Meu Perfil
Um blog de esquerda sobre política, literatura, música e cultura em geral, com algum arquivo sobre futebol. Estamos na rede desde 28/10/2004.
Abaixo do pescoço tudo é canela: Como os Republicanos vencem eleições
A barragem de ataques sobre Barack Obama vindos da campanha de John McCain tinha se centrado, até agora, na sua “falta de experiência”, nos imaginados ou exagerados vínculos con radicais e em supostas (e algumas reais) osciliações de Obama. Não havia acontecido nada comparável aos golpes baixos que são vistos em eleições nacionais, pelo menos não explicitamente. Até este comercial:
Se McCain conseguir vencer – ou, melhor dito, se Obama conseguir perder – estas eleições, voltaremos a este clip como um ponto chave da virada. O comercial acusa Obama de querer “ensinar sexo” às crianças antes de que elas aprendam a ler. A base da acusação é uma lei na qual Obama votou uma vez, que simplesmente previa informação sobre doenças sexualmente transmissíveis para crianças de primeiro grau. Tudo no comercial é cuidadosamente pensado: a imagem das crianças ao fundo, a voz apocalíptica anunciando a notícia, a tomada da câmera no final, de baixo para cima, sobredimensionando a figura de Obama como uma espécie de predador em potencial. O sub-texto racial e os medos que o comercial quer mobilizar são nítidos, óbvios. Basta conhecer um pouco dos grotões americanos para saber do seu potencial demolidor. A idéia é aterrorizar a família -- “Obama: Wrong for your family!” -- com a imagem do vizinho negro grandão que tem aquela pinta de que toca seus filhos demais.
Uma campanha eleitoral da direita americana realmente faz ACM parecer brincadeira da hora de recreio. Na base democrata, começa a impaciência com a falta de respostas da campanha de Obama, quando já se completam 10 dias de domínio do ciclo de mídia pelos republicanos. Ataques demolidores como esse – sem nenhum argumento, claro, mas com imagens potentes que mexem com tensões racistas bem fundas -- não podem ser respondidos com declarações de indignação e críticas políticas. Não é suficiente. Exigem comerciais explícitos, que chamem o adversário de mentiroso – coisa que a campanha de Obama não tem feito.
A única boa notícia vinda da campanha de Obama é que foi dado o sinal verde para que os grupos 527 liberais, encarregados da pancadaria, voltem a atuar. O comercial visto aqui foi lançado pela própria campanha de McCain, diga-se. Ele aparece ao final “avalizando” o conteúdo da mensagem. Este é o John McCain que ia fazer a campanha "honrada".
Ocorrem-me dois exemplos clássicos de comerciais de pânico racializado vencendo eleições nos EUA:
1. Carolina do Norte, campanha para o Senado de 1990, em que o ultra-direitista Jesse Helms vinha sendo desafiado com sucesso por uma jovem liderança negra, Harvey Gantt, que já o ultrapassara nas pesquisas. Até que este comercial anti-ações afirmativas, mostrando mãos negras "roubando" um emprego que seria de um branco, virou a eleição e Helms venceu:
2. A segunda vítima de uma intervenção midiática de pânico racializado numa eleição -- apreciem a ironia -- foi o próprio McCain, que perdeu a primária republicana da Carolina do Sul para Bush em 2000 (e com ela a indicação do partido) depois que a equipe de Bush promoveu uma push polling -- suposta pesquisa de opinião que na realidade pretende "empurrar" uma hipótese caluniosa para o inconsciente do eleitorado. A pergunta da pesquisa arquitetada por Karl Rove em 2000 foi: você estaria mais ou menos propenso a votar em McCain se soubesse que ele é pai de um filho negro ilegítimo?
Com isso e unas cositas más McCain foi esmigalhado na Carolina do Sul e nunca se refez do baque. Bush ganhou ali a indicação republicana e o mundo tem sobrevivido para contar o conto.
Há alguma possibilidade de se fazer campanha eleitoral nos EUA sem a troca de farpas maldosas?
É bom assinalar, para não se pensar que político é um ser que nasce de geração expontãnea, que já se viu eleitores brasileiros, e não são aqueles com atividade partidária intensa, reivindicarem que o seu candidato parta para o tudo ou nada, sugerindo acusações de qualquer ordem ao candidato adversário.
Aqui na campanha para eleição de prefeitos e vereadores o nível da propaganda não é dos melhores.
Vi, por puro acaso, alguma coisa da campanha para a prefeitura de Niterói, que passa nos canais de TV do Rio. A campanha do PT contra o J.R.Silveira, por exemplo, é sórdida. O grupo do PT que acha-se no momento na administração daquela cidade era ALIADA do J.R. atá outro dia, herdando dele as diretrizes na condução do dia-a-dia de Niterói! Mas é lógico que isso é só um exemplo.
Pergunto novamente: Há alguma possibilidade de se fazer campanha eleitoral nos EUA, e em outros lugares, sem a troca de farpas maldosas?
Em 2002, apesar da campanha do PSDB ter apelado aos medos da Regina Duarte na reta final - entre outras notícias terroristas plantadas na mídia cúmplice e complacente -, Lula ganhou fazendo uma campanha limpa, sem precisar 'desconstruir' a imagem do adversário (no caso, o Serra, especialista brasileiro em descontrução).
Aí nos EUA, pelo jeito, isso ainda não vai acontecer. Neste caso, sem outra alternativa, torço para que o Obama acorde e comece a jogar os podres do McCain no ventilador. Tem que explorar a imagem de não-confiável, imprevisível, dado-a-ataques. Tem que mostrar o perigo de sua idade e a irresponsabilidade de deixar os Eua nas mãos de Palin no provável caso de sua morte.
Mas enfim, daqui de baixo, parece que o Obama é meio frouxo, meio dandy demais para isso - ou isso já é reflexo da campanha do McCain em minha percepção?
A musiquinha de fundo no comercial contra Obama dá o tom nojento e sujo .
Estou confiante que os americanos não sejam tão IDIOTAS, e que esse tipo de sujeira não derrube uma pessoa especial como Obama que não me passa naaaaaaada de frouxo como disse o Radical.
Outro dia saiu uma pesquisa dizendo que se os franceses votassem nas eleiçoes amaricanas, Obama ganharia com 80% dos votos. Não é de se estranhar, os franceses e a mida francesa adoram Obama, no fundo, Obama é o que Sarkozy sempre quis ser mas nunca conseguiu. Como os franceses não votam e sabemos que os americanos têm uma visao da politica e da realidade beeeem diferente da dos franceses, ja começo a me preparar para o pior e ver mais uma vez os republicanos na Casa Branca. No fundo ainda tenho esperança que os EUA queiram algo diferente para o pais, dessa vez.
Abraçao!
Enquanto isso na BOLIVIA o embaixador dos USA liderava o GOLPE contra MORALES até ser expulso do país. Assim como o embaixador USA liderou a tentativa de golp na VENEZUELA contra CHAVEZ, por causa do PETRÓLEO. Os golpistas na Bolivia: emissora de TV de Santa Cruz, um dos departamentos da Media Luna golpista boliviana, que pretende derrubar o governo daquele que consideram um “indio de mierda”, o presidente Evo Morales.
Oi Idelber!
"Papai do céu"...! (sem palavras mesmo). Não sei como em pleno ano 2008 a gente ainda se surpreende com tamanha desonestidade. Vamos ver o que rola. E no fundo, no fundo cada vez mais latente mesmo, o mundo é racista e deixa que esse nosso preconceito historico de "raças" (vale para os EUA que até certo ponto tiveram uma tragetoria colonial bem parecida com a brasileira) molde os dias presentes e influencie com força o nosso futuro.
ah, eu nao sei. cada vez mais se fala dos grotoes e da america profunda. que ela decide a eleiçao etc. e q ela é conservadora e nao ultrapassa essa e aquela linha. entao, eu penso que o obama foi PESSIMA escolha do partido democrata. ele passa um monte dessas tais linhas e até campanha de maluco sexual cola nele, por conta do perfil 'exotico', imagino. entao nao adianta. arruma um senhor branco, barrigudo e meio careca. q parece ser a unica coisa q o americano considera confiavel.
O Alex Castellanos, que fez este anúncio para o Jesse Helms está fazendo consultoria para a campanha de McCain. Todas as características que fizeram o cara famoso estão presentes nesses anúnicios: música de fundo bem elaborada e triste, textos reforçando a voz do locutor, o oponente representado da forma mais patética possível. E são anúncios que os comentaristas liberais consideram ridículos, mas que são brutalmente eficientes.
Desde de que Lee Atwater morreu em 1991 Castellanos é o nome mais perigoso de uma campanha eleitoral. E Obama DEVERIA ter se preparado para tal.
E eu acho que dizer que 'abaixo do pescoço é tudo canela' é uma estimativa conservadora. Ultimamente, abaixo da linha dos olhos já está valendo... E daqui a pouco nem isso!
Numa nota correlata, você chegou a ver a entrevista da Sarah Palin na ABC? Tem alguns trechos aqui (http://www.youtube.com/watch?v=rabP79-kOhI), se interessar para divulgação.
"ah, eu nao sei. cada vez mais se fala dos grotoes e da america profunda. que ela decide a eleiçao etc. e q ela é conservadora e nao ultrapassa essa e aquela linha."
Era só escolher um governador de um swing-state ou de um red state. O cara iria tirar de letra a propaganda negativa e um histórico bom de governança seria mais difícil de ser usado nesse tipo de votação que um recorde de votação.
A Salon fez um bom artigo sobre o desafio de Obama nesses lugares.
Haverá muitos movimentos subindo e descendo. Não dá pra ficar no topo toda o período. Talvez seja melhor guardar chumbo para os momentos finais, sem perder o embalo da gangorra. Uma boa resposta, mas nada definitiva.
Pouco antes das eleições a carga pesada, o chumbo grosso, matérias mostrando Bush pai apoiando e armando Saddan, Bush filho atônito na escola primária em 11/09, Halliburton e contratos sem licitação no Iraque, assessor pedindo mais um atentado pra ajudar a campanha, coisas do gênero que vocês devem lembrar mais que eu.
ahhh, pois é!! para mim é clarissimo desde o principio que Obama tem que lutar com as mesmas armas. vocês é que achavam que coisa e tal o homem tinha que "fazer a diferença" e ser bonzinho e bem educadinho.....
tretas, tudo tretas. na politica a bondade paga-se muito caro. ou melhor...os que acham mesmo que a campanha tem que ser correctinha até ao fim esqueçam a eleição de Obama. escusavam mesmo de alguma vez ter posto essa hipotese, sofriam menos.
Obama nao esta pronto para lidar com o fenomeno Sarah Palin, com a mudanca de opiniao da midia, com um vice que diz que seria melhor ter escolhido a Hillary do que ele, com a tal da educacao infantil, com os ataques a esposa,com perfuracao dos pocos de petroleo nos USA, com religiao,enfim ele NAO esta preparado para realmente NADA!!!!YES, WE CAIN!!!!!
Parece-me que já é (ou sempre foi?) procedimento padrão para atacar um adversário político: procurar os negros envolvidos(ou nem tanto) na campanha do adversário. Filho negro ilegítimo, concorrente negro, o próprio candidato negro... logo vão estar atacando uns aos outros porque há negros votando...
Estou longe de entender algo de política, por isso pergunto: a questão racial pode mudar os rumos de uma eleição presidencial nos EUA?
Infelizmente, acho que o McCain já levou. O Billy Bob, lá do "Bible Belt", vai ao culto no domingo pra ouvir o pastor falar contra um negro de nome exótico (Osama??? É parente do "Grande Satã"???) que prega valores "anti-americanos". Ele certamente comparecerá às urnas pra seguir as determinações do reverendo e "salvar a América". Agora com a Palin pra ser uma espécie de heroína pra Mary Jo, esposa do Billy, ficou mais fácil ainda...
Os estados progressistas do norte, infelizmente, dificilmente vencerão o "Bible Belt" mais o Meio-Oeste. Essa gente retrógrada é obediente: todos comparecerão pra votar, ao contrário, por exemplo, dos negros das grandes cidades.
http://www.huffingtonpost.com/george-lakoff/dont-think-of-a-maverick_b_125850.html
O link resume bem minha opinião.
Obama não precisa fazer "attack ads" e nem se defender dos ads do McCain; ele precisa é voltar a ser o Obama.
Ele precisa aparecer mais na TV, fazer grandes discursos, abusar da biografia dele e mostrar pro povo norte-americano que ele é o sonho americano e que na américa dele tudo é possível enquanto McCain e Palin são cinicos, baixos e manipulativos.
Foi assim que ele venceu da Hillary, foi assim que ele se tornou notícia e é assim que ele deveria continuar fazendo.
Eu não conheço nada dos grotões do grande irmão do norte e nem quero conhecer.
Quando escolheram a sarah palin eu pensei: agora o obama ganha de lavada! Eu não podia imaginar que essa gente ia gostar dessa "coisa" tanto assim...achei que ela ia agradar uns tantos doidos como ela, mas me surpreendi porque os doidos parecem ser maioria.
Acho até que esse comercial é leve perto das barbaridades que a palin fala e o povo adora!!! to chocada e já esperando o pior: mccain ganha e morre. Daí, só chamando o Osama bin laden.
Infelizmente está ocorrendo justamente o cenário que observadores mais realistas, como John Brumett, David Paul Kuhn, Scott McConnell e bem, este que vos fala, previam.
Oi Idelber, o título do post me pareceu um tanto pessimista, como se os republicanos já tivessem levado. De toda maneira, acabo de ler nova pesquisa em alguns portais brasileiros que apontam McCain na frente, pela primeira vez. Reflexos dos ataques? PS: considerarei a derrota de Obama, caso venha a ocorrer, uma das maiores e mais lamentáveis perdas históricas deste século. Tê-lo na Casa Branca representará um momento novo para a política mundial e - me arrisco a dizer - revolucionará costumes.
Existe, sim, um racismo nada velado e que ainda fará um estrago maior do que as pesquisas vêm apontando: ninguém se declara racista em pesquisa, mas na hora H tem muita gente que vai ficar com medo de votar no homi.
No entanto, insisto: Kerry, Gore e Dukakis foram vítimas do mesmo truque sujo e não souberam reagir. E nenhum dos três é negro.
O Carville não é bom pra bater? Quem é? O Axelrod, intelectual nariz empinado do alto de sua torre de marfim? Fala sério!
Democratas, repitam como mantra: "O mundo é mau. O mundo é mau. O mundo é mau." Mas esse é o mundo. Até quando os blue staters vão ficar sussurrando uns para os outros "parem o mundo que eu quero descer"?
Nó, em quase tudo que vi sobre a Palin alguém lembra que Mcain está pela hora da morte... tão secando o cara!
Agora, dá uma enorme indignação. Porque a polaridade é muito forte e o americano que está do lado da Sara Palin é um povo digno da gente ser inimigo dele, quer dizer, não vou puxar briga com ninguém, mas o que eles representam dá nojo, dá arrepio da espinha, ânsia... E saber que é capaz de acontecer isso mesmo: eles ganharem só porque os seus partidários comparecem mais à urnas, são mais Caxias e coesos. Viram o vídeo do Matt Damon? http://www.youtube.com/watch?v=C6urw_PWHYk Esse tem que ser ouvido, tem que ser enfiado na cabeça dos americanos. Mas não se enfia nada na cabeça de ninguém.
A campanha de Obama decidiu (antes tarde do que nunca) atacar McCain. Vamos ver se isso surtirá algum efeito. Espero que sim, pois McCain está subindo em todas as pesquisas, tanto as nacionais, como nas estaduais.
Em função disso, Obama e Biden decidiram fazer campanhas separadas em estados onde a disputa está muito acirrada, para recuperar os pontos perdidos nos últimos dias.
Espero que isso funcione, senão a chance de uma Terceira Guerra Mundial aumenta muito com a vitória de McCain/Palin, já que esta disse que uma guerra com a Rússia não deve ser descartada. E como a Rússia tem misseis balísticos intercontinentais capazes de reduzir os EUA e os aliados deste à cinzas (foi o que disse o Pravda), então adeus planeta Terra...
É difícil aceitar a ingenuidade ou ignorância do americano médio, seu desconhecimento do mundo e de seu próprio país. Acho que face a alienação do eleitor americano, o Mc 'Cain' vai ganhar a eleição e toda a humanidade pagará o preço da burrice dos americanos médios e da manipulação da mídia mudial, inclusive a nosso, que está sempre a serviço de seus donos e onde os 'laranjas' sempre dizem e fazem o que aqueles mandam. E aqueles não querem mudanças, têm medo do futuro diferencte. Pra eles assim tá muito bom!
Idelber, você acredita que os ataques que Obama passou a desferir contra McCain darão resultado? parece que o pessoal de Obama está tentando desmistificar a idéia de que McCain poderá promover alguma mudança no país.
McCain foi bem-sucedido em passar, para grande parte dos norte-americanos, de que ele é o mais capacitado para mudar o país.
O David Paul Kuhn escreveu um ótimo artigo, onde mostra as 5 razões que levaram McCain à liderança nas pesquisas e uma delas é justamente essa, ou seja, a de que ele McCain convenceu muitas pessoas de que ele poderá promover mudanças no país.
"Barack Obama is slumping. Poll numbers are down. Enthusiasm is down. Democrats, once again, are freaking. So, we asked a few folks, from different walks of life, to offer their opinion on what Obama should do to improve his standing. Here's what Governor Ed Rendell (D-PA) had to say.
The first and single thing he can do, and I believe he will do, is to do well in the debates. Because once the debates start, people will remember its Obama and McCain they're choosing between. And there's no way McCain can hide behind Governor Palin, regardless of what the status of Palin is these days. Once the debates start, it will remind people that there are two people they're choosing between. And I think Senator Obama has a real opportunity in those debates to focus on the issues. You can't hide behind 30-second ads; you've got to talk about the issues. And I think Obama can win the debates significantly, and if he does so, I think he'll become president. That's first and foremost. That dwarfs everything else. (...)"
Tenho deixado a indicação do teu site, aqui, em Portugal, por muitos blogs para que acompanhem o processo eleitoral americano com a tua preciosa perspectiva.
Não vou passar o vídeo, porque já advinho o que contém...E o que é inquietante neste assunto é o seguinte: o Obama é o produto dos aspectos (ainda marginalmente) bons do consenso burguês americano ( a meritocracia, a igualdade de oportunidades) e exatamente por isso ele NÃO consegue contestar os seus aspectos ruins (e cada vez mais dominantes): o individualismo doentio, a mesquinharia, o chauvinismo, o poder ABSOLUTO do dinheiro , a redução de tudo ao "pagamento a vista", como diziam em 1848 o barbudo alemão e seu amigo tb. alemão e barbudo... Se o Obama pudesse questionar seriamente isto, ele não seria o Obama e nem seria candidato dos democratas. Em si mesmo o Obama é igual ao McCain, apenas melhorado, e como em trocentas situações históricas semelhantes, o eleitorado médio, numa situação política aquecida, frequentemente acaba preferindo o artigo autêntico ao requentado. Pena que tal pode significar a transformação dos EUA num estado policial aberto e do Àrtico numa lata de lixo.... Mas há outras questões em pauta: nos próximos 4 anos, os EUA vão ter duas guerras perdidas pela frante, mais uma massa enorme de gente que desejava uma "mudança" vaga qualquer e que vão se ver completamente frustradas. Acho que há uma esperança nisto...mas é claro que seria muito melhor ter um reformista, por mais de fachada que fosse, na Casa Branca, a um velho reacionário senil com uma parasita tresloucada fascistóide e boçal de regra três...
Excelente análise, Carlos. É claro que um Denis Kucinich (que era o mais progressista, ou seja, à Esquerda, dos pré-candidatos democratas) jamais teria qualquer chance de vitória numa eleição presidencial, então o Obama é uma alternativa mais palatável e viável para aquela parcela da sociedade norte-americana que ainda tenta manter alguma lucidez nessa terra de fanáticos religiosos, neocons (na verdade, são neonazistas... neocons é apenas um eufemismo para aquela parcela da Direita norte-americana que adoraria criar uma Ditadura de Extrema-Direita nos EUA) lunáticos que querem guerrear até não poder mais e neoliberais que desejam para os outros países (livre-comércio, aumento dos juros, redução de investimentos públicos) aquilo que jamais teriam coragem de fazer nos próprios EUA. A questão é que tal aliança foi rejuvenescida com a chapa McCain/Palin.
McCain é um pseudo-reformista que conseguiu, graças aos milagres do marketing político, convencer boa parte dos norte-americanos de que ele será mais independente do que Bush em relação ao 'big business' e aos trogloditas da Direita extremista neoconservadora, e que promoverá mudanças nos EUA, mantendo o poderio financeiro-militar do país intacto. E Palin é uma fanática cujas posições políticas estão 15 km à direita de Médici (como você definiu muito bem, Idelber), mas que aparece bem na mídia e que decorou rapidamente aquilo que a máquina republicana quer que ela diga. E a sua presença na chapa Republicana convenceu parte do eleitorado independente a votar em McCain, além de ter mobilizado o eleitorado mais conservador e religioso que sempre vota nos Republicanos, mas que via McCain com desconfiança. Palin acabou com tal desconfiança e isso deu novo ânimo à candidatura Republicana. Resta saber se a sua presença será suficiente para manter McCain na liderança das pesquisas ou não. Num primeiro momento McCain ameaçou abrir uma boa vantagem sobre Obama, mas as pesquisas mais recentes já apontam para uma nova aproximação de Obama.
A questão é se Obama conseguirá se apresentar como uma alternativa de mudança mais consistente do que McCain e atrair o eleitorado independente que deseja mudanças. Talvez a saída para isso seja adotar um tom fortemente crítico em relação à McCain/Palin, mostrando que a vitória deles representará 'mais do mesmo', ao mesmo tempo em que se deve reforçar os aspectos que o diferenciam da chapa Republicana.
Obama deveria centrar fogo na discussão dos principais problemas que os EUA enfrentam hoje (inflação, guerras intermináveis, déficits e dívidas crescentes, aumento do desemprego, crise financeira) e, com isso, colocar McCain/Palin na defensiva, mostrando que as propostas republicanas não irão tirar o país da grave crise que enfrenta.
A tarefa é difícil, mas é preciso tentar.
Senão, teremos mais 4 anos de um governo norte-americano querendo guerrear contra tudo e contra todos, beneficiando aos mesmos segmentos que tanto lucraram com o governo Bush.
E a Humanidade pagará um preço muito elevado por isso.
Que povinho, hein??? Invadir países soberanos, matar, massacrar, unir-se ao que há de mais sujo na política local para derrubar governos que são contrários aos interesses do grande capital estadunidense, tudo isso, não é problema.
gora, falar em educação sexual na escola é o fim do mundo e poderá modificar o rumo de uma campanha!!! E justamente o país que mais produz pornografia no mundo!!!
Queimar crianças com napalm, pulverizá-las com bombas de fragmentação não é problema. Mas falar em sexo de forma pedagógica, é um deus nos acuda. Êta povinho hipócrita!!!
Honestamente, nem Obama nem Mccain me dizem alguma coisa. Chomsky lembra muito bem, que no governo de Bill Clinton foi engendrado o conceito de "guerra preventiva". Talvez, Obama seja melhor para a população pobre estadunidense, mas, em se tratando de política externa, continuará na mesma linha intervencionista - ou ficará até pior - por acreditar ser o "salvador" do "mundo democrático".
Não se pode perder de vista, indepebndentemente de quem esteja no poder, que os EUA são um país imperialista.
Abraço,
Claudia.