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terça-feira, 24 de junho 2008
Drops de Buenos Aires
Como já saberão os mui bem informados leitores do Biscoito, acabou o bloqueio de estradas na Argentina e o projeto de aumento das retenções sobre as exportações de soja e girassol está tramitando no Congresso. A sensação é de que o governo passou à ofensiva, sem uma única ação de repressão dura contra o bloqueio. Se você quiser saber qual é a diferença entre um governo Peronista e um governo Radical, ei-la aí: Peronista é aquele governo que banca e sai intacto de uma queda-de-braço com produtores agropecuários que entrangulam durante 100 dias o acesso às cidades. Um governo da UCR é aquele que desaba depois de 48 horas de piquetes.
Há tempos eu queria ouvir uma explicação inteligente sobre a penetração que teve o bloqueio entre os pequenos produtores da pampa úmida. Hoje, na Biblioteca Nacional, três economistas (Eduardo Basualdo, Alfredo Zaiat, Alejandro Roffman) esclareceram direitinho: a figura do pequeno ou médio produtor que vive de parte de sua colheita e vende o resto (o que entrou no imaginário argentino como chacarero) é, cada vez mais, uma raridade. Não é que ele não exista. Ele simplesmente passou a alugar sua terra para os grandes conglomerados da soja e viver desse aluguel. Rende muito mais do que produzir.
A Folha de São Paulo, que tem publicado boas matérias sobre a Argentina, precisa entender que não são “aumentos de impostos sobre as exportações de grãos”. É a soja e o girassol, não o trigo, não o milho. A diferença é fundamental porque aqui ninguém come soja. 98,5% se exporta. O aumento das retenções é justamente uma forma de estimular os outros cultivos ante o rolo compressor da sojicultura. Será que alguém poderia avisá-los? Há anos, evidentemente, eu não escrevo cartas a Painel de Leitor. É perda de tempo na época dos blogs.
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Melhorou sensivelmente a situação da cerveja em Buenos Aires. Se há alguns anos você era obrigado – exceto em lugares muito especializados – a escolher entre a fraca Quilmes servida em temperatura quase ambiente e aquela bebidinha bíblica feita de uvas, hoje em dia a belga Stella Artois está disponível em qualquer lugar. Opte sempre pela garrafa litro, que vem bem mais gelada. A garrafinha (porrón), por alguma misteriosa razão, chega morna.
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Da série “Coisas argentinas que você jamais verá no Brasil”: Sexta-feira à noite, sob um temporal, quase uma centena de pessoas se deslocam à Biblioteca Nacional para escutar uma leitura de poemas do grande, do incomparável Leónidas Lamborghini, que anda já pelos 80 anos de idade. Sem tematizar explicitamente a política, Lamborghini é o responsável pela incorporação de uma série de ritmos, tons, gírias da política à poesia argentina. Foi uma honra celebrar com o velho os 50 anos da publicação de El solicitante descolocado, que ganhou nova edição. A poesia de Lamborghini é um laboratório para se entender o que faz a grande poesia com a política. Nada ver com "literatura engajada".
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Das últimas conversas com meu amigo e genial escritor Ricardo Piglia, ficou esta frase sua: gosto dos escritores que dividem o público. Não sei de onde vem essa idéia de que os bons escritores devem ser do agrado de todo mundo. Discutíamos a obra de Sergio Chejfec, que tem essa qualidade: produz seguidores devotos e um vasto leque de leitores que insistem na pergunta: o que vocês vêem nesse cara? Eu, por certo, estou no primeiro grupo.
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Esta dica você não encontrará em nenhum guia de Buenos Aires: se quiser respirar o que restou da atmosfera dos primeiros contos de Borges, aqueles das lutas de facas, esqueça o Centro Cultural Borges, o cemitério da Recoleta, toda essa bobajada. Vá até a rua que leva seu nome, esquina com Guatemala, em Palermo. Lá se encontra um lugar chamado El preferido. É um raro espécimen do que se chamava uma pulpería: um armazém com pilhas de enlatados e conservas nas prateleiras, mas que vende comida como se fosse um restaurante popular. Imperdível (obrigado, Julia).
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É fato: o micro-centro está tomado por hordas de turistas da República Morumbi-Leblon-Mangabeiras. Eles vêm a Buenos Aires e passam cinco dias dentro de um shopping center, de preferência a intragável Galeria Pacífico. Saem de lá só para gritar uns aos outros: Benhêê, olha lá o Obelisco. O horror.
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Acredito ser esta uma lei universal sobre os donos de cachorros: quanto mais soberbos e pseudo-aristocráticos, mais eles pressupõem que todo o planeta deve gostar dos seus bichinhos e que estes são donos do espaço público. Ao vir a Buenos Aires, caminhe bastante por Palermo e descubra por que o bairro é um dos corações da efervescência cultural, gastronômica e livresca da cidade. Mas não ande de cabeça erguida por mais de 60 segundos. As solas de seus sapatos agradecerão.
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Pude constatar por que a Boutique del Libro é a livraria mais badalada em certos círculos literários da Argentina. Claro que o famoso Ateneo, da Avenida Santa Fé, é visita obrigatória. Mas eu gosto de livrarias menores, com personalidade, estoque bem escolhido, um bom café, funcionários que entendem de livros. Nesses quesitos, a Boutique é insuperável. Rua Thames, 1762. Em Palermo, claro.
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O Biscoito já fez uma resenha do fantástico Museu da Paixão Boquense num post anterior. Para os simpatizantes do clube xeneize no Brasil, é imperdível o excelente (e bem barato) restaurante El gardelito, ponto de encontro boquense. Fica também em Palermo, na Thames, quase esquina com Nicarágua (obrigado, Martín Kohan).
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Por falar em futebol, tenho vários amigos de luto por aqui: o Racing Club, a famosa Academia, um dos cinco verdadeiramente grandes do futebol argentino, está a um passo da Segunda Divisão.
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Já está completando 13 anos de existência uma das mais inovadoras revistas de ensaios da América Latina: Pensamiento de los confines, dirigida pelo meu amigo (e torcedor do Racing), o ensaísta Nicolás Casullo, pode ser lida, parcialmente, na internet.
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Recomendei, em 2007, El director, de Gustavo Ferreyra, como o melhor livro que eu havia lido no ano. Conversando com ele hoje, tive a grata notícia de há outros dois romances no prelo. O próximo sai pela Planeta, em novembro.
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Ao receber a notícia da morte de seu pai, uma mulher descobre que a lojinha já decadente que ele administrava e na qual ela trabalhava não era, como ela pensara, fonte de ganhos cada vez menores, mas de monstruosos prejuízos. Desempregada, com seus bens liquidados, ela conta as moedas para o ônibus que a levará a outra peregrinação infrutífera em busca de trabalho. Numa das incontáveis entrevistas, ela decide levantar levemente a saia. É o mote para a trama sensacional que organiza uma das últimas obras-primas do inesgotável romance argentino: não perca El trabajo, de Aníbal Jarkowski.
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A velha história: faça campanha como candidato "pró-vida". Grite histericamente contra o direito das mulheres ao aborto. Pontifique sobre "os direitos dos não-nascidos". Aí presencie a sua ex-namorada testemunhar que você a forçou a fazer um aborto (via TPM).
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Algum generoso leitor poderia oferecer uma mini-resenha do Roda Viva com José Miguel Wisnik?
Escrito por Idelber às 03:11 | link para este post
| Comentários (35)
#1
Idelber,
Sei que as discussões do campo da saúde não são seu campo, mas é que por ser um leitor costumas de seu excelente blog (discutimos sob oputro pseudônimo sobre o Pepe Escobar), gostaria colocar um problema que hoje aconteceu no RIo de janeiro:
Conforme é de conhecimento de todos houve uma epidemia de Dengue este ano no RIo de Janeiro. E naquele período o Governo do estado fez ZERO de Investimento e principalmente manutenção em seu Hospital de referência para as doenças infecciosas ( O instituto estadual de infectologia São Sebastião, com mais de 100 anos de história na saúde pública). Quando a Mídia cobrou da Secretária de Saúde e do Governador o mesmo disse que iria sim investir no Instituto, inclusive falando sobre transferir para um complexo que antes pertencia a beneficência portuguesa. Hoje recebemos a noticia que o Estado do RIo de janeiro após mais de 100 anos de luta contra as doenças infecciosas terá seus instituto desativado e seus médicos espalhados pela rede. Pois este é o retrato da Saúde no Rio, enquanto isto vemos um aumento alarmante da letalidade da doença meningocccica (de 18% para 23 %) entre o ano passado e este.
Neste Cenário, levanto a bola sobre uma discussão acerca daquilo que discutimos pela esquerda, do que seria uma contra-reforma da Saúde Pública em que antigos parceiros da reforma Sanitária se aliam as forças tradicionais em um discurso sobre a gestão modernizadora.
E onde ficamos nisto tudo.
Abraços,
Carlos Seild em junho 24, 2008 4:42 AM
#2
Pois foi na Boutique del Libro que comprei quase todos os livros bonairenses em setembro passado.
Racing caindo? Não sabia.
Abraço.
Milton Ribeiro em junho 24, 2008 8:46 AM
#3
mas o Racingo já tá mal das pernas há um bom tempo!
já caiu e já voltou, já faliu e reabriu as portas...
a coisa tá feia por lá!
abs,
dra em junho 24, 2008 9:15 AM
#4
As entrevistas do Roda Viva agora estão transcritas, disponíveis no site do programa. Não sei quanto tempo leva, mas logo a do JMW deve aparecer por lá.
João Paulo Rodrigues em junho 24, 2008 9:20 AM
#5
Uma coisa que me chocou em Buenos Aires é que nenhuma livraria, nem os sebos, vendem livros do Raúl Prebisch. Os livreiros nem ouviram falar. Por lá, a Cepal está realmente morta e enterrada.
Diego Viana em junho 24, 2008 9:26 AM
#6
República Morumbi-Leblon-Mangabeiras: definição perfeita. :)
Lucia Malla em junho 24, 2008 9:34 AM
#7
Racing, Boca, River, Estudiantes, Independiente... Pô queria informações abalizadas do meu pobre (mas mesmo assim glorioso, campeão mundial e tudo...) Vélez Sarsfield. Você tem alguma curiosidade histórica ou social deles?
Falando nisso, nosso Vasco em breve ressurgirá das trevas. Mas só acredito quando vir o artilheiro assistindo jogo do camarote de São Januário...
Falando nisso (2), estou para inaugurar um blog sobre futebol (???). Abs
MarcosVP em junho 24, 2008 10:07 AM
#8
Minha parentada em BsAs é toda torcedora do San Lorenzo...
Da última vez que fomos, ano passado, para o aniversário de 90 anos da avó de meu marido, as casas dos tios já estavam lotadas, então ficamos num apart modesto mas gostosinho, exatamente na Thames. Mas não conheço a Boutique, vou procurar da próxima vez!
República Morumbi-Leblon-Mangabeiras? Hahahaha, muito bom!
Ana Paula em junho 24, 2008 11:14 AM
#9
sobre a cerveja, história real: eu e hermano vamos passar a tarde em um daqueles suburbios chiques que tem mais pro norte, entre BsAs e Tigre.
o hermano em questão cresceu no Brasil e fala um paulistano fluente, mais forte que o meu. daí, a gente lá conversando e pá, aparece o atendente. ele percebe que a gente tá falando em português e vem lá:
"ôôôh! brassileros! una cervecha ehtupidamentche chelada!"
aí o hermano e o atendente trocaram uma idéia naquele espanhol a 7 sílabas por segundo que só quem é nativo entende, e não é que dali a pouco o cara traz mesmo uma "cervecha chelada" pra gente? e bota chelada! foi demais, nunca me esqueço.
outra coisa sobre cerveja e Argentina que eu sempre quis dizer, nunca arranjei pretexto, então entuxo nesse comentário: já perceberam como a cultura da cerveja lá é diferente? o slogan da Quilmes chega a ser engraçadinho, é algo do tipo "trazendo os amigos mais perto".
pelo menos aqui em São Paulo, vai-se no bar pra beber. Vila Madalena é isso: quem pensa que quando for na Irlanda e fizer pub crawling vai estar descobrindo algo novo e surpreendente encontra-se redondamente enganado. as nossas propagandas de cerveja não trazem a gente mais perto dos amigos, elas nos trazem mais perto da Bunda.
já lá na Argentina é tudo pretexto pra encontrar os amigos. café é sinônimo de "me deixa em paz e não me venha oferecer medialunas". ou você vai pra beber um cafezinho e ler o jornal ou, no mais das vezes é isso, pra encontrar os amigos e não ser importunado. acho isso muito legal. eu aderia fácil a essa mudança cultural.
essa da poesia, eu não sei. a gente tenta se convencer de que a única cultura possível é a que tem cara de cultura européia. cara, eu digo, no sentido de ser escrita, em versos e estrofes ou separada em capítulos, explicitando a tragédia pequeno-burguesa. eu acho que os brasileiros saem do próprio caminho (tomando de empréstimo e expressão do inglês) pra cultura, sim. mas é, com certeza, não pra uma leitura de poemas, muito menos de um cara vivo e politizado.
o Centro Cultural Borges (com ponto-e-vírgula no nome) fede, endosso a opinião do Idelber e vou além: recomendo os leitores daqui que evitem. e evitem também a Galería Pacífico. única desculpa pra um brasileiro entrar naquilo é tomar um Freddo ou um quitute da Abuela Goye.
puxa vida, Idelber! você me faz essa resenha da Butique del Libro, juro que eu só não fui lá por ->isso
vish, tenho que sair correndo1
bruno ( ) em junho 24, 2008 11:36 AM
#10
Amigo Idelber, ya se que eres casado, pero asi como que por casualidad, no podrias hacernos asi una pequena analisis de las hermanas portenas? es que me muero de curiosidad...nunca tuve la oportunidad de hechar ni siquiera un vistazo ahy por las tierras platinas...ojala algun dia
julio em junho 24, 2008 11:57 AM
#11
Amigo Idelber, gostaria de saber como entrar em contato com você para enviar críticas e sugestões sem ser na forma de comentário.
Abraços,
Carlos Alberto.
Carlos Alberto em junho 24, 2008 12:15 PM
#12
Mas, vc é muito mineiro. Quem além de alguém de BH iria citar Mangabeiras em algum lugar? Depois de tudo continuo fã do Kirchner.
Bruno em junho 24, 2008 12:28 PM
#13
Gracias, Lu, Bruno, Ana Paula. Pelo jeito ninguém se ofendeu com o "República Morumbi-Leblon-Mangabeiras". Não custa dizer: é só uma inocente metonímia. Tengo amigos queridos nos três bairros :-) (Bruno, os mineiros somos uma parcela enorme da diáspora!).
Carlos, fica aí o seu comentário para quem quiser discutir a questão da saúde no Rio. Eu, por não acompanhar de perto o tema, me abstenho.
Diego, boa observação. Eu não tinha me dado conta disso. Mas agora que você diz, bem, tenho que confirmar que nunca vi mesmo, não.
Dra, Milton: o Racing caiu para o Promoción, que é uma espécie de repescagem. Está por um triz mesmo. A coisa se resolve amanhã e domingo.
Bruno, que comentário sensacional! Super na mosca sua observação sobre a cerveja e as diferenças das duas culturas. Anotei a objeção sobre a questão da poesia. E vou procurar saber quais outros lugares têm cerveja "ehtupidamentche chelada" esperando a chegada de um brasileiro.
Julio, el tema es tan amplio que merecería un post. Digamos que algunas de las personas más extraordinarias y brillantes que conozco son mujeres argentinas (Beatriz Sarlo, Sylvia Molloy, Graciela Montaldo), pero en general, con las argentinas, no siento cualquier pulsión erótica (al contrario de las españolas, por ejemplo). Habría que desarrollar el tema y ver por qué...
Marcos, não deixe de avisar quando entrar no ar o blog de futebol. E, sim, ando acompanhando por aqui as boas novas do nosso Vascão. É verdade: não dá nem para acreditar por enquanto...
Idelber em junho 24, 2008 1:30 PM
#14
Por falar em Roda Viva e em Argentina, tem uma boa entrevista do Bioy Casares transcrita no site do programa.
Sobre o Martín Kohan, a Companhia das Letras tá pra lançar o "Ciências Morais" esse mês ainda. Aos poucos o mercado editorial brasileiro vai trazendo os argentinos novos pro leitor brasileiro...
Rodrigo em junho 24, 2008 1:34 PM
#15
Ih, atrapalhei o layout com o link. Desculpa aí, Idelber. Tem como editar?
Rodrigo em junho 24, 2008 1:36 PM
#16
Valeu, valeu, Rodrigo. Eu tinha essa notícia e me esqueci de anunciar. Fiquei sabendo pelo próprio Martín. São boas novas, porque a distribuição da Cia. é excelente.
Link embutido, sem problemas :-)
Idelber em junho 24, 2008 1:38 PM
#17
Benhêê, olha lá o Obelisco. Perfeito! A elite predadora e néscia aparece em todos os cantos do planeta. Benhêê....
Armando em junho 24, 2008 3:32 PM
#18
Idelber, acho o seu blog o melhor disparado da internet, mas..."bebidinha bíblica feita de uvas"??? rsrsrs.
Concordo que esta foi muito espirituosa, mas pô, não escracha! Vinho é um troço muito gostoso, se curtido na boa (algumas pessoas são insuportavelmente pedantes sobre o assunto). E o vinho dos hermanos, então, está cada vez mais espetacular!!
Cláudio Freire em junho 24, 2008 4:20 PM
#19
Idelber,
Começando pela mini-resenha do Roda Viva com José Miguel Wisnik, mini é a nova mediadora do programa, Lilliam Witte Fibe. Parece uma daquelas meninas do Jô, sabe? Quer aparecer mais que o entrevistado e não poupa afetação para isso. Não podia fechar melhor do que com uma histérica sugestão de psicanálise para Ronaldo e Ronaldinho - o que Miguel refutou com a educação de getleman que lhe é cabida. Enfim, o gênio brilhou, apesar dela. E eu fiquei com mais vontade de ler o livro, apesar de não gostar de futebol.
Em Buenos Aires mês passado, um cidaddão espantado diante da minha indiferença em relação ao ludopédio, perguntou se eu era católico numa tentativa de arraigar-me à brasilidade. Disse-lhe que sou ateu e me despedi imediatamente, para não mais decepcioná-lo.
Agora, uma incongruência: gostei da Quilmes e nem tanto da Stela. Os vinhos - pro meu paladar de menos R$ 10,00 - foram todos ótimos. Adorei. Ao contrário das carnes que, para o meu espanto, foi uma decepção total. Por enquanto, defendo a tese de que nuestros hermanos precisam conhecer a boa picanha dos nossos gaúchos.
No mais, como já disse, foi um infeliz desencontro de ido aí um mês antes de você.
Um abraço e até.
Beto em junho 24, 2008 4:33 PM
enio em junho 24, 2008 5:54 PM
#21
curto bastante o seu blog. contra-informação de qualidade na blogosfera, parabéns! ontem coloquei um post anunciando o danado no meu. perdoe-me pelo atraso (afinal, vc o mantém a quase 4 anos!), mas é que sempre esquecia de fazer... bom, agora tá feito!
grande abx, dr. e.
Dr. E. em junho 24, 2008 6:16 PM
#22
Idelber,
Vi só algumas partes do Roda Viva e creio que o Beto tenha razão, a Lilian Kibe-Bife está muito aquém de ancorar um programa desse naipe especialmente entrevistando alguém do porte do Wisnik.
Mudando um pouco o foco, o que você está achando da Euro?
Hugo Albuquerque em junho 24, 2008 8:08 PM
#23
Nunca fui a Argentina e gostei muito do post
Um abraço
Izabella em junho 24, 2008 8:48 PM
#24
Cuando vi que tenés amigos como Zaiat entendí como era que un extranjero podía tener una visión tan exacta de los hechos en Argentina.¡Menos mal! ¡que alegría que alguien de afuera vea lo que tantos argentinos se niegan a ver!.
Sólo una cosa: ojo con los tacheros (taxistas), serán muy simpáticos pero la gran mayoría pertenece al grupo de los que piensan:"estábamos mejor con los milicos", por lo tanto, hasta la semana pasada no había uno que no despotricara contra Cristina.Fue tan evidente la operación de los medios (salvo Página 12)contra el gobierno, que aunque no los hubieras votado te ponías a favor.
:-) y pensar que estuviste casi en la esquina de mi casa! (Thames)
No me acuerdo cómo llegué hasta tu blog, pero bendita la hora!!
Abraço!
Laura em junho 24, 2008 9:52 PM
#25
Nossa! nao tinha lido seu CV...!!!!
Laura em junho 24, 2008 10:13 PM
#26
Eita, o El Preferido é MARAVILHA! Coisa mui rica! Marco quase morreu de amores pela fabada asturiana e eu, pela sopa de alho. Lugar maravilhoso.
Katarina em junho 24, 2008 11:24 PM
#27
Pô Idelber, a Quilmes era uma boa cerveja, pelo menos quando estive por Buenos Aires nos idos de 2003. Na época o Boca já era patrocinado pela Pepsi, mas rodei a cidade até achar uma camisa velha com o logo da Quilmes, rsrsr.
João Marcelo em junho 25, 2008 10:48 AM
#28
Pois é, Armando, a gente viaja esperando ficar longe deles e ...
Cláudio, brincadeirinha com os amigos enologistas, boa parte dos quais são um pouco pomposos, né? Nada para se levar a sério :-)
Beto, obrigado pelo resumão. E parece consensual aqui que a Witte Fibe meteu os pés pelas mãos, não é mesmo? Uma pena que tenhamos nos desencontrado, porque eu quero debater esse assunto da carne! Abraço.
Valeu o link, Enio. Eu vejo essas coisas e sempre penso: "impensável no Brasil".
Che, Laura, gracias por el comentario tan simpático. En cuanto a los tacheros, no te preocupés. Son reaccionarios en cualquier parte del mundo. En San Pablo, es legendario su apoyo a Paulo Maluf, lo peor de lo peor de la derecha brasileña. Vivís en una calle maravillosa. Gracias, volvé siempre; esta semana andamos medio lentos, pero en general hay un post nuevo por día. Abrazos.
Eita, Katarina, sabia que se alguém conhecia algumas dessas pérolas havia de ser vocês :-)
É, João Marcelo, parece que estou na minoria com minha opinião sobre a Quilmes. Não me parece ruim, mas eu gosto de cerveja mais, digamos, encorpada.
Abraços.
Idelber em junho 25, 2008 2:48 PM
#29
Só uma correção, por justiça histórica: a picanha é uma invenção paulista.
João Paulo Rodrigues em junho 25, 2008 3:10 PM
#30
Idelber,
Seria um prazer enorme debater essa questão da carne com você. Que tal no coquetel de abertura da ABRALIC, ou num dos intervalos do congresso? A propósito, gostaria de mostrar-lhe minha opinião nesse link: http://folhademacondo.blogspot.com/2008/05/picanha-argentina.html#links
Gostaria também de adiantar que eu mesmo me recusso a acreditar na minha infeliz experiência de não ter comido um bom naco de carne em Buenos Aires.
Um abraço.
Beto em junho 25, 2008 3:17 PM
#31
Idelber,
A TV Cultura (http://www.tvcultura.com.br/rodaviva)tem um novo serviço: Memória Roda Viva. Todas as entrevistas dos últimos 21 anos estão sendo disponibilizadas pela Internet. Recomendo um acesso...
Marco Vitis em junho 25, 2008 11:09 PM
#32
Idelber,
Sobre o Zé Miguel Wisnik, ele é uma das raras pessoas que consegue combinar - assim como você, Idelber - o conhecimento de toda uma vida acadêmica com a cultura popular, o erudito e o prosaico numa mistura rara e interessante.
A entrevista no Roda Viva começou com uma referência aos acontecimentos recentes no Morro da Providência, no RJ, e Wisnik citou o famoso ensaio "Dialética da Malandragem", do Antonio Candido, de como os elementos nele descritos na relação entre ordem e desordem, extrapolaram para essa violência que vemos hoje.
Falou muito da relação do brasileiro com o futebol; foi brilhante ao comentar outras Copas, jogadas e jogadores inesquecíveis, mostrando uma desenvoltura digna de um jornalista esportivo.
No final, respondendo à infeliz pergunta da mediadora - que estava completamente deslocada, em relação aos demais participantes da mesa - comentou um fato que não foi discutido no escândalo Ronaldo/travestis: que toda a história só veio à tona pq ele não se prestou à chantagem, a pagar a 'propina' que o livraria de todo o problema. O que não seria problema para ele, se formos pensar somente do lado financeiro. Não cedeu e foi execrado: a questão da ética foi abafada pela exploração da vida pessoal do jogador.
Foram muitos os bons momentos no programa, nem dá pra falar de tudo. Mas a Cultura deve colocar a transcrição do programa no site, vamos aguardar.
Estarei no congresso da ABRALIC, vc vai participar?
Abraço!
Myriam Kazue em junho 26, 2008 2:52 PM
#33
Oi, Myriam, obrigado por trazer mais detalhes sobre o programa -- realmente foi das poucas coisas de televisão que eu lamentei não ter assistido.
Sim, vou à ABRALIC. Estarei no simpósio coordenado por Ettore Finazzi-Agrò e F. Foot Hardman. Me procure por lá. Abraços!
Idelber em junho 26, 2008 4:28 PM
#34
"Se você quiser saber qual é a diferença entre um governo Peronista e um governo Radical, ei-la aí: Peronista é aquele governo que banca e sai intacto de uma queda-de-braço com produtores agropecuários que entrangulam durante 100 dias o acesso às cidades. Um governo da UCR é aquele que desaba depois de 48 horas de piquetes."
É triste que, mais de 60 anos depois do fim da Guerra Fria, ainda exista quem faça apologia do fasicismo Peronista. Deve ser triste ter que ser contra a Democracia e defender seus mestres totalitários.
Juvenal em junho 30, 2008 11:05 PM
#35
"Se você quiser saber qual é a diferença entre um governo Peronista e um governo Radical, ei-la aí: Peronista é aquele governo que banca e sai intacto de uma queda-de-braço com produtores agropecuários que entrangulam durante 100 dias o acesso às cidades. Um governo da UCR é aquele que desaba depois de 48 horas de piquetes."
É triste que, mais de 60 anos depois do fim da Guerra Fria, ainda exista quem faça apologia do fascismo Peronista. Deve ser triste ter que ser contra a Democracia só para defender seus mestres totalitários.
Juvenal em junho 30, 2008 11:05 PM
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