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sexta-feira, 06 de junho 2008
Drops de política
Existe uma deliciosa expressão no inglês norte-americano que, dizem as más línguas, foi consolidada por ninguém menos que Cindy Lauper: to throw something or somebody under the bus, que na política significa algo assim como “livrar-se de aliados inconvenientes em nome da elegibilidade”. O exemplo clássico foi o governo Clinton, que depois de lançar gays, lésbicas, negros, feministas, ambientalistas e ativistas pró-imigração pra baixo do ônibus, chegou àquele ponto em que a sensação era que o próprio ônibus já estava sendo lançado pra baixo do ônibus. Numa política bipartidista, caracterizada pela ação incessante de uma direita feroz no uso da tática do "culpado por associação", a vida do Partido Democrata tem sido, nas últimas décadas, um perene lançamento de aliados pra baixo do ônibus. Depois de confirmado como candidato democrata, Obama fez o seu primeiro discurso ante o lobby pró-Israel AIPAC. Ninguém era ingênuo de imaginar que Obama não faria as tradicionais declarações de lealdade a Israel sem as quais, nos EUA, você não se elege nem síndico de prédio. Hillary Clinton foi muito bacana no processo: já há tempos merecedora da confiança do lobby sionista, acompanhou Obama e apresentou ao público a sua certeza de que ele será um bom amigo de Israel. Mas ninguém, acredito que nem mesmo a liderança da AIPAC, esperava que Obama – além de declarar que impedirá o Irã de conseguir armas nucleares, que defenderá a integridade territorial do aliado americano no Oriente Médio, etc. etc. -- fosse declarar que Jerusalém é a capital indivisível de Israel. Evidentemente, isso contraria todos os planos internacionais de paz e todas as resoluções da ONU sobre o tema, que prevêem controle palestino sobre Jerusalém Oriental. Contraria até mesmo a posição oficial dos EUA, que não reconhecem a ocupação de Jerusalém Oriental. Previsivelmente, os primeiros a serem lançados pra baixo do ônibus nesta campanha americana são os palestinos. É o velho padrão dos democratas: ofereça concessões além do esperado e depois fique com as mãos atadas.
Atualização, 09/06: Ou, pensando bem, talvez não. Veja o esclarecimento do Daniel abaixo e a minha resposta.
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Falando no tema, eu e Pedro Dória estamos adiando o debate sobre o livro de Ilan Pappe, The Ethnic Cleansing of Palestine, que estava marcado para a próxima segunda-feira. Os livros do Pedro não chegaram a tempo, e eu confesso que o adiamento me serve bem, dado o acúmulo de trabalho. Algumas pessoas também me haviam sugerido que precisavam de mais tempo. Está mantida a idéia do papo, mas para outra data a ser decidida em breve.
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Notícias do front da cicatrização: houve melhora significativa no clima dentro do Partido Democrata nas últimas 48 horas. Como já é sabido, Hillary enviou email aos seus apoiadores confirmando que no sábado realizará um ato em que suspenderá a campanha e começará a pedir votos para Obama. A história de bastidores é que o núcleo duro da campanha em Nova York jogou pesado e forçou a barra para que ela tomasse a atitude logo. Parece que a voz do deputado federal Charlie Rangel, aliado antiquíssimo dos Clinton, foi bem decisiva. Também houve uma sensível aliviada na pressão para que Hillary fosse escolhida vice. Uma das vozes mais respeitadas da blogosfera feminista, a Bitch Ph.D., junto com centenas de leitoras, argumentaram pesado contra algumas apoiadoras de Clinton que chegaram a falar em não votar em novembro, ou mesmo a votar em McCain. Os republicanos estão a um voto de derrubar Roe v. Wade na Suprema Corte e o próximo presidente indicará, muito provavelmente, mais um ou dois juízes (Justice Stevens tem 88 anos e Justice Ginsberg tem 75). Uma vitória de McCain em novembro é praticamente a garantia do fim do direito ao aborto nos EUA por, pelo menos, uma geração. Na pontuação criada pela principal entidade de defesa dos direitos reprodutivos nos Estados Unidos, a NARAL, Barack Obama tem nota 100%.
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Lembram-se de uma recente matéria do New York Times sobre a piração dos veteranos da Guerra do Iraque? Pois vejam a última: Kirk Coleman, 27 anos, soldado para-quedista veterano da invasão, estuprou uma garota de três meses. Sim, três meses. O bebê teve fratura em 17 ossos e sofreu dano cerebral. Fizeram um acordo judicial para que ele fosse processado só por “tentativa de abuso infantil”. Com esse acordo, a pena máxima que ele poderá receber será de 5 anos de cadeia.
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Parece que está se tornando insustentável a situação do governo de Yeda Crusius, governadora do Rio Grande do Sul, com a recente revelação de gravações que demonstram que o esquema de corrupção no Detran gaúcho, que desviou mais de $40 milhões dos cofres públicos, envolvia elementos de cúpula do seu governo. Estou acompanhando o caso desde o começo pelo show de cobertura dado pelo RS Urgente, que driblou toda a grande mídia neste caso. Do paladino da moralidade Pedro Simon, até agora, nem uma palavra.
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Gostei dessa: as oito melhores -pedia que não são a Wikipedia (via Últimas de Babel).
Atualização: O mais popular entre os radialistas americanos de extrema-direita, Rush Limbaugh, está conclamando seus ouvintes a assinar a petição de apoio à idéia de Hillary Clinton como vice-presidente. Não podemos acusá-lo de não ser transparente: batizou a empreitada de "Operação Caos".
Escrito por Idelber às 04:41 | link para este post
| Comentários (29)
#1
A desciclo.pedia é mais legal.
Rodrigo em junho 6, 2008 8:55 AM
#2
Dica para Yeda: ligue para a Globo, marque uma entrevista no Fantástico e diga que não sabia de nada, que foi traída, que eram um bando de aloprados.
Pronto. Ficará insenta de culpa para todo o sempre, amém.
Pablo Vilarnovo em junho 6, 2008 9:26 AM
#3
Idelber,
Sobre soldados surtados, vale a pena assistir o filme "No vale das sombras", com Tommy Lee Jones, já lançado em DVD. O interessante é notar como a produção cinematográfica sobre o Iraque vai se aproximando dos filmes sobre o Vietnã. Tanto à esquerda, como à direita.
Afonso Andrade em junho 6, 2008 9:27 AM
Izabella em junho 6, 2008 10:14 AM
#5
Idelber,
deixo o link de um artigo resumindo os 60 anos da existência de Israel
em inglês
enquanto o dia do clube não vem. De resto, essa declaração do Obama parece indicar que não the best mas the rest is yet to come....
Márcia W. em junho 6, 2008 11:40 AM
#6
Para ficar só na nota leve, a Uncyclopedia é o exemplo digital da democracia levada às últimas consequências. Você lê um ou dois artigos ali na "the content-free encyclopedia that anyone can edit" e fica imaginando como as pessoas foram felizes nos poucos dias em que a Comuna de Paris viveu em paz. Ou naqueles 10 ou 15 dias de 68 quando parecia que imaginação finalmente chegaria ao poder.
Paulo Candido em junho 6, 2008 12:29 PM
#7
Oie. Olha, andei pensando sobre a declaração do Obama. Não é ilusão nem entusiasmo, mas eu acho que devemos acompanhar e "ler" os passos que ele dará, no próximo período, com "granus salis". Entrar em atrito com o sionismo do leste norte-americano não é algo sequer próximo do prudente. Não gostei, é claro, do que ele disse. Mas não me assustei, em coisa alguma. Abração.
Katarina em junho 6, 2008 1:37 PM
#8
Porra, essa Uncyclopedia realmente é boa demais! Sei que está na hora de cicatrizar, mas esta aqui foi sensacional.
Idelber em junho 6, 2008 1:39 PM
#9
É a minha esperança, Katarina. Até agora, todas as aproximações dele com o lobby sionista tinham sido bem prudentes. Eu sabia que ele ia ser bem enfático na defesa de Israel durante esse discurso. O problema é que daqui em diante qualquer negociação de paz pode ser sabotada com esse momento da fita em que ele fala da indivisibilidade de Jerusalém. Puxa, eu acho que nem a AIPAC esperava isso. Mas você tem razão, vamos continuar acompanhando. Quem sabe.
Idelber em junho 6, 2008 1:46 PM
#10
Para quem se interessar, aqui está (na caixa de comentários), passo a passo, como Hillary Clinton matou suas chances de ser vice-presidente.
Idelber em junho 6, 2008 1:50 PM
#11
A Yeda poderia fazer como faz o Serra. Picar a mula,sumir pro exterior em uma "viagem oficial" e esperar os pau-mandados que ele tem na mídia apagarem o incêndio...
Rodrigo em junho 6, 2008 2:25 PM
#12
Idelber,
Veio em boa hora o adiamento do debate sobre o livro de Ilan Pappe, pois meu livro ainda nem chegou ( estava programado para ser entregue dia 02/junho, mas me pediram mais 2 semanas de prazo). Assim, quem sabe eu consiga ler o livro a tempo de participar da discussão...
Bruno Pinheiro em junho 6, 2008 4:01 PM
#13
Idelber,
Falando, de passagem, da Wikipedia, por acaso você já perdeu tempo lendo a bibliografia do prefeito de Juiz de Fora e ex-presidiário, Alberto Bejani, publicada lá? É um bom exemplo para ilustrar as críticas cabíveis à tal "enciclopédia".
Beto em junho 6, 2008 4:14 PM
#14
Caraca, Beto, nenhuma palavra sobre os outros pontos do currículo do cara, hein?
Beleza, Bruno, a gente vai decidindo com calma a data então.
Rodrigo, pelo menos para a Yeda o estrangeiro está mais perto ;)
Valeu a dica, Afonso, vou conferir :-)
Idelber em junho 6, 2008 6:42 PM
#15
Idelber!
A crise no RS está aumentando! Hoje à tarde, foi divulgada uma gravação de uma conversa entre o Chefe da Casa Civil, Cesar Busato e o vice-governador, onde, depois de expor que há anos as estatais financiam os políticos do PP e PMDB (não cita o partido da Yeda), Cesar oferece dinheiro ao Vice Governador, para apoiar o Govewrno e não tecer críticas ao Banrisul e Detran, como vem fazendo...
(acrescente-se que o Vice não é, como dizem aqui no sul, "flor que se cheire"! Ele próprio gravou a conversa, de olho num possível afastamento da Governadora, que passou o dia recebendo misses)!
Agora, 19:30 Horas, centenas de estudantes pedem a renúncia de Yeda, em frente ao Palácio, onde pretendem passar a noite...
Abraços!
paulovilmar em junho 6, 2008 7:37 PM
#16
Paz e bem!
O Feijó é
a Luciana Genro
da direita gaúcha!
Eugenio Hansen em junho 7, 2008 8:16 AM
#17
Idelber: offtopic: leia o comentário do blog do Juca Kfouri sobre o jogo Brasil e Venezuela. Impagável! Abraço
Alexandre Nodari em junho 7, 2008 12:42 PM
#18
Impagável! É dos melhores post da história do blog do Juca. Valeu, Alexandre.
Idelber em junho 7, 2008 12:58 PM
#19
idelber, querido. nao tenho comentado por aqui, mas sempre visito, e estou aprendendo bastante com seus comentarios sobre a eleicao norte-americana. muito obrigada :)
e essa declaracao do obama sobre jerusalem, hein? que loucura.
beijo proce!
kellen em junho 7, 2008 3:10 PM
#20
O esforço diligente de Marco Weissheimer, à frente do blog RS Uregente, é referência na cobertura da crise do governo gaúcho. No espaço que cavou, pode-se dizer que ele constituiu um monopólio. Para não perder o humor do comentário de Eugênio Hansen, faço aqui um reparo divergente: acho que o Feijó está mais para Vera Guasso!
Ainda há pouco, Yeda concedeu entrevista coletiva. Declarou estar indignada com o vice diz que o povo gaúcho confia nela. "Não joguem no meu colo um filho que não é meu". Neste sábado, foram anunciadas as demissões de três secretários, entre eles Cézar Busatto, da Casa Civil, que foi gravado em conversa mantida com o vice Paulo Feijó. No diálogo, Busatto afirma que estatais, Detran e Banrisul, financiam campanhas do PP e do PMDB, respectivamente. E que para um partido pequeno como PSDB construir maioria e governar é preciso fazer concessões importantes.
Outro que caiu foi o secretário-geral Delson Martini, implicado na fraude do Detran. A maioria governista na CPI havia rejeitado sua convocação por cinco vezes. Seu nome, todavia, foi mencionado em diálogo de dois denunciados interceptados pela Polícia Federal, mas só tornado público na semana passada. Um deles sugere que o outro pergunte à governadora sobre "orientações do Delson". Cézar Busatto e Delson Martini devem ser ouvidos na CPI do Detran na sessão da próxima segunda-feira (9).
Marcelo Cavalcante, "embaixador" gaúcho em Brasília, também caiu. Ele havia recebido uma carta-bomba de Lair Ferst, um dos principais personagens da fraude que desviou 44 milhões de reais do Detran e tem 40 denunciados. A carta tem como destinatária a governadora e foi escrita ANTES de ser deflagrada a Operação Rodin. Segundo Yeda, Cavalcante fez o que tinha que fazer: isto é, nada. "Ele não quis me perturbar com uma coisa que não tinha o menor fundamento de verdade". Só não sabemos por que diabos ele caiu...
Grave a crise. Gravíssima.
Fábio Carvalho em junho 7, 2008 10:29 PM
mary w em junho 7, 2008 11:23 PM
#22
3 gols em 15 minutos...
Luiz em junho 7, 2008 11:33 PM
neco em junho 8, 2008 12:59 AM
#24
hahaha, a Mary resolveu descontar a derrota da Hillary em cima do Galo :-)
Tô perdido :-)
Idelber em junho 8, 2008 3:45 AM
#25
Idelber,
Como leitor atento do seu blog queria chamar atenção a uma nuance no discurso do Obama à AIPAC.
Como notou o Bernard Avishai em seu blog (http://bernardavishai.blogspot.com/2008/06/undivided-attention.html), Obama não defendeu uma Jerusalém "unificada", proposta que o alinharia com a direita israelense. Sua defesa foi por uma Jerusalém não-dividida, ou seja, sem muros entre as áreas de controle palestino e israelense. Trata-se da expressão (eufemística, é verdade) utilizada pelo Partido Trabalhista de Israel para defender essa posição.
Considerando-se a audiência ideologicamente hostil a quem ele fez o discurso, foi uma escolha cuidadosa de palavras, mas a meu ver sem comprometer sua posição no tema.
abraço
Daniel
Abaixo trecho do texto de Avishai.
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But even the most apparently contentious thing he said—contentious, at least, outside the room—was carefully worded. Obama said that in any two-state solution Israel would have an “undivided” Jerusalem as its capital. He did not—note well—say a “united” Jerusalem, which would have pushed him from the Democratic Party to the Likud.
Indeed, let’s be clear about this, since some (including Mahmud Abbas, alas) have interpreted his phrase to mean exclusive Israeli sovereignty in the city. Again, when Israeli rightists say that Jerusalem should be exclusively theirs they say the city should be Israel’s capital and united. “Undivided” is the Labor Party euphemism for a city whose Arab and Jewish quarters are not separated by a wall, as before 1967 (and—though this is not usually mentioned in this context—the wall Israel has more recently thrown up).
“Undivided” does not prejudice the question of who is awarded formal sovereignty where. The Geneva Initiative, for example, proposes an undivided Jerusalem with international forces helping to keep the place an administrative whole.
Daniel em junho 9, 2008 2:02 PM
#26
Daniel, o seu comentário é importantíssimo e oferece mais um argumento em favor da cautela defendida pela Katarina aí em cima. Só agora eu percebi quão cuidadosamente formulada foi a frase de Obama. Não era "Jerusalém permanecerá como a indivisível capital de Israel", mas sim que "Jerusalém permanecerá como capital de Israel e será indivisível", o que, para quem não conhece o infinito imbróglio que é este tema, pode parecer a mesma coisa. Mas não é. Inclusive, a campanha já esclareceu que de forma nenhuma a frase tentava sugerir a impossibilidade de controle palestino sobre Jerusalém Oriental.
Muito obrigado pelo seu comentário.
Idelber em junho 9, 2008 2:17 PM
#27
Sinceramente, acho que Obama vai ganhar e acho que fácil. Sei do jogo sujo republicano, sei do conservadorismo, da covardia democrata e que tais. Mas eu não ficaria ansioso. Até porque McCain está a anos luz de Bush. Bem, qualquer um está. Enfim, ainda assim aposto que Obama ganha, e, tenho a impressão, devido aos faniquitos da direita (que denunciam medo e ausência de uma estratégia, o que, por seu turno, é meio caminho andado para a derrota), que de lavada. Dependendo de como os democratas fizerem a campanha, isto é, incentivando o voto dos mais jovens e mais pobres, pode até ser uma lavada histórica.
É o que eu acho.
João Paulo Rodrigues em junho 9, 2008 5:58 PM
#28
Sem querer botar lenha na fogueira, o discurso de Obama permanece desastrado, como apontado pelo mesmo link do Jerusalem Post:
"He refused, however, to rule out other configurations, such as the city also serving as the capital of a Palestinian state or Palestinian sovereignty over Arab neighborhoods."
E o editorial do Middle East Times de hoje parece reconhecer o exagero, mas reitera:
"At first glance one might think that Senator Obama may have ventured into a political minefield.
Indeed, for the Palestinians, the thought of an indivisible Jerusalem is unacceptable, because a united Jewish Jerusalem under Israeli control deprives them of their capital city – which also happens to be home to the Dome of the Rock, Islam's third-holiest site. As Palestinian President Mahmoud Abbas has repeatedly stated, a Palestinian state without (East) Jerusalem as its capital, is totally unacceptable to the Palestinians."
http://www.metimes.com/Editorial/2008/06/10/obama_may_be_onto_something_with_jerusalem/7229/
Cristiano Fagundes em junho 10, 2008 5:59 PM
#29
Um acordo pra um estuprador de bebezinho cumprir no máximo 5 anos??? O bebe era filho de pobre ou a defesa ia botar o exercito no banco dos reus????
Que absurdo!!!!
Mani em junho 12, 2008 11:13 PM
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