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terça-feira, 27 de maio 2008
Veneno Remédio: O Futebol e o Brasil, de José Miguel Wisnik
Afirmo sem medo de errar: chega às livrarias esta semana o melhor e mais sofisticado livro já escrito sobre o futebol na terra do futebol. Recebi a pérola ainda em estágio de provas, não pela minha amizade com o autor, mas graças ao Jornal do Brasil, que me encomendou uma resenha. Veneno remédio: O futebol e o Brasil (Cia. das Letras, 2008), de José Miguel Wisnik, é um livro sobre o futebol como jamais foi feito no Brasil. Não é uma história do esporte no país. Não é um estudo sociológico. Não é uma biografia de jogadores. Não é uma análise da política do futebol. É tudo isso e muito, muito mais. Acima de tudo, é um minucioso poema sobre o que o futebol diz sobre nós, sobre quem somos, sobre a fatalidade e a delícia de ser brasileiro.
Fico sem jeito de escrever o post, porque não quero antecipar e atrapalhar a resenha. Vou dizer algumas coisas que só posso dizer no blog e não no jornal: devorei as 430 páginas numa noite. Caramba, há quantos anos eu não lia 430 páginas numa noite! Acho que a última vez foi com Irmãos Karamazov.
Zé tem aquela qualidade maravilhosa: é um dos maiores intelectuais do país e gosta de futebol. Os livros de sociologia do futebol, em geral, são escritos por gente que não sabe diferenciar um meia-armador de um centroavante. Os que conhecem as minúcias do jogo e das arquibancadas, em geral, não escrevem livros. Zé é a indispensável ponte entre esses dois mundos. O cabra nasceu em 1948 em São Vicente e lá morou até 1966. Ia ver Pelé na Vila Belmiro todo fim de semana. Imaginem o que acontece com uma pessoa dessas. Há um momento do livro em que ele faz alusão a esse fato. Página 39: Um amigo dez anos mais novo, e também torcedor do Santos, ao ver filmes do auge da era Pelé, afirmou sem hesitar que o fato de eu ter sido exposto, em tenra idade, à força daqueles fatos, como se isso fosse normal, produziu danos irreparáveis à minha personalidade. Ele não foi mais explícito que isso, mas a frase me atinge. Na melhor das hipóteses, ela se refere à minha incurável tendência a ver sentido em tudo. Este livro é o resultado mais direto da resistência, longamente ruminada, dessa síndrome.
Há uma magistral leitura da diferença entre Pelé e Garrincha a partir de uma cisão chave: Garrincha, o que não tem pai, aquele que escapa à função paterna. Pelé, aquele sujeito inserido na estrutura edípica, prometendo, em 1950, ao pai que chorava – seu Dondinho, brilhante, mas fracassado craque – que um dia ele traria uma Copa para o Brasil. Há uma brilhante interpretação da pré-história do futebol, incluindo-se aí uma bela análise da função do tlachtli entre os aztecas. Há toda uma reflexão sobre a codificação das regras do futebol, pelos ingleses na segunda metade do século XIX, como a racionalização do que ameaçava ser puro jogo, mero ludismo. E há, acima de tudo, uma pergunta insistente: o que o modo brasileiro de jogar futebol – a nossa radicalização daquilo que o jogo tem de mais próprio, por oposição ao produtivismo e à matematicidade dos outros esportes – diz sobre quem somos. Tudo isso é o começo do livro. O seu miolo é a análise refinadíssima de todos os grandes momentos do esporte entre nós, de Marcos de Mendonça e Friedenreich até Ronaldinho Gaúcho e Robinho.
A leitura que faz Zé Miguel dos dois antológicos não-gols de Pelé na Copa de 70 (o chute do meio-campo contra a Tchecoslováquia e o corta-luz assombroso em Mazurkiewicz) estão entre as páginas mais poéticas já publicadas pelo ensaísmo brasileiro. Lembram-se das jogadas, não é? Na segunda, quando o duríssimo jogo contra o Uruguai já havia sido resolvido com a virada brasileira por 3 x 1, Tostão faz um passe em diagonal da esquerda para a direita, criando um vazio na defesa como só ele sabia fazer. Pelé vem correndo na diagonal oposta. No momento em que Pelé e a bola se encontrariam, acontece o absurdo, o imprevisível: Pelé recusa-se a tocá-la, passa direto, e sua trajetória forma, com a bola, um X que abraça Mazurka – um dos maiores goleiros de todos os tempos – para que o Divino Negão a recolha do outro lado, tocando-a para o gol. Mazurka, impotente, permanece congelado, no tempo dos humanos. A bola passa a centímetros da trave direita. Lendo o livro de Zé Miguel, você entende tudo o que essa finta diz sobre o Brasil.
Chega. Se não, eu fico sem nada para dizer ao JB. Veneno Remédio, de Zé Miguel, chega às livrarias esta semana. Pare de ler blogs e vá lá comprar. É sério candidato a livro do ano.
PS: Há um belíssimo texto novo na Palestina.
PS 2: Pouco a pouco, Alexandre Nodari vai compondo um extraordinário blog. Gostei muito da idéia das "frases feitas": posts que produzem seu efeito a partir da justaposição de duas citações.
Escrito por Idelber às 00:12 | link para este post
| Comentários (27)
#1
Que boa nova!
Não sei se é o incomodo das fivelas cartesianas deste mundo anglo-saxão que nos abraça, mas mais do que nunca ando gostando de assistir, ouvir e falar de futebol. Vamos às paginas!
Marcelo Manzano em maio 27, 2008 2:18 AM
#2
Aqueles que foram "expostos" ao fenômeno Pelé puderam assistir um comportamento bastante curioso do jornalismo esportivo: um namoro (relativamente grande) e uma fase posterior em que esta mesma imprensa não consigueria mais viver com o fenômeno Pelé.
Ou seja, em nosso país não se consegue conviver com a inteligência ou genialidade DE UMA FORMA COTIDIANA E POR MUITO TEMPO.
É duro dizer isso, mas o futebol brasileiro chegou ao máximo quando o Cruzeiro foi enfrentar o Santos pela Taça Brasil.
E AINDA É O MELHOR!!!
Paulo em maio 27, 2008 8:08 AM
Luiz em maio 27, 2008 8:43 AM
#4
Aproveitando o ensejo, não sei muito sobre o relacionamento extracampo entre Pelé e Tostão, mas acho que o Rei nunca engoliu essa. Nunca vou me esquecer das imagens que vi quando criança em um programa de TV sobre essa decisão. Elas mostravam o Pelé dando socos no campo da Vila Belmiro depois de Natal, Tostão e cia virarem aquele jogo para 3 x 2 e faturarem a Taça Brasil.
Pelo lado do cinema, posso dizer que Tostão e Garrincha já foram personagens de bons filmes, o "Fera de Ouro" e o "Alegria do Povo", respectivamente. Mas o Pelé merecia coisa melhor do que aquele "Eterno", historicamente completo, mas cinematograficamente inócuo. Ele certamente merecia um Joaquim Pedro para fazer sua biografia, que infelizmente não está mais aqui (ele foi o diretor do filme do Garrincha, considerado o primeiro e para mim o melhor documentário sobre um jogador de futebol realizado no cinema praticado no Brasil, que foi recentemente restaurado e deve sair logo em DVD, se já não saiu). Existe um filme que não vi, "Pelé: o mestre e seu método", que pela sinopse que li é uma espécie de "making of" do Rei, o que o texto descreve como uma "aula de futebol em seis lições". Isso sem falar nos filmes em que ele foi "ator".
Esse livro do Wisnik me parece ser um ótimo presente para outros ou para si mesmo!
Leo Vidigal em maio 27, 2008 9:07 AM
#5
Idelber, ao comentar o livro do Wisnik você acabou tocando em um ponto interessante: somos o País do Futebol mas a nossa literatura sobre o tema deixa a desejar. Tirando um Nelson Rodrigues e eventualmente um ou outro texto do Armando Nogueira geralmente os nossos livros e artigos sobre o esporte são decepcionantes, e nem em sonhos podem ser equiparados a um Eduardo Galeano. Isso sem falar nos documentários, que geralmente se prestam mais a "exaltação" das maravilhas do País da Bola e de seus boleiros. Pelo visto o Wisnik veio suprir essa carência, e independente de ser santista (de cidade e de clube) pelo que eu li no artigo dele que foi publicado na Revista Piaui esse livro realmente promete...
Cláudio Roberto Basilio em maio 27, 2008 9:53 AM
#6
Eu tinha lido uma análise sobre o livro feita pelo Juca Kfouri, na sua coluna na Folha, e já tinha a intenção de lê-lo, após algumas leituras pendentes. Agora, depois desse post,terei que passá-lo na frente da fila!
Bruno Pinheiro em maio 27, 2008 10:32 AM
#7
Caro Idelber....leio seus textos e só quando a alma clama escrevo algo....de resto é só apreciar texto e comentários.....ganho muito assim.
Mas sobre Pelé cabe escrever um pouquinho.....que eu aos 52, já muito futebol....e vi muito do "REI"!
Quem o viu nas quartas e domingos da Vila, aos domingos e quartas a noite do Pacaembu e as vezes no sombrio e frio Morumbi pode dizer que vendo o "REI" jogar voce se acostumava e virava exigente......ele fazia tudo com tanta facilidade e determinação....que tornava a nós seus torcedores sujeitos metidos a besta e arrogantes...
Vou comprar o livro...nasci em Santos lá por volta de 56 e será um presente a quem não pode (meu filho mais velho) babar vendo o negro Rei varrer os campos de batalha com suas armas invenciveis.....
UM pequeno lembrete ao Dono do blog e aos convivaz....
Quando puderem, descolem o cd com o jogo inteiro de Brasil e Uruguay em 70 ,nas semi finais.....Pelé não fez só aquela com o Mazurca.....feza sua mais brilhante "mostra' de seus dotes em mais de dez anos......foi um dia memorável.....confirão!
Abração a todos....
HRP Fast Reloaded em maio 27, 2008 11:08 AM
HRP Fast Reloaded em maio 27, 2008 11:09 AM
#9
OK, o Zé Miguel é um tremendo cara, e o futebol mania nacional. Mas eu, que não diferencio centroavante de meia armador e por muito tempo achei que zagueiro e atacante eram a mesma coisa, exijo meu direito a brasilidade!!! Também sou dessa país, ora bolas! Até quando serei obrigado a passar por uma pequena sabatina futebolística, ou reconhecer nomes de craques, quando, no exterior, me identifico como brasileiro? Onde está, na minha certidão de nascimento, a exigência de que eu seja também torcedor???!!!! Porque não posso praticar em paz, sem ter questionada minha condição verdeamarela, a filosofia de que esporte, como o sexo, pode ter até quem vibre em ficar olhando, mas só vale mesmo quando praticado??? (-;
S Leo em maio 27, 2008 12:09 PM
#10
Desde a primeira vez que eu o vi, ainda garoto, aquele dible do Pelé no Mazurkiewicz ficou sendo pra mim (e ainda é até hoje) o melhor lance do futebol em todos os tempos. Depois daquilo, o gol era completamente supérfluo... E não foi à toa que o Pelé chutou pra fora.
Vou correndo comprar o livro!
Marco em maio 27, 2008 1:58 PM
#11
Comprarei e lerei. Não sei se tudo de uma tacada só, mas com certeza em poucos toques até o gol. :)
Ricardo Antunes da Costa em maio 27, 2008 2:00 PM
#12
Depois da matéria da Ilustrada (que, incrivelmente estava ótima!) e do texto da Piaui fiquei doído pelo livro. Nunca consegui cursar alguma matéria com o professor Wisnik, mas ele é dos poucos que, quando passam pelos corredores da Letras, recebem aquela deferência silenciosa dos alunos.
Pena que o livro não está disponível pra compra ainda nos sites. Esse vai ser degustado rapidamente.
thiago em maio 27, 2008 2:03 PM
#13
Detalhe técnico absolutamente indispensável para quem entende *realmente* de futebol. O lance no Mazurkiewicz é ainda mais genial do que já seria, porque o Pelé deixa a bola passar na sua *frente* (entre ele e o goleiro), ao invés do lance ainda genial mas menos ousado, de deixá-la passar *atrás* de si mesmo e, portanto, não entre ele e o Mazurca (saudoso ex-goleiro do nosso Galo). Quem for conferir o lance, repare nesse detalhe.
caliban em maio 27, 2008 2:39 PM
#14
Leitura obrigatória, claro.
Pelé foi um poeta com a bola e ainda é, quando fica calado...
:¬)))
Abraços.
Milton Ribeiro em maio 27, 2008 3:20 PM
#15
Idelber,
Como colocou com propriedade o Cláudio Roberto Basilio, a nossa literatura futebolística é realmente muito pobre. Ler uma resenha tão positiva quanto essa sobre um livro brasileiro que trata de futebol é, no minímo, um alento.
Aliás, não apenas nossa literatura futebolística é carente, a nossa imprensa ludopédica também é bem fraquinha.
Mesmo nos grandes jornais você sente um desalento danado com analíses fracas sobre os jogos, desconhecimento tático por parte de caras que são, teoricamente, do ramo, bairrismo e afins.
Comprei um Guia do Brasileirão de um diário esportivo que circula pelo sudeste e me decepcionei, tinha de tudo, desde erros de formatação até fotos trocadas de jogadores, planos táticos errados e por aí foi. Sete pratas jogadas no lixo.
Já está na hora de termos uma literatura e um jornalismo especializado à altura do nosso futebol.
Hugo Albuquerque em maio 27, 2008 4:05 PM
#16
Idelber,
Eu não li o livro, mas li o artigo que saiu na "Review of the Americas", entitulado "The riddle of Brazilian Soccer", e que condensa as linhas de força de seu argumento. Gostei muito do que li. Acho que Wisnik é um dos nossos críticos mais originais e ousados. Ousado a ponto de ser um "uspianista" com sotaque "neofreyreano"! Eu não sei se ele, juntamente com o Hermano Vianna, consideram-se neofreyreanos, mas a idéia de "pharmakon"(remédio e veneno),apesar de ser uma referência clara a Derrida , incorpora bem a disposição modernista-freyreana de ler o Brasil e sua herança complicadíssima da escravatura de modo ambivalente -a cordialidade, a informalidade, a espontaneidade anti-produtivista podem ser tanto positivas como negativas!
A ousadia de Wisnik pode ser comparada, mutatis mutandis, com a de Euclides. Este mostra para a cidade letrada da Rua do Ouvidor que havia um país além dela. Wisnik mostra pra Rua Maria Antonia que os brasileiros gostam de futebol, sonham com futebol, imaginam seus dramas no futebol, vivem futebol, a despeito da olímpica indiferença da cidade letrada.
Um belo furo nas trincheiras da torre de marfim!
Cesar em maio 27, 2008 9:21 PM
#17
Mal posso esperar!
Desde que você entrevistou o Zé Miguel, quando da ida dele a New Orleans, fiquei de antena ligada na chegada do livro. Soube do texto da Piauí, mas não o li.
Eu, que escrevo sobre esportes, fico totalmente alinhada à frustração de ver tão poucos livros sobre o tema no Brasil. Tomara o livro do Zé Miguel seja um divisor que abra novas perspectivas.
Mais raro do que livro sobre futebol é mulher comentando esporte. É nóis! Ou melhor, é eu, e quase sempre só.
Alessandra Alves em maio 27, 2008 9:59 PM
#18
Bem, dou o maior apoio às reivindicacões do s. Leo. Mas não deixo de achar estranho que uma pessoa que diz não entender nada de futebol, compare futebol e sexo.
Mas quem sou eu para estranhar?
Afinal foi luiz Fernando Verìssimo quem disse:
"no fim sexo e futebol sò sâo diferentes, mesmo, em duas coisas. No futebol nâo pode usar as mâos. E o sexo, gracas a deus, nâo è organizado pela CBF."
Joaquim em maio 27, 2008 10:15 PM
#19
Ainda não li o livro (ainda não está nas livrarias, creio, não consegui comprar pela Cultura), mas pelo que li no seu post (além do que v. já tinha adiantado em outros), e pelo que vi na entrevista ao Juca Kfouri, deve ser muito bom, ele realçou a idéia, sempre defendida aqui pelo Biscoito, de que o Brasil é, AO MESMO TEMPO, escravidão e miscigenação, daí o futebol ser este pharmakon. Leo Vidigal: na entrevista (talvez no livro também), o Wisnik fala da reinvenção do Tostão pós-jogador, e de como ele - Tostão - faz o equivalente à crítica cultural em relação ao futebol, isto é, relaciona aspectos intra e extra-campo). Quanto aos filmes, o Pelé é que nem o Roberto Carlos, quer controlar tudo que diz respeito a sua imagem, portanto, só teremos coisas pasteurizadas dele - o resto, ele barrará na justiça, com certeza. Bem, vou aguardar o livro e a resenha do Idelber (quando sai? ou já saiu?)pra palpitar mais.
Aliás, obrigado pelo jabá!
Abraços
Alexandre Nodari em maio 27, 2008 10:31 PM
Flávio Corrêa de Mello em maio 27, 2008 11:41 PM
#21
Car@s, aqui vai um rápido alô, depois de viagem cansativa, para sublinhar o que alguns já comentaram: a qualidade baixíssima da bibliografia brasileira sobre o futebol. Comparada, por exemplo, com a argentina, a coisa fica vergonhosa. Oxalá o livro de Zé Miguel seja o começo de uma virada neste jogo.
Mas acho difícil. O caso de Zé Miguel é único.
Caro Sergio, eis aí um livro sobre futebol que até mesmo os que detestam futebol deveriam ler. Como disse o Cesar aí em cima, é uma reflexão sobre o Brasil que a "cidade letrada" não pode ignorar.
Relendo o post, bateu certa frustração por eu não ter chegado nem perto de dar uma idéia do que é o livro. Vocês precisam ver o que ele faz com a frase futebol não tem lógica. Ele demonstra que o futebol tem quatro lógicas diferentes: uma aristotélica, outra transcendental-kantiana, outra dialético-hegeliana e outra, digamos, "pós-moderna". Parece complicado, mas quem gosta de futebol vai ler e entender tudinho!
Alexandre, a resenha demora. Nem comecei a compô-la ainda.
Interessante, bem interessante esse detalhe que apontou o caliban sobre o corta-luz de Pelé.
Obrigado pelos excelentes comentários :-)
Idelber em maio 28, 2008 12:23 AM
#22
Idelber colega, me lembro bem - já que faz pouco tempo - que gastei dois dias para ler Os irmãos Karamazov. Quando terminei estava triste (porque havia acabado), cansado (muita densidade emotiva), extasiado (muita beleza) e transformado (as boas obras de arte, de alguma forma, mudam nossas vidas). Por causa destas coisas: Como é bom que existam livros inesquecíveis!
Agora duas mais:
1-Ando de mal com o futebol, portanto não comento sobre o livro do Wisnik e
2-Lês rápido em cumpadi!
josaphat em maio 28, 2008 12:16 PM
#23
wow! boa indicação Idelber! e sobre os gols não marcados - e antologicos por isso, do Pelé - eu achei isso aqui no Youtube - a Band editou os lances como se tivessem sido gols, numa brincadeira bem bacana.
http://www.youtube.com/watch?v=kgVlt2vuWxg
Serbão em maio 28, 2008 2:26 PM
#24
Idelber,
esperava ansiosamente a publicação do livro do Wisnik, desde que vc escreveu pela primeira vez a respeito. Concordo contigo, a bibliografia brasileira sobre futebol, dada a sua importância, deixa a desejar.
Se procurarmos com cuidado, porém, temos uma série de autores que escrevem maravilhosamente bem sobre futebol. Isso sem contarmos os imortais Nelson Rodrigues e o Mário Filho.
Zé Lins do Rêgo, Drummond e Paulo Mendes Campos têm coletâneas de crônicas sobre futebol publicadas. Alguém poderia fazer isso com as crônicas do Verissimo e do Saldanha, por exemplo.
No ano passado, pela mesma Cia. das Letras, Hilário Franco Jr. publicou um livraço sobre futebol chamado A Dança dos Deuses.
Sinto que falta mais interesse e organização do que bons textos.
Acho que, felizmente para nós, o jogo já virou. O livro do Wisnik é mais uma comprovação da virada.
Abraço
Adriano em maio 29, 2008 7:21 PM
#25
Idelber, tenho acompanhado este blog desde o princípio de maio, e tenho gostado muitíssimo. Perdi sua palestra na Federal, tive uma aula que não pude faltar (estudo na Escola de Belas Artes), mas seu artigo sobre o evento de literatura que teve em Israel foi maravilhoso.
Gosto do que já li do Wisnik, sobre música principalmente, mas para ser sincero o livro que eu escreveria hoje sobre futebol seria um de ataques. Não propriamente ao esporte - eu gosto do esporte, do jogo de futebol em si, o jogar bola - mas da industria, e da cultura do futebol. Alinho-me a um outro comentador que reclama dessa história de uma identidade brasileira com o futebol. Negá-la é ser cego mas somente louvá-la é ter um olho só.
Então eu pergunto: há espaço para denúnicas no livro do Wisnik? De todas as lavagens de milhões, sem contar a própria imoralidade da opulência do futebol diante de um povo necessitado como o brasileiro, da alienação, da agressividade, do fanatismo... O Brasil também é o país do samba e nem por isso Cartola ganhou milhões ou é lembrado pela massa... essa louvação do futebol pelos "intelectuais" parece coisa meio bossa nova, sabe? Sei lá... fica sem solução pra mim, se o futebol é manifestação cultural espontânea ou ópio do povo... certamente é os dois. Quando leio "fulano de tal vendido pelo Cruzeiro por 29 milhões", me sinto revoltado, acho isso um assinte a quem trabalha honestamente e ganha merrecas... e quando vejo torcedores atacando um ao outro, mesmo que polida e bem-humoradamente, por seus respectivos times e suas vitórias e derrotas, e isso ocupar horas de seu dia, isso é alienante, é revoltante, é triste. Estou sendo um elitista? Gostaria de ver um dia o futebol ser o que é: um esporte apenas, não a mania, glória e identidade de uma nação.
Um fã do blog, mas a quem o futebol causa muito mais revolta que prazer.
Pedro Lobato em maio 29, 2008 7:23 PM
#26
Idelber, acabei de encontrar este seu texto procurando no google informações sobre esse novo livro. Só te escrevo pra te chamar atenção. Essa coisa de que quem escreve sobre sociologia do futebol não sabe nada de futebol, pode funcionar muito bem como recurso literário, mas é, na verdade, uma grande mentira e um enorme preconceito teu. Eu sou mestrando em Educação Física, escrevo sobre futebol, e conheço varios dos principais autores nacionais que escrevem sobre o tema. Todos eles são facinados pelo futebol, torcem para algum time, entendem o jogo e, 90% deles jogaram ou ainda jogam futebol nas horas vagas. Portanto, essa sua frase é tão mentirosa quanto aquela que diz que bons jogadores não conseguem ser bons técnicos (e se esquece que Telê, Didi, Carlos Alberto Silva, Zagalo, entre outros, foram grandes jogadores e técnicos vitoriosos).
Renato Machado Saldanha em junho 27, 2008 7:40 PM
#27
Renato, aguardo sua lista de livros de sociologia do futebol onde se demonstre conhecimento real do que acontece dentro das quatro linhas. Até que nos ofereça a dita cuja, quem demonstrou pré-conceito aqui foi você.
E ao dizer que Carlos Alberto Silva foi "um grande jogador", claro, você acabou me dando razão.
Na próxima, dê uma olhadinha ao seu redor, para ver onde chegou, antes de pontificar.
Idelber em junho 27, 2008 10:11 PM
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