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Um blog atleticano e antropocêntrico.



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sábado, 30 de agosto 2008

Gustav Update

O que o jornal Times-Picayunne está chamando de Monstro Gustav já é furacão categoria 4, com ventos de 230 km/h. Suponho sinceramente que a frase que se segue seja supérflua a estas alturas, mas não custa deixá-la aqui: se você está lendo este blog em New Orleans ou em qualquer ponto do Golfo do México, saia daí agora, e viaje norte, sempre norte. Havia gente, por exemplo, indo para a simpática Lafayette, em Louisiana. Depois das últimas 24 horas, já está claro que não serve. Você precisa subir mais.

A evacuação de New Orleans ainda não é obrigatória, mas já é fortemente recomendada pela prefeitura. 311 é o telefone de emergência. Gustav está fazendo estragos em Cuba e deve aterrizar no Golfo do México na madrugada de segunda para terça. Não se sabe exatamente onde, mas a previsão no momento é Central Louisiana, o que significa que New Orleans pode receber uma pancada considerável -- como os ventos de um furacão giram em sentido anti-horário, a desgraceira ao leste do bicho é sempre pior. A previsão é que ele chegue à terra firme como categoria 3. Mas também pode subir para categoria 5. Segundo estudos de gente entendida, não há um único prédio em New Orleans que segure a onda de ventos categoria 5.

Dica aos neworleanianos: a Interestadual 10 já está absurdamente congestionada. Tente viajar de madrugada ou, no caso de fazê-lo durante o dia, vá pela Airline Highway (US 61) até a Interestadual 55. É facinho, consulte seu Google Maps.

Como sempre, o blog está a disposição de quem precisa deixar recados, em qualquer língua.

Atualização, 00:18 de domingo: A saída agora é obrigatória.



  Escrito por Idelber às 20:02 | link para este post | Comentários (24)




Balanço da convenção democrata e do presente de McCain

1. A idéia de aceitar a candidatura no Mile High Stadium foi um gol de placa. Quando Barack anunciou que faria seu discurso num estádio de futebol, não faltou quem previsse um desastre, como brancos nas arquibancadas ou falhas técnicas. Mas o que ficará marcado será esta imagem:

denver.jpg

Há um detalhe que você só lerá aqui: o nome oficial é Invesco Stadium, construído em 2001 para substituir a casa anterior dos Denver Broncos, potência do futebol americano. Houve uma ovação estrondosa quando, na quarta-feira, Barack anunciou que a convenção se reuniria tomorrow at Mile High. Boa parte dos fãs de futebol americano se recusa a usar o nome corporativo do novo estádio e continua a chamá-lo pelo nome da casa antiga, Mile High. É simbólico e significativo. É um ato de resistência. É mais ou menos como continuar chamando de 2 de Julho o Aeroporto de Salvador. Ali, nessas duas palavrinhas, já se vê toda uma diferença com John Kerry que, em 2004, teve uma de suas maiores gafes quando errou o nome do Lambeau Field, em Green Bay, o templo mais legendário do futebol americano. O analfabetismo futebolístico de Kerry quase nos custou a vitória em Wisconsin. Com Barack, esse flanco está coberto.

2. O discurso de Hillary foi memorável. Concordo com o Rude Pundit: foi um discurso não-hipócrita. Sem fingir amizades que não existem, ela foi ao cerne: o programa de governo e as diferenças imensas, de política, de estilo e de caráter que existem entre Barack e John McCain. Deu um recado direto aos seus eleitores: entraram nesta jornada por aquilo que eu represento? Pois então votem em Barack Obama. Não forçou nem inventou. Foi pura substância. Classuda, coordenou um "pass" da delegação da Califórnia na votação, para que ela mesma pudesse -- na certa cumprindo um acordo feito antes -- convocar a confirmação de Obama por aclamação (parece que o blog da Folha não entendeu as situações em que se usa um "pass" numa convenção americana).

3. Confirmou-se em Denver o que o blog vem dizendo há meses: "Hillarites for McCain" é uma invenção sem qualquer base na realidade. Quinze dias atrás, antes da convenção e depois das primárias mais acirradas e disputadas da história, Barack já havia chegado a 83% de apoio entre os democratas. O teto histórico é 92% -- sempre há defecções. Mas a Folha de São Paulo insiste em falar de eleitoras democratas órfãs de Hillary Clinton, insatisfeitas tanto com a indicação de Obama como com a não-escolha da senadora para vice sem apresentar qualquer indício ou prova de que essas eleitoras tenham existência estatisticamente significativa. A tal "classe trabalhadora" que supostamente "resiste" a Obama já lhe dava, antes da convenção, uma vantagem de 66 x 33 sobre McCain. No entanto, continuamos ouvindo nonsense sobre o "problema" de Obama com os "trabalhadores brancos". Não se ouve uma palavra, claro, sobre o "problema" de McCain com os "trabalhadores negros", eleitorado no qual ele perde por 90 x 10.

4. Big Dog deu um show. Bill Clinton é das figuras retoricamente mais hábeis da história da política. Sempre digo: xinguei os Clintons de 1992 a 2000, mas como faz diferença ouvir Clinton depois de 8 anos de Bush! Há uma antiga queixa de Bill -- justificada, em parte -- de que Barack quase nunca se refere aos anos de prosperidade da sua administração. É difícil para um candidato com mensagem tão centrada na mudança e no futuro fazer alusões a uma era dourada do passado. Mas desta vez, Obama fez questão de encher a bola do governo Clinton.A união do partido não é pró-forma. Os Clintons sabem que uma derrota de Barack não é de seu interesse.

5. A sabedoria tradicional manda que o candidato se exima de fazer ataques ao adversário no discurso da convenção. O normal é deixar esse papel para os outros oradores. Barack mais uma vez quebrou a tradição. Alinhavou sua história de vida e propostas de governo com aquela estratégia que os militares chamam de ataque defensivo: tomou cada uma das acusações feitas por McCain nas últimas semanas e rebateu-as uma por uma, mas sempre atacando, sem se enrolar em justificativas. Não foi o típico discurso positivo, inspirador de Obama. Foi porrada, com classe. Este não é um novo Michael Dukakis, mes amis. Podemos até perder, mas não será com um patinho feio que apanha calado.

6. Minha foto favorita da convenção é esta. Dois delegados de Illinois se abraçam, emocionados, no momento da confirmação histórica do primeiro negro candidato a presidente:

conv.JPG

7. E eis que John McCain, no dia do seu aniversário -- a campanha manteve rigoroso silêncio sobre o fato de que ele completou ontem 72 anos -- nos dá esse extraordinário presente: sua escolha da companheira de chapa. Situada uns 15 quilômetros à direita de Garrastazu Médici, Sarah Palin é governadora de um estado que tem menos gente que Betim; antes disso, foi prefeita de uma cidade de 8.000 habitantes; 30 dias atrás, perguntava-se o que um vice-presidente faz mesmo? Grande fã de armas, ela está envolvida até o pescoço num escândalo que deve aflorar nos próximos dias (dentro de umas duas semanas a Folha descobre): as tentativas de demitir seu ex-cunhado, Michael Wooten, policial do Alaska que está em batalha judicial -- divórcio, guardas de filhos etc. -- com a irmã de Palin. Depois que o chefe de Wooten se recusou a demiti-lo, Palin mandou embora o próprio chefe, desencadeando uma investigação legislativa sobre abuso de poder que pode estourar na véspera da eleição. Aqui e aqui você tem a cobertura do TPM, aqui a entrevista com o chefe demitido e aqui a reportagem do canal local sobre o escândalo. A escolha de McCain foi, evidentemente, uma tentativa de chegar às eleitoras de Hillary, insultando-as com a idéia de que uma mulher praticamente fascista, apoiadora de ninguém menos que Pat Buchanan em eleições anteriores, representaria seus anseios. A obviedade da manobra e o escândalo no Alaska têm tudo para fazer o tiro sair pela culatra.

PS: Já estamos em Memphis, na companhia do Imortal. Tudo bem por aqui. Estou acompanhando meio ansioso a trajetória do tal Gustav, que parece ter dado um giro bem na direção de New Orleans.



  Escrito por Idelber às 05:15 | link para este post | Comentários (36)



quinta-feira, 28 de agosto 2008

Pausa para o furacão nosso de cada ano

Bom, já tem gente no Brasil se preocupando, então é melhor eu deixar uma notinha: o blog entra em recesso a partir de hoje, para que eu possa, como se diz por aqui, "evacuar" da cidade. Gustav ainda não é furacão e está categorizado, por enquanto, só como tempestade tropical. Pode aterrizar, entre a segunda e a terça-feira, em qualquer lugar entre Corpus Christi, Texas, e Pensacola, Flórida, com qualquer intensidade entre tempestade tropical ou Furacão 4. Ou seja, não se sabe quase nada ainda. Por enquanto a projeção é esta:

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Aos amigos e famílias aí no Brasil: não se preocupem. Amanhã mesmo, eu e Ana começamos uma viagem de carro. Até onde, não sei, mas a direção é uma só: Norte. Para você que mora na região do Golfo e lê este blog: Tulane já tem uma página de emergência atualizada a cada seis horas com detalhes e é sempre bom, claro, visitar o Weather.com. Se ainda não encheu o tanque, encha. Se sair, não se esqueça, claro, de tirar os perecíveis da geladeira. E fique à vontade para usar o blog para deixar recados em qualquer língua.

Até breve.

Update to the Tulane Community: Classes are cancelled beginning tomorrow, Friday. They resume on Thursday, Sept. 4. Ana and I will be in Memphis, Tennessee. Our cell phones are on. If the Tulane system goes down, leave a message here, and we'll get you set up with gmail accounts.



  Escrito por Idelber às 14:13 | link para este post | Comentários (39)



terça-feira, 26 de agosto 2008

O Biscoito e as eleições municipais

Belo Horizonte: Como era de se esperar, com o começo do horário eleitoral gratuito, Márcio Lacerda (PSB), o candidato da coalizão Aécio-Pimentel, encostou em Jô Moraes (PC do B). A disputa agora deve se dar entre os dois: ele com a máquina, ela com o reconhecimento popular. Na televisão, a diferença é tipo 12 minutos contra 1, uma loucura. Apesar do tremendo conchavo que o nomeou candidato, Márcio Lacerda não tem o perfil tecnocrático típico dos cabeças dessas chapas impostas de cima para baixo. Tem uma história respeitável. Uma eleição de Lacerda não seria um desastre para o projeto popular que governa BH há 16 anos, mas uma vitória de Jô seria um grande evento para a democracia, sem dúvida. O Biscoito apóia Jô e espera que Patrus Ananias tire a bunda da cadeira e faça campanha.

feghali.gif Rio de Janeiro: Paula Toller, Adriana Calcanhoto, Leila Pinheiro, Dado Villa-Lobos, Caetano Veloso, Daniel Filho e Nelson Motta já declararam apoio a Fernando Gabeira. Se a eleição fosse só no Leblon, Copacabana e Ipanema, Gabeira levaria no primeiro turno. Como felizmente o Rio é muito mais que isso e ele não penetra eleitoralmente nas Zonas Norte e Oeste nem que a vaca tussa, o Biscoito torce para que o pior não aconteça: um segundo turno entre os dois mais horrendos candidatos, o carolão Crivella e o camaleão Eduardo Paes. O apoio deste blog vai, claro, para Jandira Feghali (PC do B), com a esperança – irreal, eu sei – de que Molon (PT) e Chico Alencar (PSOL) abram mão dos seus respectivos 4% já no primeiro turno, para empurrar Jandira para o segundo. Vã esperança, mas o blog tem muita fé que Jandira chega e que a paranóia anti-abortista não lhe tirará a prefeitura como lhe tirou a vaga no Senado.

São Paulo: O centro e a direita têm candidatos superiores, em Sampa, aos que uma vez tiveram. Vários relatos confirmam que Kassab realmente é um prefeito bem razoável. Jayme Serva, que eu respeito muito, votará no Kassab. Em todo caso, não há como deixar de notar que o grande porta-voz da moderna e organizada administração – o PSDB de Higienópolis – mais uma vez dá um show de bagunça organizativa, com um candidato de situação que faz campanha de oposição, Geraldo Alckmin. Aliás, há que se suspeitar de qualquer candidato que, depois de três eleições, ainda não decidiu se usa o nome ou o sobrenome -- convenhamos. Marta Suplicy subiu tanto que agora a preocupação de Alckmin e Kassab é que ela não leve no primeiro turno. O blog torce muito intensamente por Marta e não pode deixar de notar que, ao noticiar a pesquisa que confirmou a disparada dela na dianteira, a Folha de São Paulo deu duas manchetes. Uma dizia Alckmin tem 10 pontos sobre Kassab e a outra anunciava Marta se isola. Toda atenção é pouca com a cobertura desta eleição nos jornais.

Porto Alegre: No estado cuja governadora tem em comum com John McCain o fato de que nenhum dos dois parece saber muito bem onde mora, o apoio irrestrito do blog vai para Maria do Rosário (PT). A esquerda reunida – ela mais Manuela D'ávila (PC do B) e Luciana Genro (PSOL) -- tem muito mais votos que Fogaça, que busca a reeleição, mas na contagem do primeiro turno ele ainda lidera. Seria muita utopia, claro, esperar que o PC do B e Manuela compusessem com o PT já de cara, o que poderia liquidar a parada no primeiro turno. Mas a expectativa é de uma vitória da esquerda no segundo.

Fortaleza
: Luizianne Lins (PT), aquela que José Dirceu quis destruir, fez, segundo vários relatos, uma bela administração. Mesmo com os fanáticos religiosos em pé de guerra na cidade, lançando campanhas de out-door contra a prefeita, ela goza de sólidos 35% já no primeiro turno. É seguida por um demo-boy e logo depois por Patrícia Saboya (PDT). O conflito com os evangélicos foi por causa de bobagem: ela vetou uma compra de Bíblias para as escolas municipais, o que é um gesto simbolicamente importante, mas não essencial na luta por uma sociedade laica. Voltou atrás, mas já era tarde. Até comercial chamando-a de Belzebu já tem. Desde o início dos ataques dos fanáticos religiosos, ela subiu mais 5%. O Biscoito é, claro, Luizianne e não abre.

Salvador: A minha tendência, evidentemente, é sempre torcer pelos candidatos da esquerda, mas por um candidato evangélico na Bahia de São Salvador eu não consigo torcer. Ainda por cima ele vai, envergonhado e sem entrar, visitar o Candomblé vestido de preto! Que se foda. Que ganhe qualquer um, menos o Tampinha Invocado Neto do Malvadeza, terceira geração de uma vergonha, como uma vez lindamente disse a Maria Helena Nóvoa.

A casa, sempre escancarada nas suas escolhas políticas, está neste pé com as eleições municipais. Acabo de dar-me conta de que torço por cinco mulheres nas cinco capitais que acompanho de perto. Caixa aberta para quem quiser defender suas escolhas ou comentar as eleições municipais.

Atualização: Apesar de manter a política de não simpatizar de jeito nenhum com candidatos evangélicos, o blog pode ter se apressado na avaliação de Salvador. Ver outra versão da ida de Walter Pinheiro ao Candomblé aqui. (Valeu, Paulo Galo).



  Escrito por Idelber às 02:16 | link para este post | Comentários (145)



segunda-feira, 25 de agosto 2008

Essa vale olhar no Google

Enquanto a casa ainda não está em condições de fazer um post decente, aqui vai uma adivinhação que, suspeito, posso liberar para googlagem:

Qual seleção de futebol escalou, numa Copa do Mundo, o goleiro reserva numa partida porque o titular ia comentar futebol numa estação de rádio? Qual é essa Seleção e em que Copa isso aconteceu? Essa eu quero ver.

Sabem cumpadis? Nobres colegas? Grande fodão? Este com certeza sabe, mas ele não lê o Biscoito.

Quem acertar primeiro, leva um romance à escolha da minha coleção. Logo que acontecer, eu dou a resposta com a fonte.



  Escrito por Idelber às 21:44 | link para este post | Comentários (15)




Convite aos paulistanos

A Dalva me ligou chorando, aos soluços quase à uma da manhã. Parece que ela mandou uma foto para o namorado da Internet que mora em Salvador. Aí ele ligou para ela dizendo que mesmo vendo a foto ainda queria vir para Sampa conhecê-la. Consolei, fiz barulhinhos de amparo, disse que ela havia entendido mal o significado da frase e desliguei. "Mesmo" vendo a foto? Jesus, onde a gente arranja esses homens? .

Este é um trecho de Crônicas de quase amor, um dos livros de Fal Vitiello de Azevedo Cardoso que guardo aqui com carinho. Fal é tem muita história na blogosfera: fez a melhor cobertura da CPI do mensalão, a melhor cobertura de Páginas da Vida, deu show no Salão do Livro de Belo Horizonte, e muito mais (está tudo lá nos arquivos).

E eis que Falzuca vai lançar mais um livro, desta vez por uma grande editora, a Rocco. Acontece na terça-feira da semana que vem. Aí vai o convite, paulistanos. Não percam.

min-ass.jpg



  Escrito por Idelber às 11:44 | link para este post | Comentários (10)



sábado, 23 de agosto 2008

Obama / Biden será a chapa democrata

Barack Obama acaba de anunciar que será Joe Biden o seu companheiro de chapa nas eleições americanas de novembro. 65 anos de idade, eleito para o Senado como um dos seus membros mais jovens em 1972, Biden é uma autoridade em política externa, o que certamente pesou na escolha. O senador de Delaware também é conhecido pelas iniciatiavas em política econômica – Biden vem de origem trabalhadora, ainda mantém seu cargo de professor e é, entre os 100 senadores, o de menor patrimônio. Entre uma escolha que seria conservadora (Evan Bayh) e outra que teria sido revolucionária (Kathleen Sebelius), Obama optou por um meio-termo.

O histórico de votação de Biden no Senado é bem razoável. A HRC (Human Rights Campaign) lhe dá uma nota de 78%, o que indica, segundo eles, apoio sólido aos direitos de gays e lésbicas. A NEA (National Education Association) lhe dá uma nota de 91%, o que indica apoio mais que sólido aos princípios da educação pública e laica. Por outro lado, ele terá que explicar a discrepância entre suas posições e as de Obama na época do início da Guerra do Iraque, assim como declarações suas, feitas durante as primárias, de que Obama não estava pronto para liderar.

Parece-me que o critério definitivo para a escolha de Biden foi, no entanto, a percepção de que a campanha precisava de um pitbull. Obama é um grande orador, mas é péssimo para responder ataques à queima-roupa. Biden tem um estilo demolidor de debater, e eu sinceramente não gostaria de estar na pele do candidato a vice-presidente na chapa republicana, que terá que encará-lo nos debates.

Biden também tem certa tendência a dar declarações polêmicas. Tediosa, com certeza, a coisa não vai ser.

Atualização
: Segundo o ranking do Progressive Punch, que acompanha as votações no Congresso, Joe Biden tem um histórico de votação mais progressista que o do próprio Obama.



  Escrito por Idelber às 08:19 | link para este post | Comentários (30)



sexta-feira, 22 de agosto 2008

Obama prestes a anunciar o vice

A convenção democrata começa na segunda-feira, Barack Obama já declarou que o candidato a vice na sua chapa foi escolhido, os preteridos já estão recebendo telefonemas de cortesia e o nome deve ser anunciado nas próximas horas. Mesmo assim ninguém sabe ainda quem é. A campanha prometeu aos ativistas e doadores que nós receberíamos a notícia primeiro, o que na era da internet, claro, significa algo assim como uma vantagem de dois minutos.

É bem possível que a decisão estivesse pronta ontem, mas a campanha de Obama recebeu um presente sensacional para dominar o ciclo de notícias das últimas 48 horas: uma entrevista de McCain em que ele confessa não saber quantas casas possui (as estimativas vão de 8 a 12). Anunciar o vice ontem teria sido matar essa deliciosa história.

Aí vão alguns nomes que estão flutuando há tempos:

Evan Bayh: Senador de Indiana. Seria a escolha conservadora e “segura”. Branco centrista de meia idade não-polêmico, seria uma espécie de vice “nem fede nem cheira”. Tem a vantagem de ser muito querido em Indiana, que este ano é um estado indefinido. Tem a desvantagem de ter votado pela Guerra do Iraque e portanto contradizer a mensagem de mudança da campanha. Entre os principais nomes, é o que está mais à direita. Por outro lado, tem a vantagem de ter sido apoiador de Hillary nas primárias, e ter trânsito com setores do eleitorado potencial que têm alguma resistência a Obama.

Joe Biden: Senador de Delaware. Ainda no terreno branco centrista de meia idade, Biden é muito mais polêmico. Traz a vantagem de ter muita experiência em política externa, que é percebida pelos eleitores como o forte de McCain e o fraco de Obama. Tem a vantagem adicional da língua ferina: ele com certeza trituraria qualquer Republicano no debate entre os vices. Tem a desvantagem de ter a língua ferina e soltar gafes periodicamente. Chegou a dizer, uma vez, que Obama era o único negro articulado, culto e limpo que ele havia conhecido. É capaz de coisas como essa. Se for Biden, prepare-se para ver os Republicanos tocarem esse vídeo ad infinitum. Também votou a favor da Guerra do Iraque. E é Senador há 36 anos.

Hillary Clinton: Senadora de Nova York. Era considerada carta fora do baralho, mas nos últimos dias voltou a se falar muito dela. Sem dúvida, é a que teria mais impacto eleitoral imediato, trazendo para a campanha alguns setores do eleitorado ainda reácios. É uma escolha que contraria uma das regrinhas do sentido comum: você não escolhe para vice alguém que tenha uma taxa de rejeição maior que a sua. Se Obama a escolheu, prepare-se para ouvir durante meses o clip em que ela diz, durante as primárias, que McCain estava pronto para ser presidente, e Obama não. Mas o maior problema seria um eventual governo: administrar o país com Bill Clinton, Mark Penn e Terry Mcauliffe na Casa Branca seria um pesadelo para qualquer um. Por outro lado, é fato que Hillary faria picadinho de Mitt Romney ou qualquer outro candidato a vice que McCain escolhesse. Também votou a favor da Guerra do Iraque.

Tim Kaine
: Governador da Virgínia. Ao contrário dos outros três, é de fora do status quo de Washington, o que casa melhor com o tema da campanha de Obama. É bem jovem, o que, se por um lado reforça o tema da mudança, por outro enfatiza a imagem de “inexperiência” da chapa. Tem a grande vantagem de colocar em jogo o estado da Virgínia, swing state pelo qual passa um dos itinerários mais fáceis para uma virtual vitória de Obama. Uma grande desvantagem é que significaria o fim da hegemonia democrata duramente conquistada depois de décadas na Virgínia. Kaine seria sucedido no governo do estado pelo lieutenant governor, que é um Republicano ultra-conservador.

KathleenSebelius.jpgKathleen Sebelius: Governadora do Kansas. É a candidata do Biscoito Fino e a Massa. Também teve a coragem de se opor à Guerra do Iraque quando ela foi anunciada. É governadora com índices estratosféricos de aprovação num estado que tradicionalmente vota Republicano. Alheia ao status quo de Washington, ela não contradiz, mas reforça o tema da mudança. Tem uma ótima química com Obama, a quem apóia desde o começo. Coloca não só Kansas, mas Colorado, Novo México e Dakota do Norte na parada para os Democratas. A única objeção que circula ao nome dela é que muitas apoiadoras de Hillary poderiam se revoltar contra a indicação de outra mulher para vice. Essa estranhíssima suposição, contrária a qualquer princípio feminista, é muito mencionada, mas não há nenhuma pesquisa que a sustente (o que não quer dizer que ela esteja incorreta; há maluco para tudo). O nome de Sebelius foi muito badalado no começo, depois ela foi progressivamente para a rabeira nas casas de aposta, e nos últimos dois ou três dias ganhou ímpeto de novo. Seria uma escolha muito corajosa e arriscada mas, na minha opinião, a mais coerente politicamente.

Há outros nomes menos cotados, como Brian Schweitzer, governador de Montana, e até mesmo Al Gore ou John Kerry, ex-candidatos a presidente em 2000 e 2004.

O anúncio deve ser feito amanhã, e este blog provavelmente publicará a primeira análise em língua portuguesa. Fique ligado aí no fim de semana, entre um jogo de vôlei e outro.

Atualização: Está confirmado que o Gov. Tim Kaine e o Sen. Evan Bayh receberam os telefonemas de cortesia avisando que não são eles os escolhidos. Está confirmado também que o anúncio sai neste sábado de manhã. Toda a especulação está se centrando no nome de Joe Biden nas últimas horas.



  Escrito por Idelber às 20:25 | link para este post | Comentários (12)




Best YouTube video ever

Volto mais tarde com um post decente. Enquanto isso, fiquem com esta pérola, que eu considero o melhor vídeo que já encontrei no YouTube. É daquelas coisas que te fazem acreditar na humanidade:


PS: Vi este vídeo pela primeira vez num blog. Já não me lembro qual. Se você postou o vídeo no seu blog antes de mim, avise, e eu dou o crédito.



  Escrito por Idelber às 06:38 | link para este post | Comentários (22)



quinta-feira, 21 de agosto 2008

A decisão das meninas

No município de Dois Riachos, sertão alagoano, um mundaréu de gente já está reunida na casa da melhor jogadora do mundo, Marta, para acompanhar a final. O Brasil pode conquistar daqui a pouco a sua primeira medalha de ouro olímpica no futebol.

fut-fem.jpg


Com elas, que deram um show inesquecível contra a Alemanha, na semifinal. O jogo contra os EUA será duríssimo, claro. As americanas são uma potência no futebol feminino. A partida começa às 10 h de Brasília. Não haverá transmissão em tempo real por aqui, como anteontem, mas é possível que eu atualize este post durante o jogo com alguns comentários.

Que bacana seria ver essas meninas voltarem com o ouro no peito.

Atualização no intervalo
: Os últimos 15 minutos do primeiro tempo foram bem melhores para o Brasil que os primeiros 30. As americanas fazem uma marcação inteligente: não é exatamente marcação por pressão, mas compacta, começando na intermediária brasileira. Como a linha de zaga do Brasil não tem um toque de qualidade, o Brasil teve muitos problemas na saída de bola. O segredo do sucesso brasileiro é a bola chegar redondinha para as talentosas meio-campistas e atacantes. Os EUA bloquearam isso com sucesso durante, especialmente, os primeiros 30 minutos. Sem dúvida, a jogadora mais fraca do time é a zagueira Erika que, traumatizada pelo gol que entregou contra a Alemanha, chuta a bola para onde aponta o nariz. A melhor da linha de zaga é a lateral-direita Simone, que apóia muito bem (e é bem coberta por Ester quando sobe). Marta teve alguns lampejos, mas duas vezes tentou resolver sozinha, quando tinha boas opções de passe. Na terceira, tentou um passe no meio da zaga quando a melhor opção era a jogada individual. Com o perdão do clichê, é um jogo de xadrez. Quem fizer o primeiro gol dificilmente perde a partida.

Rapidinhas antes da prorrogação: Se o Brasil não tem uma zagueira melhor que Érika no banco, é melhor jogar com dez jogadoras. É a única que parece não ter noção do que fazer com a bola. A atacante americana, Rodríguez, perdeu o gol mais feito das Olimpíadas, cara a cara com Bárbara. Tentou um gol por cobertura quando era só escolher o canto. O Brasil teve muita sorte de não perder o jogo no segundo tempo.

Comentário final
: Pois é, não deu. EUA 1 x 0, na prorrogação. As meninas lutaram muito e honraram a camisa, ao contrário dos homens. Não entendi, sinceramente, a mudança tática no intervalo do primeiro para o segundo tempo. O Brasil dominou amplamente os últimos 15 minutos do primeiro tempo num 4-4-2 em que a lateral-direita Simone apoiava muito e era bem coberta por Ester. Mas voltou para a segunda etapa quase que num 3-5-2, em que Renata foi recuada para jogar como zagueira e Simone e Maycon viraram alas. A defesa perdeu ainda mais consistência, que já não era seu forte, e o meio-campo não ganhou qualidade. Num dos muitos vacilos da frágil zaga, levamos o gol. Depois, na base do desespero, tivemos várias chances, mas não rolou. Parabéns, meninas, pela luta.



  Escrito por Idelber às 08:20 | link para este post | Comentários (82)



quarta-feira, 20 de agosto 2008

Adivinhação: Não vale olhar no Google

Já que estamos em quarta-feira futebolística, aí vai uma adivinhação. Não vale olhar no Google, senão perde a graça. Estou confiando na honestidade de todo mundo, hein?

A pergunta é: além de Porto Alegre, Montevidéu, Buenos Aires, Madri e Milão, qual é a outra cidade a ter pelo menos dois campeões mundiais inter-clubes? Não é São Paulo, porque não consideramos nem o título de 2000 do Corinthians nem o de 1951 do Palmeiras.

Repetindo, então: Seis cidades possuem pelo menos dois campeões mundiais. Buenos Aires (que tem três: Boca, River e Vélez), PoA (Grêmio e Inter), Montevidéu (Peñarol e Nacional), Madri (Real e Atlético) e Milão (Inter e Milan).

Qual é a sexta cidade?
Não vale olhar no Google, não valem respostas do Milton Ribeiro nem do Luiz de Porto Alegre. Se você não resistir e guglar, não diga, para não estragar. É só para quem sabe mesmo, sem consulta. Provinha de livro fechado, como a gente diz no colégio.



  Escrito por Idelber às 17:19 | link para este post | Comentários (26)




Longuíssima peroração sobre o indizível em futebol

O pobre do Lédio Carmona está sendo massacrado no seu próprio blog por haver dito o óbvio ululante: a Argentina é superior ao Brasil e já não é de hoje. Desde, pelo menos, 2002, o futebol argentino – em seleções e em equipes – é muito superior ao brasileiro. Por que, então, vínhamos aplicando goleadas nos hermanos e ganhamos três títulos em cima deles nesse período? O objetivo deste post é responder essa pergunta e refletir um pouco sobre algo que é praticamente proibido dizer no Brasil.

Interessam-me esses lugares do indizível numa cultura. Tome o caso dos EUA. Você pode espinafrar Bush, xingar os dois partidos, dizer que o país passa a pior crise desde a grande depressão, criticar o Congresso, o Judiciário, a imprensa. Pode tudo – ou melhor, quase tudo. Experimente dizer que há anos os EUA já não estão entre os 20 países mais democráticos do mundo; que qualquer país da Europa Ocidental tem um sistema político mais democrático que os EUA. Experimente demonstrar, por A + B, que as eleições brasileiras ou argentinas são infinitamente mais democráticas que as americanas. Da esquerda do Partido Democrata à direita do Partido Republicano, vão pirar, como se você tivesse xingado a mãe. O sujeito sente que um mito essencial à sua identidade está sob ataque e reage com violência. Claro que nós somos a terra da democracia! Como ousa questionar isso?

No Brasil, acontece algo parecido com o futebol. Você pode xingar o técnico da Seleção. Pode espinafrar a CBF. Pode discutir a escalação do time. Pode pôr a culpa nos cartolas. Pode tudo – ou quase tudo. No momento em que você questiona o mito de que o Brasil tem o melhor futebol e os melhores jogadores do planeta, ou – heresia das heresias! -- ousa dizer que a Argentina tem um futebol melhor que o nosso, você é execrado como uma espécie de lesa-pátria, um gringo de Iowa vendendo segredos de estado a Brezhnev em plena Guerra Fria.

O titular deste blog, que já se meteu em 367 polêmicas políticas, só se assustou uma única vez com hate mail. Foi na Copa América de 2007, em que eu confessei que ia torcer pela Argentina como forma de acelerar a queda de Dunga. Previ, como quase todo mundo, que a Argentina ia golear. Depois que o Brasil encaixou aquele 3 x 0, a raiva e a virulência dos comentários e emails que recebi foram muito, muito instrutivas. Continuo dizendo: a pior coisa que aconteceu com o futebol pindorâmico foi ganhar aquele jogo de goleada. A patriotada insana tomou as rédeas. O dunguismo ganhou fôlego e os que queremos colocar um pouco de racionalidade no debate sobre o futebol brasileiro viramos traidores da pátria.

Antes de passar aos últimos Brasil x Argentina, conto uma história pessoal: eu nunca fui nenhum Reinaldo, mas era, sim, um centroavante de qualidade. Fui artilheiro de várzea em BH, essas coisas. Uma vez, no Cachoeirinha -- quem for de BH e conhecer a cena, explique o que é jogar futebol de várzea no Cachoeirinha --, enfrentei uma linha de zaga que habitaria meus pesadelos durante anos: era Ranca-Tôco, Babão, Noite Ilustrada e Alemão. Só batiam da cintura pra cima. Aos 20 minutos, eu já havia caído 8 vezes. Apanhei igual cachorro sem dono. No segundo tempo, eu consegui quebrar o tornozelo de Noite Ilustrada, que havia me derrubado umas 20 vezes no jogo. O cara tinha de bíceps o que eu tenho de coxa. Depois da peleja --- vitória nossa por 2 x 1 –, me disseram, ao saber que eu ia jogar algumas partidas na Argentina: porra, vão te arrebentar todinho; depois que quebrarem sua perna, avise pra gente. Em Buenos Aires, fui anulado em quatro partidas seguidas, coisa que jamais havia acontecido no Brasil. Sem levar uma única pancada. Só zagueirão se antecipando na bola e ganhando a jogada no corpo. Ali eu vi que tinha que rever meus estereótipos, contruídos em anos de xenofobia anti-argentina cultivada pela mídia brasileira. Energúmenos como Galvão Bueno têm uma responsabilidade criminosa nisso.

A Argentina sempre teve melhores goleiros e zagueiros. Qual é a diferença agora? Eles têm melhores volantes, armadores e atacantes. Ou há algum Messi por aí falando português? Se a Argentina é superior desde, pelo menos, 2002, por que ganhamos três títulos contra eles? Como sempre, foi uma soma de fatores. Vamos olhar a coisa caso a caso.

Na Copa América de 2004, no Peru, ganhamos nos pênaltis. Foi aquele 2 x 2 com gol do Adriano aos 45 do segundo. O Brasil levou um baile durante 90 minutos. A Argentina chegou ao final vencendo só por 2 x 1 por pura displicência, erros nas finalizações e porque Júlio César – que é um goleiro apenas mediano – fez ali uma das grandes apresentações da sua vida. No final do jogo, Tévez deu aquela fatídica pisada na bola. Humilhados, os brasileiros se encheram de brios e numa pelota espirrada na meia-lua, Adriano encaixou o empate. Num jogo desses, é facílimo prever quem vence os penais.

Na Copa da Confederações de 2005, ali sim, sobramos. Foi 4 x 1. O Brasil jogou com a formação que eu defendia para a Copa do Mundo. Sem os vovôs nas laterais. Cicinho jogando muito. Robinho armando o jogo, Zé Roberto como segundo volante, Adriano no auge, e Ronaldo Gorducho fora do time. A Argentina entrou em campo com Germán Lux, Collocini, Placente, Heinze, Zanetti; Cambiasso, Bernardi, Riquelme, Sorín; Delgado e Figueroa. Ninguém, ninguém na imprensa brasileira ressaltou o fato de que a Argentina estava com meio time reserva. Éramos só nós, os imbatíveis.

Nas Eliminatórias, trocamos um 3 x 1 para cada lado. O nosso, no Mineirão, foi com três gols de pênalti. O deles, em Núñez, foi um baile. Na Copa, a Argentina caiu num jogo fatídico contra a Alemanha, em que venciam, sofreram a contusão do goleiro, Pekerman fez uma substituição inacreditavelmente burra e o time lutou até o final. Nós caímos de 4, literalmente, com Roberto Carlos ajeitando a meia e Ronaldo levando chapéu de Zidane.

Aí veio a Copa América de 2007. Essa, sim, foi acontecimento espírita comparável ao Campeonato Brasileiro de 1977, onde um São Paulo de Necas e Totonhos foi campeão em cima de um Galo de Cerezo e Reinaldo. Era o Brasil quem estava com o time B. A Argentina havia dado espetáculos inesquecíveis durante o torneio. O Brasil capengou, levou baile do México e se classificou – a imprensa ufanista não se lembra – em um jogo escandalosamente roubado contra o Uruguai. A euforia na Argentina era tal que todo mundo falava em goleada. Para piorar, pela primeira vez na história do Brasil, acontecia o impensável: uma parcela significativa dos brasileiros confessava que ia torcer pela Argentina, que afinal de contas era quem jogava futebol ali. Aos 10 minutos de jogo, o Brasil já vencia por 1 x 0 com gol de Julio Baptista num lançamento de longe. Atônita, a Argentina viu que era a amarelinha. Depois do gol contra de Ayala, o jogo ficou fácil. Em nenhuma dessas goleadas, a Argentina deu pancada no final. Como é que terminou o jogo ontem mesmo?

O retrospecto é favorável ao Brasil. Somos melhores? Não. Os melhores são eles.

O melhor volante do Brasil, Lucas, chegou para ser reserva de Mascherano no Liverpool. O jogador que a imprensa brasileira incensou como o novo Pelé é reserva no Real Madrid. O craque da temporada brasileira até agora era um chileno. Um chileno! O melhor jogador do Brasileirão de 2005 foi um argentino, espancado por zagueiros e discriminado por árbitros por ser estrangeiro. Ironia das ironias, Tévez foi escorraçado pela torcida do Corinthians quando era o único bom jogador do time, responsável direto -- junto com Zveiter -- pela conquista do Brasileirão e, pior ainda, o único que honrava a camisa do clube. Hoje, dá show de bola e conquista títulos na Inglaterra, enquanto o Corinthians come poeira com o Brasiliense e Bragantino. Nossos jogadores, via de regra, já não saem para Itália e Espanha. Os destinos preferenciais agora são Ucrânia, Cazaquistão e Arábia Saudita. Esta semana, o mais respeitado comentarista de futebol do país disse que Valdivia não decide partidas (a essa estultícia, há uma boa resposta aqui). Até quando vamos ter que aturar patrioteiros dizendo que se o Brasil armar o time como deve ser, ganha tudo de barbada?

Nós, brasileiros, somos insuportavelmente arrogantes e xenófobos quando o tema é futebol. É claro que é possível discutir a escalação do Dunga. Claro que é burrice queimar um dos três jogadores da cota de mais de 23 anos de idade para deixá-lo no banco. Claro que Kaká teria feito alguma diferença. Claro que se pode dizer que Ronaldinho não deveria ter ido. Claro que é possível armar um time superior ao do Dunga. Qualquer um arma um time melhor que Dunga!

Mas dizer que, com um bom técnico e uma escalação acertada, o Brasil teria ganho o sonhado ouro é tapar o sol com a peneira, porque o problema é estrutural. São décadas de saqueio do futebol brasileiro. São décadas de gangues criminosas controlando a estrutura do esporte. Se eu, fanático absoluto por futebol, cheguei ao ponto de dispensar um satélite da Globo Internacional na minha casa, já que não me dá nenhum gosto assistir o futebol brasileiro – e não é pela crise do Galo, posto que já assisti incontáveis campeonatos com o Galo em crise --, é porque o buraco é mais embaixo.

O líder do Campeonato Brasileiro é uma equipe comandada por Celso Roth. Isso, pra mim, já é o corolário definitivo dessa discussão.



  Escrito por Idelber às 04:02 | link para este post | Comentários (120)



terça-feira, 19 de agosto 2008

Brasil x Argentina!

Daqui a pouco, às 10 h de Brasília, começa um daqueles eventos esportivos ante os quais não dá para ficar indiferente: Brasil e Argentina disputam as semifinais do futebol olímpico. Uma vitória brasileira e um subseqüente ouro são garantias de Dunga no comando da seleção principal por mais um bom tempo. Apesar de tudo, vou me conter para não torcer para a Argentina, já que para os hermanos, eu só dou azar.

O Impedimento vai fazer uma cobertura ao vivo e eu também, mesmo sem ter anunciado com a antecedência apropriada, vou atualizar este post com comentários sobre o que promete ser a hilária transmissão mexicana da Telemundo. Nada, nada é tão engraçado como uma transmissão mexicana de futebol brasileiro.

Portanto, se passar aqui pelo blog na manhã desta terça, desligue o Galvão Bueno e se ligue na F5. Aqui e lá no Impedimento. A partir das 9:50 h de Brasília, o post será atualizado a partir deste ponto.

Atualizações
(leia de baixo para cima):

12: 01: Missão cumprida por hoje. Mexicano e argentino se despedem na Telemundo, visivelmente em mala onda. Esperemos que desta vez o Dunga caia. Valeu, turma do Impedimento, pela parceria.

11: 53: O Brasil vai rumo à glória maior, o Bronze.

11: 49: Fim de jogo! Baile histórico da Argentina no segundo tempo. Se houvesse mais quinze minutos, teria sido uns 5 ou 6 a zero. Com pena do Brasil, o juiz termina a partida com menos de um minuto de desconto.

11: 45: Brasil começa a distribuir golpes de caratê em Pequim. Será que o Galvão Bueno está dizendo que os "argentinos são traiçoeiros"?

11: 43: Thiago Neves expulso! É vexame total. Locutor argentino e comentarista mexicano quase saem na porrada sobre a justiça ou não do vermelho a Thiago Neves.

11:41: Vai ser a disputa de Bronze mais melancólica da história. A Bélgica levou um sapeca iá-iá inesquecível da Nigéria. O Brasil perdeu até o rumo de casa com a Argentina.

11: 40: Lucas expulso! É baile tangueiro em Pequim.

11: 35: Repete-se a final olímpica de Atlanta, em 1996: Nigéria x Argentina. Só esperamos que desta vez, se houver algum brasileiro assistindo o jogo em bar de Buenos Aires, não comemore gols da Nigéria nem morra espancado.

11:34: Gooooooooooool da Argentina! 3 x 0. Riquelme.

11:33: Pênalti para a Argentina! Comentarista mexica: Marca muy mal, marca muy mal Breno.

11:31: Messi entorta Breno, que retruca com um golpe de jiu-jitsu.

11:29: Finalmente sai Diego, tendo dado dois passes para frente no jogo todo, um deles para o Sóbis em impedimento. Entra Jô, ou Djô, como prefere o locutor da Telemundo.

11:28: Havia mesmo impedimento no gol do Brasil. Nada a reclamar.

11: 23: Gol anulado do Brasil, em impedimento depois da cobrança de Ronaldinho. Mexicano de cara provoca: ¿había?

11: 22: Locutor argentino indignado com o amarelo para o argentino ao pé da barreira.

11:21: Carrinho de Pareja na bola. Diego cai, levanta a cara, olha para o árbitro, e se lembra de que tem que fingir que se machucou e fazer careta.

11:19: Entram Thiago Neves e Pato no Brasil. Saem Hernanes e Sóbis.

11:18: É a batata do Dunga assando em Pequim!

11:16: Gooooooool da Argentina! Aguero de novo! Explode o rosarino da Telemundo: Argentina se acerca a la final!

11: 15: Na transmissão mexicana, o argentino e o mexicano continuam brigando para decidir se Dimaria queria cruzar ou não.

11: 13: Bola na trave do Sóbis! Logo depois, chute do Rafinha. O Brasil acordou. Por que não acordam na hora de sair do vestiário?

11:12: Briga sensacional na transmissão mexicana. O comentarista mexicano diz que Dimaria não queria cruzar, mas chutar, e errou o chute! O locutor argentino protesta ¿estás desmereciendo el gol argentino? No importa si no la quería cruzar!

11:10: Goooooooooooooool da Argentina. Le pega Messi, le pega Messi, le pega Messi. Aguero completa!

11:08: Só mesmo na China para a torcida gritar Brasil, Brasil depois de 50 minutos de uma peladas dessas. Se fosse no Mineirão já estariam gritando ô Maradona, vai se f%&ê / o Aécio cheira mais do que você.

11:07: Renan, Lucas, Ronaldinho, Anderson, Sóbis. Já descobri o problema. Tem gaúcho demais no time!

11:06: Opa, o Sóbis estava habilitado. Erro do bandeira.

11:05: O Diego deu um passe para frente! Para o Sóbis, em impedimento.

11:03: Vai recomeçar a peleja. A torcida do blog é que alguém faça gol e não tenhamos que suportar 120 minutos dessa tristeza. Qualquer lado.

Intervalo: Horrendo primeiro tempo. Argentina bem melhor, trocando passes no campo do Brasil, pelo menos. Ronaldinho uma lerdeza só. Diego é o armandinho de sempre. Anderson não apareceu hora nenhuma. Marcelo fez uma jogada. Rafinha foi o único que, em algum momento, levou perigo.

10: 45: comentarista mexicano: Ha sido um primer tiempo muy entretenido, con mucha dinámica. Quero meu Galvão Bueno!

10:43: Aos 42 minutos de jogo, o primeiro chute a gol do Brasil. Da intermediária.

10:42: primeiro chut