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terça-feira, 30 de dezembro 2008

Carta aberta de Uri Avnery a Barack Obama

avnery-arafat.jpg As humildes sugestões que se seguem são baseadas nos meus 70 anos de experiência como combatente de trincheiras, soldado das forças especiais na guerra de 1948, editor-em-chefe de uma revista de notícias, membro do parlamento israelense e um dos fundadores do movimento pela paz:

1) No que se refere à paz israelense-árabe, o Sr. deve agir a partir do primeiro dia.

2) As eleições em Israel acontecerão em fevereiro de 2009. O Sr. pode ter um impacto indireto, mas importante e construtivo já no começo, anunciando sua determinação inequívoca de conseguir paz israelo-palestina, israelo-síria e israelo-pan-árabe em 2009.

3) Infelizmente, todos os seus predecessores desde 1967 jogaram duplamente. Apesar de que falaram sobre paz da boca para fora, e às vezes realizaram gestos de algum esforço pela paz, na prática eles apoiavam nosso governo em seu movimento contrário a esse esforço.

Particularmente, deram aprovação tácita à construção e ao crescimento dos assentamentos colonizadores de Israel nos territórios ocupados da Palestina e da Síria, cada um dos quais é uma mina subterrânea na estrada da paz.

4) Todos os assentamentos colonizadores são ilegais segundo a lei internacional. A distinção, às vezes feita, entre postos “ilegais” e os outros assentamentos colonizadores é pura propaganda feita para mascarar essa simples verdade.

5) Todos os assentamentos colonizadores desde 1967 foram construídos com o objetivo expresso de tornar um estado palestino – e portanto a paz – impossível, ao picotar em faixas o possível projetado Estado Palestino. Praticamente todos os departamentos de governo e o exército têm ajudado, aberta ou secretamente, a construir, consolidar e aumentar os assentamentos, como confirma o relatório preparado para o governo pela advogada Talia Sasson.

6) A estas alturas, o número de colonos na Cisjordânia já chegou a uns 250.000 (além dos 200.000 colonos da Grande Jerusalém, cujo estatuto é um pouco diferente). Eles estão politicamente isolados e são às vezes detestados pela maioria do público israelense, mas desfrutam de apoio significativo nos ministérios de governo e no exército.

7) Nenhum governo israelense ousaria confrontar a força material e política concentrada dos colonos. Esse confronto exigiria uma liderança muito forte e o apoio generoso do Presidente dos Estados Unidos para que tivesse qualquer chance de sucesso.

8) Na ausência de tudo isso, todas as “negociações de paz” são uma farsa. O governo israelense e seus apoiadores nos Estados Unidos já fizeram tudo o que é possível para impedir que as negociações com os palestinos ou com os sírios cheguem a qualquer conclusão, por causa do medo de enfrentar os colonos e seus apoiadores. As atuais negociações de “Annapolis” são tão vazias como as precedentes, com cada lado mantendo o fingimento por interesses politicos próprios.

9) A administração Clinton, e ainda mais a administração Bush, permitiram que o governo israelense mantivesse o fingimento. É, portanto, imperativo que se impeça que os membros dessas administrações desviem a política que terá o Sr. para o Oriente Médio na direção dos velhos canais.

10) É importante que o Sr. comece de novo e diga-o publicamente. Idéias desacreditadas e iniciativas falidas – como a “visão” de Bush, o “mapa do caminho”, Anápolis e coisas do tipo – devem ser lançadas à lata de lixo da história.

11) Para começar de novo, o alvo da política americana deve ser dito clara e sucintamente: atingir uma paz baseada numa solução biestatal dentro de um prazo de tempo (digamos, o fim de 2009).

12) Deve-se assinalar que este objetivo se baseia numa reavaliação do interesse nacional americano, de remover o veneno das relações muçulmano-americanas e árabe-americanas, fortalecer os regimes dedicados à paz, derrotar o terrorismo da Al-Qaeda, terminar as guerras do Iraque e do Afeganistão e atingir uma acomodação viável com o Irã.

13) Os termos da paz israelo-palestina são claros. Já foram cristalizados em milhares de horas de negociações, colóquios, encontros e conversas. São eles:

a) estabelecer-se-á um Estado da Palestina soberano e viável lado a lado com o Estado de Israel.

b) A fronteira entre os dois estados se baseará na linha de armistício de 1967 (a “Linha verde”). Alterações não substanciais poderão ser feitas por concordância mútua numa troca de territórios em base 1: 1.

c) Jerusalém Oriental, incluindo-se o Haram-al-Sharif (o “Monte do Templo”) e todos os bairros árabes servirão como Capital da Palestina. Jerusalém Ocidental, incluindo-se o Muro Ocidental e todos os bairros judeus, servirão como Capital de Israel. Uma autoridade municipal conjunta, baseada na igualdade, poderia se estabelecer por aceitação mútua, para administrar a cidade como uma unidade territorial.

d) Todos os assentamentos colonizadores de Israel – exceto aqueles que possam ser anexados no marco de uma troca consensual – serão esvaziados (veja-se o 15 abaixo).

e) Israel reconhecerá o princípio do direito de retorno dos refugiados. Uma Comissão Conjunta de Verdade e Reconciliação, composta por palestinos, israelesnses e historiadores internacionais estudará os fatos de 1948 e 1967 e determinará quem foi responsável por cada coisa. O refugiado, individualmente, terá a escolha de 1) repatriação para o Estado da Palestina; 2) permanência onde estiver agora, com compensação generosa; 3) retorno e reassentamento em Israel; 4) migração a outro país, com compensação generosa. O número de refugiados que retornarão ao território de Israel será fixado por acordo mútuo, entendendo-se que não se fará nada para materialmente alterar a composição demográfica da população de Israel. As polpuldas verbas necessárias para a implementação desta solução devem ser fornecidas pela comunidade internacional, no interesse da paz planetária. Isto economizaria muito do dinheiro gasto hoje militarmente e a partir de presentes dos EUA.

f) A Cisjordânia, Jerusalém Oriental e a Faixa de Gaza constituirão uma unidade nacional. Um vínculo extra-territorial (estrada, trilho, túnel ou ponte) ligará a Cisjordânia e a Faixa de Gaza.

g) Israel e Síria assinarão um acordo de paz. Israel recuará até a linha de 1967 e todos os assentamentos colonizadores das Colinas de Golã serão desmantelados. A Síria interromperá todas as atividades anti-Israel, conduzidas direta ou vicariamente. Os dois lados estabelecerão relações normais.

h) De acordo com a Iniciativa Saudita de Paz, todos os membros da Liga Árabe reconhecerão Israel, e terão com Israel relações normais. Poder-se-á considerar conversações sobre uma futura União do Oriente Médio, no modelo da União Européia, possivelmente incluindo a Turquia e o Irã.

14) A unidade palestina é essencial. A paz feita só com um naco da população de nada vale. Os Estados Unidos facilitarão a reconciliação palestina e a unificação das estruturas palestinas. Para isso, os EUA terminarão com o seu boicote ao Hamas (que ganhou as últimas eleições), começarão um diálogo político com o movimento e sugerirão que Israel faça o mesmo. Os EUA respeitarão quaisquer resultados de eleições palestinas.

15) O governo dos EUA ajudará o governo de Israel a enfrentar-se com o problema dos assentamentos colonizadores. A partir de agora, os colonos terão um ano para deixar os territórios ocupados e voluntariamente voltar em troca de compensação que lhes permitirá construir seus lares dentro de Israel. Depois disso, todos os assentamentos serão esvaziados, exceto aqueles em quaisquer áreas anexadas a Israel sob o acordo de paz.

16) Eu sugiro ao Sr., como Presidente dos Estados Unidos, que venha a Israel e se dirija ao povo israelense pessoalmente, não só no pódio do parlamento, mas também num comício de massas na Praça Rabin em Tel-Aviv. O Presidente Anwar Sadat, do Egito, veio a Israel em 1977 e, ao se dirigir ao povo de Israel diretamente, mudou em tudo a atitude deles em relação à paz com o Egito. No momento, a maioria dos israelenses se sente insegura, incerta e temerosa de qualquer iniciativa ousada de paz, em parte graças a uma desconfiança de qualquer coisa que venha do lado árabe. A intervenção do Sr., neste momento crítico, poderia, literalmente, fazer milagres, ao criar a base psicológica para a paz.


(esta é uma carta aberta escrita por Uri Avnery, 85 anos, ex-deputado do Knesset, soldado que ajudou a fundar Israel em 1948 e que há décadas milita pela paz. A tradução ao português é de Idelber Avelar. O obrigado pelo envio do link vai ao Daniel do Amálgama. O pedido de divulgação vai a todos os que desejam uma paz duradoura, nos termos já reconhecidos pela comunidade internacional).



  Escrito por Idelber às 00:29 | link para este post | Comentários (66)


Comentários

#1

A caixa está aberta, mas a liberação dos comentários acontecerá só lá pelo dia 05.

Ou seja: escreva como um personagem de um romance epistolar, utopicamente, para o futuro.

Idelber em dezembro 30, 2008 12:38 AM


#2

Idelber, você acha que esse massacre israelense contra os palestinos irá prejudicar, de alguma forma, o início do governo Obama? Existe algum indício de qual será a política de Obama para este assunto?

Marcos D. em dezembro 30, 2008 7:40 AM


#3

Sem querer interferir na tradução de um acadêmico na área de literatura, mas "assentamento colonizador" não é redundante?

Andre Kenji em dezembro 30, 2008 7:45 AM


#4

A paz está ao alcance das mãos.

Parece que não é muito o que se propõe.

Só considero muito estranho que o presidente dos EUA tenha tanta influência nas negociações de paz. Acho que isso desvia um pouco as responsabilidades de ambos os lados no conflito.

Fica parecendo aquele nosso anti-americanismo besta, que achava que nossa ditadura e nossas misérias eram todas fruto da ação norte-americana. Obviamente nunca tivemos responsabilidade nenhuma pelos problemas de nosso país - sempre foram os americanos...

André Egg em dezembro 30, 2008 7:58 AM


#5

Tomei a liberdade e copiei esta carta no meu blog .

Izabella em dezembro 30, 2008 8:15 AM


#6

idelber:
escrevo,sob sua sugestão.aprendi muito com essa carta.
romério

romério rômulo em dezembro 30, 2008 8:25 AM


#7

"1) No que se refere a paz israelense-árabe, o senhor deve agir a partir do primeiro dia".

Meu caríssimo Uri: Obama já agiu - e antes do primeiro dia. O senhor não percebeu? Pois ele concordou, mais do que isso, deu o aval político e autorizou o ataque criminoso de Israel à Faixa de Gaza. Ou senhor imagina que Israel criaria, por livre e espontânea vontade, uma baita dor- de-cabeça para o presidente dos EUA? Não. Israel não tem autonomia para atacar. É uma parceria com os EUA. Sempre foi assim. É a fatura pela eleição americana (inclusive). Obama concordou, Bush ordenou e os dois saíram de férias. Sintomático! Perceba, meu caro Uri, que Obama,com o argumento de que os EUA ainda tem presidente, se recusou a dar declarações sobre o ataque. Ora, mas não era isso que ele vinha fazendo até então? Dando declaração acerca de tudo? Por que Obama não sai pelo mundo (como fez na época eleitoral) a condenar o ataque? Simples: seria incoerente com a sua prática. É, meu caro Uri, Obama já está governando. Perceba, caro Uri: nos EUA, dois partidos(ambos de direita)se alternam no poder a mais de 230 anos. Em nada diferem um do outro, a não ser nas questões fiscais/tributárias. Ah! quase ia esquecendo: ainda não foi desta vez que o povo americano elegeu um negro para a Casa Branca. Valeu a tentativa, Uri!

Ary da Silva Martini em dezembro 30, 2008 10:12 AM


#8

Idelber, obrigadíssimo por traduzir e postar (reproduzi lá no blog, OK?). Um feliz ano novo para vocês, e que a gente tenha melhores notícias em 2009.
Abração!

Cleber em dezembro 30, 2008 10:22 AM


#9

nossa, como tem gente que briga nesse mundo.
oi idelber, apesar de tudo, feliz 2009 pra gente.
beijo

franka em dezembro 30, 2008 1:59 PM


#10

Idelber, Obama poderá dizer "Yes, we can" nesse caso?

Clines em dezembro 30, 2008 4:31 PM


#11

Idelber, não sei qual a religião daqueles que passam por esse site o tempo todo, mas eu posso te dizer que, como cristão praticante, me sinto profundamente enojado por todos os pontos de vista nos quais se pode enxergar essa discussão.

Vemos, de um lado, o "governo" israelense, covarde e pusilânime em tomar atitudes para resolver essa crise sem partir para o estilo arrasa-quarteirão que colhe votos entre os estúpidos ortodoxos, enquanto se vê cada vez mais dependente de apoio do lobby judaico-americano; do outro, o governo palestino do Hamas, que, como tantos, vem insistindo no quanto pior melhor para manter sua popularidade nas alturas e insistir com a retaliação sem procurar, no entanto, negociar solução para a mesma crise que criou.

No meio de ambos, entretanto, está o pior, o mais sórdido dos mundos: grupos, que se dizem cristãos mas que na prática não diferem muito dos fariseus da época de Cristo, e que acreditam piamente que a construção do Grande Israel será o primeiro passo para a volta do Cordeiro; esses grupos, que são egoístas ao ponto de afirmar que serão arrebatados antes que Israel clame pelo verdadeiro Cristo, são de fato os joguetes que impedem o governo americano de mexer-se para dar um fim a esse holocausto disfarçado, e são a face mais repugnante da miséria humana a qual se submetem diariamente os povos palestinos hoje em dia.

Na maioria das Igrejas se ora pelo povo judeu, e pela volta de Cristo para seu povo; mas, pergunto, quem orará pelos palestinos e por aqueles que tiveram o azar de estar numa terra disputada por quem "tem mais força"?

Abraços.

fps3000 em dezembro 30, 2008 7:13 PM


#12

Me perdoe Idelber... Estou copiando este material, na íntegra, para meu blog.

Victor Barone em dezembro 30, 2008 9:43 PM


#13

É preciso parar os facínoras sionistas que matam crianças fundamentados em defesa. Tal e qual os nazistas ao invadirem a Polônia e a URSS. Genocídio. Holocausto. Ignomínia.

Armando em dezembro 30, 2008 11:51 PM


#14

Idelber, mudando de assunto...a entrevista do Protógenes no Roda Viva tá no youtube.

[]'s

Pedro em dezembro 31, 2008 4:54 AM


#15

Lamento muito, mas se depender da transição esta questão não se resolve. De um lado Bush não vai intervir em relação à Israel. Nem Condolezza Rice com apelos na mídia faz diferença. De outro lado Obama, não tem o poder formal para tal e, ao mesmo tempo, não terá disposição para intervir nisto.

Creio que Israel toma a iniciativa aproveitando a mudança de governo e impondo um recuo na pauta em relação a questão palestina. Eu estaria com os olhos voltados para os bastidores da transição, em especial, para o Sr. Rahm Emanuel e seus contatos neste período. Daqui a uns dez anos tudo que está acontecendo com este cara hoje será história e parte da história de Obama em relação a Israel já está escrita.

Este é um problema grave para mim, porque a perspectiva externa de Obama me parece muito ruim. Confesso ser pessimista. Eu estou muito indignado com a atual situação e com o massacre na Faixa de Gaza é revoltante ver o noticiário que se limita a chamar os palestinos de terroristas e apontar para três vitimas em Israel.

Muitas crianças estão sendo mutiladas e mortas neste exato momento. Isto é revoltante. Toda a minha solidariedade ao sofrimento do holocausto se reapresenta em relação aos palestinos agora.

As propostas do Sr. Uri são interessantes, mas como impor esta pauta em uma negociação inexistente. Eu só vejo uma solução: intervenção da ONU imediata. E, após o cessar fogo, iniciar a negociação para transferência e desocupação, concomitante com a divisão do território. Israel não é dona da Palestina e todas as suas possesões foram tomadas pelo uso da força. É preciso sustar imediatamente este processo.

O que pensa Rahm Emanuel sobre isso?
E a Hillary Clinton?

Obama não pode falar agora?

O silêncio deles é hoje uma omissão que respeita a transição ou uma resposta combinada à estratégia israelense? A política impõe uma necessidade permanente de tomada de posição.

Qual a posição real da MUDANÇA neste tema?

um abração fraterno e um feliz ano novo querido Idelber e amigos.

Daniel Boeira em dezembro 31, 2008 7:16 AM


#16

Idelber, fiquei profundamente emocionada com a carta do Sr. Avnery. Infelizmente, acho muito dificil que o Obama, quaisquer que sejam suas melhores intencoes, consiga atender a todos esses apelos. Mas sendo hoje o ultimo dia do ano, e no ritual de se proferirem os melhores votos para 2009, desejo, sinceramente, que pelo menos parte disso tudo seja conseguido, para que possamos caminhar finalmente para alguma possibilidade de paz na regiao. Sobretudo, eu desejo que a verdade sobre o terrorismo israelense seja mais difundida e divulgada, porque, pelo que eu percebo, a maior parte das pessoas comuns, aqui no Brasil, pelo menos, que apenas veem o Jornal Nacional ou congenere, continua achando que Israel esta apenas se defendendo dos palestinos malvados e traidores.
Que vc continue sendo essa luz pra nos, trazendo informacao, reflexao, analise critica e oportunidade de discussao e aprendizado. Um 2009 melhor para todos nos. Grande abraco.

(estou de ferias num computador emprestado que eu nao consegui configurar para por os acentos do portugues...)

Ana Paula em dezembro 31, 2008 9:12 AM


#17

Depois do tempo, outro tempo virá.
Que seja bom.

Feliz 2009 para todos

cristina em dezembro 31, 2008 2:20 PM


#18

Tudo tão simples e complicado ao mesmo tempo. Parece um preço baixo em troco da paz - que não tem preço - mas é mais provável que mesmo depois dum acordo desses ambas as partes saiam com a sensação de que saíram perdendo, feio. O pragmatismo às vezes deixa um gosto insuportável na boca.
Só acho que os palestinos tem muito, muito mais motivos pra ficarem putos. Vivem hoje num infimo gueto cercado e isolado, sob as armas de um inimigo muito mais poderoso que ocupou a maior parte das suas terras. Parece ironia da história...

Kitagawa em dezembro 31, 2008 5:26 PM


#19

Idelber,

Daqui a pouco começa 2009. O que dizer de 2008? O ano que vai não foi exatamente ruim se você pensar no cômputo geral, mas convenhamos, ele acaba de maneira meio estranha, ou melhor, não acaba tão bem quanto poderia - ou deveria.

A boa avaliação, claro, eu faço pensando na economia nacional que teve um novo ano de crescimento, geração de emprego et cetera e tal, mas o mundo vai mal. Essa crise não somente expôs como está expondo os pés de barro do sistemão. Mas por aqui, nada. Será uma calmaria pré-tempestade ou será que vamos passar incólumes por tudo isso mesmo?

No entanto, se a economia vai bem, a política vai mal. Toda essa guerra deflagrada pela Operação Satiagraha me confunde até agora. Se por um lado o Poder Judiciário brasileiro mostrou uma evolução muito grande, assim como o Ministério Público, Polícia Federal, ABIN e demais órgãos, por outro, a atuação do STF mostrou que o buraco do Estado brasileiro é mais embaixo. A mídia também me preocupou - e me preocupa - muito. Os jornalões, revistas e afins devem estar mesmos malucos com a possibilidade de serem superados pela Internet, não é possível o posicionamento que esse pessoal assumiu nisso tudo, foi desonroso.

Essa nova escalada de violência no Oriente Médio me faz pensar que o futuro naquela região é uma faca de dois gumes: Ou teremos uma situação inacreditavelmente boa por ali, ou vai acontecer um descalabro mesmo. Pelo modo como terminou 2008, a segunda alternativa parece ter se tornado a mais provável, por mais incômodo que seja admitir isso.

Chineses vão ter de repensar o seu modelo for export e os russos vão ter de pensar em qualquer outra coisa que não se limite em hidrocarbonetos.

O futebol brasileiro encantou muita gente em 2008, mas sinceramente, eu esperava mais, bem mais. Pelo mundo o que rola é uma maldita mercantilização do esporte bretão que está afetando na própria qualidade do jogo, na medida que cada vez mais os jogadores são menos jogadores e mais garotos-propaganda.

Também tem a questão da blogosfera brasileira que está tomando corpo e já foi capaz de incomodar o pudê pelo menos um pouquinho.

Enfim, é torcer por um bom 2009, que avancemos por essa bandas e que o diabo não seja tão mau pelas bandas de lá.

Hugo Albuquerque em dezembro 31, 2008 10:05 PM


#20

Azenha: http://www.viomundo.com.br/opiniao/e-a-terra/...

Um mapa de possessao de terras em "Israel". Simplesmente estarrecedor!

Ivan Moraes em janeiro 1, 2009 1:12 AM


#21

Ufa!!!
Talvez dura para ambos os lados, mas finalmente a proposta viável que sempre faltou para acabar com essa carga que se arrasta por seis décadas.
Se é o Avnery quem fala, ele deve saber infinitamente melhor do que eu ou qualquer um daqui. Mas como equacionar a volta de cerca de quatro milhões de refugiados para um território tão exíguo? E como essa massa não iria alterar a composição demográfica de Israel, sabendo-se que os palestinos fazem muito mais filhos do que os israelenses?
Contudo esta sim é uma proposta realmente objetiva e detalhada, que não incita ódios gênero torcida de fla x flu como os seus posts. Idelber.
As palavras chaves estão bem claras: 'paz planetária.
Gostaria tanto, tanto que os "primos" pudessem se dar as mãos.
Parabens pela transcrição.

Celia em janeiro 1, 2009 3:41 AM


#22

Esqueci de dizer que talvez boa parte dos leitores desacreditem, achem difícil, etc. Mas é preciso acreditar em mudanças e mudanças positivas.

Celia em janeiro 1, 2009 3:50 AM


#23

[i]Viva la Revolución![/i]

Hugo Albuquerque em janeiro 1, 2009 12:19 PM


#24

A Folha està cada vez pior. No momento desses ataques insanos de Israel, Sergio Malbergier culpa o extremismo palestino e critica a esquerda por apoiar os palestinos.
Pior mesmo somente a Folha fingir que o grampo contra o GM è fato incontestavel.
o editorial da Folha diz:

“A revelação de que nem o presidente do Supremo Tribunal Federal escapou da febre de grampos, a pretexto da chamada Operação Satiagraha, selou o destino de Lacerda. Foi afastado da Abin em setembro e, agora, exonerado”.


30/12/2008
Teologia da destruição


O conflito entre palestinos e israelenses entrou de novo em erupção, cuspindo fogo e sangue nos dois lados do muro, principalmente no lado mais fraco militarmente, o palestino.

O choque atual era tão previsível quanto inevitável.

Após quase 40 anos sob a opressiva ocupação israelense e a corrupta e ineficiente liderança de Arafat, os desesperados palestinos de Gaza entregaram seu destino a Deus, ou melhor, ao grupo local que diz falar em nome dele, o Hamas.

E o suposto representante de Deus cobra sangue e morte. Quer transformar (e o faz nestes dias com grande sucesso) todo palestino em mártir na luta para libertar a Terra Santa dos infiéis.

O grupo palestino segue seu irmão mais velho e poderoso, o Hizbollah, que adotou agenda que interessa mais a seus patronos no Irã e na Síria que a seus conterrâneos e transformou os libaneses em mártires sem consultá-los ao atacar Israel e depois vender o conflito como uma vitória grandiosa e divina apesar de o Líbano que alega defender ter sido devastado pela resposta israelense!

É uma lógica tão ilógica quanto invencível, pois morrer é vencer em nome desse Deus que supostamente recompensa com dezenas de virgens no paraíso homens-bomba que se explodem em pizzarias e ônibus.

Assim, o Hamas disse neste mês que não renovaria o cessar-fogo com Israel. E passou a lançar diariamente de Gaza dezenas de foguetes contra cidades israelenses aos gritos já familiares de Deus é grande.

O governo israelense alertou durante dias que responderia com força letal se a barragem diária de foguetes lançada de Gaza não cessasse. E a força letal agra usada acaba apenas fomentando mais radicalismo entre a população palestina, o que o Hamas explora a la Hizbollah, com cinismo exemplar.

É o que vemos agora. Uma repetição extrema dos ciclos de ataques e contra-ataques que há décadas infernizam israelenses e palestinos e realimentam a guerra.

O pior é que a solução para o problema é evidente a todos os interessados de fato na paz: a criação de um Estado palestino viável em Gaza, Cisjordânia e partes árabes de Jerusalém que conviva em paz e segurança com o Estado de Israel.

Mas o extremismo islâmico seqüestrou a agenda palestina e não aceita a convivência com Israel. E, ironia sem graça da história, com o apoio crescente da esquerda global, numa aliança de forças tão contraditórias que só um anti-semitismo latente travestido de anti-sionismo raivoso pode explicar.

Não se deixe enganar. Para haver paz no Oriente Médio é preciso ouvir as vozes conciliadoras em meio aos gritos de guerra. É um conflito onde os oponentes são ao mesmo tempo vítimas e algozes. A única forma de resolvê-lo é apoiar os moderados dos dois lados e combater os radicais.

O resto é teologia da destruição ou ingenuidade.

Sérgio Malbergier é editor do caderno Dinheiro da Folha de S. Paulo. Foi editor do caderno Mundo (2000-2004), correspondente em Londres (1994) e enviado especial a países como Iraque, Israel e Venezuela, entre outros. Dirigiu dois curta-metragens, "A Árvore" (1986) e "Carô no Inferno" (1987). Escreve para a Folha Online às quintas.
E-mail: smalberg@uol.com.br
Leia as colunas anteriores

Bruno em janeiro 1, 2009 12:38 PM


#25

Idelber:

Gostaria de ler algo sobre o fim do Imprensa Marrom e sobre as maldosas insinuações do Nassif acerca da honestidade do Gravata. Pessoalmente, sempre achei que você se omitiu nessa questão.

Um abraço,

Thiago

Thiago em janeiro 1, 2009 3:45 PM


#26

Hoje é primeiro de janeiro de 2009. Pode ser que até o dia 5 próximo o Obama diga alguma coisa sobre o conflito Israel/palestinos. Até agora, o eloquente silêncio em que ele se mantém, enquanto joga golfe no Havaí e prepara a mudança de residência para um hotel em Washington, me faz temer que, no fundo, no fundo, não vai mudar nada na histórica e tradicional posição de apoio incondicional do governo dos EUA a Israel. Tomara que eu esteja redondamente enganada, mas, sei não ...

Vera Borda em janeiro 1, 2009 11:05 PM


#27

Se o que vai na carta ocorresse, seria perfeito. Eu só acho que o item 13e é ilusão. Não ocorrerá, e o Fatah sabe disso.

Um fato essencial está ausente desta lógica. A pressuposição de que todos querem a paz. Há certamente uma parte do establishment israelense que acha que pode ir até o fim sem um acordo de paz e um Estado palestino. Mas o mesmo se dá com o Hamas e com o Irã (acho que a Síria é outra história). É preciso parar com o auto-engano e aceitar que parte dos líderes/partidos de várias partes do Oriente Médio, com notável apoio popular, não aceita israel, é anti-semita e propõe um governo religioso que é em quase tudo a antítese de uma modernidade civilizada.

João Paulo Rodrigues em janeiro 3, 2009 3:25 PM


#28

Sem sentir e pensar no outro, como faz Uri Avnery, não se constrói a verdadeira paz.

Texto pra ser lido e estudado nas escolas de todo mundo.

observador em janeiro 3, 2009 6:49 PM


#29

Idelber,

Leu a entrevista do Doutor Protógenes à Caros Amigos? Sensacional. Simplesmente sensacional. Valia a pena fazer um post sobre ela.

Hugo Albuquerque em janeiro 3, 2009 7:49 PM


#30

Feliz ano novo a todos e muito obrigado aos que reproduziram a carta de Avnery, que teve uma repercussão bem razoável em português.

Ainda não vi a entrevista, Hugo, mas verei, com certeza.

Marcos e Clines, sobre Obama, eu preferiria não especular no momento. Não compartilho o pessimismo do Ary acerca da política de Obama para a região. Mas é verdade que o pessimismo é justificado, se olharmos a história da participação dos EUA na empresa sionista.

Thiago, meu caro, no momento ando preocupado com coisas ligeiramente mais importantes que a briga do Nassif com o Gravata. Não entendo por que eu teria que dizer algo sobre ela.

André Kenji, responderei sua objeção mais tarde, com calma, explicando minha escolha por "assentamento colonizador" para traduzir "settlement".

Idelber em janeiro 3, 2009 8:53 PM


#31

Peço permissão para publicar esta postagem no meu blogue.
Grata

Rosa Maria Mazzuco em janeiro 3, 2009 9:51 PM


#32

Permissão concedida, cara Rosa. Reproduza à vontade.

Idelber em janeiro 3, 2009 10:15 PM


#33

Grata.

Rosa Maria Mazzuco em janeiro 3, 2009 11:19 PM


#34

totalmente off topic, mas combina com o ano novo... estava eu em saquarema dizendo a meu cunhado (o historiador e escritor niteroiense André Diniz)que não ia mais dar a ele de presente, como prometido, a biografia do Obama, mas sim um livro que eu tinha ganho de Natal - o do Risério, "A utopia brasileira e o movimento negro". Imperdível para quem (como ele e eu) gosta, discute esses temas. Ele me responde que em troca vai me dar outro, também imperdível. Diz que não vai me emprestar, porque "é um livro para se ter". É (você já terá intuído) "um defeito de cor". Vou ganhar, então.... viva o ano novo.
Solidariedade ao povo palestino. Pelo que a gente possa.

Renata L em janeiro 4, 2009 5:11 AM


#35

Bacana, Renata. Ana adorou a notícia :-)

André, em resposta à sua objeção: prefiro "assentamentos colonizadores" para traduzir "settlements" porque a palavra "assentamento", sozinha, em português, é muito leve para descrever o que são as muralhas de colonização judaica nas terras palestinas. No inglês, "to settle" pode ter tanto o sentido de "assentar" como de "colonizar", e o termo que define o objeto, o lugar, tem a mesma raiz do termo que define o seu ocupante ("settler"). Não é assim em português: não há relação etimológica entre "assentamento" e "colono".

A questão tradutória é importante porque é relativamente comum encontrar gente com pouca informação sobre o tema perguntando-se "por que reclamam tanto dos assentamentos judaicos na terra palestina?", sem se dar conta, claro, de que são verdadeiros postos de colonização: muralhas fortemente armadas, protegidas pelo exército de ocupação, monopolizando os recursos hídricos e roubando cada vez mais terra palestina, tornando a paz impossível. "Assentamento", puro e simples, é leve demais para descrever tudo aquilo.

Idelber em janeiro 4, 2009 3:26 PM


#36

Defensores do governo sionista de Israel gostam de atacar aos árabes e aos palestinos (bem como àqueles que defendem os direitos destes de possuir seu próprio Estado independente) dizendo que os mesmos seriam 'anti-semitas'.

Isso é uma bobagem monumental, no entanto. E por um motivo muito simples: os árabes são um povo de origem semita.

Assim, questiono: como é que os árabes podem ser anti-semitas se eles mesmos são semitas? isso é o mesmo que dizer que os árabes são anti-árabes, o que é totalmente ridículo, é claro.

E outra coisa: a imensa maioria dos judeus mundo afora não tem origem semita. Eles são descendentes, principalmente, de povos da Europa Central, Oriental e da Península Ibérica. Somente uma pequena parte da população judaica mundial, hoje, tem ancestrais semitas.


Embora os palestinos não sejam de origem árabe, eles foram conquistados pelos árabes (no século VII) e adotaram a língua, as tradições, a religião e os costumes dos árabes.

No aspecto cultural e religioso, portanto, os palestinos são árabes, embora eles sejam, de fato, descendentes dos Filisteus, povo de origem grega.

O próprio nome 'Palestina' tem origem na palavra grega 'Philistia', ou seja, 'Filisteus'.

Portanto, ao massacrar com os palestinos e guerrear contra as nações e povos árabes, o governo de Israel é que está adotando uma postura anti-semita.

Marcos D. em janeiro 4, 2009 4:02 PM


#37

...ainda sobre um comentário acima, que começa "não sei qual é a religião"... isso, acho, não é tão relevante como a posição. Tenho vários amigos que, judeus, discordam tanto quanto eu do que Israel anda fazendo. Religião não é partido.

Renata L em janeiro 4, 2009 4:19 PM


Kitagawa em janeiro 4, 2009 6:12 PM


#39

The following speech Was delivered by Anti Zionist Orthodox Jews at the “Emergency Protest to Stop the Massacre in Gaza” rally, Rockefeller Center, New York City, December 27, 2008, 2.00 PM and again at a Protest in London on December 28, 2008

Que nuestras palabras sean placenteras a nuestro Creador y que santifiquen Su Sagrado Nombre.

A Salama Alaikhum:

El mundo está observando todas las atrocidades que estan siendo cometidas por el régimen sionista en Gaza, que cada vez son más crueles y conocidas.

No hay palabras para poder expresar todo el dolor que la humanidad esta sintiendo con la desgracia de Gaza y del pueblo Palestino.

A lo largo casi de cien años, ellos han sido envueltos en un plan que les obliga a abandonar sus hogares y su tierra.

A traves de su historia, los sionistas han provocado intimidacion, guerras, limpieza etnica y de estado, usando la lucha contra el terrorismo como causa.

Esto ha sido, es y continuará siendo la agenda criminal del movimiento sionista. Pero dentro de estos grandes crimenes, todos han sido nefastamente realizados usurpando y tomando estas acciones en nombre de nuestra santidad, en el nombre del Todopoderoso, y en el nombre del judaismo y del pueblo judio.

¡ESTO ES UN MALVADA Y MONSTRUOSA MENTIRA!

¡ESTO ES UNA PROFANACION DE NUESTRA RELIGION!

El judaísmo prohibe y rechaza el sionismo y la existencia del estado de "Israel". Nosotros estamos siendo expresamente ordenados por Di-s, que se nos prohibe tener soberania en este duro exilio Divino, y rebelarnos contra cualquier nacion. Los creyentes en la Torah, bajo el liderazgo de los más estimados rabinos y sabios del Siglo XX han siempre rechazado y luchado contra el sionismo y el estado de "Israel".

Desafortunadamente el sionismo ha tenido exito en estos ultimos años en seducir a miembros de comunidades religiosas y a algunos rabinos en apoyar la no devolucion de la tierra a sus propietarios legitimos (pueblo palestinos), por miedo, por los peores temores, dando a entender que es un conflicto religioso y que los árabes siempre han tenido un odio profundo hacia los judios. Sobretodo diciendo que si durante todo este tiempo de existencia del estado de Israel se devolviesen tierras a los palestinos,eso sería una masacre para los judios, que Di-s nos protega.

Cualquiera que esté familiarizado con estas tecnicas sionistas, es consciente de este hecho.

Antes de la llegada del sionismo, musulmanes, judios y cristianos vivian en paz y armonia juntos en Tierra Santa y en todos los paises islamicos, ¡pregunten a sus abuelos!. Ellos aún recuerdan aquellos maravillosos dias de paz. Y en realidad ésta es una buena oportunidad de agradecer a todos los paises islámicos que tan buenamente han acogido con hermandad y hospitalidad a los judios através de los años.

Los sionistas confian en la Biblia, en la Torah, para el imaginario derecho de hacer una limpieza etnica contra los palestinos y subyugarles. Esto es ridiculo. Los sionistas siempre han sido herejes y han rechazado todos los valores éticos y morales de nuestra fe, sin embargo tienen el descaro, la audacia, la arrogancia de pretender basar su comportamiento en nuestra sagrada Torah.

Nosotros sabemos lo que nuestra sagrada Torah y nuestros sabios nos han enseñado, - que nosotros estamos prohibidos de subyugar, oprimir o rebelarnos contra cualquier persona o pueblo, profanar la santidad de la Tierra Santa con caminos de violencia, limpieza étnica, discriminacion o poder militar. Nuestra religion nos enseña justicia. Nos enseña la paz. Nos enseña compasion. En realidad nuestras grandes y ultimas esperanzas y oraciones del pueblo judio es que cuando el Mesías venga entonces: "Ninguna nacion levantará la espada contra otra nación y nunca más se luchara para la guerra" Y todas las naciones serviran a Di-s juntos en paz y armonia.

A todos los gobernadores del mundo, su apoyo al estado sionista, al estado de "Israel", no significa que el pueblo judio está siendo ayudado por ustedes. Al contrario, éste historico y tragico error ha provocado miles de asesinatos de árabes y judios. Los gobernadores de las grandes potencias, con su apoyo al estado de "Israel" no solo están perjudicando al pueblo palestino sino que tambien están contribuyendo inconscientemente a un crecimiento de la hostilidad hacia los judios en todo el mundo.

A nuestros hermanos judios, os pedimos. No seais intimidados por el acoso y la violencia sionista. Proclamar alto y claro vuestra indignacion, dolor y simpatia por el pueblo de Gaza y proclamar contra aquellos desprecian la Torah, las enseñanzas de nuestros rabinos, y tener en cuenta la ética y la moral de nuestra fe, que no tienen derecho a hablar en nombre del pueblo judio y del judaismo.

Nosotros debemos decir al mundo que toda la soberania perdida del pueblo palestino debe ser devuelta a la historica Palestina. Esto es un requerimiento etico de nuestros valores judios. La justicia judia demanda la devolucion de todas las propiedades y derechos que ha perdido el pueblo palestino. Decir alto y claro al mundo que apoyar la causa palestina no es ir en contra de la identidad judia sino al contrario es una parte de ella.

A nuestro hermanos islamicos, dejarnos hablar por el pueblo de Gaza y no juzgar a la fe judia ni a su pueblo por esta causa lunatica sionista. Los judios siempre hemos sido vuestros amigos y primos.
No permitais que vuestra comprensible ira se diriga a aquellos que son inocentes de un delito, independientemente de si residen en Palestina ocupada, Europa o cualquier parte del mundo.

Juntos, pueblos del mundo, tengamos el mérito, con la ayuda de Di-s, que rápida y pacificamente, sin sufrimiento y sin derramamiento de sangre de ninguna persona, sea judía o árabe, podamos presenciar el fin del estado sionista y la ocupacion de toda Palestina.

Que tengamos el mérito de ver, en un cercano futuro, la revelacion del Único Di-s, através del mundo entero, con toda la humanidad a Su servidumbre en gratificante hermandad.

AMEN

PROCLAMEMOS JUNTOS:
¡GAZA LIBRE! ¡PALESTINA LIBRE!
¡JUDAISMO SI, SIONISMO NO!

Humberto em janeiro 4, 2009 7:05 PM


#40

Idelber:

Você sabe melhor que eu que isso não se trata apenas de uma briga: envolve questões amplas e importantes, como isenção, honestidade e ideologia na imprensa. E também sabe que essa não é uma querela pontual, vez que se arrastava havia meses. Por fim, pensei que o Gravata fosse seu amigo pessoal, alguém que estivesse acima das suas afinidades ideológicas.

Thiago

Thiago em janeiro 4, 2009 7:35 PM


#41

Paz no Médio Oriente

Janeiro 4, 2009 por verdadehistorica

Carlos F. Menz

A atual situação da palestina pode ser resumida numa pequena parábola:

Havia uma família feliz, composta de pai, mãe e numerosos filhos, habitando em confortável casa, numa terra agradável e suficientemente grande para mantê-los, com fartura e felicidade. Certa manhã notaram a aproximação de estranhos que ultrapasavam suas divisas. A família, sempre acolhedora e prestativa com todos os forasteiros, não se alarmou e esperou tranqüila a aproximação dos mesmos. Quando notaram que os estranhos portavam armas e que seus semblantes não eram de paz, já era tarde demais. Os primeiros tiros mataram o pai. Outra rajada e a mãe caiu morta também. Os saqueadores atiraram-se sobre as filhas estuprando-as e degolando-as em seguida. Os outros irmãos, depois de horrendas torturas e humilhações são sangrados até morrerem. Somente dois jovens, um por ser muito ágil e o outro por não se encontrar na casa, sobreviveram. Fogem para as montanhas e de lá observam os salteadores apossarem-se de todos os seus bens, demolirem a amada casa, construírem novas vivendas e trazerem mais bandidos para habitarem a terra deles. E de lá os irmãos descem, sistematicamente, para ataca-los, à noite, à luz do dia, sem descanso, ano após ano, implacavelmente, vingando a família perdida, os haveres usurpados, os direitos desrespeitados, a felicidade interrompida. E os ataques aumentam sempre mais. Tornam-se praticamente insuportáveis, um pesadelo para os usurpadores que acreditavam poder se localizar ali, locupletando-se impunemente com o que não lhes pertencia. E quando a vida começa a lhes ficar humanamente impossível, pela intensidade dos ataques, então, clamam aos céus e imploram pela PAZ! E outros vizinhos, alheios à verdadeira causa da luta, ou coniventes com os usurpadores, abraçam a causa da PAZ e resolvem intermediá-la, aplacar o insano conflito, apaziguar a fúria daqueles rebeldes que teimam em descer das montanhas e maltratar seus vizinhos que unicamente desejam a PAZ, para poderem produzir e trazer prosperidade para a propriedade e a região. Muitos dos participantes das tratativas sabem que os atuais ocupantes não são os verdadeiros donos. Mas isso foi há tanto tempo!… O ódio não pode perdurar eternamente… Vamos conversar, vamos tratar de um acordo. A paz é tão bonita… só o amor constrói… E todos ficam maravilhados com a magnanimidade dos atuais ocupantes quando estes se comprometem a permitir que os rebeldes – apesar de sanguinários e não confiáveis – ocupem uma pequena faixa de terra nos fundos da propriedade, cercados e bem vigiados. Fazem-se reuniões e todos aplaudem. Estipula-se que os rebeldes entregarão suas armas, abdicarão de todos os seus direitos hereditários e de família, obedecerão aos novos senhores, permitirão inspeções periódicas em suas choupanas – inclusive por parte dos vizinhos – para confirmar sua obediência ao “tratado”. E como por passe de mágica a PAZ se estabelece na região. Todos estão felizes: os vizinhos dormirão tranqüilos sem medo de tiroteios, saques e rebeliões; os usurpadores acreditam também poder dormir tranqüilos, pela primeira vez em muitos anos. E os rebeldes?… Bem, estes, por acaso, não receberam um pedaço de terra? Não estão agradecidos aos seus novos senhores e protetores? Seguramente deixarão de lado seus ódios irracionais, sua sede gratuita de sangue, seus instintos primitivos e condenáveis. E a PAZ finalmente é firmada por um dos irmãos sobreviventes. Fogos de artifício espoucam pelo mundo festejando a volta do bom senso entre os homens.

Mas, e o outro irmão – indagam todos, - onde está? Por que não desceu das montanhas e entregou sua arma e integrou-se ao homens de boa vontade? Ou quererá – o bárbaro – reivindicar ainda (depois de tanto tempo e da PAZ definitivamente assinada) direitos sobre a terra, cobrar vingança doentia por sua mãe, seu pai, suas irmãs violentadas, seus irmãos massacrados? Não é possível! Seguramente o bom senso triunfará e a humanidade entrará finalmente em uma nova era de paz e amor…

Espoucam fogos de artifício no firmamento. O locutor, em lágrimas, deseja a todos uma boa noite. Vamos todos dormir tranqüilos, sem sobressaltos, sem bombas, com a alma leve e o coração cheio de esperança no amanhã.

Será ?

Boletim-EP/Esclarecimento ao País nº15 – Mai / 96

Observador em janeiro 4, 2009 8:50 PM


#42

Idelber e André:

Quanto à expressão "Assentamento de Colonização", é interessante e adequadíssima a opção do Idelber. Não se trata apenas de uma tradução, mas de uma CONVERSÃO, digamos assim, à compreensão do leitor brasileiro.

Por mais que pareça "redundante" aos mais politizados, a expressão da forma como ficou grafada é perfeita. E, além do mais, nem todo assentamento (em nosso idioma) é colonizador. Simples assim.

Deixa de pegar no pé, André!

* * *

Excelente post, Idelber! E, sem polêmicas, gostei também do último do Pedro. Acho que, aos poucos, é possível encontrar uma convergência como já vimos entre ambos.

Não conheço melhores cabeças na blogosfera para tratar desse tema.

Gravatai Merengue em janeiro 5, 2009 12:47 AM


#43

Sim, Thiago, e sobre essas questões importantes eu já me pronunciei bem claramente. É só olhar os arquivos. No momento a pauta aqui é outra. Obrigado.

Idelber em janeiro 5, 2009 2:06 AM


#44

...ainda sobre religião (ou grupo étnico/social a que se pertence, que no caso dos judeus é mais ou menos isso)não ser partido nem posição política - é claro que o próprio post já mostra... mas aqui no Brasil há uma tendência a dizer "os judeus". Aliás, ontem estava em casa expressando uma dúvida sobre isso, no caso dos EUA: como é que a comunidade judaica americana, tão ampla, não tem ninguém pra falar contra isso tudo? Aí o homem daqui de casa responde:" os sionistas são a maior parte dos judeus americanos". Tá, mas não tem nem unzinho que se manifestou contra? Woody Allen?
...Tem um livro antigo e bacana que conta um pouco da história da fundação de Israel. É "Oh, Jerusalém!" de Dominique Lapierre e Larry Collins. Em inglês. Também na pg da New Left Review tem um bom dossier sobre o assunto.

Renata L em janeiro 5, 2009 6:36 AM


#45

Perfeita a carta, tocante a militância do Uri Avnery.

Mas, Garrincha perguntaria: "o senhor já combinou com eles?"

É, porque existem muitos 'eles', tanto de um lado como do outro.

Gente que por diversas razões (religiosas, militares) se adequou de tal forma ao estado de guerra que não conviveria bem fora dele.

São os profissionais dos massacres, os pregadores do fanatismo religioso, os beneficiários do caos, para quem cada foguete lançado, cada resposta, proporcional ou não, mais um assentamento, mais jovens se explodindo em mercados públicos, muros, bloqueios de curso d'água, tudo isso converge para seu objetivo, que é a perpetuação da opressão, do terrorismo e das batalhas recorrentes.

Para esses, essa carta com seus apelos à paz planetária, à economia de recursos militares para aplicação em causas civis e humanitárias, à convivência entre irmãos (ou primos) não passa de poesia, talvez de boa qualidade.

Anrafel em janeiro 5, 2009 11:04 AM


#46

Vou divulgar a carta aberta de Uri Avnery o mais amplamente possível e por todos os meios que puder para, pelo menos, sombrear o noticiário sionista que predomina no Brasil, em especial,na Folha. Idelber, obrigada por esta tradução. A escolha do termo "assentamento colonizador" está perfeita. Apropriadíssimo, meu caro André.
Espero que o mundo real se mexa e imponha uma solução adequada para o Oriente Médio, contemplando os direitos inalienáveis do povo palestino!!!

Branca em janeiro 5, 2009 2:01 PM


#47

Branca: a carta não sombreia o noticiário sionista!!! ela é linda E SIONISTA que, em qualquer acepção, em qualquer língua, tem apenas um significado, o de Hertzl, no fim do século XIX: sionista é quem defende a existência de um estado judeu nas terras de Israel.

Daí pra frente é muita interpretação e sangue derramado: terras "bíblicas" ou não? fronteiras da Declaração Balfour, da partilha da ONU, pós-independência em 1948, pós-guerra dos Seis Dias, pós-guerra do Iom Kipur?

Veja no post trazido pelo Humberto que judeus ultra-ortodoxos sequer aceitam a existência atual do Estado de Israel, já que estão à espera do Messias e, sem ele, não pode haver Estado de Israel!!!!

Cuidado com as generalizações, sempre!

Abs,

Rogério

Rogério em janeiro 5, 2009 2:41 PM


#48

Ai, os termos. Certo, certíssimo, Rogério, mas não acho que Branca tenha feito generalização nenhuma. O noticiário da grande imprensa é, sim, quase que literalmente, press releases do governo de Israel (veja sobre isso o comentário do Marco). Neste sentido, é noticiário sionista sim, embora você tenha razão ao sugerir que a carta de Avnery não é "anti-sionista", na medida em que não é "anti-existência-de-Israel".

Mas é anti-ocupação e rebate, sim, o noticiário conivente com a política de massacres de Israel.

E no Brasil há jornalista que "escreve sobre o tema" que já afirmou que "sionista" é termo hoje em dia usado só pelos Bins Lidens da vida.

Branca está certíssima no comentário sobre a imprensa.

Idelber em janeiro 5, 2009 2:57 PM


#49

Lógico que sionista não é o termo hoje em dia usado só pelos Bins Ladens da vida.

Discordo um pouco de vc quando diz que a grande imprensa brasileira escreve press releases do governo de Israel, já que os colunistas da FSP e as primeiras páginas de todos eles vêm sentando a pua nas desproporções, etc. Concordo que os jornais americanos são press releases.

Apenas como disclaimer: minhas posições e meu humanismo são os do mesmos de seu amigo Pedro Doria: nem mais, nem menos.

Vc viu que 80 membros do Hamas e Fatah conseguiram saíram no pau numa manifestação em Brasília? Nós, brasileiros, não conseguimos 80 em Brasília nem para protestar contra o mensalão! Se os palestinos (ou árabes com "vested interests" mas que estão a 13.000 km. são manipulados e brigam entre si, imagina os que estão lá!

Ninguém me convencerá que, tanto ou mais quanto Israel, o Hamas não tem o menor interesse em poupar vidas do seu próprio lado.

Rogério em janeiro 5, 2009 4:03 PM


#50

Vamos aos termos Rogério. Segundo o Dicionário Houaiss, "sionista" pode tanto ser relativo a sionismo, movimento que resultou na formação do Estado de Israel, como a um integrante ou a um simpatizante do sionismo. Quando falo da imprensa parece bem claro que estou me referindo a simpatizantes do sionismo, ou você não acha que a imprensa é simpatizante descarada? Claro que o Avnery não é contra o Estado de Israel. Mas este Estado está lá por força da ONU. Então, no momento um caminho a trilhar é o de uma paz negociada. E isso a carta sugere, até ingenuamente, se você quiser, ao apelar ao Obama. O mais importante na carta é a denúncia da ilegalidade dos assentamentos e da hipocrisia das grandes nações e de Israel em torno do assunto. Enquanto isso o povo palestino paga caro. Pergunto: por acaso podemos eliminar de cara todas as divisões territoriais criadas pelo colonialismo inglês no próprio Oriente Médio? Meu amigo, mexer em fronteiras é um longo caminho que só os povos envolvidos poderão decidir e trilhar da forma que acharem mais conveniente. Pessoas como Avnery podem fazer isso, denunciar, sugerir. E a nós, difundir tais iniciativas se elas vão ajudar o povo palestino de alguma forma neste momento de sufoco total. Acho que não deixei clara a minha preocupação: é rebater de alguma forma a defesa sem limites da iniciativa guerreira de Israel por parte da mídia. Do jeito que está nosso noticiário, a carta é até muito avançada. Não é a minha, não é tua noção de avanço. Mas se você pensar na média da população hoje manipulada pela imprensa com dados falsos e até mentirosos falar em aceitação do Hamas como força política e em negociação política com o grupo é sim avanço. Abs.

Branca em janeiro 5, 2009 4:39 PM


#51

Sobre esta questão da imprensa, é sempre bom lembrar que não há nenhuma consideração mais, ou menos séria sobre a Cijordânia e Gaza serem territórios invadidos. Seguindo a lógica que defende a ideia do direito de Israel bombardear Gaza, por exemplo, para proteger os israelenses dos foguetes do Hamas, porque não defender o direito do Hamas lançar seus foguetes para 'defender', ou melhor, reagir contra uma invasão de seus territórios?
Ja que o reconhecimento da ilegalidade se nota também pelo fato de EUA manterem sua embaixada em Tel Aviv e não em Jerusalém. Assim como não há reconhecimento de outros na comunidade internacional sobre o status de Jerusalém 'anexada' ser a capital de Israel.

fm em janeiro 5, 2009 6:58 PM


#52

Fui ver agora há pouco a cobertura 'equlibrada' da globonews. O jn não dá. Meu organismo criou anticorpos contra os antígenos provenientes das caras e bocas de Bonner e Bernardes.

Pois bem, após o destaque ao estadismo de Bush entra em cena o jovem Pedro Bassan que ignora a tragédia e faz uma reportagem focada no armamento utilizado no que ele chama de guerra.

As armas, tanques e aviões de Israel são mostradas com detalhes e entusiasmo de quem fala de carros de fórmula 1.

A matéria termina com a imagem de um soldado israelense de binóculos e o jovem reporter dizendo: "Israel nunca perdeu uma guerra. Pra ganhar essa precisa descobrir onde está o inimigo."

Como se a matéria fosse para o globo esporte.

Como se Gaza fosse a Amazônia.

wilson cunha junior em janeiro 5, 2009 10:06 PM


#53

Idelber

Eu acho que só na tradução fica difícil exemplificar o que são esses assentamentos. Quando a gente pensa em colonizador pensa logo na ocupação de um espaço despovoado, não de um grupo de fanáticos que vai aterrorizar uma população já existente em determinado lugar.

Andre Kenji em janeiro 6, 2009 12:12 AM


#54

Idelber

Aliás, eles estão mais para grileiros ou posseiros que colonizadores. ;-)

Andre Kenji em janeiro 6, 2009 12:12 AM


#55

Acho que por essas e outras (muitas outras, como bem sabemos), acaba de ser noticiado na internet que a audiência da Globo mantém a queda observada a partir de 2.005. No ano passado, caiu mais 6%.
Não vejo mais a Globo. Aliás, não vejo mais a TV aberta. Informo-me pela internet. Me fez bem deixar de ver a manipulação diária exercida pela nossa vergonhosa grande mídia. Poupa um pouco o nosso fígado.

Cláudio Freire em janeiro 6, 2009 7:15 AM


#56

Algumas perguntinhas inconvenientes: Por que "anti-semita" só é usado para judeus? Árabes não são semitas? Quantos jornalistas judeus há na Folha e em outros órgãos da grande mídia? Sérgio Malbergier é o que? Muçulmano? Os Civita são o que? Senor Abravanel é o que? Como acreditar nessa mídia? Alguém pode me esclarecer?

Miguel em janeiro 6, 2009 11:32 AM


#57

Oi Idelber

Na postagem sobre a petição dos professores americanos não há espaço de comentários. Assim, vou colocar aqui a chamada para a petição dos professores brasileiros.

Não sei se alguém já comentou sobre isso, desculpe se vou duplicar o assunto :)
abraço!
-----

Um grupo de professores universitários organizou uma carta aberta em
repúdio ao massacre da população da Faixa de Gaza praticado pelo
exército israelense e à destruição da Universidade Islâmica de Gaza,
perpetrada pelas mesmas forças. O documento, assinado por nomes como
Eduardo Galeano, Boaventura de Sousa Santos, Immanuel Wallerstein, Fábio
Konder Comparato, Chico de Oliveira e Emir Sader, afirma:

“Enquanto a carnificina causada pelo ataque israelense à Faixa de Gaza
nos enche de horror, tristeza e indignação, um fato nos obriga a nos
manifestar: a destruição da Universidade Islâmica de Gaza. Assim como as
universidades católicas e pontifícias em todo o mundo, a Universidade de
Gaza é uma instituição dedicada ao ensino e à pesquisa acadêmica. Devido
à negação ao acesso e compartimentação da vida nos territórios
palestinos, a Universidade Islâmica tornou-se ainda mais importante para
a população jovem de Gaza, impedida de cursar faculdades na Cisjordânia,
em Israel ou no exterior, inclusive quando são aceitos como bolsistas. A
Universidade atende mais de 20.000 estudantes, 60% dos quais são
mulheres. Formada por 10 faculdades, oferece cursos de graduação e
pós-graduação em educação, religião, arte, comércio, charia, direito,
engenharias, ciências, medicina e enfermagem”.

“Usa-se o mesmo sofisma com o qual se ataca o povo de Gaza: os
estudantes e os professores da Universidade seriam do Hamas, o mesmo
pretexto dos regimes fascistas para decretar a morte da cultura. O que
querem é a morte da memória, da história, da identidade do povo
palestino. Condenamos toda violência e lamentamos cada morte, seja em
Israel, seja nos Territórios Palestinos Ocupados ilegalmente por Israel.
Mas não podemos aceitar calados que seja lançado literalmente aos
escombros o direito à educação, à dignidade, à vida nessa pequena faixa
de terra onde há décadas a população vive na mais absoluta negação. Ao
atacar o direito à educação e à cultura em Gaza, coloca-se à prova a
educação e a cultura mundiais”.

A relação completa dos signatários e o endereço para novas adesões podem
ser acessados em:

http://www.ipetitions.com/petition/universidadeislamicadegaza/

Suzana Gutierrez em janeiro 6, 2009 1:40 PM


#58

Será aqui mesmo a discussão, Kelly.

Idelber em janeiro 6, 2009 11:30 PM


#59

Fiquei emocionada com a simplicidade e força das palavras deste militante de 85 anos.
E nós, brasileiros, o que estamos fazendo para a conquista da paz no Oriente? Muito pouco pelo nosso tamanho e importância! Que nosso desejo de paz seja tão forte que se transforme em prática nossa e de nossos dirigentes políticos!

Vera Aparecida de Oliveira em janeiro 7, 2009 1:46 PM


#60

Idelber, acho bem pertinente essa sua opção por direcionar o blog ao massacre de Gaza nesse momento.

Contudo acho que há um assunto que talvez merecesse também ser abordado, ainda que em um único post: a guerra civil instalada no México atualmente.

Tenho acompanhado por alguns blogs, pois na mídia oficial não encontro praticamente nada, mas como admirador de suas análises, e sabendo do espaço geográfico e político privilegiado a que se tem acesso nos EUA, seria interessante te ouvir a respeito.

gabriel figueiredo em janeiro 7, 2009 4:20 PM


#61

Caríssimo Idelber,

Estou muito feliz com esse seu blog, muito mesmo. A cobertura da imprensa brasileira sobre os ataques de Israel tem sido fria, burocrática e mal feita, como de praxe. Mas o que tem mais me surpreendido, em falas colhidas aqui e acolá em telejornais, sobretudo os da TV Globo, é que as reações internacionais contra Israel estão sendo chamadas de "anti-semitas". Ora, o cidadão norueguês e indonésio que sai de casa e vai às ruas protestar contra o massacre de civis palestinos não estão sendo anti-semita, mas anti-israelense, no máximo! Essa confusão tem dois aspectos. O primeiro, deliberado, para estigmatizar como anti-semita (portanto, nazista) todo e qualquer movimento contra a truculência do Estado de Israel, o filhinho mimado dos Estados Unidos que pode fazer o que quiser no Oriente Médio, inclusive torturar e realizar execuções extra-oficiais. O outro, de ignorância mesmo. No fundo, tem repórter da Globo que não sabe a diferença entre israelita e israelense.

abs

Leandro Fortes em janeiro 8, 2009 1:16 PM


#62

Idelber

Você conhece pessoalmente a Jennifer Loewenstein?

Andre Kenji em janeiro 8, 2009 10:42 PM


#63

Não, André, infelizmente não.

Idelber em janeiro 9, 2009 12:46 AM


#64

Não encontrei campo para comentários nos posts mais recentes. Penso que vc os desativou. Encontrei via blog da Luciana Pennah, o link para a petição dos jovens israelenses. Assinei, divulguei, e que as forças do Universo conspirem a favor. Tá na hora, né?
Estou te linkando lá no meu blog.
Grande abraço.

Ana em janeiro 9, 2009 4:50 AM


tiago mesquita em janeiro 9, 2009 12:51 PM


#66

Vale a pena ler o artigo de José Saramago sobre o terror de Estado de Israel: http://caderno.josesaramago.org/

Leandro Fortes em janeiro 9, 2009 8:58 PM