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terça-feira, 03 de junho 2008
Tom Zé em Belo Horizonte
Graças a Christopher Dunn, passei alguns momentos dos últimos dias com o gênio, o primeiro e único, a invenção em estado puro: Tom Zé está em Belo Horizonte. Aliás, já deve estar partindo. O show de sábado, na Casa do Conde, foi qualquer coisa de inacreditável. Várias coisas me chamaram a atenção: Tom Zé nasceu em outubro de 1936. Vai completar, portanto, 72 anos de idade. A energia que ele emana no palco seria surpreendente numa pessoa de 52. Se eu chegar aos 50 com aquele pique, já estarei feliz com minha passagem pelo planeta. Foi motivo de felicidade para mim ver o público de Tom Zé. Havia muitos senhores e senhoras, mas um predomínio marcado de garotos de menos de 25. Havia incontáveis adolescentes, inclusive. Ele é absolutamente adorado por esses garotos.
Entre todos os músicos de sua geração, ou mesmo entre os ligeiramente mais jovens, Tom Zé é aquele sobre o qual poderíamos dizer sem medo de errar: está no auge da criatividade. Pude conversar com os músicos da excelente banda e todos confimaram que, apesar da set list estar preparada de antemão, é correta a sensação de que Tom Zé improvisa permanentemente no palco. A banda, que o acompanha há tempos, já se acostumou a rebolar para não perder o pique.
Ligadíssimo, antenado com o mundo, apoiador de Barack Obama, Tom Zé abriu um blog, como aliás já foi noticiado aqui. Almoçando com ele, perguntei sobre a experiência de blogar. Depois de algumas palavras sobre a novidade da coisa, ele fulminou: nunca fui à internet. É verdade. Ele dita os posts para Neusa, sua esposa. Extraordinária, ela é o cérebro de toda a operação. Cuida de absolutamente tudo.
A dieta de Tom Zé? Saladas, arroz integral, comidas leves. Álcool, nem pensar. Ao chegar ao restaurante, o pedido dele foi imediato: seção de não-fumantes, por favor. A bebida? Chá. Depois do show, no camarim, enquanto a nossa turma preparava a indefectível botecada belo-horizontina, Tom Zé e Neusa se recolhiam para o descanso. Na segunda-feira à noite, Tom Zé conduziu uma aula na Academia das Idéias, à qual infelizmente não pude comparecer. Se algum leitor do blog viu, dê notícias.
Mineiros, quem perdeu essa, se ligue: o Bruxo volta à cidade neste fim de semana, para as calouradas da UFMG PUC-MG. Se você quiser ver o que é a invenção em estado puro, apareça por lá. Obrigado, Tom Zé.
Escrito por Idelber às 15:20 | link para este post
| Comentários (14)
#1
Idelber,
Conheci o Tom Zé e a Neusa, acho que em 1998, quando produzimos um show dele aqui em BH. Fiquei impressionado com sua simplicidade e delicadeza dos dois, coisa rara nesse meio.
Afonso Andrade em junho 3, 2008 4:08 PM
#2
Realmente, Afonso, duas pessoas maravilhosas.
Idelber em junho 3, 2008 4:13 PM
#3
O imperdível documentário sobre o Tom Zé mostra como a Neusa é uma figura extraordinária mesmo, dá uma vontade danada de conhecer. Quando estive em Sampa, em plena virada cultural, eu e Marta gramamos uma fila de duas horas para tentar entrar no espetáculo dele, e nem deu, de tanta gente. Vimos o seguinte, com naná Vasconcelos, foi mal não. Na fila, muita garotada; é interessante ver que foi preciso um gringo, o Daviv Lynch, para tirar o Tom Zé do limbo tropicalista em que foi metido pela falta de memória nacional. Eu também tinha ficado pasmo quando fiz as contas e vi a idade do cara. Se parar de encher a cara agora, quem sabe você chega lá com esse vigor todo, idelber.
sleo em junho 3, 2008 5:26 PM
#4
Mestre Sergio, já estou a caminho da saúde. Há tempos eliminei o uísque. Agora só cerveja e gin tônica. Não é nada, não é nada...
Mas pelamor, não confunda David Lynch com David Byrne!
David Lynch está mais para Racionais MCs que para Tom Zé :-)
Idelber em junho 3, 2008 5:35 PM
#5
Ele até pode ser super gente boa. Mas sempre o achei um chato musical.
Hermenauta em junho 3, 2008 6:08 PM
#6
Oi, Idelber! Foi ótimo mesmo :) beijos.
Laura em junho 3, 2008 7:17 PM
Felipe em junho 3, 2008 8:15 PM
#8
Felipe, sorry! Já corrigi, valeu :-)
Laura, bom demais estar com você e Leo de novo :-)
Hermê, cumpadi, o hômi é gênio...
Idelber em junho 3, 2008 9:51 PM
#9
Idelber, eu tou sempre aqui. Muda, porque se eu abrir a boca me denuncio, assim como tudo o que eu não sou e não sei, mas tou sempre aqui adorando.
fal em junho 3, 2008 9:57 PM
#10
E eu sempre pensando em você, Falzuca. Em julho vou a Sampa, você não me escapa :-)
Idelber em junho 3, 2008 10:02 PM
#11
Inveja, né?
Assim como o SLeo, assisti o documentário e passei a comprar os discos. Ele é sensacional, um gênio. Aliás, o Bernardo, tal como os jovens de BH, também adora. E ao vivo é ainda melhor.
Abraço vindo diretamente da Liga das Canelas Pretas (an inside joke, sorry).
Milton Ribeiro em junho 3, 2008 10:10 PM
#12
Eu sabia que Bernardo gostava. Com o bom gosto musical que tem, não havia chance de não gostar...
Idelber em junho 3, 2008 10:21 PM
#13
72 anos? Também estou pasma, dava uns 10 anos menos. Não conheço sua música mas acho o Tom Zé uma figuraça.
Te em junho 4, 2008 3:00 PM
#14
hehehehe, e por pouco não chamei o cara de David Bowie... Isso me lembrou da coluna que escrevi há tempos, citando umas trocentas frases do Régis Bonelli. E, na verdade, tinha entrevistado o Renato Baumann, que de comum com ele só tem as iniciais. Malditos indícios de Alzheimer.
Mas trocz braba mesmo é essa sua, hein, professor, uísque por gin tônica???!!!!! quando voltar a Brasília, faço questão de lhe oferecer um puro malte para ver se v. larga esses vícios.
S Leo em junho 4, 2008 5:25 PM