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sábado, 28 de junho 2008
Ministério Público gaúcho quer rasgar a Constituição
O Ministério Público do Rio Grande do Sul está em meio a uma inacreditável ofensiva de criminalização do MST, com linguagem retirada diretamente dos piores manuais anti-comunistas. As peças produzidas pelo MP gaúcho parecem inverossímeis no Brasil de 2008. Algumas delas baseiam-se no relatório do coronel Waldir João Reis Cerutti que, entre outros delírios, afirma que análises de nosso sistema de inteligência permitem supor que o MST esteja em plena fase executiva de um arrojado plano estratégico, formulado a partir de tal “convênio”, que inclui o domínio de um território em que o governo manda nada ou quase nada e o MST e Via Campesina, tudo ou quase tudo.
O MP e a Brigada Militar do Rio Grande do Sul procederam a executar despejos dos sem-terra até mesmo de áreas que estavam cedidas por pequenos proprietários para a instalação das famílias. O Dr. Jacques Távora Alfonsin, procurador do Estado aposentado e membro da ONG Acesso, Cidadania e Direitos Humanos, relatou que a petição chegou a Carazinho no dia 16 de junho e o despacho do juiz, de 20 laudas, saiu no mesmo 16 de junho. Ou seja, tudo aponta para uma ação orquestrada de criminalização dos movimentos sociais, e em particular do MST. Que fique claro: eles foram desalojados de terras arrendadas, não invadidas. Teríamos dificultades, imagino, de encontrar um precedente.
Do MP gaúcho vem a esdrúxula proposta de “extinguir” o MST, como se a Constituição brasileira não garantisse o direito à livre associação. Se é fato que, nos últimos 20 anos, a demonização do MST na mídia brasileira tem sido coisa sem paralelo desde a época em que o Partido Comunista era acusado de comer criancinhas no espeto, também é fato que as ações recentes do MP gaúcho demonstram um nível de truculência e desrespeito à Constituição raras vezes visto.
Não importa o que você pense do MST. As denúncias são gravíssimas e é a democracia que está em jogo.
Escrito por Idelber às 05:05 | link para este post
| Comentários (34)
#1
Idelber, desculpe não comentar o post, mas não sei se vc está sabendo, mas o programa Roda Viva está com um acervo on-line, com as entrevistas e as transcrições das mesmas, tem muita coisa boa lá!!
Abraço!!
http://www.tvcultura.com.br/rodaviva/index.asp
Gui Losilla em junho 28, 2008 12:19 PM
#2
cada vez mais vou me convencendo que Brasil e uma provincia, pra nao dizer roca. O judiciario entao, sao conservadores fundamentalistas. nao tem jeito mesmo.
julio em junho 28, 2008 12:43 PM
#3
É por isso que me ufano do meu país... Sem mais comentários...
Cláudio Roberto Basilio em junho 28, 2008 1:25 PM
#4
A questão do kamel merece um pouco mais de atenção , quando algo é muito desinteressante , chato ou burro é dificil ficar pensando sobre o assunto.
A conclusão é sempre uma das treis alternativas citadas.
Porem existe uma alternativa , que seria a necessidade de uma campanha difamatoria e excessiva , para se contrapor o carismo acima da media de uma liderança politica.O Presidente LULA é um caso especificamente fora dos padrões da politica brasileira.
Persiguições, prisão , armadilhas , campanhas difamatorias acerca de sua vida pessoal ,ataques a pouca formação academica ,enfim .
Apesar do sistema politico em aperfeiçoamento , que na eleição o desfavorecia , vem a vitoria.
A falta de inteligencia das criticas movidas por kamel , e sua pouca ajuda para o aperfeiçoamento do jornalismo e educação no BRASIL , nos levam a pensar. O sujeito não é estupido , porem tem intenções e forma de leitura acerca de colaborar com o BRASIL , que diferem completamente das minhas.
O suposto risco a democracia que é natural quando da existencia de uma liderança atipica em termos de populariedade e legitimidade , pode ao meu ver ser perfeitamente neutralizado pelas instituições , principalmente quando o processo de aperfeiçoamnete das mesmas e apoiado por esta liderança.
Me parece que a conduta do Presidente não deixa duvidas de seu amor ao BRASIL ,não acredito que alguem tenha duvudas disto , e da determinação do LULA no sentido de incentivar o desenvolvimento brasileiro em todas as areas.
Felipe Vargas Zillig em junho 28, 2008 1:51 PM
#5
Legendario Idelber ,queria avisar que só estou escrevendo no Luis Nassif e no seu site, para evitar comentarios de meliantes em meu nome .O Azenha ,PHA , e Ze Dirceu estou dando um tempo para evitar estas confusões ,Obrigado e valeu
Felipe Vargas Zillig em junho 28, 2008 1:54 PM
#6
Caro Idelber e demais comentaristas, eu não tenho a menor dúvida que se trata apenas de uma manobra diversionista. Os próprios promotores sabem que a intenção de acabar com o MST no Rio Grande vai dar em nada.
Mas eles sabem que chamaria enorme atenção, que diversas entidades internacionais se mobilizariam, que daria muita manchete mundo afora.
Trata-se claramente de uma manobra para fazer cair no esquecimento e dar fôlego a Governadora. Fazer todo mundo esquecer as gravações altamente comprometedoras.
Isso é que não podemos deixar acontecer. Não podemos jogar o jogo deles.
Abraços.
Mauro Gabriel em junho 28, 2008 2:31 PM
#7
Idelber,
Concordo plenamente com o seu último parágrafo, é a Democracia que está em jogo.
Vou mais adiante, traçaria um paralelo disso com o recente caso da Reserva Raposa do Sol; Os rizicultores invadiram terras da União e a mídia pôs a culpa nos índios (?!) e agora vem gente discutir a questão das reservas indígenas em um espetáculo de desonestidade intelectual gigantesco.
A questão indígena está resolvida, não há lacuna legal ou antinomia na Constituição em relação a ela, os nativos possuem o usofruto da terra e não a posse, que é da União. Como discutir isso ou pôr em dúvida essa questão senão através de um ataque violento de desonestidade intelectual? No entanto, isso foi feito e tem gente que nunca viu um índio na vida querendo que, imagino, eles sejam jogado em campos de concentração.
Aqui na questão da tentativa de criminalizar o MST também não há dúvidas; A nossa própria forma de Democracia determinada na Constituição prevê a iniciativa popular bem como dá ampla liberdade aos movimentos sociais, pôr isso em dúvida é um ato criminoso, ainda mais usando de argumentos de tal natureza.
O ponto é que continua havendo uma movimentação bem grande daqueles setores de sempre em desmoralizar a Democracia e tentar jogar o país nas trevas eternas. São os mesmos que a derrubaram uma vez; São os mesmos que tentaram impedir que ela voltasse; São os mesmos que na impossibilidade de defenderem a escravidão nos dias atuais expressam seu racismo ao mostrar contrariedade a qualquer iniciativa que vise incluir os negros; São os mesmos que na impossibilidade de defenderem o feudalismo nos dias atuais se mostram contrários à Reforma Agrária.
Hugo Albuquerque em junho 28, 2008 7:34 PM
#8
Sem querer bancar o chato, mas vejam o que eu disse. Zero Hora de domingo na internet e nenhuma notícia sobre MST e nem sobre Yeda. Tá tudo dominado.
Mauro Gabriel em junho 29, 2008 4:09 PM
#9
Impressionante como esse pessoal do MST tem resistido. Como sou de Canudos, e tenho DNA de jagunço, acho que eles estão mais que certos.
Quer apostar que daqui a alguns anos vão estar homenageando os líderes do movimento? A mesma elite que mandou o exército pra Canudos é a que quer acabar com o MST hoje. E é a mesma que homenageia Conselheiro. Mudaram pouca coisa nesses 100 anos. Podem me chamar de maluca, mas não vejo muita diferença nos donos de terras daquela época e os de hoje. Nem das instituições que defendem os interesses deles. Só têm um vernizinho de modernidade. Só.
Falar nisso, quem viu o Festival de Parintins que está sendo transmitido ao vivo pela Bandeirantes? Impressionante como conhecemos pouco essa Amazônia que tanto "defendemos". Ontem o Boi Garantido fez uma bela referência a Chico Mendes. Quem puder, dê uma espiada na transmissão da Band de hoje, a partir das 21h. É um belo espetáculo, com uma impressionate participação do povo. A pior parte é a narração do tal Datena, mas tem uma xará amazonense que neutraliza um pouco a chatice dele e dá um banho de informação sobre o folclore da Amazônia.
Socorro em junho 29, 2008 4:52 PM
#10
Poizé, Idelber. A coisa anda feia quanto à chamada "mídia", que ainda teima em se colocar como neutra, pra melhor enganar. A direita que não ousa dizer seu nome continua a ameaçar a democracia tão custosa e engatinhante. Apesar de seu poder declinante, o veneno que essa gente espalha ainda incentiva o fascismo latente cá pelo sur do Brasil. Aqueles que ela representa tem muita grana e privilégios que os cegam, pois não percebem o buraco que escavam sobre os pés. Nunca vi jornalismo mais chapa-branca quanto esse do sul. Chapa-branca anti-federal, claro. Pois não cessa sua descarada campanha anti-Lula, contra os movimentos sociais e que é conservadoríssima quanto aos costumes. A opção preferencial pelos ricos é nítida em Florianópolis.
Jair Fonseca em junho 29, 2008 5:15 PM
#11
Idelber,
Realmente surpreende a iniciativa gaúcha, tanto mais que o Judiciário de lá sempre foi tido como de vanguarda. Isto é, com todas as ressalvas quanto a considerar qualquer Poder Judiciário como vanguardista, hehehehe.
A interpretação do Mauro Gabriel me parece muito perspicaz, penso que essa ação contra o MST pode sim ter caráter diversionista, e ser vista como um modo de colocar na defensiva os movimentos sociais que podem pressionar o (des)governo Crusius.
Agora, sinceramente acho muito difícil, quase impossível, que esse magistrado não soubesse do iminente ajuizamento da ação. Tema polêmico, complexo, decisão de 20 laudas, difícil acreditar que ele tenha recebido a ação e feito tudo em apenas uma tarde.
Isso soa mal, soa pessimamente. Acho uma vergonha. Depois, os juízes ficamos questionando o porque não temos a credibilidade que achamos merecer em face de nossa dedicação à causa da Justiça.
Abraço
Paulo SPS em junho 29, 2008 10:45 PM
#12
A simples leitura da Ata 1.116, do Conselho Superior do Ministério Público (do RS), não demanda maiores explicações para se compreender os termos da história. O documento é datado de 3 de dezembro de 2007. Ali, temos uma noção da ofensiva orquestrada pelo MP desde junho de 2007. Por unamimidade, o "Egrégio Conselho" acolheu os votos do relator-conselheiro, Gilberto Thums. Destaco alguns trechos que falam por si. Trata-se de um documento com o carimbo "confidencial"...
1) "Voto no sentido de desginar uma equipe de Promotores de Justiça para promover ação civil pública com vistas à dissolução do MST e declaração de sua ilegalidade. Não havendo necessidade de maior investigação sobre o que já foi apurado, em face do que preceitua o artigo 5º, inciso XVII, da Constituição Federal; neste item, voto ainda no sentido de que sejam tomadas as seguintes medidas cabíveis: I - com vistas à proibição das marchas, colunas ou outros deslocamentos em massa de sem-terras (...) medidas podem impedir o confronto entre sem-terras e as forças de segurança, ou entre sem-terras e os produtores rurais. Trata-se, mais uma vez, da atuação preventiva em prol da proteção da ordem pública. II - para investigar os integrantes de acampamentos e a direção do MST pela prática de crime organizado, pois ficou constatado que o movimento e seus militantes têm a prática de atos criminosos, como a invasão e depredação de propriedades privadas e de prédios públicos como táticas regulares de atuação. III - para investigar os integrantes de acampamentos e a direção do MST no que toca ao uso de verbas públicas e de subvenções oficiais, tanto no plano criminal quanto na esfera da improbidade administrativa. Não se pode aceitar que o Estado brasileiro, com tantas tarefas a cumprir num país subdesenvolvido, possa despender enormes quantias na subvenção de um movimento que recusa a legitimidade das instituições democráticas".
2) "O voto é pela intervenção do Ministério Público nas três escolas referidas, a fim de tomar todas as medidas necessárias à readequação à legalidade, tanto no aspecto pedagógico, quanto na estrutura de influência externa do MST, nitidamente contrárias aos princípios contidos na Constituição Federal e que embasam o Estado Democrático de Direito. Da mesma forma, sugere-se a tomada de medidas judiciais para impedir a presença de crianças e adolescentes em acampamentos, assim como em marchas, colunas ou outros deslocamentos em massa de sem-terras, tendo em vista serem ambientes notoriamente inadequados para pessoas em processo de desenvolvimento".
3) [Esse o Idelber destacou] "Voto pela necessidade de desativação dos acampamentos situados nas proximidades da Fazenda Coqueiros, onde a possibilidade de conflitos é mais evidente, bem como de todos os acampamentos que estejam sendo usados como base de operações para invasão de propriedades, vedado pela ordem jurídica brasileira".
4) "Voto no sentido de acolher a sugestão dos investigadores de nos seus exatos termos: 'Tendo em vista que parte das ações de mobilização do MST tem origem em assentamentos (não mais acampamentos) controlados pelo movimento, em razão do controle social que o MST exerce sobre os assentados e em total desvio de finalidade da reforma agrária prevista na Constituição Federal, que visa a uma melhor produtividade no campo, sugere-se que sejam investigados os assentamentos feitos pelo Incra ou pelo Estado do Rio Grande do Sul de forma a verificar se a propriedade rural, nessas áreas, cumpre sua função social. Com essas medidas, buscar-se-á assegurar o tratamento isonômico da propriedade rural no Brasil, implementando paridade na avaliação da produtividade dos assentados e dos demais proprietários rurais, assim como a avaliação dos demais requesitos da função social da propriedade'".
5) "Voto pelo acolhimento da sugestão dos investigadores no sentido da 'realização de investigação eleitoral nas localidades em que se situam os acampamentos controlados pelo MST, examinando-se a existência de condutas tendentes ao desequilíbrio deliberado da situação eleitoral local. Constatada eventual irregularidade, sugere-se atuação para que ocorra o cancelamento do alistamento eleitoral'".
6) "Voto pelo acolhimento da sugestão dos investigadores no sentido de efetivar a formulação de uma política oficial do Ministério Público, com discriminação de tarefas concretas, com a finalidade de proteção da legalidade no campo. Este órgão do Ministério Público deve ser especialmente destacado para a atividade, seja na Assessoria ao Procurador Geral de Justiça, seja com a implementação de Promotoria de Justiça Especializada em Conflitos Agrários".
Beleza, né?
Fábio Carvalho em junho 30, 2008 6:40 AM
#13
Isso é uma piada. Mas, tem acontecido na América do Sul inteira. Tem uma certa direita na região que não aceita perder o poder. O problema é que a esquerda não tem um projeto de desenvolvimento. Esta no poder hoje por uma sorte da conjuntura internacional. A burrice do conservadorismo econômico, principalmente do governo Lula e Morales é impressionante.
Bruno em junho 30, 2008 1:15 PM
#14
No pior sentido, a diversão política está no sul e em Minas. Estamos bem.
Milton Ribeiro em junho 30, 2008 1:56 PM
#15
Estava mesmo na hora de alguém tomar uma atitude mais concreta conta o MST.
Parece que finalmente a Justiça está começando a se mexer.
Pablo Vilarnovo em junho 30, 2008 2:29 PM
#16
É Pablo, é por isso que o procurador geral de Justiça, Mauro Renner, já veio a público declarar que essa ata foi alterada pelo "Egrégio Conselho" e que o MP NÃO PRETENDE a dissolução do MST, conforme havia sido firmado.
Também deve ser por isso que até a insuspeita ZH publicou editorial no sábado (dia da menor circulação da semana), embora tenha arregaçado as mangas nas reportagens de domingo (dia de maior circulação da semana). Ao contrário do senhor, o MP recuou no intento fascista.
Some-se, pois, ao jurista Paulo Brossard no artigo de opinião dessa segunda-feira, dia 30.
Fábio Carvalho em junho 30, 2008 4:54 PM
#17
Se pudesse, a direita legitimava a tortura e o fuzilamento de sem-terra, índios e quetais. Isto é o que mais a incomoda: não poder, abertamente, dar vazão à sua sanha fascista.
Bruno Ribeiro em junho 30, 2008 10:58 PM
#18
no interior de limeira, o mpf quer fechar uma tv local de 15 anos.
o presidente da ass. brasileira de imprensa diz que o maior inimigo da imprensa atualmente é o poder judiciário.
o que está acontecendo com o poder judiciário?
:>/
Biajoni em julho 1, 2008 11:45 AM
#19
Baixou o espírito de Torquemada no MP guasca.
Armando do Prado em julho 1, 2008 12:58 PM
#20
Bom, facismo para mim é alguém invadir sua casa e destruí-la. Facismo para mim é um bando invadir um laboratório de pesquisa e destruir tudo por conta de sua idologia. Facismo para mim é invadir uma universidade e destruir pesquisa de anos por conta de uma ideologia.
Para mim é irreal vivermos em pleno 2008 em um país onde há um grupo desse tipo andando solto. Não digo os pobres coitados que são cooptados pelo MST. Já vi filmagens de "protestos" do MST em Porto Alegre com patricinhas e mauricinhos que nunca pegaram uma enchada na vida.
Não digo que o MST deva acabar, apenas que seus crimes - e não é possível que não achem que o MST não os pratica, senão voltamos a barbárie - devam ser sim responsabilizados.
Há anos o MST deixou de lutar por uma reforma agrária. Hoje luta contra o capitalismo pura e simplesmente. Todos sabem disso.
Se escondem na ilegalidade e na imbecilidade de um país onde o próprio Estado destina milhões de nossos impostos a uma entidade que nem figura jurídica possui.
Uma entidade que apenas promove a destruição.
Ninguém é contra protestos e movimentos sociais, mas não sejamos ignorantes.
Parece que nesse país basta se considerar "progressista" ou de "esquerda" ou ser de algum "movimento social" para estar acima das leis.
Novamente parabéns ao Judiciário.
Pablo Vilarnovo em julho 1, 2008 2:56 PM
#21
O que é engraçado nesse debate sobre o MST é a quantidade de pessoas sem conhecimento de causa ou de enorme desonestidade intelectual que fazem um pregação absurda contra o movimento baseadas apenas naquilo que aqueles velhos e nem tão bons setores da mídia postulam.
Se a situação anda feia no campo e alguns camponeses resolvem se organizar, protestar e agir contra o que está errado bem como pressionar para que seja cumprida a determinação constitucional da função social da terra aí é taxado como vândalo, criminoso etc.
Se o mesmo camponês resolve não fazer isso, baixa a cabeça e resolver vir pra "cidade grande" naturalmente indo morar em alguma favela da vida já é prontamente marginalizado pelo mesmo cara que o chamaria de vândalo ou criminoso se tivesse virado sem-terra.
Se esse mesmo camponês vai morar debaixo da ponte, o mesmo cara vai lá e diz que ele deveria ser "removido", outros colocam que ele deveria ser "mandado de volta pra sua terra" e por aí vai.
Daí você pergunta pra esse cara se, afinal de contas, ele é favorável a algum tipo de "solução definitiva" para o problema posto que pra ele nada tá bom.
Prontamente a carapuça serve e de repente vem a reação indignada, "como você poderia insinuar uma coisa dessas", que ele não é fascista nem nada do tipo que isso é um "ultraje".
Então você fica na dúvida. Será só mais um pobre diabo alienado ou um fascista enrustido que é obrigado a manter sua preciosa ideologia em sigilo porque isso não pega bem?
Hugo Albuquerque em julho 1, 2008 3:47 PM
#22
Parabéns, Hugo! Perfeito o seu comentário!
É como eu disse e repito: se pudessem ter a certeza de que não seriam processados ou hostilizados, estes fascistas travestidos de "legalistas" diriam, abertamente, que a solução seria o extermínio da plebe.
Não são eles, afinal, que tocam fogo em índios, agridem garotas de programa e empregadas domésticas, defendem a volta da ditadura militar e aplaudem iniciativas estapafúrdias como as "rampas anti-mendigos"?
Bruno Ribeiro em julho 1, 2008 5:57 PM
#23
Obrigado, Bruno, eu realmente precisava dizer isso.
Hugo Albuquerque em julho 1, 2008 9:16 PM
#24
A propósito desse comentário do Hugo, quem ainda não viu deve assistir ao ótimo documentário de Silvio Tendler sobre Milton Santos.
Socorro em julho 2, 2008 8:32 AM
#25
Hugo, concordo com vc, só acho que tem que ter cuidado, como o Pablo falou! Vc já viu os organizadores do MST, a elite deles??? Pois bem, pessoas cheias da grana que ganharam dinheiro usando os pobres camponeses que vc citou, sem falar nos agraciados com a reforma agrária que venderam a terra concedida e voltaram para o MST.
Discordo do Pablo sobre o fim do movimento, mas o MST passou a ser arma na mão de político e da imprensa há muito tempo!
Gui Losilla em julho 2, 2008 5:30 PM
#26
Gui,
Eu discordo de sua colocação sobre as lideranças do MST, certamente eles teriam uma vida muito mais sossegada se prefirissem se omitir de entrar numa luta tão inglória.
João Pedro Stédile, por exemplo, é economista formado pela PUC-RS e pós-graduado pela UNAM, se não estivesse no MST provavelmente teria muito mais grana e uma vida muito mais segura.
Há exceções? Talvez haja, mas são exceções, não regra, mas o fato é que as mesmas pessoas que bombardeam o MST de maneira sistemática são as mesmas que calam diante da grilagem de terra e dos excessos cometidos pelos latifundiários. Há algo errado nisso.
Creio que se alguém usa a massa camponesa (e sempre usou) como massa de manobra, esse alguém sempre foi a elite agrária do país e são os mesmo que se incomodam com, mais do que mera revolta, a organização e mobilização política de parte desses camponeses através do MST.
Aliás, muitos dos que entram nesse "barulho" são justamente os que não conseguem formular uma única saída para a situação agrária do país.
Hugo Albuquerque em julho 2, 2008 6:54 PM
#27
Po, não sei... se a reforma agrária ocorresse estas pessoas iriam perder o status, será que elas querem isso??? E quando eu disse elite, não quis dizer um líder, ou um fundador, estou dizendo que tem muita gente ganhando dinheiro às custas do MST, e isso vai de políticos, partidos, à pessoas que se dizem simpatizantes do movimento.
E tb não concordo com algumas invasões. Nunca invadem terras de pessoas realmente poderosas e destroem tudo o que vêem pela frente. Já vi muitas famílias rurais de classe média perder tudo, da casa à lavoura, por causa de invasões que não possuem o menor propósito...
Quero ver invadir as terras da família do ACM...
Gui Losilla em julho 2, 2008 7:39 PM
#28
Gui,
Acredite, há maneiras mais facéis e cômodas de se ganhar dinheiro e status; Quanto a eventuais ações do movimento, não se esqueça que eles ocuparam a fazenda de FHC enquanto esse ainda era presidente.
Hugo Albuquerque em julho 2, 2008 7:59 PM
#29
"Mudaram pouca coisa nesses 100 anos. Podem me chamar de maluca, mas não vejo muita diferença nos donos de terras daquela época e os de hoje. Nem das instituições que defendem os interesses deles. Só têm um vernizinho de modernidade. Só."
Socorro,
Muito pelo contrário - seu comentário preza pela lucidez: de fato, não há NENHUMA diferença entre os donos de terras daquela época e os de hoje. Os tempos podem ter mudado, mas a mentalidade FEUDAL da aristocracia brasileira (nossa "elite" contemporânea) permanece a mesma.
Jo em julho 2, 2008 11:11 PM
#30
Hugo, discordo, a melhor maneira de desviar/ganhar dinheiro nesse país e fazer alguma coisa pelos pobres, ninguém questiona nem nada, como se fosse pecado entrar no assunto. E convenhamos o FHC, mesmo quando presidente, nunca apitou nada nesse país!!
Gui Losilla em julho 3, 2008 2:58 PM
#31
O MST não existe juridicamente, enquanto associação registrada com estatuto, cnpj, responsáveis etcétera. Não há como dissolver por meios legais algo que não existe legalmente. Já vi de perto as barbaridades que os 'campesinos' são capazes de fazer. Muitos cometem crimes e ficam acobertados pelo manto do movimento social, que os blogueiros de esquerda adoram endeusar.
Agiram assim com as Farc e deu no que deu... É bom ficar de olho na relação dos movimentos sociais com o narcotráfico. Tem acampamento da fronteira com a Colômbia até o RS. Como a polícia não entra no território do MST fica fácil para a bandidagem. Fernandinho Beira-Mar não precisa mais se arriscar. Basta financiar os companheiros.
Téo em julho 6, 2008 9:43 PM
#32
Esse papo moralista da Direita sobre os "crimes" do MST (como destruir sementes para reflorestamentos de eucalipto para papel que vão ser plantados em terras que poderiam ser ocupadas por pequenos produtores, que "progresso" hein?)vem da mesma lata de lixo de onde saem os artigos "históricos" nos quais Stalin & Mao matam mais 10 milhões de pessoas a cada semana, as diatribes anti-Farc, etc. _Todo_ movimento político pode degenerar; mas certamente não é solução alguma (para este mundo, pelo menos) não tentar nada por causa disso. Sociedades reacionárias como a nossa, onde a "elite" arrolha qualquer veleidade de mudança, não são menos cruéis ou mais pacíficas do que a Rússia de 1930: a latifundização do campo brasileiro promovida pelo agrobusiness produziu uma tragédia humana - a favelização da cidade - que é escassamente menos cruel que a coletivização stalinista. as garantias que esses cavalheiros querem nós não podemos dar; mas será que eles podem?
Carlos em julho 8, 2008 4:10 PM
#33
Meu caro, quem rasga a Constituição é quem invade terras que não lhe pertencem, não acha?
Giba em julho 11, 2008 1:46 PM
#34
Giba, releia o post. As terras não eram invadidas, mas arrendadas.
Idelber em julho 11, 2008 1:54 PM
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