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sexta-feira, 20 de junho 2008
Sobre patriotismo e seleção
Ontem, durante o programa de rádio que fiz na Identidad FM, Alejandro Horowicz e Elsa Drucaroff me olharam atônitos quando eu disse que não poucos brasileiros torceram (ou pelo menos declararam ter torcido) pela Argentina, contra o Brasil, na final da última Copa América. Há 20 anos isso teria sido impensável, mas é fato que a secação vem se tornando comum. Nós nos vemos cada vez menos representados pela camiseta amarela. Ricardo Teixeira, Nike, a banalização da Seleção com jogos caça-níqueis, a compreensível falta de interesse de jogadores que já estão instalados no mercado europeu e não precisam da Seleção como vitrine, a piada de mau gosto que é ter Dunga como técnico: tudo isso, junto, vai minando qualquer veleidade patriótica no futebol. Na sua genial coluna de hoje (para assinantes) na Folha, Xico Sá afirma que a conquista da Copa em 1994 foi a pior coisa que poderia ter acontecido ao nosso futebol. Teria começado ali, segundo o galã cearense-pernambucano, o dunguismo, a doença infantil do teixeirismo. Eu completo o insight de Xico com o seguinte comentário: a segunda pior coisa que nos aconteceu foi ter vencido a Copa América dando aquele espírita e improvável baile de 3 x 0 na Argentina, numa competição que os hermanos haviam dominado com um futebol eficiente e vistoso, e a cuja final nós chegamos capengando, praticando um ludopédio dunguístico, grotesco.
No Impedimento, o Milton Ribeiro escreveu um excelente texto (que gerou uma ótima discussão nessa que é das melhores caixas de comentários da blogosfera) defendendo a secação da Selecinha, basicamente com o argumento de que uma hecatombe – do tipo ficar fora da Copa – poderia produzir algum saculejo positivo no barraco do nosso futebol. Estou com o Milton. Raramente consigo torcer contra o Brasil, mas não é por falta de vontade. Enquanto continuarmos ganhando essas Copas América com uma mescla de sorte, lampejos individuais, ajudas dos árbitros e medo dos adversários, ainda haverá Teixeiras e Dungas para tapar o sol com a peneira. Quando um jogador medíocre como o lateral Gilberto tem a cara-de-pau de dizer, depois do último Brasil x Argentina, que o problema é que a Argentina vem jogar no Brasil e eles aplaudem o Messi (omitindo o fato de que Messi foi aplaudido aos 40 do segundo tempo, depois de outra horrorosa apresentação do escrete), é porque o insulto ao torcedor já virou moeda corrente, ao que qualquer cabeça-de-bagre pode recorrer. Aqui, não há como esquecer dos ilustres antecessores de Gilberto, naquela que eu considero a cena mais grotesca, melancólica e deprimente da história do nosso futebol: a comemoração da conquista de 1994, com jogadores, técnico e coordenador segurando a taça e insultando seus compatriotas jornalistas e torcedores com palavras de baixo calão. O adequadíssimo coroamento foi o tráfico de três aviões de muamba vindos dos EUA, sobre os quais não se pagou imposto de alfândega por imposição da CBF, com o argumento de que “a Seleção havia dado uma alegria ao povo”.
Sinceramente, não tenho paciência para aulas de patriotismo de quem vem dizer que a tarefa do brasileiro é apoiar a Seleção incondicionalmente. Se quiser apresentar esse argumento aqui, leitor, fique à vontade, mas não há qualquer chance de eu levá-lo a sério.
Em tempo: pela primeira vez desde o início das Eliminatórias por pontos corridos, o Brasil está fora da zona de classificação para a Copa. Pela primeira vez em sete anos, perdemos dois jogos seguidos. Pela primeira vez em 18 confrontos, perdemos para a Venezuela, que nunca havia conseguido sequer um empate contra o Brasil. Há 300 minutos o Brasil não marca um gol.
PS: Não deixem de conferir essa sensacional montagem mostrando como o jornalismo esportivo pode ser besta. É sobre a Argentina, mas poderia se aplicar perfeitamente ao Brasil também.
Escrito por Idelber às 05:47 | link para este post
| Comentários (66)
#1
ih idelber, ha horas que eu torço pra argentina. sinto muita falta daquele futebol raçudo do brasil. ainda lembro do fiasco que foi a eliminaçao da ultima copa, quando o henry marcou o gol enquanto o "estrela" roberto carlos ajeitava a meia.
o pior de tudo eh que nao eh soh o futebol da seleçao que enche o saco, a forma como a globo e as outras emissoras tratam qualquer time fora do eixo rj-sp fazem com que eu nao tenha vontade de assitir ao campeonato brasileiro.
por aqui to acompanhando a eurocopa. dah gosto ver a alemanha ou a holanda jogando. que saudade desse futebol lah nos tropicos!!!
abraçao
fabiana em junho 20, 2008 7:32 AM
#2
Ih, meu caro Idelber, sou obrigado a te confessar uma coisa: eu fiquei puto - mas muito PUTO - quando vi os jogadores da Seleção Brasileira reclamando dos aplausos que o Messi - um atleta de reconhecida e merecida fama internacional - recebeu. Imagino que se fosse o contrário (um atleta brasileiro sendo aplaudido na Argentina) ninguém iria reclamar. Mas, o que se há de fazer, né? A grande verdade é que um dos sintomas do Dunguismo e do Teixerismo é a arrogância e o mimo sem limites que atinge dirigentes e jogadores. Pô, os atuais boleiros não aceitam nenhuma critica e ainda por cima acham que jogam mais bola que a geração de atletas que os antecederam, cacete! Dom Ricardo Terra I acredita piamente que as duas últimas Copas do Mundo conquistadas pelo escrete se devem a sua maravilhosa administração na CBF, caracoles! Assim não dá, assim não pode!
Cláudio Roberto Basilio em junho 20, 2008 8:15 AM
#3
"Torcer pra seleção brasileira" e "patriotismo" não estão relacionados em ABSOLUTAMENTE NADA.
:: ultranol :: em junho 20, 2008 9:04 AM
#4
O Gilberto queria que a torcida aplaudisse quem? Ele? Finalmente o torcedor brasileiro está abrindo os olhos e deixando o patrioteirismo de lado. Sim, pois o que vemos é "patrioteirismo" puro e simples. Patriotismo está muito acima de um joguinho de futebol e de uma Copinha do Mundo. A seleção NÃO É a pátria de chuteiras. A seleção de futebol representa O FUTEBOL brasileiro. Ponto final. Torcer pra essa seleção está difícil e como sou da opinião que nesta vida p/ tudo há uma primeira vez, acho que um dia o Brasil vai ficar de fora da Copa. Não sei quando, mas que vai, vai.. e eu vou gostar muito...
Carlos em junho 20, 2008 10:50 AM
#5
Idelber,
eu entendo o seu ponto, defendido também por alguns colegas meus. Mas eu discordo veementemente que a conquista de 94 foi uma desgraça por suas consequências maléficas. Nunca ganhar uma Copa pode significar um retrocesso para uma seleção, mesmo que essa conquista seja construída de forma tortuosa e não condizente com nossos altos padrões. Se assim fosse, as seleções seguintes seriam simples repetidoras do modelo-campeão de 1994. E não o eram, nos erros e acertos.
Também não concordo com o raciocínio político por trás da secação. Não creio que o desastre iria promover uma profunda mudança no futebol brasileiro. Esse processo deve ser construído "de baixo", por intermédio de alterações significativas na administração rotineira do futebol brasileiro e nas federações regionais. Uma hecatombe nuclear "em cima" não iria repercutir de forma duradoura por todo o mundo do futebol nacional. Seria apenas um desastre que nos jogaria em mais uma crise a demandar uma solução "mágica". Vide o ocorrido em 2006. O que aquele fiasco produziu de bom como lição? "Ah, vamos chamar um cara que mude a atitude da seleção". E aí?
Finalmente, eu acho que nenhum jogador pode reclamar de vaias de torcida. Muitos deles são incensados de forma hiperbólica pela imprensa e por torcedores também. Mas me reservo o direito de achar uma bobagem esse negócio de ficar aplaudindo jogador adversário e gritar olé pra argentino (estava no Maracanã em 98 quando isso aconteceu na derrota para os hermanos). Nunca vi isso acontecer em outros lugares, a não ser como reconhecimento de qualidade. Nunca como ironia e forma de protesto. Não acho que o problema seja "falta de patriotismo", até porque tenho medo do "excesso de patriotismo". Mas é simplesmente ineficaz como crítica.
Eu tenho um grande amigo rubro-negro que sempre se perguntava quando via a torcida do Flamengo vaiar seu próprio time com 15 minutos de jogo: "Tem um mundo de vascaínos, tricolores e adjacências para secar a gente e torcer fervorosamente pelo nosso fracasso. Por que vou me juntar a eles?".
João Marcelo em junho 20, 2008 10:53 AM
#6
Olhe, vendo a seleção literamente de bem longe (nove mil quilômetros é distante o suficiente, não?), só digo uma coisa: a situação está de dar nos nervos! Especialmente quando a gente compara nossa situação com a de outras seleções...
Exemplo: quando surgiu um escândalo na administração da F.A. (a CBF dos ingleses), vai fazer aí uns três, quatro anos (a memória não ajuda), o pessoal aqui só faltou comer o fígado da comissão técnica com batatas e couve-de-bruxelas. Foi uma revolução danada no esquema de coisas (OK, o English Team continua a mesma desgraça desde 2002, mas é que a matéria-prima não tem ajudado muito). Agora, vê se tem um filho de Deus no Brasil que topa brigar com a CBF nos mesmos termos que a imprensa daqui brigou com a F.A...
Vejam vocês que os britânicos tem uma expressão para designar um time de futebol que joga bonito: "it's just like watching Brazil". Seria muito triste ver esse tipo de admiração se perder. Ou, sei lá, ser transferida para a Holanda, que está massacrando todo mundo na Eurocopa... :(
Anna C. em junho 20, 2008 11:29 AM
#7
Idelber, quando a gente vê Julio Batista como armador da seleção, alguma coisa tá errada.
E a melhor imagem pra explicar este momento é a expressão parva e impotente do Dunga, à beira do gramado, como se estivesse fazendo um esforço colossal para ao menos entender o jogo.
Eu gostei muito deste artigo, escrito antes do jogo do Mineirão. Humberto Perón vem sendo um dos melhores comentaristas de futebol na minha opinião:
http://www1.folha.uol.com.br/folha/colunas/futebolnarede/ult868u413277.shtml
Serbão em junho 20, 2008 11:45 AM
#8
Idelber,
torcer contra é inimaginável. Pelo menos para mim. Eu não consigo. Sequer tentei. Mas concordo que a seleção atingiu um nível que deixa todos nós pra lá de putos. Mas sinceramente falando, se formos levar a ferro e fogo esse seu raciocínio e do Xico Sá, a pior coisa que aconteceu no futebol mundial seria a Copa de 70, que foi vencida de forma brilhante pelo Brasil e transformando o nosso futebol em sinônimo de arte, mas que por outro lado catapultou o João Havelange para a Fifa. Recomendo a leitura de um livro que fala não exatamente sobre a Fifa, mas da briga entre a Adidas e a Puma. De qualquer forma monstra como João Havelange usou do pior que há em nossa tradição política para ser eleito. E, como sabemos, João Havelange foi o responsável pelo Ricardo Teixeira e consequentemente por isso que o Brasil vive há um bom tempo. 2006 foi uma vergonha suprema. Aquela preparação já prenunciava o que o futebol estava cada vez mais se transformando em um mundo de celebridades. É só ver como os jogadores se vestem, falam, olham, andam...é tudo artificial, sem nada a acrescentar. O que fez mal ao futebol brasileiro mesmo foi a seleção de 82 ter perdido. Ali, para o bem ou para o mal, todos eram boleiros, na acepção da palavra mesmo, que para mim é gostar do ludopédio, sem frescuras. Era entrar em campo para mostrar que o futebol brasileiro era mesmo muito bom de se ver. Então a gente vai torcendo. Quem sabe um dia não aparece novamente um apaixonado pelo futebol.
Paulo em junho 20, 2008 11:52 AM
#9
por que torcemos pela seleção mesmo? por que somos representados nacionalmente? por que é a atividade brasileira mais admirada (pena que seja só por isso e mais carnaval)?
e agora, para apagar o fogo, vem o teixeira convocar o ronaldinho gaúcho para a olimíada e pedir apoio (tradução: mimar) da população ao jogador. mas se a globo já fez as pazes com ricardo teixeira com vistas a copa de 2014, o que dizer ainda.
recomendo o artigo "everybody loves ricardo teixeira" : http://notanapauta.blogspot.com/2007/11/everybody-loves-ricardo-teixeira.html
joêzer em junho 20, 2008 1:11 PM
#10
Excelente mesmo o artigo do Humberto Peron sugerido pelo Serbão.
E o livro mencionado pelo Paulo se chama Como eles roubaram o jogo, de David Yallop. Leitura recomendadíssima.
Idelber em junho 20, 2008 2:09 PM
#11
Boa essa do Juca:
Uma cartinha da Branca de Neve
"Dunga, querido: daqui da floresta, olhando para o todo e não só para uma árvore, fica tudo muito claro.
Seu tempo na Seleção acabou.
A madrasta manda em tudo, até nas convocações.
Não que eu tenha nada contra o Ronaldinho, ao contrário.
Ele até poderia ser nosso oitavo anão e acho que você fez mal em esnobá-lo só por causa daquele drible no Gre-Nal.
Mas, agora, nada disso mais importa.
Importa que você honre suas calças, por menores que sejam, e peça seu gorrinho.
Não dobre sua espinha nem aqui nem na China.
E volte para casa cantando: 'Eu vou, eu vou, pra casa agora eu vou'.
Da sua Branca de Neve, com maçã e sem veneno..."
Escrito por Juca Kfouri às 12h19
Jasão em junho 20, 2008 2:15 PM
#12
O Dunga teve sérias perdas em sua claque gaúcha, mas tenho lido cada coisa aqui no sul! As avaliações são cada vez mais esquizofrênicas e os blogs, com sua franqueza estúpida, vão ganhando leitores e fãs... Será que alguém da RBS viu o jogo de quarta? Sei não.
E eu, pensando que iria ser multiespinafrado por declarar minha hostilidade ao estado das coisas -- e não ao Brasil, apenas ao Brasil-sil-sil --, acabei multiapoiado.
Idelber, terminei o livro do Arlei que me emprestaste (excelente!) e fiquei entusiasmado com as primeiras 30 páginas da Molloy. Infelizmente, li só agora sobre o programa de rádio. Não há um podcast?
Gigantesco abraço.
Milton Ribeiro em junho 20, 2008 2:23 PM
#13
Escrevi para a Elsa, Milton. Vamos ver se eles têm um arquivo de áudio que me possam mandar. Abração.
Idelber em junho 20, 2008 2:34 PM
#14
Caríssimo,
Nem preciso dizer que apoio seu ponto de vista. Quero só acrescentar umas perguntinhas: cadê o Cicinho? Cadê o Alex lá da Turquia? Sou atleticano, como sabe, mas o cruzeirense Alex é disparado o melhor armador do país, recusado exatamente por ser um grande armador. Cadê o Fred, atacante genial? Olha Idelber, cada vez mais acho que a coisa é esta: Teixeirinha ganha um por fora dos times europeus e da Nike para impor aqueles cabeças-de-bagre ao pau-mandado do anão da disney. Só pode ser. Quando vejo o Gilberto Silva lembro do Danival, e dá nos nervos...
De definitivo mesmo, só a frase do Francisco Horta, ex presidente do FLU: tem de ter canhoto no time!!! Sem canhoto não dá! Canhotos são os mais inteligentes jogadores de futebol, pode reparar. A seleção de 70 tinha 4 mais o ambipédico pelé! Vou explicar para os novos, o que o dunga não sabe:
camisa 1 é goleiro
camisa 2 é lateral direito
camisa 3 é beque central
camisa 4 é quarto zagueiro
camisa 5 é cabeça de área
camisa 6 e lateral esquerdo
camisa 7 é ponta direita!!!
camisa 8 é ARMADOR, ou meia-esquerda!!
camisa 9 é centroavante
camisa 10 é ponta de lança, ou meia direita.
camisa 11 é ponta esquerda.
O resto é tolice. O técnico que tiver a coragem de colocar cinco para atacar e cinco para defender vai revolucionar o futebol voltando ao óbvio. O time dúnguico tem volantes aos montes, e a dfesa vive em polvorosa. Não seria melhor colocar os beques a defender e os atacantes a atacar?
E lembremos do outro óbvio, sobre a escassez de armadores: esse negócio de encher o meio de campo de dungo-lazzaronicos é facilmente superável por um armador inteligente que arme cá de trás. Assim fazia o genial Gérson, o soberbo Cerezzo, o iluminado Adílio, o insuperável Tostão. Cerezzo pegava a bola na meia-lua de sua área, dava um passe de 60 metros e o Rei metia na rede. 280 gols em oitos anos do maior artilheiro do Brasileirão, todos feitos sem dar bola para armações bisonhas de volantes adversários. Rapidez no contra-ataque, passes longos e certos, pontas velozes, centroavante leve e inteligente, bola na rede!
Lazzaroni foi o início do fim. Deu nisso que está aí!
Vamos escala, só para lembrar que é possivel ainda mudar (atenção para o ritmo de escalação, dado pelos pontos-e-vírgula, que explica a tática): Valdir Pérez, Leandro, Oscar, Luisinho e Júnior; Cerezzo, Falcão, Sócrates e Zico; Reinaldo (interferência benjaminiana na história) e Éder.
E como adoro a Argentina, povo irmão que sofre com as mesmas besteiras nossas, lembro um time iluminado, com ritmo de escalação melhor ainda:
Fillol, Olguin, Galván, Passarella e Tarantini; Gallego e Ardiles; Housemann (depois Bertoni), Leopoldo Luque, Mário Kempes e Ortiz. Um time desses merece aquele 6x0 no Peru.
Gallego e Ardiles,
Dudu e Ademir da Guia,
Cerezzo e Ângelo,
Andrade e Adílio,
Carpegiani e Falcão,
Clodoaldo e Gérson,
Piazza e Tostão,
etc, etc, etc, etc.
Tudo bem que haja um Caçapava, mas só um, e que ele vista sempre a 5, nunca a 8 ou a 10...
Abração
Marcus
Marcus Freitas em junho 20, 2008 2:41 PM
#15
O que me deixou puto vai a entrevistas dos jogadores. Cara, o pessoal tinha apoiado pra caralho (até tinha me surpreendido). Reclamar do que? Mas, o pior foi (não sei quem foi) explicar porque a atuação foi pior no segundo tempo. Eles estariam cansados porque é era final de temporada na Europa. Um cara desse não devia jogar mais na seleção. Torcer para a Argentina não vou (torço para qualquer outro time da América do Sul). Sou nacionalista de verdade, mas não tem, por isso, compromisso com a seleção. Meu nacionalismo consiste em lutar prum país desenvolvido e com distribuição justa da renda (alias torço isso para os países do Terceiro Mundo). Sou nacionalista na medida em que acredito que o único ente capaz de realizar esse objetivo são os Estados Nacionais. Não faz sentido torcer para que o Brasil desenvolva em detrimento de outro país pobre.
Bruno em junho 20, 2008 3:06 PM
#16
Só pra completar meu post de 2:41,
Em Pitangui, interior de Minas, um novo técnico foi fazer a primeira preleção para o time. Eis o que disse (para ser lido com sotaque do interior de Minas):
"Pessoar,
Futibór é futibór, aqui e em quarqué lugar do mundo é a mema coisa: os béqui pranta qui nem uas arvre; os arfi fuça qui nem porco; os ponta abre qui nem ua mala véia; e os centefor cóie os fruto.
É isso e num tem mais. Vamo pro jogo!!!"
Sábia lição...
Marcus Freitas em junho 20, 2008 3:14 PM
#17
Idelber,
Vão aí minhas considerações sobre o momento da Seleção:
1-O teixeirismo foi a maior desgraça que aconteceu ao nosso futebol porque ele, comodamente, fixou o nosso futebol como mero exportador de mão-de-obra qualificada para a Europa e converteu a seleção em um caça níqueis após o fim da ditadura quando acabou a função do escrete como instrumento-mór da patriotada.
2-Não acho que 94 tenha sido uma tragédia, 2002 foi muito pior, por mais triste que seja, temos que admitir que se o time tivesse perdido naquele momento, muita coisa teria mudado (ou, pelo menos, na medida do possível). Já em 94 acho que uma derrota poderia ter acabado com tudo e teria perdido o rumo de vez em todos os sentidos. Nos dois episódios ganhamos jogando feio e contamos com a incompetência de Deus e o Mundo.
3-A safra atual do futebol brasileiro é uma droga. É uma geração de jogadores que cresceu já pensando em jogar futebol na Europa antes de aprender a falar português sendo paparicados por empresários oportunistas (já notou como esses empresários se parecem com aqueles agenciadores de gladiadores da Roma antiga?).
Tenho dificuldades severas pra escalar o time hoje.
4-Reforçando os aspectos econômicos, é engraçado como o dependismo nacional se reproduziu no futebol, não é? Construímos um país de fora pra dentro e agora fizemos o mesmo com o futebol. Pouca gente lucra com a situação, mas somos preguiçosos demais para mudarmos elas e os parasitas fazem a festa.
5-No aspecto moral dos jogadores, vemos uma verdadeira degenerescência.
Antes disso os jogadores sonhavam em defender seu clube do coração e, posteriormente defender a seleção; Hoje o clube brasileiro é trampolim e a seleção é vitrine e isso tem o dedo dos próprios dirigentes.
A isso somam-se muitas outras coisas, mas nem vale a pena escrever mais.
Hugo Albuquerque em junho 20, 2008 3:54 PM
#18
Marcus Freitas,
O 8 é o meia-direita, o 10 é que é o meia-esquerda.
Hugo Albuquerque em junho 20, 2008 3:56 PM
#19
Fiquei meio surpreso que a maioria dos comentaristas do Impedimento não gostou do texto do Xico Sá.
Pô, eu achei o máximo a coluna dele.
Idelber em junho 20, 2008 4:17 PM
#20
Na quarta, na banca de jornais, fui convocado pelo Jornaleiro a torcer contra o Brasil. Falei que, sinceramente, se o jogo fosse contra a bolívia ou contra o chile, até poderia torcer contra. Mas contra a Argentina não dá. No meu caso, é que nem torcer pelo flamengo num fla-flu. Impossível.
Radical Livre em junho 20, 2008 4:41 PM
#21
Ao HUGO ALBUQUERQUE, das 3:56,
Tem razão meu caro! A fúria me fez trocar os números. Mas o melhor, o que posso deduzir da sua fala, é que você também acredita numa escalação decente, num time com armador, com pontas, com defesa que dfende, e ataque que ataca, etc.
Nunca entendi porque esses idiotas de técnicos que abusam do meu título profissional (professor), sem qualquer qualificação, acham bom um lateral que não marca e tem de ser "coberto" por um volante incompetente. não é melhor o lateral ficar lá fazendo o seu trabalho, e ajudando, isso sim, a ARMAR o jogo? O Júnior foi um grande lateral porque sabia armar, e não porque fazia overlapping.
Olha se colocar no time um goleiro decente (há muitos, todos melhores que esse Júlio César enganador), mais o Cicinho, o Fred, O Alex, o Cacá jogando de ponta direita (num time meu essa seria a única posição para ele, pois Meia ele não é de jeito nenhum, tá muito mais para Jairzinho do que para Gérson), O Juninho Pernambucano com a 5, o Anderson de PONTA ESQUERDA, mais a zaga do Inter, acho que por aí se encontra fácil um time de primeira.
Abração
Marcus Freitas em junho 20, 2008 6:11 PM
#22
Bacamarte, é um prazer vê-lo bater papo aqui no blog, meu caro.
Chegando a BH vou cobrar aquela roda de viola.
Idelber em junho 20, 2008 6:24 PM
#23
Tendo a concordar com o João Marcelo quando ele diz que "Uma hecatombe nuclear "em cima" não iria repercutir de forma duradoura por todo o mundo do futebol nacional. Seria apenas um desastre que nos jogaria em mais uma crise a demandar uma solução "mágica".".
Mas, por outro lado, uma renovação total da CBF (que não vai acontecer, creio eu) poderia forçar uma adaptação por parte dos clubes - que não seria rápida e que deixaria muita gente pelo caminho, é claro. Mas meu nível de descrença é tal que eu já estou convencido de que o futebol brasileiro (refiro-me a seleção, clubes, organização de campeonatos, calendário, empresários, imprensa) não tem saída possível - já não é uma crise, mas um estado natural.
Rodrigo em junho 20, 2008 7:01 PM
#24
Marcus Freitas,
Concordo plenamente contigo, aliás, desculpe pela forma um tanto ríspida que eu te corrigi.
Do ponto de vista cru é óbvio que qualquer esquema desde que observe o princípio elementar do equilíbrio defesa/ataque e dê resultados é um bom esquema, mas também é evidente que, do ponto de vista do espetáculo (que é o que nos interessa), não há esquema melhor que o bom e velho 4/3/3.
Em termos de times de futebol eu faço uma ressalva porque ali o técnico tem um espaço de manobra muito pequeno de escolha. No caso clubístico quem faz o esquema é o elenco, não o treinador. Levando em conta as limitação da maioria dos elencos de futebol no nosso país, muitas vezes não tem jeito (não que os técnicos não abusem, porque eles abusam).
Agora em seleções não; Quem faz o elenco é o treinador, portanto, por pior que seja o país que você treine, você convoca de acordo com o esquema que está na sua cabeça. Desse modo, seria muito bom ver o Brasil jogando com 3 atacantes.
Aliás, note que a maioria das seleções nessa Euro anda praticando um novo tipo de 4/3/3 que tem apenas um meia e pontas que voltam pra fechar os espaços (até o Paraguai anda fazendo isso), o que já é um começo.
Diga-se de passagem, até mesmo por uma questão de pragmatismo seria bom ver o Brasil jogando dessa maneira posto que quase todos os jogadores que integram a seleção jogando desse modo nos seus clubes.
Talvez estejamos só viajando na maionese, mas não custa lembrar dos bons e velhos tempos quando nós lembravamos dos nossos times do coração pelos craques que eles tinham e não por quem era o técnico.
Hugo Albuquerque em junho 20, 2008 8:39 PM
#25
Bem , eu cheguei até torcer contra, mas confesso que tão secretamente que só percebi hoje quando li o post. Mas não tem nada de patriotismo na minha recusa. É só uma alegre vontade de ter prazer com um tipo de futebol que eu já vi e que acho que ainda é possível de ser praticado.
Entendi e apoiei o masoquismo dos torcedores que estavam no Mineirão ao aplaudirem o Messi ao final de uma partida ridícula.A vontade, tenho certeza, era outra. Mas após chamar o dunga de Burro e Jumento, que mais restaria?
E funcionou. Eles reclamam mais dos aplausos a Messi do que de serem chamados de Jumentos, Jumentos Incompetentes. Quando a situação chega a este ponto devemos realmente nos preocupar.
O problema é que isso dura até a seleção fazer um 'bom' jogo, principalmente se for em casa. Ai agente vai ter que suportar novamente o sorrizinho da boca sem lábios do dunga.
Sobre a hecatombe tenho minhas dúvidas, embora até deseje. A sacada do Xico Sá é ótima, de uma maneira geral, ganhar a qualquer custo passou a ser o dom. dunga esfrega seu currículo na seleção na cara dos jornalistas a cada derrota. E por incrível que pareça, como estatística, o currículo é ótimo, e o do teixeira também. E aí que acho o Xico acerta.
A mesma coisa que nos faz apaixonar pelo futebol aqui no Brasil, é o que está matando esse futebol. O tal do talento individual dos jogadores. Que sempre dá uma sobrevida aos teixeiras, aos dungas e zagalos da vida.
fm em junho 20, 2008 8:45 PM
#26
Me desculpe Idelber, mas só para complementar,
quem desgraçou o futebol brasileiro, na verdade, foram Bebeto e Romário eh eh eh.
fm em junho 20, 2008 9:34 PM
#27
Vi a seleção na semi-final, aqui em Pasadena. Achei uma droga, mesmo. Acompanho o futebol carioca desde 1958 e o nacional desde as copas da Taça Jules Rimet. Esta situação atual lembra-me de uma fase triste da Jules Rimet: a seleção de 1966, ou melhor dizendo as seleções, pois havia tanta gente nas seleções, tantas indecisões do "celeiro de craques", que deu no que deu.
Você acertou na mosca. Tivéramos perdido em 1994, talvez a CBF teria caído em si. Tenh oum texto no meu blog. Visite e deixe seu pitaco também.
Beijos,
tina oiticica harris em junho 20, 2008 11:13 PM
Pedro em junho 21, 2008 6:07 AM
#29
Minha parte favorita da entrevista do Gilberto:
me diga um lance em que o Messi driblou e chutou. Não teve.
hahaha. É demais. É demais.
Idelber em junho 21, 2008 6:21 AM
#30
OK, Idelber, os textos e a montagem são ótimos, mas, sinceramente, nada, nada ganhou da Lucia Hippolito dizendo que a culpa é do Lula. Foi muito engraçado, eu fiquei rindo por meia hora...
Ulisses Adirt em junho 21, 2008 10:00 AM
#31
Olha que coincidência Idelber;
"Vôo da muamba" gera indenização de R$ 2.359 à União
Presidente da CBF, que importou equipamentos no valor de US$ 45 mil na volta do tetra, é condenado após 14 anos
Processo, que não pode mais ter recursos, é 1 dos 3 que envolvem o dirigente acerca do vôo que levou 17 toneladas de bagagem
LEONARDO SOUZA
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
Passadas três Copas, o presidente da CBF, Ricardo Teixeira, teve sua primeira derrota definitiva na Justiça num dos processos relacionados ao "vôo da muamba", quando a seleção trouxe dos EUA 17 toneladas de bagagens e compras após a vitória na Copa de 1994.
Teixeira é acusado de ter transportado ilegalmente equipamentos para sua choperia El Turf, na Zona Sul do Rio. Além de dois processos que enfrenta por essa razão, ele moveu ação contra a União, por danos morais, alegando que o auditor fiscal Sylvio de Sá Freire, então lotado no Aeroporto Internacional do Rio, teria praticado atos abusivos ao tentar reter a bagagem da seleção para vistoria.
No mês passado, Teixeira perdeu em última instância, no STJ (Superior Tribunal de Justiça). Ontem, o processo transitou em julgado (não cabe mais recurso). Após 14 anos, o valor da indenização que Teixeira terá de pagar à União é praticamente simbólico, de R$ 2.359.
Procurado via assessoria da CBF, ele não ligou de volta.
O resultado da ação por danos morais reforça o prognóstico dos outros processos, com valores bem maiores.
Num deles, em que tem tido sucessivas derrotas, Teixeira pode perder o equipamento importado para a El Turf, comprado por US$ 45 mil.
No outro, ele é acusado de ter coagido os auditores do aeroporto para que liberassem as mercadorias da delegação. O valor desta causa é de R$ 50 mil, fora a correção monetária.
No primeiro caso, o desembargador Alberto Nogueira, do Tribunal Regional Federal da 2ª Região, manteve o entendimento da instância anterior, de que a importação foi irregular e de que o equipamento tem de ser apreendido pela Receita. O segundo caso ainda está na primeira instância.
O auditor Sá Freire disse que a "fraude fiscal" cometida por Teixeira foi comprovada quando, em 1995, o presidente da CBF fez uma importação de novo equipamento para a choperia, cuja fatura comercial informava o peso da mercadoria em 1.480 quilos. Porém a Infraero havia pesado equipamento com 886 quilos.
"Essa diferença [de peso] foi para encobrir o equipamento trazido ilegalmente no vôo da seleção", disse Sá Freire.
A Receita Federal deixou de arrecadar ao menos US$ 1 milhão em impostos. O cálculo levou em conta o volume da bagagem (17 toneladas) e as listas de compras dos atletas. Na ida aos EUA, a bagagem da seleção pesara duas toneladas.
Teixeira pressionou os fiscais da Receita e obteve a liberação. Na ocasião, telefonara ao então ministro da Casa Civil, Henrique Hargreaves. Diante dos funcionários da Receita, Teixeira ameaçou devolver as medalhas de condecoração que os atletas haviam recebido do então presidente Itamar Franco.
O secretário da Receita Federal à época, Osiris Lopes Filho, que orientara os funcionários da alfândega a realizar a fiscalização de praxe (que prevê a taxação de valores acima de US$ 500), se demitiu pelo episódio.
O campeão de itens foi o lateral-esquerdo Branco. O segundo nome que mais apareceu nas caixas embarcadas no avião foi o de Carlos Alberto Parreira.
fm em junho 21, 2008 11:29 AM
#32
a materia é da folha de são paulo de hoje
fm em junho 21, 2008 11:30 AM
#33
Olá, amigos
A seleção brasileira não me desperta sentimentos patrióticos ou qualquer emoção.
Não sei por que cargas d'água, sou torcedor fanático da Celeste, seleção que, além de apresentar péssimo futebol, também sofre com os descalabros administrativos da AUF e com a nefasta influência do empresário Paco Cassal.
Por isso sempre torço para que Brasil e a Argentina empatem o "clássico" e ganhem dos adversários do Uruguai nas eliminatórias, ou seja, todas as demais seleções (incluíndo-se o pragmático Paraguai).
A Argentina joga um belo futebol de toque de bola, mas tem medo do Brasil (sentimento que disfarsa com manifestações de soberba) e por isso, mesmo dominando o jogo, geralmente comete falhas infantis e acaba perdendo no contra ataque.
Saudações desportivas.
Ricardo Petrucci Souto em junho 21, 2008 1:01 PM
#34
Agora gente, cá entre nós, há muito tempo que a Argentina não consegue montar um time competitivo, tampouco vencer o Brasil.
Nossos hermanos só não perderam em BH porque seleção brasileira não entrou em campo, porque se tivessemos jogado um futebol medíocre que fosse, teríamos vencido.
Em termos de títulos a coisa anda feia por lá também; Tirando os Jogos Olímpicos que é um torneio sub-23, o último título profissional deles foi a Copa América de 93, se não me falha a memória.
No momento o melhor time da América do Sul é o Paraguai. Sim senhores, o Paraguai.
Antes eles tinham uma defesa nota dez e um ataque nota dois, hoje possuem uma defesa nota oito e um ataque nota seis.
Isso contraria os prognósticos da sábia imprensa esportiva brasileira que jurava de pés juntos que após a aposentadoria daquela grande geração de defensores paraguaios (Gamarra, Ayala, Arce) o futebol deles cairia no ostracismo. Ledo engano. Eles conseguiram manter o bom nível na zaga e revelaram atacantes funcionais como Cabanãs e Roque Santa Cruz.
O Brasil hoje vive um momento ruim, parte em culpa da desorganização crônica da CBF, parte por conta do trauma da última copa, parte por conta da safra atual que, repito, não é boa.
Os argentinos por sua vez possuem uma boa safra, são mais organizados do que a gente, mas na minha humilde opinião, falta algo naquela comissão técnica. Queria ver a Argentina voando? Botasse o Felipão pra treinar ela.
Hugo Albuquerque em junho 21, 2008 2:57 PM
#35
Hugo, na mosca. Com Felipão no comando a Argentina seria campeã do mundo jogando com 9 em campo.
A safra atual deles é melhor que a nossa mesmo -- especialmente os goleiros, laterais e volantes.
Idelber em junho 21, 2008 3:03 PM
#36
idelber,
a safra argentina é boa sim, mas a convocação do Dunga é muito fraca. Dava para montar um time muito melhor, do goleiro ao ponta-esquerda, só usando jogadores do campeonato brasileiro. Sem querer puxar brasa para minha sardinha, o time do fluminense é melhor do que a seleção, o do são paulo também.
Radical Livre em junho 21, 2008 3:31 PM
#37
Com certeza. Maicon, por exemplo, é brincadeira. Aliás, a pior coisa que pode acontecer com um cabeça-de-bagre é marcar um gol de placa.
Depois que ele marcou aquele gol driblando seis ou sete adversários, nunca mais jogou nada.
Idelber em junho 21, 2008 3:39 PM
#38
Idelber, o Parreira merece várias críticas pelo péssimo desempenho de 2006, mas em 1994, a atitude dele foi exemplar. Enquanto o Dunga levantou a taça ofendendo meio mundo, o Parreira desceu o local onde foi entregue a taça, dizendo o seguinte para os torcedores: "podem tocar (na taça), ela é nossa! Já vi essa cena no YouTube. Concordo com o post 5 , do João Marcelo. Não acredito que o fato do Brasil não ir à Copa, mudará alguma coisa na CBF, continuará tudo igual, infelizmente. Basta observar que Atlético-MG e Corinthians foram rebaixados e continuam sendo mal administrados. Sobre o Havelange: essa semana a ESPN Brasil mostrou lances de Brasil x Argentina (a chamada Batalha de Rosário) pela Copa de 1978, já que completou-se 30 anos desse jogo justamente na quarta-feira. Em determinado momento, a tribuna de honra é filmada e o João Havelange está sentado ao lado do Videla, o então ditador argentino. É aquele velho clichê: uma imagem vale por mil palavras.
Junior em junho 21, 2008 4:32 PM
#39
Junior, você tem razão. Fui injusto com o Parreira no post. Os insultos com a taça nas mãos vieram do Zagallo, além do Dunga e outros jogadores.
A deselegância do Parreira veio depois, em entrevistas onde usou a conquista de 1994 para atacar Telê Santana, que havia "tido duas chances para ganhar a Copa e não ganhou". Dessas entrevistas eu me lembro. Mas é verdade que na comemoração ele foi elegante. Fica aí a correção. Obrigado.
Idelber em junho 21, 2008 4:38 PM
#40
é idelber, a coisa vai de mal a pior...
mas patriotísmo é acreditar que podemos fazer um brasil melhor e fazer - não só ficar acreditando - algo para melhorá-lo...
talvez os jogadores e o dunga estejam fazendo isso: se a seleção não for pra copa, o brasil não vai parar, o povo não vai se entorpecer (pão e circo) e, talvez, nas eleições presidenciais a escolha seja mais consciente...
hehehe, quem sabe num mundo perfeito! ;o)
até
muta em junho 21, 2008 6:43 PM
#41
A seleção está jogando um futebol de acordo com a filosofia do Dunga. Ele disse que a seleção de 1994 foi melhor do que a de 1982. Porque a primeira venceu e a segunda perdeu. Porém, os ataques que Dunga está recebendo da TV Globo e de Galvão Bueno é justamente pelo que Dunga tem de bom. Dunga é uma pessoa correta e eliminou os privilégios e as exclusividades que a TV Globo dispunha junto aos jogadores. E como a TV Globo se considera dona da seleção e os Marinhos donos do Brasil, Dunga está f*...
Marco Vitis em junho 21, 2008 7:09 PM
#42
É verdade, o Marco tocou na ironia das ironias. Dunga é criticado pela Globo por uma das poucas qualidades que tem como técnico.
É mais ou menos como o governo Cristina Kirchner por aqui -- que tem mil defeitos, mas é bombardeado pela mídia justamente pelas suas qualidades...
Idelber em junho 21, 2008 7:29 PM
#43
Sinceramente, eu não entendo esse pessoal que critica a vitória na copa de 1994 (a vitória em si). Misturam alhos com bugalhos e, desculpe-me um pré-conceito, mas parece coisa de turma que não entende nada de futebol.
Não estou justificando Teixeira et caterva, ou o contrabando no avião, pessoas e atos abomináveis.
Dunga pode ser uma porcaria de técnico, mas foi um grande jogador e aquela era, sim, uma seleção com um grande ataque e com um baita sistema defensivo, que não perdia uma dividida, não tomava bola nas costas. Só que, simplesmente, quem se lembra e entende de futebol, sabe que NÃO TÍNHAMOS, na época, grandes armadores ou mesmo homens mais de frente no meio (como Rivaldo, Kaká, Ronaldinho Gaúcho), que tivemos em 1998 e 2002. Parreira tentou vários e nenhum deu certo. Perdemos em 1998 (certamente o episódio Ronaldinho desconcentrou o time em momento decisivo e foi responsável pelo dilatado placar) porque a França tinha Zidane e era um excelente time também, como podíamos ter perdido em 1994, porque a Itália tinha Baresi (um baita craque), que parou Romário, Baggio e outros grandes jogadores.
Esses nostálgicos pensam que só nós jogamos bom futebol, desmerecem outros times e se se dessem ao trabalho de assistir a decantada seleção de 82 no jogo contra a Itália, veriam o banho de bola que tomamos de um time que tinha craques do nível de Bruno Conti. Só Falcão jogou muito, o tempo todo, e Sócrates só no primeiro tempo.
Não sei se foi certo ou errado xingar ao receber a taça em 1994, mas eu xinguei, como torcedor, porque estava cansado das injustiças contra aquele time e contra aqueles jogadores. Que baita craques foram, além de Romário, Bebeto, Jorginho, Branco, Dunga, Marcio Santos e Aldair!!
A não identificação com o time atual não existe porque o mesmo é ruim e, sim, aí concordo, porque gente como Teixeira continua a sugar nosso futebol, continuamos a ver grandes jogadores irem embora cada vez mais cedo. Ok, mas que saco quando misturam tudo e falam mal do grande time de 1994.
E por falar em sanguessugas, ontém, como vascaíno, participei da fragorosa derrota do ex-deputado do comando do Vasco. Tomara, vamos varrer essa turma do comando do mais importante clube do futebol brasileiro.
E como meu clube era o símbolo dos bárbaros que tomaram conta de nosso futebol, quem sabe também não será ele a iniciar uma mudança lenta e gradual no nosso futebol?
Só que durante o longo reinado de Eurico, nunca confundi o clube com a figura grotesca do seu presidente, como fazem aqueles que insistem em falar mal da conquista da Copa de 1994.
Viva Dunga, o jogador!
Viva Dunga, o homem, só pelo fato de não privilegiar a Globo como técnido da seleção.
Mauro Gabriel em junho 22, 2008 2:21 PM
#44
Eu confesso que dei umas xingadinhas também em 1994, principalmente por conta do festival de bairrismo que era aquela mesa da Bandeirantes, "Apito Final". Ver Juarez Soares imitando sotaque carioca para debochar de Parreira e Romário me dava azia.
João Marcelo em junho 23, 2008 10:32 AM
#45
Total apoio a Mauro Gabriel.
E tem mais: palpito que o Brasil ganhará o ouro desta vez.
João Paulo Rodrigues em junho 23, 2008 11:33 AM
#46
Sinceramente, considero que a Globo pega muito leve com o Dunga. De longe, é a emissora que m