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sexta-feira, 28 de novembro 2008

Lista

Numa possível lista de pensadores dos quais se poderia extrair citações que sustentam leituras antagônicas de suas obras, teriam lugar cativo, certamente:

Friedrich Nietzsche
Jacques Lacan
Gilberto Freyre

Quem mais?

PS: Não vale pôr político na lista, evidentemente. Só pensadores.



  Escrito por Idelber às 19:24 | link para este post | Comentários (73)


Comentários

#1

Para ficar no óbvio, Maquiavel. O sujeito desagradou déspotas e republicanos. "Os fins justificam os meios", possivelmente, é a frase mais instrumentalizada que conheço. Já foi usada para explicar práticas fascistas e petistas.

Pouquíssima gente tem o cuidado de examinar "O Príncipe" dentro do contexto da renascença italiana (e eu não estou, costumeiramente, entre esses poucos; já fiz referências grosseiras em incontáveis oportunidades).

Aliás, fui dar uma conferida no "maquiavélico" do Houaiss. Além do "relativo ou próprio do maquiavelismo", temos:

- que envolve perfídia, falsidade; doloso, pérfido
- que se caracteriza pela astúcia, duplicidade, má-fé; ardiloso, velhaco.

Fábio Carvalho em novembro 28, 2008 8:30 PM


#2

ah, tem um monte. mas pra mim é Auguste Comte. Eu consigo ver toda a crítica ao positivismo pronta na obra dele.

mary w em novembro 28, 2008 8:43 PM


#3

Rá. Boas, todas duas :-)

Idelber em novembro 28, 2008 9:04 PM


#4

Acho que há lugar pra Espinosa ou Spinoza aí. Aliás, base de muita coisa do Nietzsche.

Pax em novembro 28, 2008 9:08 PM


#5

Jesus Cristo pode ser considerado filósofo? Porque haja leitura diferente!

Radical Livre em novembro 28, 2008 9:13 PM


#6

E sobre Espinosa, claro, há o belíssimo livro de Marilena. Quem entende, e muito, de Espinosa é Katarina.

Idelber em novembro 28, 2008 9:22 PM


#7

E o Deleuze?

Pax em novembro 28, 2008 9:22 PM


#8

Esse post é pra provocar mesmo, bem, se pensar bem e olhar o Discurso Sobre o Método do René Descartes, é puro antagonismo. Metade pedindo permissão à igreja pra na outra definir o método científico, abrigo de muito ateu.

Pax em novembro 28, 2008 9:26 PM


#9

hmmm, Deleuze eu não sei. Eu teria que ver duas citações justapostas. Deleuze interessa-me muito, há tempos (vejam que belo site): mas em geral ele esparrama para vários lados, não para dois lados antagônicos.

Idelber em novembro 28, 2008 9:31 PM


#10

Ora, Deleuze louvava a loucura como forma de pensamento, de liberdade, ao mesmo tempo em que apregoava o extremo cuidado na experimentação. Acredito que há antagonismo nessas visões. Quem dava aulas magníficas sobre esse caminho de Spinoza, Nietzsche, Foucault e Deleuze era o mestre Claudio Ulpiano, com quem tive o prazer de estudar um pouco.

Aliás, sugiro visitar aqui

http://www.claudioulpiano.org.br/

Há algumas aulas gravadas por lá que merecem o tempo investido.

Pax em novembro 28, 2008 9:44 PM


#11

Idelber, pela vocação, sugiro Derrida. Mais pelo instinto mesmo. Porém, a lista está ótima.

Guilherme Póvoas em novembro 28, 2008 9:49 PM


#12

Verdade, verdade, Pax. E essas aulas gravadas do Deleuze são um primor.

Idelber em novembro 28, 2008 10:00 PM


#13

Não me lembro de ter lido, em "O Príncipe", a frase "os fins justificam os meios". Acho que Maquiavel, mais que contraditório, foi terrivelmente mal interpretado. Eu citaria ainda Thomas Morus, que toma o cuidado de colocar o relato da vida utópica no boca de outro, enquanto ele próprio manifesta algum ceticismo quanto à sociedade da ilha.

Manuel Amaral Bueno em novembro 28, 2008 10:01 PM


#14

É verdade, como sugere o Pax, que há uma alucinação contida no pensamento de Deleuze. Sobre Deleuze, veja-se o belo livro An Apprendiceship in Philosophy, do meu saudoso professor (e atual pop star) Michael Hardt.

Idelber em novembro 28, 2008 10:07 PM


#15

Manuel,

É vero... Maquiavel nunca escreveu sua frase mais famosa!

Fábio Carvalho em novembro 28, 2008 10:13 PM


#16

Tô todo bobo aqui por poder discutir alguma coisa com o mestre Idelber!

Dormirei um sono Deleuziano. :-)

Ah, me lembrei de outro louco maravilhoso, Antonin Artaud. O Claudio Ulpiano gostava de falar dele. Sugiro a leitura dessa carta

http://institutofuturista.blogspot.com/2008/02/carta-de-antonin-artaud-dirigida-aos.html

Abraços.

Pax em novembro 28, 2008 10:17 PM


#17

Entre as expressões famosas jamais usadas, claro, está Casa Grande & Senzala inaugurando a história da "democracia racial".

Freyre chegou a usar o termo, mas não lá. Só muito depois.

Idelber em novembro 28, 2008 10:19 PM


#18

Bourdieu. O cara saiu da filosofia, passou pela etnologia e chegou na famigerada sociologia. É acusado por seus detratores de determinismo (o mais das vezes vinculado a uma postura supostamente estruturalista), e louvado pelo potencial de abertura que a incorporação da fenomenologia deu aos estudos de objetos sociais complexos, através da noção de habitus. Cientificista para alguns por defender a autonomia do discurso cientifico, e de abiguo por outros por conta da tomada de posição política e engajamento mais evidente no final de sua vida. Além de ser um dos maiores intelectuais eruditos do seculo XX que elaborou uma critica consistente do intelectualismo (que ele chama de pensamento escolastico) analisando as praticas intelectuais e seus sistemas de legitimação.

Jampa em novembro 28, 2008 11:16 PM


#19

E quanto a Marx? Mestre maior na arte de destrinchar o capital.
Por um lado, mostrou como o capitalismo se nutre e produz contradições, impermeável a qualquer veleidade de transcendência e, por outro, oferece a seus leitores e a si mesmo o conforto de uma virtual socialização dos meios de produção, como um Deus ex machina a nos resgatar da dilacerante 'contradição em processo' que é a vida sob o regime do capital.

Marcelo Manzano em novembro 28, 2008 11:50 PM


#20

o meu amigo Franz Kafka, lógico. é um pensador, não? e que pensador!

foi defendido tanto por anarquistas, como um dos seus, quanto por sionistas (principalmente por influência da leitura que o Max Brod fez posteriormente de sua obra).

abraço.

daniel em novembro 29, 2008 12:08 AM


#21

Bem lembrado Daniel, Kafka. E Borges? Caberia aí?

Charley em novembro 29, 2008 1:18 AM


#22

Legal sua provocação, mas todo grande pensador dá margem para interpretações completamente diversas e, muitas vezes, bem funamentadas. Mas, aceitando odesafio, fez muito bem quem lembrou Maquiavel ai em cima. De quem conheço, pouco ou mais ou menos, citaria Marx (barbaridades e coisas belíssimas foram feitas em nome do(s) marxismo(s)), Platão (seu "mundo das idéias" é fundamento tanto para a busca da libertação dos "grilhões" que aprisionam o pensamento quanto para o conformismo católico entre o mundo terreno, mal e injusto em sua essência, e o paraíso) e, no direito, Kelsen.

Mauro Gabriel em novembro 29, 2008 3:08 AM


#23

Tem um pedaço, ou a tese inteira do Hardt online.

http://www.duke.edu/~Ehardt/

Quanto à pergunta, não compreendi direito: são citações onde o próprio autor acaba autorizando leituras diferentes, ou são leituras diferentes das citações do autor? Digo, você se refere ao autor se "duplicando", ou a diferentes leituras dele?

Seria interessante mostrar onde se autorizariam leituras antagônicas. Há pouco, uma revista de educação do RS lançou um número sobre Deleuze, com um cara mostrando ser impossível haver no autor francês uma noção de ontologia. Já outros sustentam que existe em Deleuze facilmente uma "ontologia do devir e da diferença". Taí um exemplo, mas agora teríamos que ver quem merece mesmo "lugar cativo", rsss

Catatau em novembro 29, 2008 8:29 AM


#24

Tem um pedaço, ou a tese inteira do Hardt online.

http://www.duke.edu/~Ehardt/

Quanto à pergunta, não compreendi direito: são citações onde o próprio autor acaba autorizando leituras diferentes, ou são leituras diferentes das citações do autor? Digo, você se refere ao autor se "duplicando", ou a diferentes leituras dele?

Seria interessante mostrar onde se autorizariam leituras antagônicas. Há pouco, uma revista de educação do RS lançou um número sobre Deleuze, com um cara mostrando ser impossível haver no autor francês uma noção de ontologia. Já outros sustentam que existe em Deleuze facilmente uma "ontologia do devir e da diferença". Taí um exemplo, mas agora teríamos que ver quem merece mesmo "lugar cativo", rsss

Catatau em novembro 29, 2008 8:29 AM


#25

Não sei se o endereço funciona, mas esse parece funcionar

http://www.duke.edu/~hardt/Dissertation/INTRO.htm

Catatau em novembro 29, 2008 8:32 AM


#26

Bom, pelo que eu entendi são obras que trazem em si possibilidade de compreensões contraditórias. Isso?

Acrescento
Charles Darwin
!

Galera usa o pensamento dele como sinônimo de disputa, como se fosse uma confirmação científica do capitalismo, de que vença o melhor. Outras leituras são possíveis, no entanto.

Uai, sou um estudante do Espinosa. Será mesmo que ele se encaixa nisso? A obra dele é assim cheia de contradições?

Pedrin em novembro 29, 2008 9:11 AM


#27

Fiquei pensando se existe outra maneira que não seja através da contradição para se chegar a algum lugar? "Temos que passar pelo diabo antes de chegar a Deus".

Izabella em novembro 29, 2008 8:45 PM


#28

Blog viveu piripaco geral hoje, com a caixa inacessível, por causa de estouro de banda.

Calculei mal para este mês a quantidade de gente que vem vindo aqui. Efeitos da eleição americana.

Já resolvido.

Estamos também passando para o Word Press e mudando a hospedagem, o que vai acabar de vez com problemas como os que tivemos durante as eleições.

Idelber em novembro 29, 2008 8:53 PM


#29

Olavo de Carvalho.

Rodrigo em novembro 29, 2008 9:17 PM


#30

Ops.. Desculpa, não li o post até o final: "Só pensadores".

Rodrigo em novembro 29, 2008 9:18 PM


#31

:-)

Idelber em novembro 29, 2008 9:31 PM


#32

Keynes e sua "Teoria Geral", sem dúvida nenhuma. É o pai das políticas econômicas ditas heterodoxas - onde se mostra que o capitalismo "de mercado", sem que o governo faça o papel de aumentar a demanda nas crises, pode entrar numa recessão-depressão sem fim -, mas gerou também a chamada "síntese neoclássica", segundo a qual o papel do governo se resume a fazer um meio-de-campo no momento de crise mais aguda mas não tem nenhuma função estruturante na economia, que deve ser deixada nas mãos do Sr. Mercado.

Renata L em novembro 30, 2008 6:06 AM


#33

Platão ! Como disse Borges certa feita, é necessário ler outras coisas (Schopenhouer, Duns Scot) para compreender que as formas de platão não são estáticas e imutáveis... =)

daniel em novembro 30, 2008 8:01 AM


#34

Deleuze não, definitivamente.

Pierre Klossowski, sim, até porque filosofia e ficção não se desassociam, na obra dele...

Jasão em novembro 30, 2008 11:01 AM


#35

Marx, como filósofo da história, talvez não pelas razões apontadas pelo Marcelo, mas porque gerou o marxismo e, com base nele, também o antimarxismo: quantos e quantos não citaram/citam Marx para dizer o contrário do que escreveu?

Janaina Amado em novembro 30, 2008 11:21 AM


#36

adendo de ilustração:
"Serei eu contraditório? O mais contraditório dos homens"...
gilberto freyre em um dos seus poemas.

Dokstra em novembro 30, 2008 11:27 AM


#37

Rousseau não entraria nesta lista?

fm em novembro 30, 2008 12:38 PM


#38

Rousseau não entraria nesta lista?

fm em novembro 30, 2008 12:39 PM


#39

Euclides da Cunha, principalmente "Os Sertões". Vide o choque evidente entre afirmações como "o mestiço é a rocha viva da nacionalidade" e o pressuposto teórico mezzo evolucionista de "estamos condenados à civilização". A contradição não é apenas de conteúdo, mas se imiscui na própria forma do texto, como mostrou o Costa Lima com sua hipótese de uma cena e de uma subcena poética criativa "contida" pelo registro científico positivo.

João Marcelo em novembro 30, 2008 12:52 PM


#40

Fecho com quem citou Marx, Darwin, Keynes e Euclides, sendo que o primeiro nunca hesitou em contradizer a si próprio.

E acrescentaria Herr Doktor Professor Sigmund, outro que se "reeescreveu" e "reinventou" várias vezes.

E Adam Smith, que nunca foi o adepto do "vale-tudo" que os ditos neo-liberais gostam de invocar. Aliás, o próprio Ricardo, cujas idéias não eram lá assim miosótis olorosos, ficaria muito pau da vida diante do sub-ricardismo do tal "livre comércio" (livre pra quem, cara-pálida?) das OMCs da vida.

(À parte: Wordpress não, Idelber, por misericórdia, tenha piedade de nós integrantes do MSBL, Movimento dos Sem-BandaLarga. Não sei que raios há com o Wordpress que os sítios hospedados lá são pesadíssimos, levam horas para abrir, travam e o escambau.)

Carlos Martins em novembro 30, 2008 1:40 PM


#41

Carlos, o WP será só ferramenta. A hospedagem não será lá, não. A URL continua a mesma.

Idelber em novembro 30, 2008 1:45 PM


#42

Herder.
Para Isaiah Berlin, um dos primeiros pluralistas culturais. Para quase todo o resto (Poliakov, por exemplo), o pai do nacionalismo irredentista e xenófobo.
Gramsci.
Para os marxistas (e não só), um renovador, que sairia do determinismo econômico, um sutil analista da sociedade civil. Para outros (como Oliveiros Ferreira), uma variação do pensamento totalitário e um autor que não compreendeu a sociedade burguesa.
Isso para não falar em Foucault, já que o próprio propalava sua incoerência aos quatro ventos (recentemente li um autor que foi seu aluno afirmar que nunca entendeu como Foucault podia dar cursos e mais cursos contra a noçao de verdade, relativizando o conceito de justiça e de humanidade e sair das aulas para manifestações no Quartier Latin carregando panfletos com os dizeres "justiça e liberdade"). Para uns, um renovador da história; para outros, um anti-historiador.

João Paulo Rodrigues em novembro 30, 2008 1:47 PM


#43

Tocqueville. Temia ou não a democracia? Admirava-a ou não?

João Paulo Rodrigues em novembro 30, 2008 2:02 PM


#44

Tocqueville. Temia ou não a democracia? Admirava-a ou não?

João Paulo Rodrigues em novembro 30, 2008 2:03 PM


#45

Idelber, em qual texto Freyre usa a expressão "democracia racial"?

Mara Borges em novembro 30, 2008 2:20 PM


#46

Marx, por supuesto. En su obra hay al menos tres teorías de la historia en discusión.
Abrazo
MAximiliano

maxicrespi em novembro 30, 2008 2:23 PM


#47

Milton Friedman
Keynes
Edmund Burke
Dostoevsky
Arthur Schopenhauer
Marx

É injustiça não poder colocar políticos já que os Founding Fathers são presença forte na lista. ;-)

Andre Kenji em novembro 30, 2008 3:33 PM


#48

Eu gosto de dizer que Marx sentiria mais atraído pelo capitalismo dos EUA que pelo comunismo cubano...

Andre Kenji em novembro 30, 2008 3:35 PM


#49

Rousseau.

Heliarly em novembro 30, 2008 4:07 PM


#50

Rousseau, certamente. O que fizeram com o suposto conceito do "bon sauvage"...

Gramsci (assim como Lacan) é um daqueles autores muito (mal) citados e pouco (ou nada) lidos - e, quando lidos, mais mal ainda. Outro: Barthes.

=Obelixiano gros soupir= Isso é programa de (re) leituras pra vários anos.

Carlos Martins em novembro 30, 2008 4:30 PM


#51

A julgar pela lista apresentada pelo Idelber e pelos vários leitores, posso concluir que a maioria dos pensadores que vale a pena ler permitem leituras antagônicas, e justamente por isso são inspiradores e férteis. Ou disse uma bobagem?

Vera em novembro 30, 2008 5:46 PM


#52

Montaigne.Mas o Nietzsche é hours concours...
Schopenhauer, com certeza.
Hobbes.

Ed em novembro 30, 2008 5:50 PM


#53

Idelber Avelar.

João em novembro 30, 2008 6:30 PM


#54

"a maioria dos pensadores que vale a pena ler permitem leituras antagônicas, e justamente por isso são inspiradores e férteis. Ou disse uma bobagem?"

Na verdade, muitas vezes são autores mais falados que lidos. E em outras vezes são autores que são sequestrados por uma determinada ala ideológica.

Andre Kenji em novembro 30, 2008 7:07 PM


#55

Obrigado ao João por me considerar um "pensador" com "obra", coisa que até posso um dia virar, mas que claramente não sou :-)

E será que andei dizendo coisas mutuamente contraditórias por aí ?

(sempre é possível, claro).

Idelber em novembro 30, 2008 7:21 PM


#56

gostar de futebol e torcer para o Galo, não o coloca como pensador, mas, que exista ai uma contradição eu não tenho dúvidas eh eh eh. :).

fm em novembro 30, 2008 7:27 PM


#57

hahaha, boa :-)

Idelber em novembro 30, 2008 8:28 PM


#58

FM,

Endosso completamente sua manifestação. A única ave acolhida, pela unanimidade da intelligentsia do mondo futebolístico, é o urubu. Basta dizer que é preto e pobre, como diversos dos nossos melhores craques.

Galo é símbolo anti-vitória, anti-time, anti-jogo. O bicho cisca para trás. É o pai do frango! Quem "canta de galo", bem sabem os brasileiros, mente.

Mais do que uma contradição, é um parodoxo essa história de torcer pelo Galo e gostar de futebol.

Fábio Carvalho em novembro 30, 2008 10:28 PM


#59

Outro dia de caixa de comentários com piripaco.

Ôxi! Blog enfrentando ligeira turbulência técnica enquanto faz a transição ;)

Idelber em dezembro 1, 2008 10:53 AM


#60

Oi, Mara, desculpe, eu não havia visto sua pergunta. Aqui neste pdf do Prof. Antonio S. A. Guimarães você tem (infelizmente em inglês) toda a história do imbróglio com o termo "democracia racial".

Basicamente a história é: o termo foi usado por Arthur Ramos, parece, pela primeira vez em 1943. Depois disso foi citado aqui e acolá por Roger Bastide (quem, inclusive, numa das citações, menciona um papo com Freyre).

Mas Freyre mesmo só usa o termo em 1962, no texto O Brasil em face das Áfricas negras e mestiças (Rio: Edição da Federação das Associações Portuguesas).

O mais assombroso é que o termo tem circulação no próprio movimento negro nos anos 50, como mostra a citação de Abdias do Nascimento que faz o Prof. Antonio Guimarães.

Idelber em dezembro 1, 2008 11:06 AM


#61

Jürgen Habermas. Ele precisa aplicar a teoria dele à teoria dele. Talvez assim a gente consiga entendê-lo.

Aliás, encontrei uma perfeita síntese da teoria de Habermas no site Desciclopédia (que é uma paródia da Wikipédia):

Jürgen Habermas é o pai da teoria da Razão ou Ação Comunicativa, um catatau de verborragia complicada e sem sentido que pode ser resumido numa máxima de botequim: “conversando a gente se entende”.

George Marmelstein

george marmelstein em dezembro 1, 2008 2:18 PM


#62

Rarará. Claro.

Habermas é aquele cara que acredita que há um boteco onde todos falam em condição de igualdade :-)

A Habermas, há uma belíssima crítica feminista neste livro.

Idelber em dezembro 1, 2008 2:30 PM


#63

Idelber,

sobre isso que você fala a respeito do Gilberto Freyre, o Gustavo Sorá tem um interessante artigo: "A CONSTRUÇÃO SOCIOLÓGICA DE UMA POSIÇÃO REGIONALISTA.
Reflexões sobre a edição e recepção de Casa Grande  Senzala de Gilberto Freyre".
Rev. bras. Ci. Soc. vol. 13 n. 36 São Paulo Feb. 1998. No artigo ele faz uma análise das diferentes tomadas de posição de Gilberto nos diferentes prefácios de Casa Grande Senzala mostrando que sua ambivalência em relação a sociologia tinha a ver a situação imprecisa que as ciências sociais desfrutavam ná época de sua publicação. O argumento dele é: "Nos primeiros prefácios, Freyre se define como um jovem principiante, querendo restringir seu trabalho à imposição e demonstração de um original ensaio de interpretação sociológica sobre o Brasil e seu processo civilizatório.1 Nos prefácios às 12ª, 13ª e 14ª edições, Freyre se julga como um velho em retiro, buscando lugar no panteão literário nacional, ali onde a dúvida é censurada, onde reina a liberdade da palavra inspirada, já fora do rígido controle do discurso disciplinar de uma Sociologia plenamente universitária. Entre o primeiro prefácio e o da 14ª edição, Freyre viveu intensamente as mudanças classificatórias às quais era arrastado seu livro à luz dos renovados juízos críticos de novos leitores que se interpunham em seu caminho. Um testemunho explicativo dessas mudanças era a razão para amontoar prefácios, como uma estratigrafia que ia soterrando a valiosa obra. Estes funcionam em seu livro como tentativas de controlar o acaso, "conjurar os poderes e perigos" (Foucault, 1992, p. 11), as normas de compreensão de sua obra que, a cada edição, tornavam-se mais independentes de suas forças. As normas do conjunto de um campo intelectual em firme processo de autonomização e que passava a julgar os ensaios como modalidade para pensar o Brasil e as atividades não centradas na universidade e nas disciplinas especializadas como algo do passado. " Na minha cabeça é também nesse caminho que a idéia de "democracia racial" vai aparecer também como um instrumento a mais de defesa de sua obra...

Saudações recifenses,
Jampa

Jampa em dezembro 1, 2008 2:41 PM


#64

Uau, obrigadíssimo, Jampa, é chave para CGS essa questão dos prefácios. Obrigado por me chamar a atenção a esse artigo. Temos a Rev. bras. Ci. Soc. aqui em Tulane, vou atrás sim.

Idelber em dezembro 1, 2008 2:57 PM


#65

Poulantzas.

Alguns acreditam que sua teoria do Estado migra do marxismo para o pluralismo porque ele desenvolve o conceito de autonomia relativa em Estado, poder e socialismo.

Eu discordo.

João Carlos em dezembro 1, 2008 3:47 PM


#66

Mais um: Milton Santos. Grande brasileiro, grande pensador. Fundamental.
(e, como qualquer fundamental - vide G.Freyre -, tem a possibilidade de ser interpretado por visões de todos os lado. Mas é extremamente claro e isso dificulta a apropriação excessivamente oportunista).

Renata L em dezembro 1, 2008 4:08 PM


#67

Pior que pensando melhor, se for para pensar em leituras divergentes, pelos comentários possuem "lugar cativo" Marx e Adam Smith mesmo! Basta ver +- os últimos 150 anos.

Para não falar de Freud.

Pô, será que o Foucault tem lugar cativo? Talvez seja apenas um candidato, já que apenas agora que se começa a não o ler (antes pelo menos se tentava)

Catatau em dezembro 1, 2008 5:06 PM


#68

Opa, faz tempo que não visito o site, quando entro, noto que quase perco uma conversa boa dessas. Em geral, me encanto mais com pensadores que me deixam com a pulga atrás da orelha do que com os que me parecem dar explicações e expôr argumentos que me fazem entender por que penso o que penso. O Adorno, em sua recusa absoluta ao idêntico é um pensador que me faz pensar muito. Sua relação com a obra de arte é uma das mais poderosas e, ao mesmo tempo, mais irritantes que existem. E por mais que me incomode, não me parece fácil de contestar. Outro sujeito que tem uma relação tão forte quanto dubitável da obra de arte é o rítico Clement Greenberg. Provavelmente, ele foi o melhor de sua época nos Estados Unidos, mas sua visão historicista impediu que ele entendesse o que veio depois da pintura americana da década de 1950. Mesmo assim, ele é muito mais interessante do que nos querem fazer pensar os seus detratores. Mesmo quando rejeita o que pensamos ele mais nos ensina que irrita. Por fim, acredito que o Merleau-Ponty seja mais um caso de discordânci produtiva. Os fundamentos da fenomenologia nunca foram tão bem explicados e, nos seus últimos textos, a sua crítica é apontada.
Agora, no quesito crítico desi mesmo, o melhor foi o segundo Wittgenstein.

Tiago Mesquita em dezembro 1, 2008 8:24 PM


#69

Ninguém lembrou do Paulo Coelho...mas como trata-se de pensador, grafo Raul Seixas.

gugala em dezembro 2, 2008 6:31 AM


#70

Eu também ia falar de Platão, mas o Daniel já me antecipou lá em cima. Católicos e Nietzschenianos são platônicos. Isso é antagônico...

Mas tem o Fernando Henrique Cardoso também...desculpa gente, não resisti à piadinha...

Cibbele Carvalho em dezembro 3, 2008 2:14 PM


#71

Agostinho de Hipona. Pedro Abelardo. Ockham. Etc

Diogo Silva em dezembro 4, 2008 5:23 PM


#72

Pô, ninguém citou o sociólogo FHC?
Ah, político não pode...

Daniel Brazil em dezembro 5, 2008 8:09 PM


#73

Hannah Arendt

Daniela em dezembro 8, 2008 12:02 PM