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terça-feira, 04 de novembro 2008
Os obstáculos ao voto
Depois do vergonhoso roubo das eleições de 2000 na Flórida e das muitas irregularidades que contribuiram para o resultado de 2004 em Ohio, o mais primitivo e precário sistema eleitoral do chamado Primeiro Mundo passará hoje pela sua prova de fogo. O Partido Republicano, minoritário nas grandes cidades, já tem, há algum tempo, a supressão do voto como um dos elementos centrais da sua estratégia. Este ano não foi diferente, embora, até o momento, não tenha dado muito certo.
Algumas das notícias mais preocupantes até agora são:
* No Novo México, imigrantes recém naturalizados (e portanto americanos em condições de votar) receberam visitas de intimidação de advogados do Partido Republicano.
* Na Carolina do Norte, foram impressos e distribuídos panfletos que avisavam que republicanos deveriam votar no dia 04 (o dia real da eleição) e democratas no dia 05.
* Em vários estados, os eleitores continuam recebendo ligações telefônicas gravadas com informações deliberadamente equivocadas sobre datas e lugares de votação.
* Em Richmond, Virgínia, reduto de Obama, vários eleitores relataram esperas de seis horas na fila de votação antecipada.
* Em Kansas City, Missouri, também reduto de Obama, centenas de eleitores esperaram oito horas para votar, muitos deles tendo recebido informações erradas sobre data e lugar de votação.
* Em muitos estados, os absentee ballots (cédulas para votação pelo correio) requisitados com antecedência não chegaram.
* Na Pensilvânia, o Partido Republicano tentou mas não conseguiu forçar a ONG ACORN a ceder os nomes de 140.000 eleitores que eles haviam registrado (nomes que certamente seriam usados depois para prática de intimidação eleitoral).
* Em Ohio, continua no ar o programa de rádio que anuncia que Obama mandaria os judeus para câmaras de gás.
* Em vários estados, as milícias dos Minutemen mandarão gente às urnas para contestar o direito ao voto de quem ... hmmm... não pareça americano.
O Talking Points Memo traz toda uma lista de tentativas de supressão do voto em 2008. Este, mes amis, foi um bom ano. Nem queiram saber o que é um ano ruim.
PS: Considerando o entusiasmo com Obama em New Orleans, a minha própria espera na fila de votação deve ser bem longa. Chegando de lá, eu inicio cobertura ao vivo das eleições, provavelmente no comecinho da noite, horário de Brasília.
PS 2: Na legendária cidadezinha de Dixville Notch, em New Hampshire, que mantém a tradição de reunir-se à meia-noite do dia da eleição, todos os 21 eleitores registrados já votaram. O povoado, que vota Republicano desde 1972, desta vez escolheu Obama por 15 x 6.
PS 3: É meio constrangedor ver um senador brasileiro dar palpites sobre Obama sem sequer saber escrever o nome do candidato. Em vez disso, Demóstenes deveria nos explicar a história do grampo fajuto.
Escrito por Idelber às 01:58 | link para este post
| Comentários (43)
#1
Realmente, tô pasma. Acabei de ver na tevê que se vota até em pizzaria, caminhão, que tem gente que leva as cédulas (páginas!) de voto na casa do eleitor para que ele preencha um absentee vote sem sair de casa, nem precisa ir ao Correio - isso aí é uma tremenda bagunça. Será que tb pode votar por telefone e pela Internet? E pensar que é assim que se elege um presidente apto a deflagrar uma guerra, jogar uma bomba atômica em um país, criar uma crise financeira capaz de jogar o mundo inteiro na recessão. Depois leio grossas teses sobre os princípios da democracia americana, etc. Parece que o voto propriamente dito é o aspecto menos importante dessa democracia. Que coisa horrorosa!
Vera Borda em novembro 4, 2008 3:49 AM
#2
Vai ter bolão do colégio eleitoral? Aposto 349x189 para Obama. Considerando que não vejo nenhum pundit com as mesmas impressões que eu, se eu acertar eu sou um gênio.
Mas, agora, pq os americanos insistem em um sistema eleitoral tão ruim?
Alexandre Lemke em novembro 4, 2008 4:24 AM
#3
Paz e bem!
"Mas, agora, pq os americanos insistem em um sistema eleitoral tão ruim?"
1 Porque para alguns é um sistema muito bom.
2 Porque os estadunidenses que acham-no ruim não conseguem mudar as regras.
Eugenio em novembro 4, 2008 4:38 AM
#4
Inacreditável!
Boa pergunta, " pq os americanos insistem em um sistema eleitoral tão ruim?"
Izabella em novembro 4, 2008 4:57 AM
#5
É horrorizante, mesmo!
Como é a incapacidade da maioria dos jornalistas e políticos brasileiros de compreender o valor histórico e simbólico de uma vitória do Obama, mesmo que suas políticas para o Brasil não sejam a que queremos. Um presidente negro! Queria que Monteiro Lobato estivesse vivo, pra morder a língua.
Pedrin em novembro 4, 2008 6:31 AM
#6
A Democracia Burguesa, tensionada nos seus limites, revela todas as suas limitações estruturais. E se na Europa Ocidental as coisas são (bem) melhores em termos de técnica eleitoral, é basicamente pela força acumulada nos últimos 150 anos pelos partidos de Esquerda que tiveram a tarefa de desmantelar essas pegadinhas reacionárias - e, ainda assim, ao custo da esclerose política atual, com o poder centralizado nas mãos de cúpulas partidárias.
Carlos em novembro 4, 2008 6:43 AM
#7
Pois é. E este país, ainda por cima quebrado, é chamado de "democracia de primeiro mundo".
A República Velha me parece um pouco mais avançada do que os EUA são hoje...
Luiz Alberto Pandini em novembro 4, 2008 6:45 AM
#8
É realmente como o Luiz falou aí em cima. Parece coisa da República Velha. Me lembra um pouco um livro do Mário Palmério, sobre uma eleição numa cidadezinha do interior de Minas Gerais. Como era mesmo o nome do livro?
peraí que vou ali na estante...
achei, chama-se "Vila dos Confins". Recomendo.
Radical Livre em novembro 4, 2008 7:11 AM
#9
Professor, se metade das informações sobre intimidações e fraudes que o senhor passou aqui forem verdadeiras os EUA são uma autêntica república bananeira! Putz!
Claudio Roberto Basilio em novembro 4, 2008 7:56 AM
#10
Bom dia, professor. Espero que seja um bom dia, mesmo: que a fila para votar não seja tão imensa e que se confirme a expectativa da vitória de Obama.
Vou aqui repetir o que parece um mantra: excepcional a cobertura que você vem realizando das eleições aí nesta terra onde você escolheu viver. Tenho aprendido muito, detalhes de todo o processo que eu não conhecia.
Agora, como outros já comentaram, estou pasma com o processo de votação, conforme você vem informando. Inacreditável. Mas, eu pergunto: eles devem ter justificativas para que seja dessa forma. À medida que o voto não é obrigatório, talvez eles entendam que as incríveis facilidades para votar, sejam um incentivo à participação. Não sei. Mantido dessa forma, é porque a maioria aceita. Ou não?
Mas, o que me espantou mesmo foi a descrição das tentativas de intimidação do eleitorado. “Repúblicas bananeiras”, ou seja, lugares que alguns entendem como “atrasados”, perdem com relação a esse processo de impedir um voto livre, portanto, democrático.
Como você e a maioria dos que participam com comentários, vejo a vitória de Obama como um marco histórico: um negro (? – em outra oportunidade, gostaria de discutir essa classificação e hierarquização das pessoas pela cor, agora não é momento) na presidência do país que ainda é uma potência – lembremos o que eles gastam, por exemplo, com as forças armadas, com a indústria bélica; quantos “campos militarizados”, eles mantêm pelo mundo? A decadência de um império, geralmente, é um processo lento. Portanto, gostando ou não, eles ainda podem muito.... podem bloquear qualquer ponto do globo movimentando alguns dos navios da frota imensa e diversificada que possuem.
Mas, eu não compartilho a euforia de muitos com a tese de que com Obama... tudo será diferente .Evidentemente, fará diferença, e muita, com o governo que está terminando: como muitos afirmam, um dos piores, se não o pior da história dos E.U.. Mas, eu pergunto, Idelber: será que fará tanta diferença, se pensarmos na velha tese do poder econômico, social, cultural e, portanto, político, dos segmentos dominantes? Você acredita que um Estado, em sociedades estruturadas e hierarquizadas em classes sociais, tem poder de atuação com autonomia, mesmo que relativa, das classes que dominam os meios de produção materiais e culturais? Não quero parecer aqui uma ortodoxa fundamentalista, mas eu ainda compartilho algumas das teses do velho Marx. Já escrevi demais. Beijos. Marilda.
Marilda S. Costa em novembro 4, 2008 7:59 AM
#11
Não nos deixe muito tempo esperando por informações! São as únicas confiáveis.
Paulo Heineck
Paulo Heineck em novembro 4, 2008 8:07 AM
#12
Idelber, tá cada vez mais difícil acompanhar as discussões da sua movimentada caixa de comentários! Isso é que dá ser estrela da internet. :-)
Estava viajando e só hoje li seu post sobre a "Onda Verde" no Rio (adorei o termo). Votei no Gabeira sem o menor entusiasmo, devido à conjuntura bizarra que se apresentava. Acho perfeita sua análise sobre o voto "ético" da classe média carioca, é um fenômeno que vem se repetindo há anos e ainda não foi identificado nem pelas principais cabeça pensantes daqui e dali.
Agora é torcer para que o processo eleitoral americano possa refletir da melhor maneira possível o desejo do eleitorado. O mundo aguarda que seja traçado o destino de sua maior potência, oh! Hehehe
(No vôo da TAP assisti a um filme chamado Recount, com Kevin Spacey e Laura Dern, sobre a primeira eleição do Bush e o gangsterismo que rolou na Flórida. Impressionante.)
Beijocas
Monix em novembro 4, 2008 8:30 AM
#13
O Demostenes nao sabe nem escrever "workaholics"!!! Que caca de texto, credo! Acho que nem eu, que nao sou jornalista e estou acostumada a ler artigos cientificos tecnicos, escreveria tao mal! Que vergonha o cara mandar um texto assim, sem nem se dar ao trabalho de fazer uma correçao...
fabiana em novembro 4, 2008 8:33 AM
#14
idelber:
suas informações são ótimas para se mostrar o "padrão eua de respeito ao voto".desmascara
ilusões.
a cobrança ao senador demóstenes sobre o "grampo
fajuto",auto-grampo,merece reforço.
romério
romério rômulo em novembro 4, 2008 9:25 AM
André Kenji em novembro 4, 2008 9:33 AM
#16
O blog do Noblat está primando hoje pela grosseria: a do ex-delegado de Polícia Demóstenes Torres, atualmente ocupando um cargo no Senado, a do blogueiro que trata a ministra Dilma Roussef como "poste" de Lula (aliás, se não me engano foi o próprio Noblat que inventou essa história de que o Lula elegeria qualquer "poste", e, last but not least, a do Supremo Ministro em comentário à mesma ministra. Agora que andei assistindo muito à Fox News, acho que o Noblat segue a escola de "jornalismo" do tal de O'Reilly. Só desaforo e falta de respeito, próprios do Globo, nossa atual Fox News.
Vera Borda em novembro 4, 2008 9:33 AM
#17
Muda a nação, mudam os candidatos, muda até o mundo. Mas não adianta: reta final de campanha é vale-tudo em qualquer lugar.
Guilherme Póvoas em novembro 4, 2008 9:36 AM
#18
Quero saber quem é que vai registrar em documentário as dificuldades para votar neste ano (e que não seja o Michael Moore). Como estão os que não tem ficha limpa, os que tem nomes diferentes na carteira de habilitação e no s.security, os que tiveram seus títulos apagados em 2004 e até hoje não conseguiram recuperá-los? Será que os negros da Virgínia estão tendo dificuldades para votar?
E, coitado, o Demóstenes deve ter confundido o Barack Obama com o Ehud Barak Hussein, presidente da Churrascaría Grampolândia e antigo agente da Abin, que fica alí na esplanada ao lado da "rua das petas"...
Cristiano Fagundes em novembro 4, 2008 9:40 AM
#19
Vera,
também li o post sobre o poste de Lula. Achei um desrepeito completo. No começo quando (noblat, L. Hipolito, etc) vinham com essa estória da Dilma ser um poste e que o segundo turno de BH se provou que não se elege poste, eu pensei: é bom eles acharem que a Dilma perde, é melhor ganhar de surpresa. Mas, ultimamente acho que a falta de respeito que eles estão tendo com a Dilma já está passando dos limites. Eles querem passar que a Dilma é uma idiota completamente antipática. Eles querem pegar a pecha na Dilma: ele é O poste. Kassab e companhia seriam muito melhores que ela. Puta que pariu. Acho que ela é muito melhor que o Lula (tudo bem que isso para mim não é grande coisa). Mas, acho que a ideia é martelar: "ela é péssima, antipática, etc., mesmo que vc, eleitor, goste do Lula, não votem numa candidata horrível só porque o Lula pediu". Passa a ideia de que o eleitor tem autonomia e não vota em poste.
Bruno em novembro 4, 2008 10:15 AM
#20
Bom dia,
Parabéns pela cobertura, deve ser uma das melhores existentes.
Quanto ao seu "PS3", senão por técnica política, você não sustentaria que a falta de um "c" na grafia do nome do Barack Obama seja reconhecidamente motivo para descartar o que foi dito pelo Demóstenes.
Depois, surgem comentários pintando o Demóstenes como um diabo reacionário, mas seus comentários foram no sentido de um ceticismo em relação a esta euforia das colônias mundiais quanto à candidatura do Barack.
No fim das contas, a questão meritória é abafada, através de uma técnica pouco bonita. A razão disto é que o comentário, artigo, texto do Demóstenes levanta (não que resolva, ou desenvolva adequadamente) a questão central e incontornável da cobertura que você faz aqui no seu blog: por que Barack é tão bom?
1) Realmente, os republicanos são belicistas imperialistas, famílias de maçons e investidores agressivos, eugenistas, aristocráticos e autoritários. O mundo sofre a cada governo republicano, pois tratam as colônias e os concorrentes com rigor militar. São apologetas dos EUA equanto potência (não no sentido filosófico, por favor). Essa agressividade gera a necessidade cíclica de um governo democrata.
2) Os democratas, por sua vez, são filhos de republicanos que abriram ONG. Liberais de fachada, evitam pôr em prática a indústria militar e bélica (o que gera problemas cíclicos nos EUA, dado o grau de militarização dessa sociedade, e a importância disto para sua posição em face aos demais países), mas não conseguem ir além do liberalismo moderado, da náusea, e nunca representaram qualquer mudança estrutural. Essa postura democrata gera a ânsia, cíclica e econômica, por um governo agressivo, republicano.
3) Essa questão cíclica é relevante. Alguns dizem, como Chomsky, que o sistema partidário nos EUA é uno, único. Barack já disse, por exemplo, que autorizará o trânsito de pessoas (e seus pertences, e suas propagandas) dos EUA a Cuba, pois o dinheiro americano salvará a ilha. E não, o embargo econômico não acabará. Além do mais, acreditar que um presidente tem poder para tocar nos pontos nevrálgicos de um império mundial é, no mínimo, loucura. JFK é prova morta disto.
4) Será que Barack retomará todas as tropas estadunidenses do Iraque, do Afeganistão, da Bósnia? Tirará a Venezuela e Cuba da lista de países que apóiam o terrorismo? Revogará as medidas legais-estatais que instituíram um estado policial nos EUA, após o 11 de setembro? Em suma, a não ser pelo alívio da agressividade republicana, será que Barack declarará morta a "guerra contra o terrorismo"? Que mudanças podemos esperar, ou não se trata de mudança, mas de alívio?
Quando você (e tantos outros) dizem que a possível eleição de Barack é um "encontro com a história", estão dizendo o que? Que um evento irá abalar a situação? Essa "história" de que falam, acredito ter uma conotação marxista, correto? E, em que pese isso, por que a eleição de Barack gera uma nova etapa de um progresso dialético-materialista? É uma afirmação, uma negação, uma negação da negação? Uma tese, uma antitese, uma síntese? Ou permanecemos na afirmação? Algo mudará, ou estamos indo de encontro a um ato de uma mesma peça? Estamos passado do Presto para o Allegro ma non troppo, ou mudando de sinfonia?
Dado que você faz esse apoio direto e reto ao Barack, gostaríamos todos de saber sua opinião.
Abraços
Neto
Neto em novembro 4, 2008 10:20 AM
#21
Obrigada pelo alento proporcionado pelo artigo do senador. Adorei a menção aos wokholics, os ambulantes chineses que vendem yakisoba pelas ruas de Manhattan. É tocante ver um político brasileiro preocupado com as minorias étnicas nestes EEUU dominados pelo cachorro-quente.
Camila em novembro 4, 2008 10:21 AM
#22
Idelber,
Está excelente o contraponto do Neto. Concordo muito com ele, apesar de achar:
1. que o simbolismo de um negro se tornar é muito importante para o auto-estima dos negros;
2. sem dúvida o Barack Obama é melhor, pois é mais Estado, mais distribuição de renda, menos radical contra governos como Chavez, etc.
E, concordo plenamente, que da discordância política e da desconfiança ética em relção ao Demostenes não pode ser justificativa para descartar um texto dele por causa da falta de um c no nome do Obama.
Bruno em novembro 4, 2008 11:07 AM
#23
Eu particularmente achei o texto do senador confuso, mal estruturado e com idéias soltas em demasia. mas vai ver que sou eu que não sei ler...
Radical Livre em novembro 4, 2008 11:17 AM
#24
O encontro é com a história na medida em que, há 40 anos, Barack Obama não poderia freqüentar bares e restaurantes nos "bairros brancos"; não poderia usar bebedouros e banheiros públicos; e correria o risco de ser linchado, esfaqueado ou queimado vivo se circulasse para além dos "bairros negros". O encontro é com a história na medida em que o povo americano diz um rotundo NÃO à política belicista de George W. Bush e elege um senador democrata cujo discurso foi pautado pela retirada das tropas do Iraque e pelo diálogo com os países que, hoje, figuram na "lista negra" dos EUA. O encontro é com a história na medida em que, após uma era marcada pelo fundamentalismo branco e cristão, o novo ocupante da Casa Branca será um negro, não-cristão, com sangue africano e sobrenome árabe. Simbolicamente, para o mundo, isto representa muita coisa. E temos de compreender a política também em seus aspectos simbólicos. O encontro é com a história na medida em que podemos ter esperanças em relação à um mundo mais tolerante e menos racista.
Bruno Ribeiro em novembro 4, 2008 11:30 AM
#25
O problema do texto do Demóstenes é que uma análise fria(E canalha) indicaria que em vários quesitos Obama representa uma possibilidade maior de uma economia mais fechada e que nesse ponto McCain seria uma opção melhor para o Brasil(É o ponto que eu defendo).
Mas o senador não indica esses pontos e nem fala da amizade de Obama com Tom Daschle, um dos pais do programa americano de etanol de milho...
André Kenji em novembro 4, 2008 12:26 PM
#26
Ler o Biscoito Fino atualmente é uma questão de aproveitamento do tempo e da melhor informação. Parabéns pelo trabalho de cobertura, Idelber.
Abração.
adelaide em novembro 4, 2008 12:57 PM
#27
Não importa que John McCain - em tese - é melhor para o Brasil. Obama é, indiscutivelmente, melhor para o mundo. E é dessa forma que todos os analistas políticos deveriam pensar. Até quando teremos de insistir no óbvio?
Bruno Ribeiro em novembro 4, 2008 2:19 PM
#28
Quanto aos meus questionamentos, faço referência ao "post" do blog de Bruno Ribeiro. Parabéns, muito bom.
Realmente, eu não sonharia em apoiar o McCain. E acredito que o Obama seja importantíssimo. Concordo com o Kenji (assim como o Bruno Ribeiro também concordou) que manter a pose de amigo incondicional dos EUA seria "melhor" para o Brasil, enquanto representante dos EUA na América do Sul. Mas seria uma melhora muito ilusória, seria uma piora, um adiamento da catástrofe. Seria um FHC, um Sarkozy. O Lula não é dessa linha, ainda bem!
Eu só gostaria de acreditar mais profundamente nisso tudo. Trata-se de um desejo meu. Digo isto pois a eleição de Bush foi um golpe de estado, demonstrando que os EUA são suscetíveis a essa tomada bélica: guerra ao terrorismo. Enfim, essa quebra com a política do WASP (white, anglo-saxon, protestant) é realmente histórica.
Só não consigo vibrar tanto assim. Talvez por não ser negro, talvez por acreditar que o pós-Obama será truculento, e que a resposta a isto tudo será catastrófica.
Neto
Neto em novembro 4, 2008 3:14 PM
Bibi em novembro 4, 2008 3:29 PM
Cesar em novembro 4, 2008 3:43 PM
#31
Deve-se pensar em McCain em termos de política internacional, por que econômicos quem vai mandar é o Congresso que ao que tudo indica será democrata.
A nível de América Latina, acredito até que o Senador do Arizona será pior que o Bush, por que pelo menos não se meteu abertamente contra a Venezuela e Bolívia, já McCain pelo discurso tratará prioritamente de política externa do ponto de vista de manter a hegemônia americana e não aceitará o estilo agressivo que estes dois presidentes tem ao se referir dos EUA.
Marcelo L. em novembro 4, 2008 3:48 PM
#32
Eu concordo 100% com o comentário do Bruno e não consigo entender quem ainda diga que Obama, McCain, "tanto faz". Uma vitória de Obama é uma vitória tão maior do que mera politicagem. Continuo na torcida (é só o que me resta, mesmo morando na Califórina há três anos - infelizmente não posso votar ainda).
Viviana em novembro 4, 2008 4:00 PM
#33
Inacreditável fila. Ainda vou demorar mais um pouco. Aguentem as pontas aí.
Idelber, do blackberry em novembro 4, 2008 4:11 PM
#34
Idelber: aqui na Bay Area, California (onde moro) a votacao foi tranquila. Nao tinha fila nem nada.
Acho que muita gente votou com antecedencia, pois sei que nao e' falta de entusiasmo (alem do fator Obama, havia algumas proposicoes bem polemicas nas cedulas, como banir casamento gay, etc).
Agora, galera do Brasil: se voces ficaram com a impressao de que as eleicoes americanas sao uma bagunca e completamente abertas a fraudes, voces estao completamente...CERTOS!
Faz anos que o lugar onde eu voto e' na garagem de um tal "Joe Doe" aqui da vizinhanca. Sem nenhum fiscal oficial de plantao, nem nada. Apenas 3 "voluntarios" (normalmente idosos) ficam organizando a coisa, colhendo assinaturas e fornecendo o papel de votacao.
E', papel sim, porque esse negocio de urna eletronica e' coisa de Terceiro Mundo. :-)
O clima e' tao informal e descompromissado, que quando eu apresentei a minha carteira de motorista para me identificar, a voluntaria disse que nao precisava disso, mas que bastava fornecer meu nome (????!!!!!).
Se assim na Bay Area, California, imagina como e' eficiente o controle da votacao nos "grotoes" da America...
Marcos Nowosad em novembro 4, 2008 4:57 PM
#35
Caro Professor Idelber,
É com satisfação - por conhecer o seu blog - que comunico, à sua revelia, a publicação, na "Oficina de Gerência", do seu famoso "Decálogo dos Direitos do Blogueiro". Conto com o seu "nihil obstat".
Aproveitei a oportunidade e fiz uma "apresentação d'O Biscoito Fino e Massa" (como se fosse necessário...) para os meus leitores que - por desventura - não o tenham acessado, ainda.
Seria uma alegria se o senhor pudesse visitá-lo e conhecer o post em referência. Ah! Permita dizer me inscrevi como um dos seguidores do seu blog e o coloquei na minha "vitrine de blogs". Detalhe: por favor, meu caro professor, nem de longe (e tenho certeza que não o fará) pense em "contrapartida" de citação. Tenho verdadeiro horror dessas "permutas" que infelizmente existem na blogosfera.
No meu blog faço os destaques de quem eu aprecio e julgo referência para meus visitantes e leitores. São muitos que nem sabem que estão lá. No seu caso, o aviso é um gesto de ética, pela publicação do Decálogo. Até breve, pois estarei sempre por aqui.
Herbert em novembro 4, 2008 5:02 PM
#36
Caríssimo Herbert, muito obrigado pela citação, pelas palavras e é claro que o nihil obstat está mais que concedido, com gratidão!
Marcos, eu não sabia que você morava na Califórnia! Puxa, boa sorte aí com a maldita Prop. 8. Ainda não vi pesquisas sobre a Prop. 8. Você acha que passa?
Idelber em novembro 4, 2008 5:06 PM
#37
A questão da fraude me parece algo assim: as eleições americanas estão programadas para serem um joguinho de classe média, algo como um pif-paf domingueiro em que se escolhe entre figurinhas mais ou menos idênticas do consenso dominante. Na Califórnia do Marcos, que já foi dada por ganha para os democratas, a coisa parece funcionar informalmente e sem muitos solavancos, exatamente pela falta de controvérsia. É quando surge um processo de participação ampliada e de sentido de competição real(como agora, em torno do Obama) que o sistema rasga nas suas costuras...Em termos de eleição presidencial, acho que teríamos de voltar à década de 30 - ou quem sabe, até o pré-Guerra Civil ? - para ver uma competição mais acirrada do que essa. Daí o papel histórico mais do que positivo do Obama, como catalisador de todo este processo...
Carlos em novembro 4, 2008 5:10 PM
#38
Caríssimo Neto, acabo de ler com atenção seu excelente comentário. Considero, sim, o fenômeno Obama uma novidade de grandes proporções, mas também estou atento para possíveis exageros ou excesso de otimismo. Você por acaso já terá lido o meu Obama e o possível fim da política do medo? Não responde todas suas objeções, mas é um começo. Trato ali um pouco dos limites do fenômeno Obama também. Voltarei ao tema. Grande abraço.
Idelber em novembro 4, 2008 5:15 PM
#39
Oi Idelber,
Hoje numa radio de Nashua, NH estava sendo veiculado uma propaganda dizendo que o Obama tem um parente (acho que tio) que imigrou para os EUA ilegalmente e que o Obama nao o denunciou. Na continuacao da propaganda, diziam que o Obama desviou dinheiro do governo (dinheiro dos contribuintes) para familiares dele e para pessoas que o ajudaram durante a campanha eleitoral. Jogo sujo no dia da eleicao. Ouco essa radio todos os dias e essa propaganda apareceu somente hoje.
Abracos,
Guilherme
PS: desculpe a falta de acentuacao.
Guilherme Rosa em novembro 4, 2008 6:17 PM
#40
Não sei se isso tem grande valia, nem se faz muita diferença, mas estou vendo neste exato instante o Jornal Nacional e, pelo menos neste noticiário, a vitória de Obama está sendo dada como certa. William Bonner fala como se a vitória democrata estivesse consumada.
Bruno Ribeiro em novembro 4, 2008 7:10 PM
#41
I would just like to congratulate "Citizen Avelar" for exercising his newly-acquired privilege of voting in this election. Enhorabuena!
Pela primeira vez estamos votando pela mesma pessoa; cómo a vida nós cambia!
Mac Williams em novembro 4, 2008 9:38 PM
#42
I would just like to congratulate "Citizen Avelar" for exercising his newly-acquired privilege of voting in this election. Enhorabuena!
Pela primeira vez estamos votando pela mesma pessoa; cómo a vida nós cambia!
Mac Williams em novembro 4, 2008 10:01 PM
#43
E o Bial, na Globo, ainda tem a coragem de chamar os EUA de "maior democracia do mundo".
Luís Henrique em novembro 5, 2008 4:53 PM
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