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segunda-feira, 21 de julho 2008
Barack Obama na Revista Fórum
A Revista Fórum deste mês traz um artigo longo (matéria de capa) escrito por mim, sobre Barack Obama. Aí vão os três primeiros parágrafos do texto:
O fenômeno Barack Obama deixou atônita a liderança do Partido Democrata, surpreendeu a favorita Hillary Clinton e fez proliferar um sem-fim de clichês. Da infeliz declaração de Caetano Veloso -- “prefiro Obama a Hillary porque gosto mais de preto que de mulher” -- à irresponsável previsão de um assassinato por Doris Lessing, sua condição de primeiro candidato negro à presidência tem funcionado como uma metonímia à qual tudo deveria ser redutível. O simplismo se exarcerbou pelo fato de que as primárias democratas foram disputadas entre ele e a primeira mulher em condições de aspirar à Casa Branca. Sexismo e racismo – elementos muito presentes na sociedade estadunidense – passaram a ser chaves explicativas mágicas. É de magnitude inegável e merecedor de análise o fato do Partido Democrata ter ungido um negro como seu candidato. Mas para se entender a dimensão do movimento Obama, há que se começar por outro lado.
A vitória de Obama representa o declínio da política consagrada no Partido Democrata pela dinastia Clinton. Depois de surrados durante década e meia pelos Republicanos, os Democratas nos acostumamos a ver a ascensão de Bill Clinton em 1992 como prova de que nossa viabilidade eleitoral dependia da estratégia clintoniana de apropriação de bandeiras Republicanas como o rigor fiscal, a “transição da ajuda social para o trabalho”, a ênfase na segurança e a política externa agressiva. Junte-se as táticas violentas de corpo-a-corpo contra os adversários, a sanha controladora sobre jornalistas e um populismo simbólico, baseado no carisma e na inteligência de Bill Clinton, e você terá os componentes do sucesso do primeiro Democrata a cumprir dois mandatos presidenciais desde Roosevelt.
Um elemento importante foi a profissionalização das campanhas eleitorais, que passaram a ser focadas em certos grupos. Ficou famosa a expressão soccer mom, cunhada por Mark Penn, conselheiro da campanha de Clinton em 1996. As “mamães do futebol” seriam aquelas que levam as filhas para a prática de um esporte que é, nos EUA, com a exceção da população latina, praticado pela classe média alta. Para essas senhoras, a questão da segurança seria decisiva e a isso havia que responder. Embora a devastação planetária dos anos Bush tenha criado a sensação de que a administração Clinton foi um paraíso, seus dois mandatos foram marcados por uma série de traições a negros, sindicalistas, feministas, gays/lésbicas e ambientalistas, parceiros fracos, sem opções à esquerda, que foram sendo rifados para que o Partido Democrata pudesse ocupar o centro do espectro político sem questionar o movimento da sociedade rumo à direita. Essa política foi vitoriosa nas eleições presidenciais dos anos 90, mas deixou um desastre no Congresso e nas eleições estaduais. Com os Clinton na Casa Branca, o Partido Democrata passou de 30 governadores em 1992 a 18 em 2000, 258 deputados em 1992 a 212 oito anos depois.
Cedi o texto com exclusividade para a Revista Fórum, portanto não posso publicá-lo na íntegra aqui. A Fórum está nas bancas, por 6 mangos e 90 centavos. Há outras matérias muito boas, incluindo-se uma sobre a Nicarágua.
Escrito por Idelber às 23:16 | link para este post
| Comentários (17)
#1
Pô, revista de esquerda com exclusividade editorial e sem liberar conteúdo na net? Eu hein...
Thiago em julho 21, 2008 11:42 PM
#2
Na próxima, se precisar de uma ilustração para acompanhar seu texto, entre em contato que podemos providenciar.
Daniel em julho 22, 2008 2:27 AM
#3
Acho q o fato de Obama ser um homem negro e não uma mulher branca merece, sim, muita atenção.
Pensando naquilo q seria a "hierarquia branca puritana estadunidense", concluimos q, depois do
"macho branco dominante", uma mulher branca seria a continuidade de tal lógica racista.
Um negro no poder é, talvez, o golpe mais duro nesse
sistema, e um passo fundamental pra uma mudança de mentalidade,nos estadunidenses (e no mundo, quem sabe?) acerca de questões de igualdade racial.
Levando em conta q, hoje, muitos americanos querem ser mulatos e morenos e nós, com nosso "complexo de vira-latas", queremos partir pro caminho oposto (o do racialismo imbecil), torço pra q o Obama seja o trazedor de políticas raciais realmente democráticas, q apontem pra superação da mesquinhez q vigora no trato de tais questões.
Tô com o Caetano. Gosto mais de preto q de mulher.
Igor Lucas Adorno Santos em julho 22, 2008 2:28 AM
#4
me parece q vcs, democratas, estao embrulhados nisso aí. acabaram-se as primárias. vcs venceram. e aí? o artigo é sobre clinton (ainda). nao é sobre obama. a darth vader foi derrotada. avante, jedis. mostrem alguma coisa. q nao seja guinada à direita.
mary w em julho 22, 2008 9:45 AM
#5
Mary, dear, o artigo é sobre Obama, sim. Isso aí é menos de 10% do texto...
Thiago, eu nem sei se liberam ou não. Como recebi $$ para escrever o texto, achei justo nem pedir para liberar o conteúdo aqui.
Idelber em julho 22, 2008 10:09 AM
#6
Só não entendi:
"à irresponsável previsão de um assassinato por Doris Lessing,"
É uma questão de estatística e conhecimento sobre os métodos da Carlyle e Halliburton, ou seja, da fraternidade de Bush e Chenney.
frederico Schmidt Filho em julho 22, 2008 10:25 AM
#7
Sinceramente, não consegui ainda ver Obama como um negro.
Para mim, ele é mulato, moreninho, marrom-bombom, menos negro!
Chamá-lo de negro me parece já resquício racista: ou é branco, ou é preto.
Mas, enfim, isso não faz a mínima diferença, ou não deveria fazer.
Glauber em julho 22, 2008 10:55 AM
#8
Idelber, sou leitor da Fórum mas ainda não peguei esta edição do Obama. Agora que sei quem é o autor, lerei com mais interesse ainda! Abraços. (LAP)
Pandini em julho 22, 2008 11:32 AM
#9
Oi Idelber
O que você achou da capa da New Yorker com o desenho do Obama? Achei de uma ironia tão fina que o homem médio americano, bem Homer Simpson, vai interpretar literalmente como um aviso de que ele é mesmo o perigo que os direitistas falam. E pode prejudicar a campanha, uma pena. Como disse o Tutty Vasques, chato quando o humorista tem que explicar sua piada.
Te em julho 22, 2008 11:58 AM
Cesar em julho 22, 2008 12:55 PM
#11
Não haverá mudança com a provável eleição de obama. Porque, numa plutocracia como a americana não há espaços para grandes mudanças. Os Falcões que sempre implantaram ditaduras sangrentas em todo o mundo (Ásia, Africa e América)não pretendem abrir mão de seus interesses oligopolistas. Enfim, a política externa americana SEMPRE foi ruim para o mundo. Obama não terá um congresso favorável e os interesses das Grandes empresas e da indústria bélica fala mais alto.
Antonio Americo Carvalho em julho 22, 2008 3:26 PM
#12
qual o posicionamento de Obama sobre o Iraque afinal?
muito leigo no assunto, só ouvi de passagem que o cara pensa em tirar os americanos de lá, mas levá-los pro Afeganistão...
Rômulo Arbo Menna em julho 22, 2008 4:27 PM
#13
Mas o CV sempre tem opiniao, ne'?
Fredgie em julho 22, 2008 5:12 PM
#14
Hum... Acho que esse mês eu vou comprar a Revista Fórum.
Cláudio Roberto Basilio em julho 22, 2008 5:26 PM
#15
É complicada essa péssima distribuição setorizada... é difícil achar a Fórum por estas paragens (Goiânia - Go). Farei uma visita no Shopping hoje para tentar encontrar uma nas bancas.
Estevão Cavalcanti em julho 22, 2008 5:53 PM
#16
Acho engracado quando brasileiro fala em "americano medio"... E o "brasileiro medio" onde fica?
Marcelo em julho 22, 2008 7:21 PM
#17
Idelber,
A própria Hillary, quando ainda candidata e já desesperada, fez uma desastrosa alusão ao assassinato de Bob Kennedy, como motivo para continuar na campamha!!!!!! Esta sim, uma irresponsabilidade insana......
Acho que este medo está presente em todos que querem Obama na Casa Branca. A História não nos deixa sossegados...
Resta torcer para que este fato não ocorra!!!
Abraços
Bete Lobato em julho 22, 2008 11:34 PM
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