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sexta-feira, 05 de setembro 2008
Aprende a guglar, McCain!
Ah, como eu vou me divertir nestas eleições! Vejam só a revolução que os blogs e a mídia independente já conseguiram realizar nos EUA. Vocês, que assistiram ao discurso de McCain ontem à noite, na convenção republicana, terão notado a imagem de uma mansão projetada atrás do candidato. A imagem é esta:

Pois bem, no dia de hoje, a mídia coçava a cabeça: que porra de casa é aquela? Será uma das mansões do McCain? Por que ele projetaria a imagem de uma de suas mansões durante o discurso na convenção? Josh Marshall, no TPM, perguntou-se a mesma coisa no post de ontem à noite. Imediatamente, a fenomenal equipe de leitores do TPM pôs-se a trabalhar. E mataram a charada. Trata-se da Walter Reed Middle School, que fica em North Hollywood, na Califórnia.
Mas continuava o mistério. Por que essa escola? Chegaram à única explicação plausível. A equipe de McCain queria mostrar imagens do Walter Reed Medical Center, do Exército, onde veteranos de guerra são atendidos. Guglaram errado e pegaram a imagem da escola, que tem o mesmo nome. Resultado: a diretora da escola já emitiu um anúncio dizendo que jamais autorizou o uso da imagem e que a escola não apóia nenhum candidato. A Walter Reed Middle School junta-se, pois, a John Cougar Mellencamp, Bruce Springsteen, Wayne's World, Van Halen, Heart e Jackson Browne no rol dos que já tiveram imagens ou sons utilizados pelo Partido Republicano para fins eleitorais sem autorização.
Os democratas da Califórnia não perderam tempo e marcaram uma conferência de imprensa para o gramado da escola na tarde de hoje. O candidato John McCain confessou, há algumas semanas, que está “aprendendo a usar” um computador. Sua equipe, claramente, poderia tomar algumas aulas de guglagem com a Luiza Voll e a Bianca Bueno.
Escrito por Idelber às 18:40 | link para este post
| Comentários (24)
Izabella em setembro 5, 2008 7:08 PM
#2
Gostei dos blogs da Luiza e da Bianca, obrigada pela dica.
Izabella em setembro 5, 2008 7:22 PM
#3
Nossa, Izabella, são clássicos!
Idelber em setembro 5, 2008 7:26 PM
#4
O McCain tem sempre esse ar meio abobado, abestalhado como se diz no Nordeste daqui, aquele olhar parado, como se estivesse sempre meio fora de sintonia ou sob a ação de ansiolíticos, sei lá? É sempre assim ou é minha televisão que mostra isso? Estranho para uma pessoa que quer ser presidente dos Estados Unidos não? Se bem que o Bush ... mas o McCain me parece muito mais devagar ainda. E o sorriso esticado não combina com o resto do rosto. Que coisa esquisita! Será que está bem?
Ana Paula em setembro 5, 2008 8:24 PM
#5
5 de setembro é um bom dia para rir. Dois posts impagáveis.
Milton Ribeiro em setembro 5, 2008 8:47 PM
#6
O modo como eles procuraram essa imagem foi o mesmo utilizado para procurar armas de destruição em massa no Iraque.
Sblargh em setembro 5, 2008 10:33 PM
#7
lembra q vc escreveu qo tira procto-ógenes é o grande herói do brasil? e land rover q ele arrestou e ficou pra ele? q exemplo hein?
afonsinho em setembro 5, 2008 10:55 PM
#8
Complicado iria ser Credicard Biden, que sempre apoiou a RIAA, usando imagens sem autorização...
André Kenji em setembro 5, 2008 11:51 PM
#9
hohohohohoh
(risos verdadeiros por aqui)
e agora... Ouro Preto!
Jasão em setembro 6, 2008 12:28 AM
#10
Eu já achava que Obama iria ganhar a eleição. Confesso que em boa medida por puro palpite. Vendo os discursos de McCain e de Sarah, assim como a onda de ensusiasmo conservador, me convencia ainda mais.
Para mim, a convenção republicana foi, politicamente, uma demonstração de fraqueza, por todo seu caráter de catarse coletiva. McCain tentou tomar a bandeira adversária e se afastar do que normalmente é o grande elemento da eleição: a aprovação ou não da administração que sai. Em si, a primeira questão já é um imenso problema, pois faz com que o republicano aceite a agenda, o campo discursivo ao menos, do adversário – o que em si é meio passo para a derrota. Quem impõe a agenda já tem um bom caminho andado. Agrava este fato a peculiaridade que a “agenda” em questão é um tema psicológico e não material – a esperança e o entusiasmo. Ora, ocorre que em Obama esta agenda é inclusiva e desarmada; já na chapa McCain-Palin, é uma esperança recheada de medo e de humilhação dos adversários, isso para não falar em ofensas e insinuações injuriosas. Fica evidente a falsidade, a quase paródia que é McCain, nas atuais circunstâncias, falar em união, em esperança e em novos tempos, numa renovação positiva, e não defensiva. Isso agrega o seu próprio eleitorado, mas deixa muita gente de fora.
Rejeitar a administração do mesmo partido é menos grave, já que nunca ocorre uma simples transferência de popularidade de um presidente para um candidato. Mas a soma da legitimação da agenda política adversária com a negação da própria identidade política é extremamente arriscada. E isso se dá numa convenção sem nenhum caráter propositivo, rancorosa, que aposta na divisão, que fala em vitória como uma qualidade quase metafísica (e não palpável), que praticamente afirma que a boa condução do país cabe apenas às qualidades militares, enfim, com um tom negativo, de um desprezo superior que, ao contrário do tom ultra-conservador predominante desde 2000, expressa um grupo sócio-político acuado, que, ao contrário da sua retórica, não luta por mais conquistas, mas para manter o campo adquirido até aqui, que luta por uma saída para si e não, ao contrário da retórica da convenção, por uma saída para o país. Foi nítida na convenção republicana, frente à leveza de espírito da democrata, uma espécia de retorno aos anos Clinton, ou seja, daquela histeria conservadora messiânica que denuncia tudo e todos (agora é a imprensa, que foi unânime em falar no sucesso da convenção e nos elogios a Sarah) o abismo, um mundo em dissolução, o que revela um estado de espírito sombrio e medroso, já não mais confiante como em 2004. Quanto mais McCain falava em certeza de vitória, mais pairava no ar a palavra “derrota”.
Se Obama não cair na provocação republicana (outro elemento que em momentos em que a realidade é adversa soam mais facilmente como despeito), a convenção republicana ficará marcada como o começo do fim desta campanha. O momento, ou seja, estes poucos dias, é republicano (sem que isso tenha dado ao partido a dianteira). É claro que sempre podem surgir escândalos, ou um vacilo sério do democrata numa declaração infeliz num debate. É também possível que os conservadores reajam numa mobilização que amedronte ou deixe sem reação os democratas – um jogo que já deu certos várias vezes. Mas creio que basta Obama não errar, continuar com este aspecto magnânimo, por assim dizer, pois a tendência é os republicanos se desgastarem, começarem a cair no ridículo, a ficarem ainda mais chatos, a se mostrarem vazios, apenas com boas tiradas e muita ironia arrogante, além de, claro, terem uma vice que ainda tem muito a explicar, uma vez que parece ter esgotado todo seu estoque de surpresas e de impacto em St. Paul. É muito difícil que ela repita a performance de sucesso desta semana. E quando um sucesso não se repete, a sensação de enfado é ainda maior.
João Paulo Rodrigues em setembro 6, 2008 1:17 AM
#11
Boa análise, João, muito boa.
Idelber em setembro 6, 2008 2:07 AM
Luiz em setembro 6, 2008 6:23 AM
#13
Idelber,
você que acompanha as eleições norte-americanas não se atentou para uma informação essencial, revelada por Veja. Na revista – leio por dever profissional -, reportagem com loas a Sarah Palin diz o seguinte: “ela é tudo o que McCain não é: uma mulher jovem e bonita, inequivocamente conservadora e capaz de energizar a militância mais direitista do partido”. John McCain não é uma mulher jovem e bonita! Como ninguém percebeu? Vale manchete, é informação decisiva na eleição.
Na crítica que Caetano Veloso fez ao que foi escrito após o seu show, ele tratou desse aspecto da imprensa brasileira. Falta domínio da escrita. No caso acima, falta raciocínio lógico. São problemas básicos que, somados ao partidarismo (ia falar em ideologia, mas não se aplica porque exige conhecimento, que é escasso), fazem do jornalismo brasileiro uma ode diária à mediocridade.
Abc,
jeferson
Jeferson em setembro 6, 2008 9:30 AM
#14
Faltou dizer que ele também não é governador do Alaska...
João Paulo Rodrigues em setembro 6, 2008 12:44 PM
#15
Por falar em jornalismo, mas do excelente jornalismo, não dessa coisa horrenda que temos por aí, lá se foram duas grandes, dignas figuras: Fernando Barbosa Lima e Fausto Wolff. O que o primeiro fez na TV e o segundo em jornais ajudou na formação de muita gente da minha geração, e de outras, provavelmente.
E o Fausto era também um escritor muito legal. Lembro-me de quando garoto, li seu primeiro romance, se não me engano, "O acrobata pede desculpas e cai".
Jair Fonseca em setembro 6, 2008 1:56 PM
Idelber em setembro 6, 2008 4:19 PM
#17
Jeferson: é a hora da morte, meu chapa. Eu já nem me importo tanto com a ideologia, o golpismo e o falso denuncismo. Se a coisa pelo menos tivesse um mínimo de lógica!
Idelber em setembro 6, 2008 4:21 PM
#18
Es interesante que los políticos sigan pasando leyes más fuertes del copyright, pero no les importa "borrow" imágenes del web como el resto del mundo.
Mac Williams em setembro 6, 2008 6:17 PM
#19
"Es interesante que los políticos sigan pasando leyes más fuertes del copyright, pero no les importa "borrow" imágenes del web como el resto del mundo."
O Idelber deve brigar comigo por escreve isso no blog dele, mas vale lembrar que são os democratas que sempre brilharam nisso. Vide a Sonny Bono Act e a atuação nesse campo de Fritz Hollings(D-Disney) e, bem, Joe Biden... ;-)
André Kenji em setembro 6, 2008 10:56 PM
#20
Brigo não, André. Você tem razão. Mas os Republicanos também nunca foram grandes campeões do Creative Commons, né cumpadi?
Idelber em setembro 6, 2008 11:26 PM
André Kenji em setembro 7, 2008 2:23 PM
#22
Recebi, sim, André, valeu.
Idelber em setembro 7, 2008 4:18 PM
#23
Idelber, a pesquisa Gallup publicada hoje no 'Real
Clear Politics' aponta McCain com 3 p.p. à frente de Obama.
Para você, Idelber, isso é efeito da convenção Republicana ou mostra alguma tendência real de mudança do eleitorado em favor de McCain?
Marcos em setembro 7, 2008 10:58 PM
#24
"Bounce" normal da convenção, Marcos. Com o adendo de que pesquisa nacional significa bem pouco. A campanha de Obama nem olha as "tracking polls" nacionais. Olham pesquisas em 18 estados e nada mais. Em breve, um post com estados decisivos. Abração :-)
Idelber em setembro 7, 2008 11:02 PM
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