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segunda-feira, 21 de julho 2008

Cópia de um email ao ombudsman da Folha de São Paulo

Caro Sr. Carlos Eduardo Lins da Silva:

Sou leitor diário da Folha de São Paulo há exatos 27 anos. Apesar da campanha explícita do jornal em favor de um dos candidatos à Presidência em 2006, da transformação da “Ilustrada” em caderno de fofocas e futilidades e da incrível proeza do suplemento “Mais!”, de ser ao mesmo tempo irrelevante para especialistas e incompreensível para não-especialistas, continuo considerando a Folha o melhor jornal brasileiro.

No caso da cobertura das prisões de Daniel Dantas, o sr. reconhece, em sua coluna (para assinantes) deste domingo, que a maioria absoluta dos leitores que se manifestaram teceram críticas à cobertura do jornal. Pertenço a essa maioria. No entanto, o sr. atribui muitas das críticas à “guerra sectária de petistas e tucanos que envenena o ambiente social e político brasileiro”. É uma leitura possível. Mas ela é francamente contraditória com os seus próprios parágrafos seguintes. Tome-se o trecho:

O jornal também não mostrou ainda com detalhe o grau de enraizamento do grupo de Daniel Dantas na política brasileira. O perfil do financista foi curto e ralo. Não foram exploradas a fundo suas relações com PSDB, DEM, PMDB, além do PT, nem com figuras de frente desses partidos.

O uso da locução adverbial antes da menção ao PT torna a frase ambígua. O ombudsman está reconhecendo que o jornal somente explorou as relações de Dantas com membros do PT? Se é assim, não seriam as críticas ao jornal algo mais que expressão da “guerra sectária” entre PT e PSDB? Sua própria frase não estaria implicitamente reconhecendo que essas críticas são observações de um fato, de uma parcialidade real?

A hipótese parece corroborada pelo seu penúltimo parágrafo: Houve omissões importantes e injustificáveis. Nenhuma linha foi publicada sobre a relação de negócios entre a irmã de Dantas e a filha de José Serra, apesar de esta ter até divulgado um comunicado de imprensa para esclarecê-la.

Ora, se o governador do estado mais poderoso do país, ex-candidato a presidente, ex-ministro e favorito à sucessão do atual presidente tem uma filha com relações de negócios com Daniel Dantas, não seria isso um fato de interesse público? Como é possível reconhecer que nem uma única linha foi publicada sobre o assunto e continuar culpando a “guerra sectária” entre petistas e tucanos pelas críticas ao jornal?

Por que o número de manchetes dedicadas ao tema da “espetacularização”, das algemas e dos vazamentos foi tão superior ao espaço dedicado ao conteúdo revelado pela investigação, que supostamente seria o tema de maior interesse público? Por que a Folha transmitiu a nítida impressão de estar tentando desqualificar o relatório apresentado pelo delegado Protógenes? Por que fazer uma matéria dedicada a “erros de português” do relatório? Por que, depois da revelação de uma gravação em que a repórter Andréa Michael menciona uma “matéria de encomenda” a Daniel Dantas, o jornal não deu uma explicação aos seus leitores, ou mesmo ofereceu o espaço para que a jornalista se defendesse? Por que a Folha disse que Michael se encontrava viajando e “não pôde ser localizada”? Na era do email, do fax e do celular, a Folha é incapaz de localizar um jornalista seu que está viajando? Por que a cobertura do jornal pareceu ser, mais que parcial ou falha, francamente suspeita e desprovida de transparência?

A coluna do sr. neste domingo, mesmo tendo apontado com pertinência alguns erros do jornal, não me pareceu responder a contento estas interrogantes.

Um abraço do seu leitor,

Idelber Avelar



  Escrito por Idelber às 04:43 | link para este post | Comentários (74)


Comentários

#1

Para os sem-Folha, aí vai uma cópia da coluna à qual o post faz alusão:

CARLOS EDUARDO LINS DA SILVA - ombudsman@uol.com.br

O acessório e o essencial

A Folha se prendeu ao imediato na Operação Satiagraha e ainda não fez uma boa análise sobre as conseqüências políticas possíveis no governo

A RECENTE prisão de Daniel Dantas, Salvatore Cacciola e outros acusados de crimes de colarinho branco, ainda que temporária, independentemente da comprovação de sua culpa, tem um importante significado simbólico positivo para a sociedade brasileira.
Infrações à lei cometidas por pessoas ricas, de respeitabilidade e alto status social não costumavam nem ser investigadas no Brasil, quanto mais minimamente punidas.
Quando se lia sobre "mestres do universo", como são conhecidos os grandes gênios financeiros, como Michael Milken, condenados a anos de reclusão nos EUA, costumava-se apontar esses casos como sintoma do sucesso institucional alheio e fracasso nosso.
Agora, o país se acostuma a ver alguns de seus principais magnatas, que gozavam da fama -justificada ou não- de useiros violadores da lei deixarem de desfrutar de impunidade garantida.
E como o jornal lida com isso? A Operação Satiagraha provocou verdadeira comoção entre leitores da Folha. Mais de 250 se manifestaram ao ombudsman, a maioria absoluta com críticas à cobertura.
Muitas me pareceram improcedentes e movidas apenas pela guerra sectária de petistas e tucanos que envenena o ambiente social e político brasileiro. Mas algumas são muito bem fundamentadas.
Minha maior crítica é ao que a Folha tem deixado de fazer. Como muito bem afirmou o leitor Gabriel Pinto, em vez de "adotar seja um enfoque crítico, seja promover uma descrição densa dos fatos, ela se perdeu na descrição de fatos inúteis".
Um exemplo foi a reportagem que parece ter tentado invalidar todo o inquérito da Polícia Federal a partir da desqualificação de seu autor por ele cometer erros de português no relatório. Para azar do jornal, a própria reportagem continha erros gramaticais.
Outro exemplo foi resumir a entrevista do juiz do caso na quinta-feira a aspectos de sua aparência psicológica em vez de discutir, mesmo sem citá-lo, a possibilidade que ele levantou de a legislação vir a ser modificada para travar a punição de crimes de colarinho branco. O leitor Júlio Simões se queixou de só ter sabido das opiniões do juiz porque as leu num concorrente da Folha.
Trata-se da mania de examinar o autor das idéias em vez delas. É o contrário do que precisa ser feito para o debate intelectual avançar.
Como lembrou a leitora Maria Tereza de Souza, faltou buscar exemplos internacionais. Como é a concessão de habeas corpus por tribunais superiores nos EUA, na Alemanha? Como se deu a Operação Mãos Limpas na Itália?
A Folha se prendeu ao imediato, ao acessório e, nesse plano, não foi mal. Mas, mesmo aí, até agora não apresentou uma boa análise de conjuntura sobre as conseqüências políticas possíveis no seio do governo federal da Satiagraha nem das dissensões internas do PT que a tornaram possível do jeito atabalhoado que ocorreu.
O jornal também não mostrou ainda com detalhe o grau de enraizamento do grupo de Daniel Dantas na política brasileira. O perfil do financista foi curto e ralo. Não foram exploradas a fundo suas relações com PSDB, DEM, PMDB, além do PT, nem com figuras de frente desses partidos.
Houve omissões importantes e injustificáveis. Nenhuma linha foi publicada sobre a relação de negócios entre a irmã de Dantas e a filha de José Serra, apesar de esta ter até divulgado um comunicado de imprensa para esclarecê-la.
A Folha, a seu favor, foi quem mais noticiou -na grande imprensa- as suspeitas sobre jornalistas levantadas pelo inquérito, na maioria absoluta inconsistentes. Mas não debateu temas importantes como a função de vazamentos seletivos por fontes policiais e de governo.

Idelber em julho 21, 2008 5:00 AM


#2

A Folha ainda aparece com aquela máxima, dizendo que os eleitores do PT acham que o jornal é tucano e os eleitores do PSDB acham que o jornal é petista. Usam isso ainda como argumento para dizer que o jornal é equilibrado.

Eduardo em julho 21, 2008 8:32 AM


#3

Prezado Idelber,
Sua indignação é a mesma de todos os cidadãos que querem respeitados o seu Direito à Informação. Infelizmente, os grandes veículos de comunicação social utilizam a Liberdade de Imprensa - instrumento indispensável ao Estado Democrático de Direito - como veículos de propaganda político-ideológica. Por isso, penso que tais empresas corrompem a Democracia, pois manipulam a consciência de boa parte dos cidadãos brasileiros. Observe que lá trabalham pessoas inteligentes, cultas e experientes, como é o caso de Carlos Eduardo Lins da Silva. Por isso, não há um "equivoco editorial" como o ombudsman tenta nos fazer crer. Trata-se de uma ação política deliberada.

Marco Vitis em julho 21, 2008 9:01 AM


#4

Bem colocado. Todos Jornais parecem estar virando folhetins há tempos.
abç

gugala em julho 21, 2008 9:46 AM


#5

Clap, clap, clap. Obrigada, Idelber. Falou por mim e por muitos. (E se não existissem internet, blogs, etc? Que versão da história a gente conheceria a esta altura?)

Ju Sampaio em julho 21, 2008 10:03 AM


#6

Prezado Idelber.

Os leitores do "Globo", "Estado de São Paulo" e da "Folha", os maiores órgãos da chamada grande imprensa, descobrem agora as façanhas do dono do Opportunity.
Já os leitores da "Carta Capital", entre os quais me incluo, conhecem há pelo menos dois anos, o verdadeiro sub-mundo onde se movimenta o Sr. Daniel Dantas.
Onde estava a chamada imprensa investigativa ? Ora, não sejamos ingênuos. A conclusão que se impõe é uma só: A grande imprensa jamais teve interesse em investigar Daniel Dantas.
Em sua escandalosa omissão a grande imprensa nunca esteve só. Sempre teve a companhia "dos fiscais do Sistema Financeiro e do Mercado de Ações",ou seja, o Banco Central e a CVM.
Se Daniel Dantas for para o "Banco dos Réus" do sistema judiciário provavelmente não estará sózinho.
Já no "Banco dos Réus" da opinião pública, é certo que terá em sua companhia, membros do Executivo, Legislativo, Judiciário, o Banco Central e a CVM.

Um abraço,
Cléverson Faria Costa

Cléverson Faria Costa em julho 21, 2008 10:25 AM


#7

Comentário de craque. parabéns idelber.

luzete em julho 21, 2008 11:00 AM


#8

Seu comentário sobre o caderno mais! é absolutamente preciso. Sobretudo no que diz respeito à irrelevância. Infelizmente não há mais caderno nos grandes jornais - ao menos nos que conheço -, com conteúdo relevante em termos de cultura, publicações, arte... É uma lástima.

Abraços.

Gabriel Ferreira em julho 21, 2008 11:20 AM


#9

Caro Idelber,

é engraçado ver o seu esforço em qualificar uma sociedade da irmã do Daniel Dantas com a filha do José Serra, ao dizer que o Serra é o governador do mais importante estado do país.

E a Sociedade da Oi com a empresa do filho do presidente da república cadê? O lulinha ganhou 15 milhões de reais da Oi, que você não cita e nem acha relevante.

E quando o Lula modificar a lei para tornar legal a (hoje ilegal) fusão entre Oi e BrT, você também vai achar que o lucro fenomenal que essa fusão irá proporcionar ao Daniel Dantas tem tudo a ver com o Serra e nada a ver com o responsável da assinatura da nova lei, o presidente Lula?

Mal posso esperar para ler o contorsionismo lógico do seu Post que insinuará que a nova empresa de telecomunicações foi criada por quem está na oposição.

Homero em julho 21, 2008 11:33 AM


#10

Caro Idelber,

só para completar, olha de onde está saíndo o dinheiro que vai direto para o bolso do Daniel Dantas, via compra da BrT pela Oi:

Folha de S.Paulo:

"A operadora de telefonia Oi anunciou ontem que obteve empréstimo de R$ 4,3 bilhões do Banco do Brasil para financiar a compra da Brasil Telecom. O negócio, anunciado em abril, ainda depende de mudanças na lei para ser efetivado.

... Desse total, R$ 5,8 bilhões serão pagos pelo controle da BrT. Outros R$ 3,5 bilhões farão parte da oferta pública obrigatória para aquisição de ações ordinárias dos minoritários -o chamado 'tag along'. Mais R$ 3 bilhões serão gastos na oferta voluntária para a compra de ações preferenciais da BrT.

... Em nota, a Oi afirmou que comprará a BrT com recursos próprios e que o empréstimo do Banco do Brasil 'constitui-se no primeiro movimento de captação de recursos' que, em seguida, contará com 'emissão de notas promissórias com os bancos Santander, Bradesco e Itaú'.

... É o segundo financiamento de um banco público obtido pela Oi para a operação de compra da BrT, operação apoiada pelo governo federal sob o argumento de que o país precisaria de uma grande empresa no setor para concorrer com gigantes multinacionais como a espanhola Telefónica e a mexicana Claro. O BNDES já havia anunciado crédito de R$ 2,5 bilhões, com o objetivo específico de promover a reestruturação acionária da Oi -condição necessária para a compra da BrT." (Roberto Machado)

Que será que deu a ordem para o Banco do Brasil financiar essa fusão? Quem será que nomeia e demite o presidente do Banco do Brasil? Será que foi a mesma pessoa cujo filho ganhou 15 milhões de reais da Oi? O que você acha?

Homero em julho 21, 2008 11:42 AM


#11


Oh, Homero,

O Idelber não tem que citar BrOi coisa nenhuma, pois isso já está na mídia todo dia, assim como o caso do Lulinha, cuja empresa recebeu 5 milhões de reais da Oi ex-Telemar. O argumento do Idelber é que a Folha, além de noticiar isso, também deveria falar de outros assuntos, geralmente esquecidos, informando o leitor sobre a sociedade da filha de Serra com o grupo Dantas, dar espaço para sua jornalista Andrea se defender, etc.

Idelber, uma pergunta: quem você acha que mais atrapalhou ou desviou mais o foco das investigações? O Gilmar Mendes que soltou o DD duas vezes em 48 horas? A Folha que criticou o emprego do subjuntivo do relatório do Protógenes? Ou o governo Lula que afastou 3 delegados responsáveis pela investigação?


Cesar em julho 21, 2008 12:12 PM


#12

Obrigado, Cesar. Achei que isso tinha ficado claro, mas parece que para o Homero não ficou.

Li seu comentário de ontem com atenção e o segundo parágrafo do de hoje também. Prometo resposta com a nuance que eles merecem.

Abração geral.

Idelber em julho 21, 2008 12:28 PM


#13

Deixe eu entender: os jornais burgueses são uma porcaria, sem eles o povo estaria sem informações, mas, a toda hora, vejo como, no comentário acima, alguém sacar matérias da Folha e de outros jornais para embasar comentários e análises...

Santa ingeuidade. O Bob fernandes, grande cara, está circunstancialmente na Internet, e num site patrocinado pela Telefônica. Já trabalhou no JB, nos bons tempos, na Isto É, na Carta Capital, fazendo o mesmo tipo de trabalho que faz hoje. Na Isto É, onde foi meu chefe, perseguiu o PC Farias com o mesmo empenho com que hoje acompanha as traquinagens de Daniel dantas (a quem, aliás, começou, se não me engano, a acompanhar em matérias na imprensa burguesa, essa Geni da blogsfera). Não há esse abismo que se pensa entre a Internet e a midia impresa e televisada.

Caro Idelber, te apóio na crítica e pressão contra os jornais, é disso que a imprensa séria tem de viver, da constante correção de rumos. Mas me assustam certos comentários anti-imprensa.

Entendo que há uma grande frustração ´pela precariedade da cobertura, pelos defeitos, pelos erros. Mas, se não fosse pelos jornais, a maioria dos escândalos, dos erros, das dissimulações do governo e da oposição nem seriam conhecidos. A imprensa brasileira, na média, é bem melhor que a média da midia na América Latina, e não fica abaixo de nenhuma no primeiro mundo _exceto, talvez, quanto ao noticiário cultural, que, ainda assim, vem melhorando. Isso não é corporativismo meu, é a crença de que a imprensa, mesmo a imprensa defeiturosa, é uma arma contra o autoritarismo, contra a desinformação.

Fico pensando se os jornais adotassem a ligeireza das conclusões que se comete nos comentários, e até em excelentes blogues, sobre alguns assuntos. Nem você escapa disso, ainda que de leve, quando lança uma suspeita antes de completar a apuração _ ao insinuar que a Folha estaria, por exemplo, escondendo a Andrea Michael.

Ora, meu caro, trabalho no mesmo prédio, em Brasília, e minha mulher trabalha no jornal; há uma semana, fui á casa do fernando Rodrigues, que voltava de um curso em Harvard (tá lá no blog dele), e vi amigos da Andrea, preocupados, perguntando ao chefe de redação se já haviam avisado a ela que o nome dela estava rolando no noticiário. Ainda não tinham; ela estava de férias, recuperando-se de uma enfermidade razoavelmente séria, em Machu Pichu, sem contato com o Brasil até aquele momento. Te antecipo, nesse comentário, a resposta do ombudsman sobre essa suspeita.

A imprensa não está desligada da sociedade a qual pertence; há bons e maus jornalistas, como há bons e maus psicólogos, arquitetos, advogados, administradores.

Mas, em vez de defender prisão de jornalistas,arrombamento de casas para descobrir fontes de informação, reações descontroladas contra os jornais, os leitores deveriam analisar com cuidado o que é publicado, defender os jornalistas que, com seriedade e empenho, tentam levar informação ao grande público, que permitam às pessoas agirem como cidadãos. Cobrar dos jornais, sim, mas sem jacobinismo, que só facilita a vida dos cínicos nas redações. Jornal não é um monolito homogêneo, com regras pétreas de manipulação do público. É, como dizia Althusser, um aparelho ideológico de Estado, sim, mas as contradições que existem na sociedade se refletem nas redações.

O caso da Andrea é emblemático, porque querem prender o mensageiro. Se só três pessoas na PF sabiam da investigação noticiada por ela, como informa o protógenes, defender a prisão da jornalista, e não uma investigação sobre os policiais que teriam vazado a operação, é ter uma visão torta do assunto, e advogar punição para o lado mais fraco. Tenho certez de que, se tivesse essa mesma informação, a carta Capital teria vazado.

Vivem reclamando de que há uma "conspiração da midia" e, quando uma jornalista se limita a apurar informação e publicar, a acusam de não ter orientado seu trabalho segundo critérios políticos, avaliações estratégicas, raciocínios que caberiam a um policial, não a um jornalista. Ou seja, o problema não é haver conspiração da midia; é que ela não conspira a nosso favor. Raciocíniozinho perigoso.

(perdão, fiz um post, mais que um comentário. mas fico amedrontado vendo gente inteligente como alguns leitores parecendo querer empastelar redações. te garanto que pode até dar vontade de fazer isso, às vezes, mas não é a atitude mais democrática a tomar).

s leo em julho 21, 2008 12:30 PM


#14

Sergio, meu querido, eu sei que o tema lhe é caro, e o seu contraponto é importante, mas permita-me:

1) ninguém falou em "jornais burgueses".

2) eu não insinuei nada. Só disse que foi revelada uma gravação em que uma repórter fala de "matéria de encomenda" para Dantas e a Folha, ao invés de falar do assunto, ao invés de dar o espaço para que a jornalista escreva respondendo, ao invés de responder em editorial, sei lá o quê, vem com esse papo furado de que "Andréa Michael não pôde ser localizada".

3) Nem eu nem leitor nenhum está apoiando prisão e arrombamento de casa de repórter, querido, é só voltar e ler. Talvez seja o caso de ver, nas suas compreensíveis reações às críticas à imprensa, o que é reação legítima a possíveis simplicações nossas e o que é interferência emocional mesmo.

Abração afetuoso,

Idelber em julho 21, 2008 12:44 PM


#15

Homero,

Não é necessário nenhum contorcionismo lógico por parte do Idelber Avelar com relação ao caso da BrOi, porque ele sequer foi mencionado na coluna do ombudsman.
Embora ele pudesse tentar perguntar ao ombudsman da relação que a mídia teve na criação da BrOi o que acabou levando posteriormente à criação da dita empresa.

Ailton em julho 21, 2008 12:45 PM


#16

Falar sobre Daniel Dantas sem falar da fusão Oi BrT é como falar dos 72 anos de existência da URSS sem citar uma única vez a palavra Gulag; falar do nazismo sem citar o holocausto.

Não dá para falar do irrelevante e esquecer o fundamental.

Homero em julho 21, 2008 1:02 PM


#17

Eu diria que o fundamental seria a relação de Dantas com o processo de privatização, sendo a BrOi(meu pêsames aos assinantes da BrT que vão acabar tendo a "qualidade" Oi de atendimento e preços) um produto deste processo.
Eu também acho que a a folha devia sim falar sobre a BrOi e principalmente os passos que foram dados para sua criação(primeiro coinversas entre executivos, depois notas plantadas na imprensa e posteriormente conversas no governo) e o papel dela nesta criação. Se você tiver interesse sobre a BrOi vá no site do PHA que você encontrará MUITAS matérias sobre o assunto. Mas como o Cesar disse no post 11 o que mais tem são notícias verdadeiras ou falsas(fazendas) sobre o lulinha tanto na imprensa escrita quanto na internet.
E quanto a fusão em si, sou da mesma opinião do PHA, eles vão juntar as empresas, criar um verdadeiro monopólio na maior parte do país e depois de algum tempo leiloar para quem pagar mais, e os brasileiros que vão ficar com a conta da tentativa de criação mais uma suposta multinacional brasileira.

Ailton em julho 21, 2008 1:43 PM


#18

A DIALÉTICA QUE MOVE OS SERES E A VIDA

Existe um documento provando que Daniel Dantas foi sócio da filha do governador José Serra. Como cidadão brasileiro, gostaria de mais esclarecimentos sobre este caso, visto que Serra é pré-candidato à presidência da República e, por enquanto, o favorito para ganhar as eleições em 2010.

A mídia, no entanto, blinda o Serra de um jeito que ele pode sair a rua pelado, gritando frases obscenas: não sairá nada em jornal ou TV. O PSDB fica muito confortável diante dessa situação. Mas o conforto também debilita e corrompe.

Enquanto isso, o PT e o Lula, tomando porrada diariamente, são obrigados a suar a camisa para não sucumbirem à enxurrada de calúnias e intrigas, e ficam mais fortes e mais prudentes. Essa é uma das belezas da história: a dialética que move os seres e a vida.

leia o post completo: http://oleododiabo.blogspot.com/

(Manifestação carioca contra Gilmar Mendes junta 21 brancaleones )

alex severianni em julho 21, 2008 1:46 PM


#19

Caro Idelber;

Quando queres, tu é chato pra ca-ra-lho!!

Ricardo Maestro em julho 21, 2008 1:54 PM


#20

A folha se transformou em uma veja diária.

Jorge em julho 21, 2008 2:06 PM


#21

Caro Idelber

Leio este site, a Folha e a Carta Capital (talvez o melhor órgão nas suas características) e tiro minhas conclusões. Penso que os demais cidadãos podem fazer o mesmo!

A fusão BRT com a Oi está por cima (pelo lado, por trás e por dentro) deste assunto que ora tratamos. Não é necessário dizer isso a todo momento. TODOS NÓS SABEMOS DISSO!!!

P.S. Não entendo, caro Idelber, porque você que coloca inúmeras dúvidas em relação a algumas organizações da Mídia, confirma uma falada liderança do governador paulista em pesquisas de intenção de voto disseminadas justamente por estes órgãos que você critica.

P.S.2: O atual governador de S.Paulo prejudicou o Estado do Rio na constituinte. Agora assistimos o senador petista por S.Paulo tramar contra o mesmo Estado do Rio nas comissões que tratam dos royalties do petróleo. Chega-se a conclusão que as tentativas de prejudicar o Estado do Rio na política dos royalties vêm de S.Paulo e são SUPRA-PARTIDÁRIAS!!!

Paulo em julho 21, 2008 2:33 PM


#22

Idelber,

Na mosca.Simplesmente perfeito.

A Folha tem menosprezado a inteligência de seus leitores nessa cobertura (o que não é novidade hoje nem no Brasil, tampouco na Folha).Pior que isso, só mesmo, é o texto de seu prestigioso Ombudsman.

Ter um Ombudsman significa que você é transparente ou pretende ter transparência em relação aos seus leitores. Ter um Ombudsman agindo dessa maneira, não obstante à cobertura dada ao caso, é um duplo menosprezo à inteligência alheia.

Quanto ao papel da imprensa no caso, respeito as opiniões divergentes, mas excetuando uma minoria de jornalistas (Bob Fernandes, Nassif, PHA, Mino e mais alguns poucos) que há algum tempo já vinha denunciando o esquema de DD, a postura é péssima. Tanto dos que calaram antes e depois, quanto aos que deliberada e comprovadamente agiram de acordo com os interesses dos envolvidos.

Criticar uma postura ética, moral ou legal de um jornalista não significa ser contrário à liberdade de imprensa, muito pelo contrário. Em primeiro lugar é um exercício da própria liberdade de expressão. Em segundo lugar é um dever moral posto que ser jornalista, professor, médico, gari ou lutador de boxe não escusa ninguém de cumprir mandamento ético ou preceito legal e, obviamente, compactuar com isso é ser cúmplice do que foi feito em certa medida.

Mais que isso, quem se escusa de criticar um determinado comportamento de certo setor também deve se escusar em elogiar quando for merecido sob pena de ser inocoerente.

Para mim, o jornalista ouve, pensa e publica. Nesse pensar ele reflete os comos e porquês daquilo que ele está testemunhando. Se não cabe a reflexão ao métier então que se demita todos os jornalistas, porque a tecnologia já evoluiu o bastante e temos máquinas que reproduzem som e imagem melhor que os seres humanos.

Infelizmente, nesse caso o buraco é mais embaixo: No relatório da PF, nos trechos referentes às escutas telefônicas, está claramente o termo "matéria encomendada" mais quem "encomendou" e quem remeteu a "encomenda". Portanto, é intolerável calar diante disso.

Hugo Albuquerque em julho 21, 2008 2:45 PM


#23

Para quem escreve os ultimos acontecimentos como se fosse um evento esportivo, ficando na torcida, soo ratifica o q o ombusdman escreveu. O q leio aqui ee uma falta de isencao, o alinhamento automatico para as posicoes do governo petista, enfim um sectarismo q parece ser cego. Na unica vez q demonstrou uma certa independencia foi no caso das acusacoes do Nassif sobre a Soninha (o q alias ele o Nassif fez de novo, uma bela de uma canelada). Atee na critica aa filha Serra o caro Idelber faz isso, ele simplesmente esquece o jornal nao escreveu (pelo menos nos artigos q eu li) sobre os negocios do gamecorp (onde o Lulinha ee socio) c/ o Dantas durante todo este imbrolio. Caso a folha tenha escrito algo, desculpe-me pelo ultimo ponto.

Odracir Silva em julho 21, 2008 2:52 PM


#24

Mas esse é o modus operandi da Folha.Sabe aquela velha fofoqueira que fala mal da vida dos outros,e quando encostada na parede vem com desculpas esfarrapadas? Lembro-me que certa feita a Folha acusou o jornalista da tv Globo,Cesar Trali,de ter um parente de primeiro grau que trabalha na PF.Privilégio esse que justificaria os furos que o reporter obtem com operações da PF.Pois bem,Ali Kamel reagiu,e divulgou uma nota na qual desafiou a Folha a provar o que disse ou então pedir desculpas aos seus leitores pelo erro cometido.Em resposta a nota,a Folha disse que "mantinha as informações".Passou-se os dias e a Folha nem provou o que disse e nem se desculpou com seus leitores.E eu,claro,canselei a assinatura.

Ary em julho 21, 2008 3:25 PM


#25

Ótimo... principalmente a parte que se refere à locução adverbial. Com efeito, um jornal tão preocupado com o uso do subjuntivo deveria prestar mais atenção à ambigüidade do próprio texto.

Lúcia em julho 21, 2008 3:34 PM


#26

Querido Idelber, se olhar sua caixa de comentários nos posts sobre o assunto vai ver que houve, sim, leitor do Biscoito defendendo a prisão da Andrea. Ela, como te disse, estava de viagem, incomunicável mesmo, quando rolou o caso. As acusações contra ela, se comprovadas, poderiam até justificar uma repreensão, ou alguma punição profissional. Acusá-la de fazer parte da quadrilha do dantas e querer prend~e-la e confiscar dados na casa dela, como quis o Protógenes _ e, sensatamente,o juiz De Sanctis não aceitou _ é indício de uma mentalidade autoritária que defende os fins como justificativa de quaisquer meios.

O "jornais burgueses" ficam por minha conta. Sinônimo para "essa midia golpista" e correlatos, que v. não usa, mas muita gente adora.

Não há emoção nos meus comentários, caro mestre, ou melhor, há temor de que as pessoas, incomodadas com razão pelas deficiências da imprensa, percam a capacidade de discernir criticamente e reconhecer que informação isenta pode incomodar nossas certezas, nossos valores, nossas convicções; e que nem tudo que lemos e nos agrada na Internet passaria pelo crivo da isenção e da qualidade jornalística.

O carlos eduardo ainda mostrará que é um dos melhroes ombdusmans que a Folha já teve. Sua carta e suas críticas chegaram a um cara correto, pode esperar.

grande abraço

sleo em julho 21, 2008 3:40 PM


#27

Caríssimo Odracir, a Folha não escreveu sobre o GameCorp? Como assim? Só não escreveu sobre o GameCorp no caderno de esportes. Nos outros, está lá, todos os dias. Desculpas aceitas :-)

Idelber em julho 21, 2008 3:53 PM


#28

Meu caro Paulo, o favoritismo do Serra é real. O reconhecimento do nome é inegável e é maior que o de qualquer outro pré-candidato. Não é uma invenção da mídia paulista.

Idelber em julho 21, 2008 3:55 PM


#29

Sobre o texto do ombudsman, mais umas coisinhas:

"A RECENTE prisão de Daniel Dantas, Salvatore Cacciola e outros acusados de crimes de colarinho branco"...

como assim salvatore cacciola acusado? Ele já foi julgado, à revelia já que havia fugido do país com um HC concedido pelo supremo...não vamos misturar as coisas....


"Mais de 250 se manifestaram ao ombudsman, a maioria absoluta com críticas à cobertura"... Só? Esse pessoal que lê a folha tá com preguiça de reclamar kkkkkkkk


"Para azar do jornal, a própria reportagem continha erros gramaticais."
Como assim para azar do jornal???? O jornal não tem mais revisor? Nem um copy???? Como é que um jornal que se diz sério faz uma matéria criticando os erros gramaticais de outrem e não revisa essa m.... de texto pelo menos umas 10 vezes. Azar é desculpa de preguiçoso, como dizia minha adorada avó!

"A Folha, a seu favor, foi quem mais noticiou -na grande imprensa- as suspeitas sobre jornalistas levantadas pelo inquérito, na maioria absoluta inconsistentes."
Noticiou bastante né? Pena que esqueceu o próprio rabo preso. Até agora estamos esperando uma resposta sobre as ligações da repórter que vazou a informação da PF com o grupo de DD ou com o grupo da PF que não queria que essas investigações continuassem. Se a repórter está incomunicável...serve uma explicação do editor.

E Sleo, por mais que vc seja amigo da repórter, não dá para passar a mão na cabeça dela...estamos falando de um cara que tentou comprar um delegado por 1 milhão de US$. Ele pode ter comprado outros que podem ter vazado a informação para a sua amiga.

Não sei que doença ela teve, espero que esteja curada, mas nunca ouvi falar de ninguém que tenha se retirado a Machu Pichu para se recuperar de um problema de saúde...essa história está cada vez mais inacreditável.

aiaiai em julho 21, 2008 3:56 PM


#30

Querido Sergio, sobre os comentários dos leitores acerca do caso Andréa Michael, é aquela velha história: eu respondo pelo que escrevo. E acho que a imensa maioria dos leitores não apóia qualquer ato de repressão contra a repórter.

Mas acho, sim, que depois da divulgação da fita o jornal deve explicações. E, conquanto a sua palavra ter aqui credibilidade infinita, não posso acreditar nessa história de repórter incomunicável. Durante dias inteiros, uma semana inteira? Na era do fax, do email, do celular?

Não dá para acreditar, simplesmente.

Idelber em julho 21, 2008 4:29 PM


#31

Idelber,

Não li ninguém aqui pedindo para prenderem a repórter...

O que os leitores do biscoito pedem é explicação para a participação dela, do editor dela e da Folha nessa história!
Dizer que ela foi ótima repórter e deu um furo é simplesmente um absurdo corporativista. Isso não é furo, isso é fazer o papel de inocente útil. Furo é dar em primeira mão uma informação relevante para os leitores do seu jornal. Essa informação não foi relevante para ninguém...prejudicou as investigações e deu aos advogados do investigado um documento para pedir o HC preventivo. Só não ver quem não quer.

aiaiai em julho 21, 2008 4:40 PM


#32

Duas breves consideraçoes (estou sem acentos).

1) E improprio, digamos assim, o contato da reporter Andrea Michael com um preposto de Daniel Dantas para avisar que tem uma materia "sob encomenda". Ja escrevi sobre isso e nao vou me repetir. Mas se critico a liberacao de quatro minutos de uma reuniao que durou tres horas, que favorece a versao da Policia Federal, tambem devo criticar o vazamento de apenas um trecho da conversa da reporter. Alguem me avisa se houver a integra, pois eu nao vi. Para melhor opinar, eh preciso ouvir TODA a conversa. O vazamento seletivo, editado, e uma pessima pratica.

2) A materia de Andrea Michael esta correta ate onde sei. E a decisao de publica-la nao eh da reporter. Nenhuma das informacoes foi contestada. Ela nao manipulou, nao manobrou, ouviu (em on) o delegado responsavel. A Folha, todavia, calou-se sobre a ex-reporter Janaina Leite, tambem implicada na historia. E ai temos um fato grave, a meu juizo. Ou a informacao do dia 02/10/05 esta correta (na qual o Conselho da Magistratura se declara incompetente para julgar o caso envolvendo a juiza Marcia Cunha de Carvalho), ou a informacao do dia 07/10/05, assinada por Janaina Leite, esta correta (ela menciona uma decisao unanime do Conselho da Magistratura). Ai reside uma suspeita de informacao falsa, a partir de dossie forjado pelo Opportunity.

Fabio Carvalho em julho 21, 2008 5:08 PM


#33

Prezado Idelber,

Gostaria de usar este espaço para fazer uma correção de rumo com relação a um longo comentário aqui postado por Sérgio Leo. O texto dele é correto, em muitos aspectos, porque há mesmo uma crítica desvairada contra a imprensa, como se o fim dos jornalões ("imprensa burguesa" é uma ironia de Sérgio Leo, dono de um humor bastante singular e conhecido nas redações de Brasília)fosse resolver a crise de comunicação entre as massas no Brasil. Há, no entanto, um viés corporativo na abordagem do companheiro do Valor Econômico, quando não passional, que ameniza o grau de degradação das relações interpessoais e profissionais, dentro e fora das redações. O caso de Andréa Michael é emblemático, em muitos sentidos.

Apenas para esclarecer: fui casado com Andréa, com quem também convivi profissionalmente na sucursal da revista Época, em Brasília. Em mais de 20 anos de profissão, poucas vezes conheci repórter mais séria e exigente, sobretudo consigo mesma, a ponto de ser obsessiva com o trabalho. As insinuações de que ela pode ter recebido dinheiro para ajudar a quadrilha de Dantas são, pelo menos para mim, risíveis, porque quem conhece Andréa sabe que a única moeda que interessa a ela, mais do que ouro, euro ou dólar, é informação. É uma repórter que não flerta com teses nem burburinhos.

Ainda assim, no período em que fomos casados, ela foi acusada, dentro da Folha, por outro repórter, de ter roubado informações para repassá-las a mim, então na Época. Sem provas, na maldade e a sangue-frio, apenas para justificar-se ante a chefia por ter levado um furo. Uma idiotice que rechacei com um e-mail espinafrante, à direção do jornal, mas nada foi feito. O acusador foi acomodado, junto com a acusada, no leito das circunstâncias. Em seguida, ela teve uma pauta ROUBADA, em meio a uma apuração, enquanto tirava uns dias de folga comigo, numa praia do Rio Grande do Norte. Outra vez, tudo foi acomodado, sob o incrível argumento de que a Folha incentiva "a disputa interna". Sei.

Bom, lá pelas tantas, Sérgio Leo argumenta que se a CartaCapital tivesse tido acesso às mesmas informações que Andréa teve, sobre as investigações contra Daniel Dantas, teria publicado. Sinto muito, Leleco, mas isso não é verdade. Seria mais honesto se você escrevesse "eu, Sérgio Leo, se tivesse conseguido as mesas informações, teria publicado". Você é um cara sério, um jornalista de primeiríssima qualidade, certamente saberia o porquê de fazê-lo. Na Carta, no entanto, nós NÃO publicamos matérias que possam adiantar operações policiais, em nenhuma circunstância, sinto dizê-lo. E, ainda que isso não fosse um consenso na redação, eu, correspondente em Brasília, repórter de PF há mais de 15 anos, não publicaria, nem que me mandassem. Acho que você usou a régua errada para medir seu argumento. Isso, é claro, não é um juízo de valor, mas uma correção necessária, para que os leitores desse blog possam estabelecer, minimamente, parâmetros. Conheço mais uma dúzia de repórteres da área, de outros veículos, que, como eu, jamais publicaram informações sobre uma operação policial em curso, mesmo sabendo dela. E todos nós, da área, já soubemos de operações em andamento. No máximo, negociamos alguma exclusividade para depois da ação. Que vantagem pode se ter de um "furo" que vai avisar a bandidagem de uma ação policial contra ela? Que vaidade, por maior que seja, pode se alimentar de um veneno desse?

É uma ingenuidade imaginar que só três pessoas sabiam da Operação Satiagraha dentro da PF. Pode multiplicar esse número por dez, fora as fofocas de quem tinha fragmentos da operação. Basta ver a facilidade com que tudo vazou depois. Essa história de que repórter é só mensageiro, também não cola. Repórter é um decodificador privilegiado da História, trabalha com fatos e apuração, tem visão crítica e perspectiva de consequência. Se não for assim, não é repórter, é estafeta.

No mais, agradeço pelo espaço e pela publicação do comentário. Parabéns pelo ótimo blog que vc tem aqui.

abs

Leandro Fortes

Leandro Fortes em julho 21, 2008 5:22 PM


#34

Idelber,

Eu fiquei muito satisfeito de ler o texto do Ombusdman. Estou vendo como é dificil para os jornalistas se tornarem independentes do corporativismo da profissão. Não é o caso do ombudsman da Folha. A imprensa brasileira é horrível. Para nós, economistas heterodoxos, é impressionante. Como pode o Brasil estar crescendo a taxas medíocres há 20 anos, desde o domínio da ortodoxia no Brasil e a imprensa continuar apoiando tão homogeneiamente o atual modelo economico? O mesmo modelo com algumas variações que foi empregado no desastre da transição do socialismo para o capitalismo na ex-União Soviética, na Argentina de Menem. Aí você le os colunistas da Folha e eles só tem uma resposta para qualquer crise economica: aumento os juros e reduz os gastos públicos. Será que eles nunca pensaram que nos modelos economicos mais bem sucedidos, como o modelo social democrata da Suecia, o modelo do Leste Asiático atualmente empregado na China e o modelo dos EUA, mandariam fazer o contrário: aumentar os gastos e reduzir os juros? Essa imprensa inimiga do Brasil, cosmopolita, que sempre está pronta a atacar uma política externa independente. Os países desenvolvidos abusam do protecionismo quando os interessam (agricultura, têxteis), mas teríamos que abrir mais e mais para as importações inudstriais e de serviços. E a imprensa está do lado de quem, quando o governo critica o cinismo dos países ricos? Interessante que a mesma imprensa que apoiou o golpe é a mesma que diz ser a representante da democracia brasileira. Quando os jornalistas irão entender que que liberdade de opinião não é liberdade para difamar, distorcer, omitir, manipular, sem qualquer responsabilidade? Liberdade de opinião não é eliminação de responsabilidade sobre o que é dito.

Bruno em julho 21, 2008 5:40 PM


#35

Muitíssimo obrigado por esse importantíssimo comentário, Leandro. A parte sobre a publicação ou não de informação que antecipa operação policial é de muita relevância para os leitores daqui. Abraços,

Idelber em julho 21, 2008 6:41 PM


#36

Confirmo que recebi uma resposta muito atenciosa do Ombudsman da Folha. Já pedi autorização para publicá-la.

Idelber em julho 21, 2008 6:42 PM


#37

Rapaz, Idelber, até o professor Leandro apareceu por aqui. Esse cara é um monstro, no bom sentido. E oportuno: me fez parecer aquele personagem do Woody Allen, numa cena de Noivo Neurótico Noiva Nervosa, na fila do cinema, que cita Mac Luhan e o Woody, de saco cheio, pega o próprio Mac Luhan para dizer que jamais teria dito aquilo... ((-;

Desculpe, Leandro, com todo o respeito que tenho pelo seu excelente trabalho, mas se o vazamento sobre uma oepração policial não viesse de alguém que te pedisse sigilo (como é o casodas outras oeprações que v. citou), desconfio que v. publicaria, sim, ou, no mínimo, sofreria pressão imensa para publicar. Mas essa é uma opinião leviana, claro, jamais publicaria ela. (-; E não corro o risco de passar por dilema igual; jamais tive competência para cobrir operações policiais, fica logo claro para os caras de um lado e do outro que não sou confiável.

Quando falo em mensageiro, logicamente não defino o trabalho do jornalista apenas como um leva-e-traz. Mas insisto que o grau de avaliação e análise que está por trás da decisão de publicar a matéria é limitado, caso contrário o jornalista começa a se confundir com as fontas (algo comum, aliás, em Brasília e, acho, em outras capitais).

sleo em julho 21, 2008 6:55 PM


#38

Ô Bruno, que Folha voce anda lendo? A que eu conheço tem muitas falhas, mas é uma das que mais dá espaço para o pensamento heterodoxo em economia.

A que eu leio traz artigos semanais do Paulo Nogueira Batista, do delfim Netto e outros incontáveis economistas que vivem metendo o pau na política econômica e no BC. Entre os jornalisats, tinha o Nassif e ainda tem o Clóvis Rossi, entre outros, que fazem o mesmo todo dia. O Vinícius Torres Freire já fez carraspanas enormes contra a política monetária ortodoxa do BC.

"os colunistas da Folha e eles só tem uma resposta para qualquer crise economica: aumento os juros e reduz os gastos públicos"?

Seu comentário é o tipo de manifestação que me preocupa, e contra a qual encho a paciência do Idelber e dos freqüentadores deste belo blogue. Você deve lemrar que foi voc~e também um dos que defendeu que se prendesse a Andrea Michael. Não está invetsindo contra jornais e pessoas reais, mas contra algo que concebeu em sua cabeça. Desculpe a sinceridade.

sleo em julho 21, 2008 6:58 PM


#39

Sabe... qdo estaa errado tem q admitir, escrevi q nao houve nenhum artigo sobre o Lulinha pos-prisao do Dantas. Dei uma pesquisada melhor, e haa um artigo do Clovis Rossi pos-Satiagraha q menciona o filho do presidente. Porem, o CR escreve sobre o fato de q a gamecorp foi financiada pela BrT, e pode estar relacionado c/ a fusao da Brt c/ a Oi q parece ter a bencao do Palacio do Planalto. Na sentenca anterior haa muitas suposicoes, porem nao ee tudo muito estranho. Se houvesse uma suposta relacao c/ a filha do Serra envolvendo o Dantas, haveria uma verdadeira fuzarca (pelo menos) na blogosfera. Porem, pelo q eu sei, ainda nao haa nada, nem uma ilacao.

Odracir Silva em julho 21, 2008 8:02 PM


#40

O serrismo da FSP é crônico. Nenhuma linha é escrita contra o governador de SP, é impressionante.

Só acho que pegaste pesado demais com o caderno Mais! Acho que, apesar de às vezes ser enfadonho, via de regra é bom de ser lido.

Moysés Neto em julho 21, 2008 8:35 PM


#41

Eu antigamente concordava com a famosa frase de Abraham Lincoln: “Prefiro jornais sem governo a um governo sem jornais” ou coisa que o valha.
Sou jornalista há muitos anos e passei por todas as redações aqui em SP.
Hoje, eu preciso me esforçar para ler jornais.

Num país de 183 milhões de habitantes, a tiragem diária dos grandes jornais só esbarra, quando chega, nos 300 mil exemplares.
Mesmo a tal semanal execrável alardeia ter 1 milhão e tanto de leitores.
O que significa isso perante 183 milhões de habitantes???

Discordo das opiniões do jornalista Sleo. A imprensa brasileira não é melhor que a média da América Latina, onde, apesar de sofrerem problemas parecidos aos nossos, sempre existiu e continua existindo imprensa de todos os matizes, e onde a população lê mais.

Muito menos pode ser comparada à dos países desenvolvidos, isto é — sim, pode, no que tange à defesa dos interesses tão conhecidos por todos nós: o capital financeiro, as grandes corporações etc., etc.
Ocorre que em países mais desenvolvidos há também, em alguns veículos, maior participação do jornalista na linha editorial. E muitas formas de furar o cerco da grande mídia.

Mas, no geral, em todo o mundo, os problemas da imprensa são os mesmos.
Agora, entretanto, temos graças aos deuses a internet e os blogs. Nos USA sabemos que blogs já furam jornais.
Como diz uma internauta aqui nestes comentários, o que saberíamos desse caso dantesco sem os blogs?

Por isso confesso que hoje não posso afirmar como SLeo, que
“a imprensa, mesmo a imprensa defeituosa, é uma arma contra o autoritarismo, contra a desinformação”.

Muitas vezes essa imprensa é uma arma de confusão e desinformação.

“Ligeireza de conclusões”, aponta Sleo nos blogs, isentando os jornais do tal pecado? Que é isso companheiro?

Estamos discutindo aqui o caso da jornalista da Folha que, por azar, teve gravada sua conversa com um assesssor de bandido, dizendo que tinha uma matéria “de encomenda” para ele.

Se tivéssemos mais conversas gravadas de jornalistas com altas fontes, certamente nos escandalizaríamos muito mais.

Atenção, não estou apregoando gravação de nada, isso é só um exemplo. (Na ditadura, quando éramos espionados, gravados, seguidos e o escambau, nenhum baluarte vinha a público denunciar e reclamar.)

Apenas estamos aqui querendo defender a vergonha na cara: não é necessária tal promiscuidade com as fontes para o sagrado dever de obter com primazia a informação e ganhar os louros de, custe o que custar, ter chegado na frente...

Alias, é sempre bom lembrar o grande Gabriel Garcia Márquez: “fazer bom jornalismo não é publicar primeiro, mas melhor”.

Se as pessoas vivem reclamando de “conspiração na mídia” e acusam os jornalistas de corporativismo, é porque um vasto, largo e vetusto caminho foi trilhado até hoje dando margem a essas desconfianças.
Me parece que ninguém quer empastelar redações, não é mesmo democrático.
Mas também não é democrático exercer o monopólio da comunicação e perseguir sem tréguas quem tenta furar esse cerco,

Não há mais vestais no universo.


elizabeth em julho 21, 2008 8:54 PM


#42

É engano meu, ou se pode dizer que a mídia nasceu na revolução francesa, e que sua principal função era incitar o ódio do povo contra a aristocracia ?
Em tudo que li sobre o assunto, não se vê uma citação de que alguma das publicações que circulavam por Paris, durante aqueles anos, fosse de caráter informativo. Era só pau na realeza.
Posso estar enganado, já disse, mas acho que se acostumaram com as intrigas...
Está no sangue.

josaphat em julho 21, 2008 9:44 PM


#43

Concordo, Elizabeth. E tenho que deixar registrada mais uma discordância com meu querido amigo Sergio Leo. Dizer que a imprensa brasileira é melhor que a média da América Latina... bom... não sei, não. Se os jornais del Chaco e de San Luis Potosí entrarem na confecção da média, talvez.

Mas continuo achando a imprensa brasileira pior, bem pior que a argentina. A Folha, que ainda é o melhor jornal brasileiro, na minha opinião não estaria entre os três melhores da Argentina.

Idelber em julho 21, 2008 10:21 PM


#44

Idelber

Tudo muito interessante e com argumentos de cá e de lá...mas por que indagar sobre um relacionamento comercial entre a filha do Serra e a irmã do Dantas uma vez que esse relacionamento cessou há mais de 7 anos? Houve alguma coisa errada? Houve alguma acusação formal? Houve alguma fofoca? Por que trazer este assunto agora?
Seria a mesma coisa que eu afirmar que em 95 o PHA como âncora do Jornal da Band chamou o Lula de "bandido" quando noticiou que o compadre Teixeira emprestou o apartamento sem cobrar nada de Lula durante anos ou ao divulgar que o compadre Okamoto pagou uma dívida do Lula de 30 mil, à revelia do devedor. Por causa disso já foi noticiado que PHA não foi recebido por Lula para uma entrevista nenhuma vez depois que Lula assumiu a presidência.
Agora PHA chama diariamente o Lula de cagão medroso e nem por isso...Idelber. PHA é maluco, todos sabemos.
O assunto quente é o seguinte: Por qual motivo o Lula presidente mandou o Tarso promover o Protógenes ao ostracismo?
Seria por que o delegado é um "destrambelhado" nas palavras do LEG, que atirou a esmo, num trabalho policial abusivo e acertou no seu secretário particular e possivelmente na mãe Dilma? Seria a ABIN querendo controlar Lula?
Seria a Abin contrária à negociata da BrT+Oi, por dispor de informações contrárias aos interesses do Planalto?
Lula capitulou.
É mais fácil jogar pra torcida, bravateando ou se fazendo de bobo ou inocente quando a rola chega perto do rabo presidencial. Lembre do título das reportagens do Bob Fernandes (insuspeito nesse caso)...nunca foram "Intestinos do Governo FHC".
Chamou "Intestinos do Brasil" de HOJE e não de 7 anos atrás.Falou numa PF que briga com a própria PF-do governo Lula.A PF de Genro x a PF de Tomás Bastos e do chefe da Abin. Luta pelo poder.DE HOJE.De envolvimento indevido da ABIN.
O próprio ombudsmam joga pra torcida - seus leitores, como Lula tentou jogar (ridícula edição da gravação da tal reunião)e sendo desmentido pelo pr;oprio, já tinha viajado para a Bolívia e pra Colombia pra tentar aparecer bem na foto das FARC. Infelizmente aqui parece que você também, na minha opinião, ao questionar o comportamento da FSP.
Complementando meu comentário num post anterior o Protógenes e o De Sanctis são "malas sem alça" e de "papelão endurecido que se desmancha na chuva" e que, a meu juízo, só atravancaram a justiça brasileira atrapalhando a desejada por todos punição do "suposto" mau caratismo do DD.
O problema é provar.Estamos no segundo mandato do Lula e ninguém consegur reuinir provas para mandá-lo pra cadeia.
Por a culpa na imprensa é o caminho mais preguiçoso/tendencioso. E convenhamos cá entre nós..arrolar como indício de corrupção alguém do escritório do DD ao pedir versões para o inglês de artigos de jornal ou revistas, inclusive de página do próprio PHA, é de uma incompetência atroz. Subjuntiva.
Os reinaldos azevedo da vida tem razão.
DD e seus advogados profissionais bem pagos estão aliviados.Vão receber uma nota preta.DD 1 BILHÃO.
Estarão profundamente agradecidos ao delegado e ao juiz De sanctis, que se auto proclamam bem intencionados.Lembro que também Daniel Dantas também se julga bem intencionado...
Como diria meu falecido pai: De boas intenções o inferno está cheio!
...
Num próximo comentário passarei a cópia de um artigo do Estadão perguntando a 2 juristas:
"Houve abuso de autoridade na operação Satiagraha ?"
Um concordando e outro discordando.
De Sanctis escreveu a seu próprio favor.O que já denota um certo conflito de interesses.Mas vá lá.
Leiam o artigo.
Com um artigo desses De Sanctis mostra toda a competência jurídica que o ajudou a montar o caso contra Dantas. Ao ler fiquei deprimido.O cara vai ser inocentado.
Dê sua opinião.

Hellen Angel em julho 21, 2008 11:27 PM


#45

Conforme prometí vai aqui o artigo:
Houve abuso de autoridade na Operação Satiagraha?
NÃO
Fausto Martin De Sanctis*

Que bom poder dizer a si e ao mundo que se vive em pleno exercício das liberdades de um Estado verdadeiramente de Direito, no qual valores supremos como segurança, bem-estar, igualdade e justiça inserem-se numa sociedade fraterna e pluralista.

A busca do ideal afigura-se uma cruzada perseguida por todos, cada qual no âmbito de sua atuação, e demanda atitudes que não podem se amesquinhar em meros protestos verbais passageiros.

Como dizia Abraham Lincoln, "pecar pelo silêncio, quando se deveria protestar, transforma homens em covardes". Em outras palavras, faz-se necessário, mais que defender uma idéia ou um valor elevado, persistir no ideal, sendo certo que este tem que se voltar ao universo de relacionamentos e de atividades gerais de uma pessoa. Não basta, pois, ingressar na luta por um determinado entendimento de forma momentânea.

Por outro lado, não se trata de estar além do bem e do mal ou de luta contra este. Em outro diapasão, "essência", aquilo que representa a expressão de seu melhor como ser humano como postura global.

Ora, o ideal da vida em liberdade de todos não deveria sofrer limitação, mas esta se fundamenta no caso em que são colocados em xeque os valores já citados que propiciam uma vida tranqüila a pessoas de bem e verdadeiras.

Lamentavelmente, não se tem notícia de sociedade que tivesse chegado a tamanho grau de evolução, salvo raras intactas tribos indígenas que, de primitivo, pode-se tão-somente invocar alguns instrumentos e objetos inerentes, mas que em verdade representam grandeza do ser: pureza, honestidade e amor. Quanta sofisticação!

Esse mundo ideal, que por todos é perseguido, por vezes é subitamente interrompido com os acontecimentos "normais" da vida de uma sociedade contemporânea que se concebeu na busca incessante de um bem-estar abstrato, que, de fato, entristece mais do que engrandece.

A terra limpa e abençoada da liberdade é, pois, tomada por alguns que aspiram a uma felicidade fictícia e construída a partir da desgraça ou menosprezo alheio.

A adoção, sopesada, de determinadas formas de restrição do direito de ir e vir não significa repúdio aos valores supremos da sociedade, mas forma de resgate dos primeiros para a salvaguarda de um momento, quando não da própria existência do modelo social eleito. Viver em paz e livre requer muitas vezes dos que se esquecem dos preceitos sociais legítimos a resposta estatal. Não se pode rivalizar com as pessoas de bem.

As custódias cautelares (legalmente previstas) decorrem, apesar da excepcionalidade, do destemor e desrespeito às instituições regularmente constituídas no país, para que as atividades de persecução estatal tenham seu curso natural.

Por vezes, urge garantir de forma veloz o resultado da investigação criminal, pela necessidade da audiência imediata dos investigados, para que seja possível confrontar com a prova já produzida ou a produzir, evitando-se destruição ou manipulação dos indícios existentes, em prejuízo da busca da verdade.

Tais mecanismos devem ser encarados com naturalidade quando haja embasamento suficiente, até porque a lei, a expressão de um povo, assim desejou: a verdade uma vez detectada permite conhecer e aperfeiçoar a sociedade em que vivemos.

Naturais também são os mecanismos hoje existentes de combate à macrocriminalidade que instrumentalizam o processo penal como a interceptação telefônica, de dados, a quebra dos sigilos bancário e fiscal etc., institutos, aliás, utilizados por todos os países responsáveis e civilizados.

A sociedade contemporânea não pode dispensar, lamentavelmente, os mecanismos citados (verdadeiramente eficazes) para lidar com a criminalidade citada, a fim de continuar perseguindo ou tentando perseguir a mesma pureza, honestidade e amor dos nossos nativos (os índios).

A reflexão verdadeira de tais instrumentos processuais (investigações policiais, interceptações telefônicas etc) não pode ir ao encontro deste povo, feliz, é certo, mas muito injustiçado, merecendo urgentemente resgatar sua auto-estima.

Senhores legisladores, mantenham-se, por favor, fiéis a nós mesmos (brasileiros comuns, simples, espontâneos, criativos, musicais e transcendentes), "com a lei, pela lei e dentro da lei, porque fora da lei não há salvação" (Rui Barbosa de Oliveira), mas com a lei penal ou processual penal verdadeiramente legítima para um Estado de Direito.

Com certeza, e somente de tal forma (não há outra), um grande êxito advirá e as pessoas poderão se orgulhar e reconhecer novamente neste país uma terra limpa e abençoada.

* Juiz federal titular da 6ª Vara Criminal Federal de São Paulo, especializada em processos sobre crimes financeiros

Para quem quiser ler a opinião contrária, aqui segue o link:
http://www.estadao.com.br/estadaodehoje/20080717/not_imp207375,0.php

Hellen Angel em julho 21, 2008 11:34 PM


#46

Essa virada de jogo da operação Satiagraha, a "fritura" do delegado e do juiz, e alguns dos comentários que vi aqui e por aí pela net, pelos jornais e rodas de bate-papo, me lembraram uma letra de música. Com o perdão da nobre audiência e do titular do blog, a atual conjuntura me leva a cometer a segunda coisa mais brega que existe, que é citar Renato Russo (a primeira sendo citar Raul Seixas):

"Quando querem transformar
dignidade em doença.
Quando querem transformar
inteligência em traição.
Quando querem transformar
estupidez em recompensa.
Quando querem transformar
esperança em maldição"

Pronto, foi rápido.

Pequeno PS: tem uma coisa impossível de concordar, qualquer que seja a situação - "Os reinaldos azevedo da vida tem razão". Isso nunca pode ser verdade. Se repentinamente nos vemos ao lado de RA em qualquer tipo de discussão ou debate, devemos dar a questão por encerrada, declarar a própria derrota e ir para casa repensar profundamente a vida, o universo e tudo mais.

Daniel em julho 22, 2008 12:51 AM


#47

Concordar com o Reinaldo Azevedo não dá. Sem exageros! Por favor!

P.S. 1: Idelber, eu sei que política é chato demais, mas, por favor, não abandone por completo os assuntos políticos. Sei que vc deve preferir falar de futebol, literatura e artes em geral, mas que n pare de abordar as questões cotidianas de nossa política.


P.S. 2: n sei se vc tem como acompanhar isso, mas hj, aqui no Brasil, qual o melhor manual de gramática no mercado?


Mil perdões pela indelicadeza de pedir algo assim na parte de comentários...

Leandro Falcão em julho 22, 2008 4:05 AM


#48

É uma vergonha. Na antevéspera da fusão BRT + Oi o governo autoriza um aumento na tarifa!

Paulo em julho 22, 2008 7:37 AM


#49

Amigos

Pior que os erros da imprensa são as omissões.

Há cerca de 10 anos os órgão da grande imprensa brasileira vêm procurando fazer com que seus leitores não tenham conhecimento das suspeitas que recaem sobre a atuação de Daniel Dantas no processo de privatização da telefonia e outros graves problemas no exterior.

Agora, como bem colocadonos "posts" acima, a imprensa procura tergiversar.

Logo, inevitável suspeitar-se que a grande imprensa é aliada de Daniel Dantas.

Saudações democráticas

Ricardo Petrucci Souto em julho 22, 2008 9:52 AM


#50

Leandro, confesso que não tenho nem idéia, mas posso dar uma perguntada por aí. Se descobrir, aviso por email. Abração.

Idelber em julho 22, 2008 10:06 AM


#51

Nossas discordâncias só aumentam minha admiração por v., professor. Mas você acha mesmo a imprensa venezuelana, colombiana, paraguaia e uruguaia melhores que a brasileira? E a que jornais da Argentina está se referindo? O Clarín, já detonado aqui neste blogue? La Nación? O atual Página 12? Francamente, mestre Idelber.

Tirando algumas exceções louváveis na Argentina, a qualidade dos textos, da técnica, da amplitude da cobertura é bem maior no Brasil, é só comparar sem paixões. Se a gente se queixa da parcialidade da cobertura no Brasil, lá fora isso é muito mais flagrante, e os textos, Deus do céu.

Do ponto de vista da cobertura cultural, até concordo contigo, ainda que ache que vem melhorando muito o noticiário do tema, em jornais como o estadão e a tão criticada Folha.

Acho que há um enorme emocionalismo na avaliação da midia brasileira, em grande parte por culpa dos muitos erros da própria midia, mas também porque a qualidade dos jornais brasileiros cria grandes expectativas.

Sleo em julho 22, 2008 10:58 AM


#52

A propósito da questão Andrea Michael: cobram da repórter um cálculo político, de que a matéria provocaria reações defensivas do grupo de Dantas etc e tal.

Bom, uma das reações foi a tentativa de suborno do delegado _ até agora a única que o inquérito divulgado do delegado Protógenes foi capaz de provar sem margem de contestação na Justiça. O Humberto Braz está sem habeas corpus até agora.

E não me passa pela cabeça parabenizar a Andrea por isso; mas que foi por causa da matéria dela foi.

sleo em julho 22, 2008 10:59 AM


#53

Bom, como o Idelber não publicou a resposta do ombudsman, devo imaginar que não foi autorizado...estranho!

Por falar em coisa estranha: e a história que a Miriam Leitão publicou dizendo que o DD não era dono e nem sócio do Opportunity? Ela mesma ficou espantada com a informação - que obteve no Banco Central - e ninguem mais falou sobre isso. A imprensa resolver esquecer esse troço, né? tudo muito complicado...eu entendo!

sleo,
o dd e sua turma já sabiam da investigação antes da andrea publicar o FURO. Isso é óbvio, vc mesmo já disse isso. A matéria dela serviu foi como DOCUMENTO para os advogados dele entrarem com HC preventivo, o que livrou ele e a irmã da cadeia já no primeiro dia. se não houvesse esse HC preventivo, ele teria que ter esperado dois dias como os outros - nahas e pitta, inclusive.

aiaiai em julho 22, 2008 11:28 AM


#54

Eu não sou jornalista, portanto não tenho instrumental teórico sobre o assunto mídia, imprensa, etc. Mas sou uma pessoa que procura manter-se informada, e que acho que a informação é base da construção de uma sociedade (para o bem ou para o mal). Neste sentido, sinto que os blogs exercem papel fundamental, na medida em que há possibilidade de interação, de se estabelecer algum contraditório. Tenho lido os comentários deste post, em que se estabeleceu um debate sobre a imprensa brasileira. Na minha modesta opinião, como leigo, a grande imprensa brasileira é péssima. Não vai aí crítica a maioria dos profissionais que nela trabalham, pois é lógico supor que o tom das notícias seja dado fora das redações, cabendo a elas viabilizar a opinião dos donos dos meios de comunicação. Mas saltam aos olhos (dos leitores mais informados): a falta de pluralidade, a falta de transparência em assumir suas posições políticas, a omissão em informar com destaque as ações negativas dos políticos/partidos por ela defendidos, a omissão em abordar com destaque as ações positivas dos políticos/partidos por ela atacados, os interesses políticos ou comerciais que estão por trás de algumas matérias, etc, etc, etc. Nossa grande imprensa é muito ruim, independentemente de como sejam as outras, na minha opinião.

Cláudio Freire em julho 22, 2008 11:37 AM


#55

Soo p/ concluir, eu acho q se o pessoal da tal pestitosfera quer pegar o Serra atraves da sua filha, acho valido. O governador ee um homem publico, e deve responder por ele e por sua familia. Porem, os tais jornalistas da pestitosfera, como PHA, devem fazer um trabalho melhor. Fazer meias afirmacoes fica dificil... fica meio parecido c/ as frases soltas do min. Paulo Bernardo a fazer afirmacoes q o gov. anterior comprava penis de borracha. Parece ser coisa de chantagista ou de pessoas de ma-fe. Enquanto o pessoal fica a fazer meias hipoteses nao daa p/ levar a serio. Acho q falta ao pessoal do tal "jornalismo investigativo" fazer investigacoes mais serias p/ ver se realmente tem algo por ai. Por exemplo, eu espero q haja uma investigacao seria sobre as supostas propinas da Alstom. Isto deve ser cobrado, haa varios indicios fortes p/ isso. E certamente haa varios bons jornalistas q sao independentes ou simpaticos ao governo petista q sao capazes de faze-lo. Alias, se nao houver investigacoes bem fundamentadas, vamos ter o q jaa estaa a rolar, um fla-flu deprimente onde parece q a torcida pensa q pode ganhar soo no grito. Nao entendo nada de direito, mas pessoas como o Dantas tem a capacidade de ter bons advogados (pelo menos). Entao haa a necessidade da policia e da procuradoria ter um processo limpo, s/ erros.

Odracir Silva em julho 22, 2008 12:01 PM


#56

Palmas, Idelber.

O primeiro parágrafo foi brilhante!

Danilo em julho 22, 2008 12:57 PM


#57

Sleo,
Em geral eu não leio a Folha escrita, pois não gasto meu dinheiro com isso. Admito que na Folha escrita tem bons colunistas de economia (PNB e um que sou fã, Rubens Ricupero). O que eu leio é a Folha on line (é de graça). E o que eu vejo é uma ortodoxia só: Sérgio Malbergier, Kennedy Alencar, Fernando Canzian, Valdo Cruz. Não é só uma defesa da ortodxia, como é um falar mal do Bolsa Família. Por exemplo, vi uma coluna do Fernando C. falando do Bolsa Família e pondo uma foto de uma família de um milhão de filhos. Segundo o IBGE, a fecundidade da mulher brasileira está abaixo do nível de reposição. Em geral, não leio o Clovis Rossi, mas as poucas coisas que vi é de um preconceito cômico contra o Lula. Não lembrava de eu ter defendido a prisão da jornalista. Fui de volta ao meu comentário e vi que não faço menor menção a isso. Só defendo que jornalistas também possam ser investigados como qq outro brasileiro e disse tb que não acredito na ingenuidade dela. Deixa a PF investigar primeiro. Defendo a investigação. Nenhuma categoria profissional no Brasil pode estar livre de investigação , quando for suspeito de crime. Volte ao comentário e veja que foi isso que defendi, o que para os defensores da "liberdade de imprensa" e da liberdade para a completa irresponsabilidade das empresas de comunicação soa como uma defesa do Estado Totalitário. Eu sou um comunista stalinista, comedor de criancinha (sou de verdade fã do JK, o sétimo homem mais rico do mundo, claro segundo a excelente imprensa brasileira). Já perceberam que as famílias detentoras das empresas de comunicação são praticamente as mesmas que defenderam todos os golpes entre 1954 e 1964? E são elas a encarnação da defesa da democracia brasileira. Mas, eu só critico a imprensa brasileira porque sou comunista defensor de criancinhas e acho que a Coréia do Norte e a Arábia Saudita são os melhores países do mundo para se viver. Alias, as opções são só essas: Veja, Folha, Estadão, Globo ou os regimes da Coréia do Norte e da Arábia Saudita. Sleo, desculpe a chatice, não é nada contra você, é a revolta por empurrarem opções como estas: ou não posso criticar a Grande Imprensa ou eu sou defensor dos regimes da Coréia do Norte e da Arábia Saudita; ou sou liberal, defensor do Estado Mínimo ou comunista. Não existe opções da Suécia e da BBC no campo político brasileiro. Apesar de eu ter a idade que o Idelber lê a Folha, eu sou um dinossauro defensor do Estado do Bem-estar social. Tão dinossaruo que acredito que se a população tivesse a opção de optar, escolheria tal regime e economicamente ele é perfeitamente possível, o problema é que não há no campo político alguém que o defenda de verdade.
Idelber,
Vim aqui para mostrar o que acho que é mais comum na imprensa: associar tudo ao PT e desassociar tudo do PSDB. Veja, por exemplo, a matéria que está sendo atualmente a mais lida da Folha, parte Brasil:
http://www1.folha.uol.com.br/folha/brasil/ult96u424835.shtml

Bruno em julho 22, 2008 1:50 PM


#58

Se há algum benefício nessa história, foi o de levantar a necessidade de equipar - incluindo espaços físicos, contratações de profissionais do Direito, salários etc. - as Defensorias Públicas em todo o País. Isso para levar o atendimento judiciário a todos aqueles que não podem pagar um advogado. Pouco foi falado desse aspecto, mas ele coloca-se dentre os fundamentais, para promoção da eqüidade. Além do interesse que a questão, digamos, principal desperta, fatos mais próximos do real das pessoas mais simples, como o atendimento jurídico, as Defensorias Públicas mereceriam um capítulo mais eloqüente. Não apenas os poucos dados que saem em "drops", perdidos nas páginas de jornais grandes e pequenos. Em contraste, aspectos sobre uso ou não de algemas para ricos e pobres, ganham comentários favoráveis ou contrários em profusão. A recente reunião entre Executivo e Judiciário poderia ser melhor avaliada se tratasse desse tema juntamente com o Legislativo.

Dawran Numida em julho 22, 2008 2:00 PM


#59

Caro Bruno:
Eu nem sou comunista stalinista, nem petista eu sou. Votei no FHC duas vezes e no lula duas vezes também. Nenhum dos dois é perfeito ou fez governo perfeito. Porém, acho que o Brasil teve sorte de ter esses dois, perto do que a gente tinha antes é quase uma benção. Mas...
Concordo com você. Também achei uma associação bacana hoje na grande imprensa: o bom dia brasil deu uma notícia sobre um pm que matou uma menina no maranhão, e finalizou com imagens da população revoltada com o policiamento local. Logo a seguir, a apresentadora disse algo como: "pior é não ter segurança e saber que o governo arrecada cada vez mais impostos"...e entrou com a matéria sobre o recorde na arrecadação de impostos.

Ou seja: esse governo petista é terrível!!! Cobram impostos demais e a polícia é uma merda. Simples assim. Pensando bem, Bruno, eles estão certos. É como 2+2=5. Claríssimo!

aiaiai em julho 22, 2008 2:12 PM


#60

Ildeber
concordo com o leitor que diz que a nossa imprensa é muito ruim, intependentemente de comparações.
Não concordo com quem desqualifica a discussão, tachando-a de emocional. É preciso que se discuta, sempre, a qualidade da imprensa, é necessário, é útil para qualquer democracia.
Com emoção, melhor ainda.

elizabeth em julho 22, 2008 2:13 PM


#61

Parabéns pela carta...

Thi Marques em julho 22, 2008 3:19 PM


#62

Idelber, só uma pergunta: voce vai publicar a resposta do ombudsman? Será muito interessante ler a resposta dele.

Cláudio Freire em julho 22, 2008 3:23 PM


#63

Cláudio, meu caro, assim que eu receber autorização, eu publico. Não posso publicar um email pessoal sem o OK do remetente...

Idelber em julho 22, 2008 3:46 PM


#64

Claro, sem dúvida, Idelber. Aguardaremos ansiosos...

Cláudio Freire em julho 22, 2008 4:02 PM


#65

Idelber,
você disse que ainda lê a FSP diariamente?! Todo dia mesmo? Isso é uma verdadeira prova de heroísmo. Pensar que vinte e sete anos atrás a Folha tinha um caderno como o Folhetim. Meus pais fizeram uma pequena coleção desse caderno. Ano passado, fui folheando um por um: era fantástico, e ainda atual. Todo dia mesmo?! Você é corajoso.

henrique rodrigues em julho 22, 2008 10:16 PM


#66

Meu querido Henrique: eu leio a Folha diariamente. Há vinte e sete anos. E me lembro bem do que era o Folhetim. Abração afetuoso.

Idelber em julho 22, 2008 10:33 PM


#67

Idelber

Infeliz do povo que escolhe um delegado como herói!

Como previ no meu comentário anterior...veja as declarações de hoje Julho,23 do ministro da justiça de Lula, o presidente-operário:
"A substituição do delegado Protógenes Queiroz por Ricardo Saadi no comando das investigações da Polícia Federal que levaram à prisão o banqueiro Daniel Dantas, o ex-prefeito de São Paulo Celso Pitta e o investidor Naji Nahas garantirá à Operação Satiagraha um melhor inquérito. A opinião é do ministro da Justiça, Tarso Genro".
"O inquérito será mais técnico, profundo e sem lances publicitários", disse nesta terça-feira o ministro em entrevista a jornalistas. "Não terá os erros contidos (no inquérito produzido por Protógenes), que não invalidam o trabalho de provas que foi feito."
...
E relembre Idelber também o que este sujeito declarou a 10 ou 12 dias atrás...que a operação navia sido um sucesso e que seria muito dificil o DD provar a sua inocência na Justiça.

Tarso, pergunto eu... que provas? Alguém sabe de alguma? O processo ajuizado pelo De Sanctis está baseado nestas provas? ou interpretações pessoais sem muito nexo? E quando resolveu usar a tese da mídia...foi vergonhoso.
Putz o delegado, errando no subjuntivo, citou até o Norberto Bobbio nos rodapés...
Tamos mal, meu amigo...

Conclusão: Lula, o medroso acaba de enviar o processo contra Dantas para 2014...E aí vão dizer que a culpa é do governo que assumir em 2011, se for da oposição. De volta para o futuro.A culpa é da filha do Serra e do FHC

Até lá DD já terá investido o 1 BILHÃO (pra calar a boca?) recebido do governo atual pelo escandalo da BrT+Oi, em outros $$$$ negócios e se sentirá profundamente agradecido aos dois brasileiros, que você afirmou a 2 posts atrás que jamais esquecerá. O "Coringa" graças ao brilhante trabalho do Dark Knight e do Robin Hood, a dupla dinâmica da op. Satiagraha, continuará livre da prisão por muitos anos.

Tem gente muito frustrada nesta história...
O sonho acabou! Puft!
A ressaca vai ser grande.



Hellen Angel em julho 23, 2008 1:30 AM


#68

Qual o problema de citar Bobbio? Eu, hein...
Alguém poderia me dizer o que aconteceu com a digníssima Andrea Michael, de fato?
Obrigado.

Pablito Barros em julho 23, 2008 11:20 AM


#69

Pessoal, recebi a autorização do Ombudsman para publicar a resposta dele. Aqui vai:

Caro Sr. Idelber:

Obrigado pelos seus comentários.

As críticas que eu recebi e que considero produto dessa ¿guerra sectária¿, eu não as levei em consideração em minha coluna. Ative-me àquelas que me pareceram bem fundamentadas.

Eu acho que o jornal estava dando mais atenção às relações de Dantas com o PT do que com os outros partidos. No próprio domingo, foi publicada uma ampla reportagem que me pareceu mais correta.

Quanto às perguntas do último parágrafo: concordo que faltou ênfase para o conteúdo das acusações e sobrou ênfase para a forma das prisões; tratei especificamente da questão da tentativa de desqualificação do relatório pela crítica à sua forma; não está claro se o diálogo que blogs da internet publicaram que supostamente envolvem a repórter citada são mesmo transcrição de alguma gravação (a repórter nega ter dito o que lhe é atribuído); a repórter estava em férias quando os casos ocorreram e às vezes pessoas não são localizadas quando estão em férias (eu, pelo menos, faço o possível para não ser localizado por meus empregadores quando estou em férias).

Um abraço,
Carlos Eduardo Lins da Silva
Ombudsman - Folha de S.Paulo

Idelber, do Galeão em julho 23, 2008 5:28 PM


#70

Hummm...então tá né?

Ele não respondeu nada ou é impressão minha?

Acho que eu não sei mais ler...ele disse que a repórter negou ter falado o que está na gravação e depois disse que não conseguiram falar com ela??? Ela está incomunicável ou não, afinal?

Idelber e comentaristas: me ajudem. Confesso que estou me achando uma idiota! Cruzes! Será que peguei muito sol?

aiaiai em julho 23, 2008 5:43 PM


#71

aiaiai,

Não, você não pegou muito sol, o cara não respondeu nada com nada mesmo.

Aliás, eu não esperava nada muito diferente.

Hugo Albuquerque em julho 23, 2008 7:26 PM


#72

Uma pena, as respostas do Mario Magalhães costumavam ser muito elucidativas.

tiago mesquita em julho 23, 2008 10:57 PM


#73

Idelber,

1 - A resposta é um primor de não resposta, com a cereja do bolo de falar que a repórter não foi localizada mas negou que disse a frase;

2 - Andei lendo trechos do inquérito e realmente o Delegado Protógenes tem um estilo de redação demasiado retórico, poderia ser mais seco e técnico. Também cometeu alguns erros de avaliação. Mas nada disso invalida o corajoso trabalho de sua equipe como pretendem fazer crer algumas pessoas e setores da mídia. Aqui mesmo no blog há um leitor chamado Helen Angel que constantemente ridiculariza (o termo é este mesmo) o trabalho do Delegado e do Juiz, mas sem trazer elementos mais concretos para tanto. Me preocupa muito mais o incidente de suspeição levantado contra o Juiz Federal Fausto de Sanctis e a possibilidade clara de o inquérito ser levado para o STF, dado que o Ministro Gilmar entendeu que o Senador Heráclito Fortes estaria na condição de investigado. Aliás, essa tática de entrar com incidente de suspeição é um tanto manjada para enrolar o processo, e não me surpreenderia se mais adiante começassem também a surgir matérias descontruindo a reputação daquele magistrado.

Agora, jogar nas costas do Delegado ou do Juiz, ou ainda do Lula, a possível demora no julgamento de Dantas e sua possível absolvição é brincadeira. Está claro que o que ele pretende agora é enrolar isso o mais que puder, e tentar, a exemplo de Maluf, obter a não condenação por meio de sucessivas prescrições dos crimes que lhe são imputados. Prescrições essas obtidas por meio da manipulação de um sistema legal que os advogados influentes que dirigem a OAB são os primeiros a defender quando se pensam em mudanças efetivas para diminuir o número de recursos e o tempo dos processos.

3 - Já estou contabilizando no segundo turno do Brasileirão os 3 pontos do jogo que irei ver no Mineirão, quando o meu Botafogo enfrentar o Atlético Mineiro... hehehehehe

Paulo SPS em julho 24, 2008 1:04 AM


#74

Puxa, Idelber, apesar de eu não esperar grande coisa, estava muito curioso de qual seria a resposta do ombudsman, pois sua carta tinha argumentos, na minha opinião, muito fortes. Mesmo assim, a resposta dele me surpreendeu pela absoluta falta do que dizer.

Cláudio Freire em julho 24, 2008 9:23 AM