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terça-feira, 02 de setembro 2008

Gilberto Rincón Gallardo (1939-2008)

gallardo.jpgMorreu neste sábado, aos 69 anos de idade, um dos maiores defensores dos direitos das minorias em toda a América Latina. Foi, com certeza, o mais valente batalhador pelos direitos de gays e lésbicas que já teve o México. Gilberto Rincón Gallardo foi dirigente do Partido Comunista Mexicano e do Partido Socialista Unificado do México. Em 1989, fundou o Partido da Revolução Democrática, com Cuauhtémoc Cárdenas. Foi candidato a presidente do México em 2000, com uma campanha que colocou no centro da discussão a discriminação por motivos de deficiência física ou de orientação sexual. Era o presidente do Conselho Nacional contra a Discriminação.

Foi preso político entre 1968 e 1971. Aliás, ostentava com orgulho um título sensacional, o de mexicano mais encarcerado da história: exatas 32 vezes ele foi preso, em todas elas por lutar pela democracia. Amado, reverenciado pelas comunidades gay e lésbica do México, ele se preparava para representar o país numa comissão das Nações Unidas encarregada de fiscalizar a aplicação das leis anti-discriminação. Era também conselheiro da UNICEF. Um de seus últimos artigos foi sobre a volta do racismo.

Vejo com muita tristeza a imprensa brasileira dedicar cadernos inteiros à criação e à exploração de um factóide, e nem uma única linha sobre a morte do Dr. Rincón Gallardo. O blog deixa aqui sua homenagem. Leitores gays, lésbicas: prestem hoje seu tributo a ele. O velho batalhou, em condições duríssimas, pelo seu direito de ir para a cama com quem bem entenderem.



  Escrito por Idelber às 04:37 | link para este post | Comentários (12)


Comentários

#1

Não o conhecia.....lamento a passagem......mas se a pessoa acredita no espiritismo sabe que é só isso ...passagem....a vida é eterna.
Bom dia.

HRP Simple em setembro 2, 2008 6:41 AM


#2

cada um dá o que é seu. essa
e a idéia

Demai$ão em setembro 2, 2008 7:38 AM


#3

ops, não seria "encarcerado"

Daniela em setembro 2, 2008 8:42 AM


#4

Olá Idelber

Eu sou praticamente um zero a esquerda no que diz respeito a partidos comunistas. Gostaria que você me explica o papel dos partidos comunistas. O objetivo, acredito, não é fazer a revolução dos operários. Eu acho que o papel é parecido com o papel que Marx tem hoje nas idéias em geral (estudei um pouquinho de sociologia). Pode me esclarecer melhor as coisas?

Bruno em setembro 2, 2008 10:39 AM


#5

Corrigido, thanks, Daniela.

Idelber em setembro 2, 2008 10:51 AM


#6

É triste mesmo que a notícia tenha passado batida por aqui. E também é curioso notar, Idelber, que no perfil traçado pelo tal El Universal (do link do seu texto) não há sequer uma menção explícita à luta que você descreve como a mais importante do Dr. Rincón Gallardo - pelos direitos dos homossexuais. A gravidez da filha de Sarah Palin parece ter merecido mais destaque. Como de costume, o seu post é mais informativo.
abs
Jayme - SP

Jayme - SP em setembro 2, 2008 1:02 PM


#7

Eu confesso minha completa ignorância e não sabia quem era Gilberto Rincón Gallardo. E olha que me considerava com um bom conhecimento sobre a política e história da América Latina. Quanto a nenhuma notícia dele na imprensa brasileira, eu acho bom (de verdade), alguém tão digno como ele parece ter sido, não merece as palavras falsas da imprensa brasileira. Em relação aos gays, fala sério! Gays estão cagando e andando para pessoas como esse Gilberto. Duvido que conheça algum gay conheça esse Gilberto. Du-vido. Vou até perguntar pro pessoal que conheço. A verdade é que gay só quer saber de Madonna (eles me matam se eu escrever o nome d´Ela só com um n) e companhia. Hetero tem uma falsa ilusão quanto ao grau de politização dos gays. São tão politizados que muitos reclamam que na parada tá dando muita gente feia, tinha que ser um evento pago para selecionar as pessoas. Falando de coisa boa, que bom e que ruim que existem pessoas assim no mundo. Ruim porque sofrem e lutam atoa. Estou completamente desiludido e desanimado hoje. Legal, o cara se vangloriar de ter sido o cara que mais foi preso. Que democracia era aquela do México. Preso político? Ouvi falar que em 1968, em plena democracia, mataram cerca de mil estudantes pouco antes das Olimipadas. Não teve como não lembrar, hoje a direita diz que a prisão do Daniel Dantas foi política. Prometo (um milhão) para mim mesmo cuidar da minha vida e cagar para política.

Bruno em setembro 2, 2008 3:19 PM


#8

Pior que uma ditadura descarada, só mesmo uma democracia de fachada. O México é uma desss há muito, muito tempo. Por isso ninguém precisou financiar golpes militares por lá, já tava tudo dominado mesmo. Aliás, o que foi aquela última contagem de votos por lá?

Quanto à questão da politização dos gays, eu discordo do Bruno. No nosso país há gente alienada em todos os segmentos da sociedade, provavelmente em um nível alto demais para a manutenção de uma Democracia em bom funcionamento. Não é algo exclusivo aos gays que, diga-se de passagem, possuem um grau de politização mais alto que a média dos brasileiros. É óbvio que os movimentos pelos direitos dos gays são mais fortes na América do Norte e Europa, mas o mesmo vale para os congêneres de trabalhadores, imigrantes, jogadores de futebol, professores etc.

Hugo Albuquerque em setembro 2, 2008 4:16 PM


#9

Caro Jayme, também na imprensa mexicana não houve muita ênfase na luta do Dr. Rincón Gallardo ao lado de gays e lésbicas. Mas ela foi o centro da sua intervenção, junto com as reivindicações dos portadores de deficiência.

Bruno, talvez fosse prudente você não se arvorar a adivinhar o que sabem ou não sabem os gays e lésbicas do México.

Idelber em setembro 2, 2008 7:23 PM


#10

Não o conhecia, mas pelo que você falou, parece que este é um dos que merecem o 'prêmio Bretch':

há homens que lutam um dia, e são bons;
há homens que lutam muitos dias, e são muito bons;
Porém, há homens que lutam a vida inteira, estes são os imprescindíveis.

e Bruno, rapaz, que coisa ho-rro-ro-sa que você escreveu, hein?

Radical Livre em setembro 2, 2008 8:32 PM


#11

Eu não tenho muitos amigos gays, mas os que tenho como amigos, gostam da Madona. Eu também, com um ou dois enes.
Como meu relacionamento com meus amigos se dá na maior parte das vêzes na forma oral (sem nenhuma malícia) nunca fui cobrado por tais falhas de grafía.
Mas se fosse agradeceria a eles pela correção.
Até este post eu não sabia da existência de Gilberto Rincón Gallardo. Não sei se meus amigos gays, homens e mulheres, o conhecem. E pelo que declarou, nem mesmo você Bruno, quem tem bom conhecimento da política e história da América Latina o conhece tão pouco.
Seu comentário, Bruno, foi uma merda.
Você, me parece, esta defendendo um tipo de direito que está vinculado ao nível de conhecimento e envolvimento político de uma pessoa com o tema de seus direitos.
Com isso você está excluindo boa parte das pessoas sem consciência de seus direitos ou de quem luta por eles, de participar da vida democrática de um país. Que carralho importa que seus amigos não conhecerem Gilberto Rincón Gallardo e sabem escrever o nome da Madona?
Qual problema deles se importarem como se escreve devidamente o nome de uma cantora? Ela que aliás tem posições, sem duplo sentidos, muito bacanas em relação aos gays.
Que diferênça há entre o que você afirma sobre os gays e os outros brasileiros, héteros pobres ou ricos, que desconhecem seus direitos ou quem os defende?
Eu sinceramente duvido que exista qualquer pessoa que esteja cagando para uma outra que lute por seus direitos.
Mas se existirem, terão seus direitos garantido igual a qualquer outro.
E foi você que se disse cansado de assassinato de reputação (Comentário#97 do post 'Veja: Gilmar Mendes e suas mentiras)?.

Caralho , que país é esse?

fm em setembro 3, 2008 2:03 AM


#12

Todos devem prestar tributos ao Dr. Gallardo, seja homossexual ou não. Está mais do que na hora da luta contra toda discriminação ser feita não só pelas vítimas dela. Sonho em ver o movimento gay, negro e feminista cheio de heteros, brancos e homens. Afinal, estas questões nos interessam a todos.

Elton em setembro 3, 2008 11:06 PM


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