Meu Perfil
Um blog de esquerda sobre política, literatura, música e cultura em geral, com algum arquivo sobre futebol. Estamos na rede desde 28/10/2004.



Email:
idelberavelar arroba gmail ponto com

No Twitter No Facebook No Formspring No GoogleReader RSS/Assine o Feed do Blog

O autor
Curriculum Vitae
 Página pessoal em Tulane


Histórico
 maio 2011
 março 2011
 fevereiro 2011
 janeiro 2011
 dezembro 2010
 novembro 2010
 outubro 2010
 setembro 2010
 agosto 2010
 agosto 2009
 julho 2009
 junho 2009
 maio 2009
 abril 2009
 março 2009
 fevereiro 2009
 janeiro 2009
 dezembro 2008
 novembro 2008
 outubro 2008
 setembro 2008
 agosto 2008
 julho 2008
 junho 2008
 maio 2008
 abril 2008
 março 2008
 fevereiro 2008
 janeiro 2008
 dezembro 2007
 novembro 2007
 outubro 2007
 setembro 2007
 agosto 2007
 julho 2007
 junho 2007
 maio 2007
 abril 2007
 março 2007
 fevereiro 2007
 janeiro 2007
 novembro 2006
 outubro 2006
 setembro 2006
 agosto 2006
 julho 2006
 junho 2006
 maio 2006
 abril 2006
 março 2006
 janeiro 2006
 dezembro 2005
 novembro 2005
 outubro 2005
 setembro 2005
 agosto 2005
 julho 2005
 junho 2005
 maio 2005
 abril 2005
 março 2005
 fevereiro 2005
 janeiro 2005
 dezembro 2004
 novembro 2004
 outubro 2004


Assuntos
 A eleição de Dilma
 A eleição de Obama
 Clube de leituras
 Direito e Justiça
 Fenomenologia da Fumaça
 Filosofia
 Futebol e redondezas
 Gênero
 Literatura
 Metablogagem
 Música
 New Orleans
 Palestina Ocupada
 Polí­tica
 Primeira Pessoa



Indispensáveis
 Agência Carta Maior
 Ágora com dazibao no meio
 Amálgama
 Amiano Marcelino
 Os amigos do Presidente Lula
 Animot
 Ao mirante, Nelson! (in memoriam)
 Ao mirante, Nelson! Reloaded
 Blog do Favre
 Blog do Planalto
 Blog do Rovai
 Blog do Sakamoto
 Blogueiras feministas
 Brasília, eu vi
 Cloaca News
 Consenso, só no paredão
 Cynthia Semíramis
 Desculpe a Nossa Falha
 Descurvo
 Diálogico
 Dilma na Rede
 Diário gauche
 ¡Drops da Fal!
 Escreva, Lola, escreva
 Futebol política e cachaça
 Guaciara
 Histórias brasileiras
 Impedimento
/  O Ingovernável
 Já matei por menos
 João Villaverde
 Liberal libertário libertino
 Uma Malla pelo mundo
 Marjorie Rodrigues
 Mary W
 Milton Ribeiro
 Mundo-Abrigo
 NaMaria News
 Na prática a teoria é outra
 Opera Mundi
 O palco e o mundo
 Palestina do espetáculo triunfante
 Pedro Alexandre Sanches
 O pensador selvagem
 Pensar enlouquece
 Politika etc.
 Quem o machismo matou hoje?
 Rafael Galvão
 Recordar repetir elaborar
 Rede Brasil Atual
 Rede Castor Photo
 Revista Fórum
 RS urgente
 Sergio Leo
 Sexismo na política
 Sociologia do Absurdo
 Sul 21
 Tiago Dória
 Tijolaço
 Todos os fogos o fogo
 Túlio Vianna
 Urbanamente
 Wikileaks: Natalia Viana



Visito também
 Abobrinhas psicodélicas
 Ademonista
 Alcinéa Cavalcante
 Além do jogo
 Alessandra Alves
 Alfarrábio
 Alguém testou
 Altino Machado
 Amante profissional
 Ambiente e Percepção
 Arlesophia
 Arnobio Rocha
 Bala perdida
 Balípodo
 Biajoni!
 Bicho Preguiça
 Bidê Brasil
 Blah Blah Blah
 Blog do Alon
 Blog do Juarez
 Blog do Juca
 Blog do Miro
 Blog da Kika Castro
 Blog do Marcio Tavares
 Blog do Mello
 Blog dos Perrusi
 Blog do Protógenes
 Blog do Tsavkko, Angry Brazilian
 Blogafora
 blowg
 Borboletas nos olhos
 Boteco do Edu
 Botequim do Bruno
 Branco Leone
 Bratislava
 Brontossauros em meu jardim
 A bundacanalha
 Cabaret da Juju
 O caderno de Patrick
 Café velho
 Caldos de tipos
 Cão uivador
 Caquis caídos
 O carapuceiro
 Carla Rodrigues
 Carnet de notes
 Carreira solo
 Carta da Itália
 Casa da tolerância
 Casa de paragens
 Catarro Verde
 Catatau
 Cinema e outras artes
 Cintaliga
 Com fé e limão
 Conejillo de Indias
 Contemporânea
 Contra Capa
 Controvérsia
 Controvérsias econômicas
 Conversa de bar
 Cria Minha
 Cris Dias
 Cyn City
 Dançar a vidao
 Daniel Aurélio
 Daniel Lopes
 de-grau
 De olho no fato
 De primeira
 Déborah Rajão
 Desimpensável/b>
 Diário de Bordo
 Diario de trabajo
 Didascália e ..
 Diplomacia bossa nova
 Direito e internet
 Direitos fundamentais
 Disparada
 Dispersões, delírios e divagações
 Dissidência
 Dito assim parece à toa
 Doidivana
 Dossiê Alex Primo
 Um drible nas certezas
 Duas Fridas
 É bom pra quem gosta
 eblog
 Ecologia Digital
 Educar para o mundo
 Efemérides baianas
 O escrevinhador
 Escrúpulos Precários
 Escudinhos
 Estado anarquista
 Eu sei que vivo em louca utopia
 Eu sou a graúna
 Eugenia in the meadow
 Fabricio Carpinejar
 Faca de fogo
 Faça sua parte
 Favoritos
 Ferréz
 Fiapo de jaca
 Foi feito pra isso
 Fósforo
 A flor da pele
 Fogo nas entranhas
 Fotógrafos brasileiros
 Frankamente
 Fundo do poço
 Gabinete dentário
 Galo é amor
'  Garota coca-cola
 O gato pré-cambriano
 Geografias suburbanas
 Groselha news
 Googalayon
 Guerrilheiro do entardecer
 Hargentina
 Hedonismos
 Hipopótamo Zeno
 História em projetos
 Homem do plano
 Horas de confusão
 Idéias mutantes
 Impostor
 Incautos do ontem
 O incrível exército Blogoleone
 Inquietudine
 Inside
 Interney
 Ius communicatio
 jAGauDArTE
 Jean Scharlau
 Jornalismo B
 Kit básico da mulher moderna
 Lady Rasta
 Lembrança eterna de uma mente sem brilho
 A Lenda
 Limpinho e cheiroso
 Limpo no lance
 Língua de Fel
 Linkillo
 Lixomania
 Luz de Luma
 Mac's daily miscellany
 O malfazejo
 Malvados
 Mar de mármore
 Mara Pastor
 Márcia Bechara
 Marconi Leal
 Maria Frô
 Marmota
 Mineiras, uai!
 Modos de fazer mundos
 Mox in the sky with diamonds
 Mundo de K
 Na Transversal do Tempo
 Nación apache
 Nalu
 Nei Lopes
 Neosaldina Chick
 Nóvoa em folha
 Nunca disse que faria sentido
 Onde anda Su?
 Ontem e hoje
 Ou Barbárie
 Outras levezas
 Overmundo
 Pálido ponto branco
 Panóptico
 Para ler sem olhar
 Parede de meia
 Paulodaluzmoreira
 Pecus Bilis
 A pequena Matrioska
 Peneira do rato
 Pictura Pixel
 O pífano e o escaninho
 Pirão sem dono
 políticAética
 Política & políticas
 Política Justiça
 Politicando
 Ponto e contraponto
 Ponto media
 Por um punhado de pixels
 Porão abaixo
 Porco-espinho e as uvas
 Posthegemony
 Prás cabeças
 Professor Hariovaldo
 Prosa caótica
 Quadrado dos Loucos
 Quarentena
 Que cazzo
 Quelque chose
 Quintarola
 Quitanda
 Radioescuta Hi-Fi
 A Realidade, Maria, é Louca
 O Reduto
 Reinventando o Presente
 Reinventando Santa Maria
 Retrato do artista quando tolo
 Roda de ciência
 Samurai no Outono
 Sardas
 Sérgio Telles
 Serbão
 Sergio Amadeu
 Sérgio blog 2.3
 Sete Faces
 Sexismo e Misoginia
 Silenzio, no hay banda
 Síndrome de Estocolmo
 O sinistro
 Sob(re) a pálpebra da página
 Somos andando
 A Sopa no exílio
 Sorriso de medusa
 Sovaco de cobra
 Sub rosa v.2
 SublimeSucubuS
 Superfície reflexiva
 Tá pensando que é bagunça
 Talqualmente
 Taxitramas
 Terapia Zero
 A terceira margem do Sena
 Tiago Pereira
 TupiWire
 Tom Zé
 Tordesilhas
 Torre de marfim
 Trabalho sujo
 Um túnel no fim da luz
 Ultimas de Babel
 Um que toque
 Vanessa Lampert
 Vê de vegano
 Viajando nas palavras
 La vieja bruja
 Viomundo
 Viraminas
 Virunduns
 Vistos e escritos
 Viva mulher
 A volta dos que não foram
 Zema Ribeiro







selinho_idelba.jpg


Movable Type 3.36
« Gilberto Rincón Gallardo (1939-2008) :: Pag. Principal :: Sarah Palin e a convenção republicana »

quarta-feira, 03 de setembro 2008

E dá-lhe factóide

Não, certamente não. A Abin, como instituição, não fez e não faz essas coisas [grampos], mas quando digo que não descartamos nenhuma hipótese é porque trabalhamos com seres humanos. Agora, se você me perguntar qual é a probabilidade [de agentes terem realizados a escuta], eu diria que é baixa, porque os chefes têm controle de seus funcionários, disse o General Félix.

Manchete da Folha? Agentes podem ter feito grampo, diz general

Nojo, nojo, nojo infinito da imprensa brasileira.



  Escrito por Idelber às 08:45 | link para este post | Comentários (85)


Comentários

#1

Essa história toda dos grampos cheira a retaliação.

Idelber, se me permite um off:
O Observer publicou uma lista que vale a pena conferir : as 50 melhores performances de arte disponíveis no You Tube, incluindo dança,música, vídeo etc.

Leo Vidigal em setembro 3, 2008 9:04 AM


#2

Valeu, Leo, abração :-)

Idelber em setembro 3, 2008 9:35 AM


#3

Olá,

Estou entrando em contato novamente para tratar da Parceria Comercial mencionada via e-mail em 20/08/08.
Continuamos interessados no site.

Aguardo um retorno para iniciarmos a negociação.

Grata e à disposição,
Stephanie Sarmiento
------------------------------
smarques@hotwords.com.br
www.hotwords.com.br
------------------------------
Phone: 11 3178 2514

Stephanie Sarmiento em setembro 3, 2008 9:49 AM


#4

Stephanie, o Biscoito não faz "parcerias". Quando gosto de um blog ou site, divulgo-o sem pedir nada em troca. Infelizmente, não é o caso do seu.

Idelber em setembro 3, 2008 9:54 AM


#5

Idelber, realmente a "grande" imprensa tupiniquim é de dar nojo, mesmo. O que dá mais indignação é que se trata de uma concessão pública!!
Obs: está tudo bem por aí, com o Gustav perdendo força?

Cláudio Freire em setembro 3, 2008 10:06 AM


#6

Com o furacão tudo bem, Cláudio. O problema é que quase toda New Orleans ainda está sem eletricidade...

Idelber em setembro 3, 2008 10:12 AM


#7

Se vc estivesse aqui ia estar ainda com mais nojo. Na tv eles fazem uma edição que coloca na boca do sujeito o que eles querem. É como eu sempre digo, para quem não sabe como é feito, tv é mais forte que a realidade. Para quem sabe é como certos restaurantes...se vc entrar na cozinha, não come mais!

aiaiai em setembro 3, 2008 10:19 AM


#8

Caro Prof. Idelber;

No excelente post do dia 01/09 (como notou um dos comentadores: em rota de fuga e escrevendo um post daquele, merece parabéns), você já esclareceu uma série de aspectos dessa disputa pelo poder, que envolve grupos com grande poder de fogo, portanto, briga de "cachorros grandes". Os comentários relativos a esse mesmo post,do dia primeiro, foram, na maioria, além de críticos, explicativos.
No post de hoje temos de volta a questão e eu pergunto: por que a diretoria de Abin (especificamente Paulo Lacerda) foi mandada para o espaço? Por que essa decisão do Pres. Lula, que passa a mão na cabeça de pessoas que sabidamente cometeram atos de improbidade administrativa, ou outros atos que podem ser questionados, e no caso em pauta toma uma decisão com uma rapidez que estranhamos?
O jornal da cidade onde moro, republica a coluna de Dora Kramer, que leio (nem sempre) para conhecer os argumentos do outro lado. Na coluna de hoje ela escreve: "Junto a esses elogios [no parágrafo anterior ela aponta as pessoas do governo que saíram em defesa do Paulo Lacerda],ganharam reforço também as versões sobre a possibilidade de as escutas ilegais não terem sido produzidas dentro do aparelho de Estado, mas por quadrilhas de 'ouvidores' (no mau sentido) do setor privado, vale dizer, Daniel Dantas. Uma hipóese nem de longe a ser jogada fora, dada a trajetória de obscuridades protagonizadas pelo esquisitíssimo rapaz"
Em seguida ela dá sua explicação no sentido de demonstrar que a demissão beneficiaria Lula. Explicação que não me convence, evidentemente.
Mas, de qualquer forma, fica a dúvida: a disputa está envolvendo os mais importantes poderes da
República: o Executivo (Polícia Federal, Abin) o Judiciário (seu poder maior o Supremo) e a imprensa, que sabemos em uma sociedade de massa é, de fato, o Quarto Poder.E não é de hoje. Lembremos 1964 e o poder da imprensa em legitimar para a população a derrubada de um governo constitucional. (Os editoriais Basta! e Fora!).
Por que Lula tomou a atitude de sacrificar Paulo Lacerda?
Porque Gilmar e cia. queriam a derrubada desse Sr., nós sabemos (acredito eu), mas mandar para o altar dos sacrifícios um homem como Paulo Lacerda no meio dessa turbulência toda, fica difícil de entender. Pelo menos para mim. Entender a posição de Lula nesse imenso jogo de xadrez que é o jogo do poder, que envolve a questão das eleições, mas não só.
P.S. Só um detalhe: li os jornais e vim direto aqui no Biscoito, para saber se havia alguma nota sobre o assunto em pauta.. como sempre não me decepcionei.
Beijo.
Marilda

Marilda S. Costa em setembro 3, 2008 10:23 AM


#9

adorei a caixa de comentários desse post. surreal essa Stephanie! :D

de qualquer forma, historinha real: no dia em que a gente ocupou a reitoria da USP, ano passado, eu e mais duas meninas ficamos, lá pelas tantas, encarregado de oferecer tour para alguns jornalistas. um deles, extremamente simpático, fazia perguntas enquanto a gente passava pelos lugares e parecia mesmo muito cheio de entusiasmo.

elogiou o fato de que a gente estava já, desde o primeiro dia, implementando uma coleta seletiva (que foi se aperfeiçoando ao longo dos dias seguintes, aliás --- tendo sido obviamente abandonada na medida em que a ocupação perdeu o sentido original e se tornou um grande parque de festas pra guarrilheiros de partidos da esquerda-limonada brasileira).

mas enfim, o cara achou bárbaro que a gente tivesse imposto lei seca, que a gente tivesse decidido trancar as salas fora de uso pra não rolar chance de ninguém sair roubando souvenir; ouviu com interesse a forma como a gente fez pra evacuar os funcionários, ele mesmo repetindo as nossas palavras em confirmação disse que o lance tinha todo sido pacífico.

perguntou os porques da ocupação, a gente explicou que dona Suely tinha se comprometido a comparecer numa reunião com os estudantes e --- tendo confirmado data e local --- se mandou pra Espanha sem avisar nem nada. enfim, o cara parecia mesmo no mínimo interessado no nosso lado e pá; quando saiu, apertou minha mão efusivamente.

o cara se apresentou como Fábio Takahashi. taí o que ele escreveu, no dia seguinte.

bruno ( ) em setembro 3, 2008 10:35 AM


#10

Manchete dO Globo: "General admite que grampo pode ter sido feito na Abin".

Manchete do estadão: "Grampo acirra crise entre PF e Abin - Tarso genro lança suspeitas contra agência; Abin desconfia de espinagem da PF no Senado"

V. tem razão ao criticar essa maneira de "traduzir" a declaração do general, Idelber, já que ele apenas disse não haver como descartar nenhuma hipótese. Mas por que bater só na Folha?

s leo em setembro 3, 2008 10:58 AM


#11

Tem um comentarista do bog do Nassif que sugere que a Folha está agindo de má fé no noticiário que envolve Dantas:

"Enviado por: Flavio CantuComentar | Fechar [ x ]
Nassif,

Como eu trabalhei muito tempo numa emissora de televisão, eu ainda tenho alguns contatos de peso neste meio.

Voê quer saber verdadeiramente o motivo pelo qual a Folha precisa incriminar a todo o custo a PF, ABIN, Lacerda, Protogenes e outros neste "imbroglio" todo, inclusivve no episódio do "grampo"?

Tenho dois amigos que trabalham na Folha e eles me disseram que a tática diversionista do jornal tem um nome: Andrea Michael.

Sim, ela mesma, a repórter que soltou a reportagem ante do DD ser preso !!!

A Folha quer a todo o custo tirar sua funcionária das luzes deste episódio que, sem dúvida, mancha indelevelmente a imparcialidade do jornal.

Por isto você vê cada dia uma informação diferente visando enlamear aqueles que fizeram a Operação Satiagraha.

E não vai parar por aí. Espere mais um pouco e você verá mais coisas, evidentemente, com Globo, Estadão e Veja na esteira disso tudo. Afinal de contas, os interesses financeiros são mútuos.
03/09/2008 9:46"

Claro que se deve tomar cuidado com esse tipo de declaração.
Só que não faz muito sentido o tipo de jornalismo que a Folha vem praticando. Se todo mundo mineral sabe que foi Dantas ou algum agente infiltrado por ele que criou esse factóide com o auxilio da Veja. Se o papel do Ministro Gilmar Mendes no esquema Dantas é de uma obviedade espantosa, o que pretende a Folha?

Marcos em setembro 3, 2008 10:59 AM


#12

Cara Marilda, obrigado pelas palavras. Para responder sua pergunta, haveria que se fazer uma análise bem completa do quadro. Por um lado, o Presidente Lula sempre foi um conciliador, um negociador -- desde as greves do ABC -- e nós já sabíamos disso quando o elegemos. Nesse sentido, o lulismo e o petismo são como duas metades opostas de um mesmo fenômeno. Mas é claro que a coisa, neste caso, chegou a um ponto em que a conciliação já deu o lugar à submissão. A hipótese do Nassif, por exemplo, era que o afastamento do Dr. Paulo Lacerda fortaleceria Lula, dando a aparência de idoneidade à investigação. Essa hipótese tinha verossimilhança até ontem. Hoje, com a nomeação de ninguém menos que Wilson Trezza para a direção da ABIN -- um funcionário de Dantas, meu Deus do céu --, essa hipótese do Nassif, evidentemente, já não procede. O fato é que eles venceram. Controlam dois dos três poderes da República e toda a mídia. Têm maioria inconteste no Supremo, apesar dos protestos desse grande brasileiro, Joaquim Barbosa. Alguns acham que Lula cede porque tem medo de que se revele a penetração de Dantas entre certos setores do PT. Sinceramente, acho que isso é só parte da equação. Mais razoável é pensar que Lula, conciliando e cedendo aos poucos, viu-se numa situação em que a corja já tinha todas as cartas na manga. Esse episódio, sem dúvida, é o fundo do poço -- uma denúncia sem provas, sem indícios, sem nada, feita por uma revista sem credibilidade, derruba ninguém menos que o Doutor Paulo Lacerda. Hoje, os jornais noticiaram que o fator decisivo no afastamento dele foi o notícia dada por Nelson Jobim de que a ABIN havia comprado aparelhos que fazem e identificam grampos. Ora, uma Agência de Inteligência que não é capaz de fazer e identificar grampos simplesmente não é uma Agência de Inteligência! É como noticiar que uma estação de rádio comprou microfones! Isso, claro, a imprensa não diz. Podemos burilar um pouco mais essa análise, mas o fato inconteste, Marilda, é que eles venceram. Um beijo.

Idelber em setembro 3, 2008 11:00 AM


#13

Bruno, gostei do trecho Um dos estudantes que não queriam deixá-la entrar estava de chinelo e bermuda.

Inacreditável mesmo.

Idelber em setembro 3, 2008 11:02 AM


#14

Meu caro Sergio, estendo meu nojo à TV Globo, que deu manchete parecida ontem, e ao jornal O Globo.

Bato na Folha preferencialmente porque é o único jornal pelo qual eu ainda nutria um mínimo de respeito.

Idelber em setembro 3, 2008 11:04 AM


#15

eu que sou sem folha e sem uol, fiquei aqui na curiosidade sobre o texto do Takahashi...mas deve ser melhor assim pelo menos para minha paciência kkkk

aiaiai em setembro 3, 2008 11:08 AM


#16

Ops, gostaria de corrigir uma afirmação genérica que fiz no comentário anterior: concessão pública é para redes de televisão, não para jornais.
Bruno, não é brincadeira a forma como Serra manda na FSP!
Aproveito o comentário da Marilda para dar um depoimento pessoal. Já ocupei vários cargos de confiança em administrações do PT, e pude constatar na carne o tiroteio que é isto. A sensação é de que voce está dentro de uma floresta, com flechas vindo de todos os lados, mas não sabe bem de onde elas vêm (muitas, inclusive, são "fogo amigo"). Digo isto porque essas experiências me mostraram que há uma boa diferença entre a teoria política (que é necessária e espetacular) e a prática política. Na prática, a política é uma disputa democrática, legítima, aguda, mas acima de tudo pragmática de poder. Voce não tem tempo de analisar muitas coisas, tem que dar respostas rápidas para problemas que surgem também rapidamente, com muitas variáveis subjetivas. Nesse jogo de xadrez, é necessário ter frieza e perspicácia. Acho possível que Lula (que, independentemente de como cada um o vê, é mestre nesse jogo) tenha optado por afastar temporariamente o alvo dos ataques recentes ao governo, para evitar turbulências num contexto de factóides maximizados por uma grande mídia que não está para brincadeiras. Particularmente, acho que ele não terá condições de voltar, infelizmente.
Eu, pessoalmente, lamento que pessoas dignas e sérias, com Paulo Lacerda, o juiz De Sanctis, o delegado Protógenes, e muitas outras, caiam devido à dureza deste jogo. Exatamente por isto, me afastei disto, vivo minha vida profissional longe da política, apesar de acompanhá-la com interesse e continuar defendendo posições à esquerda, no espectro político. Seria preferível que as pessoas de bem fossem apoiadas nesses momentos, firmemente. Lamento muito essa prática, mas entendo que faz parte do jogo, apesar de discordar dele em muitos aspectos.

Cláudio Freire em setembro 3, 2008 11:12 AM


#17

Perfeito, Cláudio. Escrevemos respostas à Marilda que são bem semelhantes em espírito. É isso aí.

Idelber em setembro 3, 2008 11:18 AM


#18

Não existe um meio de acompanhar os comentários via e-mail, como faz o Blogger? Tenho dificuldade de acompanhar por aqui.

Um abraço!

Pablito Barros em setembro 3, 2008 11:23 AM


#19

Pablito, por email, não. Mas se você usa leitor de feeds, o link do feed com os comentários é este aqui.

Idelber em setembro 3, 2008 11:31 AM


#20

Pois é, Idelber, mas parece que o quadrilheiro e banqueiro (que pleonasmo!) DD venceu mais uma vez. Segundo o blog do Josias de Souza, o nomeado para a Abin, era funcionário do DD. E mais: começou no fascista SNI.

Dá uma enorme vontade de largar tudo e vomitar.

Armando em setembro 3, 2008 11:54 AM


#21

Não só funcionário do DD, Armando. Diretor de seguridade da Brtprev.

Vá lá, vomite, depois volte, porque agora é que não podemos esmorecer mesmo.

Idelber em setembro 3, 2008 11:59 AM


#22

Acredito que a escolha seja mais um erro simbólico, mas não dá para falar muito sobre o novo presidente da ABIN, quando fora o corpotamento pode ser um, mas corporativamente outro. Esperemos que ele se lembre que fez concurso público e por isso não é funcionário de governo ou partido e sim Estado.

Agora comentando ontem, desisti de ver o entrevista do general quando o José começou a falar, algum dos comissionados dele poderia dizer que a visão da Abin ser orgão de governo é equivocada e falar em contratar consultorias, bem eu já tinha cantado a bola, é coerente, só isso vou dizer com os desejos do novo Estado federal que querem vir aí.

Sobre o seu post, acredito que já deveria ser pensado em uma discussão no Brasil o porquê a mídia tem tantas imunidades e isenções tributárias, deveria acabar com todas dentro da proposta econômica que a mesma prega, até as concessões de rádio e tv deveriam ser por leilão.


Marcelo Luiz em setembro 3, 2008 12:15 PM


#23

A proposta contida no seu terceiro parágrafo é extraordinária, Marcelo. Temo muito que seja impossível, politicamente, implementá-la, dada a atual composição do Congresso e do Supremo. Abraço.

Idelber em setembro 3, 2008 12:20 PM


#24

Pode ser que tudo apresentado aqui esteja certo. Mas foi encontrada escuta em telefone de assessor de Mendes; o general, ao não descartar a hipótese do envolvimento de agentes, admitiu a possibilidade (logo, a manchete tem fundamento, não é simples mentira); e a tal maleta foi adquirida de forma ilegal, sendo que a Abin não tem amparo legal para escutas.

João Paulo Rodrigues em setembro 3, 2008 1:08 PM


#25

Idelber, eu, como você, estou cansado da imprenssa brasileira, mas a poucos dias descobri a revista Le Monde - Diplomatique. Ótimos artigos, feitos por pessoas das áreas, acadêmicos e talz. Na de agosto tem um ótimo texto sobre o Cortázar. Apesar de ser mensal, acho uma boa para fugir das mesmas porcarias de sempre!
Grande abraço!

Gui Losilla em setembro 3, 2008 1:36 PM


#26

Idelber,

Um trecho de sua resposta à Marilda "Mas é claro que a coisa, neste caso, chegou a um ponto em que a conciliação já deu o lugar à submissão", me deixou profundamente desanimada, assim como a constatação de que, dos três poderes da nossa dita República, dois estão em mãos de bandidos.

O que me lembra haver lido, não me recordo onde, que chegou-se a um momento em que a nossa elite começa a criar mais salvaguardas para manter-se, como sempre, intocável. Não bastou aquela excrescência legal que é a prisão especial para portadores de diploma superior, já que agora, muita gente, digamos, inaceitável aos padrões dessa elite já porta título superior.

É verdade. O episódio das algemas, sem falar do enojante espetáculo das prisões-solturas de DD e sua trêfega turma, estão aí mesmo pra provar quem é que manda nesse latifúndio. Pensei em escrever "Botocúndia" - estou bem amarga mesmo :((

Porém, só me ocorre o óbvio envolvimento de uma ala do PT nos esquemas dantescos e a ainda mais óbvia pergunta: foi pra isso que o partido, com altos e baixos, lutou por vinte anos? Só pra mostrar, afinal, que não há assim tantas diferenças, já que se presta a ser capataz dos interesses de sempre?

Ou, como conversava com um amigo recentemente, talvez esta ala esteja apostando na hipótese socialista, via distopia. Depois de destruir o próprio capital político conquistado, lança-se a destruir as instituições que deveria fortalecer. (Tá, eu sei que não rola essa coisa de "socialismo num só país" num mundo muito mais complicado do que foi o da guerra fria, mas não deixa de ser um exercício de imaginação - que aliás, não me consola grande coisa)

Alba em setembro 3, 2008 1:37 PM


#27

João Paulo Rodrigues,

O Gen. Félix "admitiu a possibilidade". Sim, tanto quanto se houvesse o seguinte diálogo:

P- "O senhor pode ser atropelado?"

R- "Posso, afinal sou pedestre. Eu tomo cuidado, olho para os dois lados antes, mas pode haver algum motorista imprudente dirigindo naquele local e momento."

MANCHETE DA FOLHA:

"General admite que pode ser atropelado"

Vinicius Duarte em setembro 3, 2008 1:49 PM


#28

Foi hilário entrar hoje no Portal UAI e ver um banner piscando com os seguintes dizeres... "dois grandes nomes do jornalismo mineiro" - e a foto dos grandes nomes...

ai ai... pelo menos a gente se diverte

Jasão em setembro 3, 2008 1:49 PM


#29

FOLHA: Telê, aquela bola que bateu na trave, nas costas do Carlos e depois entrou no gol do Brasil na Copa de 1986 pode ter sido um fenômeno sobrenatural, causado por marcianos?

TELÊ: Acho difícil, afinal de contas não temos o menor indício de que exista vida em Marte, nem de que eles interfiram em jogos de futebol na Terra. Mas tudo é possível.

Manchete:

TELÊ ADMITE QUE GOL QUE ELIMINOU O BRASIL PODE TER SIDO FEITO POR MARCIANOS.

Idelber em setembro 3, 2008 2:04 PM


#30

Idelber

Nunca entendi o seu respeito pela Folha. Gosto do Estado. É um jornal assumidamente conservador, que não se finge de isento. Quando discordo das análises do jornal, sei onde encontrar as razões do nosso distanciamento: a ideologia. Isso faz com que nunca tome o Estadão como um jornal que traz apenas a verdade, mas, sim, um jornal que traz uma leitural liberal-conservadora dos fatos.

A Folha, ao se fingir de isenta, apresenta as suas leituras do mundo como realidade, como verdade inapelável. Aí não dá para agüentar...

No mais, os textos da Folha são muito simplórios; presumem que o leitor seja analfabeto...

Thiago

P.S. Perdoe-me pela sintaxe mambembe. Estou com pressa...

thiago em setembro 3, 2008 2:06 PM


#31

Thiago, talvez seja uma questão geracional. Eu me formei como leitor de jornais nos anos 80, quando a Folha era muito melhor. Não só na política, mas em todos os cadernos. O Folhetim era muito bom. Enfim, eu me formei com a Folha, embora entenda que, em certo sentido, o Estadão sempre foi mais explícito -- mas também mais raivoso no seu reacionarismo.

Enfim, o importante é que vamos mal, muito mal em termos de jornais.

Idelber em setembro 3, 2008 2:15 PM


#32

A sua foi bem mais engraçada, Idelber...

Vinicius Duarte em setembro 3, 2008 2:21 PM


#33

Eu não sei os detalhes dessa história, mas não é sabido que todos os órgãos governamentais tem telefones grampeados, e-mails monitorados e outras formas de "vigia"? Que quem fala no telefone ou escreve e-mails faz isso sabendo que está sendo vigiado? Isso que os jornais descrevem como a descoberta da pólvora dando corda para a indignação dos ministros faz parte da rotina deles, oras. Mas é impressionante como pouca gente na imprensa questiona essas jogadas pra platéia.

Te em setembro 3, 2008 2:42 PM


#34

Idelber:

Não considero reacionarismo um problema em si. Sempre haverá confronto e debate ideológico. O importante é a transparência e, sobretudo, a lealdade da discussão. E esse é um quandro que só pode existir quando os valores, os interesses e as causas por que se luta estão explicitados.

thiago

thiago em setembro 3, 2008 3:04 PM


#35

Também tenho a mesma impressão do thiago, a Folha hoje é pior que o Estadão, bem pior.

O que é terrível nisso é que Estadão não melhorou nada em relação aos anos 80...

Hugo Albuquerque em setembro 3, 2008 3:14 PM


#36

"Substituto de Lacerda trabalhou para Daniel Dantas" seria manchete correta, sem forçar nenhuma barra.

Dentro do padrão brasileiro de jornalismo, "pode ser" que um dia o leitor se depare com uma manchete dessas na primeira página.

Fábio Carvalho em setembro 3, 2008 3:41 PM


#37

É, a imprensa brasileira é realmente um nojo. Parece até Big Brother.

Bruno da USP

Meu Deus, você defende a invasão da reitoria? Você trancou a porta? Ué porque então foram roubados computadores e como então era possível usar o Orkut no computador na Reitora? Teve festa, até jogos de futebol de golzinho na frente.

Não vi lá muita gente comprometida. Não sei se era seu caso, mas 80% das pessoas que conversei estavam lá pra não fazer NADA. Era pura vagabundagem.

Bruno em setembro 3, 2008 3:56 PM


#38

houve uma época em que se proliferaram Paulos aqui na caixa de comentarios. Agora multiplicam-se Brunos, que inclusive discutem entre si. Está difícil acompanhar e saber quem é quem.

Daniel em setembro 3, 2008 4:17 PM


#39

Vinícius,
Sua paródia não vai ao alvo. Você alude a algo visivelmente ridículo e sem importância para desqualificar algo de outra natureza. O general não foi perguntado sobre uma hipótese genérica sobre um assunto banal, mas sobre um fato específico de um assunto de sua alçada. E sequer foi um questionamento sobre uma hipótese geral sobre o seu trabalho, mas sobre um evento ou notícia preciso. Portanto, a resposta tem um alcance um pouquinho mais amplo do que o da hipotética manchete à qual você alude.
E há mais: enquanto a pergunta da sua pretensa brincadeira já embute a resposta, a pergunta do jornalista não, pois ele poderia dizer: “Não, nenhum agente da Abin se envolve nestes assuntos; não há propabilidade de envolvimento de agentes” etc. etc. É, aliás, o que se espera que ocorra, que a Abin seja um órgão republicano, que respeite as leis e por aí vai. Mas ele tentou justamente uma resposta no estilo da sua (ela tem até mesmo um tom de amenidades, com filosofia barata sobre os “seres humanos”), pois sabe que o assunto é sério e pretende sair pela tangente, se eximindo de responsabilidades. Quem se lembra das escandalosas declarações do mesmo general sobre os ex-guerrilheiros e exilados políticos da ditadura deverem temer mais do que ex-torturadores e que tais a abertura dos arquivos, deveria saber que ele é mestre neste jogo de sabonete.

João Paulo Rodrigues em setembro 3, 2008 4:28 PM


#40

O interessante dessa história toda é voltar ao passado: papai do céu criou o mundo, o homem, a mulher e a Revista Veja. A "garotadinha hype do Higienópolis" (FSP) adorou e pegou o embalo do sucesso com uma manchete sensacionalista. Soou a manchete do Lance!
Peço desculpas pela resposta curta e mal-formulada; acabo de entrar no maravilhoso universo blogosférico.

Um abraço.

Rogério Char em setembro 3, 2008 4:45 PM


#41

Idelber,
Como você é atleticano e eu botafoguense, entendo seu recurso ao Telê, penúltima glória de um time que me tem dado muitas alegrias recentes (as únicas, aliás).
Mas sua paródia é ainda mais fraca, apesar de, por apelar ainda mais ao ridículo, se pretender mais reveladora da realidade.
Se Telê houvesse dado resposta do gênero, quem passaria ridículo seria o técnico (além do repórter), o que mereceria destaque. No resto, o que vai para o Vinícius cabe também aqui, com o adendo de que, ao contrário dele, seu exemplo alude para uma impossibilidade (marcianos não existem), enquanto o assunto dos grampos por agentes e/ou ex-agentes da Abin/SNI é algo bem real, ou muito provável.

João Paulo Rodrigues em setembro 3, 2008 4:51 PM


#42

Idelber,
bem obediente: vim, vi, fui, vomitei, voltei.

Márcia W. em setembro 3, 2008 4:52 PM


#43

Por favor gostaria de entrar em contato urgente.
Li uma materia (sua) a respeito de blogs e literatura e precisava tirar umas dúvidas.
Agradeço
Suzi

Suzi em setembro 3, 2008 4:53 PM


#44


Prezado Daniel,

Eu comecei a participar do blog por ocasião da polêmica envolvendo o Nassif, Soninha e aquele blogueiro fanfarrão que de vez em quando aparece aqui. Aliás, somente continuo a postar depois da baixaria que esse último perpetrou contra mim graças ao incentivo que na época o Idelber me deu.

Como havia outro Paulo participando no blog, e como minhas mensagens costumam ser mais longas, passei a assinar como Paulo SPS (sem poder de síntese).

Pelo menos a mim vc agora vai poder identificar.

Abraço.

Paulo SPS em setembro 3, 2008 4:56 PM


#45

Não sou advogado da Folha, mas ocorre que a folha deu na primeira página: "Chefe interino da agência trabalhou com Daniel Dantas".
O que me parece é que se está errando o alvo. O Globo sim é que vem com uma manchete estranha e errada:
"General admite que grampo pode ter sido feito na Abin".
Estranha pelo "pode ter sido feito", construção muito vaga para uma manchete.
Errada, pois o general negou terminantemente que a Agência esteja nessa.

João Paulo Rodrigues em setembro 3, 2008 4:58 PM


#46

Idelber,
O atual dirigente da ABIN foi diretor de seguridade da Brasilprevi (BRT) de janeiro/2002 a março/2003. Pouco mais de um ano, portanto. Antes, na gestão do FHC, foi da Secretaria de Previdência Complementar e Diretor Administrativo do MEC. Posso ser ingênua, mas o que me parece é que o tal do Trezza é um dos muitos servidores do segundo e terceiro escalões do governo federal que ocupam diversos postos em diversos órgãos e diversas administrações, uma espécie de "quadro rotativo" do serviço público. Até que me provem o contrário, não me parece que se trata de mais um "homem" do Dantas. Se assim fosse, pq o Paulo Lacerda o manteve na ABIN em cargo de direção? Seria o Lacerda tb um "dantesco" disfarçado? É preciso muito cuidado com as notícias oriundas da grande imprensa. Tudo pode ser usado e disvirtuado para um propósito escuso que, depois do pré-sal, vai muito além da satiagraha, que trata apenas de falcatruas passadas. O pré-sal é um futuro promissor (resta saber para quem) que não pode ser comprometido com discussões inconvenientes.

Maria em setembro 3, 2008 5:20 PM


#47

Ontem, o Jornal Nacional deu na íntegra das duas declarações do General Félix que geraram essas manchetes. Depois dessa afirmação publicada aqui no blog, um deputado perguntou se era possível que agentes da Abin tivessem feito grampos, ao que o general respondeu algo como "Não descartamos nenhuma hipótese, nem mesmo essa".

Foi o que bastou para a repórter dizer que o general "admitiu" que agentes da Abin podem ter feito grampo.

Cassol em setembro 3, 2008 5:44 PM


#48

Então ao que tudo indica, Maria, o Trezza é um mercenário aspone que acaba de tirar a sorte grande.
Se bem que, considerando que o assunto envolve ABIN, então um desses tipinhos é exatamente o que a agência precisa, não concorda?
Na dúvida, a culpa é do Agente 86.

Um abraço.

Rogério Char em setembro 3, 2008 5:46 PM


#49


Maria,


Concordo que não há elementos suficientes para carimbar essa pessoa como "homem de Dantas", embora ele tenha tido um cargo de alguma importância na BrT.

Mas numa situação dessa gravidade, em que o General Félix, superior hierárquico da cúpula afastada da Abin, aventou a possibilidade de que esse suposto grampo possa ter ocorrido por inspiração justamente de Daniel Dantas, vc não concorda que é, no mínimo, totalmente inadequado que essa pessoa permaneça à frente da Abin no momento dessa apuração?

Se Lacerda foi afastado para garantir a isenção da apuração, é correto substitui-lo por alguém que já teve relações profisionais com um outro suspeito do grampo? E não é suspeito apenas na opinião de alguns leitores do blog, os conspiracionistas paranóicos, mas de um Ministro de Estado que responde diretamente a Lula e é superior hierárquico da própria cúpula da Abin!!!

Por fim, gostaria de lembrar que no serviço público nem sempre o chefe consegue trabalhar com toda a equipe formada por pessoas em quem ele confia, ainda mais em áreas estratégicas, sensíveis politicamente, como a Abin. Então, embora seja uma tese muito plausível, não é porque trabalhava com Lacerda que tem sua automática confiança e aprovação. Ainda mais porque, pelo que li, ele é servidor antigo que voltou para a Abin, e justamente essa turma é que, sempre pelo que li, queria derrubar Lacerda.

Abraço.

Paulo SPS em setembro 3, 2008 5:59 PM


#50

Errata:

onde está escrito "e não é suspeito apenas na opinião de leitores do blog",

leia-se

"e é suspeito não apenas na opinião de leitores do blog"

Paulo SPS em setembro 3, 2008 6:05 PM


#51

Seguindo a linha "paranóica conspiracionista", há a possibilidade desse rolo todo ter surgido através do próprio Gilmar Mendes, por motivos "supostamente desconhecidos". O presidente do STF é suspeitíssimo, convenhamos.

Essa dança das cadeiras na ABIN me parece estranha; gostaria de entendê-la melhor.

Rogério Char em setembro 3, 2008 6:06 PM


#52

João Paulo Rodrigues,

Penso que o senhor tem razão em um ponto: a crítica à Folha e não ao jornal O Globo. Entre outras razões, a Folha merece mais o meu crédito não somente pelo seu passado, mas por ser o único dos jornalões que mantém um ombudsman (agora, semanalmente, o que reduziu a transparência do jornal, após lastimável afastamento de Mário Magalhães) Os outros? Nem tchuns. O pior exemplo que temos são as cartas de leitores publicadas pela revista VEJA.

Então, o senhor e outros comentadores estão certos, a meu juízo, quando formulam essa crítica. Não me parece justo que o jornal que deu a matéria sobre o novo chefe da Abin seja mais cobrado que os demais. Mas gostaria que o senhor considerasse outros aspectos importantes que não detalhei na minha primeira manifestação.

Eu vi que a primeira página da Folha de São Paulo traz a chamada "Chefe interino da agência trabalhou para Daniel Dantas". Não é, pois, a manchete. Está "abaixo da dobra", como dizemos no jargão, e isso tem inegável relevância jornalística. Até o pré-sal, factóide do Lula com as mãos sujas de petróleo, está acima da dobra. Isso foi uma DECISÃO EDITORIAL.

Notícia, numa definição bastante simples (ou simplória, vá lá), é "aquilo que é novo". A informação do trabalho prestado por Trezza a Daniel Dantas, para mim, é nova. Como diria o Paulo SPS, acordei com ela hoje, pois ontem dormi sem esse barulho enquanto formulava minhas "teorias conspiratórias" por aqui.

Ora, ora. Paulo Lacerda foi afastado para dar "transparência" à investigação do suposto grampo ilegal. Mas seu substituto é alguém que já trabalhou para Daniel Dantas, informa a Folha. Apertemos todos: está transparente, agora, a investigação? O que o governo tem a dizer? É melhor substituir Lacerda por Trezza?

A manchete principal da Folha é "Abin tem maleta de grampo, diz Jobim". No jargão, embora seja de incontestável relevância, trata-se de jornalismo declaratório (ou seja, reproduz uma declaração). A matéria, justiça seja feita, não pára na declaração: a empresa foi procurada pelo jornal e informou que o uso da maleta é auditável. E ainda tem a tal pericia já pedida pelo general Félix.

Mas o curioso é que a manchete não era a "notícia nova", pois todos já sabíamos dessa declaração do Jobim. Durante a CPI dos Grampos, aliás, o deputado Raul Jungmann fez essa pergunta ao general Félix, citando o Jobim. A notícia está publicada na Folhaonline às 19h20 do dia 2 de setembro.

Se eu fosse o editor de primeira página, colocaria a chamada do novo chefe da Abin na manchete principal. A decisão da Folha, todavia, foi imprimir no seu espaço mais nobre uma informação que nem era "tão nova" assim. E colocar abaixo da dobra uma informação que rende muita "teoria conspiratória" por aqui e na blogosfera em geral.

Bem, isso não é uma condenação, mas uma interpretação particular de como eu leio o jornal.

Fábio Carvalho em setembro 3, 2008 6:22 PM


#53

Sr. Rogério Char, não posso afirmar que o Trezza é um mercenário aspone. Apenas que existe tal rodízio no serviço público. Quanto à "sorte grande", ele não saiu agora da BRT para a ABIN. Ele está na ABIN desde 2003 e ocupava ou continuou ocupando cargo de Direção sob o comando do Paulo Lacerda. Para esclarecer, não sei quem é este cidadão. Parto apenas do pressuposto que não posso condenar sumariamente quem por algum tempo trabalhou em empresa da órbita do DD. Prefiro acreditar que nem todos são bandidos.

Maria em setembro 3, 2008 6:23 PM


#54

Bom, se o substituto do Lacerda trabalhou para o DD e para o governo do FHC, e não achar nada na ABIN, não vão poder dizer que é conclusão de um petista de carteirinha. E aí vai a última do blog do Nassif:
A gravação do Senado

cristiana lôbo

Central de telefone
Quem telefona para o número central do Senado (61 - 3311.4141) é atendido por um sistema eletrônico que pede o gabinete ou o setor com o qual você deseja falar. Você responde e, ao transferir a ligação para aquele ramal, a gravação informa: “para sua segurança, a partir deste instante, sua ligação está sendo gravada”.
É daí que alguns suspeitam que tenha saído o grampo no telefone do presidente do STF, Gilmar Mendes. Ele retornara a ligação do senador Demóstenes Torres (DEM-GO) por meio da secretária - a reportagem da revista Veja não diz se ele retornou para o celular do senador ou para o gabinete.
Por isso o general Jorge Félix teria afirmado que a gravação pode ter partido do Senado. Afinal, todas as conversas pelo telefone de ramal são gravadas “para segurança” do interlocutor. Agora, para onde vão as milhares de fitas com o conteúdo das conversas, é que é preciso saber. Se dali entra num comércio, como dizem outros...
Abs, Vera

Vera Borda em setembro 3, 2008 6:39 PM


#55

SENSACIONAIS os comentários a partir do seu ponta pé inicial, caro Idelber. Percebe-se por estas intervenções o POBRE dia-a-dia que atravessamos em nosso país.

Como a Ética aqui no país não tem muito espaço, acredito que é DIFÍCIL que o general acima citado, DA MESMA FORMA QUE O TÉCNICO Dunga, coloque o seu cargo à disposição. Estivessemos em um país que tenha HÁBITOS de uma moderna Democracia, o servidor que tivesse exposto a administração federal a tal situação rídícula deveria no mínimo fazer isso (a aceitação é outra coisa).

Tudo muito bom!

Paulo em setembro 3, 2008 6:48 PM


#56

Idelber, além do comentário # 54 da Vera Borda, mais duas notícias fresquinhas:
1 - O técnico Otávio Carlos Cunha da Silva, do Centro de Pesquisa e Desenvolvimento para Segurança das Comunicações, da ABIN, disse que o equipamento comprado (a tal maleta, que Nélson Jobim disse que poderia ser usada para grampear telefones), não pode fazer grampos, mas apenas permite que se faça varredura de grampos já instalados. O equipamento em questão pode ser comprado facilmente pela internet, custa em torno de U$ 20.000,00. Olha o Nelson Jobim na parada!!
2 - A CPI dos Grampos acaba de aprovar um requerimento para que Policarpo Júnior e Expedito Filho, jornalistas da Veja que denunciaram os grampos envolvendo Gilmar Mendes, deponham à Comissão. Ruim: na condição de convidados, portanto sem obrigação de comparecerem. Mas melhor que nada.

As duas notícias estão no blog do Nassif.

Cláudio Freire em setembro 3, 2008 7:36 PM


#57

Acabo de ouvir outra: parece que a CPI aprovou nova convocação de Paulo Lacerda e também convocação do Nelson Jobim. Se confirmada esta notícia, e com a velocidade com que os fatos estão se precipitando, podemos estar assistindo à queda de mais um factóide. Vamos aguardar.

Cláudio Freire em setembro 3, 2008 8:00 PM


#58

Mas uma com o selo 'Made in Bra$il'!!!

Rogério Felício em setembro 3, 2008 8:16 PM


#59

Ou muito me engano, ou quem em boa hora apontou a vinculação entre o Trezza e o Daniel Dantas foi... a Folha de S. Paulo.

Qualquer crítica ao trabalho de imprensa é válido, e saudável. Mas teorias conspiratórias como essa de uma campanha contra gente decente para salvar a repórter do jornal, me desculpe, é coisa de jornalista delirando em boteco.

O Lacerda me parece um cara sério, e mais que isso, ponderado, inteligente. O Protógenes, passado seu momento de importãncia histórica, em que botou o Dantas nos holofotes e levantou a bola toda para o de sanctis cortar, me desculpe outra vez, não tem a clareza de espírito suficiente para ser um bom herói.

Tenho medo de gente messiânica, que põe o Estado a serviço de paixões, por mais meritórias que sejam. A paixão é desejável no cidadão; no agente do Estado, é perigosíssima.

s leo em setembro 3, 2008 8:24 PM


#60

Sensacionais, realmente, os comentários. É o que eu digo, Paulo: chegamos ao ponto em que eu já não preciso escrever nada. É postar uma manchete, abrir a caixa, e os fantásticos leitores fazem o resto.

E não é que a máquina do Jobim não faz, mas só identifica grampos? Olha o Jobim aí na parada!, como diz o Cláudio.

E não é eu suspeitava já de cara daquela declaração do Jobim? De novo eu não disse no post, mas já suspeitava.

Quando alguém te acusar de acreditar em teorias conspiratórias, responda como eu: amigo, a política não é senão um conflito de conspirações opostas.

Idelber em setembro 3, 2008 8:26 PM


#61

Sergio, meu querido, o vínculo entre o Trezza e o DD está no Google! É só digitar.

Idelber em setembro 3, 2008 8:29 PM


#62

Cabe completar a nota acima da Cristiana Lobo do Globo online no meu comentário anterior. A Revista Veja afirma na tal matéria de capa que a secretária do Gilmar Mendes transferiu PARA O GABINETE do senador, conforme trecho de texto abaixo:

"(...) De acordo com os registros, o senador Demóstenes Torres ligou para o ministro Gilmar Mendes às 18h29 para tratar de um problema relacionado à CPI da Pedofilia. Na ocasião, Mendes não pôde atender porque estava a caminho do Palácio do Planalto para uma audiência com o presidente Lula. Três minutos depois, às 18h32, a secretária retornou a ligação para o gabinete do senador e a transferiu para o celular do ministro. (...)"

http://arquivoetc.blogspot.com/2...mar- mendes.html
É só juntar uma coisa com a outra.
O que não se descobre na Internet!

Vera Borda em setembro 3, 2008 8:42 PM


#63

Só uma coisa estou estranhando até agora nesse caso, ninguém perguntou a a desembargadora que tinha informado o primeiro grampo do Minisro Gilmar Mendes se poderia ser da ABIN, antes quando interessava quem grampeava era PF agora é a ABIN, estranho nãö?

Marcelo Luiz em setembro 3, 2008 8:51 PM


#64

Jornal Nacional nosso de cada dia. As malas não custaram 500 mil dólares como informou a Folha, mas 20 mil. Não fazem grampo, como afirma a manchete declaratória. Está na Folhaonline, às 20h04.

Abre aspas. Colchetes meus.

O diretor do Centro de Pesquisa e Desenvolvimento para Segurança das Comunicações da Abin, Otávio Carlos da Silva, admitiu que as "maletas" poderiam [!!!] captar conversas telefônicas desde que situadas próximas em um local em que haja escuta.

"Este equipamento é feito para detectar emissões de freqüência em ambientes fechados. Ele menciona 100 metros se eu tivesse um transmissor nesta sala e este transmissor transmitisse para outro receptor. Este equipamento seria capaz de interceptar essa comunicação, numa determinada freqüência que vai ser apresentada no display do equipamento e vai ser monitorada", disse o técnico."

Fecha aspas.

Jobim não falou ao Jornal Nacional.

Fábio Carvalho em setembro 3, 2008 9:18 PM


#65

O Jornal da Band terminou falando que a maleta só identifica grampos. O JN deu que ela é feita para identificar grampos e números usados por antenas. Mas também adicionou que ela pode gravar as conversas destes números.
Vamos ver.
Não acho que o governo tem responsabilidade pelos grampos, se existiram. Todavia, como podem ser agentes públicos os envolvidos nas escutas, ele é quem responde por tomar uma atitude. Eu suspeito do General Felix, há tempos. O governo já deveria ter se livrado dele. Ele é a ponte entre as tradicionais práticas escusas saídas do SNI e as novas formas de espionagem direcionadas ao mundo dos negócios (privatizações, lavagem de dinheiro, editais públicos etc.).

João Paulo Rodrigues em setembro 3, 2008 9:39 PM


#66


Caso se confirme a hipótese de grampo a partir do Senado, podemos tirar essas conclusões:

a) Gilmar Mendes teria sido, no mínimo, leviano ao "chamar o Presidente às falas" e imputar a responsabilidade à Abin;

b) a reportagem de Veja seria claramente um factóide, pois estaria demonstrado ser falsa a origem alegada do grampo e, via de consequência, toda a tese de Estado policial criado a partir da Abin e Polícia Federal teria sua credibilidade seriamente afetada (para mim, na verdade, ela já não é crível);

c) não haveria razão para justificar o desligamento definitivo de Paulo Lacerda, a não ser qualquer outra desculpa furada ou que ele resolvesse ir embora por conta própria;

d) como ficaria a oposição, que já ameaça inclusive criar uma CPI sobre o caso? Totalmente desmoralizada, principalmente se conseguissem alcançar a fonte de Veja e descobrissem ser alguém da oposição.

Minha opinião sincera, baseada em dedução e intuição: vai ser quase impossível provar a origem do grampo, principalmente se Veja não apresentar a gravação. Aliás, na reportagem ela não diz textualmente ter posse da gravação, mas sim ter tido acesso a um conjunto de documentos e informações.

Sobrará então para a Abin e PF o ônus da prova negativo, o que em direito não existe, mas em política não tem a menor importância. O que vale é a versão. E mesmo se um relatório disser que todos os aparelhos de escuta foram auditados e não revelaram esse grampo, que a Abin não tem aparelho para fazer grampo, mas sim para rastrear, etc..., possivelmente não será suficiente para Veja, Gilmar Mendes, oposição e imprensa. Vai prevalecer o discurso de que a apuração foi fajuta, e que permanecemos num estado policial com a cumplicidade do governo.

E dá-lhe CPI na cabeça, agenda política negativa, clima de crise institucional artificialmente criado e outras situações menos votadas. Sinceramente, já estou ficando cansado disso, o Brasil precisa mudar.

Dá um desânimo danado isso tudo...

Paulo SPS em setembro 3, 2008 9:40 PM


#67

Oops, não me fiz clara. Apesar dos comentários supimpas, ainda tá valendo (pra mim, pelo menos)que alguém me explicasse, a sério, as questões que coloquei, que podem ter soado apenas retóricas.

Abraços

Alba em setembro 3, 2008 9:53 PM


#68

Idelber,

A outra consequência desastrosa disse tudo o que estamos vivendo está no meio jurídico, com a legitimação de propostas que somente beneficiam o crime organizado de elite.

A) A súmula Dantas/Cacciola: restrição precipitada e mal regulamentada do uso de algemas, o que pode ou colocar agentes públicos em risco, ou (bingo!!) dar brecha para anulação de prisões ou até de processos judiciais em que figurem pessoas de maior status econômico e social

B) Reformulação da legislação sobre escutas telefônicas: onde está a coerência em impor restrições ao uso de grampos judicialmente autorizados por causa da suposta proliferação de grampos ilegais? O único beneficiário disso é o crime organizado, principalmente aquele de colarinho branco, que pratica lavagem de dinheiro e evasão fiscal pesada, com operações jurídicas e financeiras muito sofisticadas (já peguei processo assim, criam pessoas jurídicas no exterior, diversos laranjas, cruzam tantas vezes operações financeiras que fica até difícil de acompanhar e entender). Há operações que demandam anos de escuta dada a complexidade das ações da organização criminosa, da dificuldade de coleta de provas, aí se escolhe o prazo arbitrário de um ano de escutas e pronto? E se estivermos às vésperas de colhermos as provas definitivas, o grampo tem de ser encerrado e pronto?

A polícia descobre que vai haver um carregamento de drogas gigante vindo do exterior, mas como deu um ano de grampo autorizado não vai acompanhar mais os detalhes e se preparar para a apreensão e prisão dos traficantes? Estou usando esse exemplo em respeito àqueles que sentem pena dos criminosos de colarinho branco, talvez se sintam mais à vontade pensando em pessoas como o Fernandinho Beira-Mar.

E tem mais: o CNJ, por inspiração do seu Presidente Gilmar Mendes, está elaborando um projeto para concentrar nele um banco de dados com todas as escutas judiciais autorizadas do país. A justificativa principal me parece pífia (planejamento administrativo), a menos que se esteja partindo do pressuposto de que a independência funcional dos juízes para autorizar e a autonomia do MPF para pedir possam ser manietadas pelo douto CNJ. Como agora até decisão judicial se envia para lá, na tentativa de intimidar juiz que coloca em má situação o Presidente do STF, fico imaginando o que pode sair dessa "medida de controle" do CNJ. Sem contar o risco de a partir desse sistema vazarem informações que avisem aos criminosos monitorados (me refiro a banqueiros, políticos graúdos, juízes corruptos e afins) da existência do grampo autorizado. Se já é difícil manter o sigilo no processo, imagina com a informação flanando por aí. Aguardemos, pois.

C) Intimidação de agentes públicos: já escrevi aqui e repito. Estou até hoje indignado com o deputado Raul Jungman propor enormes 8 anos para pena mínima de abuso de autoridade, pena essa que somente se aplica em crimes pesados como roubo, latrocínio, sequestro. Porque ele não propõe o aumento de pena para a lavagem de dinheiro, pequenina, insignificante atualmente em face da lesão ao interesse público que representa?

Antes que algum mentecapto me acuse, não estou defendendo impunidade para o abuso de autoridade. Mas temos instrumentos suficientes hoje em dia, e que podem ser aplicados sem que se crie um receio de tal monta no agente público que, ser humano que é, pode deixar de tomar medidas mais corajosas em face de poderosos com o receio de destruir sua carreira e sua vida.

D)Informação sobre a Satiagraha: recentemente circulou na grande imprensa informação de que a nova equipe da PF que está à frente do inquérito fecharia o foco na investigação porque seria muito difícil provar delitos como a lavagem de dinheiro, por exemplo. Seria concentrada a atenção nos delitos de sonegação fiscal. O que ninguém disse é que esse tipo de delito, por conta de jurisprudência consolidada pelo STF, somente pode ter a ação penal iniciada depois de constituído definitivamente o crédito tributário. Em outras palavras, depois de apurado o valor sonegado e de encerrada qualquer possibilidade de questionar administrativamente esse débito na Receita Federal. Coisa que quem dispõe de bom advogado e de influência pode conseguir enrolar por bom tempo.

Portanto, pode demorar muito a propositura da ação penal em face de Daniel Dantas. Além disso, a lavagem de dinheiro, mesmo com pena pequena para meus padrões, dá cadeia, ainda mais se em concurso material ele for condenado pela prática de diversos crimes concorrentes de lavagem. Já delito de sonegação pode, no limite, ser resolvido pelo pagamento do débito tributário. Assim, Daniel Dantas meteria a mão em algumas dezenas ou centenas de milhoões de reais, pagaria suas dívidas, mas não seria preso. Nada que uma outra confusão em que ganhasse mais dinheiro em alguma privatização ou fusão questionáveis não pudesse repor...

Escrevo isso com base no que li no noticiário, mas me pareceu muito esquisito abrir mão de aprofundar apurações na lavagem de dinheiro. E, sem querer contar vantagem, mas já contando, vamos combinar que em matéria de palpite jurídico estou com crédito na casa, haja vista ter apostado que Gilmar Mendes poderia dar o segundo habeas corpus em favor de Dantas (hehehehehe).


Paulo SPS em setembro 3, 2008 10:32 PM


#69

onde está a coerência em impor restrições ao uso de grampos judicialmente autorizados por causa da suposta proliferação de grampos ilegais?

Mais uma vez, Paulo, brilhante. Sobre o seu ponto A, acrescento que a ridícula limitação do uso de algemas, desconhecida no mundo civilizado, foi feita com súmula vinculante, instrumento importantíssimo para a aceleração e agilização do Judiciário, e que agora corre o risco de ser desmoralizado e banalizado por essa lamentável decisão do STF.

Idelber em setembro 3, 2008 10:41 PM


#70

Idelber,

Vc sabe se é possível receber algum jornal brasileiro nos EUA? Gostaria de assinar um periódico brasileiro aqui pois não tenho muito saco de ficar lendo online.

[]'s,
--Pedro

Pedro em setembro 3, 2008 11:35 PM


#71

Tem jeito não, Pedro. Você pode ir a bibliotecas, claro, que é o que eu fazia até 1997. Mas você vai ler notícias velhas de uma semana. Não serve. No mundo de hoje, não serve. Tem que acostumar a ler online.

Idelber em setembro 3, 2008 11:37 PM


#72

falando em factóide, vc viu o discurso da Palin?!
queria ver sua opinião sobre o que a moça disse...

Max em setembro 4, 2008 1:01 AM


#73

Esta noite tem post, esta noite tem post ...

Idelber em setembro 4, 2008 1:10 AM


#74

O Brasil vai transcender o regime dos quatro poderes, por absoluta incompetência de todos eles. Amém.

Cortez em setembro 4, 2008 1:47 AM


#75

E é melhor jogar a Palin no fogo agora, e deixar ferver uns meses, que assim ninguém reconhece o gosto na hora de comer. Se salpicarem por cima do prato na hora de servir, não vai dar pra convencer que é doce, o azedo.

Cortez em setembro 4, 2008 1:56 AM


#76

Caro Paulo SPS, leio atentamente tudo que você escreve pois trata-se de argumentação bem elaborada.

Mas em um de seus últimos comentários você fala "como ficaria a oposição...". Mas caro Paulo SPS, existe oposição (parlamentar, através de partidos políticos) em nosso país? Saudações.

Paulo em setembro 4, 2008 2:55 AM


#77

João Paulo Rodrigues,

Usei apenas (e o Idelber também) o recurso do exagero e da ironia para demonstrar a distorção existente na manchete da Folha referente à fala do Gen. Félix.

Para tentar ser mais claro: a Folha transformou uma resposta contendo uma visão clara dele - a probabilidade é BAIXA, mas existe - em, praticamente, uma confissão. Senão, vejamos:

1 - O que é mais importante na fala do General? Ele dizer que "podem ter sido da ABIN", ou que "a probabilidade é baixa"? Evidentemente que a segunda, porque foi dita exatamente para diminuir a importância da primeira frase. Se a Folha tivesse escrito "General não descarta a hipótese", seria mais fiel ao discurso.

2 - Só que o uso de "não descarta a hipótese" não tem peso, pois pessoas prudentes não descartam nenhuma hipótese, como eu quis mostrar no meu infeliz exemplo. Aí a matéria ficaria "sem graça".

3 - Veja que a fala do Gen. começa com uma NEGAÇÃO VEEMENTE, continua com uma conjectura sobre o "nada é impossível" (a "filosofia barata", que para mim significa cautela) e, para arrematar, dá a "quantificação" dessa possibilidade ("é baixa, muito baixa"). Então, temos: uma negação, uma dúvida e o tamanho atribuído à dúvida suscitada (pequeno).

4 - Aí você lê a manchete (só a manchete, como a maioria) e entende o quê? Que o Gen. ADMITIU o grampo como sendo possível. Foi isso o que ele quis dizer?

Resumindo: se eu tenho 90% de certeza de que uma coisa não aconteceu, eu estou admitindo que ela aconteceu?

Vinicius Duarte (também SPS) em setembro 4, 2008 11:09 AM


#78

Vinícius,
Você discute o secundário e foge do principal. E o principal é que o general admitiu a possibilidade. A manchete pode não ser a mais fiel do mundo, mas não está longe disso. O sentido da fala dele é admitir a possibilidade. Conhecendo a figura, para mim é ainda mais clara e forte essa possibilidade, já que ele reluta, fala platitudes e depois admite. Todo o jogo do "baixa", do controle pelos chefes etc. é só cortina para preparar o terreno para aquilo que importa, e que ele, com todo esse movimento, quer escamotear. Eis porque, embora não seja fiel às palavras da entrevista, a manchete é fiel ao sentido da fala do general. Ele sai do terreno da certeza para o da incerteza. Portanto, há algo aí. Não tem nada a ver com uma cautela fria, profissional, impessoal, burocrática. Gente desse naipe (repito, é o general Felix, defensor do Araguaia, da manutenção dos arquivos secretos da repressão e da ditadura) é mais escorregadia - e perigosa.
Por fim, 90% de certeza? O que vem a ser isso? Ou você tem certeza, ou não tem. Ponto.

João Paulo Rodrigues em setembro 4, 2008 11:46 AM


#79

Melhor desistir, não adianta...

Idelber em setembro 4, 2008 11:49 AM


#80

Opa, já desisti! Desculpe o incômodo...rsrs

Vinicius Duarte (também SPS) em setembro 4, 2008 12:35 PM


#81

Incômodo nenhum, se há uma qualidade que eu admiro é a extrema perseverança :-)

Idelber em setembro 4, 2008 1:27 PM


#82

Mano,
de menino em roça eu gostava de futucar os cupinzeiros: arrancava uma lasca daqui, furava, tacava pedra. Cupinzeiro é dura construção de criaturas inúmeras.

Se eu mais os moleques associados cavacávamos demais, os bichinhos davam enxame para defender o ninho.

Os que apareciam ao primeiro ataque eram miudinhos, mas quando a gente tinha tempo para maldades mais prolongadas vinham os grandes, cujas picadas ardiam foguentas.

Diziam os mais velhos – eu mesmo nunca vi – que se a rainha lá deles fosse ameaçada eles acordavam uma cobra venenosa que dormia numa loca deixada por eles. Acordavam a poder de picadas, expelição de ácidos malcheirosos, e a serpente contratada por eles pulava de dentes sobre os malfeitores.

Nesse caso dos grampos está sendo assim. Primeiro o juíz e o delegado da Operação Sati lascaram, futucaram o cupinzeiro, continuaram escavando, chegaram perto da rainha. Quatro anos é tempo por demais.

Daí que os cupins deram enxame, deram suas mordidas, caçaram modo de afastar o delegado – afastaram – ameaçaram o juíz.

Deu algum resultado, mas a rainha deles, a dura dama Daniel Dantas continuou sob ameaça.

Então acordaram a cobra.

E a serpente saiu picando toda a molecada.

Começou pelo chefe, que picou a mula, caiu for a.

Melhor deixar p`ra lá essa mexida com cupinzeiros, pensou ele, essa coisa existe desde que o mundo é mundo e vai estar por aí muito depois de mim.

E foram todos curar suas ardências em outras molecagens e menor desassossego.

Walmir Jose em setembro 4, 2008 1:38 PM


#83

Sensacional, Walmir, é desses comentários que a gente tem vontade de transformar em post!

Você só podia ser mineiro mesmo!

Idelber em setembro 4, 2008 1:47 PM


#84

O pior é que essa palhaçada de grampo está servindo como cortina de fumaça para o oba-oba das anulações de provas decorrentes de interceptações. Vão liquidar com muito trabalho feito pela polícia.
Em nome de uma suposta defesa de direitos fundamentais a impunidade vai continuar firme e forte.
Idelber, um abraço, teus posts têm sido excelentes.

gerson em setembro 12, 2008 1:41 AM


#85

Obrigado, Gerson, e força para o Colorado.

Idelber em setembro 21, 2008 6:04 AM