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quarta-feira, 04 de junho 2008
Noite histórica para a democracia: Barack Obama é o candidato

Em novembro, os cidadãos norte-americanos vamos às urnas. Temos a chance de derrotar a mais desastrosa coalizão política da história dos EUA. A que mais danos fez à imagem e ao legado do país. A que mais rastros de sangue, mentiras, déficits e ilegalidades deixou atrás de si. Barack Obama será o candidato do Partido Democrata, como já sabiam os leitores deste blog desde 20 de fevereiro. Ontem, depois de uma sucessão de endossos de super-delegados ao longo do dia, Obama chegou ao número mágico com a vitória em Montana. A festa da vitória foi bem no terreiro deles. A escolha do lugar foi deliberada: em Minnesota, onde o Partido Republicano realizará sua convenção em setembro para confirmar John McCain como seu candidato, Barack e Michelle Obama reuniram 20.000 pessoas. Foi um momento inédito, mágico da política. Quando a possibilidade soa como um átimo, esse átimo merece a eternidade. O discurso de Barack, dedicado a unir o partido, foi recheado de longos elogios a Hillary Clinton.
Sabia-se que não haveria discurso de concessão de Hillary. Não é do estilo dela reconhecer que perdeu. Ao longo destas primárias, nem uma única vez Hillary Clinton felicitou Barack Obama por suas vitórias. Ao longo da campanha, nem uma única vez Barack Obama deixou de parabenizar Hillary por seus triunfos, incluindo-se aqui o de Dakota do Sul na noite passada. Nessa singela diferença, já fica nítido que separou as duas campanhas.
Mas ninguém esperava o patético e lamentável espetáculo que foi o discurso presenciado por algumas centenas de pessoas no porão de Baruch College, em Manhattan, lugar deliberadamente escolhido por não ter televisões nem possibilidade de sinal para celulares ou Blackberries, de tal forma que ninguém se inteirasse de que o mundo já havia reconhecido Barack Obama como o candidato do Partido Democrata. Para começar, o chefe de campanha Terry McAuliffe – como é possível que em algum país da América do Sul ainda exista gente inteligente acreditando ser feminista uma campanha dirigida por Terry McAuliffe? -- anuncia Hillary com a seguinte pergunta: Vocês estão prontos para a próxima presidente dos Estados Unidos? Sim, eles vivem no universo paralelo. No discurso de Hillary, nem uma única palavra de reconhecimento da vitória de Obama. Depois, a estranhíssima frase I won't be making any decisions tonight, como se houvesse alguma decisão a tomar. Para completar, a repetição patológica de que ela é a melhor candidata (tudo ao som de “Simply the Best” de Tina Turner) e a martelada esquizofrênica de que ela “teve mais votos” -- bizarra matemática à qual eles chegam excluindo os estados que usaram assembléias em vez de cédulas. E excluindo os estados que começam com I e com M. E excluindo os estados de três sílabas. E excluindo não sei mais qual estado no malabarismo de Mark Penn. É como se o Vasco, depois de ser derrotado pelo Flamengo na decisão estadual, decidisse comprar uma taça no armazém da esquina e desse a volta olímpica em torno de São Januário. É inacreditável.
Como sabem os leitores deste blog, eu acompanho política bem de perto. Acho que nunca disse desde quando. Pois bem, é desde a gloriosa campanha de Sandra Starling ao governo de Minas, pelo PT, em 1982, na qual cumpri algum papel, como sabe ela. Nunca, na minha vida, vi uma campanha tão sem classe, tão baixa. Até a manhã de ontem, eu era dos que ainda acreditavam ser possível uma chapa Obama / Hillary. A partir de ontem à noite, juntei-me às centenas de milhares de eleitores norte-americanos que já enviaram mensagens a Barack: Hillary, de jeito nenhum. É fundamental para a democracia americana que se acelere a decadência de um clã que não soube ajustar-se ao bonde da história. É uma dinastia responsável por dois mandatos presidenciais bastante bons (e, em comparação retrospectiva com os anos Bush, melhores ainda), mas que infelizmente não soube cair com dignidade. Chegaram ao final chamando jornalistas de "scumbag" (dou o prêmio para a tradução mais criativa do insulto) por matérias verídicas e recheadas de fontes. Meu amigo Pedro Dória, que é consideravelmente mais moderado, cauteloso e elegante que eu para expressar desgosto, não resistiu e disse: É incrível. Ela não larga o osso.
Pois agora vamos à luta contra os responsáveis pelo desastre que os EUA criaram para si e para o mundo nestes oito anos. Vamos, de preferência sem Clintons na cédula. A unidade do Partido Democrata se dará por outras vias. Não é digna da vice-presidência de Obama uma candidata que se recusa a reconhecer a derrota, pede a seus eleitores que mandem emails com sugestões sobre o que fazer e enviem contribuições para que ela saia do buraco financeiro em que se meteu, enquanto dá sinais de que está interessada na vice-presidência, mas também sinaliza que não a aceitará e que não admitirá que o cargo seja oferecido a outra mulher. Essa é a heroína feminista que não é apoiada por NOW, nem por NARAL, nem por MoveOn.org, mas que algumas sul-americanas mal informadas insistem em coroar como a herdeira da luta das mulheres dos anos 60. Nós, eleitores americanos democratas, poderíamos estar festejando unidos agora. Mas estamos muito ocupados decidindo qual é a melhor estratégia para evitar que esse clã vingativo e ressentido nos destrua. A tática agora é aquela que tenho certeza ser conhecida do meu amigo Marco Weissheimer: chega de articulação. Queremos bater chapa.
Este eleitor americano já se juntou ao movimento que defende a extraordinária mulher Kathleen Sebelius, governadora de Kansas, para a vice-presidência na chapa do possível primeiro presidente negro da história dos Estados Unidos. Estou otimista. Moderadamente otimista, como bom atleticano já calejado por tragédias. Mas acho que dá. As pesquisas de opinião decidirão se o Biscoito transmitirá de Missouri ou da Flórida no dia 04 de novembro. Louisiana é deles, apesar da lavada que lhes daremos em New Orleans.
Atualização: Vejam se faz sentido tomar Hillary como vice. Seus porta-vozes já iniciaram a pressão para que ela seja escolhida, mas seu chefe de campanha continua dizendo que ela venceu. Como lidar com esse povo?
Atualização II: Aí vai uma pequena amostra da revolta entre os democratas.
Atualização III. Do venerável Rude Pundit: chamar Hillary para VP é como convidar a raposa para tomar conta do galinheiro (ou qualquer outra tradução criativa que você encontre para family of lemurs inviting a boa constrictor over for dinner).
Escrito por Idelber às 03:11 | link para este post
| Comentários (75)
#1
Caro professor,
Eis uma boa nova, hein? Fiquei sabendo pelo boletim da Radio BBC 1 e vim conferir seus comentários sobre o assunto. Tens razão: Mrs. Clinton está batendo pino, caramba. Será possível que ela não tem senso de ridículo, pelo menos?
O discurso do Sen. Obama é uma dessas coisas para gravar, imprimir, guardar no arquivo. Reparou que ele não disse o pronome "eu" nenhuma vez? Compare com o discurso da Hillary, em que o pronome que mais aparece é justamente o "me". Se isso não mostra a diferença entre os dois, sei lá eu o que mostra!
Quanto ao/à vice, estou torcendo para o John Edwards entrar na chapa como VP. Kate Sebelius também me parece uma boa pedida, pelo que li sobre ela. Mas, seja lá quem for, faço minhas a assinatura de email de uma grande amiga minha, norte-americana do belo Estado do Maine: "Obama ABC - Anybody But Clinton!".
Anna C. em junho 4, 2008 4:09 AM
#2
Anna, mais uma vez, você foi na mosca: uma análise puramente gramatical, do uso do pronome de primeira pessoa do singular, já nos dá a medida do que é a campanha de Hillary.
John Edwards seria um excelente VP.
Mas eu adoraria, mais ainda, que Obama o nomeasse para Advogado Geral da União (Attorney General). As corporações tremem só de ouvir falar de Edwards para Attorney General.
Idelber em junho 4, 2008 4:17 AM
#3
Eita, essa de "sul-americanas mal informadas" foi forte, hehehe.
Ótimo post, como habitual. O discurso de aceitação do Obama foi uma das peças de retórica mais impressionantes que eu vi em toda a minha vida. De emocionar mesmo.
Marcus em junho 4, 2008 5:12 AM
#4
O Marcus tem razão: o discurso de aceitação dele foi impecável. Junte com o incrível discurso que deu na Convenção Democrata de 2004 e aí a gente sabe porque o cara conseguiu bater o esquema mafioso dos Clinton. 40 anos depois de 1968, talvez estejamos pertos de dizer que a imaginação pode chegar ao poder nos EUA.
Por falar em, 1968, você viu a Hillary falar que a campanha não estava decidida, pois em 1968, Bobby Kennedy foi assassinado em julho? Caramba, o que foi aquilo? Ato falho?
Cesar em junho 4, 2008 5:46 AM
#5
Excelente texto! Excelente!
Gravatai Merengue em junho 4, 2008 6:23 AM
#6
Idelber,
Ótima análise, como sempre.
Quanto à questão do Vice, outra boa opção seria o Jim Weeb. O problema com ele é que é meio estourado...
Luiz em junho 4, 2008 8:40 AM
#7
Idelber, traduzir "scumbag" como saco de lixo seria muito fácil e pouco criativo...
...vou arriscar um "sacola de escórias", esperando que, caso vença o concurso, você me envie o seu "the letter of violence" (será que você trouxe algum a BH?
rsrsrs...
abraço!
Jason Manuel Carreiro em junho 4, 2008 8:45 AM
Milton Ribeiro em junho 4, 2008 8:47 AM
#9
Que sujeito desrespeitoso e grosseiro esse Alexandre, heim. E que texto recheado de argumentos o dele. Lamentável.
Cláudio Freire em junho 4, 2008 8:49 AM
#10
Beleza, venceu a semi-final.
E a final? Ele tem força para vencer?
Esperemos que sim.
MarcosVP em junho 4, 2008 8:50 AM
#11
Legal o texto. Mas tinha que meter o Vasco perdendo estadual para a escumalha?
Mauro Gabriel em junho 4, 2008 9:03 AM
#12
Hillary tem mais é que tomar o rumo de casa. Viva Obama!
Rodrigo em junho 4, 2008 9:05 AM
#13
Tudo bem incensar a candidatura de Obama, demonizar Hillary e tal. Mas vamos ser fiéis aos fatos. O discurso do democrata ontem teve, sim, importantes referências ao pronome "eu" (o que também não quer dizer nada, diga-se de passagem):
Obama Claims the Democratic Presidential Nomination
The Washington Post | June 03, 2008
By Chris Cillizza
Sen. Barack Obama claimed the Democratic nomination for president in a speech in Minnesota tonight -- an historic achievement that for the first time will place an African American at the top of a major political party's ticket.
"Tonight I can stand here and say that I will be the Democratic nominee for President of the United States," Obama declared in his speech to a raucous crowd at the Xcel Center in St. Paul.
Read the full article from The Washington Post
Pedro Teles em junho 4, 2008 9:12 AM
#14
Idelber, e quanto à Nancy Pelosi? O nome dela não está no páreo? Não seria um bom nome também?
A família Obama deveria impedir de qualquer maneira a Hillary como vice. Essa mulher não é flor que se cheire...
Abraço, e parabéns pelo post!
Sidarta em junho 4, 2008 9:35 AM
#15
Bacana ver uma Democracia funcionando!
Para os EUA, se confirmado Obama como presidente,
novos horizontes serão atingidos. Parabéns.
Quando haverá Democracia em nosso país? Quando o poder executivo conseguirá gerir o país sem o volume exagerado e excesivo da famigerada 'medida provisória'?
Paulo em junho 4, 2008 9:42 AM
#16
Pedro Teles - Acho, sinceramente, que se Colin Powell não tivesse sido carbonizado por Bush e pelos neo-cons ele teria sido escolhido como candidato dos republicanos. Mas isso faz parte da história agora.
Mas na verdade, são dois grandes candidatos. Será uma ótima eleição. Infinitamente melhor do que as duas últimas.
Todos ficarão felizes em ver Bush indo embora da Casa Branca. Até mesmo um liberal-reacionário com eu acho isso. Endosso as palavras de Idelber sobre Bush e sua gang.
Pablo Vilarnovo em junho 4, 2008 10:05 AM
#17
Se aceitar ela como vice passara a historia com um presidente, sem pulso, e sera tutelado dentro da Casa Branca.
joao albuquerque em junho 4, 2008 10:19 AM
#18
scumbag é traduzido como escória nas melhores casas editoriais
tiago mesquita em junho 4, 2008 10:52 AM
#19
Yesssssssssssss!!!
A Clinton não larga o osso... Pirou!?
Izabella em junho 4, 2008 10:52 AM
#20
Após o atentado contra as torres em 2001, se alguém dissesse que dali a 07 anos o candidato a presidência americana seria um negro e de nome Obama ( com chance real de vencer a eleição ), quem acreditaria?
O mundo está mudando rapidamente.....
Anon em junho 4, 2008 10:52 AM
#21
Anon a mudança é necessária o mais rápido possível, já andou de marcha ré.
Idelber, será que ele vai convidar a Hillary para VP?
Izabella em junho 4, 2008 10:54 AM
#22
escória, escória, está excelente a tradução. É isso mesmo. Valeu, Tiago.
Idelber em junho 4, 2008 11:07 AM
#23
Desculpe, Jason, só agora vi que você também tinha acertado uma boa tradução.
Infelizmente, não trouxe nenhum exeemplar do Letter of Violence para BH....
Idelber em junho 4, 2008 11:11 AM
#24
"Hillary, de jeito nenhum"
faço parte dessa campanha faz tempo...
Izabella em junho 4, 2008 11:24 AM
#25
Êta ferro, que bela análise. E ter a Hillary como vice é dar um tiro no pé. Já imaginaram o Obama numa campanha tendo ao lado essa mulher rancorosa, egocêntrica, que achava que seria escolhida por direito divino por ter o sobrenome Clinton, alucinada pelo poder mas cujo armário não cabe um esqueleto a mais??? O Obama não ia ter o sossego necessário para enfrentar o McCain...
Carlos Jansen em junho 4, 2008 11:32 AM
#26
eu não entendo clã...como um casal pode constituir um clã?
eu em junho 4, 2008 11:39 AM
#27
Ainda primando pela tentativa de ser criativo, e ignorando a opção das "melhores casas editoriais", eu traduzo, agora, (tendo em vista o prêmio) SCUMBAG como SAQUINHO DE ESCÓRIAS.
rsrsrs...
; )
Jasão em junho 4, 2008 11:48 AM
#28
Mauro, eu juro que teria preferido dizer o contrário. Mas depois de tantos desgostos que o Vascão já nos deu contra o time chapa-branca nos últimos tempos, teria ficado meio inverossímil, né?
Cláudio, esse Alexandre já é parte do folclore do blog. Ele deixa uns insultos aí, tem uns minutos de fama, depois a gente apaga. Tranquilo.
Sidarta, Nancy Pelosi também é um nome. A questão é que ela cumpre um papel importante no Congresso, e vem de um estado, a Califórnia, que já é favas contadas para os Democratas. Melhor tentar alguém de um "swing state".
Idelber em junho 4, 2008 12:30 PM
#29
È isso aí Idelber, vota lá por nós!
Fora John "no pain, no gain" McCain!
Esse aí não engana ninguém!
Acho que a Hillary daria uma boa ministra da Saúde... Ou do Turismo!
Mas colocar ela ali na Casa Branca (os VPs trabalham na Casa Branca?) é no mínimo temerário.
E se ela lembrou do Bob Kennedy, é melhor o Obama andar de papamóvel até a convençao!
O discurso dele promete, mas convenhamos que é difícil mudar radicalmente os "esteites" depois dos anos Bush, mas se ele desfizer a maior parte do estrago e criar condiçoes para uma continuidade de governantes menos nefastos, pra mim já tá de bom tamanho. Pelo bem dos nossos filhos!
Falar neles, vamos combinar uma ida ao festival de teatro de bonecos!
Leo Vidigal em junho 4, 2008 12:49 PM
#30
Vascão? Esse é o próximo da lista no "inferno da Pampulha" - nele até agora são 100% de aproveitamento!
Leo Vidigal em junho 4, 2008 12:50 PM
#31
Pela primeira vez na minha vida vou elegir alguem que nao seja republicano. E tambem a primeira vez desde 1976 que nao tem um Bush ou Clinton como candidato de presidente o vice-presidente.
Dos candidatos de vice-presidente, acho que Obama deve ter muito cuidado. A idea de ter um presidente negro com uma vice-presidente mulher e boa idea, mais o povo poderia reaccionar mal a "tantos cambios." Acho que por agora seria melhor que Obama escolhera um vice-presidente como John Edwards. Nao quermos perder a John McCain por asustar ao povo. Um paso á vez tem um chance melhor. No es justo, pero es la actualidad de la situacion. Nancy Pelosi would alienate lots of moderate voters.
I need to practice my Portuguese.
Mac Williams em junho 4, 2008 2:14 PM
#32
eu, mas é claro que um casal pode ser um clã. Basta ter uma renda de mais de 100 milhões de dólares anuais, controlar parte significativa da máquina de um dos maiores partidos políticos do mundo e desenvolver uma estratégia baseada no "aos que obedecem, recompensas; aos outros, guerra total".
É a definição de clã, me parece.
Idelber em junho 4, 2008 2:41 PM
#33
Idelber, o discurso dela foi o anti-climax. bom, ao menos acaba o monopolio de duas dinastias na Casa Branca há mais de 20 anos(Bush e Clinton).
Serbão em junho 4, 2008 2:53 PM
#34
Idelber,
Excelente post sobre uma notícia melhor ainda. O desgaste acabou, McCain terá que encontrar outros meios.
Fico feliz em sair desta falsa percepção de que norte americanos não se mobilizam em eleições. Meu momento particular, o fenômeno Obama e outras variáveis, me levaram a acompanhar mais de perto o processo norte americano e não me arrependi.
Fiquei curioso com uma coisa nos seus comentários. Por que o senador John Edward faz as corporações tremerem?
Abraços!
P.D.: Tenho uma boa novidade para você, durante sua visita aqui no Chile. Logo te mando um e-mail sobre o assunto.
Márcio Pimenta em junho 4, 2008 3:19 PM
#35
Jasão, deixa de ser pidão!
Editor do Idelber em junho 4, 2008 3:28 PM
#36
"Idelber, o discurso dela foi o anti-climax. bom, ao menos acaba o monopolio de duas dinastias na Casa Branca há mais de 20 anos(Bush e Clinton).
Serbão em junho 4, 2008 2:53 PM"
É uma das coisas que eu não entendo que acusam Hilary, por favor, vocês Obamistas me respondam:
Não era de senso comum entre os democratas que o governo Clinton foi um bom governo?
O que, de uma hora para outra, vocês colocam os Clinton no mesmo nível dos Bush?
Pablo Vilarnovo em junho 4, 2008 3:30 PM
#37
Márcio, John Edwards é um advogado que tem uma história de vencer causas contra grandes corporações advogando em nome de trabalhadores. Para o grande capital, é o Satã personificado.
Idelber em junho 4, 2008 3:35 PM
#38
Pablo, o Serbão não colocou os Clinton no mesmo nível dos Bush. Só disse que são duas dinastias. E são mesmo.
E os governos Clinton foram, sim, bons governos. Os números estão aí: emprego quase pleno, economia funcionando, paz, prosperidade.
O problema foi depois: a forma como se comportaram na campanha. E enfatizo o verbo no plural, porque Bill, nesta campanha, foi um desastre atrás do outro.
Idelber em junho 4, 2008 3:38 PM
#39
Estarei em Belo Horizonte na semana que vem. Agora eu quero saber o prêmio. (RA!)
tiago mesquita em junho 4, 2008 5:09 PM
#40
Opa, direito de resposta!!! (hehehehehehe)
Pablo,é só recapitular : em 1988 George Bush , o Pai, foi eleito. ficou até 92, sendo sucedido pelo Bill Clinton, o presidente preferido em 11 de 10 estagiárias do país. foram dois mandatos , depois seguidos por mais dois de George Bush, o Limítrofe.
numa hipotética eleição de Hillary, seriam no mínimo mais 4 anos com a Casa Branca apenas nas mãos de duas famílias.
sem emitir juízo de valor sobre os governos Bush e Clinton, só acho estranho numa democracia importantíssima como a dos EUA o cargo mais importante do Executivo ficar mais de 20 anos nas mãos de apenas 2 famílias.
é isso...
Serbão em junho 4, 2008 5:12 PM
#41
Tiago: Três Bohemias pagas pelo blogueiro.
Tô falando sério: se estiver em BH, é só avisar.
Idelber em junho 4, 2008 5:17 PM
#42
Ok, Idelber, é verdade. Peço desculpas ao Serbão.
Mas há de concordar que pelo menos no início de campanha Hilary apanhou feio, principalmente da imprensa e sem muitos motivos.
Há de concordar, também, que um dos motes de campanha de Obama frente a Hilary sempre foi "mudança". Ora, se como você bem reconheceu, o governo Clinton não foi ruim (mesmo porque se aproveitou e muito das medidas de Reagan), então fica a pergunta: "porque mudar?".
Pablo Vilarnovo em junho 4, 2008 5:17 PM
#43
Como são diferentes os relatos sobre os fatos de ontem eu peço meus sais.
Enquanto o professor Idelber expôe feridas abertas no campo democrata por conta da violência da campanha, a Globo, agorinha mesmo, disse que a chapa dos sonhos dos americanos é Obama-Hillary.
E o pior. A Míriam Leitão - "O impressionante discurso de Hillary Clinton começou exatamente do ponto em que devia começar: cumprimentando a vitória de Barack Obama, e lembrando que ele está fazendo história. E dizendo que tinha orgulho de ter disputado com ele a primária."
O professor Idelber - " No discurso de Hillary, nem uma única palavra de reconhecimento da vitória de Obama. Depois, a estranhíssima frase I won't be making any decisions tonight, como se houvesse alguma decisão a tomar."
helena em junho 4, 2008 5:54 PM
#44
mano blogueiro,
tenho grande simpatia por Obama - publiquei no meu blog um discurso dele - mas vejo com moderadíssima esperança a gestão dele se eleito presidente.
Não espero nada para o Brasil, mesmo pq o Brasil não precisa tanto dos EUA.
Mas espero - ainda que descrente - uma ação constgrutiva dele para com a Venezuela, o Equador, a Bolívia, Cuba, Haiti, e uma ação severa para com Uribe.
Tomara.
Paz e bom humor, sempre.
Walmir em junho 4, 2008 5:57 PM
#45
Cara Helena, eu lhe agradeço a oportunidade de explicar. A Miriam Leitão está completamente equivocada.
Hillary disse, textualmente: I want to start tonight by congratulating Senator Obama and his supporters on the extraordinary race that they have run. A íntegra do discurso está aqui.
"Congratulate him/her on the race they have run" é, em inglês norte-americano, o jargão por excelência utilizado pelo vencedor para ser magnânimo e elegante com o perdedor. Ou seja, Hillary não deu parabéns a Obama pela vitória coisa nenhuma. Ela falou como se tivesse ganhado. Ela não reconheceu a vitória de Obama. Caramba, o seu chefe de campanha apresentou-a, antes do discurso, como a próxima presidente dos EUA!
Não foi um discurso de concessão. E de "impressionante" ele só teve o cinismo, o narcisismo, o egocentrismo e a disposição de pôr a perder a possibilidade de uma vitória democrata.
Idelber em junho 4, 2008 6:04 PM
#46
Cara Helena, mais uma coisinha sobre a questão da "chapa dos sonhos":
Essa chapa é dos sonhos só se for para a metade Republicana do país. Como entendem os fãs de futebol, a expressão "dos sonhos" às vezes só significa que se trata de duas (ou mais) figuras fortes. Por exemplo: o "ataque dos sonhos" do Flamengo, com Romário, Sávio e Bebeto, foi um desastre. O "time dos sonhos" montado pelo Galo em 1994, só com jogadores de Seleção Brasileira, foi outro desastre. Hillary é forte, teve 18 milhões de votos. Daí a expressão "dos sonhos'.
Hillary chegou a dizer, por exemplo, que ela e McCain oferecem experiência, Obama oferece discursos. Chegou a dizer que ela e McCain estão prontos para ser Comandantes-em-Chefe, Obama não (fonte). Como é possível que Obama a tome como vice? Só se for para os Republicanos deitarem e rolarem tocando essa fita o outono inteiro.
Não, não é chapa dos sonhos de nós, Democratas. Até Jimmy Carter já disse a Obama que Hillary como vice não dá.
Idelber em junho 4, 2008 6:15 PM
#47
Pablo, vc pergunta pq mudar??
Porque surgiu um senador pelo estado de Ilinois, Barak Obama, carismático, tem uma trajetória de vida que emociona, nasceu pobre, em Honolulu (Havaí), filho de uma estadunidense com um queniano, estudou muito, foi sempre primeiro da classe, estudou direito em Harvard e depois de formou-se em Ciência Política.
É o terceiro negro a se eleger senador em toda a história dos EUA. Enfim, é um lutador. De fala mansa e encantadora, Obama foi se mostrando um candidato competitivo seus discursos me emocionam ele fala com o coração.
E como escreveu Jorge Pontual "Se for Obama contra McCain, vai ser a escolha entre o futuro, uma América mulata e aberta ao mundo, e o passado, a América branca e revanchista, fechada à renovação."
Izabella em junho 4, 2008 6:18 PM
#48
Professor, como diria o Chaves: suspeitei desde o princípio.
Sempre grata pelo blog.
Helena em junho 4, 2008 6:37 PM
#49
Professor, como diria o Chapolin: suspeitei desde o princípio.
Sempre grata pelo blog.
Helena em junho 4, 2008 6:37 PM
#50
Reporte halográfico!
Obrigado.
Josué
josué em junho 4, 2008 6:42 PM
#51
Alegria geral com a candidatura de Obama. Mas Hillary nao larga o osso mesmo e nao se manca. Acabo de ler na CNN que ela diz que vai terminar a campanha ate' o final da semana. Porque nao ontem apos os resultados e a leva de gente que declarou apoio oficial a Obama? O que vcs acham que ela ganharia com esse tempo? Penso que ganharia mais manchetes e talvez exercer mais pressao para VP? Acho loucura uma chapa Obama e HC. E alem do mais Obama nao precisa disso.
A proposito, Idelber, estamos em BH ate' o fim de Agosto com bebe e tudo o mais; mas sempre prontos para uma cervejota no Balaio de Gato. Que tal?
Grande abraco,
Leticia.
Leticia Marteleto em junho 4, 2008 9:02 PM
#52
Letícia, demorou! Escrevo para vocês e armamos algo quando vocês puderem. Abração para ti, Fernando e bebê :-)
Idelber em junho 4, 2008 9:17 PM
#53
Resposta rapidinha ao Pedro Teles, cuja objeção ficou sem resposta.
Número de ocorrências do pronome pessoal de primeira pessoa eu (I) no discurso de Obama: vinte e quatro (a maioria na condição de sujeito de verbos como "agradecer", "homenagear", "honrar")
Número de ocorrências do pronome pessoal de primeira pessoa eu (I) no discurso de Hillary: sessenta e três.
Idelber em junho 4, 2008 9:47 PM
marcos em junho 4, 2008 9:55 PM
#55
SACOLA DE PORCARIAS!
(tradução excessivamente livre, certamente será recusada por todas as melhores casas do ramo. Provavelmente pelas piores também.)
****
Desde as misteriosas eleições do Bush Jr. que eu acho que todos os cidadãos do mundo deveriam ter participação na eleição americana. São só os estadunidenses que escolhem o presidente, mas é o mundo inteiro q sofre as consequências. No caso de George W. "Scumbag" Bush, isso ficou bem patente. O mundo inteiro piorou com a passagem do estrupício pela Casa Branca.
****
Qual é a história da cena-da-mala?
Daniel Araujo em junho 4, 2008 10:20 PM
#56
estarei, avisarei e nós dividimos as cervejas
abração
tiago mesquita em junho 5, 2008 12:29 AM
#57
estarei, avisarei e nós dividimos o preço do que bebbermos
abração
tiago mesquita em junho 5, 2008 12:29 AM
#58
Eba, venham mesmo pra SP. Eu vou estar fora daqui uns poucos dias, assim que souber quais serão, passo minha agenda pra vcs, pq não dá pra perdê-los - de novo - aqui.
Eu vim aqui só pra te perguntar sobre o vice, mas vc repsondeu antes :o)))
E a história do clã, genial, genial.
fal em junho 5, 2008 1:05 AM
#59
Marcadíssimo, Fal, lá pelo dia 10 de julho chego por aí.
Idelber em junho 5, 2008 2:11 AM
#60
Bem, Obama me parece o "mais querido" hoje entre o "eleitorado" brasileiro.Mas tenham certeza:
Obama não vai olhar com mais amor do que seu antecessores para a população dos EUA.
Obama naõ deixará sempre de pedir permissão ao capital norte americano para governar.
Obama não deixará de ficar de costas para a America latina( do sul em particulhar).
Obama bvai continuar a mimar Israel e suas forças armadas.
Obama não vai acabar com esse teatro hipócrita de "Guerra contar o terrorismo".
Obama não vai tirar suas tropas do Iraque ou do Afeganistão(aonde andam apanhando feito cachorro sem dono).
Obama não deixar de puxar o saco da comunidade judaica norte amaericana(a verdadeira elite)(creiam essa foi mais por veneno!).
Enfim será mais e mais do mesmo.
Guantanamo ,aquela vergonha enorme e inadimissivel estará lá ,ainda por muitos anos, humilhando a ONU, os direitos humanos e a soberania de Cuba.
AH!....SIM ! Cuba será maltratada como sempre!
É esteio para momentos dificeis.....um factóide diáriamente a disposição para despistes e oportunas mudnaças de assunto.
VIVA OBAMA....e o mundo continuará a mesma josta!
HRP FAST Reloaded em junho 5, 2008 12:18 PM
#61
É bem-vindo o seu realismo e o seu pé no chão, HRP Fast Reloaded. Acho que algumas frases aí são mais verdadeiras que outras.
Acredito que Guantánamo ele fecha, sim. E retirar o exército do Iraque é um compromisso de campanha. Com a imensa impopularidade da guerra, não haveria por que não fazê-lo.
Agora, quanto a mimar Israel e pedir permissão ao grande capital para governar, bem, aí é nítido que você tem razão mesmo.
Some things never change...
Idelber em junho 5, 2008 12:30 PM
#62
Izabella - Se há uma coisa em que respeito muito o Obama é justamente o fato de ele não ficar se escondendo atrás de sua trajetória de negro-pobre-coitadinho-que-virou-vencedor.
Ter fala mansa e encantadora nunca fez de ninguém ser uma escolha para presidente, muito menos ter sido pobre. Não são esses parâmetros, que pelos menos eu, procuro.
Desculpe a palavra, mas estou "cagando" se o sujeito é preto, amarelo, roxo, lilás, cor de rosa. Se é pobre ou rico (até porque Obama, assim como todos que sentam no senado americano, não é nenhum pobrinho). Os parâmetros são outros. Éticos, morais e programáticos.
Sobre a afirmação de Jorge Pontual: desculpe mas é a coisa mais ridícula do mundo. E foi justamente desse tipo de comparação estapafúrdia que Obama fugiu, com sucesso, em sua campanha.
Onde gostaria de lembrar que o eleitor de Obama não é o "povão" americano, sim a elite democrata.
Pablo Vilarnovo em junho 5, 2008 2:49 PM
Paulo Duarte em junho 5, 2008 2:51 PM
#64
Caro Pablo Vilarnovo, se os parâmetros são éticos, morais e programáticos, então isso justifica ainda mais porque mudar e votar em Obama, a legitimidade do triunfo de Obama é inatacável , respeitou todas as regras do jogo, não foi corrupto, não afastou ilicitamente adversários, não comprou votos,limitou-se a fazer campanha, a seguir os regulamentos e no fim venceu segundo as regras definidas pelo partido, obtendo mais delegados do que a sua adversária, mais limpo que isto não há.
Não acha?
Izabella em junho 5, 2008 5:53 PM
#65
Mais uma coisa a questão racial não deve ser deixada de lado. 20% dos eleitores nas primárias do Kentucky disseram que não votaram em Obama por ele ser negro. O voto racista ainda é, infelizmente, uma realidade nos EUA Ele é um lutador e por isso merece a vitória.
Izabella em junho 5, 2008 5:57 PM
#66
eu nao gosto muito da NOW. Mas. Ela reviu posiçao. Chegou até a pressionar pelo tapetão de recontar voto/validar estados. Enfim.
mary w em junho 5, 2008 6:10 PM