Um convite aos paulistanos: O grande blogueiro, músico e nadador soteropolitano Ricardo Cury está lançando o seu livro, Para colorir, neste sábado. Sou velho fã do blog dele e recomendo o evento. Dia 29 de novembro, às 16h, na Livraria Pop, Rua Dr. Virgílio de Carvalho Pinto, 297, Pinheiros, São Paulo.
Um convite aos cariocas: minha amiga, a jornalista e pesquisadora Carla Rodrigues, tem um artigo no livro organizado por Paulo Cesar Duque-Estrada, Espectros de Derrida, que será lançado no dia 3 de dezembro, quarta-feira, na livraria Argumento, no Leblon, a partir das 19h.
Parabéns ao Cury e à Carla e, quem puder, apareça.
Cardoso convidou e eu também gravei um trecho para o Mil Casmurros, um projeto em parceria com a Rede Globo.
O cartógrafo Thomas Lessman reúne numa só página sua vasta produção de mapas históricos. Aqui, o mapa-mundi de 800 DC, com o Emirado Ummayad ocupando uma enorme maioria do que hoje é a Espanha. Aqui, um outro mapa, do ano 1200, já com os reinos de Castilha e León, que se uniriam depois. Aqui, um belo livro sobre Al-Andalus, a região de controle islâmico na qual judeus, cristãos e muçulmanos viveram em (relativa) paz durante séculos.
Pedro Dória tem boas anotações sobre os ataques em Mumbai, na Índia. Em inglês, há uma cronologia do horror e uma série de links no Juan Cole, que lembra o recente ataque extremista hindu a cristãos no leste da Índia.
Nos EUA, Barbara Walters fez uma baita entrevista com Barack e Michelle:
Na medida em que Obama vai anunciando seu time, eu só consigo me lembrar do final de novembro/ dezembro de 1992, em que Bill Clinton iniciava aquela que seria uma das transições mais caóticas de todos os tempos: uma guerra de facções e interesses “plantava” notícias na mídia como estratégia de conquista de espaço; mulheres, negros, gays, latinos e todas as minorias imagináveis disputavam espaço “proporcional”; havia confusão de porta-vozes; a própria liderança, Bill, não anunciava o time compactamente porque ia usando as vagas para tentar administrar o caos. Um verdadeiro pesadelo para os progressistas, foi o fim de 92/começo de 93. O contraste com o que está sendo a transição de Obama é tão abismal que me excuso de fazê-lo.
Digby não se importa e Josh Marshall tem suas dúvidas. Eu, pelo contrário, achei Chanceler Hillary Clinton uma super escolha, epocal e inteligente (ao contrário do que teria sido escolhê-la para Vice). Hillary tem tudo para desfazer pelo menos parte da lambança dos oito anos de política externa de Bush.
Atualização: E sobre as eleições venezuelanas, quem matou a pau, de novo, foi Mauricio Santoro.
Para um aficionado por mapas como eu, que vivo consultando os mapas do Colin McEvedy durante minhas leituras, este site do Thomas Lessman é o fino da bossa. Obrigado pelo link. Já está na minha linkroll.
Incrível esse link dos mapas! Também adoro mapas e tenho um carinho especial por essa parte da história que a maioria das pessoas esquece.
Agora, jura que vc é amigo da Carla????
É a mesma que defende a manutenção e o fortalecimento das milícias, pelo menos aquelas que "protegem" a região onde ela mora no rio???
Idelber,
sério mesmo que te empolgou a escolha da Hillary como chanceler? Pôxa, gostaria de ver um post teu sobre o tema. Estão falando por aí numa certa decepção da "blogosfera progressista" com a montagem da equipe, mas não sei até que ponto isso não traduz uma certa ingenuidade de que "agora tudo vai mudar"...
Muito justo. O nome do artigo, escrito no nomínimo era "Deixem a minha milícia em paz". É um artigo esclarecedor...parei de ler o contemporânea quando ela publicou isso.
No momento o blog dela está fora do ar, portanto não sei se ela mantém isso no arquivo. Mas achei alguém na internet que reproduziu, pena que não tem os comentários dela defendendo o artigo mesmo quando alertada sobre como estava sendo egoísta e elitista.
o link que achei é: http://www.hangarnet.com.br/forum/index.php?showtopic=40996
o texto completo está do meio para o final da página.
Oi, Idelber!
Ótimo o vídeo da entrevista com os Obama, assisti todo, delicioso.
Gostei também da sua comparação com a indicação do ministério Clinton: eu estava descontente com uma ou outra indicação do Obama, mas acho que vc. tem razão, o clima é outro, e isso é importantíssimo, neste momento de crise.
Adoro mapas históricos (tenho textos sobre isso), e o site indicado é ótimo.
Enfim, obrigada por tanta coisa boa, sempre vale a pena vir aqui. Abração.
Idelber, estou de acordo com tua análise quanto a opção de Hilary e a eficácia do processo de transição. Contudo, acho que as escolhas para os cargos da esfera econômica estão de fato bastante frustrantes. Além de liberais (no sentido econômico) reciclados, Obama trouxe Paul Volcker, homem que além de notória ortodoxia, foi o responsável maior pela grave crise que se abateu sobre os países emergentes ao longo dos anos oitenta. Em 1979, quando esteve no FED, rompeu com um esforço multilateral para superar a crise de estagflação elevando os juros dos EUA a 18% ao ano e jogando na lona as finanças públicas de países como Brasil e México.
Economissismo à parte, não creio que com o atual time de economistas Obama consiga promover as mudanças que anunciou na campanha. É uma pena.
Não é demais lembrar que Lula cometeu o mesmo erro em 2003, sacrificando todo o seu primeiro mandato. Só teve êxito quando, por linhas tortas, Palocci saiu do governo e a China turbinou nossas receitas externas.
o artigo é 13/03/2007. Fique registrado que, num primeiro momento, várias pessoas - de vários matizes ideológicos - apoiaram o surgimento das milícias, provavelmente por desconhecimento do verdadeiro esquema de poder e terror imposto pelas milícias nos territórios conquistados. Achava-se que era um avanço em relação aos traficantes, veja só. Foi a partir do final do ano passado, com algumas boas reportagens n'O Globo, que foi ficando mais claro que era uma solução do tipo "da frigideira para o fogo".
Em Tempo: sobre mapas antigos, recomendo o ótimo site da euratlas (http://www.euratlas.com/travel_time) onde se pode navegar de século em século observando os movimentos políticos no continente europeu. Caminhando a partir de sua sugestão (Península Ibérica em 800 d.c), dá para notar como de fato os árabes foram gradativamente expulsos, resistindo em Granada até 1492. Por sinal, meus bisavós espanhóis (Manzano) eram de Granada e descendem de um curioso rabino marroquino cuja bandeira combinava a meia lua e a estrela (símbolo muçulmano) e a estrela de Davi (símbolo judeu).
Radical Livre,
na verdade, o "pacto" entre opinião pública e milícias só foi definitivamente rompido depois do episódio da tortura da equipe de jornalistas de "O Dia". A partir dali, não houve trégua, e foi só nesse momento que o Marcelo Freixo (PSOL-RJ) conseguiu desengavetar o pedido de CPI. O próprio Freixo situa esse episódio como definitivo.
Li o texto da Carla. Não vi grande absurdo. Vi muito mais um tom de estupefação com o fato de que esse tipo de arranjo, o das milícias, seja possível, e um ponto de vista que provavelmente Carla nem tem mais.
Se eu for deixar de ler todos os blogs nos quais aparecem textos como aquele...
João Marcelo, vai rolar um post sobre a equipe do Obama. Mas eu devo dizer que estou gostando muito, sim, inclusive da equipe econômica.
Lembremos: os anos Clinton, economicamente, foram um sucesso. Há boa parte da blogosfera progressista que concorda comigo (ou, para ser modesto, com a qual eu concordo).
Eu tive uma postura bem realista quanto à localização política de Obama no espectro, e sempre achei que a novidade dele era outra coisa. Ele terá que errar muito antes que eu desça desse vagão. Não é o que vejo até agora.
E que fique registrado que boa parte da blogosfera "progressista" comeu mosca legal nesta eleição.
Idelber, você já viu o último artigo do juiz Maierovitch publicado no Terra Magazine, em que ele sugere que os atentados em Mumbai, o carro-bomba em Cabul e a mensagem em vídeo do segundo da Al-Qaeda seriam provocações a Obama, para que o presidente-eleito se enfureça e reaja com gritos de guerra? Não sou nenhuma juíza Maierovitch, mas já tinha cantado isso num comentário dia desses. E pelos mesmos motivos que o juiz brasileiro usou. Me parece bem lógico. O que você acha? Está em http://terramagazine.terra.com.br/interna/0,,OI3360257-EI6580,00-Ataques+seriam+resposta+a+Obama+diz+CIA.html
Eu não vi "nada demais" no texto da Carla Rodrigues. O título sugere alguma simpatia às milícias, sim, mas ela sublinha saber a diferença entre esse poder paralelo e o Estado. Não endosso o texto. Aliás, devo dizer que discordo mais do que concordo. A questão é que "compreendo" o ponto de vista dela, talvez por eu ser carioca, talvez por ter uma irmã que mora no Rio.
Penso que o tom da jornalista até tenta "fingir" aceitação, mas está mais para a perplexidade mesmo. Acho até que ela, em alguma medida, aproxima-se da "Teoria das Janelas Quebradas" (a referência ao bar me deu essa impressão: é o termômetro de segurança da autora no trajeto para casa).
eu também sou aqui do Rio. Eu e toda minha família. Nascido e crescido. Acompanhei de perto a instalação do caos.
Fui lá reler o post novamente (eu reconheço o pleonasmo, foi necessário). O que me veio agora foi uma sensação de perigoso conformismo, tipo se não tem jeito de impor melhorias ao aparato estatal, pelo menos é melhor assim. me incomoda esta postura.
Mas nem por isso eu deixei de lê-la, continua até hoje no meu linkroll e a visito com freqüência.
Hillary na saúde?! Depois daquela muito mal contada história do cheque que deu fim ao seu projeto para os planos de saúde, I don't think so. Acho que ela tem mais perfil de chanceler mesmo, até porque seu jeito meio destrambelhado acaba sendo simpático no final das contas - estilo bem diferente da antecessora, diga-se de passagem, mas que acho que dará certo. E falando nisso, será que está surgindo uma tradição de mulheres chanceleres?