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quarta-feira, 20 de agosto 2008

Longuíssima peroração sobre o indizível em futebol

O pobre do Lédio Carmona está sendo massacrado no seu próprio blog por haver dito o óbvio ululante: a Argentina é superior ao Brasil e já não é de hoje. Desde, pelo menos, 2002, o futebol argentino – em seleções e em equipes – é muito superior ao brasileiro. Por que, então, vínhamos aplicando goleadas nos hermanos e ganhamos três títulos em cima deles nesse período? O objetivo deste post é responder essa pergunta e refletir um pouco sobre algo que é praticamente proibido dizer no Brasil.

Interessam-me esses lugares do indizível numa cultura. Tome o caso dos EUA. Você pode espinafrar Bush, xingar os dois partidos, dizer que o país passa a pior crise desde a grande depressão, criticar o Congresso, o Judiciário, a imprensa. Pode tudo – ou melhor, quase tudo. Experimente dizer que há anos os EUA já não estão entre os 20 países mais democráticos do mundo; que qualquer país da Europa Ocidental tem um sistema político mais democrático que os EUA. Experimente demonstrar, por A + B, que as eleições brasileiras ou argentinas são infinitamente mais democráticas que as americanas. Da esquerda do Partido Democrata à direita do Partido Republicano, vão pirar, como se você tivesse xingado a mãe. O sujeito sente que um mito essencial à sua identidade está sob ataque e reage com violência. Claro que nós somos a terra da democracia! Como ousa questionar isso?

No Brasil, acontece algo parecido com o futebol. Você pode xingar o técnico da Seleção. Pode espinafrar a CBF. Pode discutir a escalação do time. Pode pôr a culpa nos cartolas. Pode tudo – ou quase tudo. No momento em que você questiona o mito de que o Brasil tem o melhor futebol e os melhores jogadores do planeta, ou – heresia das heresias! -- ousa dizer que a Argentina tem um futebol melhor que o nosso, você é execrado como uma espécie de lesa-pátria, um gringo de Iowa vendendo segredos de estado a Brezhnev em plena Guerra Fria.

O titular deste blog, que já se meteu em 367 polêmicas políticas, só se assustou uma única vez com hate mail. Foi na Copa América de 2007, em que eu confessei que ia torcer pela Argentina como forma de acelerar a queda de Dunga. Previ, como quase todo mundo, que a Argentina ia golear. Depois que o Brasil encaixou aquele 3 x 0, a raiva e a virulência dos comentários e emails que recebi foram muito, muito instrutivas. Continuo dizendo: a pior coisa que aconteceu com o futebol pindorâmico foi ganhar aquele jogo de goleada. A patriotada insana tomou as rédeas. O dunguismo ganhou fôlego e os que queremos colocar um pouco de racionalidade no debate sobre o futebol brasileiro viramos traidores da pátria.

Antes de passar aos últimos Brasil x Argentina, conto uma história pessoal: eu nunca fui nenhum Reinaldo, mas era, sim, um centroavante de qualidade. Fui artilheiro de várzea em BH, essas coisas. Uma vez, no Cachoeirinha -- quem for de BH e conhecer a cena, explique o que é jogar futebol de várzea no Cachoeirinha --, enfrentei uma linha de zaga que habitaria meus pesadelos durante anos: era Ranca-Tôco, Babão, Noite Ilustrada e Alemão. Só batiam da cintura pra cima. Aos 20 minutos, eu já havia caído 8 vezes. Apanhei igual cachorro sem dono. No segundo tempo, eu consegui quebrar o tornozelo de Noite Ilustrada, que havia me derrubado umas 20 vezes no jogo. O cara tinha de bíceps o que eu tenho de coxa. Depois da peleja --- vitória nossa por 2 x 1 –, me disseram, ao saber que eu ia jogar algumas partidas na Argentina: porra, vão te arrebentar todinho; depois que quebrarem sua perna, avise pra gente. Em Buenos Aires, fui anulado em quatro partidas seguidas, coisa que jamais havia acontecido no Brasil. Sem levar uma única pancada. Só zagueirão se antecipando na bola e ganhando a jogada no corpo. Ali eu vi que tinha que rever meus estereótipos, contruídos em anos de xenofobia anti-argentina cultivada pela mídia brasileira. Energúmenos como Galvão Bueno têm uma responsabilidade criminosa nisso.

A Argentina sempre teve melhores goleiros e zagueiros. Qual é a diferença agora? Eles têm melhores volantes, armadores e atacantes. Ou há algum Messi por aí falando português? Se a Argentina é superior desde, pelo menos, 2002, por que ganhamos três títulos contra eles? Como sempre, foi uma soma de fatores. Vamos olhar a coisa caso a caso.

Na Copa América de 2004, no Peru, ganhamos nos pênaltis. Foi aquele 2 x 2 com gol do Adriano aos 45 do segundo. O Brasil levou um baile durante 90 minutos. A Argentina chegou ao final vencendo só por 2 x 1 por pura displicência, erros nas finalizações e porque Júlio César – que é um goleiro apenas mediano – fez ali uma das grandes apresentações da sua vida. No final do jogo, Tévez deu aquela fatídica pisada na bola. Humilhados, os brasileiros se encheram de brios e numa pelota espirrada na meia-lua, Adriano encaixou o empate. Num jogo desses, é facílimo prever quem vence os penais.

Na Copa da Confederações de 2005, ali sim, sobramos. Foi 4 x 1. O Brasil jogou com a formação que eu defendia para a Copa do Mundo. Sem os vovôs nas laterais. Cicinho jogando muito. Robinho armando o jogo, Zé Roberto como segundo volante, Adriano no auge, e Ronaldo Gorducho fora do time. A Argentina entrou em campo com Germán Lux, Collocini, Placente, Heinze, Zanetti; Cambiasso, Bernardi, Riquelme, Sorín; Delgado e Figueroa. Ninguém, ninguém na imprensa brasileira ressaltou o fato de que a Argentina estava com meio time reserva. Éramos só nós, os imbatíveis.

Nas Eliminatórias, trocamos um 3 x 1 para cada lado. O nosso, no Mineirão, foi com três gols de pênalti. O deles, em Núñez, foi um baile. Na Copa, a Argentina caiu num jogo fatídico contra a Alemanha, em que venciam, sofreram a contusão do goleiro, Pekerman fez uma substituição inacreditavelmente burra e o time lutou até o final. Nós caímos de 4, literalmente, com Roberto Carlos ajeitando a meia e Ronaldo levando chapéu de Zidane.

Aí veio a Copa América de 2007. Essa, sim, foi acontecimento espírita comparável ao Campeonato Brasileiro de 1977, onde um São Paulo de Necas e Totonhos foi campeão em cima de um Galo de Cerezo e Reinaldo. Era o Brasil quem estava com o time B. A Argentina havia dado espetáculos inesquecíveis durante o torneio. O Brasil capengou, levou baile do México e se classificou – a imprensa ufanista não se lembra – em um jogo escandalosamente roubado contra o Uruguai. A euforia na Argentina era tal que todo mundo falava em goleada. Para piorar, pela primeira vez na história do Brasil, acontecia o impensável: uma parcela significativa dos brasileiros confessava que ia torcer pela Argentina, que afinal de contas era quem jogava futebol ali. Aos 10 minutos de jogo, o Brasil já vencia por 1 x 0 com gol de Julio Baptista num lançamento de longe. Atônita, a Argentina viu que era a amarelinha. Depois do gol contra de Ayala, o jogo ficou fácil. Em nenhuma dessas goleadas, a Argentina deu pancada no final. Como é que terminou o jogo ontem mesmo?

O retrospecto é favorável ao Brasil. Somos melhores? Não. Os melhores são eles.

O melhor volante do Brasil, Lucas, chegou para ser reserva de Mascherano no Liverpool. O jogador que a imprensa brasileira incensou como o novo Pelé é reserva no Real Madrid. O craque da temporada brasileira até agora era um chileno. Um chileno! O melhor jogador do Brasileirão de 2005 foi um argentino, espancado por zagueiros e discriminado por árbitros por ser estrangeiro. Ironia das ironias, Tévez foi escorraçado pela torcida do Corinthians quando era o único bom jogador do time, responsável direto -- junto com Zveiter -- pela conquista do Brasileirão e, pior ainda, o único que honrava a camisa do clube. Hoje, dá show de bola e conquista títulos na Inglaterra, enquanto o Corinthians come poeira com o Brasiliense e Bragantino. Nossos jogadores, via de regra, já não saem para Itália e Espanha. Os destinos preferenciais agora são Ucrânia, Cazaquistão e Arábia Saudita. Esta semana, o mais respeitado comentarista de futebol do país disse que Valdivia não decide partidas (a essa estultícia, há uma boa resposta aqui). Até quando vamos ter que aturar patrioteiros dizendo que se o Brasil armar o time como deve ser, ganha tudo de barbada?

Nós, brasileiros, somos insuportavelmente arrogantes e xenófobos quando o tema é futebol. É claro que é possível discutir a escalação do Dunga. Claro que é burrice queimar um dos três jogadores da cota de mais de 23 anos de idade para deixá-lo no banco. Claro que Kaká teria feito alguma diferença. Claro que se pode dizer que Ronaldinho não deveria ter ido. Claro que é possível armar um time superior ao do Dunga. Qualquer um arma um time melhor que Dunga!

Mas dizer que, com um bom técnico e uma escalação acertada, o Brasil teria ganho o sonhado ouro é tapar o sol com a peneira, porque o problema é estrutural. São décadas de saqueio do futebol brasileiro. São décadas de gangues criminosas controlando a estrutura do esporte. Se eu, fanático absoluto por futebol, cheguei ao ponto de dispensar um satélite da Globo Internacional na minha casa, já que não me dá nenhum gosto assistir o futebol brasileiro – e não é pela crise do Galo, posto que já assisti incontáveis campeonatos com o Galo em crise --, é porque o buraco é mais embaixo.

O líder do Campeonato Brasileiro é uma equipe comandada por Celso Roth. Isso, pra mim, já é o corolário definitivo dessa discussão.



  Escrito por Idelber às 04:02 | link para este post | Comentários (120)


Comentários

#1

Idelber,
comecei a ler seu texto enquanto rola na TV o jogo de pólo aquático Montenegro 4, Croácia 2.

Mas pelo segundo parágrafo creio que esta derrota para da seleção brasileira fez mal a sua cabeça!
Montenegro fez mais um gol.

Paulo em agosto 20, 2008 5:26 AM


#2

Paulo, elabore, meu caro. Sua opinião é importante.

Idelber em agosto 20, 2008 5:47 AM


#3

Mais ou menos, Idelber.

1) escrevi mais ou menos sobre o assunto dos caminhos do futebol aqui http://futebolcabeca.wordpress.com/

2)"Nós, brasileiros, somos insuportavelmente arrogantes e xenófobos quando o tema é futebol."

Discordo. Maradona sempre foi admirado por aqui. E não vale dizer que "acham Pelé melhor que ele." Bobagem, em Madrid acham o Di Stefano melhor que os dois juntos.
Zidane, que tirou o Brasil duas vezes da Copa, veio ao Brasil e foi aplaudido por todos numa pequena quadra de futsal. Ele mesmo disse que estava inseguro sobre a recepção, e que nunca esperava tanto carinho.

Arrogantes são os ingleses, que nunca ganham nada e sempre são favoritos (para eles); a mesma coisa com a Espanha etc. O Brasil chegou em 2002, com razão, absolutamente amedrontado. Ninguém no Brasil acreditava. Como pode alguém duvidar e ser arrogante ao mesmo tempo? Você mesmo disse que em 2007 ninguém acreditava.

Há uma má vontade em admitir nossos problemas no futebol, claro; só não acho que isso seja uma característica nacional. É característica, talvez, do Galvão e da Globo. E se não é um característica nacional, dizer que o contrário seria tão "irresponsável" quanto as narrações do Galvão contra a Argentina.

4) sobre este jogo: o meio-campo do Brasil até que é bem bom. Muito melhor que o da seleção principal, já que Anderson, Hernanes e Lucas são melhores que Gilberto Silva, Mineiro e Josué. O problema é não ter treinador.

Abraço.

Luigi Battaglin em agosto 20, 2008 6:00 AM


#4

Até aqui Montenegro 7, Croácia 6. E não vi ninguém com espírito de Ronaldinho Gaúcho.
Um brasileiro acabou de deixar a competição de Tae Kon Do (nunca tinha escrito isto).

Paulo em agosto 20, 2008 6:04 AM


#5

Caro Idelber,
Surpreende-me a sua opinião sobre a decadência da Democracia nos EUA. Não que ela não esteja declinante, MAS NÃO PELOS MOTIVOS que você apontou!
Pode sim haver alguns países na Europa “mais democráticos” que os EUA, pode haver 20, pode haver até uns 22, mas... nenhum destes países tem a extensão territorial dos EUA. E o tamanho do país é um item importante. O outro item importante são as disputas entre os povos que ocupam estes espaços. É sempre bom lembrar que a manutenção do território e a coesão dos povos que ocupam um espaço nacional é uma condição essencial para manter um país. E isso deve ser uma prioridade nos EUA.
Já na Europa os problemas das várias etnias na antiga URSS (e de certo ponto da Rússia czarista) e nos Balcãs foram resolvidos e nós sabemos como. E há outros problemas entre povos na Europa, uns resolvidos, como o da Tcheco-eslováquia (que se dividiu), e outros latentes como o da Espanha e o País Basco. Além disso a Europa vive atualmente um sério problema com imigrantes.

Sabemos que há problemas no processo de coleta de votos nas eleições presidenciais norte-americanas. Teoricamente as urnas eletrônicas utilizadas nas eleições presidenciais brasileiras dão um caráter superior ao pleito brasileiro, ALÉM DO FATO DE VOTARMOS DIRETAMENTE NO CANDIDATO.
Mas os EUA tem uma série de instituições que trabalham em favor da manutenção da Democracia, e apesar de no primeiro mandato do atual presidente ter ocorrido um SÉRIO PROBLEMA na apuração de votos, NÃO É ESTE O PRINCIPAL PROBLEMA ATUAL. É a manutenção da prisão de Guantánamo ao lado dos vôos com prisioneiros e coisas assim que estão MINANDO a legitimidade das instituições norte-americanas.

De qualquer maneira se você acha que os EUA estão com a sua Democracia, então você não toleraria morar em nosso país onde esta mesma (tenra)Democracia é pisoteada todos os dias por aquele(s) que deveria(m)defendê-la.
Síntese: Não é porque um candidato é eleito democraticamente que FICA GARANTIDO QUE ESTE ELEITO irá defender as instituições democráticas.

Neste momento a SÉRVIA vence a ESPANHA no pólo aquático por 5x2 (o primeiro gol da Espanha foi feito por um brasileiro naturalizado espanhol).

Paulo em agosto 20, 2008 6:56 AM


#6

Verdade, Paulo, verdade. A extensão do país é importante. Estou meditando sobre o seu comentário, enquanto espero o jogo de vôlei, já que aqui não transmitem o pólo aquático.

Idelber em agosto 20, 2008 7:02 AM


#7

Caro Idelber
Dias atrás o Luciano do Vale, da TV Bandeirantes, disse assim desprenteciosamente e sem colocar nenhuma ênfase que a imagem de Ronaldinho Gaúcho aparece atualmente em 5 campanhas publicitárias na Ásia. Esta seria a razão pela qual ele foi tão prontamente reconhecido em todos os locais pelos quais passou na Ásia.
Mas nenhuma outra fonte foi tão enfática. Os demais jornalistas atribuem a fama de Ronaldinho Gaúcho a suas atuações nos campeonatos televisionados para aquela parte do mundo.

P.S. Para a sua reflexão sobre onde há mais Democracia, acabo de ver na Folha Online, citando Kennedy Alencar: "Lula decide criar estatal para explorar o pré-sal".

Paulo em agosto 20, 2008 7:38 AM


#8

Assino embaixo!
Parabéns!

Nando Silva em agosto 20, 2008 8:57 AM


#9

A criação da estatal do pré-sal, nos moldes da Petoro, é correta, no meu ponto de vista. A Noruega é um bom exemplo de democracia.

Patrick em agosto 20, 2008 9:17 AM


#10

Bacaníssimo o seu site, Patrick. Estou lá navegando agora.

Idelber em agosto 20, 2008 9:44 AM


#11

Idelber,

Acho que o Mascherano andou lendo O Biscoito Fino...

http://esportes.terra.com.br/pequim2008/interna/0,,OI3115006-EI10378,00-Brasil+nao+respeita+sua+historia+diz+Mascherano.html

Paulo, parabéns pelos comentários. No fim você endossa as palavras do Idelber. A democracia norte americana pode até não ser a melhor, mas eles estão continuamente a construindo, ainda que numa direção distinta ao que nós entendemos por democracia. Nós, podemos até não ter o melhor futebol no momento, mas como se isso não fosse suficiente, estamos desconstruindo nosso futebol.

O tal do "jeitinho brasileiro", que pode ter tanto uma interpretação pejorativa como um diferencial que nos faz criativos, no segundo caso está sendo morto pelas instituições. A incapacidade histórica de construir instituições sólidas no Brasil, que deveria defender a nossa criatividade (democracia), saiu da cartolagem (congresso) e chegou aos campos de futebol (ao povo).

Ponto final, volto a relacionar jeitinho brasileiro com malandragem.

Abraços!

Márcio Pimenta em agosto 20, 2008 9:49 AM


#12

Idelber,
concordo com quase tudo! Bom primeiro acho o Lucas melhor que o Mascherano, é questão de tempo ele pegar a vaga dele no Liverpool, sem contar que nesse time não há UM time titular, o técnico roda até o goleiro!
Segundo, o Tevez NÃO foi escurraçado pela torcida do Corinthians, mas sim pela imprensa paulistana!!
Eu que torço pro Arsenal, torci pro Manchester por causa dele!! E sei de muito corinthiano que fez o mesmo!
O Teves mostrou pro Brasil que se jogar, reclamar de juiz é coisa de brasileiro, e de chileno, pq o Valdívia, pelo amor de deus!!
Mas que os jogadores argentinos estão bem melhores, isso concordo, o Messi ainda vai dar muito trabalho pra nóis!! E o mais interessante é que os argentinos seguem o mesmo padrão em todos os esportes, seja no basquete (que ta mal, mas eu torço por eles!) e no rugby (me matei de torcer no mundial!)
Grande abraço, e que venha o Bi olímpico!!

Gui Losilla em agosto 20, 2008 9:49 AM


#13

Confesso que iniciei a leitura deste post com má vontade. Terminei com a pulga atrás da orelha. É isso que faz um bom artigo, um bom post. Nos faz refletir.
Mudando de assunto: não sei se a extensão territorial tem esse peso todo. Montesquieu não tinha razão. De qualquer forma, fiquei curioso sobre esse papo de comparar as democracias européias e americana. Valia um post. Estou no aguardo.
Um abraço.

João Paulo Rodrigues em agosto 20, 2008 9:51 AM


#14

Gui, meu querido, até o carro do Tévez foi espancado com esposa e filha dentro, pelos bandidos da Gaviões da Fiel. Foi escorraçado, sim. De resto, de acordo.

Anotado, João Paulo. O tema dá um bom post, sim.

Idelber em agosto 20, 2008 9:57 AM


#15

Na boa Idelber ,seus argumentos empacam nos fatos. O Brasil tem ganhado sempre da Argentina em competições internacionais faz um tempão.
Ontem foi a exceção.

Não dá prá querer mascarar os fatos com elocubrações subjetivas.

Concordo que a síndrome "pátria de chuteiras" muitas vezes nos cega para as qualidades das outras escolas de futebol, mas como o Luigi colocou com muita propriedade, sabemos reconhecer o talento.

Discordo inteiramente da sua avaliação do campeonato brasileiro, qua acompanho com grande atenção. Temos o campeonato de futebol mais competitivo do planeta.

O que tem nos prejudicado faz algum tempo é a "síndrome de vira lata" ( prá continuar nas citações rodrigueanas). Escalamos nas nossas seleções frequentemente jogadores , não pelas suas atuações , mas pelo prestígio internacional dos times europeus em que atuam.

Lucas e Anderson são merecidamente reservas nos seus times. O Lucas nunca me encheu os olhos e o Anderson foi desaprender futebol na Ingleterra. O Thiago Neves não é titular absoluto desse time simplesmente pelo fato de ainda jogar pelo Fluminense, se estivesse já no Barcelona ia ser considerado gênio( o que seria um exagero).

A CBF ignorou as Olimpíadas o tempo todo,não houve nenhuma preparação séria , me arrisco a dizer que se o Santos, esse time medíocre que não consegue escapar da zona do rebaixamento estivesse vestido com a amarelinha , teria feito um jogo duro com a Argentina de ontem, time que sinceramente continua não me convencendo.

Quanto ao Dunga não há duvida, é um sujeito de sorte. Mas depender só da sorte dá no que deu ontem, um dia ela falta.


Beni Borja em agosto 20, 2008 9:58 AM


#16

Beni, caríssimo, você realmente acha que o Santos teria endurecido com a Argentina ontem? Temos que concordar em discordar então.

Talvez seja verdade que o Brasileirão é o mais competitivo do planeta. São 20 times muito nivelados, todos na mediocridade! Ou será que Grêmio, Cruzeiro e Palmeiras estariam disputando a ponta no Campeonato Espanhol ou Italiano?

Você vai ter que desenhar em árabe para me convencer disso aqui...

Idelber em agosto 20, 2008 10:22 AM


#17

Idelber, saudações.

1. A Argentina vem atuando melhor em alguns campeonatos importantes, mas não em todos. Fomos campeões em 2002 jogando o melhor futebol da Copa, mesmo tendo chegado lá desacreditados. Além da Copa das Confederações na Alemanha.

2. Ganhar sem ser o melhor é comum no futebol, fico feliz que temos conseguido isso. Pior é perder sendo o melhor (lembre 82 e 98).

3. Sobre a arrogância, o comentário 3 disse tudo.

4. Confesso que não conheço o Brasil e o mundo tão bem quanto você, mas a região sul do Brasil conheço muito bem e desconheço qualquer sentimento que possa ser traduzido como "xenofobia anti-argentina". Ainda mais no futebol!

5. Há quanto tempo o técnico da Argentina é técnico da Argentina? E os jogadores da seleção Argentina estão lá há quantos jogos? E da Espanha, Itália, Alemanha...? Isso nunca é falado. "O Dunga não serve!", mas quem vai servir sem tempo para sedimentar o trabalho? (sendo que agora nem os resultados importam, como o título da Copa América, para segurar um treinador).

5. Não é a primeira vez (vide seu texto sobre o vegetarianismo) que você se coloca como "os que queremos colocar racionalidade no debate" e rechaça de antemão os que pensam diferente como do grupo dos radicais irracionais. Ou eu estou enganado?

Francisco von Hartenthal em agosto 20, 2008 10:25 AM


#18

Idelber,
e essa pesquisa, via Reuters, em que o Mcain passou o Obama?

Ed em agosto 20, 2008 10:27 AM


#19

Francisco, meu caro, discordâncias notadas. Mas pontuo: não chamei ninguém de irracional nesse debate.

E será que realmente é necessário apresentar evidências de que existe xenofobia anti-argentina no Brasil quando o tema é futebol?

Idelber em agosto 20, 2008 10:28 AM


#20

Novamente, Idelber, você misturou...

"Torcida corintiana" é uma coisa, "bandidos da Gaviões da Fiel" é outra coisa...

Francisco von Hartenthal em agosto 20, 2008 10:28 AM


#21

Idelber, concordo com o teu post, mas o PVC não se encaixa no seu exemplo - enquanto o Lédio Carmona sim. Assisto aos dois quase diariamente. Valdivia não é nenhum craque - ou, para usar o seu tom, ele é tão craque que vai jogar no Oriente Médio (e nessa discussão, ninguém levantou a bola: o quanto o Valdivia quer ficar - ninguém, a não ser o PVC). A resposta ao PVC é péssima. Aliás, ele não é o comentarista mais respeitado - justamente a banda xenófoba o odeia. Se tem alguém na imprensa esportiva que fala com independência do futebol brasileiro e da xenofobia em relação à Argentina é a ESPN Brasil, e não a SporTV, uma extensão dos domínios e do besteirol do "Garganta Profunda".

Abraço

Alexandre Nodari em agosto 20, 2008 10:28 AM


#22

Idelber, acho que hoje a Argentina tem um time superior ao do Brasil. Hoje vivemos uma entressafra danada. Mas nos 10 anos anteriores fomos muito melhores. O Ronaldo chegou a ganhar sozinho da Argentina no Mineirão e o jogo das eliminatórias da Copa de 2002 aqui no Morumbi foi um vareio que eu pude presenciar. Foi um dos melhores jogos de um dos grandes jogadores da história do país: O Rivaldo. Nessa época a Argentina tinha um time de respeito, mas apenas um jogador que era o melhor em sua posição no continente: o Veron. Os zagueiros do Paraguai, por exemplo, eram melhores. Aliás, até o Lúcio, com suas deficiências era melhor.

Acho que o Messi começou a achar seu caminho na seleção argentina agora. Ele demorou para jogar bem com a camisa da seleção. O Aguero é um craque e faz tempo que eles não tinham um jogador como o Riquelme. Agora, não acho que o time seja o melhor do mundo. Além disso, não gosto mesmo do Mascherano. Acho um jogador desleal, que já tentou acabar com a carreira de muito atleta aqui no Brasil.

Por fim, acho que o Brasil vai passar um período bem ruim agora. Como o que passou entre 82 a 94. Com um futebol em decadência. Não saberia precisar as razões para isso. Mas o campeonato nacional está uma tristeza.

tiago mesquita em agosto 20, 2008 10:34 AM


#23

Perfeito, Alexandre, de acordo. Sou fã do PVC, que fique claro.

Francisco, meu caro, você realmente quer dizer que a torcida corinthiana tratou bem o Tévez, que as agressões eram só coisa de meia dúzia da Gaviões? Então tá, né...

Idelber em agosto 20, 2008 10:35 AM


#24

Idelber, pelo o que eu vi aqui na cidade, o Tevez não foi escurraçado não. Quando ele foi embora, a torcida o homenageou e tudo. A camiseta dele é ainda a que mais vende para os corinthianos. Ele é adorado pela torcida. Não sei dos organizados, mas que os corinthianos gostam dele, isso gosta. Aliás, por que ele não jogou na olimpiada?

tiago mesquita em agosto 20, 2008 10:38 AM


#25

Verifico que a turma mais nova gosta mais da ESPN Brasil do que a SporTV.

O comentarista PVC, prata da casa da ESPN Brasil, de fato parece ser um bom comentarista mas lamentávelmente perdeu o rumo desde suas previsões, com o erro fragoroso de apostar no FLU.
Daí em diante o PVC perdeu o rumo e vem se enganado seguidamente no atual Campeonato Brasileiro, que por razões de conjuntura está mesmo difícil de previsão.

Desde o dia que eu vi o Lédio Carmona perguntando para o Carlos Alberto Torres quem era o Fachetti, deixei de ouvir o que ele fala.

Paulo em agosto 20, 2008 10:42 AM


#26

Tiago, isso foi depois, depois. Lembra do cara dando o sangue em campo e depois sendo agredido na saída do estádio?

Para responder ao Luigi, que deixou um excelente comentário lá em cima: os ingleses podem ter sido campeões de arrogância no futebol. Na primeira metade do século XX. Hoje, nem se compara com a nossa. Comparar a arrogância futebolística brasileira com a arrogância inglesa hoje é comparar o PIB dos EUA com o PIB do Qatar.

Tem gente aí dizendo que o Santos ganharia da Argentina. Qual inglês diria que o lanterna de seu campeonato bateria a seleção número um do ranking da FIFA? Pelamor, né?

Idelber em agosto 20, 2008 10:43 AM


#27

Agora, as relações complicadas entre o Brasil e a Argentina, acho que existe um sentimento mútuo que é delicado e ambíguo. A economia argentina hoje é associada ao Brasil, mas, mesmo assim, os hermanos criam uma série de problemas para nós nas negociações internacionais (aliás, com todo o direito, embora muitas vezes eu não concorde com as razões). Agora, no futebol é normal que um ranço exista. É o mesmo que pedir uma convivência sem gozações entre os torcedores do atlético e do cruzeiro. Os times têm a maior rivalidade do futebol mundial, como isso podia ser traduzido pelas torcidas?
Agora, sempre prefiro que um time sul americano ganhe. Aliás, acho que em termos internacionais os países europeus e os Estados Unidos têm sido muito pouco democráticos. Acho que o modo como eles negam vistos e tratam os estrangeiros é revelador disso.

tiago mesquita em agosto 20, 2008 10:45 AM


#28

Que nojo, Idelber. Ver um brasileiro contra seu próprio país, sem ufanar-se de Dunga e Robinho. Reveja seus conceitos: o Brasil-sil-sil tem o melhor futebol do mundo, PVC é uma besta, Messi não faz uma perna de... bem, de... de Rivaldo!

Como se não bastasse, ousas atacar a democracia americana e mentes para nós que o scholar fumante é centroavante dos bons! ERA SÓ O QUE FALTAVA!

Olha, nem vou comentar. Saio daqui muito puto, muito puto.

:¬)

Milton Ribeiro em agosto 20, 2008 10:48 AM


#29

A banda mais velha da caixa de respostas pode me ajudar numa coisa?

O clima "Argentina tá melhor que o Brasil" não lembra um pouco os dias seguintes à derrota dos canarinhos na Copa de 1990? Inclusive no que tange o técnico-tonto e a qualidade dos selecionados para jogar.

Eu era uma criança à época, mas sinto a mesma coisa que naqueles dias (e olha que eu estou BEM longe de casa).

Fora isso, vi a reprise do jogo ontem e, francamente, 'tava achando que era partida de taewkondô com outro uniforme. Se não conseguem jogar bem, que pelo menos respeitassem a história da camisa, caramba, e não dessem TANTO vexame!

Anna C. em agosto 20, 2008 10:51 AM


#30

O comentário anterior ficou muito confuso. Em síntese, queria dizer três coisas. A primeira é que eu acho normal a rivalidade futebolística entre Brasil e Argentina. Embora os dois países não sejam mais propriamente rivais no campo geopolítico e tenham relações internacionais muito boas, acho que os dois países têm o melhor futebol da região e , muitas vezes, tiveram o melhor futebol do mundo.

Depois, queria dizer que o desenvolvimento da democracia nos países centrais é visível se comparamos as suas relações institucionais. Mas o modo como esses países agem com os estrangeiros e como atuam mundo afora está longe de ser democrático. Acho isso grave. No caso da europa, eles afirmam cada vez mais as identidades tradicionais (quase tribais) e parecem transformar seus países em cidades medievais muradas.

Por fim, prefiro sempre que um time sul americano ganhe. O futebol costuma ser muito mais bonito e as torcidas mais simpáticas.

tiago mesquita em agosto 20, 2008 10:56 AM


#31

Quase me esqueço, mas dá o que pensar o nível do futebol continental. Não custa lembrar que o último campeão da Libertadores da América foi um time equatoriano. Com todo o respeito, não acho que a tradição deles no futebol seja notável.

tiago mesquita em agosto 20, 2008 11:03 AM


#32

Idelber, os argentinos também têm seus dias de maus perdedores sim. basta lembrar 1982, quando tomaram aquele chocolate na copa da Espanha - 3x1 foi pouco,numa aula de futebol inesquecível do time de Telê - e o Maradona foi vexaminosamente expulso por uma entrada criminosa quase arrancando os rins do Batista, entre os coices do Daniel Passarella...

Serbao em agosto 20, 2008 11:04 AM


#33

PS: FORA DUNGA!!!

Serbao em agosto 20, 2008 11:05 AM


#34

Verdade, Serbão. Aquela foi muito feia.

Idelber em agosto 20, 2008 11:05 AM


#35

Idelber,
Concordo com quase tudo que você escreveu. Mas, como outros corintianos que apareceram comentando, sou obrigado a discordar da história do Tévez. A maioria da torcida corintiana gostava e gosta muito do Tévez. Havia, claro, os grupos ligados à política imunda do clube. Os autores do ato citado por você, por exemplo. Unanimidade? Quem seria unanimidade para uma torcida do tamanho da torcida do Coríntians? Para os mais jovens, lembro de ter discutido com pessoas, no tempo em que Pelé jogava, que achavam que o crioulo não jogava nada.

Fernando Guimaraes em agosto 20, 2008 11:07 AM


#36

Anna, sobre 1990, eu diria o seguinte: a Argentina já não tinha o time de 1986, e o Brasil estava estreando um esquema (o 3-5-2) e uma geração de jogadores. A Argentina se classificou aos trancos e barrancos, na repescagem. O Brasil, mesmo jogando muito mal na primeira fase (três vitórias magras contra Suécia, Escócia e Costa Rica), era o favorito e dominou amplamente o primeiro tempo do jogo.

Mas eles tinham Maradona. Numa jogada, ele foi lá e resolveu. O Dunga está procurando aquela bola até hoje.

Acho que é um pouco diferente da situação atual, na qual a superioridade é mais coletiva.

Isso é como eu vejo a coisa, claro. Haverá discordância.

Idelber em agosto 20, 2008 11:08 AM


#37

Idelber,
Não sou fanática e muito menos "expert" em futebol. Minha intuição, entretanto, me leva a concordar com vc. Louve-se o que bem merece, seja de onde for. E, pelo menos nesse jogo olímpico, a Argentina foi superior. Quanto à democracia nos EUA, irretocável seu comentário.

Maria em agosto 20, 2008 11:10 AM


#38

Não consegui o link, mas olha o tolinho aí:

Por Luciano Borges
Direto de Pequim

A conversa com o Blog do Boleiro, na madrugada desta quarta-feira, saiu assim: Thiago Neves já estava no final do corredor da zona mista do estádio dos Trabalhadores, em Pequim. Parou para responder se tinha acertado o argentino Mascherano de propósito, no segundo tempo da derrota para a Argentina por 3 a 0. E foi embora cheio de mistério sobre seu futuro no Fluminense.

Blog do Boleiro – Aquela falta sobre o Mascherano, que causou sua expulsão, foi de propósito?
Thiago Neves – Ah, ele irrita. Ele provoca muito, fica falando, marca e dá porrada. A gente acaba fazendo o que nunca fez antes. Eu nunca dei uma entrada assim. Mas acabei acertando ele.

Blog do Boleiro - Foi a primeira vez que você enfrentou a seleção Argentina. É muito diferente de encarar o Boca Juniors?
Thiago Neves – É diferente. A partida do Boca Juniors era jogo de Libertadores, o time deles muito forte. Aqui foi semifinal de Olimpíada, a seleção argentina é bem melhor, tem jogadores de mais qualidade.

Blog do Boleiro – O Brasil não foi muito contido no primeiro tempo?
Thiago Neves – Brasil e Argentina é sempre assim. Os times jogam com muito respeito, marcando forte, concentrando no meio de campo. O problema no segundo tempo é que eles fizeram o primeiro gol logo e, quando a gente estava reagindo, marcaram o segundo. Eu entrei animado, mas com dois gols atrás e menos de 45 minutos para empatar desanima um pouco.

...

Milton Ribeiro em agosto 20, 2008 11:12 AM


#39

Obrigado, Maria.

Milton, eu não disse que sou centroavante dos bons. Eu disse que fui centroavante dos bons. Antes do vídeo-tape!

:-)

Idelber em agosto 20, 2008 11:13 AM


#40

Mas como corinthiano te digo, Gaviões NÃO é torcida do Corinthians, na verdade é um bando de marginal que faz o que a diretoria manda!! Sabe como é, todo time tem sua gang!!! Hj sentimos muita falta do Carlitos. O Juca Kfouri é um eterno defensor do argentino. E sabe que depois do Tevez é que eu percebi que a Argentina é um país que devemos conhecer mais, e é o que estou fazendo... futebol também é cultura, certo?
ps: Esqueci de te falar, mas li o livro Veneno Remédio, sensacional, valeu pela indicação!!
Abraço!

Gui Losilla em agosto 20, 2008 11:22 AM


#41

De nada, Gui :-)

Para o pessoal que insiste que quem maltratou Tévez foram só os marginais da Gaviões, aí vão -- ah, como é legal a memória da internet! -- dois links do Juca Kfouri, aqui e aqui.

Idelber em agosto 20, 2008 11:31 AM


#42

Chamo especial atenção para os comentários do segundo link. Xenofobia brasileira em estado puro.

Idelber em agosto 20, 2008 11:34 AM


#43

Agradeço a visita :-).

Patrick em agosto 20, 2008 11:36 AM


#44

Idelber,

1. Você, de fato, não chamou ninguém de irracional nesse debate;

2. Preciso viajar mais pelo Brasil. Aqui no sul não existe xenofobia anti-argentina quando o assunto é futebol;

3. Eu não quis dizer que os corintianos trataram bem o Tévez, tudo o que sei sobre isso veio através da imprensa. Eu quis dizer: "torcida corintiana" é uma coisa e "bandidos da Gaviões da Fiel" é outra coisa;

4. Um abraço a todos!

Francisco von Hartenthal em agosto 20, 2008 11:38 AM


#45

Credo, aquilo é super xenofobia. Berlusca é light.

Milton Ribeiro em agosto 20, 2008 11:40 AM


#46

Caro Francisco, sim, sim, fechamos no ponto 3. Abração :-)

Idelber em agosto 20, 2008 11:44 AM


#47

E também fechamos no ponto 2, Francisco. O sul do Brasil é muito singular nesse caso. A proximidade com o Cone Sul, o cosmopolitismo, acho que tudo isso pesa.

Idelber em agosto 20, 2008 11:46 AM


#48

O estranho é os brasileiros visitam a Argentina, lêem seus escritores (superiores, superiores), voltam todos pimpões, mas tem de sentir-se melhores no futebol, na simpatia, assim como os americanos na democracia.

Houve até um cidadão que falou com o Menotti numa sala para fumantes. Falaram sobre Reinaldo, bateram o maior papo. O cidadão até ufanou-se de alguns lances que protagonizara como centroavante, tentou vender-se, etc. Brasileiros, brasileiros!

Milton Ribeiro em agosto 20, 2008 11:51 AM


#49

nossa. sabe que nunca passou pela minha cabeça isso? juro. eu sou uma dessas. que tem certeza absoluta que nós temos o melhor futebol mas o time é mal montado. tipo. nossa mesmo. pq eu sempre penso q o campeonato italiano é melhor por inumeras razoes mas nunca pq o futebol italiano é bom etc. enfim. nossa.

mary w em agosto 20, 2008 11:52 AM


#50

é matéria para a antropologia mesmo, mary. O substrato invisível -- ou indizível -- de uma cultura.

Para os EUA, é a democracia e a liberdade.

Para o Brasil, é a superioridade no futebol.

é o que eu acho :-)

Idelber em agosto 20, 2008 12:04 PM


#51

Idelber, mas diante da quase-hegemonia do Brasil na região, você não acha que o futebol tem perdido a importância? Hoje até os argentinos reconhecem que a economia brasileira é mais importante.

tiago mesquita em agosto 20, 2008 12:13 PM


#52

Com certo receio de levar uns cascudos, arrisco-me a dar meu pitaco: vocês levam esse esporte muito a sério. E não é um esporte sério.
No futebol, pode sempre acontecer de um time da terceira divisão do Amapá ganhar do vice-líder do campeonato inglês. Para avaliar a inexistência da técnica, basta uma olhadela ao semblante dos treinadores brasileiros (ia fazer um esforço para não citar o caso extremo do técnico da nossa seleção, mas lembrei do Felipão no Chelsea - oh, djízas...). O máximo que se pode esperar de um técnico de futebol é que não seja truculento e arrogante. A exceção é o Telê, claro, que era capaz de raciocinar e construir um mínimo de tática, estratégia - uma Técnica, enfim.
Mas não me entendam mal, eu gosto de futebol. Gosto de jogar, gosto de ver. Mas sou agnóstico.

Theo em agosto 20, 2008 12:13 PM


#53

hahaha, Theo, de mim você só vai levar elogios.

Sensacional :-)

Idelber em agosto 20, 2008 12:18 PM


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