de seus mais lúcidos momentos na tevê Globo:
http://br.youtube.com/watch?v=a0hSqR8IBeo&feature=related

milton em maio 29, 2008 5:53 PM


#5

Opa Idelber!

Está arriscado a sua aula de física nuclear ter menos equívocos do que os comentários do Noronha :-)

A cena que você conta é impossível nos dias de hoje... uma pena!

PS: Faltam três jogos para o Flugarra!

Sérgio F. Lima em maio 29, 2008 8:30 PM


#6

Falta-nos a síntese nessa área de transmissão. Quando o sujeito não é o tipíco prolixo pedante, falando pelos cutuvelos com a impostura de um bêbado, é um lírico parnesiano, com a impostura de um bêbado. Quiçá, um dia, o futebol será tratado como um passatempo divertido, longe da sociologia barata e do heroismo tosco. Falando nisso tudo, vou tomar uma...

Zezolin em maio 29, 2008 8:52 PM


#7

Caro Idelber

Até as lendas do futebol brasileiro, como esta que você contou, eram melhores do que as que se contam com fatos atuais!

Dentre a equipe que cobriu o jogo, o árbitro tricolor J.R.Wright até que se comportou!
Continuo torcendo para que o jornalismo esportivo brasileiro tenha dias melhores.

Paulo em maio 29, 2008 8:54 PM


#8

Eu costumo dizer que comentarista de futebol é a profissão mais fácil que existe no Brasil.

Qualquer um ganha uma fortuna para ficar falando besteira - e ninguém cobra qualidade, ninguém nas direções das TVs parece perceber que se juntar tudo o que estes caras dizem não sobra nada.

E esta estória do Varella é maravilhosa. Se non é vero, é piu trovatto.

Radical Livre em maio 29, 2008 9:07 PM


#9

de fato, as tvs abertas brasileiras são um desastre esportivo, principalmente no que se refere ao futebol. A Band torce descaradamente para os times paulistas enquanto Galvão Bueno e sua trupe são rubro-negros declarados (descarados). O Noronha é mesmo péssimo!!!

rich em maio 29, 2008 9:54 PM


#10

E o que dizer do "Rato" como comentarista de arbitragem? Emprego garantido na Globo como pagamento do roubo do Serra Dourada. Por isso só vi o jogo, mas não ouvi. O Boca está vivo. A bicharada que o diga.

Lincoln Pinheiro Costa em maio 29, 2008 11:52 PM


#11

Teria sido mais válido ver Corinthians X Botafogo, jogão!

Abraços.

Márcio Pimenta em maio 30, 2008 8:57 AM


#12

Idelber,
parece que esta asséptica e (mal) dita profissionalização do futebol acabou também enterrando as lendas e mitos.

Quanto à sua observação sobre o jornalismo esportivo, nada a acrescentar.

Já em relação à frase do Negro Jefe, há o complemento "que comience la función", certo?

Abraços.

Franciel em maio 30, 2008 8:58 AM


#13

Caro Idelber

A torcida arco-íris anda inquieta, não é mesmo?

Paulo em maio 30, 2008 9:26 AM


#14

Deixe a TV sem som, Idelber. Não ouvi nada, ainda bem. Jogaço!

Lembro que meu pai falava em Obdulio e eu imaginava um homem muito poderoso, capaz de dobrar um Maracanã inteiro. E não era?

Milton Ribeiro em maio 30, 2008 10:39 AM


#15

Idelber,

E a censura ao Weblog do PD por parte do TRE-RJ?
Pode até ser legal(nem tenho certeza), mas que é autoritário nem se discute...
Irônico é que foi no mesmo dia da decisão do Supremo sobre as células-tronco embrionárias. Justiça brasileira: uma no cravo, outra na ferradura...

Luiz em maio 30, 2008 11:33 AM


#16

Você ainda não viu o Noronha comentando jogo do Flamengo. Faz o José Roberto Rato parecer um vascaíno.

henrique em maio 30, 2008 11:49 AM


#17

Idelber,
interessante notar que Zizinho era um dos que diziam que a seleção uruguaia não era só "raça". Segundo o mestre, era uma equipe até melhor do que a brasileira, mas nossa mitologia nacional transformou-a numa espécie de São Caetano raçudo.
E parece que Riquelme talvez não jogue no Rio...

João Marcelo em maio 30, 2008 12:25 PM


#18

Sugiro a leitura do livro "Anatomia de uma derrota", do Paulo Perdigão, da L&PM, contando a história de Brasil x Uruguai. Livro definitivo. Foi reeditado em 2000. Fotos maravilhosas. A sequência do gol de Gigghia é antológica. É dele a frase:"Apenas três pessoas, com um único gesto, calaram o Maracanã com 200 mil pessoas: Frank Sinatra, o Papa João Paulo II e eu".

Carlos J. em maio 30, 2008 1:20 PM


#19

O que me atrai no Flu é a coerência que o Renato assume como técnico em relação ao que ele era como jogador. Li, não lembro aonde, uma declaração dele sobre o campeonato de pontos corridos. Ele dizia (redijo com minhas palavras): esse campeonato premia a mediocridade, o que importa é jogar uma final, ali sim aparece o jogador diferenciado, o que toma para si a responsabilidade do jogo e pode decidir num único lance. No jogo Flu e boca, eu dizia ao meu pai, esse Thiago Neves não está jogando nada. E de fato. Mas o Renato havia dito, o Neves é um jogador que pode decidir, não tiro ele por isso. E não deu outra, o goleiro frangueou, mas aquela bola não é assim tão fácil. O jogador pensa: é agora. E aí não tem quem segure. O mérito do Flu é esse, está cheio de jogador que decide (e o Renato deve prepará-los para isso), assim como o Boca tem provado nos últimos anos, por isso, é um jogaço. Espero que o Renato volte como treinador para o Grêmio logo.

Fred em maio 30, 2008 1:47 PM


#20

Eis aqui um vídeo fantástico, de autor desconhecido, que esculhamba, com um sarcasmo sulfúrico, não apenas o Noronha, mas o J.R. Wrong também:

http://www.youtube.com/watch?v=EP2UzfvImOk

É tão bem feito que desconfio que o autor seja TRICOLOR.

Diego Viana em maio 30, 2008 2:27 PM


#21

Só vou comentar o PS:

Pior é que o pessoal que acompanha jogos de times cariocas (ou é forçado, como no caso aqui do Espírito Santo) tem que agüentar aquela mala do Noronha. Durante a Copa, agora em 2006, durante um jogo da Suécia ele disse que "ele não conhecia, mas tinha ouvido falar que o tal de Ibrahimovic era um bom jogador", isso porque o cara só tinha sido escolhido o melhor jogador da Itália na temporada 05/06.

Agora, venhamos e convenhamos, todo ano é assim, vai o time brasileiro para a Argentina e volta com um empate (ou uma derrota por um gol) heróico. E no jogo de volta los xeinezes sempre ganham com sobras. (Aliás, era para ter sido assim nesse jogo, se não fosse o azar do ataque boquense, e o frango à la Ceni do goleirão.)

marcos em maio 30, 2008 3:05 PM


#22

sensacional o vídeo deixado pelo Diego!

A ruindade de Noronha e cia. é tão unânime que o PS rendeu mais comentários que o post :-)

Idelber em maio 30, 2008 3:24 PM


#23

Idelber,

O Marcio Pimenta falou para você ver o Corinthians e eu até me alinharia ao comentário dele, mas o jogo do Morumbi foi ruim demais. Só sofredor aguenta aquilo.

Mas, vem cá, e no jogo do Flu, você torceu para quem?

Alessandra Alves em maio 30, 2008 6:07 PM


#24

Torci para o Flu, Alessandra :-)

Idelber em maio 30, 2008 6:11 PM


#25

Eu também torci para o Flu, mas com um plano maléfico.
Seguinte. O time das Laranjeiras chega na final cheio de pose e circunstãncia depois de vencer o Boca e recebe uma bordoada da LDU, que é pra, com o perdão da má palavra, Renato Gaúcho deixar de fazer apologia de (tirem as crianças do recinto) Luxemburgo.

Franciel em maio 30, 2008 6:48 PM


#26

Jornalismo Esportivo no Brasil? Só da ESPN Brasil. Sportv e Globo é chapa branca. São cúmplices da CBF.

Abraço

Alexandre Nodari em maio 30, 2008 7:52 PM


#27

Caro Idélber, manifesto-me pela primeira vez para, como membro do "atual jornalismo esportivo" (sou redator da Agência Estado), concordo plenamente com suas palavras. Vergonha, vergonha, vergonha.

Fernando em maio 30, 2008 8:38 PM


#28

Idelber,

Já tinha comentado sobre a ruindade da imprensa esportiva brasileira no post sobre o livro do Wisnik.

É uma situação desesperadora; A nossa mídia televisiva e impressa é ruim em linhas gerais, no entanto, isso se deve em maior parte pela desonestidade intelectual do que pela burrice, agora no que tange à imprenssa esportiva especificamente ocorre o contrário. Tem muito pereba escrevendo por aí.

Quanto a história do Varela, espetacular.

Já sobre Boca X Flu, acho que ainda não tem nada ganho, mas os tricolores conseguiram uma vantagem importante, um empate fora com dois gols marcados fora de casa.

O time só não pode se levar pelo oba-oba, não custa lembrar que em 00 e em 01 o Palmeiras conseguiu dois empates pelo mesmo placar contra o Boca na Argentina e acabou tendo a vantagem revertida no Brasil em duas derrotas nos penâltis. Espero que isso não aconteça.

Hugo Albuquerque em maio 30, 2008 9:47 PM


#29

Mas também, professor, quem manda acompanhar a partida pela Globo? rs

A cobertura da TV aberta é patética mesmo. De um nacionalismo tosco, estúpido. Mas há exceções. Acho que o resto do país sofre um cadinho, mas cá em sampa até que a cousa não está ruim. O Cleber Machado dá suas escorregas, mas do triunvirato platinado é o melhor deles. E o lindinho do Caio está se saindo um bom analista do jogo. Ainda não tem o traquejo para o cargo, mas é capaz de observar o esquema tático montado e explicar pros telespectadores claramente. O que phode é a presença dos picaretas comentando arbitragem. São de um corporativismo constrangedor, são mais advogados de arbitragem do que outra coisa. Mas cá entre nós, pra que diabos serve essa função?

thiago em maio 30, 2008 10:59 PM


#30

Estou postando um comentário aqui pela primeira apesar de frequentar seu blog há quase um ano... E queria dizer que quase chorei dando risada com teu comentário sobre o Noronha... Vc foi perfeito!!!

Fernando Gilliatt em maio 30, 2008 11:05 PM


#31

Ah, Idelber, e vc acha q com aquele jogão lindo do tricolor do meu coração eu consegui prestar atenção no que o jornalista falava? Haja futebol!

:D :D

Lucia Malla em maio 31, 2008 1:25 AM


cristina em maio 31, 2008 7:59 AM


#33

Lu, pensei em você. O Flu realmente foi uma bela combinação de tranquilidade, garra e... bem, um tiquinho de sorte, né?

Cristina, esse aí é um projeto de escolas brasileiras. Indexam blogs e, de vez em quando, se esquecem de dar o link e citar a fonte. Meio chato, né?

Idelber em maio 31, 2008 10:49 AM


#34

Olá Idelber,
Obdulio começou sua carreira num time Uruguaio chamado Fortaleza. Foi um jogador da américa hispânica, boa técnica e muita raça, muita garra. 'Um grito bem dado é um jogador a mais dentro de campo", era sua máxima ( ou uma entre tantas).
E foi o que ele fez quando o Brasil marcou o primeiro gol da partida da final do mundial em 50. Reclamou de impedimento, pediu intérprete, numa tentativa, que daria certo, de frear o entusiasmo do time brasileiro e sua de tremenda torcida. O resultado todos sabem.
Isso me lembra do Zico, que, num insighth hispânico gritou, deu 'uma bronca' em Jorge Mendonça, o 'Jojô Beleza' segundo Osmar Santos (belos tempos), no jogo entre Guarani e Flamengo em Campinas pelas semifinais do brasilerio de 82(?) no Brinco de Ouro, que jamais terá um público como o daquele jogo, infelizmente.
Não tenho certeza de qual era o melhor time entre os dois, o Bugre tinha Careca, Jojô Beleza, e Zé Carlos. Era um osso duro de roer, e a atitude do Zico, que teve uma disputa com Mendonça, que 'beirou a ilegalidade', por sua escalação na seleção brasileira da época deu vantagem ao Flamengo, que ganhou o jogo por 3x2.
No episódio da copa de 50, talvez tenha nascido a tão declamada 'raça' dos futebolistas hispânicos, dos quais fazem parte os dos times dos sul do Brasil, (só para lembrar São Paulo faz parte do Sudeste, junto com MInas Gerais, Rio de Janeiro e Espírito Santo) onde, segundo o historiador gaúcho Peninha, todos são desde criança volantes de contenção. Que aliás pode ser comprovado.
O Corinthians, do médio volante e treinador gaúcho de contenção Mano Menezes, vai enfrentar daqui a pouco o Fortaleza, na rodada pela segundona. Espero que o 'grito', incorporado na nova fase do Timão, seja ouvido pelos jogadores. E veja que o Corinthians é tido como um time de raça.
Numa provocação, um amigo Argentino ( boca -palmerense) me disse que o futebol que eles praticam é democrático, e o dos os brasileiros não. A provocação foi respondida, nos termos do momento, regado a cerveja, vinho e carne.
Mas....daria meu reino por um comentário seu sobre o texto do Passoline, aquele sobre o futebol, e que apontasse a diferença entre a poesia do futebol hispânico e a brasileira.
Na verdade, onde, em que região está a poesia do futebol no Brasil?

Abraços etílicos

frank em maio 31, 2008 4:50 PM


#35

é, realmente. fiquei espantada quando vi a materia aqui. nem autor, nem link.

cristina em maio 31, 2008 6:05 PM


#36

Eu tenho uma desconfiança muito forte de que o Noronha não existe. Acho que ele é computação gráfica - tipo a Eva Byte, aquela repórter "virtual" que aparece no Fantástico. Noronha é criação do Hans Donner.

O seu momento mágico, este ano, foi no maracanazo do América do México. Lá pelos 25 minutos do segundo tempo ele comenta:

- O Souza tá sumido no jogo.

Houve um silêncio constrangedor e aí o Luis Roberto avisou que Souza tinha saído há uns 10 minutos, mais ou menos. Gênio é gênio.

Rodrigo em maio 31, 2008 7:09 PM


#37

Só para lembrar que Noronha é torcedor do Vasco, e não do Flamengo, como sugeriu um colega acima. Mas ele é ruim de qualquer jeito. O príncipe do senso comum.

João Marcelo em maio 31, 2008 8:32 PM


#38

Ah, leia isso no Blog do Nassif. É muito absurdo. É provavel que a Globo não denucie porque o Dia é concorrente dela.
As milícias cariocas


Milícias: política do terror, em O Dia

Rio - Criadas sob o "inocente" argumento de enfrentar o tráfico de drogas e livrar as comunidades carentes do crime organizado, as milícias compostas por policiais, agentes penitenciários, bombeiros e ex-servidores da Segurança Pública dominam hoje bem mais do que as 78 comunidades onde fincaram suas garras e estruturaram um exército muito bem armado. Elas ditam as leis a aproximadamente 2 milhões de cariocas e os submetem a um código penal que nunca foi escrito. Todos conhecem bem cada parágrafo, onde estão previstas a tortura e a morte a quem desafiar as suas regras. Um desmando sofrido pela equipe de O DIA.

Durante duas semanas, repórteres moraram na Favela do Batan, em Realengo, Zona Oeste do Rio. A idéia da reportagem era mostrar como vivem as pessoas em um local onde grupo clandestino tem lucro fantástico com a venda do gás de cozinha, do sinal pirata de TV a cabo e da segurança forçada, além do curral eleitoral. Mas, na tentativa de produzir material que mostrasse os desvios dessa realidade, os jornalistas caíram nas mãos da barbárie.

Denunciados, os repórteres de O DIA foram seqüestrados e mantidos em cárcere privado em um dos barracos usados como quartel-general pela quadrilha. O interrogatório e as torturas duraram sete horas e meia, período em que a equipe foi submetida a socos e pontapés, choques elétricos, sufocamento com saco plástico, roleta-russa, tortura psicológica e todo tipo de situação vexatória. Em um dos intervalos entre as sessões de agressões, a equipe identificou o barulho de sirenes iguais às das patrulhas policiais rondando o cativeiro. Mas os homens que chegavam ao local, em vez de socorrer as vítimas, eram solidários aos carrascos.

Em determinado momento, o cativeiro chegou a ter pelo menos 20 milicianos, entre torturadores, incentivadores e espectadores coniventes. As vítimas foram libertadas, depois de os criminosos terem passado todo o tempo garantindo que elas seriam torturadas até a morte. A condição seria manter segredo sobre a sessão de agressões. Foi a forma mais cruel e bárbara de testemunhar como a milícia age nas comunidades do Rio.

O crime cometido contra a equipe de O DIA aconteceu no dia 14 de maio. A cúpula da Segurança do Estado do Rio foi notificada. Hoje, mais de duas semanas depois das agressões, os fatos estão sendo publicados. A decisão de esperar esse tempo para trazer à tona a história foi tomada para que as investigações policiais não fossem prejudicadas e, principalmente, para garantir a segurança das pessoas envolvidas. Agora, espera-se pela punição dos culpados.

Bruno em junho 1, 2008 12:14 AM


#39

Que dizer sobre o Brasil quando se mora nos EUA de Bush e Cheney? E de outros tão ruins que nem?
A única coisa que sei sobre o campenoato do Uruguai e que ninguém aqui sabe é que era aniversário de um grande amigo meu, o 16 de julho. Vejam no que deu. Ainda bem que meu aniversário não tem desgraça tão grande assim. Achei linda a estorinha do Obdúlio Varela, cujo nome conheço das crônicas do Nelson Rodrigues.

Felicidades para todos.

tina oiticica harris em junho 1, 2008 4:58 AM


#40

Caro Idelber, não é de hoje que eu digo que a barra tá pesando! A democracia em nosso país é para poucos, pouquíssimos. A informação da mensagem 37 é aterradora e, lógico, hoje está em todos os meios de comunicação. A integridade física das pessoas na cidade maravilhosa e arredores é ameaçada a cada instante. A recente votação na assembléia dá a medida da pax carioca.

Paulo em junho 1, 2008 5:53 AM


#41

Com relação ao que o Bruno relatou no #37, justiça se faça a Rede Globo: ela relatou o caso com detalhes.

Luiz em junho 1, 2008 7:50 AM


#42

Lamentável a utilização deste blog para difundir as velhas e preconceituosas demonstrações de violência moral, racial e social, veiculadas neste link postado no comentário do Sr. Diego. Ponto Negativo para o blog do Idelber. Professor, Gozação tem limite, não é mesmo?! Desculpe-me por participar dessa maneira, mas acompanho seu blog faz um bom tempo e sempre prezaste pelo respeito e pela tolerância. Obrigado, pela atenção. E boa sorte para o "nosso" senador Obama.
Mario.

mario hermes em junho 3, 2008 12:44 PM


#43

Não entendi, Mario. O que há de errado com o comentário do Diego? O link é uma sátira hilária à Rede Globo.

Idelber em junho 3, 2008 1:16 PM


#44

Professor, talvez, eu não tenha entendido o "humor sulfúrico", mas a narração inicial apresenta "pérolas" do velho "humor" contra a torcida do flamengo, mas, sendo o senhor um torcedor atleticano confesso, contra a torcida rubronegra "vale tudo". Mais uma vez obrigado. Talvez tenhamos visto coisas diferentes, videos diferentes, são as "interpretações".Abraços.

mario hermes em junho 3, 2008 3:56 PM


#45

Estimado Idelver:
Muy buenas tus reflexiones. sobre lo mismo quisiera evocar la notable entrevista que Osvaldo Soriano hizó a Obdulio Varela y que se encuentra con otras crónicas notables ( sobre el boxeador "mono" Gatica, el club San Lorenzo de Almagro o Laurel y Hardy) en el libro "Artistas, locos y criminales". Un abrazo desde Chile, Alvaro Monge
pd. te debo el envio de mi libro de poesía

Alvaro Monge em junho 27, 2008 7:15 PM


#46

Quando tem jogo do Flusão, eu desligo a vt e coloco na super radio tupi, escuto nãopelo rádio, mas pela internet. Acho bem melhor.
[]'s

Pinheiro em julho 13, 2008 2:35 AM