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Um blog de esquerda sobre política, literatura, música e cultura em geral, com algum arquivo sobre futebol. Estamos na rede desde 28/10/2004.



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sexta-feira, 31 de outubro 2008

A Onda Verde e a substituição da política pela moral

trevo.jpgFoi bonita, entusiasmada e criativa a campanha que se armou em torno de Fernando Gabeira para prefeito do Rio. Pelo papel que cumpriu a blogosfera e pelas novidades na sua composição, teria sido de se esperar um balanço mais detido da candidatura. Não aconteceu, talvez pelo excesso de proximidade emocional, talvez pela falta de instrumentos de quem poderia fazê-lo. Em todo caso, este blogueiro – que por falta de afinidade política nem passou perto de sentir que podia apoiar, mas que quiçá no fundo torcesse secretamente pela vitória de Gabeira – oferece aqui seus dois centavos de análise. A onda verde foi a mais recente articulação de um fenômeno (que pode ter encarnações “legais” e “bacanas”, como Gabeira) próprio da política brasileira dos últimos anos: a constituição de uma frente de classe média que quer reescrever a política com o vocabulário da moral.

Poucas vezes no Brasil se viu tanta insistência em reduzir a diferença política entre dois candidatos a uma diferença ética. A campanha de Gabeira praticamente não falou de outra coisa senão da superioridade moral de seu candidato. Assinalo isso não para negar que esta realmente exista – é evidente que é possível fazer contraposições éticas entre Gabeira e Paes --, mas para sublinhar que a campanha de Gabeira trabalhou o tempo todo com a convicção de que esta contraposição era suficiente, não só no terreno eleitoral mas também no político. Não percebeu quão extremamente classe média é esse valor, e na maioria das vezes se irritava ante a simples análise da longitude geográfica do seu candidato.

Esta desqualificação do outro lado não se limitava à figura de Paes, mas incluía também o seu eleitorado, frequentemente caracterizado como comprável e sujeito ao fisiologismo, por oposição à “metade” que supostamente seria “consciente” no Rio. Este estereótipo sofreu um duro golpe dos números no domingo, ao se revelarem em Copacabana taxas de abstenção que rondavam os 30%, em muito superiores às observadas na Zona Oeste. A “metade” “consciente” do eleitorado carioca brindou seu candidato com taxas recorde de abstenção, num fenômeno que este blog ainda gostaria de ver melhor analisado. Porque o número chave não é o “menos de um Maracanã lotado” que foi a diferença entre Paes e Gabeira. O número chave para a análise são os quase vinte Maracanãs que se abstiveram. Calculando-se proporcionalmente a abstenção no território verde (no eleitorado de Gabeira), seriam, na verdade, uns trinta Maracanãs.

Discordo de gente inteligente que minimizou ou racionalizou fenômenos como o encontrão de Gabeira com a vereadora Lucinha ou a desastrada declaração sobre a feijoada e o samba. Desculpe, mas se você não vê nesses episódios algo que revela uma visão de mundo, é melhor ajustar a lente. Gabeira não disse só “analfabeta política” para caracterizar uma pessoa, o que seria perfeitamente aceitável. Ele associou esse analfabetismo a uma visão “suburbana” da política. É verdade que o fez numa sucessão de orações subordinadas, mas o vínculo causal estava explícito: analfabeta porque suburbana, não adianta negar. Negá-lo é como negar má intenção no comercial de Marta contra Kassab – só é possível com viseira. Que o estopim tenha sido a proposta de um aterro sanitário em Paciência só acrescentava involuntária ironia ao fato.

Da mesma forma, a campanha de Gabeira não compreendeu bem o imenso faux-pas que foi a declaração de que certos sambistas iriam a um evento com Paes por causa da feijoada. Não se trata de discutir se Paes seria capaz de suborno ou se haverá gente que se submeta a isso. A resposta é afirmativa nos dois casos. No entanto, o X da questão não era esse, e sim o singelo fato de que não se insulta o samba e a feijoada assim. O objeto da injúria não era Paes, portanto não adianta retrucar com a cantilena da diferença moral entre os dois candidatos. Os objetos do insulto eram duas instituições supra-partidárias, simbólicas e, sim, sagradas para muita gente. Não se tratava ali de deslizes ou tropeços, mas de episódios reveladores -- que a coalizão verde, por ter refletido pouco sobre sua origem de classe, talvez tenha subestimado.

Os partidos políticos estão tão estraçalhados no Rio de Janeiro que foi possível que um candidato apresentasse como virtude ética o plano de costurar o segundo turno e depois governar sem conversar com os partidos (entendendo-se aqui suas lideranças, candidatos a prefeito no primeiro turno, vereadores eleitos etc.). A proposta não era inédita, mas a compreensão dela como superioridade moral o era. Gabeira se propôs a conversar “com o eleitorado” dos outros candidatos diretamente, sem mediação. A mensagem ética, calculou-se, era suficiente. No domingo, enorme fração do eleitorado respondeu ficando em casa. Ou indo à praia. Ou viajando para a região dos Lagos. Ou indo à feijoada e ao samba porque, como se sabe, na Zona Sul também se faz feijoada e samba, e dos bons.

O problema com a redução da política à moral é a impossibilidade de realizá-la. Você pode se perguntar pelas relações entre esses dois termos, mas não conseguirá reduzir um ao outro. Pela milésima vez: isso não significa que não haja diferença ética entre Gabeira e Paes. É claro que há. Significa que no momento em que você decide responder todas as perguntas políticas com uma afirmação ética, você dinamita a própria ética. “Ser mais ético” é uma locução defectiva como o verbo “inovar”. Se você inova, há que dizê-lo o outro. Quando você é o candidato “da ética”, não pode fazer desse plus a sua única fonte de diferença política, sob o risco de abandonar a própria ética. Afinal de contas, se há algo que caracteriza o sujeito ético é a permanente suspeita de que não está sendo ético o suficiente.

Como dizemos por aqui, you can't have it both ways: se toda a sua diferença política se ancora na diferença moral, você não pode se recusar a aplicar a si mesmo o teste ético pelo qual o outro candidato não passaria – mesmo que o outro seja o candidato das milícias, do establishment da corrupção e do oportunismo. Ao contrário da política, a ética não é uma prática de trocas negociadas.

PS: Para uma avaliação da importância e também do limite da Onda Verde, considere-se os números claramente: dos 4,5 milhões de eleitores, quase 1 milhão se absteve. Dos 3,5 milhões, mais 4,8% votou nulo e 2% em branco. Dos restantes 3,3 milhões, Gabeira obteve 49%. Trata-se, portanto, de 36,5% do eleitorado, um número estupendo, mas bem mais próximo de “um terço do Rio” que de “metade do Rio”. É um número que merece ser comparado ao “piso / teto” de Marta Suplicy em SP, não por equivalência entre as duas pessoas, mas para se entender a política de alianças possível no Brasil hoje.

PS 2: Merece um super parabéns a iniciativa do amigo Pedro Doria em favor de seu candidato. Foi mais uma bela contribuição do seu blog à política. Que o amigo tenha cometido -- sem maldade, claro -- a injustiça de me atribuir "ojeriza irracional" ao Gabeira (numa tarde em que eu aterrizava em Georgetown, a convite de Bryan McCann, para palestrar analítica e elogiosamente sobre Gabeira!) não mudou em nada minha admiração pela dedicação do Pedro à candidatura em que acreditou e que ajudou a construir.

PS 3: Este blog completou 4 anos no dia 28 e o blogueiro completa 40 hoje. Sobre os poderes cabalísticos do 4, claro, Jorge Luis Borges escreveu um belo relato.



  Escrito por Idelber às 16:15 | link para este post | Comentários (114)



domingo, 26 de outubro 2008

Comentários -- eleições

Este post será atualizado -- em intensidade bem menor que na eleição do primeiro turno -- com alguns comentários sobre a votação deste domingo. Confirmou-se em São Paulo a vitória de Kassab por larga margem, o que deixa um ponto de interrogação sobre o futuro de Marta Suplicy como candidata a cargos majoritários na cidade e no estado. No Rio, parece que a onda verde não foi suficiente para levar Gabeira à vitória. Com 93% das urnas apuradas, Paes tem uma pequena vantagem e deve levar.

O PT conquista pela primeira vez a prefeitura de Canoas, vence em Anápolis e amarga uma derrota que eu, pelo menos, não esperava -- em Juiz de Fora.

18: 55. O RS Urgente relata mais um abuso da Polícia Militar do Coronel Paulo Roberto Mendes, no Rio Grande do Sul: eleitores presos em Canoas e Porto Alegre por portar bandeiras.

18:58. Nenhuma surpresa em Contagem (MG), onde Marília Campos (PT) é reeleita. O poder econômico de Ademir Lucas (PSDB), que já teve seus bens temporariamente embargados pela justiça, não foi suficiente.

19:07. O número que mais me surpreende até agora é a abstenção na cidade do Rio de Janeiro. Numa eleição acirradíssima, 20% dos eleitores cariocas, ou quase 1 milhão de pessoas, não votaram.

19:11. Eduardo Paes é eleito prefeito do Rio de Janeiro. Se pelo menos 7% do enorme eleitorado que se absteve tivesse ido às urnas sufragar Gabeira, teria sido suficiente para a onda verde.

19:29. O poste está eleito em Belo Horizonte com 59% dos válidos. Dos males, o menor. Parte da midia tentará apresentar este resultado como uma vitória de Aécio. Esse efeito tem o reforço da eleição (relativamente surpreendente) do tucano Custódio Mattos em Juiz de Fora. Considerando-se as expectativas que tinham de levar no primeiro turno em Belo Horizonte, esse veredito de "vitória" de Aécio precisará ser ligeiramente massageado. Fernando Pimentel sai derrotado, sem dúvida: terá que encarar correligionários furiosos com ele.

19:47. Em Macapá Roberto Góes (PDT) derrota Camilo Capiberibe (PSB). Para coisas do Amapá, me valho sempre do que escreve a jornalista e blogueira Alcinéa Cavalcante.

20:04: Contagem, S.B.do Campo, Guarulhos, Mauá, Joinville, Canoas, Petrópolis e Anápolis elegeram prefeitos do PT no segundo turno. O PT sofreu viradas em Juiz de Fora e Santo André e perdeu em Salvador pela margem prevista pelas pesquisas, o que não deixa de ser digno de nota.

20:18. Pense o que você quiser pensar sobre as forças políticas paulistanas, petistas e tucanos concordarão que a campanha de Kassab foi superior à de Marta. Parabéns ao Jayme Serva.

20:33. No Rio de Janeiro e em São Paulo, independente de por quem você estivesse torcendo no segundo turno, é inegável que se produziu um fenômeno interessante no voto: a polarização de classe, fortemente marcada na tensão centro x periferia em SP e na cisão Zona Sul x Zonas Norte e Oeste no Rio. Há que se escrever com mais calma sobre estas duas eleições, mas continua me impressionando que, numa abstenção municipal de 19%, a de Copacabana tenha sido 28%.

20:45. Vitórias do PMDB: Rio de Janeiro (RJ), Salvador (BA); Porto Alegre (RS); Florianópolis (SC); Campos (RJ); Montes Claros (MG); Bauru (SP), Campina Grande (PB) (compilação do leitor Marcos D.). O PMDB é uma espécie de Partido Peronista (Justicialista) Brasileiro, com as ligeiras diferenças de que nunca foi líder de porra nenhuma, nunca conquistou direitos sociais ou trabalhistas reais para o povo, nunca foi majoritário nacionalmente no voto livre e, bem, nunca teve Perón e Eva. Apesar de tudo isso, nunca esteve realmente fora do poder. É a garganta elástica e a carcaça sem a qual fica difícil governar, em geral, no Brasil. Neste sentido, e só neste, o PMDB é um equivalente brasileiro do Partido Justicialista. Num Brasil que tivesse uma reforma política real e justa, o PMDB não precisaria existir.

21:00. Derrota de Gabeira provoca noite melancólica na internet.

21.11. Fábio Carvalho argumenta acertadamente no blog do Pedro Dória que atribuir a derrota de Gabeira à esquerda é muito míope. Houve figuras de esquerda que o apoiaram (Marina Silva), outras que se mantiveram neutras (Chico Alencar, Alessandro Molon) e outras que o antagonizaram (Jandira). Gabeira escolheu um leque de alianças e sabia o que fazia. Inimaginável seria que unisse a esquerda. Mais em breve, em outro post.



  Escrito por Idelber às 17:40 | link para este post | Comentários (155)



sábado, 25 de outubro 2008

Endosso ao poste

Conterrâneos relatam que Belo Horizonte encontra-se num marasmo só para a eleição de domingo, ao contrário do que tem sido a tradição recente. Aconteça o que acontecer, a aliança idealizada por Aécio e Pimentel, da qual se esperava vitória no primeiro turno, já foi derrotada -- pelo menos na forma em que tomou. A idéia, mascarada como “superação do Fla x Flu entre PT e PSDB”, acabou criando um Fla x Flu entre a política e a verdade, o que é pior, muito pior.

Márcio Lacerda se revelou um candidato com fortes traços autoritários, práticas nebulosas e pouquíssimo comprometimento com a bem sucedida experiência de 16 anos da esquerda no leme em BH. O retrocesso já aconteceu e foi sacramentado no momento em que a dissidência de esquerda, aglutinada em torno a Jô Moraes(PC do B), não conseguiu encaixar uma campanha propositiva, perdeu-se no ressentimento e acabou em terceiro lugar. No segundo turno contra Lacerda, um anacronismo monstruoso do século XII, Leonardo Quintão: uma legítima versão tupiniquim de Sarah Palin, membro de um clã obscurantista com histórias que envolvem fanatismo religioso, perseguição a vozes discordantes, trabalho escravo e nepotismo. Barra pesadíssima. *

Por isso, já tendo exercido o sagrado direito de criticar e zombar da negociata Pimentel-Aécio -- e depois de entrevistar gente, ler e assistir materiais eleitorais, informar-se mais sobre os Quintão e lembrar-se bem da devastação que foi a prefeitura do PMDB de Sergio Ferrara em BH --, o blog adere ao slogan Merda por merda vote no Lacerda e convida seu leitor belo-horizontino a não se manter neutro neste domingo, mesmo que esta seja a eleição mais melancólica da história recente da cidade.

Convido também o leitor a abrir uma cervejinha depois da votação e torcer por uma vitória de Lacerda por 50,1%. O tapa de luvas das urnas já terá sido dado. Ainda está por se ver qual será o grau de controle de Aécio sobre uma eventual prefeitura Lacerda, mas não será pequeno. Manter as conquistas dos últimos 16 anos será uma batalha morro acima. É impossível, no entanto, brincar com um retrocesso como o representado por Quintão. Vale a pena tapar o nariz e sufragar o poste.

Depois, já é outra etapa do jogo.

* Atualização: sobre trabalho escravo no Brasil e alhures, ver o indispensável Blog do Sakamoto.



  Escrito por Idelber às 04:37 | link para este post | Comentários (69)



terça-feira, 21 de outubro 2008

Estados decisivos. 6) Pensilvânia

É melhor seguir com a série dos estados decisivos antes que eles desapareçam. Continua firme o movimento que caracterizou a campanha de Obama este ano: avançar sobre território vermelho e levar a batalha para o terreno republicano. Obama vem, basicamente, transformando os swing states em estados azuis e convertendo em swing states vários estados até então vermelhos. Nos últimos dias, na verdade, as pesquisas nacionais mostraram ligeiro movimento na direção de McCain, que os especialistas ainda discutem se é ruído ou se é tendência real. Essa é a boa notícia para McCain. A má notícia é que o ligeiro movimento nas diárias nacionais não tem se traduzido nos estados decisivos, que são os que contam.

Ontem, numa reportagem que gerou grande polêmica, a CNN relatou que diretores da campanha de McCain haviam concedido Colorado e Novo México, dois estados que Bush venceu em 2004. Houve desmentido, mas a se confirmar essa concessão – e o fluxo de grana da campanha de McCain parece confirmá-lo --, já não bastaria para o republicano defender Ohio e Flórida. Ele teria que avançar sobre território azul. Aí entra a Pensilvânia. O quadro nacional segundo o Pollster anda assim:


mapa-us.jpg

Obama precisa de 270 votos no Colégio Eleitoral. Colorado e Novo México são esses dois quadrados em azul claro na região sudoeste do país. Confirmando-se a vitória democrata em todo o território azul claro e escuro, está ganha a eleição, mesmo que McCain leve todos os amarelos, que são os que o Pollster hoje considera indefinidos. Parece que a campanha de McCain decidiu que sua melhor chance é tentar arrancar a Pensilvânia da coluna azul.

A Pensilvânia, junto com Ohio e Flórida, é a mãe de todos os swing states. Ao contrário dos outros dois, a Pensilvânia permaneceu azul em 2000 e 2004, e de lá para cá aumentou significativamente a proporção de democratas para republicanos no estado. O problema para McCain é que a última pesquisa que o mostrou na frente de Obama na Pensilvânia foi conduzida em abril. Desde então, Obama vem tendo vantagens que oscilam entre 8 e 15 pontos. Como virar um jogo desses? Uma olhada na demografia do estado ajuda a entender. Eis o mapinha da vitória de John Kerry sobre Bush em 2004 (de novo com as cores trocadas):

img.jpeg

Bush venceu no estado inteiro, com a exceção das cidades de Filadélfia, Pittsburgh, Allentown, Erie, Scranton e Wilkes-Barre. A questão é que todos esses condados que votaram republicano têm densidade populacional bem baixa. No total, Kerry teve 2.938.095 votos e Bush teve 2.793.847. A pontinha sudeste em vermelho mais escuro é o condado mais populoso, o da Filadélfia, de alta concentração afro-americana. 674.000 eleitores votaram ali em 2004 e o resultado foi um massacre. Kerry teve 80,4% e Bush, 19,3%. Não se surpreenda se Obama ampliar essa vantagem.

O outro condado importante é Allegheny, onde fica Pittsburgh. É o território vermelho quase no extremo oeste do estado, separado da fronteira com Ohio por outros dois condados também coloridos em vermelho. Ali votaram 645.000 eleitores, mas a vitória de Kerry foi bem mais apertada: 57,1% a 42,1%. Pittsburgh, que já foi tema de post aqui no blog, é região siderúrgica devastada pela desindustrialização. A campanha de McCain conta com a resistência de parte desse eleitorado a votar em candidatos percebidos como “intelectuais”. Conta também com um racismo residual no centro do estado, que pode aumentar a boa margem que Bush teve sobre Kerry por lá.

Os únicos condados com alta densidade populacional vencidos por Bush em 2004 foram York e Lancaster, no sul do estado, onde votaram, respectivamente, 221.000 e 179.000 eleitores. Bush venceu em ambos com cerca de 64% dos votos. Todos os outros condados republicanos são grotões com 20, 30, 40 mil eleitores, no máximo. Na peleja deste ano, tenho evitado fazer qualquer previsão, mas vou fazer uma: sem melhorar os 42% de Bush em Allegheny County, McCain não tem nenhuma chance de vencer a Pensilvânia.

Considerando-se que há 1.2 milhão de democratas a mais que republicanos na Pensilvânia e que Obama vem tendo desempenho superior a Kerry nos estados decisivos, parece impossível a tarefa para McCain, especialmente se nos lembramos da situação desesperadora da economia, que atinge em cheio a população pobre, tanto do interior como das cidades da Pensilvânia.

Se a Pensilvânia foi mesmo a escolhida pela campanha de McCain para tentar virar o jogo, restam dois caminhos: mobilizar um time de advogados para suprimir tantos eleitores quanto seja possível, o que eles já vêm fazendo (via), e preparar uma ofensiva furiosamente racista para as duas últimas semanas, incluindo-se aí imagens do já quase esquecido ex-pastor de Obama, Jeremiah Wright. É a escolha que alguns acreditam que McCain vai fazer. Sem isso, não há tortura de números que resolva. Sim, talvez você volte a ouvir falar de Jeremiah Wright nestas duas últimas semanas.




PS: Já sabíamos que Obama liderava entre os latinos com boa vantagem, mas não se sabia da grande diferença entre católicos e cristãos não católicos. Entre os hispânicos católicos, que evidentemente são a maioria, Obama massacra por 65 a 26. Entre os hispânicos cristãos não católicos, a diferença é bem menor: 51 x 41. Lembram-se de todos os comentaristas da mídia que peroraram sobre o “problema” de Obama com os latinos na época das primárias?

PS 2: Vocês não imaginam a quantidade de bobagens ditas por aí que estou cuidadosamente guardando para o dia posterior à eleição. Querem um primeiro exemplo? No dia 04 de agosto, um respeitado blog democrata pró-Hillary, o Talk Left, afirmou que a única chance de Obama vencer na Flórida era com Hillary como candidata a Vice. Assim, na tora, eles disseram que nem vale a pena gastar recursos na Flórida se Hillary não for a Vice. Última pesquisa da Flórida? Obama-Biden 48,7%, McCain-Palin 45,8%. Não estou dizendo que a vitória está garantida no Sunshine State. Estou dizendo que muita gente falou bobagem antes da hora.



  Escrito por Idelber às 14:21 | link para este post | Comentários (46)



domingo, 19 de outubro 2008

TRE-RJ censura, mídia e blogs se calam

Há tempos eu digo que a judicialização do debate político é daninha e deve ser combatida. Os blogs já foram vítimas desse processo várias vezes no Brasil. Os Tribunais Eleitorais Regionais e o Superior vêm empilhando absurdo em cima de absurdo, com decisões judiciais estabelecendo até mesmo quando pode ser dito o quê numa página pessoal. Quem acompanha este blog há anos sabe das incontáveis ocasiões em que intervim contra esses abusos, na maioria das vezes, inclusive, em defesa de pessoas cujas opiniões políticas são radicalmente diferentes das minhas (caso Imprensa Marrom, caso Marco Nascimento, caso Alcinéa, caso Álvaro, caso Novo Jornal, caso em que defendi os apoiadores de Gabeira quando ELES foram censurados, caso das fotos dos espancadores de prostitutas).

Por isso acho cínico e intolerável que algum blogueiro passe a considerar natural que um partido político seja proibido de, caramba, imprimir um panfleto.

O Tribunal Regional Eleitoral do Rio de Janeiro mandou apreender um panfleto produzido por PT, PSB, PDT e PC do B, que simplesmente trazia as fotos de Fernando Gabeira e César Maia e, no verso, as frases Diga não à continuidade do prefeito César Maia. Pense nisso! No panfleto não havia mais nada: nenhuma injúria, nenhuma calúnia, nenhum ataque à honra de ninguém. O volante vinha assinado pelos quatro partidos e continha CNPJ. Tudo dentro da lei. Considerando o fato de que o Partido Verde esteve com César Maia em 1996, 2000, 2004 e 2008, ele simplesmente apresentava uma versão sobre um fato político real e verdadeiro. Seja qual for sua opinião sobre essa versão, ela está a milhas de distância de qualquer coisa que deveria ser censurada numa sociedade democrática.

Se, em algum país da América do Norte ou da Europa, eu relatar que um panfleto como este

panfleto.jpg

foi apreendido pela Justiça em meio a uma campanha eleitoral, algum interlocutor mais desavisado pensará que o Brasil ainda vive sob ditadura militar. O conteúdo do panfleto é idêntico, ipsis litteris, às dezenas de comerciais que Barack Obama vem fazendo há meses contra John McCain: McCain representa mais quatro anos de Bush. Ele nada tem a ver com os comerciais de McCain que insinuam que Obama tem ligações com terroristas, calúnia cujo equivalente carioca seria imprimir um panfleto chamando Gabeira de, por exemplo, seqüestrador e maconheiro. A simples idéia de que um panfleto que contém a afirmação Diga não à continuidade do prefeito Cesar Maia possa ser censurada seria incompreensível em outro país.

Mas, no Brasil, como o autor do panfleto é o PT, não se ouviu um pio dos que falam de “estado policial”. Não se viu um único protesto nos jornais paladinos da “liberdade de expressão”. O juiz Fábio Uchôa, responsável pela pérola, explicou que o panfleto é irregular porque não apresenta o nome de Eduardo Paes como beneficiado pela crítica a Gabeira. É uma piada. O juiz quer legislar como o panfleto deve ser escrito.

Na horda fanaticamente anti-petista que freqüenta o blog do Noblat, a apreensão dos panfletos foi suficiente para que uma pilha de comentários escritos em algo que vagamente se assemelha à língua portuguesa pedisse a prisão dos responsáveis! Que se prenda aquele que ousa insinuar que Gabeira representa uma continuidade de César Maia! Um único leitor, Alexandre Porto, deu um baile de argumentos na turba inteira.

Evidentemente, não se ouvirá um único protesto dos colunistas do Globo, da Veja e da Folha, sempre tão solícitos nas insinuações de que o governo Lula cerceia a “liberdade de imprensa”. Espero, sinceramente, ler um pouco mais de repercussão nos blogs, que devem examinar com carinho a hipótese de que é hipócrita protestar contra a censura somente quando o censurado compartilha nossas opiniões.

PS: O ombudsman da Folha faz o balanço do é casado? Tem filhos? do comercial de Marta contra Kassab. A Folha dedicou a essas duas frases exatamente quatro chamadas de capa, 11 abres de página, 24 matérias, oito colunas, seis notas e 1.172 centímetros de texto.

* Crédito da foto: Marcos Tristão.



  Escrito por Idelber às 04:36 | link para este post | Comentários (107)



sábado, 18 de outubro 2008

Dois links

O pai de todos os jornais conservadores, o Washington Post, endossa Barack Obama num magnífico e revelador editorial. Trata-se daquele tradicional gesto de transparência que a mídia brasileira -- com a exceção da Carta Capital -- continua recusando-se a fazer, o de declarar suas preferências numa eleição. Enquanto mantêm suas escolhas supostamente encobertas, Folhas e Globos escondem cenas como esta:

que certamente estariam sendo exibidas dezenas de vezes por dia na TV e priorizadas nas primeiras páginas dos jornais caso o governador do estado de São Paulo se chamasse Marta Suplicy ou Aloizio Mercadante.

Dois pesos, duas medidas, sempre. O que falta à mídia brasileira é, sobretudo, transparência. Na contra-corrente da dissimulação, os blogueiros tendem a declarar suas escolhas abertamente. Este blog é, com muito orgulho, membro do coletivo Blogueiros com Marta Suplicy. Se você apóia Marta, pegue lá seu selinho e deixe a autorização para a inclusão do seu blog.

PS: O RS Urgente vem documentando a terrorífica atuação de outra polícia militar, a do Rio Grande do Sul.



  Escrito por Idelber às 06:24 | link para este post | Comentários (96)



sexta-feira, 17 de outubro 2008

Dois mineirim

-- Só precisamos encontrar um candidato maleável, sabe como é?

-- Eu já tenho. Vai ser o Márcio mesmo.

-- Será que cola? Ninguém conhece. Além de tudo tem a fortuna dele, a história do valerioduto, aquela falcatrua na CEMIG....

-- Deixa de ser bobo, Fernando. Como está a aprovação da prefeitura?

-- Por volta de 82%.

-- Mais a máquina do estado. A imprensa já está orientada. O Estado de Minas, como sempre, fiel. O MG TV já está martelando a idéia da unidade para o bem de Minas. Transcender as divisões artificiais que nos separam, aquela coisa toda. Vai ser no primeiro turno.

-- Tem legenda?

-- Claro, o PSB daqui está no bolso.

-- Se vamos de PSB, não é melhor a Ana Lúcia, que tem história, é conhecida na cidade?

-- Vetada. Não é maleável. Tem mania de ser independente demais. Não dá para confiar. E os radicais do PT?

-- Fica tranqüilo. Esses a gente esmaga na convenção. Só no Santa Inês ontem nós filiamos mais 300. Com as Kombis, os sanduíches, coisa e tal.

-- E o Patrus e o Dulci?

-- Estão lá com o Lula. Não vão arriscar o desgaste.

-- Se o Patrus baixa aqui em BH, ele ganha eleição direta até para presidente do Cruzeiro.

-- O Patrus é atleticano.

-- Pois é.

-- Não se preocupe. A gente solta a notícia quando já for fato consumado.

-- E se os radicais lançam um Rogério Correia da vida com o PC do B?

-- Não têm fôlego, não têm grana. Não dão nem para a saída.

-- Então está limpo o terreno.

-- Limpíssimo.

-- É, meu caro, você pode ir pensando no seu vice para o Palácio da Liberdade em 2010.

-- Tenho a sua palavra, então.

-- Claro. E para a minha jornada ao Planalto já está tudo acertado com o PMDB se o Vampiro encrespar lá em São Paulo.

-- Conte comigo. E como começamos a campanha?

-- Um ato conjunto pela unidade do estado. Minas volta ao protagonismo na cena nacional. Retoma sua tradição de reconciliação e negociação.

-- Seu avô se orgulharia de você, amigo. E depois?

-- Já está marcada a caminhada de sábado com o Márcio no Mercado Central.

-- Nos encontramos lá então?

-- Sim, mas tem que mandar o motorista buscar o Márcio.

-- Por quê?

-- Ele não sabe chegar no Mercado Central.

-- Qual o seu cálculo de resultado?

-- Venceremos no primeiro turno com 65%. É só esperar abrir as urnas.



  Escrito por Idelber às 05:50 | link para este post | Comentários (68)



quarta-feira, 15 de outubro 2008

Para discussão do debate Obama-McCain

Hoje, às 22 horas de Brasília, Barack Obama e John McCain se enfrentam no último debate para a presidência dos States. Lá no Pedro, com certeza, haverá blogagem ao vivo. Não haverá exatamente cobertura por aqui, porque ando corrigindo trabalhos e preparando aulas. Mas entre um A- e outro B+, vou dar uma espiada no debate e é possível que atualize este post com algumas observações. A expectativa é saber se McCain vai dizer cara-a-cara com Obama o que andou dizendo nos comícios.

De qualquer forma, mesmo que as minhas atualizações sejam parcas, fica aí a caixa para quem quiser ir comentando o debate. São 40 minutos do segundo tempo para a campanha de McCain.

22:43: Essa mídia esquerdista americana é fogo! Acabaram de tirar a câmera do rosto de Obama, que não conseguia controlar a risada enquanto McCain falava.

22: 56: Até agora, o moderador deixou que McCain tivesse a última resposta em todas as rodadas de perguntas.

Balanço: Não há muito a acrescentar ao que já disse o Pedro sobre essa quarta vitória consecutiva da chapa democrata nos debates. Quando o resultado é 60 x 30 entre os eleitores independentes, não há muito mais o que discutir. Na realidade, foi o melhor desempenho de McCain até agora, mas quando 1) os fatos não estão do seu lado, 2) você tem um péssimo temperamento, que se traduz em muxoxos, caretas, expressões de raiva etc. e 3) enfrenta um adversário que é mais hábil retoricamente, a coisa fica muito difícil.

Para piorar, McCain teve um deslize fatal: fez pouco caso da cláusula "salvo em caso de risco à saúde da mãe", para os abortos de terceiro trimestre. Para o eleitorado feminino de meia-idade que ainda está indeciso, lá nos confins da Pensilvânia, foi o tiro de morte. O outro dado interessante é que pela primeira vez apareceu a América Latina. McCain falou de sua oposição às tarifas sobre o etanol brasileiro, o que lhe teria rendido votos no Brasil, com certeza. Defendeu também o tratado de livre comércio com a Colômbia, que Obama quer reformular, sob o argumento -- verdadeiro -- de que líderes trabalhistas são constantemente assassinados na Colômbia. Os números da vitória de Obama segundo o Media Curves estão aqui. Algumas fotos interessantes de McCain podem ser vistas aqui.



  Escrito por Idelber às 20:37 | link para este post | Comentários (25)




Homofobia e falsa indignação

Nos EUA, costuma-se distinguir entre racismo e o que chamamos race-baiting, que é usar o racismo alheio para benefício próprio, geralmente político-eleitoral. Ninguém em sã consciência diria que Bill Clinton é racista, mas parece-me inegável que ele tentou se aproveitar do racismo sulista contra Barack Obama nas primárias democratas da Carolina do Sul. Há que se conhecer o contexto americano para saber tudo o que se escondia na aparentemente inocente frase ah, não se preocupe, Jesse Jackson também ganhou as primárias da Carolina do Sul em 1984 e 1988.

A campanha de Marta Suplicy errou, e errou feio, ao introduzir as perguntas é casado? tem filhos? no final de um comercial em que fazia uma série de indagações legítimas sobre o passado político de Gilberto Kassab. Se existe algum falante de português deste lado do Atlântico que ainda não viu o anúncio, ele está aqui. Não me parece honesto negar que essas perguntas tentavam jogar com a homofobia alheia. Não me parece honesto dizer que “são perguntas como quaisquer outras”. Não me parece respeitoso com a inteligência alheia tergiversar, como o fez Jilmar Tatto (PT-SP), dizendo que “quando vou à periferia, me perguntam se sou casado, essas coisas”. A pergunta claramente tentava induzir uma reação homofóbica. A resposta do grupo LGBT de apoio à Marta, criticando o comercial, foi na veia. Acho que Marta errou uma segunda vez ao não assumir a responsabilidade pelo anúncio, colocando-o nas costas do marqueteiro. Um anúncio veiculado por uma campanha é de responsabilidade do candidato. Se viu ou não viu, se aprovou ou não aprovou, importa pouco. Ela é responsável pelo que sua campanha veicula. Reitero: condeno o comercial e condeno o fato de que Marta lavou as mãos.

Mas é no mínimo curioso ver os dois pesos e duas medidas da mídia brasileira. A Folha de São Paulo dedicou praticamente metade de seu caderno Brasil desta terça a essas duas frases no comercial de Marta. Vejamos qual é o histórico da Folha de São Paulo no respeito à vida pessoal da própria Marta Suplicy. Infelizmente, os links são restritos a assinantes.

No dia 28/10/2002, a Folha publicou coluna de Danuza Leão que dizia: Os estrangeiros usavam camisa esporte, e o único de terno e gravata era Luis Favre, com seu olhar de mormaço. No dia 18/05/2002, o Painel se preocupou em dizer: Depois de cada ato ou inauguração, a prefeita de SP, Marta Suplicy (PT), invariavelmente telefona para Luis Favre. Para relatar como foi o evento. Como se isso fosse notícia relevante. Ou como se tivesse sido notícia no caso de um político homem. O jornal não demonstrou nem meia linha de indignação no dia 10/08/2002, quando Garotinho disse: prefiro falar sobre o assunto com o franco-argentino que é de fato prefeito de São Paulo. Tampouco apareceu indignação alguma no dia 29/10/2001, quando Paulo Maluf se referiu a Favre como “gigolô”. Pelo contrário, o jornal designou a reação dos petistas contra a injúria como “discurso ensaiado”. No dia 15/02/2002, a Folha publicou coluna de Bárbara Gancia que concluía com a monstruosidade: Sabe por que ele é franco-argentino e não vice-versa? Porque não existe argentino-franco.

Não, leitores, essa baixaria xenófoba não saiu na Veja nem na Capricho. Saiu na Folha. O mais respeitado jornal brasileiro.

No dia 21/04/2001, a Folha reproduziu um texto de Cláudio Humberto – sim, aquele mesmo – que continha tantos insultos contra Marta Suplicy e Luis Favre que o Biscoito, simplesmente, se recusa a linkar. Era um anúncio pago de pura difamação, publicado pelo maior jornal brasileiro. Procurem no google. O fato é que o próprio ombudsman sugeriu um “erramos”, que jamais foi feito.

Eu poderia continuar até amanhã de manhã, linkando matérias em que a vida de Marta foi enxovalhada e ridicularizada, numa mescla perversa de sexismo e xenofobia. Que ela seja criticada pelas duas frases sobre Kassab que jogavam com a homofobia alheia. Mas quando será que os mesmos arautos da falsa indignação reconhecerão o seu telhado de vidro? Será que o jornal O Globo tem autoridade para criticar Marta por envolvimento na vida privada do adversário quando esse mesmo jornal, no dia 14/12/1989, publicou esse editorial sobre a infinitamente mais desprezível tática de Collor contra Lula no caso Miriam Cordeiro? No blog do aprendiz de pitbull da Veja, é hora de indignação contra o comercial de Marta. Talvez o blogueiro da Veja tenha se esquecido de que seu histórico de referências a gays e lésbicas é uma coleção de monstruosidades.

Comentando a repercussão do comercial em seu blog sob o título “O milagre de Dona Marta”, Noblat afirma que nunca antes na história deste país os mais destacados blogueiros haviam falado a mesma língua, defendido o mesmo ponto de vista. A lista de links fornecidos por Noblat é, salvo um, de funcionários da grande mídia. Com a exceção de Pedro Dória, não reconheço nenhum deles como “destacado blogueiro”. Suponho, caro Noblat, que há diferentes listas de “destacados blogueiros”. A minha inclui Alexandre Inagaki, Marco Aurélio Weissheimer, Fal Azevedo, Mary W. Certamente não inclui Daniel Piza ou Rosane de Oliveira. Na minha lista de “blogueiros destacados” não houve unanimidade nenhuma. O post mais inteligente, de longe, foi o da Mary W. Outra coisa que talvez valesse a pena dizer a Noblat é que o epíteto “Dona Marta” é insuportavelmente sexista.

Suponho que é consenso entre os leitores do Biscoito que a vida privada de cada um é problema de cada um. Suponho que também seja consensual que, para gays e lésbicas, sair ou não sair do armário é decisão de foro íntimo, que inclui consideração de tantos fatores que a última palavra é sempre decisão pessoal e intransferível. Mas quando há suspeitas de que um prefeito cria uma secretaria de desburocratização para abrigar seu suposto companheiro, a pergunta sobre o nepotismo e a transparência é, sim, de interesse público. A campanha de Marta não soube levantá-la. Espero que a indignação moral contra Marta leve a nossa mídia a um pouco de reflexão sobre o seu próprio telhado de vidro.



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terça-feira, 14 de outubro 2008

Jabá

lei-exp.jpgAcaba de sair aí no Brasil mais um volume com um artigo meu. Aproveito para fazer a divulgação do livro e convidar os leitores interessados em crítica literária e estudos culturais a que o adquiram. Ele é intitulado Leitura e experiência: teoría, crítica, relato. Os organizadores são Evando Nascimento e Maria Clara Castellões de Oliveira, da Universidade Federal de Juiz de Fora, que edita o livro em parceria com a Annablume. São 16 ensaios sobre temas que vão de Machado de Assis a Woody Allen, com pesquisadores da UFJF, PUC-RJ, UFC, UERJ, UFBA, UFSC, PUC-GO, UFSM e UFES. Contribuo com um texto sobre a experiência do chamado "multiculturalismo" nos Estados Unidos, do qual reproduzo abaixo os cinco primeiros parágrafos. A íntegra, só no livro mesmo. Por coincidência, a Folha de São Paulo publicou hoje uma monstruosidade (para assinantes) sobre o mesmo assunto.


O Multiculturalismo nos Estados Unidos: História e Crítica

O termo multiculturalismo está associado a uma série de lutas simbólicas cujo principal terreno foram os meios acadêmicos norte-americanos nas últimas décadas. Tributárias dos movimentos de direitos civis dos negros e chicanos e das reivindicações feministas dos anos 1960 e 1970, essas lutas só adquirem essa rubrica específica ao se converterem numa prática acadêmica que passa a guiar não só boa parte da pesquisa produzida nas ciências humanas, como também a própria administração do aparato universitário. As lutas multiculturais conseguem alterações significativas na representação das minorias, mas são, por outro lado, incorporadas e neutralizadas por uma série de práticas de administração da diversidade, que passam a fazer parte do próprio poder econômico, estatal e militar do país. Refletir sobre o multiculturalismo é, então, refletir sobre uma experiência contraditória: democratizadora, mas sujeita a severos limites e demonstravelmente passível de absorção pelas formas mais reacionárias de poder, incluindo-se aí o bushismo, cujo gabinete “multicultural” leva a cabo a política externa mais sanguinária da história do país. O legado do multiculturalismo é, portanto, um debate sobre os limites e as realizações efetivas de uma política de reparação simbólica. A discussão não é simples.

Não há “um” multiculturalismo, e não se trata de uma “teoria” ou “ideologia”. Pensemos, para início da reflexão, no multiculturalismo como uma rubrica sob a qual se reúnem uma série de práticas, projetos e intervenções intelectuais, muitas vezes contraditórios entre si. Várias práticas de administração da diversidade étnica têm sido adotadas com inspiração nos movimentos multiculturais dos 80 e 90, e o termo está incorporado à língua inglesa em definitivo. Como sempre acontece no campo das conquistas simbólicas, boa parte da polêmica sobre o legado do multiculturalismo se resume a avaliar quais terão sido os efeitos “reais”, as conseqüências “sociais” ou “políticas” desses embates simbólicos. No caso específico desse fenômeno, há alguns efeitos bastante reais que se desentranhar, embora seja possível dizer que o auge do multiculturalismo termina com os ataques de 11 de setembro de 2001 e com a manipulação deles depois feita pelo governo Bush, ou seja, a instalação da guerra sem fim. Isso não quer dizer, claro, que políticas e trabalhos acadêmicos inspirados pelo ideal multicultural não continuem a ser produzidos, mas hoje, sem dúvida, eles deixaram de ser a forma dominante de se lidar com a diferença nos EUA.

Há vários momentos da história da luta pelos direitos civis nos EUA dos anos 60 que poderiam ser tomados como fundacionais para a história dessa tecnologia social da inclusão que é o multiculturalismo: as passeatas lideradas por Martin Luther King, a recusa de Rosa Parks em ceder seu lugar no ônibus, a pregação incendiária de Malcolm X pelo país, o encontro entre a luta afro-americana e a militância revolucionária de esquerda dos Black Panthers. As primeiras leis anti-segregação, impostas policialmente no sul dos EUA, poderiam ser consideradas as precursoras das políticas de reparação que depois estariam no centro do multiculturalismo. O movimento negro americano realiza essa ampliação fundamental da noção de direito ao argumentar que há uma esfera que é propriamente do direito civil, do direito à cidadania, mais além ou mais aquém do conceito de direitos humanos que, naquele momento, já completava cerca vinte anos de codificação relativamente universal e sancionada na Carta das Nações Unidas.

Quando se insiste sobre a noção de direito civil, fala-se de direito ao mesmo tempo num sentido mais restrito e mais amplo. Como sempre ocorre no momento em que um grupo oprimido qualifica, adjetiva um universal – neste caso, o direito –, o resultado é uma redefinição daquele conceito que tendencialmente o universaliza mais, ao apontar a limitada universalidade que ele possuía antes. Note-se que o grupo oprimido, subalterno, não entra na luta recusando o universal enquanto tal. Pelo contrário, ele diz: esse universal tem sido até agora falso, ele não se realizou ainda na sua plenitude, ele não nos inclui – a nós, como negros. O conceito de direitos civis, tal como usado modernamente, se cristaliza no momento em que a população à qual se havia negado o direito de cidadania se insurge para reclamar uma verdadeira universalização desse direito. A operação é desconstrutiva no sentido estrito da palavra. Ela toma um universal – o direito à cidadania – e demonstra como a sua constituição repousa sobre a delimitação de um lá-fora constitutivo e necessariamente excluído: o não-cidadão (negros, mulheres, índios, imigrantes, crianças, escravos). Esse lá-fora confere ao universal sua condição de possibilidade e demarca seu limite. Nesse primeiro momento, a operação desconstrutiva desvela o fato de que não há oposição binária que não seja, ao mesmo tempo, uma hierarquia. É o movimento negro norte-americano que realiza essa operação com a mais ilustrada e moderna das noções, o conceito de direito individual.

O primeiro postulado aqui seria, então, de que o multiculturalismo tem suas origens numa luta pela universalização da noção de direito cidadão na democracia mais antiga do planeta, quase 200 séculos depois de sua fundação. Essa universalização se ancora no reconhecimento da exclusão dos negros da cidadania na república americana, no momento de sua constituição. Em 1964 aprova-se a emenda constitucional americana que proíbe a discriminação em termos de cor, raça, gênero e origem nacional. Em 1965 promulga-se o Voting Rights Act, que garante a presença de observadores federais nos locais de votação, para garantir direitos políticos igualitários para os negros. A partir daí se promulgam leis que incentivam a “correção de discriminações passadas”. Nos EUA, foi a população negra que teve condições de realizar a crítica da noção moderna de direito. Daí o fato de que a experiência norte-americana do multiculturalismo seja tão racializada. Ao contrário da história da opressão dos negros nos EUA, no Brasil a segregação racial não se ancorou em formas legal, juridicamente sancionadas, por mais que a exclusão do negro tomasse dimensões tão grandes como aquelas vistas nos EUA. Boa parte das críticas depois sofridas pelo multiculturalismo americano no Brasil tenderiam a girar em torno das diferentes percepções do que é a segregação racial, como ela se perpetua, como combatê-la e, acima de tudo, o que diferencia o racismo encontrado nos Estados Unidos daquele vivenciado pelos afro-brasileiros.

A íntegra deste texto e 15 outros ensaios de pesquisadores brasileiros estão lá no volume da Annablume.



  Escrito por Idelber às 04:33 | link para este post | Comentários (41)



segunda-feira, 13 de outubro 2008

Notas sobre o estado atual da campanha americana

Os últimos dias da campanha de John McCain foram de um tremendo vai-e-vem: a chapa partiu para ataques a Obama por suposta associação com alguém que foi terrorista quando ele tinha 8 anos de idade, usou apresentadores que se referiam a Barack Hussein Obama, soltou um comercial sinistro sobre o “perigo” Obama e por aí navegou durante três ou quatro dias. Os comícios começaram a fugir do controle, com seus apoiadores chegando a gritar matem-no à menção do nome de Obama. O Serviço Secreto abriu, inclusive, o inaudito precedente de interrogar membros de um comício presidencial por ameaça de assassinato. Com a reação negativa gerada pelo sectarismo, McCain retrocedeu. De uma correligionária que começava um discurso sobre Obama, o “terrorista árabe”, ele chegou a tomar o microfone, meio sem graça ou talvez a contragosto, para dizer que Obama é um homem de família decente com quem tenho algumas divergências. Foi vaiado durante alguns instantes pelo seu próprio público. Ante a menção de um correligionário de que “tinha medo” de Obama, McCain de novo se afastou do clima de ódio que sua própria campanha havia criado, tendo que dizer que Obama não era alguém de quem se deveria ter medo. A contradição é óbvia: toda a campanha de McCain se sustenta sobre a premissa de que há que se ter medo de Obama, de que há algo “desconhecido e perigoso” nele. Caindo essa premissa, a campanha de McCain fica meio desprovida de ângulo de ataque.

Ao lançar essa barragem de ataques, McCain está repetindo incontáveis campanhas republicanas que deram certo, como por exemplo contra John Kerry, em 2004. O problema é que o contexto hoje é outro. Na pior crise econômica das últimas oito décadas, com o sistema financeiro em colapso e milhões de americanos perdendo suas casas e indo para a fila do desemprego, o discurso do medo já não cola como antes. No caso desta campanha, há um problema extra para McCain. Até muito recentemente, ele era visto por boa parte da base do Partido Republicano – cada vez mais reacionária e religiosa nos últimos anos – como um conservador “independente demais”. McCain precisou conquistar essa base. O problema é que o discurso raivoso necessário para mobilizá-la assusta os independentes, justamente os eleitores que McCain precisa conquistar. A oscilação entre baixaria e civilidade na campanha é a expressão desse impasse. McCain não é esquizofrênico nem burro. Simplesmente está numa encruzilhada matemática e política que gera essa gangorra discursiva. A outra alternativa – voltar a discussão para os temas econômicos, que são os que mais interessam aos americanos – seria suicídio para McCain. Nesse quesito, Obama janta-o com ketchup e mostarda. Os fatos hoje não estão do lado de quem sempre defendeu a desregulamentação e a sapiência infinita do mercado.

Na Gallup nacional diária, a vantagem atual de Obama é de sete pontos. Até mesmo no quesito “líder mais forte” -- no qual os candidatos republicanos sempre levam vantagem – Obama lidera as pesquisas com 54% contra 40% de McCain. Deve ser uma estatística inédita numa corrida presidencial americana. Para piorar, uma das três pessoas que McCain citou como as mais "sábias" do país (e de quem ele dependeria para conselhos) comparou-o a um dos maiores racistas dos tempos modernos. A cereja do bolo é o relatório da comissão -- de maioria republicana -- que investigou a perseguição de Sarah Palin ao seu ex-cunhado, policial no Alaska, o chamado “Troopergate”: o veredito unânime foi de abuso de poder. Trata-se de uma história que a campanha de Obama certamente não vai explorar, não por magnanimidade, mas porque não interessa a Obama atacar Palin agora. Ela já é cachorro morto (aliás, gostaria de convidar a que se manifestassem nesta caixa os leitores que vieram me falar da “jogada de mestre” que teria sido a escolha da Vice de McCain).

Piores que os números da Gallup nacional são os números dos estados decisivos. No Colorado, estado tradicionalmente republicano, Obama abriu dez pontos. No Novo México, que Bush venceu em 2004, a diferença atual em favor de Obama oscila entre oito e onze pontos. Na vermelhíssima Carolina do Norte onde, no começo, até setores do Partido Democrata não acreditavam na possibilidade de vitória, Obama lidera por seis pontos. A Pensilvânia, que a campanha de McCain tinha esperança de trazer para a coluna republicana, já está merecendo abandonar a condição de swing state. Se excetuarmos uma pesquisa de setembro conduzida pela desmoralizada Zogby, não há uma única enquete que tenha dado McCain na frente durante toda a campanha. A vantagem atual de Obama oscila entre doze (pdf) e quinze pontos.

Está decidida a parada? Não. Há um exemplo anterior de um candidato que saiu de desvantagem comparável e venceu: Reagan contra Carter, em 1980. Na quarta-feira, McCain terá a última chance de reagir através de um debate. Ele andou prometendo “dar uma surra" em Obama (whip, literalmente, “chicotear”) no próximo encontro cara-a-cara. Se não o fizer de forma bem convincente, ficará dependendo de um acontecimento fora do ordinário para ter chances de virar o jogo. Afinal de contas, erros graves, na campanha de Obama, não vêm ocorrendo em grande profusão.

PS 1: Este artigo também está publicado na Agência Carta Maior.

PS 2: O blog recomenda a entrevista da Carta Maior com Maria da Conceição Tavares: Entupiu o sistema circulatório do capitalismo.



  Escrito por Idelber às 04:15 | link para este post | Comentários (111)



sexta-feira, 10 de outubro 2008

Drops

Há algumas citações recentes ao Biscoito que eu gostaria de agradecer. Fomos citados naquele perigoso órgão do comunismo internacional, o Guardian. Fiquei muito lisonjeado. Continuo sonhando com um Brasil que tenha pelo menos um jornal da qualidade do Guardian.

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A Revista Bula fez uma pesquisa entre universitários brasileiros e o Biscoito foi um dos dez blogs mais citados. Gracias muy mucho.

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Falzuca, a poderosa madrinha, vem arrasando nos lançamentos do seu novo livro e me citou nessa entrevista. Só de ter representado alguma coisa para uma pessoa tão iluminada como a Fal já vale a pena ter tido blog.

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Aliás, no dia 28 deste mês o blog completa quatro anos. Três dias depois, no Halloween – ou no dia do Saci-Pererê, segundo o companheiro Aldo Rebelo – o blogueiro completa quarenta...

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Salve: Mino Carta está de volta à blogosfera.

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Mais uma daquelas ótimas descobertas: um blog só sobre imagens que fracassaram (dica da Daniela Arrais lá no Favoritos).

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zizek.jpgAlô, Salvador, Rio de Janeiro e São Paulo. O grande Slavoj Žižek vai ao Brasil, para o lançamento de A visão em Paralaxe. Dia 12, na Boa Terra, às 15 horas, no Instituto Cultural Brasil-Alemanha; dia 13, no Teatro de Arena da UFRJ, campus Praia Vermelha, às 20 horas; dia 14, no Sesc Vila Mariana, às 19:30. Mais detalhes aqui. Se puder, compareça. Só ver o cabra transpirando já é um espetáculo em si.

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Aqui nos States, o tema eleitoral da última semana foi a queda completa da campanha de John McCain nas acusações desesperadas a Obama por “associação com terroristas”. Veja este vídeo para ter uma idéia do clima de ódio que anda imperando nos comícios de McCain. A cobertura completa está no TPM. Enquanto isso, eleitores de Nova York recebem cédulas com o nome Osama em vez de Obama. Foi um erro “tipográfico”, afirmaram os responsáveis. Claro que este blog não acredita em teorias da conspiração...

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Perdido lá no cantinho do “Painel”, da Folha, está a notícia de que a investigação da Polícia Federal concluiu que não houve grampo nenhum em Gilmar Mendes. Paulo Henrique Amorim pergunta-se, com razão: e se o veredito fosse o contrário? Qual o seria o tamanho da manchete de primeira página? Aliás, a Folha vai continuar fingindo que não foram publicadas denúncias seríssimas contra o homem que ocupou mais de 30 manchetes do Caderno Brasil nos últimos dois meses?

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A Folha de São Paulo realmente escondeu uma pesquisa do DataFolha sobre o segundo turno em Belo Horizonte?

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Altamiro Borges faz um bom balanço do desempenho da esquerda nas eleições municipais. Concordo com tudo, mas acho que a mesma crítica que se faz ao PT do Rio de Janeiro deve ser feita ao PC do B do Rio Grande do Sul.

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Mas foi Mestre Inagaki quem fez o post definitivo sobre as eleições municipais.

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Abraços aqui de Rutgers University, em New Brunswick, Nova Jersey, onde o blogueiro palestra neste fim de semana, convidado, desta vez, pelos alunos.



  Escrito por Idelber às 19:29 | link para este post | Comentários (69)



quinta-feira, 09 de outubro 2008

Morreu Nicolás Casullo

nicolas.jpg Que a morte surpreenda um amigo já é dor suficiente. Que ela leve tão cedo, aos 64 anos, um dos maiores intelectuais latino-americanos raia o inaceitável. Que a desgraça aconteça três meses e meio depois de que um desencontro tenha me impedido de beber com ele a última cerveja é dessas coisas que provocam revolta. Morreu Nicolás Casullo, um dos pensadores mais originais que já conheci, e talvez o amigo mais querido que eu tenha feito na Argentina.

Só mesmo a imbecilidade do muro de Tordesilhas justifica o desconhecimento da obra de Nicolás no Brasil. Quantos livros escreveu? Perdi a conta. Alguns dos meus favoritos são Comunicación, la democracia difícil (1985), El debate modernidad-posmodernidad (1989), Viena del 900, la remoción de lo moderno (1990), Itinerarios de la modernidad (1994), París 68, las escrituras y el olvido (1998), Modernidad y cultura crítica (1998), Sobre la marcha: política y cultura en la Argentina (2004), Pensar entre épocas (2004). No seu último livro, Las cuestiones (2007), fez uma releitura genial de dois temas que me são caros, a violência e o populismo. Era um analista feroz e sagaz da mídia controlada pelos oligopólios. Transitava tranqüilo em meia dúzia de disciplinas, da crítica literária à ciência da comunicação.

Viveu Maio de 68 em Paris, e sobre a experiência escreveu um belo livro. Exilou-se em Cuba em 1974, quando a situação na Argentina já beirava o insuportável. Daí passou a Caracas, em 1975, até fixar-se no México, em 1976. Há relatos de exilados argentinos sobre como o bom humor de Nicolás foi fundamental para que eles continuassem vivendo naquela época tão dura. Seu romance Para hacer el amor en los parques (1969) foi censurado em 1970 e relançado em 2006. Além deste, escreveu El frutero de los ojos radiantes (1984) e La cátedra (2000). Em 2004, ganhou o prêmio Konex de Ensaio Filosófico. Nos últimos anos, foi o líder do grupo conhecido como Carta Abierta, que juntava intelectuais de esquerda no apoio crítico a Cristina Kirchner e no combate à avalanche direitista “do campo”. Dirigia uma das poucas revistas de ensaios absolutamente indispensáveis da América Latina, Pensamiento de los confines.

Adorado pelos alunos, Nicolás tinha a risada mais sensacional e contagiante que já vi num intelectual. Não sei quantas vezes estive com ele em Buenos Aires, em Santiago do Chile, em São Paulo. Em todas elas, eu, que falo muito, preferia escutar e admirar a assombrosa erudição com que Nicolás passava de Heidegger e Parmênides ao Campeonato da Segunda Divisão argentina. Falava de tudo com a mesma simplicidade. Conhecia e admirava o Brasil como poucos.

Nicolás era torcedor fanático do Racing, tradicional clube argentino que anda em decadência. Sabia tudo de futebol. Gostava de brincar comigo acerca dos azares dos nossos times: che, Idelber, a pesar del azul, Racing es hermano de Atlético Mineiro en la desgracia.

Estive com Nicolás pela última vez numa mega-reunião da Carta Abierta na Biblioteca Nacional, em junho. Depois que a assembléia se dispersou, eu e Ana Amado, sua esposa, saímos para jantar enquanto Nicolás coordenava uma reunião da diretiva do grupo. Nicolás ia chegar mais tarde, mas a reunião acabou se estendendo. Ele havia insistido: che, Idelber, tengo que darte el último número de Confines. No dia seguinte, me desencontrei de Nicolás e Ana e acabei não vendo o amigo pela última vez.

Eu nem imagino o que Ana estará sentindo agora. Ainda não me animei a escrever o email de condolências. Nicolás e Ana eram desses casais que te fazem acreditar no amor eterno. Nada, nada indicava que Nicolás não teria mais uns 20 anos de vida. Morreu de câncer no pulmão.

Paciência com o blogueiro nos próximos dias, porque a dor agora anda muito forte. Nicolás está sendo velado na Biblioteca Nacional, a casa dos grandes, e será sepultado amanhã no Cemitério Britânico da capital argentina.

PS: fonte da foto.



  Escrito por Idelber às 18:42 | link para este post | Comentários (17)




Agora é São Paulo

Acabo de trocar emails com Soninha Francine, que é leitora do Biscoito. Mandei-lhe meu quixotesco apelo, cheio de argumentos, a que ela apoiasse Marta Suplicy no segundo turno em São Paulo -- já sabendo, em todo caso, que eu não tinha muitas chances. Soninha me respondeu, como sempre, amável e atenciosíssima, e também cheia de argumentos. O resumo da ópera é: sem chances.

Também troquei emails com militantes do PSol, fazendo a eles o mesmo apelo, também infrutífero. Acaba de sair a resolução do PSol sobre o segundo turno em São Paulo. Publico-a aqui, na íntegra. Reitero que discordo frontalmente da resolução, mas publico-a para seu conhecimento.

Resolução do Diretório Municipal do PSol em São Paulo

No Segundo Turno em São Paulo: duas candidaturas do mesmo projeto

Queremos agradecer aqueles que depositaram sua confiança na candidatura Ivan Valente e nos candidatos e candidatas do PSOL. Queremos reiterar nosso compromisso com as lutas sociais a começar pela presença do PSOL na jornada de lutas preparadas pelos setores combativos dos movimentos sindical e popular. O PSOL segue firme nas lutas do nosso povo, em defesa de seus direitos e na construção de uma sociedade socialista.

Chegamos ao final da campanha eleitoral com o sentimento de dever cumprido, fizemos uma campanha programática que defendeu inversão de prioridades, retomada de mais verbas para educação e a defesa da implantação do Sistema Único de Saúde 100% público e denunciamos o pagamento da dívida pública que compromete 13% do orçamento, as privatizações, a corrupção e a troca de favores na administração municipal.

Combatemos o financiamento privado das campanhas por grandes empresas, bancos e empreiteiras sendo a única candidatura a revelar os financiadores de sua campanha antes de 5 de outubro. Com independência política e econômica realizamos uma campanha militante, que contou com a contribuição voluntária de centenas de companheiros e companheiras que dispuseram seu tempo e energia política para defender nossas propostas nas ruas, escolas e locais de trabalho por todos os cantos da nossa cidade.

Com isso reafirmamos a coerência política que originou o PSOL. Somos oposição ao governo Lula e sua política econômica e ao governo Serra e seu ataque aos serviços públicos em São Paulo. A campanha demonstrou que as diferenças existentes entre PT, PSDB e DEM são muito menores que as semelhanças de seus projetos atualmente.

Reafirmarmos em alto e bom som a necessidade de uma alternativa de esquerda para São Paulo e repudiamos os que iludiram o eleitorado com a imagem de uma nova alternativa, mas que não hesitaram em colaborar com a velha direita se tornando linha auxiliar de candidatura do Kassab e que agora, no segundo turno, revelam suas reais intenções.

Decidimos não apoiar nenhum dos dois candidatos, pois nenhuma das candidaturas representa uma mudança para São Paulo e ambas estão atreladas politicamente ao poder econômico sendo financiadas por grandes corporações.

Como afirmamos em nossa campanha: São Paulo não precisa de mais um gerente para administrar o mesmo projeto. Precisa de outro projeto construído com o povo.



  Escrito por Idelber às 07:35 | link para este post | Comentários (147)



quarta-feira, 08 de outubro 2008

Open thread de Belo Horizonte

Lacerda, Quintão ou voto nulo?



  Escrito por Idelber às 01:38 | link para este post | Comentários (120)




Políbio Braga publica texto alheio sem citar fonte

Cristóvão Feil, do blog Diário Gauche, publicou um texto que demonstra como foi burra a estratégia do PC do B gaúcho ao dividir a Frente Popular e lançar Manuela D'Ávila para a prefeitura de Porto Alegre. Cristóvão mostra como o PPS brittista colocou seus ovos em duas cestas, apoiando formalmente a Manuela mas mantendo quadros – como Cézar Busatto, ex-chefe da Casa Civil da Yeda Crusius (PSDB), ou a esposa de Busatto, Clênia Maranhão – na campanha de Fogaça (PMDB). A tática é conhecida e “chupa” a densidade eleitoral de um partido para ser capitalizada por outro.

O resultado foi um desastre para o PC do B. O PPS teve 842 votos na legenda e elegeu três vereadores para a Câmera. O PC do B? Teve 14.796 votos na legenda e não colocou nenhum vereador na Câmara. Deixo para os gaúchos a tarefa de calcular quantos vereadores o PC do B poderia ter elegido no interior da Frente Popular.

No dia 06 de outubro, segunda-feira, às 13:10, o jornalista Políbio Braga publicou o texto de Cristóvão sem crédito, com o cabeçalho “Opinião dos leitores”, o que evidentemente dá a entender que o texto era de autoria de um leitor seu. Foi publicado assim: sem fonte, sem link, sem nada. Como está documentado no Diário Gauche, ainda na segunda-feira, às 20:22, Políbio foi avisado por email, pela Cláudia Cardoso, que o texto havia sido escrito pelo Cristóvão. À uma hora da manhã desta quarta-feira, mais de vinte e oito horas depois, Políbio ainda mantinha o texto plagiado em seu site, sem qualquer crédito ao devido autor ou reconhecimento do grave erro.

Políbio é jornalista e trabalhou na Zero Hora e na Veja.



  Escrito por Idelber às 00:37 | link para este post | Comentários (20)



terça-feira, 07 de outubro 2008

Números das eleições de domingo

O leitor Marcos D. fez a gentileza de produzir esta compilação sobre os resultados nas maiores cidades brasileiras. Agradeço-lhe muito pelo trabalho e publico só os números, sem comentários.

Número de prefeitos eleitos por cada partido nas cidades com mais de 200.000 eleitores:

PT:
1) Rio Branco (AC);
2) Fortaleza (CE);
3) Cariacica (ES);
4) Vitória (ES);
5) Betim (MG);
6) Recife (PE);
7) Belford Roxo (RJ);
8) Nova Iguaçu (RJ);
9) Porto Velho (RO);
10) Carapicuíba (SP);
11) Diadema (SP);
12) Osasco (SP);


PC do B:

1 Olinda (PE);
2)Aracaju (SE);


PP:
1) Maceió (AL);
2) Uberlândia (MG);
3) Maringá (PR);

PMDB:
1) Aparecida de Goiânia (GO);
2) Goiânia (GO);
3) Campo Grande (MS);
4) Uberaba (MG);
5) Campos (RJ);
6) Volta Redonda (RJ);
7) Caxias do Sul (RS);
8) Guarujá (SP);
9) Santos (SP);
10) Ananindeua (PA);

PDT:
1)Serra (ES);
2)Niterói (RJ);
3)São Gonçalo (RJ);
4)Campinas (SP);

PSB:
1)João Pessoa (PB);
2)São Vicente (SP);

PSDB:
1) Curitiba (PR);
2) Jaboatão dos Guararapes (PE);
3) Teresina (PI);
4) Duque de Caxias (RJ);
5) Franca (SP);
6) Jundiaí (SP);
7) Piracicaba (SP);
8) S.José dos Campos (SP);
9) Sorocaba (SP);


DEM:
1)Feira de Santana (BA);
2)Mogi das Cruzes (SP);
3)Ribeirão Preto (SP);
4)Blumenau (SC);


PR:
1)São João do Meriti (RJ);

PV:
1) Natal (RN);


2º. Turno –
1) Macapá (AP) -(PSB X PDT);
2) Manaus (AM)- (PTB X PSB);
3) Salvador (BA) -(PT X PMDB);
4) Anápolis (GO) - (PT X PMDB);
5) Vila Velha (ES) - (PR X PMDB);
6) São Luís (MA) - (PSDB X PC do B);
7) Cuiabá (MT) -(PSDB X PR);
8) Belo Horizonte (MG) - (PSB X PMDB);
9) Contagem (MG) - (PT X PSDB);
10) Juiz de Fora (MG) - (PT X PSDB);
11) Montes Claros (MG) -(PMDB X PPS);
12) Belém (PA)- (PTB X PMDB);
13) Campina Grande (PB) - (PMDB X PSDB);
14) Londrina (PR) - (PP X PSDB);
15) Ponta Grossa (PR)- (PSDB X PPS);
16) Petrópolis (RJ) - (PT X PSB);
17) Rio de Janeiro (RJ) - (PMDB X PV);
18) Canoas (RS)- (PT X PTB);
19) Pelotas (RS) - (PT X PP);
20) Porto Alegre (RS) - (PMDB X PT);
21) Bauru (SP) - (PSDB X PMDB)/
22) Guarulhos (SP) - (PT X PSDB);
23) Mauá (SP) - (PT X PSB);
24) Santo André (SP) - (PT X PTB);
25) S.Bernardo do Campo (SP) - (PT X PSDB);
26) S.José do Rio Preto (SP) - (PSB X PT);
27) São Paulo (SP) - (DEM X PT);
28) Florianópolis (SC) - (PMDB X PP);
29) Joinville (SC) - (PT X DEM);


Número de cidades em que cada partido disputará o 2o. turno:

PT - 15
PMDB - 11
PSDB - 10
PSB - 6
PTB - 4
PP - 3
DEM - 2
PR - 2
PPS - 2
PDT - 1
PC do B - 1
PV - 1

Nestas 77 cidades:

Prefeitos eleitos pelos partidos da base de Lula: 34
Prefeitos eleitos pela oposição a Lula: 14
Cidades em que haverá segundo turno: 29
Cidades em que a base de Lula e a oposição se enfrentam no 2o. turno: 13
Cidades em que candidatos da base de Lula se enfrentam no 2o. turno 15
Cidades em que dois candidatos da oposição a Lula se enfrentam no 2o turno: 1



  Escrito por Idelber às 04:17 | link para este post | Comentários (58)



segunda-feira, 06 de outubro 2008

Open thread das eleições

A análise mais detalhada dos resultados deste domingo virá depois, já que eu tenho que ir ali pegar um avião para palestrar em Georgetown University.

Não vou sem antes, no entanto, dizer que se terá que fazer muito malabarismo para ler nesses resultados algo diferente do que aconteceu: uma vitória avalassadora da base de sustentação do presidente Lula, e muito especialmente das forças de esquerda (PT, mas também PC do B e PSB), que elegeram no primeiro turno, para limitar-nos às capitais, os prefeitos de Vitória, Rio Branco, Recife, Fortaleza, Aracaju, Porto Velho, Boa Vista, João Pessoa e Palmas, além de enviar candidatos petistas, socialistas ou comunistas aos segundos turnos de Salvador (enterrando ACM), Porto Alegre, São Paulo, São Luís, Macapá, Manaus e, dependendo de como você olhe a coisa, Belo Horizonte. Além disso, a base de sustentação do governo, com forças que não são de esquerda, venceu em Goiânia, Maceió e Campo Grande e está no segundo turno em Florianópolis, Cuiabá e Belém. O governo só foi derrotado no primeiro turno de Natal, Curitiba, Teresina e, dependendo de como você veja a coisa, Rio de Janeiro.

Nas cidades médias do chamado G-79, a onda vermelha inclui uma longa lista de vitórias no primeiro turno, que vai de Betim a Nova Iguaçu, de Belford Roxo a Osasco, além de uma série de vantagens largas para o segundo turno em muitas outras.

A coisa ficou tão feia para a direita que o blogueiro da Veja está comemorando o fato de que Luiz Marinho (PT), em São Bernardo do Campo, "só" conseguiu 49% dos votos e terá que confirmar a vitória no segundo turno.

Em Minas Gerais, o PT elegeu mais de 100 prefeitos e venceu na grande maioria das cidades importantes. Não fosse a ambição e a visão estreita de Fernando Pimentel, o PT teria varrido Aécio Neves das cidades grandes e médias de Minas.

Claro que Natal foi um revés importante, na medida em que Lula tomou a coisa meio emocionalmente e sua candidata perdeu. É evidente que Porto Alegre e São Paulo serão pelejas duríssimas que, em caso de derrota, relativizarão a avalanche.

Até mesmo a lambança feita em Belo Horizonte tem o seu lado positivo -- o eleitorado rejeitou o coronelismo e recusou-se a eleger um candidato que tinha tudo nas mãos: as máquinas estadual e municipal, a TV, o dinheiro.

Sobre o Rio de Janeiro, uma palavra: é de um cinismo atroz que os apoiadores de Fernando Gabeira achem natural receber endosso automático do PC do B, do PT e do PSOL, enquanto todas as forças políticas que sustentam Gabeira -- o PPS, o PSDB, o PV -- se aninham com Fogaça em Porto Alegre e com Kassab em São Paulo, optando por compor alianças contra a esquerda em todas as cidades importantes onde a escolha se apresenta. No Rio, a esquerda é de uma incompetência terrível, mas ela será o fiel da balança, com seus 17%. Há duas alternativas para o PT e o PC do B no Rio de Janeiro. Apoiar Gabeira não é uma delas.



  Escrito por Idelber às 00:55 | link para este post | Comentários (250)



domingo, 05 de outubro 2008

Cobertura das eleições municipais

elections.jpg

Este post será atualizado várias vezes no dia de hoje, provavelmente a partir do final da tarde, com links, números e comentários sobre as eleições municipais brasileiras. São 5.563 municipios elegendo prefeitos e vereadores. No G-79, ou seja, as 26 capitais e outras 53 cidades com mais de 200.000 eleitores, pode haver segundo turno. Chegando das urnas, deixe aí o seu depoimento. Dentro de algumas horas eu começo a acrescentar informações e comentários ao post.



23:12. Que vergonha a sua cobertura, Josias de Souza. Eu me sentiria envergonhado de ser pago para fazer isso. Derrota de Lula? Onde? Em Natal e mais onde?

22:56. Nova Iguaçu (Lindberg Farias, PT), Belford Roxo (Alcides Rolim, PT) e Niterói (Jorge Roberto da Silveira, PDT) também aderiram à onda vermelha.

22:50. O PT já venceu ou está na frente na maioria das cidades importantes do interior de São Paulo: Diadema, Guarulhos, Mauá, Osasco, São Bernardo do Campo, Carapicuiba, Santo André. O aliado PSB, também de esquerda, lidera em São Vicente e São José do Rio Preto. A esquerda perdeu em Santos, Franca, Bauru e Jundiaí.

22:42. Rondônia e Roraima são vermelhas. Roberto Sobrinho (PT) vence com 59% em Porto Velho e Iradílson Sampaio (PSB) leva em Boa Vista com 54%.

22:37. Onda vermelha no Acre. Angelim, do PT, decide a parada no primeiro turno em Rio Branco e vence com 50,8% dos votos.

22:34. Maria do Carmo (PT) é a prefeita eleita de Betim, numa vitória histórica, no primeiro turno, com 50,8% dos votos. Se não fosse a ambição pessoal do Sr. Fernando Pimentel, o PT teria varrido Aécio Neves de praticamente todas as cidades importantes das Alterosas.

22:30. O PT superou todas as expectativas no interior de Minas. Além dos sensacionais resultados em Juiz de Fora, Ipatinga, Betim, Contagem, Pouso Alegre, Varginha e Alfenas, o PT fez barba, cabelo e bigode no Leste: Governador Valadares (Elisa Costa), Coronel Fabriciano (Chico Simoes), Caratinga (Joao Bosco Pressine).

22:09. Reta final empolgante em Betim. Com 98% dos votos apurados, Maria do Carmo (PT) contabiliza 50,6% e tem tudo para levar no primeiro turno. Seria uma grande vitória para a esquerda. Betim é parte do G-79.

21:56. A esquerda venceu em toda a região metropolitana de Belo Horizonte. Em Contagem, Marília Campos (PT) vai para o segundo turno como favorita, tendo recebido 43% dos votos. A disputa é com Ademir Lucas (PSDB), antiquíssimo cacique local, que teve 37%. Marília deve receber o apoio de Carlin, do PC do B, que teve 11%. Outra vitória petista que se anuncia em Minas.

21: 04. Além de Maceió, o outro revés da onda vermelha nas capitais do Nordeste é Natal (RN). É um revés importante. Lula jogou pesado na tentativa de levar Fátima Bezerra (PT) ao segundo turno. Venceu Micarla, do PV que, no Nordeste, incrivelmente, é uma filial dos pêfêlês. Vitória de Agripino (DEM).

21:00. O sul de Minas é vermelho! O PT ganha de lavada nas principais cidades da região: Varginha: Eduardo Corujinha (PT) tem 51,84% com 90% dos votos apurados. Em Pouso Alegre, Agnaldo Perugini (PT) tem 52,30%, com 83% dos votos apurados. Em Alfenas, Pompílio (PT) venceu com 46,58%.

20:50: Em outro momento, vou elaborar um pouco mais minha posição sobre isso, mas eu acho que no segundo turno em Belo Horizonte e no Rio, a esquerda (PT, PC do B, PSOL) deve se sentar com Fernando Gabeira e com Márcio Lacerda, com papos diferentes. A Lacerda, dizer: olha, meu chapa, nós pilotamos esta joça com sucesso durante 16 anos. Para nós, dá na mesma esta merda, que já está feita. Quer o nosso apoio? Queremos X, Y e Z, senão apoiamos Quintão e vamos humilhar a você e sua máquina. X, Y e Z não seriam cargos nem falcatruas, mas certos compromissos de gestão e de espaço. A Gabeira, dizer: beleza, quer o nosso apoio? Vamos pensar numa coalizão que leve este barco um pouco à esquerda e com relações diferentes com o governo Lula. Se não, apoiamos Paes, que pelo menos está na base no governo agora. Conversar. Mas conversar duro.

20:38: No momento, o blogueiro só tem olhos para a eleição em Betim, importantíssima cidade da região metropolitana de BH, onde a guerreira Maria do Carmo (PT) pode levar no primeiro turno. Pode. Ainda não está confirmado. Atenção a Betim, por favor, leitores. É uma cidade chave. A disputa lá é com Rômulo Veneroso, da coalizão tucano-pêfêlê, apoiada pelo PSB mineiro, que é uma chapa-branca aecista.


20:37
: O Vale do Aço é vermelho! Um quadro histórico do PT, líder metalúrgico com muita estrada e com quem compartilhei grandes momentos, Chico Ferramenta, derrota Sebastião Quintão (pai de Leonardo Quintão, que está no segundo turno em BH) e é o novo prefeito de Ipatinga.

20:29. A cidade é pequenininha, mas é importante para o blogueiro: Onda vermelha em Ibiá, no Triângulo Mineiro, onde Mendes, do PC do B, derrotou a múmia tucana Paulo Jibóia. Ibiá é vermelha.

20:11: Onda vermelha nos pampas! Em Porto Alegre, está confirmado: o segundo turno acontecerá entre o atual prefeito Fogaça (PMDB) e Maria do Rosário (PT). O PC do B pagou o preço por uma escolha precipitada, de uma jovem e promissora liderança de 27 anos de idade que ainda não tinha por que se candidatar (também defendo que no Rio de Janeiro, o PT foi divisionista e burro, ao não apoiar o PC do B de Jandira). O Rio Grande do Sul tem mais três cidades no G-79: em Pelotas, Fernando Marroni (PT) está no segundo turno, contra Adolfo Fetter Júnior (PP). Em Canoas, os tucanos foram humilhados na sua vitrine: Jairo Jorge (PT) liderou a votação e está no segundo turno contra Jurandir Maciel (PTB). Do G-79 gaúcho, o PT só perdeu em Caxias, onde foi reeleito José Ivo Sartori (PMDB). Além disso, o PT venceu em Esteio, Novo Hamburgo, São Leopoldo, Sapucaia do Sul, Gravataí e Erechim. Maria do Rosário tem tudo para vencer no segundo turno em Porto Alegre. É preciso costurar as alianças com habilidade agora.

19:50. Onda vermelha baiana! O blogueiro abre sua primeira Beck's. Com 96% das urnas apuradas, está sacramentado o sepultamento, a humilhação definitiva do carlismo na Boa Terra! O tampinha ACM Neto -- aquele que ameaçou bater em Lula e que sem guarda-costas não encararia nem meu filho de 12 anos -- está fora do segundo turno! Ele será disputado por Walter Pinheiro, do PT, e João Henrique, do PMDB, dois candidatos lulistas. Do ponto de vista prático da esquerda, talvez até tivesse sido preferível que Pinheiro enfrentasse o sinhozinho ACM no segundo turno, pois o derrotaria facilmente. Mas do ponto de vista simbólico, é muito importante enfiar a última pá de cal nesse clã. Salve, Walter Pinheiro. Salve, Bahia!

19:49. Alô, Tribunal Superior Eleitoral, que tal arrumar um servidor que dê conta do tranco?

19:35: Uma exceção à onda vermelha no Nordeste: Cícero Almeida (PP) derrota Judson (PT) em Maceió e leva no primeiro turno, com acachapantes 81% dos votos.

19:29. Onda vermelha sergipana! Com 99% das urnas apuradas, Edvaldo Nogueira, do PC do B, apoiado pelo PT e pelo PSB, está reeleito como prefeito de Aracaju, com 51,7% dos votos. Parabéns, Paraíba! Passem lá no blog do Paraíba para dar-lhe as felicitações, pois ele é um dos artífices desta vitória.

19:24. Só a burrice da esquerda impediu que a onda vermelha se estendesse até Florianópolis. Afrânio Boppré (PSOL), Angela Albino (PC do B) e Nildomar Freire (PT) não se uniram e o segundo turno será disputado por Dário Berger (PMDB), e o ex-governador Esperidião Amin (PP)

19:16. Com 95% das urnas apuradas em Juiz de Fora, as notícias são sensacionais! Enfrentando o velho cacique local Tarcísio Delgado (PMDB) e o tucano Custódio Matos (PSDB), a petista Margarida Salomão deu uma arrancada fabulosa no final e conseguiu 40,9% dos votos. Vai para o segundo turno como favorita, contra Custódio, que teve 28,3%. O cacicão Delgado foi humilhado, ficando com apenas 20,4%. Está fora do segundo turno. Dona Margarida Salomão é a senhora que está no canto superior direito da montagem fotográfica que ilustra este post. Onda vermelha em Juiz de Fora. Margarida tem tudo para se eleger no segundo turno.

19:07: Onda vermelha na Paraíba! Ricardo Coutinho (PSB, em coligação com PT, PC do B e vários outros partidos) leva no primeiro turno com aproximadamente 73% dos votos. O tucano João Gonçalves ficou com cerca de 23% dos votos. São as oligarquias nordestinas sendo demolidas nas urnas, uma por uma.

18:45. O leitor Roberson confirma: o grande derrotado nas eleições goianas é o PSDB de Marconi Perillo. Além da vitória da coalização PT-PMDB em Goiânia, o candidato do PT em Anápolis, Antonio Gomide, deu uma arrancada no final e está no segundo turno, liderando com folga: 43% dos votos com 80% das urnas apuradas. A segunda vaga é disputada pau-a-pau por Santilo (PMDB) e Ridoval (PSDB), empatados com 20,3% cada um.

18:43. A Globo já decidiu qual é seu candidato no segundo turno carioca. É Fernando Gabeira, a exemplo do que havia ocorrido no primeiro. Nós aqui pelo menos assumimos para quem torcemos.

18:38. Onda vermelha em Tocantins. Raul Filho (PT) é reeleito prefeito de Palmas.

18:35: Onda vermelha capixaba! João Coser (PT) está reeleito no primeiro turno, com aproximadamente 71% dos votos. Coser é petista histórico, fundador e quinto filiado do PT no Espírito Santo.

18:25. Salve, Janduís, Rio Grande do Norte.

18:22: Íris Resende (PMDB) está reeleito como prefeito de Goiânia, com apoio do PT. Teve 75% dos votos válidos segundo a boca de urna.

18:11. O PSOL perderá todo o meu respeito se optar por abster-se no segundo turno em São Paulo.

18:06: Preparem-se para a onda vermelha no interior de Minas. Ibituruna foi o primeiro município a oficializar resultado em MG. Francisco Pereira, do PT, está reeleito.

17:57. É patético, comovente mesmo, ver o esforço de Reinaldinho Azevedo para não enxergar a vitória avassaladora da esquerda neste primeiro turno. O coitado fica gritando: Não ganharam em Curitiba! Márcio Lacerda não é lulista! (o que é falso, aliás). É difícil brigar com os fatos.

17:52. O blogueiro aguarda ansioso a confirmação da derrota de sinhozinho ACM em Salvador para abrir a primeira cerveja.

17:50. Boca de urna no Rio de Janeiro: Eduardo Paes (PMDB): 33%Gabeira (PV): 23%Marcelo Crivella (PRB): 20%. A diferença entre Gabeira e Crivella está dentro da margem de erro. Tudo indica que o segundo turno será entre Paes e Gabeira, mas não dá para afirmar com certeza baseado só na boca de urna.

17:48. A esquerda vence em Campinas! Dr. Hélio (PDT) tem 70% dos votos nas pesquisas de boca de urna e está eleito.

17:41: Beto Richa (PSDB) está reeleito como prefeito de Curitiba. Teve 78% nas pesquisas de boca de urna. Gleisi, a lindíssima candidata do PT, chegou a 19% e se cacifou para a disputa de uma vaga no Senado. Richa deve servir só dois anos na prefeitura, para depois se candidatar ao governo do estado. Sobre Beto Richa, leia este texto do blogueiro Catatau, que é curitibano.

17:39: Tentaram derrotá-lo no tapetão, mas não teve jeito. Recife é vermelha! João da Costa (PT) tem 54% e Mendonça (DEM) tem 24% nas pesquisas de boca de urna. A diferença está fora da margem de erro. O PT continua pilotando a Veneza brasileira.

17: 36: Marta Suplicy vai enfrentar um segundo turno duríssimo em São Paulo, como já se esperava. Boca de urna em Sampa: Marta (PT), 36%Gilberto Kassab (DEM), 32%Geraldo Alckmin (PSDB), 21%. É importante lembrar, claro, que a transferência de votos de Alckmin a Kassab não é automática, que há um grupo tucano disposto a apoiar Marta e que o PT cresce nos segundos turnos. Mas será duro.

17:25. Boca de urna na Boa Terra: João Henrique (PMDB), com 31%, Walter Pinheiro (PT) com 31%, sinhozinho ACM (Pêfêlê), com 27%. A margem de erro é 2% para baixo ou para cima. Ou seja, a chance é bem grande de que sinhozinho fique fora do segundo turno.

17:23. De acordo com as pesquisas de boca de urna em Fortaleza, Luizianne Lins (PT) recebeu 53% dos votos. A margem de erro é de 2%. Tudo indica que Luizianne leva no primeiro turno.

17:03: Alô, belo-horizontinos, reparem em qual esquina o Márcio Lacerda foi tomar seu chopinho pós-eleição. Já diz muito, eu acho.

16:45: Faltam 15 minutos para o fechamento das urnas e o começo das apurações. Grandes expectativas do blog: a confirmação de Walter Pinheiro (PT) no segundo turno em Salvador, quem sabe já com derrota de ACM Neto; a possibilidade de vitórias já no primeiro turno de Luizianne Lins (PT) em Fortaleza, Edvaldo Nogueira (PC do B) em Aracaju, João Coser (PT) em Vitória, Raimundo Angelim (PT) em Rio Branco e João da Costa (PT) em Recife; o desempenho de Marta Suplicy em São Paulo; a ida de Maria do Carmo (PT) e Margarida Salomão (PT) ao segundo turno, respectivamente em Betim e em Juiz de Fora; a confirmação de Maria do Rosário no segundo turno em Porto Alegre; a possibilidade de uma onda vermelha no ABC paulista.

12: 27. O blog errou: no post do dia 26 de agosto, eu teci várias considerações sobre as eleições em SP, RJ, BH, PoA e Fortaleza, cidades cujas corridas eleitorais eu acompanho com atenção. Mantenho tudo o que disse sobre elas. No final, fiz um comentário leviano sobre o candidato petista em Salvador, Walter Pinheiro, baseado nos fatos de que ele é evangélico e de que o jornal A Tarde publicara uma matéria que sugeria hostilidade dele contra o candomblé. Um sujeito com a minha experiência já deveria ter aprendido a não confiar num jornal como A Tarde. A história estava mal contada. Fui corrigido pelo Galinho e pelo Franciel, amigos baianos, e agi como ajo sempre nessas horas: fui fazer meu dever de casa. Pesquisei muito sobre Pinheiro e não encontrei absolutamente nada que sugerisse proselitismo ou misturas entre religião e política. Descobri um parlamentar de trajetória impecável, com longa história na construção do PT baiano. Fica aqui, portanto, o reconhecimento do erro, o pedido de desculpas aos eleitores de esquerda da Boa Terra e a forte torcida para que Pinheiro esteja no segundo turno, de preferência deixando sinhozinho ACM de fora. Aqui a gente erra na primeira página e corrige na primeira página. Nada de errar na manchete e corrigir no cantinho da página 56.



  Escrito por Idelber às 09:39 | link para este post | Comentários (276)



sábado, 04 de outubro 2008

Esquentando os tamborins para as eleições de amanhã

Vou ali votar e já volto. Por aqui, trata-se de tentar mandar Cedric Richmond ao Congresso americano. Convido-os a que passem pelo Biscoito na tarde e na noite deste domingo, para que comentemos os primeiros números das eleições municipais brasileiras. No site do TSE, é possível baixar um programa chamado Divulga 2008, que lhes mantém informados sobre as apurações. Enquanto isso, fiquem com alguns links:

O Futepoca relembra um dia histórico para a democracia brasileira.

O Rovai oferece um panorama das eleições nas capitais.

O Altamiro Borges escreve sobre algumas afinidades eletivas de Fernando Gabeira.

Uma conhecida liderança do PT mineiro, Rogério Correia, denuncia Márcio Lacerda, o candidato aécio-pimentelista à prefeitura de BH, por violação de correspondência.

Apesar de engajadíssima na campanha de Kassab, a Folha não pôde deixar de relatar o crescimento do PSDB pró-Marta.

Em Porto Alegre, a última pesquisa da Revista Voto mostra Maria do Rosário (PT) abrindo cinco pontos sobre Manuela (PC do B) na disputa pela vaga anti-Fogaça no segundo turno (via RS Urgente).

No Rio de Janeiro, não se sabe o que vai acontecer, mas uma coisa é certa: a derrota fragorosa de César Maia, o pior prefeito brasileiro entre todas as capitais, segundo a avaliação do eleitorado. Para que se confirme a quase-extinção dos pefelês – reduzidos, quem diria, a São Paulo – falta chegar a boa notícia da Boa Terra: sinhozinho ACM fora do segundo turno. Será?



  Escrito por Idelber às 07:10 | link para este post | Comentários (58)



sexta-feira, 03 de outubro 2008

Estados decisivos. 3) Virgínia e Carolina do Norte

Virgínia e Carolina do Norte são a prova cabal de que a tradução encontrada pela Folha para swing states, “estados pêndulo”, é ruim e enganosa. VA e NC não têm nada de pendulares. Votam Republicano desde que o América-RJ era um time grande, mas este ano estão indefinidos. A Virgínia é vermelha desde 1952, com a exceção do massacre democrata de 1964, que se seguiu à morte de Kennedy. Ou seja, nenhum democrata vence por lá desde que Castelo Branco era presidente do Brasil. Na Carolina do Norte, é a mesma coisa: os democratas venceram lá em 1964 e em 1976, com Jimmy Carter, que era sulista. Mais nada. Para que vocês tenham uma idéia, o vice de John Kerry, em 2004, era John Edwards, nativo da Carolina do Norte. Nem assim tivemos qualquer chance lá. Os democratas perderam o Sul quando deixaram de ser o partido da segregação, com Lyndon Johnson. Barack Obama, pelo seu perfil, colocou estes estados na coluna indefinida de uma maneira que nenhum outro candidato democrata teria sido capaz de fazer.

Eis aqui o mapinha da vitória de Bush sobre Kerry na Virgínia em 2004 (de novo, lembro que as cores estão trocadas):

virginia-map.gif

John McCain vencerá Obama na grande maioria dos condados da Virgínia, sem dúvida. Mas praticamente todos esses condados coloridos de azul são áreas rurais ou semi-rurais, alguns com 5, outros com 10, uns poucos com um máximo de 30.000 eleitores. Bastião batista véio de guerra (alô, blogueiros da direita católica que lêem o Biscoito: para entender a Virgínia, não deixem de ler Darconville's Cat, de Alexander Theroux, livro desconhecido que é uma sensacional sátira da vida batista no Sul dos EUA: Theroux é uma espécie de Jonathan Swift católico, um gênio).

O domínio religioso e republicano no interior do estado é amplo, mas trata-se de regiões pouco povoadas. Só naquele miolinho microscópico colorido de vermelho, na região centro-leste do estado, votaram 75.000 eleitores. É a cidade de Richmond, área metropolitana com forte presença negra (58% da população). Ali a vitória de Kerry foi por 70 x 29. Finalmente, o grande prêmio é Fairfax County, lá em cima. Nesse condado, que é parte da região metropolitana de Washington, D.C. e Baltimore, votaram 461.000 eleitores em 2004, e Kerry venceu por 53 x 45. Aguarde uma vitória ainda mais significativa de Obama em Fairfax County este ano. A outra vitória importante de Kerry foi em Albermarle County (o condado grande mais ou menos no centro do estado): trata-se de Charlottesville, sede da boa Universidade da Virgínia. Kerry venceu lá por 50 x 48. Com uma criacionista na chapa republicana e uma tremenda mobilização democrata entre os jovens, duvido que Barack não amplie essa margem.

A demografia de Virgínia mudou muito nos últimos anos. O norte do estado tem recibido muitos profissionais liberais que trabalham em D.C. ou em Baltimore. Barack sacou muito cedo essa mudança e massacrou Hillary nas primárias democratas da Virgínia, com um trabalho de organização de base que deixou os outros pré-candidatos democratas a ver navios. Não se iludam: a chapa republicana ainda é ligeiramente favorita na Virgínia. Mas é inegável que as pesquisas estão deixando o campo de McCain preocupado. A última Mason-Dixon dá McCain na frente por 48 x 45, mas ela é uma exceção. A Insider Advantage dá Obama 51 x 45 McCain e, incrivelmente, a CNN/ Time dá Obama 53 x 44. Se McCain não conseguir defender a Virgínia, um estado que vota Republicano desde 1964, é porque a vaca dele foi para o brejo.

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Carolina do Norte:

Sobre este maravilhoso estado, eu poderia preencher um livro. Morei lá durante 6 anos. É a meca imortal do basquetebol. Estudei nas duas principais universidades da região, a Universidade da Carolina do Norte, onde fiz o mestrado, e Duke University, onde fiz o doutorado. A rivalidade entre Duke e Carolina no basquete é coisa muito séria, que faz o Gre-Nal ou o Galo x Raposa parecer coisa de criança. Sem dúvida, é a rivalidade mais feroz de todo o universo esportivo universitário norte-americano. Entre 1993 e 1996, eu passei pela insólita situação de ser um torcedor de Carolina dando aulas em Duke. Carolina tinha um timaço, que foi campeão nacional em 1993. A cada vitória sobre Duke, eu tirava um sarro da cara dos alunos.

O meu amor pelos Tar Heels só se compara ao meu amor pelo Galo. O legendário técnico Dean Smith, que comandou os Heels entre 1961 e 1997, é o verdadeiro Telê Santana do basquete: amado e respeitado por todos, ele foi peça chave na luta contra a segregação nos anos 60, participando de inúmeros lunch counter sit-ins contra o racismo. Não só formou grandes equipes. Formou homens, que eram exemplares também na sala de aula. Jamais trapaceou na parte acadêmica, num meio onde os técnicos freqüentemente recorrem a falcatruas para burlar os requisitos escolares e conseguir vitórias esportivas.

Confira aí o jumper do moleque Michael Jordan, que estudou português na UNC e nos deu o título nacional de 1982:

Se, dois anos atrás, você me dissesse que um candidato democrata negro estaria empatado com John McCain na Carolina do Norte, eu teria lhe aconselhado procurar um psiquiatra. Os extremos leste (o litoral) e oeste (as montanhas Apalaches) do estado são brutalmente conservadores. No miolo do estado, encontra-se o chamado Research Triangle Park, mega-área universitária formada pela UNC, Duke e a NC State, uma universidade de perfil mais técnico. A região freqüentemente aparece nos primeiros lugares dos EUA no ranking da qualidade de vida. É um lugar maravilhoso para se morar. O senador ultra-reacionário Jesse Helms se referiu, uma vez, a Chapel Hill, sede da UNC, como um “zoológico” e sugeriu construir uma cerca em volta da cidade. Em 2004, Kerry venceu Bush só ali e em parte dos extremos sul e norte do estado. O condado vermelho no extremo sul, mais a oeste, é importante: trata-se de Mecklenburg County, onde fica Charlotte, a metrópole do estado. Ali, 323.000 eleitores votaram em 2004:

NC-map.gif

Numa conversa com uma liderança da campanha de Obama, alguns meses atrás, ela me avisava que Barack ia investir pesado no esforço de trazer a Carolina do Norte para a coluna democrata. Eu dei uma gargalhada e zombei: você está me dizendo que um negão democrata de nome Hussein formado em Harvard vai bater o São McCain no estado de Jesse Helms? Ela tirou um mapa da mochila, abriu-o sobre a mesa e retrucou: você conhece o estado. Venha cá e faça as contas. Durham County são quantos eleitores? Agora veja a mudança na demografia do norte do estado de 2004 para cá. Agora veja os números da primárias. Agora observe quantos eleitores nós registramos. Atônito, eu acompanhava a matemática e reconhecia que fazia sentido. Esse poder visionário da campanha de Obama é o grande dado da eleição deste ano. Se a candidata fosse Hillary, a campanha democrata não estaria nem sobrevoando a Carolina do Norte. Nem mesmo Bill Clinton, um sulista que venceu duas eleições de goleada, conseguiu derrotar os Republicanos em NC.

As chaves para que Obama tenha chances por lá são Charlotte, Durham, Raleigh e Chapel Hill. Se aumentar a vantagem de Kerry nessas cidades e conseguir comparecimento eleitoral superior ao de 2004, Barack pode levar. Os números atuais são bons: a Rassmussen dá Obama 50 x 47 McCain, a PPP dá Obama 47 x 45, e a ARG é a única que ainda dá McCain na frente: 49 x 46.

Se Barack vencer nestes dois estados, é porque terá vencido a eleição de goleada no Colégio Eleitoral. McCain não pode nem sonhar em perdê-los. Não há mapa de vitória para o Republicano sem pelo menos um deles.



  Escrito por Idelber às 11:09 | link para este post | Comentários (28)



quinta-feira, 02 de outubro 2008

Cobertura ao vivo: Biden x Palin

Estou a postos para o começo do debate em Washington University, St. Louis, entre Joe Biden, candidato democrata à vice-presidência, versus Sarah Palin, candidata republicana. As atualizações serão feitas neste post. De novo, estamos em dobradinha com o Pedro Dória, na parceria que vem desde as primárias. St. Louis, evidentemente, é Obamaland.

12: 21: Valeu, Pedrão. O site aqui andou precisando de Viagra, mas sobrevivemos. Obrigado, leitores, pela paciência e comentários.

12:05: Em termos de gafes de Sarah Palin, houve só uma grave, imperceptível para o eleitor médio. Ela errou o nome do comandante das tropas americanas no Afeganistão. O nome dele é David D. McKiernan. Ela o chamou várias vezes de McClellan. Além de errar o nome, ela mentiu sobre as declarações do general.

11:54: A pesquisa da CNN até agora dá Biden 76 x 22 Palin.

11:32: Conclusão: Meio anti-climático, dadas as expectativas criadas. Biden foi corretíssimo, não teve nenhum deslize condescendente, não foi agressivo, foi coerente com o programa de Barack, defendeu-o bem. Palin foi surpreendentemente fluente, não engasgou, não cometeu nenhuma gafe, repetiu bem os slogans de campanha. Tudo como dantes, o que não deixa de ser bom para Obama.

11:29: É surpreendente o desempenho de Palin. Cheio de mentiras, claro (a velha história de que Obama vai "aumentar impostos para a classe média", por exemplo, quando o plano é aumentar impostos para quem ganha mais de US $ 250.000), mas seguro, fluente e tirando as cartas certas da manga no momento certo.

11:24: Este me pareceu o melhor momento de Biden: vamos falar do "maverick" (do "independente"): McCain não foi "maverick" em questões de educação; em questões de assistência médica; em questões fiscais. Votou sempre com Bush. Foi muito bem nessa resposta.

11:12: Como o Movable Type anda me irritando pra cacete, já vou encaminhando conclusões: tudo como dantes no quartel de Abrantes. A não ser que aconteça algum desastre daqui até o final -- uma gafe de Palin, uma grosseria de Biden -- o debate ficará empatado em pontos entre os indecisos, e a campanha continuará na curva em que ela vem se desenvolvendo. O medo dos democratas não se realizou. O medo dos republicanos também não.

11:05: Não dá para negar: Palin vai muito bem. Tinha todas as cartas certas na manga. E chamou Biden na sua incoerência: "Ora, meu chapa, você votou a favor da guerra. Era uma resolução de guerra". Irrefutável.

10:57: Palin: "Obama disse que estamos matando civis no Afeganistão! Que absurdo! Nós estamos construindo escolas para as crianças!"

10: 56: Eu acho que a moderadora insistiu na pergunta sobre armas nucleares só para ver Palin pronunciar "nukular" de novo.

10: 53: Começou o joguinho de quem é mais amigo de Israel.

10: 51: Contra-jab de Biden: McCain falou que não se sentaria nem com o governo da Espanha! Um aliado e membro da OTAN, que tem tropas no Afeganistão.

10: 48: O melhor momento de Palin até agora foi a lembrança da desastrada declaração de Biden há uns meses: "seria uma honra concorrer na mesma chapa de McCain e Obama não está pronto para ser presidente". Claro que ela tinha essa na manga.

10:47: Assim como Bush, Palin pronuncia "nuclear" como "nukular". É sensacional.

10:46: Biscoito pedindo arrego total com o excesso de visitas. Está difícil atualizar.

10:31: Primeira pérola de Palin: "não vou atribuir as ações dos homens à mudança de clima". (queria dizer, claro, o contrário).

10:24: Palin responde bem, citando um plano energético pelo qual Obama votou. Biden explica que no momento de votar nos cortes de impostos para grandes empresas de petróleo, Obama votou contra e McCain a favor. E cita os 4 bilhões de cortes adicionais para elas no plano presidencial de McCain.

10:20: Porrada certeira de Biden: o plano de McCain só é capaz de dar um crédito de 5 mangos porque ele taxa seu plano de saúde, com grana que vai direto para as seguradoras. E termina com uma estocada: it's the ultimate bridge to nowhere! (a ponte para lugar nenhum é a maluquice que Palin quis construir no Alaska).

10:18: Palin já mentiu uma vez – responsabilizando McCain pela passagem do socorro na Câmara dos Deputados – e escorregou uma vez, mudando de assunto. Mas vai bem, vai bem a Palin.

10:14: Biden soltou um jab. “a governadora não respondeu a pergunta sobre a desregulamentação”. Palin mudou de assunto de novo e passou a falar de seu trabalho como governadora. A crítica é irrespondível: boa parte da população sabe que a desregulamentação está na raiz da crise.

10:11: Biden está treinadinho: atacar McCain, atacar McCain. Nenhum ataque direto a Palin.

10:09: Biden foi bem, respondendo a pergunta sobre o socorro financeiro sem responsabilizar-se por uma medida que não é nada popular. Palin recitou bem os slogans de campanha.

10:03: E rola a pelota! Pergunta para Biden sobre o socorro financeiro.

10:02: São cinco segmentos, com respostas de 90 segundos e réplicas de 2 minutos. Formato fechadão, imposto pelos republicanos.

10:01: O dia não foi nada bom para McCain. Sua campanha oficialmente desistiu de Michigan. O mapa vai ficando bem restrito para o candidato republicano.

9:59: Comentarista da CNN: As expectativas para Palin são tão baixas que se ela encadear três frases completas, já será uma vitória.

9:58: Nos debates para Governador do Alaska, Palin se saiu bem. Conseguiu “conectar-se” com o público, na base do discurso “eu sou uma de vocês”.

9:56: Como sabemos, debate é jogo de expectativas. E, neste caso, a coisa é paradoxalmente para muito complicada para Biden. Trata-se da velha história de bater em bêbado: um político experiente, com 35 anos de Senado, está debatendo com uma governadora que deu todas as provas possíveis de ignorância nas últimas semanas. A tarefa de Biden é concentrar-se nas críticas a McCain. Derrotar Palin sem parecer arrogante ou condescendente e, muito especialmente, sem parecer sexista.



  Escrito por Idelber às 21:46 | link para este post | Comentários (91)




Ovas de peixe voador e filhotes de enguias

Apesar do já tradicional tom desqualificador usado para se referir à Operação Satiagraha, do Doutor Protógenes Queiroz, a revista IstoÉ publicou matéria que confirma algo que Paulo Henrique Amorim já havia dito há 20 dias. A procuradora Lívia Nascimento Tinôco estaria investigando um jantar ocorrido na noite de 11 de junho – ou 12, segundo PHA – no restaurante Original Shundi, na quadra comercial 408 Sul, em Brasília, com as presenças de assessores de Gilmar Mendes e de advogados de Daniel Dantas.

Apesar da manchete dada pelo Noblat, a reação de Gilmar Mendes não foi a de pedir apuração nenhuma. Ele, que acusou a ABIN de espioná-lo e até hoje não apresentou uma mísera prova, declarou, sobre o caso: divulgam-se para a imprensa falsas notícias e informações, com o propósito de colocar o juiz em situação de descrédito e intimidação.

É desnecessário dizer que a única pessoa que trouxe descrédito a Gilmar Mendes foi o próprio Gilmar Mendes, com uma seqüência de atitudes completamente incompatíveis com a posição de Presidente da Suprema Corte do país. A Folha de São Paulo, que nos últimos meses forneceu a Mendes praticamente uma manchete diária no Caderno Brasil, reproduzindo declarações anódinas, suspeitas e ilógicas sem oferecer qualquer contraponto, até agora não deu uma linha sequer acerca da investigação sobre o referido jantar.

PS: À noite eu volto, com o showzaço Biden-Palin.



  Escrito por Idelber às 06:06 | link para este post | Comentários (66)



quarta-feira, 01 de outubro 2008

Convite a quem estiver na região de Washington, D.C.

A legendária, venerável Georgetown University me recebe na próxima terça-feira para uma palestra sobre literatura brasileira. Se você mora na região de Washington, D.C., apareça por lá. Aqui vão os detalhes. A apresentação será em inglês, mas traduzo o resumo para que todos saibam de que se trata.

Estratégias e representações da masculinidade na ficção brasileira contemporânea
Prof. Idelber Avelar (Tulane University)

Bunn Intercultural Center, Georgetown University
7th Floor Conference Room
October 7th, 2008
2pm to 4:30 pm

A narrativa brasileira contemporânea com freqüência retrata um homem tendo que se perguntar o que é que o constitui como tal. Na copiosa bibliografia produzida sobre a ficção brasileira atual, no entanto, há poucos estudos dedicados à questão da masculinidade. A palestra analisará alguns momentos chave na representação da masculinidade na narrativa brasileira: o militante heróico e sacrificial de O que é isso, companheiro? (1979) e o homem pós-feminista de Crepúsculo do macho (1980), de Fernando Gabeira; a entrada da literatura de temática gay, dedicada a explorar a circulação do desejo homoerótico, em Morangos mofados (1988), de Caio Fernando Abreu; a forte crise da masculinidade e, especialmente, da paternidade em O filho eterno (2007), de Cristóvão Tezza. A palestra está inserida num contexto de análise dos deslocamentos na representação dos homens na literatura brasileira, da ditadura à democracia.

PS: Não, não vou dizer uma palavra sobre a candidatura de Gabeira na palestra.

PS 2: A campanha de McCain jogou a toalha em Iowa. Risquem Iowa da sua lista de estados indefinidos.



  Escrito por Idelber às 18:12 | link para este post | Comentários (20)




Sarah Palin é incapaz de nomear um jornal americano

A jornalista Katie Couric está entrando para a história da política americana com as entrevistas que tem feito com a candidata republicana à vice-presidência, Sarah Palin. Depois de impedir que a candidata tivesse qualquer contato com a imprensa durante semanas, a campanha de McCain liberou Palin para alguns papos com Couric. Talvez tivesse sido melhor lançar Palin aos leões do jornalismo beligerante. O massacre quiçá lhe rendesse alguma simpatia ou compaixão. Com voz macia, dicção pausada, perguntas simples (que exigiriam respostas específicas) e um grande talento para conter as gargalhadas, Couric tem levado Palin a sucessivos desastres, que deixam entrever sua assombrosa ignorância. Seleciono hoje os meus dois trechos favoritos. Este é o primeiro, em que, depois que Palin afirma que havia estado lendo muitos jornais para se preparar, Couric lhe pede que cite algum. A candidata republicana é incapaz de citar o nome de um jornal americano. Confira:





Mas o campeão realmente é este vídeo, em que, ante uma pergunta sobre o recente pacote de socorro ao setor financeiro, Palin produz um dos parágrafos mais insanos da história da língua inglesa. Acompanhe o show e depois leia a tradução exclusiva do Biscoito:

Ok, qualquer um que se proponha a traduzir isso está fadado ao ridículo, mas aí vai minha melhor tentativa:

Pergunta: Por que não seria melhor, Governadora Palin, gastar os US$ 700 bilhões ajudando as famílias de classe média que estão em dificuldades com assistência médica, moradia, gasolina e comida, para permitir que elas gastem mais e coloquem mais dinheiro na economia, ao invés de ajudar essas grandes instituições financeiras que cumpriram um papel na criação dessa bagunça?

Resposta: É por isso que eu digo que eu, como todo americano com o qual eu estou conversando, estamos doentes com essa posição em que fomos colocados. Onde são os contribuintes tentando socorrer. Mas no final das contas, o que o socorro faz é ajudar aqueles que estão preocupados com a reforma do sistema de saúde que é necessária para consertar nossa economia. Uh, ajudar... oh .. tem que ser tudo para criar empregos. Consertar nossa economia e colocá-la de volta nos trilhos. Então, a reforma do sistema de saúde, e baixar os impostos, e controlar os gastos tem que acompanhar a redução de impostos e os alívios de impostos para os americanos, e o comércio. Nós temos que ver o comércio como oportunidade, não, uh, como uma coisa competitiva e, uh, que dá medo. Temos que olhar para isso como mais oportunidade. Todas essas coisas sob o guarda-chuva da criação de empregos.

É, mes amis, é o Império, na sua marcha inexorável. Assim, não há humorista que consiga chegar perto. É um caso único, em que a paródia não necessita fazer nada além de citar o original. A literatura pós-moderna tenta há décadas, mas só Sarah Palin consegue transformar a paráfrase em paródia.

PS 1: Continua a curva ascendente de Obama nas pesquisas. Os números mais comemorados hoje foram: 1) Rassmussen dá Obama 50 x 47 em Virgínia, estado republicano; 2) Rassmussen dá Obama 49 x 47 na Carolina do Norte, estado republicaníssimo. 3) Rassmussen dá Obama por 8 pontos na Pensilvânia. Digamos o seguinte: qualquer candidato republicano que esteja atrás 8 pontos na Pensilvânia e sofrendo para empatar nos bastiões vermelhos da Virgínia e da Carolina do Norte está em sérios, sérios apuros.

PS 2: Eu me interno até amanhã à noite para terminar de redigir um projeto de pesquisa. Mas volto às 22 de Brasília, para o debate que pode decidir a eleição.

Atualização: A tradução foi aperfeiçoada. Obrigado, Pedrin.



  Escrito por Idelber às 05:01 | link para este post | Comentários (47)