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segunda-feira, 29 de setembro 2008

A esquerda e as eleições no Rio de Janeiro

jandira.jpgSeria possível escrever 30 volumes sobre a história dos erros da esquerda no Rio de Janeiro. É uma infindável lista, desde a criminosa intervenção dirceu-delúbica contra o resultado da convenção do PT em 1998, impondo uma aliança com Garotinho, até a declaração de Jandira Feghali sobre o aborto na última eleição, que lhe custou nada menos que uma vaga no Senado Federal. Essa história explica o insólito fato de que o Rio não possui hoje uma estrutura política de esquerda consolidada e enraizada na população, ao contrário de São Paulo, BH, Porto Alegre, Salvador, Recife e Fortaleza. Digo que o fato é insólito porque o eleitorado carioca é até mais esquerdista que o paulista ou o mineiro. Em 1989, o Rio deu a Lula uma vitória retumbante contra Collor; em 1982, quando em outros lugares a extrema-esquerda do elegível era Franco Montoro ou Tancredo Neves, o Rio escolheu Brizola; em 2006, Heloísa Helena teve lá seu melhor desempenho.

A situação das pesquisas eleitorais no Rio exige uma atitude urgente de Alessandro Molon (PT) e de Chico Alencar (PSOL). Segundo o Datafolha, Eduardo Paes, que troca de partido como quem troca de cueca, tem 29%. O Carolão Crivella e o tucano verde Gabeira tem 15% cada um. Jandira Feghali é a candidata de esquerda mais bem colocada, com 13%. Molon e Chico têm índices pequenos, em torno de 3 a 4%. É pouco, mas pode fazer toda a diferença. Caso Molon e Chico renunciem às suas candidaturas e coloquem sua militância para trabalhar por Jandira, a esquerda pode ter um nome no segundo turno. Se não, o Rio corre o risco de ver o pesadelo de um segundo turno entre Paes e Crivella.

Já começou a movimentação entre os petistas cariocas para pedir que Molon renuncie e apóie Jandira. O deputado federal Cândido Vaccarezza (PT-SP) fez um apelo. A mesma iniciativa está em marcha entre alguns amigos de Chico Alencar. É importante lembrar que o PC do B, e também o PSB, agiram de forma responsável em São Paulo, apoiando Marta Suplicy. O Presidente Lula sempre quis uma unidade de esquerda em torno a Jandira.

Este blog respeita a história de Fernando Gabeira. Mas, hoje, ele se encontra no terreno oposto ao projeto de país articulado pelo governo Lula. Seus aliados preferenciais são os tucanos e o PPS. É uma candidatura que está no campo da direita, sejam quais forem as convicções pessoais dele. Para quem apóia Molon e Chico, a opção é claramente Jandira.

Molon e Chico: a hora é agora! Depois, não adianta chorar se tiverem que escolher entre Paes, Crivella e/ ou Gabeira.

PS: Vejam a incrível cara-de-pau desta declaração de Eduardo Paes: Sou Portela e vascaíno, mas adoro a torcida do Flamengo. Minha família toda é tricolor [...], o Botafogo é um time glorioso e o América é o time do meu coração. Coisa típica de político oportunista. Quem gosta mesmo de futebol detesta essas coisas. Para a prefeitura de BH, eu não teria nenhum problema em votar num candidato cruzeirense com o qual eu coincidisse politicamente. Aliás, já o fiz. Mas olharia ressabiado para alguém que viesse com esse papo de que “torço pelo Cruzeiro e pelo Atlético”. Por isso eu gosto dos gaúchos. Se você fizer isso no Rio Grande, perde a eleição de cara. Colorado respeita Tricolor e vice-versa. Mas nenhum dos dois respeita quem faz isso.



  Escrito por Idelber às 04:08 | link para este post | Comentários (100)


Comentários

#1

Boa, Idelber, como sempre. Boa não porque aponta o caminho, mas porque esclarece, decanta.Seria legal tb vc re-desenvolver sua defesa da Jô, diante do pertinente questionamento de um dos seus leitores num post passado. Tb sou Jô, mas tb to encafifado com pastor da IURD, que é vice, e que deve ter bom peso na coligação... (imagina a PBH lotada de malucos da Universal. Além disso a campanha dela tá sofrível. Tô mesmo pensando em migrar pro Sérgio, que é bastante respeitável. Tú estás no mesmo entusiamo com a Jô??

Demaisão em setembro 29, 2008 6:36 AM


#2

Demaisão, eu gosto muito do Sérgio. Muito mesmo. Mas continuo firme com a Jô, porque até agora não vi um único indício de que ela tenha feito concessões à turma da IURD. Como sempre, estou disposto a reavaliar se aparecerem indícios de que estou errado. Mas até agora não vi nada. E quem tem chances de ir ao segundo turno é a Jô.

Idelber em setembro 29, 2008 6:50 AM


#3

Concordo com a sua análise da esquerda do rio...mas colocar o gabeira como uma candidatura da direita...sei não. Faltou fundamentar melhor já que é uma afirmação, no mínimo, polêmica.

aiaiai em setembro 29, 2008 7:01 AM


#4

Gabeira volta a defender "choque de capitalismo" para o Rio.

Gabeira elogia o BOPE.

Gabeira vê governo Lula como "fracasso retumbante e cadáver insepulto".

Fundamento mais ou já está bom?

Idelber em setembro 29, 2008 7:06 AM


#5

Nesse negócio de times, corajoso mesmo foi o Vinicius Cordeiro, candidato a prefeito do Rio (ilustre desconhecido), que assumiu no programa de TV que é tijucano e torcedor do América (e só do América) de coração. :-)

Aliás, também sou americano!

Rato em setembro 29, 2008 9:01 AM


#6

Caro Idelber

Comecei a ler agora e fiquei curioso para saber sua opinião. Sobre os "30 volumes sobre a história dos erros da esquerda", quantos destes volumes abordam a cidade do Rio de Janeiro e quantos abordam o Estado do Rio?
Obrigado.

Paulo em setembro 29, 2008 9:06 AM


#7

Ah, Rato, declarar-se americano é fácil. É o segundo time de todo mundo :-)

Paulo, acho que a cidade do Rio ocuparia uma boa parte dos 30 volumes, não é?

Pessoal, acabei de ter notícias do Chico Alencar. Tudo, tudo já foi tentado. Não vai renunciar mesmo. É duro, viu.

Idelber em setembro 29, 2008 9:10 AM


#8

Idelber,

Sinceramente não vejo muito espaço para esquerda no Rio de Janeiro, lá é pior que São Paulo, a máquina funciona muito bem, e mesmo candidatos por conveniências não atacam um dos nó da questão que é o excesso de cargos ligados ao grupo do poder.
Existe um carreirismo que faz a pessoa com certos ideais começar a pensar totalmente no pessoal, fingindo que é para o bem da coletividade, são ONGs ligadas a políticos que recebem dinheiro do Estado, empresas que dependem de concessão pública, e os tais cargos de comissão com isso você faz uma grande clientela que a cada eleição vive-se um flaxflu, por que para essas pessoas perder uma eleição pode ser ter que retornar a um mercado de trabalho complicado, lutar por outros em iguais condições por um lugarzinho que pode ser pior.
Em parte a atual radicalização do debate político da direita já teria acabado se fosse apenas ligada aos grupos empresariais, mas é alimentada por essa clientela que teme perder seu "status social".

Marcelo Luiz em setembro 29, 2008 9:41 AM


#9

como deve ser bom viver nesse mundinho de faz de conta de vocês...

[]'s

nelson em setembro 29, 2008 9:50 AM


#10

Qual é o problema de se querer um choque de capitalismo para o Rio de Janeiro?

Quero um projeto de cidade, com investimentos privados que aproveitem nossos petroreais, e estou pouco me lixando para projeto de País quando voto para prefeito.

Sofremos um bocado com Brizola, Moreira, Marcello, Conde, Cesar Maia, exatamente porque todos eles, sem exceção, articularam muitos projetos de País (i.e., queriam ser presidente!!!) e nenhum projeto de cidade.

Quero um governo que se preocupe em atrair mais investimentos PRIVADOS para a cidade na esteira dos petrorreais, e Gabeira se alinhou a esse projeto de cidade.

A propósito, esse papo de projeto de poder (ou projeto de País), no Brasil, nada mais é do que o projeto de arrumar boquinhas pra companheirada. De direita ou de esquerda.

Chega de populismo tosco. De direita ou de esquerda!

Ah, Idelber, faltou alguém te avisar o seguinte sobre eleição pra prefeito do Rio: não dá nem pra imprimir santinho sem combinar antes com empreiteiros "empresários" de transporte, milicianos e traficantes.

Sabe pra quem a OAS andou doando $$? Pra todo mundo. Inclusive pra Jandira. E ela aceitou!!! O projeto de poder da Jandira passa pela OAS!! Como o de todos os demais candidatos...

Rogério em setembro 29, 2008 9:50 AM


#11

Idelber,

Parabéns pelo blog. Leio sempre, mas nunca comento. Desta vez, porém, permita-me discordar de um ponto de sua análise. Sinceramente,acho que o rótulo de estado/cidade de esquerda é apenas um mito carioca. Fora seu exemplo do Brizola, os demais apenas demonstram uma vontade de marcar posição em candidatos que não vão ganhar.

Ficando apenas no caso mais recente, se o PSOL tivesse, para governador (Milton Temer), o mesmo percentual de votos que a Heloisa Helena teve no RJ, ele teria ido ao segundo turno. Haveria aí uma real possibilidade de eleição de um governo de esquerda no estado. Votar na Heloisa Helena não teria consequências práticas, mas no Temer sim. O que se viu? Votaram na HH, mas não no Temer - segundo turno entre Cabral e Denise Frossard.

E falando nos eleitos, vamos ficar na cidade do RJ: Cesar Maia três vezes desde 1992 e Conde (apoiado por Maia) uma vez. No estado, Marcelo Alencar, Garotinho, Rosinha e Cabral. Dá para dizer que o perfil é de esquerda?

Abraços,
Rodrigo

Rodrigo Coelho em setembro 29, 2008 9:56 AM


#12

Rodrigo, esqueci-me do Garotinho! E da Rosinha! Como pude? No Rio simplesmente não há voto "ideologizado" nas eleições majoritárias locais.

Há populistas que, quando muito, se distinguem em várias cepas e SEMPRE terminam seus governos menores do que começaram. O projeto de cada um deles é o de todo populista: aproveitar-se da ignorância da população para se esbaldar na mamata das finanças públicas!

O golpe final: mudar-se dos palácios diretamente para um apê de frente pro mar (claro, bom gosto não lhes falta - o único problema é que não conseguem comprovar renda pra isso), devidamente blindados por companheiros que saem da cozinha dos governos diretamente para o Tribunal de Contas do Estado ou do Município.

Ora Idelber, quanta ingenuidade... Não esperava, vindo de um observador tão arguto. Das eleições americanas, that is.

Rogério em setembro 29, 2008 10:18 AM


#13

O simples fato de que Molon e Chico sejam "lideranças" da esquerda já é meio caminho andado para explicar por que a "esquerda" faliu no Rio. A outra metade é a própria cidade. Ela está meio falida. A política emerge também da sociedade, e a sociedade carioca está bem representada por Crivella e Paes. Afinal, não é apenas a esquerda que faliu. A direita já teve um Corvo como liderança nacional. O que é a direita hoje no Rio? O Rio morreu politicamente.
Por isso Gabeira seria a única liderança de centro-esquerda decente e viável. Se é para listar críticas contundentes como prova de estar em outro campo (como se a esquerda, historicamente, não estivesse sempre se digladiando a partir de campos diferentes), já poderíamos retirar o PSOL desta lista - pois poucos partidos são tão críticos de Lula e do PT.

João Paulo Rodrigues em setembro 29, 2008 10:26 AM


#14

Sua análise esgota o cenário no Rio de Janeiro, invariavelmente complexo. Seria fundamental uma voz consciente naquela cidade, inclusive, para se contrapor à política de abate, adotada pelo governador Sérgio Cabral, em nome do combate à violência. Acredito que, ao contrário do que se divulga - que haverá uma vitória estrondosa do PT e coligados - as derrotas nas capitais repercutem muito. Em Belo Horizonte, o Pimentel descartou um projeto consistente e entregou o jogo. Correu da disputa e, tudo indica, que a prefeitura será entregue aos tucanos. Em São Paulo, Estadão e Folha estão em campanha aberta para colocar Kassab no segundo turno. Hoje, inclusive, o Estadão anuncia que o PSDB já discute apoio aos demos no segundo turno. Farão pior num segundo turno com a complacência do TSE. Nesse processo de fritura, a dica para o Alckmin, que em 2006 surfava na benevolência da mídia, é esquecer os missais e se dedicar a Augusto dos Anjos: “a mão que afaga é a mesma que apedreja”.

Jeferson Melo em setembro 29, 2008 10:34 AM


#15

Idelber, há algum tempo que tenho gabeira (que deus o tenha) em péssima conta.
Lembro-me que no conturbado ano de 2005, ele se aliou a gente do tipo de, com o perdão da má palavra, Jorge Bornhausen, numa cruzada pretensa moralista.

Na ocasião, inclusive, fiz alguns rabisos comparando-o com o então presidente da Câmara, Severino.

Quando estiver menos assoberbado, confira aqui, ó

http://ingresia.opensadorselvagem.org/bonita-camisa-fernandinho/

Abraços.

P.S. Este tipo de declaração de Eduardo Paes nem original é. Coisa deste tipo já havia sido atrauída a Tancredo.

Franciel em setembro 29, 2008 10:49 AM


#16

Idelber,

1. Já pensei em votar na Jandira, mas não consigo me convencer a votar em uma stalinista em pleno 2008 - para senadora eu já votei, para prefeita não dá;
2. Como tudo no PSOL, não há possibilidade de composição - os caras sairam do PT por sua suposta pureza ideológica, não vão começar a fazer aliança com os traidores da classe trabalhadora assim de uma hora para a outra (é isso mesmo, cai a este nível a infantilidade deste povo);
3. No caso do Molon, eu fico é puto: mais uma vez um bom quadro é abandonado ou cristianizado pelo diretório nacional - O Lula não fez nenhuma declaração de apoio ao cara no horário eleitoral, por exemplo. Eu se fosse ele, mandaria às favas a vontade do Lula em se unir à Jandira e, só de maldade, continuaria minha campanha até o fim.
4. Quanto ao Gabeira, apesar de meio decepcionado com seus mandatos (nos quais votei pensando em uma coisa e recebi outra), acho que ele ainda é o melhor candidato, se você avançar além desta análise esquerda/direita - tem capacidade de articulação, tem visão do potencial da cidade, não vai usar isto aqui como trampolim para maiores vôos e depois abandonar o governo ao deus dará - como muitos políticos que passaram por aqui nos últimos tempos.

desculpem o enorme comentário.

Radical Livre em setembro 29, 2008 11:23 AM


#17

Caro Idelber

Concorde-se ou não, não há possibilidade do Chico retirar a candidatura, pelo simples fato de que o Chico é do PSOL, que é oposição à esquerda do Gov. Lula. Jandira (é essa a que vocês chamam de Jô?) é do PCdoB, que é da base de apoio do Governo Lula. Aliás, base não, eles estão no Governo.

Você pode apoiar o Governo, e portanto ser contrário à posição do PSOL, mas aí não faz sentido cobrar do Chico a "unidade da esquerda".

Inclusive, considerando a afinidade com o Governo Lula como critério de demarcação, isto é, quem apoia o Governo está à esquerda, ou coisa assim, é a Jandira quem devia, junto com o Molon, abrir mão da candidatura em favor do Sen. Crivella, ou, até mesmo do Eduardo Paes, os quais TAMBÉM são da "base do Governo".

Repito, Crivella, Paes, Jandira e Molon, nessa ordem, são hoje candidaturas de um mesmo campo político: o Governo Lula. Me desculpe, mas não dá para tergiversar acerca disso, e cobrar logo do Chico e do PSOL, unidade de uma "esquerda" que não passa de uma abstração.

Um forte abraço, e parabéns pelo blog.

Eneraldo Carneiro

Eneraldo Carneiro em setembro 29, 2008 11:31 AM


#18

Idelber, a situação cá no Rio é mesmo complicada. Meu voto no Gabeira, declarado muito antes dele ter saído candidato, não é mesmo muito confortável de sustentar, especialmente quando se pensa que ao seu lado estão PSDB e PPS. Ao mesmo tempo, o atraso dos meus amigos (de bar) do PC do B e do PSOL, sem falar nos de um PT que nunca entendeu muito bem a cidade, tornam as coisas ainda mais difíceis.

Quanto a sua posição de que agora o Gabeira está no campo da direita — e todas essas declarações que vc listou sugerem mesmo isso —, ela implica em não levar em consideração o quanto ele precisa ampliar a visibilidade de sua candidatura (e diminuir a sua rejeição), algo que até o Lula se viu obrigado a fazer para finalmente ser eleito (ou vai dizer que vc morre de amores pelo PL, antigo partido do vice-presidente José Alencar, esse mesmo sujeito que agora é do PMR, ligado à Igreja Universal?). Se o Gabeira mantivesse um discurso por demais vinculado às bandeiras que o elegeram deputado federal, por exemplo, não estaria em 3o. lugar nas pesquisas, e na melhor das hipóteses conseguiria disputar com o Chico Alencar e a Jandira (o Molon ficaria em 4o.) o primeiro lugar nas eleições... da associação de moradores do bairro de Santa Teresa (a Montmartre carioca), e olhe lá!

O comentário do Rodrigo (#11) ilustra muito bem o cenário carioca, extensível ao estado do Rio no que diz respeito ao inexistente voto ideologizado de que falou o Rogerio (#12).

Ricardo Cabral em setembro 29, 2008 11:54 AM


#19

Caro Idelber,
Já aqui em Minas, o fenômeno é o histórico e discrepante alto índice de torcedores do América na classe política (uma típica maneira de ficar em cima do muro).

Mariano em setembro 29, 2008 12:24 PM


#20

Idelber,
na verdade, a história do fracasso da esquerda no Rio tem razões política e sociológicas muito vastas, que escapam a uma simples cronologia de erros de direções nacionais. Escrevi algo sobre isso para um boletim daqui do Rio, mas ainda não saiu. Em resumo, temos:
1) A História complexa da relação entre o mundo popular e as instituições no Rio, onde o vigor associativo e cultural do primeiro não encontrou grande passagem democrática no segundo. Uma certa cultura auto-louvatória da informalidade substituiu a regulação pública e democrática.
2) Atualmente, o controle territorial armado de favelas e bairros degradados impõe uma seletividade na interlocução política que fere de morte os partidos de esquerda, que não existem sem base de massas. Isso existe em outros lugares, mas o grau de violência e conflito aqui é bem maior.
3) O confinamento histórico do PT aos setores médios "ilustrados" da Zona Sul, sua incapacidade para dialogar com o mundo popular carioca - que não se encaixava na dinâmica operária aprendida no ABC - e seus erros de posicionamento nos anos 80.
4) A única força de centro-esquerda que teve base e massas no Rio nunca conseguiu se rotinizar de forma democrática, além de não ter captado a gravidade de certas questões metropolitanas que demandavam uma resposta progressista. Refiro-me ao PDT.
5) Finalmente, a própria cegueira cognitiva da esquerda atual, que insiste em interpretar uma realidade urbana complexa, fragmentada e densa com velhas categorias e fórmulas, tais como: "ausência de Estado" (quando ele está na cidade, mas de forma seletiva e violenta), "ocupação social de favelas" (ignorando a estratificação desse mundo e sua pujante rede de serviços) e "inclusão social" (vocábulo que mal disfarça sua dimensão precária e contingente).
Enfim, a questão vai muito além de botar a Jandira ou não no segundo turno. A única coisa que redime o Rio é o Cósmico rubro-negro, rsrs.

João Marcelo Maia em setembro 29, 2008 12:33 PM


#21

Idelber, sempre que me sobra um tempinho venho aqui te visitar e sempre me surpreendo. Você é muito bom, cara!

esta análise da situação carioco-petista é perfeita e erros semelhantes foram cometidos aqui em JPA, onde moro, com repercussão em toda a PB.

luzete em setembro 29, 2008 1:36 PM


#22


Pois é, Idelber, cá estamos na mesma situação de sempre nas eleições cariocas: observando as pesquisas e somando os pontos para tentar escolher o mal menor - neste caso, evitar a ida de Marcelo Crivella ao segundo turno.

Repare que os candidatos de esquerda, somados, tem algo em torno de 20% dos votos, o que garantiria (ao menos na teoria) uma excelente colocação para uma candidatura progressista de frente ampla.

Oxalá ela ainda possa acontecer, mas confesso meu pessimismo, moro no Rio há tempo demais e já vi a esquerda repetir o erro da fragmentação por diversas vezes.

Abraços

Mauricio Santoro em setembro 29, 2008 1:40 PM


#23

Idelber,

A lamentável falta de articulação das esquerdas no Rio está alimentando as forças conservadoras, que querem disputar entre si o primeiro turno. Com isso, cresce uma grande suspeita de manipulação das pesquisas na eleição carioca. É sentimento compartilhado entre muitos. No início do processo eleitoral estava claro que o candidato das organizações Globo seria Fernando Gabeira, representante da aliança verde-tucana. É perfeitamente mensurável o extenso espaço que a mídia usou para fazer vingar seu nome, mas sem sucesso. Gabeira é o segundo candidato em rejeição, com pífios números na Zona Oeste e Norte, onde se concentra o grosso do eleitorado, e com a mais baixa renda. Tal fato levou a mídia a adotar o candidato Eduardo Paes, demo-tucano, recém peemedebista, como seu. O governador Sérgio Cabral, artífice desta candidatura, recebe notório tratamento diferenciado na imprensa. Apesar de um péssimo governo, que enfrenta protestos e greves de funcionários públicos, com vários órgãos do governo inadimplentes com fornecedores, sérias denúncias, consegue evitar qualquer reportagem graças à fabulosa verba de propaganda que irriga os departamentos comercias de TVs, rádios e jornais.

Mas, nesta reta final, os institutos apontam um enorme crescimento da candidatura de Gabeira, já saudado com alegria pela mídia. Não para menos. Com isso, evitaria as chances no segundo turno de dois candidatos incômodos para a Globo e seus parceiros: Marcelo Crivella, representante da Record do Bispo Macedo, inimigo empresarial dos Marinho e Jandira Feghali, a candidata comunista.

Com o crescimento do nome de Gabeira, sinto como dever lembrar um fato. Para tal, fiz um vídeo. Nele, lembro que Gabeira voltou do exílio publicando livro onde narrava decepção de seu passado de guerrilheiro, que seqüestrou um embaixador. O livro até virou filme, com heróico personagem inspirado no atual deputado. Só que outro filme tem outra versão. Trata-se de “Hércules 56”, de Silvio Dá-Rin, documentário com os que efetivamente fizeram o seqüestro de Charles Elbrick, em 1969. Nele, Gabeira não foi chamado. O motivo só é respondido nos extras do DVD, onde o diretor e Flávio Tavares, histórico militante que foi trocado pelo embaixador, afirmam que Gabeira não participou do seqüestro e seu livro foi “armado” de forma a levar a este entendimento. O filme pode ser visto no Youtube:

http://www.youtube.com/watch?v=z8B3pu-9Xek

Jurandir Paulo em setembro 29, 2008 2:13 PM


#24

Idelber,

Por favor, "um projeto de país articulado pelo governo Lula"? Sinceramente, eu sonho com um país articulado pelo respeito ao regime democrático e pela alternância de poder e não pelo projeto de um líder qualquer. E quanto ao Rio, o melhor candidato é o Gabeira. O fato dele ser apoiado pelo PSDB não é demérito, pois mesmo PSDB apóia o PT em Belo Horizonte. Além disso, parafraseando o Luiz Fernando Veríssimo, o Lula faz o melhor governo do PSDB de todos os tempos, assim como o FHC fez o melhor governo do PFL de todos os tempos.

Abraço e saudações democráticas, sem caudilhos.

Eduardo

Eduardo Trajano em setembro 29, 2008 2:23 PM


#25

Caro Idelber

O ponto forte da candidata do PC do B é o fato de ela ter opinião! Seus correligionários, no entanto, DETESTAM isso.

Mas o eleitor desta candidata tem mesmo que ser ideologizada pois até meses atrás dizia que estava levando estaleiros para Niterói....E hoje é candidata a prefeita no Rio!

J. Feghali faz discurso contra os capitães de indústria (atitude recorrente), mas aceitou nesta eleição a grana de um empreiteiro aliado a um partido que ela costuma recriminar.

Resumindo, a política de opinião é para ser usada entre eleições. Nas campanhas a candidata abandona algumas importantes convicções pessoais e vai a luta.

Com todos os problemas e algumas virtudes reconhecidas até por adversários Jandira tem considerável número de elitores na cidade.

Se eleita será que a candidata trará os estaleiros de Niterói para o Rio????

Paulo em setembro 29, 2008 2:23 PM


#26

João Marcelo, está sensacional o seu comentário (com a exceção da última frase evidentemente, rs). Quando seu texto sair publicado, me envie uma cópia por favor. Seus pontos 1, 2 e 3 são chave para se entender a esquerda no Rio.

Idelber em setembro 29, 2008 2:45 PM


#27

Que tal chamarmos a partir de hoje de Eduardo "Vira-folha" Paes?

Enildo Bernardes em setembro 29, 2008 2:46 PM


#28

Eneraldo, a Jô da qual falamos não é a Jandira. É a Jô Moraes, candidata do PC do B à prefeitura de Belo Horizonte. Vamos à sua análise.

O seu raciocínio faz sentido. Mas ele faz sentido formal, não político. Nós sabemos que até anteontem Eduardo Paes dizia que o governo Lula era o "mais corrupto da história". Seu passo à base de sustentação do governo tem raízes no mesmo oportunismo que sustenta suas declarações sobre futebol: o cálculo eleitoreiro.

Eu sei que há forças políticas de direita na base de sustentação de Lula. Infelizmente, essas alianças tiveram que ser feitas para garantir a aprovação de projetos do governo no Congresso. Claro que você pode ser contra elas, mas acho que não dá para negar que o PT e o PC do B são uma coisa, o PP e o PRB outra, bem distinta.

Por isso eu fiz questão de dizer "próximos ao projeto de país articulado pelo governo Lula", ao invés de dizer "parte da base de sustentação de Lula". Em outras palavras, Chico Alencar sabe que ele tem muito mais em comum com Jandira e Molon que com Crivella ou Paes. Conheço Chico e sei que ele pensa assim. A questão não é quem apóia ou não Lula, mas quem está próximo a um projeto de esquerda.

E aí dá, sim, para cobrar de Chico a unidade da esquerda. Será uma grande leviandade dele caso se confirme que ele será co-responsável por um segundo turno entre Paes e Crivella.

Idelber em setembro 29, 2008 3:30 PM


#29

No estado, Marcelo Alencar, Garotinho, Rosinha e Cabral. Dá para dizer que o perfil é de esquerda?

Dá sim, Rodrigo. Desses quatro que você citou, três têm suas origens no brizolismo. Você pode dizer, "ah, não são esquerda de verdade"! Claro que não são. Mas suas eleições demonstram uma tendência do eleitorado. A eleição dos Césares Maias da vida têm raízes complexas, mas não acredito que demonstrem vocação direitista do eleitorado carioca. Teríamos que explicar isso no contexto dos pontos levantados pelo João Marcelo acima.

Idelber em setembro 29, 2008 3:36 PM


#30

IDELBER

Eu tenho a impressão que houve um eventual desencontro de palavras. Garotinho (e Rosinha) não são ESQUERDISTASM nem SOCIALISTAS e nem mesmo BRIZOLISTAS;

Eles são OPORTUNISTAS!

Paulo em setembro 29, 2008 3:55 PM


#31

D'accord, Paulo. Mas o oportunismo consistia justamente em posar de esquerda com um discurso populista. Me parece.

Idelber em setembro 29, 2008 4:04 PM


#32

Idelber, UM BRINDE POR MACHADO!

E outro pelos 4 x 1...

Milton Ribeiro em setembro 29, 2008 4:25 PM


#33

Teve um outro erro, mais antigo, que deve ser colocado, por honestidade, na conta da esquerda petista, que foi o não apoio a Brizola para governador em 1990.
Perdemos uma oportunidade histórica impar de fazer uma bancada progressista na Assembléia como nunca havia ocorrido. Brizola terminou nas mãos, em razão do esfacelamento do PDT, de Nader e dos então "jovens" aprendizes Picciani e Paulo Mello. Males que a Assembléia do Rio jamais conseguiu se livrar depois. Quando vejo quem o PT apoiou depois disso... Apoiar o Brizola naquele momento (após o estusiasta apoio do velho caudilho no segundo turno de 1989)teria engrandecido o PT, que foi, naquele momento, extremamente sectário. E burro.
Agora, vir o Vaccarezza (repito, o Vaccarezza!!!) pedir para o Molon tirar a candidatura...

Mauro Gabriel em setembro 29, 2008 4:37 PM


#34

Idelber

Falar em um "projeto de esquerda" é, aliás sempre foi, mais fácil do que definir um. E o fato é que há hoje 4 (quatro) candidaturas da "base do Governo". Me desculpe, mas essa é não é uma definição "formal". Ela é política.

Eduardo Paes é o que sabemos, mas sua candidatura é bancada por Cabral Fº, aliado de 1ª hora do Lula. Aliás daria para escrever, com o nariz tampado, um blogue inteiro sobre o Sr. Gov. Cabral Fº.

O Sen. Crivella, como eu disse, é O candidato do Lula, e não é de hoje. Portanto ele, ao contrário de Gabeira, está NO "terreno...do projeto de país articulado pelo Presidente Lula." Assim como Sérgio Cabral Fº/Eduardo Paes hoje. Logo, para esse "projeto de país", uma disputa Crivella/Paes está longe de ser indesejável. Portanto, em nome de quê exatamente Chico Alencar e o PSOL (com o PSTU, não esqueçamos) abririam mão de disputar um primeiro turno?

Não acho que se trate de uma questão formal, repito, é política. Me desculpe, mas acho que você é quem está deixando a política de lado em nome da "unidade" de uma "esquerda" abstrata. E no primeiro turno!

Também gostei das questões levantadas pelo João Machado, e gostaria de acrescentar que há, na minha opinião um grande pano de fundo, nessa, chamemos "crise da esquerda carioca", que é o perda da própria identidade da cidade. Penso que a ida da capital para Brasília, representou um golpe do qual a cidade ainda não foi capaz de se recuperar. Nossas elites, econômicas, políticas, intelectuais, não foram capazes, até o momento de liderar uma necessária re-invenção do Rio. Ainda vivemos, no fundo, a nostalgia dos "Anos Dourados". Somos uma cidade sem rumo há muito tempo. Estou errado?

Eneraldo Carneiro em setembro 29, 2008 4:40 PM


#35

Putaquepariu!

Rapaz, tava tão injuriado com gabeira que acabei cometendo alguns deslizes no primeiro comentário.
pretensa = pretensamente.

Rabisos = rabiscos

atrauída = atribuída


Bom. Mas, retorno a esta emissora não apenas para estas correções. Volto porque, lendo alguns comentários, percebi algo, no mínimo, curioso.

O troskista Idelber apoia as candidaturas de stalinistas no Rio e em BH.

Sei não, mas acho que o pessoal da 4ª Internacional vai comer teu fígado (rs).

Franciel em setembro 29, 2008 4:40 PM


#36

Ah sim, já ia esquecendo. As pesquisas!

Não é que eu desconsidere as pesquisas, ou ache que são sempre todas manipuladas, etc...mas há 1(uma) semana O Globo (que não assume, mas apóia o Gabeira) deu machete para uma pesquisa: "Eleição embola para o 2º turno", ou algo assim. Minha esposa chegou a me chamar a atenção, alarmada. A pesquisa mostraria uma "subida" do Gabeira, e uma "queda" da Jandira! Nos números Gabeira "subira" de 7% para 8%, e Jandira "caira" de 12 para 11%! Numa pesquisa onde a margem de erro é 3%!! Uau!!!!

Agora me diga, dá para levar quão a sério?

Não estou dizendo que haja manipulação, mas dado o retrospecto, não só no Rio mas em outros lugares, será que dá para por a mão no fogo?

[]'s

Eneraldo

Eneraldo Carneiro em setembro 29, 2008 4:49 PM


#37

Estou rindo aqui do comentário do Franciel...

E o Mauro lembra muito bem mais um erro, em 1990.

Eneraldo, nosso debate está muito bom. Suspeito que continuaremos no impasse. Para você, o mais importante é o alinhamento ou não com o governo. Para mim, um projeto de esquerda, que tem interseções com a coalizão governista, mas que não é totalmente redutível a ela. Veja bem, eu venho da esquerda do PT -- mais exatamente da Democracia Socialista -- e boa parte da turma que está hoje no PSOL era, até ontem, meus chapas. Eu entendo perfeitamente seu raciocínio. Mas em nome de quê eu faço o apelo a Chico? Puxa, em nome de evitar a desgraça que seria Paes e Crivella no segundo turno! Crivella está na base de Lula? Sim, mas também nessa base livra-se uma batalha política por espaço. O Lula é daquele jeitão dele -- ele está pensando na governabilidade. Não dará tiros no pé. A responsabilidade pelas decisões a serem tomadas no Rio é dos atores envolvidos no processo aí.

Mas quem sou eu para querer dizer o que vocês devem fazer. Dou meu pitaco aqui de longe.

Coincido com você totalmente na avaliação da nostalgia dos anos dourados e da crise de identidade do Rio.

Idelber em setembro 29, 2008 4:53 PM


#38

Chamo a atenção para o excelente comentário do Jeferson Melo, lá em cima. Já vejo uma certa euforia no PT, mas a confirmar-se o resultado de BH, o pesadelo do segundo turno no Rio e o cenário de um segundo turno entre Fogaça e Manuela em Porto Alegre, o PT não teria muito que comemorar, mesmo que passe dos atuais 411 prefeitos para 600 ou 700.

E aguardem chumbo grosso da mídia contra a Marta no segundo turno em SP.

Idelber em setembro 29, 2008 4:57 PM


#39

estou há dois dias sem dormir, mas deixa eu fazer um comentário aqui antes do meu sono merecido...

sacanagem vc tirar o gabeira da esquerda só pq ele se coligou com o psdb.... se fosse assim, o lula, que se coligou com o PL, com o Jader, com o Sarney, etc, seria o que?

até semana que vem,

alex castro em setembro 29, 2008 5:37 PM


#40

Bom sono, Alex, você merece. Mas não tiro o Gabeira da esquerda pela coligação. Em primeiro lugar, as duas coligações são diferentes, porque o eixo da coligação do Gabeira é o PSDB e o PPS. Não há nenhum partido de esquerda na coligação do Gabeira.

Mas o fundamental não são nem as coligações. São as posições assumidas por ele. Defesa de instituições como o BOPE; ataques ao governo Lula em termos idênticos aos de Bornhausen e cia; propostas de adoção de modelos corporativos, da iniciativa privada, na gestão pública. E por aí vai. Convenhamos, a única coisa que o distingue da direita hoje é sua história.

Idelber em setembro 29, 2008 5:49 PM


#41

eu nao coloco o gabeira na direita. mas entendo a sua colocaçao. o que me parece é que ele ficou sem guarda-chuva mesmo. saiu apressadamente do governo Lula. errou ao considerar que seria um fiasco. e nao tinha um projeto extremista como o PSOL. pq, inclusive, ele nao é extremista. daí o Lula foi acertando, o governo dele é bastante social-democrata. e aí? ele ficou isolado. os personagens do mensalao foram retirados do governo. ficou sem bandeira. nao tem como voltar. nao tem pra onde ir. como toda a esquerda que se retirou, perdeu a chance de construir esse momento historico q o país vive. ficou vazio demais. nao vejo governabilidade possivel pra ele tb. nao existe alguem mais sem projeto que ele.

mary w em setembro 29, 2008 6:03 PM


#42

Exatamente, Mary, é isso. Disse melhor que eu o que eu queria dizer. Ele saiu do time aos 5 minutos do primeiro tempo, passou para o lado de lá e agora ficou como alma penada por aí, porque com o lado de lá ele também tem pouco em comum.

Eu só queria matizar uma coisinha: eu não digo que Gabeira seja de direita. Digo que a candidatura dele está no campo da direita. Pode parecer frescura, mas é uma diferença que acho importante.

Idelber em setembro 29, 2008 6:13 PM


#43

Idelber, me parece que a logica binaria da politica norte americana contagiou sua analise. No Rio a situação é voto util sim, mas no Gabeira que avanca enquanto Jandira ta estagnada. Qualquer um dos dois ou o CHico (esse molon tambem parece ser bem decente mas não conheco o suficiente) seria um tremendo avanco pra cidade. Pessoalmente prefiro a plataforma do gabeira e acho essa aproximação ao centro perfeitamente plausivel, afinal ele saiu candidato, como ele mesmo disse, pra ganhar. Alias, em sua analise anterior vc deu a entender que seu apoio a Jandira se devia muito mais a uma posicão tatica vista a falta de penetração de Gabeira nas camadas populares. Agora é vota no Gabeira e tira o bispo do 2o turno.
Abs

JB em setembro 29, 2008 6:17 PM


#44

JB, minha preferência por Jandira se deve ao que ela representa politicamente, mais que ao voto útil. Prefiro Jandira a Gabeira, mais além de questões eleitorais. Quanto a estas, sei que Gabeira deu uma alavancada, mas nas simulações de segundo turno, Jandira se sai muito melhor que ele, tanto contra Paes como contra Crivella. Ela tem genuína penetração nas Zonas Norte e Oeste, ao contrário dele. Ou seja, mesmo que pensássemos em termos de voto útil, ela ainda seria preferível, pois tem mais chances de derrotar os candidatos indesejáveis.

Idelber em setembro 29, 2008 6:24 PM


#45


Idelber,

Alguns pontos sobre os quais você fundamenta o direitismo de Gabeira.

1) Gabeira elogia o BOPE. Se você lê a matéria, descobre que Gabeira "elogiou a relação de confiança que os policiais conquistaram dos moradores da comunidade". O BOPE e a Rota em São Paulo viraram sinônimo de grupo de extermínio estatal e por isso são usadas no discurso direitoso-malufista como forma de combater o bandistimo (Maluf faz parte da base do governo Lula, diga-se de passagem). Não é o caso da abordagem de Gabeira, que elogiou como a polícia pode conviver pacificamente com a comunidade da favela Tavares Bastos e ganhar a sua confiança. Ele enxerga essa sociabilidade como modelo para as interações entre polícia e comunidade. Isso é ser de direita?

2) Gabeira defende um choque de capitalismo na gestão da prefeitura. Um choque tão neoliberal que nem sequer fala em demissões. O mais curioso é que você considera o governo Lula como sendo de esquerda, e esquece que boa parte das políticas sociais do mesmo tem um cunho liberal, como o bolsa família (welfare state para os muito pobres, adotando uma perspectiva "focalista" e não a "universalista" do modelo social-democrata europeu). O que é o ProUni senão a promoção do cheque-educação, os vouchers tão defendido por Bob Fields? Marta está defendendo vouchers agora para creches escolares. Se isso não é defender modelos de gestão capitalista, eu não sei o o que é. E Gabeira é o de direita nessa história?

3)E não é porque Lula tem 70% de aprovação, e é chefe de um governo com políticas extremamente bem-sucedidas que alguém não pode fazer uma crítica aos padrões éticos do seu governo. Não só pelo mensalão, mas por essa participação nebulosa para abafar as investigações em torno a Dantas e a todo o affair "BrOi". A popularidade de Lula e seu bom governo não podem servir de escudo para não enxergar os vários esqueletos em seu armário. Se Gabeira não for uma voz válida, de onde vamos esperar uma crítica pertinente? De Henrique Fontana? De Ciro Gomes? De Crivella? Dizer que a crítica de Gabeira é similar a de Bornhausen é um baita exagero. Bornhausen fala em "eliminar essa raça". Aponte uma crítica de Gabeira em que haja algo similiar a "eliminar essa gente petista" do mapa.

Cesar em setembro 29, 2008 6:49 PM


#46

A meu ver, o político pode montar uma plataforma - isto é, uma proposta de pontos a defender numa campanha eleitoral - muito lógica, muito bem articulada, até sensata, interessante para a cidade, mas se falta ao indivíduo uma nitidez de princípios e de valores que podem ser avaliados pelo exame de sua trajetória política, ou para falar curto e grosso, se lhe falta o que popularmente chamamos de "caráter", não há como ter confiança de aquela maravilhosa proposta será realmente posta em prática. Uma pessoa como o Gabeira, cujo passado todos conhecemos, e que não é exatamente o representado por ele mesmo no livro "O que é isso companheiro?", como quase todos sabemos, e que de alguns anos para cá passou a aliar-se sistematicamente à liderança mais reacionária do país em busca de holofotes e não sei mais o quê, não me merece confiança. Sua plataforma e sua retórica me parece beneficiar-se do domínio da linguagem de um ex-jornalista de bom trânsito no mundo da classe média rica do Leblon e Ipanema. Aliás, é para este setor social minoritário que ele fala porque a ele pertence.

Vera Borda em setembro 29, 2008 7:17 PM


#47

Cesar, os comentários da Vera e da Mary respondem suas objeções. Eu não vou rebater ponto por ponto. Vou por uma outra via. Acho o seguinte: a característica definidora do lugar de um político na história é como ele se posiciona ante as questões fundamentais do seu tempo. E aí, meu caro, a Mary e a Vera mataram a charada. Gabeira escolheu sair do barco. A escolha foi dele. Recusou a opção mais difícil, que era permanecer no interior do projeto, com todas as suas contradições, e reconhecer que nele havia algo promissor, transformador, que com a ajuda dele poderia se converter em algo ainda melhor. Optou pela saída -- desculpe o clichê -- pequeno burguesa, que é posar de puro, incontaminado. Paga, hoje, o preço por isso.

Ah, e você quer algo que ele tenha dito que seja comparável ao "eliminar essa raça", do Bornhausen? Que tal cadáver insepulto? Claramente, ele nunca falou em "eliminar essa raça" porque para ele -- e ele já disse isso com todas as letras -- "essa raça" é um "cadáver".

Ele é, sim, o candidato do Leblon e de Ipanema. Isso é um fato sociológico, inegável. Não é por acaso que ele não penetra na Zona Oeste. O povo não é burro.

Idelber em setembro 29, 2008 7:29 PM


#48

Quanto à Jô Moraes, me veio à cabeça um pensamento, mesmo não sabendo qual é a dela com relação a seu vice da Universal: digamos que ela morra. BH terá como prefeito um pastor da IURD, certo?

Vou pesquisar mais o assunto sobre a participação do tal pastor nessa história toda. Mas, mesmo sem saber o que rola, fico na cabeça com esta expressão: "não existe almoço grátis".

Milena em setembro 29, 2008 7:49 PM


#49

Ainda no assunto, assisti ontem ao debate dos candidatos à prefeitura de BH (TV Record). Achei a Jô Moraes extremamente insegura. Ela gaguejava mais do que qualquer outro que estava lá. Aquilo me causou certo mal-estar.

Milena em setembro 29, 2008 7:53 PM


#50

Milena, também estou pesquisando. Até agora, não encontrei uma linha desabonadora sobre a Jô.

Que pena que ela não tenha ido bem no debate.

Idelber em setembro 29, 2008 8:15 PM


#51

A aliança que fizeram Gabeira e Roberto Freire com Arthur Virgílio e (vade retro!) Jorge Bonrhausen no passado recente me causou tremenda decepção. Respeitava os dois. Roberto Freire parece que se perdeu completamente; Gabeira parece que procura se afastar dessas companhias, mas de vez em quando solta cada declaração que vou te contar.
Além das que Idelber listou aí em cima, faz pouco tempo que declarou a um jornal de Salvador que Lula age de acordo com as pesquisas - quando estas o favorecem é loucura atrás de loucura.

Assim fica ruim.

anrafel em setembro 29, 2008 9:15 PM


#52

Pois é. Achei que ela estava insegura. Não consegui entender. Posso estar errada, mas acho que minha impressão foi correta. Ela dava umas gaguejadas, trocava palavras, confundiu um nome certa hora (acho que confundiu Patrus com Pimentel, mas não tenho certeza).

Agora, quanto ao vice, independente de ter algo desabonador ou não no caso, pense bem: e se ela morre? Pense também: existe almoço grátis?

Outra: você, candidato a prefeito, aceitaria um vice da IURD? Não sei se você já viu os programas de TV da igreja, mostrando os cultos. Acho que não teve oportunidade. Só te digo uma coisa: tosqueira pouca é bobagem. Uma coisa que fiquei sabendo (a partir de uma testemunha ocular): nos cultos, se você paga um dízimo maior do que os usuais 10% do "garçom", ganha de brinde um CD. Nos programas a gente vê os pastores distribuindo a "cerquinha da prosperidade" (uma coisinha feita de papel), o "insenso do amor"... E os exorcismos? Nem preciso dizer nada, né?

Certa vez fiz as unhas com uma fiel da IURD. Ela falou que achava legal a igreja porque tinha um lance espírita. Falou que eles tiravam "encosto".

Eles têm "plantão" por telefone com pastores e esposas de pastores. Quando contam isso, aparecem imagens do setor de "telemarketing espiritual".

Mostram também depoimentos de gente que ganhou a prosperidade quando entrou pra IURD. Os depoimentos são acompanhados com "simulações" da vida da pessoa. Filminhos, tipo aqueles daquele programa Linha Direta da Globo. Falam que a pessoa estava no vermelhão, que bebia, que se drogava, que estava solitária e que, após a conversão, tudo foram flores (flores = muito dinheiro, saúde, felicidade, amor).

Se fosse o caso de serem franca e convictamente contra o aborto, de serem contra os homossexuais, se fosse uma posição pelo menos sincera com relação a questões assim, eu discordaria mas acharia a coisa mais honesta (não falo apenas da posição da Jô, mas da igreja propriamente dita).

Só que a coisa é mais grave ainda. É pura picaretagem, uma picaretagem esperta que rende uma grana que não dá nem pra imaginar. Nisso a gente tem que tirar o chapéu pros sujeitos. Eles descobriram o segredo de Midas. Sacaram direitinho as superstições, os anseios e as carências de quem tá na pindaíba. Aí inventam trocentas simpatias pra ganhar amor, pra ganhar saúde, pra ganhar dinheiro... E, pra que tudo funcione, os fiéis têm que "doar ao Senhor". Se der errado, eles não ficam com o filme queimado, pois podem dizer que o fiel não foi tão fiel assim, que o sujeito não se entregou tão fortemente a Jesus.

Vi pela TV um culto em que improvisaram um pórtico. Quem passasse por ali, teria prosperidade financeira, viraria empresário, teria amor, saúde. Dá pra imaginar uma coisa dessas?

Tenho mais histórias dessa tosqueira, mas acho que o que falei já basta.

Você teria um pastor disso aí como vice?

Abraços e parabéns pelo blog.

Milena em setembro 29, 2008 9:37 PM


#53

Não sei se você já viu os programas de TV da igreja, mostrando os cultos. Acho que não teve oportunidade.

Vixe, Milena. Já vi, revi, presenciei, ouvi, fotografei e muito mais. Sei que é punk.

Quanto ao que eu faria, bem, pessoalmente eu não. Mas, no quadro partidário brasileiro atual, eu não deixaria de votar numa candidata como a Jô só por tê-lo feito. A não ser, como lhe disse, se encontrasse algo desabonador.

Ainda não foi o caso. Abs.

Idelber em setembro 29, 2008 9:41 PM


#54

Idelber,
Permita-me só comentar umas coisicas, à guisa de contradita:

“propostas de adoção de modelos corporativos, da iniciativa privada, na gestão pública.”
Que eu saiba, este modelo é defendido pelo Tinhorão e por muita gente boa do PT no que tange à saúde, por exemplo. Além do mais, a história da burocracia estatal é ligada aos modos de gestão empresariais. O atual (acho que foi Weber quem indicou), que no Brasil ainda está ligado à segunda revolução industrial, é fruto da adaptação do taylorismo. Mais: em vários institutos governamentais o PT está implantando sistemas de gestão aprendidos do universo corporativo, vide INMETRO.


“O povo não é burro.”
Não? Elegeu Marcello Alencar, Marcello Anthon... digo, Anthony Garotinho, César Maia, vai votar em Crivella e Paes... e não é burro? Agora sério: a questão não é de burrice ou inteligência... mas que às vezes parece, ah isso parece.


“Paga, hoje, o preço por isso.”
Paga? Gabeira perdeu para governador (1990), nunca deixou de ser um deputado de segunda, e agora pode ir para o 2º turno numa cidade ainda muito importante como o Rio, e isso é “pagar o preço?” Se é, acho que ele está muito feliz com suas escolhas.

Ah, sim, e é bom lembrar que as questões fundamentais de cada tempo sempre variam de cabeça a cabeça, e raramente possuem uma nitidez para os que vivem nele. Não creio que vivamos um momento assim.

João Paulo Rodrigues em setembro 29, 2008 9:44 PM


#55

Para contribuir com o ótimo debate proporcionado pelo igualmente ótimo post de Idelber.

1) José Dirceu, hoje, dia 29, em seu blog, faz, grossíssimo modo, a mesma recomendação do blogueiro que respeito: defende uma renúncia geral das esquerdas em favor de Jandira. Reproduzo trecho. "O PT, o PC do B, o PSB, o PDT, e o PSOL são incapazes de fazer uma aliança eleitoral para conjugar esforços na TV, no rádio e nas ruas para levar Jandira Feghalli, do PC do B, para o segundo turno (...) Francamente, não dá para entender tamanha incapacidade de fazer alianças". Bem, justo ele, José Dirceu, que fez o que fez com o PT no Rio.

2) O "brizolismo" deu crias como o casal Garotinho e até o atual prefeito César Maia, que hoje é DEM. O governador Sérgio Cabral (PMDB) é, dizem onze entre as dez pessoas que palpitam (com fosfato) sobre a política no Rio, a volta do "chaguismo". Conclusão inevitável: ninguém merece. O Rio é um caso único no Brasil.

3) Para quem acha que o Gabeira não "endireitou", tenho prova irrefutável. Sorridente, ele foi capa da Veja pouco antes do primeiro turno da reeleição de Lula (edição 1974, de 20 de setembro de 2006). A chamada fala por si. "A utopia possível de Fernando Gabeira: o deputado que foi guerrilheiro se tornou paladino da ética e da lucidez na política brasileira". Ponto com, ponto br. Passemos, pois.

4) Um olho no peixe, outro no gato. Agora é palpitismo meu, sem nenhuma base científica ou política. Não convém duvidar das pesquisas. Tampouco confiar nelas. Já participei, como profissional, de campanhas eleitorais acirradíssimas. Existe uma coisa importante, diziam os "especialistas" que trabalhavam ao meu lado: avaliar a curva.

4.a) Se Gabeira (PV), de fato, cresce na reta final, a tendência é de que ele vá, sim, ao segundo turno.

4.b) Pela mesma razão, Alckmin (PSDB) estaria, sim, correndo sério risco em São Paulo, pois Kassab (DEM) sobe. Vem chumbo grosso contra a Marta (PT) no segundo turno, por óbvio.

4.c) Manuela (PC do B), em Porto Alegre, apresentou hoje queda de cinco pontos percentuais em uma pesquisa que costuma "acertar" na capital gaúcha (Correio do Povo). Ibope e Datafolha, no final de semana, também apontaram para empate técnico entre ambas. Na sondagem do CP, todavia, Manuela teve queda para além da margem de erro: tinha 23%, agora tem 17%. Maria do Rosário (PT) encontra-se estável, agora numericamente à frente da comunista, mas tecnicamente empatada com a candidata do PC do B, em torno de 17%. Sinal amarelo para a campanha de Manuela.

4.d) A conferir os palpites 4.a, 4.b e 4.c.

Fábio Carvalho em setembro 29, 2008 9:52 PM


#56

Bons, bons jabs, JPR. Sem ânimo já para esticar o debate, lembro-lhe só uma coisa, sobre o ponto 3 ('pagar o preço'): em 1986, Gabeira esteve pertinho de ganhar, e não para prefeito, e sim para governador.

Sobre o ponto 2, um adendo: eu disse "o povo não é burro", não disse "o povo nunca elege candidatos que não são os melhores, ou que são os piores". Isso acontece, sim, por um monte de fatores. Mas no contexto em que está a minha frase -- ser, de facto, o candidato da Zona Sul mas ser incapaz de se assumir enquanto tal perante povo -- neste caso, sim, aplica-se o "povo não burro". O povo vê isso, sim.

O que não quer dizer que não possa eleger um babacão como o Crivella.

Idelber em setembro 29, 2008 9:52 PM


#57

Maravilha de comentário, Fábio. Obrigado por lembrar a pesquisa do RS. Eu tinha passado os olhos sem prestar atenção. 5 pontos é bastante na corrida Manuela / Maria do Rosário.

Idelber em setembro 29, 2008 9:54 PM


#58

Off topic: Minha ex-professora, a inteligentíssima Margarida Salomão (PT), disparou no primeiro turno em Juiz de Fora (MG). Lula sempre teve vitórias arrasadoras por lá, mas o PT nunca chegou ao segundo turno na disputa pela Prefeitura (ressalvado um redondo engano meu). Margarida também tem grandes chances de vencer no segundo turno. A disputa pelo segundo lugar está embolada entre Custódio Mattos (PSDB) e Tarcísio Delgado (PMDB): ambos já foram prefeitos. Mas Margarida é o voto de amigos que não têm qualquer filiação partidária: será surpresa para a "Manchester Mineira". Até minha mãe, conservadora que só, disse que votaria nela (mas tem domicílio eleitoral em outra cidade).

Fábio Carvalho em setembro 29, 2008 9:59 PM


#59

Ah, Idelber: "Ele é, sim, o candidato do Leblon e de Ipanema. Isso é um fato sociológico, inegável. Não é por acaso que ele não penetra na Zona Oeste. O povo não é burro."

Caro Idelber, VOCÊ é muito inteligente. Mas pra falar do Rio tá difícil que só...

O povo da Zona Oeste, coitado, não vai pra escola, não tem renda própria, não tem posto de saúde, é o maior pólo de dengue da cidade, vive da esmola de políticos desde Carlos Lacerda, não tem perspectiva de melhoria alguma, convive com altíssimos índices de violência doméstica e crimes em geral. Não é o idílio do subúrbio pacato que um dia foi Madureira, Olaria, Penha, Bonsucesso, tudo pré-Complexo do Alemão.

Campo Grande e Santa Cruz são iguaizinhas a Wasilla, Alaska, com a diferença do "termômetro invertido" e superpopulação desgraçadamente desassistida.

E são esses, desculpe-me, coitados, que monopolizam a inteligência? Eles votam no Cesar, Idelber. No Crivella. No Garotinho. No Cabral. Rodrigo Maia tem curral eleitoral perpétuo por lá. Eider Dantas, um Maluf de quinta, também. E eles é que são os inteligentes?

Acho que vc precisa vir mais ao Rio e desentocar do circuito boêmio da ultrapassadíssima esquerda festiva carioca. Maria Betânia deu um chilique "contra tudo que está aí" semana passada e, posto isto, dirigiu-se ao Teatro Municipal cantar pra zelite em um show beneficente...

Não me parece haver esquerda festiva paulistana ou belorizontina. Mas a daqui é "dose"...

Se vc não gosta do Globo (e há muitos que não gostamos também, por superficial e malicioso; gosto mesmo é do Financial Times!!), precisa arrumar uma fonte alternativa de informações atualizadas sobre o Rio.

Desculpe o desabafo, tenho-o em altíssima conta, mas vc simplesmente demonstra não ter informações atualizadas necessárias para opinar sobre política local carioca ou fluminense. Desculpe-me.

Rogério em setembro 29, 2008 10:00 PM


#60

Rogério, considerando que há cinco dias você me disse que sobre a eleição americana eu vivia na cegueira da "torre de marfim" porque era incapaz de ver que Obama já havia perdido, e cinco dias depois disse Não esperava, vindo de um observador tão arguto. Das eleições americanas, that is,

eu acredito que só posso tomar seu desabafo como elogio :-)

Gracias, pois.

Idelber em setembro 29, 2008 10:04 PM


#61

Idelber,
Concordo com seu segundo parágrafo. Mas creio que Gabeira não chegou perto em 1986 (confundi com 90). Foi a melhor campanha do PT para o governo estadual, creio, mas ainda assim, ninguém levava a sério a possibilidade de vitória. É minha vaga lembrança de início de adolescência.
Não ligue pro desabafo acima. Você está levantando um ótima discussão.
Uma boa noite.

João Paulo Rodrigues em setembro 29, 2008 10:14 PM


#62

Idelber, só um pequeno comentário sobre sua resposta. Você escreve:

"[Gabeira r]ecusou a opção mais difícil, que era permanecer no interior do projeto, com todas as suas contradições, e reconhecer que nele havia algo promissor, transformador, que com a ajuda dele poderia se converter em algo ainda melhor. Optou pela saída -- desculpe o clichê -- pequeno burguesa, que é posar de puro, incontaminado."

Muito mais difícil é sair de um governo e de suas inúmeras benesses, para ficar na oposição. Não são muitos os políticos que aguentam ficar longe do poder no Brasil, que digam Paes e ACM Neto. O primeiro é aderiu ao lulismo, o segundo é um arrependido.

A sua observação de que Gabeira posou de purista, ao invés de entrar num projeto repleto de contradições mas cheio de potencialidades transformadoras cai como uma luva para...descrever o PT na oposição, não é mesmo? Vide em 1984, quando a transformação possível implicava o enfrentamento do PDS na arena que os militares haviam criado, o colégio eleitoral. A sociedade civil sedenta por transformação, e o PT, o que faz? Posa de puro, e expulsa deputados que votaram em Tancredo. Em 1992, depois do impeachment de Collor, Itamar constrói um governo de coalizão, e o PT, de novo, posa de purista, expulsando Luiza Eurundina, então ministra da Administração Pública. O PT se fez de "incontaminado" e não participou de nenhuma coalizão em que ele fosse sócio minoritário. Mas não o critico por isso. O PT estava fazendo política: marcando posição. De derrota em derrota, chegou lá. Foi uma estratégia eficiente.

Parece-me que Gabeira quer construir uma alternativa, e marca sua posição, como qualquer oposição faz. Creio que Gabeira representa uma esquerda, a não ser que a gente interprete que o PT é uma espécie de Espiríto do Mundo hegeliano, encarnando A esquerda, escrevendo A história, o que, claro, não é o caso.

Cesar em setembro 29, 2008 10:30 PM


#63

Idelber,

Não conheço tão bem assim o Rio, mas é de dar medo a situação política--e econômica--da cidade, mais parece coisa de filme pós-apocalíptico!

É de dar medo também o futuro do Brasil. Quando os dinossauros do século 20º se aposentarem, mesmo com seus defeitos e contradições, vai ser duro morar aqui.

Essa eleição carioca é bem emblemática nesse sentido, dadas as devidas proporções, claro--ao meu ver, a política carioca anda pior que a média nacional.

Parece que essa evolução tênue do país seja só um rescaldo das esperanças perdidas do século passado.

O futebol está mastigado pelo sistema, o mundo acadêmico idem e o sistema político partidário nem se fala. Só medíocridade.

O que se esperar disso daqui? Uma Teocracia sob o comando de um Crivella?

Hugo Albuquerque em setembro 29, 2008 10:34 PM


#64

idelber, concordo totalmente com o que você escreveu sobre o gabeira. totalmente. e adorei ler sobre eleições no rio, sei muito pouco sobre o que acontece lá. é isso, estou sempre aprendendo por aqui! beijo

kellen em setembro 29, 2008 10:41 PM


#65

Kellen, que alguém tão bem informada como você ache que esteja aprendendo aqui é um contraponto maravilhoso a quem, por causa de uma discordância, acha que pode determinar, sem me conhecer, onde eu já estive, o que sou capaz de enxergar. Gracias :-) E não pare de blogar!

Hugo, meu caro, a situação política do Rio é muito ruim, mas acho que perigo de teocracia, mesmo com vitória de Crivella, não há. Pelo rumo em que anda o Brasil. Torçamos para que você esteja sendo pessimista demais.

Cesar, nosso bate-bola é sempre muito bom e eu aprecio muito. Já dura, acho, desde a eleição de 2006. Você é consciência vigilante à esquerda do blogueiro, impedindo que o compromisso pragmático se transforme em pragmatismo oportunista. É verdade que Gabeira, no sentido ao qual você alude, representa uma esquerda. Isso é fato. Tanto como é fato que só lhe restaram alianças à direita, o que é o dado trágico -- trágico no sentido grego -- da trajetória do Gabeira.

Idelber em setembro 29, 2008 11:21 PM


#66

E viva Margarida Salomão (PT) que, ao que tudo indica, derrotará o caudilhismo tarcísico em Juiz de Fora, como lembrou o Fábio.

Idelber em setembro 29, 2008 11:42 PM


#67

Desculpe, Idelber, amigo --

Você conhece o Rio mas se perde nos rótulos. Cesar Maia aprendeu tudo o que sabe com Leonel Brizola. Pelos seus critérios, seria de esquerda. Não é, evidentemente. Garotinho de esquerda? Putz... Garotinho é demagogo e sempre foi, nunca passou disso. Marcello, sim, tem passado de esquerda. E filhos corruptos. Meio Rio é lacerdista, sem o viés golpista. (Talvez.)

E, na boa, vc tem todo o direito de não gostar do Gabeira. Mas dizer que ele não é de esquerda porque quer dar um 'choque de capitalismo' no Rio? Desde quando não há esquerda capitalista?

Pedro Doria em setembro 29, 2008 11:43 PM


#68

Darei uma de Dick Morris tentando explicar sarahpalinismos: arguto não quer dizer 100% correto 100% das vezes :)

Mas vc me enfrentou no character (contradição nos argumentos) e não na substância do que disse em relação à política carioca. Assim não vale, né?

Finalmente, não disse que Obama já havia perdido, mas que estava a caminho de. E mantenho o que disse: não fosse a crise econômica ter (i) piorado e (ii) ter finalmente colado nos republicanos, a estratégia Obaminha paz-e-amor continuaria pondo em risco uma eleição mais fácil do que era a do Kerry.

Abraço,

Rogério em setembro 29, 2008 11:47 PM


#69

Querido Pedrão:

Só uma acotación: eu não disse que Gabeira não é de esquerda. Nem o comentário sobre o brizolismo era sobre ser de esquerda. Em nenhuma das circunstâncias usei verbo de ligação, verbo "ser". Usei "estar no campo de", com respeito ao direitismo da candidatura de Gabeira, e "ser populista o suficiente para dar a impressão de", com respeito ao "esquerdismo" de Garotinho e Alencar.

Em outras palavras, Pedro: se Gabeira tivesse mantido uma ponte com o projeto-país articulado a partir de Lula nestes anos, e estivesse bem na frente nas pesquisas, eu estaria chamando Jandira para que o apoiasse já no primeiro turno, para evitar Crivella / Paes.

No contexto discursivo em que Gabeira escolheu se posicionar hoje, não posso senão chamar Molon e Chico para que ajudem Jandira a evitar redução do 2o turno a Crivella/Paes/Gabeira.

Capice? Pode discordar, claro, mas capice? Eu não disse "ser" de esquerda ou direita no sentido em que você me atribuiu. Abração.

Idelber em setembro 30, 2008 12:03 AM


#70

Idelber, aproveitando as lembranças dos políticos cariocas/fluminenses que cresceram sob o guarda-chuva do brizolismo: chamou minha atenção uma pesquisa que mostra o candidato do PDT à prefeitura do Rio, Paulo Ramos, com 1% das intenções de voto.

A esquerda se esfacelou no Rio. Algumas correntes perderam musculatura eleitoral, outras nunca tiveram, e vários expoentes viraram à direita - como, concordo com você, é o caso do Gabeira.

Abre parênteses: sua análise de que Gabeira caiu fora do time após cinco minutos de jogo é perfeita. Boa parte da turma do PSOL caiu fora no final do primeiro tempo. Em ambos os casos, deu no que deu... Fecha parênteses.

Diante desse quadro, acho um milagre a Jandira ter a votação que tem. E, infelizmente, acho muito pouco provável que haja uma união das esquerdas no Rio. Mais uma vez, voltamos à velha frase: "A esquerda brasileira só se une na cadeia".

Ah, sim. Acabo de ler que Caetano Veloso aparece no horário gratuito pedindo votos a Gabeira. Não me surpreende: unidos pela incoerência e pelo pensamento em zigue-zague... Já Fernanda Montenegro pede votos a Jandira.

Luiz Alberto Pandini em setembro 30, 2008 12:22 AM


#71

Única verdade que incomoda a direita, no RJ e em SP: oito em cada dez brasileiros estão felizes da vida com o desempenho de Lula. Incomoda até os amestrados do FHC, incluindo o presidente supremo e candidato a Mussolini caboclo.

Armando do Prado em setembro 30, 2008 12:25 AM


#72

Car@s, sobre o Rio, vejam este trecho não-pessoal de um email que acabo de enviar a uma amiga, que apóia Jandira. O que segue em itálicos é de minha autoria, pois:

Acho que há que se diferenciar Lula e o PT. Sonhos do Lula, claro, eram dois: unidade de esquerda em torno da Jandira e um possível segundo turno entre ela e Crivella. Win-win situation. Já no PT, há desejos múltiplos, contraditórios, dentro do Rio, e contradições também entre estes desejos cariocas e a direção nacional. Lembremos que Molon foi lançado por Sérgio Cabral, que esperava em troca apoio do PT ao PMDB em outras comarcas.

É verdade que Lula e PT nacional "rifam" a esquerda carioca às vezes, mas essa rifa só é possível porque vocês -- esquerda RJ -- são uma bagunça, não se entendem. Vira uma coisa dialética, mutuamente alimentada.

Idelber em setembro 30, 2008 12:27 AM


#73

Idelber, toda essa defesa do Gabeira so para dizer que, no Recife, meu domicilio eleitoral, dada a correlacao de forcas, votaria tranquilamnete no PT, em Joao da Costa! Como votei em Lula no segundo turno de 2006!

Infelizmente nao estou no Recife, mas em Chicago, capital da Obamaland. Quando voce estiver na Windy City, a gente conversa pessoalmente sobre nossos esquerdismos! ;)

Cesar em setembro 30, 2008 12:57 AM


#74

Pois é, Cesar, por enquanto vejamos se o Poder Judiciário permite aos seus conterrâneos votar em João da Costa, como eles querem. É um problema urgente no Brasil, o TSE e o STF.

Idelber em setembro 30, 2008 1:00 AM


#75

Vamos pensar um pouco mais na frente Idelber:
O Gabeira indo para o segundo turno, a esquerda fecharia com ele para fazer um governo popular de fato, ao lado de uma pessoa que tem história, ou um oportunista que vai fazer média com o governo Lula?

Acho que o simples fato de ele não usar de clientelismo para escolher seus parceiros o torna um candidato bem melhor e mais coerente com a agenda da esquerda. E o Gabeira não criaria indisposições só porque não está ligado a intimamente um "projeto de poder" de nível nacional. Ou to errado?

Gabriel Mendes em setembro 30, 2008 1:21 AM


#76

Pandini, meu caro, Fernanda Montenegro é a primeira e única, rainha, maior de todas -- a lucidez e a integridade em pessoa. E não digo isso pela eleição.

Eu sonho com um Brasil onde a eventual morte de Fernanda Montenegro provocasse o dobro da comoção que provocou Senna.

Aí sim, seríamos o BRIC do BRIC. Abraços.

Idelber em setembro 30, 2008 1:23 AM


#77

Indisposições gratuitas ele não criaria não, Gabriel. Você está certo nisso.

Mas sabe quando ele derrotaria Crivella ou Paes na Zona Oeste ou Zona Norte do Rio? Nunca. Seria como escalar a subida do Uberaba Tênis engatinhando de costas.

E esse terremoto aí em Uberaba???

Idelber em setembro 30, 2008 1:25 AM


#78

Mas nesse sentido, a Jandira por causa da declaração sobre o aborto também teria dificuldades. O que importa é uma agenda para a cidade, e acho que os partidos que estão com o Gabeira entendem a conjuntura local. Já que você tocou no assunto Uberaba, aqui o candidato do Lula é Anderson Adauto, um dos réus do mensalão e responde por 4 processos de improbidade administrativa. Não tem jeito... sou obrigado a votar no PSDB.

Quanto ao terremoto, eu tava dormindo na hora e as únicas pessoas que eu conheço que sentiram algo foram moradores de prédios ali pelas "suas" bandas. hehehehe

Gabriel Mendes em setembro 30, 2008 1:31 AM


#79

Uma das coisas que degringolou a esquerda no Rio foi isso do PT ir contra o Brizola. Lembro dos companheiros metendo o pau nos CIEPs, e eu com cara de confuso sem saber o que pensar. Ah, o tempo, hein! Faltou demais a maturidade pro PT naqueles tempos. O Brizolao teve que se cercar de oportunistas por nao poder se aproximar do PT, e deu no que deu. PDT virou um saco de gato e o que sobrou do PT carioca continua uma torre de babel.

Julio em setembro 30, 2008 9:10 AM


#80

que coisa... Quando a caixa de comentários foi sobre a eleição em sampa, a discussão envolvia um monte de aspectos sobre as propostas dos candidatos para a cidade, mesmo as mais mirabolantes, e posição no espectro político / coligações desabonadoras era tema secundário. Talvez porque os 5 candidatos mais bem colocados já tenham ocupado cargos executivos ou - no caso da soninha - tenha um projeto mais bem definido. A discussão parece que sai um pouco das hipóteses e vai para o que pode ser feito.

No RJ, parece que a coisa se resume a uma análise microscópica para saber se o gabeira é de esquerda. Apesar que aparecer elogiado na capa da veja não deveria deixar dúvidas...

É como se o maluf estivesse em primeiro, Alckmim colado nele, e se discutisse se a soninha deveria desistir para apoiar a marta e ajuda-lá a ir para o 2o turno, enquanto se discute se o kassab eh de direita. Uma versão "planeta bizarro" de sp. Pelo pós do idelber, assim me parece a disputa no RJ.

daniel em setembro 30, 2008 9:50 AM


#81

o corretor automatico inventou um "pós do idelber" onde deveria ser "post do idelber", perdão.

daniel em setembro 30, 2008 9:54 AM


#82

Daniel,

a situação aqui no RJ é triste. Para você ver, eu, eleitor contumaz do PT e do PV por aqui, não deixei de anular meu voto no segundo turno em NENHUMA majoritária dos últimos 14 anos.

triste cidade, esta nossa.

Radical Livre em setembro 30, 2008 12:14 PM


#83

Idelber

Aqui de volta, apenas para fazer um reparo rápido ao comentário #72 que você reproduziu de uma amiga.

Discordo dela. O PT do Rio nas eleições de 1996, então com Chico Alencar, chegou a 20%, contra a vontade de Lula, que queria Miro, e junto com seu grupo boicotou o PT local.

Em 1998 o PT do Rio sofreu intervenção do Diretório Nacional.

O PT do Rio foi deliberadamente destruido enquanto seção autônoma para o bem do projeto político do hoje Presidente e seus acólitos.

Aliás, o PT como um todo virou uma sublegenda do Lula. As deliberações e resoluções de congressos não valem o papel em que são impressas.

E, sim, ainda não entendi bem, Crivella e Paes são à direita no município?

[]'s


Eneraldo

P.S.: Minerim...de BH...Centelha! Claro! Como é que eu deixei de notar? Você deve ter conhecido a Rossana e a Cecela suponho? Rossana foi minha colega de DCE-UFRJ, a looong time ago...mas não éramos do mesmo grupo. Na época sua turma me chamava de autonomista, social-democrata... Foi quando eu conheci também o Sérgio Leo, que foi por onde chegei aqui aliás.

Eneraldo Carneiro em setembro 30, 2008 2:13 PM


#84

Eu confesso que me recuso a votar na esquerda carioca. Numa boa, eu não dou um voto a quem não tem competência e poder sequer para articular uma frente. Porque governar essa cidade é mil vezes mais difícil que isso. Aqui, até as baratas e os ratos andam em bando, menos os esquerdistas. Já basta o desastre da eleição do Garotinho, conseguida na marra pelo senhor José Dirceu.

Voto em Gabeira e no 43 para vereador sem qualquer constrangimento nem arrependimento.

Abs.

MarcosVP em setembro 30, 2008 2:45 PM


#85

Eneraldo, exato, Centelha, sim! E, claro, conheci todo mundo.

hahaha, me lembro bem desse rótulo: "autonomista". Bons tempos...

Marcos, meu velho, contra esse argumento, realmente, eu não tenho nada. Faz muito sentido o que você diz.

Idelber em setembro 30, 2008 4:07 PM


#86

Sei.

Se "recusa a votar" na esquerda carioca, por isso e por aquilo....e a "alternativa" é votar num oportunista dissimulado e numa legenda de aluguel?

É...tem razão. Faz muito sentido. Não tenho palavras.

[]'s

Eneraldo Carneiro

Eneraldo Carneiro em setembro 30, 2008 4:35 PM


#87

Aqui neste comentário o Pedro diz que estou errado porque confio "no que lhe dizem seus amigos petistas ou ex-petistas no Rio".

É triste quando as pessoas, ao invés de apresentar argumentos, passam a fantasiar sobre quais são as fontes dos outros ou como os outros chegam às conclusões que chegam. Suponho que o Pedro saiba quantas vezes fui ao Rio, qual a bibliografia que manejo sobre a cidade, quais são minhas fontes.

Segundo Pedro, Gabeira tem mais chances que Jandira num eventual segundo turno contra Crivella ou Paes. Todas as pesquisas dizem o contrário, mas o Pedro decidiu que está certo porque ... decidiu que está certo. Assim, sem apresentar número nenhum. Gabeira atrai o voto conservador da Zona Norte? Quem disse? Cadê os números? Cadê as fontes?

A confusão não surpreende, vindo de quem caracteriza o voto no Brizola em 1982 como "voto de piada" e, lendo este post, interpretou tão mal que achou que eu estava dizendo que Garotinho era de esquerda. Leu mal aqui, foi corrigido aqui e, que eu tenha visto, ainda não contestou minha correção.

Menas, Pedro, menas.

Idelber em setembro 30, 2008 5:22 PM


#88

Alguns numerinhos de quem conhece o Rio "pelo que me dizem meus amigos":

Taxa de rejeição de Gabeira: 16%
Taxa de rejeição de Jandira: 9%.

Quais são os números que o Pedro apresenta para dizer que Gabeira tem mais chances que Jandira num segundo turno? Simulação do Ibope.

Segundo turno entre Crivella e Jandira:

Crivella 34 x 31 Jandira, empate técnico portanto.

Segundo turno entre Crivella e Gabeira:

Crivella 36 x 24 Gabeira.

(fonte)

Idelber em setembro 30, 2008 5:40 PM


#89

Pois é, seu Idelber. PD surtou nesta, já tentei contestar por lá, mas o diálogo está difícil.

ainda estou sem posição em relação a meu voto útil, é difícil demais decidir entre uma stalinista e um verde recém-udenizado.

Radical Livre em setembro 30, 2008 6:54 PM


#90

Não li nem ouvi nenhum comentário, pesquisa ou análise sobre a futura composição das Câmaras Municipais. Ou das Assembléias Legistativas. Ou do Congresso Federal. Nunca. Em nenhuma campanha, desde moleque.

Que o Legislativo hoje é inútil, eu sei. Mas será que não é exatamente para mudar isso, que deveríamos lutar?


Cortez em outubro 1, 2008 1:47 AM


#91

Idelber, sobre o comentário 76: sabemos que, infelizmente, não vai acontecer. Será uma morte discreta, como a do Paulo Autran. Aliás, bastante coerente com a maneira de ser e pensar dos dois.

Luiz Alberto Pandini em outubro 1, 2008 8:57 AM


#92

Numa boa, Eneraldo? Dane-se a legenda de aluguel, o oportunismo, o PSDB. Voto num cara que tem meu voto desde que eu tinha 18 anos e nunca me decepcionou, nem agora. Sem esse aparato que você critica, seria impossível sonhar sequer em chegar ao 2o. turno, o que parece se avizinhar. Agora, se isso é crítica que se faça num país que foi governado por DEM no tempo do FH e o é agora pelo PMDB, em temos de Lula, então tudo bem.

Governar o Rio é uma omelete imensa. O resto do ditado você deve conhecer.

MarcosVP em outubro 1, 2008 7:15 PM


#93

Idelber,você é um cara inteligente, culto e bem-informado, mas insiste em certos lances que não dá para entender. Dizer algo como "O Presidente Lula sempre quis uma unidade de esquerda em torno a Jandira" ou "...ele se encontra no terreno oposto ao projeto de país articulado pelo governo Lula". Se o molusco quisesse a tal "unidade de esquerda", a Jandira seria a sua única candidata, ele nâo estaria apoiando o candidato vigarista do PMDB e o "bispo" aliado do Edir Macedo. E qual o "projeto de país do presidente molusco"? Pelo que pude reparar até agora, resume-se em manter-se no poder mantendo a política econômica herdada do "campo da direita" que o antecedeu, aliada a uma demagogia populista que distribui uma mixaria para o povão com o dinheiro dos impostos da classe média. E tudo isso amarrado com a mais formidável campanha publicitária "full time" que este país já viu, que lembra demais o "Brasil Grande" ou "que ninguém segura" dos piores tempos da ditadura. É, ninguém é perfeito, mas levar a política brasileira a sério e por fé no "presidente Lula" é muito vacilo.

Luiz Candido em outubro 1, 2008 10:50 PM


#94

Caro Idelber,

Leio pela primeira vez o seu blog e achei fascinante o debate acima. Gostaria de acrescentar os meus 2 cents:

1. Cabral lançou o Molon exatamente para segurar um possível apoio do PT à Jandira. Quando viu que não colou

2. Com relação aos resultados das pesquisas sobre o 2o turno: o problema é o baixo envolvimento do eleitor com a eleição.

Os indecisos são 45% e pouquissima gente tem o voto consolidado. Assim, qq pesquisa sobre 2o turno serve apenas se olharmos as curvas


Abraço,
Leo Wright

Leo Wright em outubro 1, 2008 11:04 PM


#95

Leo, perfeitíssimo, você tem razão. Tudo isso está pendente da resolução dos indecisos, que são legião. Pode acontecer qualquer coisa.

Idelber em outubro 1, 2008 11:59 PM


#96

Idelber,você é um cara inteligente, culto e bem-informado, mas insiste em certos lances que não dá para entender

Luiz, para quem chama o presidente Lula de "molusco", acha que o Brasil de hoje é FHC mais "bolsa-mixaria", e confunde "estar na base de sustentação de" com "ser apoiado por",

você até que entende muita coisa.

Idelber em outubro 2, 2008 12:01 AM


#97

Idelber, o meu comentário anterior, o #93, foi escrito logo em seguida à leitura do post, sem ter lido os comentários. Vejo que os comentaristas do seu blog são de alto nível, alguns posts são brilhantes, e que eu o subestimei, um grave erro. A sua capacidade de defesa das suas argumentações é impressionante, às vezes são obras de ourivesaria, como a diferenciação entre "ser de esquerda" e "estar no campo da esquerda", com o pequeno requinte do "não-uso do verbo de ligação". Tudo muito bacana, mas há tempos eu aprendi a me ater ao essencial, principalmente quando o assunto é política. Vejo que você é um daqueles petistas, não importa se de carteirinha ou não, que continuam achando que o "presidente Lula" foi e é a grande boa nova na história do Brasil, não importando suas ações e omissões, as contradições, as alianças espúrias com o pior da nossa política, com o coronelismo mais retrógrado e criminoso (exemplos: Sarney, Jader Barbalho, Quércia, Newton Cardoso e até a caricatura do baixo clero, o Severino), compra de votos no congresso, uso despudorado da máquina pública, incluindo as estatais, para financiar a propaganda maciça da maravilha que se tornou o Brasil etc. etc. etc. Para cada um desses tópicos você terá uma bela coleção de argumentos para defender o "projeto de país do presidente Lula" e o fará até o fim. É possível que esta sua oposição ao Gabeira seja motivada pelo fato deste ter "sentido a onda" do Lula logo no início do governo e pulado fora, pois não queria participar daquela nojeira, nem por omissão. Esta bronca seria habilmente disfarçada como defesa de uma candidatura de esquerda mais viável por ter maior penetração na Zona Oeste, o que o "candidato de Ipanema e Leblon" nem sonharia. E o vice-versa? Eu poderia escrever laudas sobre o processo eleitoral do Rio apontando os furos da sua abordagem, porém diversos comentaristas acima já o fizeram, alguns com notável propriedade. Mas passarei a me lembrar que você é um Democrata de carteirinha quando ler as suas análises da campanha presidencial dos EUA.

Luiz Candido em outubro 2, 2008 12:27 AM


#98

Idelber, eu estava digitando meu post #97 quando você postou o #96. Não deu outra: você se apega a minúcias semânticas como a diferença entre "estar na base de sustentação de" e "ser apoiado por". Seria uma bela discussão se estivéssemos na academia debatendo a tese de mestrado de algum filósofo. Mas estamos falando de política partidária, de eleições, de outorgar a alguém um enorme poder sobre nossas vidas durante quatro anos, do mundo real, enfim. Aí a coisa muda de figura, é necessário que se tenha confiança no processo, nas pessoas, na fidelidade aos seus compromissos. Temos um quadro em que o suposto "grande eleitor" declara que o candidato oriundo de uma igreja picareta é o "do seu coração", um outro, eivado de irregularidades administrativas tem seu completo apoio, uma terceira, também da base do governo, recebe uma atenção marginal (o mol..., quero dizer, o "presidente Lula", falou mesmo algo sobre "frente de esquerda" com a Jandira, ou você projetou isto por muito o desejar? Aliás, ele já declarou que nunca foi de esquerda, lembra-se?) e, finalmente, o candidato do seu partido recebe a dádiva da sua participação no programa eleitoral. Me diga uma coisa: Você pode imaginar uma situação semelhante nos EUA ou algum país sério do mundo? Inconcebível, não é?

Em tempo: em termos de política econômica, o "governo Lula" é mera continuação do FHC, fato notório, aliás apontado pela direita como "a única coisa boa do seu governo". Os banqueiros, mais cevados do que nunca, estão aí para confirmar este fato. Há algum tempo, mas já no segundo mandato do "presidente Lula" (isto é um mantra...), numa entrevista à FSP, o Olavo Setúbal, não hesitou em dizer que para eles, tanto fazia o FHC quanto o Lula. Humildemente, devo discordar deste prócer da banca nacional: para eles, o "presidente Lula" é muito melhor, pois associa lucratividades fabulosas e crescentes ano após com uma completa desmobilização social, impensável nos tempos do FHC. Tudo graças à sua blindagem ideológica, conchavos com os eternos donos do Brasil e, é claro, ao "bolsa-esmola", que milhões já consideram "o seu salário" e para mantê-lo, apoiarão o "presidente Lula" até o fim. Mas isso é outra longa história.

Luiz Candido em outubro 2, 2008 1:06 AM


#99

Correção: "...o Olavo Setúbal não hesitou em dizer...". E eu me esqueci de citar o ACM na lista dos coronéis regionais. Não sei se ele "estava na base de sustentação" ou "apoiava" o "governo do presidente Lula". Não acredito que isto faça qualquer diferença.

Luiz Candido em outubro 2, 2008 1:15 AM


#100

Idelber,

Não entendo essa onda toda em volta da Jandira para evitar um segundo turno "de direita". Dos quatro candidatos mais bem colocados na pesquisa, o único que não apoia o Lula é o Gabeira. Todos apoiam "o projeto de brasil" do presidente.

Não acho que o Gabeira seja esquerda. Não acho nem que esquerda/direita diga alguma coisa hoje. Pra mim não passa de uma divisão simplista da realidade em torno de uma teoria ultrapassada que tem mais de religião que de política.

Mas se você acha que o Lula é de esquerda, por que esse medo todo dos candidatos da base do governo (de esquerda)?
Paes, Crivella ou Jandira dão mais ou menos no mesmo. Só ficam brigando pra ver quem é mais amigo do lula.

Eu prego um voto útil ao contrário: votem no Gabeira, ele é o único não-lulista que tem chance de chegar à prefeitura.

Admiro muita coisa que o PT tem feito no governo, mas acho que essa é a nossa chance de começar a escapar desse personalismo messiânico que só atrapalha.

Se os petistas ainda tiverem alguma inteligência, também vão acabar se aliando ao PSDB qqr dias desses. E nem vai demorar muito.

abraço,
Lucas

lucas em outubro 2, 2008 2:49 PM