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Um blog sobre política, literatura, música e futebol basquetebol. Na rede desde outubro de 2004.



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quinta-feira, 03 de julho 2008

Guimarães Rosa, em seu centenário

rosa-menino.jpgO post de hoje saúda, com seis dias de atraso, o centenário de nascimento de João Guimarães Rosa. Tive outro encontro com o texto de Rosa esta semana, graças a uma magnífica tese de doutorado defendida anteontem na UFMG, em cuja banca de argüição tive a honra de participar. O mais novo doutor do melhor de programa de pós-graduação em literatura do Brasil é meu amigo Roniere Menezes, que defendeu brilhantemente um extenso trabalho de pesquisa sobre as obras de três escritores-diplomatas: Guimarães Rosa, João Cabral de Melo Neto e Vinicius de Moraes.

Como se sabe, Guimarães Rosa foi cônsul-adjunto do Brasil em Hamburgo, nomeado em 1938. Ali permaneceu até janeiro de 1942, período no qual ele e aquela que seria sua segunda esposa, Aracy Moebius de Carvalho, tiveram papel chave na salvação de centenas de vidas de judeus perseguidos. Aracy, então funcionária do Consulado Brasileiro, preparava os papéis e conseguia que os passaportes não apresentassem a religião dos portadores nem a estrela de Davi. O visto era dado por Rosa.

No seu período de residência na Alemanha, Rosa redige um diário, cujo manuscrito se encontra no Instituto de Estudos Brasileiros da USP. Esse extraordinário documento ainda não está publicado – coisas do Brasil – por responsabilidade de uma prole que infelizmente não prima pela sanidade mental. Nas anotações de 13 de julho de 1940, depois de descrever a beleza das margens do Alster, ele conclui o parágrafo dizendo: E ... mas ... para estragar toda a mansa poesia do lugar: arvoraram, num poste, uma taboletazinha amarela: “Lugar de brinquedo para crianças arianas”.

No dia 12 de março de 1941, a entrada do diário se deixa ler como uma caixa de comentários de blog, com anotações que se iniciam às 11:05 e seguem em intervalos de 10 ou 15 minutos, enquanto os bombardeios e o fogo cruzado fazem, por vezes, sacudir a própria casa. Rosa estremece, sente o cheiro de pólvora. Medita sobre o horror da guerra.

Roniere também consultou os arquivos do Itamaraty, onde é possível ler o ofício enviado por Rosa ao Ministro Oswaldo Aranha em 20 de julho de 1939, no qual o escritor mineiro enfaticamente recomenda os nomes de 226 judeus aos quais ele havia concedido visto de entrada para o Brasil e solicita a reserva de números adicionais, para que mais vidas pudessem ser salvas.

Depois de deportado de volta ao Brasil, em 1942, Rosa voltaria a ver a Alemanha em 1946. Ao fim da Conferência de Paz de Paris, na qual ele participara como secretário da delegação brasileira, ele percorre as ruínas de Berlim e escreve uma carta emocionada a Aracy: Quase tudo destruído: toda a Kurfuerstendamm são duas tétricas filas de ruínas; a Embaixada destruída; o consulado, idem; o Éden Hotel, a KDW, o Adlon, o Venezia, tudo, tudo (...) A Friedrichstrasse, a Wilhelmstrasse, nelas não sobrou casa. Nunca imaginei que pudesse sofrer tanto uma cidade tão grande. Tétrica foi a visita a Reichskarlei, ou ao que dela resta, denegrido, quebrado, incendiado, espedaçado. Enfim, não digo mais, pois seria uma infindável enumeração de ruínas.

Nesse mesmo ano de 1946, Rosa publicaria Sagarana. Dez anos depois, dois petardos simultâneos: Corpo de Baile e Grande Sertão: Veredas. A experiência alemã não deixaria marcas muito visíveis na sua obra, com a exceção de um relato, “A velha”, publicado na coletânea póstuma Ave, Palavra. Acerca de Guimarães Rosa, aqui no Biscoito, leia também o post sobre Diadorim e o post sobre o demoníaco em Grande Sertão.

Evoé, João Rosa, e parabéns, Dr. Roniere.

PS: Para quem não sabe, as palestras da Flip deste ano estão sendo transmitidas em vídeo pela internet. A magnífica apresentação de ontem, de Roberto Schwarz sobre Machado de Assis, mereceu uma matéria na Folha (para assinantes), na qual Eduardo Simões e Marcos Strecker equivocadamente se referem a “Retórica da Verossimilhança”, de Silviano Santiago, como “um livro”. É um artigo, reunido no livro Uma literatura nos trópicos.

PS 2: Eu torci muito, caros tricolores, mas convenhamos: o Fluminense falou demais antes da hora.



  Escrito por Idelber às 04:31 | link para este post | Comentários (38)


Comentários

#1

É verdade, se até para entrar no Maraca tinha "jeitinho", pelo menos com o resultado isso não ocorreu. :p

Catatau em julho 3, 2008 12:03 PM


#2

Então, seu Idelber! É a volta de Sobrenatural de Almeida, imortal (em mais de um sentido...) personagem futebolística de Nelson Rodrigues, irmão de Mário Filho, que nomeia o Maracanã por ser quem mais fez pra que ele fosse construído justamente onde foi. Deve ter um cemitério indígena ali embaixo.
Pra confirmar o papel do Sobrenatural nessa história, foi noticiado que um torcedor morreu do coração, no estádio, pouco antes do jogo.
E que jogo, hem? Com falhas trágicas e tudo.
E o hipotrélico (Rosa dixit) Sobrenatural de Almeida ali, batendo no peito magro: "Fui eu! Eu!"
Deus nos livre!
Saudações atleticanas e lulistas.

Jair Fonseca em julho 3, 2008 12:29 PM


#3

Eu também torci muito....

CONTRA!!!!!!!!!


HAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHHAHAHAHAHAH


O mais engraçado foi ouvir o José Roberto RATO, em ato falho, dizendo que o juiz tinha que ter terminado o jogo antes de expulsar o zagueiro do Fluminense. Ele era acostumado com isso, que o diga o Bangu...

Ninguém aguentaria a arrogância, a empáfia, de Renato Gaúcho, que "achou" uma Copa do Brasil ano passado apenas porque o Botafogo jogou o ano inteiro com um cone no gol, pouco importando o nome dele: Cone Max, Cone Júlio César, Cone Lopes, Cone Roger.

Enfim, um time que não veio para a 1ª divisão jogando no campo, e que é mantido por um dinheiro jogado lá por motivos suspeitos, não merecia mesmo ser campeão da América.

Não sei o que a Receita Federal, a fiscalização da Delegacia Regional do Trabalho e a Polícia Federal estão esperando para analisar o "patrocínio" da Unimed, que dá alguns sinais de fraude fiscal e trabalhista na contratação de jogadores. E olha que quem disse isso foi o ex-amigo traído Eurico Miranda, na época do caso Leandro Amaral...

Sei que este comentário pode despertar a ira de alguns tricolores, ainda mais nesse momento de luto.

Mas é o que penso mesmo.

Voltem para a 2ª divisão, ganhem a vaga na bola e retornem de cabeça erguida, para não ter de aturar isso a cada eventual conquista ou derrota suas.

O Botafogo teve o castigo merecido pela ajuda naquele ano do Sandro Hiroshi do São Paulo, mas se redimiu jogando.

É o mínimo que se espera.

Viva La Liga!!!!!!!!!!!!!!!

Paulo SPS em julho 3, 2008 12:43 PM


#4

Não foram os tricolores que falaram muito, mas esse Renato Gaúcho. De todos, foi o que mais mereceu o humilhante e inesquecível maracanazzo de ontem, em que a empáfia de um time superestimado foi sepultada por uma equipe não mais que razoável. Quem não lembra da frase "vamos ganhar a LIbertadores, depois brincar no Brasileiro"?? POis é: que brinquem com a lanterna.

João Marcelo em julho 3, 2008 12:59 PM


#5

Idelber,
não sei se você se lembra, mas ouça o que eu disse aqui no dia 30 de maio, logo após você ter dito que torceu para o Fluminense. Às aspas.

"Eu também torci para o Flu, mas com um plano maléfico.
Seguinte. O time das Laranjeiras chega na final cheio de pose e circunstãncia depois de vencer o Boca e recebe uma bordoada da LDU, que é pra, com o perdão da má palavra, Renato Gaúcho deixar de fazer apologia de (tirem as crianças do recinto) Luxemburgo".

Por falar em profecias, ouça esta outra que fiz no início do campeonato brasileiro.

http://ingresia.wordpress.com/2008/05/07/332/#comments

Franciel em julho 3, 2008 1:10 PM


#6

Idelber, vim aqui chorar um pouquinho em boa companhia. Essa tradição de pó-de-arroz parece que atrapalha mesmo. Mas não sei se a gente merecia isso.
Abraço pra você.

adelaide em julho 3, 2008 2:05 PM


#7

É, meus caros e caras, parece que Guimarães Rosa foi obnubilado pela Schadenfreude com o Fluminense.

Hoje é o día das palavras difíceis :-)

Registro a honra e a alegria com a chegada de Jair Fonseca a esta bodega. Professor da UFSC, Jair é o maior conhecedor da obra de Glauber Rocha no planeta. E de muchas otras cosas más, incluindo-se a história do rock.

Saudações gerais e minha solidariedade aos tricolores, mas que se entenda que time nenhum ganha uma final falando aquela quantidade antes da hora.

Idelber em julho 3, 2008 3:10 PM


#8

Navegando pelos blogs aí, fiquei impressionado com júbilo com a derrota do Flu.

É incrível como uma virada de mesa e as declarações de um treinador fanfarrão transformam um dos clubes tradicionalmente mais simpáticos do país em objeto de fúria geral.

Idelber em julho 3, 2008 4:00 PM


#9

Então, Idelber, eu pelo menos citei Guima Rosa, quando tratei da volta de Sobrenatural de Almeida, essa hipotrélica figura...
sabendo que esse negócio de internet vicia, nem tinha computador em casa. coisa de caboco, bicho do mato.mas às vezes frequentava essa bodega que serve biscoitos finos, coisa mais apropriada para uma casa de chá, que pra mim só existe em certa literatura. aliás, bodega também, já que nosso negócio é botequim.
falando nisso, cito outro Rosa (o Noel):
é assa é essa é issa é ossa é ussa
esse samba parece uma salada russa

abraços do
Jair

Jair Fonseca em julho 3, 2008 4:20 PM


#10

E falando no outro Rosa, o Noel, aguardem um post do Biscoito sobre essa polêmica aqui. Bem interessante.

Idelber em julho 3, 2008 4:26 PM


#11

Taí, o pior é que ninguém acredita quando nós tricolores dizemos que estávamos preparadíssimos e entusiasmados para a disputa da 2ª divisão em 2000, ano seguinte à subida da terceira divisão.
Além do que, virada de mesa por virada de mesa, outras centenas já haviam acontecido no futebol brasileiro. Esta de 2000 ficou na memória das pessoas por se a última de que se tem notícia.

Mas não tem nada não, continuo feliz com meu time e assustado com o número de pessoas que têm prazer na desgraça dos outros. Vai ver que quem não tem potência própria, tem que se alegrar com a derrota dos outros.

Radical Livre em julho 3, 2008 6:16 PM


#12

Aqui no Rio de Janeiro, a torcida pelo Fluminense contagiou torcedores fanáticos dos rivais. Amigos, porteiros, jornaleiros, amigos de parentes e colegas de trabalho, todos torceram para o Fluminense.

Minha tese é a de que, no fundo, somos tomados pela equipe mais vibrante. Pela equipe que constrói a história mais bonita da competição. Já me peguei torcendo pelo Flamengo, no Estadual desse ano, e pelo Vasco, na Libertadores 98 em que foi campeão. Acontece. A gente se distrai, e pimba!

A diferença é a maturidade do cara em admitir que foi "pego".

Enfim, isso tudo me faz questionar sinceramente essa "antipatia" de torcedores de times de outros Estados.

Ninguém, repito, ninguém no Rio de Janeiro menciona mais a "viradas de mesa" ou rebaixamento. Simplesmente porque perdeu o sentido, me arrisco a dizer.

Desculpem, amigos. Mas admitam que TODOS vocês gostariam de ver seus times no lugar do Tricolor das Laranjeiras ontem.

Esse é o princípio de tudo o que vocês escreveram.

Fabiano Pires em julho 3, 2008 7:44 PM


#13

Mais uma vez peço desculpas, mas tenho que discordar de vocês.

Os jogadores da LDU não foram depreciados quando da afirmação do Washington de que seu melhor jogador é a altitude.

Ele somente estava falando a verdade.

A prova: Fluminense 3 x 1 LDU.

Fabiano Pires em julho 3, 2008 8:09 PM


#14

Idelber, depois de ontem e de dormir amargando essa derrota patética, só uma coisa: eles precisam treinar pênaltis, pelamordezico! :D

Lucia Malla em julho 3, 2008 9:00 PM


#15

Idelber,
É verdade que Guimarães Rosa morou por algum tempo na cidade mineira de Itaguara? Pergunto porque eu já ouvi de muitas pessoas dessa cidade, terra de meu saudoso pai, que Guimarães Rosa morou lá.
Saudações Atleticanas

Guilherme em julho 3, 2008 9:13 PM


#16

Guilherme, o Guimarães Rosa morou, sim, em Itaguara, logo depois de formado em medicina. Ele se formou em 1930 e ficou dois anos em Itaguara.

Saudações alvi-negras :-)

Abraço solidário, Lu :-)

Idelber em julho 3, 2008 9:26 PM


#17

O PS fez mais sucesso que o post: deve ser coisa do sobrenatural de almeida também.

O clube de leituras do Grande Sertão tinha me deixado pilhado para ler o livro, mas sabe como é, uma filha que nasce ali, um trabalho enrolado acolá, uma viagem prá lá, coisa e tal... fui ler o livro esse ano, dois anos depois do clube de leituras. E chapei com o livro, ao ponto de ficar triste com a possibilidade de chegar ao fim dele e não ter mais nada do mesmo nível para ler. Quando cheguei no simbolo de infinito quase voltei imediatamente pro nonada prá começar de novo. Uma busca pelas estantes da familia e por sebos me proporcionou um estoque de Guimarães Rosas prá aguentar uns meses, espero que até lá as filhas descompensadas dele liberem os diários alemães para publicação.

Cheguei a comentar aqui, certa vez, sobre o curta de animação que eu queria fazer adaptando um conto dele, e como elas tiveram a pachorra, através de uma advogada que morreu de vergonha de ter que passar esse recado, de me cobrar 50 mil dólares pela "cessão" dos direitos. Isso era praticamente o dobro do orçamento do curta inteiro, e o projeto morreu. Aliás, será que é por culpa delas que a FLIP não fala nada de Guimarães Rosa bem no centenário dele? Nem o Sobrenatural de Almeida consegue entender essas duas.

Daniel em julho 3, 2008 9:58 PM


#18

A história do seu curta é típica, Daniel. Essas duas não têm idéia do mal que estão fazendo à obra do pai.

Há especialistas que chegaram a me dizer: Idelber, se continuar assim, Guimarães morre em 10 ou 20 anos. Pode até ser exagero, mas num país de memória curta como o Brasil, uma mesquinharia dessas com direitos de autor pode ser quase letal.

Uma pena.

Idelber em julho 3, 2008 10:05 PM


#19

A virada de mesa do fluzinho em 2000 não foi uma virada qualquer. Simplesmente o trouxe da 2a. pra 1a. divisão. Não é pouca coisa. Só mesmo um clube que tem um Havelange como torcedor-emérito. E enquanto o flu não voltar pra 2a., ganhar e voltar ganhando no campo, não ganhará mais nada... quem disse isso foi o Sobrenatural de Almeida. Quanto ao Renato, deve voltar pra Guaporé, começar a treinar o time de lá, aprender humildade e aí, quem sabe????
O Washington Rodrigues está agora na rádio Tupi dizendo que o LDU é fraco, a defesa é fraca, o goleiro é fraco, mas... ganhou do "poderoso" flu...

Juliano Góes em julho 3, 2008 10:07 PM


#20

A derrota do Fluminense se deu pela ausência no estádio do Gravatinha (que assistia às partidas como o pessoal ia ao campo em priscas eras: de terno e gravata borboleta), ou seja, pela ausência de Guimarães Rosa. Aliás, os dois morreram na mesma época.

Jair Fonseca em julho 3, 2008 11:43 PM


#21

O Sobrenatural de Almeida e o Gravatinha são as estrelas do post :-)

Idelber em julho 3, 2008 11:46 PM


#22

Não assisti ao jogo, não torço nem a favor nem contra o Fluminense. Só queria dizer que fiquei bem feliz com o post sobre o Guimarães Rosa e dona Aracy -- e enfurecida com o comportamento das filhas do autor.

Parte dos meus estudos cá no exterior tem a ver com o trabalho de Oswaldo Aranha no Itamaraty (o sujeito tem um cartaz na diplomacia internacional que a gente nem desconfia, vindo do Brasil) - e foi desse jeito, de orelhada, que eu descobri o trabalho supra-literário de Rosa e Ara.

Que as filhas dele fiquem "fazendo fusquinha" (como diz meu pai) com esses diários é um crime contra a memória! Enfim, coisas de um país estranho... :(

Anna C. em julho 4, 2008 5:09 AM


#23

Eu outro dia estava discutindo com um amigo do meio artístico sobre este negócio de herança de direitos autorais e o absurdo que é os descendentes de um artista terem o direito de dizer o que se pode ou não fazer com a obra do pai. Meu ponto de vista estava centrado no fato de que arte é um diálogo e, se você limita o diálogo, você limita e diminui o alcance que uma determinada obra de arte poderia ter. E, em muitos casos, a gente sabe que o verdadeiro autor, se vivo, não imporia as mesmas condições/restrições.
Não é só este caso do Guimarães Rosa, têm os descendentes do Drummond e do Vinícius de Moraes (que vivem tirando site-homenagem do ar...) e muitos outros (a esposa do Vianninha, por exemplo, não deixa as peças dele serem encenadas nem em teatro escolar). Vampiros Sangue-sugas que nunca fizeram nada na vida se alimentando dos restos dos pais/companheiros...

Aí meu amigo quis contrapor perguntando se eu não achava justo um pai poder deixar para seus filhos os frutos de seu trabalho.

Uma obra de arte, diferente de dinheiro, propriedades ou bens, é dada a conhecer ao mundo, é uma oferta aberta, deve ser livre para o diálogo com outras formas/saberes sobre a arte. Acho inclusive que a própria cobrança de direitos autorais, mesmo com o autor vivo, devia ter tempo de validade.

Se eu já tenho problemas com herança patrimonial, imaginem com herança de direitos intelectuais.

E ainda temos aqui no Brasil os filhos que ganham dinheiro porque alguém fez uma biografia sobre seus antepassados. Como se a própria memória de um ente público pudesse ser propriedade de alguém.

Radical Livre em julho 4, 2008 8:35 AM


#24

Também quero deixar aqui meus Parabéns ao Dr. Roniere, companheiro de "período de sufoco" no Doutorado!

O trabalho deve estar maravilhoso, pelo que conheço do Roni! Não pude ir à defesa, mas vou ler a tese assim que estiver liberada. O trio que ele escolheu é simplesmente magnífico!

Beijo, Roni! E Idelber, o post foi lindo! Quando vier por aqui, entre em contato, gostei demais das discussões daquela "noitada" com a Mary W e a Ju!

Rebecca em julho 4, 2008 1:51 PM


#25

Idelber,

Agora que a Internet voltou em São Paulo(em mais uma bela demonstração de como a Telefonica trabalha bem), vou aos comentários.

Guimarães Rosa é um dos meus escritores favoritos, Sagarana foi uma obra que me marcou muito e é, sem dúvida, um dos grandes livros da literatura nacional. Aliás, muito bem lembrado essa sua passagem sobre a experiência alemã dele.

Quanto ao Fluminense, confesso que torci por ele e fiquei triste pela derrota apesar de não ser carioca, nem tricolor. O time fez a melhor campanha no torneio e é uma pena que tenha perdido nos penâltis o título.

Vale ressaltar também a injustiça do regulamento da Libertadores que usa durante todo o mata-mata o critério de desempate dos gols marcados fora de casa e na final acaba abolindo-o. Se era para o estilo da final ser diferente que se desse vantagem da soma dos placares para o time com melhor campanha durante o torneio.

Ainda assim, é necessário ressaltar a garra(e a qualidade) da LDU, que com esse título consagra esse crescimento impressionante do futebol equatoriano dos últimos anos.

Também é digno de nota a qualidade dessa Libertadores que teve bons times e foi disputada num nível como há muito tempo não se via, talvez reflexo do crescimento economico experimentado pela região nos últimos tempos.

Hugo Albuquerque em julho 4, 2008 2:27 PM


#26

Ninguém, repito, ninguém no Rio de Janeiro menciona mais a "viradas de mesa" ou rebaixamento.

Eu adoro quando aparecem leitores que crêem saber tudo o que acontece numa cidade pelo fato de morar nela. É tão singelo! Tem certeza disso, Fabiano? Dê mais uma olhadinha por aí na Internet...

Os jogadores da LDU não foram depreciados quando da afirmação do Washington de que seu melhor jogador é a altitude.

Ele somente estava falando a verdade.

A prova: Fluminense 3 x 1 LDU.

Fabiano, há que se ter cuidado com a empáfia, especialmente depois de perder um título no campo, estar ocupando a lanterna do Brasileiro, e já ter sido rebaixado tantas vezes. O 3 x 1 -- que era menos que o Flu precisava -- prova que a altitude é o melhor jogador da LDU? Quem deu aquelas entortadas no Junior Cesar lá do lado esquerdo da defesa do Flu foi a altitude? Os batedores do Flu são tão ruins que, de 4 penais, deixaram 3 serem defendidos pela altitude?

Menas, companheiro, menas.

Idelber em julho 4, 2008 2:43 PM


#27

Deprimente esse comportamento familiar (sic).

Armando em julho 4, 2008 3:58 PM


#28

Idelber,

Estou decepcionado. Não sabia que eram necessárias certezas científicas para escrever nesse blog que, faço questão de dizer agora, acompanho com satisfação há uns 3 meses.

Era tão óbvio que falava da minha experiência, que fiquei mais que à vontade para exagerar na ênfase, sem ter cuidado algum em não generalizar.

Sou um torcedor atuante, e posso afirmar que menções ao rebaixamento são argumentos ultrapassados dos rivais. Simplesmente não colam mais.

Mas é claro que haverá pseudo-torcedores rivais a resgatar um argumento já surrado, especialmente em um momento em que não há nada mais fácil - e covarde - que chutar cachorro morto.

Mostre-me menções (depreciativas, obviamente) a "viradas de mesa" e rebaixamentos, enquanto o Fluminense realizava a melhor campanha da Libertadores, quebrava tabus cinqüentenários e era o time mais badalado do Brasil.

Porém, curiosamente, meu post não falava sobre isso.

Eu poderia suprimir essa parte destacada por você, Idelber, que o sentido do meu texto não mudaria em absoluto. Faça um teste.

Mesmo assim, essa foi a parte que você "escolheu" para contra-argumentar meu post, com uma exigência quase científica de seu leitor.

Por que será?

Fabiano Pires em julho 4, 2008 9:28 PM


#29

Idelber,

Creio que você não deva ter acompanhado a Copa.

Você assistiu às partidas do Fluminense no decorrer da competição? Assistiu à partida contra a LDU em Quito?

Se sim, haverá de concordar que a atuação do Fluminense no primeiro tempo foi irreconhecível, destoando completamente de sua campanha até ali.

Uma desproporção inacreditável até para o torcedor rival mais mal resolvido.

Guerrón é um tremendo jogador. Um monstro, assim como Riquelme e Adriano, craques eliminados por nós logo antes da final.

Porém, há algo óbvio nisso tudo que, por algum motivo, ficou de fora de sua argumentação.

A altitude foi o adversário a ser enfrentado lá, Idelber, onde tomamos um placar a ser compensado aqui.

Aqui na "baixitude", o Fluminense mostrou o futebol que o fez ser o melhor time da competição.

Em igualdade de condições, o Fluminense venceu a partida brilhantemente, de virada.

Realizou um placar que lhe faria campeão no tempo regulamentar, caso o critério de desempate por gols fora continuasse a valer na final.

Isso, mesmo tendo enfrentado um adversário a mais na primeira partida.

Quanto à disputa de pênaltis, meu caro, o sentido de sua existência é o erro.

Foi criada para um dos lados errar, afim de que um outro, finalmente, possa sagrar-se campeão.

É a parte do futebol que EXIGE um resultado.

Você já leu alguma crônica de futebol só sobre disputa de pênaltis?

Enfim, Washington tinha razão. Perdemos o título em Quito.

Lá onde ficou a altitude.

Fabiano Pires em julho 4, 2008 10:23 PM


#30

Certo, Fabiano. No campo do adversário, o Fluminense enfrentou "um adversário a mais". No Maracanã, há "igualdade de condições".

Parabéns. Argumentação digna de quem diz que ninguém mesmo no Rio fala de virada de mesa.

Quando alguém diz que ninguém mesmo fala de alguma coisa, meu caro, não "está óbvio" que fala da própria experiência. Está óbvio que faz uma generalização.

O Flu perdeu para a LDU, Fabiano. No campo de jogo. É só aceitar o fato, tranquilo.

Idelber em julho 4, 2008 10:30 PM


#31

Trecho da coluna do José Geraldo Couto na Folha de hoje:

EMPÁFIA.
Foi essa a palavra que Tostão empregou há algumas semanas, com precisão cirúrgica, ao se referir de passagem ao técnico do Fluminense, Renato Gaúcho.
Não há no dicionário, de fato, vocábulo melhor para definir um sujeito que, às vésperas do jogo mais importante da história de seu time, declara-se vencedor por antecipação, pois "sabe tudo" sobre futebol.
Há uma fronteira tênue, mas decisiva, entre autoconfiança (necessária a qualquer indivíduo que encara um desafio) e presunção. Renato, ao que tudo indica, rompeu essa fronteira e levou consigo seus atletas.

Marcelo em julho 5, 2008 3:34 AM


#32

"O Flu perdeu para a LDU, Fabiano. No campo de jogo."

Sim, Idelber, eu aceitei o fato.

Porém, o fato não se reduz a esta sentença, meu caro. Ele é bem mais rico do que isso.

Quem sabe você não deveria ter assistido aos jogos ou, talvez, entender mais do assunto para perceber isso.

Sim, porque, se a altitude não fosse nada, ninguém falaria nela.

Dito isto, quero afirmar que minha luta aqui busca contribuir para que torcedores influentes como você aceitem outro fato.

O Fluminense que perdeu o título da Libertadores há 3 dias, é um Fluminense digno.

Já superou o maior estigma existente na história do nosso futebol - aquele dos rebaixamentos e das "viradas de mesa".

Quem recorre a esses velhos argumentos, meu caro, ainda não foi capaz de aceitar este fato.

É só aceitar o fato, Idelber. Tranqüilo.

Quanto à questão da "generalização", o que tenho a dizer é que você continuou a ignorar a idéia central daquele post.

Você preferiu insistir no ataque àquele trecho que eu mesmo considerei (e provei) ser dispensável no que texto.

O motivo ainda é um mistério, Idelber. Mas, desta vez, vou ser um pouco mais direto na minha suspeita.

Quem sabe não seria aquele trecho a única parte "atacável" do meu texto?


Fabiano Pires em julho 5, 2008 9:10 PM


#33

"Quem sabe não seria aquele trecho a única parte 'atacável' do meu texto?"

... ou quem sabe até, de tudo o que escrevi até aqui?

Fabiano Pires em julho 5, 2008 9:26 PM


#34

Parabéns, Fabiano, por demonstração tão irrefutável!

Idelber em julho 7, 2008 11:51 AM


#35

Escrevi esse poeminha pensando no Rosa, tô lendo ele e amando e tudo. Minha pergunta é: Caberá um Rosa nesse novo mundo em dilatado estado de fim-de-mundo? //////// Rosa ////////


Deixaram de presente um Rosa
quem sabe alguém lê?
que aja alguém que o possa e queira
milagre!

que dali sai mundo
de couros suores peles grossas fedores
e de natureza bichoplanta em sua toda mil-formice
um mundo quase extinto

vou num enterro de cultura
chorar morte de paisagens
que Rosa pintou de eternidade
e que a fumaça desfaz

como a natureza era enorme solene toda de si
poderosa em cima do homem pequeno
naquelas páginas e naquelas paragens
que a gente sai embriagado de buritizais

será que alguém vai descrever automóveis
como o Rosa descrevia os bois?
será que os simples da rua e os coronéis da cidade
podem ser graciosos profundos ternos sinistros
qualos vaqueiros e fazendeiros do Rosa?

será que a alguém ainda cabe sentir
como sentem os do Rosa, como sente o Rosa?
haverá alma em que se passe ainda
dúvida alguma das do Rosa
que parece que vai achar debaixo duma qualquer pedra
o porquê dos tantos todos destinos?

será que num mundo de máquinas robôs
e homens espertos inertes ferros
que têm mão e pé de ser pontes de dados
todo-poderoso dados frios
filhos de uns e de zeros
caberá tatarana elétrica
contando de dígitos, de fios
de veredas de cobre?

Pedro Lobato Moura em julho 7, 2008 2:00 PM


#36

Só me resta lhe agradecer, Idelber!

Fabiano Pires em julho 7, 2008 6:45 PM


#37

Inúmeras vezes o Fluminense é mencionado depreciativamente na mídia esportiva. Os motivos são sempre criativos, apesar de muitas vezes estapafúrdios, descontextualizados da verdade dos fatos, como a tal versão fantasiosa e sistematicamente construída de que estamos na primeira divisão do futebol brasileiro por uma virada de mesa solitária. O comentário, retirado de seu contexto real, serve apenas à desinformação e ao reforço de um preconceito perverso.

A história do futebol brasileiro só poderá ser contada se contada como a própria história das viradas de mesa. Não se pode afirmar onde uma acaba e começa a outra, tal a
promiscuidade entre seus enredos. Mas não precisamos ir tão longe; vamos começar pelo ano de 1981, quando Palmeiras, Bahia, Coritiba, Guarani e Náutico, cujo desempenho nos
campeonatos estaduais foi pífio, descredenciando-os a disputar o Brasileiro, receberam gentilmente o convite para participar da festa da elite, sob o grotesco álibi de um
regulamento que permitia que em um mesmo ano os clubes que disputassem a Taça de Prata pudessem ascender à Primeira Divisão. Em 1982 os beneficiários desse esdrúxulo critério foram, entre outros, Atlético Paranaense e Corínthians, os mesmos de quem vamos falar mais à frente. Em 1986 o mesmo Botafogo do fanfarrão Bebeto de Freitas devia cair à luz do regulamento do Brasileiro daquele ano. O Clube dos 13 prontamente correu em socorro de seu afiliado e promoveu a Copa União, mantendo o alvinegro carioca no andar de cima. Em 1993, já aí comovida com o desespero do Grêmio, que não subiu pelo campo, a CBF fez retornar à Série A os doze primeiros da B, ajudando de lambujem o Vitória da Bahia, oferecendo-lhe elevador para a cobertura em plena competição. Foi o São Caetano da vez. Há ainda os casos de São Paulo, Vasco e Santos, que não conseguiram desempenho nos estaduais de forma a credenciá-los à divisão da elite, mas foram convidados, aceitando a mesura docemente constrangidos. Há muito mais. Mas para o que aqui vai se argumentar é o que basta.

O Fluminense, pelos critérios vigentes em 1996, deveria ter sido rebaixado. Muito bem. Mas isso caso o campeonato tivesse transcorrido em um ambiente de normalidade esportiva. Qual o quê! Tão logo se encerrou a farsa, o Brasil assistiu perplexo a uma série de reportagens do Jornal Nacional trazendo à tona um dos maiores escândalos não apenas do futebol brasileiro, mas de toda a nossa pródiga história de escândalos. Vinha à luz o indecente episódio do 1-0-0, que ficou conhecido como o Caso Ivens Mendes. Sob o olhar estarrecido da sociedade brasileira, o JN denunciava um imoral esquema de manipulação de resultados, capitaneado pelo diretor de arbitragem da CBF e pelos senhores Alberto Dualibi e Mário Petráglia, dos reincidentes Corínthians e Atlético Paranaense. Naquele momento o futebol brasileiro se viu diante de sua maior vergonha, vazou o fundo do poço nas asas da prostituição de quem por ele deveria zelar.

Quando se esperava a punição criminal dos envolvidos e o sumário rebaixamento das agremiações beneficiadas pelo esquema (que, por sinal, ganharam títulos nacionais após a irrupção do escândalo), adotou-se a solução salomônica e asquerosa de não rebaixar ninguém, limitando-se a CBF a punir desportivamente os dirigentes, e não os clubes imoralmente beneficiados. Nesse momento de mancha histórica de nosso futebol a decisão includente e equivocada deveria ter sido objeto de repúdio por parte de todos os dirigentes dos clubes não envolvidos e por toda a imprensa ética. Não se viu nem uma coisa nem outra. Em vez de protestar publicamente contra a imoralidade, um abjeto dirigente tricolor, destituído da representatividade emanada da imensa maioria de nossa torcida, fez do deboche a expressão do regozijo, espocando um champanhe que nos transformou em inimigo prioritário da opinião pública. Aquele gesto, abominável em si, teve ainda o condão de desviar do foco das medidas que deveriam ser adotadas para iniciar-se a moralização do futebol brasileiro com a punição dos responsáveis por um episódio chulo e vergonhoso, o do esquema 1-0-0. O champanhe foi o habeas-corpus da quadrilha, esta uma expressão muitas vezes usada pelo Jornal Nacional para definir a turma dos dedos leves e contas pesadas.

O Fluminense caiu em 1997. E disputou a Segunda Divisão. Caiu em 1998, e, para espanto de uma opinião pública descrente, disputou e ganhou a Terceira Divisão, tendo a correr pela
beira das várzeas em que jogamos um técnico tetracampeão do mundo. Só o Fluminense, por seu passado e peso em nossa história, pôde se dar esse luxo. Estávamos preparados para
disputar a Segunda, em 99, quando um imbroglio jurídico - por sinal, mais uma vez envolvendo até a medula a vestal Botafogo, do ínclito Bebeto, e o São Paulo do nem tão ínclito Sandro Hiroshi – patrocinado pelo Gama, prometia inviabilizar a realização do Brasileiro de 2000. À semelhança de 87, com a Copa União, optou-se por entregar ao Clube dos 13 a organização do Brasileiro, que recebeu a redentora alcunha de Copa João Havelange. Foram muitos os convidados, afinal a JH contou com a oceânica participação de 116 clubes! Seu regulamento era um convite ao delírio, e possibilitou inúmeras “viradinhas” de mesa nos módulos inferiores. Foram mais de 10! A JH produziu ainda um absurdo diante do qual toda a imprensa brasileira se calou: o fato de o São Caetano ter se habilitado à Libertadores sem que houvesse disputado a Primeira Divisão. Estranho, não é?

Se a JH serviu como base para definir os representantes brasileiros na Libertadores, por que não serviria para definir os participantes de nossa Primeira Divisão do ano seguinte? E aqui cabe lembrar: da JH a 2002, o Fluminense foi o clube brasileiro que mais pontos acumulou na divisão de elite.

Recusamos veementemente o papel de beneficiário exclusivo das armações do futebol brasileiro. Somos a torcida líder em acesso à internet; a responsável por transformar um simples uniforme, o laranja, no maior fenômeno de vendas entre todas as torcidas brasileiras; só perdemos em exposição de mídia, em 2002, para os finalistas Santos e Corínthians; batemos freqüentemente os recordes de audiência em tv por assinatura;
somos uma nação orgulhosa de sua história, um clube de massa, com representação em todo o território nacional.

A ter que recuar para que se restaure o império da ética, voltemos a 1996, quando a face podre se tornou visível. Aí sim poderemos zerar o hodômetro moral do futebol
brasileiro, com a punição exemplar dos envolvidos no episódio Ivens Mendes, inclusive as agremiações beneficiadas por essa nódoa de nossa história. Até lá exigimos que o Fluminense seja respeitado pela força de sua torcida e tradição, que não pode ser confundida com atitudes isoladas de inquilinos transitórios de Álvaro Chaves.

Não se pode embaralhar o Fluminense com o gesto isolado de um dirigente, assim como não se pode tomar o Botafogo pelo Bebeto; o Vasco pelo Eurico; a Globo pela do Galvão; a ESPN pela do Trajano. Citar o Fluminense como beneficiário exclusivo das nefandas articulações de bastidores, como exemplo único de transgressão às normas, é de um delírio cretino. Ao citar um caso isolado, tragam-no para o ambiente cultural em que ele se forjou, um ambiente em que não há bandidos nem mocinhos, e sim uma absurda cumplicidade e omissão. Só os torcedores podem mudar esse quadro.

Como nos ensinou um dos mais ilustres tricolores, o imortal Nelson Rodrigues: “O Fluminense tem a vocação do eterno: tudo passará, só o Fluminense não passará”.


Paulo Cesar de Oliveira em novembro 3, 2008 12:15 PM


#38

Suas obras são muito legais

luciana em novembro 25, 2008 12:20 PM


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