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quinta-feira, 05 de junho 2008

Filosofia e sociologia de volta como matérias obrigatórias no ensino médio

Se a filosofia e a sociologia não tivessem sido abolidas do currículo médio pela ditadura militar em 1971, a discussão sobre a educação no Brasil hoje com certeza estaria se dando em bases um pouco mais sofisticadas, sem a tediosa repetição de clichês e o previsível pingue-pongue entre focalismo e universalismo. Por isso, é excelente a notícia da volta da obrigatoriedade das duas disciplinas no ensino médio. Trata-se, finalmente, da restauração de parte do que foi destruído pela reforma educacional da ditadura, que começa com a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Superior, a 5.540/68 – marco na tecnificação da universidade brasileira – e se confirma com a 5.692/71, que joga para escanteio a filosofia e a sociologia e instala as famigeradas Educação Moral e Cívica e OSPB. Não custa lembrar que em 2001 o Congresso Nacional já havia aprovado a restauração das duas disciplinas, mas Fernando Henrique Cardoso, o sociólogo, vetou.

Depois de uma busca bem exaustiva, não consegui achar um único profissional ligado à educação que fosse contrário à medida. Talvez algum contra-exemplo exista, mas é notável a quase unanimidade do apoio à lei entre quem trabalha com o ensino. Como sempre acontece quando qualquer reforma de ensino é proposta, um argumento se repete: o ensino médio brasileiro é muito ruim e acrescentar duas disciplinas não adianta. É uma variação do pseudo-raciocínio que preconiza que não adianta mudar nada até que se mude tudo: pensamento típico de uma geração gente que não estudou filosofia e que, portanto, não adquiriu instrumentos para formular a relação entre a parte e o todo, entre a singularidade e a totalidade. Ficamos engessados na paralisia ante o ruim de tudo. Qualquer ação localizada é imediatamente bombardeada com o pseudo-argumento de que o todo continuará o mesmo.

O outro pseudo-argumento é que se não sabem nem escrever português, por que vão aprender dialética hegeliana? Nada mais típico de quem nunca teve nem aulas de filosofia nem a oportunidade de refletir sobre o que é lecionar o vernáculo. Não há instrumento mais valioso para o ensino da expressão escrita do que noções de lógica – o que inclui a lógica da não-contradição, a lógica transcedental e, sim, a lógica dialética. “Aprender português” é mais que memorizar que “exceção” se escreve com ç. É aprender a expor um argumento, derivar suas conseqüências, colocar-se no lugar do contra-argumento. É na filosofia, não na Educação Moral e Cívica, que se aprendem estas coisas.

Um colunista da Veja revive o bicho-papão da doutrinação ideológica – ah, que medo a extrema-direita tem dessas duas disciplinas! – e prevê que os alunos não estudarão a “história do pensamento”, mas se perderão em “grandes debates sobre os dilemas éticos do nosso tempo”. Se tivesse tido a sorte de estudar filosofia, saberia que aulas de filosofia não são a mesma coisa que aulas de história da filosofia; que é perfeitamente possível ensinar uma coisa antes, ou de forma relativamente independente, da outra; que é factível lecionar rudimentos de pensamento dialético, por exemplo, a um grupo de alunos que ainda não está em condições de ler a Fenomenologia do espírito. Não sou contra a utilização da carga horária da filosofia para ensinar a história do pensamento. Só lembro ao leitor que um curso básico de filosofia não tem por que ser, necessariamente, uma marcha de Heráclito a Heidegger.

Minha filha de 8 anos tem aulas de filosofia desde os 5, com um excelente professor. É uma de suas matérias favoritas. Estão, agora, trabalhando a questão da temporalidade. Não, não estão lendo Bergson. Começaram com perguntas bem básicas, sobre o que fazem agora e não faziam dois anos atrás. Daí se puseram a pensar o que não fazem agora e passarão a fazer no futuro. Amanhã, visitarão um asilo de idosos para conversar com eles sobre o tempo. Não tenho o menor medo de que ela vá ser “doutrinada”. Está reunindo os elementos necessários para identificar um discurso pedestre e histérico quando ele aparece.

Conheço o contra-argumento: ah, Idelber, não temos professores preparados para a tarefa! O governo FHC fez algumas poucas coisas boas, mas é desastroso o legado desse focalismo mecânico com o qual os tucanos costumam pensar a educação. Trataram a universidade com tremendo descaso durante oito anos, sob o argumento de que a prioridade era o ensino fundamental -- só para que nos deparemos, agora, com a falta de preparação dos professores do ensino médio, como se biólogos, matemáticos, físicos, geógrafos e historiadores fossem formados em naves espaciais, e não em universidades. É evidente que o problema vem de antes, mas faltou ali uma compreensão dialética da relação entre investimento em ensino básico e investimento em ensino superior; aqui, a diferença entre Fernando Haddad e Paulo Renato é abismal. Por tudo isso, acho lamentável a intervenção de José Arthur Gianotti neste debate. Age como se os garotos não fossem dignos da filosofia. Comporta-se como quem não ama o conhecimento, em profunda traição à própria etimologia da palavra "filosofia".

Que se cobre mais investimentos no ensino básico. Que se cobre mais infra-estrutura para as escolas. Que se cobre um melhor salário para o professor. Que se cobre tudo o que atual governo poderia estar fazendo a mais. Mas que as iniciativas positivas não deixem de ser incentivadas por causa do pseudo-argumento de que o resto continua muito ruim.

PS: Parabéns, Lucia Malla. Parabéns, tricolores. Há tempos eu não via um mata-mata tão épico como esse Flu x Boca. Dois jogaços. Acho que poucos discordariam que, no total dos 180 minutos, o Boca jogou mais. Mas o Flu soube matar na hora certa, teve um Fernando Henrique inspiradíssimo, não se intimidou com toda a “mística” e contou, convenhamos, com um tiquinho de sorte. Nada disso lhe tira o mérito, que foi enorme.

Atualização: O cumpadi Arranhaponte contra-argumenta.



  Escrito por Idelber às 03:09 | link para este post | Comentários (62)


Comentários

#1

Idelber, a liguagem da Filosofia é muito abstrata para um aluno de 16, 17 anos.
Lembro das aulas de filosofia e sociologia no meu 2o grau. A professora falando difícil sobre "Ego" e "Super-ego" enquanto todos dormiam de olhos abertos.

Muito do conteúdo do qual vc cita já é coberto em outras matérias como:
- Lógica em matemática,
- Método Científico nas ciências
- Um pouco de sociologia ao estudar outros povos/cultuas em geografia/história

Voltei a estudar filosofia no 3o ano de Engenharia e aí sim, tive maturidade e interesse no que me foi ensinado.

Mas concordo que é necessário aumentar a abrangencia no ensino fundamelntal/médio brasileiro. Talvez filosofia/sociologia devam ser dadas durante 1 ano no ensino médio. Estudei durante 2 anos nos EUA (7a e 8a séira) e a maior diferença que senti foi justamente essa: ABRANGÊNCIA. Enquanto o meu curriculo no Brasil esteve sempre limitado aos programas de vestibulares, nos EUA tive aula de:

- Teatro
- História da música
- Saúde (doenças, postura, educação sexual)
- Home Economics (marcenaria, noções de estruturas, ferramentas, etc)
- Excursões a Univeridades (no 1o grau!)
- Palestras motivacionais

Nem estou falando dos laboratórios bem-equipados e nas atividades extra-curriculares das quais éramos encorajados a participar, como os book-clubs onde eu me sentia altamente recompensado moralmente pela professora e pela conselor ao terminar um livro.

E ainda sou obrigado a ouvir brasileiro dizendo que a educação americana é "fraca".

Pedro em junho 5, 2008 5:47 AM


#2

No caso do ensino médio americano, Pedro, o problema é o extremo desnível. Vejo pelo seu relato que você estudou numa boa escola (era pública? onde ficava?).

Há lugares onde mesmo as escolas públicas são muito boas -- tome cidades universitárias como Champaign, Illinois, ou Chapel Hill, Carolina do Norte. As escolas públicas são muito boas. Visite uma escola pública de New Orleans ou Memphis. É um horror comparável a ou pior que qualquer Capão Redondo.

No geral, os resultados dos americanos nos testes mundiais os colocam na rabeira do mundo desenvolvido, bem atrás dos países da Europa Ocidental e de muitos países asiáticos. No final dos anos 90, os EUA ficaram em último em física e em penúltimo em matemática, entre 16 países pesquisados. Em 2003, ficaram em décimo-oitavo entre 24 países pesquisados.

Isso em disciplinas eminentemente mensuráveis, como física e matemática. Se você olhar línguas, história ou geografia, a situação é ainda pior.

O que não quer dizer, insisto, que não existam excelentes escolas país afora. Mas, na média, os EUA estão, sim, bem atrás do resto do mundo chamado "desenvolvido". No ensino médio, claro. O universitário é outra coisa, dependendo de como o medimos.

Idelber em junho 5, 2008 6:12 AM


#3

Idelber, parabéns pela postagem. Concordo com tudo o que você disse. Sou professor de filosofia no ensino superior, e já lecionei filosofia nos ensinos fundamental e médio, com ótimos resultados.

César em junho 5, 2008 8:33 AM


#4

Não resisto a um comentário: apesar do nome, o goleiro do Flu jogou muito bem mesmo!!

Cláudio Freire em junho 5, 2008 8:36 AM


#5

Shame on you, FHC! Essa do veto eu não sabia.
Parabéns aos congressistas.
Minhas filhas também começaram a ter aulas de filosofia, mais voltada para a ética, mas os pais que tiveram a oportunidade de ter uma formação melhor e podem dispor de um tempo para planejar isso e conviver mais com as crianças também devem participar mais, e com isso estou me cobrando também. É melhor ler alguns livros sobre ensino de filosofia para crianças para poder ter mais esse tipo de conversa com as meninas. Passei por escolas de vários tipos e acho que o clima de estímulo e curiosidade que elas podem encontrar em casa talvez seja mais determinante do que o currículo das escolas. Mas não posso negar que foi ótimo passar pelo Colégio Técnico da UFMG, por exemplo, que me deu uma formação semelhante ao que o Pedro comentou.
No mais, torço para o Flu na Libertadores (o time do meu pai, que Jah o tenha, fui em muitos jogos do pó de arroz no Maraca quando era bem pequeno), até porque eles estão com um time bom e se entrarem no Brasileiro somente para “se divertir”, como anunciou o Renato Gaúcho, vai ser menos um forte adversário ao título.

Leo Vidigal em junho 5, 2008 9:12 AM


#6

Ainda que ache uma excelente medida a reintegração do ensino de filosofia e sociologia ao ensino médio brasileiro, não vejo como lamentável a intervenção do Gianotti.

Decidir quais serão os conteúdos ministrados ao ensino médio ainda será uma tarefa extremamente complicada nos próximos 4 ou 5 anos, afinal, após a reintegração destas disciplinas, o reingresso das mesmas ao conteúdo exigido no vestibular será um pequeno passo.

Achei fraco boa parte do argumento do Gianotti, tal como foi exposto no link disponível. Quando, porém, ele lembra o perigo de que o ensino de filosofia transforme-se em "decoreba da história da filosofia" (curioso o fato de um uspiano estar atentando a este fato), ele traz ao centro do debate uma questão que persegue o pensamento filosófico desde Hegel até os nossos dias: o lugar da história na questão filosófica. Em minha opinião, esta ainda é um questão profundamente aberta e, eis o ponto ao qual eu queria atentar, qual será a autonomia que este professor de filosofia terá para a escolha e aplicação de conteúdos?

Acredito que, em muitos anos, esta foi a primeira medida digna de aplausos no tocante à educação nacional. Ainda que, para mim, o debate esteja apenas começando.

Pedro Carné em junho 5, 2008 9:26 AM


#7

Fiquei muito feliz com a medida, tenho certeza que educação é a base de tudo e é por aí que o Brasil vai virar gente grande. Sociologia e filosofia são mais que matérias curriculares. Mais que gerar conhecimento, geram caráteres. Então, vou contar uma historinha: quando eu estava na escola (de quarta a 8ª série), os professores ignoraram solenemente a Educação Moral e Cívica. E olha que era escola pública. Além disso, havia uma tentativa de incluir estudos de sociologia dentro da matéria "geografia política e social" e filosofia sempre aparecia em "história" ou "lingua portuguesa". Já no colegial, em escola particular, tive professores muito entusiasmados, engajados e preocupados, que faziam de tudo para termos contato com filosofia, por exemplo, ao invés de trabalhos de História, tinhamos aulas à tarde nas quais discutíamos e estudávamos textos filosóficos aplicados à matéria e os trabalhos que derivaram dessas discussões eram muito mais filosóficos que históricos... Sei que essas aulas não só me fizerm gostar muito mais da escola e da matéria como me deram uma visão diferente do mundo e dos acontecimentos, das pessoas e dos pensamentos, mas principalmente, me tornaram uma pessoa mais alerta, mais pensante e mais madura. Comparando o pessoal da minha geração com o pessoal que hoje entra nas universidades, a diferença é gritante, tanto em conhecimentos como em maturidade.

Ana Carolina em junho 5, 2008 9:50 AM


#8

Adorei a medida, realmente faz muita falta a formação filosófica e sociológica no ensino médio. Discordo completamente do Gianotti, é melhor ensinar, mesmo que seja no estilo "decoreba", do que não existir a disciplina, porque faz diferença na formação dos alunos.

A UFMG já exige Filosofia no vestibular, na 2a. etapa dos cursos de Direito e Filosofia. As provas (estão disponíveis para consulta no site da Copeve) não têm nada de decoreba nem são focadas em história da filosofia. O que pode ser questionado é que estão elitizando os candidatos: quem faz cursinho ou estuda em colégios particulares tem aulas de Filosofia regulares e muito mais facilidade para fazer o vestibular. Mas agora, com a obrigação das aulas em todo o ensino médio, espero que essa disparidade diminua...

Cynthia Semíramis em junho 5, 2008 10:00 AM


#9

Meu filho teve filosofia e sociologia em seu colégio. Minha filha terá.

O primeiro possui excelente noção de mundo, ética, política, não acredita em qualquer balela; enfim, parece-me um ser humano digno e atualizado.

Algumas abstrações não lhe deixaram bicha nem capenga.

Milton Ribeiro em junho 5, 2008 10:02 AM


#10

E já que falaram da linguagem, hoje existe material didático de Filosofia adequado para todas as idades. Já vi até uma coleção para crianças, os Filosofinhos, que é bem interessante...

Cynthia Semíramis em junho 5, 2008 10:05 AM


#11

Caro professor: excelente texto. Vou adicionar aos meus favoritos.

Enéias em junho 5, 2008 10:10 AM


#12

Os tucanos confundiam muito os conceitos de investimento e gasto no período FHC

Rodrigo em junho 5, 2008 10:13 AM


#13

Concordo que a educação pode ser sucateada, por ela já ser sucateada.

Mas se é assim, se a filosofia é ruim, se os professores são mal formados, e se a culpa é dos professores, a culpa toda não recairia também nos formadores dos professores de filosofia (e quem sera que se incluiria ai?)? Mas daí a não aceitar as aulas de filosofia, é sobrepor dois problemas.

Catatau em junho 5, 2008 10:16 AM


#14

Sinceramente, eu bato nessa tecla quando converso em rodinhas com amigos sempre: mais importante que ensinar conteúdo é ensinar argumentação e lógica para uma criança/adolescente, o que se faz em aulas de filosofia e sociologia. Conteúdo, hoje em dia, está ao alcance de todos na internet, se você se interessa basta correr atrás. Saber argumentar é uma necessidade muito mais vital. Posso ouvir vozes exaltando-se: "Ah, mas e o vestibular?" É exatamente nele que sua argumentação precisa estar mais forte, por ex. nas questões discursivas, que hoje em dia definem a vaga. Lembro perfeitamente que algumas questões do meu vestibular pra biologia eu não sabia responder direito, mas felizmente tive um professor de 2º grau que me ensinou a biologia de forma "lógica", e mesmo com meu "embromation society", consegui levar uma argumentação para frente sobre mecanismo de contração muscular (sem citar o nome das famigeradas moléculas que eu não lembrava no meio do nervosismo da prova) e sobre ciclo de carbono que me colocou dentro da universidade nas primeiras posições. É isso q a gente precisa, pessoas que saibam argumentar, ou q pelo menos saibam reconhecer o básico filosófico em uma discussão.

Quanto ao Flu... que dizer? Meu coração foi ao delírio, Idelber. Estou rouca de tanto gritar ontem. A sorte realmente teve um nome: Fernando Henrique. Mas estamos lá, e o ineditismo dessa conquista é maravilhoso. :D

Lucia Malla em junho 5, 2008 11:03 AM


#15

Ainda tive aulas de Moral e Cívica e OSPB no ensino fundamental, que chatice! Moral e Cívica era só simbologia da bandeira do Brasil, hinos nacional e da bandeira, biografias de patriotas (a maioria militares), o respeito que devíamos a tudo aquilo, em suma patriotada. Tive filosofia no ensino médio mas também não tive sorte, não assimilei quase nada, talvez eu não estava preparada pra aquilo.

Te em junho 5, 2008 11:07 AM


#16

Idelbest,
também gostei da possível volta da filosofia. Só que cada vez que ouço falar em Moral & Cívica tenho arrepios na alma. Estudava numa escola pública com reputação E prática bem humanista, até removerem a diretora da escola e colocarem no seu lugar um coronel aposentado, quiçá torturador nas horas vagas. Tinha aula com um meganha preocupado com o perigo vermelho que obrigava a gente a decorar os hinos brasileiros e quejandos.

Márcia W. em junho 5, 2008 11:18 AM


#17

Puxa, Cynthia, parece sensacional essa coleção. E dei uma olhada na prova de filosofia da UFMG. Está mesmo excelente -- muito bem pensada, com ênfase no pensamento e na interpretação, armada de forma que o aluno use seu conhecimento prévio mas não precise de decoreba etc. Obrigado pelos dois links :-)

Idelber em junho 5, 2008 12:13 PM


#18

Márcia, Te, Ana, Lu, Leo: como demonstram os comentários de vocês, muita coisa depende de como a disciplina é ministrada, em que marco, com que tipo de professor etc. Mas parece que, no geral, as experiências com a filosofia e a sociologia trazem um saldo muito mais positivo que negativo.

Pedro, estupendo. É verdade o que você diz. "Lamentável" foi meio forte, mas continuo discordando frontalmente do Gianotti nesta discussão. Em todo caso, o tema da história dentro da filosofia é um daqueles casos em que a questão continua aberta -- e provavelmente é verdade que o leque de possibilidades sobre o que e como ensinar é ainda mais amplo na filosofia que em outras disciplinas. O que pode até ser positivo, no atual estágio da coisa.

Gracias Enéias, César, Milton, Rodrigo, Cláudio, Catatau.

Obrigado pelos excelentes comentários.

Idelber em junho 5, 2008 12:23 PM


#19

Idelber,
lembro de uma discussão que tive, num grupo do qual você também fazia parte, com um blogueiro que prefiro não citar pelo nome (digo, pseudônimo).
Contrapondo-se à minha sugestão de que se ensinassem matérias como Música e Xadrez nas escolas, para favorecer um desenvolvimento integral da inteligência, ele defendia que a educação no Brasil devia se limitar às disciplinas básicas e às tecnológicas, porque devíamos nos preocupar em formar mão-de-obra minimamente qualificada para a indústria, ao invés de nos perder em "perfumarias". Acho lamentável que muita gente pense assim.
Quanto à idéia de que o ensino de Filosofia deva começar, necessariamente, pela História da Filosofia, seria como imaginar que não se pode aprender a escrever antes de conhecer a História da Literatura.
Pensar com método pode e deve ser uma prática constante desde a mais tenra idade. Da mesma forma, nunca é cedo demais para o exercício sociológico de pensar o mundo em que vivemos e que, ainda que não o saibamos, ajudamos a construir.
Aproveito pra mandar um beijo que, quem é vivo, sempre aparece. :)

christiana em junho 5, 2008 12:29 PM


#20

Mestre Idelber, essa é sobre futebol. Acho que vao gostar:
http://www.alfarrabio.org/index.php?itemid=2837
Abraçãos :-)

Bicarato em junho 5, 2008 12:31 PM


#21

É sensacional esse livro, Bica, obrigado pelo link. Fica aí como sugestão para quem não conhece...

Eiba, Chris, sumida! Pois é, no caso do colunista da Veja que vociferou contra o "perigo da doutrinação" na filosofia e na sociologia, o que mais me chamou a atenção foi a estultice de achar que ter aulas de filosofia é necessariamente estudar a "história do pensamento". Beijão, abraço no Gugala, boa sorte em Sampa (adorei o novo layout, aliás).

Idelber em junho 5, 2008 12:37 PM


#22

Em recente contato com populações pobres de Alagoas, testei pelo menos uma meia dúzia de crianças, na faixa de 9 a 10, todas na escola, e constatei que nenhuma delas sabia ler. Não liam literalmente (ops) nada. Mas quem sabe com as aulas de filosofia e sociologia que elas vão pegar no Ensino Médio a coisa mude

F. Arranhaponte em junho 5, 2008 12:43 PM


#23

Idelber,
creio que alguns que objetam contra a volta do ensino de Filosofia e Sociologia são motivados apenas pelo dominante (e já cansativo) espírito de Fla x Flu que tomou conta de (quase) todos os debates públicos. Se é do goberno, soy contra. E vice-versa.

Agora, por falar em Flu, a primeira parte de meu plano fui cumprida. Coloquei o tricolor na final para levar uma bordoada da LDU.

Franciel em junho 5, 2008 1:04 PM


#24

Não basta aprovar formalmente. Mas, deve se atentar para as condições em que serão ministradas, pois o estado poderá manipular ideologicamente, tornando a emenda pior que o soneto. Vide a ainda fresca (des)memória de Estudos Sociais, OSPB, etc.

Armando do Prado em junho 5, 2008 1:06 PM


#25

Caro Idelber,

sem dúvida, o contato com filosofia e sociologia trará saldos positivos, será somente uma questão de paciência, creio, para colhermos os frutos.

Infelizmente, o quadro, ao longo destes meus apenas dois anos como docente na área é o seguinte: a maior parte dos alunos jamais teve contato com filosofia, poucos aceitam a "filiação" ao saber, grande parte tem aversão à leitura, pouquíssimos ao menos TENTAM escrever bem...

...mas acho que o quadro irá mudar - ensinar também música e xadrez como propôs a Christiana acima, seria sensacional!

Jasão em junho 5, 2008 1:14 PM


#26

A medida é salutar, ainda que a meu ver um dos grandes problemas do ensino fundamental e médio é ser voltado demais ao vestibular - a sua conversão em cursos preparatórios. Deveriam aumentar o número de aulas de literatura também. Concordo com v. de que a posição de Gianotti é lamentável: é evidente que o ensino como um todo está sucateado, mas vamos ficar esperando mudanças até vir uma reforma de 180%?
Abraço.

Alexandre Nodari em junho 5, 2008 1:14 PM


#27

correção: poucos aceitam o convite para se "filiarem"...

Jasão em junho 5, 2008 1:15 PM


#28

Alexandre, eu sempre achei que duas canetadas poderiam provocar efeitos absolutamente revolucionários no Brasil.

A abolição do vestibular e a abolição dos cartórios.

Espero viver o suficiente para ver pelo menos uma dessas revoluções democráticas acontecer.

Idelber em junho 5, 2008 1:25 PM


#29

Caro Idelber,

Acho extremamente positivo o reingresso dessas duas disciplinas ao currículo escolar. Tive aulas de filosofia (mas, infelizmente, não de sociologia, que só vim a estudar após a graduação) no ensino fundamental e médio, e acho que contribuiram muito para minha formação.

Não posso deixar de criticar, contudo, algumas dos seus posicionamentos no texto:

1 - Não se deve ridicularizar os argumentos dos opositores como "de uma geração que não teve aulas de filosofia", generalizando a uma geração inteira a (im)postura de alguns. Além disso, não estudar filosofia na escola, embora seja prejudicial, não condena ninguém às trevas da ignorância.

2 - A preocupação quanto a um possível doutrinamento é legítima e necessária. Não acho que seja argumento suficiente para impedir a implantação dessas disciplinas, mas é algo que deve ser levado em conta na preparação dos currículos e no dia a dia de todas as escolas. Assim como você acha (com razão) um absurdo a "Moral e Cívica" da ditadura, também seria um absurdo a utilização dessas matérias para promover o doutrinamento marxista ou de outra ideologia qualquer. A escola pública não pode ter religião nem partido.

Por outro lado, achei muito importante você tocar na questão do ensino universitário: mesmo que estivessemos focando apenas na educação básica, teríamos que investir nas universidades para aumentar o número e a qualidade dos professores formados.

um abraço,
lucas

lucas em junho 5, 2008 1:39 PM


#30

Lucas:

Verdade. "Geração" foi um termo infeliz, posto que generalizante sem necessidade. Concordo com você e fiz uma rasura no texto a partir do seu comentário. Acredito que ficou melhor agora. Obrigado.

Quanto ao segundo ponto, discordo. A gritaria sobre "doutrinação" é velha e conhecida. Não é preocupação genuína com a qualidade, isenção, abertura e tolerância do ensino. Kamels, Azevedos et caterva não estão preocupados com isso. Querem usar a questão como alavanca para uma guerra ideológica, uma impostação que tenta ludibriar os mais incautos com a idéia de que "ideologia" sempre é a dos outros.

É o papo mais ideológico que existe. Abração.

Idelber em junho 5, 2008 1:48 PM


#31

Lucas: eu concordo e muito contigo. A Féfélech está aí para não nos deixarmos mentir.

Pablo Vilarnovo em junho 5, 2008 3:02 PM


#32

Post muito bom. Mais um. Sou totalmente favorável. Tive ambas disciplinas no colégio. E olha que era colégio de freiras (acreditem). E ainda tive psicologia. Foi muito bom. As aulas eram muito boas e prendiam a atenção da molecada. É claro que tudo isso depende muito do professor. EMC e OSPB por outro lado....Mas a idéia é pra lá de salutar. Muito bom em saber que pessoas do seu gabarito apóiam essa medida.
Grande abraço.

Paulo em junho 5, 2008 3:38 PM


#33

Caro,

fiz um comentário crítico ao seu texto no meu blog
http://prafalardecoisas.wordpress.com

Peço desculpas antecipadamente se saiu ácido demais e pouco polido. De todo modo, tentei focar na discussão de idéias.
abraços

Manoel Neto em junho 5, 2008 4:28 PM


#34

Caro Manoel: De forma nenhuma vejo acidez ou falta de polidez no seu texto. Debate franco, de alto nível, no terreno das idéias. Eu tenho é que agradecer a interlocução.

Só um esclarecimento sobre o ponto 2: ao falar de ensinar rudimentos de dialética sem ler a Fenomenologia do espírito, de forma nenhuma quis dizer que se deve mastigar as coisas e torná-las mais fáceis; somente que há um tempo para se ler tudo.

Eu jamais defenderia uma postura do tipo "facilitemos as coisas". Aliás, sou adepto e defensor do axioma do genial cubano Lezama Lima: sólo lo difícil es estimulante.

Abração e, de novo, obrigado pelo debate.

Idelber em junho 5, 2008 4:38 PM


#35


Muito boa sua argumentação caro professor. Concordo com ela no seu todo. Muitos esquecem de que na raiz de qualquer conhecimento humano está o pensar. E a filosofia subjaz ao pensar.

Ricardo Zanoni em junho 5, 2008 6:13 PM


#36

Idelber,

escrevi uma vez um penqueno texto sobre as possíveis utilizações das ciências sociais como disciplinas plenas de significado para democracia. Falando de como elas, não as horendas OSPB e Moral e Cívica, poderiam ser ferramentas importantes para internalizar valores democráticos, porque, e a gente esquece disso, são disciplinas que só existem em condições democráticas onde a livre opinião pode ser difundida e expressa. E isso não é assim por acaso. Lembro da emoção que tive ao ler um texto de Bourdieu (creio que no "La misere du monde") onde ele compara o metodo de escuta de uma entrevista sociologica ao interrogatório policial, duas maneiras de se buscar "verdades", mas onde a primeira nos ensina a escutar com respeito para desvelar e revelar segredos do mundo, e a outra... Alguém duvida que é mais concreto aprender o que diabos é cidadania (palavra surrada que ninguém traz pro concreto) através de ferramentas como a estatistica(que nos ensina a podenrar sobre a importância de certas proporções e distribuições) , como a entrevista sociológica(que nos ensina a escutar para compreender),como a etnografia (que nos ensina a ter trato especifico com as diferenças culturais)do que com cursos sobre conteúdos sociológicos falando sobre autores de nomes esquisitos? Eu defendo por isso o ensino de rudimentos de como usar as ferramentas das ciências sociais. Acho isso minha idéia um pouco utópica visto que nas próprias universinades brasileiras se confunde cultura sociológica com sociologia.Mas acho como você que o caminho se abre com a introdução dessas disciplinas.
Vejo que me prolonguei demais no comentário. Vou acabar por aqui.
Abraço,

jampa em junho 5, 2008 6:17 PM


#37

Exato, Jampa, é esse também o espírito da minha insistência em separar o ensino do pensar filosófico do ensino da história da filosofia. É bem por aí mesmo.

PS: Pô, você veio à Brasa e não conseguiu me achar para dar um alô? Abração.

Idelber em junho 5, 2008 6:30 PM


#38

Pois é, Idelber. E não foi por falta de tentativa, viu? Tem até algo a respeito no meu blogue. Mas quem sabe em outra ocasião.
Abração.

jampa em junho 5, 2008 6:48 PM


#39

Pois é, Idelber. E não foi por falta de tentativa, viu? Tem até algo a respeito no meu blogue. Mas quem sabe em outra ocasião.
Abração.

jampa em junho 5, 2008 6:48 PM


#40

Idelber, faz tempo estou tendo dificuldades de comentar aqui. Meus comentários se perdem no limbo do seu blog. Vou fazer este último teste. Abs!

Bruno Ribeiro em junho 5, 2008 7:34 PM


#41

Idelber: a abolição dos cartórios! Algo fundamental. Ninguém (governantes, digo) tem coragem de meter a mão neste vespeiro, neste cartel de dinheiro fácil.

Alexandre Nodari em junho 5, 2008 7:38 PM


#42

Excelente post!
Eu tive aula de filosofia apenas durante o primeiro ano do ensino médio (o que já é melhor do que nada) e foi muito boa!
Quisera eu ter tido a chance que sua filha está tendo!

No Brasil, nossos governantes têm muito medo de que os brasileiros sejam seres pensantes! Daríamos muito trabalho a eles!

Ma em junho 5, 2008 7:39 PM


#43

Puxa, Bruno, quando acontecer, mande um email, eu libero na hora. Além de você, acontece com o Marcos e o Arranhaponte também. É um mistério. A pasta de junk engolidora de amigos. Foda.

(e infelizmente não dá para prescindir da pasta de junk: só hoje, ela agarrou 181 spams; seria impossível ler a caixa se não fosse por ela).

Minhas desculpas.

Idelber em junho 5, 2008 7:41 PM


#44

Me ajudem!
Em prol da pratica irrestrita da liberdade de expressão e do respeito aos direitos humanos. Gostaria que vocês ajudassem a divulgar esse Blog: http://www.desdecuba.com/generaciony
Não é um Blog atualizado como deveria, mas a nossa compreensão deve levar em conta a realidade da sua autora.

José Eduardo em junho 5, 2008 8:29 PM


#45

Chegou atrasado, José. Blog já divulgado aqui no Biscoito há séculos.

E o que um blog com média de 2.000 comentários por post menos precisa é de mais divulgação. Já até ganhou prêmio na Espanha.

Traga o próximo.

Idelber em junho 5, 2008 8:47 PM


#46

Idelber,
Só uma coisinha que eu não consigo entender:
O que faz um partido social-democrata sabotar a educação pública de maneira tão...sistemática?

Hugo Albuquerque em junho 5, 2008 9:49 PM


#47

Paulo Freire não é exatamente o meu ídolo, mas ele costumava dizer que quem fala mal das reformas é porque acredita que a história esta morta. Eu sou professor de artes em uma escola de periferia em Contagem, na região metropolitana de Belo Horizonte, trabalho com jovens e adultos. Depois de muito penar tentando encontrar formas de estimular a sensibilidade e intuição das pessoas através das aulas de arte, e passear por todas as disciplinas, me convenci que toda a dificuldade de nosso povo parte da quase absoluta ausência da leitura. Este povo lê muito pouco. Há uma limitação de vocabulário. Mas não acredito em uma educação linear, isto é, gosto do tudo ao mesmo tempo agora. E as pessoas são sim capazes de se interessar e compreender filosofia, sociologia, antropologia e outras gias mais. A forma de trabalhar também é fundamental. A violência de poucos um entrave que, confesso, não sei mais o que dizer. Mas as pessoas teem capacidade sim. Para dar um exemplo, estou trabalhando com Os Lusíadas e, da maneira como estou levando, eles estão participativos, interessados e admirados com a própria capacidade de compreensão de um texto disgramado de difícil. O conteúdo não é complexo como um tema filosófico, mas a síntaxe sim. E eles querem entender. A maioria nunca leu mais que dois ou três livros na vida. E todos, é claro, superficiais. Na minha modesta opinião, há sim uma imcompetência do professorado, mas não é nada que não possa ser resolvido com a renovação. O que pega mesmo é o desequilíbrio de poucos que tornam as salas de aulas da educação popular em ambientes hostis e confusos. Algo que , talvez, se resolva com estrutura, algo como profissionais, dentro das escolas, que tenham especialização em lidar com a violência. Eu como professor, confesso, não a tenho muito não. A ética têm feito falta. Vou parar por aqui que já está um post e não um comentário. Muito boa a provocação Idelber, como sempre.

josaphat em junho 6, 2008 12:58 AM


#48

Este texto vai me poupar um trabalho enorme de escrever o quão aliviado fiquei com a volta da filosofia ao ensino médio. Não preciso nem dizer que você argumentou muito melhor do que eu argumentaria. A única coisa que me preocupa é que a filosofia vai acabar sendo enquadrada pela mesma maldição que atinge o ensino das outras matérias: o vestibular com múltipla escolha. Já imagino uma pergunta do tipo:

O Belo é:

1) Uma bela moça
2) Uma bela panela
3) Uma forma inteligível da qual participam a panela, a moça e tudo o mais que nos parece belo
4) Um sentimento subjetivo que parte de um julgamento reflexivo e produz um livre jogo da imaginação e do entendimento
5) N.D.A.

Se for assim, é melhor proibir o ensino como um todo no Brasil e distribuir uma AK-47 pra cada brasileiro...

Quanto ao Fluminense, estou surpreso que ninguém ainda percebeu o óbvio. Principalmente o tal do Carlos Ischia, que é uma besta e pensa que é o Bianchi, coitado. O Fluminense eliminou o Boca porque entendeu como o Boca joga. É uma correria desgraçada, mas eficientíssima no primeiro tempo, e depois, língua de fora. Foi assim contra o Cruzeiro, contra o Atlas e contra o Fluminense. A diferença é que o Fluminense não entrou na correria, não deixou espaços e eles não conseguiram fazer os gols. Não abriram vantagem. Não é à toa que, na Argentina, o Fluminense tenha estado perto de fazer o terceiro gol e, no Rio, depois de empatar, tenha perdido tantos gols. O Fernando Henrique fez grandes defesas, claro, mas pombas, o goleiro de um time campeão tem que ser bom mesmo, não tem? De que adianta ter um frangueiro como o tal do Migliore (o titular tampouco é grande coisa) e uma defesa que só sabe parar o adversário com falta? (Aliás, o juiz paraguaio de quarta-feira deixou de dar muitas a favor do Fluminense.) o Fluminense ganhou porque tem um preparo físico excelente (Fábio Mahseredjian, um cracaço), e o preparo físico é, no futebol de hoje, o que há de mais importante, embora freqüentemente negligenciado. Segurou o Boca enquanto eles tiveram oxigênio, depois matou o jogo. Inteligência de time copeiro, que eu nunca esperava ver no Renato Gaúcho, deve ser coisa do Eutrópio, que sabe tudo. Pena que a imprensa esportiva brasileira seja formada por gente que só sabe assistir aos jogos e dizer o que achou, em vez de correr atrás das informações e interpretações. Assim se cria o mito da "sorte"... Sorte o Fluminense teve ao conseguir duas vagas pra Libertadores, ao cair no grupo mais difícil e ficar em primeiro no placar geral, ao não tomar conhecimento do Arsenal no Maracanã, ao eliminar com duas vitórias um time que deu sufoco no São Paulo, ao eliminar o próprio São Paulo, ao empatar com o Boca num frio de 2 graus. Ganhar no Maracanã não foi nem mais nem menos sorte do que nada disso. E foi azar não ter entrado a bola do Júnior César, aquela que bateu criminosamente na trave. Ele merecia aquele gol. Um dos flamenguistas da Globo chegou a dizer que o Fluminense "achou" o gol do Washington. Me pergunto como alguém pode achar um gol... Ele está sempre no mesmo lugar, basta ter jogadores que consigam colocar pra dentro. Jogadores que decidam. Mas tem que ser mais do que um. Não dá pra depender só do Riquelme, reserva do Villareal, ou do Adriano, o imperador com jeito de D. João VI.

Por sinal, nota ZERO para o sorteio dos grupos. Os quatro melhores times da competição estavam no mesmo grupo. Se estivessem cada um em um, as semifinais poderiam ter sido Fluminense X Arsenal e LDU X Libertad. Injustiça com os argentinos e paraguaios. Mas não é nenhuma coincidência, nem sorte, que os dois finalistas tenham saído desse grupo...

Diego Viana em junho 6, 2008 6:42 AM


#49

como deve ser bom viver nesse mundo de fantasia de vocês...

[]'s

nelson em junho 6, 2008 10:54 AM


#50

Acho excelente a volta da filosofia, e acho muito fácil discordar deste argumento de que adolescentes são incapazes para aprendê-la, há professores de português que não fazem seu papel, e a filosofia não poderia pagar por isso, posso garantir que depende apenas do professor fazer com que os adolescentes se envolvam com filosofia, nem que para isso seja preciso enfrentar o prejuízo com o português.
"uma variação do pseudo-raciocínio que preconiza que não adianta mudar nada até que se mude tudo", um típico argumento utópico, na pior acepção da palavra, quase megalomaníaco.
Excelente abordagem do tema!

Otávio em junho 6, 2008 12:50 PM


#51

Quanto a alguns comentários acima, separar filosofia de história da filosofia, sim (várias escolas ensinam filosofia para crianças, por exemplo, e já vi algumas dessas aulas, muito interessantes!);

Quanto a colocar na balança questões como "devemos pensar, mas concretamente", e a filosofia é por demais "abstrata", com nomes de autores e coisas "difíceis", separando "teoria" e "prática", "concreto" e "abstrato", acusando história da filosofia de mera abstração, isso nunca! Não faz juz nem ao filosofar, nem à história da flosofia (que, se não for ensinada decorebamente, é o próprio acervo dos modos de filosofar).

Catatau em junho 6, 2008 6:19 PM


#52

Idelber, estudei numa escola pública em Naperville, Illinois de 91 a 93. Aliás, os professores do meu distrito eram os mais bem pagos do país na época.

Parabéns pelo excelente blog! Keep it up!:)

Pedro em junho 7, 2008 3:58 AM


#53

Idelber, excelente post. Eu fico felicíssima com a reintrodução do ensino dessas disciplinas no país. Eu tenho um filho de 15 anos, que está no 2o. ano do ensino Médio. A escola em que ele estuda, aqui no Rio, já adotou filsofia e sociologia há bastante tempo, e olha que é um escola cuja principal característica é, para o bem e para o mal, um foco absurdo no vestibular. Dessas que emplacam vários "primeiro lugares" e vivem do prestígio (ou whatever) que a propaganda a respeito acarreta.
Mas bem. Quando ele foi para o ensino médio e soube que teria que estudar filosofia achou ruim. Achou que seria chato, mais por receio da superficialidade da abordagem e dos debates do que outra coisa qualquer. É um menino até excessivamente racional e cartesiano, mas tem um apetite por leitura e uma capacidade de reflexão enormes. Para surpresa dele mesmo, está adorando. A escola adota um livro chamado "Filosofando: uma introdução à filosofia", de Maria Lúcia de Arruda Aranha e Maria Helena Pires Martins, Ed. Moderna. Eu gostei muito da abordagem e do conteúdo. E peguei o garoto falando de Hume um dia desses com a maior intimidade e segurança!
Acho que é um ganho que nós ainda não temos condições de calcular.

Ana Paula em junho 7, 2008 9:14 PM


#54

Bah, eu ia escrever um comentário, mas ficou tão longo que virou um post.
http://sblargh.blogspot.com
Não precisam visitar, it's rubbish; eu to deixando o endereço mais como cortesia porque é uam espécie de resposta ao post.

Sblargh em junho 8, 2008 11:33 PM


#55

Caríssimo Avelar.

Embora tenha gostado de sua posição sobre o assunto (que muitíssimo me interessa), discordo em alguns pontos... Dei um pitaco aqui (http://interesse.wordpress.com).

Grande abraço.

Gabriel em junho 9, 2008 1:05 PM


#56

Caríssimo Avelar.

Embora tenha gostado de sua posição sobre o assunto (que muitíssimo me interessa), discordo em alguns pontos... Dei um pitaco aqui (http://interesse.wordpress.com).

Grande abraço.

Gabriel em junho 9, 2008 1:06 PM


#57

Caro Gabriel: havia visto sua resposta, e gostado muito, apesar de uma ou outra discordância pontual.

E bem-vindo ao blogroll :-)

Sblargh, valeu, também a sua resposta ;)

E Catatau, Otávio, Ana Paula, aproveito os comentários de vocês para reiterar: desafio qualquer professor de filosofia a me demonstrar que o tipo de perguntas sobre a temporalidade que eu cito no post, a propósito da experiência da escola da minha filha, "não é filosofia". Platão teria se horrorizado com o postulado de que aquele tipo de reflexão "não é filosofia".

Idelber em junho 9, 2008 1:19 PM


#58

É,

Basta ver o quanto a sociedade idolatra o ensino de filosofia e sociologia para saber que a culpa destas duas disciplinas terem sido rlegados ao esquecimento é da Ditadura, Direita e FHC. Malditos...

Como é bom ver a importância que alunos do ensino médio dão para as aulas de filosofia, como é maravilhosamente gratificante ver o respeito com o qual eles tratam seus professores, como fico orgulhoso de saber que pais e mães incentivam o ensino destas duas áreas e a gratidão demonstrada pela sociedade a profissionais que atuam nestas áreas. Ah, como o mundo é belo...

A sociedade com certeza abrirá um belo sorriso e dirá "ainda bem" quando esta notícia se espalhar. Com certeza fará manifestações de apoio ao governo federal e encherá suas caixas de e-mail com mensagens de parabéns.

O ensino de filosofia e sociologia é um anseio fundamental da sociedade em relação à educação, isso é visível. Os únicos que não dão a dvida atenção ara isso no Brasil são minoria, e eles estão todos dentro da "direita" golpista.

José Linhares Jr.

José Fernandes Linhares em junho 11, 2008 11:05 AM


#59

Idelber,

Estava prestes a sugerir Giannotti como exemplo de profissional ligado à educação que discorda da medida, mas percebi que você já havia havia notado (Giannotti foi o primeiro presidente da ANPOF). Não concordo com ele, mas é uma objeção válida. Já o professor João Carlos Salles, o último presidente da ANPOF e talvez aquele que durante duas gestões deixou as marcas mais significativas nessa instituição, concorda com a medida.

As posições contrárias não chegam a constituir argumentos sólidos, aliás, como você notou, apelam à confusão e sobrepõem problemas diversos a fim de contaminar uma nova discussão. As inegáveis prioridades e melhoramentos necessários ao ensino brasileiro nada têm a ver com o ensino dessas disciplinas. Ligar as duas coisas sem esclarecer a relação entre elas é um exercício de obscurecimento do debate.

"É uma variação do pseudo-raciocínio que preconiza que não adianta mudar nada até que se mude tudo" Fantástico! Parabéns pelo modo brilhante -- e filosófico -- com que advogou em prol dessa causa.

Leonardo Bernardes em junho 14, 2008 11:49 AM


#60

Olá, Idelber,
Último-ano na graduação em filosofia da UFPR, tenho acompanhado os trâmites em torno da lei há cerca de 3 anos. A Psicologia tentou entrar na onda, quase adiando a medida (pois isso significaria o acréscimo demais 2 aulas-disciplina, o que significa menos 2 aulas para alguma outra disciplina). Vejo a medida como um avanço, ou melhor, com superação de um retrocesso (mais um) por conta da Ditadura. Não há dúvida que há alguns problemas a enfrentar: formação de professores, metodologia de ensino, currículo escolar, briga partidária para divisão de aulas semanais (sim, há muitos “professores” contra a medida, pois isso pode resultar em diminuição das suas aulas semanais). Mas, o que somos nós, mulas ou profissionais que estão diretamente ligados ao trabalho intelectual e, portanto, aptos a discutir e elaborar novas fórmulas e métodos de atuação? Apesar da tentadora alternativa, opto ainda pelo segundo caso.
Sobre os dois dos pseudo-argumentos apontados e respondidos por você, gostaria de tentar acréscimos:
1. “O outro pseudo-argumento é que se não sabem nem escrever português, por que vão aprender dialética hegeliana?” Raciocínio semelhante foi enunciado por um colega aqui na lista: “a liguagem da Filosofia é muito abstrata para um aluno de 16, 17 anos.
Lembro das aulas de filosofia e sociologia no meu 2o grau. A professora falando difícil sobre "Ego" e "Super-ego" enquanto todos dormiam de olhos abertos”.
Creio que há aqui duas falácias:
A. Circularidade – alega-se que o conteúdo é muito difícil e os alunos não estão aptos a ele. Ora, mas justamente isso é o que justifica a existência das aulas! A aula de filosofia deve existir justamente para tornar os alunos aptos a entender o conteúdo. A capacidade dos alunos deve ser o resultado, não a premissa.
B. Desconhecimento – alega-se que a linguagem da filosofia é difícil. Isso só pode ser dito por quem ou desconhece ou conhece mal os clássicos da filosofia. Poder-se-ia dizer que o conteúdo presente nos clássicos da filosofia tem um grau de complexidade que exige uma formação e um preparo que os alunos de ensino médio ainda não possuem; assim, esta tentativa seria comparável a ensinar matemática computacional na disciplina de matemática, quando o correto, devido ao grau de informação dos alunos, seria aplicar noções básicas, como teoria dos conjuntos ou trigonometria. A isso, nenhuma objeção. O fato é que (1) os livros de filosofia, via de regra, trazem de forma indistinta conteúdos de graus distintos; com isso quero dizer apenas que um e mesmo texto filosófico pode, e em geral o faz, oferecer leituras de profundidade e precisão desiguais: o mesmo texto de Aristóteles fornece uma interpretação coerente e legível tanto a um iniciante quanto a um especialista erudito; entendo então que um texto clássico da filosofia, embora possa conter uma profundidade densa, permite também leituras de compreensão gradual, portanto, um grau de leitura perfeitamente compatível com o número padrão de informações para o ensino médio (O que é perfeitamente correlato ao que ocorre com os clássicos da literatura. Ninguém duvida que Memórias Póstumas é uma obra densa, complexa e de múltiplas referências textuais, que para entendê-la com mais precisão é necessário um vasto cabedal de conhecimento literário, em alguns momentos domínio de obras que não estão ainda traduzidas para o português. Ora, disso não segue que esse clássico seja ilegível e que não seja agradável e assimilável em algum grau por qualquer leitor interessado ou sob a educação de um bom professor. E a prática já corriqueira de oferecer a leitura desse livro no ensino médio prova essa possibilidade de leitura gradual). Por outro lado ainda, (2) muitos clássicos da filosofia estão escritos em uma linguagem acessível e, até mesmo, agradável e sedutora: Os Diálogos de Platão, A Poética de Aristóteles, as Confissões de Santo Agostinho, os Tratados de Sêneca, os Ensaios de Montaigne, as Meditações de Descartes, os Contos de Voltaire, etc., etc., são todos textos claros, corridos, quando não belos e apaixonantes. Estes textos são, sem dúvida, complexos e profundos; mas quem há de negar que são de saborosa leitura, inclusive para adolescentes? Talvez quem não os tenha nunca lido...
2. Quero me referir ao argumento do Gianotti: “não temos professores preparados para a tarefa!”. Realmente, há 8 anos atrás, isso era verdade. E acho que isso justifica que a medida não tenha sido sancionada à época. O que se deve perguntar é: E por que diabos não se começou uma forte preparação de professores para que, algum tempo depois, isso estivesse revertido?! Não se sabe por que o governo FHC não começou essa mudança, se já tinham conhecimento da falta de professores. Isto apenas demonstra que a justificativa apresentada era apenas uma vestido furado para a falta de vontade...
Hoje, contudo, o fato é diferente e merece ser analisado de diversas formas: Em alguns estados, há um bom número e cada vez mais crescente de professores de filosofia formados (aqui no Paraná, a filosofia já faz parte do ensino médio há já dois anos, porém, para apenas um dos três anos, além de já fazer parte do último vestibular – com isso, a UFPR e a Séc. de educação de Ctba já elaboraram e disponibilizaram materiais perfeitamente acessíveis ao Ens. Médio, exemplo: http://www.berlendis.com/6filo.htm). Alguns outros estados estão praticamente preparados (notadamente RS, PR, SP, RJ, MG, RN, PE, que têm bons cursos a nível de Ens. Superior), o problemas são estados que não têm faculdade de filosofia ou são de um nível ainda precário. Para esses estados, haverá realmente uma dificuldade inicial com professores. Isso, no entanto, não pesa contra a disciplina de filosofia, uma vez que não é nada raro – isso em todos os estados – professores formados em letras dar aula de história, nas disciplinas de geografia, professores formados em matemática, e assim por diante.

Espero ter acrescentado algo à discussão.

Glauber em julho 7, 2008 4:36 PM


#61

Ah, perdão pela pressa da minha postagem, com erros de digitação e de gramática.

Glauber em julho 7, 2008 4:42 PM


#62

Eai pessoal…

querem aprender ingles em 30 dias?
conheça agora nosso revolucionário Speedy English.

ele utiliza técnicas avançadas que nunca foram divulgadas antes, você aprenderá ingles em poucas semanas em sua propria casa (MÉTODO COMPROVADO)

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ROMÁRIO MARTINS em setembro 18, 2008 2:18 PM


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