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Um blog sobre política, literatura, música e futebol basquetebol. Na rede desde outubro de 2004.



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domingo, 13 de julho 2008

O repetitivo, tedioso factóide dos grampos

Vejam como se produz um factóide. Em meio ao prende-e-solta de Daniel Dantas esta semana, estoura uma bomba: o Superior Tribunal Federal teria sido “grampeado”. Acusa-se o juiz Fausto Martin de Sanctis de ter instruído a Polícia Federal a monitorar as conversas do Presidente do STF, Gilmar Dantas, digo, Gilmar Mendes. Não é preciso ser advogado para saber que se trata de acusação de extrema gravidade. Não era necessário ter um doutorado em retórica para saber que a história era meio estranha. Um juiz de primeira instância, que corajosamente está enfrentando criminosos poderosíssimos, com aliados no Congresso, na imprensa e no Judiciário, expondo-se assim? Com um comportamento ilegal? Meio insólito, convenhamos.

A imprensa chegou a noticiar a história como fato e, logo depois, a suposta fonte da acusação, a desembargadora Suzana Camargo, vice-presidente do Tribunal Regional Federal da 3.ª Região, teria dito me esqueçam. Como assim? Posso acusar um juiz federal de cometer um crime e depois dizer “me esqueçam”? Mas há uma razão pela qual eu digo que a Dra. Suzana é a suposta fonte da acusação. Para entender esta cautela, regressemos a um post do Biscoito de setembro de 2006.

Às vesperas da eleição presidencial de 2006, o Ministro Marco Aurélio de Mello veio à público com uma “denúncia” de que seus telefones e os de outros dois ministros do TSE estariam sendo grampeados. Chegou a dizer que o grampo “podia ter vindo do estado”. Foi o suficiente para que as Organizações Globo – aquelas que esconderam o maior acidente da história da aviação brasileira para divulgar fotos ilegalmente obtidas com o intuito de eleger seu candidato – começassem a falar em “estado policial”. Depois que a Polícia Federal fez varredura completa e não encontrou nem sombra de grampo, o Ministro Mello, com a ironia calhorda e leviana que lhe é peculiar, afirmou que “então faz de conta que não houve grampo algum”. Reiterou que confiava na conclusão da empresa privada que faz a varredura mensal no TSE e que lançara a acusação.

A história é curiosa porque a empresa responsável pela denúncia que Mello repercutia chama-se Fence, estranhamente contratada por José Serra, sem licitação, durante o governo FHC, pela bagatela de $R 1,8 milhão por ano, para fazer varreduras para as quais a PF está mais do que equipada. A Fence Consultoria Empresarial, de propriedade do ex-dirigente do SNI, o coronel reformado do Exército Ênio Gomes Fontenelle, é a empresa que foi denunciada em 2002 por espionagem a favor de José Serra, no episódio em que pilhas de dinheiro foram encontradas no escritório de Roseana Sarney.

Um dia depois, o próprio presidente do TSE, Athayde Fontoura Filho, afirmava que “os grampos já podem ter sido retirados” e que “provavelmente agora não vão encontrar nada”. A imprensa começa a voltar atrás. Um ano depois, em 2007, a mesma história se repete no STF, e até as Organizações Globo tiveram que noticiar, peremptoriamente: Denúncia de grampo no STF era falsa. No caso das eleições de 2006, Mauricio Cardoso lembrava, no Estadão, que o TSE havia deferido 64 demandas a favor de Alckmin e 17 a favor de Lula, para concluir com a pergunta retórica: “a quem interessam os grampos no TSE”? A pergunta era uma clara tentativa de incriminar Lula.

Segundo Bob Fernandes, de quem é a informação de que a desembargadora Suzana Camargo denunciou a Gilmar Mendes que o juiz De Sanctis o havia grampeado? De Maurício Cardoso, da revista Consultor Jurídico, que tem feito uma cobertura claramente alinhada a Gilmar Mendes.

Ontem, foram os próprios técnicos do Supremo -- não a PF -- quem fez a varredura no gabinete de Mendes e não encontrou nada. Sabemos, então, que De Sanctis não mandou grampear Mendes coisa nenhuma. Mas quem está mentindo? Maurício Cardoso? A desembargadora Suzana? Vocês com a bola.



  Escrito por Idelber às 01:46 | link para este post | Comentários (36)


Comentários

#1

Quando a gente acha que chegou ao fundo do poço, descobre que ele tem porão. Essa do Bob Fernandes sobre a fonte ser Maurício Cardoso é de lascar.

A credibilidade da revista eletrônica Consultor Jurídico, para mim, MORREU. Cantei para ela subir. Claro, vou continuar lendo e pesquisando por ali, até porque sou jornalista. Mas será do mesmo modo que leio a Veja: com máscara e patuá pendurado no pescoço.

São publicações que dão trabalho para o leitor, que deveria poder reclamar no Procon o direito de ser corretamente informado: você se "informa" e depois precisa checar o que é verdade, o que é manipulado e o que é mentira grossa. Não se trata de alinhamento ideológico. É alinhamento ao CRIME, à CORRUPÇÃO. Isso é muito, muito triste.

Essas coisas hediondas, infelizmente, alimentam as torcidas organizadas e o fanatismo de setores petistas e antipetistas. Fla x Flu mesmo. Fazem com que tudo, toda e qualquer falcatrua relacionada "aos seus" seja prontamente acusada de armação. E não é bom que a imprensa perca sua credibilidade. Isso permite que governos, que sempre têm poder, façam e aconteçam.

No que tange a essa desembargadora, espero que nenhum jornalista esqueça do nome dela. Ela acusou um juiz. Precisa responder por isso, sim. E se declarar impedida de, enventualmente, julgar o caso envolvendo a corja liderada por Daniel Dantas.

Fábio Carvalho em julho 13, 2008 2:49 AM


#2

Isso é só o começo da desconstrução dos que estão trabalhando na investigação.
Mas, volto a comentar um outro fato. Uma coisa me chamou atenção na fala do ministro GM na TV. Tratava-se do Presidente do STF, criticando duramente um órgão de outro poder da República, até referindo-se aos policiais como "gangsters". Não tem nada de condenável nisso? Imagine o Presidente Lula fazendo o mesmo em relação ao Poder Judiciário, condenando publicamente alguma mazela da Justiça (e vai dizer que não tem), mesmo que de instâncias ordinárias. O mundo vinha abaixo. Salvo engano, o excelentíssimo magistrado mandou às favas a liturgia do cargo, perdeu a compostura. Se a moda pega, a República vira uma bagunça. Ou estou exagerando?

Maria em julho 13, 2008 8:55 AM


#3

A coluna de hoje do Elio Gaspari é sintomática. A referência a Daniel Dantas é uma maledicência genérica a um raro deputado que ousou criticar Gilmar Mendes.

Patrick em julho 13, 2008 10:09 AM


#4

A operação de que, é favorável a decisão prolatada pelo Ministro Gilmar Mendes parece que vai ser no seguinte eixo pelas leituras que fiz: Estado de Direito e Crise Institucional.

A segunda é a que mais me assusta.

Marcelo Luiz em julho 13, 2008 10:21 AM


#5

Bom dia, pessoal.

Vergonhosa a Folha de hoje, hein?

Idelber em julho 13, 2008 10:30 AM


#6

A questão levantada pelo Fábio, de buscar o Procon, não é apenas retórica. Há uma dissertação de mestrado de um juiz paulista, também Fábio, que defende isso. O título é Interesses Difusos,Qualidade da Comunicação e Controle Judicial. Publicada pela Editora Revista dos Tribunais, em 2002.

marcus em julho 13, 2008 10:49 AM


#7

Ao menos para mim essa crise é das mais instrutivas. No tocante ao Judiciário e ao chamado "quarto poder", ela é equivalente ao que a questão da Ancinav significou para a área audiovisual: uma definição um pouco mais clara sobre o posicionamento de algumas pessoas e grupos. Só reforçou a minha impressão de que ler qualquer órgão de imprensa dá muito trabalho sim, assim como ler sentenças judiciais. Ser cidadão (e não moralista, como proclamou o estranho post da tal mariana) é cada vez mais complicado nesse país.
Folheei a Veja ontem (porque também me recuso a comprar aquilo) e por cima achei o teor nada transparente. Quem tem as chaves certas deve saber que recado eles estão dando. O post anterior escapuliu, Idelber, se der por favor apague.

Leo Vidigal em julho 13, 2008 10:54 AM


#8

Acordei tarde e fui procurar notícias na Internet sobre os desdobramentos do caso.

Como era de se esperar, com as cartas na mesa, com a obviedade de quem fez o quê e quem é culpado, não se puniu ninguém. Sim, isso mesmo. Os envolvidos na historieta estão enraizados demais, estão espalhados demais e são poderosos demais para serem julgados ao menos.

Agora vem a fase da cortina de fumaça, vem um blá-blá de quem grampeou quem, dos que foram acusados atacando para defender (como é tipíco de quem é culpado, não replica, vai lá e ataca a figura de quem o acusou) e por aí vai.

Eu sei, eu sei, devo estar sendo pedante, não Idelber? Já devo ser o milonésimo comentador a escrivinhar algo do tipo na sua caixa de comentários nesses dias. É que hoje minha paciência se esgotou. Ando pensando seriamente em deixar esse país.

Hugo Albuquerque em julho 13, 2008 11:13 AM


#9

Idelber, para quem tem rabo preso, é claro que a estratégia tem que ser a desqualificação do delegado Protógenes Queiroz e do juiz Fausto De Sanctis. Acho que o senhor já tinha visto essa, mas deixo aqui para os demais leitores do blog. O título da entrevista é "Mão pesada contra os crimes financeiros"

O juiz Fausto Martin de Sanctis, da 6ª Vara Federal Criminal de São Paulo, é um especialista em casos que envolvem lavagem de dinheiro. Com fama de rigoroso, já condenou o doleiro Toninho da Barcelona, seqüestrou obras de arte do ex-banqueiro Edemar Cid Ferreira e pediu a prisão do magnata russo Boris Berezovsky, suspeito de ser um dos investidores ocultos do Corinthians. De Sanctis, cujo gabinete é chamado pelos advogados de "câmara de gás", falou à repórter Juliana Linhares.


O SENHOR JÁ CONDENOU AUTORES DE CRIMES FINANCEIROS A MAIS DE VINTE ANOS DE PRISÃO. NÃO É UM RIGOR EXCESSIVO, DIANTE DE OUTROS DELITOS CONSIDERADOS MAIS GRAVES?
Não. A lavagem de dinheiro está sempre associada ao crime organizado, algo muito sério. Só se lava dinheiro para ocultar recursos que tiveram como fonte o tráfico de drogas, o contrabando de armas ou a corrupção. As investigações sobre lavagem de dinheiro surgiram justamente porque os organismos internacionais reconheceram a ineficácia do combate a esses crimes antecedentes. A idéia é que, com as condenações e seqüestros de bens, se consiga inibir toda a cadeia da criminalidade. Estima-se que, a cada ano, sejam lavados entre 500 bilhões e 1 trilhão de dólares em todo o mundo.


POR QUE É TÃO DIFÍCIL PROVAR O CRIME DE LAVAGEM?
Porque quem lava dinheiro é um especialista em ocultar bens. Se o estado passa a fiscalizar determinadas atividades, os criminosos buscam novas áreas, onde esse controle não é tão eficiente. Dois exemplos são os investimentos em obras de arte e em clubes de futebol.


NO CASO DO EX-BANQUEIRO EDEMAR CID FERREIRA, O SENHOR O CONDENOU A 21 ANOS DE PRISÃO, POR ENTENDER QUE ELE LAVOU DINHEIRO COMPRANDO OBRAS DE ARTE. MAS A SENTENÇA ACABOU REFORMADA PELO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL. QUEM ESTÁ ERRADO: O SENHOR OU OS MINISTROS DO SUPREMO?
Os ministros de tribunais superiores não têm a vivência de um juiz de primeira instância. Somos nós que fazemos as audiências, ouvimos as interceptações telefônicas, analisamos as quebras de sigilo bancário. Muitas vezes os ministros não têm acesso a essas informações e nossas decisões acabam derrubadas. Mas tudo o que eu faço é bem fundamentado. Nesse caso do Banco Santos, minha sentença tem 615 páginas. Para chegar à decisão, que resultou na condenação de dez pessoas, ouvi mais de 100 depoimentos.

MAS ISSO NÃO FOI SUFICIENTE PARA MANTER EDEMAR NA CADEIA. POR QUE NO BRASIL HÁ TÃO POUCOS AUTORES DE CRIMES FINANCEIROS PRESOS?
Um dos problemas é o excesso de recursos. Um exemplo: aqui tudo é passível de habeas corpus. Ele é um instrumento legítimo, mas tem de ser usado com critério. Em Portugal, apenas réus que estão presos podem ser beneficiados e, mesmo assim, quando há absoluta afronta à legislação. Quando discuto o assunto com outras autoridades do exterior, elas ficam perplexas em saber que, no Brasil, uma única liminar, concedida por um só juiz, pode paralisar inteiramente um processo que está sendo analisado há anos.


O SENHOR É A FAVOR DO FORO PRIVILEGIADO?
Não. Na Idade Média, o foro privilegiado protegia as pessoas mais abastadas. Quando elas enfrentavam um processo, eram condenadas somente a penas pecuniárias. No Brasil de hoje, ele também virou instrumento de proteção. O foro privilegiado, combinado com o excesso de recursos, é usado para impedir que o processo nunca chegue ao fim e termine com a absolvição, por prescrição. Desse modo, para que Justiça? Por isso defendo que seja possível apenas uma apelação do julgamento.

Fonte: Revista Veja, edição 2037, 5 de dezembro de 2007.

Fábio Carvalho em julho 13, 2008 11:15 AM


#10

Aliás, só pra acrescentar: Algo novo sobre as acusações contra o tio Mainardi e o esquema? Agora temos duas versões conflitantes na blogosfera (pelo menos na parte que dá pra ler), uma do Nassif que confirma aquilo que ele vinha escrevendo há um tempão e outra do Doria que eu sinceramente não entendi.

Hugo Albuquerque em julho 13, 2008 11:19 AM


#11

A Revista CONSULTOR JURÍDICO é o elo entre Daniel Dantas e Gilmar Mendes.

Gilmar Mendes saiu na Revista Serafina da FOLHA dizendo que "Márcio Chaer do Consultor Juridico é seu melhor amigo".

Márcio Chaer foi flagrado em propostas a HUMBERTO BRAZ (esse mesmo, que está foragido) na Brasil Telecom, para FAZER MATËRIAS PARA INFLUENCIAR O JUDICIÁRIO.

Também foi Chaer que entrevistou uma "tradutora" da Itália, que a Revista Carta Capital depois revelou que VENDIA ENTREVISTAS POR 50 MIL EUROS. Quem pagou a entrevista de Chaer? Uma dica: Ela falava tudo que interessava a Daniel Dantas.

Olho nesse Consultor Jurídico. Não é só que não merece credibilidade ...

Claudia em julho 13, 2008 11:33 AM


#12

Idelber, a revista Época publicou há pouco tempo uma reportagem especial sobre as operações da PF. Nela, se creditava às varas especializadas um papel importantíssimo na condenação dos crimes de colarinho branco. No entanto, houve o risco de tudo isso ser anulado. Novamente num julgamento de HC, pelo STF. No início do julgamento, em 2007, o voto da relatora foi no sentido de as varas serem ilegais. Felizmente, há dois meses, no julgamento definitivo, ela teve outra posição.Veja o que disse o ministro César Peluso: se a tese do habeas corpus fosse verdadeira, seria necessário “anular milhões de julgamentos” dos tribunais de justiça.”Teríamos um efeito catastrófico perante a Justiça Federal”, acrescentou. confira em http://www.stf.gov.br/portal/cms/verNoticiaDetalhe.asp?idConteudo=88918&caixaBusca=N

marcus em julho 13, 2008 12:49 PM


#13

Marcus, eu não sabia dessa dissertação de mestrado do juiz paulista, mas até tenho curiosidade de verificá-la. Quando eu ainda era bem foca (recém-formado), escrevi um artigo que tinha esse mesmo raciocínio. Mas era só exercício retórico mesmo, risos. Eu entendia - e continuo entendendo - que para ler, ver e ouvir a imprensa, não tem outro jeito: tem que ser plural. E, para isso, a internet foi MARAVILHOSA. Por várias razões essa internet é muito boa.

Se a gente fosse desenhar um gráfico da comunicação humana teríamos: um emissor > uma mensagem > um receptor (ok, pode ser mais de um receptor, uma platéia reunida, mas o universo de receptores é sempre limitado).

Quando surge a comunicação de massa, com Gutemberg, o esquema muda: um emissor > uma mensagem > infinitos receptores. E, claro, o rádio e TV eleveram isso à enésima potência. Isso deu MUITO PODER ao emissor.

Agora, o gráfico se inverte: um receptor acessa as mensagens de infinitos emissores. Mais importante ainda, o receptor pode ser, ele mesmo, um emissor. Como é o nosso caso aqui, aliás. Isso está dando MAIS PODER ao receptor. Isso é uma baita mudança. Deve haver trocentas teses de comunicação sobre isso.

Fábio Carvalho em julho 13, 2008 1:11 PM


#14

Vcs não sabiam que a consultor juridico era aliada de Gilmar Mendes e Cia. Quer dizer que a desembargadora pediu para esquecerem que ela praticou o crime de difamação, injuria e calunia? Não dá doutora e a senhora ainda tem que reponder civil e penalmente. Claro se o Brasil fosse um país sério. pelo visto NÃO EXISTEM JUIZES NO BRASIL, SÓ O DE SANCTIS. É pouco, muito pouco.

ana em julho 13, 2008 2:20 PM


#15

Que decepção o Elio Gaspari!
Seu artigo na Folha vai de encontro aos que por motivos óbvios tentam fazer essa operação parecer uma perseguição política contra o pobre Dantas.
Talvez Élio Gaspari não assista televisão.
Acredito que ele não tenha visto o que outros milhões de brasileiros viram: a tentativa de suborno de um Delegado da PF a mando de Dantas.
Com isso o esquema Dantas vai ganhando proteção da onde menos se espera.
Não bastasse o silêncio dos outros Ministros do Supremo, agora temos jornalistas respeitáveis endossando a tese da Mafia do Dantas.
Noblat ontem disse que a música "Acorda amor" do Chico é a música da semana.
Quer saber de uma coisa: Dantas é um trouxa. Ficou pagando jornalistas quando tinha na mão
gente com melhor reputação que faria o serviço de graça!

Marcos em julho 13, 2008 2:21 PM


#16

A imprensa do Brasil é NOJENTA!

ana em julho 13, 2008 2:27 PM


#17

ELIO GASPARI ta fazendo seu papel e servindo a midia que o paga.

ana em julho 13, 2008 2:28 PM


#18

Olá Idelber! A partir de uma sugestão do Eduardo Guimaraes estamos convocando todos para uma manifestação no dia 19/07 (sábado) em São Paulo no vão livre do MASP. Se puder, divulgue a informação. Saudaçoes.

Sandro Z P

Blog em apoio a De Sanctis em julho 13, 2008 2:33 PM


#19

O artigo do Gaspari de hoje é injustificável. Estranho, até. Com tanta coisa mais relevante para se dizer sobre o caso ele pega uma declaração do Randis e transforma em "aviso" de que "os petistas" repetem os militares. Ora, qual a linha comum de defesa dos acusados? Dizer que vivemos "em um estado policial" e que "as ações realizadas pela PF não ocorreram nem na ditadura". Sempre discordo muito do Gaspari, mas o considero(ava) um bom jornalista. Mas com esse texto de hoje... sei não. Ele entrou pra minha lista de 'colunistas para se ler com lupa".

E hoje tive vergonha de ser um idiota que paga todo mês uma assinatura da Folha. Patética a edição.


Quando vamos ter um jornal decente nesse país?

Thiago em julho 13, 2008 2:43 PM


#20

Sandro, vou divulgar a manifestação, pode deixar. Amanhã terá destaque aqui -- nas segundas a audiência é maior.

Idelber em julho 13, 2008 2:43 PM


#21

Professor Idelber,

Vale a pena divulgar esse link do Paulo Henrique Amorim. Ele aponta para diversos caminhos para se protestar contra o Gilmar Mendes, inclusive com os emails de cada um dos Ministros do STF:

http://www.paulohenriqueamorim.com.br/forum/Post.aspx?id=381

João em julho 13, 2008 2:59 PM


#22

Valeu, João. Todo o material de pedido de impeachment, protestos etc. terá destaque no post de amanhã.

Idelber em julho 13, 2008 3:04 PM


#23

O texto do Gaspari linkado aqui é apenas para assinantes do UOL. Ele foi clipado em algum lugar, de acesso aberto?

Marcus em julho 13, 2008 5:21 PM


#24

Aqui vai, Marcus:

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ELIO GASPARI

O comissário Fontana e o habeas corpus

Líder do PT na Câmara teve uma idéia demagógica, ruim e velha, igualzinha à dos coronéis da ditadura

VEIO DA NAÇÃO petista um sinal de que há comissários incomodados com o Estado de Direito. Depois que o ministro Gilmar Mendes mandou soltar o banqueiro Daniel Dantas, o líder do governo na Câmara, Henrique Fontana, disse o seguinte:
"Eu acho que o Congresso precisa examinar essa questão do habeas corpus para evitar novos casos como o do Cacciola. Do jeito que está formulada essa norma do habeas corpus, acaba favorecendo os ricos e prejudicando os pobres".
Ignorância de primeira associada a demagogia de segunda. O doutor começou sua atividade partidária em 1984, aos 24 anos. Não conviveu com os coronéis dos inquéritos da ditadura que seqüestraram o habeas corpus dos brasileiros por 20 anos.
O instituto do habeas corpus está formulado na Constituição sem qualquer "jeito" ou "recurso não contabilizado". O texto é claro. Ele se destina a proteger o cidadão que "sofrer ou se achar ameaçado de sofrer violência ou coação em sua liberdade de locomoção, por ilegalidade ou abuso de poder".
O habeas corpus não inocenta quem dele se beneficia. Era isso que não entrava na cabeça dos generais e parece não ter entrado direito na de Fontana. Trata-se de garantir ao cidadão o direito de não ser constrangido por "ilegalidade ou abuso de poder". Em 2000, o ministro Marco Aurélio Mello soltou Salvatore Cacciola porque entendeu que ele devia responder em liberdade ao processo em que era réu. (Cinco dias depois o STF mandou prendê-lo de novo e ele se escafedeu.) Mello não julgou Cacciola.
No caso de Daniel Dantas, Gilmar Mendes entende que o banqueiro esteve submetido a constrangimento ilegal. Se a sua primeira decisão ficava em pé, a segunda é mais difícil de ser entendida. Admitindo-se que esteja errado, depois do recesso o Supremo Tribunal Federal poderá revogar a medida. De qualquer forma, é o ministro Gilmar Mendes quem está no pano verde, não "essa norma do habeas corpus".
O desconforto do deputado Henrique Fontana com o "habeas corpus" ecoa os coronéis da anarquia militar. Cabe-lhe uma lição, deixada pelo marechal Castello Branco diante das reclamações dos companheiros que não queriam cumprir o habeas corpus que mandava libertar Miguel Arraes. Ele escreveu: "Se não soltá-lo, será muito pior do que soltá-lo". O general Costa e Silva chamou de "homúnculo" o ministro Álvaro Ribeiro da Costa, presidente do STF. A mutilação do habeas corpus foi um dos itens da anarquia militar que desembocou na ditadura do Ato Institucional nº 5, em 1968.
Só em 1977 o presidente da Ordem dos Advogados do Brasil, Raymundo Faoro, recolocou "essa norma do habeas corpus" no centro da discussão que levaria à restauração democrática. Seu trabalho foi essencialmente didático: "O habeas corpus não é só uma reclamação da sociedade civil, mas uma necessidade do próprio governo, pois a boa autoridade só pode vigiar a má autoridade pelo controle das prisões, proporcionado pelo habeas corpus".
O surto do comissário Fontana pode parecer um desabafo de cidadão contrariado. Tudo bem, mas os coronéis da ditadura também eram cidadãos e estavam claramente contrariados. Deu no que deu.

UM TRAMBIQUEIRO QUE MERECE RESPEITO

Está chegando às livrarias "Eu Fui Vermeer", do jornalista irlandês Frank Wynne. É um bálsamo para um público obrigado a acompanhar a vida de trambiqueiros desinteressantes. Em 282 páginas, Wynne conta a história do pintor holandês Han van Meegeren (1889-1947), um dos maiores falsários da história da arte. Ele pintou 11 quadros, atribuindo-os ao compatriota Johannes Vermeer (1632-1675) e vendeu-os pelo equivalente a US$ 65 milhões em dinheiro de hoje. Coisa de gigante, sobretudo levando-se em conta que a obra de Vermeer livre de suspeita soma hoje apenas 30 quadros. Van Meegeren nunca foi desmascarado.
Ele confessou suas artes em 1945, quando foi acusado de ter vendido aos nazistas obras-primas do patrimônio histórico holandês. Mesmo assim, viu-se contestado por especialistas que insistiam na autenticidade de algumas de suas fraudes. Vistos hoje, os quadros de Van Meegeren parecem falsificações óbvias. Um dos méritos de Wynne está em mostrar porque críticos e colecionadores experimentados compraram gato por lebre.
"Eu Fui Vermeer" tem os ingredientes para uma boa leitura: arte, guerra, champanhe, tribunal e gente bonita. O colaboracionista de 1945, que vendera tesouros nacionais aos alemães, foi a julgamento em 1947 como um herói que enganara os nazistas.
Uma das suas principais obras foi o quadro de "Cristo com a Adúltera", comprada pelo ministro nazista Hermann Goering. Ao final da guerra, quando preparava a fuga, o marechal do Reich entregou-o à mulher: "Guarde com cuidado. Se um dia precisar, pode vendê-lo e não passará necessidade até o fim da vida".
Goering foi capturado e encarcerado. Quando lhe contaram que seu Vermeer era falso, "pareceu que, pela primeira vez na vida ele se deu conta de que existe mal no mundo".

PARA LONGE
Como parte da reengenharia dos interesses terrenos da Arquidiocese do Rio, o cardeal dom Eusébio Scheid pediu de volta o espaço que o Centro Dom Vital ocupa no edifício João Paulo 2º, no Rio. O presidente do Centro, professor Tarcísio Padilha, acredita que dentro de um mês terá pouso seguro. Padilha considerou o pedido "perfeitamente justo". Fundado em 1922, o Centro Dom Vital abrigou grandes debates da intelectualidade católica brasileira. Em 1980, quando a instituição transferiu sua sede para perto do cardeal arcebispo, deu-se uma boa notícia. Agora que ela busca um teto, deu-se a má.

RADAR
Há algum tempo experientes advogados trabalham com um sensor capaz de informar a iminência de operações espetaculares da Polícia Federal. É a repentina transferência de presos que estão nas carceragens do Rio ou de São Paulo.
Esse sinal indica a próxima chegada de novos hóspedes.

EREMILDO, O IDIOTA
Eremildo é um idiota e acredita na garantia do embaixador americano Clifford Sobel de que a Quarta Frota será uma fonte de ações humanitárias.
O idiota suspeita que Sobel chamará os navios para apressar o serviço de concessão de vistos para brasileiros viajarem aos Estados Unidos.
Desde que Sobel chegou a Pindorama, em 2006, a inépcia prevaleceu. São 35 dias de espera por uma entrevista no Rio, 66 em São Paulo e 77 em Brasília. Eram 32, 49 e 73.

MALVADEZA
Proposta de um petista paraense a um tucano gaúcho: "Se vocês ajudarem a gente a se livrar da Ana Júlia Carepa, nós ajudamos vocês a se livrarem da Yeda Crusius".

Idelber em julho 13, 2008 7:07 PM


#25

Idelber,
Você, sim, é que está batendo um bolão.
Tenho um amigo que diz que daqui a pouco o Gilmar Mendes está saindo na *CARAS*;-)

E, aqui pra nós dizem que juiz não fala para a Imprensa, fala pelos autos.
É bom o juiz ge Sanctis se acautelar.
Um beijo e Parabéns
Meg

Meg (Sub Rosa) em julho 13, 2008 7:41 PM


#26

Idelber,

Me parece que sua primeira intervenção apoiando o Gravata, que apontou a injustiça da introdução da Janaina Leite no dossiê Veja, estava correta. Até agora, não há menção sobre a jornalista. No seu blog, ela diz textualmente que a carreira dela acabou. Sua credibilidade foi para o saco. Este detalhe, pequeno perto da proporção que esta guerra tomou, ainda vai ser abordado e espero que o Nassif tenha a dignidade de assumir que ele errou.
Abs

Amiga em julho 13, 2008 8:28 PM


#27

Às ruas, brasileiros!

Recebi, por e-mail, importante manifestação do jovem historiador Antonio Arles, um dos cidadãos que, comigo, integra Organização Não Governamental (ONG) fundada no ano passado a partir deste blog.

O que o Antonio diz faz todo sentido para mim. Se fizer para vocês, que não se conformam com o que fez Gilmar Mendes, quem sabe desta vez bastante gente concorde com a afirmativa que venho fazendo reiteradamente, de que ficar reclamando não mudará nada. Se queremos que alguma coisa mude neste país, temos que tomar as rédeas do processo.
Leiam mais em:
http://edu.guim.blog.uol.com.br/index.html

Paulo Kautscher em julho 13, 2008 8:52 PM


#28

Parece que o Gaspari apelou, pelo que entendi o deputado não falou contra o habeas corpus em si, mas sobre o modo como ele está sendo usado, e o De Sanctis foi mais preciso ainda sobre isso na entrevista na Veja. Por falar na dita cuja, alguém já leu? Meio estranho esse papo de "ah, se ele contasse o que sabe...", se tudo vai ruir depois dele abrir a boca, quem sabe isso não é um começo para um novo país? Não se pode dizer com certeza se houve corrupção generalizada, mas mesmo assim esse estado de coisas não é imbatível, temos vários casos ao longo da história onde ela foi derrotada ou bastante atenuada, esse caso da Argentina eu queria conhecer. Se alimentar o Leviatã é perigoso, muito mais é deixar os caras invadirem o seu jardim e tomarem as esperanças. Aquela frase do Luther King sobre o silêncio dos bons nunca foi tão verdadeira por aqui.

Off: Idelber, esse seu time... Nem com a zaga do Cruzeiro querendo entregar o jogo consegue alguma coisa. Ou melhor, consegue, mas por pouco tempo... Até o Emanuel Carneiro disse que em 5 jogos o Cruzeiro ganha 4 (esse ano já foram 3 em 4). Parabéns para o time azul, o treinador e pêsames para a parcela da torcida azul que vaia antes do jogo acabar. Tomaram uma lição hoje.

Leo Vidigal em julho 13, 2008 9:23 PM


#29

Amiga,

A coisa não é direta: tá no relatório, é bandido; não está, é santo. Em relação à Andréa Michael, da Folha de S. Paulo, que aparece no relatório, eu ainda espero por mais informação que possa comprometê-la. Pelo que vi até agora, não vejo que ela tenha feito nada de errado. Mudo de opinião, claro, se algo indicar que ela, de modo intencional ou remunerado, favorecia a organização criminosa.

Do meu ponto de vista, a questão não tem esse contorno policial, nunca teve, mas implicação ética na relação com a fonte. A gente não quebra off, nem quando ele é o mensaleiro José Janene. A gente também não pode reproduzir tudo o que a fonte fala, sem checar. Sempre que possível, devemos verificar. É nosso dever.

Janaína Leite é muito talentosa, tem texto ótimo. Eu acredito que hoje ela pensa, sinceramente, sobre a relação com fontes. Talvez esteja convencida de que nada fez de errado. Talvez tenha percebido que, ainda que involuntariamente, possa ter cometido um erro.

Fui eu que fiz um levantamento (encaminhado para Nassif, Gravataí e Janaína, com endereços eletrônicos abertos) sobre as matérias dela envolvendo a juíza Márcia Cunha de Carvalho. Meu levantamento não tem as tintas do Nassif, mas por ele foi aproveitado. Ainda ontem, postei comentário lá no blog do Gravataí. Eu gostaria imensamente que a Janaína Leite respondesse a duas questôes, em resumo:

1) A decisão unânime do Conselho da Magistratura é verdadeira, ou está correta a informação da assessoria do TJ/RJ feita à própria Folha (cinco dias antes da primeira matéria da Janaína sobre o caso)? Ela checou ou apenas reproduziu a informação de sua fonte?

2) Por que ela não informou que o lobista acusado pela juíza de tentar suborná-la (a magistrada) havia mentido à Folha?

Do mesmo modo, mudo de opinião se houver uma explicação que me convença.

Fábio Carvalho em julho 13, 2008 9:44 PM


#30

Amiga,

Peço a você que leia o post "Elogio a um gesto nobre" aqui do Biscoito Fino e tire suas conclusões se a reportagem de Janaína Leite não tem elementos bastante questionáveis.

Até hoje ela, e especialmente seu amigo fanfarrão que também frequenta esse blog, estão devendo uma prova sobre o conteúdo da suposta decisão unânime do Conselho de Magistratura que constitui a linha mestra da reportagem.

É bom lembrar que, segundo a reportagem, essa decisão teria sido apoiada no incrível argumento de que normalmente as decisões da Juíza eram curtas e manuscritas, e que por isso poderia não ser dela a decisão proferida no processo de disputa acionária que envolvia o Daniel Dantas, porque era longa e digitada. Leia o post e entenderá melhor o porque essa alegação não se sustenta.

Paulo SPS em julho 13, 2008 11:19 PM


#31

Minha homenagem a Gilmar Mendes e Dantas.
http://br.youtube.com/watch?v=__6l39IXyHg
Suje-se, Gordo!

Marcos em julho 13, 2008 11:53 PM


#32

Meguita, querida, que bom saber que você está acompanhando. Aperte os cintos aí, porque ainda vem muita coisa...

Leo, meu caro, eu vou tentar reunir o material sobre a Argentina. Sei a história por alto, mas quero fazer direitinho, com links e tal. Sobrando um tempinho aqui em São Paulo, me dedico a isso.

Abraços gerais.

Idelber em julho 14, 2008 12:08 AM


#33

Idelber

Infelizmente constato que não há vida inteligente no planeta Marte.
Apenas "white stuff"
E olha que eu andava ansioso por isso.

Abs.

Texas

Texas do Brasil em julho 14, 2008 12:09 AM


#34

Essa história de grampo vai aparecer quantas vezes forem necessárias.

Gabriel em julho 14, 2008 2:21 AM


#35


Idelber, Fábio e demais colegas,

Tem uma coisa que esqueci de relatar sobre a Janaína Leite. Outro dia procurei o blog dela por causa da prisão do Daniel Dantas, não frequento muito porque acho seu estilo de escrever cansativo, mas é bom sempre ampliar as fontes de informação.

Pois bem: lá havia um post sobre esse caso do Nassif e do assassinato de reputação que ele lhe imputou.

Educadamente, friso, mencionei a polêmica da decisão do Conselho de Magistratura e perguntei se ela realmente continha o argumento das quantidade de páginas e do fato de ser digitada. Perguntei também se ela tinha cópia da decisão.

Sabem a resposta dela?

Bem... a minha pergunta não foi sequer publicada.

Paulo SPS em julho 14, 2008 9:07 AM


#36

Bom saber, caríssimo Paulo SPS.

Fábio Carvalho em julho 14, 2008 5:17 PM


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