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Um blog atleticano e antropocêntrico.



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Mini-observatório da imprensa
1. Em coluna para a Folha de São Paulo em 23/08/2008, Fernando Rodrigues afirma que John McCain é a "síntese de uma ala republicana liberal". Evidentemente, ninguém nos EUA caracteriza McCain como liberal, nem ele mesmo.

2. Na edição 2.020 da Revista IstoÉ, sob o título Símbolo da fundação de Roma, o monumento Lupa Capitolina é mais novo do que se imaginava, a reportagem afirma: ... os historiadores sempre acreditaram que fora erigido por volta de 500 anos antes da era cristã. Como é esse monumento que data o nascimento da capital italiana, fixou-se então, logicamente, o surgimento de Roma nesse mesmo período (...) Na semana passada ocorreu uma reviravolta envolvendo tal marco: arqueólogos revelaram que a estátua é datada do ano 1300 a. C, ou seja, Roma é mais jovem do que se supunha.... A Revista IstoÉ se esqueceu de que 1.300 a.C é mais velho que 500 a.C., ou seja, deu a impressão de não saber que, antes de Cristo, a contagem das datas se faz para trás (obrigado, Serbão).

3. Em coluna publicada na Folha de São Paulo em 06 de agosto, Abram Szajman, presidente da Federação do Comércio de São Paulo, diz que o voto hispânico "já alcança cerca de 25% dos eleitores" dos EUA. Errou só por 100%. Segundo os últimos números oficiais, o eleitorado hispânico dos EUA é 12,5%.

4. A Folha Online relata que o último spot publicitário da campanha de Obama afirma que McCain é um político submisso às grandes petrolíferas e lembra que o senador conservador recebeu milhões em contribuições eleitorais dessa indústria. O anúncio divulgado hoje por McCain procura desfazer esses mitos. A palavra mitos vem assim, sem aspas. Alguém esqueceu de avisar à Folha que as milionárias contribuições das petrolíferas a McCain não são mitos.

5. Em entrevista a João Pereira Coutinho na Folha Online, Daniel Piza, o homem que enforcou Jesus Cristo e transformou o entrudo em "dança de salão", afirma que muitos na verdade ainda estão em Bakunin, "toda propriedade é um roubo". A frase "a propriedade é um roubo", evidentemente, é de Proudhon (obrigado, Tiago Mesquita).



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quarta-feira, 30 de julho 2008

Religião e insanidade

O filme se repete, ad nauseam, com previsibilidade digna dos laterais do Galo. Em algum recanto dos grotões da América, juntam-se um punhado de ingredientes: o cenário é uma escola ou uma igreja; o personagem é um homem revoltado contra a conspiração dos “liberais”, dos gays, dos imigrantes ou de outro bode expiatório conveniente; o instrumento é uma arma, comprada no exercício do sagrado direito de proteger a propriedade contra as “ameaças externas”; o enredo é sempre o mesmo, um massacre com vítimas que morrem sem ter nem idéia do porquê. É um tipo de crime tão americano como a torta de maçã.

Desta vez, aconteceu em Knoxville, Tennessee, cidade simpática, que hospeda a boa universidade do estado e destoa do atraso cultural imperante na região. Quando estourou a notícia de que mais um lunático havia entrado numa igreja para fuzilar inocentes, com duas fatalidades e sete feridos, os sites de extrema-direita salivaram com as possibilidades: Assassinando cristãos? Deve ser um ateu! Provavelmente um radical de esquerda! Na certa um terrorista islâmico!

De novo, como havia sido o caso com Timothy McVeigh, tratava-se de um homem branco, armado até os dentes e cheio de revolta contra “liberais e gays”. Bastava saber um pouco sobre a igreja que sofreu o ataque para suspeitar. A Unitarian Universalist Church é a única igreja americana que conheço que exibe um cartaz enorme, bem na porta, com as palavras gays welcome. Lugar bacana, ecumênico, de gente tolerante e pacífica, envolvida com grupos de apoio e iniciativas de direitos civis para gays e lésbicas, a Unitarian Universalist Church reúne judeus, muçulmanos, cristãos, ateus; heteros e homos; pretos e brancos.

O assassino, David Adkisson -- no momento em que descobriram que era branco, desapareceu a palavra terrorista --, escreveu uma carta de quatro páginas detalhando seu ódio aos “liberais e gays”. Em seu carro, foram encontrados livros de Bill O'Reilly, Sean Hannity e Michael Savage. O primeiro é o mais conhecido âncora de extrema-direita dos EUA, da famigerada Fox News. Os outros dois são membros do poderoso movimento ultra-conservador que se congrega nos programas de “entrevistas” de rádio nos EUA. Savage é o autor de um livro com o inacreditável título O liberalismo é uma doença mental (Liberalism is a mental health disorder).

Não sei qual é a percepção aí no Brasil, mas morando há 18 anos nos EUA e observando a coisa de perto, não vejo muito como fugir da conclusão: vamo' que vamo' ladeira abaixo.


PS: Ainda sobre religião e insanidade, veja essa incrível história: numa missa no campus da Universidade da Flórida Central, um garoto recebe a hóstia e não a ingere. Guarda a bolacha no bolso para mostrá-la a um colega que queria informações sobre a fé católica. A partir daí, sua vida se transforma num inferno. Escândalo nacional. A imprensa começa a publicar matérias sobre como o garoto havia seqüestrado a hóstia. A porta-voz da diocese compara o ato a um crime de ódio (hate crime). Começam a discutir a expulsão do estudante. O covarde presidente da UCF, em vez de defender seu aluno, se dedica a fazer média com a hierarquia católica. O garoto, Webster Cook, pode ter simplesmente destruído o seu futuro acadêmico porque foi pra casa com um pedaço de farinha no bolso. Inacreditável.



  Escrito por Idelber às 06:55 | link para este post | Comentários (49)



terça-feira, 29 de julho 2008

Jô Moraes para a prefeitura de Belo Horizonte!

j%F4.jpg Declaro aqui o meu apoio à deputada federal Jô Moraes, do PC do B, para a prefeitura de Belo Horizonte em 2008. Jô Moraes, não Márcio Lacerda (PSB), é a herdeira do excelente trabalho realizado pela prefeitura de BH nestes últimos 16 anos. Foi Jô Moraes, não Márcio Lacerda, quem esteve durante 30 anos na militância ao lado do Doutor Célio de Castro. Jô Moraes, não Márcio Lacerda, é verdadeiramente conhecida pelos belo-horizontinos. É ela, não ele, quem conhece a cidade. Fui um dos 111.130 mineiros que votaram em Jô para deputada federal em 2006. Ela não decepcionou, sendo a autora, entre outros, do projeto de lei que regulamenta o piso salarial para professores da rede pública, um avanço – mínimo, sim, mas real – na quilométrica estrada de recuperação do sucateado ensino brasileiro.

Faço questão de linkar um post anterior em que eu argumentava que a Executiva Nacional do PT não devia bloquear automaticamente as conversas que se desenvolviam entre Fernando Pimentel e Aécio Neves, inclusive por razões táticas. Não sou da esquerda que demoniza o PSDB por tudo e termos como “tucanalha” não têm lugar neste blog. Não acredito que um entendimento entre petistas e tucanos seja uma idéia necessariamente ruim. Mas a forma como se deram as conversas em Minas, as motivações personalistas e carreiristas que subjazam a elas e o nome altamente questionável que foi escolhido para representá-las tornam impossível que este blog veja com simpatia a candidatura de Márcio Lacerda, o mais rico entre todos os aspirantes a prefeito no Brasil inteiro, com um patrimônio de 55 milhões de reais.

Como contribuição à cultura política da articulista da Folha de São Paulo, Eliane Castanhêde, que declarou nunca ter “ouvido falar” de Jô Moraes, o Biscoito apresenta um pouco do seu currículo: paraibana, radicada em Minas desde a época da militância contra a ditadura, na década de 1970, Jô Moraes já recebeu da capital mineira o título de Cidadã Belo-Horizontina. Talvez Eliane Castanhêde não saiba, mas existe uma coisa chamada União Brasileira de Mulheres. Jô Moraes é fundadora da entidade. Também participou da criação da Conselho Estadual da Mulher, em 1982. Foi também a primeira presidente do Movimento Popular da Mulher. Jô é parlamentar há 12 anos. Foi vereadora por dois mandatos, deputada estadual por um mandato e em 2006 foi a deputada federal mais votada de toda a esquerda de Minas Gerais. É a presidente do PC do B no estado.

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Com a infinita cara-de-pau que lhe é peculiar, o ex-deputado José Dirceu quer dar lições de moral e fidelidade partidária aos petistas belo-horizontinos que, em número cada vez maior, estão migrando para a campanha de Jô Moraes e recusando o conchavo Pimentel-Aécio que usa como laranja o PSB, o mesmo PSB mineiro -- não confundir com o PSB de Luiza Erundina e Eduardo Campos -- que fez oposição à prefeitura do Doutor Célio de Castro com o grande goleiro e péssimo político João Leite.

O ex-deputado José Dirceu não nos diz onde estava a sua crença na fidelidade partidária em 1998, quando ele comandou uma cavalaria cossaca que esmagou a decisão democrática da convenção do PT fluminense, que havia escolhido Vladimir Palmeira como candidato ao governo do Rio, com o objetivo de impor uma aliança com ninguém menos que Garotinho. O ex-deputado José Dirceu tampouco nos diz onde estavam suas convicções acerca da fidelidade partidária em 2004, quando seu grupo arregimentou outra cavalaria cossaca, desta vez contra o PT cearense, que escolheu Luizianne Lins para a prefeitura de Fortaleza e terminou vencendo, mesmo sendo sabotada pelos caciques paulistas. Nesta eleição de BH, quem comete infidelidade partidária contra a orientação do PT nacional, diga-se de passagem, é o grupo do Prefeito Fernando Pimentel, que escolhe – por motivos de ambição pessoal – apoiar um candidato sem nenhuma história, um pau-mandado de Aécio, um aspirante a prefeito que, como bem lembrou o leitor Jeferson Melo, não sabe chegar da Savassi ao Centro sem motorista. Tudo isso contra uma candidata de credibilidade e competência infinitamente maiores, Jô Moraes, que sempre esteve ao lado das prefeituras de esquerda em BH durante os últimos 16 anos.

Eis aí, portanto, minha declaração de voto. Faço um apelo aos leitores de BH a que se engajem na campanha de Jô. Ela enfrenta duas poderosas máquinas administrativas. Lidera nas pesquisas, mas não será fácil. Márcio Lacerda tem 12 minutos na televisão, contra 2 minutos de Jô. A vitória, se vier, será na raça. Mas será um delicioso triunfo da democracia contra o caciquismo.

O Biscoito é Jô. Vamo' lá.



  Escrito por Idelber às 06:24 | link para este post | Comentários (61)



segunda-feira, 28 de julho 2008

Em Terapia

Quando filmou O Beijo da Mulher Aranha, de Manuel Puig, Héctor Babenco se colocou uma pergunta interessante: como fazer um filme em que os personagens estejam entediados mas o público não? Foi o que me veio à mente neste fim de semana, enquanto eu e Ana encarávamos a maior maratona televisiva das nossas vidas: 43 episódios da série “Em Terapia” (In Treatment), da HBO, baseada num original de muito sucesso em Israel. Eu quase não assisto televisão, mas sou capaz de apostar que é das melhores coisas que a telinha produziu nos últimos tempos.

Filmes e programas sobre psicanálise são, em geral, tediosos e inverossímeis. In Treatment segue-se quase como um filme de suspense, alinhavado por uma bela fórmula: nos episódios de segunda a quarta, você acompanha três pacientes diferentes; na quinta, um casal; na sexta, o próprio terapeuta, Paul Weston (Gabriel Byrne), cada vez mais pirado, vai consultar Gina (Dianne Wiest), uma analista com quem ele tem velhos ressentimentos e discordâncias de método.

A série foi ultra elogiada pelos jornais de qualidade, como o New York Times e o Wall Street Journal. As resenhas negativas ficaram por conta do San Francisco Chronicle e da Slate. Na blogosfera brasileira, já andaram falando do assunto a Carla Rodrigues e a Ivana Arruda Leite, ambas com comentários positivos.

É irresistível a paciente das segundas: Laura, uma jovem e charmosa médica, está vivendo com Paul a clássica transferência erótica, só que desta vez com conseqüências imprevisíveis para o terapeuta. Nas terças, Paul encara Alex, um tenente negro da marinha americana cujo pai matou acidentalmente o avô ao bloquear sua respiração asmática para evitar ruídos durante um ataque da Ku Klux Klan à casa. Alex acaba de voltar do Iraque, onde jogou uma bomba numa escola e matou 16 crianças. Forte, imponente, arrogante e seguríssimo de que não sente culpas, Alex tem uma das trajetórias mais fascinantes da série. Nas quartas, Sophie, uma ginasta de 16 anos, chega de um acidente que pode ou não ter sido uma tentativa de suicídio, talvez provocada por uma bizarra situação familiar, na qual ela idolatra o pai egoísta e ausente enquanto despreza a mãe dedicada. Nas quintas, Jake, pobretão aspirante a compositor, e Amy, bem-sucedida mulher de negócios, farão parecer fichinha qualquer crise que seu casamento tenha passado. É o dia mais punk da série, e também aquele em que ocorre a reviravolta mais radical. As sextas estão reservadas para o choque de ver como o sagaz terapeuta transforma-se num cego papagaio de denegações quando o tema é sua própria crise. Na medida em que se aproxima do fim, a série faz as várias histórias se encontrarem.

O método retratado na série não é exatamente a psicanálise. Trata-se daquela variante bem norte-americana da psicologia, a terapia do ego, que parte da estranhíssima – para nós, freudianos – premissa de que o papel do terapeuta é forjar uma aliança com a parte saudável do ego do analisando. Daí o fato de que Paul fale bastante nas sessões, transformando a busca num romance policial onde a empatia com as personagens é inevitável. In Treatment está disponível para download por aí, inclusive com legendas em português. Vale a pela conferir, Doutor Cláudio.



  Escrito por Idelber às 05:10 | link para este post | Comentários (12)



sábado, 26 de julho 2008

Obama em Berlim

É difícil dizer algo que já não tenha sido dito sobre a viagem de Barack Obama ao Oriente Médio e à Europa, cujo ponto alto foi o comício-show em Berlim, diante de 200.000 pessoas. A íntegra do discurso de Obama está no YouTube, claro:

(para quem prefere a transcrição, aqui vai o link).

A viagem à Europa é um cálculo arriscado em período pré-eleitoral nos EUA. Na arena internacional, claro, não há risco: Obama vai se transformando numa figura tão querida como os Beatles, Telê Santana ou o blog do Inagaki. Nos jornais alemães – mesmo com a sutil e indireta sugestão de que ele cobraria mais comprometimento da Alemanha no Afeganistão –, tudo foi elogio e babação de ovo: O Tagesspiegel se perguntou se alguma vez tantos alemães já se reuniram para um evento político, enquanto a repórter do Bild, Judith Bonesky, teve seu momento de tietagem explícita, abandonando todos os protocolos de distância jornalística para tirar uma foto não do, mas junto com o candidato. A viagem gerou uma enxurrada de fotos, vídeos e textos na internet (enquanto isso, como lembrou muito bem o Tiago Dória, no Brasil o TSE retira do ar sites e comunidades de candidatos).

O cálculo de Obama nesta viagem foi arriscado porque ser o queridinho da Europa é última pecha que você precisa ante o eleitorado dos grotões americanos, convictamente monoglota e xenófobo. Mas aqui Obama não tinha escolha. Apesar da forte vantagem que tem sobre McCain nas pesquisas quando a questão é a economia – e a economia americana, sabemos, não vai nada bem --, Obama precisava falar como estadista internacional e se impor no tema da política externa. Neste quesito, há a percepção de que McCain é mais forte, dada sua experiência – embora McCain, o suposto "especialista" em política externa, incrivelmente dê entrevistas falando da “fronteira do Iraque com o Paquistão”.

Cada palavra do discurso em Berlim foi meticulosamente escolhida para que Obama pudesse, por um lado, diferenciar-se claramente de Bush sem parecer, aos olhos do público americano, anti-patriótico em solo estrangeiro. Convenhamos, é uma engenharia discursiva complicada. O impacto mundial da viagem de Obama é inegável, mas ainda é cedo para saber se ela alterou, positiva ou negativamente, as pesquisas nacionais. Em 2004, a pecha de “afrancesado” foi decisiva na derrota de John Kerry. Este ano, os sites de extrema-direita tentaram capitalizar o nacionalismo americano contra Obama por sua declaração de que ele era um “cidadão do mundo”. Até agora, não colou. Mas jamais subestime a miopia de um eleitorado que votou duas vezes em George W. Bush.

PS: Sobre a viagem de Obama, nos blogs brasileiros, leia também o Tordesilhas e o Mestre Mauricio Santoro.



  Escrito por Idelber às 05:51 | link para este post | Comentários (15)



quarta-feira, 23 de julho 2008

Pausa

O Biscoito Fino e a Massa faz uma pequena pausa, enquanto o titular do blog pega um avião de Belo Horizonte de volta a New Orleans, para reassumir o batente do ano letivo. Foi bom demais estar em Terra Brasilis. Obrigado, Belzonte; obrigado, Rio, Sampa, Três Corações.

A partir de agora o blog deve se concentrar nas eleições americanas, mas sempre com um olho em Pindorama.

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Mandaram avisar que lá no Facebook está rolando uma comunidade do Biscoito.

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Em breve, o blog declarará seu justificará com mais detalhes o meu voto nas eleições para prefeito de Belo Horizonte, que é de Jô Moraes (PC do B). Como sabem os leitores do blog, não fui reácio ao acordo Pimentel-Aécio em Minas Gerais. Mas pesquisando um pouco mais sobre quem é Márcio Lacerda, conversando um pouco mais com amigos de BH, investigando um pouco mais sobre como foi feito o acordo, acabei seguindo boa parte da base das últimas (muito bem-sucedidas) prefeituras de BH no apoio a Jô Moraes, que é, como sabem os memoriados leitores deste blog, a minha deputada federal.

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Na sua coluna na Folha desta terça-feira, Eliane Castanhêde declara nunca ter ouvido falar de Jô Moraes. Meu Deus, eu teria vergonha de escrever uma coluna sobre literatura no maior jornal brasileiro e declarar não saber quem é Antonio Candido.

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Por falar nisso, Mestre Candido fez 90 anos e o Biscoito ainda não prestou sua homenagem. Shame, shame.

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Em seu último post, o Paraíba tece hiperbólicos elogios. Mas ainda não aprendeu a história do futebol brasileiro: o fato básico de que em 1981 o time chapa-branca enfrentou o Galo três vezes e não ganhou nenhuma.

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Se você está na Zona Leste de Belo Horizonte e quer comer um espetinho de animal morto, o ponto é o Manoel do Espeto, ali perto da Feira dos Produtores. Mas, se for lá, avise ao cabra: é um crime colocar, num bar lindo -- com bela varanda, cerveja gelada, espeto de primeira --, um par de cantores breganejos com aparelhagem de karaokê num laptop. É inaceitável. Bebi 5 quando poderia ter bebido 15 Bohemias. Não há nada mais irritante para alguém que gosta de música que ouvir um bate-estacas de péssima qualidade. É melhor ouvir o silêncio. O próximo que passar por lá, avise.

*************

Um leitor deste blog escreveu um dos melhores romances argentinos -- ou seja, um dos melhores romances do mundo -- dos últimos anos: Mariano Siskind escreveu o extraordinário Historia del Abasto, que devorei, faminto, entre São Paulo e Belo Horizonte. Alô, editoras brasileiras, atenção.

***************

Na quinta-feira à tarde, aterrizo no caldeirão de New Orleans. Tomem conta da bodega.

Atualização: Veja o belo email que o leitor Tiago Mesquita escreveu ao Ombudsman da Folha acerca da insultante coluna de Eliane Castanhêde. Envie um você também :-)



  Escrito por Idelber às 01:12 | link para este post | Comentários (58)



segunda-feira, 21 de julho 2008

Barack Obama na Revista Fórum

A Revista Fórum deste mês traz um artigo longo (matéria de capa) escrito por mim, sobre Barack Obama. Aí vão os três primeiros parágrafos do texto:

O fenômeno Barack Obama deixou atônita a liderança do Partido Democrata, surpreendeu a favorita Hillary Clinton e fez proliferar um sem-fim de clichês. Da infeliz declaração de Caetano Veloso -- “prefiro Obama a Hillary porque gosto mais de preto que de mulher” -- à irresponsável previsão de um assassinato por Doris Lessing, sua condição de primeiro candidato negro à presidência tem funcionado como uma metonímia à qual tudo deveria ser redutível. O simplismo se exarcerbou pelo fato de que as primárias democratas foram disputadas entre ele e a primeira mulher em condições de aspirar à Casa Branca. Sexismo e racismo – elementos muito presentes na sociedade estadunidense – passaram a ser chaves explicativas mágicas. É de magnitude inegável e merecedor de análise o fato do Partido Democrata ter ungido um negro como seu candidato. Mas para se entender a dimensão do movimento Obama, há que se começar por outro lado.

A vitória de Obama representa o declínio da política consagrada no Partido Democrata pela dinastia Clinton. Depois de surrados durante década e meia pelos Republicanos, os Democratas nos acostumamos a ver a ascensão de Bill Clinton em 1992 como prova de que nossa viabilidade eleitoral dependia da estratégia clintoniana de apropriação de bandeiras Republicanas como o rigor fiscal, a “transição da ajuda social para o trabalho”, a ênfase na segurança e a política externa agressiva. Junte-se as táticas violentas de corpo-a-corpo contra os adversários, a sanha controladora sobre jornalistas e um populismo simbólico, baseado no carisma e na inteligência de Bill Clinton, e você terá os componentes do sucesso do primeiro Democrata a cumprir dois mandatos presidenciais desde Roosevelt.

Um elemento importante foi a profissionalização das campanhas eleitorais, que passaram a ser focadas em certos grupos. Ficou famosa a expressão soccer mom, cunhada por Mark Penn, conselheiro da campanha de Clinton em 1996. As “mamães do futebol” seriam aquelas que levam as filhas para a prática de um esporte que é, nos EUA, com a exceção da população latina, praticado pela classe média alta. Para essas senhoras, a questão da segurança seria decisiva e a isso havia que responder. Embora a devastação planetária dos anos Bush tenha criado a sensação de que a administração Clinton foi um paraíso, seus dois mandatos foram marcados por uma série de traições a negros, sindicalistas, feministas, gays/lésbicas e ambientalistas, parceiros fracos, sem opções à esquerda, que foram sendo rifados para que o Partido Democrata pudesse ocupar o centro do espectro político sem questionar o movimento da sociedade rumo à direita. Essa política foi vitoriosa nas eleições presidenciais dos anos 90, mas deixou um desastre no Congresso e nas eleições estaduais. Com os Clinton na Casa Branca, o Partido Democrata passou de 30 governadores em 1992 a 18 em 2000, 258 deputados em 1992 a 212 oito anos depois.

Cedi o texto com exclusividade para a Revista Fórum, portanto não posso publicá-lo na íntegra aqui. A Fórum está nas bancas, por 6 mangos e 90 centavos. Há outras matérias muito boas, incluindo-se uma sobre a Nicarágua.



  Escrito por Idelber às 23:16 | link para este post | Comentários (17)




Cópia de um email ao ombudsman da Folha de São Paulo

Caro Sr. Carlos Eduardo Lins da Silva:

Sou leitor diário da Folha de São Paulo há exatos 27 anos. Apesar da campanha explícita do jornal em favor de um dos candidatos à Presidência em 2006, da transformação da “Ilustrada” em caderno de fofocas e futilidades e da incrível proeza do suplemento “Mais!”, de ser ao mesmo tempo irrelevante para especialistas e incompreensível para não-especialistas, continuo considerando a Folha o melhor jornal brasileiro.

No caso da cobertura das prisões de Daniel Dantas, o sr. reconhece, em sua coluna (para assinantes) deste domingo, que a maioria absoluta dos leitores que se manifestaram teceram críticas à cobertura do jornal. Pertenço a essa maioria. No entanto, o sr. atribui muitas das críticas à “guerra sectária de petistas e tucanos que envenena o ambiente social e político brasileiro”. É uma leitura possível. Mas ela é francamente contraditória com os seus próprios parágrafos seguintes. Tome-se o trecho:

O jornal também não mostrou ainda com detalhe o grau de enraizamento do grupo de Daniel Dantas na política brasileira. O perfil do financista foi curto e ralo. Não foram exploradas a fundo suas relações com PSDB, DEM, PMDB, além do PT, nem com figuras de frente desses partidos.

O uso da locução adverbial antes da menção ao PT torna a frase ambígua. O ombudsman está reconhecendo que o jornal somente explorou as relações de Dantas com membros do PT? Se é assim, não seriam as críticas ao jornal algo mais que expressão da “guerra sectária” entre PT e PSDB? Sua própria frase não estaria implicitamente reconhecendo que essas críticas são observações de um fato, de uma parcialidade real?

A hipótese parece corroborada pelo seu penúltimo parágrafo: Houve omissões importantes e injustificáveis. Nenhuma linha foi publicada sobre a relação de negócios entre a irmã de Dantas e a filha de José Serra, apesar de esta ter até divulgado um comunicado de imprensa para esclarecê-la.

Ora, se o governador do estado mais poderoso do país, ex-candidato a presidente, ex-ministro e favorito à sucessão do atual presidente tem uma filha com relações de negócios com Daniel Dantas, não seria isso um fato de interesse público? Como é possível reconhecer que nem uma única linha foi publicada sobre o assunto e continuar culpando a “guerra sectária” entre petistas e tucanos pelas críticas ao jornal?

Por que o número de manchetes dedicadas ao tema da “espetacularização”, das algemas e dos vazamentos foi tão superior ao espaço dedicado ao conteúdo revelado pela investigação, que supostamente seria o tema de maior interesse público? Por que a Folha transmitiu a nítida impressão de estar tentando desqualificar o relatório apresentado pelo delegado Protógenes? Por que fazer uma matéria dedicada a “erros de português” do relatório? Por que, depois da revelação de uma gravação em que a repórter Andréa Michael menciona uma “matéria de encomenda” a Daniel Dantas, o jornal não deu uma explicação aos seus leitores, ou mesmo ofereceu o espaço para que a jornalista se defendesse? Por que a Folha disse que Michael se encontrava viajando e “não pôde ser localizada”? Na era do email, do fax e do celular, a Folha é incapaz de localizar um jornalista seu que está viajando? Por que a cobertura do jornal pareceu ser, mais que parcial ou falha, francamente suspeita e desprovida de transparência?

A coluna do sr. neste domingo, mesmo tendo apontado com pertinência alguns erros do jornal, não me pareceu responder a contento estas interrogantes.

Um abraço do seu leitor,

Idelber Avelar



  Escrito por Idelber às 04:43 | link para este post | Comentários (74)



sábado, 19 de julho 2008

Sobre o papel do subjuntivo no mascaramento da bandidagem

protog.jpgÉ oficial: Protógenes Queiroz e o Juiz Fausto de Sanctis viraram réus. O inacreditável aconteceu. Uma operação policial que revirou os intestinos da maior quadrilha do capitalismo brasileiro se transformou numa novela sobre como Protógenes usa o subjuntivo (Johnson estava errado; o último refúgio do canalha não é o patriotismo: é a gramática); sobre se houve vazamento ou não; sobre se deveria haver filmagem ou não; sobre se De Sanctis desrespeitou o STF ou não; sobre se Dantas pode ser algemado ou não. Revirem as manchetes dos jornais. Procurem informações sobre o conteúdo do que as investigações revelam sobre Dantas, a privatização das teles e seus bilionários negócios. Não há.

Protógenes vai fazer um “curso” e De Sanctis vai tirar férias. A conclusão é inevitável: o lado de lá, a corja, venceu. Em parte, pela covardia do governo Lula, que incrivelmente escala um Ministro da Justiça para dizer que o afastamento de Protógenes era um ato de “rotina”. Calculou errado, por medo da avalanche da mídia, que só quer saber da parte em que a maracutaia respinga no PT. Quando se deram conta de que a opinião popular já não se pauta pela mídia -- coisa que o governo Lula deveria ter aprendido com sua própria vitória em outubro de 2006 –- tentaram voltar atrás e era tarde demais.

Nélio Machado, o advogado de Dantas, agora pauta a Folha de São Paulo. É inaudito: as frases do advogado de um criminoso sobre o Presidente da República ganham primeira página nos jornais. Deve ser inédito na história da imprensa brasileira. Até manchete com ameaças de Nélio Machado ao PT foram publicadas. Aliás, é boa coisa que meu caríssimo e admirado Mário Magalhães tenha abandonado a função de ombudsman do jornal antes do estouro deste escândalo. Porque a lama da Folha neste episódio ultrapassa os limites do ombudsmanizável.

Sim, estou estuprando a língua portuguesa, em homenagem aos cães de guarda que enfiam vírgulas entre sujeito e predicado e escrevem matérias zombando do “português truncado” de Protógenes.

Sou de família de advogados. A minha paixão pelo Direito é antiga, apesar de eu ter escolhido Letras. Fucem por aí: juízes federais, procuradores da república etc. O que mais tem é Avelar. Nunca li um relatório policial em que o português não fosse “truncado”. Jamais me incomodou. Agora, de repente, o uso do subjuntivo num relatório policial que desvenda a maior quadrilha do capitalismo brasileiro virou tema de comoção na mídia nacional. E o conteúdo do relatório sumiu. Ninguém diz nada.

As gravações reveladas nesta semana demonstram claramente duas coisas: as de Dantas mostram um bandido que quer chegar a Lula, quer atingir Lula (maior êxito aqui, menor êxito acolá). As gravações da PF mostram um grande brasileiro – Protógenes Queiroz – seguindo à risca, rigorosamente, uma tarefa na qual ele sabe que está cercado de inimigos por todos os lados. Mesmo assim, o governo Lula não teve a coragem de dizer: Truco! Querem colocar todas as cartas na mesa? Querem revelar tudo? Vamos fritar toda a bandidagem, de todos os partidos, mesmo sabendo que a mídia escolherá a fritura que mais lhe convém? O governo Lula não apostou no discernimento da população brasileira neste episódio. Quando se deu conta disso, Inês já era morta.


PS: Pretendo dar um tempo deste episódio pelo mesmo motivo que dei um tempo do Galo aos sábados. É derrota demais. Derrota na política, derrota no futebol. O Biscoito Fino e a Massa provavelmente se transformará num blog sobre literatura e música. Ali, pelo menos, a derrota é matéria-prima da arte, e não da infâmia.

PS 2: Há manifestações hoje, em todo o Brasil, pelo impeachment de Gilmar Mendes. Elas têm o apoio deste blog. Mais detalhes no Nós apoiamos De Sanctis.

PS 3: Admiração; admiração e respeito infinitos por Protógenes Queiroz e Fausto de Sanctis. Nunca vou me esquecer do nome destes dois brasileiros.



  Escrito por Idelber às 04:53 | link para este post | Comentários (69)



quinta-feira, 17 de julho 2008

Sobre lugares, homens e mulheres

Nas minhas andanças pelo mundo, fui desenvolvendo umas teorias que aparecem no blog de vez em quando – como as cidades-véu e cidades-vitrine, que é o post favorito da Lucia Malla. São elocubrações sem qualquer rigor, que eu nunca colocaria num texto acadêmico. Mas são boas para gerar conversa no blog e não deixam de dizer algo sobre a experiência. É hora de testar mais uma, para que nos desintoxiquemos um pouco da política.

A teoria de hoje já foi apresentada oralmente a alguns amigos. Ela parte da observação de que há lugares no mundo onde as mulheres são mais interessantes, sexy, atraentes que os homens; ou seja, há rincões onde a feminidade dá de goleada na masculinidade. E há, sim, lugares onde os homens – para quem gosta de homem, é claro – costumam ser mais interessantes que as mulheres. Nem a teoria tem implicações práticas para mim – eu ando feliz na monogamia há anos – nem você tem que abrir mão da sua hetero- ou homossexualidade para tentar observar a coisa objetivamente. Dando sua contribuição a todo o leitorado que está no mercado da paquera, o Biscoito lança aqui algumas generalizações.

Belo Horizonte é um caso extremo. Eu realmente não gostaria de ser uma mulher heterossexual solteira em BH. Bandos gigantescos de mulheres lindas, bem vestidas, inteligentes, bem informadas, sensuais e de papo agradável zanzam pela noite da capital mineira. Os homens podem ser competentíssimos como profissionais e fantásticos como amigos, mas na arena da paquera são um desastre. Talvez pelo excesso de oferta, talvez pela herança católica, quiçá por outros fatores, os homens mineiros tendem a se juntar entre si, mesmo quando há uma festa de heteros com 5 mulheres para cada homem, o que em BH é super normal. Não é raro ver um casal e ter vontade de perguntar: mas o que essa mulher extraordinária está fazendo com esse zé-mané? As leitoras belo-horizontinas que me desmintam se eu estiver errado.

Já a Argentina é o oposto. As mulheres argentinas costumam ser independentes e brilhantes intelectualmente. Três dos cinco seres humanos que eu mais admiro no planeta são mulheres argentinas (Beatriz Sarlo, Graciela Montaldo, Sylvia Molloy). Mas em termos de sex appeal, para mim, pelo menos, é zero. Não sei se é a herança italiana, se é o frio, se é uma certa masculinização que elas abraçaram junto com a conquista de espaço, o fato é que vou à Argentina anualmente há quinze anos e me lembro de ter sentido tesão por uma argentina uma única vez, e mesmo assim fora do país. Os homens, por outro lado, dão de 10 x 0 nos mineiros. Vestem-se melhor, têm um papo mais agradável, gostam de estar com mulheres. Têm um toque sedutor. São, enquanto homens, mais interessantes que as mulheres argentinas costumam sê-lo enquanto mulheres – apesar de que estas costumam arrasar profissionalmente, em qualquer área.

Aí vai a lista de lugares, além de BH, onde acho as mulheres alucinantes, os homens nem tanto: Espanha (ah, as espanholas!), Colômbia, Cuba, Porto Rico. Eis aqui os lugares, além da Argentina, onde acho que a masculinidade é mais interessante que a feminidade, ou seja, onde a mulher hetero e o homem gay terão um mercado mais generoso que o homem hetero e a mulher gay: Itália, Canadá, Bélgica, África sub-saariana em geral (esta última eu nunca visitei, mas já convivi com muitos africanos e africanas nos EUA). Há um lugar onde acho que tanto os homens como as mulheres costumam ter um toque muito especial: a Holanda. Há lugares onde não costumo ver muito sex appeal nem nos homens, nem nas mulheres: México, Portugal.

Minha experiência é essa aí. Aguardo as discordâncias e as críticas. Só não critiquem a generalização -- o generalizador sabe que existem exceções.

Atualização I: O mais importante eu não disse: mulher, claro, é brasileira. As colombianas e espanholas vêm em segundo. Veja esse post.

Atualização II: Finalmente criei um perfil no Facebook. Estou gostando. Bonitinho, limpinho, nada a ver com o Orkut. Se você está por lá e é amigo, deixe um alô.



  Escrito por Idelber às 04:23 | link para este post | Comentários (76)



terça-feira, 15 de julho 2008

Afastaram Protógenes

Protógenes Queiroz, o delegado que pediu duas vezes a prisão de Daniel Dantas, foi afastado do caso. Sobre o envolvimento da imprensa, Sergio Leo escreve um texto que vale a pena ser lido.

A íntegra do relatório da PF, em cinco pdfs, está aqui.

PS
: No próximo dia 24, às 22 horas, a TV Brasil exibe um especial sobre os 90 anos do maior crítico literário brasileiro vivo, Antonio Candido. No domingo, a TV Brasil exibe o "De lá para cá", sobre a obra de Guimarães Rosa. Mais detalhes no site da TV Brasil.

PS 2: Minha palestra aqui na USP, sobre crítica e valor, acontece amanhã, quarta-feira, às 14 horas, no prédio da História e Geografia, na sala Ilana Blaj (H).



  Escrito por Idelber às 19:03 | link para este post | Comentários (65)




Prof. Paulo Ghiraldelli Jr. explica o que está errado com a lei Azeredo

São 9:30 minutos de vídeo mas, acreditem, vale a pena.


PS: Soninha, Soninha que prazer te conhecer. Noite memorável em São Paulo. Até o impossível apareceu.



  Escrito por Idelber às 04:17 | link para este post | Comentários (24)



segunda-feira, 14 de julho 2008

Manifestações e petição online contra Gilmar Dantas

fora.jpg Estão sendo convocadas, Brasil afora, uma série de manifestações contra o Presidente do STF, Gilmar Mendes, para o próximo sábado, dia 19. Aqui em São Paulo ela acontece na Avenida Paulista, a partir das 10 horas da manhã. Quem convoca é o Eduardo Guimarães, do Movimento dos Sem-Mídia, que tem experiência bem-sucedida com esse tipo de evento. Em Belo Horizonte, o ato acontece na Praça da Liberdade, também a partir das 10 horas. Em Porto Alegre, a manifestação será na Feira do Brique da Redenção, no mesmo horário. A concentração se iniciará no Monumento ao Expedicionário. Ajude a divulgar, é importante. Se souber de iniciativas em outras cidades, avise.

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Há uma petição online exigindo a saída de Gilmar Mendes do Superior Tribunal Federal. A petição rapidamente amealhou 1.500 assinaturas. Assine e divulgue você também.

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Paulo Henrique Amorim, que vem dando um show de cobertura do caso – ele realmente entende do assunto –, noticia que apareceu um “Gilmar” nas fitas gravadas pela Polícia Federal. Quem será? Gilmar dos Santos Neves, claro, o maior goleiro do Brasil em Copas do Mundo, aquele em quem tudo parava.

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Nem na campanha explícita a favor de Geraldo Alckmin en 2006 a Folha de São Paulo se prestou a papel tão vergonhoso como o que ela assumiu nestes últimos dias. A matéria (para assinantes) sobre os “erros de português” do relatório do Dr. Protógenes Queiroz é uma peça para envergonhar qualquer jornalista. A matéria também afirma que o delegado acusa “sem provas”. Desde quando, ó Folha de São Paulo, vocês se preocupam com provas quando a acusação lhes é conveniente? Quem diria, o Estadão tem sido bem mais digno. Nenhuma maravilha, mas um pouco mais de dignidade, pelo menos.

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Quando você vê algum veículo de imprensa dizendo que os "erros" da Polícia Federal ou o mau uso das preposições no relatório do Dr. Protógenes contribuem para que os bandidos sejam inocentados, você não tem a sensação de que eles usam o modo performativo fingindo que usam o modo constativo? Ou, dito sem retoriquês, você não fica com a sensação de que eles fingem que descrevem uma coisa quando na verdade estão enunciando o seu desejo?

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Nas rodas de acadêmicos do Congresso da Abralic, aqui em Sampa, um consenso: esta crise está mostrando quem é quem no Brasil. Limpinho, cristalino. É só saber ler.

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Agradeço e parabenizo aos colegas da Universidade de São Paulo, que estão organizando o décimo-primeiro Congresso da Associação Brasileira de Literatura Comparada, que começou neste domingo. Mas vou me permitir uma crítica construtiva: não há razão para se organizar um congresso tão gigantesco, com interesse potencial fora dos muros da universidade, fazendo um site trancado por senhas, onde o público não tem como se informar sobre palestras que possa querer assistir. Vamos destrancar as coisas na internet, gente.

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Obrigado aos queridos Alessandra e Pandini, por um adorável jantar aqui na megalópole incomparável. Como se come bem nesta Sumpaulo, meus orixás.

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Há um belo blog novo na praça, sobre cultura e atualidade. Com vocês, Amalgama, que está aceitando candidatos para escrever sobre cinema e política. Se você tem interesse em participar, entre em contato com eles pelo formulário. É obra de Daniel Lopes e amigos. Coisa boa.

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Inaugura-se hoje, no Museu da Língua Portuguesa, aqui em Sampa, uma exposição sobre Machado de Assis. A curadoria é de dois alunos de José Miguel Wisnik e a consultoria é do próprio. Ou seja, promete.

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Parece que hoje vou conhecer pessoalmente uma ídola muito querida. Assunto não faltará.

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Nota aos amigos: meu celular belo-horizontino já não funciona aqui em Sampa. Sempre funcionou no Brasil todo, quando era Telemig Celular. Aí virou Vivo, que virou não sei o quê, que virou índio quer apito. Não funciona mais.



  Escrito por Idelber às 04:14 | link para este post | Comentários (59)



domingo, 13 de julho 2008

O repetitivo, tedioso factóide dos grampos

Vejam como se produz um factóide. Em meio ao prende-e-solta de Daniel Dantas esta semana, estoura uma bomba: o Superior Tribunal Federal teria sido “grampeado”. Acusa-se o juiz Fausto Martin de Sanctis de ter instruído a Polícia Federal a monitorar as conversas do Presidente do STF, Gilmar Dantas, digo, Gilmar Mendes. Não é preciso ser advogado para saber que se trata de acusação de extrema gravidade. Não era necessário ter um doutorado em retórica para saber que a história era meio estranha. Um juiz de primeira instância, que corajosamente está enfrentando criminosos poderosíssimos, com aliados no Congresso, na imprensa e no Judiciário, expondo-se assim? Com um comportamento ilegal? Meio insólito, convenhamos.

A imprensa chegou a noticiar a história como fato e, logo depois, a suposta fonte da acusação, a desembargadora Suzana Camargo, vice-presidente do Tribunal Regional Federal da 3.ª Região, teria dito me esqueçam. Como assim? Posso acusar um juiz federal de cometer um crime e depois dizer “me esqueçam”? Mas há uma razão pela qual eu digo que a Dra. Suzana é a suposta fonte da acusação. Para entender esta cautela, regressemos a um post do Biscoito de setembro de 2006.

Às vesperas da eleição presidencial de 2006, o Ministro Marco Aurélio de Mello veio à público com uma “denúncia” de que seus telefones e os de outros dois ministros do TSE estariam sendo grampeados. Chegou a dizer que o grampo “podia ter vindo do estado”. Foi o suficiente para que as Organizações Globo – aquelas que esconderam o maior acidente da história da aviação brasileira para divulgar fotos ilegalmente obtidas com o intuito de eleger seu candidato – começassem a falar em “estado policial”. Depois que a Polícia Federal fez varredura completa e não encontrou nem sombra de grampo, o Ministro Mello, com a ironia calhorda e leviana que lhe é peculiar, afirmou que “então faz de conta que não houve grampo algum”. Reiterou que confiava na conclusão da empresa privada que faz a varredura mensal no TSE e que lançara a acusação.

A história é curiosa porque a empresa responsável pela denúncia que Mello repercutia chama-se Fence, estranhamente contratada por José Serra, sem licitação, durante o governo FHC, pela bagatela de $R 1,8 milhão por ano, para fazer varreduras para as quais a PF está mais do que equipada. A Fence Consultoria Empresarial, de propriedade do ex-dirigente do SNI, o coronel reformado do Exército Ênio Gomes Fontenelle, é a empresa que foi denunciada em 2002 por espionagem a favor de José Serra, no episódio em que pilhas de dinheiro foram encontradas no escritório de Roseana Sarney.

Um dia depois, o próprio presidente do TSE, Athayde Fontoura Filho, afirmava que “os grampos já podem ter sido retirados” e que “provavelmente agora não vão encontrar nada”. A imprensa começa a voltar atrás. Um ano depois, em 2007, a mesma história se repete no STF, e até as Organizações Globo tiveram que noticiar, peremptoriamente: Denúncia de grampo no STF era falsa. No caso das eleições de 2006, Mauricio Cardoso lembrava, no Estadão, que o TSE havia deferido 64 demandas a favor de Alckmin e 17 a favor de Lula, para