« Clara Nunes, 65 anos ::
Pag. Principal
:: Momento jabá »
quinta-feira, 14 de agosto 2008
Os Estados Unidos na geopolítica mundial depois do conflito na Geórgia
Convenhamos que é meio humilhante começar a atirar e 48 horas depois implorar de joelhos por um cessar-fogo. Há algo de comovente em ver uma nação dar-se conta de que durante muito tempo acreditou num conto da carochinha. Segundo os relatos que chegam, o estado de espírito na República da Geórgia pode se resumir com uma pergunta atônita: onde estão os americanos que disseram que nos protegeriam, que eram nossos amigos? Os georgianos descobriram, na base da porrada, o que os latino-americanos minimamente informados já sabem há mais de um século: o que os EUA querem dizer quando alardeiam seu compromisso com a “liberdade e a democracia”.
As analogias históricas não funcionam muito bem para se compreender o conflito desta semana porque a Geórgia é – ou era, até a semana passada – um dos poucos lugares da galáxia onde o presidente americano goza de popularidade real. Como se sabe, a estrada que leva ao aeroporto de Tbilisi foi batizada com o tenebroso nome de George W. Bush. Ao longo dos últimos 16 anos em que predominou uma paz tensa na Ossétia do Sul e na Abkházia, e muito especialmente desde a eleição de Mikhail Saakashvili em 2004, a Geórgia tem sido a menina dos olhos do entrismo da OTAN.
Em abril deste ano, Bush defendeu abertamente a entrada da Geórgia no Tratado, sob os olhares estupefatos dos europeus, que sabiam muito bem a provocação que isso representaria para a Rússia. Logo em seguida, 1.000 marines foram enviados à base militar de Vaziani, na fronteira com a Ossétia do Sul, para treinamento do exército georgiano. Desde a visita de Bush ao país em 2005, os EUA apresentam a Geórgia como modelo de democracia, não se importando muito com as incontáveis denúncias de violações dos direitos humanos. Tudo indica que Saakashvili imaginou que contaria com algo mais que declarações verbais americanas no momento em que iniciasse a aventura militar na Ossétia do Sul (região onde, diga-se de passagem, fala-se língua da família irânica, sem relação com o georgiano, que é língua do grupo sul-caucasiano). Para piorar sua situação, as tropas russas são detestadas na Geórgia, mas são populares na Ossétia. Resumindo: a Geórgia imaginou que tinha entrado no clube.
Não é de se estranhar que a imprensa não tenha dito muito sobre as centenas de milhões de dólares em armas, treinamento, equipamento eletrônico, aviação e morteiros fornecidos por Israel para a Geórgia nos últimos anos. Por volta de 100 agentes israelenses participaram da preparação da invasão georgiana à Ossétia do Sul. O contato aqui foi via Davit Kezerashvili, ministro da defesa georgiano, ex-residente de Israel. Outro ministro, Temur Yakobashvili, deu entrevista a uma rádio israelense no dia 11 de agosto, afirmando que um pequeno grupo de soldados georgianos foi capaz de dizimar uma divisão militar russa inteira, graças ao treinamento israelense. Tampouco é de se estranhar que depois da surra levada pela Geórgia, Israel tenha subestimado o seu papel no processo.
Mas o que salta aos olhos neste conflito é a completa desmoralização da liderança americana. Há tempos não se via os EUA espernearem tanto com tanta impotência. O vice-presidente Dick Cheney falou em não deixar a agressão russa sem resposta e os russos solenemente ignoraram. O candidato republicano John McCain, cujo principal conselheiro foi lobista do governo georgiano durante anos, batucou seus queridos tambores de guerra sem que os russos dessem o menor sinal de preocupação. O New York Times relatou que duas altas autoridades americanas chegaram ao ponto de afirmar que os EUA estão aprendendo a hora de ficarem calados. Enquanto isso, McCain declarava que no século XXI, as nações não invadem outras nações, talvez imaginando que as invasões americanas no Afeganistão e no Iraque aconteceram no século XVIII.
Se o cálculo da direita americana foi se aproveitar do episódio para reforçar um belicismo que costuma lhe render dividendos eleitorais, há bons motivos para se imaginar que o tiro pode ter saído pela culatra. Não há indicadores claros de que a atual viagem de Condoleeza Rice à região, à reboque do presidente francês Sarkozy, possa reverter esse quadro significativamente. O que é certo é que o presidente Mikhail Saakashvili – que num discurso no sábado passado chegou a evocar McCain, um candidato a uma eleição num país estrangeiro – já pode falar sobre tiros pela culatra com a autoridade de um doutor honoris causa.
Atualização: Este texto também está publicado na Agência Carta Maior.
Escrito por Idelber às 06:10 | link para este post
| Comentários (38)
Idelber em agosto 14, 2008 7:23 AM
#2
Caro Idelber, como sempre, você levanta um assunto instigante e cita fatos e fontes de primeira!
Estando a milhares de kms do campo de batalha e dos países que influenciam estes acontecimentos, ainda assim e até o momento, nada me impressiona nas atitudes contidas nestes relatos, que me parecem coerentes inclusive nas pequenas novidades (que sempre existem). Mas você não acha que todas as partes estão cumprindo os seus respectivos papéis?
É possível que o mandatário da Geórgia tenha citado McCain, mas isso é consequência de estarmos em ano eleioral nos EUA. Da mesma forma não houve a extemporânea visita de Barak Obama a Alemanha?
Apesar da minha Bola de Cristal estar fora de operação no momento (em virtude da superutilização nas previsões olímpicas), posso te adiantar que você (e todos os demais) não precisam ficar com dúvidas que o próximo presidente dos EUA continuará a manter uma política para esta região semelhante a atual. ISTO SE DARÁ INDEPENDENTE DO NOME DO NOVO PRESIDENTE, que poderá ser Barak Obama, McCain ou qualquer outro.
Quanto a Condolezza Rice é o que já se chamou de "pau mandado". E olha que executa bem esta sua função. Por acaso ainda ontem vi imagens de um discurso por ela proferido à respeito de Guatanamo, das "viagens" de supostos terroristas por sobre o espaço aéreo europeu e acusações de tortura. Pois ela é capaz de ler aquelas palavras (que brilhante e diplomaticamente se encaixam) sem transmitir um só sinal de emoção.
E o mais curioso é que mesmo sob esta confusão, a Geórgia ostenta em Pequim, até agora, 2 medalhas de ouro!
Paulo em agosto 14, 2008 7:32 AM
#3
Totalmente absurda essa história...mas, o que eu não entendi é qual é o interesse de israel? Provocar a rússia? Ajudar os EUA?
aiaiai em agosto 14, 2008 7:32 AM
#4
Caramba, Paulo, eu não havia prestado atenção às duas medalhas de ouro da Geórgia! Notável. Ando meio alienado das Olimpíadas.
Sim, houve a viagem de Obama à Alemanha, mas Angela Merkel não fez campanha eleitoral explícita para ele, estou equivocado?
Idelber em agosto 14, 2008 7:40 AM
#5
Teu blog é daquelas coisas que me fazem acreditar que o Brasil tem jeito.
Fernando Gilliatt em agosto 14, 2008 8:24 AM
#6
Caraca, que elogio. Obrigado, Fernando.
Idelber em agosto 14, 2008 8:27 AM
#7
Idelder,
Alguma coisa sobre a morte do Mahmoud Darwish?
Luiz em agosto 14, 2008 8:30 AM
#8
Caro Idelber;
o problema é que os Georgianos pensaram que os EUA iam armá-los e protegê-los como fizeram com Israel.
cmedeiros em agosto 14, 2008 8:39 AM
#9
Luiz, há um belo epitáfio de Raymond Deane. Parece que a multidão em Ramallah foi impressionante. Vou tentar saber mais ao longo do dia.
Idelber em agosto 14, 2008 8:50 AM
#10
Noooooossssaaa....quer dizer que Israel treinou a turma da Georgia?
E os caras levaram aquela surra?
É....bom....dá pra ver que russos não são mesmo árabes palestinos esfaimados e maltrapilhos.....
KD a tão decantada e invencivel flama guerreira israelense?
Quem mandou se meter a besta.....
Desculpem......mas não suporto mais a impáfia dos israelenses !
HRP Lonly em agosto 14, 2008 10:17 AM
#11
Caro Idelber: Isso que está acontecendo não é nada. Na segunda Guerra mundial os Americanos não satisfeitos em mandar armas e bombas para a Europa, viéram eles própios em carne e osso disparar as suas metralhadoras e despejar bombas dos seus malditos aviões sobre os póvos europeus! Se calhar os Georgianos olhando o passado pensáram que isso podia se repetir. Déram com os "burros na água". Confiar em americano dá nisso...
é muito melhor confiar nos Russos esses sim muito mais previsíveis!
miguel em agosto 14, 2008 10:31 AM
#12
Ora, mas a Georgia "contratou" brasileiros para a Olimpíada. Aqui.
E há uma dupla masculina também.
Parece que lá naturalizam rápido...
E há gente que ainda brinca...
Abraços.
Milton Ribeiro em agosto 14, 2008 10:48 AM
Milton Ribeiro em agosto 14, 2008 10:50 AM
Idelber em agosto 14, 2008 10:51 AM
#15
Idelber, o engraçado foi quando perguntaram para a Cris sobre a guerra. Ela olhou em torno, deu uma risadinha e tascou:
- Lamentamos muito, né, cara?
São típicas garotas cariocas do Mar Negro.
Milton Ribeiro em agosto 14, 2008 11:11 AM
#16
Típicas garotas cariocas, uma paulista e outra amazonense!
Igor em agosto 14, 2008 11:25 AM
#17
É, são "quase" cariocas...
Milton Ribeiro em agosto 14, 2008 11:27 AM
#18
Nós os cariocas estamos acima destes estereótipos. Mas...para um debate, no entanto (e se este for realmente o interesse), não é bom ficarmos no uso do estereótipo, ou seja, o russo é bonzinho e etc, etc...
É interessante dizer que todas as constituições brasileiras anteriores a de 1988 retirariam (se fossem seguidas ao pé da letra) a nacionalidade brasileira destes nossos concidadãos vacilantes, ao constatarem que os mesmos defenderam as cores (força de expressão!) de outro país em competição oficial.
A situação esportiva(!) mundial atual é outra no entanto. Há, por exemplo, cerca de 40 chineses e chinesas defendendo outros países no tênis-de-mesa (na China chama-se ping-pong), da mesma forma que estes nossos concidadãos vacilantes defenderam a Georgia (que não podemos esquecer nunca, foi berço de importante mandatário do século XX).
A sorte está lançada e espero que pelo menos os nossos concidadãos vacilantes sejam firmes em relação a Georgia e, TERMINADA A OLIMPÍADA, ofereçam-se para servir a Georgia no que for necessário! Ou é pedir muito?
Paulo em agosto 14, 2008 12:03 PM
#19
Deu no "The Guardian" de hoje , sobre as brasileiras-georgianas:
James Lawton: On the beach, it was Georgia who beat Russia (with just a little help from Brazil)
A pair of Brazilian beach volleyball players strike a small sporting blow for a war-torn nation
Thursday, 14 August 2008
Around the time the news was drawing at least a small frown in the Kremlin, you couldn't help wishing there were a few more mercenaries like Cristine Santanna and Andrezza Martins das Chagas.
They do not make war, they play on the sand and here yesterday they did it with such passion and lithe brilliance it made a headline that in another context would have turned the world on its head.
Surreal but also impeccably accurate, it announced Georgia's defeat of Russia, with a little help from their Brazilian friends.
That the victory of "Saka" and "Rtvelo" – joined together the names form the word Georgia in Georgian – was accomplished at the Olympic beach volleyball stadium – and accompanied by bikini-clad cheerleaders dancing to the music of Sheryl Crow and Wham – did not seem to restrain the joy of the team who had been ordered by their nation's President, Mikhail Saakashvili, to stay at the Olympics despite the fact that their homeland was being bombed.
In her triumph Saka, aka Santanna, a 29-year-old from Sao Paulo who was on the point of collapse before the winning point against Russia's Natalya Uryadova and Alexandra Shiryaeva, did not attempt to blur the line between the meanings of war and sport, but she did want to make something clear, especially to Uryadova.
"For two years I have carried two passports but today I was a Georgian – just that. I was up until 3.30 in the morning with my team-mates when it was being decided whether we should stay or go home and I saw how difficult it was for Nino Salukvadeze to go out and win a bronze medal in pistol shooting with all her worries about what was happening back home.
"Today we went out with only one idea – it was to stay in these Olympics, to keep everybody's dream of winning a medal for our country alive. Yes, I'm glad we are still in – and the Russians are out."
Saka's pleasure at the third-set victory – after losing the first 21-10 – had vanished from her face when she heard of the comments of the beaten Uryadova.
The Russian had declared: "I should say that the competition has been outstanding and our opponents have made big progress in the last half year. Our Olympics are over because we have lost a game today and we regret it but I have to say we were not playing against the Georgian team – we were playing against Brazilians. They probably don't know the name of the president of Georgia."
Another barb came from Uryadova's team-mate Shiryaeva when she said: "Russia is big, Georgia is small. To me it is stupid for Georgia to start a war against us. I am a volleyball player. I do not understand anything about war."
Saka, who with Rtvelo had embraced the Russians before the game, was indignant. "Of course I know the name of Mikhail Saakashvili. He signed my passport. I also know his wife. I met her in the Olympic village a few days ago. She used to play volleyball and she is delighted that we are developing the game in Georgia. I want to take some young Georgian players to Brazil, where it is better for practice. I have a purpose now."
Yesterday it was to move against the might of Russia, sometimes with the composure and the aura of her compatriot from Ipanema. After the shock of being swept aside in the first set – and surviving the nausea that came just before the moment of triumph – she largely did it. It helped that her team-mate Rtvelo whispered: "Just one more point and we have done it."
Rtvelo, shorter and more aggressive, said that her own purpose was to remind the world in general, and the Russians in particular, that she and Saka were representing a warrior nation. "I know what kind of people I am playing for. They are fighters who do not give up easily."
Amid the celebrations a short, portly man with thinning hair dressed in a white T-shirt and shorts seemed to capture best the ambivalence of someone not sure whether to respond to a fantasy of sport or some of the deepest cruelties of real life.
Levan Akhvlediani is the president of the Georgian Volleyball Association – and the creator of yesterday's triumph – and from a middle of a media scrimmage he said: "The world may see this as a small win but sometimes a small win can be great. There are many difficulties and uncertainties facing us all, but this is the feeling I have at this moment.
"Today's team was formed because we have good contacts in Brazil, coaches who have helped us and who we hope will help us again in the future. It's official that Saka and Rtvelo are Georgian. We have met all the requirements and you know there are many Georgians in the teams of other countries, for example wrestlers.
"Now it is such a difficult situation in Georgia. Nobody has a lot of information. We see pictures in the newspapers and on the television and they are not good. Everybody's asking, 'What's going on, what's happening?' We don't know and we have to tell that to all the people in the Olympic Village who keep asking. Yes, our athletes wanted to go home but our president said no. It means we must stay and try to give some happiness to people back home. We respect the Olympic Games and one reason we are staying is that we particularly respect the Olympic principle of participation.
"Although the Russians were bad losers, I do wish them success in the future. However, from our position we do have a message for everyone. If you are going to make war, it is better to do it on the field. I say that with some feeling because I have had just a few hours' sleep since the start of the war."
Saka and Rtvelo have their homes in Brazil but they say that for some time their fate is bound up with the Georgians. Saka said: "We have a duty to Georgia. They have given us the Olympics. We were not such good players in Brazil but we have grown here. In Brazil there are so many good players they could make up eight or nine teams to compete at this level. So you have to remember what people have given to you and I do know that when the team were up in the night and wondering what to do, I thought, 'Well, if they go back, what do I do. I do not have a home in Georgia but then I thought, I have to go back there. I'm part of these people now, I am more Georgian now. We know now that it was probably good that we stayed because we would have been flying back to many dangers. We heard that the airport had been bombed."
In the morning sunshine of victory there was not a seat to be had in the 11,000-capacity stadium. The world wanted to know if there might just be some flashpoint of anger, some spectacle of rage that would be something of an echo of the affray in the Olympic Pool in Melbourne in 1956 when Hungary played Russia in a water polo match soon after Soviet tanks had rolled into Budapest.
There was blood in the pool in Melbourne. Here yesterday there was not a speck of it on the sand. Just, at the end it seemed, two girl mercenaries of sport who had been touched so unexpectedly by war – and whose reaction was to fight, in their way, for a country they were proud to call their own.
Beni Borja em agosto 14, 2008 2:22 PM
#20
Idelber,
Belo post, sua corbetura da guerra da Ossétia do Sul tem sido bem interessante.
Essa situação é uma confluência do jogo geopolítico envolvendo recursos energéticos com uma prorrogação das consequências do fim da União Soviética.
Engraçado, após o fim da URRS não somente a Rússia como praticamente todas as outras RSS's passaram a se agarrar em um nacionalismo meio embolorado para "unir" os países que acabavam de se tornar independentes.
Eles retomaram uma espécie de nacionalismo que já não existia mais no ocidente há tempos: Recriaram aquela fórmula, uma nação formada rigidamente por uma determinada etnia e para esta um Estado. Detalhe: Como eu já discorri no post anterior que tratava do assunto, não há uniformida étnica em nenhuma parte do que foi a URRS.
O termo "russo" passa a se aplicar a quem é russo étnico e não para quem nasce na Federação Russa. O mesmo vale para os georgianos e afins. E não há santinhos nisso, os russos são "opressores" na Federação Russa, mas são oprimidos na condição de minoria étnica nas ex- RSS's.
Há quem diga coisas do tipo "mandem os russos de volta para Rússia" (os russos étnicos, não importando se ele é de uma família que está há várias gerações naquele lugar). Ou isso, ou que abram mão da própria cultura.
Há casos piores, como na Chechênia e na Ossétia do Sul que não são meras "colônias", são lares étnicos; Chechenos não são russos assim como ossetas meridionais não são georgianos. Nem russos nem georgianos, no entanto, querem inclui-los respectivamente, mas também não querem prescindir dos territórios deles e aí você fica pensando qual será o destino desses povos.
Por certo essa não será a única guerra na região nos próximos anos. Regimes ultra-nacionalistas (que belo eufemismo eu achei) não conseguem coexistir pacificamente nem mesmo em cenários mais delineados que este.
Você soma essa instabilidade a intromissão ocidental que tem por único propósito meter as mãos em recursos energéticos e aí a porcaria está feita.
Hugo Albuquerque em agosto 14, 2008 2:49 PM
#21
Um editorial do Haaretz lembra o apoio de Israel a Pinochet, a Idi Amin, aos generais argentinos, ao regime do Apartheid e conclui que de novo Israel apostou no cavalo errado.
Idelber em agosto 14, 2008 2:53 PM
#22
O Hugo levantou um assunto interessante. Na Estônia, se não estou enganado, um terço da população é de origem russa e, após a independência, ficaram sem direitos civis e nacionalidade. Não podem votar, não podem servir no exército, não podem se tornar funcionários públicos etc.
Patrick em agosto 14, 2008 3:28 PM
#23
Exato. A Estônia tem um treco chamado "cidadão com cidadania indeterminada", que abarca uma porcentagem bem significativa da população. Nunca vi coisa parecida...
Idelber em agosto 14, 2008 3:48 PM
#24
No volei de praia as russas também venceram com facilidade... ao lado das ginastas romenas são expressão da beleza da mulheres do nosso planeta.
Jorge em agosto 14, 2008 7:00 PM
#25
Pois é, Idelber e Patrick, há muita coisa estranha pelas ex-repúblicas soviéticas. Até um movimento de "relativização" do Nazismo em provocação aos russos.
Mas é óbvio que só os russos estão errados, sempre. É o Império do Mal mesmo.
Quanto ao envolvimento de Israel no treinamento e fornecimento de material para as forças armadas da Geórgia, provavelmente deve ter o dedo de imigrantes russos que se estabeleceram no país após o colapso da URSS e hoje formam uma importante colônia. É provável que haja algum sentimento de revanche por parte desses imigrantes contra os nacionalistas russos ou seja apenas comércio mesmo,contando com o uso de canais políticos ainda abertos entre alguns russos- isralenses influentes e as ex-RSS's mais a "aliança" americana com os georgianos. Talvez ambos.
Hugo Albuquerque em agosto 14, 2008 7:22 PM
#26
Acredito que essa guerra foi uma benção para direita militar americana, ele será uma das grandes vencedoras dessa guerra, afinal agora terá mais um argumento para poderoso lobby para que o novo presidente (leia-se Obama) não corte gastos no programa militar americano em detrimento de investimentos sociais.
Quer dizer perde o americano que necessita do Estado e ganha aquele que lucra com ele.
Marcelo Luiz em agosto 14, 2008 8:33 PM
#27
Supongo que podriamos "amenazarlos" que si no dejan Georgia en paz podriamos dejar de permitirles llevar comida, agua, repuestos y otras cosas necesarias al International Space Station.
That'll teach 'em.
Mac Williams em agosto 15, 2008 3:38 AM
#28
Muito boa a oportunidade de reflexão, caro Idelber.
Pelo encaminhamento tomado nos comentários espero que todos já tenham percebido como o nosso país está situado um passo à frente em relação a problemas desta ordem, e como determinados governantes sul-americanos trabalham dia e noite para importar para o nosso continente problemas da ordem dos existentes naquelas paragens!
Esta ocorrência evidencia como, em termos de política externa, os atuais candidatos às eleições norte-americanas terão posições possivelmente semelhantes.
Vida que segue.
Paulo em agosto 15, 2008 4:36 AM
#29
Confesso que não entendi muito bem o argumento face ao exposto e às informações que andam circulando. Israel e Estados Unidos teriam dado um imenso apoio à Geórgia, mas ao mesmo tempo demonstram um falso apoio. Creio que o fato de Saakashvili não contar com as óbvias dificuldades americanas após 2004 em questões internacionais devido ao comprometimento que o Iraque, e, seguidamente, o Irã lhe impõem, não é prova da ontologia de uma falta de compromisso americano com a "liberdade e democracia", mas apenas que o gigante não se preparou para os desafios por vir. A comparação com a América Latina, aliás, me parece descabida, já que se trata do oposto: de um lado, o apoio comum a ditaduras militares e regimes de exceção; do outro, o suporte a um governo bem longe dos tristes exemplos de nosso continente.
João Paulo Rodrigues em agosto 15, 2008 7:16 AM
#30
Caro Idelber, este seu post me lembrou um filme cuja estória retratava a vida de dois caçadores. Um deles tinha idade para ser pai do outro e viveram grandes aventuras juntos com caçadas memoráveis. Por algum motivo que não lembro eles se separáram por uns anos e quando se reencontráram o caçador mais velho estava bastante debilitado na sua condição física ao contrário do mais novo, agora um homem em pleno apogeu da sua força. Preocupado com as condições do caçador mais velho o novo pendurou uma lata numa árvore e pediu para o mais velho acertar um tiro com a carabina. Triste resultado! o velho não enxergava direito e não acertou nenhum tiro! Muito compadecido, o jovem desceu à cidade e comprou uma arma nova e de cartuchos pensando que isso seria a solução para os problemas de visão do amigo. A arma realmente éra linda mas o final da estória foi muito triste. Outros caçadores matáram o velho caçador para roubar a arma nova dele. Se bem entendi no seu post e de acordo com a sua moral Idelber, deveriamos perseguir e prender o caçador que comprou a arma para o amigo, afinal por culpa dele este morreu é isso?
miguel em agosto 15, 2008 9:14 AM
#31
Não, caro miguel, não é isso não. O caçador velho é que deveria ter percebido que a temporada de caça mudou.
Idelber em agosto 15, 2008 12:20 PM
#32
O "império" encontra dificuldades de várias ordens, internas e externas, chamem-se China, Irã, Chávez, Evo e, agora, Rússia. O urso hibernou por mais de uma década lambendo as feridas e se recompondo. O governo ultra-fascista da Geórgia colheu em dobro com as porcas sementes espalhadas. EUA tem supremacia no ar e mar, mas em terra os russos continuam sendo imbatíveis, como Israel e gringos constataram in loco.
Armando do Prado em agosto 15, 2008 5:06 PM
#33
Muuuito bom, idelber. Por isso que, quando falo de polítia externa, me restrinjo à vizinhança, não dá para chegar perto de um post desses.
Mas também entrei na seara irresponsável do Milton, só que me dedicando à importação de volibolistas brasileiros pela Geórgia.
Aí vale uma crítica à imprensa: concentrados no óbvio (exotismos, engraçadismos e o esporte), ninguém na China aproveitou a história para verificar se a Geórgia não andou comprando estrangeiros para representar o país em outros esportes...
Se não houve caso semelhante em outras modalidades, poderiam pelo menos contar um detalhe, que vi na agência Lusa: a ex-mulher do presidente georgiano era jogadora de vôlei. É isso aí, cara que fica seguindo conselho de ex-mulhar acaba invadindo o que não deve.
s leo em agosto 15, 2008 5:46 PM
#34
Bem sei o quanto são tormentosas e complexas as questões de política internacional. Por isso, tendo ciência da inteligência do dono do blog, me preocupa o maniqueísmo do post. Nenhuma condenaçãozinha ao Putin? Pelo contrário, veladamente louva o desafio do imperialismo russo à hegemonia ianque, desconsiderando as atrocidades e a falta de escrúpulos do Kremlim.
Abraço
Kbção em agosto 17, 2008 8:17 AM
#35
Legal o texto, Idelber.
Só gostaria de saber o seguinte: em qual outro país do mundo um professor de uma universidade, deste mesmo país!, poderia escrever um texto desses? Na China? Na Rússia? E sem ser nativo, é bom que se diga!
Os EUA são isso aí mesmo, recebem os outros, dão empregos para os outros, e chegam ao absurdo de conceder liberdade para que estrangeiros falem mal do país em seu território. Um país que deveria acabar, não é mesmo? Bom é a China, a Rússia, Cuba. Faça isso nestes lugares e depois nos conte. Faça um artigo detonando a política chinesa no Tibet, ou abordando a Rússia na Chechênia, ou criticando Fidel. Mas tem que morar em cada lugar desses quando fizer o texto.
Depois nos conte.
Um grande abraço.
Vinicius em agosto 20, 2008 8:59 PM
#36
Vinicius, meu caro, não falemos de China e Cuba. Falemos de Brasil. Você nunca conheceu nenhum estrangeiro que publicasse, no Brasil, coisa tão crítica sobre Pindorama? Dê mais uma vasculhada aí no país. E encontrará.
Idelber em agosto 20, 2008 9:06 PM
#37
Prezado Idelber,
conheci sim. O que me vem à cabeça agora é aquele correspondente do NYT. O que aconteceu com o cara? E isso no Brasil, que não apita absolutamente nada na geopolítica mundial.
Quando falei nos outros países, coloquei uma provocação para alertar que, normalmente, os EUA são apontados como os grandes vilões de todos os males do mundo.
Mas, muito modestamente, penso eu que não há mocinhos e/ou bandidos nessa história. Todos estão defendendo os seus interesses, e o mundo vai ficando cada vez mais um lugar difícil de se viver.
Um abraço.
Vinicius em agosto 23, 2008 10:00 AM
#38
ola adorei tudo o que vi nesta pagina....eu sou a saka que joga pelaGeorgia. Gostei muito do respeito apresentado a nos. So eu e a andrezza sabemos oque passamos e enfrentamos e como atletas vc sabe que no brasil tudo e muito dificil.
valeu a pena todo esforco para estar na olimpiada e viver o que vivemos
obrigada a todos que nos apoiaram
cristine SAKA em novembro 17, 2008 12:36 AM
Deixe seu comentário: