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sábado, 04 de outubro 2008
Esquentando os tamborins para as eleições de amanhã
Vou ali votar e já volto. Por aqui, trata-se de tentar mandar Cedric Richmond ao Congresso americano. Convido-os a que passem pelo Biscoito na tarde e na noite deste domingo, para que comentemos os primeiros números das eleições municipais brasileiras. No site do TSE, é possível baixar um programa chamado Divulga 2008, que lhes mantém informados sobre as apurações. Enquanto isso, fiquem com alguns links:
O Futepoca relembra um dia histórico para a democracia brasileira.
O Rovai oferece um panorama das eleições nas capitais.
O Altamiro Borges escreve sobre algumas afinidades eletivas de Fernando Gabeira.
Uma conhecida liderança do PT mineiro, Rogério Correia, denuncia Márcio Lacerda, o candidato aécio-pimentelista à prefeitura de BH, por violação de correspondência.
Apesar de engajadíssima na campanha de Kassab, a Folha não pôde deixar de relatar o crescimento do PSDB pró-Marta.
Em Porto Alegre, a última pesquisa da Revista Voto mostra Maria do Rosário (PT) abrindo cinco pontos sobre Manuela (PC do B) na disputa pela vaga anti-Fogaça no segundo turno (via RS Urgente).
No Rio de Janeiro, não se sabe o que vai acontecer, mas uma coisa é certa: a derrota fragorosa de César Maia, o pior prefeito brasileiro entre todas as capitais, segundo a avaliação do eleitorado. Para que se confirme a quase-extinção dos pefelês – reduzidos, quem diria, a São Paulo – falta chegar a boa notícia da Boa Terra: sinhozinho ACM fora do segundo turno. Será?
Escrito por Idelber às 07:10 | link para este post
| Comentários (58)
#1
Não se surpreendam se der isso, ACM Neto fora do segundo turno. Ele, Pinheiro, do PT, e João Henrique, prefeito do PMDB, estão tecnicamente empatados.
Pinheiro foi o candidato que mais cresceu e tem o menor índice de rejeição; Joao Henrique botou a máquina toda para trabalhar nesses últimos dias. Sinhozinho tem o maior índice de rejeição e só fez cair de 40 dias para cá.
Amanhã, o couro come.
anrafel em outubro 4, 2008 8:51 AM
#2
mas mesmo que o sinhozinho vá para o segundo turno, nao ganha nem com reza braba!!!!
aiaiai em outubro 4, 2008 8:55 AM
#3
Verdade, mas se a disputa for com Pinheiro, Geddel vai impor tantas condições para o apoio que não teremos em Salvador um só sanitário público sem alguém indicado pelo PMDB.
anrafel em outubro 4, 2008 9:18 AM
#4
Armínio Fraga, mentor financeiro de Gabeira? Não sabia.
Mais um motivo para eu votar nele.
Se eu fosse escolher um mentor financeiro, seria alguém que é bom no que faz. Como fez Lula com Henrique Meirelles. Ou estou errado?
Abs.
VP
MarcosVP em outubro 4, 2008 9:53 AM
#5
Idelber,
a campanha de Márcio Lacerda é uma das cantilenas mais artificiais de que já tive notícia - um exercício contínuo de ultraje à inteligência do eleitor mineiro.
A sensação de estar dentro de um grande curral eleitoral de cartas marcadas é inevitável e desalentadora.
Mariano em outubro 4, 2008 10:15 AM
#6
doadores de Jandira
..Os dados mostram que a campanha de Jandira arrecadou 80% dos recursos (R$595 mil) de pessoas jurídicas. A maior doadora da candidata é a construtora OAS, com R$400 mil . A Bracol Holding Ltda, que fabrica calçados de couro, doou R$175 mil, e a Rotec Engenharia e Tecnologia em Limpeza, R$20 mil.
Doações indiretas e nomes ligados ao setor naval
Entre as nove pessoas físicas que doaram, há advogados, economistas e profissionais ligados ao setor naval. A maior doadora é Thamar Adalgisa de Castro Dias, com R$21 mil - uma das coordenadoras da campanha de Jandira.
O PCdoB, que na campanha de 2006 doou R$129.780,00 à campanha da ex-deputada ao Senado, este ano já desembolsou R$149.979,00, no que o TRE classifica de doações indiretas: empresas e pessoas físicas fornecem os recursos aos partidos, que repassam aos candidatos.
Leo Wright em outubro 4, 2008 10:36 AM
#7
"Lehman é um dos estopins da atual crise ianque!"
Quá quá quá quá quá!
Idelber, você que tanto se constrange com a Palin, deveria poupar esse seu Altamiro do ridículo - ele aparentemente confunde o investidor brasileiro Jorge Paulo Lehman com o banco de investimentos Lehman Brothers
F. Arranhaponte em outubro 4, 2008 11:09 AM
#8
Em BH tá triste. O Márcio posa de empresário bonzinho (que distribuiu os lucros da empresa com os funcionários - o povo duvida) que contribuiu com a causa da esquerda. Mas a sensação de imposição que sua candidatura está nos dando é muito incômoda. Eu gostaria de fazer uma oposição mais viva ao Aécio, mas como? Eu trabalho em uma favela, o Alto Vera Cruz, na verdade um aglomerado enorme, trabalho numa escola da prefeitura (sou servidor municipal) e converso com o povo: a aprovação ao Aécio e ao Pimentel é esmagadora, enquanto um candidato como o Paulão, do PC do B, que saiu de lá do Taquaril e foi eleito por aquela comunidade, está com alto índice de rejeição por lá, porque hoje mora na num casão da Pampulha, não fez muito pelo bairro e (dizem) favoreceu os familiares. O Aécio não tem um caso de corrupção contra ele e conseguiu realmente enriquecer Minas. Minha oposição a ele passa por um conhecimento a longo prazo e uma questão ideológica, que o povo aqui não partilha comigo. A gente fica pensando que um empresário rico como o Márcio não vai governar para os pobres, mas os pobres mesmo não acham isso. Eles não querem alguém que governa para a "classe trabalhadora", eles querem deixar de estar na "classe trabalhadora". Todo mundo gosta é de empresário. Enquanto a Jô conseguiu queimar um pouco seu filme (se me permite a expressão) fazendo uma campanha agressiva, e seus votos estão migrando pro Quintão (que eu apelidei de candidato SBT).
Parece que o trem aqui deu certo mesmo para esses novos político empresários. O Aécio tem esse estilo, o Pimentel principalmente, o estilo mais administrador que político, e parece que é o que os Mineiros querem mesmo.
No fim das contas, a eleição de prefeito não é a mais importante. O escândalo mesmo é com os vereadores e deputados. Se eles fossem mesmo representantes das pessoas, se as pessoas fizessem esse voto com consciência, aí poderíamos falar realmente em alguma mudança. Voltamos os olhos pro "grande líder" e deixamos a câmara e o parlamento no mesmo oba-oba vampiro de sempre. Eu digo isso baseado em conversas com as pessoas, sobre como elas escolhem o candidato e o que esperam dele. Quase todo mundo responde, "não sei!".
Pedrin em outubro 4, 2008 11:15 AM
#9
Melhor o Arminio Fraga do que o Mantega..
Amyr em outubro 4, 2008 11:16 AM
#10
O site do tal Altamiro Borges é de rir. Um comunista do Brasil contra uma "ditadura"? É isso uma ironia?
Confio mais no Armírio Fraga para administrar qualquer coisa do que os possíveis indicados pelo PCdoB.
João Paulo Rodrigues em outubro 4, 2008 11:29 AM
#11
Olha, o Reinaldo Azevedo tem os maiores defeitos, mas numa coisa ele às vezes acerta. Tem muita gente de esquerda que é especialista em destruir reputações. Aquele blog não é de análise ou crítica política. É um panfleto baixo de ataque à honra de uma pessoa, com insinuações de corrupção, más intenções etc. Não perde em nada para o que fizeram com a Jandira dois anos atrás.
João Paulo Rodrigues em outubro 4, 2008 11:32 AM
#12
idelber:
a campanha da fsp pró-serra e kassab está no ridículo:"popularidade de kassab favorece a candidatura serra em 2010".falta total de sentido
político.
romério
romério rômulo em outubro 4, 2008 12:37 PM
#13
É... o PC do B não sai muito bem na fita dessas eleições não, hein?
Pedrin em outubro 4, 2008 12:53 PM
#14
Alvíssaras Idelber,
Em Juiz de Fora, Margarida Salomão do PT, ex-reitora da UFJF, já está no segundo turno. É torcer para levar logo no primeiro.
Maria Andréia em outubro 4, 2008 1:34 PM
#15
Nada do Gilmar Mendes me surpreende, mas é bom tomar conhecimento.
http://projetobr.com.br/web/blog/5
A caso IBDP
Por Paulo Eduardo
Nassif,
Vc leu a Carta Capital de ontem (03/10) sobre a escola particular do Gilmar Mendes - O Instituto Brasiliense de Direito Público?
1-contratos com o Governo sem licitação (receita de R$ 2,4 milhões até 2008),
2-compra de terreno público em local nobre de Brasilia pagando 20% do preço (o terreno valia R$ 2,2 milhões e ele pagou somente R$ 440 mil - o prejuízo é do Governo do DF),
3-financiamento da obra do prédio sede, que tem quatro andares, usando programa do BBrasil subsidiado, que é destinado a setores produtivos...
Ora, uma escolinha de fundo de quintal de 3 funcionários públicos, que virou um instituto desse porte em função desses "contratos" e "facilidades" presentados pelo Erário Público...no mundo real isso se chama "maracutaia".
Estabelece a Lei 8.112/90 (lei do funcionalismo publico):
"art. 132: A demissão (do funcionário público) será aplicada nos seguintes casos:
XIII-transgressão dos incisos IX a XVI do artigo 117.
Art. 117.Ao servidor é proibido:
IX-valer-se de cargo para lograr proveito pessoal ou de outrem em detrimento da dignidade da função pública.
X-participar de gerência ou administração de sociedade privada.."
E agora, como fica?
Comentário
Segundo a matéria, deter cotas de sociedades pode. Os demais itens é que são polêmicos.
Beuno em outubro 4, 2008 2:00 PM
#16
Idelber, o DEM praticamente não existe em São Paulo. O partido, e o Kassab também, é claro, é controlado pelo Serra.
Aliás, o Serra já controla, em SP, o PSDB, o DEM, o PPS e o PV.
Com isso, Serra destruiu com o espaço que o Alckmin possuía em SP.
E o Armínio Fraga como mentor de um ex-guerrilheiro comunista é uma piada, mesmo. E com o 'choque de gestão' que ele colocará em prática, caso seja eleito, aí é que o RJ irá afundar de vez, mesmo.
Alckmin adotou o tal 'choque de gestão' em SP quando foi governador. E sabe qual foi o resultado? Educação estadual paulista arrebentada (é a 19a. colocada na avaliação nacional), gestão Saúde pública totalmente terceirizada (o que não resolveu nada...), 2o. pior salário do Brasil para os policiais e delegados de polícia do estado (daí, a greve da Polícia Civil paulista, que já dura uns 20 dias e que o PIG faz questão de ignorar), salários dos professores estaduais violentamente arrochados, sem nenhum reajuste, de fato, nos últimos 10 anos, obrigando os professores a acumular cargos nas prefeituras e em escolas particulares (conheço professores que lecionam em escolas municipal, estadual e particular, trabalhando em 3 períodos, para ter condições de pagar as contas do mês.
E Alckmin entregou as contas públicas arrebentadas para Cláudio Lembo, que ficou com medo de ser preso, devido à LRF.
Se é isso que os cariocas querem para a cidade do RJ, então que votem no Gabeira!!
Marcos em outubro 4, 2008 2:04 PM
#17
Em Porto Alegre, foi publicada no jornal Correio do Povo, no sábado, nova pesquisa eleitoral. Na estimulada, Fogaça (PMDB) lidera isolado com 36,7%. Maria do Rosário (PT) aparece em segundo com 19,7% e Manuela (PC do B) tem 14,8%. A margem de erro é de 3,1 pontos.
Mais do que os números em si, é importante verificar a trajetória dos candidatos (pelo mesmo instituto, Methodus). Fogaça subiu alguns pontos e Maria do Rosário também oscilou positivamente.
A curva de Manuela praticamente sela o resultado de domingo: ela tinha 23%, caiu para 17% e agora tem 14,8%.
Fábio Carvalho em outubro 4, 2008 2:17 PM
#18
Não gosto quando a imprensa tenta criar um panorama baseando-se apenas nas capitais. Joinville é a maior cidade de SC, mas não é capital, então fica de fora. Acredito que o mais correto seria usar as cidades com mais de 200mil habitante (G79, segundo a Folha), ou com mais de 400mil, pra ficar mais estreito.
Para quem quer saber o que ocorre em Joinville, o candidato do PT, que tá tentando pela 5 vez e na última levou uma sova no primeiro turno, agora desponta na frente, mesmo não tendo apoio de nenhuma grande liderança do establishment barriga-verde. Com as forças das forças que dominam a política do estado (PMDB PFL PP e agora PSDB) se esfacelando, a vitória do PT em Joinville *pode* significar uma mudança no eixo político de Santa Catarina. Vai depender da inteligência do partido.
Alexandre Lemke em outubro 4, 2008 2:46 PM
#19
Não parece provável que votos migrados do PSDB sejam suficientes para aliviar a Marta do sufoco. No segundo turno as últimas pesquisas Datafolha apontaram vitória do Kassab e seu crescimento em áreas onde antes ela era mais forte na intenções de voto. Caso ela opte por nacionalizar os temas, pode abrir um amplo flanco para contra-ataques mais certeiros.
Dawran Numida em outubro 4, 2008 2:56 PM
#20
Idelber,
Em SP , mesmo com a possível ajuda do PSDB ,o kassab fez excelente trabalho na saúde....deixando de longe a ultima administração petista ...
Vitor Guerra em outubro 4, 2008 4:44 PM
fm em outubro 4, 2008 6:33 PM
#22
Kassab fez excelente trabalho na Saúde? quando? onde? ele praticamente acabou com o Programa Saúde da Família, fez as tais AMAs que são mero 'puxadinhos' feitos junto às UBS (Unidades Básicas de Saúde) e demora meses para se marcar uma consulta.
As principais obras de Kassab na Saúde, os Hospitais municipais de Cidade Tiradentes e do M'Boi Mirim, foram iniciativas do governo de Marta. O primeiro só faltava comprar os equipamentos e contratar os funcionários, pois a parte física, das obras, já estava quase finalizada quando o governo de Marta acabou. E o segundo hospital foi também fruto da iniciativa de Marta, que deixou tudo pronto (projeto, desapropriação, questões legais, dinheiro no Orçamento para começar as obras) para que as obras fossem iniciadas.
E o trânsito piorou como nunca em Sampa no governo Serra/Kassab, pois os mesmos retiraram 450 ônibus de circulação. Já o governo de Marta ampliou e renovou a frota, tirando os ônibus velhos de circulação e regulamentou o serviço de lotação que, antes do governo dela, era um caos, com peruas velhas e sem nenhuma segurança circulando pela cidade e sem fiscalização alguma. A substituição dos ônibus velhos deveria ter se encerrado no final de 2006, mas Kassab ficou pena dos empresários de ônibus e lhes deu mais 2 anos para substituí-los. Kassab também não construiu nenhum corredor exclusivo para transporte coletivo (Marta fez 5)e ainda reajustou a tarifa em 35%, bem acima da inflação. Com a piora do transporte coletivo municipal, não restou outra alternativa aos paulistanos que não usar o transporte individual, elevando consideravelmente os congestionamentos na cidade.
A maior especialidade de Kassab é roubar obras feitas por outros governos. Escolas técnicas estaduais ele diz que são obras dele. Obras de Saneamento Básico e de Habitação feitas com dinheiro do PAC (Lula liberou R$ 1,2 Bilhão para a prefeitura de SP investir) ele também diz que são obras exclusivas dele. Obras iniciadas no governo de Marta (como o hospital Cidade Tiradentes e a substituição das escolas de lata por escolas de alvenaria), ele também diz que são obras dele.
Já vi muito político cara-de-pau, mas o Kassab superou a todos.
Marcos em outubro 4, 2008 6:50 PM
#23
Idelber, pesquisas divulgadas agora para sucessao em BH.
No Ibope, Marcio Lacerda 39%, Leonardo Quintao 31%, Jo Moraes 12%.
No Datafolha, Marcio Lacerda 42%, Leonardo Quintao 31%, Jo Moraes 9%.
O bicho pegou para Aécio e Pimentel!
Att
Arthur em outubro 4, 2008 7:13 PM
#24
Só para lembrar: o governo Kassab terceirizou a administração das Unidades Básicas de Saúde, AMAs, Hospitais municipais, etc. E tentou fazer isso na área da Educação, também, mas a Câmara de Vereadores vetou tal intenção. Ele também promoveu terceirizações maciças nas área de segurança, merenda escolar. Com isso, no futuro, o sistema de previdência municipal da cidade de São Paulo, para o qual os funcionários públicos contribuem mensalmente, enfrentará crescentes rombos futuramente, pois haverá um grande número de funcionários se aposentando, mas a arrecadação não crescerá no mesmo ritmo (devido às terceirizações maciças). E daí os governos do PSDB/DEM virão com o discurso de que é necessário fazer uma reforma previdenciária que retire direitos e benefícios dos trabalhadores e dos aposentados e pensionistas para equilibras as contas.
Quem viver, verá...
Marcos em outubro 4, 2008 7:15 PM
#25
Pessoal, estou aqui acompanhando os excelentes comentários (obrigado, Marcos, por essa análise detalhada de SP, obrigado Pedrin, pelo depoimento sobre BH).
Ando meio sem cabeça para participar da discussão, pois estou preparando palestra para Georgetown. Mas vou lendo tudo o que vocês escrevem.
Amanhã coloco um post para trocarmos impressões sobre os números. Abração geral.
Idelber em outubro 4, 2008 7:23 PM
#26
Idelber, viu as pesquisas recentes do DataFolha e do Ibope sobre a sucessao em BH? Parece que terá segundo turno. E que a alianca Aecio-Pimentel implodiu com a esquerda em BH.
Abs
PS: mandei os resultados das referidas pesquisas em outro comentario.
Arthur em outubro 4, 2008 7:47 PM
#27
Liberei o comentário, Arthur. É inacreditável o que fizeram com uma experiência de esquerda super bem sucedida como a de BH.
Idelber em outubro 4, 2008 7:49 PM
#28
Marcos,
Você só esqueceu de dizer que quem propôs uma reforma previdenciária mais radical que a tucana foi o PT em 2003, com direito, inclusive, à "contribuição" dos inativos.
Aí vem o Altamiro Borges e critica o Gabeira por ter interlocução com Arminio Fraga! Como se o partido do Altamiro não fizesse parte de um governo que nomeou Henrique Meirelles no Bacen, que colocou Alexandre Schwartzman na diretoria internacional do Bacen (Schwartzman é chamado de professor de Deus por Nassif, pela crença acaciana que tem na força dos mercados), e que praticou taxas de juros extremamente favoráveis ao establishment rentista! Se Lula fez um governo "banker friendly" e nem por isso deixou de ter políticas sociais sérias, acertadas e populares, por que Gabeira não pode ter uma interlocução com Fraga? Isso colocaria em xeque suas políticas sociais no Rio de Janeiro? É preciso deixar tamanho maniqueísmo e esquematismo ideológico. Essas discurso do Altamiro parecia verossímil em 1998. Em 2008, gira em falso.
Mas essa história que anda circulando que Alckimin pode desembarcar no PSB (talvez até com Aécio) é bizarra, hein? Depois de levar uma surra de Lula em 2006, e nao conseguir entrar na disputa do segundo turno na cidade de Sao Paulo, o "Geraldo" parece estar mais perdido que cego em tiroteio.
Cesar em outubro 4, 2008 7:55 PM
#29
Cesar: sempre o indispensável contraponto! Uma curiosidade: Cesar, você tem simpatias pelo PSOL? Vota neles, ou não? Jamais faço esse tipo de pergunta aos leitores, mas com você já tenho liberdade para fazer.
A história do Alckmin é genial: São Paulo foi a grande responsável pela realização de um segundo turno nas presidenciais de 2006.
E aí vai o cara e não consegue chegar ao segundo turno para a prefeitura depois de ter chegado ao segundo turno presidencial graças à cidade!
Brasilzão véio de guerra. As eleições são muito mais divertidas aí do que aqui.
Idelber em outubro 4, 2008 8:00 PM
#30
Idelber,
Com a crise que o governo Lula vivia em 2006 e com o engajamento da mídia na campanha Alckimin, creio que até um poste receberia a votação dele.
Só que ele não é mais o idiota útil do momento, Kassab ganhou esse posto--aliás, eu já previa esse "êxito" dele nessas funestas eleições já no começo do ano, mas espero que não se confirme:
http://www.blogdoalon.com.br/2008/01/eleies-muito-municipais-0101.html (sempre pentelhando nos blogs alheios)
Quanto ao "gerente", me deu pena: Vi uma carreata dele passando pela Francisco Matarazzo quando eu estava indo pro Palestra ver um certo Palmeiras X Atlético-MG--vocês foram valentes, mas não deu. Largaram mão dele, e sem uma mãozinha, ele não vai.
Hugo Albuquerque em outubro 4, 2008 8:14 PM
#31
Parabéns pela vitória, Hugo. Vocês, sem dúvida, são mais time no momento. E ainda contam com um maluco que resolve jogar voleibol em campo!
Redobrem os esforços aí pela Marta. A eleição dela é fundamental.
Idelber em outubro 4, 2008 8:17 PM
#32
hehehe pois é, nós é que tivemos a mãozinha que está falatando pro Alckimin...
Hugo Albuquerque em outubro 4, 2008 8:29 PM
#33
Na verdade, "faltando".
Hugo Albuquerque em outubro 4, 2008 8:30 PM
#34
Não dá para negar: o Arranhaponte pegou o Altamiro de calças na mão.
Mariano, obrigado pelo depoimento sobre BH e bem vindo ao blogroll do Biscoito.
Idelber em outubro 4, 2008 8:45 PM
#35
q legal esse post do futepoca. eu tenho meu diario da epoca dessa eleiçao, todo cheio de adesivos da erundina. q eu arrumava nem sei onde. e q video ele linka. dela no roda viva. lindo.
mary w em outubro 4, 2008 9:00 PM
#36
Cesar, aquela reforma previdenciária de 2003 fazia parte do acordo com o FMI assinado pelo FHC em 2002 e que Lula e Ciro Gomes, quando candidatos presidenciais, concordaram em respeitar (somente Garotinho disse que não o faria). Não foi, portanto, uma reforma de iniciativa do governo Lula. Era uma imposição do FMI para liberar os US$ 30 Bilhões que combinaram com o FHC. E naquele momento o Brasil tinha suas contas externas arrebentadas, reservas internacionais líquidas quase zeradas e, portanto, estava nas mãos do FMI, não podendo abrir mão daqueles recursos, caso contrário enfrentaríamos uma crise com características muito semelhantes à da Argentina, fato este que teria destruído com o governo Lula já no berço. Isso, por sua vez, faria com que a Direita clamasse pelo retorno imediato de FHC ao poder.
Aliás, estou convencido de que era essa mesma a estratégia de FHC. Mas, Lula usou do bom senso e preferiu consertar os estragos que os tucanos fizeram na economia e criar as condições para um novo período de crescimento sustentado, que estamos vivendo desde 2004.
Hoje, no entando, o contexto é outro e não temos mais que enfrentar tais problemas, mesmo com o Capitalismo enfrentando a sua pior crise desde a Grande Depressão, graças à este mesmo governo Lula que você tanto critica.
E hoje em dia o lucro dos bancos brasileiros não vem mais dos juros (que foram reduzidos no governo Lula, fato este que você parece ter se esquecido), mas do volume de crédito concedido (passou de 22% para 38% do PIB no governo Lula) e da cobrança de tarifas.
E Gabeira já virou à Direita há muito tempo. O fato de ser apoiado pelo PSDB, Armínio Fraga, apenas o enterra, de vez, como um candidato com suas supostas tendências 'esquerdistas', que ele já jogou no lixo há muito tempo.
A diferença entre Lula e Gabeira é que o primeiro não aderiu ao discurso e à política do 'choque de gestão' de inspiração tucana neoliberal (com privatizações, demissão de funcionários públicos, arrocho salarial, terceirizações maciças) e o segundo, sim.
Marcos em outubro 4, 2008 9:12 PM
#37
Só para um comentário a respeito de outra cidade do G79 (as com mais de 200.000 eleitores). Em Goiás a única cidade que deve ter segundo turno é Anápolis, onde o candidato do PT, Antonio Gomide, disparou na última semana e deve ser o mais votado no primeiro turno, com PMDB e PSDB brigando pela segunda vaga. Um detalhe chama atenção: as intenções de voto de Gomide cresceram após as inserções de Lula na TV, pedindo voto de forma direta. E Anápolis havia sido a única cidade importante de Goiás onde Lula não venceu Alckmin e Serra nas eleições de 2006 e 2002; e que historicamente sempre votou contra o PT. Essa mudança reflete muito da popularidade do Nosso Guia.
Roberson em outubro 4, 2008 9:42 PM
#38
Só para complementar: em Goiânia Iris Rezende (PMDB) - com o PT na vice - deve se reeleger no primeiro turno com mais de 70% dos votos. O terceiro colégio eleitoral do estado, Aparecida de Goiânia deve eleger também no primeiro turno o ex-governador Maguito Vilela (PMDB). Esses três resultados são uma terrível derrota para o senador Marconi Perillo e seu PSDB.
Roberson em outubro 4, 2008 9:48 PM
#39
Salve, Roberson. É Goiás na onda vermelha.
Idelber em outubro 4, 2008 9:50 PM
#40
Que diabos terá acontecido com a Folha de São Paulo?
Nunca vi um jornal mudar sua linha editorial em um tempo tão curto.
Marcos em outubro 4, 2008 10:09 PM
#41
É verdade que a grande diferença entre Lula e FHC seja a atitude frente aos funcionários públicos. Lula agrada sua base. O PT acha que a solução é ter mais funcionários, recebendo mais. Ou, pelo menos, não tem fôlego para enfrentar a sério os sindicatos. Não há nenhum diagnóstico mais refinado sobre os limites que isso pode ir, nem sobre o impacto disso na economia, previdência etc. O momento é bom, então contrata. Claro, há que se aproveitar para reforçar o Estado, mas isso tem sido feito apenas na base da resposta à pressão do seu eleitorado.
Sou professor universitário. Lula desvirtuou a boa idéia das gratificações, recompondo os salários (o que é bom, claro) de uma forma burra. A grana para pesquisa, contudo, não tem sido contemplada da mesma forma. Aí temos uma situação paradoxal: manteve-se a mentalidade "produtivista" e dos "núcleos de excelência", mas tudo centralizado em duas agências estatais, com critérios altamente disfuncionais quando aplicados a todas as áreas, e a grana não cresceu no volume comparável ao aumento dos salários. Resultado: manteve-se a lógica meritocrática que sofreu empuxo com os tucanos, mas a pesquisa, curiosamente, não é o núcleo forte do crescimento. Não é surpresa que continuemos lá atrás na produção de ciência e tecnologia de ponta.
Por fim, a título de correção no comentário do Marcos, é preciso lembrar que Lula continua privatizando, as privatizações deram certo e não houve demissões de funcionários públicos, já que funcionário público tem estabilidade no emprego.
Ah, sim, e suprema provocação: neoliberalismo nunca existiu.
João Paulo Rodrigues em outubro 4, 2008 10:18 PM
#42
Eu vou votar no DEM aqui em Santo André (candidato falou as palavras "eu sou liberal sim" no debate; ganhou meu voto pela vida inteira).
Acho que isso é imensamente anti-pragmático, mas eu realmente gostaria que o PSDB se coligasse com o PT como a centro-esquerda que são e deixasse o DEM sozinho como oposição.
Não que eles sejam lá a oposição mais eficiente do mundo, mas vá lá, é um projeto a longo prazo.
Sblargh em outubro 4, 2008 10:20 PM
#43
Peralá, JPR, Lula privatizou o quê?
Você é professor universitário? Salve, salve, companheiro.
Idelber em outubro 4, 2008 10:42 PM
#44
será ótimo para a politica baiana se o DEM ficar de fora no segundo turno. assim estará encerrada de vez a era ACM. só assim, quem sabe, a esquerda idiota baiana vai acabar de vez com esse papo de "nocivo legado carlista", "filhote de malvadeza", "sinhozinho ACM" e essas babaquices.
afinal, Salvador elegeu em 2004 um prefeito anti carlista com o apoio de toda esquerda e enquanto eles administraram juntos a cidade tudo foi um fracasso e precisou que Geddel Vieira Lima, herdeiro direto das atitudes e práticas carlistas entrasse em ação o que melhorou bastante as ações da prefeitura. e em um segundo turno entre o atual prefeito João Henrique (PMDB) e o crente-evangélico Walter PInheiro (PT), não há dúvida que o PT ficará mais isolado ainda e a turma do "sinhozinho" ACM vai apoiar o PMDB e o PT, tomara, que se lasque.
no âmbito estadual, em 2004, Jaques "Cabelo de Q-Boa" Wagner (PT) foi eleito no primeiro turno impondo uma derrota fragorosa no carlismo e até agora, dois anos após e com o PT nas cabeças, Cabelo de Q-Boa é disparado um dos piores e mais inoperantes governadores que já comandaram a Bahia.
claudio novoas em outubro 4, 2008 11:13 PM
#45
Grato, Idelber.
Rendi-me à blogosfera a partir do conhecimento do "Biscoito".
Estou aguardando, depois de conhecer "a entrevista", um post seu discorrendo sobre a música-literatura-filosofia do mestre Mautner. Acho que você é um dos poucos, por ser um par, capazes de iluminar esta obra ímpar, inacreditavelmente negligenciada (acredito que o desvelamento do Brasil passa pela escrita de Vieira-Euclides-Glauber-Mautner; à parte o meu reducionismo).
Abraço.
Mariano em outubro 4, 2008 11:21 PM
#46
Quais empresas Lula privatizou, João Paulo? Pelo que sei, na verdade, no governo Lula, a Petrobras, por exemplo, comprou empresas privadas (como os Grupos Ipiranga e Ultra) e o Banco do Brasil incorporou o BESC (que o governo FHC incluiu no programa de privatização). Assim, enquanto FHC vendia estatais, Lula fez o contrário. Em seu governo, as estatais é que compram empresas privadas.
E nem todos os funcionários públicos são concursados e tem estabilidade. Tem muitos que ocupam empregos temporários. O governo de Mário Covas, em SP, por exemplo, demitiu mais de 30 mil professores temporários quando era governador (eram os chamados ACTs ou 'Admitidos em Caráter Temporário'). Sem falar que as próprias privatizações geraram centenas de milhares de demissões, antes e depois das empresas serem vendidas.
E se você diz que neoliberalismo nunca existiu, então encerro esse debate contigo por aqui, pois não consigo levar à sério um comentário como esse.
Marcos em outubro 4, 2008 11:46 PM
#47
Vc deveria ver a carta capital dessa semana. E comentar sobre Gilmar Mendes.
abraços
Lemann em outubro 5, 2008 12:33 AM
#48
Não é que Lula esteja estatizando. É que a Petrobrás, a Caixa e o BB se mostraram mais eficientes em sua gestão. Eu pessoalmente acho isso meio perigoso.
Eu queria que Lula privatizasse algumas coisas. Não seria mal um projeto de concessão e DUPLICAÇÂO de TODA a extensão das BR 116 e BR 101 para a iniciativa privada.
André Kenji em outubro 5, 2008 12:51 AM
#49
"O governo de Mário Covas, em SP, por exemplo, demitiu mais de 30 mil professores temporários quando era governador (eram os chamados ACTs ou 'Admitidos em Caráter Temporário')."
Ele não demitiu: é que as reformas curriculares e a própria aprovação automática diminuiu a demanda por professores e estes ficaram sem aulas.
André Kenji em outubro 5, 2008 12:52 AM
#50
Com todo respeito, Idelber, mas onda vermelha em Goiás inclui Iris Rezende e Maguito Vilela? Que fique claro que não sou entusiasta do namoro PT-PSDB, mas onda vermelha é vencer os tucanos a qualquer custo, aliado a quem quer que seja? É tipo Jandira e Crivella juntos no segundo turno do Rio? E depois o Gabeira é que é crucificado por ter apoio do Armínio Fraga. É um apoio pra lá de discutível, mas pelo menos é explícito, às claras, creio eu.
Ricardo em outubro 5, 2008 1:34 AM
#51
Aliás, só a título de provocação, faz sentido falar em esquerda e direita na atual configuração das coisas?
Ricardo em outubro 5, 2008 1:46 AM
#52
'Reformas curriculares' é um ótimo eufemismo para redução do número de aulas, André. Mas, se os professores ficaram sem aulas, o que aconteceu com eles, então? FORAM DEMITIDOS! Eles ficaram sem trabalho, desempregados.
Se você chama isso de 'demissões' ou de 'reformas curriculares', para os 30 mil professores que ficaram sem aulas dá no mesmo, não faz diferença. Eles foram demitidos e ficaram desempregados. Isso é o que interessa e não o nome que se dá a isso.
Além disso, as privatizações também geraram centenas de milhares de demissões (ou seriam 'reformas laborais'?), como já disse.
André, a Petrobras comprou empresas privadas. Elas foram estatizadas, portanto, da mesma forma que quando uma empresa privada compra uma estatal fala-se em privatização, quando acontece o contrário isso se chama estatização.
Marcos em outubro 5, 2008 8:59 AM
#53
Ricardo, creio que ainda faz sentido falar em
Direita e Esquerda, sim.
Se você tem um político ou partido que defende abertura da economia, privatizações, terceirizações, redução de direitos sociais, trabalhistas e previdenciários, desregulamentação da economia, livre-comércio, livre-mercado, Estado Mínimo, então creio que ele seja um Neoliberal, portanto, de Direita.
Agora, se temos um político ou partido que defende e adota nacionalizações, manutenção ou ampliação de direitos sociais, trabalhistas e previdenciários, um Estado 'desenvolvimentista' ( atuando como promotor do desenvolvimento econômico e redutor das desigualdades sociais), regulamentação da economia, comércio regulado, então pode-se dizer que é de Esquerda (não-revolucionária, mas é de Esquerda), numa linha Social-Democrata ou até Socialista Democrática..
E ainda temos os grupos mais à Esquerda ou à Direita (Fascistas, Nazistas, Comunistas, Socialistas Revolucionários) que adoram uma Ditadura que destrua com quem pensa diferente deles em nome dos seus ideiais.
Marcos em outubro 5, 2008 9:08 AM
#54
"Mas, se os professores ficaram sem aulas, o que aconteceu com eles, então? FORAM DEMITIDOS! Eles ficaram sem trabalho, desempregados."
Marcos
Francamente, dar aula no Estado é uma fria tão grande que NINGUÉM quer. Muita gente concursada pede exoneração, outros querem mas não pedem por falta de opção. Muita gente que passa simplesmente não se preocupa em assumir os cargos.
Qualquer número de gente desempregada nesse ramo me parece superestimado. Na verdade, é o contrário: muitos procuram o Estado quando perdem o emprego.
André Kenji em outubro 5, 2008 1:06 PM
#55
Idelber:
Pois é. E vivendo nas Aterosas...
Idelber e Marcos:
Lula privatizou a Fernão Dias (além de outras federais que não lembro) em 2007 e, há uma semana creio, a Br-040.
Marcos,
Lamento por seu tom superior. Em política e história não existem consensos. A Revolução Francesa já foi uma, duas e três; já foi burguesa, burguesa e sans cullotes, e nada disso. O liberalismo já começou no século XVII, no XVIII e no XIX; já foi uma ideologia, uma corrente filosófica, ou apenas uma linguagem política. E por aí vai. Portanto, há que sempre se discutir e argumentar. Ao formular a questão desta forma, você só dá vazão a uma visão autoritária e anti-intelectual.
Não conheço nenhuma dos que é acusado de ser neoliberal se auto-intitular neoliberal. O termo foi criado como um anátema, que esconde tratar-se simplesmente de economistas que pregam certas teses, que já li serem melhor definidas ora como ortodoxia econômica, ora como pensamento clássico ou, simplesmente, liberalismo. Você não vê por aí neomarxistas, neokeyneisanos, neosocialdemocratas, neodesenvovimentistas etc. Portanto, parece-me, neoliberalismo é um ataque desqualificador, de gente que queria revivescer uma ideologia morta (ou que merecia estar morta). Os fundamentos dos chamados neoliberais não me parecem (é claro que sempre posso estar errado) modificarem os fundamentos do laissez faire tradicional. São eles realmente uma escola “nova”? Ou a novidade foi a força política adquirida nos anos 70 e, sobretudo 80-90?
Funcionário (ou servidor, termo que mais me agrada) público, para mim, é funcionário concursado. Nem entro no mérito da correção ou não da estabilidade. Mas empregado do Estado é quem entra numa carreira. Os professores horistas são uma das deturpações que existem e que deveríamos nos livrar. São a exceção, e não a regra. O problema é que os sindicatos querem simplesmente incorporar esses professores e aumentar salários. Sei que sempre é um drama a perda de um emprego e renda. Mas será que o Estado e o dinheiro público existe para seus funcionários ou o contrário? Assim, “demitir” horistas, em si, pode ser uma medida correta. Não conheço o caso de São Paulo. Mas FHC não demitiu funcionários públicos, pois isso é impossível.
E quanto às privatizações, não houve centenas de milhares de demissões. Além do mais, as novas empresas contrataram muita gente. Você realmente manteria a posição de que hoje há menos gente trabalhando no setor da telefonia, por exemplo, do que no tempo das teles estaduais? As empresas estatais, como ainda é a Eletrobrás, por exemplo (dividida entre o Sarney e o PMDB do norte), eram um poço de incompetência, ineficiência, apadrinhamento, déficits, caixa dois para partidos, funcionários fantasmas e carreiristas.
Um abraço a todos, e boa votação.
João Paulo Rodrigues em outubro 5, 2008 3:39 PM
#56
João Paulo Rodrigues, concessão não é privatização. Privatizar significa vender patrimônio público e essas rodovias continuam pertencendo ao Estado. Apenas a administração delas foi transferida, provisoriamente, para o setor privado. Elas não foram vendidas. Logo, não houve privatização.
Autoritário e anti-intelectual foi você, que decidiu que o Neoliberalismo nunca existiu. Veja o que você escreveu: ''neoliberalismo nunca existiu''.
Oras, quem lhe deu o direito de decidir que o Neoliberalismo nunca existiu? Você baixou algum decreto determinando isso? quando? onde? com qual direito você decide que o 'Neoliberalismo nunca existiu'? e a partir do momento que você adota um postura como essa é você quem está agindo de forma autoritária e anti-intelectual e está, portanto, eliminando previamente com a possibilidade de iniciar um debate a respeito do assunto.
Logo, quem adotou uma postura anti-intelectual e autoritária foi você.
E se os Neoliberais não aceitam ser rotulados como tais isso não significa que eles não sejam neoliberais. Um assassino também não gosta de ser classificado como tal, mesmo que seja um. Os neoliberais não defendem um conjunto de idéias que, basicamente, prega um Estado Mínimo e um mercado livre e desregulado? E isso foi denominado como sendo Neoliberalismo, gostem eles ou não desta denominação.
Eu considero equivocado ver o Neoliberalismo e o Liberalismo tradicional (dos séculos XVII, XVIII e XIX) como sendo sinônimos, semelhantes, pois os Liberais daqueles séculos não estavam preocupados apenas com questões econômicas ou sociais, mas também culturais, educacionais.
Eles defendiam, por exemplo, a construção de um sistema público de Educação, que tornasse o conhecimento acessível à população. Enquanto isso, hoje, os neoliberais defendem a privatização do Ensino. Logo, não os vejo como sendo semelhantes.
Funcionário público não é apenas aquele que é concursado. Funcionário público é quem presta um serviço público, seja concursado ou não. Há muitos funcionários públicos que não são concursados. Quem ocupa cargos de confiança e os que adquiriram estabilidade mesmo sem ter prestado concurso algum também são funcionários públicos. Aécio Neves, por exemplo, efetivou dezenas de milhares de funcionários públicos estaduais não concursados e nem por isso eles deixam de ser funcionários públicos. Repito: Funcionário público é aquele que presta serviço ao Público, seja concursado ou não.
Os mais de 30 mil professores ACTs demitidos pelo governo Covas não eram uma exceção. Na época, eles eram a imensa maioria dos professores do governo do estado de SP, que ficou muitos anos sem realizar qualquer concurso público para professores. Tais professores eram funcionários do governo do estado, trabalhavam em escolas públicas, prestavam um serviço público, trabalhavam para servir o público e não eram funcionários públicos? É o fim da picada...
Tivemos centenas de milhares de demissões, sim, nas empresas privatizadas, tanto antes das empresas serem vendidas (o governo FHC dizia que estava preparando as empresas para a venda) como depois. E os novos empregos criados pelas empresas que compraram as estatais foram de pior qualidade, com terceirizações maciças, salários inferiores, menos beneficios, etc.
O Estado existe para servir à população e não para ser apropriado por empresas privadas, que pegaram dinheiro emprestado do BNDES (um banco estatal, não se esqueça disso...) com juros subsidiados e, com o dinheiro, compraram as estatais a preço de banana. O caso do setor de Energia Elétrica foi um absurdo. O valor que o BNDES emprestou para que empresas privadas comprassem as estatais de energia elétrica foi superior ao que as compradoras pagaram pelas estatais.
E enquanto o setor de Energia Elétrica foi totalmente estatal nunca tivemos racionamento de energia elétrica. Bastou privatizar e poucos anos depois já tivemos racionamento de energia no país inteiro.
Não acredito que seja possível ao Estado prestar serviços públicos decentes à população se não tiver funcionários públicos bem remunerados e qualificados, com estabilidade no emprego, sim, pois se não tiverem estabilidade ficarão sujeitos às pressões políticas dos governantes de plantão.
Existiam problemas nas Estatais? claro que sim. Mas, nas empresas privadas não ocorrem problemas também? O Lehman Brothers, o Wachovia, o Merrill Lynch, a F.Mac, a F.Mae foram bem administradas, por exemplo? Não. E eram todas empresas privadas.
E a falência delas saiu caro para os contribuintes norte-americanos, que agora foram convocados a doar US$ 700 bilhões para o setor financeiro privado falido do país. E muitos economistas ainda acreditam que a ajuda será insuficiente para resolver a crise e que novas falências ainda irão ocorrer.
Logo, a tese de que empresas privadas seriam mais eficientes do que as estatais não se comprova, de fato, na prática.
Marcos em outubro 5, 2008 6:01 PM
#57
Idelber,
Desculpe a discussão longa que, da minha parte, entupe o blog.
Marcos,
Efetivamente, as estradas mencionadas não foram privatizadas. Errei no último comentário. É claro que concessão não é privatização, mas está na lógica do capitalismo e sempre foi atacada pelo PT. Não deixa de ser o conceder a um grupo privado o controle de um bem público, permitindo-lhe auferir lucros. Foi uma provocação, no sentido de continuar a argumentação de que o governo Lula não é tão inovador quanto certos pensam, nem tão diferente do legado peessedebista quanto muitos gostariam (talvez eu devesse ter colocado isso na rubrica “terceirizações”). Só isso.
Quanto ao neoliberalismo, como eu disse, foi outra provocação. Não havia necessidade de eu me “explicar”. Provocação visa uma reação, um choque. Quem disse que afirmar “isso não existe” impede o debate? Ora, se outros afirmam que existe, ao defender que não existe, só se pode estar debatendo. Tanto que aqui estamos. Você, que disse que nem iria se dar ao trabalho de discutir, está fazendo o contrário disso, embora seja nítida a irritação de sua parte. É meu direito decretar sobre as coisas o que eu acho delas. Sim, eu posso decretar o que eu quero, o que eu penso – assim como você. Isso não me impede de argumentar com quem acredita em outra coisa. Veja que curioso: eu afirmei uma interpretação da realidade (neoliberalismo não existe); você achou que ao fazer isso eu entrava no mérito da sua liberdade de achar o contrário, e mais, que negava a realidade (quando só discordo do rótulo). E decretou que, uma vez que eu tratava da realidade (e não de sua posição face a ela), eu estava excluído do debate. E eu esposo uma visão autoritária?!
Ocorre que há uma inversão aqui. Nenhum grupo filosófico, político ou social existe sem uma consciência. Quando conjuntos de pessoas são identificados por outrem, sem assim se considerarem, quase sempre é por um mecanismo discriminador e autoritário. Veja sua linguagem: “E isso foi denominado como sendo Neoliberalismo, gostem eles ou não desta denominação.” Mas... quem denominou? Por que denominou disso e não de outra coisa? Essa é a minha questão.
O neoliberalismo só poderia existir como um movimento, uma tendência coesa, com a cara que você e outros querem lhe impor, se os próprios fizessem o mesmo. Veja bem: isso não significa que as pessoas que são identificadas como “neoliberais” não existam, que suas idéias não estejam lá, que eles não tenham agido sobre a realidade, embora de uma forma bem menos coordenada, como uma mega-plano de conquista do mundo que certa literatura quer fazer crer. Não sei se é sua visão, mas o neoliberalismo me parece o Foro de São Paulo, o Complô dos Sábios do Sião de certa esquerda. Ora, porque “neo”, e não simplesmente “liberais”? Assim, aqui a inversão: as identidades políticas, que devem emergir dos agentes sociais, são impostas a eles por outros – no caso, não coincidentemente, por seus adversários. Quando uma denominação nasce dessa forma, ela oblitera o pensamento, em vez de servir à análise. Nem o termo fascismo, ou nazismo, quando surgiram, tinham esse sentido, só ganhando a conotação nefasta que justamente possuem por força da realidade e da luta política posterior.
Vejo que o problema está numa concepção, que você parece desposar, muito lata de liberalismo. Efetivamente, o rótulo serve para muitas coisas. Escravocratas e anti-escravocratas seriam, em alguns aspectos, liberais. Locke esposava a “liberdade”. Mill também. E por aí vai. O caso aqui pouco tem a ver com o liberalismo político, ele também muito variado em suas teses, pelo que não vejo como sua referência à educação possa indicar que os economistas dos anos 70-90 sejam “novos”, uma vez que suas teses sobre livre comércio, liberdade bancária, de fluxo de capitais, de “Estado guarda-noturno”, de menor regulação estatal, de austeridade fiscal, de contas públicas equilibradas (estou esquecendo algo?) seja diferente de certa corrente liberal que remete ao século XIX. Até por que no próprio século XIX havia liberais políticos, como os Democratas Jacksonianos, que eram contra várias teses identificadas com os bancos e o grande capital.
Quanto à questão do funcionalismo público, concordo com você. Eu me expressei mal. Ocorre que, ainda assim, demitir funcionários que, por seu estatuto e pela lei podem ser demitidos, sendo, portanto, legítimo, não deve entrar na conta da “demissão de funcionários públicos” como se o governante estivesse atacando toda a categoria e querendo, pelo simples fato elencado, desmontar o Estado. Para que não fique mal entendido, não estou aqui insinuando nada sobre o que você escreve. Só quero dizer que o PSDB não atacou por meio de demissões o âmago do funcionalismo público. Fez isso de outras formas, por razões que seria fastidioso discutir agora. O que eu acho é que, no atual estado, o melhor é ter funcionários públicos concursados e empresas terceirizadas, cada um com tarefas bem definidas. No meu mundo melhor, funcionário público seria outra coisa, mas abstenho-me de entrar em tão espinhosa questão após tão longo comentário.
Quanto ao emprego nas empresas privatizadas, creio que isso depende muito. Estamos falando dos call centers das telefônicas, ou das linhas de montagem com operários e engenheiros, escritórios internacionais, nos novos portos de escoamento, nas ferrovias, e em todas as atividades conectas (construção civil envolvida nos prédios e outras instalações que os novos investimentos geraram, entre outros) etc. relativas a, por exemplo, Vale e Embraer?
Alias, mesmo no caso das teles, são empregos de pior qualidade as dezenas (quiçá, aqui sim) centenas de milhares de empregos gerados nas incontáveis lojas de vendas de celulares, empresas de distribuição etc., quando antes isso nem existia? Como isso pode ser pior do que o nada?
Quanto à função maior do Estado, concordamos. Só que empresas não possuem um valor definido eternamente em cartório. Elas valem o que o mercado acham que vale. Elas não possuem um valor em ouro, estocado em algum cofre, com cotação tabelada – que é o que a idéia da “privataria” (eu não nego certas negociatas) deixa entrever. Ora, as teles e as ferrovias não valiam efetivamente nada (tanto quanto hoje não valem muito certos bancos falidos em Wall Street). Eram um estorvo, tinham que ser refeitas de alto a baixo. Como não se instalavam telefones novos, acho que nem caminhão decente a Telerj devia ter. É certo que na privatização, muitos agem para fazer o valor baixar. Mas isso não leva a que a privatização seja pura e simplesmente um roubo. Já no caso do sistema elétrico, o que foi privatizado não foi a geração, mas a distribuição. Logo, o apagão ocorreu por um limite estrutural do Estado (que não investia há muito tempo) e incompetência particular do governo FHC. Tanto é assim que ainda há problemas sérios de infra-estrutura, que o escanteio da Marina Silva, o não sucesso dos leilões da época da Dilma no Ministério das Minas e Energia, e os acordos com a Bolívia ajudam a demonstrar.
Por fim, não dá para comparar bancos e empresas de investimento com empresas de serviços, de retirada de produtos naturais ou indústrias. É óbvio que não negaria que empresa privada tem problemas. Não vejo as coisas como dois pólos homogêneos: público = incompetente; privado = competente. Essa é uma abstração. Depende do que falamos, da época, condições etc. Contudo, os bancos estatais, por exemplo, em sua maioria, estavam efetivamente falidos. Eles drenavam recursos públicos. O caso atual é sistêmico. Mas se um banco sozinho fale, ele só dá prejuízo a seus acionistas e correntistas. Um banco privado, claro. Se for público, por definição, sempre irá dar calote no público. E isso eu acho uma diferença importante.
Mais uma vez, desculpe Idelber. E um abraço, Marcos.
João Paulo Rodrigues em outubro 5, 2008 10:32 PM
#58
"Portanto, parece-me, neoliberalismo é um ataque desqualificador, de gente que queria revivescer uma ideologia morta (ou que merecia estar morta)."
Nope. Neoliberal originalmente se referia a liberais de esquerda que defendiam o sistema de livro de mercado.
André Kenji em outubro 6, 2008 11:19 PM