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Um blog de esquerda sobre política, literatura, música e cultura em geral, com algum arquivo sobre futebol. Estamos na rede desde 28/10/2004.



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sábado, 30 de agosto 2008

Gustav Update

O que o jornal Times-Picayunne está chamando de Monstro Gustav já é furacão categoria 4, com ventos de 230 km/h. Suponho sinceramente que a frase que se segue seja supérflua a estas alturas, mas não custa deixá-la aqui: se você está lendo este blog em New Orleans ou em qualquer ponto do Golfo do México, saia daí agora, e viaje norte, sempre norte. Havia gente, por exemplo, indo para a simpática Lafayette, em Louisiana. Depois das últimas 24 horas, já está claro que não serve. Você precisa subir mais.

A evacuação de New Orleans ainda não é obrigatória, mas já é fortemente recomendada pela prefeitura. 311 é o telefone de emergência. Gustav está fazendo estragos em Cuba e deve aterrizar no Golfo do México na madrugada de segunda para terça. Não se sabe exatamente onde, mas a previsão no momento é Central Louisiana, o que significa que New Orleans pode receber uma pancada considerável -- como os ventos de um furacão giram em sentido anti-horário, a desgraceira ao leste do bicho é sempre pior. A previsão é que ele chegue à terra firme como categoria 3. Mas também pode subir para categoria 5. Segundo estudos de gente entendida, não há um único prédio em New Orleans que segure a onda de ventos categoria 5.

Dica aos neworleanianos: a Interestadual 10 já está absurdamente congestionada. Tente viajar de madrugada ou, no caso de fazê-lo durante o dia, vá pela Airline Highway (US 61) até a Interestadual 55. É facinho, consulte seu Google Maps.

Como sempre, o blog está a disposição de quem precisa deixar recados, em qualquer língua.

Atualização, 00:18 de domingo: A saída agora é obrigatória.



  Escrito por Idelber às 20:02 | link para este post | Comentários (24)




Balanço da convenção democrata e do presente de McCain

1. A idéia de aceitar a candidatura no Mile High Stadium foi um gol de placa. Quando Barack anunciou que faria seu discurso num estádio de futebol, não faltou quem previsse um desastre, como brancos nas arquibancadas ou falhas técnicas. Mas o que ficará marcado será esta imagem:

denver.jpg

Há um detalhe que você só lerá aqui: o nome oficial é Invesco Stadium, construído em 2001 para substituir a casa anterior dos Denver Broncos, potência do futebol americano. Houve uma ovação estrondosa quando, na quarta-feira, Barack anunciou que a convenção se reuniria tomorrow at Mile High. Boa parte dos fãs de futebol americano se recusa a usar o nome corporativo do novo estádio e continua a chamá-lo pelo nome da casa antiga, Mile High. É simbólico e significativo. É um ato de resistência. É mais ou menos como continuar chamando de 2 de Julho o Aeroporto de Salvador. Ali, nessas duas palavrinhas, já se vê toda uma diferença com John Kerry que, em 2004, teve uma de suas maiores gafes quando errou o nome do Lambeau Field, em Green Bay, o templo mais legendário do futebol americano. O analfabetismo futebolístico de Kerry quase nos custou a vitória em Wisconsin. Com Barack, esse flanco está coberto.

2. O discurso de Hillary foi memorável. Concordo com o Rude Pundit: foi um discurso não-hipócrita. Sem fingir amizades que não existem, ela foi ao cerne: o programa de governo e as diferenças imensas, de política, de estilo e de caráter que existem entre Barack e John McCain. Deu um recado direto aos seus eleitores: entraram nesta jornada por aquilo que eu represento? Pois então votem em Barack Obama. Não forçou nem inventou. Foi pura substância. Classuda, coordenou um "pass" da delegação da Califórnia na votação, para que ela mesma pudesse -- na certa cumprindo um acordo feito antes -- convocar a confirmação de Obama por aclamação (parece que o blog da Folha não entendeu as situações em que se usa um "pass" numa convenção americana).

3. Confirmou-se em Denver o que o blog vem dizendo há meses: "Hillarites for McCain" é uma invenção sem qualquer base na realidade. Quinze dias atrás, antes da convenção e depois das primárias mais acirradas e disputadas da história, Barack já havia chegado a 83% de apoio entre os democratas. O teto histórico é 92% -- sempre há defecções. Mas a Folha de São Paulo insiste em falar de eleitoras democratas órfãs de Hillary Clinton, insatisfeitas tanto com a indicação de Obama como com a não-escolha da senadora para vice sem apresentar qualquer indício ou prova de que essas eleitoras tenham existência estatisticamente significativa. A tal "classe trabalhadora" que supostamente "resiste" a Obama já lhe dava, antes da convenção, uma vantagem de 66 x 33 sobre McCain. No entanto, continuamos ouvindo nonsense sobre o "problema" de Obama com os "trabalhadores brancos". Não se ouve uma palavra, claro, sobre o "problema" de McCain com os "trabalhadores negros", eleitorado no qual ele perde por 90 x 10.

4. Big Dog deu um show. Bill Clinton é das figuras retoricamente mais hábeis da história da política. Sempre digo: xinguei os Clintons de 1992 a 2000, mas como faz diferença ouvir Clinton depois de 8 anos de Bush! Há uma antiga queixa de Bill -- justificada, em parte -- de que Barack quase nunca se refere aos anos de prosperidade da sua administração. É difícil para um candidato com mensagem tão centrada na mudança e no futuro fazer alusões a uma era dourada do passado. Mas desta vez, Obama fez questão de encher a bola do governo Clinton.A união do partido não é pró-forma. Os Clintons sabem que uma derrota de Barack não é de seu interesse.

5. A sabedoria tradicional manda que o candidato se exima de fazer ataques ao adversário no discurso da convenção. O normal é deixar esse papel para os outros oradores. Barack mais uma vez quebrou a tradição. Alinhavou sua história de vida e propostas de governo com aquela estratégia que os militares chamam de ataque defensivo: tomou cada uma das acusações feitas por McCain nas últimas semanas e rebateu-as uma por uma, mas sempre atacando, sem se enrolar em justificativas. Não foi o típico discurso positivo, inspirador de Obama. Foi porrada, com classe. Este não é um novo Michael Dukakis, mes amis. Podemos até perder, mas não será com um patinho feio que apanha calado.

6. Minha foto favorita da convenção é esta. Dois delegados de Illinois se abraçam, emocionados, no momento da confirmação histórica do primeiro negro candidato a presidente:

conv.JPG

7. E eis que John McCain, no dia do seu aniversário -- a campanha manteve rigoroso silêncio sobre o fato de que ele completou ontem 72 anos -- nos dá esse extraordinário presente: sua escolha da companheira de chapa. Situada uns 15 quilômetros à direita de Garrastazu Médici, Sarah Palin é governadora de um estado que tem menos gente que Betim; antes disso, foi prefeita de uma cidade de 8.000 habitantes; 30 dias atrás, perguntava-se o que um vice-presidente faz mesmo? Grande fã de armas, ela está envolvida até o pescoço num escândalo que deve aflorar nos próximos dias (dentro de umas duas semanas a Folha descobre): as tentativas de demitir seu ex-cunhado, Michael Wooten, policial do Alaska que está em batalha judicial -- divórcio, guardas de filhos etc. -- com a irmã de Palin. Depois que o chefe de Wooten se recusou a demiti-lo, Palin mandou embora o próprio chefe, desencadeando uma investigação legislativa sobre abuso de poder que pode estourar na véspera da eleição. Aqui e aqui você tem a cobertura do TPM, aqui a entrevista com o chefe demitido e aqui a reportagem do canal local sobre o escândalo. A escolha de McCain foi, evidentemente, uma tentativa de chegar às eleitoras de Hillary, insultando-as com a idéia de que uma mulher praticamente fascista, apoiadora de ninguém menos que Pat Buchanan em eleições anteriores, representaria seus anseios. A obviedade da manobra e o escândalo no Alaska têm tudo para fazer o tiro sair pela culatra.

PS: Já estamos em Memphis, na companhia do Imortal. Tudo bem por aqui. Estou acompanhando meio ansioso a trajetória do tal Gustav, que parece ter dado um giro bem na direção de New Orleans.



  Escrito por Idelber às 05:15 | link para este post | Comentários (36)



quinta-feira, 28 de agosto 2008

Pausa para o furacão nosso de cada ano

Bom, já tem gente no Brasil se preocupando, então é melhor eu deixar uma notinha: o blog entra em recesso a partir de hoje, para que eu possa, como se diz por aqui, "evacuar" da cidade. Gustav ainda não é furacão e está categorizado, por enquanto, só como tempestade tropical. Pode aterrizar, entre a segunda e a terça-feira, em qualquer lugar entre Corpus Christi, Texas, e Pensacola, Flórida, com qualquer intensidade entre tempestade tropical ou Furacão 4. Ou seja, não se sabe quase nada ainda. Por enquanto a projeção é esta:

map_tropprjpath07_ltst_5nhato_enus_600x405.jpg


Aos amigos e famílias aí no Brasil: não se preocupem. Amanhã mesmo, eu e Ana começamos uma viagem de carro. Até onde, não sei, mas a direção é uma só: Norte. Para você que mora na região do Golfo e lê este blog: Tulane já tem uma página de emergência atualizada a cada seis horas com detalhes e é sempre bom, claro, visitar o Weather.com. Se ainda não encheu o tanque, encha. Se sair, não se esqueça, claro, de tirar os perecíveis da geladeira. E fique à vontade para usar o blog para deixar recados em qualquer língua.

Até breve.

Update to the Tulane Community: Classes are cancelled beginning tomorrow, Friday. They resume on Thursday, Sept. 4. Ana and I will be in Memphis, Tennessee. Our cell phones are on. If the Tulane system goes down, leave a message here, and we'll get you set up with gmail accounts.



  Escrito por Idelber às 14:13 | link para este post | Comentários (39)



terça-feira, 26 de agosto 2008

O Biscoito e as eleições municipais

Belo Horizonte: Como era de se esperar, com o começo do horário eleitoral gratuito, Márcio Lacerda (PSB), o candidato da coalizão Aécio-Pimentel, encostou em Jô Moraes (PC do B). A disputa agora deve se dar entre os dois: ele com a máquina, ela com o reconhecimento popular. Na televisão, a diferença é tipo 12 minutos contra 1, uma loucura. Apesar do tremendo conchavo que o nomeou candidato, Márcio Lacerda não tem o perfil tecnocrático típico dos cabeças dessas chapas impostas de cima para baixo. Tem uma história respeitável. Uma eleição de Lacerda não seria um desastre para o projeto popular que governa BH há 16 anos, mas uma vitória de Jô seria um grande evento para a democracia, sem dúvida. O Biscoito apóia Jô e espera que Patrus Ananias tire a bunda da cadeira e faça campanha.

feghali.gif Rio de Janeiro: Paula Toller, Adriana Calcanhoto, Leila Pinheiro, Dado Villa-Lobos, Caetano Veloso, Daniel Filho e Nelson Motta já declararam apoio a Fernando Gabeira. Se a eleição fosse só no Leblon, Copacabana e Ipanema, Gabeira levaria no primeiro turno. Como felizmente o Rio é muito mais que isso e ele não penetra eleitoralmente nas Zonas Norte e Oeste nem que a vaca tussa, o Biscoito torce para que o pior não aconteça: um segundo turno entre os dois mais horrendos candidatos, o carolão Crivella e o camaleão Eduardo Paes. O apoio deste blog vai, claro, para Jandira Feghali (PC do B), com a esperança – irreal, eu sei – de que Molon (PT) e Chico Alencar (PSOL) abram mão dos seus respectivos 4% já no primeiro turno, para empurrar Jandira para o segundo. Vã esperança, mas o blog tem muita fé que Jandira chega e que a paranóia anti-abortista não lhe tirará a prefeitura como lhe tirou a vaga no Senado.

São Paulo: O centro e a direita têm candidatos superiores, em Sampa, aos que uma vez tiveram. Vários relatos confirmam que Kassab realmente é um prefeito bem razoável. Jayme Serva, que eu respeito muito, votará no Kassab. Em todo caso, não há como deixar de notar que o grande porta-voz da moderna e organizada administração – o PSDB de Higienópolis – mais uma vez dá um show de bagunça organizativa, com um candidato de situação que faz campanha de oposição, Geraldo Alckmin. Aliás, há que se suspeitar de qualquer candidato que, depois de três eleições, ainda não decidiu se usa o nome ou o sobrenome -- convenhamos. Marta Suplicy subiu tanto que agora a preocupação de Alckmin e Kassab é que ela não leve no primeiro turno. O blog torce muito intensamente por Marta e não pode deixar de notar que, ao noticiar a pesquisa que confirmou a disparada dela na dianteira, a Folha de São Paulo deu duas manchetes. Uma dizia Alckmin tem 10 pontos sobre Kassab e a outra anunciava Marta se isola. Toda atenção é pouca com a cobertura desta eleição nos jornais.

Porto Alegre: No estado cuja governadora tem em comum com John McCain o fato de que nenhum dos dois parece saber muito bem onde mora, o apoio irrestrito do blog vai para Maria do Rosário (PT). A esquerda reunida – ela mais Manuela D'ávila (PC do B) e Luciana Genro (PSOL) -- tem muito mais votos que Fogaça, que busca a reeleição, mas na contagem do primeiro turno ele ainda lidera. Seria muita utopia, claro, esperar que o PC do B e Manuela compusessem com o PT já de cara, o que poderia liquidar a parada no primeiro turno. Mas a expectativa é de uma vitória da esquerda no segundo.

Fortaleza
: Luizianne Lins (PT), aquela que José Dirceu quis destruir, fez, segundo vários relatos, uma bela administração. Mesmo com os fanáticos religiosos em pé de guerra na cidade, lançando campanhas de out-door contra a prefeita, ela goza de sólidos 35% já no primeiro turno. É seguida por um demo-boy e logo depois por Patrícia Saboya (PDT). O conflito com os evangélicos foi por causa de bobagem: ela vetou uma compra de Bíblias para as escolas municipais, o que é um gesto simbolicamente importante, mas não essencial na luta por uma sociedade laica. Voltou atrás, mas já era tarde. Até comercial chamando-a de Belzebu já tem. Desde o início dos ataques dos fanáticos religiosos, ela subiu mais 5%. O Biscoito é, claro, Luizianne e não abre.

Salvador: A minha tendência, evidentemente, é sempre torcer pelos candidatos da esquerda, mas por um candidato evangélico na Bahia de São Salvador eu não consigo torcer. Ainda por cima ele vai, envergonhado e sem entrar, visitar o Candomblé vestido de preto! Que se foda. Que ganhe qualquer um, menos o Tampinha Invocado Neto do Malvadeza, terceira geração de uma vergonha, como uma vez lindamente disse a Maria Helena Nóvoa.

A casa, sempre escancarada nas suas escolhas políticas, está neste pé com as eleições municipais. Acabo de dar-me conta de que torço por cinco mulheres nas cinco capitais que acompanho de perto. Caixa aberta para quem quiser defender suas escolhas ou comentar as eleições municipais.

Atualização: Apesar de manter a política de não simpatizar de jeito nenhum com candidatos evangélicos, o blog pode ter se apressado na avaliação de Salvador. Ver outra versão da ida de Walter Pinheiro ao Candomblé aqui. (Valeu, Paulo Galo).



  Escrito por Idelber às 02:16 | link para este post | Comentários (145)



segunda-feira, 25 de agosto 2008

Essa vale olhar no Google

Enquanto a casa ainda não está em condições de fazer um post decente, aqui vai uma adivinhação que, suspeito, posso liberar para googlagem:

Qual seleção de futebol escalou, numa Copa do Mundo, o goleiro reserva numa partida porque o titular ia comentar futebol numa estação de rádio? Qual é essa Seleção e em que Copa isso aconteceu? Essa eu quero ver.

Sabem cumpadis? Nobres colegas? Grande fodão? Este com certeza sabe, mas ele não lê o Biscoito.

Quem acertar primeiro, leva um romance à escolha da minha coleção. Logo que acontecer, eu dou a resposta com a fonte.



  Escrito por Idelber às 21:44 | link para este post | Comentários (15)




Convite aos paulistanos

A Dalva me ligou chorando, aos soluços quase à uma da manhã. Parece que ela mandou uma foto para o namorado da Internet que mora em Salvador. Aí ele ligou para ela dizendo que mesmo vendo a foto ainda queria vir para Sampa conhecê-la. Consolei, fiz barulhinhos de amparo, disse que ela havia entendido mal o significado da frase e desliguei. "Mesmo" vendo a foto? Jesus, onde a gente arranja esses homens? .

Este é um trecho de Crônicas de quase amor, um dos livros de Fal Vitiello de Azevedo Cardoso que guardo aqui com carinho. Fal é tem muita história na blogosfera: fez a melhor cobertura da CPI do mensalão, a melhor cobertura de Páginas da Vida, deu show no Salão do Livro de Belo Horizonte, e muito mais (está tudo lá nos arquivos).

E eis que Falzuca vai lançar mais um livro, desta vez por uma grande editora, a Rocco. Acontece na terça-feira da semana que vem. Aí vai o convite, paulistanos. Não percam.

min-ass.jpg



  Escrito por Idelber às 11:44 | link para este post | Comentários (10)



sábado, 23 de agosto 2008

Obama / Biden será a chapa democrata

Barack Obama acaba de anunciar que será Joe Biden o seu companheiro de chapa nas eleições americanas de novembro. 65 anos de idade, eleito para o Senado como um dos seus membros mais jovens em 1972, Biden é uma autoridade em política externa, o que certamente pesou na escolha. O senador de Delaware também é conhecido pelas iniciatiavas em política econômica – Biden vem de origem trabalhadora, ainda mantém seu cargo de professor e é, entre os 100 senadores, o de menor patrimônio. Entre uma escolha que seria conservadora (Evan Bayh) e outra que teria sido revolucionária (Kathleen Sebelius), Obama optou por um meio-termo.

O histórico de votação de Biden no Senado é bem razoável. A HRC (Human Rights Campaign) lhe dá uma nota de 78%, o que indica, segundo eles, apoio sólido aos direitos de gays e lésbicas. A NEA (National Education Association) lhe dá uma nota de 91%, o que indica apoio mais que sólido aos princípios da educação pública e laica. Por outro lado, ele terá que explicar a discrepância entre suas posições e as de Obama na época do início da Guerra do Iraque, assim como declarações suas, feitas durante as primárias, de que Obama não estava pronto para liderar.

Parece-me que o critério definitivo para a escolha de Biden foi, no entanto, a percepção de que a campanha precisava de um pitbull. Obama é um grande orador, mas é péssimo para responder ataques à queima-roupa. Biden tem um estilo demolidor de debater, e eu sinceramente não gostaria de estar na pele do candidato a vice-presidente na chapa republicana, que terá que encará-lo nos debates.

Biden também tem certa tendência a dar declarações polêmicas. Tediosa, com certeza, a coisa não vai ser.

Atualização
: Segundo o ranking do Progressive Punch, que acompanha as votações no Congresso, Joe Biden tem um histórico de votação mais progressista que o do próprio Obama.



  Escrito por Idelber às 08:19 | link para este post | Comentários (30)



sexta-feira, 22 de agosto 2008

Obama prestes a anunciar o vice

A convenção democrata começa na segunda-feira, Barack Obama já declarou que o candidato a vice na sua chapa foi escolhido, os preteridos já estão recebendo telefonemas de cortesia e o nome deve ser anunciado nas próximas horas. Mesmo assim ninguém sabe ainda quem é. A campanha prometeu aos ativistas e doadores que nós receberíamos a notícia primeiro, o que na era da internet, claro, significa algo assim como uma vantagem de dois minutos.

É bem possível que a decisão estivesse pronta ontem, mas a campanha de Obama recebeu um presente sensacional para dominar o ciclo de notícias das últimas 48 horas: uma entrevista de McCain em que ele confessa não saber quantas casas possui (as estimativas vão de 8 a 12). Anunciar o vice ontem teria sido matar essa deliciosa história.

Aí vão alguns nomes que estão flutuando há tempos:

Evan Bayh: Senador de Indiana. Seria a escolha conservadora e “segura”. Branco centrista de meia idade não-polêmico, seria uma espécie de vice “nem fede nem cheira”. Tem a vantagem de ser muito querido em Indiana, que este ano é um estado indefinido. Tem a desvantagem de ter votado pela Guerra do Iraque e portanto contradizer a mensagem de mudança da campanha. Entre os principais nomes, é o que está mais à direita. Por outro lado, tem a vantagem de ter sido apoiador de Hillary nas primárias, e ter trânsito com setores do eleitorado potencial que têm alguma resistência a Obama.

Joe Biden: Senador de Delaware. Ainda no terreno branco centrista de meia idade, Biden é muito mais polêmico. Traz a vantagem de ter muita experiência em política externa, que é percebida pelos eleitores como o forte de McCain e o fraco de Obama. Tem a vantagem adicional da língua ferina: ele com certeza trituraria qualquer Republicano no debate entre os vices. Tem a desvantagem de ter a língua ferina e soltar gafes periodicamente. Chegou a dizer, uma vez, que Obama era o único negro articulado, culto e limpo que ele havia conhecido. É capaz de coisas como essa. Se for Biden, prepare-se para ver os Republicanos tocarem esse vídeo ad infinitum. Também votou a favor da Guerra do Iraque. E é Senador há 36 anos.

Hillary Clinton: Senadora de Nova York. Era considerada carta fora do baralho, mas nos últimos dias voltou a se falar muito dela. Sem dúvida, é a que teria mais impacto eleitoral imediato, trazendo para a campanha alguns setores do eleitorado ainda reácios. É uma escolha que contraria uma das regrinhas do sentido comum: você não escolhe para vice alguém que tenha uma taxa de rejeição maior que a sua. Se Obama a escolheu, prepare-se para ouvir durante meses o clip em que ela diz, durante as primárias, que McCain estava pronto para ser presidente, e Obama não. Mas o maior problema seria um eventual governo: administrar o país com Bill Clinton, Mark Penn e Terry Mcauliffe na Casa Branca seria um pesadelo para qualquer um. Por outro lado, é fato que Hillary faria picadinho de Mitt Romney ou qualquer outro candidato a vice que McCain escolhesse. Também votou a favor da Guerra do Iraque.

Tim Kaine
: Governador da Virgínia. Ao contrário dos outros três, é de fora do status quo de Washington, o que casa melhor com o tema da campanha de Obama. É bem jovem, o que, se por um lado reforça o tema da mudança, por outro enfatiza a imagem de “inexperiência” da chapa. Tem a grande vantagem de colocar em jogo o estado da Virgínia, swing state pelo qual passa um dos itinerários mais fáceis para uma virtual vitória de Obama. Uma grande desvantagem é que significaria o fim da hegemonia democrata duramente conquistada depois de décadas na Virgínia. Kaine seria sucedido no governo do estado pelo lieutenant governor, que é um Republicano ultra-conservador.

KathleenSebelius.jpgKathleen Sebelius: Governadora do Kansas. É a candidata do Biscoito Fino e a Massa. Também teve a coragem de se opor à Guerra do Iraque quando ela foi anunciada. É governadora com índices estratosféricos de aprovação num estado que tradicionalmente vota Republicano. Alheia ao status quo de Washington, ela não contradiz, mas reforça o tema da mudança. Tem uma ótima química com Obama, a quem apóia desde o começo. Coloca não só Kansas, mas Colorado, Novo México e Dakota do Norte na parada para os Democratas. A única objeção que circula ao nome dela é que muitas apoiadoras de Hillary poderiam se revoltar contra a indicação de outra mulher para vice. Essa estranhíssima suposição, contrária a qualquer princípio feminista, é muito mencionada, mas não há nenhuma pesquisa que a sustente (o que não quer dizer que ela esteja incorreta; há maluco para tudo). O nome de Sebelius foi muito badalado no começo, depois ela foi progressivamente para a rabeira nas casas de aposta, e nos últimos dois ou três dias ganhou ímpeto de novo. Seria uma escolha muito corajosa e arriscada mas, na minha opinião, a mais coerente politicamente.

Há outros nomes menos cotados, como Brian Schweitzer, governador de Montana, e até mesmo Al Gore ou John Kerry, ex-candidatos a presidente em 2000 e 2004.

O anúncio deve ser feito amanhã, e este blog provavelmente publicará a primeira análise em língua portuguesa. Fique ligado aí no fim de semana, entre um jogo de vôlei e outro.

Atualização: Está confirmado que o Gov. Tim Kaine e o Sen. Evan Bayh receberam os telefonemas de cortesia avisando que não são eles os escolhidos. Está confirmado também que o anúncio sai neste sábado de manhã. Toda a especulação está se centrando no nome de Joe Biden nas últimas horas.



  Escrito por Idelber às 20:25 | link para este post | Comentários (12)




Best YouTube video ever

Volto mais tarde com um post decente. Enquanto isso, fiquem com esta pérola, que eu considero o melhor vídeo que já encontrei no YouTube. É daquelas coisas que te fazem acreditar na humanidade:


PS: Vi este vídeo pela primeira vez num blog. Já não me lembro qual. Se você postou o vídeo no seu blog antes de mim, avise, e eu dou o crédito.



  Escrito por Idelber às 06:38 | link para este post | Comentários (22)



quinta-feira, 21 de agosto 2008

A decisão das meninas

No município de Dois Riachos, sertão alagoano, um mundaréu de gente já está reunida na casa da melhor jogadora do mundo, Marta, para acompanhar a final. O Brasil pode conquistar daqui a pouco a sua primeira medalha de ouro olímpica no futebol.

fut-fem.jpg


Com elas, que deram um show inesquecível contra a Alemanha, na semifinal. O jogo contra os EUA será duríssimo, claro. As americanas são uma potência no futebol feminino. A partida começa às 10 h de Brasília. Não haverá transmissão em tempo real por aqui, como anteontem, mas é possível que eu atualize este post durante o jogo com alguns comentários.

Que bacana seria ver essas meninas voltarem com o ouro no peito.

Atualização no intervalo
: Os últimos 15 minutos do primeiro tempo foram bem melhores para o Brasil que os primeiros 30. As americanas fazem uma marcação inteligente: não é exatamente marcação por pressão, mas compacta, começando na intermediária brasileira. Como a linha de zaga do Brasil não tem um toque de qualidade, o Brasil teve muitos problemas na saída de bola. O segredo do sucesso brasileiro é a bola chegar redondinha para as talentosas meio-campistas e atacantes. Os EUA bloquearam isso com sucesso durante, especialmente, os primeiros 30 minutos. Sem dúvida, a jogadora mais fraca do time é a zagueira Erika que, traumatizada pelo gol que entregou contra a Alemanha, chuta a bola para onde aponta o nariz. A melhor da linha de zaga é a lateral-direita Simone, que apóia muito bem (e é bem coberta por Ester quando sobe). Marta teve alguns lampejos, mas duas vezes tentou resolver sozinha, quando tinha boas opções de passe. Na terceira, tentou um passe no meio da zaga quando a melhor opção era a jogada individual. Com o perdão do clichê, é um jogo de xadrez. Quem fizer o primeiro gol dificilmente perde a partida.

Rapidinhas antes da prorrogação: Se o Brasil não tem uma zagueira melhor que Érika no banco, é melhor jogar com dez jogadoras. É a única que parece não ter noção do que fazer com a bola. A atacante americana, Rodríguez, perdeu o gol mais feito das Olimpíadas, cara a cara com Bárbara. Tentou um gol por cobertura quando era só escolher o canto. O Brasil teve muita sorte de não perder o jogo no segundo tempo.

Comentário final
: Pois é, não deu. EUA 1 x 0, na prorrogação. As meninas lutaram muito e honraram a camisa, ao contrário dos homens. Não entendi, sinceramente, a mudança tática no intervalo do primeiro para o segundo tempo. O Brasil dominou amplamente os últimos 15 minutos do primeiro tempo num 4-4-2 em que a lateral-direita Simone apoiava muito e era bem coberta por Ester. Mas voltou para a segunda etapa quase que num 3-5-2, em que Renata foi recuada para jogar como zagueira e Simone e Maycon viraram alas. A defesa perdeu ainda mais consistência, que já não era seu forte, e o meio-campo não ganhou qualidade. Num dos muitos vacilos da frágil zaga, levamos o gol. Depois, na base do desespero, tivemos várias chances, mas não rolou. Parabéns, meninas, pela luta.



  Escrito por Idelber às 08:20 | link para este post | Comentários (82)



quarta-feira, 20 de agosto 2008

Adivinhação: Não vale olhar no Google

Já que estamos em quarta-feira futebolística, aí vai uma adivinhação. Não vale olhar no Google, senão perde a graça. Estou confiando na honestidade de todo mundo, hein?

A pergunta é: além de Porto Alegre, Montevidéu, Buenos Aires, Madri e Milão, qual é a outra cidade a ter pelo menos dois campeões mundiais inter-clubes? Não é São Paulo, porque não consideramos nem o título de 2000 do Corinthians nem o de 1951 do Palmeiras.

Repetindo, então: Seis cidades possuem pelo menos dois campeões mundiais. Buenos Aires (que tem três: Boca, River e Vélez), PoA (Grêmio e Inter), Montevidéu (Peñarol e Nacional), Madri (Real e Atlético) e Milão (Inter e Milan).

Qual é a sexta cidade?
Não vale olhar no Google, não valem respostas do Milton Ribeiro nem do Luiz de Porto Alegre. Se você não resistir e guglar, não diga, para não estragar. É só para quem sabe mesmo, sem consulta. Provinha de livro fechado, como a gente diz no colégio.



  Escrito por Idelber às 17:19 | link para este post | Comentários (26)




Longuíssima peroração sobre o indizível em futebol

O pobre do Lédio Carmona está sendo massacrado no seu próprio blog por haver dito o óbvio ululante: a Argentina é superior ao Brasil e já não é de hoje. Desde, pelo menos, 2002, o futebol argentino – em seleções e em equipes – é muito superior ao brasileiro. Por que, então, vínhamos aplicando goleadas nos hermanos e ganhamos três títulos em cima deles nesse período? O objetivo deste post é responder essa pergunta e refletir um pouco sobre algo que é praticamente proibido dizer no Brasil.

Interessam-me esses lugares do indizível numa cultura. Tome o caso dos EUA. Você pode espinafrar Bush, xingar os dois partidos, dizer que o país passa a pior crise desde a grande depressão, criticar o Congresso, o Judiciário, a imprensa. Pode tudo – ou melhor, quase tudo. Experimente dizer que há anos os EUA já não estão entre os 20 países mais democráticos do mundo; que qualquer país da Europa Ocidental tem um sistema político mais democrático que os EUA. Experimente demonstrar, por A + B, que as eleições brasileiras ou argentinas são infinitamente mais democráticas que as americanas. Da esquerda do Partido Democrata à direita do Partido Republicano, vão pirar, como se você tivesse xingado a mãe. O sujeito sente que um mito essencial à sua identidade está sob ataque e reage com violência. Claro que nós somos a terra da democracia! Como ousa questionar isso?

No Brasil, acontece algo parecido com o futebol. Você pode xingar o técnico da Seleção. Pode espinafrar a CBF. Pode discutir a escalação do time. Pode pôr a culpa nos cartolas. Pode tudo – ou quase tudo. No momento em que você questiona o mito de que o Brasil tem o melhor futebol e os melhores jogadores do planeta, ou – heresia das heresias! -- ousa dizer que a Argentina tem um futebol melhor que o nosso, você é execrado como uma espécie de lesa-pátria, um gringo de Iowa vendendo segredos de estado a Brezhnev em plena Guerra Fria.

O titular deste blog, que já se meteu em 367 polêmicas políticas, só se assustou uma única vez com hate mail. Foi na Copa América de 2007, em que eu confessei que ia torcer pela Argentina como forma de acelerar a queda de Dunga. Previ, como quase todo mundo, que a Argentina ia golear. Depois que o Brasil encaixou aquele 3 x 0, a raiva e a virulência dos comentários e emails que recebi foram muito, muito instrutivas. Continuo dizendo: a pior coisa que aconteceu com o futebol pindorâmico foi ganhar aquele jogo de goleada. A patriotada insana tomou as rédeas. O dunguismo ganhou fôlego e os que queremos colocar um pouco de racionalidade no debate sobre o futebol brasileiro viramos traidores da pátria.

Antes de passar aos últimos Brasil x Argentina, conto uma história pessoal: eu nunca fui nenhum Reinaldo, mas era, sim, um centroavante de qualidade. Fui artilheiro de várzea em BH, essas coisas. Uma vez, no Cachoeirinha -- quem for de BH e conhecer a cena, explique o que é jogar futebol de várzea no Cachoeirinha --, enfrentei uma linha de zaga que habitaria meus pesadelos durante anos: era Ranca-Tôco, Babão, Noite Ilustrada e Alemão. Só batiam da cintura pra cima. Aos 20 minutos, eu já havia caído 8 vezes. Apanhei igual cachorro sem dono. No segundo tempo, eu consegui quebrar o tornozelo de Noite Ilustrada, que havia me derrubado umas 20 vezes no jogo. O cara tinha de bíceps o que eu tenho de coxa. Depois da peleja --- vitória nossa por 2 x 1 –, me disseram, ao saber que eu ia jogar algumas partidas na Argentina: porra, vão te arrebentar todinho; depois que quebrarem sua perna, avise pra gente. Em Buenos Aires, fui anulado em quatro partidas seguidas, coisa que jamais havia acontecido no Brasil. Sem levar uma única pancada. Só zagueirão se antecipando na bola e ganhando a jogada no corpo. Ali eu vi que tinha que rever meus estereótipos, contruídos em anos de xenofobia anti-argentina cultivada pela mídia brasileira. Energúmenos como Galvão Bueno têm uma responsabilidade criminosa nisso.

A Argentina sempre teve melhores goleiros e zagueiros. Qual é a diferença agora? Eles têm melhores volantes, armadores e atacantes. Ou há algum Messi por aí falando português? Se a Argentina é superior desde, pelo menos, 2002, por que ganhamos três títulos contra eles? Como sempre, foi uma soma de fatores. Vamos olhar a coisa caso a caso.

Na Copa América de 2004, no Peru, ganhamos nos pênaltis. Foi aquele 2 x 2 com gol do Adriano aos 45 do segundo. O Brasil levou um baile durante 90 minutos. A Argentina chegou ao final vencendo só por 2 x 1 por pura displicência, erros nas finalizações e porque Júlio César – que é um goleiro apenas mediano – fez ali uma das grandes apresentações da sua vida. No final do jogo, Tévez deu aquela fatídica pisada na bola. Humilhados, os brasileiros se encheram de brios e numa pelota espirrada na meia-lua, Adriano encaixou o empate. Num jogo desses, é facílimo prever quem vence os penais.

Na Copa da Confederações de 2005, ali sim, sobramos. Foi 4 x 1. O Brasil jogou com a formação que eu defendia para a Copa do Mundo. Sem os vovôs nas laterais. Cicinho jogando muito. Robinho armando o jogo, Zé Roberto como segundo volante, Adriano no auge, e Ronaldo Gorducho fora do time. A Argentina entrou em campo com Germán Lux, Collocini, Placente, Heinze, Zanetti; Cambiasso, Bernardi, Riquelme, Sorín; Delgado e Figueroa. Ninguém, ninguém na imprensa brasileira ressaltou o fato de que a Argentina estava com meio time reserva. Éramos só nós, os imbatíveis.

Nas Eliminatórias, trocamos um 3 x 1 para cada lado. O nosso, no Mineirão, foi com três gols de pênalti. O deles, em Núñez, foi um baile. Na Copa, a Argentina caiu num jogo fatídico contra a Alemanha, em que venciam, sofreram a contusão do goleiro, Pekerman fez uma substituição inacreditavelmente burra e o time lutou até o final. Nós caímos de 4, literalmente, com Roberto Carlos ajeitando a meia e Ronaldo levando chapéu de Zidane.

Aí veio a Copa América de 2007. Essa, sim, foi acontecimento espírita comparável ao Campeonato Brasileiro de 1977, onde um São Paulo de Necas e Totonhos foi campeão em cima de um Galo de Cerezo e Reinaldo. Era o Brasil quem estava com o time B. A Argentina havia dado espetáculos inesquecíveis durante o torneio. O Brasil capengou, levou baile do México e se classificou – a imprensa ufanista não se lembra – em um jogo escandalosamente roubado contra o Uruguai. A euforia na Argentina era tal que todo mundo falava em goleada. Para piorar, pela primeira vez na história do Brasil, acontecia o impensável: uma parcela significativa dos brasileiros confessava que ia torcer pela Argentina, que afinal de contas era quem jogava futebol ali. Aos 10 minutos de jogo, o Brasil já vencia por 1 x 0 com gol de Julio Baptista num lançamento de longe. Atônita, a Argentina viu que era a amarelinha. Depois do gol contra de Ayala, o jogo ficou fácil. Em nenhuma dessas goleadas, a Argentina deu pancada no final. Como é que terminou o jogo ontem mesmo?

O retrospecto é favorável ao Brasil. Somos melhores? Não. Os melhores são eles.

O melhor volante do Brasil, Lucas, chegou para ser reserva de Mascherano no Liverpool. O jogador que a imprensa brasileira incensou como o novo Pelé é reserva no Real Madrid. O craque da temporada brasileira até agora era um chileno. Um chileno! O melhor jogador do Brasileirão de 2005 foi um argentino, espancado por zagueiros e discriminado por árbitros por ser estrangeiro. Ironia das ironias, Tévez foi escorraçado pela torcida do Corinthians quando era o único bom jogador do time, responsável direto -- junto com Zveiter -- pela conquista do Brasileirão e, pior ainda, o único que honrava a camisa do clube. Hoje, dá show de bola e conquista títulos na Inglaterra, enquanto o Corinthians come poeira com o Brasiliense e Bragantino. Nossos jogadores, via de regra, já não saem para Itália e Espanha. Os destinos preferenciais agora são Ucrânia, Cazaquistão e Arábia Saudita. Esta semana, o mais respeitado comentarista de futebol do país disse que Valdivia não decide partidas (a essa estultícia, há uma boa resposta aqui). Até quando vamos ter que aturar patrioteiros dizendo que se o Brasil armar o time como deve ser, ganha tudo de barbada?

Nós, brasileiros, somos insuportavelmente arrogantes e xenófobos quando o tema é futebol. É claro que é possível discutir a escalação do Dunga. Claro que é burrice queimar um dos três jogadores da cota de mais de 23 anos de idade para deixá-lo no banco. Claro que Kaká teria feito alguma diferença. Claro que se pode dizer que Ronaldinho não deveria ter ido. Claro que é possível armar um time superior ao do Dunga. Qualquer um arma um time melhor que Dunga!

Mas dizer que, com um bom técnico e uma escalação acertada, o Brasil teria ganho o sonhado ouro é tapar o sol com a peneira, porque o problema é estrutural. São décadas de saqueio do futebol brasileiro. São décadas de gangues criminosas controlando a estrutura do esporte. Se eu, fanático absoluto por futebol, cheguei ao ponto de dispensar um satélite da Globo Internacional na minha casa, já que não me dá nenhum gosto assistir o futebol brasileiro – e não é pela crise do Galo, posto que já assisti incontáveis campeonatos com o Galo em crise --, é porque o buraco é mais embaixo.

O líder do Campeonato Brasileiro é uma equipe comandada por Celso Roth. Isso, pra mim, já é o corolário definitivo dessa discussão.



  Escrito por Idelber às 04:02 | link para este post | Comentários (120)



terça-feira, 19 de agosto 2008

Brasil x Argentina!

Daqui a pouco, às 10 h de Brasília, começa um daqueles eventos esportivos ante os quais não dá para ficar indiferente: Brasil e Argentina disputam as semifinais do futebol olímpico. Uma vitória brasileira e um subseqüente ouro são garantias de Dunga no comando da seleção principal por mais um bom tempo. Apesar de tudo, vou me conter para não torcer para a Argentina, já que para os hermanos, eu só dou azar.

O Impedimento vai fazer uma cobertura ao vivo e eu também, mesmo sem ter anunciado com a antecedência apropriada, vou atualizar este post com comentários sobre o que promete ser a hilária transmissão mexicana da Telemundo. Nada, nada é tão engraçado como uma transmissão mexicana de futebol brasileiro.

Portanto, se passar aqui pelo blog na manhã desta terça, desligue o Galvão Bueno e se ligue na F5. Aqui e lá no Impedimento. A partir das 9:50 h de Brasília, o post será atualizado a partir deste ponto.

Atualizações
(leia de baixo para cima):

12: 01: Missão cumprida por hoje. Mexicano e argentino se despedem na Telemundo, visivelmente em mala onda. Esperemos que desta vez o Dunga caia. Valeu, turma do Impedimento, pela parceria.

11: 53: O Brasil vai rumo à glória maior, o Bronze.

11: 49: Fim de jogo! Baile histórico da Argentina no segundo tempo. Se houvesse mais quinze minutos, teria sido uns 5 ou 6 a zero. Com pena do Brasil, o juiz termina a partida com menos de um minuto de desconto.

11: 45: Brasil começa a distribuir golpes de caratê em Pequim. Será que o Galvão Bueno está dizendo que os "argentinos são traiçoeiros"?

11: 43: Thiago Neves expulso! É vexame total. Locutor argentino e comentarista mexicano quase saem na porrada sobre a justiça ou não do vermelho a Thiago Neves.

11:41: Vai ser a disputa de Bronze mais melancólica da história. A Bélgica levou um sapeca iá-iá inesquecível da Nigéria. O Brasil perdeu até o rumo de casa com a Argentina.

11: 40: Lucas expulso! É baile tangueiro em Pequim.

11: 35: Repete-se a final olímpica de Atlanta, em 1996: Nigéria x Argentina. Só esperamos que desta vez, se houver algum brasileiro assistindo o jogo em bar de Buenos Aires, não comemore gols da Nigéria nem morra espancado.

11:34: Gooooooooooool da Argentina! 3 x 0. Riquelme.

11:33: Pênalti para a Argentina! Comentarista mexica: Marca muy mal, marca muy mal Breno.

11:31: Messi entorta Breno, que retruca com um golpe de jiu-jitsu.

11:29: Finalmente sai Diego, tendo dado dois passes para frente no jogo todo, um deles para o Sóbis em impedimento. Entra Jô, ou Djô, como prefere o locutor da Telemundo.

11:28: Havia mesmo impedimento no gol do Brasil. Nada a reclamar.

11: 23: Gol anulado do Brasil, em impedimento depois da cobrança de Ronaldinho. Mexicano de cara provoca: ¿había?

11: 22: Locutor argentino indignado com o amarelo para o argentino ao pé da barreira.

11:21: Carrinho de Pareja na bola. Diego cai, levanta a cara, olha para o árbitro, e se lembra de que tem que fingir que se machucou e fazer careta.

11:19: Entram Thiago Neves e Pato no Brasil. Saem Hernanes e Sóbis.

11:18: É a batata do Dunga assando em Pequim!

11:16: Gooooooool da Argentina! Aguero de novo! Explode o rosarino da Telemundo: Argentina se acerca a la final!

11: 15: Na transmissão mexicana, o argentino e o mexicano continuam brigando para decidir se Dimaria queria cruzar ou não.

11: 13: Bola na trave do Sóbis! Logo depois, chute do Rafinha. O Brasil acordou. Por que não acordam na hora de sair do vestiário?

11:12: Briga sensacional na transmissão mexicana. O comentarista mexicano diz que Dimaria não queria cruzar, mas chutar, e errou o chute! O locutor argentino protesta ¿estás desmereciendo el gol argentino? No importa si no la quería cruzar!

11:10: Goooooooooooooool da Argentina. Le pega Messi, le pega Messi, le pega Messi. Aguero completa!

11:08: Só mesmo na China para a torcida gritar Brasil, Brasil depois de 50 minutos de uma peladas dessas. Se fosse no Mineirão já estariam gritando ô Maradona, vai se f%&ê / o Aécio cheira mais do que você.

11:07: Renan, Lucas, Ronaldinho, Anderson, Sóbis. Já descobri o problema. Tem gaúcho demais no time!

11:06: Opa, o Sóbis estava habilitado. Erro do bandeira.

11:05: O Diego deu um passe para frente! Para o Sóbis, em impedimento.

11:03: Vai recomeçar a peleja. A torcida do blog é que alguém faça gol e não tenhamos que suportar 120 minutos dessa tristeza. Qualquer lado.

Intervalo: Horrendo primeiro tempo. Argentina bem melhor, trocando passes no campo do Brasil, pelo menos. Ronaldinho uma lerdeza só. Diego é o armandinho de sempre. Anderson não apareceu hora nenhuma. Marcelo fez uma jogada. Rafinha foi o único que, em algum momento, levou perigo.

10: 45: comentarista mexicano: Ha sido um primer tiempo muy entretenido, con mucha dinámica. Quero meu Galvão Bueno!

10:43: Aos 42 minutos de jogo, o primeiro chute a gol do Brasil. Da intermediária.

10:42: primeiro chute a gol de verdade do Brasil. Hernanes, de longe, por cima.

10:40: hahaha, foi só eu elogiar o Rafinha e ele entrega uma bola limpa para o Messi fazer o gol. Quase a Argentina abre placar, de novo.

10: 38: Medalha de ouro para a Nigéria já!

10:35: Quase Breno entrega o ouro! Piores jogadores até agora: Breno e Diego. Melhor: Rafinha.

10:34: Que jogo chato da porra.

10: 32: Quase gol da Argentina no cruzamento do Messi. Já estão merecendo, pô!

10:31: Amarela para Hernanes. Argentina troca quatro passes seguidos! Coisa de gênio para esse jogo.

10:30: Marcelo encaixa um drible ninguém sabe como e cruza errado.

10:27: Locutor: hay que tener cuidado con la explosividad de Ronaldinho!. Caramba, "explosividade" de Ronaldinho é mais ou menos como a erudição de Paulo Coelho.

10:24: É implicância minha? Contra-ataque de 4 contra 3, Diego segura a bola, segura, segura, e depois dá um passe para o lado, com a defesa já armada. Armandinho da porra.

10:21: Um dia, algum dia, eu vou ver o Diego dar um passe para a frente.

10:19: Amarelo para Breno. De qual esporte saiu esse cara?

10: 17: Luta greco-romana na área do Brasil, com Breno e Aguero.

10:13: Típico Brasil x Argentina. Eles mais contundentes no começo. Daqui a pouco a bola esbarra no ombro do Anderson e o Brasil faz 1 x 0.

10:12: Quase gol da Argentina. Locutor: a bola furou a rede!

10:11: Jogadaça do Rafinha, furo incrível do Sóbis. Entre Sóbis e Pato, que saudades do... Reinaldo!

10:09: Que falta faz o Elano! Não há nada como assistir uma transmissão em espanhol com Elano em campo. O locutor chileno adorava dizer, a cada passe do Elano, Elano que abre! (em espanhol : el ano=o ânus)

10:08: hahahah. O locutor argentino protesta contra o amarelo para Zabareta. No lo tocó!. O comentarista mexicano retruca: tocou, sim! Guerra intra-hispano-americana na transmissão.

10: 06: Cantor: y la quiere Messi, y la quiere Messi, y la quiere Messi!. Quase gol da Argentina.

10:01: Começou! Alex Silva lembra Júnio Baiano com o bicudão pra cima.

9:57: Últimas partidas entre Brasil e Argentina: 0 x0 no Mineirão (18-06-08); Brasil 3 x 0 na Final da Copa América (15-07-07); Brasil 3 x 0 em amistoso na Inglaterra (09-03-06); 2 x 2 na Copa América (Brasil nos pênaltis); Brasil 3 x 1 nas Eliminatórias (06-02-2004) no Mineirão.



  Escrito por Idelber às 06:02 | link para este post | Comentários (64)



segunda-feira, 18 de agosto 2008

Caymmi

Passei o fim de semana ouvindo a música de Caymmi. Na voz de lui-même, que é a melhor forma. Sua morte não é daquelas que nos provocam raiva, desespero ou sensação de orfandade. Claro que para a família e os que conviviam de perto com pessoa tão única, deve estar sendo difícil se acostumar com sua ausência. Mas para nós, meros súditos e admiradores da sua arte, Caymmi está onde sempre esteve: naquela espécie de transcendência luminosa que ele forjou, e para qual importa pouco se ele está fisicamente no mundo ou não. Jamais aquele clichê de velório fulano está conosco, vivinho foi tão verdadeiro.

Luiz Gonzaga, Noel Rosa e Tom Jobim são gênios, mas o primeiro é muito associado a um gênero, o segundo a um momento na história de um gênero, e o terceiro a um movimento musical. Só Caymmi é uma espécie de transcendência atemporal: fez e transcendeu o samba dos anos 30, fez e transcendeu o samba orquestrado dos anos 40, fez e transcendeu o samba-canção, inventou um gênero do qual ele é o único verdadeiro praticante (a canção praieira), antecipou a bossa nova, inspirou a MPB sem nunca antagonizá-la nem ser antagonizado por ela.

Em 1957, Caymmi lança dois discos: Eu vou pra Maracangalha e Caymmi e o Mar. Quer a metonímia perfeita, o mapinha completo  da música brasileira popular do século XX? Está tudo ali. Mas tudo mesmo, de João da Baiana e Pixinguinha a Titãs e Chico Science. É só ouvir. Com um corpus de menos de 100 canções, Caymmi é uma espécie de mapa de tudo.


Há um livrinho de Antonio Risério chamado Caymmi, uma utopia de lugar. É o melhor que se escreveu sobre o gigante. Risério mostra como é interessante a presença da mulher em Caymmi. Ele jamais cometeria a grosseria de um Noel enraivecido, que dizia à “mulher indigesta” que ela merecia um “tijolo na testa”. Mas também não há sofrimento à moda de, digamos, um Lupicínio Rodrigues. Ele também jamais faria experimentos à la Chico Buarque, colocando-se na voz feminina. A mulher em Caymmi, em geral, passa, está sempre em movimento, requebrando. A baiana de saia rodada vai convidá-lo para dançar e ele diz que “não vai” sabendo que ela sabe que ele vai, sim. Caymmi provavelmente foi o único que conseguiu criar esse estranho oxímoro: poeta erótico, sensual, sedutor e safado, ele era o homem de família por excelência.

Sua galeria de personagens passa ao largo daquela que foi canonizada no samba: o pescador certamente não é um "malandro", mas jamais ocorreria a Caymmi chamá-lo de otário. O mundo do trabalho tem outras cores em Caymmi, porque o trabalho ali está em relação com o mar e, portanto, com o infinito.

Pergunte a um grupo de garotos quem é o autor de “O que é que a baiana tem?” ou dos versos “quem não gosta de samba, bom sujeito não é / é ruim da cabeça ou doente do pé”. Há boas chances de que vários digam que são canções “folclóricas” ou de autoria indeterminada, coletiva ou desconhecida. Caymmi tinha esse dom: criava canções que pareciam sempre haver estado ali. Morou no Rio de Janeiro sete décadas, mas é tão identificado com a Bahia que já não sabemos se Caymmi expressa perfeitamente o que é a Bahia ou se a Bahia que conhecemos é uma invenção de Caymmi. Provavelmente não importa.

PS: Veja também o texto de Caetano Veloso.



  Escrito por Idelber às 05:53 | link para este post | Comentários (30)



sexta-feira, 15 de agosto 2008

Mais um golpe contra a liberdade de imprensa em Minas: Retirado do ar site jornalístico que continha denúncias contra Aécio Neves

O site de notícias Novo Jornal, conhecido pelas denúncias que tem veiculado contra o governador Aécio Neves, foi retirado do ar ontem, em ação conjunta da Promotoria Estadual de Combate aos Crimes Cibernéticos e da Polícia Militar. Foram apreendidos os computadores do site. Ao acessar a página, o internauta chega a esse aviso do Ministério Público de Minas, que anuncia que a página foi “suspensa” e que está sob investigação por “indícios de prática de crimes”. A imprensa noticiou que a ação foi fruto de uma representação recebida pela Procuradoria que alegava que o site publicava matérias atentatórias à honra de autoridades públicas como o Procurador Geral de Justiça do Estado, Jarbas Soares Junior, e principalmente o governador Aécio Neves . Nenhum veículo de imprensa noticiou quem foi o autor da representação.

No momento em que foi retirado do ar, o Novo Jornal trazia em sua primeira página uma matéria com pesadas críticas ao Presidente do STF, Gilmar Mendes. A matéria ainda pode ser lida no cache do Google. O Novo Jornal também denunciou que o governador Aécio Neves pagou US$ 269 milhões de dívidas da Rede Globo de Televisão na compra da Light. A denúncia, feita em minucioso detalhe, mostra que o governo mineiro criou uma empresa, a RME -- Rio Minas Energia Participações S/A -- que teria pago por 79,57% das ações da Light e adquirido somente 75,40% das mesmas, transferindo para fundos credores da Globo nos Estados Unidos o montante de 269 milhões de dólares. Simultaneamente, Aécio nomeava o ex-presidente da holding do Grupo Globo, Ronnie Vaz Moreira, presidente da tal RME e diretor-financeiro da Light.

Ainda é possível, também, ler no cache do Google o editorial do Novo Jornal que denunciava a censura à imprensa em Minas Gerais, assim como uma missiva de um leitor com críticas a Gilmar Mendes. Ainda pelo cache do Google, é possível rastrear nos arquivos do site censurado 21 menções ao Governador Aécio Neves e 11 menções ao Procurador Jarbas Soares Junior. O Novo Jornal acusa o Procurador de barrar toda e qualquer apuração de denúncias. Evidentemente, é de grande importância preservar esses textos.

Com a subserviência que lhe é própria, a “grande” imprensa mineira noticiou a criação da Promotoria Estadual de Combate aos Crimes Cibernéticos dizendo que com o crescente número de crimes praticados por usuários da rede, o MPE decidiu pela sua implantação, sem oferecer ao leitor qualquer fundamentação da veracidade da premissa de que o número de crimes online é mesmo “crescente”. Com a mesma subserviência, o grupo Diários Associados noticiou que o Procurador Jarbas Soares encaminhava ao PG da República uma ação que removia obstáculos à atuação dos promotores sob a incrível manchete MP luta contra a mordaça em Minas – título que adquire tons bastante irônicos à luz da última ação do MP mineiro.

Desnecessário é dizer que o Biscoito se solidariza com o jornalista responsável pelo Novo Jornal, Marco Aurélio Flores Carone, a última vítima da ditadura aecista. Seria muito, muito divertido ver esses textos reproduzidos por aí à exaustão. Este blog já gravou três ou quatro dos mais incisivos e vai republicá-los em breve.



  Escrito por Idelber às 17:23 | link para este post | Comentários (39)




Momento jabá

Aí vão alguns links para blogs que tenho lido com muito prazer e que ainda não destaquei aqui com o holofote merecido. Alguns já estão no meu radar há bastante tempo. Outros foram descobertos nesta madrugada mesmo. Todos valem a pena:

Eu tava aqui pensando e blá blá blá
: Há muitos anos eu não passava uma madrugada lendo os arquivos de um blog. Aconteceu com esse. Dei muita risada. Não é atualizado com muita regularidade, mas vale o mergulho nos arquivos. O autor é o ex-baterista da banda Formidável Família Musical, de Salvador, que eu não conhecia. Fiquei conhecendo pelo blog. Aliás, a estas alturas já sei até o que cabra come no café da manhã. Muito, muito bom (via Alex).

Todos os fogos, o fogo
. Pouco a pouco, Maurício Santoro vai compondo um dos melhores blogs de política do Brasil, colocando em prática aquele velho princípio: em geral, funcionam os blogs temáticos em que .... hmmm ... bem ... o autor entende do tema. E poucas pessoas conhecem política latino-americana como o Mauricio -- só o Sergio Leo, já bem conhecido dos visitantes desta bodega.

RS Urgente: Vira e mexe volta aquela discussão sobre blogs e imprensa, e somos obrigados a concordar que os blogs jornalísticos brasileiros ainda estão longe de produzir notícia de forma independente. O RS Urgente é uma das poucas exceções. Sua cobertura da política gaúcha bate a grande imprensa de longe. Leitura obrigatória para quem quer acompanhar o cotidiano político do Rio Grande.

Histórias do Brasil: Há tempos quero destacar este blog, que já é parte do meu blogroll mas nunca havia sido recomendado com a ênfase que merece. Os “causos” da época áurea do futebol brasileiro são imperdíveis. Os dois últimos posts são sobre a Batalha de Berna, o famoso Brasil 2 x 4 Hungria da Copa de 1954.

Música popular do Brasil: De Odair José a Diana, de Paulo Sérgio a Roberto Leal, a viagem no tempo que faz este blog é indispensável para qualquer um que queira conhecer, sem preconceitos, a memória da música brasileira.

Blog do Bourdoukan: Um dos blogs brasileiros mais atentos aos massacres diários que sofre o povo palestino, vivendo sob a mais brutal ocupação militar da era moderna. Vale sempre a visita. Via Bourdoukan cheguei a essa excelente entrevista com o sinólogo Diego Salmen Elias Jabbour, sobre o festival de hipocrisias do Ocidente sobre a China (sobre o mesmo tema, não perca esse texto da Mary).

Se estiver descobrindo pérolas por aí, é a hora de deixar o link.



  Escrito por Idelber às 08:20 | link para este post | Comentários (36)



quinta-feira, 14 de agosto 2008

Os Estados Unidos na geopolítica mundial depois do conflito na Geórgia

Convenhamos que é meio humilhante começar a atirar e 48 horas depois implorar de joelhos por um cessar-fogo. Há algo de comovente em ver uma nação dar-se conta de que durante muito tempo acreditou num conto da carochinha. Segundo os relatos que chegam, o estado de espírito na República da Geórgia pode se resumir com uma pergunta atônita: onde estão os americanos que disseram que nos protegeriam, que eram nossos amigos? Os georgianos descobriram, na base da porrada, o que os latino-americanos minimamente informados já sabem há mais de um século: o que os EUA querem dizer quando alardeiam seu compromisso com a “liberdade e a democracia”.

As analogias históricas não funcionam muito bem para se compreender o conflito desta semana porque a Geórgia é – ou era, até a semana passada – um dos poucos lugares da galáxia onde o presidente americano goza de popularidade real. Como se sabe, a estrada que leva ao aeroporto de Tbilisi foi batizada com o tenebroso nome de George W. Bush. Ao longo dos últimos 16 anos em que predominou uma paz tensa na Ossétia do Sul e na Abkházia, e muito especialmente desde a eleição de Mikhail Saakashvili em 2004, a Geórgia tem sido a menina dos olhos do entrismo da OTAN.

Em abril deste ano, Bush defendeu abertamente a entrada da Geórgia no Tratado, sob os olhares estupefatos dos europeus, que sabiam muito bem a provocação que isso representaria para a Rússia. Logo em seguida, 1.000 marines foram enviados à base militar de Vaziani, na fronteira com a Ossétia do Sul, para treinamento do exército georgiano. Desde a visita de Bush ao país em 2005, os EUA apresentam a Geórgia como modelo de democracia, não se importando muito com as incontáveis denúncias de violações dos direitos humanos. Tudo indica que Saakashvili imaginou que contaria com algo mais que declarações verbais americanas no momento em que iniciasse a aventura militar na Ossétia do Sul (região onde, diga-se de passagem, fala-se língua da família irânica, sem relação com o georgiano, que é língua do grupo sul-caucasiano). Para piorar sua situação, as tropas russas são detestadas na Geórgia, mas são populares na Ossétia. Resumindo: a Geórgia imaginou que tinha entrado no clube.

Não é de se estranhar que a imprensa não tenha dito muito sobre as centenas de milhões de dólares em armas, treinamento, equipamento eletrônico, aviação e morteiros fornecidos por Israel para a Geórgia nos últimos anos. Por volta de 100 agentes israelenses participaram da preparação da invasão georgiana à Ossétia do Sul. O contato aqui foi via Davit Kezerashvili, ministro da defesa georgiano, ex-residente de Israel. Outro ministro, Temur Yakobashvili, deu entrevista a uma rádio israelense no dia 11 de agosto, afirmando que um pequeno grupo de soldados georgianos foi capaz de dizimar uma divisão militar russa inteira, graças ao treinamento israelense. Tampouco é de se estranhar que depois da surra levada pela Geórgia, Israel tenha subestimado o seu papel no processo.

Mas o que salta aos olhos neste conflito é a completa desmoralização da liderança americana. Há tempos não se via os EUA espernearem tanto com tanta impotência. O vice-presidente Dick Cheney falou em não deixar a agressão russa sem resposta e os russos solenemente ignoraram. O candidato republicano John McCain, cujo principal conselheiro foi lobista do governo georgiano durante anos, batucou seus queridos tambores de guerra sem que os russos dessem o menor sinal de preocupação. O New York Times relatou que duas altas autoridades americanas chegaram ao ponto de afirmar que os EUA estão aprendendo a hora de ficarem calados. Enquanto isso, McCain declarava que no século XXI, as nações não invadem outras nações, talvez imaginando que as invasões americanas no Afeganistão e no Iraque aconteceram no século XVIII.

Se o cálculo da direita americana foi se aproveitar do episódio para reforçar um belicismo que costuma lhe render dividendos eleitorais, há bons motivos para se imaginar que o tiro pode ter saído pela culatra. Não há indicadores claros de que a atual viagem de Condoleeza Rice à região, à reboque do presidente francês Sarkozy, possa reverter esse quadro significativamente. O que é certo é que o presidente Mikhail Saakashvili – que num discurso no sábado passado chegou a evocar McCain, um candidato a uma eleição num país estrangeiro – já pode falar sobre tiros pela culatra com a autoridade de um doutor honoris causa.

Atualização: Este texto também está publicado na Agência Carta Maior.



  Escrito por Idelber às 06:10 | link para este post | Comentários (38)



terça-feira, 12 de agosto 2008

Clara Nunes, 65 anos

Clara Francisca Nunes Gonçalves Pinheiro nasceu no dia 12 de agosto de 1943, em Cedro, no distrito de Paraopeba, agora Caetanópolis, Minas Gerais. Completaria hoje 65 anos. Seu pai, o Mané Serrador, era violeiro nas Folias de Reis da região. Órfã de pai e mãe antes dos três anos de idade, Clara foi criada pela irmã Mariquita que, orgulhosa, ainda cuida do seu acervo em Caetanópolis, enquanto não chegam as verbas para o Memorial Clara Nunes. Se Elis Regina foi nossa cantora de mais recursos técnicos, se Nara Leão foi a musa do movimento musical mais importante do Brasil, Clara Nunes foi a cantora moderna que mais barreiras rompeu, a que maior impacto teve sobre a cultura, a que mais encantou seus pares, a que mais fundo mergulhou no Brasil. De longe, é a que tem o séquito mais apaixonado.

Criança, cantava em latim na igreja. Adolescente, era operária em fábrica de tecidos. Antes dos 20 anos de idade, já em Belo Horizonte, teve um histórico programa de rádio na Inconfidência. Na época em que trabalhou como crooner em boates, seu baixista era um moço preto que atendia pelo nome de Bituca. Em 1963, passou a ser responsável por um programa chamado “Clara Nunes apresenta”, na TV Itacolomi. Nessa época, antes de gravar o primeiro disco, já era adorada em Minas.

Em 1966, lançou A voz adorável de Clara Nunes, um disco de baladas e boleros. Um dia, o grande Ataulfo Alves lhe disse: moça, você tem uma voz muito bonita. Cante samba. O resto é história. Veja o depoimento dela sobre essa época, com atenção para a belíssima foto de Clara e Ataulfo:


Seu primeiro sucesso seria justamente uma parceria de Ataulfo com Carlos Imperial: "Você passa eu acho graça". Cantou de tudo: forró, partido-alto, samba-enredo, jongo, ciranda, puxada de rede, pontos de congada e umbanda, boleros. Mas era, acima de tudo, do samba. Na década de 1970, o mundo do samba acumulou muito ressentimento, com a entrada em cena das FMs -- onde predomina(va) o pop internacional da pior qualidade --, a cisão entre a intelectualizada MPB e o samba tradicional, e o progressivo afastamento dos jovens em relação à tradição sambista. Muita tinta e saliva foi gasta praguejando contra a “estrangeirização” na música brasileira.

Com a serenidade própria dos gigantes, Clara continuou fazendo o seu trabalho, tranqüila. Nunca enunciou uma palavra de ressentimento ou mágoa contra o rock. Nunca apresentou a sua música como mais “autêntica” ou “verdadeiramente brasileira” que a de ninguém. Jamais atacou as preferências musicais da juventude. Até que em 1974, na surdina, e puxada pela composição de Toninho e Romildo Bastos, “Conto de Areia” (é água no mar/ é maré cheia, oi / mareia, oi), ela vendeu 400.000 cópias de Alvorecer. Eis aqui a capa do LP que enterrou em definitivo o mito de que mulher não vendia disco:

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Clara tinha várias encarnações. Aqui, a Clara bolero:

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Clara pré-candomblé, boca-de-sino:

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Clara 1974, já no início da fase gostosona:

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Clara já na fase candomblé:

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Clara numa imagem famosa, de um clip do Fantástico, da Rede Globo, em 1978:

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Na contra-capa do disco Claridade, em pose sedutora:
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Clara com pinta de Clarice Lispector:

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Clara com pose de visionária:

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Clara na minha foto favorita:
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(fonte das fotos)

Quando morreu John Lennon, eu ainda era meio novo para sentir o impacto, embora me lembre muito bem de receber a notícia no Parque Municipal, em Belo Horizonte. Da morte de Clara Nunes, três anos depois, eu já me lembro muito bem. Era um sábado de aleluia. A agonia, provocada por uma operação de varizes, durou um bom tempo. Eu só voltaria a sentir revolta semelhante no Carnaval de 1997, quando morreu Chico Science. 50 mil pessoas velaram o corpo de Clara na Quadra da Portela. Uma multidão incalculável seguiu o enterro. Por 24 mangos, dá para comprar no Mercado Livre a histórica edição da Revista Manchete com o adeus de Clara.

O Festival de Inverno de São João del Rey está homenageando Clara Nunes com exposições, palestras, shows e peça teatral. Aí em São Paulo, no décimo-nono Festival de Curtas-Metragens, que ocorre de 21 a 29 de agosto, Marcelo Caetano apresenta seu A Tal Guerreira. Em Caetanópolis, está acontecendo do dia 07 ao 17 o Terceiro Festival Cultural Clara Nunes (neste link você também pode ver fotos dessa pessoa abençoada, Dona Mariquita, a quem devemos tanto: ela criou Clara Nunes). No YouTube, os fãs estamos despejando dezenas de vídeos. Em São João del Rey, a Professora Silvia Brügger está lançando O canto mestiço de Clara Nunes, o primeiro estudo acadêmico dedicado à guerreira.

E você fique à vontade para celebrá-la aí na caixa, lembrando as suas canções favoritas. Não se esqueça de tocá-las para seus filhos e irmãos mais novos.


PS: Ontem, a Flávia Stefani deixou aqui o comentário de número 20.000 do Biscoito, desde a inauguração da casa nova, em março de 2005. Tim-tim.



  Escrito por Idelber às 06:23 | link para este post | Comentários (57)



segunda-feira, 11 de agosto 2008

Enquete musical

Vejam só que belíssimo link eu encontrei no Nemo Nox. O Boston Phoenix escolheu o melhor cantor / compositor e a melhor banda de cada um dos 50 estados norte-americanos: 50 states, 50 bands. Algumas eleições são bastante óbvias. Em Minnesota ganhou, claro, Bob Dylan, com Prince num honroso segundo lugar. A maior banda novaiorquina de todos os tempos, evidentemente, é o Velvet Underground – isso é o equivalente roqueiro de escolher qual é o maior jogador de futebol a ter usado a camisa 10 do Santos. Aqui na Louisiana, com méritos, venceram os seminais Meters – banda que sistematizou a linguagem do funk moderno e que, aliás, mereceria mais atenção no Brasil. Na categoria artista solo, escolheram Jerry Lee Lewis, imperdoavelmente se esquecendo que de New Orleans saiu um certo Louis Armstrong. A Flórida teve a escolha que merece: os intragáveis reacionários do Lynyrd Skynyrd.

Fiquei feliz com a escolha de alguns artistas que me são muito caros: na Geórgia, R.E.M.; na Carolina do Norte, o Superchunk (embora eu talvez tivesse votado no Southern Culture on the Skids); em Massachusetts, as feras dos Pixies. Miles Davis e Stevie Wonder, merecidamente, levaram as coroas solo em Illinois e Michigan. Na Pensilvânia, escolheram Trent Reznor como o maior artista solo da história. Da última vez que chequei, um tal John Coltrane – apesar de nativo da Carolina do Norte – havia feito na Filadélfia a sua carreira. Péssima escolha, nesse caso.

Com o meu gosto pela polêmica, fiquei imaginando como seria divertido fazer uma lista semelhante para os estados brasileiros. Em Minas Gerais, meus votos seriam:

Artista solo: Ataulfo Alves, com Milton Nascimento, Clara Nunes e João Bosco disputando o segundo lugar (sim, eu sei que Milton nasceu no Rio; mas é mineiro). Banda: Uakti, com Sepultura em segundo.

Deixe aí o seu voto sobre os estados que você conhece bem.



  Escrito por Idelber às 06:12 | link para este post | Comentários (92)



sexta-feira, 08 de agosto 2008

O conflito Rússia – Geórgia e as eleições americanas

Como já sabem, a situação vai se complicando na província separatista pró-russa da Ossétia do Sul, situada em território da Geórgia. Junto com a província de Abecásia, a Ossétia do Sul conquistou uma espécie de “independência de fato” da Geórgia no fim dos anos 1990, monitorada por forças de paz russas. Os conflitos começaram a acontecer a partir da eleição de Mikhail Saakashvili à presidência da Geórgia em 2004. Saakashvili fez da unificação nacional um dos eixos de sua plataforma. Desde ontem, a região separatista está sob ataque da Geórgia. A Rússia mandou tropas e reagiu. Há relatos, ainda não confirmados, de centenas de mortos.

Numa situação tão complexa como esta, é de se esperar moderação e tranqüilidade de um líder norte-americano. Barack Obama deu uma declaração instando as duas partes a cessarem as hostilidades e sentarem-se à mesa de negociação. John McCain condenou a Rússia de forma unilateral e exigiu que ela abandone “imediata e incondicionalmente” as operações militares. Eis aí uma amostra do que está em jogo nestas eleições americanas.

Agora, a parte que você não sabe: o principal conselheiro de política externa da campanha de John McCain chama-se Randy Scheunemann. Ele ó o fundador da Orion Strategies e foi lobista contratado pelo governo da Geórgia durante 5 anos, mais exatamente entre 2003 e Março de 2008. Somente no ano de 2007, Scheunemann recebeu do governo da Geórgia honorários no valor de US $240.000. Não há nada de ilegal nisso, mas fica aí mais um exemplo dos possíveis conflitos de interesse que assombram um candidato à presidência dos EUA que se cerca de lobistas.

As relações de Scheunemann com o governo da Geórgia foram noticiadas na época de sua ascensão ao comando da política externa da campanha McCain, mas até agora nenhum grande jornal americano -- que dirá brasileiro -- se lembrou desse pequeno detalhe no noticiário sobre o conflito. A dica é da antenadíssima TPM.

O que seria de nós sem a blogosfera e a imprensa independente?



  Escrito por Idelber às 18:18 | link para este post | Comentários (39)




Compasso político

Este foi um meme que circulou por aí e do qual eu nunca havia participado. É um teste que mede sua posição política num quadro atravessado por dois eixos, um eixo horizontal direita x esquerda e um eixo vertical libertário x autoritário. Sem muitas surpresas, fiquei no extremo esquerdista libertário:

compass.jpg

As perguntas, em inglês, estão aqui. Se fizer o teste, deixe aí o testemunho.

PS: Novidades da semana? Nenhuma. Israel continua assassinando crianças, atirando em gente amordaçada, matando mais crianças e, enquanto falam de paz, roubando mais terra palestina.

PS 2: Nos EUA, tampouco nada de muito novo, exceto a revelação de mentiras e mais mentiras do governo e da mídia na preparação do clima que antecedeu a Guerra do Iraque, desta vez no caso dos ataques com antraz. Veja aqui John McCain em outubro de 2001, no programa de David Letterman, sugerindo "evidências" que vinculavam os ataques de antraz a Saddam Hussein.



  Escrito por Idelber às 05:22 | link para este post | Comentários (49)



quinta-feira, 07 de agosto 2008

Ecoterrorismo e fundamentalismo natureba

Eu teria um pouco mais de simpatia por veganos, zoófilos e naturebas em geral caso eu tivesse deles ouvido, pelo menos uma vez na minha vida, uma palavra de condenação aos incontáveis incêndios, bombardeios e espancamentos perpetrados contra estudiosos e pesquisadores por auto-intitulados “defensores dos animais”. Nos Estados Unidos, e particularmente na Califórnia, está ficando impossível conduzir pesquisa laboratorial sem medo de que algum maluco da Frente de Liberação dos Animais toque fogo na sua casa ou destrua seu espaço de trabalho. Segundo o FBI, já são 1.100 crimes desde 1976, com prejuízos de 100 milhões de dólares.

O crime desta semana aconteceu na Universidade da Califórnia, em Santa Cruz. O professor David Feldheim, que pesquisa a formação do cérebro, teve sua casa bombardeada por um artefato descrito pela polícia como “Molotov com esteróides”. O Prof. Feldheim, com sua esposa e os filhos de 6 e 7 anos de idade, escaparam pela escada para o segundo andar, enquanto a fumaça tomava conta do primeiro. Os retratos, nomes e endereços de Feldheim e de outros 12 pesquisadores que usam ratos em laboratórios apareceram em panfletos eco-fundamentalistas deixados num café de Santa Cruz, junto com o simpático aviso abusadores de animais, cuidado. Em janeiro, explodiram uma bomba na varanda de um pesquisador da Universidade da Califórnia em Los Angeles. Na Universidade da Califórnia em Berkeley, pelo menos 24 pesquisadores foram atacados nos últimos meses, alguns com suas casas e automóveis vandalizados. Para quem não sabe – e esses malucos agem como se não soubessem –, o sistema universitário da Califórnia, assim como qualquer outra universidade americana séria, exige ampla documentação e justificativa antes de que se autorize o uso de animais na pesquisa, incluindo-se aí uma demonstração de que o menor número possível de animais será utilizado. Mas não adianta: com aquele fervor típico dos religiosos, os malucos tocam fogo até em laboratórios e bibliotecas de botânica.

Não basta um tépido ah, eu defendo os animais mas não aprovo esses atos de violência. Isso não é suficiente porque no movimento de defesa dos animais já se disseminou uma crônica, incurável self-righteousness, aquela pompa pontificadora de alguém que já inicia uma conversa pressupondo que ocupa um lugar de superioridade moral. Nada é mais instrutivo que ver um fundamentalista vegano tentando enfiar suas crenças religiosas goela abaixo de alguém. Na segunda ou terceira rodada da argumentação, o oponente que defenda o razoabilíssimo argumento de que a natureza é bicho comendo bicho e que nenhuma dieta tem superioridade moral sobre qualquer outra já estará sendo objeto de uma pseudo-psicanálise: coitado, ainda não evoluiu!, nós entendemos, você sente a necessidade de se justificar. Paupérrimo recurso retórico: começam atacando e, ao ouvir a contra-argumentação, replicam que “entendem” que você queira “se justificar”. Deveriam, para começar, aposentar essa cretina palavra especismo, cunhada para igualar moralmente o uso de um rato em laboratório ou o abate de um boi para um churrasco a um ato de racismo contra outro ser humano. Não cola.

Suponho não ser necessário dizer que sou contra qualquer crueldade contra animais. Imagino que eu tampouco tenha que dizer que a preservação do meio ambiente é causa séria, importante, que deve ser tratada com estudo e dedicação – especialmente pelos efeitos que ela terá para a nossa vida. Mas enquanto o etos dominante entre os auto-intitulados defensores dos animais for a de que os meus atos (e os da torcida do Grêmio e do Internacional) de comer nosso sagrado churrasco for o equivalente moral de um assassinato, eu os continuarei considerando cúmplices silenciosos dos crimes perpetrados contra gente como o Prof. Feldheim. E, até lá, o seu fervor terá de mim a mesma simpatia que devoto ao fervor religioso de uma Testemunha de Jeová.

PS. Leia também: Manifesto em defesa das baratas e Ecologia e hipocrisia, da lavra do Paraíba.

PS 2: Eu jamais imaginei que viria a este blog elogiar a Suprema Corte do Estado do Mississippi. Hora de queimar a língua: por 6 votos a 3, ela negou ao grupo Pessoas pelo Tratamento Ético dos Animais o acesso a documentos de pesquisa em andamento na Universidade do Estado do Mississippi. Decisão corretíssima, evidentemente. Nada, absolutamente nada lhes dá o direito de bisbilhotar a pesquisa de ninguém. Se há ilegalidades na pesquisa, que o Estado se encarregue de investigar.



  Escrito por Idelber às 06:18 | link para este post | Comentários (135)



quarta-feira, 06 de agosto 2008

Mainardi condenado na justiça

José Rubens Machado de Campos, advogado de Paulo Henrique Amorim, manda a notícia:

“A 5ª. Câmara de Direito Privado do Tribunal de Justiça de São Paulo acatou, por unanimidade, o relatório do Desembargador Oldemar Azevedo e deu provimento a recurso de Paulo Henrique Amorim para condenar a Editora Abril e Diogo Mainardi ao pagamento de 500 salários mínimos (R$ 207.500, 00), ao reconhecer a ocorrência de danos morais quando da publicação (em 6 de setembro de 2006) da coluna “A Voz do PT”, na revista Veja. A Câmara considerou que houve ‘abuso da liberdade de imprensa’. A Câmara confirmou que as contestações oferecidas eram inexistentes por falta de procuração. Cabe recurso ao STJ.”

Via Conversa Afiada.



  Escrito por Idelber às 18:22 | link para este post | Comentários (28)




Um guia para as pesquisas eleitorais americanas

Com a aproximação da eleição americana, é bem provável que cheguem ao Brasil notícias incompletas ou distorcidas a respeito de pesquisas eleitorais. Aconteceu esta semana, com uma chuva de fogos de artifício no blog da Veja, festejando a divulgação da primeira pesquisa Gallup que apontava John McCain na frente de Barack Obama. É provavelmente certo que – por uma série de motivos para serem discutidos outra hora -- houve algum movimento nos números durante os últimos dias. Mas em nenhum site de notícias brasileiro vi menção do fato de que se tratava, por exemplo, de uma pesquisa com “eleitores prováveis” (likely voters – LV) e não com “eleitores registrados” (registered voters – RV), o que, acreditem, nesta campanha faz a maior diferença. Em todo caso, que conste que a última Gallup já mostra Obama na frente de novo, por quatro pontos.

Mas o objetivo do post de hoje não é especular sobre os números atuais, e sim oferecer a lista de perguntinhas que acredito que você deve fazer quando vir notícias sobre alguma pesquisa nos EUA. São dicas para quem é, como eu, fanático por pesquisas eleitorais -- sempre lembrando que três sites indispensáveis são o Real Clear Politics, o Five Thirty-Eight e o Pollster.

1.Os números se referem a eleitores prováveis ou a eleitores registrados? Os institutos usam diferentes métodos para calcular um “eleitor provável”. Sabe-se, por exemplo, que tradicionalmente os eleitores mais velhos vão às urnas em números mais altos que os mais jovens; que os mais escolarizados votam em maior número que os menos escolarizados; que os brancos comparecem em maior proporção que os negros. Baseados nisso, os institutos de pesquisa ajustam o universo da pesquisa. As pesquisas deste ano baseadas em “eleitores prováveis” tenderão a sub-representar o apoio de Obama. Por quê? Porque não há dúvidas que os jovens, por exemplo, votarão em proporção maior que em anos anteriores. E os jovens favorecem Obama massivamente. Para quem lê inglês e tem paciência de elefante, esta é fonte para entender como os vários institutos selecionam o "eleitor provável". Ponto para o Gallup, que apresenta seus critérios com mais transparência.

2.Os números foram ajustados para refletir a ausência dos celulares? Todos os institutos de pesquisa já perceberam que a limitação das pesquisas telefônicas a aparelhos fixos dá um quadro distorcido do universo pesquisado. Alguns poucos já criaram algoritmos para tentar levar isso em consideração. Entende-se: a população que abandonou o fixo em favor do celular é predominantemente jovem. A pesquisa num universo de telefones fixos também tenderá a sub-representar o apoio de Obama. Ponto para a Rassmussen, que sacou isso antes e vem tentando calcular com exatidão o impacto dessa variável.

3.Se a pesquisa é nacional, o movimento detectado por ela é notado também nos estados decisivos? Nunca é demais repetir: o voto na eleição americana não é universal direto. Elegem-se delegados estaduais, com o vencedor em cada um levando a totalidade dos votos daquele estado no Colégio Eleitoral. São favas contadas que McCain vencerá em Oklahoma. São favas contadas que Obama vencerá em Connecticut. Estes estados não interessam (sim, o voto de um eleitor desses estados para presidente não vale nada. O meu voto, aqui na Louisiana, por exemplo, tampouco vale nada). A eleição se decidirá no grupo de swing states (estados decisivos) que, este ano, poderíamos reduzir a doze: Nevada, Colorado, Novo México, Missouri, Indiana, Ohio, Michigan, Flórida, Virgínia, Carolina do Norte, New Hampshire e Montana. Algum Republicano muito otimista poderá incluir a Pensilvânia nesse grupo. Acho difícil que Obama perca por lá. Acompanhe especialmente, claro, os estados maiores, com maior número de delegados. Na Flórida, por exemplo, McCain ainda é favorito. Mas uma virada de Obama por lá torna a coisa muito difícil para o Republicano. Praticamente não há mapa de vitória para McCain que não inclua a Flórida. Obama, por outro lado, pode perfeitamente vencer sem a Flórida e mesmo sem Ohio. Segundo o mapa do RCP, linkado acima, 238 votos do Colégio Eleitoral hoje tendem para Obama. 163 tendem para McCain. 137 permanecem indefinidos. Ganha quem chegar a 270.


PS: E vão caindo os mitos, um a um. A campanha de Hillary afirmou incessantemente que Obama tinha um “problema” com eleitores brancos de classe trabalhadora. Na última pesquisa, Obama bate McCain nesse eleitorado 2 por 1.* Repetiu-se ad nauseam que Obama não teria o voto latino, porque “latinos não votam em negros”. As pesquisa apontam balaiada de Obama entre os latinos. Muita tinta foi gasta para dizer que Obama faria o Partido Democrata perder o voto judeu. Incrivelmente, Obama tem mais aprovação entre o eleitorado judeu que o próprio Joe Liberman. Alguns poucos fizeram bastante barulho com a previsão de que o eleitorado de Hillary nas primárias não migraria para Obama. Entre os democratas, o nível de apoio de Obama anda por volta dos 84%, não muito longe dos patamares normais, que sempre incluem uns 10 a 12% de defecções.

PS 2: Parece -- eu disse parece -- que Obama escolherá mesmo o Senador centrista da Indiana, Evan Bayh, como seu candidato a Vice-Presidente. Você leu aqui no Biscoito primeiro. É uma escolha que tem prós e contras. Confirmada, publico uma análise.

PS 3: O Biscoito inagura hoje uma nova coluna aí à esquerda, um “mini-observatório” da imprensa. É um espaço para apontar gafes e erros da nossa imprensa escrita. Contribua, leitor, com indicações diárias. Só erros factuais ou gafes notórias. Nada que demande muita análise.

* Correção apontada pelo leitor Henrique: o 2 por 1 se refere à classe trabalhadora como um todo. Entre os trabalhadores brancos, a vantagem de Obama é de 47 a 37. Gracias, Henrique.



  Escrito por Idelber às 06:45 | link para este post | Comentários (32)



terça-feira, 05 de agosto 2008

Mais um blog censurado pela Justiça Eleitoral no Brasil

A pérola da semana vem da Juíza Eleitoral Isabella Joseanne Lopes Andrade de Souza, da cidade de Teixeira, Paraíba, que acaba de decretar a retirada de uma série de posts de um blog e proibir o seu autor de elogiar ou criticar candidatos na rede. Sim, é a famigerada 22.718 de novo. Quando essa desastrosa resolução foi promulgada, redigi o post Judiciário brasileiro inventa a campanha eleitoral sem internet. Recebi várias interpelações de amigos que disseram que não era necessário tanto “alarmismo”. Limitei-me a ouvir e a torcer para que eles estivessem certos e eu errado. Mas como atleticano, não posso deixar de ter a perfeita consciência de que as coisas sempre podem piorar.

Pois bem, o blog de Álvaro Dantas, de Maturéia, cidade de 5.000 habitantes na Paraíba, a 300km da capital João Pessoa, foi vítima de decisão judicial da qual eu reproduzo a primeira e a quinta (última) páginas:

SentencaBLOG01.jpgSentencaBLOG05.jpg

Álvaro é irmão do candidato a prefeito de Maturéia pela coligação PMDB/PSB, Daniel Dantas (nenhuma relação com o outro, claro) e não tem nenhuma pretensão de neutralidade. O blog do Álvaro diz claramente, no seu banner, que este blog tem lado. Na sua decisão, a Juíza determina que o representado se abstenha de fazer comentários acerca do pleito eleitoral vindouro ... no sentido de favorecer ou denegrir, com imagens, comentários ou fotografias. Não tenho a menor idéia de quem é o melhor candidato a prefeito de Maturéia. Mas sei que proibiram o Álvaro de falar, e ele tem toda a minha solidariedade.

O parágrafo inicial da resolução 22.718 afirma que ela dispõe sobre a propaganda eleitoral e as condutas vedadas aos agentes públicos em campanha eleitoral. Mesmo dentro dos limites desta estapafúrdia resolução, teria sido perfeitamente possível preservar o direito do Álvaro à liberdade de expressão. Se a resolução "dispõe sobre as condutas vedadas aos agentes públicos em campanha", as limitações estabelecidas por ela não deveriam se aplicar a apoiadores, fãs ou familiares. Mas não foi a compreensão da Juíza Isabella. Viu-se mais uma vez que eu tinha boas razões para me preocupar.

Na fundamentação de sua sentença, a Juíza Isabella nos brinda uma pérola. Trata-se de uma geringonça escrita por Edson de Resende Castro, intitulada Teoria e prática do direito eleitoral, parida pela Editora Mandamentos, de BH, em 2008. Afirma o autor (erros de pontuação mantidos): as regras para o rádio e a TV aplicam-se às empresas de comunicação social na Internet, ou seja, aos provedores (art 45 § 3). Os Partidos e candidatos podem manter sítios na rede, mas não podem fazer propaganda nos provedores [...]. Entende-se este tratamento. O sítio na rede, mantido pelo Partido ou pelo candidato, é visitado por quem o desejar, tal como por exemplo, alguém que vai a uma banca comprar um jornal. É uma fonte de informação a que ninguém está obrigado a acessar. Já os provedores são de acesso obrigatório para aqueles que querem navegar na Internet. Por isso são comparados, no tratamento legal, às emissoras de TV, já que a lei não quer que o internauta seja surpreendido pela propaganda eleitoral na página do provedor.

Sim, pessoas como estas escrevem livros. É impressão minha ou o autor confundiu provedor com portal de notícias, provedor com site pessoal, e tudo com tudo? Como é possível discutir esse trecho sem chegar à conclusão de que o autor não tem idéia do que é a internet? Evidentemente, a "página do provedor" não é de acesso obrigatório para quem quer navegar a internet. O meu provedor de acesso à net, a AT & T, tem uma página que eu nunca visitei. O blog do Álvaro, igualzinho a uma banca de jornais, só é visitado por quem quer. Não sei qual é pior: se as analogias feitas pelo autor Edson ou o fato de que a Juíza Isabella as use para fundamentar o cala-boca no blog do Álvaro. Em todo caso, fica o registro dos absurdos do Judiciário, parte 3.451.

PS: Na Folha de São Paulo de ontem, Álvaro Pereira Júnior cita pesquisa que demonstra correlação entre escolaridade e gosto pela MPB para concluir que isso é a prova definitiva de que estudar não serve para nada. Sim, coisas como essas são impressas nos jornais. Engraçadinho, ele, não?

PS 2: Na Folha de São Paulo de hoje, João Pereira Coutinho alude ao agitador de extrema-direita David Horowitz como "especialista" em "matérias" como a escravidão. Conclui dizendo que é "cômica" a afirmativa de que a escravatura e a segregação racial contribuíram para o estatuto secundário que os negros americanos ocupam nos Estados Unidos. Afirmativa que, claro, seria mais propriamente caracterizada como óbvia ou como o que chamamos em filosofia um truísmo. Está ficando grave a situação da Folha. Alguém salve o jornal, please.



  Escrito por Idelber às 05:53 | link para este post | Comentários (58)



segunda-feira, 04 de agosto 2008

Drops

Um dos factóides requentados na semana passada foi a matéria da Revista Cambio sobre os supostos “contatos” das FARC com o governo brasileiro. Quando Eliane Cantanhêde desqualifica algum ataque ao PT como desprovido de substância, é porque a coisa é embaraçosamente sem fundamento. Sobre esse factóide, nada tenho a acrescentar ao que o Pedro Dória, insuspeito de simpatias petistas, já disse aqui.

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A suposta “traição” do Itamaraty aos seus aliados na Rodada Doha, seguida pelo fracasso das negociações para o destravamento do comércio internacional, foi outro assunto que gerou um sem-número de clichês. Nessas horas, sempre é bom ler quem entende do assunto. Na blogosfera, Sergio Leo foi quem acompanhou mais de perto e com mais informações o impasse diplomático e comercial. Veja as análises do Sergio aqui, aqui e aqui.

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Se você quiser ter uma aula sobre a eleição belo-horizontina e uma explicação de por que BH tem um elenco de candidatos superiores aos das outras capitais, leia esse excelente comentário do leitor Ricardo Amaral, que conta boa parte da história política recente da cidade.

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Como já sabem todos, o delegado Protógenes Queiroz inaugurou um blog, que mantém até agora um ritmo lento de postagem. Será interessante ver até que ponto o delegado se anima a comentar os eventos que levaram ao seu afastamento dos interrogatórios. A idéia de um delegado da Polícia Federal com um blog é tão contra-intuitiva que valerá a pena acompanhar. Pessoalmente, não acredito que dure muito, mas torço para estar errado.

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O zumbido da semana passada nos blogs de tecnologia foi o Cuil, motor de busca criado por ex-participantes do projeto Google. A promessa era de um motor de busca que rivalizasse com o Google e priorizasse relevância e conteúdo, ao invés de popularidade. As resenhas não foram muito boas. Fiz uns testes com meu nome, por exemplo, e achei os resultados bem estranhos. Artigos antigos foram repetidos várias vezes, outros artigos que sei que estão na internet não foram acusados, entradas que teriam mais relevância deram lugar a outras onde sou citado no pé de página. Outras buscas deram resultados igualmente decepcionantes.

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Por falar em competição, o próprio Google lançou o Knol, com o objetivo de oferecer uma alternativa à Wikipédia. Ao contrário da Wikipédia, os artigos do Knol são assinados e os acréscimos e revisões podem ser feitos somente com a autorização do autor. É um projeto que tem muito potencial, porque corrige um problema crônico da Wikipédia, a diluição da autoria no mínimo denominador comum. Há um bom artigo na Wired sobre o projeto.

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Lucia Malla deu uma aula sobre a língua coreana na semana passada. Vale a pena a visita.

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PS: Dei uma reduzida no blogroll, retirando os links quebrados e aqueles que apontavam para blogs não atualizados nos últimos meses. Aos amigos: se voltarem a atualizar, avisem.



  Escrito por Idelber às 07:37 | link para este post | Comentários (29)



sexta-feira, 01 de agosto 2008

Você sai sozinha?

Conversando com Ana ontem, apareceu um daqueles assuntos meus favoritos para especulação antropólogica, daqueles irresistíveis para um blog. Eu dizia que na minha experiência, uma das grandes vantagens que a sociedade norte-americana (da qual eu sou muito crítico, como sabem) ainda possui sobre a brasileira é a maior possibilidade que tem a mulher de sair sozinha para beber uma cerveja, almoçar, jantar, tomar um café. Evidentemente, não é uniforme no país todo, e com certeza será mais comum em Nova York, Nova Orleans e São Francisco que no Mississippi ou em Utah. Mas, no geral, ainda é infinitamente mais comum aqui do que aí, acredito eu.

Há o problema da violência, é claro. Eu imagino o receio que deve sentir uma mulher de sair sozinha no Rio de Janeiro, hoje em dia, para jantar. Mas abstraindo a questão da violência – se é que é possível abstrair esse albatroz gigante e onipresente na sociedade brasileira --, interessa-me a questão da aceitabilidade do ato. Estou interessado em saber mais um pouco sobre o desconforto que sente ou não uma mulher brasileira, casada ou solteira, não importa, ao ter vontade de simplesmente ir até um restaurante, sentar-se, consumir bebidas e comida, pagar e ir embora.

Falo por mim. Sou gregário, adoro reunir gente, mas também gosto muito de sair só. Preferencialmente, vou ao cinema sozinho. Já perdi a conta de quantas vezes fui a estádios de futebol, especialmente o Mineirão, sem acompanhantes. Sempre que chego a uma cidade estrangeira (“estrangeira”, para mim, é qualquer cidade não-brasileira e não-americana), meu primeiro impulso não é telefonar para os eventuais amigos, mas sair sozinho e explorar a cidade a pé. É o meu jeito de sentir a urbe.

Em Belo Horizonte, sei que é muito raro – belo-horizontinas, corrijam-me se eu estiver errado – encontrar mulheres sozinhas em bares, restaurantes ou cafés. A percepção que tenho é que isso é um pouco mais comum em São Paulo que no Rio de Janeiro. Mas que, no geral, ainda é muito desconfortável para uma mulher brasileira ter esse prazer tão simples – o de uma refeição ou uma bebida desacompanhada.

Diga lá: além da violência, que é um fator chave, você percebe desconforto ou discriminação ao sair sozinha? Ou você nem tenta? Homens: já pararam para pensar nisso?



  Escrito por Idelber às 06:25 | link para este post | Comentários (87)