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domingo, 07 de setembro 2008

Mangue Beat na Argentina

A revista argentina Todavía me pediu um artigo sobre a música brasileira popular. Mandei-lhes um texto sobre Chico Science e o Mangue Beat. Deixo aqui o primeiro parágrafo e, logo depois, o link para que você continue lendo lá no bacaníssimo site dos argentinos.

Nueva York, junio de 1995: un amigo me cuenta que el recital de la leyenda musical brasileña Gilberto Gil, en Central Park, será abierto por un vocalista de nombre insólito, Chico Science, acompañado por su banda Nação Zumbi (en lo sucesivo, CSNZ). El grupo ya era conocido en Brasil por su disco Da lama ao caos (1994), pero en aquellos primeros días de Internet, los expatriados tardábamos bastante en enterarnos de las novedades musicales del país. El hecho es que en 1995 yo no había oído nada aún acerca de ese tal Chico Science o de la escena musical conocida como mangue beat (“mangue”, en portugués, designa a las zonas pantanosas y húmedas de algunas regiones litoraleñas tropicales). Haber considerado la posibilidad de no llegar para el show de apertura e ir sólo a ver a Gil es un testimonio de la segmentación del público consumidor de aquel momento, o sea, el divorcio entre la música del Nordeste y los gustos de los oyentes de la clase media del Sudeste. Finalmente llegué para el recital de CSNZ, sin saber que me impresionaría más que cualquier banda brasileña que yo hubiera visto hasta entonces. El rasgo más evidente era que mezclaban cosas que nunca antes se habían mezclado. Esto no es, por cierto, un valor en sí mismo, pero en aquel caso seguramente funcionaba.

Continue lendo Chico Science y el Mangue Beat, minha primeira colaboração com essa bela revista argentina.




PS: Será que perco meu tempo respondendo a incrível asneira publicada ontem pelo Prof. Roberto Romano?

PS 2: O dia de hoje não deixa de ser especial: é a data nacional mais insignificante e pobre de simbolismo do planeta. Nada, nada que importasse aconteceu no dia 07 de setembro de 1822.



  Escrito por Idelber às 04:21 | link para este post | Comentários (68)


Comentários

#1

Idelber,

Eu acho que você deveria perder seu tempo sim. Porque a asneira do filosofo foi publicada num jornal de grande circulaçao ao qual seu blogue vem ultimamente servindo de contraponto.Claro, a opiniao ali exposta é de responsabilidade do autor. Mas...

Outra coisa, sabendo da heterogeneidade do seu publico leitor acho que seria interessante do ponto de vista didatico para aclarar isso: porque Idelber considera esse debate sobre o grampo algo no minimo estranho e passivel de questionamento.
Abraço,

Jampa

ps: vivi o Mangue Beat como jovem suburbano do Recife, e a mistura feita por Chico e os da Nacao Zumbi tinha um efeito identitario forte sobre mim: a mistura de Maracatu e o Metal, por exemplo, era uma coisa forte que ressaltava a possibilidade de ser jovem, "moderno", "tradicional", tudo ao mesmo tempo. Valeu pelo link do seu texto.

Jampa em setembro 7, 2008 9:13 AM


#2

Idelber, voce poderia colocar o texto do artigo no post para os sem-UOL?
Um abraco
Raquel (NY)

Raquel(NY) em setembro 7, 2008 10:04 AM


#3

Oi, Idelber, legal seu texto sobre o mangue bit/beat. Lembro que numa de suas vindas a BH, na primeira metade dos 90, tomávamos uns chopes na Savassi, quando você me perguntou sobre como estava a música no Brasil e lhe falei da cena do Recife, principalmente sobre CSNZ, que você ainda não conhecia. Eu tinha visto um show dos caras, que me impressionou muitíssimo. Mais essa: eram muito bons ao vivo, tanto pelo som quanto pela performance extraordinária do Chico.
Quanto à "asneira do filósofo", comente aí pra gente que não assina a Folha saber do que se trata.

Jair Fonseca em setembro 7, 2008 10:06 AM


#4

A toada de Roberto Romano deu crias pelo mundo. No Correio de Uberlândia, hoje, domingo, a coluna de Ivan Santos alinha uma colcha de retalhos entre registros previdenciários e trabalhistas, supostos grampos da Abin e a rastreabilidade de dados bancários pela Receita para chegar à conclusão que, obviamente, o redator deseja: vivemos o clima orwelliano, 1984. Curiosamente, a discussão sobre a tutela da esfera individual de intimidade, vida privada, só ganha fôlego, na imprensa nacional, em duas situações:
1. no momento em que investigações tocam no lamaçal de crimes contra o sistema financeiro nacional;
2. no momento em que se dispõe à Receita instrumentos de maior atividade fiscalizadora.
É ocorrência rara, por exemplo, uma discussão mais aquinhoada sobre as constantes invasões domiciliares em investidads policias nas sempre ditas ÁREAS TOMADAS PELO NARCOTRÁFICO. Todos são traficantes? Há plausibilidade no arrombar portas? O domicílio não é a esfera sagrada de exercício da intimidade e da vida privada?
A pauta é seletiva. Tutela da privacidade e vida privada só de contas gordas e movimentações financeiras inconsistentes.

Alexandre Walmott Borges em setembro 7, 2008 11:04 AM


#5

Para quem não teve "a sorte de ler o texto", vai http://robertounicamp.blogspot.com

Tentei escrever algo, mas sempre vinha uma frase a que ponto chega uma pessoa para assinar um texto desses.

Marcelo Luiz em setembro 7, 2008 11:33 AM


#6

Eu já cho que o texto do prof. Romano é tão fraquinho, tão rasinho, que não vale a pena vc investir tempo rebatendo ... Avançe duas casas (rs)

athalyba em setembro 7, 2008 11:51 AM


#7

Gostaria de tb ler o texto,pois sou não-Folha!
Abraço no blog

Sueli-Porto Alegre / RS em setembro 7, 2008 12:06 PM


#8

Dá ao menos um resumo ae das falas do R. Romano... Parabéns pelo texto. Uma colega Argentina estava comentando (numa aula na EBA - UFMG) que na Argentina o cursos de artes que ela fazia era totalmente teórico, e que lá eles tinham uma formação conceitual, intelectual mais aprofundada que a nossa, mas que nós "púnhamos mais a mão na massa", produzíamos mais que eles. Isso era justamente o que a agradava na Belas Artes. Porque, diante da tela branca, se você pára e pensa (o verbo parar tem acento ou não?), para quê pintar? por quê se pinta? o quê se pintava há três décadas atrás? Fica mais difícil sair a pintura... pensar demais atrapalha a espontaneidade... outra voz: pensar por outro viéix, o famigerado discurso do primitivo e do civilizado. Nós somos mais primitivos, enquanto eles acendem charutos e discutem, a gente rebola e pronto. De qualquer modo, preconceitos à parte, a gente só tem a ganhar se relacionando com eles. Acho que o brasileiro deve manter vivo o espírito acolhedor e antropofágico dos nossos nativos Tupis. Caetano diria: São muitas, são lindas, as Argentinas.

Doidinho em setembro 7, 2008 12:07 PM


#9

pO SOU SEM-uol. Gostaria de saber o conteudo do Robertão. Como é na FOIA não deve ser boa coisa. Engraçado é o PIG criador dos BBBBBs e pegadinhas reclame dessa epoca orweliana. Onde andamos existem filmadoras para nos invadir a privacidade. E niguem reclamou. Só Agora quando o cabra juiz não tem privacidade para vender uma sentençazinha, o PIG reclama. O PIG não gosta de lembrar do Mendonção e o Ricargo Sergio do BB no limite da irresponsabilidades. Gravaçãozinha basica na era FHC. Por falar em crise, E O CAOSAEREO NINGUEM MAIS FALA?

O jornal “Agora” publica nesta sexta-feira, na pág. A-3, reportagem de Tahiane Stochero: “Laudo aponta as falhas na tragédia da TAM: investigação diz que pilotos se confundiram com freio na asa”

CRISE EM CIMA DE CRISE!

alexia em setembro 7, 2008 12:34 PM


#10

Vixe, Movimento dos sem UOL assusta!!!
Idelber, falei com o Kohan, foi só elogios pra você!! Gente boa o cara, só não pedi desconto porque já tinha comprado, e lido, o livro, que é muito bom!!!
Gostei do seu artigo, e da revista tb!!! Só uma dica, há uma banda do Recife chamada Mombojó, sensacional. No site deles dá para baixar todo o primeiro cd, muito bom, leva essa mistura que você falou ainda mais ao extremo!!
Grande abraço!!

Gui Losilla em setembro 7, 2008 12:39 PM


#11

Idelber, coloca a "incrível asneira" em algum site pra gente ler também?
valeu

Ricardo B em setembro 7, 2008 12:57 PM


#12

Deixa o ressentido Romano na dele. Eita cara paranóico! E olha que eu acho o caso grave sim, embora não creia que "é culpa do Lula". GRampo de deputados, ministros e que tais é coisa séria sim, ainda mais quando parece que são feitos por rebutalhos da ditadura. Tomara, ao menos, que o Félix caia - que já não era sem tempo.

João Paulo Rodrigues em setembro 7, 2008 1:04 PM


#13

Idelber,

tem uma coisa no seu texto que eu gostaria que você ilustrasse, desse algum exemplo. Claro, se tiver disposição e tempo. Lá no último parágrafo, você fala "intensamente política, pero sin la xenofobia de los populismos culturales anteriores" e "...superar así tanto al populismo cultural xenofóbico como...". Quais são, digamos, os personagens centrais dese populismo xenofóbico? Digo personagens que de fato tenham produzido arte (mas nos concentremos na música mesmo). Eu reconheço, nesse meio, um cara como o Tinhorão, mas ele é um "teórico". Queria que você desse algum exemplo de músico que tenha se engajado num projeto desse tipo e tido uma repercussão considerável.

Só pra avisar: não estou questionando sua idéia, com a qual tendo a concordar, apenas procurando um exemplo.

Abraço

Rodrigo em setembro 7, 2008 1:04 PM


#14

É que ficou preso o meu comentário que tinha o link, mas é só marcar robertounicamp + blogspot + com

+ = .

marcelo luiz em setembro 7, 2008 1:08 PM


#15

Na cena recifense atual, além do Mombojó, recomendo Cordel do Fogo Encantado e Siba.

Radical Livre em setembro 7, 2008 1:16 PM


#16

Idelber,
Acho que você foi irônico, mas levantou uma boa bola.
Como é que, ainda mais num domingo, se iria comemorar o 7 de setembro em 2008? Deixando de lado todos os problemas de identificação cívica da data nas últimas décadas, acho que é emblemático dos tempos o contraste dessa não-comemoração e todo o oba-oba em torno de 1808. Já que 1822 não representaria nada (o que não é verdade), a única forma de tecer alguma narrativa minimamente patriótica e politicamente viável numa conjuntura de descrença (ao menos no sentido de que todos frisam esse ponto) é destacar a idéia da estabilidade, da transição bem planejada, da fundação não traumática da nação, das origens nobres e altivas, mais ou menos planejada com argúcia, que nos legaram uma certa grandiosidade real, bibliotecas, artistas, e, em vez de personagens heróicos ou dramáticos (assim como os traidores e covardes, que recheiam as narrativas mais tradicionais de fundação nacional), plantaram instituições, padrões de conduta política, ambição fria e ousada, e estratégias de longo prazo.
Não vejo nisso nenhum anti-lulismo em particular, nem uma instrumentalização específica. Acho que isto é um espírito do momento, algo que vale para muita gente, que responde a ansiedades mais ou menos difundidas.

João Paulo Rodrigues em setembro 7, 2008 1:19 PM


#17

Adorei ler sobre o Chico Science e o Mangue Bea!
Seu artigo ficou ótimo!

Rogério Felício em setembro 7, 2008 1:57 PM


#18

O tarado do Pedro de Alcântara, com uma diarréia desgraçada, se vingou jogando os laços portugueses no chão, para erguer definitivamente os laços ingleses. Continuamos na mesma.

Armando do Prado em setembro 7, 2008 2:01 PM


#19

Idelber,

Belo post. Aliás, pena que o Chico tenha nos deixado tão cedo (e, merecidamente, virou nome de rua lá em Olinda, pertinho de onde uma tia minha mora).

Quanto à asneira do Professor Romano, nos conte o que ele escreveu porque eu também não assino o dito jornal--por motivos que envolvem desde consciência ecológica até consciência política, passando por questões morais --.

Hugo Albuquerque em setembro 7, 2008 2:12 PM


#20

Lá vai:

São Paulo, sábado, 06 de setembro de 2008

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TENDÊNCIAS/DEBATES

Você se sente vivendo num Estado policial?

SIM

O sepulcro do sonho democrático

ROBERTO ROMANO

"O QUE você acha da situação política? Nada, porque tenho um primo que achava e até hoje não o acharam!".
A infeliz anedota, que ouvi na cela do presídio Tiradentes, quando ali estive detido por mais de um ano sob a ditadura, permite captar o pavor que aniquila a fé pública no Brasil. O jogo de sentidos sobre o ato de achar revela o perigo: quem se imagina livre num regime de força cedo ou tarde é "achado" por delação ou escutas telefônicas. Esperança e medo movem toda vida estatal, mas, com o arbítrio, o medo anula o diálogo, base do Estado digno de respeito.
O segredo, nos coletivos que atenuam a fé pública, impede a segurança das pessoas. Quanto mais costumeiras as espionagens sigilosas, menos domínio tem o "homem comum" de sua vida e consciência. O poder sem regras estupra a lei e paralisa todos os setores sociais ou de mercado. As revoluções inglesa, norte-americana e francesa dos séculos 17 e 18 exigiram a responsabilização dos governantes e respeito à ordem privada.
Mas logo espiões de Cromwell e de Robespierre deturparam as novas formas democráticas. O medo favoreceu o retorno das tiranias dirigidas ao controle da sociedade civil.
A lógica da espionagem estatal é descrita pelo inimigo do liberalismo, o conservador Donoso Cortés no "Discurso sobre a Ditadura" (1849). O poder de Estado usurpa a onisciência divina, além da onipotência: "Não bastou aos governos 1 milhão de braços, não lhes bastou 1 milhão de olhos.
Eles quiseram 1 milhão de ouvidos, e os tiveram com a centralização administrativa, pela qual vieram parar no governo todas as reclamações e queixas. (...) Mas os governos disseram: não me bastam, para reprimir, 1 milhão de braços; não me bastam, para reprimir, 1 milhão de olhos; não me bastam, para reprimir, 1 milhão de ouvidos; precisamos ter o privilégio de nos encontrar ao mesmo tempo em todas as partes. E tiveram isso, pois se inventou o telégrafo".
O texto é do século 19. Depois apareceram o telefone, a internet e todos os mecanismos manipulados por agentes clandestinos.
A cultura da bisbilhotice oficiosa, portanto, não é recente e se enraíza nas camadas profundas da sociedade.
E, naquele inferno da consciência, ela aborta qualquer democracia liberal.
Quando recordo o período autoritário e reflito sobre os nossos órgãos secretos, sinto medo. Sei o que se esconde em serviços oficiais que podem invadir nossos corpos e pensamentos, sem defesa possível. E me preocupa ouvir o ministro da Justiça parolar sobre a fatalidade das escutas clandestinas. Não estou isolado ao me perceber numa imensa jaula, quando deveria habitar um país livre.
Quem, hoje, nos ministérios, nas universidades, nas igrejas, nas Forças Armadas e na própria polícia está livre de controle subversivo e predatório, com as inevitáveis grazinas que erodem a segurança do Estado? Foi por senda idêntica que Gestapo e KGB dominaram os oficiais militares em proveito de partidos e grupos ilegais. Na URSS, da espionagem estatal falida brotaram máfias de todos os tipos que atormentam a Rússia.
Um órgão jungido aos poderes públicos invade gabinetes oficiais. Mas, para chegar até aquele espaço, seu escudo é a lei 9.883/99 (Abin) e o decreto 3.448/00, que facultam "identificar, acompanhar e avaliar ameaças reais ou potenciais, além de promover a coleta, busca e análise de dados e de produzir conhecimentos que subsidiem decisões na esfera de inteligência dos governos federal, estadual e municipal". Tais premissas garantem a usurpação da ordem soberana, com auxílio de alguns magistrados.
Lúcido Norberto Bobbio, para quem todo poder oculto "não transforma a democracia, mas a perverte. Não a golpeia mais ou menos gravemente em um de seus órgãos vitais, mas a trucida".
Sempre que, graças à coragem da imprensa, percebo as estrepolias dos arapongas, recordo os versos de Rimbaud: "Eis o tempo dos assassinos".
Se não matam os corpos com a facilidade de antigamente, eles aniquilam a esperança. O Brasil, com auxílio do segredo e da corrupção endêmica, é imenso e melancólico sepulcro do sonho democrático.

ROBERTO ROMANO , 62, filósofo, é professor titular de ética e filosofia política na Unicamp (Universidade Estadual de Campinas) e autor de, entre outras obras, "Moral e Ciência - A Monstruosidade no Século XVIII".

Os artigos publicados com assinatura não traduzem a opinião do jornal. Sua publicação obedece ao propósito de estimular o debate dos problemas brasileiros e mundiais e de refletir as diversas tendências do pensamento contemporâneo. debates@uol.com.br

André Kenji em setembro 7, 2008 2:25 PM


#21

Uau, no minuto em que eu ia colocar o texto apareceu o André! Obrigado, André. Pessoal, o texto é esse aí.

Trabalhei até as 7 da manhã -- ainda estou acordando. Mas volto para responder com calma.

Idelber em setembro 7, 2008 2:27 PM


#22

O problema do texto do ROmano, além das citações desnecessárias, é que ele olha para o lado errado. Lula não tem uma grande força policial em ações quase que militares. Não é a PF que mata milhares de civis por ano.

Também não foi o Lula que restringiu a livre-expressão em tempo de eleições.

André Kenji em setembro 7, 2008 2:30 PM


#23

Bem, depois de lida a asneira, a única coisa que eu posso te dizer é: Não perca seu tempo com ela, possivelmente você tem algo mais interessante para fazer...

Hugo Albuquerque em setembro 7, 2008 2:41 PM


#24

Faço coro com o Hugo: o "artigo" é, pseudo-erudição pavoneada à parte, retórica rastaqüera: espreme, espreme, não sai nada - exceto, claro, a notória má-fé do "filósofo". Asneira por asneira, se você for se dar ao trabalho de vergastar todas as que saem no Frião (sem falar no resto da "mídia"...), vai gastar dedos e neurônios à toa. Vide a última canalhice do tal Melquedíades ou coisa que o valha, e a "despedida" (ôba, ôba, já vai tarde e bota tarde nisso, o Rio agradece) não menos calhorda do "cutura vulture" Nelson Motta.

Carlos Martins em setembro 7, 2008 3:01 PM


#25

Mutio bom o texto sobre o mangue beat
Quanto à xenofobia, acho que vale citar Ariano Suassuna e os armorialistas.
Chico Science - Ariano queria Chico Ciênciia - ,que os acusava de 'pilhagem cultural', disse o seguinte sobre eles:
“Enfim, difundindo sem o menor escrúpulo mundo afora uma versão mais ‘educada’ do que a original, pouco importando que os ‘mestres’ permaneçam ignorados, isolados em sua ingenuidade, desinformação e miséria.”.
Curioso é que Suassuna, quando teceu elogios a Lawrence Durel- 'Quarteto de Alexandria'- saiu-se com essa:
“Sim, mas veja que o autor que estou elogiando é um autor de espírito mediterrâneo, ensolarado, não é um inglês típico”.
Ele desejava algo, entre fazer algo que seja a soma de tudo o que foi feito antes e fazer algo que seja novo.
Deveria ter abraçado o mangue beat, pois foi exatamente isso que CSNZ fez.

fm em setembro 7, 2008 3:13 PM


#26

Só mais uma coisa.
O Grêmio, de Porto Alegre, foi fundado em 07/07/1911.
Acho que os gremistas ficarão chateados.

fm em setembro 7, 2008 3:58 PM


#27

Op!
Correçnão, foi fundado em 07/09/1911

fm em setembro 7, 2008 4:04 PM


#28

Jampa, valeu o comentário. Espero ter traduzido bem no texto tudo o que o Mangue representou para vocês aí em Recife. É essa possibilidade de ser moderno e tradicional, local e global, que o texto tentava marcar mesmo.

Pois é, Jair, você foi das primeiras pessoas que me falou de Chico Science. Acabei só tendo uma (potentíssima) introdução ao som deles nesse show aí de Nova York, citado no texto.

Alexandre, perfeito o seu comentário. Vai exatamente na linha do que eu quero argumentar, caso decida escrever uma resposta a esse lamentável texto.

Rodrigo, exato. Uma ilustração dessa postura xenofóbica na crítica seria o Tinhorão, um pesquisador que respeito muito. Na música propriamente dita, além dos armorialistas, que o Frank citou, poderíamos voltar mais no tempo e lembrar-nos de Geraldo Vandré, por exemplo. Era nele -- e em seus aliados na cruzada contra a guitarra elétrica nos anos 60 -- que eu estava pensando.

Radical, Gui: Valeu. Sim, acompanho com muito interesse o trabalho do Mombojó, e também o do Cordel do Fogo Encantado e o do Siba, ex-Mestre Ambrósio. Das bandas mais recentes de Recife, eu também destacaria a Eddie.

Para quem ainda não viu, este blog já publicou uma discografia básica do Mangue Beat e uma resenha de um show do Cordel.

Idelber em setembro 7, 2008 4:06 PM


#29

Marcelo, liberei o comentário que tinha ficado preso.

Idelber em setembro 7, 2008 4:11 PM


#30

fm e Idelber,

Eu imaginei que Ariano e seus seguidores acabariam sendo citados. Foi um dos exemplos que me veio à mente depois que fiz a pergunta ao Idelber -- um outro eu acabei achando no livro "Feitiço Decente", de Carlos Sandroni: o I Congresso Nacional do Samba, composto por gente que queria "preservar as características tradicionais do samba".
Mas, sinceramente, não consigo perceber muita correção na declaração de Chico sobre o movimento armorial. O mangue beat, desse jeito, não teria difundido mundo afora uma versão mais modernizada do que a original, pouco importando que os ‘mestres’ tenham permanecido ignorados, isolados em sua ingenuidade, desinformação e miséria? Acho ainda mais estranho essa idéia de "pilhagem cultural" -- é pilhagem porque os compositores baseavam suas obras "de câmara" em gêneros populares? O Villa-Lobos também pode ser acusado de pilhagem?
Essas leituras "sociais" de música são sempre problemáticas. Eu, particularmente, reconheço certo discurso antiquado no movimento armorial, mas não posso ignorar a qualidade dos álbuns do Quinteto ou da Orquestra Armorial -- mas reconheço que aí vai uma mistura de música popular e erudita.

Idelber, é bom o exemplo do Vandré. Também acabei lembrando dele. E, se não me engano, o Tinhorão dava umas espetadas até no Vandré

Rodrigo em setembro 7, 2008 4:22 PM


#31

Rodrigo: fecho com você na questão do Movimento Armorial. Inclusive, há uma certa tendência a confluir a banda com as declarações do Ariano Suassuna que, às vezes, conhevenhamos, chegam a absurdos de simplismo nativista. Mas, como você, sou um grande fã da música deles, especialmente do disco Do romance ao galope nordestino, que é uma pérola.

A relação entre nacionalismo e samba é outro vastíssimo tema. O curioso é que em geral os grandes do samba, os verdadeiramente gigantes -- Noel, Pixinga, Cartola, Chico Buarque, Clara Nunes, Candeia, Paulinho da Viola etc. -- jamais demonstraram um pingo de preocupação com as supostas "invasões estrangeiras".

Idelber em setembro 7, 2008 4:39 PM


#32

O SONHO DEMOCRATICO DA ELITE CAI POR TERRA QUANDO SEUS MEMBRO SÃO ALGEMADOS E PRESOS! VIVA A PF? OTIMO PARA O POVO.
Mais uma do PIG:
Agente não faz parte dos quadros da Abin
Francisco Ambrósio do Nascimento, citado na edição 2027 da revista IstoÉ como o coordenador da operação que teria grampeado os telefones de autoridades, não pertence aos quadros da Agência Brasileira de Inteligência (Abin). Ex-servidor da Aeronáutica, Nascimento esteve no órgão que antecedeu a Abin, do qual se aposentou em 1998, portanto antes da criação da Agência Brasileira de Inteligência (Lei nº 9.883, de 7 de dezembro de 1999). Desde que se aposentou, Nascimento não participou de qualquer atividade da Abin.

bia em setembro 7, 2008 5:03 PM


#33

Corri para a assinatura quando li "sinto medo".
Pensei que fosse a Regina Duarte!

Inaiara em setembro 7, 2008 5:06 PM


#34

Idelber, fechamos também a respeito das declarações de Ariano.

Pegando outro artista, dou exemplo ainda mais extremo: Elomar, que admiro muito, já escreveu contra "os canalhas que se pronunciaram contra o projeto Bela Culta e Ultrajada do deputado federal Aldo Rebelo". Acho que nem o Ariano chegou a um nível tão alto de simplismo nativista. E, mesmo com conceitos desse tipo, Elomar faz uma música que considero excepcional. A questão é saber se ele faz a música que faz, em parte, por ter posição tão nacionalista, tão nativista.

Quanto ao samba, é representativo que um artista como Pixinguinha tenha sido, ele mesmo, acusado de ter se americanizado, se deixado influenciar pelo jazz. Isso tantos anos antes da bossa nova...

Rodrigo em setembro 7, 2008 5:08 PM


#35

Puxa vida, Rodrigo, eu não conhecia essa declaração do Elomar. Que lamentável! Também gosto da música dele, especialmente da participação no disco Cantoria. A partir da sua citação, fui procurar a declaração dele e achei o texto completo, que me deixou horrorizado.

Seria divertido procurar nas próprias letras do Elomar quantas palavras teriam que ser banidas no caso de aprovação do projeto de Rebelo.

Doidinho, queria registrar que adorei seu comentário. É isso aí. A antropofagia nos une. Sempre.

Idelber em setembro 7, 2008 5:21 PM


#36

claro, eu adoraria ler sua resposta. Mas acho que o artigo nem deve ser respondido. Porque ele nao tem um ponto. Faz um monte de citaçao e nao chega a argumentar a respeito de estarmos num estado policial. Só diz que poderá vir a ser. E nos conta quando já foi. Achei ruim mesmo. Ele podia ter levantado questoes mais interessantes, nao foi o caso.

mary w em setembro 7, 2008 6:12 PM


#37

Tô vendo se reúno forças. O texto é ruim demais, a gente não sabe por onde começa.

Curiosíssima a citação de Donoso Cortés: conservadoríssima figura que só começou a se preocupar com os "tentáculos" do estado a partir dos levantes de proletários de 1848. Não é à toa que o texto citado é de 1849.

Idelber em setembro 7, 2008 6:25 PM


#38

Acho que o Chico estava respondendo, na mesma moeda, a uma provocação do próprio Ariano, que dizia haver uma excessiva apropriação da cultura de massa por parte do mangue beat.
Mas me parece que isto já foi superado, pelo menos aqui eh eh eh.

Mas a questão é que o mangue beat, fez muito mais pela música pernambucana que o quinteto armorial. E exatamente por fazerem aquilo que os armorialistas criticavam a favor de uma arte 'tipicamente nacional'.
O movimento armorial, e creio que essa é a crítica de CS, era elitista.
Tanto que Jarbas Maciel nunca engoliu a 'afinação' das rabecas.
Nenhum dos instrumentos tocados pelos quinteto podem ser considerados brasileiros, parte de 'nossa cultura' popular, nem mesmo a rabeca. Aliás essa era uma das críticas de Ariano.
Além de que, a música que eles tocam, é música europeia com elementos populares brasileiros. Assim como a de Villa-lobos e também a de Guerra Peixe.

Acho que a visão xenofóbica atrapalhou o projeto armorial.
Mas o curioso é que um 'negando' o outro, chico e ariano negavam, mais o ariano ao meu ver, seus próprios projetos. Estou exagerando é claro.
Mas acho que ariano pecou pelo zêlo.
E CS acerta ezxatamente ao dar um uma banana para zelô xenofóbico.
Outra cosia curiosa é que, vai anos e vem os anos, a guitarra, o tridente do diabo, e o rock, símbolo demoniaco da dominaçnao, são sempre os vil˜øes. E mario de andrade está sempre aí pra nos perdoar.
Mas vou para por aqui, que as cervejas estnao esperando, juntos com os amigos. abraços na geral.
E como diz um comentarista por aqui, paz amigo blogueiro e bruno, ou qualquer cosia assim .

fm em setembro 7, 2008 6:28 PM


#39

E lembremos o detalhe sensacional desta história: Ariano ajudou a carregar o caixão de Chico e chorava copiosamente, desesperado, no enterro.

É das cenas mais bonitas e significativas da história da cultura musical brasileira.

Idelber em setembro 7, 2008 6:33 PM


#40

Ops! o redentor é Oswald de andrade

fm em setembro 7, 2008 6:36 PM


#41

Ops2
O cara é o Rodrigo.
Ou é a conciência pesada, ou a cerveja gelada.

fm em setembro 7, 2008 6:42 PM


#42

Tive que voltar, só pra registrar que Mestre Salustiano , grande mestre do mangue beat, morreu dia 31 passado.

fm em setembro 7, 2008 7:06 PM


#43

fm,

Eu concordo com você na maioria dos pontos -- mas sempre me pareceu que fica um debate, entre armorial e mangue beat, desse tipo: considera-se a obra do mangue e as declarações e idéias do armorial.

Você não incorreu nisso, pois afirmou que o mangue fez muito mais pela música pernambucana do que o armorial -- sendo que esse é muito "elitista". Eu, particularmente, não reconheço esse elitismo (imaginando que você considere elitismo os métodos eruditos do grupo) como algo a ser repreendido na música deles. É simplesmente um outro nível de execução musical -- que, naturalmente, não tem o mesmo poder midiático que um movimento como o mangue beat possui.

Acho muito difícil medir quem fez mais pela música pernambucana ou brasileira. De qualquer forma, me parece que são duas "correntes" que, ainda bem, existiram e brigaram. Considero ambas válidas e reservo-me o direito de apreciar mais as obras armoriais -- o que não me leva a ignorar o mangue. A imagem do Ariano no enterro do Chico, lembrada pelo Idelber, é sensacional nesse sentido.

Mas o estranho é que não foram movimentos contemporâneos e nem se deram num mesmo nível de composição e execução, considerando que o armorial buscava o erudito. É um debate estranhíssimo.

Considerando isso, peço licença para perguntar ao Idelber -- e a quem mais quiser responder -- o que acha de Antonio Nóbrega, provavelmente o último dos armoriais.

Rodrigo em setembro 7, 2008 7:38 PM


#44

Maravilhoso artigo, Idelber.
Que impacto senti ao ouvir Chico Science. E o caráter psicodélico, sem a impostura das experiências psicodélicas nórdicas, que aquelas gravações traziam.
E a regravação de Maracatu Atômico do Mautner, muito mais que homenagem, e linhas evolutivas à parte, foi o testemunho de quem sabia para o que veio.
A propósito de Mautner, outro dia eu estava matutando: se Idelber estivesse fora da Academia, certamente seria uma espécie de Mautner, e se o Jorge estivesse na Academia fatalmente daria um tipo de Avelar.

Mariano em setembro 7, 2008 7:38 PM


#45

Sugestão: escreva também um artigo para a bacaníssima revista argentina "Todavía" sobre a os títulos da Libertadores conquistados pelo Galo.

Oswaldo Chagas em setembro 7, 2008 7:39 PM


#46

Rodrigo, o Antonio Nóbrega já é um cara que eu respeito muito, mas cuja obra me parece bem menos interessante. Eu gosto mesmo da música dos armoriais. O trabalho com o verbal -- excetuada, claro, a literatura genial de Ariano em Pedra do Reino -- já me parece mais verborrágico. Um disco como Pernambuco falando para o mundo eu comprei na época do lançamento. Ouvi uma vez, achei chato. Tentei de novo. Não rolou. Não gosto quando a música é só pano de fundo para o discurso.

Puxa, Mariano, que comentário bacana. Obrigado. Mautner é um ídolo e mestre meu. Não sei se você já viu, eu tenho uma entrevista com Mautner.

Oswaldo, que bobagem, meu querido. Que agressão gratuita. Liberte-se desse ódio no coração. Encontre Jesus.

Idelber em setembro 7, 2008 8:08 PM


#47

pior que a insignificância do 7 de setembro´são as pessoas que ainda saem de casa para ver o desfile militar nas praças cívicas de suas cidades. Eu morro e revivo e não vou entender

lucila em setembro 7, 2008 8:12 PM


#48

Caro Rodrigo, creio que o debate persiste, em grande parte, porque foram duas movimentos fortes porque ocorridos em um mesmo e específico lugar geografico. E é inevitável comparar. Além de que, o tema é comum para os dois. Como era para Mario e Oswald.
Talvez o debate, limitado pela idéia de obra do mangue beat e declarações e idéias do armorial, tende a ficar pequeno.

porque é claro, o mangue beat é, do ponto de vista midiático, muito mas impactante que o armorial. O que pode levar a pensar que ele é só um produto da mídia. Coisa que não é mesmo.
Mas como fenomeno mídiáco, maior que o movimento armorial, o mangue beat é muito mais popular. E assim seu alcance é muito maior.
Qualquer garoto da periferia de Recife quer, ou quis, ser CS. E o melhor, é , de certa forma, possível.
Duvido que tal coisa ocorria no tempo do armorial.
Memso que como simples possibilidade.
E quando falo sobre um ser mais importante que outro, é isso que tenho em mente.
Mas parece que nossa discussão está muito parecido com, por exemplo, enxugar gêlo.
E gêlo, para mim tem uma funçnao mais nobre ehe eh eh
Abraços

fm em setembro 7, 2008 8:49 PM


#49

Caramba! Acabei de ler a entrevista. Minhas intuições estavam corretas.Vocês podiam desenvolver um projeto juntos, daria um caldo forte.
E o Nelson! Nunca o vi tão eloqüente. Adorei as intervenções dele.
Tudo muito jóia. Foi a primeira vez que eu vi o Mautner citando o Fafá Lemos.Sempre volto aos meus 10 polegadas do Trio Surdina; as interpretações de Noel e Caymmi são de fazer chorar.
Hoje eu fiquei feliz. Definitivamente me rendi ao universo blogueiro.
Obrigado pela dica e parabéns pela entrevista (a melhor que já vi com o Mautner)
Abraços

Mariano em setembro 7, 2008 8:57 PM


#50

Mariano, essa entrevista foi feita do AP do Mautner, no Leblon. Eu, Chris e Nelson na cervejinha. Mautner na Coca Light.

Um dia nos encontraremos e eu te contarei como ficamos, eu e Mautner, conversando sobre Heidegger e o rock, na areia de Ipanema, de 10 da noite às 7 da manhã. Memorável. Gênio, gênio puro.

Idelber em setembro 7, 2008 9:00 PM


#51

Êita papo bão. Vocês ficaram citando aí um povo de recife e pernambuco, eu fiquei pensando: "eu gosto muito deles todos". Como é rico este cantinho aí em cima.

Eu ainda colocava, num patamar um pouco mais embaixo, o Quinteto Violado nesta turma. Eles são todos muito bons, muito interessantes, talvez porque juntam de formas muito criativas e bem resolvidas aspectos diferentes da cultura: um pouco do popular, um pouco do erudito - no caso do armorial; um pouco no popular, um pouco no pop internacional - no caso do mangue beat; de volta ao popular erudito, que é o caso do Elomar; um pouco do popular, de poesia e de pop - no caso do Cordel (aliás, belo artigo sobre o show deles. Fui uma vez aqui na fundação progresso e senti algo bem parecido).

Mas o que me espanta mesmo neste papo todo é a infinita riqueza desta cultura aí de Pernambuco. É de tirar o chapéu. Acontece muita coisa.

(Aliás, tem mais?)

Radical Livre em setembro 7, 2008 10:06 PM


#52

Caro Idelber,

Duas questões fora da pauta:
1) Tu que tens faro pra música e o bom senso de saber apreciar a vida argentina, saberia indicar bons grupos de tango contemporâneo?
2) Por acaso fostes tu que deixou um adesivo do tíbio C.A.M. no espelho do Museu do Boca Juniors?

Marcelo Manzano em setembro 7, 2008 10:14 PM


#53

Em Tempo:
Muito bom teu artigo na TODAVIA. Gostei em especial de teu 'achado' de que os caras do CDNZ não fizeram a síntese de vários ritmos, mas que tocavam tudo ao mesmo tempo, com ênfases alternadas. De fato, a sensação que temos com o som do Mague Beat é a de que se trata de uma música em camadas, com diferentes sonoridades se alternando, subindo à superfície e submergindo em seguida para dar vazão a outra. Bingo.

Marcelo Manzano em setembro 7, 2008 10:38 PM


#54

Idelber, compreendo seu "pé atrás" em relação ao Nóbrega. Tenho a mesma impressão diante dos álbuns dele -- gosto de certas canções, nunca do disco todo.

fm, deixemos então dessa mania de enxugar gelo. Mas, só uma coisa: também não acho que o mangue beat tenha sido produto de mídia, de forma alguma.

Radical Livre, boa essa lembrança do Quinteto Violado. Mas só um esclarecimento: o Elomar é baiano.

Rodrigo em setembro 7, 2008 11:03 PM


#55

hahahaha, Marcelo, não, não fui eu não. Esteve lá no Museu da Bombonera e encontrou um adesivo do Glorioso? Incrível!

Quanto aos grupos de tango, vou ficar lhe devendo. Acompanho pouquíssimo a cena tangueira. Sei que há um renascimento, com muita gente jovem tocando. Mas não saberia indicar com conhecimento de causa, não. Mas dê uma olhada nesse link aqui.

Idelber em setembro 7, 2008 11:07 PM


#56

Idelber, parabéns pelo excelente artigo! E quanto ao Roberto Romano: não há outro link onde eu possa ler do que se trata? Esse é só para assinantes! Fiquei curioso. Abs!

Bruno Ribeiro em setembro 7, 2008 11:07 PM


#57

Bruno, o artigo está reproduzido no comentário 20, acima. E que bom que gostou do texto!

Idelber em setembro 7, 2008 11:08 PM


#58

que joguinho, em?
e dunga continua...

fm em setembro 8, 2008 12:06 AM


#59

Do Roberto Romano e da MAria Silvia de Carvalho Franco imagina-se tudo. Aliás, eles já me fizeram concordar até com o José Anibal.

tiago mesquita em setembro 8, 2008 12:53 AM


#60

E ninguém vai falar do artigo do Renato Janine Ribeiro, na mesma página da asneira do Romano? É um texto bem mais ponderado, que acho que já serve como resposta (reproduzo abaixo). Não perca tempo, Idelber.

*****

TENDÊNCIAS/DEBATES

Você se sente vivendo num Estado policial?

NÃO

Da banalização à busca por saídas

RENATO JANINE RIBEIRO

JÁ VIVI num Estado policial, a ditadura militar, que durou dos meus 14 aos 35 anos. Palavras como essas não podem ser banalizadas. Lembro que, em 1976, recém-retornado da França, onde fora estudar (sem ser exilado, só bolsista), recém-contratado professor da USP, me deparava toda semana com barreiras policiais na ponte da Cidade Universitária.
Em algum momento de 1978, elas acabaram. Mas demorei para perceber que não havia mais essas blitze, que sempre estavam atrás dos supostos subversivos. E me perguntei por que não tinha notado o fim delas.
A resposta que me ocorreu foi muito simples: é tão contra a nossa natureza, é tão fora de propósito viver sob a tutela de um Estado policial, que é mais fácil notar quando ele surge do que quando desaparece. A não ser, claro, que caia com estrondo, como o muro de Berlim. Mas a lenta, gradual e quase interminável redução do caráter policial de nossa ditadura passava até despercebida.
Alguém pode comparar aquele tempo ao atual? Sim, há hoje recursos de controle que na época nem se imaginavam. Desenvolveram-se mecanismos de escuta que permitem captar conversas de quase todas as pessoas. O simples uso do cartão de crédito ou do celular permite retraçar os trajetos pela cidade, pelo país, pelo mundo. Mas, tudo isso somado, não é a mesma coisa que viver no confronto direto com o policial que pode prender você a qualquer momento, sem lhe dar razões ou satisfações.
Penso na frase do então vice-presidente Pedro Aleixo, o único no governo a votar contra o ato institucional nº 5. Na reunião do ministério de 13/ 12/ 68, um ministro lhe perguntou, agastado com a posição liberal do vice-presidente: "O senhor não confia no presidente da República para lhe confiar os poderes do ato?" E o vice, com uma coragem que menos de um ano depois lhe custou o cargo, que devia ter assumido, de presidente da República, respondeu: "No presidente eu confio, mas não confio no guarda da esquina". Um Estado policial é aquele em que qualquer guarda da esquina tem plenos poderes.
Nos primeiros anos após o fim da ditadura, continuou a opressão violenta, sobretudo em regiões como o sul do Pará, palco de massacres de sem-terra. Mas a situação atual não é mais comparável com aquela. Dois governos sucessivos, dirigidos por perseguidos da ditadura, colocaram os direitos humanos na ordem do dia. Temos, com todos os defeitos de nossa políc
ia e de nossa Justiça, maior respeito pelo cidadão. Não vivemos num Estado policial.

***
Mas estamos, sim, num mundo de controles multiplicados, como os que mencionei acima e outros piores. A revista "Rolling Stone Brasil" de julho mostra como a China implantou um sistema de milhões de câmeras de vigilância, com reconhecimento facial -usando tecnologia norte-americana, da mesma firma que monitora a entrada dos estrangeiros nos Estados Unidos. A distância entre os olhos é uma das características humanas que não pode ser disfarçada nem alterada, de modo que não há como escapar a esse novo "Big Brother". O que nos protege, então, não digo do Estado policial, mas do mundo policial? Antes das torres gêmeas, era o fato de que se coletava tanta informação que processá-la se tornava muito difícil. Hoje, porém, entre 10 milhões de rostos, localiza-se o meu (o seu, o de qualquer um) numa fração de segundo. Há tecnologias para captar as impressões vocais, obtidas por gravações a distância. Perto disso, nossos grampos policiais são fichinha. E não são apenas os governos, os Estados, que policiam. Qualquer particular pode espionar. Embora alguns digam que "só o criminoso deve ter medo do controle, o cidadão honesto, não", quem nos garante que o controlador não é, justamente, o criminoso? Temos saída? Precisamos inventá-las. As câmeras e a internet aumentam o controle, mas também ampliam a liberdade. Depende do uso que fizermos. A tecnologia não é, em si mesma, veículo de liberdade ou de opressão. Afinal, quando o primeiro-ministro Aznar tentou vencer as eleições na base da mentira, em poucas horas os espanhóis reverteram a situação com torpedos nos celulares. Nunca tivemos uma ágora, uma praça pública, tão ampla como a internet. Vamos usá-la para defender a liberdade e a democracia.

RENATO JANINE RIBEIRO, 58, é professor titular de ética e filosofia política da USP. É autor, entre outros livros, de "Ética na Política".

Ricardo Bandeira em setembro 8, 2008 1:02 AM


#61

É verdade, o excelente texto do Janine funciona como resposta. Já critiquei o Janine aqui no blog, mas com esse texto ele foi na mosca.

Idelber em setembro 8, 2008 1:05 AM


#62

Idelber,

"Perca tempo" com outros textos como o produzido para a Todavía. Acho que alguém já registrou num comentário acima, mas não custa destacar o trecho em que você aponta que o som de Chico Science e Nação Zumbi não era resultado de uma fusão - que remete a diluição -, mas de justaposição, que me parece uma estratégia estética mais tensa, rica e criativa.
Chico Science merece os louros por ter feito isso de forma tão brilhante num momento significativo, mas vale lembrar que os Mutantes também apontaram nessa direção; que outros tropicalistas, nos seus melhores momentos, arriscaram tal justaposição; que Jorge Ben, de tanto justapor, acabou fundindo, mas num sentido positivo, de criar um novo jeito de fazer MPB (música pop brasileira).
Não dá pra deixar de citar, ainda, a ousadia dos Paralamas a partir de "Selvagem" e o trabalho do Fellini, que fez diversas experimentações nessa zona de transição entre música brasileira e estrangeira, mas para um público mais reduzido.
Mesmo o rock brasileiro muito identificado com a matriz inglesa/americana, como Legião, Titãs, Barão, Ultraje, etc, não se limitou a repetir Smiths ou Talking Heads ou Stones ou coisa parecida. Os temas, as letras, a postura, era tudo muito brasileiro, ainda que numa roupagem anglo-saxônica. Na minha modesta opinião, também era resultado de uma justaposição. Não à-toa, essas bandas conquistaram corações e mentes de jovens enfadados ou desinteressados da caretice da MPB oficial àquela altura do campeonato.

Ricardo Bandeira em setembro 8, 2008 2:38 AM


#63

Caro Idelber,

Gostaria que você desenvolvesse mais a idéia da insignificância do 7 de setembro. Estou longe de ser um patriota, mas não acredito que a data seja tão desimportante assim. O país se manteve unido -o que não é pouco - não houve grandes escaramuças e a vida seguiu em frente.

Há claro, os que pensam - já ouvi isso mais de uma vez - que o Brasil deveria ter passado por uma guerra civil que resolvesse as diferenças etc etc etc. Esquecem que não havia no Brasil o Norte/Industrializado para se contrapor ao Sul/Escravocrata. Tem outros que dizem que o Brasil deveria ter sido colonizado por ingleses/holandeses - nem perco tempo lembrando do exemplo da África do Sul.

No fim penso que cada país fez a independência que podia e a nossa nem foi das piores. Se faltou sangue, sobrou negociação e isso, na minha opinião, é uma qualidade e não um defeito.

Um abraço,
Ricardo.

PS - Há vários anos (mais do que eu gosto de pensar) fui a um show do Defalla no Circo Voador. A abertura foi por conta do Chico Science e Nação Zumbi. Nunca pensei que veria aquilo: a banda mais aloprada do país foi engolida pela novidade recifense. Todo mundo na platéia ficou alucinado/pasmo/surpreso/atônito com os tambores, os rios, as pontes e os overdrives. E o próprio Edu K, ao entrar no palco, falou: "Taí, Chico Science, esse é o futuro do rock brasileiro." O resto, como se diz, é história (com ou sem o 7 de setembro).

ricardo em setembro 8, 2008 12:23 PM


#64

Aliás, é engraçado que esse nobre professor de ética (ou seria de sabedoria?) tenha resolvido escrever sobre "Estado policial" embalado por um factóide dos mais ridículos, ou como disse Wálter Maierovitch na última edição Carta Capital, algo que até "um rábula de porta de cadeia perceberia a fragilidade".

Estado Policial é o que prendeu, torturou e jogou numa cadeia infecta três jovens pobres em Guarulhos, acusados de estupro e assassinato da ex-namorada de um deles. Não fosse a confissão do verdadeiro assassino, um psicopata--o "maníaco de Guarulhos-- e eles estariam mofando no Centro de Detenção "Provisória" de Guarulhos até agora.

O mais estarrecedor de tudo isso é que, excetuando a confissão de um deles sob tortura, não havia provas. Pior: Quando estavam pra ser levados para a cadeia, seus advogados tiveram de "negociar" com o PCC, o "dono" daquela cadeia, para que eles não fossem mortos como determina o código de honra das prisões em relação aos estupradores. Os "juízes do PCC", no entanto, pediram para ver o processo deles para decidir sobre qual decisão tomar e ao fazê-lo chegaram a conclusão de que os três eram inocentes.

Com a notícia da confissão do maníaco de Guarulhos, as lideranças do presídio exigiram a pronta libertação dos três sob ameaça de rebelião e foram atendidos.

Mas é claro que ninguém iria perder tempo escrevendo sobre esse tipo de Estado policial--muito menos o nobre Professor Romano-- porque Estado policial de verdade é aquele que algema banqueiro (imagine, que acinte!) e grampeia ôtoridades.

Hugo Albuquerque em setembro 8, 2008 3:49 PM


#65

No LP "Canto Geral", de Geraldo Vandré, há elementos do armorialismo (e aí entra uma discrepância entre o lançamento do disco, 1968, e do movimento, 1970).

Em "A Peleja do Diabo com o Dono do Céu", Zé Ramalho homenageia Vandré na música "Falas do Povo", que também traz referência ao movimento, apesar da citação de um trecho de "Caminhando".

Em suma, a presença armorialismo na produção da música popular a partir do Nordeste já data de algum tempo.

Não estranhem algumas declarações do Elomar. Esse fundamentalismo nacionalista é coerente com o fervor religioso de alguém que já declarou acreditar piamento no "que disseram os santos profetas do Antigo Testamento".

Agora, a música do cara é insuperável

anrafel em setembro 8, 2008 9:24 PM


#66

eis a resposta de chico science p/ ariano:
"É povo na Arte, é Arte no povo, e não o povo na Arte de quem faz Arte com o povo".

Dr. E. em setembro 9, 2008 6:01 PM


#67

Na mosca, Dr. E.

Idelber em setembro 9, 2008 6:30 PM


#68

idelber:
tenho uma posição definitiva em relação a esse
roberto romano:merece não ser lido.a ana freire,
nita,viúva do paulo freire,dá um cacete brabo no moço,hoje.
romério

romério rômulo em setembro 13, 2008 1:22 AM