Meu Perfil
Um blog sobre política, literatura, música e futebol basquetebol. Na rede desde outubro de 2004.



Email: idelberavelar arroba gmail ponto com

O autor
 No Twitter
 No Facebook
 Curriculum Vitae
 Página pessoal em Tulane


Histórico
 agosto 2009
 julho 2009
 junho 2009
 maio 2009
 abril 2009
 março 2009
 fevereiro 2009
 janeiro 2009
 dezembro 2008
 novembro 2008
 outubro 2008
 setembro 2008
 agosto 2008
 julho 2008
 junho 2008
 maio 2008
 abril 2008
 março 2008
 fevereiro 2008
 janeiro 2008
 dezembro 2007
 novembro 2007
 outubro 2007
 setembro 2007
 agosto 2007
 julho 2007
 junho 2007
 maio 2007
 abril 2007
 março 2007
 fevereiro 2007
 janeiro 2007
 novembro 2006
 outubro 2006
 setembro 2006
 agosto 2006
 julho 2006
 junho 2006
 maio 2006
 abril 2006
 março 2006
 janeiro 2006
 dezembro 2005
 novembro 2005
 outubro 2005
 setembro 2005
 agosto 2005
 julho 2005
 junho 2005
 maio 2005
 abril 2005
 março 2005
 fevereiro 2005
 janeiro 2005
 dezembro 2004
 novembro 2004
 outubro 2004


Assuntos
 A eleição de Obama
 Clube de leituras
 Direito e Justiça
 Fenomenologia da Fumaça
 Filosofia
 Futebol e redondezas
 Gênero
 Literatura
 Metablogagem
 Música
 New Orleans
 Palestina Ocupada
 Polí­tica
 Primeira Pessoa



Visito
 Abobrinhas psicodélicas
 Ademonista
 Afonso, o Chato
 Agência Carta Maior
 Ágora com dazibao no meio
 Aguafuertes
 Alcinéa Cavalcante
 Além do jogo
 Alessandra Alves
 Alfarrábio
 Alto volta
 Amálgama
 Amante profissional
 Os amigos do Presidente Lula
 André Deak
 Animot
 Ao mirante, Nelson!
 Argemiro Ferreira
 Arlesophia
 Até aqui tudo bem
 Atemporalizando
 Bala perdida
 Balípodo
 Bereteando
 Biajoni!
 Blog do Alon
 Blog do Favre
 Blog do Juarez
 Blog do Juca
 Blog do Mello
 Blog dos Perrusi
 Blog do Protógenes
 Blog do Rovai
 Blog do Sakamoto
 Blog do Tsavkko, Angry Brazilian
 Blogafora
 blowg
 Botequim do Bruno
 Branco Leone
 Brasília, eu vi
 Bratislava
 Bugio
 A bundacanalha
 O caderno de Patrick
 Caldos de tipos
 Caquis caídos
 O carapuceiro
 Carla Rodrigues
 Carnet de notes
 Carreira solo
 Carta da Itália
 Caryorker
 A casa da colina
 Casa da tolerância
 Casa de paragens
 Catarro Verde
 Catatau
 Cidadania
 Cinema e outras artes
 Cinematógrafo
 Cintaliga
 Cloaca News
 Conejillo de Indias
 Consenso, só no paredão
 Contemporânea
 Contra Capa
 Controvérsia
 Conversa afiada
 Conversa de bar
 Cria Minha
 Cris Dias
 Cyn City
 Cynthia Semíramis
 Uma dama não comenta
 Daniel Aurélio
 Daniel Lopes
 de-grau
 De olho no fato
 De primeira
 Descurvo
 Diálogico
 Diário de Bordo
 Diario de trabajo
 Diário gauche
 Didascália e ..
 Diplomacia bossa nova
 Direito e internet
 Direitos fundamentais
 Disparada
 Dissidência
 Dito assim parece à toa
 Doidivana
 Don Quijote
 Dossiê Alex Primo
 ¡Drops da Fal!
 Duas Fridas
 É bom pra quem gosta
 eblog
 Ecologia Digital
 Enloucrescendo
 Escreva, Lola, escreva
 O escrevinhador
 Escrúpulos Precários
 Escudinhos
 Estado anarquista
 Eu sei que vivo em louca utopia
 Eugenia in the meadow
 Fabricio Carpinejar
 Faca de fogo
 Faça sua parte
 Favoritos
 A Feminista
 Ferréz
 Fiapo de jaca
 Flor do maracujá
 Fósforo
 Fina flor
 A flor da pele
 Fogo nas entranhas
 Fotógrafos brasileiros
 Frankamente
 Fundo do poço
 Futebol, política e cachaça
 Gabinete dentário
 Galo é amor
 Garotas que dizem ni
 Gravatá
 Groselha news
 Googalayon
 Guaciara
 Guerrilheiro do entardecer
 Hargentina
 Hedonismos
 Hermenauta
 Hipopótamo Zeno
 História em projetos
 Histórias do Brasil
 Homem do plano
 Idéias mutantes
 Imaginação sociológica
 Impedimento
 Impostor
 Incautos do ontem
 O incrível exército Blogoleone
 Ingresia
 Inquietudine
 Inside
 Interney
 Ius communicatio
 jAGauDArTE
 Jean Scharlau
 João Villaverde
 O jornalismo morreu
 Kit básico da mulher moderna
 Lembrança eterna de uma mente sem brilho
 A Lenda
 Liberal Libertário Libertino
 Limpo no lance
 Linkillo
 Lixo Tipo Especial
 Lixomania
 Luis Nassif
 Luz de Luma
 Mac's daily miscellany
 O malfazejo
 Uma Malla pelo mundo
 Malvados
 Márcia Bechara
 Marconi Leal
 Maria Frô
 Marmota
 Marjorie Rodrigues
 Meta.comunix
 Milton Ribeiro
 Mineiras, uai!
 Modos de fazer mundos
 Mox in the sky with diamonds
 Mundo-Abrigo
 Mundo de K
 NaMaria News
 Na prática a teoria é outra
 Nababu
 Nación apache
 Nalu
 Namorado imaginário
 Nei Lopes
 Nova corja
 Nóvoa em folha
 Odisséia literária
 Óleo do diabo
 Onde anda Su?
 Ontem e hoje
 Overmundo
 Palestina do espetáculo triunfante
 Pálido ponto branco
 Panóptico
 Para ler sem olhar
 Parede de meia
 Paulodaluzmoreira
 Pecus Bilis
 Pedro Alexandre Sanches
 Pedro Doria
 Peneira do rato
 O pensador selvagem
 Pensar enlouquece
 Pictura Pixel
 O pífano e o escaninho
 Pirão sem dono
 Poemas del alma
 políticAética
 Política & políticas
 Politika etc.
 Ponto media
 Por um punhado de pixels
 Porão abaixo
 Posthegemony
 Prás cabeças
 Prosa caótica
 Quarentena
 Que cazzo
 Quelque chose
 Quintarola
 Quitanda
 Rafael Galvão
 Recordar repetir elaborar
 Reinventando Santa Maria
 Retrato do artista quando tolo
 Roda de ciência
 RS urgente
 Samurai no Outono
 Sergio Leo
 Sérgio Telles
 Serbão
 Sergio Amadeu
 Sérgio blog 2.3
 Silenzio, no hay banda
 O sinistro
 Sob(re) a pálpebra da página
 A Sopa no exílio
 Sorriso de medusa
 Sovaco de cobra
 Stella psicanálise
 Sub rosa v.2
 SublimeSucubuS
 Superfície reflexiva
 Talqualmente
 Taxitramas
 Terapia Zero
 A terceira margem do Sena
 Tiago Dória
 Tiago Pereira
 Todos os fogos o fogo
 Tom Zé
 Tordesilhas
 Torre de marfim
 Träsel blog
 Tudo pode acontecer
 Túlio Vianna
 Ultimas de Babel
 Um que toque
 Urbanamente
 Vê de vegano
 Velho do farol
 Viajando nas palavras
 La vieja bruja
 Viomundo
 Virunduns
 Vistos e escritos
 A volta dos que não foram
 Zema Ribeiro




selinho_idelba.jpg


Movable Type 3.36
« Brasil x Argentina! :: Pag. Principal :: Adivinhação: Não vale olhar no Google »

quarta-feira, 20 de agosto 2008

Longuíssima peroração sobre o indizível em futebol

O pobre do Lédio Carmona está sendo massacrado no seu próprio blog por haver dito o óbvio ululante: a Argentina é superior ao Brasil e já não é de hoje. Desde, pelo menos, 2002, o futebol argentino – em seleções e em equipes – é muito superior ao brasileiro. Por que, então, vínhamos aplicando goleadas nos hermanos e ganhamos três títulos em cima deles nesse período? O objetivo deste post é responder essa pergunta e refletir um pouco sobre algo que é praticamente proibido dizer no Brasil.

Interessam-me esses lugares do indizível numa cultura. Tome o caso dos EUA. Você pode espinafrar Bush, xingar os dois partidos, dizer que o país passa a pior crise desde a grande depressão, criticar o Congresso, o Judiciário, a imprensa. Pode tudo – ou melhor, quase tudo. Experimente dizer que há anos os EUA já não estão entre os 20 países mais democráticos do mundo; que qualquer país da Europa Ocidental tem um sistema político mais democrático que os EUA. Experimente demonstrar, por A + B, que as eleições brasileiras ou argentinas são infinitamente mais democráticas que as americanas. Da esquerda do Partido Democrata à direita do Partido Republicano, vão pirar, como se você tivesse xingado a mãe. O sujeito sente que um mito essencial à sua identidade está sob ataque e reage com violência. Claro que nós somos a terra da democracia! Como ousa questionar isso?

No Brasil, acontece algo parecido com o futebol. Você pode xingar o técnico da Seleção. Pode espinafrar a CBF. Pode discutir a escalação do time. Pode pôr a culpa nos cartolas. Pode tudo – ou quase tudo. No momento em que você questiona o mito de que o Brasil tem o melhor futebol e os melhores jogadores do planeta, ou – heresia das heresias! -- ousa dizer que a Argentina tem um futebol melhor que o nosso, você é execrado como uma espécie de lesa-pátria, um gringo de Iowa vendendo segredos de estado a Brezhnev em plena Guerra Fria.

O titular deste blog, que já se meteu em 367 polêmicas políticas, só se assustou uma única vez com hate mail. Foi na Copa América de 2007, em que eu confessei que ia torcer pela Argentina como forma de acelerar a queda de Dunga. Previ, como quase todo mundo, que a Argentina ia golear. Depois que o Brasil encaixou aquele 3 x 0, a raiva e a virulência dos comentários e emails que recebi foram muito, muito instrutivas. Continuo dizendo: a pior coisa que aconteceu com o futebol pindorâmico foi ganhar aquele jogo de goleada. A patriotada insana tomou as rédeas. O dunguismo ganhou fôlego e os que queremos colocar um pouco de racionalidade no debate sobre o futebol brasileiro viramos traidores da pátria.

Antes de passar aos últimos Brasil x Argentina, conto uma história pessoal: eu nunca fui nenhum Reinaldo, mas era, sim, um centroavante de qualidade. Fui artilheiro de várzea em BH, essas coisas. Uma vez, no Cachoeirinha -- quem for de BH e conhecer a cena, explique o que é jogar futebol de várzea no Cachoeirinha --, enfrentei uma linha de zaga que habitaria meus pesadelos durante anos: era Ranca-Tôco, Babão, Noite Ilustrada e Alemão. Só batiam da cintura pra cima. Aos 20 minutos, eu já havia caído 8 vezes. Apanhei igual cachorro sem dono. No segundo tempo, eu consegui quebrar o tornozelo de Noite Ilustrada, que havia me derrubado umas 20 vezes no jogo. O cara tinha de bíceps o que eu tenho de coxa. Depois da peleja --- vitória nossa por 2 x 1 –, me disseram, ao saber que eu ia jogar algumas partidas na Argentina: porra, vão te arrebentar todinho; depois que quebrarem sua perna, avise pra gente. Em Buenos Aires, fui anulado em quatro partidas seguidas, coisa que jamais havia acontecido no Brasil. Sem levar uma única pancada. Só zagueirão se antecipando na bola e ganhando a jogada no corpo. Ali eu vi que tinha que rever meus estereótipos, contruídos em anos de xenofobia anti-argentina cultivada pela mídia brasileira. Energúmenos como Galvão Bueno têm uma responsabilidade criminosa nisso.

A Argentina sempre teve melhores goleiros e zagueiros. Qual é a diferença agora? Eles têm melhores volantes, armadores e atacantes. Ou há algum Messi por aí falando português? Se a Argentina é superior desde, pelo menos, 2002, por que ganhamos três títulos contra eles? Como sempre, foi uma soma de fatores. Vamos olhar a coisa caso a caso.

Na Copa América de 2004, no Peru, ganhamos nos pênaltis. Foi aquele 2 x 2 com gol do Adriano aos 45 do segundo. O Brasil levou um baile durante 90 minutos. A Argentina chegou ao final vencendo só por 2 x 1 por pura displicência, erros nas finalizações e porque Júlio César – que é um goleiro apenas mediano – fez ali uma das grandes apresentações da sua vida. No final do jogo, Tévez deu aquela fatídica pisada na bola. Humilhados, os brasileiros se encheram de brios e numa pelota espirrada na meia-lua, Adriano encaixou o empate. Num jogo desses, é facílimo prever quem vence os penais.

Na Copa da Confederações de 2005, ali sim, sobramos. Foi 4 x 1. O Brasil jogou com a formação que eu defendia para a Copa do Mundo. Sem os vovôs nas laterais. Cicinho jogando muito. Robinho armando o jogo, Zé Roberto como segundo volante, Adriano no auge, e Ronaldo Gorducho fora do time. A Argentina entrou em campo com Germán Lux, Collocini, Placente, Heinze, Zanetti; Cambiasso, Bernardi, Riquelme, Sorín; Delgado e Figueroa. Ninguém, ninguém na imprensa brasileira ressaltou o fato de que a Argentina estava com meio time reserva. Éramos só nós, os imbatíveis.

Nas Eliminatórias, trocamos um 3 x 1 para cada lado. O nosso, no Mineirão, foi com três gols de pênalti. O deles, em Núñez, foi um baile. Na Copa, a Argentina caiu num jogo fatídico contra a Alemanha, em que venciam, sofreram a contusão do goleiro, Pekerman fez uma substituição inacreditavelmente burra e o time lutou até o final. Nós caímos de 4, literalmente, com Roberto Carlos ajeitando a meia e Ronaldo levando chapéu de Zidane.

Aí veio a Copa América de 2007. Essa, sim, foi acontecimento espírita comparável ao Campeonato Brasileiro de 1977, onde um São Paulo de Necas e Totonhos foi campeão em cima de um Galo de Cerezo e Reinaldo. Era o Brasil quem estava com o time B. A Argentina havia dado espetáculos inesquecíveis durante o torneio. O Brasil capengou, levou baile do México e se classificou – a imprensa ufanista não se lembra – em um jogo escandalosamente roubado contra o Uruguai. A euforia na Argentina era tal que todo mundo falava em goleada. Para piorar, pela primeira vez na história do Brasil, acontecia o impensável: uma parcela significativa dos brasileiros confessava que ia torcer pela Argentina, que afinal de contas era quem jogava futebol ali. Aos 10 minutos de jogo, o Brasil já vencia por 1 x 0 com gol de Julio Baptista num lançamento de longe. Atônita, a Argentina viu que era a amarelinha. Depois do gol contra de Ayala, o jogo ficou fácil. Em nenhuma dessas goleadas, a Argentina deu pancada no final. Como é que terminou o jogo ontem mesmo?

O retrospecto é favorável ao Brasil. Somos melhores? Não. Os melhores são eles.

O melhor volante do Brasil, Lucas, chegou para ser reserva de Mascherano no Liverpool. O jogador que a imprensa brasileira incensou como o novo Pelé é reserva no Real Madrid. O craque da temporada brasileira até agora era um chileno. Um chileno! O melhor jogador do Brasileirão de 2005 foi um argentino, espancado por zagueiros e discriminado por árbitros por ser estrangeiro. Ironia das ironias, Tévez foi escorraçado pela torcida do Corinthians quando era o único bom jogador do time, responsável direto -- junto com Zveiter -- pela conquista do Brasileirão e, pior ainda, o único que honrava a camisa do clube. Hoje, dá show de bola e conquista títulos na Inglaterra, enquanto o Corinthians come poeira com o Brasiliense e Bragantino. Nossos jogadores, via de regra, já não saem para Itália e Espanha. Os destinos preferenciais agora são Ucrânia, Cazaquistão e Arábia Saudita. Esta semana, o mais respeitado comentarista de futebol do país disse que Valdivia não decide partidas (a essa estultícia, há uma boa resposta aqui). Até quando vamos ter que aturar patrioteiros dizendo que se o Brasil armar o time como deve ser, ganha tudo de barbada?

Nós, brasileiros, somos insuportavelmente arrogantes e xenófobos quando o tema é futebol. É claro que é possível discutir a escalação do Dunga. Claro que é burrice queimar um dos três jogadores da cota de mais de 23 anos de idade para deixá-lo no banco. Claro que Kaká teria feito alguma diferença. Claro que se pode dizer que Ronaldinho não deveria ter ido. Claro que é possível armar um time superior ao do Dunga. Qualquer um arma um time melhor que Dunga!

Mas dizer que, com um bom técnico e uma escalação acertada, o Brasil teria ganho o sonhado ouro é tapar o sol com a peneira, porque o problema é estrutural. São décadas de saqueio do futebol brasileiro. São décadas de gangues criminosas controlando a estrutura do esporte. Se eu, fanático absoluto por futebol, cheguei ao ponto de dispensar um satélite da Globo Internacional na minha casa, já que não me dá nenhum gosto assistir o futebol brasileiro – e não é pela crise do Galo, posto que já assisti incontáveis campeonatos com o Galo em crise --, é porque o buraco é mais embaixo.

O líder do Campeonato Brasileiro é uma equipe comandada por Celso Roth. Isso, pra mim, já é o corolário definitivo dessa discussão.



  Escrito por Idelber às 04:02 | link para este post | Comentários (120)


Comentários

#1

Idelber,
comecei a ler seu texto enquanto rola na TV o jogo de pólo aquático Montenegro 4, Croácia 2.

Mas pelo segundo parágrafo creio que esta derrota para da seleção brasileira fez mal a sua cabeça!
Montenegro fez mais um gol.

Paulo em agosto 20, 2008 5:26 AM


#2

Paulo, elabore, meu caro. Sua opinião é importante.

Idelber em agosto 20, 2008 5:47 AM


#3

Mais ou menos, Idelber.

1) escrevi mais ou menos sobre o assunto dos caminhos do futebol aqui http://futebolcabeca.wordpress.com/

2)"Nós, brasileiros, somos insuportavelmente arrogantes e xenófobos quando o tema é futebol."

Discordo. Maradona sempre foi admirado por aqui. E não vale dizer que "acham Pelé melhor que ele." Bobagem, em Madrid acham o Di Stefano melhor que os dois juntos.
Zidane, que tirou o Brasil duas vezes da Copa, veio ao Brasil e foi aplaudido por todos numa pequena quadra de futsal. Ele mesmo disse que estava inseguro sobre a recepção, e que nunca esperava tanto carinho.

Arrogantes são os ingleses, que nunca ganham nada e sempre são favoritos (para eles); a mesma coisa com a Espanha etc. O Brasil chegou em 2002, com razão, absolutamente amedrontado. Ninguém no Brasil acreditava. Como pode alguém duvidar e ser arrogante ao mesmo tempo? Você mesmo disse que em 2007 ninguém acreditava.

Há uma má vontade em admitir nossos problemas no futebol, claro; só não acho que isso seja uma característica nacional. É característica, talvez, do Galvão e da Globo. E se não é um característica nacional, dizer que o contrário seria tão "irresponsável" quanto as narrações do Galvão contra a Argentina.

4) sobre este jogo: o meio-campo do Brasil até que é bem bom. Muito melhor que o da seleção principal, já que Anderson, Hernanes e Lucas são melhores que Gilberto Silva, Mineiro e Josué. O problema é não ter treinador.

Abraço.

Luigi Battaglin em agosto 20, 2008 6:00 AM


#4

Até aqui Montenegro 7, Croácia 6. E não vi ninguém com espírito de Ronaldinho Gaúcho.
Um brasileiro acabou de deixar a competição de Tae Kon Do (nunca tinha escrito isto).

Paulo em agosto 20, 2008 6:04 AM


#5

Caro Idelber,
Surpreende-me a sua opinião sobre a decadência da Democracia nos EUA. Não que ela não esteja declinante, MAS NÃO PELOS MOTIVOS que você apontou!
Pode sim haver alguns países na Europa “mais democráticos” que os EUA, pode haver 20, pode haver até uns 22, mas... nenhum destes países tem a extensão territorial dos EUA. E o tamanho do país é um item importante. O outro item importante são as disputas entre os povos que ocupam estes espaços. É sempre bom lembrar que a manutenção do território e a coesão dos povos que ocupam um espaço nacional é uma condição essencial para manter um país. E isso deve ser uma prioridade nos EUA.
Já na Europa os problemas das várias etnias na antiga URSS (e de certo ponto da Rússia czarista) e nos Balcãs foram resolvidos e nós sabemos como. E há outros problemas entre povos na Europa, uns resolvidos, como o da Tcheco-eslováquia (que se dividiu), e outros latentes como o da Espanha e o País Basco. Além disso a Europa vive atualmente um sério problema com imigrantes.

Sabemos que há problemas no processo de coleta de votos nas eleições presidenciais norte-americanas. Teoricamente as urnas eletrônicas utilizadas nas eleições presidenciais brasileiras dão um caráter superior ao pleito brasileiro, ALÉM DO FATO DE VOTARMOS DIRETAMENTE NO CANDIDATO.
Mas os EUA tem uma série de instituições que trabalham em favor da manutenção da Democracia, e apesar de no primeiro mandato do atual presidente ter ocorrido um SÉRIO PROBLEMA na apuração de votos, NÃO É ESTE O PRINCIPAL PROBLEMA ATUAL. É a manutenção da prisão de Guantánamo ao lado dos vôos com prisioneiros e coisas assim que estão MINANDO a legitimidade das instituições norte-americanas.

De qualquer maneira se você acha que os EUA estão com a sua Democracia, então você não toleraria morar em nosso país onde esta mesma (tenra)Democracia é pisoteada todos os dias por aquele(s) que deveria(m)defendê-la.
Síntese: Não é porque um candidato é eleito democraticamente que FICA GARANTIDO QUE ESTE ELEITO irá defender as instituições democráticas.

Neste momento a SÉRVIA vence a ESPANHA no pólo aquático por 5x2 (o primeiro gol da Espanha foi feito por um brasileiro naturalizado espanhol).

Paulo em agosto 20, 2008 6:56 AM


#6

Verdade, Paulo, verdade. A extensão do país é importante. Estou meditando sobre o seu comentário, enquanto espero o jogo de vôlei, já que aqui não transmitem o pólo aquático.

Idelber em agosto 20, 2008 7:02 AM


#7

Caro Idelber
Dias atrás o Luciano do Vale, da TV Bandeirantes, disse assim desprenteciosamente e sem colocar nenhuma ênfase que a imagem de Ronaldinho Gaúcho aparece atualmente em 5 campanhas publicitárias na Ásia. Esta seria a razão pela qual ele foi tão prontamente reconhecido em todos os locais pelos quais passou na Ásia.
Mas nenhuma outra fonte foi tão enfática. Os demais jornalistas atribuem a fama de Ronaldinho Gaúcho a suas atuações nos campeonatos televisionados para aquela parte do mundo.

P.S. Para a sua reflexão sobre onde há mais Democracia, acabo de ver na Folha Online, citando Kennedy Alencar: "Lula decide criar estatal para explorar o pré-sal".

Paulo em agosto 20, 2008 7:38 AM


#8

Assino embaixo!
Parabéns!

Nando Silva em agosto 20, 2008 8:57 AM


#9

A criação da estatal do pré-sal, nos moldes da Petoro, é correta, no meu ponto de vista. A Noruega é um bom exemplo de democracia.

Patrick em agosto 20, 2008 9:17 AM


#10

Bacaníssimo o seu site, Patrick. Estou lá navegando agora.

Idelber em agosto 20, 2008 9:44 AM


#11

Idelber,

Acho que o Mascherano andou lendo O Biscoito Fino...

http://esportes.terra.com.br/pequim2008/interna/0,,OI3115006-EI10378,00-Brasil+nao+respeita+sua+historia+diz+Mascherano.html

Paulo, parabéns pelos comentários. No fim você endossa as palavras do Idelber. A democracia norte americana pode até não ser a melhor, mas eles estão continuamente a construindo, ainda que numa direção distinta ao que nós entendemos por democracia. Nós, podemos até não ter o melhor futebol no momento, mas como se isso não fosse suficiente, estamos desconstruindo nosso futebol.

O tal do "jeitinho brasileiro", que pode ter tanto uma interpretação pejorativa como um diferencial que nos faz criativos, no segundo caso está sendo morto pelas instituições. A incapacidade histórica de construir instituições sólidas no Brasil, que deveria defender a nossa criatividade (democracia), saiu da cartolagem (congresso) e chegou aos campos de futebol (ao povo).

Ponto final, volto a relacionar jeitinho brasileiro com malandragem.

Abraços!

Márcio Pimenta em agosto 20, 2008 9:49 AM


#12

Idelber,
concordo com quase tudo! Bom primeiro acho o Lucas melhor que o Mascherano, é questão de tempo ele pegar a vaga dele no Liverpool, sem contar que nesse time não há UM time titular, o técnico roda até o goleiro!
Segundo, o Tevez NÃO foi escurraçado pela torcida do Corinthians, mas sim pela imprensa paulistana!!
Eu que torço pro Arsenal, torci pro Manchester por causa dele!! E sei de muito corinthiano que fez o mesmo!
O Teves mostrou pro Brasil que se jogar, reclamar de juiz é coisa de brasileiro, e de chileno, pq o Valdívia, pelo amor de deus!!
Mas que os jogadores argentinos estão bem melhores, isso concordo, o Messi ainda vai dar muito trabalho pra nóis!! E o mais interessante é que os argentinos seguem o mesmo padrão em todos os esportes, seja no basquete (que ta mal, mas eu torço por eles!) e no rugby (me matei de torcer no mundial!)
Grande abraço, e que venha o Bi olímpico!!

Gui Losilla em agosto 20, 2008 9:49 AM


#13

Confesso que iniciei a leitura deste post com má vontade. Terminei com a pulga atrás da orelha. É isso que faz um bom artigo, um bom post. Nos faz refletir.
Mudando de assunto: não sei se a extensão territorial tem esse peso todo. Montesquieu não tinha razão. De qualquer forma, fiquei curioso sobre esse papo de comparar as democracias européias e americana. Valia um post. Estou no aguardo.
Um abraço.

João Paulo Rodrigues em agosto 20, 2008 9:51 AM


#14

Gui, meu querido, até o carro do Tévez foi espancado com esposa e filha dentro, pelos bandidos da Gaviões da Fiel. Foi escorraçado, sim. De resto, de acordo.

Anotado, João Paulo. O tema dá um bom post, sim.

Idelber em agosto 20, 2008 9:57 AM


#15

Na boa Idelber ,seus argumentos empacam nos fatos. O Brasil tem ganhado sempre da Argentina em competições internacionais faz um tempão.
Ontem foi a exceção.

Não dá prá querer mascarar os fatos com elocubrações subjetivas.

Concordo que a síndrome "pátria de chuteiras" muitas vezes nos cega para as qualidades das outras escolas de futebol, mas como o Luigi colocou com muita propriedade, sabemos reconhecer o talento.

Discordo inteiramente da sua avaliação do campeonato brasileiro, qua acompanho com grande atenção. Temos o campeonato de futebol mais competitivo do planeta.

O que tem nos prejudicado faz algum tempo é a "síndrome de vira lata" ( prá continuar nas citações rodrigueanas). Escalamos nas nossas seleções frequentemente jogadores , não pelas suas atuações , mas pelo prestígio internacional dos times europeus em que atuam.

Lucas e Anderson são merecidamente reservas nos seus times. O Lucas nunca me encheu os olhos e o Anderson foi desaprender futebol na Ingleterra. O Thiago Neves não é titular absoluto desse time simplesmente pelo fato de ainda jogar pelo Fluminense, se estivesse já no Barcelona ia ser considerado gênio( o que seria um exagero).

A CBF ignorou as Olimpíadas o tempo todo,não houve nenhuma preparação séria , me arrisco a dizer que se o Santos, esse time medíocre que não consegue escapar da zona do rebaixamento estivesse vestido com a amarelinha , teria feito um jogo duro com a Argentina de ontem, time que sinceramente continua não me convencendo.

Quanto ao Dunga não há duvida, é um sujeito de sorte. Mas depender só da sorte dá no que deu ontem, um dia ela falta.


Beni Borja em agosto 20, 2008 9:58 AM


#16

Beni, caríssimo, você realmente acha que o Santos teria endurecido com a Argentina ontem? Temos que concordar em discordar então.

Talvez seja verdade que o Brasileirão é o mais competitivo do planeta. São 20 times muito nivelados, todos na mediocridade! Ou será que Grêmio, Cruzeiro e Palmeiras estariam disputando a ponta no Campeonato Espanhol ou Italiano?

Você vai ter que desenhar em árabe para me convencer disso aqui...

Idelber em agosto 20, 2008 10:22 AM


#17

Idelber, saudações.

1. A Argentina vem atuando melhor em alguns campeonatos importantes, mas não em todos. Fomos campeões em 2002 jogando o melhor futebol da Copa, mesmo tendo chegado lá desacreditados. Além da Copa das Confederações na Alemanha.

2. Ganhar sem ser o melhor é comum no futebol, fico feliz que temos conseguido isso. Pior é perder sendo o melhor (lembre 82 e 98).

3. Sobre a arrogância, o comentário 3 disse tudo.

4. Confesso que não conheço o Brasil e o mundo tão bem quanto você, mas a região sul do Brasil conheço muito bem e desconheço qualquer sentimento que possa ser traduzido como "xenofobia anti-argentina". Ainda mais no futebol!

5. Há quanto tempo o técnico da Argentina é técnico da Argentina? E os jogadores da seleção Argentina estão lá há quantos jogos? E da Espanha, Itália, Alemanha...? Isso nunca é falado. "O Dunga não serve!", mas quem vai servir sem tempo para sedimentar o trabalho? (sendo que agora nem os resultados importam, como o título da Copa América, para segurar um treinador).

5. Não é a primeira vez (vide seu texto sobre o vegetarianismo) que você se coloca como "os que queremos colocar racionalidade no debate" e rechaça de antemão os que pensam diferente como do grupo dos radicais irracionais. Ou eu estou enganado?

Francisco von Hartenthal em agosto 20, 2008 10:25 AM


#18

Idelber,
e essa pesquisa, via Reuters, em que o Mcain passou o Obama?

Ed em agosto 20, 2008 10:27 AM


#19

Francisco, meu caro, discordâncias notadas. Mas pontuo: não chamei ninguém de irracional nesse debate.

E será que realmente é necessário apresentar evidências de que existe xenofobia anti-argentina no Brasil quando o tema é futebol?

Idelber em agosto 20, 2008 10:28 AM


#20

Novamente, Idelber, você misturou...

"Torcida corintiana" é uma coisa, "bandidos da Gaviões da Fiel" é outra coisa...

Francisco von Hartenthal em agosto 20, 2008 10:28 AM


#21

Idelber, concordo com o teu post, mas o PVC não se encaixa no seu exemplo - enquanto o Lédio Carmona sim. Assisto aos dois quase diariamente. Valdivia não é nenhum craque - ou, para usar o seu tom, ele é tão craque que vai jogar no Oriente Médio (e nessa discussão, ninguém levantou a bola: o quanto o Valdivia quer ficar - ninguém, a não ser o PVC). A resposta ao PVC é péssima. Aliás, ele não é o comentarista mais respeitado - justamente a banda xenófoba o odeia. Se tem alguém na imprensa esportiva que fala com independência do futebol brasileiro e da xenofobia em relação à Argentina é a ESPN Brasil, e não a SporTV, uma extensão dos domínios e do besteirol do "Garganta Profunda".

Abraço

Alexandre Nodari em agosto 20, 2008 10:28 AM


#22

Idelber, acho que hoje a Argentina tem um time superior ao do Brasil. Hoje vivemos uma entressafra danada. Mas nos 10 anos anteriores fomos muito melhores. O Ronaldo chegou a ganhar sozinho da Argentina no Mineirão e o jogo das eliminatórias da Copa de 2002 aqui no Morumbi foi um vareio que eu pude presenciar. Foi um dos melhores jogos de um dos grandes jogadores da história do país: O Rivaldo. Nessa época a Argentina tinha um time de respeito, mas apenas um jogador que era o melhor em sua posição no continente: o Veron. Os zagueiros do Paraguai, por exemplo, eram melhores. Aliás, até o Lúcio, com suas deficiências era melhor.

Acho que o Messi começou a achar seu caminho na seleção argentina agora. Ele demorou para jogar bem com a camisa da seleção. O Aguero é um craque e faz tempo que eles não tinham um jogador como o Riquelme. Agora, não acho que o time seja o melhor do mundo. Além disso, não gosto mesmo do Mascherano. Acho um jogador desleal, que já tentou acabar com a carreira de muito atleta aqui no Brasil.

Por fim, acho que o Brasil vai passar um período bem ruim agora. Como o que passou entre 82 a 94. Com um futebol em decadência. Não saberia precisar as razões para isso. Mas o campeonato nacional está uma tristeza.

tiago mesquita em agosto 20, 2008 10:34 AM


#23

Perfeito, Alexandre, de acordo. Sou fã do PVC, que fique claro.

Francisco, meu caro, você realmente quer dizer que a torcida corinthiana tratou bem o Tévez, que as agressões eram só coisa de meia dúzia da Gaviões? Então tá, né...

Idelber em agosto 20, 2008 10:35 AM


#24

Idelber, pelo o que eu vi aqui na cidade, o Tevez não foi escurraçado não. Quando ele foi embora, a torcida o homenageou e tudo. A camiseta dele é ainda a que mais vende para os corinthianos. Ele é adorado pela torcida. Não sei dos organizados, mas que os corinthianos gostam dele, isso gosta. Aliás, por que ele não jogou na olimpiada?

tiago mesquita em agosto 20, 2008 10:38 AM


#25

Verifico que a turma mais nova gosta mais da ESPN Brasil do que a SporTV.

O comentarista PVC, prata da casa da ESPN Brasil, de fato parece ser um bom comentarista mas lamentávelmente perdeu o rumo desde suas previsões, com o erro fragoroso de apostar no FLU.
Daí em diante o PVC perdeu o rumo e vem se enganado seguidamente no atual Campeonato Brasileiro, que por razões de conjuntura está mesmo difícil de previsão.

Desde o dia que eu vi o Lédio Carmona perguntando para o Carlos Alberto Torres quem era o Fachetti, deixei de ouvir o que ele fala.

Paulo em agosto 20, 2008 10:42 AM


#26

Tiago, isso foi depois, depois. Lembra do cara dando o sangue em campo e depois sendo agredido na saída do estádio?

Para responder ao Luigi, que deixou um excelente comentário lá em cima: os ingleses podem ter sido campeões de arrogância no futebol. Na primeira metade do século XX. Hoje, nem se compara com a nossa. Comparar a arrogância futebolística brasileira com a arrogância inglesa hoje é comparar o PIB dos EUA com o PIB do Qatar.

Tem gente aí dizendo que o Santos ganharia da Argentina. Qual inglês diria que o lanterna de seu campeonato bateria a seleção número um do ranking da FIFA? Pelamor, né?

Idelber em agosto 20, 2008 10:43 AM


#27

Agora, as relações complicadas entre o Brasil e a Argentina, acho que existe um sentimento mútuo que é delicado e ambíguo. A economia argentina hoje é associada ao Brasil, mas, mesmo assim, os hermanos criam uma série de problemas para nós nas negociações internacionais (aliás, com todo o direito, embora muitas vezes eu não concorde com as razões). Agora, no futebol é normal que um ranço exista. É o mesmo que pedir uma convivência sem gozações entre os torcedores do atlético e do cruzeiro. Os times têm a maior rivalidade do futebol mundial, como isso podia ser traduzido pelas torcidas?
Agora, sempre prefiro que um time sul americano ganhe. Aliás, acho que em termos internacionais os países europeus e os Estados Unidos têm sido muito pouco democráticos. Acho que o modo como eles negam vistos e tratam os estrangeiros é revelador disso.

tiago mesquita em agosto 20, 2008 10:45 AM


#28

Que nojo, Idelber. Ver um brasileiro contra seu próprio país, sem ufanar-se de Dunga e Robinho. Reveja seus conceitos: o Brasil-sil-sil tem o melhor futebol do mundo, PVC é uma besta, Messi não faz uma perna de... bem, de... de Rivaldo!

Como se não bastasse, ousas atacar a democracia americana e mentes para nós que o scholar fumante é centroavante dos bons! ERA SÓ O QUE FALTAVA!

Olha, nem vou comentar. Saio daqui muito puto, muito puto.

:¬)

Milton Ribeiro em agosto 20, 2008 10:48 AM


#29

A banda mais velha da caixa de respostas pode me ajudar numa coisa?

O clima "Argentina tá melhor que o Brasil" não lembra um pouco os dias seguintes à derrota dos canarinhos na Copa de 1990? Inclusive no que tange o técnico-tonto e a qualidade dos selecionados para jogar.

Eu era uma criança à época, mas sinto a mesma coisa que naqueles dias (e olha que eu estou BEM longe de casa).

Fora isso, vi a reprise do jogo ontem e, francamente, 'tava achando que era partida de taewkondô com outro uniforme. Se não conseguem jogar bem, que pelo menos respeitassem a história da camisa, caramba, e não dessem TANTO vexame!

Anna C. em agosto 20, 2008 10:51 AM


#30

O comentário anterior ficou muito confuso. Em síntese, queria dizer três coisas. A primeira é que eu acho normal a rivalidade futebolística entre Brasil e Argentina. Embora os dois países não sejam mais propriamente rivais no campo geopolítico e tenham relações internacionais muito boas, acho que os dois países têm o melhor futebol da região e , muitas vezes, tiveram o melhor futebol do mundo.

Depois, queria dizer que o desenvolvimento da democracia nos países centrais é visível se comparamos as suas relações institucionais. Mas o modo como esses países agem com os estrangeiros e como atuam mundo afora está longe de ser democrático. Acho isso grave. No caso da europa, eles afirmam cada vez mais as identidades tradicionais (quase tribais) e parecem transformar seus países em cidades medievais muradas.

Por fim, prefiro sempre que um time sul americano ganhe. O futebol costuma ser muito mais bonito e as torcidas mais simpáticas.

tiago mesquita em agosto 20, 2008 10:56 AM


#31

Quase me esqueço, mas dá o que pensar o nível do futebol continental. Não custa lembrar que o último campeão da Libertadores da América foi um time equatoriano. Com todo o respeito, não acho que a tradição deles no futebol seja notável.

tiago mesquita em agosto 20, 2008 11:03 AM


#32

Idelber, os argentinos também têm seus dias de maus perdedores sim. basta lembrar 1982, quando tomaram aquele chocolate na copa da Espanha - 3x1 foi pouco,numa aula de futebol inesquecível do time de Telê - e o Maradona foi vexaminosamente expulso por uma entrada criminosa quase arrancando os rins do Batista, entre os coices do Daniel Passarella...

Serbao em agosto 20, 2008 11:04 AM


#33

PS: FORA DUNGA!!!

Serbao em agosto 20, 2008 11:05 AM


#34

Verdade, Serbão. Aquela foi muito feia.

Idelber em agosto 20, 2008 11:05 AM


#35

Idelber,
Concordo com quase tudo que você escreveu. Mas, como outros corintianos que apareceram comentando, sou obrigado a discordar da história do Tévez. A maioria da torcida corintiana gostava e gosta muito do Tévez. Havia, claro, os grupos ligados à política imunda do clube. Os autores do ato citado por você, por exemplo. Unanimidade? Quem seria unanimidade para uma torcida do tamanho da torcida do Coríntians? Para os mais jovens, lembro de ter discutido com pessoas, no tempo em que Pelé jogava, que achavam que o crioulo não jogava nada.

Fernando Guimaraes em agosto 20, 2008 11:07 AM


#36

Anna, sobre 1990, eu diria o seguinte: a Argentina já não tinha o time de 1986, e o Brasil estava estreando um esquema (o 3-5-2) e uma geração de jogadores. A Argentina se classificou aos trancos e barrancos, na repescagem. O Brasil, mesmo jogando muito mal na primeira fase (três vitórias magras contra Suécia, Escócia e Costa Rica), era o favorito e dominou amplamente o primeiro tempo do jogo.

Mas eles tinham Maradona. Numa jogada, ele foi lá e resolveu. O Dunga está procurando aquela bola até hoje.

Acho que é um pouco diferente da situação atual, na qual a superioridade é mais coletiva.

Isso é como eu vejo a coisa, claro. Haverá discordância.

Idelber em agosto 20, 2008 11:08 AM


#37

Idelber,
Não sou fanática e muito menos "expert" em futebol. Minha intuição, entretanto, me leva a concordar com vc. Louve-se o que bem merece, seja de onde for. E, pelo menos nesse jogo olímpico, a Argentina foi superior. Quanto à democracia nos EUA, irretocável seu comentário.

Maria em agosto 20, 2008 11:10 AM


#38

Não consegui o link, mas olha o tolinho aí:

Por Luciano Borges
Direto de Pequim

A conversa com o Blog do Boleiro, na madrugada desta quarta-feira, saiu assim: Thiago Neves já estava no final do corredor da zona mista do estádio dos Trabalhadores, em Pequim. Parou para responder se tinha acertado o argentino Mascherano de propósito, no segundo tempo da derrota para a Argentina por 3 a 0. E foi embora cheio de mistério sobre seu futuro no Fluminense.

Blog do Boleiro – Aquela falta sobre o Mascherano, que causou sua expulsão, foi de propósito?
Thiago Neves – Ah, ele irrita. Ele provoca muito, fica falando, marca e dá porrada. A gente acaba fazendo o que nunca fez antes. Eu nunca dei uma entrada assim. Mas acabei acertando ele.

Blog do Boleiro - Foi a primeira vez que você enfrentou a seleção Argentina. É muito diferente de encarar o Boca Juniors?
Thiago Neves – É diferente. A partida do Boca Juniors era jogo de Libertadores, o time deles muito forte. Aqui foi semifinal de Olimpíada, a seleção argentina é bem melhor, tem jogadores de mais qualidade.

Blog do Boleiro – O Brasil não foi muito contido no primeiro tempo?
Thiago Neves – Brasil e Argentina é sempre assim. Os times jogam com muito respeito, marcando forte, concentrando no meio de campo. O problema no segundo tempo é que eles fizeram o primeiro gol logo e, quando a gente estava reagindo, marcaram o segundo. Eu entrei animado, mas com dois gols atrás e menos de 45 minutos para empatar desanima um pouco.

...

Milton Ribeiro em agosto 20, 2008 11:12 AM


#39

Obrigado, Maria.

Milton, eu não disse que sou centroavante dos bons. Eu disse que fui centroavante dos bons. Antes do vídeo-tape!

:-)

Idelber em agosto 20, 2008 11:13 AM


#40

Mas como corinthiano te digo, Gaviões NÃO é torcida do Corinthians, na verdade é um bando de marginal que faz o que a diretoria manda!! Sabe como é, todo time tem sua gang!!! Hj sentimos muita falta do Carlitos. O Juca Kfouri é um eterno defensor do argentino. E sabe que depois do Tevez é que eu percebi que a Argentina é um país que devemos conhecer mais, e é o que estou fazendo... futebol também é cultura, certo?
ps: Esqueci de te falar, mas li o livro Veneno Remédio, sensacional, valeu pela indicação!!
Abraço!

Gui Losilla em agosto 20, 2008 11:22 AM


#41

De nada, Gui :-)

Para o pessoal que insiste que quem maltratou Tévez foram só os marginais da Gaviões, aí vão -- ah, como é legal a memória da internet! -- dois links do Juca Kfouri, aqui e aqui.

Idelber em agosto 20, 2008 11:31 AM


#42

Chamo especial atenção para os comentários do segundo link. Xenofobia brasileira em estado puro.

Idelber em agosto 20, 2008 11:34 AM


#43

Agradeço a visita :-).

Patrick em agosto 20, 2008 11:36 AM


#44

Idelber,

1. Você, de fato, não chamou ninguém de irracional nesse debate;

2. Preciso viajar mais pelo Brasil. Aqui no sul não existe xenofobia anti-argentina quando o assunto é futebol;

3. Eu não quis dizer que os corintianos trataram bem o Tévez, tudo o que sei sobre isso veio através da imprensa. Eu quis dizer: "torcida corintiana" é uma coisa e "bandidos da Gaviões da Fiel" é outra coisa;

4. Um abraço a todos!

Francisco von Hartenthal em agosto 20, 2008 11:38 AM


#45

Credo, aquilo é super xenofobia. Berlusca é light.

Milton Ribeiro em agosto 20, 2008 11:40 AM


#46

Caro Francisco, sim, sim, fechamos no ponto 3. Abração :-)

Idelber em agosto 20, 2008 11:44 AM


#47

E também fechamos no ponto 2, Francisco. O sul do Brasil é muito singular nesse caso. A proximidade com o Cone Sul, o cosmopolitismo, acho que tudo isso pesa.

Idelber em agosto 20, 2008 11:46 AM


#48

O estranho é os brasileiros visitam a Argentina, lêem seus escritores (superiores, superiores), voltam todos pimpões, mas tem de sentir-se melhores no futebol, na simpatia, assim como os americanos na democracia.

Houve até um cidadão que falou com o Menotti numa sala para fumantes. Falaram sobre Reinaldo, bateram o maior papo. O cidadão até ufanou-se de alguns lances que protagonizara como centroavante, tentou vender-se, etc. Brasileiros, brasileiros!

Milton Ribeiro em agosto 20, 2008 11:51 AM


#49

nossa. sabe que nunca passou pela minha cabeça isso? juro. eu sou uma dessas. que tem certeza absoluta que nós temos o melhor futebol mas o time é mal montado. tipo. nossa mesmo. pq eu sempre penso q o campeonato italiano é melhor por inumeras razoes mas nunca pq o futebol italiano é bom etc. enfim. nossa.

mary w em agosto 20, 2008 11:52 AM


#50

é matéria para a antropologia mesmo, mary. O substrato invisível -- ou indizível -- de uma cultura.

Para os EUA, é a democracia e a liberdade.

Para o Brasil, é a superioridade no futebol.

é o que eu acho :-)

Idelber em agosto 20, 2008 12:04 PM


#51

Idelber, mas diante da quase-hegemonia do Brasil na região, você não acha que o futebol tem perdido a importância? Hoje até os argentinos reconhecem que a economia brasileira é mais importante.

tiago mesquita em agosto 20, 2008 12:13 PM


#52

Com certo receio de levar uns cascudos, arrisco-me a dar meu pitaco: vocês levam esse esporte muito a sério. E não é um esporte sério.
No futebol, pode sempre acontecer de um time da terceira divisão do Amapá ganhar do vice-líder do campeonato inglês. Para avaliar a inexistência da técnica, basta uma olhadela ao semblante dos treinadores brasileiros (ia fazer um esforço para não citar o caso extremo do técnico da nossa seleção, mas lembrei do Felipão no Chelsea - oh, djízas...). O máximo que se pode esperar de um técnico de futebol é que não seja truculento e arrogante. A exceção é o Telê, claro, que era capaz de raciocinar e construir um mínimo de tática, estratégia - uma Técnica, enfim.
Mas não me entendam mal, eu gosto de futebol. Gosto de jogar, gosto de ver. Mas sou agnóstico.

Theo em agosto 20, 2008 12:13 PM


#53

hahaha, Theo, de mim você só vai levar elogios.

Sensacional :-)

Idelber em agosto 20, 2008 12:18 PM


#54

Com o Pré-sal tudo estará resolvido!
O futebol brasileiro irá melhorar, ganharemos muitas medalhas nas Olimpíadas e iremos sediar a Olimpíada no Rio. A bola de cristal não conseguiu esclarecer se o Ronaldinho algum dia irá jogar bem com a camisa da seleção brasileira.

Paulo em agosto 20, 2008 12:37 PM


#55

Essa nem o Pré-sal resolve!

Idelber em agosto 20, 2008 12:40 PM


#56

Só pra dizer que concordo com o Milton, e esse também é um assunto polêmico que poderia, talvez, render um bom post...

...a literatura argentina é muitíssimo superior à brasileira...

Jasão em agosto 20, 2008 12:59 PM


#57

O caso Tevez X torcida do Corinthians, teve de tudo menos xenofobia.
O motivo pelo qual a torcida pegou no pé dele , foi pelo fato dele em 2006, preferir viajar constantemente para a Argentina a jogar pelo corinthians no brasileiro daquele ano. A crise se agravou quando, depois de ficar 75 dias sem jogar, em meio a boatos de que ele seria vendido, voltou justamente contra o fortaleza no morumbi onde o Corinthians empatou e caiu para a última colocação. Na ocasião Tevez marcou um dos gols do empate de 2x2 e fez gesto de silêncio para a torcida. Ele cagou aos sair aos poucos se indispondo com a torcida aceitando a jogada MSI / Corinthians. Mas ele é ídolo no Timão, talvez o maior depois de Marcelinho Carioca, que alias também foi cobrado e quase agredido, por motivos muito parecidos.
A questão maior envolvida, no meu modo de ver, foi a lavagem de dinheiro pela MSI na compra de seu passe e posterior venda. Como vender um Ídolo e ficar bem no filme.
Indispo-lo com a torcida, pareceu um modo bem próprio daquela gestão Kia Joorabchian/Dualib, de negocia-lo com o futebol europeu.
De qualquer forma foi maltratado. Mas se houve xenofobia foi dentro do clube e nas outras torcidas.
Quanto a Mascherano ser carniceiro, é até possível, embora não concorde, mas se for seria de bom senso classificar todas as deslealdades que cometeram em campo contra Tevez, nos quase dois anos que ele jogou por aqui, com adjetivo semelhante. Ao menos que a ideia seja : em argentino, chileno e estrangeiros em geral pode. Só não pode contra brasileiros. Ai é xenofobia.
As seleções sub 20 nos dão uma boa ideia sobre como anda, ou andará o futebol de um país. en teão vejam:
A argentina foi campeão dos últimas duas copas; 2005 e 2007 além de ter mais títulos que o Brasil, 6 contra 4 dos brasucas. A última vez que o Brasil ganhou foi em 2003.
Em 2005 já est√am lá Messi, Aguero ( artilheiro), Garray, Zabaleta, Gago.
Em 2007 Estavam lá Romero, Di Maria, Aguero, Paleta etc. Enquanto o Brasil tinha esse time: Cássio; Fagner, Anderson, Thiago Heleno e Amaral (Carlinhos); Roberto, Lucas, Willian e Tchô (Leandro Lima); Edgar e Luiz Adriano (Fabiano Oliveira) (mesmo assim, por sorte e azar, foi camp˜ea Sul-Americana Sub-20.).
Me lembro de uma seleçnão sub 20(?) que tinha Robinho e Diego, as promessas na época, e que foi um fiasco graças a empáfia.
Eu não consegui achar uma boa lista, mas deve haver na web uma relaçnao de estrangeiros que foram os melhores, pelo menos em suas posiçnões, nos últimos brasileiros.

Mas a xenofobia chega a tal ponto que jea consideraram proíbir a convocaçnao de 'estrangeiros' para vestirem a camisa canarinho.

Ps.
Uma coisa não entendi, quando você comparou suas coxas com o bíceps do Noite Ilustrada, era um elogio às suas coxas ou crítica ao bíceps do rapaz? eh eh eh eh.


fm em agosto 20, 2008 1:38 PM


#58

Idelber, não sei que jornalista disse isso, mas no quesito futebol, nós, brasileiros, somos muito arrogantes. Achamos que nosso time sempre é melhor que o estrangeiro (como Grêmio e Boca, na final da Libertadores do ano passado, todos acreditavam em Mano Menezes e sua equipe), entendemos tudo e mais um pouco de futebol, poderiamos jogar uma Copa do Mundo com 3 ou 4 times que iríamos dominar a competição. Não conseguimos formar uma seleção decente. Se não fosse o Felipão em 2002, a seleção da CBF seria só vexame desde 1996 naquele jogo contra a Nigéria, que o Kanu e o Rivaldo acabaram com o sonho da amarelinha de conquistar o ouro olímpico.

O torcedor de futebol brasileiro é arrogante. Não tem argentino, francês, americano, Schumacher e outros que seja mais arrogante que o torcedor brasileiro. Nisso, somos primeiro mundo.

Diego em agosto 20, 2008 1:43 PM


#59

Idelber, acho que você exagerou em inúmeros aspectos. Concordo que ufanismo pode ser burro e que exageramos com o Brasil. Mas daí a ver a Argentina como superior é apenas equívoco. Veja, por exemplo, a comparação dos goleiros que você colocou. O Brasil, atualmente, deve ter uns dez goleiros aptos a vestir a 1 argentina. Nenhum zagueiro argentino é bom como Lúcio ou Juan. Quem seria? Milito? Pff...
Volantes: Lucas joga mais que Mascherano. Como acompanhei a trajetória do guri desde o início, asseguro. Tem mais técnica, marca quase tanto quanto e tem saída para o ataque. Será dos melhores do mundo em breve, como Gerrard ou Pirlo.
O Brasil não tem jogadores da qualidade de Messi? Kaká está em nível superior ao argentino, que pode melhorar ainda mais. Ronaldinho é o melhor de todos, pena que se aposentou.
Tevez é um bom atacante, mas Adriano não deixa nada a dever a ele ou Crespo se estiver em forma.
Já as tuas análises dos jogos foram totalmente distorcidas: 1) na primeira Copa América, o Brasil jogou com time totalmente reserva; 2) copa da confederações foi um vareio total; 3) na última copa américa, os argentinos amarelaram e isso conta; 4) no 3 a 1 que tomamos lá, o Brasil tomou um laço no primeiro tempo mas recuperou plenamente a dignidade no segundo.
Tecnicamente, o Brasil tem time mais ou menos equivalente à Argentina, mas não dá para comparar as camisas. O Brasil é muito mais forte e é, sim, o maior futebol do mundo, apesar dos pesares. Que o digam os 5 títulos.

Moysés Neto em agosto 20, 2008 1:46 PM


#60

Cássio; Fagner, Anderson, Thiago Heleno e Amaral (Carlinhos); Roberto, Lucas, Willian e Tchô (Leandro Lima); Edgar e Luiz Adriano (Fabiano Oliveira).

Que time é esse, JISUIS?

hahaha.

Idelber em agosto 20, 2008 1:46 PM


#61

O Brasil, atualmente, deve ter uns dez goleiros aptos a vestir a 1 argentina.

Moysés, meu caro, isso é o equivalente futebolístico de se dizer que Lya Luft é melhor que Borges!

Menas, menas :-)

Idelber em agosto 20, 2008 1:56 PM


#62

Quanto aos pontos 1 a 4, sim, de acordo, mas eles não contradizem o dito no post. Sim, na Copa das Confederações foi um vareio. Eu disse que foi.

Idelber em agosto 20, 2008 1:57 PM


#63

Que mané, Cachoeirinha, o que, rapaz?

Pelo futebol apresentado nos últimos tempos, não há mais dúvida: Messi tem assistido às minhas históricas apresentações nas pelejas de Itapuã.

Registre-se e publique-se

Franciel em agosto 20, 2008 2:18 PM


#64

A grande mídia, e a publicidade, principalmente, contribuem fortemente para alimentar (ou criar e reforçar) estereótipos de rivalidade entre brasileiros e argentinos, e lançam mão de coisas indignas como aquelas peças de propaganda de cerveja, na última Copa. Acho que eram da Skol, que aliás está cada vez pior.
E as empresas publicitárias ainda reclamam de supostas tentativas de censura quando se discute a regulamentação das coisas que fazem, tratando os consumidores como idiotas e muitas vezes reforçando irresponsavelmente seus piores sentimentos.

Jair Fonseca em agosto 20, 2008 2:20 PM


#65

Franciel, cadê aquele rubro-negro que ia golear o Galo e estava sendo comparado à Laranja Mecânica?

Idelber em agosto 20, 2008 2:20 PM


#66

Estou com o Jair nessa também. Regulamentação de racismo, sexismo e xenofobia em propaganda é tema mais que relevante e urgente.

Idelber em agosto 20, 2008 2:22 PM


#67

Idelber, eu é que lhe digo que as coisas mudaram - e a nosso favor. Foi-se o tempo em que eles tinham os melhores zagueiros e os melhores goleiros, essa é uma máxima do passado que não se sustenta olhando o quadro atual. O quarteto marcos-dida-ceni-julio césar é infinitamente superior a qualquer goleiro argentino dos últimos 8-9 anos. Nossa última geração teve QUATRO, eu repito, quatro goleiros superiores a qualquer goleiro argentino da época. E desses 4 o Júlio César continua em forma, vale lembrar. Nossos zagueiros também são mais dominantes nos grandes clube europeus(até o traste do Cris tem prestígio no Lyon) e nossa zaga titular é melhor que a deles. Aliás, Burdisso e Coloccini não seriam nem convocados se fossem brasileiros- Demichelis teria chance de compor o banco.


Laterais- Zanetti, a essa altura do campeonato? Coloccini? HEINZE? Estamos MUITO acima com Cicinho, Marcelo, Ilsinho, Maicon e Daniel Alves.


Volantes- por conta de uma entresafra somada a uma certa incompetência, eles estão melhores mesmo. Cambiasso e Mascherano são superiores, mas Hernanes, Lucas e Ramires não vão ser inexperientes pra sempre. E é uma pena que Josué, Mineiro, Tinga e Anderson sejam esquecidos ou utilizados tão porcamente pelo técnico, que insiste com Gilberto Silva.


Meias- É única posição em que são de fato melhores, pelo estilo de jogo que produz armadores a rodo. A maioria não dá em muita coisa (Aimar, D´Alessandro, Romagnoli), mas eles levam vantagem porque tem Riquelme e Veron(que ainda joga sua bola), e porque o dentuço se aposentou e esquecer de avisar.

Atacantes- Poderia comentar sobre Adriano, Luís Fabiano, Pato e Robinho. Mas vou só lembrar que o melhor jogador do mundo é nosso e deixar por isso mesmo.


Sobre Copa América de 2004, você esqueceu de citar um pequenos detalhe- nós estávamos com o time TODO reserva. Não tinha NENHUM titular ali, e mesmo assim...


Nosso vitória no Mineirão foi tão baile quanto o deles, domínio total do Brasil. Falar que os gols foram de penalti tentando desmerecer o resultado me parece tão justo quanto mencionar, de levinho, que dois gols da Argentina no Monumental não nasceram do talento argentino mas sim de falhas individuais grotescas de Cafu e Roque Júnior.


Quanto a Copa América de 2007, fiquei até com pena deles. Vergonha alheia, como falam por aí. Se nem assim conseguem provar a tal superioridade, vão provar quando? No showball? Que superioridade metafísica é essa? Me lembra aquele papo de que eles são muito melhores "sem a bola" do que os brasileiros. Ô. Sem a bola eles são um show mesmo. Aliás, se não fosse a bola o Corinthians já teria conquistado umas sete Libertadores seguidas.


Lucas não é o melhor volante do Brasil(Hernanes é superior a meu ver) e é 4 anos mais novo que Mascherano. Na idade do Lucas o Mascherano só esperneava no River Plate e tomava bailes vergonhosos do São Paulo. Aliás, esse rapaz é um dos jogadores mais superestimados da história, mas é melhor nem entrar nesse mérito agora.


Idelber, o chileno Valdivia é a maior farsa da história palestrina e isso é óbvio ululante pra qualquer um que o acompanhe de perto há algum tempo e tenha mais que dois neurônios não-palmeirenses. É um jogador de jogos fáceis ou já resolvidos, que só conseguiu ganhar um (rufem os tambores...) campeonato paulista e com um time milionário em volta. Lembrando que, mesmo no paulista, na hora do aperto não foi ele que resolveu. Basta dar uma olhada nas finais. Foi uma nulidade nos dois jogos contra o São Paulo e mesmo contra a Ponte Preta, um jogo teoricamente fácil, só foi mostrar sua mágica no final da segunda partida, quando o placar agregado já mostrava um humilde 3x0 para o Palmeiras. Sei lá, vai ver estou enganado. Vai ver ele não joga em clássicos e finais porque todas as forças do cosmo conspiram contra ele. Vai ver os europeus também não entendem nada de futebol, dado que o interesse por Valdívia foi mínimo(pra não dizer nenhum), a ponto dele ir pra esta grande potência que é a Arábia Saudita. Talvez seja um erro menosprezar o campeonato paulista e Valdivia mereça meu reconhecimento por esta grande conquista, juntando-se ao panteão de craques de estaduais como Diego Tardelli e Gil. Formariam um belo trio, mas Valdivia teria de ficar bem pianinho entre os dois- pelo menos eles não sumiam do jogo quando a coisa esquentava.


Ah sim, existem farsas argentinas a dar com pau para rebater o seu argumento Robinho. Riquelme(não era nem reserva do Barcelona...), Aimar, Saviola, D´Alessandro... todos novos Maradonas. E Robinho não é reserva no Real Madrid. Foi o melhor jogador da equipe em boa parte da temporada, até se machucar e ficar uns bons 2-3 meses fora. Quando voltou realmente não conseguiu retomar o lugar, mas a temporada já estava acabando. Ainda assim, é um desempenho mais aceitável que o de Juan "Maradoninhas" Riquelme no futebol europeu.

Até concordo que somos arrogantes, mas ainda prefiro ser arrogante ganhando. Ou você prefere ser arrogante como os argentinos, tomando naba atrás de naba? Quando o Boca ganhou do Santos em 2003, seu técnico e também a imprensa exaltaram toda a superioridade do futebol argentino. Isso em 2003, com o penta fresquinho na cabeça!

Arrogantes eles também são, não deixaram de ser só porque tomaram algumas surras consecutivas.
Os problemas estruturais que você cita também existem no futebol argentino. O próprio Boca, só é o Boca por conta de algumas atividades financeiras suspeitas e de um projeto político do atual prefeito de Buenos Aires. É um São Caetano versão metrópole.


Me pergunto que inferioridade é essa em que o melhor jogador do mundo é nosso(assim como em 2002, 2004 e 2005, contra nenhum deles...), nossos clubes tem um desempenho melhor na libertadores, nossa seleção tem resultados sempre melhores ou iguais aos deles em competições internacionais e uma farta vantagem nos confrontos diretos recentes. Se conseguimos isso mesmo sendo inferiores, imagino o que vai acontecer quando nossa superioridade voltar.


(E pra quem teve de aguentar um monte de corinthiano torcendo pra Argentina na copa de 2006, falar em xenofobia no caso Tevez soa como piada. Ele foi xingado porque forçou a barra pra ir embora(como já tinha feito no Boca, diga-se de passagem), e porque a torcida do Corinthians(ou a gaviões, que seja) tem merda na cabeça e faz esse tipo de coisa o tempo inteiro. Foi bem pior com o Edílson, por exemplo.)

Ivan em agosto 20, 2008 2:40 PM


#68

Argentina é muito superior ao Brasil, principalmente pela garra e tática. Enquanto o Brasil ficar com este joguinho de puta, ou melhor, de galinha, ciscando para os lados, não tem que dê jeito!

Francisco em agosto 20, 2008 2:48 PM


#69

Belos argumentos, belos argumentos, Ivan. Estou lendo com atenção.

Idelber em agosto 20, 2008 2:50 PM


#70

Caro Idelber, simplesmente bravo!!
Seu texto é exemplar! Parabéns!

Ricardo B em agosto 20, 2008 2:53 PM


#71

Históricamente, nem melhor, nem pior, Idelber. Iguais. Os próprios dados de seu post corroboram isto. O que já está de bom tamanho para o futebol argentino, ser o único a não nos dever nada.
Penso que o jogador brasileiro, de um modo geral, é mais habilidoso (drible, inventividade, ginga, toque sutil), enquanto o argentino é mais técnico (marcação, chute, passe, cabeceio). Friso:- de um modo geral, pois há excessões de ambos os lados. Aliás, o jogador mais habilidoso de todos os tempos talvez seja Maradona, argentino, e o mais completo técnicamente Pelé, brasileiro. Mas são excessões.
Táticamente os argentinos levam vantagem, haja vista o maior número de títulos dos clubes. Mas já tivemos nossos momentos de superioridade sim- nossos três primeiros títulos mundiais são o maior exemplo disso.
Agora, o que definitivamente nos diferencia, o motivo de sermos pentacampeões mundiais e reverenciados no mundo inteiro é a inigualável quantidade de atacantes geniais que tivemos: Friedenreich, Leônidas, Ademir de Menezes, Pelé, Garrincha, Canhoteiro, Roberto Dinamite, Zico, Reinaldo, Careca, Romário, Ronaldo...Quantos argentinos você pode citar?

Guilevy em agosto 20, 2008 3:00 PM


#72

Friedenreich, Leônidas, Ademir de Menezes, Pelé, Garrincha, Canhoteiro, Roberto Dinamite, Zico, Reinaldo, Careca, Romário, Ronaldo...Quantos argentinos você pode citar?

Sim, Guilevy, mas o meu argumento era sobre os últimos anos. Sobre a história passada eu não contra-argumento; acho, sim, que tivemos mais craques ao longo da história.

Idelber em agosto 20, 2008 3:14 PM


#73

Os goleiros argentinos estão na pior fase, na minha visão. Abbondanzieri e Lux são fracos afú.

Para citar os 10 goleiros: Marcos (Pal), Ceni (SP), Victor (Gre), Gomes (PSV), Julio Cesar (Int-Mil), Fabio (Cru), Helton (Por), Bruno (Fla), Diego (Pal) e até o Doni (Rom) (tá, o Doni talvez não...) pegariam FÁCIL a camisa 1 argentina. E quando disse dez goleiros não tinham pensado neles. É que a fase dos "guarda-redes" dos hermanos anda terrível.

Moysés Neto em agosto 20, 2008 3:58 PM


#74

Idelber: há coisa de dois ou três anos, passei por uma das situações mais constrangedoras da minha vida ao levar um jornalista argentino, recém-chegado à Campinas, para conhecer os botecos da cidade. Logo na primeira parada, um bar que sempre tive em alto conceito, a decepção: ao apresentar o jornalista como "um amigo argentino", todas as conversas se voltaram para nós. Seria melhor dizer contra nós. Sem nem perguntarem o nome do sujeito; sem nem perguntarem se ele gostava de futebol; sem nem perguntarem o que ele estava fazendo no Brasil, passaram a acusá-lo de "gringo arrogante" e a despejar nele toda a xenofobia anti-argentino que nós negamos cultivar. O pobre do argentino mal conseguia abrir a boca e, quando percebeu que os xingamentos eram sérios, que as ofensas não eram meras brincadeiras, disse que estava com receio de continuar ali e que seria melhor irmos embora. Era, de fato, o que eu estava fazendo antes mesmo que ele comentasse: paguei a cerveja e fomos embora, deixando a garrafa pela metade. No caminho de volta, visivelmente aborrecido e inconformado com a situação, ele pediu para que comprássemos algumas cervejas no supermercado e fossemos beber em minha casa. Imagine só o meu constrangimento... Ainda mais porque fui tratado com toda educação e respeito quando estive em Buenos Aires...

Agora, é evidente que não se pode generalizar e acusar todo o povo brasileiro de xenófobo e todo o povo argentino de educado e polido. Porém, do pouco que conheci da Argentina, tenho a sensação de que esse sentimento de "anti" é muito mais nosso do que deles. Em Buenos Aires - e você, que já esteve lá, sabe disso - é possível ouvir música brasileira nas rádios. Os taxistas ouvem Tom Jobim, Maria Bethânia, Chico Buarque, Milton Nascimento, Vinicius de Moraes... E gostam de falar sobre MPB quando dizemos que somos do Brasil. O que sabemos nós da música argentina? Quanto muito, os cinqüentões nostálgicos falam em Mercedes Sosa. Ou seja, paramos nos anos 80.

Na final da Copa América (quando ganhamos nos pênaltis depois daquele gol do Adriano, aos 45 do segundo tempo), eu estava em Buenos Aires, com a camisa amarelinha, torcendo para o Brasil num bar. Terminada a partida, não ouvi um só insulto ou me senti ameaçado. Teve até um casal de argentinos que veio me cumprimentar. O garçom trouxe um chope por conta da casa e brincou dizendo que havia botado veneno na caneca. O clima era de decepção entre os argentinos, mas não havia agressividade contra o Brasil ou os brasileiros.

Enfim, são cenas isoladas que não refletem o conjunto da nação, mas que ajudam a dar uma idéia do inconsciente coletivo dos povos.

Bruno Ribeiro em agosto 20, 2008 4:01 PM


#75

Na boa, dizer que os clubes argentinos são tão superiores aos brasileiros não é verdade.Até me surpreendo que ninguém tenha chiado aqui.
Primeiro, é preciso dizer: existem os times argentinos e existe o Boca Juniors (um time que se tornou gigante em termos de Libertadores já nos anos 00).
A superioridade xeneize em competições sul-americanas às vezes dá a impressão de que a Argentina está realmente tão bem assim no futebol de clubes. Mas é só olhar que o River não é campeão da Copa desde 1996, que o Independiente levou tudo em uma época específica e que o Estudiantes só faz sombreado há um tempo- nem vou falar do San Lorenzo de Almagro, para ver que isso não é verdade.
Só olhar também que desde 2005, dos 8 finalistas, 5 foram brasileiros (um por duas vezes), 1 argentino e 1 equatoriano.
---
Confrontos entre Brasil e Argentina em 2006 na Copa:
Palmeiras 2 a 2 Rosario
0 a 0
Goiás 3 a 0 Newell´s
0 a 0
River 4 a 1 Paulista de Jundiaí
1 a 2
River 3 a 2 Corinthians
3 a 1
Estudiantes 2 a 0 Goiás
1 a 3
Estudiantes 1 a 0 São Paulo
0 a 1 (nos pênaltis, deu São Paulo).
A final foi brasileira (como a de 2005, aliás, ano em que o São Paulo venceu o River no Monumental e no Morumbi).
---
2007
Vélez 3 a 0 Internacional
0 a 0
Santos 3 a 0 Gymnasia y Esgrima
2 a 1
Boca 3 a 0 Grêmio
2 a 0
---
2008
Cruzeiro 0 a 0 San Lorenzo
3 a 1
FLuminense 6 a 0 Arsenal de Sarandí
0 a 2
Cruzeiro 1 X 2
1 X 2 Boca
Boca 2 X 2 Fluminense
1 X 3


Desculpe o exagero dos resultados (e um post enorme), mas o saldo (11 vitórias argentinas, 7 empates e 9 vitórias brasileiras) demonstra que não há essa vantagem argentina toda não.

Rafael em agosto 20, 2008 4:02 PM


#76

Só complementando o Ivan: o Riquelme é um BAITA jogador (eu, gremista, que o diga infelizmente), mas equivale ao nosso Alex. Os dois têm as mesmas qualidades e defeitos. Já os outros meias (D'Alessandro, Aimar, etc.) simplesmente desapareceram quando foram para a Europa. Nenhum amarra a chuteira do Kaká (fora o Riquelme).
E concordo plenamento com o caso Robinho: ele vinha sendo o melhor jogador do Real até se machucar. Possivelmente é do mesmo nível, talvez melhor, que o Tevez, embora quase certamente ficará atrás do Messi como grande jogador.

Só para deixar claro que não sou nenhum ufanista, critico o futebol jogado no Brasil, acho que temos muito a aprender em tática e que os hermanos tocam a bola como ninguém, produzindo (quase) tantos craques com o Brasil, com a vantagem de serem mais profissionais. Só que não dá para tirar o valor do Brasil, a meu ver.

Moysés Neto em agosto 20, 2008 4:04 PM


#77

vejo as pessoas esquecendo de que nomes - apenas - não fazem bons times... temos mais que bons nomes, temos ótimos nomes, e sim, temos nomes pra fazer pelo menos duas seleções de primeiro nível. Não é arrogância dizer isto, é uma constatação. Note, entratanto, que estou ainda dissertando sobre possibilidade de.
Nomes não fazem os times, aí começamos a entrar nos fatos. Temos feito poucos times no Brasil ultimamente. Com times quero dizer um Grêmio de 95, um Palmeiras de 93, um São Paulo de 2005, um Inter de 2006... são raros, e aí ganham os campeonatos... e são raros por motivos diversos, como a cultura do cai-cai, as más arbitragens, a cartolagem vampira, as vendas prematuras... todo um modus operandi que toma uma certa forma e gera certas conseqüências sobre o modus operandi que, enfim, mais interessa, aquele dentro das quatro linhas... os jogadores mudam a cultura de jogar bola, mudam anseios (ir pra Europa é um desejo anterior, por exemplo, que vestir a amarela - sem falar que aquilo virou um pré-requisito disto), perdem-se identidades... e tudo reflete obviamente sobre a seleção, onde, por sinal, não há técnico...
deveria funcionar assim: primeiro formem times decentes, vejam como se faz, COPIEM E COLEM para a seleção, no sentido ótimo.

Rômulo Arbo Menna em agosto 20, 2008 4:08 PM


#78

Perfeito e infelizmente típico o seu relato, Bruno. Condiz com a minha experiência também. Eu já fui à Argentina umas 15 vezes. Nunca, nunca fui hostilizado em situação nenhuma. Por isso eu bato tanto nessa tecla. Claro que nem todos os brasileiros são assim. Mas é muito, muito comum. Nós temos que prestar mais atenção.

Idelber em agosto 20, 2008 4:08 PM


#79

e só pra deixar registrado, concordo com o Moysés sobre os goleiros

Rômulo Arbo Menna em agosto 20, 2008 4:09 PM


#80

Eis aqui um extraordinário link deixado pelo Frank sobre o assunto. Coisa séria, de quem estudou o tema.

Valeu, Frank.

Idelber em agosto 20, 2008 4:13 PM


#81

e pra não dizer que não falei na Argentina, penso que eles estão, no momento, acima do Brasil, por este senso de time... e acredito que eles estão numa fase inicial disto ainda, muito aquém donde deveriam estar - tal como o Brasil - no indiscutível topo do futebol mundial

Rômulo Arbo Menna em agosto 20, 2008 4:13 PM


#82

Acho que o maior problema do futebol brasileiro, atualmente, é estrutural. Não dá para sobreviver com um mínimo de estrutura depois de 20 anos de sangria, com nossos melhores jogadores saindo do país. Atualmente, todo jogador melhorzinho do brasileiro vai embora antes do final do ano, ainda na tal 'janela' de agosto.

Junte-se a isto uma mentalidade paternalista dos dirigentes, um total despreparo dos técnicos em geral (Outro dia estava discutindo qual técnico poderia substituir o Renato Gaúcho no meu Fluminense e, juro, não consegui pensar em nenhum que me agradasse de verdade) e, no fim, não há futebol de qualidade que resista.

No meu ponto de vista, o futebol brasileiro teria condições de oferecer o melhor 'produto' para as TVs internacionais, bastando que conseguíssemos nos organizar e manter os craques - como é que você vai vender um campeonato em que todos os melhores jogadores têm menos de 20 ou mais de 30? E com o risco de os que têm menos de 20 saírem no meio da brincadeira?

Eu bem que vejo os jogos dos campeonatos europeus, na busca desesperada por qualidade. Sinceramente, nem 10% dos jogos são bons ou prazerosos de serem vistos (o que não é defesa do futebol brasileiro, aqui a taxa não deve chegar a um jogo bom por rodada do campeonato, se tanto).

Radical Livre em agosto 20, 2008 4:30 PM


#83

Moysés, só para eu ter certeza, e sem querer de forma nenhuma pentelhar: quantos jogos você viu de Juan Pablo Carrizo, Oscar Ustari, Mariano Andujar, Mauricio Caranta, Agustín Orión, Hilario Navarro e Sergio Romero?

Porque, sinceramente, dizer que Bruno ou Fábio de Costas seriam titulares na Seleção Argentina, para mim, é o equivalente de Lya Luft é melhor que Borges. É daquelas coisas que a gente olha e diz: então tá!

Eu não tenho condições nem tempo de compilar vídeos ou números desses goleiros aqui, mas dê uma olhada, no caso de que você não os conheça.

Idelber em agosto 20, 2008 4:32 PM


#84

1) Li meses atrás o livro do Zé Miguel Wisnik sobre o futebol. Terminei com a impressão de que ele fala de algo que não existe mais. Aquele futebol brasileiro descrito por ele existiu de 1958 a 1982. Fora desse período, o jogador brasileiro é um tipo ideal, para falarmos em sociologia. Não existe uma essência do futebol brasileiro. O que existiu foram grandes jogadores. Hoje não tem mais.
2) A Copa de 94 foi vencida na solidão por Romário. No conjunto, teve um efeito danoso de nos fazer acreditar nesse mitologia do futebol brasileiro.
3) Os comentaristas da Globo são eternos governistas, serão sempre a favor. Eles não "podem" falar mal do time brasileiro porque isso espanta a audiência. O Brasil pode estar na lona, mas o Galvão Bueno precisa falar à exaustão "vamos que ainda dá". Não é torcida, é para segurar a audiência (além de uma pitada de perversidade).
4) O goleiro Júlio Cesar é um dos poucos a segurar as pontas. Teve um Brasil 2 x 0 Uruguai no ano passado, em pleno Morumbi, que foi de chorar. O Brasil ganhou por mera fatalidade e pelas defesas sobrenaturais do Julio Cesar (ele tem salvado a seleção nas eliminatórias).
5) Choremos: Galvão Bueno tem contrato com a Globo até 2014.

enio em agosto 20, 2008 4:43 PM


#85

Nossa, Galvão até 2014. Sem comentários...

Idelber em agosto 20, 2008 4:52 PM


#86

Idelber, perdemos de 3x0 fora o baile. A Argentina jogou muito e merecia ganhar até de mais... Concordo com sua análise: existe um complexo de superioridade embutido na nossa cachola (talvez pelos 5 títulos mundiais) que nos faz desprezar qualquer adversário futebolístico, especialmente os argentinos, adversários historicamente duríssimos. E olhe, pela BOLA que eu vi que esse Messi joga, acho que vamos pegar uns 10 anos de sofrimento pela frente, no mínimo...
Abração!

Olivio Pavanelli Filho em agosto 20, 2008 5:00 PM


#87

E o contrato do Galvão Bueno é de R$ 100 milhões até 2014. É o que ele vai ganhar por sete anos de contrato. Quer mais: ele criou em Londrina (PR) a Fundação Galvão Bueno.

enio em agosto 20, 2008 5:17 PM


#88

Idelber: alguém levantou a bola sobre o Schumacher, outro exemplo claro da xenofobia brasileira no esporte: para o Garganta Profunda, a grande imprensa esportiva e a maioria dos brasileiros, Senna foi muito melhor (e engraçado no caso do Senna, como no caso do futebol também é que outros atletas brasileiros mesmo são jogados à margem para que só um seja endeusado: na F1, só ouvimos falar de Senna, nada de Fitipaldi ou Piquet; sobre a seleção de 94, só de Romário - tudo bem que o time era ruim, mas não é pra dizer que ele ganhou sozinho a Copa). Abração

Alexandre Nodari em agosto 20, 2008 5:46 PM


#89

Concordo contigo. Os jogadores brasileiros realmente não são os melhores do mundo. Hoje, na primeira linha do futebol mundial temos apenas o Kaká, um jogador que evoluiu muito do ponto de vista físico e tático depois que foi para a Europa. Continuo achando o Ronaldinho Gaúcho um jogador diferenciado, porém visivelmente fora de forma. Os demais são apenas bons jogadores, porém do mesmo nível de dezenas de jogadores de outros países. Adequadamente treinados, podem dar resultados. Agora é necessário dar um desconto também para a péssima preparação brasileira para essa Olímpiada. Acho que os deuses do futebol agiram certo ao dar a vitória para a Argentina, Uma vitória brasileira significaria apenas um alento para uma ilusão coletiva...

José da Silva em agosto 20, 2008 5:48 PM


#90

Os torcedores e os comentaristas brasileiros não são patriotas. São "patrioteiros". O Brasil chegou, sim, num determinada época, a ter o melhor futebol do planeta. Mas já passou. Não é mais assim. Se temos 5 copas do mundo, a Itália tem 4. E agora? A Alemanha, 3. Isso sem falar nos "apitos-amigos" que tivemos em várias delas. Idelber, quer apostar que alguém vai falar da final de 66??? espere só...O futebol argentino sempre foi brilhante. Ganharam 14 Copas América, nós oito. Em termos de clubes, eles têm mais títulos na Libertadores do que nós. Li no blog do Kfouri um "patrioteiro" escrevendo que isso só aconteceu porque antes não havia exames anti-doping e transmissão via TV!!! Quando nós ganhamos, somos os maiorais. Quando os outros ganham, houve mutreta, doping, marmelada, o juiz é comunista(como em 54). Sempre os outros é que são catimbeiros, violentos, provocadores. Nós somos uns santinhos. No final da maratona aquática, o repórter da Band, entrevistando a competidora brasileira, só falava nas "pernadas e cabeçadas" que ela tinha levado da inglesa. Acho difícil uma pessoa, nadando numa final olímpica, em primeiro lugar, ter tempo p/ dar cabeçada numa outra nadadora. É esse "patrioteirismo" que nos atrapalha, às vezes...


João Duarte G.Filho em agosto 20, 2008 5:51 PM


#91

Exato, exato, João Duarte e José da Silva. A vitória teria sido enganadora e ruim para nós a longo prazo. Eu insisto muito nessa tecla.

Na mosca, Alexandre. Também acho que Romário foi um gigante na Copa de 1994, mas ganha sozinha, sozinha por alguém, só a Copa de 1986. Aquela sim, a sensação era de que Maradona no time da Argélia teria levado os caras ao título. Em 1994, o Parreira -- por quem não tenho nenhuma simpatia -- armou um time muito competitivo. A defesa era um ferrolho. O goleiro era excelente. Bebeto foi muito bem. Romário brilhou, mas havia um conjunto ali.

Idelber em agosto 20, 2008 5:56 PM


#92

Onde é que eu assino?

E digo mais -- vou torcer pra eles contra a Nigéria! (como torci na última partida contra a seleção principal do Brasil). Essa rivalidade cega tem efeitos nocivos no futebol, mas também na política e em todos os domínios culturais. Lamentável!

Excelente post, Idelber

Leonardo Bernardes em agosto 20, 2008 6:18 PM


#93

Muito boa mesmo esta caixa. Discussão de primeira, com discordâncias bem fundamentadas...

Passei o dia inteiro nesta porra. Agora vou trabalhar. Pilotem a bodega, no que restar de papo.

Idelber em agosto 20, 2008 6:52 PM


#94

(Goleiros)
Então o problemas são os treinadores da seleção, pois realmente não conheço estes, mas os titulares são horríveis.
De qualquer forma, dos que citei tiraste apenas dois (ou três, se contarmos Doni), o que significa que sobram 6 em plenas condições (sem contar o Dida).

Moysés Neto em agosto 20, 2008 6:53 PM


#95

By the way, pessoal, os 3 melhores do mundo são Messi, Kaká e Cristiano Ronaldo. Um é brasileiro. O melhor de todos - precocemente aposentado - também é brasileiro. Não estamos tão mal assim, estamos? Por esse critério de "primeira linha" eu incluiria apenas o Messi de argentinos. Tevez, Riquelme, Mascherano, Aimar, Crespo e outros são bons jogadores, mas não craques de nível mundial.
Sinceramente, não consigo enxergar a superioridade argentina, nem de perto. Acho que o Brasil está mal-escalado, mal-treinado e também atravessa um período de transição que causa a escassez em algumas posições. Se a equipe estivesse bem estruturada, veríamos nossos meias voando.

Moysés Neto em agosto 20, 2008 6:58 PM


#96

Bom, só gostaria de dizer que vou torcer pra Nigéria, mas não porque sou anti-argentina. Achei fenomenal este post do Idelber. Ele me prova o que já achei improvável, que é: ser inteligente e torcedor de futebol ao mesmo tempo é possível. Eu tinha enormes preconceitos quanto à cultura futebolística, apesar de gostar do jogo em si. Mas esse negócio de vestir camisa, se identificar com um time, do jeito que a coisa é feita, é tão besta! Mas a gente vai vendo as coisas por outros ângulos, se tem alguma honestidade... torço pra Nigéria porque acho a Nigéria mais próxima de nós, culturalmente, que a Argentina. Gosto do candomblé bahiano e ele tem muito de Nigéria. Ou seja, é uma forma de ainda torcer pelo Brasil...

Pedro Lobato Moura em agosto 20, 2008 8:22 PM


#97

Eu não torço pra seleção brasileira. Não por causa de Dunga ou Teixeirão, nada disso. Há um quê de irracional em todo torcedor e eu, sabe-se lá o porquê, me apaixonei pela Squadra Azzurra, com quem sofri na Eurocopa e agora nas Olimpíadas. Mas se fosse torcedor da seleção brasileira, não deixaria de torcer por causa desses caras. Sou vascaíno e nunca torci pro Vasco se ferrar pra acelerar a saída de Eurico. Você torce contra o Galo por causa das lambanças dessa diretoria que montou, no ano do centenário, um dos piores times que eu já vi o Galo ter? Até o Geninho foi técnico! Contratar o Geninho já é sacanagem , mas contratá-lo no ano do centenário devia ser considerado crime.

Dessa vez, pelo menos, o Galvão reconheceu a derrota numa boa e reclamou dos jogadores que foram expulsos: 'Na Copa das Confederações, na Copa América, eles perderam e não foram pra pancadaria'; depois de uma falta não me lembro de quem: 'eu já tou torcendo pra acabar logo o jogo, pra não ficar ainda mais feio pro Brasil'.

Abraços.

Ismael Grilo em agosto 20, 2008 8:22 PM


#98

Eu ia escrever um cometário enorme, mas o Ivan no comentário #67 fez todo o trabalho por mim, e mais um pouco!

"Sobre Copa América de 2004, você esqueceu de citar um pequenos detalhe- nós estávamos com o time TODO reserva. Não tinha NENHUM titular ali, e mesmo assim..."

"té concordo que somos arrogantes, mas ainda prefiro ser arrogante ganhando. Ou você prefere ser arrogante como os argentinos, tomando naba atrás de naba?"

Parabéns pela lucidez!

Fabiano Pires em agosto 20, 2008 8:28 PM


#99

HUAHUAHUAHUAHUAH SENSACIONAL ESSE TEXTO

Para quem sabe inglês, é imperdível. Alguém aí que tiver tempo e ânimo, traduza e publique, porque vale a pena que todo mundo leia.

(Via Impedimento, o link).

Idelber em agosto 20, 2008 9:05 PM


#100

Idelber, impossível ler os 98 comentários deste seu post. Mas enfim, darei meu pitaco. Não acho que o futebol argentino esteja superior ao brasileiro já há algum tempo: creios que ambos estão equivalentes, com leve vantagem pro Brasil. Eles levaram Messi e Riquelme pras Olimpíadas e eu vou lhe dizer sinceramente: o primeiro fez uma baita diferença; o segundo ficou só na toca comandando.

Não sou louco a ponto de dizer que se tivéssemos mais organização e um treinador melhor, ganharíamos COM CERTEZA a partida. Derrota pra Argentina é resultado normal, do jogo. Perdeu, perdeu, fazer o que. Agora, NO MÍNIMO, com mais planejamento e um treinador bom, não teríamos perdido levando o vareio que levamos. O Brasil ficou perdidaço depois do segundo gol, não deu um chute a gol. E aí a Argentina pintou e bordou.

E tem outra coisa: mesmo com um time mais tosco, com planejamento ruim e com treinador inexperiente, o Brasil ainda consegue alguns resultados que enganam o atual estado do futebol nacional. Lembro-me que quando ganhamos a Copa América, o Olé (que agora tá todo assanhadinho na provocação ao Brasil), colocou uma capa com o título "R.I.P.", dizendo que a seleção principal da Argentina não ganhava nada há muito tempo, mesmo quando tinha jogadores bons. A conclusão era algo mais ou menos do tipo "joga tudo fora e começa do zero".

É isso.

Abraços,

André em agosto 20, 2008 9:06 PM


#101

Idelber, belo post e caixa de comentários senscional--que lerei inteirinha com a atenção que ela merece--.

Quanto ao tema, vejo da seguinte forma:

1-Hoje a seleção da Argentina é melhor que o Brasil no futebol? Sim, especialmente nas divisões de base onde a diferença técnica entre elas é maior. A seleção olímpica da Argentina é melhor que o Brasil olímpico numa proporção maior do que os times principais. Isso se constata através do fato que a Argentina está há 15 anos sem ganhar um título com seu time profissional, no entanto, faturou muita coisa com suas divisões de base no mesmo período. Há algo de errado com essa transição. Por sua vez, a seleção brasileira profissional alternou altos e baixos muito acentuados nos últimos dez anos, só que ganhou mais títulos que a Argentina. Ainda assim o momento é mais da Argentina do mesmo jeito que era em 2002 e as coisas aconteceram ao contrário e como também era na Copa América de 2007 e ocorreu o imponderável.

2-A atual safra da Argentina é melhor que a do Brasil? Sim. Nós temos melhores goleiros, eles tem melhores zagueiros, volantes, meias que somam qualidade com disciplina tática e melhores atacantes. Ainda assim é o tipo da diferença que pode diminuir ou ser revertida no médio prazo, ressalvando a zaga onde eles realmente são muito melhores que a gente e levararia muito tempo para o Brasil forjar quadros que superassem os argentinos--se isso acontecesse--. Mais que isso, a postura do jogador argentino em campo é melhor, muito melhor que a do brasileiro. Os jogadores brasileiros hoje em dia são condicionados a jogarem para si mesmos e não para o conjunto, só ouvem os empresários, não respeitam técnicos e querem que os clubes se danem. Tem muito jogador brasileiro de potencial alto arruinando a carreira por conta da síndrome de garoto-propaganda.

3-Gosto do PVC, mas ele vem enrolando muito nos últimos tempos e acabou levando um upper na ponta do queixo. A venda de Valdivia para os Emirados Árabes (para os Emirados Árabes!) foi um erro que pode custar o título brasileiro para o Palmeiras.

4-Há uma incontestável xenofobia no futebol brasileiro. Os gringos talentosos apanham mais do a média e isso só acontece porque os árbitros fazem vista grossa para isso.

Hugo Albuquerque em agosto 20, 2008 9:24 PM


#102

João Duarte, as histórias da Libertadores não são lorota. Existem relatos e mais relatos, de gente respeitável. Você quer dizer que são todos invenções, mentiras deslavadas? Eu sinceramente, não acredito. Assim como não acredito que seja coincidência o fato de que junto com as transmissões pela tv vieram as conquistas.

E quem lembra do Coloccini na final da Copa das Confederações ou do Mascherano contra o São Paulo sabe o quão hipócrita foi a declaração desse último. O "show" que esses dois deram nessas ocasiões foi bem maior que o de Thiago Neves ou Lucas. Era só o que faltava, tentar transformar uma atitude comum e banal dessas em mais um esteriótipo brasileiro. Aliás, um saco de tremoço pra quem adivinhar qual seleção arranjou confusão com a Alemanha em 2006, depois de perder nos penaltis...

Só pra registrar, concordo que essa derrota foi boa a longo prazo. Desde que ela seja o suficiente pra derrubar o Dunga, agora ou num futuro muito próximo. Ter o sujeito como técnico na copa seria um desastre.

Ivan em agosto 20, 2008 9:34 PM


#103

Ivan, a história do doping na Libertadores dos anos 60 é balela, a não ser que você me apresente bibliografia.

Pressão sobre os árbitros, catimba, fungação no cangote da delegação visitante, corpo-a-corpo duríssimo durante a partida, tudo isso é fato. E é do jogo.

Mas temos que acabar com essa história de dizer que entre o Santos de 1963 e o Cruzeiro de 1976 o Brasil não ganhou nada porque eles roubaram. Chega, gente. O Brasil não é o centro do mundo. O Palmeiras foi lá, tentou, não ganhou. O Galo também. O Inter também. É isso. Os caras ganharam com méritos. Que coisa!

Idelber em agosto 20, 2008 9:50 PM


#104

As derrotas ou as vitórias, neste grande clássico do futebol mundial, deixam as pessoas meio descompensadas, e parecem que todas, até aqueles mais sensatos.
Temos que ter um pouco mais de cuidado nos comentários, tão taxativos como os do triste locutor da Globo.
A Argentina foi melhor no jogo, tinha um time melhor na competição, uma preparação melhor e pronto!!!
Agora produzir vaticínios como o seu, ou o do jornalista Juca Kfouri, que chegou a conclusão por uma série de contas matemáticas, sem nenhuma mediação que a Argentina é a maior potência do futebol mundial, depois de anos “babando”por Pelé, Didi, Garincha, e outros, é lamentável.
Fica a discussão restrita ao bate-boca. Se a seleção da Argentina é tão superior assim a nossa (e também as outras), porque não ganha algum título significativo no cenário mundial ???? Digamos uma copa do mundo!!!!
Vir com argumentos do tipo apresentado por Idelber ( o goleiro machucou no jogo contra a Alemanha, o técnico errou, ou coisitas do tipo) fica muito próximo da lenga-lenga, essa brasileira, do choro de 82 ou 86, e serve como desculpa para não analisar os erros do “deus” Telê!!!!!
Assim só pode ser mesmo uma “longuíssima peroração sobre o indizível em futebol” .

Prá terminar: xenofobia também não é andar nas principais lojas de Buenos Aires e não conseguir encontrar uma mísera camisa da seleção canarinha?????

Abraços,

Renato
PS.: Fora Dunga!!!

Renato em agosto 20, 2008 10:38 PM


#105

Idelber, eu falava da pressão e da violência. Nunca ouvi falar em doping. O que é extensamente documentado é o sarrafo que era distribuído indiscriminadamente, com a complacência de um árbitro que, sabiamente, pretendia sair inteiro do estádio. O famoso "quem tem, tem medo".

E se mencionei é porque eram em níveis inaceitáveis, bem diferente do que se tem hoje. Uma total falta de segurança para os jogadores(recebendo todo tipo de objeto arremessável das arquibancadas) e, não mais importante mas mais decisiva, total falta de segurança PRO ÁRBITRO. Tanto no campo quanto na estrutura do estádio, corredores, vestiários, etc. Uma versão piorada dos momentos mais desprezíveis de São Januário(salvo copa JH), que quando acontecem sempre desprezamos e chamamos de "Euricada". Se hoje apitar imparcialmente já exige um certo culhão, antes exigia, digamos, um certo desapego a essa vida terrena. Pra mim isso não é do jogo não.

Ah sim, os times europeus tinham reclamações similares. Vinham aqui jogar o mundial de clubes e apanhavam até dizer chega, ao ponto de terem desistido da competição. Só voltaram, veja você, quando a mesma foi reestabelecida em campo neutro.

E me desculpe, mas é fato que os times brasileiro desdenhavam da Libertadores por causa desse tipo de coisa. Telê queria até botar o time B em 92, mas foi convencido porque a diretoria do São Paulo, e SÓ a diretoria do São Paulo, tinha a Libertadores como projeto.

Agora, se quiserem ver coincidências mil na mudança completamente brusca de vitórias brasileiras na competição, fiquem a vontade. Nesses 10 anos ganhamos mais Libertadores do que nos primeiros 32.

Ivan em agosto 20, 2008 11:04 PM


#106

Idelber,
tirando o seu julgamento sobre o Júlio César, que como goleiro está bem acima do Ceni, o post está muito bom, embora eu nao seja tao definitivo assim sobre a disparidade de forcas.
Desculpe a ortografia, mas teclo da Suécia, rs.

Joäao Marcelo em agosto 21, 2008 8:51 AM


#107

Ivan: Sim e não. Você tem toda a razão que antes a porrada comia solta. É verdade que a uniformização das regras, a globalização do futebol e o papel fiscalizador da televisão tiveram uma função na melhora significativa que teve a coisa. Perfeito. O meu único problema aqui é que nós temos a tendência de achar que isso era exclusivo dos argentinos e uruguaios, e não era. A porrada comia solta no Brasil também. Há cada Fla x Flu nos anos 40 que você não acredita. O Atlético x América que decidiu o Mineiro de 1949 foi uma batalha campal. Não era incomum que nego saísse com a cabeça rachada. Mas muitos brasileiros ainda atribuem a violência só aos platinos. É só esse o meu argumento

Quanto ao desinteresse: sim e não. Você tem razão no sentido de que o Santos, depois de ganhá-la em 62 e 63, passou a priorizar as excursões, que davam muito mais dinheiro. Isso é fato. Mas não é verdade que o Brasil "desprezou" a competição durante décadas. O Palmeiras pôs tudo na Libertadores de 1968 e perdeu para o Estudiantes. O Galo contratou o maior goleiro do mundo para disputar a de 1972. O São Paulo jogou tudo na de 1974, chegou na final, e perdeu. O Inter perdeu a de 1980 dentro do Beira-Rio, e pergunte a qualquer Colorado se a equipe desprezou aquela Libertadores.

Mesmo assim, tem gente que conta a história da Liberdadores dizendo que o Santos venceu duas nos anos 60 e depois o Brasil "desprezou" a competição por 30 anos. Simplesmente não é verdade.

Idelber em agosto 21, 2008 8:51 AM


#108

Sobre o jogo com a Argentina: ganhou o melhor. Sobre os últimos anos, não acompanho o futebol argentino para opinar, mas aqui no Brasil a mediocridade campeia mesmo.

Off: Ontem o Cruzeiro sentiu na pele o que é ser garfado descaradamente pela arbitragem, no jogo com o Botafogo. Expulsão e penalti tirados da cartola, o dobro de cartões amarelos para o mesmo número de faltas... Os mais antigos dizem que só não foi maior do que a roubalheira de 1974 contra o Vasco porque essa era uma final. Bozzafogo, é o novo nome do soprador.

Leo Vidigal em agosto 21, 2008 11:13 AM


#109

Prezado Idelber.

Tenho 67 anos e vi o Pelé e o Maradona quando estavam em sua melhor fase física e técnica.

Não há termos de comparação entre ambos. É uma verdadeira sandice afirmar que Maradona foi melhor que Pelé e, no entanto, a grande maioria dos argentinos acreditam em tal sandice.

Em termos de arrogância os argentinos são insuperáveis.

Concordo que o futebol argentino aravessa um melhor momento que o brasileiro.

Já quanto a arrogância os argentinos nos superam desde priscas eras.

Um grande abraço,

Cléverson.

Cléverson Faria Costa em agosto 21, 2008 3:15 PM


#110

Caro professor,

Concordo com cada letra que aqui escrevestes. Esperei anos para ler um brasileiro lúcido no futebol. Obrigado.

Anon em agosto 21, 2008 6:52 PM


#111

Idelber,

Eu estou mais preocupado é com o Galo. Já era hora de estar chegando no Mineirão, mas não irei. Assim como eu, vários atleticanos fanáticos estão ficando indiferentes. Dom Serafim veio a público pedir união entre as facções. Não creio que o problema seja oposição política à diretoria que não existe, mas completa incompetência e pirraça ( e má-fé?) dos atuais dirigentes. Penso que a situação do Ziza está ficando insustentável. Qual sua opinião sobre a crise e o que você propõe?

Lincoln em agosto 21, 2008 7:26 PM


#112

Lincoln, meu caro, minha posição é que é necessária uma lavada geral no Galo. Ziza tem que renunciar, tem que ser feita uma auditoria, e o vasto leque de atleticanos que querem moralizar a coisa devem se unir em torno de um nome. A situação é grave, gravíssima. Eu realmente não sei por onde começar. A última vez em que um movimento de atleticanos tentou apresentar uma alternativa, rolou até assassinato. O nosso Galo realmente está em perigo.

Idelber em agosto 21, 2008 7:34 PM


#113

Idelber, fiz um post lá no meu blog pra apimentar o debate Brasil x Argentina. O link é esse: http://avoltadosquenaoforam.wordpress.com/2008/08/21/velha-rivalidade-em-numeros/

Abraços,

André em agosto 21, 2008 11:06 PM


#114

"e o vasto leque de atleticanos que querem moralizar a coisa devem se unir em torno de um nome. A situação é grave, gravíssima. Eu realmente não sei por onde começar."
Sei de seus inúmeros afazeres, mas pela causa você poderia abrir um espaço restrito a atleticanos neste blog e mediar um debate com pessoas de bem para encontrarmos uma saída deste beco.

Lincoln Pinheiro Costa em agosto 21, 2008 11:31 PM


#115

Venho dizendo aos amigos que naum gosto de futebol. E o povo fanático acha que é algum trauma, alguma sacanagem que me fizeram, mas a verdade é que racionalmente os fatos demonstram que tenho razão. Fatos que se sucedem em intermináveis notícias, todas tratadas pela imprensa como pontuais e acidentes. Pois escandalos, corrupção, falencia, dívida, enganação, nunca foi acidente, é sintoma da podridão.
Pelo menos o futebol profissional deixou de ser esporte e tornou-se novela: A gente acha que é de verdade, mas é só teatro.

O pior é que Galvão Bueno e muitos outros, passam a mão, literalmente, na cabeça dos bandidos. Eles deveriam, por obrigação e dever, denunciar aos torcedores o que acontece. O torcedor, o telespectador, o leitor de jornais tem o direito à verdade. É para isso que eles trabalham, ou deveriam trabalhar. No entanto, eles se escondem atrás do fachada carcomida do "melhor futebol do mundo". Para vender ufanismo barato e mal cheiroso. É porisso que ninguem suporta o Galvão Bueno. Pq não tem discurso magistral que pode transformar mentira em verdade.

Raul Cosmo em agosto 22, 2008 4:22 PM


#116

Se reproduz no futebol a estrutura de exploração das demais riquezas. Não são "formadas" e "exploradas" para servir à comunidade, ao time, ao reconhecimento das competências nacionais no esporte. Não treinam para ganhar, para vencer competidores do mesmo porte, para disputar entre os melhores adversários. São preparados para serem vendidos, obterem lucros privados, terem visibilidade igual mercadoria em vitrine.
Enquanto o mérito dos vencedores no atletismo é apenas deles, que insistem sem apoio e sem patrocinio, com critica e sem dinheiro a continuarem competindo. O jogador de futebol tem tudo e não pode nem pensar em parar, não para orgulho dos torcedores, mas para valorizar o passe na hora da venda.
Eu não gastaria um centavo do meu dinheiro e nem um minuto do meu tempo para assistir campeonatos que são a somatória de incompetências dos dirigentes.

Raul Cosmo em agosto 22, 2008 5:19 PM


#117

Idelber,

Concordo com suas conclusões, mas acho que tem muito mais no meio disso tudo do que "apenas" futebol ou problemas estruturais.

Entre Brasil e Argentina existe, sim, uma diferença de postura perante a vida e o mundo. Ou você acha que nós brasileiros levantaríamos tão rápido do tombo político/econômico que eles levaram em 2002?

Nossa sorte é que a Argentina é só uma cidade. Duas ou três no máximo. Nossa sorte, é que a população da Argentina cabe em São Paulo. Com a atitude que os hermanos tem, com a garra que demonstram ou no futebol ou batendo panelas, é nossa sorte que sejam poucos. Se fossem muitos, já teriam nos conquistado. Estaríamos, brasileiros, ocupando sub-empregos porteños, mais ou menos como fizeram com os paraguaios e bolivianos.

Idelber, não é só estrutura que nos falta. Falta humildade. Falta vergonha na cara. Falta verde e amarelo na escola. Falta que esses meninos, do futebol, do volei de praia, do basquete, do judô, do salto com vara, lembrem que têm uma responsabilidade muito maior e não é com a gente, ou com o Galvão. É com eles mesmos.

Falta parar de chorar por tudo (e como é duro fazer um argentino chorar!). Ser vítima de poucos recursos, "ir treinar sem dinheiro pro ônius", virar especial no jornal nacional é hoje mais importante que ganhar.

Prata com gosto de ouro. Bronze com gosto de Prata. Um nobre oitavo lugar. Essas expressões deveriam ser banidas da mídia, porque não estão mais alinhadas com as exigências do mundo de hoje.
Por essa nossa condescendência atávica estamos perdendo o trem do BRIC. Vai virar RIC (ou IC), justo porque a gente acha que "como está, já está bom".

Basta de celebrizar a derrota, de vangloriar o sofrimento.

De tudo que eu ouvi, fico com a frase do maior chorão de todos. O Oscar:

- Tá chorando? Aprende a fazer ponto chorando.

Disse tudo.

Neto em agosto 25, 2008 2:51 AM


#118

Comentário para o Moysés: Você viu Internacional 1 x 1 Flamengo ontem, no Beira-Rio?

Aquele é o Bruno que seria titular na Seleção Argentina?

Idelber em agosto 25, 2008 1:53 PM


#119

Por motivo de viagem só agora lí a matéria. Concordo com algumas situações mas é bom lembrar que no 3 x 1 da eliminatória, o árbitro não teve coragem de marcar mais dois penaltys claros além dos três que existiram. Uma bola espalmada pelo zagueiro evitando um gol e o uniforme do Ronaldo literalmente tirado dentro da área. por quê será que o Chelsea quer pagar 137 milhões de Euros pelo Robinho e o Real Madrid 280 pelo Kaká?

Susalvino Viana em agosto 26, 2008 10:39 AM


#120

Idelber,

Concordo com você em 100% do que escreveu, mas a preguiça me impedia de expressar.
Seu blog é muito bom.

Parabéns!

Pablito Barros em agosto 29, 2008 10:48 AM


Deixe seu comentário:






Lembrar seus dados?

(you may use HTML tags for style)