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quarta-feira, 26 de novembro 2008

Crônica de Thanksgiving

Natal ainda vai. Há algo no etos natalino – aquela história de amar ao próximo – que é bacana. A festa das crianças com o Papai Noel termina sendo, para quem é pai, um momento que vai encontrando seu espaço na galeria das lembranças. É fato que durante o Natal há que se ouvir patacoadas como esta (para assinantes), escritas como se o catolicismo cristianismo fosse uma minoria perseguida no Brasil. Esse tipo de discurso circula sem ser contestado porque, afinal de contas, retrucá-lo seria ofender parte daqueles 70% ou 80% de pessoas amadas que compõem o círculo de intimidade da maioria dos brasileiros ateus.

Mas, aqui entre nós, a pequena comunidade que lê este blog, combinemos: o Thanksgiving é um feriado irredimível.

Comemora um genocídio e escolhe fazê-lo da forma mais anti-ecológica possível, empanturrando-se de comida até o limite. Faz dessa grosseria o objeto das brincadeiras que envolvem o feriado. Marca, para muitas famílias, uma das únicas datas, senão a única, de reencontro, em geral cercada de ansiedade ou pavor de se rever o parente detestado. No cinema americano, há todo um sub-gênero que eu chamaria de Thanksgiving horror. Os mais eruditos que eu na sétima arte poderão fazer a lista.

Nadie rebaje a lágrima o reproche nada do que vai acima. Padeço, mas de ressentimento nunca. Nos meus 18 anos ao norte do Rio Grande, os feriados de ação de graças sempre foram prazerosos; sem excesso, mas fartos; com ótimas companhias e cerveja boa. No calendário da universidade, o feriado de ação de graças precede a última semana letiva. É a oportunidade de finalizar o semestre e o anúncio do desafogo que se aproxima. Nada a reclamar, portanto.

Mas é visível a melancolia mal mascarada que cerca a data. Há uma regressão à fase oral que fica ali, tão claramente pedindo uma leitura freudiana que você tende a rechaçá-la, por óbvia demais: o excesso de comida como denegação e sublimação de uma sociedade fundada no genocídio e na escravidão. Nos ideais de liberdade, autonomia, livre mercado e democracia também, é evidente. Mas esses ideais só surgem no terreno material já arado pelo genocídio e pela escravidão.

Tudo isso costuma fazer dos jantares de Thanksgiving – com ou sem futebol americano ao fundo – uma espécie de grande celebração do esquecimento.



  Escrito por Idelber às 02:27 | link para este post | Comentários (50)


Comentários

#1

Paz e bem!

Esquecestes de informar
que o Oswaldo Aranha
tentou importar pra cá
esta festa.

Acho que ela
ainda faz parte
do calendário oficial,
mas não é comemorada.

Eugenio Hansen em novembro 26, 2008 5:05 AM


#2

Idelber,

Voltemos à política? Queria ler seus comentários sobre as nomeações para o próximo governo, especialmente a do Secretário de Defesa e d(a)o Secretário(a) de Estado.

Jiló em novembro 26, 2008 6:01 AM


#3

Bom texto sobre essa instituição da cultura americana, Idelber. Gostei particularmente da classificação dos filmes "Thanksgiving horror"...
Aproveito pra sugerir uma pauta (talvez vc já tenha falado sobre isso em tempos idos, se for o caso me mande o link) que me intriga como observadora de costumes: qual é a sua visão (a de quem mora aí há tanto tempo) sobre a instituição do "dating" nos EUA? É tão codificado e diferente daqui quanto parece ser?

Renata L em novembro 26, 2008 6:34 AM


#4

Idelbest,
e aqui na Batávia que a grande comemoração, sem excessos gastronômicos, é o do S. Nicolau, que vem vestido como um bispo e cercado de ajudantes vestidos como guardas do Vaticano, com a cara pintada de piche, que servem como escravos mouros do tal Nicolau, que como toda criança holandesa sabe, vem da Espanha ? E 9 entre 10 estrangeiros não deixam de notar um viés racista na história toda, mas os nativos dizem que não, a gente que não sabe apreciar uma tradição cultural tão rica.
(Ai, desculpa, queria desabafar e sobrou para vocês daqui. ¡Que venga el Freud !)

Márcia W. em novembro 26, 2008 6:51 AM


#5

Estes feriados são carregados de uma certa melancolia, não é mesmo?

Guilherme Póvoas em novembro 26, 2008 7:47 AM


#6

Idelber,

Nessa época de Thanksgiving nada mais importante que compartilhar, agora que Santa Catarina passa por uma de suas piores tragédias isso se faz ainda mais importante, no meu blog botei algumas informações de como ajudar as vítimas das enchentes, se você puder divulgar agradeço imensamente...

http://asetima.blogspot.com/

Um abraço!

Thiago em novembro 26, 2008 9:03 AM


#7

Querido Idelber achei esse post meio amargo, entendo seu ponto de vista, mas tenta ver a coisa pelo lado da fantasia e não tira o doce das crianças, o coração delas precisa dessa esperança. Acho que agradecer faz parte do caminho. O que vc acha?

Izabella em novembro 26, 2008 10:07 AM


#8

Idelber,
O artigo é efetivamente mal informado e ignorante, além do que você escreveu da impressão de "perseguição". Só que o sujeito é evangélico, e não católico...
Um abraço.

João Paulo Rodrigues em novembro 26, 2008 10:18 AM


#9

Idelber,
Achei um belo achado esta referência à "fase oral". Me lembrou um documentário sobre o Japão em que não sei quem afirmava que a cultura japonesa do pós-guerra, com sua modernização acelerada, sua valorização de coisas como Karaokê, arte gráfica de traços simples e cores fortes, opção pela indústria de base para o entretenimento (rádios, depois TV, aparelhos de som, pcs etc.), urbanismo colorido etc. era expressão de uma sociedade que se negava a olhar para a experiência da primeira metade do século XIX e as ligações disso com o desenvolvimento de seu feudalismo e do xintoísmo, e que sublimava essa ansiedade sobre seu futuro criando uma imagem extremamente infantilizada da realidade. Para mim a imagem símbolo do que foi dito é a predileção dos mangás, desenhos animados e jogos pelas colegiais de saias curtas e meias soquetes.
Sobre os filmes, o primeiro que me vem à mente é A Família Adams. A cena da Cristina Ricci detonando uma peça de teatro representando o primeiro almoço de Ação de GRaças é antológica.

João Paulo Rodrigues em novembro 26, 2008 10:38 AM


#10

Manchete de hoje da FSP:
"Lula vai a Santa catarina;aumenta o número de mortos na chuva."
Tá ficando descarada a parada...

Fábio Augusto em novembro 26, 2008 11:23 AM


#11

Idelber,

Não apenas a sociedade americana, mas todas em algum ponto foram baseadas em genocídio e escravidão. Não conheço nenhuma civilização que não tenha passado por esse tipo de coisa. Não que isso justifique algo. Apenas não é privilégio americano.

abraço,
lucas

lucas em novembro 26, 2008 11:46 AM


#12

Nos poucos dias em que estive nos EUA, pude perceber todo o clima social norte-americano, aquele formalismo tão estranho para nós latinos, uma espécie de individualidade egocêntrica, me pareceu muito orgulho próprio e tédio ao que não se refere a si. Aliás, tédio é o que mais se vê nas expressões faciais por lá.

É uma sociedade muito estranha, artificial. Foram poucas as pessoas por quem senti verdadeira simpatia. Creio que os feriados devem ser o ponto máximo daquela sociedade no que se refere ao formalismo artificial e vazio. Eu até cheguei a confundir essa frieza educada como um sinal de nível maior de instrução e respeito, mas depois vi que não, que é mero desdém pelo próximo. Não quero generalizar, acho que o o povo norte-americano não deve ser assim em sua maioria, mas que nos arredores de Albany, NY, e na própria Manhattam, esse tipo de impressão pode ser sentido é a mais pura verdade.

Guilherme Freitas em novembro 26, 2008 11:55 AM


#13

Lucas,

sim, talvez toda sociedade tenha sido fundada no genocídio e escravidão.

mas nem todas comemoram o fato.

Radical Livre em novembro 26, 2008 11:58 AM


#14

JPR, valeu a correção. Dei uma ajeitada no texto lá. Na verdade dá na mesma...

Amargura nenhuma, cara Iza, mas veja que o Thanksgiving não costuma ser essa felicidade toda para as crianças, não...

Idelber em novembro 26, 2008 12:02 PM


#15

Jiló, está prometido o post sobre o gabinete de Obama.

Vixe, Renata, é uma ótima pauta. É daquelas para gerar 200 comentários. Instituiçãozinha meio complicada, a do "dating". Obrigado pela sugestão, entrou na pauta.

Idelber em novembro 26, 2008 12:11 PM


#16

Eugenio, eu não sabia essa do Oswaldo Aranha!

Idelber em novembro 26, 2008 12:15 PM


#17

pô!
vai ser meu primeiro thanksgiving aqui nos states! não estraga a festa, não... rs...

Max em novembro 26, 2008 12:24 PM


#18

Happy turkey :-)

Idelber em novembro 26, 2008 12:28 PM


#19

negão, estamos fazendo uma onda para divulgar os números das contas para ajudar os desabrigados de santa catarina. ajude-nos com sua fantástica audiência.
:>)

Biajoni em novembro 26, 2008 12:33 PM


#20

Ei, Idelber. Natal, é bom lembrar, foi uma construção artificial que herdou a comemoração do solstício de inverno. Coisa antiga, que quem tá no hemisfério norte sente muito mais do que a gente do lado de cá. Da mesma forma, me impressionei esse ano com a festa de San Juan em Barcelona, de deixar qualquer festinha junina no chinelo: centenas de milhares de pessoas saem à rua, vão à praia, explodem todo tipo de fogos (nas calçadas, nas ruas, por todo lado) comemorando a noite mais longa do ano.
Resquícios de cultura pagã, muito mais do que festa católica...

efeefe em novembro 26, 2008 12:36 PM


#21

Bia, Thiago: feito!

efeefe, essas pagãs são mais do meu gosto...

Idelber em novembro 26, 2008 12:47 PM


#22

Conta um pouco como é para crianças essa festa ? Achei que fosse divertido, não é quando os nativos norte-americanos celebraram a época da colheita?

Izabella em novembro 26, 2008 12:49 PM


#23

Caríssimo Avelar.

De fato, o Thanksgiving foi diluído, como tantas outras festas, num encontro entre desafetos que se sentem quase na obrigação de partilhar uma refeição com alegria com pessoas com as quais não desejariam partilhar nem o ar. Mas há um (oi dois) porém:

- O Natal é, na nossa sociedade, uma festa originalmente cristã (me poupem dos comentários do deus-sol etc...). Para nós, católicos, ele ainda é a segunda data mais importante do calendário litúrgico e é precedida de uma longa preparação - o tempo do Advento -, que guarda seu sentido próprio. Assim, não se pode julgar legitimamente a importância da data ou a falta dela a partir, justamente, do lugar de sua dissolução;

- O artigo que você linka é realmente patético. Parte da questão nietzscheana como quem parte de casa para a praia em um bate-volta de domingo. Mas é preciso estar muito longe da realidade para não se discordar do que você diz, especificamente, quanto ao que chama, com um tanto de exagero é verdade, de "perseguiçao".

Não é fato que, como diz Urs von Balthasar: "In the West this ideology is even more sharply expressed than in the East specifically in the positivism of linguistics scholars who assert not only that every sentence containing the word 'God' is a meaningless one that precludes any further conversation but also that word virtually 'destroys meaning'"?

Abraço.

Gabriel Ferreira em novembro 26, 2008 12:56 PM


#24

Paz e bem!

Radical correção de meu comentário anterior:


Quem trouxe para cá foi o Joaquim Nabuco,
errei pois confiei nas informações verbais de minha família.

Eugenio Hansen em novembro 26, 2008 2:10 PM


#25

Ah, sim, claro, Nabuco em 1909, essa sim, uma história conhecida.

Idelber em novembro 26, 2008 2:14 PM


#26

Prezado Idelber,

Leio regularmente seu blog e apesar de sua visão do mundo ser mais a esquerda que a minha, aprecio o enfoque e o balanço com que você analisa os eventos, mas acho que nessa do Thanksgiving o seu tradicional balanço falhou. Dizer que o Thanskgiving é comemoração de genocídio é no mínimo olhar apenas uma das possíveis origens do evento e descartar todas as outras. Na Europa e mesmo na América já havia essa comemoração (sem esse nome) antes de 1620, época dos Pilgrims. Nos EUA o Thanksgiving comemorado oficialmente vem de George Washington e Lincoln e não tem nada a ver com essa versão dos Pilgrims e dos massacres de índios, que podem até ter sido comemoradas por alguns fanáticos religiosos e poderosos da época, mas não é o que a data representa e o que é comemorado pelos Americanos.
Abraços
Wagner

wagner de almeida em novembro 26, 2008 2:27 PM


#27

Nossa sociedade Brasileira tambem foi construida em cima de genocidio e escravidao, mas nao comemoramos Acao de Graças. Nao sei se concordo com sua interpretacao amarga da festa do Thanksgiving. Seria mais ou menos dizer que sublimamos a culpa que carregamos do nosso passado nos excessos etilicos e sexuais do carnaval. Faz isso sentido?

Ricardo Leao em novembro 26, 2008 2:43 PM


#28

Oi Idelber:

mil perdões, mas eu vou pegar carona nesse palanque fantástico do Biscoito para divulgar o lançamento paulista do livro do meu amigo Ricardo Cury, q aliás já mereceu até alguns elogios por aqui...

foi mal pela folga,

grande abraço,

dra em novembro 26, 2008 3:21 PM


#29

Sinto muito o amigo católico que escreveu acima "- O Natal é, na nossa sociedade, uma festa originalmente cristã (me poupem dos comentários do deus-sol etc...)."
Não vou poupá-lo: o dia 25 foi escolhido como data do natal por seu uso anterior como dia do nascimento do Sol Invictus, e de Mithra, Deus muito popular. Estes deuses por sua vez eram comemorados no dia 25 de dezembro porque esse era o dia do solstício de inverno, e estes deuses estavam relacionados ao Sol. Eu sempre quis saber porque o Natal é dia 25 de dezembro. De onde eles tiraram isso? A resposta que encontrei, não só para a data mas para cada detalhe da festa (que não está na bíblia), como a árvore de natal, o trocar presentes, papai noel, etc, e até mesmo a ideia de um deus que renasce nos corações a cada ano, tudo isso vem do paganismo.

Pedro Lobato Moura em novembro 26, 2008 4:12 PM


#30

Mas, Idelber, vê se não é isso: o quê nos entristece nessas festas é perceber que elas são simulacros, são como os antropólogos chamam os rituais dos caçadores, "farsa da inocência". Numa sociedade egoísta e consumista, é preciso um dia que insista na troca e na solidariedade. Numa sociedade excludente e preconceituosa, é preciso um dia que celebre uma união, um armistício, um breve cessar fogo, que seja. O natal ou o thanksgivin se torna uma festa de hipocrisia.

- Porque precisamos destas figuras? Que bizarro! - é o que pensa Pedrinho, passando diante da estátua de Tiradentes, a cinza e cabeçuda estátua do hierático barbudo Tiradentes, que contempla o geométrico centro de Belo Horizonte, estátua que hoje está enfeitada com um colar de rosas vermelhas, descansando no pescoço de Tiradentes onde em geral descansa a corda com que o enforcaram. Pedrinho pensa sempre nisso, no estranho culto que os vencedores prestam aos vencidos. A estátua de Tiradentes olha a cidade que não é livre, vela a sociedade que o matou. Hoje o lema dos incofidentes está na bandeira de Minas, e Tiradentes é herói. Mas para Pedrinho isto é apenas ironia, piada de mau gosto. É como o culto que os caçadores prestam às feras. É como o Jesus na cruz que se vê na Igreja. Jesus foi claro: olhai os lírios do campo, o sábado é do homem, dai a outra face, amai-vos uns aos outros. Se ninguém acredita no que ele disse, porque todos o cultuam?

Achei esse textinho irmão das suas reflexões.
Feliz Thanksgivin!

Pedro Lobato Moura em novembro 26, 2008 4:22 PM


#31

Caríssimo Pedro Lobato.

Infelizmente estou de saída para dar aula, mas posso me deter nisso mais tarde. Por enquanto:

- A Igreja não tem problema nenhum com a data, meu caro. Isso não é algo "oculto" ou "escuso". Simplesmente uma data escolhida, por motivos óbvios, como você bem vê. Quando disse para que me poupassem do comentário sobre a data é tão somente porque é irrelevante (para a importância do Natal E para o que disse ao Avelar). Digo mais, mesmo o ano de provável nascimento de Cristo é um tanto incerto e errado: sabe-se que Jesus nasceu no 15o. ano do governo de Tibério, o que nos leva ao ano de 759 da fundação de Roma, e não no ano 753 como geralmente se conta. O que quis dizer é que a imprecisão da data, por si só, em nada altera o significado da festa cristã.

- Sobre a presença ou não de certos elementos próprios ao Natal, na Bíblia, é algo que talvez seja problema para os protestantes, não para os católicos (mas isso é outra discussão). Apenas penso ser um tanto bizarra a sua empreitada de buscar o papai noel nas Escrituras...

Quanto ao "deus que renasce a cada ano" isso é, patentemente, distinto do que diz a Igreja. Sobre a festa ritual de re-presentificação, aproveite que você gosta de antropologia e leia Mircea Eliade...

Abs.

Gabriel Ferreira em novembro 26, 2008 4:56 PM


#32

Caro Idelber, além do genocídio e da escravidão (males de um passado confortavelmente remoto), cabe lembrar que a promiscuidade entre Estado e grupos de larápios foi um arado essencial na emergência da pátria de Tio Sam como potência econômica. Sobre este assunto, vale a pena conhecer a tese de doutorado do Carlos Drummond, ex-Carta Capital e atual colaborador do Terra Magazine. Foi buscar a origem dos grandes grupos econômicos dos EUA, mostrando como suas influências junto ao Estado resultaram na constituição de notáveis impérios econômicos.

Marcelo Manzano em novembro 26, 2008 6:39 PM


#33

Caro Idelber

Belo relato sobre o dia de Ação de Graças. Surpreendente mas muito interessante.

Se não me engano o Amador Aguiar (proprietário do Bradesco) patrocinou, por muitos anos, comemorações pelo dia de Ação de Graças na sede do banco em Osasco (que ele chamava de Cidade de Deus).

P.S.: Aqui pelo Rio de Janeiro o prefeito esquerdista eleito continua suas indicações, muito mais surpreendentes que seus comentários. Salvo exceções, o prefeito esquerdista eleito só tem indicado ex-colaboradores de César Maia. E, não por estas indicações, mas o fato é que o modo da vida em nosso estado (pelo menos na região metropolitana) só tem feito piorar. Nada que afete as campanhas de Sergio Cabral para a Olimpíada e para a Copa! Vida que segue...

Paulo Z em novembro 26, 2008 6:58 PM


#34

Uai, Gabriel, colocado assim, buscando Papai Noel nas escrituras, parece mesmo bizarro. Acho que não foi bem isso que eu disse.

Mas eu concordo plenamente contigo, aliás esse é o ponto todo da coisa: Nada desses fatos altera o sentido da festa do natal, que é o da solidariedade, né? Tendo a solidariedade, pouco importa o Natal.

Sim, Mircea Eliade... valeu.

Pedrin em novembro 26, 2008 8:51 PM


#35

PS. Eu não gosto muito de antropologia não. Eu gosto mais é da vida, e de Deus vivo, independente de religião.

Pedrin em novembro 26, 2008 10:52 PM


#36

eu adorei esse post. nao acho hipocrita o feriado. pra mim parece mito de origem mesmo. daí até concordo com o que vc disse sobre genocidio e escravidao. mas eu nao vejo freud aí. vejo mais tentativa de costurar mesmo. ainda q eu tenha entendido q a festa acaba sendo muito oral. até isso do cinema. muita falaçao em familia. um filme bom com a holly hunter. fica só dentro de casa. e falaçao e falaçao. e talvez traga pro individuo o problema da origem. já q é o individuo q carrega a "estrutura"(eu to lendo levi-strauss a semana inteira entao to super contaminada). daí o individuo na sua origem (familia) tenta abafar o incomodo dessa origem (q no macro seria o genocidio). eu acho um pouco isso. mas nao muito. porque se o genocidio é inconsciente. e a começao e falaçao é inconsciente. escapa demais. acho q eu prefiro a analise a partir do que significa para quem vive. no plano mais consciente. embora consiga ver o q vc falou. nao sei se deu pra entender. adorei mesmo esse post.

mary w em novembro 27, 2008 1:18 AM


#37

uau, e eu adorei o comentário. depois quero responder com calma. você com Lévi-Strauss e eu, esta semana inteirinha, com Freyre :-)

Idelber em novembro 27, 2008 1:58 AM


#38

Tantos feriados e festividades no mundo todo se baseiam na mesma coisa, se empaturrar de comida e/ou bebida por seja qual for o motivo, e apenas os Thanksgiving americano merece toda uma analise de culpa socio-psicologica? Sinto muito, Idelber, eu que venho acompanhando o blog a tempo (sem ter me manifestado ainda) acho que vc agora exagerou, Deixem os Americanos curtirem seu feriado pois não estao fazendo nada de diferente dos outros povos e civilizacoes (que afinal praticamente todas civilizacoes foram feitas em cima de genocidio e escravidao, especialmente nas Americas). Vamos deixar de culpar os Americanos por todos males do mundo, até agora o de encher a pança em um feriado!

No mais envio meus protestos de estima e adimiração.

Ricardo Leao em novembro 27, 2008 8:46 AM


#39

Concordo com vc Ricardo Leão.

Izabella em novembro 27, 2008 11:13 AM


#40

Idelber,

Vou comentar aqui porque a página de comentários do post sobre Santa Catarina não abriu.

Nós, de uma das comunidades de tradutores do Orkut, também estamos fazendo nossa parte. Temos amigos que moram por lá e se dispuseram a fazer as compras, então mandamos doações para as contas deles. Pode ver aqui: http://www.orkut.com.br/Main#CommMsgs.aspx?cmm=50302&tid=5272427545342379389

Kelli em novembro 27, 2008 12:23 PM


Ju Sampaio em novembro 27, 2008 1:09 PM


#42

Ixi. Errei a tag do link. Depois conserta aí pra mim, por favor. Beijo!

Ju Sampaio em novembro 27, 2008 1:10 PM


#43

ai, ju. adoro essa imagem. acho que é a capa de uma new yorker, se nao me engano. vou procurar (tipo tem duas imagens. essa e uma outra).

mary w em novembro 27, 2008 1:54 PM


mary w em novembro 27, 2008 1:58 PM


#45

Olá Idelber,

Há algum tempo freqüento seu ótimo blog, mas só agora deixo meu comentário. Como você, sou um mineiro distante das Gerais.

Gostei bastante desse texto sobre o Thanksgiving e sua conotação freudiana. Nunca havia pensado nisso. É uma bela reflexão.

Quanto ao artigo que você indicou na Folha, é de uma bobagem sem tamanho. O impressionante é que as pessoas tendem a acreditar em arautos cibernéticos como Olavo de Carvalho e Reinaldo Azevedo, que querem nos fazer crer que cristãos são perseguidos e ridicularizados no Brasil. A propósito, escrevi um texto a respeito (Olavonistão), lá no meu blog...

Bem, é isso, um grande abraço. De agora em diante, espero poder comentar mais...

Abraço,

Lelec (Leonardo Cruz)

Lelec em novembro 28, 2008 5:27 AM


#46

...só um comentário bairrista sobre as "festinhas juninas": quem escreveu isso certamente não é nordestino... Campina Grande, João Pessoa, e mesmo Recife, param no São João (quando aliás é feriado, dada a importância da festa) para uma comemoração totalmente nacional, roupas, música, comidas.
Abraços pernambucanos a todos! E viva o Natal, que se originou nas festividades do solstício de inverno do hemisfério norte, e incorporou a idéia do nascimento de Cristo e a imagem de São Nicolau como papai Noel. Porque é uma festa que fala de solidariedade, de trocas, de estar juntos. Não tem origem em genocídio...e a sociedade de consumo não consegue, por mais que tente, reduzir o Natal a um período em que as lojas vendem mais.
Vamos tentar apoiar os catarinas. Aquilo tá muito brabo. E a época do ano torna tudo mais dolorido.
Em vez de festa...

Renata L em novembro 28, 2008 7:45 AM


#47

Fico cá imaginando se essas festas de comilança trocassem de zona erógena na tese do bom Idelber.

A gente iria se empanturrar? Posso me incluir do lado de fora?

:-)

Pax em novembro 28, 2008 8:56 AM


#48

Idelber,

A sociedade brasileira tambem nao foi fundada no genocidio e escravidao ? Qual seria a data correlata neste caso ?

RW in Miami em dezembro 1, 2008 11:52 AM


#49

Ôxi, o Brasil também, claro.

Mas o Brasil carece de uma data, né? Qual eu escolheria? Sei lá, que tal 25 de janeiro?

PS para os leitores que possam não ter entendido: o post também diz que os EUA também são fundados nos ideais de democracia, liberdade, autonomia.

Da mesma forma que o Brasil, tão escravocrata e fundado no genocídio como os EUA, também se funda nos (bons) ideais de mestiçagem, tolerância, antisegregacionismo etc.

As coisas têm mais de uma face.

Idelber em dezembro 1, 2008 12:10 PM


#50

Ótimo blog

Catellius em dezembro 8, 2008 1:38 PM