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terça-feira, 14 de outubro 2008
Jabá
Acaba de sair aí no Brasil mais um volume com um artigo meu. Aproveito para fazer a divulgação do livro e convidar os leitores interessados em crítica literária e estudos culturais a que o adquiram. Ele é intitulado Leitura e experiência: teoría, crítica, relato. Os organizadores são Evando Nascimento e Maria Clara Castellões de Oliveira, da Universidade Federal de Juiz de Fora, que edita o livro em parceria com a Annablume. São 16 ensaios sobre temas que vão de Machado de Assis a Woody Allen, com pesquisadores da UFJF, PUC-RJ, UFC, UERJ, UFBA, UFSC, PUC-GO, UFSM e UFES. Contribuo com um texto sobre a experiência do chamado "multiculturalismo" nos Estados Unidos, do qual reproduzo abaixo os cinco primeiros parágrafos. A íntegra, só no livro mesmo. Por coincidência, a Folha de São Paulo publicou hoje uma monstruosidade (para assinantes) sobre o mesmo assunto.
O Multiculturalismo nos Estados Unidos: História e Crítica
O termo multiculturalismo está associado a uma série de lutas simbólicas cujo principal terreno foram os meios acadêmicos norte-americanos nas últimas décadas. Tributárias dos movimentos de direitos civis dos negros e chicanos e das reivindicações feministas dos anos 1960 e 1970, essas lutas só adquirem essa rubrica específica ao se converterem numa prática acadêmica que passa a guiar não só boa parte da pesquisa produzida nas ciências humanas, como também a própria administração do aparato universitário. As lutas multiculturais conseguem alterações significativas na representação das minorias, mas são, por outro lado, incorporadas e neutralizadas por uma série de práticas de administração da diversidade, que passam a fazer parte do próprio poder econômico, estatal e militar do país. Refletir sobre o multiculturalismo é, então, refletir sobre uma experiência contraditória: democratizadora, mas sujeita a severos limites e demonstravelmente passível de absorção pelas formas mais reacionárias de poder, incluindo-se aí o bushismo, cujo gabinete “multicultural” leva a cabo a política externa mais sanguinária da história do país. O legado do multiculturalismo é, portanto, um debate sobre os limites e as realizações efetivas de uma política de reparação simbólica. A discussão não é simples.
Não há “um” multiculturalismo, e não se trata de uma “teoria” ou “ideologia”. Pensemos, para início da reflexão, no multiculturalismo como uma rubrica sob a qual se reúnem uma série de práticas, projetos e intervenções intelectuais, muitas vezes contraditórios entre si. Várias práticas de administração da diversidade étnica têm sido adotadas com inspiração nos movimentos multiculturais dos 80 e 90, e o termo está incorporado à língua inglesa em definitivo. Como sempre acontece no campo das conquistas simbólicas, boa parte da polêmica sobre o legado do multiculturalismo se resume a avaliar quais terão sido os efeitos “reais”, as conseqüências “sociais” ou “políticas” desses embates simbólicos. No caso específico desse fenômeno, há alguns efeitos bastante reais que se desentranhar, embora seja possível dizer que o auge do multiculturalismo termina com os ataques de 11 de setembro de 2001 e com a manipulação deles depois feita pelo governo Bush, ou seja, a instalação da guerra sem fim. Isso não quer dizer, claro, que políticas e trabalhos acadêmicos inspirados pelo ideal multicultural não continuem a ser produzidos, mas hoje, sem dúvida, eles deixaram de ser a forma dominante de se lidar com a diferença nos EUA.
Há vários momentos da história da luta pelos direitos civis nos EUA dos anos 60 que poderiam ser tomados como fundacionais para a história dessa tecnologia social da inclusão que é o multiculturalismo: as passeatas lideradas por Martin Luther King, a recusa de Rosa Parks em ceder seu lugar no ônibus, a pregação incendiária de Malcolm X pelo país, o encontro entre a luta afro-americana e a militância revolucionária de esquerda dos Black Panthers. As primeiras leis anti-segregação, impostas policialmente no sul dos EUA, poderiam ser consideradas as precursoras das políticas de reparação que depois estariam no centro do multiculturalismo. O movimento negro americano realiza essa ampliação fundamental da noção de direito ao argumentar que há uma esfera que é propriamente do direito civil, do direito à cidadania, mais além ou mais aquém do conceito de direitos humanos que, naquele momento, já completava cerca vinte anos de codificação relativamente universal e sancionada na Carta das Nações Unidas.
Quando se insiste sobre a noção de direito civil, fala-se de direito ao mesmo tempo num sentido mais restrito e mais amplo. Como sempre ocorre no momento em que um grupo oprimido qualifica, adjetiva um universal – neste caso, o direito –, o resultado é uma redefinição daquele conceito que tendencialmente o universaliza mais, ao apontar a limitada universalidade que ele possuía antes. Note-se que o grupo oprimido, subalterno, não entra na luta recusando o universal enquanto tal. Pelo contrário, ele diz: esse universal tem sido até agora falso, ele não se realizou ainda na sua plenitude, ele não nos inclui – a nós, como negros. O conceito de direitos civis, tal como usado modernamente, se cristaliza no momento em que a população à qual se havia negado o direito de cidadania se insurge para reclamar uma verdadeira universalização desse direito. A operação é desconstrutiva no sentido estrito da palavra. Ela toma um universal – o direito à cidadania – e demonstra como a sua constituição repousa sobre a delimitação de um lá-fora constitutivo e necessariamente excluído: o não-cidadão (negros, mulheres, índios, imigrantes, crianças, escravos). Esse lá-fora confere ao universal sua condição de possibilidade e demarca seu limite. Nesse primeiro momento, a operação desconstrutiva desvela o fato de que não há oposição binária que não seja, ao mesmo tempo, uma hierarquia. É o movimento negro norte-americano que realiza essa operação com a mais ilustrada e moderna das noções, o conceito de direito individual.
O primeiro postulado aqui seria, então, de que o multiculturalismo tem suas origens numa luta pela universalização da noção de direito cidadão na democracia mais antiga do planeta, quase 200 séculos depois de sua fundação. Essa universalização se ancora no reconhecimento da exclusão dos negros da cidadania na república americana, no momento de sua constituição. Em 1964 aprova-se a emenda constitucional americana que proíbe a discriminação em termos de cor, raça, gênero e origem nacional. Em 1965 promulga-se o Voting Rights Act, que garante a presença de observadores federais nos locais de votação, para garantir direitos políticos igualitários para os negros. A partir daí se promulgam leis que incentivam a “correção de discriminações passadas”. Nos EUA, foi a população negra que teve condições de realizar a crítica da noção moderna de direito. Daí o fato de que a experiência norte-americana do multiculturalismo seja tão racializada. Ao contrário da história da opressão dos negros nos EUA, no Brasil a segregação racial não se ancorou em formas legal, juridicamente sancionadas, por mais que a exclusão do negro tomasse dimensões tão grandes como aquelas vistas nos EUA. Boa parte das críticas depois sofridas pelo multiculturalismo americano no Brasil tenderiam a girar em torno das diferentes percepções do que é a segregação racial, como ela se perpetua, como combatê-la e, acima de tudo, o que diferencia o racismo encontrado nos Estados Unidos daquele vivenciado pelos afro-brasileiros.
A íntegra deste texto e 15 outros ensaios de pesquisadores brasileiros estão lá no volume da Annablume.
Escrito por Idelber às 04:33 | link para este post
| Comentários (41)
#1
Idelber,
teu post me lembrou daquela velhas fábulas chinesas. Foi bom ter lido o começo do teu artigo mas foi ruim porque fui ler o link daquele sujeitinho na fsp. Foi ruim porque ler o desfiar de baboseiras gerou muita bile no meu sistema, o que foi bom, pois me lembrou como é bom respirar fundo 35 vezes seguidas, o que talvez tenha super oxigenado meu cérebro (ruim?), que por sua vez me impulsiona para dar uma looonga caminhada.
Fui!(mas deixei abraços...)
Márcia W. em outubro 14, 2008 6:38 AM
#2
putz, esse coutinho soh escreve bobagem...
fabiana em outubro 14, 2008 7:41 AM
#3
Idelber,
Totalmente off: Leu o blog do Juca Kfouri hoje?
Luiz em outubro 14, 2008 8:05 AM
#4
Que ótimo Idelber, com certeza vou ler o livro. Essa questão é debatida de forma algo superficial aqui no Brasil, adotando acriticamente algumas noções ou tomando-as como se fossem questões apenas deles.
Leo Vidigal em outubro 14, 2008 9:56 AM
#5
Você não viu o pior dos monstros. Ontem, o programa CQC (do Marcelo Tas), na Band, exibiu uma matéria para tripudiar do lançamento do livro do Reinaldo Azevedo e batizou o evento de encontro da direita brasileira. O "repórter" conversava com o "autor" e, a cada loucura dita pelo dito cujo, dizia "aleluia!". Hilário. Tinha José Serra no lançamento, Nelson Archer. Show de horrores.
enio em outubro 14, 2008 10:27 AM
Gui Losilla em outubro 14, 2008 11:26 AM
#7
Idelber,
parece bem legal o teu artigo. Gostei especialmente da idéia da crítica multicultural como um procedimento "desconstrutivo" no sentido teórico, embora não esteja certo de que esse procedimento evite a criação de novas reificações identitárias. Quando opera como mecanismo libertário, que "abre" o jogo social e dessaruma categorias e evidencia sua contingência, eu gosto. Mas, por vezes, o multiculturalismo implica a administração controlada da diferença, objetivo perfeitamente compatível com o pluralismo liberal. Fica aquela coisa de "cada um no seu quadrado".
Eu gosto de adotar uma abordagem pragmatista nesse assunto. Apoiar cotas, por exemplo, não precisa acompanhar um pacote fechado de produção identitária (como está presente no Estatuto da Igualdade Racial), mas pode significar apenas criar mecanismos institucionais inovadores que ampliem a vida democrática. Jogar com uma certa contingência criativa me parece mais eficaz do que transformar a agenda multicultural (se é que há uma, e não várias)num programa teórico-político específico e comprometido com um conjunto fixo de definições e classificações mais "corretas".
João Marcelo em outubro 14, 2008 11:27 AM
enio em outubro 14, 2008 11:38 AM
#9
Eu mandei o seguinte imêio por meu quase xará:
Caro João Pereira Coutinho,
Sua crônica publicada hoje na Folha de S. Paulo não deixa de tocar num tema que me incomoda: o descompasso entre a noção de direitos humanos e universais e o relativo silêncio sobre seu desrespeito em certos países em desenvolvimento, junto com a predominância de críticas (apesar de boa parte delas fundadas) ao chamado Ocidente, mesmo que o objeto das críticas seja menos gritante ou danoso do que os aludidos desrespeitos no antigo terceiro mundo.
Dito isso, é irônico que tal discussão seja levantada por conservadores como você, pois o discurso conservador não só foi contrário à boa parte das lutas por direitos amplos no seio das sociedades ocidentais, como quase nunca se preocupou com o destino dos oprimidos em outros lugares desde o amplo movimento pela abolição do tráfico negreiro e do fim da escravidão, já vão lá mais de cem anos. No caso em questão, não me lembro de conservadores ou mesmo liberais preocupados com as mulheres sob o Islã ou na Península arábica. Por que então o súbito despertar? Sim, claro, você é jovem e não pode ser culpado pela atitude de outros, de outras épocas. Mas, na medida que sua crônica não se refere a personagens específicos, mas a discursos genéricos, passa a ser notável o fato de que ela bem espelha outros textos vindos do mesmo espectro ideológico. Em todos eles, assim como no seu, não há uma verdadeira indignação, mas um tom ligeiro, o apelo ao humor, um uso apenas retórico das atrocidades referidas. Normalmente, a indignação é dirigida aos "progressistas", à "esquerda", aos "multiculturalistas", o que faz disso uma ironia, pois na realidade, ao cobrar coerência destes, só revela que estes (eu excluiria os multiculturalistas) é que carregaram o discurso dos direitos universais com mais denodo nos últimos 150 anos.
Enfim, o que digo é que parece que para escritores como você pouco importa o destino das mulheres da Arábia Saudita. O que importa é atacar os adversários ideológicos. O que afinal se quer: que se critiquem os wahabistas ou que se calem as críticas ao sexismo ainda presente residualmente em nossa sociedade?
Tanto isso é verdade que não se vê tais intelectuais conservadores se movendo para pressionar pela melhoria das condições de vida das vítimas apontadas. Nada! Sequer um texto direto sobre o assunto, já que sempre o que se faz é apontar a incongruência dos adversários políticos ocidentais. Ora, mas por que esperar isso, se boa parte dos conservadores já não fazia nada quando as tão mal faladas feministas exigiam o voto para a mulher, por exemplo? As sufragetes eram tratadas com o mesmo sarcasmo com que ora se tratam as feministas. Neste ponto, portanto, escritores como você são bastante coerentes com a história de seu campo político.
Isso remete a outro ponto relevado por seu texto: a nossa noção de direitos humanos e de tratamento igualitário, embora fundada filosoficamente num ideário liberal e individualista, politicamente só acabou por ganhar a ampla definição contemporânea (inclusive em lei) por obra de movimentos progressistas ou de esquerda. Ou seja, você e eu vivemos em uma sociedade, no que tange ao que se vê como direitos iguais de homens e mulheres, por obra sobretudo das... feministas.
Também é preciso lembrar que o feminismo que você ataca na realidade hoje não mais existe. O movimento, tal como era composto nos anos 70 e parte dos 80, praticamente desapareceu deixando lugar para algumas intelectuais, umas poucas ONGs e algumas funcionárias nos aparelhos estatais. Só. Por que? Porque o principal da luta foi ganha. As idéias básicas do feminismo são hegemônicas e as relações entre homens e mulheres alcançaram, felizmente, outro patamar - embora muitos aspectos ainda requeiram melhorias.
Mas o fato é que tudo isso praticamente independeu de escritores que, não tendo participado da luta no ocidente, sentam-se (apropriam-se?) sobre a vitória dos adversários para exigir não que em outras sociedades esta vitória seja alcançada, mas apenas para atazanar estes mesmos adversários.
Cordialmente,
João Paulo Rodrigues
João Paulo Rodrigues em outubro 14, 2008 1:08 PM
#10
Quanto ao multiculturalismo, estou com o Russell Jacoby: o multiculturalismo no momento em que destaca o pluralismo cultural não é o problema (inclusive por que não cria uma idéia nova, já presente em parte do ideário liberal e em noções da antropologia cultural), mas os fetiches identirários que cria e seu caráter sacrossanto, que substitui a política.
O João Marcelo me parce certo neste sentido. Mas não sei se todo pensamento liberal cai neste tipo de pluralismo, já que me parece ausente nele a idéia de política de identidades coletivas.
João Paulo Rodrigues em outubro 14, 2008 1:15 PM
#11
idelber:
entrei na página da editora e,neste livro,encontrei meu amigo goiamérico felício.
romério
romério rômulo em outubro 14, 2008 1:16 PM
#12
infeliz daquele escritor, artista, ensaísta, músico cujo meio de expressar-se não esteja de acordo com os dogmas (totalitários) da esquerda latrino americana da qual vc é um diligente representante.
o cara pode ser um sujeito de talento, mas vc vai detonar.
por exemplo: já li aqui no seu blog vc desqualificar uma opinião acusando a pessoa de escrever erroneamente seja através de falhas ortográficas ou uso de adjetivos. e no entabto vc é tão condescendente com as PEDRADAS linguísticas do "vosso" presidente Lulla.
joel navarro em outubro 14, 2008 1:17 PM
#13
Idelber, perdoe o off topic, mas é um texto muito bonito para ficar só no blog do Juca:
Galo e Cruzeiro e um jazz no coração
Por ROBERTO AMARAL
Quando jogam Atlético e Cruzeiro, como acontecerá no domingo que vem, eu me lembro do meu pai.
Eu tinha 11 anos quando vi meu pai ser levado pela Polícia Política.
A gente morava ali na rua do Ouro, no bairro da Serra, perto da Volla Rizza.
Era domingo, eu acabara de acordar quando os homens da polícia apareceram na minha casa.
Eles chegaram numa Rural cor de café com leite e ficaram parados na porta, e na outra esquina, mais adiante, um Jeep do exército com dois homens dentro observavam tudo.
Foi a dona Bela, uma italiana de peitos grandes, que morava defronte a nossa casa, quem avisou a minha mãe de que a polícia rondava o nosso portão.
Minha mãe desligou o telefone, abraçou o meu pai (que comia pão com manteiga) e começou a chorar.
Meu pai adorava comer pão molhado no café.
Eu fiquei ali, olhando para o chão com o cadarço do sapato desamarrado enquanto a minha mãe chorava abraçada com o meu pai.
Meu pai foi preso vestido com a camisa do Atlético.
Era a de número 9, do artilheiro Dario Peito de Aço.
Aquele domingo era dia de clássico no Mineirão e, pela primeira vez na vida, meu pai ia me levar para ver uma de suas paixões: o futebol.
Naquela época algumas reuniões do Partidão eram feitas em dias de grandes jogos no Maracanã, Morumbi, Fonte Nova, Beira Rio e nos Aflitos.
Era uma tática para despistar os caçadores de aparelho.
O meu pai foi preso ao ser denunciado por um "cachorro".
Cachorro era o nome que a polícia dava ao espião infiltrado no partido a serviço do exército brasileiro.
Acompanhei o jogo deitado na cama da minha mãe, ouvindo o mesmo radinho de cabeceira em que meu pai acompanhava a Voz do Brasil e o repórter Esso.
Enquanto ouvia o jogo, a minha mãe ficava ao telefone tentando mobilizar amigos influentes para saber notícias de meu pai.
O Atlético derrotou o Cruzeiro por três a dois e Dario Peito de Aço foi quem marcou o gol da vitória.
O genial Vilibaldo Alves parecia querer prestar uma homenagem ao meu pai narrando o terceiro gol do Galo: Adivinhe ! goooooooool Daaaarioooo! Daaaaaariooooo! Daaaaaariooo! Daaaaariooo! Peito de Aço!!!
Quando o jogo terminou, eu corri para a janela na esperança de ver o meu pai, que nunca mais voltou.
Agora, todas as vezes em que jogam Atlético e Cruzeiro eu me lembro dele, dentro do carro da Polícia Política, vestido com a camisa do Atlético.
Era a de número 9.
Todas as vezes que jogam Atlético e Cruzeiro, um jazz toca no meu coração.
*Roberto Amaral é jornalista da Rede Minas, em Belo Horizonte.
Escrito por Juca Kfouri às 01h33
Cassio em outubro 14, 2008 1:37 PM
#14
Bom dia, pessoal.
Vou voltar com mais calma depois das minhas aulas mas, por enquanto:
Gui, não entendi a relação. O Maracanã pertence ao Estado do Rio de Janeiro, não à cidade. Confere? Que diferença faria o prefeito?
Enio! 30 pontos! Uau. Vai merecer um post, essa pesquisa.
Joel, adoraria que você apontasse algum caso em que ridicularizei alguém por erros de português. No mais, se tiver argumentos para defender o artigo do Coutinho, o espaço está aberto. Por enquanto, quem está no terreno do dogma é você.
João Marcelo, JPR, excelente. Com vocês eu precisaria de mais tempo para conversar com calma. Volto depois das aulas.
Gracias, fabiana, Márcia, Leo, amigos.
Luiz, Cássio: é uma bela crônica mesmo.
Idelber em outubro 14, 2008 1:48 PM
#15
Romério, mundinho pequeno, hein?
Idelber em outubro 14, 2008 1:48 PM
#16
A pesquisa sobre BH mencionada acima é do Instituto Datatempo, de Vittorio Medioli, que tem notória antipatia pelo Aécio. Mesmo assim, se o levantamento for fiel, podemos começar a lamentar. Quintão é um desastre. Simples assim.
Ricardo em outubro 14, 2008 2:47 PM
#17
Aliás, alguém notou que a matéria sobre a pesquisa do Datatempo não informa o número de pessoas ouvidas nem a data do levantamento? Datafolha e Ibope, pelo menos, despistam melhor.
Ricardo em outubro 14, 2008 2:53 PM
#18
Cassio,
Essa crônica (quem é Roberto Amaral?) é uma facada no peito. Não contive as lágrimas. Teriam sido as mesmas se ao invés do meu Galo e do Dario, falasse do Cruzeiro e do Tostão. Êta merda de vida injusta!
Caliban.
caliban em outubro 14, 2008 3:16 PM
#19
Caliban, o efeito foi o mesmo nesse vascaíno que vos escreve.
Cassio em outubro 14, 2008 4:21 PM
#20
Idelber,
senti a falta de um comentário seu sobre o já notório filme da Marta sobre o Kassab.
Acho que li algum pitaco sobre o tema em todo canto, menos aqui.
Ueta em outubro 14, 2008 6:19 PM
#21
Ai que esta o pulo do gato! Ninguém soube explicar, mas o Marcio Braga falou que só depende de quem vai ser eleito prefeito.
Um ponto importante é que o Eduardo Paes já foi administrador do Maracanã pelo Estado do Rio. Foi quando começou a reforma, quando colocaram as cadeiras na geral.
E sem contar que isso seria uma licitação, mas pelo visto já tem ganhadores antes mesmo de sair o edital. E adivinha qual seria a empreiteira que vai fazer a reforma! Odebrech (é assim que escreve?), a mesma que acaba de ser expulsa do Equador.
Abraço!
Gui Losilla em outubro 14, 2008 6:26 PM
#22
(((Desculpem o off-topic mas sei que vcs adoram futebol. Dei de cara com uma foto do Sócrates no Guardian e acabei lendo o artigo que fala dos melhores (maiores) perdedores. aqui ))))
Márcia W. em outubro 14, 2008 7:09 PM
#23
Quintão é um desastre. Lacerda idem. Um quer ser o pai dos belorizontinos. O outro, o patrão (que o eufemismo contemporâneo prefere chamar de líder ou gestor). A campanha do segundo turno tem sido um circo dos horrores. Parabéns Pimentel e Cia, obrigado pela alternativa brilhante que vocês criaram. O PT nacional, que adora ficar enquadrando os outros, não vai se pronunciar sobre esse moço?
henrique rodrigues em outubro 14, 2008 10:00 PM
#24
Idelber, fecha a conta e passa a régua:
Enviado por Ricardo Noblat - 14.10.2008| 20h57m
Ibope - Quintão dispara na frente de Lacerda em BH
Leonardo Quintão (PMDB) tem 51% das intenções de voto na primeira pesquisa sobre o segundo turno feita pelo Ibope. Márcio Lacerda (PSB), 33%. O resto, nulos, brancos e indecisos.
Descontados os brancos, nulos e indecisos, Quintão vai para 61%. E Lacerda, 39%.
A pesquisa será publicada amanhã pello jornal O Estado de S. Paulo.
Cassio em outubro 14, 2008 10:01 PM
#25
Muito bom e esclarecedor o texto, Idelber.
Mariano em outubro 14, 2008 10:26 PM
#26
É por esse material que fazem tanto barulho?
Você sabe mesmo quem é o Kassab?
Sabe de onde ele veio?
Qual a história do seu partido?
De quem foi secretário e braço direito?
De quem esteve sempre ao lado, desde que começou na política?
Se já teve problemas com a justiça?
Se melhorou de vida depois da política?
É casado? Tem filhos?
Kassab. Para decidir certo é preciso conhecer bem.
http://www.youtube.com/watch?v=OI7g2ntzy94
Patrick em outubro 14, 2008 10:46 PM
#27
Sim, Patrick, é esse mesmo...
Ueta, a caixa anterior está cheia de comentários meus sobre o anúncio.
É Cássio, acho que a situação em BH está merecendo outro post.
Gui, o Márcio Braga não tem a menor credibilidade comigo. A não ser me expliquem direitinho o que o prefeito tem a ver com o Maracanã, só vejo isso como o que parece à primeira vista: politicagem.
Márcia: lindo link!
Mariano: obrigado :-)
Henrique: o que ouvi era que a Executiva Nacional estava preparando punição para o Pimentel. Qualquer coisa menos que ser pendurado no Obelisco da Praça Sete é pouco :-)
Ricardo, como viu aí acima, parece que há outra pesquisa confirmando os números do DataTempo...
Idelber em outubro 14, 2008 10:59 PM
#28
João Marcelo:
Sensacional o seu comentário (cara, você precisa comentar mais... exceto sobre futebol!). Compartilho totalmente sua posição. O multiculturalismo é algo a ser visto nessa duplicidade. Realmente ele não evita a reificação de outras categorias identitárias fixas, chatas. Curiosamente, João Marcelo, nos EUA eu vejo esse perigo se concretizando muito mais no movimento chicano no que no movimento negro, feminista ou gay. É uma das minhas grandes resistências a trabalhar na Califórnia. Prefiro imensamente a Costa Leste, onde as identidades são mais fluidas. Na Costa Oeste, a coisa se conformou, por várias razões históricas, nessa coleção de gavetinhas separadas que você menciona. Obrigado de novo por esse excelente comentário.
Idelber em outubro 14, 2008 11:06 PM
#29
João Paulo:
Outro excelente comentário. Eu admiro muito a sua paciência argumentativa, meu amigo. No caso do colunista em questão, eu realmente gostaria de ter o ânimo de argumentar com elegância contra a óbvia falácia que você aponta. Infelizmente, não tenho tido indicações de que se trata de alguém que argumenta em boa fé sobre o tema. Eu fiquei curioso, agora, para saber que tipo de resposta você receberá. Um forte abraço.
Idelber em outubro 14, 2008 11:09 PM
#30
Saiu no Nassif:
"O chefe da Seção de Operações Especiais da Secretaria de Segurança do Supremo Tribunal Federal (STF), Aílton Carvalho de Queiroz, disse em depoimento à CPI dos Grampos nesta terça-feira (14) que a própria presidência do tribunal pode ter vazado o relatório sigiloso que apontava provável escuta em uma sala utilizada pelo ministro Gilmar Mendes. Esvaziado, o depoimento durou cerca de uma hora".
Qual é a repercussão na impressa tirando o Nassif zero.
Marcelo L, em outubro 14, 2008 11:14 PM
#31
Idelber,
Obrigado. Não espero receber resposta nenhuma. Não acho que estes que escrevem com auto-ironia, mas que, acredito, no fundo se acham mesmo do balacobaco, vão lá perder tempo respondendo zés-ninguéns.
De qualquer forma, se há um texto espantoso, é sobre o casamento gay, em:
http://aeiou.expresso.pt/gen.pl?p=stories&op=view&fokey=ex.stories/419238
Também disponível no site do gajo.
Confesso que quanto a este, nem tive ânimo.
E olha que eu gostava dos estilo dele e de algumas coisicas. Mas já deu o que tinha que dar.
Um abraço.
João Paulo Rodrigues em outubro 14, 2008 11:55 PM
#32
Idelber, vamos marcar uma ingestão de cevada gelada nos arredores de Santa Tereza, quando vier votar?
Jasão em outubro 15, 2008 1:31 AM
#33
ups - não anunciei:
OFF-TOPIC TOTAL
Jasão em outubro 15, 2008 1:33 AM
#34
Jasão, acabei não confirmando a viagem em outubro. Mas em meados de dezembro estou aí. Vamos, sim.
Idelber em outubro 15, 2008 1:48 AM
#35
Fiu, a candidatura de Lacerda naufraga feio. Ele teve 43,5% dos votos válidos no primeiro turno. Pela pesquisa Ibope, está agora com 33% (dos votos totais), contra 51% de Quintão. Ele periga repetir um vexame pior que o do Alckmin em 2006. Como Lacerda pretende se recuperar?
Em São Paulo, Kassab tem 51% e Marta, 39%, ainda segundo o Ibope. A diferença nesta pesquisa é de 12% - o Datafolha havia apontado 17%. Como são institutos diferentes, não dá para comparar os números. Mas a sondagem do Ibope é posterior ao comercial deplorável da Marta.
No Rio, situação apertada: Gabeira tem 42% e Paes, 39%. É empate técnico, mas Gabeira tem a vantagem da curva... ele largou muito atrás no início do primeiro turno. Bateu o bispo e, se não cometer erros, bate o candidato do PMDB agora
Em Porto Alegre, além da pesquisa Ibope de domingo, dia 12, (Fogaça 51%, Maria do Rosário 40%), saiu uma do Correio do Povo na segunda-feira, dia 13: Fogaça tem 52% e Maria do Rosário 39%. Aqui arrisco palpite: a campanha da petista acertou o tom na campanha de TV e ela teve bom desempenho nos debates. Vendo a coisa por esses ângulos, a tendência, no meu livre opinionismo, é de que essa diferença diminua. Manuela continua fazendo doce. A conferir as próximas pesquisas na capital gaúcha.
Fábio Carvalho em outubro 15, 2008 2:23 AM
#36
Idelber,
pegando o gancho do teu comentário 28: é uma dificulidade explicar aqui na Batávia que multiculturalismo pode querer dizer mais do que um bando de culturas, etnias, ou, vai lá, identidades dividindo o mesmo espaço, pode ser uma coisa trans, de mesclas, liquidificadores e não água e óleo.
Márcia W. em outubro 15, 2008 3:25 AM
#37
É, Idelber, a coisa está feia em BH. Não acho que esteja definida, já que, pelo nível atual da campanha, pode vir bomba de qualquer lado, com efeitos imprevisíveis. Mas o Quintão tem uma frente considerável, embora o Lacerda tenha melhorado nos debates e o Quintão se perca quando tem muito tempo pra falar.
É uma situação triste pelo possível futuro prefeito e pela equipe que pode acompanhá-lo. Andam falando por aqui que o secretariado vai ter gente como Maria Elvira, Irani Barbosa e Cabo Júlio, que apóiam o sujeito. É com essa turma que Jô Morais, José Alencar e os petistas ditos de esquerda estão se aliando?
O pior é que, pelo visto, a arrogância de Pimentel e Aécio fechou as portas para uma composição, no segundo turno, com os dissidentes do PT e com o PCdoB. Não que eu não considere que estes também tenham lá sua parcela de culpa.
Mas não sinto o menor prazer, agora, em apontar culpados. A sensação é de uma tristeza semelhante à de 1989, com a eleição do Collor. Nunca mais, desde então, eu havia experimentado algo parecido.
Ricardo em outubro 15, 2008 3:29 AM
#38
hoje eu sou um cara mto tris pq tentei conhece oq é o amor eestou mto
nilson marcelo dos santos em outubro 15, 2008 9:12 AM
#39
Idelber, na verdade aprendi um pouco sobre o tema lendo um livro do sociólogo Sérgio Costa, intitulado "Dois Atlânticos". É não apenas um trocadilho com o livro do Paul Gilroy, "Atlântico Negro", mas uma tentativa de articular a crítica multicultural à herança sociológica européia (Habermas, mais especificamente). Na parte final, ele analisa o contexto brasileiro e sugere uma abordagem que "abra" o espectro identitário, e não o "feche". Achei interessante o argumento.
Sobre futebol, nada comentarei, a não ser que haja referência ao Cósmico, ocasião em que falarei qualquer besteirinha só para marcar posição, rsrs.
João Marcelo em outubro 15, 2008 10:14 AM
#40
Eu também não levo ele muito a sério, mas fala-se nessa privatização desde Brasil x Equador. Não sei, como tem até uma empresa estrangeira, que foi a mesma que reformou Wembley, no meio, me pareceu ser mais embasado o boato!
Gui Losilla em outubro 15, 2008 12:02 PM
#41
"Multiculturalismo nos Estados Unidos: História e Crítica": caro Idelber, nao sei falar em portugues: o tal "multiculturalism" era um tokenizer linguistico usado para identificao instantanea: "voce esta lidando com preto".
Se degradou quase instantaneamente. Uma vez fui num show de flores em Philadelphia, e isso vai uns 15 anos ou mais. O UNICO arranjo de flores descrito como "multicultural" (provavelmente porque tinha um pineapple no meio das flores) era feito por uma mestiça de negro com estrangeiro.
Nao da!
Ivan Moraes em outubro 15, 2008 2:24 PM
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