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sexta-feira, 01 de agosto 2008
Você sai sozinha?
Conversando com Ana ontem, apareceu um daqueles assuntos meus favoritos para especulação antropólogica, daqueles irresistíveis para um blog. Eu dizia que na minha experiência, uma das grandes vantagens que a sociedade norte-americana (da qual eu sou muito crítico, como sabem) ainda possui sobre a brasileira é a maior possibilidade que tem a mulher de sair sozinha para beber uma cerveja, almoçar, jantar, tomar um café. Evidentemente, não é uniforme no país todo, e com certeza será mais comum em Nova York, Nova Orleans e São Francisco que no Mississippi ou em Utah. Mas, no geral, ainda é infinitamente mais comum aqui do que aí, acredito eu.
Há o problema da violência, é claro. Eu imagino o receio que deve sentir uma mulher de sair sozinha no Rio de Janeiro, hoje em dia, para jantar. Mas abstraindo a questão da violência – se é que é possível abstrair esse albatroz gigante e onipresente na sociedade brasileira --, interessa-me a questão da aceitabilidade do ato. Estou interessado em saber mais um pouco sobre o desconforto que sente ou não uma mulher brasileira, casada ou solteira, não importa, ao ter vontade de simplesmente ir até um restaurante, sentar-se, consumir bebidas e comida, pagar e ir embora.
Falo por mim. Sou gregário, adoro reunir gente, mas também gosto muito de sair só. Preferencialmente, vou ao cinema sozinho. Já perdi a conta de quantas vezes fui a estádios de futebol, especialmente o Mineirão, sem acompanhantes. Sempre que chego a uma cidade estrangeira (“estrangeira”, para mim, é qualquer cidade não-brasileira e não-americana), meu primeiro impulso não é telefonar para os eventuais amigos, mas sair sozinho e explorar a cidade a pé. É o meu jeito de sentir a urbe.
Em Belo Horizonte, sei que é muito raro – belo-horizontinas, corrijam-me se eu estiver errado – encontrar mulheres sozinhas em bares, restaurantes ou cafés. A percepção que tenho é que isso é um pouco mais comum em São Paulo que no Rio de Janeiro. Mas que, no geral, ainda é muito desconfortável para uma mulher brasileira ter esse prazer tão simples – o de uma refeição ou uma bebida desacompanhada.
Diga lá: além da violência, que é um fator chave, você percebe desconforto ou discriminação ao sair sozinha? Ou você nem tenta? Homens: já pararam para pensar nisso?
Escrito por Idelber às 06:25 | link para este post
| Comentários (87)
#1
Eu saio sozinha e gosto! Sempre gostei de sair sozinha, já na adolescência adorava ir ao cinema, fazer compras, ir à praia. Meus amigos e amigas me achavam a coisa mais esquisita desse mundo...sabe como adolescente é gregário, né?
Depois, continuei nessa toada. Ontem mesmo fui a um simpático e pequeno restaurante que tem aqui na minha rua. A dona/chef já é até minha amiga...Vou sozinha, tomo um vinho, como alguma coisa, converso com ela e volto. As vezes até faço amizades.
Nas minhas viagens a trabalho, muitas e variadas, sempre que posso escolho ir jantar ou almoçar em restaurantes. Comer comida no hotel, dentro do quarto sozinha, só se estiver muito cansada. Vou para a rua! Nas viagens a lazer então, nem se fala. Adoro falar com todo mundo, interagir, e estando sozinha é mais fácil.
Já tive problemas aqui no Brasil e no Marrocos. No Brasil, muitas pessoas me olham achando estranho ou com pena (pobrezinha, sozinha...)Eu não ligo. No Marrocos foi meio punk, porque só tinha homem no restaurante e era um tipo de bar...Aqui, a única experiência que me doeu foi em Araçatuba. Tava lá a trabalho e resolvi ir numa churrascaria. Era a cidade do boi gordo, achei que ia me dar bem...mas o pessoal de lá não gosta de ver mulher sozinha. Não queriam me atender...dai eu insiti e me serviram a pior carne que já tive o desprazer de experimentar. Desisti, fui para o hotel e comi um sanduiche. Foi a única vez que "eles" venceram kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk
Mas no geral acho que é bem difícil para uma mulher sair sozinha no brasil. Não vejo muitas...em sao paulo ou rio e BH é mais comum, mas não é frequente.
aiaiai em agosto 1, 2008 7:38 AM
#2
Idelber,se eu vejo uma dessas [prafrentex] por aí dando sopa, eu pego e como. CRAU! Com todo carinho, é claro. Sem violência e com muito amor! Ainda pago a conta antes de jogar nas costas.
Demai$ão em agosto 1, 2008 8:00 AM
#3
Rapaz, eu nunca tinha pensado nisso. Vejo isso com uma naturalidade tão grande, que nunca sequer comentei o fato de uma mulher estar/sair sozinha.
Marco Vitis em agosto 1, 2008 8:46 AM
#4
É claro que saímos...é verdade que ainda viceja um certo preconceito velado, mas as coisas têm melhorado bastante!
Beijocas.
Ah! linkamos você no nosso "Rostinhos Bonitos".
NÃO SOMOS APENAS ROSTINHOS BONIT... em agosto 1, 2008 8:48 AM
#5
Saio sozinha. Não tanto quanto gostaria, porque, na verdade, tenho saído muito pouco mesmo acompanhada. Mas aqui no Rio nunca ouvi falar de estigma de quem sai sozinha. É público e notório para a população de fora e de dentro que o Rio de Janeiro se fortalece como capital dos solteiros, seja de qual sexo for.
E, embora existam muitos reféns da histeria coletiva, as mulheres não deixam de sair, sozinhas ou acompanhadas, por causa da violência. Não a ponto de criar um colapso na noite (e no dia) carioca por falta de gente. Longe disso. Aliás, sempre bom reavaliar esse tipo de juízo de valor sobre a violência no Rio, hein?
Bom blog. Virei sempre e já assino o feed.
Tai em agosto 1, 2008 9:19 AM
#6
Li atento, Tai. Sua experiência vai na direção oposta de muitas amigas cariocas que tenho. É sempre bom ouvir outra perspectiva, especialmente neste caso. Abração, venha sempre, sim.
Idelber em agosto 1, 2008 9:35 AM
#7
Adoro sair sozinha! Se bem que quase sempre estou acompanhada de um livro (aliás, um antídoto poderoso contra gente chata que insiste em querer conversar). Também adoro caminhar pelas ruas de cidades que não conheço. Calço meu tênis às 5:30 da manhã e vou explorar o terreno (aliás, não é interessante o quanto se pode inferir sobre a população de uma cidade apenas caminhando por suas ruas?). Claro que tem sempre aqueles olhares do tipo "tá dando mole", mas basta fazer cara de poucos amigos e eles desistem.
Maria Andréia em agosto 1, 2008 9:42 AM
#8
Aqui em São Paulo é muito comum isso. Tenho inúmeras amigas que vão sozinhas ao cinema ou à restaurantes.
Jorge em agosto 1, 2008 9:47 AM
#9
Um livro é uma arma poderosíssima contra os puxa-conversa de plantão, Maria Andréia. Muito bem notado :-)
Idelber em agosto 1, 2008 9:48 AM
#10
moro em uma cidade de 2.000 hab. no interior de são paulo e saio direto sozinha. nunca tive problemas com isso. nem qdo adolescente. e viajo bastante, em geral sozinha, e sempre saio desacompanhada. manaus, buenos aires, recife e chile foram lugares onde surgiram probleminhas pq mulher que senta em balcão, pede cerveja e ainda fuma, nossa!, é biscate!!!! mas tudo depende da postura mesmo. em geral ignorar resolve. e é uma questão de escolha: sair ou ficar em casa? prefiro sair...
sofia em agosto 1, 2008 9:50 AM
#11
Eu, em SP, não gosto de sair sozinha (a não ser para o cinema - cinema acho que pode porque é um negócio cultural, não necessariamente social). Agora, sair para jantar, tomar um café, não gosto. Aí pensando nisso, me ocorreu: me parece que vão sentir pena. Que vão olhar e pensar, "ah, coitada, imagine só ter que jantar sozinha porque não conseguiu ninguém pra fazer companhia?" Pro meu desgosto, percebo que essa opinião retardada deve ser bem mais minha que de qualquer outra pessoa! :) Também posso ser um tiquinho mais retrógrada pela idade (40) sendo que as mais novas já conseguem ser independentes com muito mais naturalidade. Curioso.
Lucia em agosto 1, 2008 9:52 AM
#12
Taí uma coisa que é contra-intuitiva, Sofia. É de se imaginar que, numa cidade de 2.000 habitantes, seria mais duro fazer isso. Interessante mesmo.
Idelber em agosto 1, 2008 9:54 AM
#13
Sempre saio sozinha e só me lembro de que isso é um sinal inequívoco da minha depressão, antisociabilidade e suprema bizarrice quando relato o ocorrido para certas amigas. Eu não aprendo: invariavelmente desenha-se no rosto da amiga a mais sincera expressão de comiseração, e custam-me alguns segundos para lembrar o motivo de tanta piedade. E isso não acontece só quando saio: uma das minhas idéias de programa perfeito é ficar sozinha em casa, tomando um vinho, cozinhando e ouvindo música. Tenho uma amiga que chega a me chamar de coitada quando conto uma catástrofe dessas. Mas, no fundo, eu entendo, pois minha reação é quase a mesma quando ela me conta que precisou viajar com o namorado porque nunca se sabe o que ele pode aprontar sozinho. Felizmente, nossa amizade só se enriquece com essas diferenças, sobre as quais sempre conversamos abertamente.
Se ela está se privando de um prazer ao não se dar a chance de sair sozinha? Sinceramente, não sei. Na minha concepção, obviamente a vida fica muito mais interessante quando se pode estar desacompanhado e feliz. Mas esta é a minha concepção, que funciona bem para a minha vida, e não tenho por que supô-la correta ou absoluta. De repente, na concepção de outras pessoas, sempre me privei do imenso prazer de saber tudo o que o namorado faz. Coisa que, para mim, nem entra no campo dos prazeres possíveis.
Mas, para além do desconforto interno, há também o desconforto que pode ser causado pela reação das pessoas ao ver uma mulher sozinha num restaurante ou bar. Sobre isso, posso dizer menos ainda - nunca reparei em possíveis olhares estranhos de garçons ou freqüentadores, mas não posso afirmar com certeza que eles não existam. Aí entra uma particularidade minha: dou muita importãncia à opinião de pessoas que me são caras, e quase nenhuma à de desconhecidos. Outro sinal, aparentemente, de minha incorrigível bizarrice.
Camila em agosto 1, 2008 10:24 AM
#14
Idelber,
minha impressão é que brasileiro - homem ou mulher - não curte muito sair sozinho, de maneira geral. Sempre me lembro da passagem de "Raízes do Brasil" em que Sérgio Buarque afirma que os brasileiros teriam pânico da individualidade e da formação de laços sociais não mediados pelo gregarismo ou pela afetividade familiar. Claro, isso é um generalização bruta e essencialista, característica de parte de nosso ensaísmo, mas se a idéia é sociologia do botequim, tá valendo, rsrs.
Mulher saindo sozinha no Rio eu vejo apenas em restaurantes e cinemas, e mesmo assim não muitas. Bar, nunca vi. Quando solteiro, eu ia ao cinema sozinho umas duas vezes por semana. Ao Maracanã, fui apenas uma, e mesmo assim encontrei conhecidos, rsrs. Rubro-negro nunca está sozinho...
João Marcelo em agosto 1, 2008 10:29 AM
#15
Oi, Idelber;
Estou no Rio e sempre saí sozinha - mesmo quando casada. Cinema, restaurante... Voltando tarde pra casa ou não. Nunca tive problema, sempre fui bem atendida, algumas vezes paquerada mas, se foi sorte ou não, foi só dizer um "Puxa, desculpe, mas eu realmente prefiro ficar aqui quietinha no meu canto" que o cara se recolhia.
Tenho um grupo de seis amigas - casadas, solteiras - que também gostam de sair sozinhas de vez em quando. Também nunca tiveram problema - apenas uma delas foi impedida de entrar num bar porque estava desacompanhada. Aí puxou a carteira da Ordem e disse que a Constituição prevê igualdade entre todos. Se os homens entram desacompanhados, por que não ela?
Suzana em agosto 1, 2008 10:47 AM
#16
Gosto muito de sair sozinha,desde a fazer compras, ir ao cinema, tomar uma cerveja... Mas no último item, não raro sofro interpelações masculinas do tipo "o que faz uma mulher como você sozinha?". Da última vez, foi mesmo curioso: o sujeito me vira e fala que na concepção dele mulher sozinha em bar ou é porque está procurando homem ou é porque discutiu e quebrou tudo com o marido em casa, chora as mágoas com a birita e deve ser do tipo chatinha. Isso aconteceu em BH. Sinto como se uma mulher não tivesse a prerrogativa de simplesmente sentar e tomar uma cerveja - desacompanhada por opção -, com o direito de não levar uma cantada.
Abração, Idelber; sua pauta é sempre interessante!
Joana em agosto 1, 2008 11:08 AM
#17
Olá, Idelber.
Olha, é bem verdade mesmo. Eu moro sozinha em Nova York e vou a TO-DOS os lugares aqui assim, sozinha. Vivi sozinha em São Paulo por um ano e não sei, eu ia sozinha ao cinema e etc., mas a bares e baladas não. Provavelmente sentirei falta disso quando voltar de vez ao Brasil - a não ser, claro, que eu decida manter esse bom hábito também por lá. ;)
Flávia Stefani em agosto 1, 2008 11:16 AM
#18
Não é só o Rio que tá virando a capital dos solteiros não... BH já é conhecida assim há pelo menos 5 anos - a quantidade de "solteiros convictos" por aqui aumentou drasticamente...
Jasão em agosto 1, 2008 11:35 AM
#19
Se sinto vontade de ir há algum lugar, por exemplo cinema, e não tenho ninguém para ir comigo, vou só tranquilamente. Mas não faço isso sempre. Não por medo, e sim porque não gosto. Dá uma sensação de solidão e não gosto de me sentir assim. Mas as vezes é bom sair sozinha para pensar, refletir um pouco.
Paula Braz em agosto 1, 2008 11:40 AM
#20
Idelber,
Adorei seu blog, comecei a ler por causa do post sobre a série In treatment, que sou viciada. Gostei muito dessa pauta também... Gosto de sair sozinha, frequentemente almoço sozinha, já fui a bares sozinha e acho muito engraçado que as pessoas se questionem porque uma mulher sai ou não sozinha. Alguém se pergunta o que um sujeito faz sozinho num bar? Poxa, saiu sozinha porque me deu fome, ou porque quero estar só comigo, ou tomar uma cerveja... Será que pra tudo na vida uma mulher precisa de companhia? De pajem? Chega até a parecer paternalismo. E indagar se a mulher sozinha está a procura ou "coitada", não tem com quem sair, me parece coisa de gente mexeriqueira...Abraços e parabéns pelo blog
Karina em agosto 1, 2008 11:42 AM
#21
Tenho uma amiga que tem uma teoria sobre a quase inexistência de mulheres sozinhas em bares e restaurantes em São Paulo.
Segundo ela todas vezes que alguma moça sai sozinha imediatamente algum homem 'chega junto', causando a impressão que elas estão acompanhadas. É o chato de plantão. E existem muitos.
Assim, ainda segundo minha amiga, toda mulher acompanhada de um homem está na verdade muito solitária. Basta ver que sempre que há um casal num bar ou restaurante o clima de tristeza entre eles é visível, não é uma regra geral mas pode ser comprovada, prestem atenção quando forem a um bar, vocês vão ver muitas mulheres que saíram sozinhas, acompanhadas do chato de plantão.
Ela diz que quando uma mulher sai acompanhada, ou vai com uma ou mais amigas ou muitos homens, e a alegria e descontração é notória, típica de gente que está acompanhada.
Há também as mulheres que saem sozinhas mas levam o seus próprios chatos de plantão. Como uma bolsa ou algo do gênero.
E conclui;
O chato de plantão, levado de casa ou encontrado em qualquer lugar, cria a falsa idéia de que as mulheres paulistas não saem sozinhas. Saem e muito.
Essa teoria nos remete àquele outro post aqui no Biscoito, 'Sobre lugares, homens e mulheres' e pode responder à sua pergunta feita no post;
"mas o que essa mulher extraordinária está fazendo com esse zé-mané?". eh eh eh.
fm em agosto 1, 2008 12:51 PM
#22
Vejo muitas mulheres saindo sozinhas e não imagino que elas se sintam desconfortáveis por causa disso... mas, moro em São Paulo, vejo que isso funciona bem por aqui... Para mim, por aqui, não parece ser tabu nenhum, mas talvez seja a minha visão distorcida de homem...
Ulisses Adirt em agosto 1, 2008 12:54 PM
#23
Adoro sair sozinha principalmente ir ao cinema, naturalmente, não sinto preconceito...
Izabella em agosto 1, 2008 1:37 PM
#24
Eu sou nascido no sul de minas e moro em São Paulo há quase quinze anos, nunca notei isso. Não sou mulher e não sei qual a sensação, mas eu nunca notei. Tenho uma porção de amigas e parentes em Belo Horizonte que saem sozinhas a toda hora e nunca me reclamaram de nada. Minha namorada é de lá e gosta muito da vida noturna, nunca mencionou problema. Aqui em São Paulo amigas saem sozinhas a toda hora.
tiago mesquita em agosto 1, 2008 2:01 PM
#25
Eu gosto de sair sozinha e nunca senti discriminação por isso. Desconforto, apenas na cidade onde estou morando, por ser do interior e por sempre existirem pessoas agrupadas nos locais, seja de turistas ou de familiares. No Rio eu vejo muito mais gente sozinha nos restaurantes, cafés, cinemas e museus e por isso fico mais à vontade.
Quem fala muito da vida de uma mulher solitária é a Danuza Leão nas suas crônicas. Quando ela fala dos prós e contras da vida solitária e da vida em grupo é interessante.
Te em agosto 1, 2008 2:08 PM
#26
Sempre adorei sair sozinha, viajar sozinha, estar sozinha. Gosto de observar as pessoas e, inevitavelmente, acabo tendo uma idéia da reação provocada por uma mulher sozinha. Há o tal do olhar de pena, como se o situação não fosse escolha. Há o olhar de superioridade, de algumas mulheres acompanhadas. Há o olhar de predador, de quem acha acha que pode acabar com aquela solidão toda. Há o olhar cúmplice, de quem também está sozinho por querer; ou de "eu te entendo", por quem não se sente confortável naquela situação.
Já almocei ou jantei fora demais sozinha, mas nunca fui mal atendida, apesar de várias vezes ter ouvido o clássico "vai pedir agora ou está esperando mais alguém"? Seria interessante saber se os homens também ouvem essa pergunta.
Quanto aos homens, onde um "eu prefiro ficar sozinha" foi mais interpretado como isso mesmo, sem maiores dramas, foi em São Paulo. No Rio, já aconteceu uma certa insistência, um "tem certeza?", mas tudo acaba se resolvendo no Gentileza gera Gentileza. Mas as experiências mais interessantes foram da época em que morei sozinha em Itaparica e, depois, em Salvador.
Em Itaparica foi o lugar onde mais encontrei amantes da eremitagem, o que tornava algumas coisas extremamente fáceis. Por outro lado, uma mulher sozinha nos bares, na praia ou nos restaurantes incomodava muito mais as outras mulheres da ilha. Sei que há vários implicativos nessa situação, mas também há um caso interessante. Eu frequentava muito um restaurante mantido por um casal. Ela, italiana, tinha se mudado para lá e aberto um restaurante; ele, francês, trabalhava em um restaurante na França, foi conhecer Itaparica e se apaixonou por ela e pela ilha. Antes de o restaurante ser dos dois, ela nunca tinha conseguido uma funcionária mulher. Sabotavam, brigavam, desobedeciam e enfrentavam aquela estrangeira que tinha invadido o território delas. Eu tive mais sorte pois, no primeiro dia, encontrei minha mãe-baiana que me fez frequentar a casa dela, me apresentou para os amigos e a família, e fui um pouco melhor aceita. Principalmente depois que viram que eu não estava ali para arrumar marido. Nunca tive qualquer problema com os homens locais, sempre bastante respeitosos.
Dezoito quilômetros de mar depois, Salvador é outro cenário. Alguns homens soteropolitanos acham uma ofensa grave você preferir ficar sozinha a ter a companhia deles. Insistem, insistem, dão um tempo e voltam a insistir, para saber se você não mudou de idéia. Já me incomodei a ponto de levantar e sair, quando não estava a fim de confusão e quando o dito cujo estava acompanhado de amigos, porque há todo um jogo entre eles. Se estão sozinhos, a coisa é mais fácil, pois abafam a abordagem e tentam com a próxima mulher que aparecer sozinha. Mas quando estão com amigos, eles rodam o baiano e tratam de desqualificar a ofensora.
Ainda não conheço muito dos EUA, e aqui em New Orleans não conheço o centro da pegação, a Bourbon Street. Mas tenho sentido uma não tensão quanto a isso, como se o assunto nunca tivesse sido nem mesmo considerado. É ótimo para quem quer o direito à estar sozinha, é claro, mas também penso muito no outro lado, o dos que saem em busca de companhia. É triste ver, ao vivo, tantos quadros de Hopper...
Ana em agosto 1, 2008 2:31 PM
#27
Não me importo de sair sozinha, embora prefira estar acompanhada. Ando sempre muito desligada, não noto a reação das pessoas, mas o que posso dizer é que nunca notei olhares estranhos, nem de pena nem de constrangimento, e nunca fui abordada por nenhum inconveniente. Ir ao cinema sozinha é bacana; almoçar sozinha, tudo bem; fazer cmpras ou passear numa livraria é ótimo; mas jantar sozinha acho que deve ser tedioso, nunca tentei. Para mim, jantar fora é um evento social, não faz sentido se não for com alguém. Para comer sozinha em restaurante, prefiro comer em casa mesmo.
Quanto à questão da violência: ela existe e me preocupa, mas tenho hábito de dirigir sozinha à noite, voltando do cinema ou do chope com as amigas, tanto durante a semana quanto aos sábados e domingos. À noite as ruas do Rio ficam desertas, principalmente de segunda a quarta, quase nenhum carro circula depois da meia-noite, mas nunca me senti amedrontada. Tomo os cuidados necessários - fecho as janelas, reduzo nos sinais mas não paro, exceto em cruzamentos perigosos, não bebo - e vou em frente.
Beijos
Monix em agosto 1, 2008 2:38 PM
#28
De modo geral concordo com o q foi dito acima. No Rio (e tb em Niteroi, onde moro), mulheres sozinhas em cinemas, centros culturais e restaurantes é normal. Já em bares é bem mais difícil, e causa sim uma certa estranheza por parte de alguns.
Henrique em agosto 1, 2008 2:39 PM
#29
Eu moro em bh e sempre saí sozinha quando bem quis. Quando morei em curitiba, passeava sozinha também, numa boa, em bares, boates, etc. Mas tanto lá quanto aqui rolam olhares semelhantes: uma mistura de preconceito com uma certa curiosidade e comiseração.
A maioria das minhas amigas daqui não se sente à vontade saindo sozinha, talvez porque não suporte muito esse "olhar" alheio tão cheio de "cobranças" e interpretações de toda ordem.
Faço meus os comentários aí de cima, tanto um bom livro quanto uma resposta segura podem evitar os chatos de plantão e garantir uma noite deliciosa, com boa comida e bebida (não sei cozinhar direito, então prefiro jantar fora, sempre que dá), boa música, vendo gente bonita, etc. E ainda correndo o risco de fazer amizades...
Agora, a leitura do FM foi espetacular... muitas vezes o chato de plantão (próprio ou encontrado) não nos deixa perceber o que acontece de fato: que as mulheres saem muito mais sozinhas do que parece...
Agora, no caso de bh, elas saem umas com as outras. É muito mais divertido.
Rebecca em agosto 1, 2008 3:04 PM
#30
Em Belo Horizonte vc sai sozinha e acaba encontrando gente conhecida, até ex-colega da 4a série do ensino fundamental! Isso me aconteceu na primeira vez que saí sozinha pruma noitada viajante de samba-rock, soul e funk das antigas. Não fui pelo simples prazer de estar sozinha (fui com medo, e tive que mentir pra minha mãe), e sim pela música irresistível. Foi ótimo no fim das contas. A interação com o sexo oposto muda, ganha um upgrade. Para a minha surpresa, percebi que me olhavam com admiração, e não estranhamento. Já teatro, cinema, mesmo a sessão das 21 horas, é o meu programa básico e vejo outras mulheres sozinhas, numa boa. Mas aos fds a atmosfera muda e as turmas de casais e famílias reparam, sim.
LucianA em agosto 1, 2008 3:31 PM
#31
Comentário 8, do Jorge: Aqui em São Paulo é muito comum isso. Tenho inúmeras amigas que vão sozinhas ao cinema ou à restaurantes.
Comentário 21, do Frank: Tenho uma amiga que tem uma teoria sobre a quase inexistência de mulheres sozinhas em bares e restaurantes em São Paulo.
Para vocês verem como é tal da diferença de perspectivas.
Monix, você nunca saiu para jantar sozinha? Uau.
Idelber em agosto 1, 2008 4:27 PM
#32
Caramba, Suzana, essa história da sua amiga puxando a carteira da Ordem para entrar num bar sozinha é incrível!
Idelber em agosto 1, 2008 4:33 PM
#33
Moro no Rio de Janeiro há décadas, e sempre saí sozinha para todos os lugares; isto é, só saio acompanhada quando quero, esteja casada ou solteira, seja com amigos ou amigas. Anos atrás, muitos anos se bem me lembro, os garçons costumavam perguntar se eu estava esperando alguém. O que era chatíssimo de ouvir. Mas há tempos não ouço essa pergunta desagradável. Parece que os proprietários já se mancaram que a pergunta não tem sentido algum. Se eu estivesse esperando alguém dizia logo, ora. E também viajo sozinha, no Brasil ou no exterior, quando quero. Nunca me importunaram além da conta. Se não quero a companhia de um "oferecido", digo isso e pronto. Acho ótimo sair só, gosto muito de minha própria companhia. E não me considero nenhuma raridade. Na Zona Sul do Rio, e no Centro, é tão comum ver mulheres sozinhas que não sei de onde você tirou essa observação. No interior de São Paulo já reparei que é mais raro mulher sair sozinha.
Vera Borda em agosto 1, 2008 5:02 PM
#34
Atualmente estou morando em Campinas, mas já passei por outras duas cidades do interior paulista e notei a mesma postura em todas.
Há sim mulheres sozinhas em bares, restaurantes e cinemas. Não são a maioria, mas há.
Quanto ao estranhamento, acho inevitável (Pois como já disseram acima, trata-se de um fator cultural. E bem sabemos o que isso implica. As raízes que possui)
Agora o estranhamento é maior ainda se passar das 20h!
Já o machismo é estampado. É só estar sozinha que acredita-se estar - facilmente - disponível.
Vanessa Prates em agosto 1, 2008 5:03 PM
#35
Flávia, Nova York é a cidade mais amigável que conheço para quem quer sair sozinho, homem ou mulher. Ninguém se importa, é genial. Buenos Aires também é muito boa para isso.
Eu também às vezes escuto o está esperando mais alguém?, mas suspeito que as mulheres devem ouvir essa pergunta com mais frequência.
Idelber em agosto 1, 2008 6:02 PM
#36
Idelber,
Eu adoro! Tenho vários colegas, mas acho bom e importante separar um tempo para estar sozinha e fazer o que gosto. Desta forma, consigo refletir e pensar com os meus botões. Moro em Brasília e sempre ando de bicicleta, vou ao cinema ou saio para tomar um café em algum lugar diferente. Minha mãe mora em Buenos Aires (ah..! Buenos Aires...) e lá eu também a-do-ro sair sozinha! Lá, as senhoras também saem sozinhas. Já aqui em Brasília eu não vejo senhorinhas pintadas e de chapéu andando sozinhas..Talvez em São Paulo, Rio ou MG, mas aqui não. Você acha que pode ser uma questão cultural? Eu acredito que sim. Beijos e parabéns pelo Blog,viu?
Daniela Rocha.
Daniela Rocha em agosto 1, 2008 7:00 PM
#37
Em BH, freqüentava muito o bar do meu amigo Clode, "Desde 1999", em Santa Tereza, cujas clientes femininas sempre elogiaram o fato de nele poderem ficar a sós, ou em duplas e tal, e não serem assediadas. Aconteceu que daí a pouco o bar tinha um extraordinário público feminino, dado que se conhece a tradição machista dos botequins no Brasil. Elas diziam para o Clode e o Gegê que lá se sentiam à vontade e os dois gajos supracitados ajudavam a fazer os malas de plantão se mancarem e irem incomodar em outra freguesia.
Resultado: tanta mulher atraiu muito "male" mala, e elas, claro, fugiram do bar! Ainda vão, mas em menor número.
Em Florianópolis, onde moro, atualmente, não há vida de bar como em BH, mas já testemunhei coisas como um sujeito xingar uma garota que não quis dançar com ele no rancho do samba em Sambaqui.
Jair Fonseca em agosto 1, 2008 7:04 PM
#38
Eu saio muito sozinha, pra compras, cinema, concertos, almoçar, etc. Meus horários são mais flexíveis do que a média das pessoas, e eu aproveito isso - se for esperar meus amigos workaholics terem um tempinho, mofo em casa. Não deixo de fazer nada por causa da expectativa de violência, mas não facilito: ando com dinheiro, sem cartões, e sempre volto pra casa de táxi ou carona. Em alguns lugares, como o palácio das artes, as pessoas olham torto mesmo, parece que estou fora do padrão (o interessante é que eu noto que no mesmo local estão outras pessoas sozinhas, mas elas tentam ficar invisíveis... não entendo isso).
Às vezes, saio com amigas, e é garantido que sempre aparecerá algum homem achando que mulheres sozinhas estão só esperando a agradabilíssima companhia dele. E ele se sentirá particularmente insultado se a companhia for recusada, como se estivéssemos desprezando o favor que ele acha que está fazendo! No dia da recepção pra Mary W aconteceu isso, o cara ficou furioso porque ele queria fazer graça com a gente pra vender bombons, perdeu a venda (inconveniente daquele jeito, até eu passo a odiar chocolate) e ainda saiu nos xingando. Haja paciência!
Em BH, acho que o povo é mais intrometido, olha com cara de dó, chega junto, tenta empurrar companhia, etc. Fiquei um tempo sozinha em Curitiba, e nunca percebi esse estranhamento. Talvez eu estivesse me divertindo tanto andando pela cidade que não tenha notado a cara de susto das pessoas... Sei que o mundo lá é mais complicado porque todos os colegas do marido ficavam hor-ro-ri-za-dos por ele "me deixar" sozinha em uma cidade "desconhecida"... era tão bizarro ouvir isso que soava engraçado.
Cynthia em agosto 1, 2008 7:06 PM
#39
Aquele cara que apareceu no dia da recepção para a Mary W era um mala-sem-alça mesmo.
Idelber em agosto 1, 2008 7:18 PM
#40
Por outro lado, existe um certo espírito de manada que tulmutua o meio de campo. Barulho, escracho, conversa alta, celular, etc, atrapalhando quem quer apenas comer, refletir ou olhar qualquer coisa. Acontece em cinema, teatro, clube, parque, livraria, etc. Sem falar na maldita televisão que começa a ter presença em qq. boteco, restaurante, clínica ou o raio que o parta. Haja as manadas e a televisão.
armando prado em agosto 1, 2008 7:31 PM
#41
tumultua, tumultua, tumultua...claro!
armando prado em agosto 1, 2008 7:33 PM
#42
Meu comentário é bem parecido com o da Monix. Eu sempre saí sozinha, desde adolescente. Agora, lembrando bem, eu morava no subúrbio e quando tinha vontade de ir à praia não me apertava se não achava companhia. Pegava o ônibus e ia sozinha. Nunca tive problema.
Depois, cedo aprendi a ir ao cinema sozinha também. Aliás, é um programa que eu amo. Acaba sendo uma experiência de enorme privacidade pra mim, e eu curto relaxar e externar minhas emoções sem ninguém por perto (eu choro muito, por exemplo, e por bobagens às vezes, cenas tolas mesmo, dependendo do momento, e não me sinto à vontade fazendo isso com ninguém por perto).
Almoçar sozinha também sem problemas.
Com relação a jantar, a questão é que eu sou casada há 17 anos, e sempre acabo preferindo ir jantar com ele. O que pode acontecer, algumas vezes, é de um dos dois estar viajando (quase sempre ele), ou pintar um programa com amigos num momento que ele não está a fim, está cansado ou trabalhando, e aí eu saio com os amigos/as numa boa. Mas ir jantar completamente sozinha deixando ele em casa eu não vejo graça.
De toda forma, pra mim, sair sozinha foi sempre questão de oportunidade, com nenhum problema envolvido, e também nunca me trouxe nenhum aborrecimento, pelo contrário, é uma coisa que eu curto muito.
Ana Paula em agosto 1, 2008 7:50 PM
#43
Não, Idelber! Esse mala que você está falando é outro. Naquele dia fomos premiadas com DOIS malas...
Cynthia em agosto 1, 2008 8:21 PM
#44
Ah, entendi, Cynthia. Vocês foram brindadas com outro chato, ainda no Maletta, antes de eu chegar, né?
Jair, bacana sua lembrança do bar do Clode. Eu não tinha rolado essa fama. Uma das nossas últimas reuniões de blogueiros de BH foi lá.
Idelber em agosto 1, 2008 8:49 PM
#45
O que todo mala deveria saber, mas não sabe, porque é mala, é que sempre a mulher que escolhe o cara, mesmo que ele a tenha escolhido. Assim, nem sempre mulheres sozinhas querem alguém. Num bar, por exemplo, podem estar simplesmente a fim de tomar umas, apreciar o movimento, ficarem à vontade com amigas ou em meio a desconhecidos. Se quiserem conversar ou paquerar, isso é mais ou menos explicitado. Todo mala ao querer carregar alguém deveria perceber que mala é algo difícil de ser carregado.
Jair Fonseca em agosto 1, 2008 10:35 PM
#46
Eu sou do interior de São Paulo. Já fui até para boates sozinha - mas é cidade um tanto pequena, sabia que ia encontrar gente conhecida por lá. Mesmo assim, chegar sozinha é algo que quase nenhuma mulher faz.
E eu saio sozinha, sim. Nunca fui a um restaurante, porque nunca me ocorreu, nunca me deu vontade de ir sem que alguém me acompanhasse. Mas já fui a lanchonetes, várias vezes. Parei quando levei um soco de um maluco revoltado, chapado, sei lá.
Não sou de me intimidar com olhares alheios, não. E as pessoas olham MUITO quando aparece uma mulher sozinha. Alguns olham até com pena, é divertido. "Coitada, olha só, ela não tinha ninguém para vir com ela ao cinema..."
A maioria das mulheres que conheço, no entanto, não sai sozinha por nada no mundo. Tem a história de não irem nem ao banheiro sozinhas, não é? Então.
Kelli em agosto 1, 2008 10:43 PM
#47
Sim. ^^ Na verdade, faço isso com muita frequência. Viajar, ir ao restaurante, tomar uma bebida (de preferência uma tequila ;) ). Gosto de fazer essas coisas sozinha. Morar em cidade do interior, com pouca violência, me permite esse tipo de liberdade.
Não sei se faria o mesmo se morasse na capital. Provavelmente não.
^^/
Carla em agosto 1, 2008 11:00 PM
#48
Pois é, Idelber, eu tinha até esquecido. Quando fui comentar é que percebi que tivemos prêmio duplo! Aquele chato em Santa Teresa não chega aos pés do outro...
Cynthia em agosto 1, 2008 11:18 PM
#49
Na Zona Sul do Rio, e no Centro, é tão comum ver mulheres sozinhas que não sei de onde você tirou essa observação.
Cara Vera (#33), deixe-me fazer um breve comentário sobre isso: como todas as teorias de "sociologia de boteco" apresentadas aqui, são "tiradas", claro, da observação, que é sempre parcial, precária, subjetiva etc. Pesquisas sobre isso eu não conheço. Como visto aí em cima, dois leitores da mesma cidade dão testemunhos radicalmente diferentes.
O post não dizia que as mulheres do Rio não saem sozinhas; dizia que o fenômeno me parece mais comum em São Paulo. Você contesta, e essa contestação é um motivo de alegria para mim, embora nos quase 50 comentários eu ainda não tenha visto nenhum -- além do seu -- que me sugira que a impressão inicial estava errada. Não posso deixar de notar que você cita a Zona Sul e o Centro. Será que em Bangu, Campo Grande, Madureira encontramos a mesma realidade? Será que mesmo na Zona Sul isso é tão comum assim? (falo de bares, restaurantes, etc., não da praia ou da caminhada pela cidade). Acho que valeria a pena pensar mais.
Idelber em agosto 2, 2008 12:12 AM
#50
Oi, (oi, não, já que essas corporações fdp se apropriam até do nosso jeito de falar e saudar!: Beleeeza, sô Idelber, já que estamos num papo de boteco imaginário, ou numa mais imaginária ainda casa de chá com biscoitos finos, reparo que poucos jornalões (e afins) brasileiros noticiam pesquisa respeitável na Argentina que põe o Lula como primeira liderança política latino-americana. Estranha tanta discreção,digamos, ainda mais se considerarmos a tão propalada (e põe propalação nisso!) rivalidade entre brasileiros e argentinos.
Jair Fonseca em agosto 2, 2008 12:58 AM
#51
Relendo esse trem, na seqüência,vejo que cometí um barbarismo, como se dizia (nem tão) antigamente: trata-se da DISCRIÇÃO (claro que sou irônico) dos "nossos" jornalões e afins.
Jair Fonseca em agosto 2, 2008 1:29 AM
#52
Eu saio sozinha, não tenho problema com isso e também tenho o maior prazer em ficar só em uma mesa, acompanhada só de um livro. Nunca fui abordada aqui em São Paulo por causa disso, mas há um dado importante: eu geralmente saio na hora do almoço, na Avenida Paulista, em um ambiente fortemente associado ao trabalho na região. É comum demais encontrar pessoas sozinhas ali, comendo rápido, entre um compromisso e outro.
Eu acho que essa naturalidade tem bastante a ver com a minha geração. Minha mãe, que é viúva, tentou encarar durante um período a aventura de sair para almoçar sozinha, ou fazer programas sozinha. Ela nitidamente se sentia incomodada com isso, até se sentindo meio com pena de si mesma por estar sozinha. Talvez a solidão à mesa seja símbolo de abandono para algumas pessoas, especialmente para as gerações mais velhas.
Alessandra Alves em agosto 2, 2008 6:38 PM
#53
Para Alessandra Alves,
Adoro suas colunas no GP Total, parabéns. Legal saber que frequenta esse espaço.
Paulo SPS em agosto 2, 2008 9:20 PM
#54
Alessandra é uma antiga amiga, Paulo, e uma leitora histórica do blog :-)
Idelber em agosto 2, 2008 9:53 PM
#55
Idelber,
Certa vez conheci uma mulher na Lapa que se dizia muito à vontade em ir a bares ou restaurantes acompanhada só de um livro ou um jornal. Eventualmente alguém puxava conversa numa boa.
Acho que quem vive no Rio abstrai a violência melhor do que nós que freqüentamos de vez em quando. Assim acho que lá é mais provável uma mulher sair sozinha. Já aqui, no interior de Minas, isso é um tabu dos mais sólidos e intransponíveis.
Beto em agosto 2, 2008 10:34 PM
#56
As mulheres que conheço saem sozinhas quando querem. Algumas preferem sair acompanhadas, seja do(a) namorado(a), seja dos(as) amigos(as). Minha observação é de que as mulheres que saem sozinhas costumam ser mais vítimas de malas. Não que as acompanhadas não o sejam, porque mala que é mala mesmo nunca renuncia à malice. Em incontáveis oportunidades, já me pediram ajuda. "Ai, me salva desse mala".
Fábio Carvalho em agosto 2, 2008 10:48 PM
Luciana em agosto 2, 2008 11:11 PM
#58
Luciana, se o Shopping que você cita for na Zona Sul ou no Centro, está aí um bom contra-testemunho ao testemunho da Vera :-)
Idelber em agosto 2, 2008 11:33 PM
#59
já saí muito sozinha em são paulo e nunca tive nenhum problema; sempre foi natural, pra mim e pras minhas amigas. mas em nenhum outro lugar do brasil que conheci senti o mesmo, embora não conheça muitos, e já conversei com amigas sobre isso e elas concordam: são paulo é o lugar menos machista do brasil de que temos notícia, nesse ponto. em cidades vizinhas, testemunhei ser impossível uma moça dançar sozinha em danceteria, ainda que não esteja sozinha no lugar: é abordada de 5 em 5 segundos por homens inconformados (como esse do comentário #2)!
lu em agosto 3, 2008 12:16 AM
#60
IDELBER,
permita-me destoar de sua posição. Sou mineira de Beagá e saio sozinha sempre que tenho vontade. Volta e meia cismo de tomar um chopp, pego a minha bolsinha e lá vou eu.
O que acontece é que o belo horizontino é muito chegado num dedo de prosa, daí a necessidade de estar sempre enturmado.
Como é que a gente vai falar do PIG, do Menino do Rio, do Cansei, da direita raivosa se estiver só?
Sexta-feira última resolvi tomar uns choppinhos. Fui a um lugar onde ele é delicioso. Acontece que havia uma senhora sozinha em outra mesa. Perguntei-lhe se podia sentar-me junto a ela, que respondeu afirmativamente. Então passamos duas horas falando da Jô Moraes (campanha boca a boca). Nesse ínterim chegaram mais duas outras
e como não havia mais lugar no boteco, convidamo-las para nossa mesa. Foi muito legal. Falamos até do CQC.
O que acontece é que nos botecos de Belô as pessoas são mais afetivas, convidam outras para se assentarem à mesa (nós não temos mares, temos bares). A verdade é que o mineiro é muito sociável e chegado a uns bons causos.
E aqui para nós, beber sozinha é um desconforto total, pois faltam as piadas, as boas risadas, as fofocas... Para mim o ato de beber tem cunho de sociabilidade. E sempre travo papo com quem está por perto. Nunca me senti constrangida. Acho os homens muito gentis, encarando tudo com naturalidade.
Conversando com um amigo que mora aí no Tio Sam, fiquei encabulada quando ele me disse que pega o mesmo metrô há oito anos e não conversa com ninguém. Uns estão lendo, outros dormindo, outros com cara de poucos amigos, outros indiferentes. Ninguém quer papo.
Fiquei me imaginando numa situação dessa, pois se pego um lotação entabulo conversa com quem está a meu lado. Se o ponto é um pouco mais longe, saio com "n" informações sobre a pessoa. Na segunda vez que a encontro já a considero amiga, na terceira já é da família. Se eu vivesse aí no Tio Sam, iria morrer de tédio. Afinal de contas o homem é um animal sociável.
Quanto ao medo, é bogagem. Não estamos seguros em lugar algum. Basta imaginar o monte de meteoros e outras bugigangas que circulam a Mãe Gaia. É o caso do cara que tinha medo de avião e o dito cujo caiu sobre a casa dele.
Aprendi que quanto mais sociável com as pessoas, menos perigo eu corro. Por isso cumprimento os tipos mais estranhos que encontro no meu caminho. O medo atrai o perigo. Se um cão tentar avançar em você, basta o encarar sem medo que ele volta. Mas se correr o bicho pega.
Uma amiga passava por uma rua deserta e se viu seguida por dois molecotes. Logo viu que um estava com a camisa do Atlético. Era dia de jogo.
Parou e lhes perguntou:
- Vocês sabem o resultado do nosso Atlético (ela era cruzeirense)?
- Está empatado tia - respondeu um deles.
Continuaram falando sobre o jogo...
Então um lhe pediu um trocado.
Ela lhe respondeu:
- Meu filho, só estou com o dinheiro da passagem.
Ele então retrucou:
- Tia, nós vamos te levar até no ponto do seu ônibus, pois este lugar está muito vazio hoje e é perigoso em dia de jogo.
Ou seja, salva pela SOCIABILIDADE.
lu dias/bh ( f ) em agosto 3, 2008 12:16 AM
#61
bem, nao sou mulher, sou gay.
de toda forma, achei curioso colocarem na mesma fritada ir ao cinema sozinho e ir a bares sozinho. pra mim sao coisas muito diferentes. ir ao cinema desacompanhado pode ser uma oportundiade para introspeccao, para fruirmos de uma forma particular, e sem distracoes, a obra que se apresenta na tela. em geral isso cai bem porque nos da uma certa "paz" para curtir o produto cinematografico do nosso jeito. mas ir a um bar pra mim tem outra natureza. em geral as pessoas estao procurando (no sentdio amplo do termo) alguem, nao? caso contrario bebericavam em casa mesmo. pelo menos no meu caso, ja tive a fase de achar que ir a um bar sozinho era mostra de que eu era "moderninho". bobagem. eu estava mesmo era sofrendo de solidao na urbe (mas esse pode nao ser o caso de muita gente, na boa). naqueles tempos, ficava mesmo era a fim de um bom papo e, muitas vezes, algo mais. hoje so vou a bares acompanhado e tambem nao me animo mais em viajar sozinho. pra voltar ao topico do idelber, percebo que muitas amiga minhas, ex "moderninhas", tambem estao mais nessa linha. acho que cansamos da solidao, queremos mais troca com o outro, ainda melhor se for embalada por uma bem gelada.
ed em agosto 3, 2008 10:59 AM
#62
Acho que tem de tudo um pouco. Consigo compreender a situação que o ed descreveu aí em cima, mas acho que às vezes a gente vai desacompanhado exatamente para ficar um pouco só, no meio de uma vida tumultuada em que se está com muita gente em volta o tempo todo (marido, filhos, colegas de trabalho, etc). Pra mim, pelo menos, às vezes é gostoso ficar em silêncio, sozinha mesmo, e me divirto, nessas horas, observando as outras pessoas à minha volta.
Ana Paula em agosto 3, 2008 12:17 PM
#63
Eu saio sozinha e me sinto bem! Mas para chegar a esse estado foi muito dificil. Do nordeste, admissivel hoje em dia até um bando de mulheres juntas a caça de homens, por suposto. Mas sozinha, não! Existe preconceito de homens e mulheres, que são mais machistas que muitos homens. Também elas foram ensinadas, aqui e alhures, que não são seres por inteiro, são metade.Portanto, completas apenas com o seu inteiro. Inteiro porque homem, pela sociedade, não é metade e nunca foi. Então um casal de heteros é 1/5, de gays é 2 e de lésbica, dependendo da aparencia, nem 1 é. Mas não culpo os homens. São as mulheres que permitem isso, muitas vezes. As mulheres não são vítimas da situação em que se encontram. Aliás, ninguem é!
teka em agosto 3, 2008 3:55 PM
#64
ED, posso até estar enganada, mas seu depoimento pode ser usado em outra enquete. Não, que queira dizer que é menos importante. É interessante e leva a tona a terrivel figura da solidão.Mas, é porque vc é HOMEM. Gay, mas homem. Quanto a sua amigas "moderninhas" peça, para elas darem os depoimentos delas aqui para que possamos saber o motivo de terem abandonado a "modernidade".Provavelmente, como vc disse, medo da solidão. Mas lembrem muitas vezes estamos acompanhados por uma multidão e estreamente sós. Então, o que é a solidão?
bia em agosto 3, 2008 4:07 PM
#65
Eu saio sozinha. Sempre saí. Filha única, sempre gostei de ler, e até em casa gosto de estar na minha própria companhia. Cinema, teatro, show, restaurantes, café. Só em bares eu sinto falta de alguém pra conversar, talvez porque eu entenda que o bar é o lugar pro bate papo, pra reunião de amigos. E em festas. Mas aí é pelo preconceito alheio. Ir a um casamento, aniversário, etc, chegar e sair só é um horror. Ficam todos olhando com cara de pena.
Mas, eu moro em SP. e aqui isso é bem comum.
Valéria em agosto 3, 2008 6:24 PM
#66
Sobre o comentário do Ed, eu queria dizer uma coisinha. Já notei que é mais comum, Ed, que na comunidade gay o bar seja um lugar de encontro, um lugar para se conhecer alguém. Se eu fosse solteiro, o último lugar em que eu pensaria procurar alguém seria um bar. Se estou sozinho no bar, é porque quero estar sozinho mesmo. A caça eu reservaria para outros espaços, em geral agendados antes. Mas eu, como heterossexual, desfruto de liberdades que sei que os gays ainda não têm. Ou seja, o "estar sozinho" ser traduzido na cabeça dos outros imediatamente como "estar disponível" depende não só do sexo (homem ou mulher), mas também da orientação sexual. É um dado importante que o comentário do Ed me fez ver com mais clareza.
Idelber em agosto 3, 2008 6:58 PM
#67
Eu nunca tinha pensado nisso, mas faz todo o sentido. Primeiro, pela violência. Segundo, o homem normalmente é aquele que "chuta o balde" em qualquer sociedade; enquanto a mulher frequentemente tenta ser mais agregadora, chamar todo mundo, e se preocupa se ninguém vier pela imagem, o homem tem menos paciência, e além disso normalmente quer mesmo que as pessoas o vejam como alguém que não se importa com nada, é totalmente independente, não está nem aí, etc.
Claro que estou falando de forma (muito) genérica, as exceções são muitas.
Flavio em agosto 3, 2008 7:26 PM
#68
Oi,
Saio sozinha sem problemas, não me incomodo, embora também prefira estar bem acompanhada. Cinema, por exemplo, é um programa que encaro sozinha numa boa. E já jantei sozinha, sem nem perceber se alguém me olhava torto. Pra mim é bem tranquilo.
Abraços,
Fefê
Fefê em agosto 3, 2008 8:11 PM
#69
Idelber, não saio sozinha com muita freqüência, mas quando acontece não sinto desconforto ou descriminação. Algum estranhamento em restuarante ou bares, mas a impressão que tenho é que é mais por estar só do que por ser uma mulher sozinha - aqui no Rio as pessoas saem muito em bando.
Agora, sabe uma coisa que incomoda? É sair sem o marido, com amigos, ou conhecidos, e todo mundo ficar perguntando 'cadê o fulano?', 'por que ele não veio?', ou gracinhas do tipo 'sozinha, heim?'. Não chega a ser algo grave, mas é sistemático, como se um casal só existisse socialmente como tal. Ou a maluca sou eu? Nunca se deve descartar essa hipótese, não é mesmo?
Beijoca!
Helê em agosto 4, 2008 2:58 PM
#70
Moro em uma cidade pequena, Cabo Frio - RJ e imagino que as pessoas achem estranho quando saio sozinha. Mas sou uma pessoa solitária e se depender dos outros pra fazer as coisas não faço nada. Vou na praia, faço compras, vou a restaurantes e leio por aí sempre sozinha. A violência é um fator já fui assaltada, mas isso não vai me impedir de sair por aí fazendo o que quero. Até quando tenho companhia prefiro ir sozinha a alguns lugares, pra curtir melhor, viver uma aventura e conhecer gente nova. É sempre muito bom e nunca sofri preconceito com isso não (não que eu me importe com isso a ponto de perceber se isso ocorre...).
Cris em agosto 4, 2008 10:04 PM
#71
Bom, eu sempre fui de sair sozinha. Seja no interior onde nasci, seja na cidade do Rio de Janeiro, sempre saí sozinha. Tive uns trabalhos em horários esquisitos, o que quer dizer que por vezes, mesmo no Rio, tinha que andar sozinha. Hoje não me sinto preparada para sair sozinha, mas em função de uma cena chata que aconteceu e do meu stress pós-traumático, foi o nome que o meu analista disse para não ter que dizer que fiquei lelé da cuca.
Mas queria comentar esse post sobre outra coisa, Idelber, sobre a possibilidade de estar sozinha. Bom, pelo menos eu sempre tive essa dificuldade de ficar sozinha, apesar de gostar de estar sozinha. Exemplo: Vou à praia, quero ficar ali sentada olhando o mar. Consequência: aparece alguém puxando papo comigo. Exemplo 2: Entro num bar sozinha. Consequência: Ao verificar que estou sozinha os homens se aproximam, como se estar sozinha fosse sempre sinónimo de "estou à procura". Não que eu saia enxotando os homens, mas há aqueles dias em que você está sozinho e que também pode querer continuar assim, estar só a observar o ambiente e a pensar na vida. Exemplo 3: Saio para caminhar, ou para correr, qualquer coisa do género e obviamente vestida a rigor com tudo o que diz claramente que vou caminhar ou correr, ou seja, ténis, boné, calça de treino, etc. Consequência: os carros param oferecendo carona. Então por vezes o meu problema em sair sozinha é o facto de não conseguir permanecer sozinha.
paula em agosto 5, 2008 3:50 AM
#72
Pois é, Paula, a minha idéia ao fazer o post era essa: detectar o cenário que você descreve, em que a mulher simplesmente não tem a liberdade de escolher estar sozinha. Apesar da quantidade de mulheres que disseram que saem sós e se sentem tranquilas, parece que a sua experiência é mesmo um padrão comum, que atinge muita gente.
Para o homem, essa experiência é quase impensável.
Idelber em agosto 5, 2008 4:25 AM
#73
No Rio de Janeiro, não vejo nenhuma reação de estranhamento a mulheres que saem sós para assistir a peças, filmes, exposições, praia, jardim botânico etc. Creio que já se tornou um hábito comum às cariocas fazer esse tipo de programa sem companhia.
Já quando o passeio envolve espaços simbolicamente masculinos, como bares e casas de shows, a coisa muda bastante de figura. Como uma escala de dó terminada displicentemente no si, os que estão por perto parecem sentir que falta algo àquela mulher. As pessoas olham, "que raios aquela moça faz ali naquele balcão? Será que está esperando alguém que não vem?". As pessoas comentam, "será que as amigas se arranjaram e ela ficou sozinha na pista de dança". As pessoas se coçam, "ah, ela está é caçando. De tão desesperado por um par, acabou vindo sozinha".
Até cerca de três anos atrás costumava ir muito a bares, shows e rodas de samba. Muitas vezes optava por ir sozinha menos por falta de companhia do que por vontade de sentir a noite comigo mesma. Quando chegava a um desses espaços não sentia diferença alguma de quando acompanhada. Passando-se, entretanto, algum tempo - o suficiente para entenderem que eu permaneceria só - as pessoas olhavam mais, os homens se insinuavam muito mais veementemente do que quando numa roda de amigas. Como meu objetivo em sair só não era a caça, mas sim conhecer brevemente uma dúzia de pessoas e algumas de suas histórias, preocupava-me em conter os trejeitos muito femininos: "jogava' menos o cabelo e segurava um pouco o balanço do andar, por exemplo.
Não sei se isso atenuava de fato os olhares maldosos sobre uma jovem curtindo a notie sem amigos ou namorado, mas a mim, rendeu muitas boas conversas e imensos momentos de diversão.
Isabel em agosto 5, 2008 2:06 PM
#74
Sou carioca e essa questão nunca me ocorreu. Sempre fiz muitos programas sozinha (praia, cinema, restaurante, bar, café) e nunca senti qualquer tipo de desconforto. Tampouco ouvi falar de quem tivesse semelhante problema.
Bom, na verdade nunca vou realmente sozinha. Tem sempre um livro ou revista para me fazer companhia.
anna v. em agosto 5, 2008 9:59 PM
#75
No Brasil, a minha "própria companhia" não tinha provocado nenhuma análise até ter que sair sozinha em Houston. Como a cidade não tem pedestre - só carro - fico com uma sensação de "desproteção", de alvo para sei lá o que. Bem, pior deve ser sentir-se sozinha apesar de acompanhada.
Abraço,
Carmem em agosto 6, 2008 5:23 PM
#76
acho q são paulo e rio tão ali-ali .. né não?
Alexandre Pinheiro em agosto 8, 2008 12:16 PM
#77
Já fui a show em Bs. Aires sozinha. Jantei na Lagoa da Conceição sozinha num feriado de Páscoa, porque viajei desacompanhada (e já era casada com o Eugênio). Só não saio mais à noite, ou porque dá preguiça, ou porque não dirijo. Aliás, ando muito sozinha, meu companheiro não é afeito a saídas. A única coisa que não fiz foi sair para dançar desacompanhada, coisa que vi muita mulher fazer e achei bárbaro, reflexo da minha timidez.
Com relação às viagens, tem uma coisa que eu adoro, quando estou só: não preciso ouvir nem a minha voz, que beleza!!! hehehehhe...
Claudia Cardoso, gremista :-) em agosto 11, 2008 12:30 AM
#78
Sou um homem muito discreto e exijo discrição , quero mulher do Rio de Janeiro, que sabe o que quer, sabe dar e receber, sem compromisso só prazer, quero sentir o seu corpo por cima do meu, subir pelo seu pescocinho com suaves beijinhos e mordidas ao mesmo tempo deslisar as minhas mãos acariciando o seu corpo, passando pela cintura até a lateral dos seus seios....depois eu garanto que vc será uma mulher muito feliz e o resto de sua semana será muito melhor.
Aguardo o seu contato:
carmelocarmorj@gmail.com
Carmelo Carmo em novembro 5, 2008 3:54 PM
#79
Olha, eu saio sim sozinha pra tomar uma cerveja ou comer algo. Mas tenho que confessar que muitas pessoas, principalmente os garçons, ficam olhando e fazendo comentários!
Esse tipo de coisa me inibia, no começo, mas atualmente prefiro ignorar esse grupo de pessoas com mentalidade tacanha! Espero que discussões assim façam os brasileiros perceber o quanto mulher sair sozinha não é indicador de nada, apenas de uma pessoa querendo comer ou beber algo! Afinal neste ponto não só os EUA estão na nossa frente, mas muitos países da Europa tb.
Elaine em novembro 28, 2008 1:25 PM
#80
gosto de sair sozinha, mas como algumas já comentaram ali em cima, é inevitável o olhar de 'pena' que as pessoas lançam a você.
e tem também as colegas que amam viver em bando (como pombos na praça da sé) te olhando como se você fosse uma anomalia.
mesmo em são paulo, observa-se alguma resistência inclusive das pessoas que trabalham em determinados estabelecimentos.
sair pra jantar sozinha em algum lugar com fila de espera é um problema, as pessoas te fuzilam afinal você vai ocupar um lugar onde poderiam estar duas pessoas, e o atendimento acaba deixando a desejar...
luciana* em janeiro 5, 2009 5:53 PM
#81
Nunca fui para balada sozinha, mesmo porque, não sou de ir a baladas. Geralmente é alguma amiga que me arrasta. Ou melhor, amigas.... você já percebeu como mulher solteira atrai mais mulher solteira? Talvez esse seja um outro assunto interessante para o seu blog.
As vezes acho isso um problema. Qdo estamos juntas, parece que nos fechamos mais ainda... é como se fosse uma barreira, um muro das solteiras.
Mas gosto de ir a cinemas, shopping, livrarias etc, sozinha... tenho vontade de qualquer dia sair sozinha a noite, mas o que me impede realmente é o medo da violência. Mas não vejo problema algum nisso. Acho muito mais deprimente sair com um monte de mulher "encalhada" (ein?) como eu, para beber e falar mal dos homens, ou sair com amigos casais.
Já viajei sozinha e foi horrível no primeiro dia, pois estavam todos em "parzinho", menos eu... percebi que ficaram com pena, fiquei me sentindo mal. Mas depois não tava nem aí.
Audrey em maio 24, 2009 12:52 PM
#82
Só explicando: viajar sozinha, com pacote turístico, é péssimo. Melhor ir de mochila.
Audrey em maio 24, 2009 12:55 PM
#83
Ando meio reflexiva ultimamente e querendo muito sair. Mas minhas amigas andam meio que querendo ficar em caso e resisto um pouco em sair sozinha. Acho que agora talvez passe a pensar melhor e decida sair mais sozinha.
Mas na verdade o que eu queria também perguntar é por que tanto isolamento, tanto individualismo, desencontros, tantos solteiros?
Isso daria outro tema para debate ou eu estou ficando chata ?
ana em julho 31, 2009 2:39 PM
#84
Adorei ter lido esses comentários.
Queria ter coragem de sair sozinha, no shopping almoçar só eu até vou mas em barzinho não tenho coragem, não sei se é medo vendo tanta violência..
Quantas vezes na saida da empresa pegava o onibus e aquele sol maravilhoso e batia uma vontade imensa de sentar em um barzinho tomar uma cervejinha ..
Era casada e no periodo que estava casa não tive filhos, hoje moro sozinha quer dizer eu e meu cachorro ..Saiu mas aos sabados de manhã e sabe qual é os meus passeios, 25 de março, bom retiro e shopping durante a noite fico em casa trancada assisti TV, lendo livro ou fico na internet no mundo escuro.. Confesso que não estou vivendo queria ter coragem mesmo de sair só.. .
Fernanda em novembro 23, 2010 5:38 PM
#85
Saio muito sozinha. Às vezes por querência outras a contra gosto, por necessidade. Cinema prefiro ir só. Não pago R$18 para beijar ou converar. Quero ver o filme. Banheiro também gosto ir só. Nada de duplinha. Nunca entendi essa mania de mulher! Shopping, exposição, museu, flanar, lanche e almoço rápidos vou só na boa e feliz. Algumas viagens também. Mas há lugares que é meio constrangedor estar sozinha: teatro, boteco, restaurante chik, balada. Até vou, mas o desconforto vai comigo. Quando estava solteira, odiava passar a imagem de "coitada". Agora casada, não gosto da imagem de "o casamento vai mal". De fato vai. Principalmente por causa da minha mania de sair só. Se ele não quiser ir, eu vou só. Para qualquer lugar, inclusive viagem. Independência demais para ele. Prestes a ficar solteira de novo, já estou planejando viagem sozinha. Aí eu me perco na buraqueira... Em outro território, com a explicação fácil de "não sou daqui", vou pra qualquer lugar sozinha na maior curtição.
Andrea em janeiro 21, 2011 7:13 PM
#86
Já saí sozinha, mas dificilmente faço isso hoje.
Explico: saio para almoçar e jantar sozinha, vou a shoppings (apesar de odiá-los, às vezes não tem jeito) e a lanchonetes. Moro só então não tem jeito. E muitas vezes viajo à trabalho, o que não dá muita alternativa...
Mas balada eu saía sozinha quando jovem, pois morava bem perto dos bares que frequentava e tinha mania de ir sistematicamente no mesmo lugar por anos com as amigas... Chegando lá, todo mundo me conhecia já, do cantor aos demais frequentadores.
Como parei de frequentar a noite por alguns anos, quando voltei não conhecia mais ninguém. Agora só saio acompanhada.
Confesso que morro de preguiça de sair. Mas tenho medo também das abordagens masculinas que acham que mulher sozinha à noite está querendo algo a mais. =/
Adriana Torres em janeiro 21, 2011 7:15 PM
#87
Acho que seu post está corretíssimo, Idelber. As frequentadoras da comunidade são mulheres de cabeça particularmente aberta, e por isso se aventuram por esse hábito com maior naturalidade, mas com certeza isso é excessão, e não regra.
Várias retrataram que receberam olhares esquisitos, que precisaram assumir uma determinada postura para evitar intimidações, aí está a prova de esse hábito ainda está muito longe de ser culturalmente aceitável.
Particularmente, saio sozinha apenas para cinema (já é um hábito mais aceitável, principalmente nos cinemas cult, por ser, como disseram, mais cultural que social, mas MESMO ASSIM, o público sempre é formado, não por mulheres adultas, mas por homens adultos, e adoráveis senhorinhas aposentadas). Quanto a restaurantes, só saio para refeições diurnas - sempre que saio para jantar sozinha, me pego mexendo no celular para me distrair dos olhares intimidadores ou de piedade - que só intimidam se autorizados, mas que irritam muito mais do que eu gostaria em um programa que deveria ser relaxante. Então, sim, o machismo ainda está vivo, e passa muito bem.
Marisa em janeiro 22, 2011 1:30 AM