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sexta-feira, 08 de agosto 2008

O conflito Rússia – Geórgia e as eleições americanas

Como já sabem, a situação vai se complicando na província separatista pró-russa da Ossétia do Sul, situada em território da Geórgia. Junto com a província de Abecásia, a Ossétia do Sul conquistou uma espécie de “independência de fato” da Geórgia no fim dos anos 1990, monitorada por forças de paz russas. Os conflitos começaram a acontecer a partir da eleição de Mikhail Saakashvili à presidência da Geórgia em 2004. Saakashvili fez da unificação nacional um dos eixos de sua plataforma. Desde ontem, a região separatista está sob ataque da Geórgia. A Rússia mandou tropas e reagiu. Há relatos, ainda não confirmados, de centenas de mortos.

Numa situação tão complexa como esta, é de se esperar moderação e tranqüilidade de um líder norte-americano. Barack Obama deu uma declaração instando as duas partes a cessarem as hostilidades e sentarem-se à mesa de negociação. John McCain condenou a Rússia de forma unilateral e exigiu que ela abandone “imediata e incondicionalmente” as operações militares. Eis aí uma amostra do que está em jogo nestas eleições americanas.

Agora, a parte que você não sabe: o principal conselheiro de política externa da campanha de John McCain chama-se Randy Scheunemann. Ele ó o fundador da Orion Strategies e foi lobista contratado pelo governo da Geórgia durante 5 anos, mais exatamente entre 2003 e Março de 2008. Somente no ano de 2007, Scheunemann recebeu do governo da Geórgia honorários no valor de US $240.000. Não há nada de ilegal nisso, mas fica aí mais um exemplo dos possíveis conflitos de interesse que assombram um candidato à presidência dos EUA que se cerca de lobistas.

As relações de Scheunemann com o governo da Geórgia foram noticiadas na época de sua ascensão ao comando da política externa da campanha McCain, mas até agora nenhum grande jornal americano -- que dirá brasileiro -- se lembrou desse pequeno detalhe no noticiário sobre o conflito. A dica é da antenadíssima TPM.

O que seria de nós sem a blogosfera e a imprensa independente?



  Escrito por Idelber às 18:18 | link para este post | Comentários (39)


Comentários

#1

Idelber,

Eu já vinha com uma pulga atrás da orelha a respeito desse problema tem um tempinho.

Obviamente, a questão ossetiana é uma mera cortina de fumaça, na realidade há muito mais coisas em jogo.

Dentre elas está o estabelecimento de governos anti-Rússia nas ex-RSS's, com as bençãos do ocidente, o que incomoda profundamente Moscou. E isso tem muito haver com a questão energética.

A Rússia atual não incomoda mais porque ameaça o capitalismo, muito pelo contrário, ela incomoda porquê é uma potência energética não-iraquianizável. E não o é, justamente por ser uma potência militar nada desprezível.

Daí segue a estratégia de cercar a Rússia. Hoje o cerco já está nas antigas Repúblicas Soviéticas, o que quer dizer que ele apertou bastante.

A República da Geórgia (Sakartvelo para os íntimos) tem lá seus motivos para não gostar dos russos, ainda que se faça uma ressalva sobre o período soviético por lá; O maior ditador da URSS (sim, ele mesmo, Stálin) era georgiano. O último presidente pró-Moscou fora conselheiro pessoal de Gorby (Shevardnadze) ainda na URSS.

Como as demais RSS, a Geórgia fora russianizada, mas isso se deveu em grande monta ao trabalho do próprio Stálin e a sua política de nacionalidades dos anos 30, o que é meio paradoxal.

A Geórgia recentemente teve caças seus abatidos pelos russos. Agora aconteceu o contrário.

Não é segredo que a Rússia apóia a separação da Ossétia do Sul da Geórgia e sua consequente união com a Ossétia do Norte. Isso é um modo de ampliar a federação e se aproximar de Tiblisi.

Esperemos...

Hugo Albuquerque em agosto 8, 2008 8:58 PM


#2

potência energética não-iraquianizável é sensacional :-)

Anotei e guardei.

Idelber em agosto 8, 2008 9:06 PM


#3

Idelber

Sem essa do Obama estadista conciliador. Isso é trololó para impressionar “liberals” e europeus.

Que você que mora e trabalha aí prefira o Obama é compreensível. Para nós que habitamos e trabalhamos abaixo da linha do equador a oposição democrata bonzinho em luta contra o republicano mauzinho é totalmente irrelevante. Isso é apenas retórica eivada de ideologia. O que é relevante, pela sua efetividade, é saber qual dos candidatos está realmente comprometido com o corte de subsídios à agricultura americana e das taxações aos produtos brasileiros. Isso sim nos interessa de fato. Isso sim afeta a vida de milhares de brasileiros. O resto não passa de perfumaria retórica.

Desafio quem quer seja a provar com FATOS que o queridinho dos “liberals” está EFETIVAMENTE (sou propositalmente enfático) comprometido com esses cortes. Não está. O democrata, se eleito, não vai contrariar suas bases eleitorais. Ele é prisioneiro dos seus $compromissos de campanha$ e não vai mexer nesse vespeiro.

Agora, o pequeno detalhe, a parte que você parece desconhecer: nesta questão dos subsídios e taxas, que nos interessa diretamente, a posição do McCain é preferível à do Obama. A FSP de hoje reproduziu trechos de reportagem do Financial Times (o New York Times de junho deste ano já havia cantado essa bola) sobre os vínculos de Obama com a “Associação dos Combustíveis Renováveis, o mais poderoso lobby dos produtores de álcool combustível na capital dos EUA.”

Eis aí uma amostra do que está em jogo nestas eleições americanas. E neste jogo temos que escolher um lado, não temos? De preferência escolher o lado que joga a favor do Brasil, não é?

Não há nada de ilegal nisso, mas fica aí mais um exemplo dos possíveis conflitos de interesse que assombram um candidato à presidência dos EUA que se cerca de lobistas.

Eu espero uma declaração do loquaz Obama instando agricultores americanos a aceitarem corte nos subsídios e taxas de importação. Numa situação tão complexa como esta (subsídios e taxas provocando alta dos preços dos alimentos) é de se esperar moderação e tranqüilidade de um líder norte-americano, não é?

O que seria de nós sem a blogosfera e a imprensa independente?

Abraços.

Paulo Araújo em agosto 8, 2008 9:36 PM


#4

heheheh, fair enough, Paulo. Mas não desconheço a diferença de posições sobre o subsídio agrícola. O que eu duvido é que McCain realmente vá reduzi-los. Se os subsídios agrícolas foram, em média, muito mais altos durante os anos Bush que durante os anos Clinton, o que nos autoriza a crer que será diferente com McCain?

(estou sem os números exatos no momento, mas acredito que no site do US Department of Agriculture dê para consegui-los, e me lembro bem de que, em média, eles não baixaram nos anos Bush, pelo contrário).

O que não exime Obama de críticas quanto a essa absurda política de subsidiar agricultores em Iowa, evidentemente.

Idelber em agosto 8, 2008 10:04 PM


#5

E isso tem muito haver com a questão energética.

"haver" o escambau, é "a ver mesmo"; Desculpem.

Hugo Albuquerque em agosto 8, 2008 10:14 PM


#6

eu odeia quando não consigo achar uma informação na net.

Evolução dos subsídios agrícolas americanos de 1992 a 2008. Quem achar, ganha uma camisa do Galo.

Idelber em agosto 8, 2008 10:15 PM


#7

Não serei eu a ganhá-la, mas aprecio a recuperação do teu time.

Milton Ribeiro em agosto 8, 2008 10:39 PM


#8

Prefiro Obama. Para o Brasil interessa muito mais um mundo menos belicoso, com mais oportunidades de negócio e menos sujeito a crises em função de déficits fiscais provocados por guerras malucas do que 10 ou 15 centavos a menos no imposto de importação de meia dúzia de usineiros.

Patrick em agosto 8, 2008 10:41 PM


#9

Patrick falou bonito.

Milton, falta substituir o goleiro. O que é aquele Edson, meu Deus? (acabei de te mandar um email).

Idelber em agosto 8, 2008 10:45 PM


#10

Bons tempos aqueles, apenas há us milênios atrás, quando interrompiam as guerras durante os jogos olímpicos. Hoje a abertura da Olimpiada competiu com a "abertura" da guerra na Georgia.

daniel em agosto 8, 2008 11:33 PM


#11

Não tenho os números que você pede. Mas tenho a informação, do jornalista Alberto Sardenberg, que o McCain votou contra a aprovação da Farm Bill agora em 2008. Ele também se posicionou favoravelmente à eliminação de impostos sobre o etanol brasileiro.

Em Iowa Obama declarou-se favorável à Farm Bill e à manutenção das atuais taxas de importação do etanol brasileiro. Essa posição declarada foi decisiva para a sua vitória nas primárias naquele estado. Isto é, essa vitória selou um compromisso de campanha com os eleitores americanos que defendem os subsídios e as taxas. Como disse, Obama é prisioneiro desse $compromisso$.

Imagino que para você não seja difícil checar os distintos votos e os posicionamentos do MaCain e do Obama.

Enfim, mesmo com a alta de preços agrícolas que se observa desde 2007 o Congresso aprovou por maioria absoluta US$ 48 bilhões em subsídios. Bush vetou a lei. O veto foi derrubado pelo Congresso.

Há uma análise muito boa aqui:

A Câmara dos Deputados e o Senado dos EUA aprovaram, por maioria absoluta, o texto da nova Lei Agrícola (Farm Bill) que entrará em vigor ainda este ano, com vigência até 2012. A lei é uma mescla dos projetos aprovados nas duas Casas no ano passado. A vitória com votos a favor acima de dois terços do total significa que o texto aprovado tem tudo para seguir adiante na forma desejada pelo Congresso, mesmo que o presidente George W. Bush decida vetá-la. Por razões que discuto a seguir, podemos esperar que o veto seja exercido. No entanto, Câmara e Senado podem anulá-lo, justamente porque o texto foi aprovado por maioria absoluta. Assim, podemos tomar o texto como a lei que entrará em vigor.

http://www.iconebrasil.org.br/pt/?actA=7&areaID=7&secaoID=23&artigoID=1619

O Instituto de Estudos do Comércio e Negociações Internacionais (ICONE) dedica-se principalmente ao estudo de temas de política comercial relacionados ao agronegócio. O instituto realizou estudos a pedido do governo brasileiro que serviram de subsídio técnico para o posicionamento do Brasil no G-20.

PS: Patrick falou bonito. Só isso.

Abs.

Paulo Araújo em agosto 9, 2008 12:26 AM


#12

Caro Paulo, acho que o Patrick fez mais que falar bonito. A perspectiva de um mundo no qual os EUA mantenham a postura beligerante dos últimos 8 anos é perigosa para todos. Estou com você e contra Obama no caso dos subsídios agrícolas. Só acho que as muitas vantagens de se ter um mínimo de sanidade mental na Casa Branca são grandes demais para serem ignoradas. A batalha contra os subsídios, aliás, tem que ser vencida aí, não aqui. Com o peso que tem o lobby agricultor por aqui, acho muito difícil que alguém não ceda, Republicano ou Democrata. É a história dos últimos anos, pelo menos. Abs.

Idelber em agosto 9, 2008 9:16 AM


#13

Po Idelber, estou aqui, ainda assustado com a abertura das Olimpíadas! (Vc viu o tanto de robô que tem la na China???) Li esse seu último post e estou quase decidido a me informar apenas por aqui. Essa imprensa me mostra que tenho pouca criatividade, quando eu acho que não pode piorar, eles me provam que estou errado...
Grande Abraço!

Guilherme Losilla em agosto 9, 2008 11:11 AM


#14

A georgia fica num ponto estrategico crucial, exatamente ali entre a Russia e o Ira. Acha que os russos vao aceitar quietinhos um monte de tropas americanas justo ali nesse miolo? O presidente da Georgia chamou os americanos prara dar treinamento militar ao exercito georgiano. O cara e doidinho, mandou tambem 2000 soldados da georgia para ajudar os americanos no Iraque. Vi o discurso dele na TV, o cara esta querendo insuflar uma guerra entre EUA e a Russia. Curioso e que no discurso, atras dele tinha um bandeira da uniao europeia! Quer a simpatia de Bruxelas, mas como vai ter a simpatia da uniao europeia se aliando desse jeito aos americanos? Os europeus nao compartilham o projeto de hegemonia suprema sobre o planeta dos americanos. A chapa esta quente, qualquer hora cai uma bomba em cima dos soldados americanos que estao la na georgia e ai o bicho pega Os EUA sao fortes mas nao podem com a russia, se nem um louco como Bush se atreveu a arrumar encrenca com a Russia e porque o pesoal do pentagono avisou ele que nao da mesmo pra encarar.

julio em agosto 9, 2008 12:17 PM


#15

Caro Idelber

Papo de candidato a presidência dos EUA sobre algum conflito, E É LÓGICO QUE SERÁ SEMPRE PELA CONCILIAÇÃO (assim esperamos), parece uma coisa profundamente arrogante!
Há ocasiões que o Chaves tem razão ao falar da arrogância norte-americana. Este é um deles.

Paulo em agosto 9, 2008 12:38 PM


#16

Ou seja, Obama não tem a coragem de dizer que os russos são os agressores, estimulando a destruição da Geórgia enquanto reprimem os chechenos. Se eleito, ele vai criar coragem ou vai apaziguar os russos? Pode fazer sucesso entre o beautiful people dizer que agressores e agredidos-russos e georgianos, respectivamente, são iguais, mas um presidente deve ser mais responsável que isso.

Alberto em agosto 9, 2008 2:48 PM


#17

Uma coisa que nós temos de levar em consideração é a maneira como as etnias estão distribuídas naquela região. É uma salada.

Isso se deve não apenas à URSS como também ao Império Russo.

A Federação Russa possui aproximadamente 80% de russo étnicos, o resto não o é e se subdivide em povos bálticos, demais eslavos, povos persas, mongóis e por aí vai.

Isso não é uma divisão certinha e bonitinha, não significa que você vai encontrar oito russos e dois não-russos em toda parte; Há regiões predominante não-russas e outras onde as proporções variam muito.

Se todo povo não-russo dentro da Rússia fosse declarar independência de seu território o mapa da Federação Rússia viraria um queijo suiço.

Tem mais: Do mesmo modo que há muitos não-russos dentro da Rússia há muitos russos étnicos nas antigas RSS's ocupando, muitas vezes, áreas bem delimitadas e até fronteiriças com a própria Rússia. Se esse povo quisesse se reunir com a Rússia ou simplesmente criar territórios independentes, o mapa de muitas das RSS's também viraria um queijo suiço.

No caso em questão, os ossetas obviamente não são russos ou georgianos étnicos e muitos deles querem se unificar à Ossétia do Norte para se integrar à Federação Russa: Querem isso porque sabem que não é viável criar um Estado osseta soberano e, já que é para pertencer a alguém, que seja pertencer à Rússia.

É uma situação complicada, mas é preciso lembrar que foram os georgianos que invadiram a Ossétia do Sul e deram início ao conflito. A Ossétia do Sul pode ser da Geórgia de direito, no entanto, de fato ela é tão georgiana quanto russa.

Obviamente, a tentativa do presidente georgiano em envolver a OTAN, a UE ou os EUA vai dar errado, porque guerra é acima de tudo uma questão de custo-benefício e nesse sentido a situação é amplamente desfavorável para Tbilisi. Mais que isso, se perdida a Ossétia do Sul, a fronteira russo-georgiana ficará terrivelmente próxima de Tbilisi.



Hugo Albuquerque em agosto 9, 2008 3:05 PM


#18

IDELBER,
peço-lhe permissão para deixar aqui um convite a seus comentaristas: Que possam ir até o blog do Luis Nassif (comentário de ontem, dia 8), onde ele comunica estar sendo processado por Diogo Mainardi, para lhe prestar solidariedade. As pessoas de muitos blogs estão indo lá. Como comungamos os mesmos ideais, temos que fortalecer essa teia. Abraços a todos!

lu dias/bh em agosto 9, 2008 3:05 PM


#19

"É uma situação complicada, mas é preciso lembrar que foram os georgianos que invadiram a Ossétia do Sul e deram início ao conflito. A Ossétia do Sul pode ser da Geórgia de direito, no entanto, de fato ela é tão georgiana quanto russa."
E a Chechênia é o que, então? As partes muçulmanas da China são de quem? E o bairro da Liberdade... é brasileiro ou japonês? A Rússia invadiu território georgiano ( a questão étnica mostra exatamente que a Geórgia, ao contrário da Rússia, uma democracia multiétnica. Exigir-como fez Moscou- que a Geórgia saia da Ossétia é comoe xigir que o Brasil saia de São Paulo. A questão continua: Obama vai mesmo vender a Geórgia para os russos?

Alberto em agosto 9, 2008 3:21 PM


#20

Idelber, caríssimo, claro que quando li seu post corri para o tio Google para checar se o tema havia sido mesmo deixado de lado pela grande imprensa pátria. De fato. Mas suspeito que chegou à TPM pelas mãos da impresna gringa, que tratou fartamente do assunto.. Que seria da blogosfera sem a imprensa empresarial...
.
E estou com o Paulo na provocação. Mais que saber da posição do McCain na Ossétia ocidental, é bom saber o que ele e Obama andam pensando e falando sobre subsídios, Colômbia, etanol, migração...

S Leo em agosto 9, 2008 7:31 PM


#21

O Le Monde está praticamente blogando ao vivo.

Idelber em agosto 9, 2008 7:34 PM


#22

Sergio, meu querido, concordo. Mas você deixou um link que leva a sete histórias. Só uma delas (a da ABC News) pode ser caracterizada como grande imprensa.

E a história da ABC News é posterior à do TPM...

Só para ser chato...

Mas concordo que sem a imprensa empresarial nós estaríamos, sim, em apuros. Agora você imagina se a Síria estivesse trocando bordoadas com Israel e o conselheiro principal da campanha de Obama fosse lobista pago da Síria. Quantas manchetes já teríamos visto?

Idelber em agosto 9, 2008 7:40 PM


#23

Alberto,

1-A Chechênia é...a Chechênia. Está dentro da Federação Russa, é república russa de direito, mas não o é de fato (pelo menos segundo pensam muitos chechenos e por isso lutam pela independência de sua terra, enquanto outros simplesmente colaboram com os russos seja por ódio aos jihadistas ou por quererem se manter dentro da Federação Russa).

2-As partes muçulmanas da China são da China, afinal de contas, islamismo não é etnia e sim religião.

3-Sobre a Liberdade ser japonesa ou brasileira, penso que se você não percebe a diferença entre uma colônia estrangeira dentro de um país amigo e um lar étnico artificialmente inserido numa unidade política estrangeira, só me resta lamentar...

4-A Ossétia do Sul é tão georgiana que eles precisam entrar lá sentando o aço. A República da Geórgia é 65 vezes maior que a Ossétia do Sul enquanto a Rússia é 30 vezes maior do que a Geórgia.

5-"Exigir-como fez Moscou- que a Geórgia saia da Ossétia é comoe xigir que o Brasil saia de São Paulo". Não é não. Paulistas são brasileiros, ossetas são ossetas e não georgianos. Por que a lógica não vale para a Chechênia e não vale para a Ossétia?

Hugo Albuquerque em agosto 9, 2008 8:24 PM


#24

Retificando:
Por que a lógica não vale para a Chechênia e não vale para a Ossétia?

na verdade:

Por que a lógica vale para a Chechênia e não vale para a Ossétia?

Hugo Albuquerque em agosto 9, 2008 8:29 PM


#25

Hugo Albuquerque,

Já falei que te amo? Maravilha de comentários.

Alba em agosto 9, 2008 8:55 PM


#26

"-As partes muçulmanas da China são da China, afinal de contas, islamismo não é etnia e sim religião."
Se você acha que raça é mais importante para a identidade nacional que cultura, você é racista. Só isso. Como se alguém que não fosse um especialista pudesse distinguir georgianos e russos... A Geórgia é um país legalmente constituído que foi invadido. Não é engraçado que as mesmas pessoas que acham que Saddam Hussein tem direito à Soberania e que os russos à integridade do seu território e qua acham feio que Israel mate civis sejam contra a Soberania da Geórgia, a integridade territoria georgiana e aceitem que os russos matem civis georgianos. Será que é porque os georgianos não são terroristas?
"Sobre a Liberdade ser japonesa ou brasileira, penso que se você não percebe a diferença entre uma colônia estrangeira dentro de um país amigo e um lar étnico artificialmente inserido numa unidade política estrangeira, só me resta lamentar..."
Não há nada de artificial. A Geórgia tem um grande número de russos (devido à russificação), assim como muitos nipo-brasileiros, nos anos 40, se consideravam japoneses e leais ao Japão (muitos foram mandados para campos de concetração por isso, sugiro que leia "Corações Sujos" para se informar um pouquinho). Será que o Brasil deveria ter entregue uma parte do seu território aos nipo-brasileiros que eram desleais? É a mesma coisa. Há um monte de brasileiros dos lados boliviano e paraguaio da fronteira. Se o Brasil resolvesse invadir esses países, quanto tempo demoraria para Brasília receber bombardeios de saturação e o Brasil ser apontado à execração mundial? Por que a Rússia é diferente? Por causa do petróleo, das armas nucleares ou por ter, ao contrário do Brasil, uma história de agressão e imperialismo que remonta aos czares e nunca foi rejeitada?
"Por que a lógica vale para a Chechênia e não vale para a Ossétia?"
Por quê? Os georgianos deveriam massacrar os ossétios como os russos fazem com os chechenos?
"Paulistas são brasileiros, ossetas são ossetas e não georgianos."
Verdade? Então, eles deveriam sair da Geórgia, né? Eles têm tanto direito de inventar um país do nada quanto eu ou os japonese que queriam que o Brasil servisse ao Japão.

Alberto em agosto 9, 2008 9:04 PM


#27

Alberto, eu não estou nem um pouco interessado em entrar numa discussão que começa comparando a Ossétia do Sul com o bairro da Liberdade, mas se você voltar a insinuar que algum leitor é racista, você será banido do blog.

Idelber em agosto 9, 2008 9:27 PM


#28

Fique à vontade, o blog é seu. Repito: quem diz que diferença de raça justifica que russos roubem a terra de georgianos, mas não que alguns extremistas japoneses roubem de brasileiros (como se o Brasil não fosse ainda mais multi-racial que a Geórgia) é um racista anti-georgiano,sim. Lamento a sua ignorância quanto à História brasileira e quanto a como o Brasil foi mantido unido pela força e lamento que você queira enganar seus leitores só para aliviar o erro do seu candidato.

Alberto em agosto 9, 2008 9:40 PM


#29

Certo, Alberto, eu sou ignorante de História brasileira, Hugo é um racista, e o bairro da Liberdade é igualzinho à Ossétia do Sul. Chega.

Vamos botar seu IP na geladeira até que você se acalme um pouquinho.

Idelber em agosto 9, 2008 9:43 PM


#30

Idelber, estou tão revoltado com a entrevista que li na Época desta semana. Escrevi um texto que vai ser publicado no desempregozero amanhã de manhã. Cara, fiquei chocado com a entrevista. E chocado que a època não pos nenhum contraponto.
Te juro que não inventei essas citações. O problema é que convence grande parte dos brasileiros. Falo isso, porque meu pai pensa assim. Para ver como é convincentte esse argumento, a primeira coisa que pensei: Mesmo se for verdade, o que faz um pesquisador querer provar a inferioridade de uma raça? E os diferencias de Q.I. que o cientista mostra são tão altos, que assusta como os negros são burros.
Nesta entrevista, ele diz que os pigmeus do Congo tem Q.I. de 54; aborígenes australianos, 62; negros da Áfirca Subsaariana 70; negros americanos 85; europeus, 100; orientais, 105. Ainda bem que os ingleses mataram quase todos os aborígenes. Eles fizeram um bem para a humanidade hehehe. O que é mais assustador é saber que meu pai concorda plenamente e gosta desta opinião: a uperioridade de europeus e orientais frente aos miscigenados brasileiros e aos negros africanos.
Hoje a Época não ficou nada a dever aos discursos de nojo do Mainardi em relação aos pobres e ao Brasil.
Vão as citações:

“Os negros americanos são mais inteligentes que os africanos porque têm 25% de genes da raça branca”.

“Os japoneses são os indivíduos que na média tem o maior Q.I. (105) entre as raças estudadas. É mais alto que o dos europeus e dos americanos. Em negros da África Subsaariana, o resultado foi 70.”
“O Brasil segue a lógica, um porcentual baixíssimo de ateus (1%) e Q.I. mediano. É um país miscigenado e sofreu forte influência do catolicismo de Portugal e dos negros da África. Fica difícil mensurar a participação de cada raça no Q.I. atual. O que posso dizer é que a historiado país se relfete em sua inteligência.”

“Quando os primeiros humanos migraram da África para a Eurásia, eles encontraram dificuldade para sobreviver em temepraturas tão frias. Esse problema se tornou especialmente ruim na era do gelo. As plantas usadas como alimento não estavam mais disponíveis o ano inteiro, o que os obrigou a caçar, confeccionar armas e roupas e fazer fogo. Ao exercitar o cérebro, na solução desses problemas, tornaram-se mais inteligentes. Há também uma mutação genética que teria acontecido entre asiáticos e dado uma vantagem competitiva a essa raça.”

Bruno em agosto 10, 2008 12:34 AM


#31

Alba,

Também te amo.

Alberto,

Nem devia mais me dirigir a você e acho que o Idelber já falou o suficiente, no entanto, ainda cabem alguns esclarecimentos: A única pessoa que falou em raça aqui foi você.

Em todo o momento usei o termo "etnia" que é sabidamente um conceito cultural e não genético, ao contrário do "multi-racial" que você tascou quando falou da Geórgia e do Brasil. Que eu saiba na Geórgia e no Brasil só existe uma única raça: A humana.

Uma das bases do conceito moderno de Estado-Nacional é justamente o conceito étnico que depende acima de tudo da aceitação do indivíduo em fazer parte daquele grupo. Ossetas não são georgianos e não são russos porque, sobretudo, se enxergam como tal. Eles não querem ser "russos", querem fazer parte da Federação Russa, o que é muito diferente.

Você vem e coloca as coisas num plano Rússia má X Geórgia boazinha; Mesmo partindo do pressuposto que haja covardia das duas partes, a da Geórgia em relação à Ossétia do Sul é muito maior do que seria a da Rússia contra a Geórgia, por uma óbvia questão de proporcionalidade.

"Como se alguém que não fosse um especialista pudesse distinguir georgianos e russos..."
Uma pérola. Sua briga toda é para acusar incondicionalmente a Rússia e você não consegue distinguir georgianos de russos!

"Por quê? Os georgianos deveriam massacrar os ossétios como os russos fazem com os chechenos?"
É isso que eles tentaram, mas não conseguiram. Você pode acusar os russos de hipócritas, mas nessa eles agiram certo, ou você quer dizer que o problema é que ambos deveriam ter o direito de fazer o mesmo?

"Verdade? Então, eles deveriam sair da Geórgia, né? Eles têm tanto direito de inventar um país do nada quanto eu ou os japonese que queriam que o Brasil servisse ao Japão."
Você não entendeu nada do que está acontecendo (ou está se fazendo de desentendido), a Ossétia já existe e faz um tempão.

Fora isso a comparação da Liberdade com a Ossétia do Sul é ridículo isso sem falar dos brasileiros no Paraguai ou na Bolívia.

É cada uma que aparece...


Hugo Albuquerque em agosto 10, 2008 1:16 PM


#32

Idelber,

o link do post que escrevi após a entrevista da Época. http://desempregozero.org/2008/08/10/a-superioridade-das-racas-brancas-e-orientais/#more-3125

è ridiculo comparar a Ossetia do Sul e o bairro da liberdade. A comparação da Ossetia do Sul é com a Bosnia ou com Kosovo. A diferença é que russos e americanos trocaram de lados no atual caso. Acho ridiculo que a imprensa retrate as posições do EUA (Georgia, Kosovo) como mocinhos e seus adversários como os mal (Sérvia, Rússia). Em ambos os casos, há uma disputa de poder. Não há bonzinhos. Os georgianos mataram mal de mil ossetas, os russos milhares de chehcenos e os americanos, milhares de iraquianos e alguns mexicanos na fronteira. A luta do governo americano pela democracia é a mesma que apoia o Mubarak, o rei do Marrocos, a Arábia Saudita, que apoiou Suharto na Indonésia, etc. Acho impressionante o alinhamento da imprensa às posições dos EUA sob o falso argumento de defender povos oprimidos. Não vi solidariedade aos ossetas. Queria saber se numa hipótese muito improvável dos mexicanos virarem uma grande maioria no sudeste americano e decidissem que queriam voltar a pertecencer ao México, se a imprensa trataria esse movimento separatista como trata os tibetanos. É claro que também a posição anti-americana é um erro na medida em que defende atrocidades e injustiças.

Bruno em agosto 10, 2008 1:42 PM


#33

Exatamente, Bruno. Na mosca.

Hugo Albuquerque em agosto 10, 2008 1:50 PM


#34

Pra lembrar e homenagear Mahmud Darwich, um grande poeta a menos no mundo, em trechos de traduções de seus poemas para a antologia Poesia Palestina de Combate, editada pela Achiamé, em 1981, com seleção de Abdellatif Laâbi e prefácio de Farid Suwwan:
Carteira de identidade ("Registra-me, sou árabe"), Carta do exílio ("sou como todos os jovens/fumo, me debruço sobre os muros/ e assobio às meninas/como os outros/porque são agradáveis as meninas ó irmãos/sem elas/quão mais amarga seria a vida/e meu companheiro disse...tens fome?/sinto que tenho fome...tens pão?/irmãos... que dignidade se pode ter/quando se tem fome?"/me sinto bem/me sinto bem/tenho um pão dourado/e uma cestinha com grãos"),
À espera dos que voltarão ("Meu povo plantou suas tendas na areia/e estou acordado com a chuva/sou o filho de Ulisses aquele que esperou o correio do Norte/um marinheiro me chamou, mas não parti/atraquei o barco e subi ao cume de uma montanha (...) Em vão perscruto o horizonte/Permanecerei na rocha... debaixo da rocha... inquebrantável"),
Um apaixonado pela Palestina (Gritei aos inimigos/Ó vermes/se alguma vez eu cochilar devorem-me a carne/as águias não saem do ovo da formiga/e o ovo da víbora leva oculta em seu seio/uma serpente")
Canto para os homens (um extraordinário coro de vozes, em que vozes palestinas dialogam com Cristo, Maomé e o Messias, nesse longo poema).
Concluo citando a tradução da última estrofe de
Observações sobre a canção
"Diz com os que recitam:
Eu não te peço uma carga leve
Ó Deus meu
Dá-me costas poderosas"

Jair Fonseca em agosto 10, 2008 2:30 PM


#35

Cara os EUA vão deixar de ser uma superpotência(os fatos já estão nos mostrando isso, é apenas o começo...), a união européia vai se tornar uma superpotência juntamente com o iraque que vai se reerguer e tornar-se um país muito forte.
Os focos vão todos para o oriente.
Parece meio messiânico mais, basta abrir os olhos!

Bruno Almeida em agosto 12, 2008 6:30 PM


#36

"Ao exercitar o cérebro, na solução desses problemas, tornaram-se mais inteligentes."

Esperava de tudo de uma revista como a Época, mas... genética lamarckiana!?

Luís Henrique em agosto 13, 2008 11:05 PM


#37

Ah!

Sobre o conflito em si, arrisco dizer que a questão étnica é menor, comparada aos interesses da exploração do petróleo do Mar Cáspio... o oleoduto que tem origem no Azerbaijão e abastece a Europa passa pela Geórgia e pela Turquia, não por acaso aliados dos EUA...

Como disse o Hugo, a "mosca-na-sopa" de Washington é mesmo o fato da Rússia ser um país "não-iraquianizável" e, além do mais, potência nuclear!

Sabemos que o governo Bush não mede conseqüências em sua política externa, e já anunciou apoio militar incondicional à Geórgia, sob a máscara da "ajuda humanitária"... vixe Maria!

Luís Henrique em agosto 13, 2008 11:25 PM


#38

Realmente a cituação é grave vamos ver no que vai dar após as olimpiadas!

Cescapi em agosto 19, 2008 8:47 PM


#39

Parabéns pelo blog primeiramente.

Só lembrando a todos que Q.I. é uma especificação extremamente falha. Pois esta indicação mede somente um tipo de inteligência, da qual trata-se de inteligência lógico-matemática, sendo que nós possuimos muitas outras formas de inteligência. Enquanto não se inventa nenhum método de medição de intelingência na íntegra, acho extremamente falho considerar um indivíduo mais ou menos inteligente levando em consideração somente seu Q.I.

Nota zero para a mídia e para a humanidade, pelo fato de considerar o teste de Q.I. como fator relevante na medição de inteligência do ser humano.

Bernardo em setembro 9, 2008 5:00 PM