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sábado, 30 de agosto 2008

Balanço da convenção democrata e do presente de McCain

1. A idéia de aceitar a candidatura no Mile High Stadium foi um gol de placa. Quando Barack anunciou que faria seu discurso num estádio de futebol, não faltou quem previsse um desastre, como brancos nas arquibancadas ou falhas técnicas. Mas o que ficará marcado será esta imagem:

denver.jpg

Há um detalhe que você só lerá aqui: o nome oficial é Invesco Stadium, construído em 2001 para substituir a casa anterior dos Denver Broncos, potência do futebol americano. Houve uma ovação estrondosa quando, na quarta-feira, Barack anunciou que a convenção se reuniria tomorrow at Mile High. Boa parte dos fãs de futebol americano se recusa a usar o nome corporativo do novo estádio e continua a chamá-lo pelo nome da casa antiga, Mile High. É simbólico e significativo. É um ato de resistência. É mais ou menos como continuar chamando de 2 de Julho o Aeroporto de Salvador. Ali, nessas duas palavrinhas, já se vê toda uma diferença com John Kerry que, em 2004, teve uma de suas maiores gafes quando errou o nome do Lambeau Field, em Green Bay, o templo mais legendário do futebol americano. O analfabetismo futebolístico de Kerry quase nos custou a vitória em Wisconsin. Com Barack, esse flanco está coberto.

2. O discurso de Hillary foi memorável. Concordo com o Rude Pundit: foi um discurso não-hipócrita. Sem fingir amizades que não existem, ela foi ao cerne: o programa de governo e as diferenças imensas, de política, de estilo e de caráter que existem entre Barack e John McCain. Deu um recado direto aos seus eleitores: entraram nesta jornada por aquilo que eu represento? Pois então votem em Barack Obama. Não forçou nem inventou. Foi pura substância. Classuda, coordenou um "pass" da delegação da Califórnia na votação, para que ela mesma pudesse -- na certa cumprindo um acordo feito antes -- convocar a confirmação de Obama por aclamação (parece que o blog da Folha não entendeu as situações em que se usa um "pass" numa convenção americana).

3. Confirmou-se em Denver o que o blog vem dizendo há meses: "Hillarites for McCain" é uma invenção sem qualquer base na realidade. Quinze dias atrás, antes da convenção e depois das primárias mais acirradas e disputadas da história, Barack já havia chegado a 83% de apoio entre os democratas. O teto histórico é 92% -- sempre há defecções. Mas a Folha de São Paulo insiste em falar de eleitoras democratas órfãs de Hillary Clinton, insatisfeitas tanto com a indicação de Obama como com a não-escolha da senadora para vice sem apresentar qualquer indício ou prova de que essas eleitoras tenham existência estatisticamente significativa. A tal "classe trabalhadora" que supostamente "resiste" a Obama já lhe dava, antes da convenção, uma vantagem de 66 x 33 sobre McCain. No entanto, continuamos ouvindo nonsense sobre o "problema" de Obama com os "trabalhadores brancos". Não se ouve uma palavra, claro, sobre o "problema" de McCain com os "trabalhadores negros", eleitorado no qual ele perde por 90 x 10.

4. Big Dog deu um show. Bill Clinton é das figuras retoricamente mais hábeis da história da política. Sempre digo: xinguei os Clintons de 1992 a 2000, mas como faz diferença ouvir Clinton depois de 8 anos de Bush! Há uma antiga queixa de Bill -- justificada, em parte -- de que Barack quase nunca se refere aos anos de prosperidade da sua administração. É difícil para um candidato com mensagem tão centrada na mudança e no futuro fazer alusões a uma era dourada do passado. Mas desta vez, Obama fez questão de encher a bola do governo Clinton.A união do partido não é pró-forma. Os Clintons sabem que uma derrota de Barack não é de seu interesse.

5. A sabedoria tradicional manda que o candidato se exima de fazer ataques ao adversário no discurso da convenção. O normal é deixar esse papel para os outros oradores. Barack mais uma vez quebrou a tradição. Alinhavou sua história de vida e propostas de governo com aquela estratégia que os militares chamam de ataque defensivo: tomou cada uma das acusações feitas por McCain nas últimas semanas e rebateu-as uma por uma, mas sempre atacando, sem se enrolar em justificativas. Não foi o típico discurso positivo, inspirador de Obama. Foi porrada, com classe. Este não é um novo Michael Dukakis, mes amis. Podemos até perder, mas não será com um patinho feio que apanha calado.

6. Minha foto favorita da convenção é esta. Dois delegados de Illinois se abraçam, emocionados, no momento da confirmação histórica do primeiro negro candidato a presidente:

conv.JPG

7. E eis que John McCain, no dia do seu aniversário -- a campanha manteve rigoroso silêncio sobre o fato de que ele completou ontem 72 anos -- nos dá esse extraordinário presente: sua escolha da companheira de chapa. Situada uns 15 quilômetros à direita de Garrastazu Médici, Sarah Palin é governadora de um estado que tem menos gente que Betim; antes disso, foi prefeita de uma cidade de 8.000 habitantes; 30 dias atrás, perguntava-se o que um vice-presidente faz mesmo? Grande fã de armas, ela está envolvida até o pescoço num escândalo que deve aflorar nos próximos dias (dentro de umas duas semanas a Folha descobre): as tentativas de demitir seu ex-cunhado, Michael Wooten, policial do Alaska que está em batalha judicial -- divórcio, guardas de filhos etc. -- com a irmã de Palin. Depois que o chefe de Wooten se recusou a demiti-lo, Palin mandou embora o próprio chefe, desencadeando uma investigação legislativa sobre abuso de poder que pode estourar na véspera da eleição. Aqui e aqui você tem a cobertura do TPM, aqui a entrevista com o chefe demitido e aqui a reportagem do canal local sobre o escândalo. A escolha de McCain foi, evidentemente, uma tentativa de chegar às eleitoras de Hillary, insultando-as com a idéia de que uma mulher praticamente fascista, apoiadora de ninguém menos que Pat Buchanan em eleições anteriores, representaria seus anseios. A obviedade da manobra e o escândalo no Alaska têm tudo para fazer o tiro sair pela culatra.

PS: Já estamos em Memphis, na companhia do Imortal. Tudo bem por aqui. Estou acompanhando meio ansioso a trajetória do tal Gustav, que parece ter dado um giro bem na direção de New Orleans.



  Escrito por Idelber às 05:15 | link para este post | Comentários (36)


Comentários

#1

Muito bons seus comentários caro Idelber.
Também acho que o discurso de Hillary Clinton passará a história como o momento em que os EUA compreenderam a necessidade do seu reposicionamento no mundo, após 8 anos de patinarem sob a administração de Bush.

As futuras avaliações da administração Bush tenderão a ser cada vez mais desfavoráveis ao atual presidente que "deu mole" para a China e não soube tratar de outros problemas. Barak Obama portanto deverá ter, no front externo, uma difícil missão e SEM DIREITO A COMETER MUITOS EQUÍVOCOS (pois o atual presidente exagerou neste ponto).

Espero que Barak Obama consiga fazer frente aos desafios internos, para o gáudio dos seus concidadãos. Espero que os EUA saiam desta "draga" que se encontram, e também espero que até o nosso país possa se beneficiar com isto em termos continentais. Certamente será Barak Obama a imagem desta transição norte-americana rumo a tempos mais inteligentes e razoáveis. Ele certamente precisará de sorte, espero que isso aconteça!

Paulo em agosto 30, 2008 7:14 AM


#2

Willian Waack parece ter caído na esparrela do títere da Abril ao afirmar que o discurso "histórico" de Obama tivera apenas 12 minutos de fama. Mal sabe ele que esta frase: “Eu aceito a nomeação do partido democrata para a presidência dos Estados Unidos”, já é, e todos sabemos por que... histórica.

arimateia alves em agosto 30, 2008 9:13 AM


#3

Oxalá! Bom saber que estão bem!
O post como sempre está ótimo.
O Jornal Nacional de ontem falou do escândalo da tal Sarah Palin fascista que não convence.
No mais aguardo notícias.
Também estou torcendo para o Gustav passar longe dos humanos.
Abraços.

Izabella em agosto 30, 2008 9:18 AM


#4

Acho que o problema do Dukakis não foi apanhar calado, foi a forma que ele revidava os ataques.

E sei não. Acho que os democratas estão substimando Palin. A personalidade dela é mais interessante que parece e fica difícil atacar ela sem parecer machista. Aliás, tô assustado com o nível de comentários que eu estou lendo sobre ela em blogs democratas.

Isso vai acabar alienando muitas mulheres.

André Kenji em agosto 30, 2008 9:25 AM


#5

Idelber.

Este post é um dos motivos pelos quais cada vez mais pessoas lêem blogs. Informações e posicionamentos assim, onde?

Abraço e que Gustav Mahler vá trovejar no PQP.

Milton Ribeiro em agosto 30, 2008 9:35 AM


#6

Excelente post, Idelber. Suas informações reforçam as dúvidas em relação à imprensa nacional. Você mostrou que a Folha não entende o que está se passando. Mas uma leitura do Globo, que destaca que Sarah Palin governa o maior estado norte-americano, torna a situação ainda mais lamentável. A “conceituada” Miriam Leitão, em seu blog, entendeu a escolha como jogada de mestre, um movimento político muito inteligente.

Na “análise” de Miriam Leitão, Sarah Palin atende à “vontade de mudança e o impulso em prol da diversidade, atende a estratégia de atrair o voto das mulheres mais liberadas e mais conservadoras, órfãs da candidatura de Hillay Clinton, contrabalança no quesito idade porque tem 44 anos - é mãe de cinco filhos e bem sucedida profissionalmente, vencendo inclusive a política tradicional do estado com a bandeira da ética na política -, e ainda dá um troco para o discurso ético de McCain.

É triste, mas esses medalhões da nossa imprensa fazem com que a única utilidade de um jornal seja embrulhar peixe. Aliás, a cada dia, as feiras se transformam na justificativa solitária para a impressão dos diários brasileiros.

O Ibope, divulgado ontem, coloca o Lacerda com 40% das intenções de voto em BH, contra 15% de Jô Morais. Já falam em vitória em primeiro turno. Essa virada brusca não cheira bem, afinal o Gustav não passou por BH.

abç,
jeferson

Jeferson Melo em agosto 30, 2008 10:35 AM


#7

Jeferson, tem certeza que é o Ibope e não a Vox Populi? Não vi nada -- a pergunta não é retórica, é genuína.

Na eleição de BH, todo cuidado é pouco com a Vox Populi do Sr. Marcos Coimbra, que incrivelmente dubla de comentarista "imparcial" no Estado de Minas.

Mas com certeza os números já devem ter se movido bastante, realmente.

Idelber em agosto 30, 2008 12:18 PM


#8

Caro Idelber, junto-me aos coros dos que dão parabéns ao post e aos que desejam que o Gustav vire logo Gustavinhozinho. Mas já que você está embrenhado de corpo inteiro nesse matagal das eleições norte-americanas, bem que você podia fazer uma análise crítica do próprio Obama, não? Empolgar-se com ele diante do McCain é muito fácil para qualquer um que não seja de direita. E fazer observações críticas, ponderar não sobre experiência ou falta de, mas sobre a equipe que o cerca, com projeções sobre resistências num possível primeiro ano de mandato, política externa etc., seriam bem interessantes de ler cá no teu blog.
Abraços

Ricardo Cabral em agosto 30, 2008 12:46 PM


#9

Promessa feita, Ricardo. Tenho, sim, uma lista de críticas que vão aparecer em breve.

Abraços a todos.

Idelber em agosto 30, 2008 1:07 PM


#10

O PIG(FOIA, OIA,Grobo) com seus candidatos favoritos da direita nunca acordam. Aliás, so acordam quando é tarde. E, graças a Deus, foram vencidos. Que continuem assim...meros torcedores errando todas. Aqui e alhures!

teresa em agosto 30, 2008 1:26 PM


#11

Idelber, parabéns pelo seu post. Como já dito aqui por vários, sua análise da eleição americana está anos luz à frente do que se lê na imprensa nacional. Eu fico realmente impressionado com os "achismos" e lugares comuns utilizados pelos ditos "jornalões". Pior ainda é serem tidos como especialistas. Acho até constrangedor ouvir ou ler qualquer coisa da Miriam Leitão, por exemplo. Não é nem questão de ideologia política não é puro desconhecimento do que está falando. Mas é bom encontrar um blog como o seu. Acompanharei as eleições americanas por aqui.
Grande abraço
Severino

Severino em agosto 30, 2008 1:32 PM


#12

Idelber,
Acho que vou ter pesadelos sabendo que na estrada política, virando à direita, depois de Médici tem 15 km de chão!
Muito legal o post, também achei essa escolha da vice uma manobra tãããão óbvia. Mas tomara que o nome dela caia na lama logo.

Márcia W. em agosto 30, 2008 2:47 PM


#13

Já ia comentar as "análises" de alguns "comentaristas" no Brasil sobre as eleições nortamericanas (e sobre a situação brasileira): só estão nessas posições pelos papelões que desempenham no tal PIG. A Miriam Leitão parece que fala de si mesma no perfil que desenha sobre a vice.
O bom nisso tudo é que essa gente começa a perceber que, por mais que fale bobagens e coisas de má-fé travestidas de "análises", isso não adianta nada. A grande mídia não tem mais o poder que pensa que ainda tem

Jair Fonseca em agosto 30, 2008 3:52 PM


#14

Muito boa essa análise e tb estou esperando uma análise mais crítica sobre obama...não sei não mas me parece que ele está muito nacionalista demais e isso não pode ser um bom movimento num país que foi o grande responsável pela globalização.

Agora, sobre a miriam leitão, teve alguem ai que disse a palavra certa: constrangedor. Eu não sei porque ela fala essas coisas. Ela não precisa disso! E ela não pode ser tão ignorante. Então, só resta uma explicação: a mulher enlouqueceu.

Outro dia, na CBN, ela estava falando que "na verdade, a renda do brasileiro não cresceu" e dava lá umas explicações de maluco para os estudos que mostram que a renda cresceu...são todos uma falácia, na MODESTA opinião da "jornalista". Algum amigo dela, nesse momento, poderia tentar tirar ela da mídia. Os comentários dela hoje são mais constrangedores do que o penteado.

aiaiai em agosto 30, 2008 4:22 PM


#15

Primeiro de tudo, fico feliz em saber que você está acomodado a salvo do Gustav (na esperança de que ele perca fôlego sem fazer muito estrago).

Segundo, algo que me ocorreu quando anunciaram a vice do McCain.

O acima citado senador, você bem salientou, tem 72 anos. Se Deus-o-livre acontece alguma coisa com ele, em teoria o país mais poderoso do mundo ficaria na mão de uma política menos experiente do que o candidato democrata?

Pombas, pelo menos o Joe Biden tem um tantinhozinho mais de currículo...!

Anna C. em agosto 30, 2008 4:35 PM


#16

Pegando carona no comentário da Anna C., não só o Biden tem mais currículo, como não se corre o risco de alguém mais fundamentalista do que Bush (o que já é de preocupar) chegue ao poder.

Imagino o que seria a atuação da dita cuja em termos internacionais. E, pior, que conselheiros escolheria! Fica parecendo uma Margaret Thatcher caipira, o que deixa de ser engraçado, pra ser perigoso. :-(

Alba em agosto 30, 2008 4:49 PM


#17

Com Sarah, Macain deu um tiro na culatra. OU não! Idelber que mora ai sabe muito bem o apelo das armas e da guerra para o povo americano. Bem que, desde que não atinja o bolso...aí que mora o perigo para MacCain.

alexia em agosto 30, 2008 6:17 PM


#18

"Pombas, pelo menos o Joe Biden tem um tantinhozinho mais de currículo...!"

Mas mesmo considerando o passado de fumante é mais fácil Biden empacotar que Obama. E espera-se experiência do nome principal, não do secundário numa chapa...

André Kenji em agosto 30, 2008 6:24 PM


#19

Seu comentário sobre o Mile High me lembrou do estádio do Bolton Wanderers da Inglaterra, chamado de Reebok Stadium. Naquele caso, porém, parece q o pessoal já se acostumou a chamá-lo pelo nome do patrocinador (pelo menos é o q diz a Wikipedia).
À propósito, se o Fluminense um dia tiver um estadio "proprio", este provavelmente vai se chamar Estádio Unimed :-P

Henrique em agosto 30, 2008 6:34 PM


#20

hohoho, Estádio Unimed seria constrangedor...

Lembrando, sobre a Palin, que ela é favorável à criminizalização do aborto até mesmo em casos de estupro. Barra pesada.

Abraços, pessoal, e obrigado pela torcida.

Idelber em agosto 30, 2008 6:47 PM


#21

Gente: a mulher é contra até a pílula anti-concepcional e camisinha. Detalhe: para casais casados. E demais até para a turma WASP. Acho que o McCain deu um tiro no pé. Se é que não acertou a cabeça.

Roberson em agosto 30, 2008 7:33 PM


#22

A figura nega que o aquecimento global tenha a ver com atividade humana. E apoiou, claro, o ensino do criacionismo nas escolas do Alaska.

Idelber em agosto 30, 2008 9:19 PM


#23

Por isso mesmo que ela une a base republicana, ué. Lindsey Graham seria visto com reservas e muitos evangélicos chiaram contra Romney...

E esse papo do governador Jindal fazer exorcismo?

André Kenji em agosto 30, 2008 9:56 PM


#24

Oi, Idelber...quanto tempo... estou de volta para comentar sobre a campanha eleitoral norte-americana... foi eu que indiquei o seu blog para a votação do Prêmio Ibest.

Ah, sobre o Obama, eu entendo que ele tem, sim, muitas chances de vitória em Novembro. Entrei no site 'Real Clear Politics' e lá eles tem um mapa eleitoral, que é sempre atualizado, onde apontam as chances de vitória de cada um dos candidatos. E eles dividem os estados em situações: 1) quando um candidato tem mais de 10 p.p. de vantagem nas pesquisas em um determinado estado, este é tido como 'sólido', ou seja, é quase certeza que o candidato em questão vencerá ali; 2) depois, eles colocam os estados em que um candidato tem mais de 5 p.p. e menos de 10 p.p. de vantagem como sendo 'provável' a sua vitória ali; 3) finalmente, eles classificam como 'indefinidos' os estados em que a vantagem de um dos candidatos é inferior a 5 p.p..

Acho que isso é muito interessante. Bem, hoje entrei no site e lá mostra a seguinte situação:

1) Obama tem 183 delegados em estados em que a sua posição é 'solid' e mais 45 delegados em estados em que a sua vitória é tida como 'provável', totalizando 228 delegados.

2) McCain tem 142 delegados em estados com uma posição 'solid' e outros 43 em que a sua vitória é provável, somando 185 delegados.

3) Há vários estados em que a situação está indefinida e que totalizam 125 delegados, e que são: Flórida (27 delegados), Ohio (20 delegados), Michigan (17 delegados), Carolina do Norte (15 delegados), Virgínia (13 delegados), Minnesota (10 delegados), Colorado (9 delegados), Novo México (5 delegados), Nevada (5 delegados) e Nem Hampshire (4 delegados).

Nestes, a situação atual é a seguinte (segundo a pesquisa mais recente feita nos mesmos:

1) Flórida: Obama 45% X 44% McCain (pesquisa Mason-Dixon - entre 25 e 26 de Agosto);

2) Ohio: Obama 44% X 43% McCain (pesquisa Quinnipiac - entre 17 e 24 de Agosto);

3) Michigan: Obama 44% X 43% McCain (pesquisa Quinnipiac - entre 17 e 24 de Agosto);

4) Carolina do Norte: McCain 45% X 42% Obama (pesquisa PPP - entre 20 e 23 de Agosto);

5) Virgínia: Obama 47% X 45% McCain (pesquisa PPP - entre 20 e 22 de Agosto);

6) Minnesota: Obama 47% X 45% McCain (pesquisa SurveyUSA - entre 13 e 14 de Agosto);

7) Colorado: McCain 47% X 46% Obama (pesquisa CNN/Time - entre 24 e 26 de Agosto);

8) Novo México: Obama 48% X 44% McCain (pesquisa Rasmussen - 20 de Agosto);

9) Nevada: Obama 49% X 44% McCain (pesquisa CNN/Time - entre 24 e 26 de Agosto);

10) New Hampshire: Obama 47% X 46% McCain (pesquisa Rasmussen - 18 de Agosto).

Baseado nestes dados, eu gostaria de lhe perguntar: Com base no que você conhece dos EUA e destes estados que estão 'indefinidos', em qual deles as possibilidades de vitória de Obama são mais concretas??

É claro que qualquer tentativa de 'prever' o resultado de Novembro é loucura. Mas, as características (econômicas, demográficas, históricas, culturais, educacionais, étnicas, sexuais) destes estados beneficia mais a qual dos candidatos? Obama ou McCain? Pois me parece que será neles que se decidirá quem será o próximo Presidente dos EUA.

Desculpa pela gigantesca mensagem e Parabéns pela brilhante cobertura que você faz do processo eleitoral norte-americano.

Mas, é justamente porque você cobre tão bem a Política norte-americana que eu lhe faço tais questionamentos, ok?

Abraço e que tudo dê certo para você e seus familiares e amigos nesta 'temporada de furacões' aí nos EUA.

Marcos Doniseti em agosto 30, 2008 11:06 PM


#25

Assim, Idelber, com as exceções do Colorado e da Carolina do Norte, onde a vantagem é de McCain, nos demais estados é Obama quem se encontra liderando (mesmo que dentro da margem de erro).

Desta forma, creio que o cenário para Obama é, no momento, altamente favorável.

Mas, é claro que 'muita água ainda irá rolar embaixo dessa ponte', não é mesmo?

Mas, estou otimista com a possibilidade de vitória de Obama.

Marcos Doniseti em agosto 30, 2008 11:10 PM


#26

Alguém que não rejeitará a chapa republicana por conta dos posicionamentos da Sarah certamente não votaria mesmo em Obama. No final das contas, ela só faz com que um certo grupo de eleitores do McCain se consolide, assustando eleitores mais progressitas e ainda indecisos. Foi tiro no pé, com certeza.

Gabriel em agosto 30, 2008 11:22 PM


#27

Marcos, prometo uma resposta detalhada à sua pergunta em breve -- eu vou fazer um "mapinha", logo depois da convenção republicana, com os 11 ou 12 swing states e as probabilidades que vejo em cada um deles. Estou otimista -- moderadamente.

E obrigado pela indicação :-)

Idelber em agosto 31, 2008 12:15 AM


#28

Caro Idelber, até mesmo republicanos empedernidos irão (no recesso do ambiente de voto) votar em Barak Obama! Pois apesar de MacCain ser um "bom homem" não tem o perfil para este momento da, COMPLICADA, vida norte-americana.

Paulo em agosto 31, 2008 10:13 AM


#29

Assim como a Folha, eu também não sei o que significa dar um "pass" numa convenção americana. Poderia nos explicar do que se trata? Obrigada.

Cafu em agosto 31, 2008 7:00 PM


#30

Cafu, dar um "pass" é abster-se, não votar. A delegação da Califórnia se absteve para que Obama não alcançasse os votos necessários e, assim, a delegação de Nova York -- e portanto a Hillary -- pudesse fazer o gesto bacana de convocar o coroamento por aclamação. Capice?

Idelber em agosto 31, 2008 7:48 PM


#31

Vcs em meio um furacão literalmente, e aqui no Brasil venho trazer uma notícia que é uma piada. Em primeiro lugar, espero que esteja tudo bem. Mas, achei tão engraçado. O DEM pede a demissão de toda a diretoria da Abin ameaça pedir um impeachment do Lula por conta de uma denúncia da revista Veja de grampo contra o Gilmar Mendes. E o dialogo prova de uma vez por todas que o gm e o Senador do Dem são pessoas muito honestas. O conteúdo do grampo só favorece uma imagem positiva do Gilmar.
Recomendo a leitura do Nassif que está muito boa.
Acho que as investigações da PF pegaram muito forte nesse povo da imprensa e da oposição, porque essa coisa ridicula de atém amaeaçar pedir o impeachment? Para que esse escandalo todo para desmoralizar investigações?
http://veja.abril.com.br/030908/p_064.shtml
http://www.estadao.com.br/nacional/not_nac233825,0.htm

Bruno em agosto 31, 2008 9:26 PM


#32

Capisco. Very clever. Gracias.

Cafu em agosto 31, 2008 9:36 PM


#33

Tô ligado, Bruno, calma. Vem post por aí.

Idelber em agosto 31, 2008 10:28 PM


#34

nossa. que horror essa historia de abuso de poder. a pessoa pode ser à direita o quanto quiser e é possivel manter algum debate. mas essa coisa de demitir desafeto etc. nao dá pra lidar mesmo.
e eu concordo com o gabriel (#26).

mary w em setembro 1, 2008 12:47 AM


#35

E tem a última, Mary: ao tentar capitalizar elogiando Hillary -- a quem ela sempre atacou -- Palin acabou sendo vaiada no seu próprio comício.

Vai ficar bonito esse negócio.

Idelber em setembro 1, 2008 4:57 AM


#36

Idelber
Hoje (2/9) a manchete do Globo sobre os USA é "Gustav testa diques e o governo Bush". Em baixo tem 1 enorme foto de 1 dique com a seguinte legenda:" ...trouxe duplo alívio: tirou Bush e Cheney de cena da convenção do partido e MOSTROU A AGILIDADE DE MCCAIN" (o grifo é meu).
A cobertura do Globo parece a Fox News, a Folha é bem mais gentil com os democratas.

lucia em setembro 2, 2008 8:19 AM