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quarta-feira, 09 de julho 2008

Forças israelenses espancam e torturam jornalista premiado

Um dos mais admirados jovens jornalistas do Oriente Médio, Mohammed Omer, correspondente da Inter Press Service na Faixa de Gaza, viajou na semana passada para a Europa, onde recebeu o prestigioso prêmio Martha Gellhorn de jornalismo pelo seu trabalho. Além de receber o prêmio em Londres, Omer falou nos parlamentos grego, sueco e holandês. Sua viagem foi auspiciada pelo Washington Report e os trâmites para sua saída de Gaza foram feitos pela embaixada holandesa em Tel-Aviv.

Ao voltar para casa, escoltado por diplomatas holandeses, Omer teria que cruzar a fronteira jordaniana com os Territórios Ocupados da Cisjordânia, para depois enfrentar o infernal percurso de volta a Gaza. Mesmo tendo passado pelo Raio-X das forças de ocupação, Omer recebeu ordens de se despir. Depois de revisar todos os papéis que ele trazia e de fazer piadas com as cartas que ele recebeu de seus leitores na Inglaterra, as forças de ocupação arrancaram sua cueca à força e jogaram-no ao chão. Perguntaram-lhe por que trazia perfumes e, ante a resposta de que eram presentes para pessoas que ele amava, um oficial israelense retrucou: vocês têm amor na sua cultura? Já com Omer totalmente pelado, as forças de ocupação o obrigaram a dançar. Tanto o insulto à sua cultura como essas formas de humilhação são diariamente usadas pelas forças israelenses contra os palestinos. A única diferença é que Omer é conhecido, e desta vez a história vazou.

Nesse ponto, com Omer chorando e pedindo clemência, oito oficiais israelenses armados procederam a uma sessão de torturas que incluiu não só insultos e piadas como agressões ao seu rosto, pancadas que fraturaram algumas de suas costelas e pisoteios enquanto ele permanecia no solo. Omer desmaiou e só acordou horas depois num hospital palestino. Enquanto isso, o embaixador sionista à Grã-Bretanha reclamava que os britânicos não apreciam a "democracia" israelense e as forças de ocupação soltavam um comunicado dizendo que Omer havia "perdido o equilíbrio" durante um interrogatório.

As forças de ocupação israelenses já assassinaram muitos jornalistas que ousaram produzir informação independente sobre a realidade da Palestina. As torturas a Omer continuam, sem dúvida, esse paradigma. Se você entende inglês e tem estômago, pode ouvir a entrevista concedida por Omer no leito do hospital. Enquanto isso, os massacres israelenses contra os civis de Ni'lin, vila próxima a Ramallah, entraram em seu quarto dia. Alguma notícia na imprensa? Não vi.

É o país mais detestado do planeta, continuando sua obra.



  Escrito por Idelber às 05:02 | link para este post | Comentários (17)


Comentários

#1

Aqui no brasil só chegam as notícias de que o irã se prepara para atacar israel...pois sim!!!!

aiaiai em julho 9, 2008 8:51 AM


#2

Está na hora de sair um "novo" e "pungente" filme sobre o sofrimento judeu na Segunda Guerra. Sofrimento verdadeiro, diga-se de passagem, e que deu-lhes aval eterno para torturar e matar.

Só pode ser o país mais detestado. Mas Obama já baixou as calças para eles, não?

Idelber, te equivocaste aqui neste trecho: "as forças de ocupação arrancaram sua cueca arrancada à força".

Grande abraço!

Milton Ribeiro em julho 9, 2008 9:26 AM


#3

É preciso impedir o acordo Israel-Mercosul!

Jorge em julho 9, 2008 10:20 AM


#4

Que coisa horrível.

Marcus em julho 9, 2008 10:49 AM


#5

Corrigido, Milton, gracias :-)

E sobre Obama, eu ainda prefiro esperar. Mas os sinais, é verdade, não são bons.

Idelber em julho 9, 2008 11:46 AM


#6

Posso até ser apedrejado, mas acho que Israel aprendeu como torturar com seus torturadores nazistas. Hoje, Israel é, sem sombra de dúvida, um Estado tão desequilibrado quanto foi o III Reich.

Rodrigo Lima em julho 9, 2008 1:02 PM


#7

O que é pior é que Israel se esforça ao máximo para ligar o estado a religião judaica, de forma que se tú é contra o estado acaba sendo taxado de anti semita também. Não sou judeu, admiro muitos aspectos da cultura judaica, mas concordo que israel é um estado terrorista (no sentido verdadeiro da palavra), e tem muitos judeus que concordam comigo. O nazismo não foi uma afronta a Israel, foi contra uma religião, não contra um estado.

Rodrigo em julho 9, 2008 1:11 PM


#8

A melhor cobertura deste assunto nos blogs brasileiros era a de Bourdoukan http://blogdobourdoukan.blogspot.com/

Ele quase sempre reproduzia textos e imagens desta truculência e desmando concedido e protegido globalmente por governos e mídias dependentes do poder econômico judaico/israelense. E bastante interessante que reproduzia artigos de judeus capazes de fazer a critica a esses absurdos. As humilhações dos palestinos desde o corte das oliveiras centenárias à exposição de seus corpos nas revistas eram com freqüência denunciados lá.

Uma pena que ele tenha decidido encerrar o seu blog. Mas há lá muito material a respeito.

Conceição Oliveira em julho 9, 2008 2:01 PM


#9

Realmente é uma pena, Conceição, o fim do blog do Bourdoukan.

Idelber em julho 9, 2008 2:06 PM


#10

Idelber,

Aqui na Batávia, diretamente envolvida no lance, eis o que 2 jornais importantes falaram sobre o caso (não posso jurar mas não me lembro de ter visto na tv) e no rádio o ocorrido não mereceu maiores destaques):
AD
do dia 26 Reporta que um deputado solicitou ao ministro das relações exteriores que exigisse desculpas de Israel pelos maus-tratos ao jornalista. Segundo o deputado, Omer teve que se despir, teve a mala confiscada e recebeu jato de uma espécie de spay de pimenta no rosto e depois foi levado ao hospital em Jericó.
Como já comentaram aí em cima, agora só falam do perigoso poder de fogo do Irã...

NRC do dia 27 repete verbatim a notíca do AD e só acrescenta que o tal ministro da relações exteriores ligou para o embaixador sionista, digo, israelense dizendo que Israel tem que respeitar os direitos humanos, o embaixador concordou e disse que ia averiguar o ocorrido.

Márcia W. em julho 9, 2008 2:17 PM


#11

Uma boa matéria minimamente independente sobre o que se passa no Irã saiu na última CartaCapital. Trata do dinheiro que o Congresso dos EUA injeta para desestabilizar o governo iraniano, o que justificaria uma intervenção militar.

Importante sublinhar que essa política denunciada pela CC é ponto pacífico entre democratas e republicanos. Certamente um governo de Obama seria menos belicoso. Mas não menos intervencionista...

João Barreto em julho 9, 2008 3:41 PM


#12

No caso relatado pela Márcia, repete-se a mesma história: a raposa garante que vai investigar o sumiço de galinhas do galinheiro.

Até mesmo no caso do assassinato do jornalista da Reuters (linkado acima, vídeo do You Tube), o máximo que o responsável pela agência de notícias conseguiu pedir foi que "as forças de segurança" de Israel investigassem o ocorrido.

Vergonhoso.

Idelber em julho 9, 2008 5:02 PM


#13

O que é mais repugnante neste episódio todo é a descrição, no artigo do Guardian, de que os agentes israelenses estavam atrás do dinheiro do prêmio concedido ao jornalista, isto é: além de torturaram, provavelmente iam roubar também... Mistura de SS e polícia de país de Terceiro Mundo, numa mistura que o pior anti-semita teria dificuldade de inventar. E aí é que está: será que vale a pena comprometer-se em preservar um estado cuja principal "realização" é ter feito que os judeus, que até a segunda metade do século XX estavam associados quase que automaticamente a tudo que era novo e emancipador (Freud, Einstein, Trotsky, Rosa Luxemburgo, Mahler, Ernest Mandel, Susan Sontag, Woody Allen, etc.) tenham agora como seus representantes "típicos" gente como esses agentes?

Carlos em julho 9, 2008 6:56 PM


#14

Tenebroso, lamentável, hediondo. Isso não pode ocorrer em lugar algum, muito menos em um país que tenha a pretensão de ser considerado uma "Democracia". Menos ainda em Israel, que por óbvias razões históricas não deveria jamais agir dessa maneira.

O pior, como deixa claro o post e as pilhas de informações sobre o assunto, é que se trata de uma prática reiterada e que ainda por cima cai na vala comum da impunidade.


Hugo Albuquerque em julho 9, 2008 7:06 PM


#15

Bernard Lazare-“Antisémitisme, son histoire et ses causes”, Paris 1934, Tomo I, pág.32

“Se a hostilidade e aversão contra o judeu tivessem acontecido num único país e numa determinada época, seria fácil determinar as razões desta raiva.

Mas ao contrário, essa raça é desde muito o alvo do ódio de todos os povos, no seio dos quais ela viveu.

Como os inimigos dos judeus pertenceram às mais diversas raças, as quais habitavam regiões distantes entre si, tinham diferentes leis, dominadas por valores antagônicos, nem tinham os mesmos costumes, nem os mesmos hábitos e possuídos de espíritos distintos, então a origem comum do Anti-semitismo deve recair mesmo sobre Israel, e não naqueles que o combateram e o combaterão.”

PODERÃO TODAS ESTAS PESSOAS ESTAREM ERRADAS ?

Vanessa Vilas Boas em julho 9, 2008 7:56 PM


#16

Quando será a discussão do livro Ilan Pappe no clube de leituras?

Tiago Mesquita em julho 10, 2008 10:04 AM


#17

Tiago, ainda não marcamos. Estou esperando notícias da chegada do livro do Pedro.

Idelber em julho 10, 2008 4:01 PM


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