Meu Perfil
Um blog de esquerda sobre política, literatura, música e cultura em geral, com algum arquivo sobre futebol. Estamos na rede desde 28/10/2004.
O 29 de junho de 1958 é o único, verdadeiro e incontestável 07 de setembro que conheceu esta terra. No qüinquagésimo aniversário do enterro definitivo do complexo de vira-latas, reveja os gols:
Poucas partidas são tão cercadas de histórias como aquele 5 x 2 sobre a Suécia:
* Djalma Santos jogou ali sua única partida no torneio. Foi o eleito o melhor lateral-direito da Copa.
* A Suécia tinha o direito de jogar a final com seu primeiro uniforme, o amarelo. O Brasil teve que comprar camisas azuis e bordar sobre elas o escudo da CBD na última hora. Ante a superstição de alguns, o chefe da delegação, Paulo Machado de Carvalho, fez o famoso comentário de que o Brasil não perderia, pois aquela era a cor do manto de Nossa Senhora da Aparecida.
* Zito relata que os jornais suecos contavam com a ajuda da chuva para vencer o Brasil. Não contavam com o cavalheirismo dos organizadores da competição, que protegeram o gramado com um toldo.
* Vários dos craques entrevistados coincidem em dizer que sentiram que iam vencer a partida no momento em que a Suécia abre o placar. Didi vai ao fundo do gol, pega a bola e caminha vagarosamente para o centro do campo. Ali, dizem muitos, ficou sacramentado que se manteria a escrita de que todas as finais de Copas do Mundo eram decididas de virada. Essa escrita só ruiu em 1970, quando o Brasil abriu o placar contra a Itália, mas mesmo assim levantou o caneco.
* Os dois gols da virada brasileira, em jogadas de Garrincha pela direita, seguidas de cruzamentos rasteiros e finalizações de Vavá, estão entre os mais parecidos jamais marcados numa partida de futebol. Muitos espectadores vêem esses gols e juram ter visto um replay.
* Diz Bellini que hesitou por um momento sobre o que fazer ao receber a taça. A pedido dos fotógrafos, decidiu erguê-la acima da cabeça. Inventou um gesto depois repetido muitas vezes e que, hoje, qualquer brasileiro conhece.
* Reza a lenda que o extraordinário ponta-esquerda Canhoteiro acabou sendo cortado (em favor de Zagallo e Pepe, que foram à Suécia) porque nos treinos, escalado contra o seu compadre Djalma Santos, ele evitava jogar o seu melhor futebol e contribuir para o corte do amigo.
* Pelé recebeu ali, aos 17 anos, a coroa de "Rei do Futebol". Mas nem todos se lembram que quem foi eleito o melhor jogador da Copa foi Didi.
PS: No seu artigo de hoje na Folha (para assinantes), Eliane Castanhêde diz que George W. Bush "fala espanhol". A informação é falsa seja qual for a sua definição do que é "falar" um idioma. Bush balbuceia algumas palavras em espanhol. Só isso.
Oi Idelber, demais o seu texto. Mantendo o papo nas datas comemorativas, depois bem que voce podia fazer um post sobre o centenario Guimaraes Rosa. Um dos grandes misterios a cerca dessa obra pra mim eh a falta de publicacoes em ingles do Guimaraes. Tentei comprar o Grande Sertao em ingles outro dia e parece que ultima edicao foi publicada em 1968 e custa uns 230 dolares. Achei meio absurdo para uma obra de tanta grandeza. Desculpa por ser tao off topic e pela absurda falta de acentops do meu teclado. Grande abraco, Lauro.
Eu acho muito interessante esta história das viradas em finais de Copas do Mundo. Só pra detalhar: na Copa de 30, o Uruguai abriu o placar, mas terminou o 1o tempo perdendo por 2x1 pra Argentina (acabaria vencendo por 4x2); e na de 38 a Itália saiu vencendo a Hungria (venceu também por 4x2).
Fora estas, em todas as Copas até 70 os vencedores saíram perdendo a final. Inclusive muita gente se assustou em 70, quando Pelé abriu o marcador (uma chute de cabeça e uma impulsão fantástica!), mas Boninsegna empatou no 1o tempo.
Em 90 (Copa horrível) tivemos a primeira final em que um dos times passou em branco no placar (Alemanha 1x0 Argentina), e em 94 tivemos os dois em branco, naquele jogo chato.
Apesar de não ser época, pelos registros históricos e pelas opiniões de quem acompanhou o futebol naquele período (como o mestre Armando Nogueira, por exemplo), aquela foi a nossa melhor seleção em copas.
Honestamente, a conquista de 58 foi mais relevante qe 70, o que não tira os méritos desta. Não apenas por ter vencido a primeira Copa, mas por ter vencido na Europa contra os donos da casa foi um feito que nenhuma outra seleção brasileira repetiu.
Isso sem falar no time que era espetacular e que representava uma época que se não foi boa ao menos foi marcada por um grande desenvolvimento e pela fé que o Brasil se tornaria um grande país.
Fica aqui a minha reverência aos campeões de 58, aos que estão vivos e aos que já se foram!
Após o gol da Suécia, DIDI - é com maíscula mesmo - vai ao fundo do gol, pega a bola e caminha vagarosamente para o centro do campo. Ali fica demonstrada a lideraçna que êle exercia sobre aquele grupo de jogadores extraordinários.
Lamentavelmente nem todos se lembram que DIDI foi eleito o melhor jogador da Copa de 1958, realizada na Europa, onde o enterramos definitivamente o nosso complexo de vira-latas.
É certo que Pelé foi o maior jogador de todos os tempos, depois dele Zizinho, Didi e, bem abaixo, Maradorna e outros.
Não gosto de futebol mas gosto de histórias de futebol. Por isso até prestei mais atenção nessa data.
Domingo passado saiu no Mais! da Folha uma história contada pelo Enrique Villa Matas, de um jogador uruguaio que diante da perspectiva da "aposentadoria" suicidou-se com um tiro na cabeça no meio do gramado do estádio onde teve suas glórias. De arrepiar.
"Didi vai ao fundo do gol, pega a bola e caminha vagarosamente para o centro do campo". O Flávio Wolf de Aguiar tem uma fala, talvez você conheça (não sei se "virou texto") em que explora lindamente o simbolismo do gesto de Didi, com a bola na mão, caminhando "a passo", como diz o Flavio, para o meio-de-campo. Hipérbole ou não, muita coisa começou a mudar ali. Belo post.
Lembro-me do foguetório, gritaria e festa, lá no interior das Gerais (Nova Era-MG). Era menino e me interessava mais pela bicicleta e brincadeiras de rua...
Incrível...
É sempre bom ver um pouco do futebol antigo onde a arte e a habilidade tinham lugar de destaque e não a correria exacerbada que vemos hoje em todos os campeonatos do mundo.
Grande abraço
Se a selecão de 58 nos livrou do complexo de vira lata, o Fluminense fez o favor de devolver.
Por essa nem Nelson Rodrigues esperaria.
Esta mais que na hora de demolir o Maracanâ.