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sábado, 27 de setembro 2008
O primeiro debate Obama x McCain
Depois de uma semana dormindo uma média de duas horas e meia por noite, volto a atualizar o blog. Espero que as atualizações continuem com a freqüência diária de sempre. Não tenho muito a acrescentar à excelente cobertura do debate entre Obama e McCain feita pelo amigo Pedro Dória. Vou só tirar algumas conclusões do quadro atual.
Assisti ao debate no legendário bar Mother-in-Law, aberto pelo já falecido músico Ernie K-Doe, aqui em New Orleans. A multidão que se aglomerava em volta do telão era, evidentemente, obamista. Fui ao debate decidido a não me deixar contagiar por ninguém, eufóricos ou derrotistas.
A semana começou com uma bizarra estratégia de McCain. Com o colapso financeiro vivido pelos EUA, McCain anunciou uma “suspensão” da campanha e disse que não iria ao debate até que o pacote de socorro ao capital fosse aprovado em Washington. O cálculo era claro: parecer “apolítico” e mais preocupado com o estado da economia que com o processo eleitoral. Só que a jogada era óbvia demais, e no momento em que começaram a chegar as pesquisas que informavam que a grande maioria do eleitorado queria o debate, McCain ficou numa sinuca. Querendo parecer estadista, ficou parecendo fujão. Um alto operador do Partido Republicano chegou numa reunião gritando: quem foi o imbecil responsável por essa idéia? McCain terminou indo.
O Pedro tem toda a razão: é extremamente difícil avaliar debates. Até mesmo uma vitória incontestável de um lado sobre o outro no terreno dos argumentos pode sair pela culatra, caso o vitorioso pareça arrogante ou desdenhoso. Poucos debates foram tão contrastantes em termos de conhecimento e preparação como aqueles que opuseram Al Gore a George W. Bush em 2000. Mas o próprio patetismo e ignorância de Bush terminaram reforçando a percepção de que ele era um “bonachão jovial” com quem “você gostaria de tomar uma cerveja”. Bush acabou levando. Roubado, mas levou. Considerando-se o estado da economia naquele momento, deveria ter sido goleada de Gore.
Debates são um jogo de expectativas sobre quem tem a vantagem do empate. No de ontem, você poderia olhar a coisa de duas formas. Sendo a política externa o terreno no qual a percepção é de que McCain é superior, um empate favoreceria Obama. Por outro lado, seria possível dizer que, tendo Obama muito menos tendência a cometer gafes (como, por exemplo, citar países ou fronteiras que não existem), um empate favoreceria McCain.
Foi essa a impressão que tive antes de ver os números das pesquisas – que havia ocorrido um empate técnico no qual nem McCain cometeu gafes, nem Obama cometeu erros graves. No geral, um debate chato e previsível. Claro que houve mentiras. Por exemplo, a demonstrável mentira de McCain de que Obama aumentará impostos para as famílias que ganham $ 42.000 dólares por ano. Mas o resultado de um debate tem pouco a ver com veracidade ou honestidade. Tem a ver com percepção.
E eis que chegam números surpreendentemente positivos. Segundo a pesquisa da CBS entre eleitores indecisos, Obama venceu por 39 x 24 (37% acharam que deu empate). No Media Curves, Obama venceu entre os eleitores independentes em todos os quesitos. No meu modo de ver, Obama teve dois grandes momentos: o primeiro, quando lembrou a McCain que ele estava errado sobre as tais “armas de destruição em massa” do Iraque; que estava errado sobre a duração da guerra; que estava errado sobre a recepção que teriam os soldados americanos. A força do A, you were wrong; B, you were wrong; C, you were wrong foi considerável. O segundo bom momento de Obama foi na discussão sobre economia. A insistência no fato de que a crise atual é produto das políticas apoiadas por McCain foi firme o suficiente, eu achei. Mas Obama também teve momentos ruins. Ele repetiu exatas 13 vezes alguma variação da frase John McCain está certo antes de passar às discordâncias. Recortadas e editadas num comercial, elas poderão ser usadas pelos Republicanos.
Para McCain, o pior componente foi sua incapacidade de fazer contato visual com Obama. Ele simplesmente não olhava para o adversário. Os números das pesquisas parecem indicar que esse foi um elemento importante na percepção de que ele perdeu por pontos (sobre a recusa a se fazer contato visual, veja o excelente comentário deste terapeuta). Realmente, é impossível concordar com o excelente Nelson de Sá quando ele afirma (link para assinantes) que McCain “venceu” o jogo de cena. Não vi isso e os eleitores independentes também não.
No debate de ontem, Obama deixou passar várias oportunidades de criticar McCain com mais ênfase. Para muitos observadores brasileiros, Obama deveria ser mais agressivo e atacar McCain. Já recebi incontáveis demonstrações de impaciência com a “falta de reação” de Obama. Outro dia, um leitor do Biscoito teve ataques histéricos por aqui, contra a suposta “torre de marfim” na qual me encontro, não percebendo que Obama já perdeu, posto que não bate em McCain o suficiente.
O problema é que esses observadores não parecem considerar um elemento decisivo, que é a política racial norte-americana. A última coisa da qual nós, do Partido Democrata, precisamos, é um negão nervoso e enraivecido na frente das câmeras. Uma única diatribe agressiva de Obama contra McCain e a vaca pode ir para o brejo. Atitudes que, num branco, são percebidas pelo eleitor médio como “firmeza” podem, num negro, serem percebidas como ameaçadoras e selvagens. Há que se conhecer bem os Estados Unidos para entender isso. A agressão não faz parte da tática de Obama. E essa tática até agora tem dado certo. Vai ganhar? Repito, não sei. Mas Obama tem se comportado com notável consciência das extremas dificuldades que enfrenta.
PS: A grande notícia do dia é a Rassmussen de Virgínia: Obama na frente por cinco pontos. É um estado tradicionalmente Republicano. McCain deveria estar liderando por lá.
Escrito por Idelber às 17:11 | link para este post
| Comentários (48)
#1
Caro Idelber,
Novo capítulo no blog do Igor: Os Espasmos do Império! Imperdível!
endereço: alexeievitchromanov.zip.net
Alberto
Alberto Bilac de Freitas em setembro 27, 2008 5:51 PM
#2
Idelber, concordo com a leitura, mas ha um fato que deve nos preocupar. Como e possivel, que com essa semana terrivel para a campanha de McCain, a diferenca nao seja maior. Será que Obama ja atingiu seu teto?
Aproveito para deixar esse site da revista online onde colaboro. Tem algumas traducoes de textos de Noll, Santiago e jovens narradores.
http://hermanocerdo.anarchyweb.org/
edgardo dieleke em setembro 27, 2008 5:56 PM
#3
Bem vindo de volta.
Quero dizer que achei excelente o último post do Pedro (sei lá por que não disse isso lá na caixa dele, hehehe) quando ele diz que Obama venceu o debate porque foi mais incisivo nas questões que interessavam ao distraído eleitor independente, principalmente nos impostos.
O Pedro diz que um debate não é ganho junto a nós, já definidos e atentos aos detalhes, mas justamente junto àqueles que ouvem aquilo que querem ouvir.
Marcus em setembro 27, 2008 6:02 PM
#4
Exato, Marcus. A questão é como reagiram os eleitores indecisos. E, nesse quesito, tenho que confessar que os números me surpreenderam positivamente.
Edgardo, tem cara ótima a revista! Estou lá, navegando. Não, não acredito que Obama tenha atingido o teto. Os acontecimentos políticos demoram um pouco para se refletirem nas pesquisas. Ainda acho que a coisa pode melhorar mais. Vejamos.
Obrigado, Alberto, vou conferir.
Idelber em setembro 27, 2008 6:08 PM
#5
(off-topic) Idelber, a uma semana da eleição municipal uma pergunta sobre a sucessão em Belo Horizonte. Você mantém seu apoio a Jô Moraes mesmo sabendo que ela está coligada com o partido da Igreja Universal Reino de Deus (PRB)?
Não seria uma tentativa de estelionato eleitoral se colocar como a única candidata realmente de esquerda e se coligar com um partido em cuja: i) a religião está umbilicalmente ligada à política o que se configura em algo contrário as posições históricas da esquerda sobre separação entre estado e religião; ii) é contrário a bandeiras clássicas da esquerda acerca de emancipação da mulher, do casamento gay, do respeito mútuo de todas crenças, religiões etc.
Eu não condeno a aliança com qualquer partido, desde que feita as claras.
Por exemplo, a aliança PT-PL em 2002 foi feita as claras, envolveu discussões e prévias dentro do partido e apontou claramente para a sociedade que o projeto político representado por aquela chapa seria + conservador e acomodador com o estabilishment que os projetos que o PT tinha apresentado anteriormente.
Mesmo a aliança que apoia o Márçio Lacerda foi feita as claras. Sim, ele caiu de pára-quedas e há dúvidas sobre porque ele foi escolhido, mas a aliança Aécio-Pimentel que o apóia é muita clara para a sociedade.
Não condeno a priori a aliança Jô+IURD+José de Alencar. Só não acho honesto que a candidata do PcdoB se apresente como a guardiã da honestidade, moralidade e da continuidade de um projeto progressista em BH quando está coligada com um partido ligado a bandeiras anti-esquerdistas, extremamente conservadoras e com indícios fortes de corrupção entre os membros do alto escalão da igreja que lhe dá suporte financeiro e político.
Att
Arthur em setembro 27, 2008 6:12 PM
#6
Sobre o debate McCain x Obama gostei da última análise do Pedro Dória. O discurso do Obama parece ser mais impactante para o eleitor independente do que o discurso do McCain, especialmente nesse momento de comoção pública sobre a crise financeira. E como é o eleitor independente que realmente importa, isso pode fazer toda a diferença.
Mas, apesar do Obama ter sido incisivo sobre os erros de julgamento do McCain sobre política externa, o McCain realmente mostrou que sabe mais de política externa. Mas acho que nesse momento a guerra é assunto de segunda linha para os "swing voters" da eleição.
Att
Arthur em setembro 27, 2008 6:24 PM
#7
eu nao consigo entender esse conceito de eleitor independente. que de repente me parece ser mais progressista e outra hora mais conservador.
eu achei demais isso do contato visual. pq eu me incomodei na hora mas só me liguei quando ouvi a respeito. e o nelson de sá viajou. a cena, o obama dominou.
mary w em setembro 27, 2008 6:34 PM
#8
Concordo que o Obama não pode ser agressivo na atual posição dele. Fico também feliz em saber que o Professor é membro do Partido Democrata e que vai votar nas eleições americanas, pensei que não votava, só comentava.
Roberval Taylor em setembro 27, 2008 6:36 PM
#9
Roberval, tenho dupla cidadania. Voto aqui e voto aí :-)
Mary, o eleitor independente é, em geral, liberal em matéria de comportamento (direito ao aborto, etc.) e conservador em matérias fiscais. Daí o angu de caroço (simplifico, pero no mucho).
Arthur, tenho muita dificuldade em aceitar o argumento de que um sujeito que fala "somos todos georgianos" e disserta sobre a fronteira do Iraque com o Paquistão "sabe mais" de política externa. É uma falácia construída com a ajuda da biografia mitificada do McCain e a docilidade da mídia americana. Dá para encher um livro com as gafes do McCain sobre política externa. O cara não sabe quem é o Zapatero!
Fico lhe devendo uma resposta sobre Jô. Mas, desde já, manifesto outra discordância. Acho que a aliança Aécio-Pimentel não teve nada de "às claras". Foi um conchavo feito a portas fechadas, sem participação das bases. O fato de que tenha recebido muita cobertura e publicidade não quer dizer que tenha sido às claras. Quais os interesses? Quais os pontos do projeto de governo? Por que a aliança? Tudo isso foi respondido de forma extremamente vaga.
Idelber em setembro 27, 2008 6:52 PM
#10
Idelber seus posts estavam fazendo falta.
Quanto ao debate gosto da posição do Obama pela não agressão, ele se mostrou tranquilo e aberto, diferente de Macccain que se acha superior, o "senhor da guerra".
Izabella em setembro 27, 2008 7:09 PM
#11
Ontem antes mesmo de saber o resultado das pesquisas o meu sentimento é que o Obama iria ganhar mais votos porque ele falou muito dos problemas do dia-a-dia do trabalhador, enquanto o McCain só falava em redução de gastos públicos. Independente da postura de quem ficou mais no ataque ou na defesa, ambos conseguiram passar muito bem a sua mensagem, e nas atuais circunstâncias, a mensagem do Obama satisfaz mais o interesse do eleitor. Nesse debate, o eleitor indeciso conseguiu pela primeira vez ver os candidatos falando por bastante tempo, sem "spin". Foi um momento decisivo e bom para o Obama.
Leila em setembro 27, 2008 7:41 PM
#12
Idelber,
No fundo no fundo, não sei quem conhece mais de política externa. Mas acho que no debate o McCain se mostrou mais a vontade com o tema em alguns momentos. Mas é minha opinião. Posso estar errado, muito errado.
Sobre a prefeitura de BH, concordo que o processo foi realizado à margem das bases, primeiro porque o Pimentel (+Virgilio Guimaraes) tem controle quase total do PT em BH e segundo porque o PSDB não tem bases. Ou seja, tanto Pimentel quanto Aecio puderam prescindir de suas bases.
Também concordo com você que porque o Márcio Lacerda foi o candidato escolhido e quais as motivações políticas do Pimentel e do Aécio para a realização da aliança não ficou claro.
Aliás, o Márcio Lacerda podia ter usado os debates para esclarecer tais questões. Pena que ele não foi em quase nenhum. Esse é inclusive o motivo inclusive de eu não saber ainda se votarei nele.
Independente disso tudo, acho que está bem claro para a sociedade que projeto o Márcio Lacerda representa e quais as forças políticas estão por trás da sua candidatura. Algo que não fica claro na campanha da Jô que se apresenta como esquerda puro sangue e está coligada com a IURD. É essa a crítica central que eu tenho.
Att
Arthur em setembro 27, 2008 8:05 PM
#13
Achei que a parte sobre a Prefeitura de BH do meu post passado ficou esquizofrênica então vou reescrevê-la.
Na minha visão, a construção da aliança Pimentel-Aécio prescindiu das bases (especialmente das bases que compõem as forças de esquerda que governam a cidade) e o candidato escolhido por ambos caiu de pára-quedas para o eleitorado, visto que era um desconhecido de todos.
Isso são grandes deméritos da candidatura do Márcio Lacerda, deméritos esses que podem me levar a não votar nele. Mas não muda o fato que sei quem são as forças políticas por trás da sua candidatura e sei que sua eleição serve ao interesses de Pimentel e Aécio. Não só eu sei, mas como toda a população de BH.
Isso não acontece com a Jô Moraes que se apresenta como esquerda puro-sangue, mas está está coligada com a IURD. É essa a crítica central que eu tenho a candidatura dela.
Desculpas pelos posts confusos.
Att
Arthur em setembro 27, 2008 8:19 PM
#14
"eu nao consigo entender esse conceito de eleitor independente. que de repente me parece ser mais progressista e outra hora mais conservador. "
A maior parte tende a ser conservadora em temas sociais e mais progressista/liberal em economia. Isso explica o sucesso de Nixon, do fato de Reagan ter ganho eleições por ter feito diversas concessões neste sentido, etc.
André Kenji em setembro 27, 2008 8:42 PM
#15
"Arthur, tenho muita dificuldade em aceitar o argumento de que um sujeito que fala "somos todos georgianos" e disserta sobre a fronteira do Iraque com o Paquistão "sabe mais" de política externa. É uma falácia construída com a ajuda da biografia mitificada do McCain e a docilidade da mídia americana."
Mas McCain passou a segunda metade do debate na ofensiva e Obama na defensiva. Embora me deu medo ouvir McCain falando em política externa e Obama AINDA concordando com ele em um monte de ocisa.
André Kenji em setembro 27, 2008 8:46 PM
#16
Bem vindo de volta! Espero também que você consiga descançar um pouco.
McCain foi melhor, a meu ver, pero no mucho. Mas as observações daqui e do Pedro Dória vão ao ponto relevante - a percepção do eleitorado independente.
Seu post também agregou algo novo, sobre a impossibilidade de um político negro ser mais agressivo. Pode até ser, mas acho que também ser pacífico demais pode massar a imagem oposta, a do pai Tomás.
João Paulo Rodrigues em setembro 27, 2008 8:50 PM
#17
Nossa, reparei muito nesta questão do contato visual ontem. Obama super à vontade, sorrindo tranquilo, olhando diretamente pra McCain enquanto falava e quando McCain falava.
Já 'John' sorria nervoso e não olhava para Obama! Enquanto ele falava, McCain escrevia, olhava para o mediador, para o público, para o horizonte. E quando sorria, eram sorrisos nervosos. Adorei essa observação, Idelber, e o comentário do terapeuta e do 'monkey scientist' no link.
E que alegria saber que você vota nos EUA. E que está em New Orleans! Um pouco de inveja também, vai. Mas é bom saber que um conterrâneo - não consigo conter meu bairrismo mineiro - está aí, fazendo a diferença não só nas eleições como pra nós, leitores. Descubri o blog há poucas semanas, e da leitura de alguns posts já deu pra sentir uma coisa boa, muito carinho por ti. Tudo de bom pra você, Idelber.
carol em setembro 27, 2008 9:16 PM
#18
Idelber, eu também tive medo dos repetidos "McCain is absolutely right" de Obama, somados aos "Obama doesn't seem to understand" de McCain. Entrei numa viagem em que o tal do eleitor independente poderia perceber Obama como um garotinho deslumbrado e McCain como um senhor experiente e condescendente, com aquela atitude de "ô garotinho, você pode até ser bem intencionado, mas não tem a experiência necessária para o cargo, you just don't seem to understand uma porção de coisas". Felizmente, meus conhecimentos sobre a psicologia do eleitor independente são nulos, e meus temores agora parecem infundados. :-)
Camila em setembro 27, 2008 9:23 PM
#19
Gracias, Iza :-)
Arthur, sobre a Jô, eu confesso que teria que dar uma olhada com lupa na coligação. Praticamente não existem coligações no Brasil que não incluam partidos reprováveis, partidos de aluguel, partidos meio reacionários, etc. Pelo que me consta, o PRB em Minas Gerais não é a mesma coisa do PRB do Nordeste. Quem parece controlar o PRB em Minas é o José Alencar, um empresário decente, e não a IURD. Há que se ver se essa igreja realmente tem algum papel na coligação. O que me constava era que não. Posso estar errado, mas você tem algum link, alguma fonte para desmentir essa análise? Como você sabe, mais anti-clerical que eu não há. Mas, repito, não me consta que Jô tenha feito concessões a eles.
Mary, o André está certo. No comentário meu anterior, eu troquei as bolas. Onde se leu "liberal", leia-se conservador, e vice-versa. Em outras palavras: o típico eleitor independente concorda com a plataforma econômica dos Democratas e, por exemplo, com a defesa do direito às armas que fazem os Republicanos.
André, torça para McCain vencer essa eleição, meu caro. Se não, vou fazer troça das suas análises até 2012 :-)
João Paulo, alegro-me que a análise sobre a singularidade do candidato negro tenha feito sentido. Não acho que parecer um Pai Tomás seja um perigo com Obama. O perigo é ele parecer "professoral" demais, "detached", como se diz aqui. Não ocorreu ontem, me parece.
Carol, bem vinda, conterrânea. O comentário do terapeuta foi bem na mosca, não é? Incapacidade de olhar nos olhos, em gente como McCain, ou é medo de explodir de raiva, ou é insegurança. Tudo de bom aí na nossa Minas.
Camila, acho que os "John McCain is right" ainda podem voltar para assombrar o Obama. Mas os "Senator Obama doesn't seem to understand" pegaram mal, eu acho. É o tipo de frase que funciona quando o adversário está gaguejando ou tendo dificuldades. Quando o oponente mostra a fluência que mostrou Obama, fica parecendo gratuito. Não acho que McCain tenha ganhado pontos ali, não.
Abração a todos.
Idelber em setembro 27, 2008 9:33 PM
#20
Estimado Idelber:
De acuerdo contigo en casi todo, como casi siempre (la excepción más grande: el cabezazo de Zidane hace un par de años). En efecto, los republicanos ya están usando el "you are right" de Obama en su publicidad viral, como puede verse en este vídeo (salió en YouTube incluso antes de que acabara el debate). Se olvidan, por supuesto, del mucho más importante "you were wrong". Genial el link de TPM sobre la falta de contacto de ojos por parte de McCain, aunque, más que la explicación del psicoterapeuta, me gustó la del investigador del comportamiento social de los primates. Como de costumbre, un placer leerte. Saludos,
Rafael
(Y perdón por escribir en español pero, lamentablemente, eu não falo português.)
errepece em setembro 27, 2008 9:56 PM
#21
Pronto, agora entendi o que me faltava, quanto ao debate de ontem: por que Obama não foi mais agressivo. Conheço bem os Estados Unidos, e concordo com vc., Idelber: a agressividade de um negro contra um branco espantaria eleitores independentes. Chocante, mas assim é. E Obama e seu staff sabem disso.
Janaína Amado em setembro 27, 2008 10:07 PM
#22
Idelber, olha o que saiu publicado na 'Folha Online':
""Obama, que se apresentou ontem como o paladino da classe média e como quem vai promover a necessária mudança no país, insistiu hoje nessas idéias. Sua campanha vem reiterando que McCain não mencionou a classe média no debate.
Durante sua ida à Carolina do Norte, o senador mencionou que ele e McCain falaram ontem de economia durante 40 minutos "e nem uma só vez o senador [McCain] se referiu às dificuldades das famílias da classe média". "".
http://www1.folha.uol.com.br/folha/mundo/ult94u449637.shtml
Como a classe média é, como já disse o Pedro Dória em seu brilhante texto, a imensa maioria da população dos EUA, Obama saiu do debate como o 'herói da classe média', ou seja, como o candidato que mais se preocupa com os problemas da imensa maioria da população. E isso é fundamental para que Obama vença as eleições.
Não podemos esquecer de que a campanha de McCain usou muito tempo, energia e dinheiro tentando convencer os norte-americanos de que Obama era um elitista que não entendia os problemas do cidadão comum. Os Republicanos até o compararam com Paris Hilton, ou seja, como sendo uma celebridade vazia, oca.
E agora, depois do primeiro debate, o que temos? 'Obama, O Herói da Classe Média Ignorada por McCain'.
Assim, o 'elitista' Obama morreu! E nasceu 'Obama ou a Classe Média Vai ao Paraíso!'.
Além disso, Idelber, você fez uma excelente observação, de que é o fato de que o Obama não pode transmitir uma mensagem agressiva.
Como disse o Idelber:
''O problema é que esses observadores não parecem considerar um elemento decisivo, que é a política racial norte-americana. A última coisa da qual nós, do Partido Democrata, precisamos, é um negão nervoso e enraivecido na frente das câmeras. Uma única diatribe agressiva de Obama contra McCain e a vaca pode ir para o brejo. Atitudes que, num branco, são percebidas pelo eleitor médio como “firmeza” podem, num negro, serem percebidas como ameaçadoras e selvagens. Há que se conhecer bem os Estados Unidos para entender isso. A agressão não faz parte da tática de Obama. E essa tática até agora tem dado certo.''.
Aqui, neste comentário, você 'matou a pau', Idelber!
Não se esqueçam, também, de que tempos atrás a campanha de McCain fez uma propaganda na qual Obama era, praticamente, apresentado como um defensor do sexo selvagem entre crianças, só faltando dizer que ele era um defensor da pedofilia e um estuprador.
Agora, vem Obama e evita, de fato, atacar McCain.
Se quisesse, Obama teria acabado com McCain no assunto política externa quando o Republicano disse que a Rússia TERÁ que aceitar a entrada da Geórgia e da Ucrânia na OTAN. Obama poderia retrucar, dizendo que McCain ignora o fato de que a Rússia é uma potência nuclear, que tem um grande poder de destruição e que uma guerra com ela significaria, com certeza, o fim da vida Civilizada na Terra e que o melhor caminho seria dialogar com a Rússia e não marginalizá-la no cenário internacional, pois isso poderia levá-la a posturas radicais, como a que se viu recentemente na Geórgia. Foi o fato do governo georgiano ter agido de maneira impensada que provocou a reação russa.
E Obama poderia completar dizendo que dialogar com quem pensa ou tem interesses diferentes não é o mesmo que concordar com tudo o que será dito pela outra parte, mas que é necessário fazer isso, dialogar, para se chegar a um acordo que evite a destruição da Civilização e que existe espaço para se chegar a acordos mutuamente satisfatórios, como já ocorreu no passado (exemplo: Obama poderia citar acordos assinados entre os EUA e a URSS, na época da Guerra Fria, que limitaram os testes nucleares e o número de mísseis que cada lado poderia ter... os 2 países assinaram vários acordos e nem por isso deixaram de ser o que era, com cada lado preservando o seu modo de vida).
Se Obama não partiu para uma postura mais forte e agressiva, neste debate, creio que deve-se aos motivos inteligentemente apontados pelo Idelber.
Assim, creio que estamos vendo, Idelber, em 2008, nos EUA, o 'Obaminha Paz e Amor', uma nova versão do 'Lulinha Paz e Amor' de 2002 e que levou o 'peão' Lula à Presidência da República, vencendo com grande folga a eleição contra Serra.
Portanto, em termos de campanha, Obama foi o vitorioso, pois desmontou tudo aquilo que a campanha de McCain tentou grudar na sua imagem, ou seja, a idéia de que ele é um elitista e predador sexual perigoso e agressivo.
Agora, Idelber, com 'Obaminha Paz e Amor' e 'Obama, o Heróia da Classe Média Ignorada por McCain', creio que dificilmente Obama deixará de vencer essa eleição presidencial.
Go Obama!!
Marcos em setembro 27, 2008 10:09 PM
#23
Idelber, achei muito interessante o resultado das pesquisas do site 'Media Curves' que você postou, pois mostra que Obama foi considerado o melhor debatedor pelos eleitores independentes em todos os aspectos analisados (crise econômica, guerra do Iraque/Afeganistão, etc).
McCain não derrotou Obama, entre os independentes, em um 'quesito' sequer. Impressionante. Isso, para mim, e se isso puder ser, de fato, projetado para o conjunto do eleitorado independente de todos os EUA, mostra que os eleitores independentes se inclinam muito mais para o discurso e as propostas de Obama do que os de McCain.
É como se os eleitores independentes precisassem de um debate para confirmar que Obama é confiável. Esses eleitores independentes, que irão decidir a eleição, me parecem ser (me corrija se eu estiver errado, Idelber) majoritariamente moderados, querem mudar o rumo do país, mas não estão dispostos a correr muitos riscos, colocando um 'elitista, terrorista islâmico, predador sexual e estuprador' na Casa Branca.
Então, a estratégia de Obama, de ser o 'Obaminha Paz e Amor' (versão 2008) e de se apresentar como o 'Herói da Classe Média Ignorada por McCain' me parece ser a mais correta para vencer a eleição.
Se funcionou com Lula em 2002, porque não poderá funcionar com Obama em 2008??
Marcos em setembro 27, 2008 11:18 PM
#24
Li agora uma matéria no NYTimes - "McCain and Team Have Many Ties to Gambling Industry", de JO BECKER e DON VAN NATTA Jr.(September 27, 2008)- que na minha opinião de não-americana parece arrasadora. Mostra uma enorme podridão no submundo da jogatina que sustenta o financiamento político de McCain e também seu vício pessoal em jogos de dados. Pior: não sabia que a política de reservas indígenas dos Estados Unidos havia reduzido muitas tribos a proprietárias ou gestoras de cassinos de jogatina de toda sorte, dentro e às vezes fora das "reservas", com negócios abertos em Las Vegas e outras grandes e pequenas cidades. Tb. não sabia que o McCain fora membro da Comissão Indígena do Congresso, um dos principais autores da legislação de Indian Gambling, e só agora me informei direito sobre o tal caso Abramoff, do qual McCain foi defensor, que roubava tribos indígenas fingindo defendê-las.
Uma coisa horrorosa para meus padrões brasileiros, mesmo com os Sanguessugas e coisas do gênero. É isso mesmo? Será que o povo americano sabe disso?
Vera Borda em setembro 28, 2008 12:28 AM
#25
É isso aí Idelber!
Obama vai levar essa e eu já estou preparando meus galõezinhos d'água pra cruzar o deserto!
Tão empolgado de ver Obama levando essa, dá quase pra olhar as pras pessoas de novo e dizer: "viu só? É uma democracia!"
Sblargh em setembro 28, 2008 2:51 AM
#26
Sendo específico sobre o debate:
Não gostei do Obama não conseguindo explicar que abrir canais de diplomacia e tirar foto tomando chá com terrorista não é a mesma coisa.
Tirando esse momento específico, acho que ele se deu muito bem, depois lendo comentadores e comentadores, eu me preocupei dos excessivos "I agree with John", mas vendo o debate isso nem me passou pela cabeça; me pareceu bem razoável e educado começar uma resposta apontando que concorda.
E esse triplo "you were wrong" pode muito bem ficar pra história, quando ele olhou pra McCain e disse "You think the war started in 2007" deu até um frio na barriga. Foi dos únicos momentos que Obama estava na ofensiva e ele dominou esse momento.
-
Aliás, sobre o "you were right", meu lado conservador apitou quando McCain explicou que a "business tax" estava muito alta, que tem que baixar, que um empresário prefere ir pra Irlana, etc.
Quando Obama respondeu "I think John is right", logo me tranquilizei.
Foi algo tipo: "Tenho suas idéias *e* mais algumas coisas".
Sblargh em setembro 28, 2008 3:00 AM
#27
Caro Idelber
Gostei, como sempre, do seu comentário. Como nós aqui já sabemos o seu comentário é de uma qualidade superior ao que temos no Brasil, publicado enm português. Especialmente para um comentarista com voto declarado!
Algumas de suas afirmações CONSOLIDAM minha posição de que debate televisivo entre candidatos tornou-se um fim nele mesmo. Não creio que seja (atualmente) um instrumento democrático.
Tudo muito bom!
P.S. O próximo presidente dos EUA, seja ele quem for, não conseguirá tirar QUANTIDADE SIGNIFICATIVA de tropas no Iraque.
P.S. Na América do Sul há um torcedor inveterado por McCain: Chaves. Vencendo Obama uma grande parte de seu (vazio) discurso estará (em um primeiro momento) inviabilizado.
Paulo em setembro 28, 2008 3:54 AM
#28
"Arthur, sobre a Jô, eu confesso que teria que dar uma olhada com lupa na coligação. Praticamente não existem coligações no Brasil que não incluam partidos reprováveis, partidos de aluguel, partidos meio reacionários, etc. Pelo que me consta, o PRB em Minas Gerais não é a mesma coisa do PRB do Nordeste. Quem parece controlar o PRB em Minas é o José Alencar, um empresário decente, e não a IURD. Há que se ver se essa igreja realmente tem algum papel na coligação. O que me constava era que não. Posso estar errado, mas você tem algum link, alguma fonte para desmentir essa análise? Como você sabe, mais anti-clerical que eu não há. Mas, repito, não me consta que Jô tenha feito concessões a eles."
Idelber,
O vice da Jô é evangélico (não é neo-pentecostal, é batista) e eu vi na TV o diretor da IURD em Minas Gerais pedindo votos para os candidatos a vereador do PRB, o que me faz crer que a relação entre Igreja-PRB seja forte também em BH.
Me baseei nesses dois fatos para o meu comentário. É pouco, mas é o que eu tenho. Realmente espero que eu esteja errado e que a Jô não tenha rabo preso com a IURD.
Att
Arthur em setembro 28, 2008 11:38 AM
#29
Estimado errepece, el castellano es siempre más que bienvenido por acá, como sabés. El montaje en YouTube no me sorprende. Fue lo primero que pensé cuando vi la insistencia de Obama en empezar sus frases con ese "John is right". Veamos si tendrá algún impacto. Un abrazo.
É isso, Janaína. Sem colocar a questão racial na linha de frente das discussões, Obama trabalha com notável consciência dela. Pode perder, mas até agora praticamente não cometeu erros.
Marcos, "Obaminha paz e amor" é uma boa fórmula. Mutatis mutandi, é o que Lula enfrentou em 2002, com sua fama de "radical" e "raivoso". Funcionou aí, vamos ver se funciona aqui.
Vera, a situação da jogatina em muitas reservas indígenas americanas é periclitante. No Novo México, onde visitei reservas indígenas, ela se mistura com o álcool.
Sblargh, tomara que você esteja certo. Mas, escaldado por 2004, estou exigindo de mim mesmo ter os pés no chão desta vez.
Paulo, o seu segundo PS é brilhante. Se há um líder para quem a eleição de Obama representaria um evento anti-climático, seria Chávez. Vejamos como se comporta no caso de uma vitória do democrata.
Arthur, prometo dar uma olhada com cuidado nisso. Mas, pelo que você apresenta, acho pouco ainda. Se houver indicações de que Jô fez concessões significativas no seu programa, avise, e eu denunciarei, sem problemas.
Abraços.
Idelber em setembro 28, 2008 12:12 PM
#30
Entendi, Idelber. Obrigada pela explicação - que bom que eu estava errada, pelo visto a postura condescendente de McCain pegou mal mesmo.
Teve outra coisa que, por ingenuidade total minha, me surprendeu e incomodou bastante nesse debate. Eu sinceramente não sabia que Obama mantinha o mesmo discurso do Bush com relação ao Bin Laden. Será que só eu me incomodo - e espanto - com Obama proferindo em altos brados que vai capturar, matar, fazer e acontecer? Ou boa parte do eleitorado democrata também se incomoda com isso, mas já se resignou? Fiquei com essa dúvida.
Camila em setembro 28, 2008 12:33 PM
#31
Camila, sem prometer se esforçar para pegar Bin Laden, ninguém aqui se elege nem síndico de prédio :-) Eu, pessoalmente, não tenho problema com isso. O cara cometeu uma chacina. Meu problema é o da maioria do resto do planeta: invadiram um país que o hospedara mas cujo governo não tinha a menor ciência dos ataques (Afeganistão) e, pior ainda, invadiram um país que não tinha nada a ver com nada (Iraque)...
Idelber em setembro 28, 2008 12:57 PM
#32
Idelber, vi uma pesquisa publicada no site 'Daily Kos' (que apóia Obama), divulgada hoje, e fiquei impressionado como o voto varia completamente, nos EUA, em função da região, etnia, sexo ou idade do eleitor. As variações são imensas. Exemplos:
1) McCain lidera entre os homens por 48% X 44%;
2) Obama ganha disparado entre as mulheres, por 56% X 38%;
3)Entre os brancos, McCain lidera por 53% X 38%;
4)Entre os negros Obama massacra por 94% X 3%;
5)Entre os latinos Obama ganha disparado por 67% X 25%.
Na divisão por faixa etária:
1) Obama obtém grande vantagem entre os mais jovens (de 18 a 29 anos) com 66% X 31%;
2) Entre os eleitores com mais de 60 anos, a vantagem é de McCain, com 48% X 41%.
3) Na região Noroeste do país, Obama lidera com folga, por 61% X 30%.
4) Já no Sul, a liderança é de McCain, por 54% X 39%.
Tais dados mostram o quanto os EUA são um país complexo e diversificado.
http://www.dailykos.com/dailypoll/2008/09/28
Marcos em setembro 28, 2008 1:59 PM
#33
"Vera, a situação da jogatina em muitas reservas indígenas americanas é periclitante. No Novo México, onde visitei reservas indígenas, ela se mistura com o álcool."
Mas isso não é um problema generalizado? Ainda mais considerando a miséria extrema das reservas em Utah, Dakota do Sul, Nebraska e Montana SEM os cassinos?
André Kenji em setembro 28, 2008 2:02 PM
#34
André, sobre esses estados eu não teria elementos para afirmar nada. Esses aí são quatro dos oito ou nove estados americanos que eu nunca visitei. A Montana e Utah, eu confesso, tenho medo de ir.
Marcos: números normais, esperados. Essa vantagem de Obama entre as mulheres está um pouco grande demais. Fora isso, é o que se espera mesmo. Sim, é um eleitorado incrivelmente segmentado.
Idelber em setembro 28, 2008 2:06 PM
#35
Bom ao menos Obama não titubearia em saber quem é Zapatero e saberia que a crise financeira já atravessou o Atlântico ou a América Central.
Dawran Numida em setembro 28, 2008 2:53 PM
#36
Idelber
A não ser que você estude assuntos indígenas acho difícil ir visitar essas reservas no meio das Planíces... Mas meu ponto é que esses cassinos ao menos permitem que as reservas tenham uma fonte de renda independente.
Pelas reservas que não conseguiram montar cassinos não sei se situação estaria melhor...
André Kenji em setembro 28, 2008 3:22 PM
#37
Interessante artigo de Cockburn argumenta que a falta de contato visual com Obama detonou McCain entre as mulheres. Segundo Cockburn, as mulheres estão mais acostumadas a lidar com a mentirada que normalmente acompanha a recusa a se olhar nos olhos. Faz sentido. Com a palavra, as mulheres.
Idelber em setembro 28, 2008 4:10 PM
#38
Idelber, ok, eu quero muito que o Obama vire o Tim Maia estadounidense. :-) Mas não consigo ouvir um líder político dizendo que vai matar a quem quer que seja e achar normal, por mais que aquele que se quer ver morto seja a personificação do mal para a sociedade que o tal líder pretende governar etc. etc. Capturar é uma coisa, o cara é um criminoso - mas matar? Acho isso bem perigoso, abre um precedente para outras violências. Além disso, o discurso centrado no "vamos matar Fulano" simplifica tudo de um jeito bem tosco: para mim o subtexto é que, uma vez morto Bin Laden, "seus problemas acabaram". São essas noções toscas e tabajaras - o combate ao terrorismo visto como uma caça aos "bad guys", em suma - que eu não esperava encontrar no discurso democrata...
Camila em setembro 28, 2008 4:17 PM
#39
Serve a palavra de uma mulher do Chico?
"Olhos nos olhos
Quero ver o que você diz
Quero ver como suporta me ver tão feliz"
Já imaginou que lindo Obama cantando isso pro McCain, ao final do debate?? :-)
Camila em setembro 28, 2008 4:23 PM
#40
Camila,
O nome do homem completo é Barack HUSSEIN Obama. A palavra Obama lembra outra palavra:Osama. Os republicanos inventaram uma mentira que ele havia estudado numa madrasah quando criança. Se Obama inventa de dizer que os EUA devem tratar Bin Laden de acordo com as convenções de Genebra, ele não ganha nada. Ele tem que ser mais duro com Bin Laden do se fosse um branco do mainstream, pois ninguem estaria julgando quao americano o branco seria. Ademais, é preciso entender o que foi o 11 de setembro no imaginário do americano. Eu diria que caçar e matar Bin Laden virou uma espécie de lei fundadora do campo político americano. Se não aderir a ela, não vale a pena sequer entrar no jogo.
Cesar em setembro 28, 2008 4:57 PM
#41
Cesar, até entendo que estas sejam as regras do jogo e que qualquer candidato deve segui-las se quiser ter alguma chance de vitória - o que não quer dizer que algum dia deixarei de me espantar com elas...
Camila em setembro 28, 2008 5:34 PM
#42
Concordo com a interpretação do Cockburn: eu, pelo menos, desconfio sempre de quem não consegue conversar comigo olhando nos meus olhos. Eu olho e quero que me olhem, porque os olhos são uma via para o conhecimento intuitivo. O Chico Buarque sabe disso e o Obama nessa acertou em cheio. Além de irritante, aquele olhar instável para o nada acentuou o ar desligado, abobalhado, que é normal no McCain. E também me deu a impressão de que, no fundo, no fundo, o McCain sente aversão pessoal, física, à pessoa do Obama, uma espécie de nojo instintivo de raiz racista. Péssimo. Outra coisa: você não acha que agora que saiu pelo menos a proposta do plano de resgate do buraco financeiro tanto o Obama quanto o McCain vão ter de reformular suas plataformas para torná-las um pouco mais realistas? Como vai ser isto? Vai demorar um bom tempo não é? Estudar a proposta - ainda que aprovada em princípio, porque alguma coisa tem de ser feita de imediato antes que a vaca vá completamente para o brejo -, discutir com economistas, tentar dimensionar o tamanho do desastre que por aqui estão dizendo que ninguém sabe qual é, avaliar as primeiras reações do mercado e da sociedade? Dá tempo de fazer isso antes das eleições? Pelo que leio nos blogs americanos as pessoas estão querendo saber detalhes concretos, tipo preços das coisas, etc.
Vera Borda em setembro 28, 2008 8:06 PM
#43
Eu sempre, sempre desconfiei de gente que não olha nos olhos. Desde moleque.
Vera, quanto ao impacto do pacotão, meu medo é um só: que Obama seja honesto demais e comece a falar de tudo o que não vai dar para fazer.
Idelber em setembro 28, 2008 8:08 PM
#44
A questão não é quem falou melhor mas, quem disse os argumentos que o povo americano queria ouvir, no início Obama venceu MCcain com as discussões sobre economia, mas no final MCcain conseguiu exaltar o discurso heróico e patriótico. Contudo, o tema que certamente mais vai sensibilizar os americanos será a economia, o que favorece Obama
Nelson Greco em setembro 28, 2008 8:17 PM
#45
Será que o sistema político dos Estados Unidos, como está hoje, sistema partidário, instituições políticas, não terá de mudar com esse "fim de era" do regime econômico-financeiro? Tudo isso no meio de uma eleição presidencial? Ainda bem que não sou cidadã americana, mas como cidadã do mundo fico apreensiva com tudo isso. Tomara que o pragmatismo do Obama (que dizem ser uma característica de sua personalidade) predomine sobre a tendência à honestidade intelectual. Mesmo que ele tenha de ser vago em seus pronunciamentos. Se eu fosse eleitora, numa hora dessas queria alguém que me passasse segurança, realismo e estabilidade emocional, pelo menos uma esperança de que alguém vai usar a razão e ser prudente. Agora, não sei como o eleitor americano médio pensa. Dizem que aí querem o "Daddy". Difícil.
Vera Borda em setembro 28, 2008 8:18 PM
#46
Vera tive o mesmo feeling que vc: "me deu a impressão de que, no fundo, no fundo, o McCain sente aversão pessoal, física, à pessoa do Obama, uma espécie de nojo instintivo de raiz racista"
Izabella em setembro 28, 2008 9:25 PM
#47
Opa, opa, na qualidade de leitor histérico, fico feliz que a crise financeira norte-american tenha como seu único lado positivo o fato de ter dado ao Obaminha paz-e-amor o momentum que ele não é capaz de conseguir sozinho.
A estratégia Obaminha paz-e-amor não vinha dando certo e ainda não se pode dizer que deu certo.
Morei no sul dos EUA e sei que apenas nas urnas saberemos se e em quanto a questão racial terá mesmo influenciado o resultado final, simplesmente porque ninguém diz numa pesquisa que é racista e pronto. Essa turma aparece nas pesquisas quando a pergunta trata do nível de "confiança" que os candidatos despertam. Quando dizem que não confiam no Obama, o nome disso é racismo mal disfarçado, e vai aparecer na eleição.
Exatamente por não termos o número estimado de racistas ocultos, o cidadão não poderia, jamais, ter perdido a oportunidade de ser agressivo no debate para vincular COM TODAS AS LETRAS o senador republicado à crise econômica. Não é pra falar de aborto, é pra falar de ECONOMIA SOB O GOVERNO ATUAL REPUBLICANO.
Obama é fraco de debate não é de hoje. Sorte que os republicanos estão fazendo o que podem para entregar o jogo.
Rogério em setembro 29, 2008 11:53 AM
#48
Hoje, Obama falou mais duro sobre a crise, vinculando direto aos Republicanos.
Dawran Numida em setembro 29, 2008 5:36 PM