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sexta-feira, 19 de dezembro 2008
Gilmar Mendes perde a compostura: Balanço do Roda Viva
Eu faço um balanço positivo do ruim programa de entrevistas da TV Cultura na última segunda. Fraco de qualquer ponto de vista que tenha um mínimo de rigor jornalístico, consistindo principalmente, como prevíamos, em “levantadas de bola” para o entrevistado, o programa não foi, no entanto, o que ele teria sido se não tivesse havido a mobilização de blogs como o do Nassif, do PHA, do Mello, deste próprio espaço e de uma legião de outros blogueiros e leitores que entraram em contato com a TV Cultura. Sim, sei que fazer história contra-factual, imaginar o que “teria sido”, é sempre hipotético. É evidente. Mas esta é minha hipótese: não que o programa “tenha repercutido” na internet mas, pelo contrário, a internet repercutiu dentro dele, exercendo influência especialmente na postura da colunista Eliane Cantanhêde -- a quem devemos parabéns -- e também na coordenadora Lilian Witte Fibe. Os outros foram o que esperávamos.
Da colunista da Folha de São Paulo sempre achei que é inteligente e autora de boa frase, mas também sempre me pareceu que ela ganharia muito em credibilidade se explicitasse seus vínculos pessoais e de simpatia com o tucanato. Não há nada de errado em tê-los e os tucanos são uma força política importante e legítima no Brasil. O problema é deixá-los nebulosos e pretender / fingir / supor que fala a partir de uma posição politicamente equânime.
Em todo caso, não há dúvida que a enxurrada de bits que circularam na internet influíram nela. Não me cabe julgar se Cantanhêde – cuja coluna na página 2 da Folha não foi exatamente combativa na época da Satiagraha – estava sendo “sincera” ou “fazendo média” com a maioria do público brasileiro ou se foi mesmo sendo convencida de que há que se interrogar Mendes. O fato é que, dentro de seus limites, tentou fazer jornalismo de verdade. Lilian também não foi mal, apesar do absurdo gesto pedindo contenção a Eliane no momento do bate-boca com Mendes, quando havia sido este que a interrompera.
Confrontado por Eliane com perguntas acerca do grampo fajuto e da quase unanimidade jurídica contra ele na época do segundo habeas corpus a Dantas, Gilmar Mendes foi grosseiro com uma dama que lhe fizera uma pergunta legítima. Falsamente acusou-a de estar querendo ensinar-lhe. Perdeu a compostura de magistrado. Lamentável. Parabéns, Eliane.
Aliás, salvo engano, nenhum comentário sobre o Roda Viva até agora notou o óbvio: as únicas a se comportarem com um mínimo dignidade jornalística na bancada foram as duas mulheres, enquanto um dos marmanjos, Carlos Marchi, se omitia, e os outros dois, Reinaldinho e Márcio Chaer, se esforçavam para levantar bolas, não como Ricardinho, mas como um tosco, desajeitado e afobado levantador que tivesse nas mãos, não nove, mas somente seis ou sete dedos.
Se o portal Consultor Jurídico ainda tinha qualquer credibilidade no meio jurídico, maculou-a severamente na segunda à noite, com a postura indigna do Sr. Chaer, que confundiu jornalismo com puxa-saquismo. Incrivelmente, na mesma noite em que tentava ajudar a coroar Gilmar Mendes como o paladino da liberdade de expressão, o Sr. Chaer sugeriu enquadrar “jornalistas de aluguel” por .... formação de quadrilha! Isso sem citar nomes ou fazer acusação concreta (qual é o problema? É Paulo Henrique Amorim? É Luiz Nassif? Diga o que tem a dizer então e coloque as cartas na mesa).
Reinaldinho, coitado, é aquilo ali. Pelo menos acredita no que diz. Usa o programa para traficar a imputação de terrorismo a quem lutou contra a ditadura. Transforma a bancada em palanque para tentar nos fazer crer que é inverossímil a hipotese de que um senador pefelê, Mendes e a revista de menos credibilidade do Brasil tenham sido pegos na mentira. Corrige, coitado, no post das 18:47 de 16/12, o “Schmidt” do ombudsman só para ir lá e, ele mesmo, escrever que “o sobrenome do Carl não é "Schmidt", mas Schimitt” errado também. A mesma fúria com que seus leitores anônimos defendiam a TV Cultura antes do programa foi dirigida contra ela depois que o ombudsman notou o óbvio (aliás, não sei se Ernesto Rodrigues reparou que implicitamente, depois do programa, ele deu razão à “reação em cadeia” da internet que antes ele criticara. Tínhamos ou não tínhamos razão, meu chapa, em atacar a composição da bancada? Estávamos “pré-julgando” ou simplesmente notando o óbvio?).
A pergunta 8 da lista formulada por mim na segunda-feira foi feita durante o programa: O sr. tem alguma idéia do porquê das mais de 30 ações impetradas contra o seu irmão ao longo dos anos jamais terem chegado sequer à primeira instância? . Faltou-lhe, evidentemente, uma palavrinha: julgamento. Por que não foram a julgamento? Disso se tratava, como saberia qualquer um com um mínimo de contexto e boa fé. A responsabilidade pela formulação imprecisa da pergunta é única e exclusivamente minha, já que a magnífica reportagem de Leandro Fortes, na qual ela se baseava, havia formulado a dúvida certinho.
Favorecido pela falta da palavra que teria tornado a pergunta juridicamente exata, Mendes escapou pela tangente e, desqualificando a indagação, só deixou claro seu desconforto com ela.
A isso, mes amis, o gênio de Oswald de Andrade chamou a contribuição milionária de todos os erros. Havia 24 perguntas formuladas em termos factuais. Aquela que continha uma imprecisão vocabular, uma errata, um piolho nas palavras – como diria Flaubert – foi a que acabou sendo a mais reveladora.
PS: Parabéns, Fernando Meirelles.
PS 2: Aguarde-se, claro, um Roda Viva bem mais duro com o Delegado Protógenes, na próxima segunda.
PS 3: Cobrem-me um post sobre a imensa desonestidade intelectual das menções a Carl Schmitt no programa: uma levantada capenga de Reinaldinho para uma cortada – indigna de um acadêmico – em que Gilmar Mendes tentava enlamear o Juiz Fausto de Sanctis.
Escrito por Idelber às 17:57 | link para este post
| Comentários (69)
#1
Ótimo post professor, como sempre. Fernando Meirelles é o máximo!!
Izabella em dezembro 19, 2008 6:20 PM
#2
E ele ainda tira troça. Uma pergunta:
será que eu sou invenção do Nassif, de vc, do PHA? Idelber, parabéns, pela criatividade de invenção de comentários bem distintos entre si.
Gilmar Mendes e os Blogs
Por Dinha
Muito interessante:
Gilmar Mendes em coletiva hoje no STF, disse que os blogs - de sua oposição - inventam leitores. Que esses comentários nos blogs que o criticam são fictícios. Armados.
Segundo ele, Paulo Markun , durante entrevista na TV Cultura, disse estava preocupado com protestos e manifestações na porta da emissora , por conta da entrevista dele no programa.
Gilmar Mendes disse ao Markun : ” Essa gente não lotaria nem mesmo uma Kombi”.
PS: De certo a referência dele é a das Kombis que a Folha emprestou para a ditadura…
Adicional com algo do tipo, aquele é um mundo surreal e sem importância. Ou seja, o dos comentaristas e leitores de blogs.
Disse ainda que a Carta Capital ( sem dar o nome) é financiada e aparelho de Estado.
Afinal, quando é que os blogueiros vão fazer um movimentos para o MOSTRE A SUA CARA ALÉM DO COMPUTADOR?
Acho que deveríamos unir os blogs , lotar e plotar algumas Kombis e em comboio e dar as caras para bater na porta do STF.
Poderíamos plotar as KOMBIS do povo com a frase: NADA SURREAL , AINDA QUE REALMENTE INDIGNADOS
Posso até ver o presidente do Supremo fugindo como o leão da montanha em seu carro chapa branca - que longe está de ser uma kombi.
Fica a idéia para 2009
elizabeth
Trecho da coletiva, está no site do STF
Como o senhor responde ao volume de blogs e comunidades que fazem críticas abertas ao senhor? E uma segunda pergunta: Como que o senhor analisa as críticas de setores do governo, principalmente do ministério da Justiça, em relação à sua defesa das garantias individuais?
Gilmar Mendes - Bem, esse é um novo mundo, esse dos blogs e das comunidades. Eu fiquei surpreso quando agora ia falar na TV Cultura, no Roda Viva, e havia um manifesto correndo na internet para que fossem feitas determinadas perguntas. Algumas delas, inclusive, extramente tolas e irresponsáveis. Uma delas chegou a ser formulada, e foi produzida a partir de uma dessas revistas, uma dessas publicações financiada por dinheiro do estado, que não se mantém senão com dinheiro de todos nós - um aparelho hoje de estado e de partido. Que mais de 30 ações não teriam chegado à primeira instância contra o meu irmão - surgiu essa pergunta a partir de uma informação. Como se, para quem, no jardim de infância jurídico, diz que a minha influência seria tanta que as ações não chegaram à primeira instância. Vejam o absurdo, portanto.
Algum jornalista escreve isso, e isso - uma matéria de capa de uma revista, e isso depois ocupa esses blogueiros profissionais, talvez, inclusive, envolvidos em uma guerra comercial. Se diz que essas manifestações se reproduzem por técnicas, sabe-se lá se essas pessoas existem mesmo? Tantos que se manifestam? Hoje com a técnica de informática se pode fazer esse tipo de coisa. E sim, inclusive, democratas convictos.
Por exemplo, nessa minha presença na TV Cultura, eles ficaram discutindo os entrevistadores, a ideologia dos entrevistadores. Em geral vocês não vêem isso em relação a tantos programas. Há mais do que isso: ensaiaram, e eu estive lá, chamaram as pessoas para um manifesto, para um protesto pela minha ida à TV Cultura. Veja que gente com perfil democrático. Mas eu até tranqüilizei o Paulo Markun, ele que estava um tanto o quanto preocupado como que eu entraria lá se houvesse protestos. Essas pessoas não existem, são pessoas de ficção na maioria delas. Eu disse, esses protestantes, esses protestadores, Markun, não conseguem encher uma kombi. E era verdade, não apareceu ninguém, apesar dessa conversa fiada, quer dizer, nós temos aí acho que gente metida em guerra comercial, incomodada com decisões do Tribunal, e estão querendo criar esse tipo de movimento. Alguns deles impressionam. Mas nós todos que somos profissionais, que estamos na vida pública, sabemos que eles não têm qualquer qualificação.
Comentário
O mote dos “blogueiros de aluguel” foi levantado pelo advogado de Daniel Dantas, Nélio Machado, em uma entrevista ao Conjur. Em seguida, repercutido pela Veja. Na seqüência, pelo Demétrio Magnolli, em sua coluna em O Globo (logo depois de receber página amarela da Veja). Agora, pelo Gilmar. Faz sentido.
Enviado por: luisnassif - Categoria(s): Mídia
Tags relacionadas: Satiagraha, STF
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Bruno em dezembro 19, 2008 6:49 PM
#3
Idelber, não vi o programa de uma maneira otimista não. Acho que a internet pouco afetou a condução do Roda Viva. Concordo que Cantanhêde e Witte Fibe foram as que mais "cutucaram" Mendes, mas mesmo assim nada de muito incisivo. Enfim, fiz dois posts sobre o assunto: um com a minha avaliação do programa - http://avoltadosquenaoforam.wordpress.com/2008/12/16/gilmar-mendes-no-roda-viva-eu-acabei-vendo-triste-nao/ - e outro baseado na dica que o Bruno, do Miúdo Recruzado, havia me dado - http://avoltadosquenaoforam.wordpress.com/2008/12/17/meu-ultimo-post-sobre-gilmar-mendes-no-roda-viva-prometo/
Este segundo post tem um link para um vídeo do Youtube com as perguntas feitas por uma jovem repórter para GM nos intervalos do programa, com aquilo que era mais discutido no site do Roda Viva. Aí sim a expressão popular valeu - as perguntas tinham muito mais a ver com o que o público queria saber de GM. E aí fica a questão: se você é jornalista e tá vendo aquelas perguntas bombando na internet, você não as faria no programa ao vivo? Ou preferiria se omitir ou dar algumas "alfinetadas" apenas em GM? Ou por um ou por outro caminho foram os representantes da bancada do Roda Viva.
Abraço
André em dezembro 19, 2008 7:23 PM
#4
Caro Idelber,
No blog Cidadania, Eduardo Guimarães teceu dois belos comentários sobre o programa Roda Viva e a atuação das duas mulheres.
http://edu.guim.blog.uol.com.br/
abrç
Lauro Seiji Kimura em dezembro 19, 2008 7:36 PM
#5
Eu acho que o Noblat tá mal escalado para a entrevista da próximo Roda Viva. O sujeito, em seu blog, anda alfinetando bloguerios que relatam a conspirata VEJA/MENDES/DEMÓSTENES.
Eu concordo com tudo que O professor escreveu sobre o programa, só retiraria os elogios a Witte Fibe, ela é pior que o Matinas Suzuki.
arimateia alves em dezembro 19, 2008 8:40 PM
#6
Idelber,
Salvo engano, em seu "Curso de Direito Constitucional" (Saraiva), Gilmar Mendes cita obras de Schmitt na Bibliografia além de ter escrito a Apresentação de "O Guardião da Constituição" do próprio Schmitt. Enfim, mais do que um ato de desonestidade ímpar, foi também no minímo contraditório - mesmo assim, eu penso que dadas as circunstâncias, De Sanctis poderia ter sido mais cauteloso e ter citado um pensador menos polêmico.
Hugo Albuquerque em dezembro 19, 2008 8:42 PM
#7
É verdade, a Eliane daquele sobrenome lá saiu-se muito bem, assim como a Bife Kibe.
Na minha opinião, a perda de compostura de Gilmar foi tão súbita que tinha a intenção de intimidar Elaine. Ele parece não ter notado que qualquer mulher minimamente feminista UTILIZA A AGRESSÃO verbal em seu favor, o que apenas depõe sobre o conhecimento rasante que Gilmar tem das pessoas.
E, puxa, não sabia da atitude digníssima e LEGAL, MUITO LEGAL do Meirelles que utilizou sua notoriedade com rara inteligência.
Grande abraço.
P.S.-E vou dormir, Idelber. Não vens para o fim de ano?
Milton Ribeiro em dezembro 19, 2008 10:34 PM
#8
Aproveite e manda as perguntas que você faria ao Protogenes.De preferencia de cunho particular, como, porque ele foi aceito no serviço publico somente com liminar,
Ou ainda porque usou toda Abin para grampear tudo e todos se ele sabe que grampeamento na forma que ele fez inclusive mesmo com autorização judicial é inconstitucional.Ou ainda porque realizar 36 mil horas de grampo para pegar um bandido( Além de sermos atleticanos acho que é uma das poucas coisas que concordamos) que um simples vasculhamento via receita federal era suficiente para enquadra-lo no mínimo como sonegador de impostos. Se vc não sabe, suficiente para cadeia por até 10 anos.
Porque acionou a midia ferindo princípios elementares do Direito das garantias individuais Art 5 da constituição. Ou ainda,( voce sabe muito sobre o Brasil embora não more aqui, inclusive mais do que nos autoctones, ribeirinhas alienigenas,bando de mamelucos)
Qual a relação entre o Dantas o filho do Lula e as fazendas de gado no sul do Pará que contam hoje com mais de 50 mil cabeças. inclusive com suspeitas de trabalho escravo. Vamos lá escrafunche, não seja permissivo com uns e ferino com outros.
Se puder, e não for pesado pra vc ,responda no meu e-mail . Sentirei-me lisonjeado
Atleticano em dezembro 20, 2008 12:09 AM
#9
Caro Milton, infelizmente, este ano veraneio pelo Brasil sem chances de passar pelos pampas. Terrível, terrível, eu sei. Mas em meados de 2009, aí sim, devo ter tempo de visitar meu querido mercado, minha querida Borges de Medeiros, o incomparável Beira-Rio. A próxima visita será em 2009, aguarde.
Idelber em dezembro 20, 2008 1:06 AM
#10
Olá.
Se não for pedir muito, o que ele disse sobre Schmitt? Não precisa ser o post, só a citação. Estudei Schmitt há alguns anos e fiquei curioso, tendo em vista minha incapacidade de assistir ao programa. Um abraço.
Enzo di Trevi em dezembro 20, 2008 1:08 AM
#11
Enzo, basicamente é o seguinte: ele não citou Schmitt. Usou a colaboração de Schmitt com o nazismo, e o fato de de Sanctis tê-lo citado uma vez, para tentar enlamear o juiz paulistano.
Como se fosse possível pensar uma filosofia do direito sem referência a Schmitt.
Mas eu prometo uma reflexão mais detalhada sobre o assunto, porque a perversidade da citação ia muito mais além.
Abraços.
Idelber em dezembro 20, 2008 1:11 AM
#12
Eu sei que a Folha não é popular por aqui. Mas eu acho que o problema da Eliane e de outros colunistas daquele veículo não são ligações políticas. Isso não é problema para Franklin Martins, Marcelo Coelho ou Kennedy Alencar, por exemplo. Não há nebulosidade, me parece, porque esse é um estilo Folha de muito tempo, querer ser o grande veículo que agrega esquerda e centro. A Folha se pretende neutra tanto neste sentido, quanto no de ser dura com o governante de turno (noves fora o Serra em São Paulo). E acho que se esforça com um mínimo de honestidade. O problema para mim é a fraqueza jornalística e intelectual destes colunistas, que inclui ainda o Fernando Rodrigues, o Clovis Rossi e outros. Suas colunas são fracas mesmo. Acho que, tirando o Rossi, que, aliás, acerta mais do que aqueles, o problema é mais geracional, de formação. Jânio de Freitas e Elio Gaspari são outra história - e a gente nota isso na própria qualidade do texto que produzem.
João Paulo Rodrigues em dezembro 20, 2008 9:19 AM
#13
O problema da Folha é que ela repete o senso comum da classe média paulistana(O que explica a predileção dela pelos petistas mais intelectualizados e de centro, ao menos antigamente, como Mercadante, e pelos tucanos em geral). Eu chamo o Dimenstein de Pollyana da Vila Madalena, mas isso se repete, mesmo em menor escala, com outros colunistas(Em especial Clóvis Rossi ou Barbara Gancia). E quem dá meia página para Nelson Ascher perde meu respeito. Acho que pior que isso só uma meia página para David Duke ou Ernst Zundel.
E a seção de notícias do jornal sofre com a mania de se colocar a molecada na redação(O que explica a tradução de "Meltdown" como "Derretimento") e tratar os leitores como idiotas(O que explica uma seção do jornal que é um resumo em imagens).
Andre Kenji em dezembro 20, 2008 10:02 AM
#14
Idelber,
O acontecimento do ano: através do honrado e corajoso ato de Fernando Meireles, a Veja, "por vias oblíquas" (frase do supremo togado no 2º HC do Dantas), acabou premiando o Juiz De Sanctis.
Maria em dezembro 20, 2008 10:50 AM
#15
Idelber, se me permite citar o ombudsman do Roda-Viva, (post caminhos sem volta) "na orgia de certos blogs e na sinistra árvore de comentários anônimos que os adornam, exatamente como acontece entre os cheiradores de crack nos viadutos, ninguém quer saber o que é verdade e o que é delírio."
Portanto, não é que ele defende a censura, ou que seja contra a comunicação direta entre as pessoas, "é preciso explicar, em primeiro lugar, que os “intermediários” aos quais o texto se refere não são censores, mas instituições legítimas da sociedade como a imprensa, a universidade, a comunidade científica e outras entidades organizadas, em todos os setores e níveis, nos ajudam a processar, assimilar, classificar e, claro, julgar o extraordinário volume de informações ao qual somos regularmente submetidos nos dias de hoje. Incluindo, é claro, quantos blogs e sites pudermos criar e acessar.
A Internet, ferramenta quase milagrosa de trabalho para profissionais de todas as áreas, incluindo os jornalistas, não assusta este ombudsman. Mas o impressiona, sim, pela capacidade de ao mesmo tempo acolher e disseminar conhecimento e obscurantismo, talento e incompetência, tolerância e fascismo, arte e fraude, diversidade e racismo, beleza e grosseria, ética e delito, transparência e anonimato covarde, esperança e medo, civilização e barbárie".
Toda a mídia, e aliás tudo em termos de raça humana que eu conheço, é capaz de acolher todas estas dicotomias aí. A diferença da internet é só que o controle saiu da mão de uns, é uma revolução, é tipo a revolução burguesa, mudaram os poderes, agora um qualquer tipo pode sair publicando coisas com um formato bacana e dependendo da maré pode ficar tão ou mais popular que colunistas de jornal e etc. Quer dizer, "eles" perderam o controle sobre a mídia, sobre quem pode ou não falar e veicular ideia e informação.
Você imagina um controle para a internet? Será que é viável (e útil e bom) passar todo esse aparato de controle e toda essa hierarquia de poderes para a internet? É possível que não aconteça isso?
Porque o conteúdo todo da internet com seus fascismos e pornografias e singelas cronicas e poemas e todos os filmes e discos é criado pelos humanos. Porque ao invés de censurar os meios não se corta logo o mal pela raiz? Chegamos assim na solução final. Entende onde eu quero chegar?
A internet é legal, e viva os blogs que incomodam o Gilmar Mendes!
E quanto à pedofilia (ou o nazi-fascismo ou anti-semitismo ou simplesmente a falta de critério e qualidade do que há de problemático na internet), os sites são só um sintoma. Não adianta combater os sites. Os que querem melhorar e se livrar destas coisas ruins deveriam saudar a internet porque ela dá visibilidade a estas coisas, ela mostra o que está oculto e assim não nos permite enganar a nós mesmos. Boa árvore dá bom fruto.
Pedrin em dezembro 20, 2008 11:22 AM
#16
Pobre de mim, que já cheguei a defender a decisão do Mendes a favor do Dantas... na época, enxerguei que o juiz havia exercido a lei a despeito de pressões populares... hoje, vejo que a decisão de De Sanctis estava devidamente fundamentada. Parabéns a Meirelles pelo tapa que deu na Revista Veja.
George Pedrosa em dezembro 20, 2008 2:38 PM
#17
" As indagações da repórter interneteira iam sendo feitas ao ministro aos borbotões, sem que ela mesma tivesse noção do que estava sendo perguntado. Num dado momento, questiona-o sobre um certo “caso raunjun...” (ela engrolou, não falou...). Foi preciso que o ministro a corrigisse: “Que caso Raul Jungmann?” A pobre não tinha a menor noção. E só repetiu a questão, aí se corrigindo: “O caso Raul Jungmann!”. E o ministro: “Mas que caso?” A moça saiu de fininho, alegando que seu tempo houvera acabado. Não havia. Foi tudo tão escandaloso, que um dos chefes da quadrilha, diante de uma resposta satisfatória do ministro, chegou a lamentar em seu blog: “Eu bem que avisei que essa questão estava mal formulada”. "
Aí Idelber..Se eu fosse você, questionava. " Que blog petralha, reinaldinho ? ". Acusação de FORMAÇÃO DE QUADRILHA ? Quem esse ignorante pensa que é ?
daniel em dezembro 21, 2008 10:17 AM
#18
Grande, Idelber! O gesto do Fernando Meirelles foi de uma dignidade comovente. Pena ter repercutido tão pouco, inclusive nos blogs.
Em tempo e já me desculpando pelo off topic: imaginei que você fosse escrever algo sobre os 40 anos do AI-5. De toda maneira, quero recomendar a audição do samba Nome, Sobrenome e Codinome, de Renato Martins e Roberto Didio. A faixa em questão faz parte do belíssimo disco Cidade das Noites, da minha amiga Anabela. Trata-se, querido, de uma das mais belas e emocionantes homenagens aos mortos e desaparecidos da ditadura militar. Acho que este trabalho merecia uma visibilidade maior. Coloquei a música para ser escutada aqui: http://botequimdobruno.blogspot.com/2008/12/nome-sobrenome-e-codinome.html
Abraço grande!
Bruno Ribeiro em dezembro 21, 2008 10:26 AM
#19
Idelber, por falar nisso, está na hora de um post longo, detalhado, sobre a FRAUDE intelectual que é reinaldo azevedo, desmentindo seus lugares-comuns e incoerências óbvias, à moda do Hermenauta. Ele acompanha o biscoito! É só conferir os posts de hoje =)
daniel em dezembro 21, 2008 10:27 AM
#20
Idelber, um detalhe de seu comentário me chamou a atenção, e gostaria que vc discorresse um pouco mais a respeito: vc falou na questão da imputação de terrorismo.
As ações da luta armada da esquerda no Brasil na época da ditadura foram basicamente 5: homicídios (ainda que poucos, mas houve), roubos com emprego de arma de fogo (chamada eufemisticamente de expropriações), extorsão mediante sequestro (para libertação de presos), fomentação de guerrilha (o caso do Araguaia, p.ex.) e, chegando e, no ponto em que quero chegar, a prática de atos que podem sim ser considerados terroristas, como o emprego de bombas.
Nesse último caso, em que temos como exemplo, entre outros, a bomba colocada no aeroporto dos Guararapes em Recife, pessoas inocentes, que anda tinham a ver com o governo de então, foram mortas ou mutiladas pela ação dos guerrilheiros. Ou seja, não importava o mal que se causaria a quem quer que seja, desde que o objetivo da ação fosse alcançado.
Eu te pergunto: isso não é terrorismo?
Jotapê em dezembro 21, 2008 10:50 AM
#21
João Paulo,
Se a Folha é de centro ou de esquerda, então significa que o Brasil deu uma guinada muito firme para a direita. Enquanto todo o mundo está pregando políticas Verdadeiramente antícíclicas (o que significa políticas monetárias e fiscais expansionistas), os colunistas da Folha vivem defendendo corte de gastos. Quem diria a The Economist, o FMI, o Banco Mundial defendendo expansão dos gastos públicos, e no Brasil, um dos países que está com uma das menores relações dívida pública/PIB, política fiscal expansionista ser palavrão? Hoje li em colunista da Folha chamando as opiniões anti-americanas de folcloricas.Vejam o posdcast.
http://www1.folha.uol.com.br/folha/podcasts/ult10065u480246.shtml
Que jornal de esquerda ou centro é esse que qualquer crítica aos EUA é visto como o fim do mundo? Não se pode achar bom que reuniões de chefes de estado da América Latina ocorra sem a presença dos EUA. Na Ásia, tem sido feita reuniões regionais sem aceitar a presença dos EUA sem problema.Vamos imitar os EUA: não tenhamos medo de defender os interesses do Brasil, mesmo desagrando as grandes potências. Alias, esse jornal de esquerda do de centro foi o que chamou o Lula de racista por ele ter exaltado a mistura de raças no Brasil. Quando o Obama elogia os americanos é bonito, quando a mídia desanca o Brasil é bonito. http://blogdovinicius.folha.blog.uol.com.br/arch2008-11-23_2008-11-29.html#2008_11-26_22_40_53-133507641-0
Bruno em dezembro 21, 2008 11:55 AM
#22
É impressionante, para não dizer ridículo, que ainda existam pessoas que confunda a resistência armada civil com terrorismo. Antes do golpe militar não havia luta armada, guerrilha, seqüestro, expropriação bancária etc. Qualquer povo do mundo tem o direito, assegurado pela ONU, de se rebelar em armas contra a tirania que por ventura surrupiou o poder de seu país. É tão evidente que chega a ser cansativo ter que bater na mesma tecla. Quando é que entenderão?!?!
Bruno Ribeiro em dezembro 21, 2008 12:22 PM
#23
Jotapê: sem dúvida, meu caro. Bomba em lugar público encaixa-se, sim, na definição clássica de terrorismo. O problema é que, como você mesmo aponta, a imensa maioria dos militantes que lutaram contra a ditadura não passaram nem perto de cometer atos que poderiam se encaixar em qualquer definição de terrorismo.
A discussão merece um post mais longo, mas a desonestidade essencial da referência de Gilmar Mendes ao "terrorismo" vem do fato de que ela se deu no contexto de uma discussão sobre tortura -- que, como sabemos, era o destino de todos os presos políticos que caíam nas mãos do regime. Ou seja, ele mistura um fato comprovadamente universalizado -- a ditadura torturava os presos políticos que lhe caíam nas mãos -- com um fato muuuuuuito esporádico: a realização de atos que poderiam ser qualificados como terroristas por alguns poucos militantes anti-ditadura.
A desfaçatez de Reinaldinho no programa chegou ao ponto de ele inventar uma nova figura jurídica: a culpa coletiva, a imputação de crime de terrorismo a membros de organizações políticas que tiveram um ou outro membro envolvido em crimes qualificáveis como tal.
Idelber em dezembro 21, 2008 12:26 PM
#24
JPR, concordo e discordo. Dependendo da sua frase. Vamos lá.
eu acho que o problema da Eliane e de outros colunistas daquele veículo não são ligações políticas.
É exatamente isso o que eu disse. O problema é não explicitá-las.
Não há nebulosidade, me parece, porque esse é um estilo Folha de muito tempo, querer ser o grande veículo que agrega esquerda e centro.
A Folha rarissimamente, quase nunca, se refere ao seu jornalismo nesses termos políticos. Em geral é a cantilena: "independência", "apartidarismo" e blá.
A Folha se pretende neutra tanto neste sentido, quanto no de ser dura com o governante de turno (noves fora o Serra em São Paulo).
Uai, meu querido, então!!!!!! Se ela se pretende neutra mas blinda e pega leve com o governador do estado mais importante do país e candidato líder à sucessão presidencial, então qualquer auto-referência à sua "neutralidade" acaba sendo uma farsa, né?
E acho que se esforça com um mínimo de honestidade.
Muita gente lá dentro, sim. Você já terá reparado, tenho certeza, que já fiz referência a golpismo na mídia, em determinadas circunstâncias, mas jamais usei o termo "PIG". Mário Magalhães, Elio Gaspari, Jânio de Freitas, Marta Solomon, Marcelo Coelho, etc., são, todos eles, gente que respeito muito. Mas esse "esforço de honestidade" eu não vejo na editoria, não.
o problema é mais geracional, de formação. Jânio de Freitas e Elio Gaspari são outra história - e a gente nota isso na própria qualidade do texto que produzem.
d'accord. Mas não é só geracional, como você mesmo aponta. Além de Gaspari e J. de Freitas, poderíamos citar outros da mesma geração que são outra história também.
Idelber em dezembro 21, 2008 12:55 PM
#25
O que ocorreu no Brasil foi bem mais leve que em outros países. Não houve ações coordenadas para provocar pânico na população civil(Compare com a tentativa do Weather Underground de usar bombas de pregos em Fort Dix). Chamar a guerrilha da época de "terrorista" é desonestidade.
Andre Kenji em dezembro 21, 2008 1:15 PM
#26
Para responder a uma objeção que pintou aqui (#8). Caro Atleticano: não há a menor simetria entre a lista de perguntas duras a serem feitas a Mendes e a lista de perguntas duras a serem feitas a Protógenes. Por quê? Ora, estas últimas foram feitas pela mídia brasileira exaustivamente nos últimos meses. Quer ver a lista de perguntas investigativas interrogando a conduta do Protógenes, é só pegar a Folha ou qualquer outro jornalão brasileiro de julho para cá.
E nós aqui do Biscoito temos o lema de não repetir o que já está feito em outro lugar, especialmente na grande imprensa.
Você diz que era suficiente uma vasculhada na Receita Federal. E me ensina que dá até 10 anos. Thanks. A referência a eu saber muito sobre o Brasil mais que os "autóctones, ribeirinhas alienígenas,bando de mamelucos", eu vou tomar como brincadeira bem humorada e atleticana. Sou bem informado, sim, sobre algumas coisas do Brasil, como sabe quem lê este blog.
No direito, como você já terá visto, engatinho. Mas sei que pegar alguém por sonegação de impostos não é a mesma coisa que provar a quantidade de outros crimes dos quais Dantas é acusado. E esses 10 anos, no caso de réu primário, endinheirado até o talo, com "facilidades" no STF, tentáculos na mídia, redução de pena por "bom comportamento", virariam quantos anos mesmo? E qual o problema de um delegado querer desvendar a operação toda, o conjunto dos crimes?
Com prazer envio-lhe por email qualquer informação que você possa achar que eu tenha sobre o que for, mas nesse caso, tem que assinar o nome. É possível e permitido comentar no Biscoito com pseudônimo, ainda mais Atleticano. Mas eu não envio emails a anônimos. Regrinha pessoal, nada mais.
Entendo a sua cobrança, mas no meu modo de ver ela repousa numa simetria falsa.
Idelber em dezembro 21, 2008 1:18 PM
#27
Chamar a guerrilha da época de "terrorista" é desonestidade.
Exato. Até no caso da Argentina, eu aceito discutir com esse vocábulo no meio da conversa. Ao longo da primeira metade dos setenta, tinha montonero explodindo bomba em Bs. As., sequestrando e matando general, etc. Isso tudo, lembremos, antes de que houvesse ditadura.
No caso do Brasil, simplesmente, é piada de mau gosto colocar "tortura" e "terrorismo" lado a lado, como se tivessem tido existências históricas simétricas e comparáveis. O terrorismo que houve mesmo no Brasil foi terrorismo de estado.
Idelber em dezembro 21, 2008 1:23 PM
#28
Quando digo "antes de que houvesse ditadura" para me referir à Argentina, estou consciente, claro, de que houve a ditadura de Onganía entre 1966 e 1970. Mas os montoneros despirocam mesmo entre 1971 e 1975.
Idelber em dezembro 21, 2008 1:26 PM
#29
O terrorismo que existe no Brasil é o terrorismo de Estado. Como Tiago Thuin apontou uma vez, a avaliação atual do país pela Anistia Internacional é pior que nos tempos dos militares.
Aliás, a crítica que eu faço à esquerda nesse quesito é a excessiva preocupação com a tortura no passado, mas não à tortura que ocorre hoje em dia.
Andre Kenji em dezembro 21, 2008 1:30 PM
#30
idelber:
o fernando meirelles passou o título para o de
sanctis e ainda chamou o gm de cego.valeu,essa.
romério
romério rômulo em dezembro 21, 2008 3:09 PM
#31
Foi concluída a sindicância do Gabinete de Segurança Institucional da Presidência da República. A conclusão: a ABIN não grampeou Gilmar Mendes e Demóstenes Torres.
O passo seguinte é o Procurador Geral da República iniciar um processo contra a revista VEJA por "Crime contra o Estado".
O procurador-geral da República, sr. Antonio Fernando Barros e Silva de Souza, terá coragem de iniciar esse processo ?
Marco Vitis em dezembro 21, 2008 3:51 PM
#32
Bruno,
O que eu disse é que a Folha se notabiliza por tentar ser tudo ou quase-tudo. Escrevem lá regularmente, na aba de economia, dois notórios críticos das políticas liberais: Vinícius Torres Freire, Rubens Ricupero e Paulo Nogueira Batista Júnior. É, evidentemente, para equilibrar Gustavo Franco e sei lá mais quem. Ou vice-versa.
Fora da aba de economia, sempre foram anti-neoliberais dois dos principais colunistas: Clóvis Rossi e Carlos Heitor Cony, por exemplo – isso sem falar no Elio Gaspari (de onde vêem a maioria dos epítetos mais famosos da imprensa, como Tucanato, Epikekonômica, $ábio$ da Banca etc. e tal). É só a isso que me referi.
Um abraço.
João Paulo Rodrigues em dezembro 21, 2008 4:16 PM
#33
Idelber,
O que eu acho é que boa parte do que se discute aqui advém do que poderia ser chamado de “cultura” Folha, ou a auto-imagem que de boa fé ela pretende divulgar. Até porque “centro”, “esquerda” não são “partidos”. Ou seja, é possível ser de direita ou de esquerda e ser apartidário, ou ao menos não ser militante de carteirinha. Até porque analisar a mídia como mera extensão, se não a própria encarnação dos partidos ou ideologias, como mormente se faz com a mídia no Brasil é um pressuposto teórico e metodológico extremamente pobre. Por mais que em termos de polêmica e estratégia retórica “PIG” seja engraçado, é algo muito aquém de uma análise acadêmica ou política séria.
É por isso que, desculpe a franqueza, esse papo do “golpismo” da mídia é muito, mas muito mais perigoso que a postura (admitinido-a do jeito que você a admite, por exemplo) em si da Folha – além de uma deturpação do que ocorreu nos últimos três anos. Falar em golpismo é mais do que hipérbole, é um escárnio com a história (sobretudo com suas vítimas), na medida que em iguala pequenos exageros relacionados ao caso do mensalão ao que os principais veículos fizeram entre 62 e 64. Não há comparação: nem de fundo nem de forma. Confesso que essa demonização me deixa entre intrigado e assustado. É como se a Folha fosse a Fox duplicada! Ou que fosse a Folha de 64.
Enfim, que a Folha não é neutra, concordo. Mas isso não leva à acusação de má fé, deturpação, etc. e tal que aqui e alhures se vê como sendo o “crime” de um jornal que por certo tem seus erros, mas que não me parecem derivar para tudo o que publica. É possível ser “serrista” sem ser farsesco. Pois se adotar uma posição é simplesmente esquecer a honestidade, ser manipulador, interesseiro e por aí vai, e se todos adotamos uma posição, então não há espaço para um debate público aberto. É só uma questão de conseguir ganhar a todo o custo.
Um abraço.
João Paulo Rodrigues em dezembro 21, 2008 4:23 PM
#34
Sobre a guerrilha, quase tudo já foi dito por Idelber e André Kenji.
Eu apenas lembraria que o ÚNICO caso de terror infligido a uma população civil desarmada durante a Ditadura foi no Araguaia, onde os guerrilheiros (apesar de tudo o que se possa falar mal deles e do PC do B) ficaram famosos por se misturarem e viverem em relativa harmonia com os habitantes da região, tendo sido o exército quem matou, torturou e obrigou a trabalhos forçados mediante ameaças e represálias esta mesma população.
E mesmo os (poucos) atos terroristas de alguns grupelhos não chegam a configurar uma política, na medida em que não eram a espinha dorsal de sua atuação, nem sequer objetivos táticos. Ou seja, eles não almejavam aterrorisar a população ou causar mortes indiscriminadas, que é, a meu ver, uma boa definição de terrorismo.
João Paulo Rodrigues em dezembro 21, 2008 4:25 PM
#35
Até parece que a ditadura militar surgiu sem causa. Todos esquecem que os esquerdo comunistas da época queriam implantar uma regime de esquerda no Pais, a moda cubana. Ainda vamos erguer uma estátua aos militares em cada esquina, para nos lembrarmos que graças a eles somos livres para ir e vir, falar e ouvir e que quizermos, o que não aconteceu com o povo cubano que não teve forças para se libertar dos que os aprisionaram dentro do próprio País.
irineu em dezembro 21, 2008 7:15 PM
#36
Dediquei a vossa ilustre pessoa um texto em meu deslustrado blog. Trata-se de "Um tucano explica em poucas palavras o que é uma bola de gude". Vá lá e aprenda um pouco de oratória. Abraços.
Marconi Leal em dezembro 21, 2008 9:53 PM
#37
Quer dizer que o que os guerrilheiros da esquerda praticavam não era terrorismo? Por quê? O que diferencia seus atos do terrorismo? O número de mortos? O número de bombas? Ora, vejam a definição de terrorismo (Aurélio Eletrônico):
terrorismo
[De terror + -ismo.]
Substantivo masculino.
1.Modo de coagir, ameaçar ou influenciar outras pessoas, ou de impor-lhes a vontade pelo uso sistemático do terror.
2.Forma de ação política que combate o poder estabelecido mediante o emprego da violência.
Logo, dizer que o que a esquerda armada fez não é terrorismo é o mesmo que chamar roubo de expropriação, ou chamar de revolução o golpe de 64: mero eufemismo para enganar os incautos, ou para entorpecer a própria consciência.
Simões em dezembro 21, 2008 10:55 PM
#38
Ildeber
Cara que pais se mora,tomar como referencia PHA Nassif e outros blog de aluguel voce so pode estar delirando.Po cara a vida ta dificil aqui no Brasil não prescisamos de mais um chapa branca ficar escrevendo a favor deste governo de mensaleiros e corruptos,as suas perguntas ao Ministro Gilmar são de uma infantilidade a toda prova. Voce pode fazer outras perguntas ao governo Lula tambem que tal
O senhor sabia que seu partido comprava deputados com dinheiro vivo.
Sabia que a PF gravou seu irmão Vava pedindo propina .
O lulinha de biologo ficou milionario
O seu ministro freguentava aquela casa de tolerancia e queriam prender o caseiro
O aloprado do Mercatante e seu segurança Fred compraram um dossie fajuto contra o Serra
O senhor tambem não sabia do dossie da Rute Cardoso depois que seus ministros foram pegos com safadezas com os cartoes corporativos .
Não sabia de nada tambem do Celso Daniel.
Não sabia que sua filha Laurien era suatentada em Paris pela Andrade Gutierrez
Viu cara papel aceita tudo,tenho a impressão que voce tambem esta nesse boquinha federal.
Carlos Roberto P em dezembro 21, 2008 11:21 PM
#39
Simões
1-) Não sei te contaram, mas usar o dicionário para embasar um ponto numa discussão online é coisa de loser, ainda mais num termo complexo como este. Inclusive, se não me engano, a definição original de terrorismo pelas agências de segurança se encaixava mais em atos como ataques aleatórios como civis e atentados a bomba que sequestros em que se exigia troca de reféns.
2-) As ações da esquerda armada na época eram bem mais disperas, e ações de fato voltadas para mortes em massa, mesmo de militares, foram raras. Ações para causar pânico na população como atentados a bomba desconheço.
De qualquer forma, se as ações de toda a esquerda da época são terroristas, bem a palavra pode ser usada para uma gama tão extensa de ações que perde o sentido. Os founding fathers dos EUA seriam terroristas, Benito Juarez seria terrorista. Na verdade, toda ação militar seria terrorista. ;-)
Andre Kenji em dezembro 22, 2008 12:30 AM
#40
Foi mesmo um embaraço, mas concordo em um ponto com o Carlos Roberto dos comentários quanto às referências Nassif e PHA, que como bons macacos velhos sabem cultivar muito bem suas popularidades como blogueiros artificiais da "posiça". Você é sagaz, Idelber, não precisa usar os cara como referência. O Mello é legal e esperto, mas é PT até embaixo da lama.
O lapso que deve ser discutido, muito pontualmente, é o programa Roda Viva, que deveria ser um bom programa. Deveria, no mínimo, ser um espetáculo da entrevista jornalística, o que é extinto, infelizmente, até na obscura TV aberta. Não só nos papéis. Uma tristeza.
Quantop ao Meirelles, parabéns mesmo pra ele. Que pena que ele não ganhou um Oscar por isso. Talvez assim pudesse devolver algo ao Saramago, e o Saramago a mais alguém.
Esperemos que o Protógenes, o Kid Satiagraha, consiga, em sua primeira aparição na tv aberta respondendo à mais de uma pergunta, fazer do encontro um evento de bons argumentos. É o que falta, e não dependerá dos entrevistadores.
Cristiano Fagundes em dezembro 22, 2008 12:48 AM
#41
Carlos Roberto, pelo jeito, você é que não sabia de nada. Como diz Jorge Mautner: eu li em alemão os livros que você pensa ter folheado.
Procure os arquivos do Biscoito de 2005. Essa história do mensalão é velha. Nós denunciamos aqui primeiro.
Idelber em dezembro 22, 2008 2:40 AM
#42
Não dá para avaliar se é triste ou cômico ver um camarada bradar que existiu o mensalão para condenar o debate em torno da prisão do banqueiro blindado. Quem bancou o Marcos Valério? E falar em chapa branca por aqui? Só com overdose de Folha de S. Paulo. E por falar em Marcos Valério, vale ressaltar a omissão da mídia sobre as origens de seu sócio e colega de prisão, o advogado (do ex-governador Eduardo Azeredo) Rogério Tolentino. Sobrenome de gente poderosa em Minas Gerais.
Jeferson Melo em dezembro 22, 2008 7:15 AM
#43
Mais uma vez, o Kenji foi mais rápido no gatilho. Até no Jefferson ele pensou antes!
Mas tenho mais uma, para vermos a proporção da coisa: enquanto os guerrilheiros ficavam nos roubos e sequestros, os militares pensavam coisas como o atentado ao gasômetro, que causaria milhares, repito, milhares de mortos.
E ainda tem o atentado do Rio Centro, que só não causou uma centena de mortos por pura incompetência dos fascínoras fardados.
Enfim, terroristas era a ditadura. E ponto final.
João Paulo Rodrigues em dezembro 22, 2008 10:57 AM
#44
Andre Kenji
1) Argumento ad hominem, desqualifica o oponente, e não suas idéias. E ainda "criminaliza" o uso de dicionários. Enciclopédia ainda pode?
2) Argumento ad ignorantia, não sei, não conheço, logo não existe;
E por fim, um non sequitur: se todas as ações da esquerda na época são terroristas também o seriam os founding fathers (sic). Nossa, o Kubric pensou em vc quando criou aquela cena do lançamento do osso...
Simões em dezembro 22, 2008 11:23 AM
#45
Esse debate sobre terrorismo por parte da esquerda armada contra o regime militar é mesmo de uma desonestidade sem tamanho.
Práticas terroristas são aquelas tem por fim causar pânico na população civil justamente por usar como meios ataques aleatórios contra locais públicos como trens, aeroportos e afins podendo ferir ou matar qualquer um - e a organização terrorista é, portanto, aquela que organiza tais ataques de maneira sistemática.
Como o Andre Kenji colocou perfeitamente, sob essa definição que alguns estão pretendendo colar, os founding fathers também seriam terroristas - e junto a eles, todos que lutaram na resistência francesa.
Aliás, essa definição de que terrorismo é uma forma de ação política que combate o poder estabelecido mediante o emprego da força é tão vaga e imprecisa que ultrapassa o limite do tolerável de estar em um dicionário - desse jeito, não apenas os guerrilheiros brasileiros seriam terroristas como também uns oitenta porcento dos personagens históricos conhecidos.
O que se esconde por trás desse movimento que pretende rotular os combatentes armados contra a ditadura como "terroristas", no entanto, não é um mero equívoco linguístico ou um erro de classificação puro e simples; é mais nefasto do que isso: Até as pedrinhas da rua sabem que crimes contra a humanidade são imprescritíveis e sim, se os arquivos da ditadura fossem abertos, não seriam poucos os civis e militares que seriam condenados por isso ainda hoje.
A própria história da Anistia como reconciliação nacional é furada:
Em primeiro lugar, a "negociação" foi pra lá de relativa, posto que ainda não estávamos em um estado de normalidade democrática para que as partes negociassem o que quer que fosse em igualdade, na verdade, a ditadura simplesmente editou uma lei que no fim das contas a perdoava pelos crimes que cometeu e que nunca admitiu;
Em segundo lugar, ela dizia respeito a "crimes políticos" - e uns vagos "crimes conexos" -e não a "crimes de sangue" (motivo pelo qual muitos guerrilheiros ainda permaneceram na cadeia quase às vespéras da promulgação da Nova Constituição);
Hugo Albuquerque em dezembro 22, 2008 11:41 AM
#46
Para corroborar, o que acho mais engraçado é que, como em alguns comentarios aqui, falam ( ou não falam) da ditadura como se ela fosse algo superior, acima do bem e do mal. Excetuando o Bruno Ribeiro, embora tenha falado em tirania, o João Paulo que citou as ações do exercito no Araguaia como terrorismo, a ditadura no Brasil usurpou a democracia e manteve seu domínio por meio de terrorismo. Bem, pode até ser uma frase redundante, mas o que importa é que ela foi um violento ataque, através de armas, ha um governo legítmo. E como disse o Idelber e o André Kenji a ditadura foi terrorismo de estado. Mas a caracterização não os tiram da classificação, os militares foram terroristas desde o início. Mas o horror é notar que não exista a mesma relação de cobrança e classificação.
Pelas relacões de força que estavam em 'combate - o exército não era um poder legal tanto quanto não era, naquele momento, as guerrilhas-. Acho que o Simões ( 37) poderia ter se arriscado menos, ou englobado mais. Muito mais. Porque quem passou 25 anos exercendo seu 'direito' ao terror, não foi a esquerda armada.
fm em dezembro 22, 2008 3:07 PM
#47
Bom, existe um argumento do Trotsky que joga a pá de cal nos sofismas das viuvinhas da ditadura: quem julga do mesmo modo a violência de um feitor que chicoteia um escravo, e a violência do escravo que reage e estrangula o feitor, é um eunuco moral.
Carlos em dezembro 22, 2008 3:11 PM
#48
"As ditaduras fomentam a opressão, as ditaduras fomentam o servilismo, as ditaduras fomentam a crueldade; mas o mais abominável é que elas fomentam a idiotia."
Borges
fm em dezembro 22, 2008 3:22 PM
#49
Carlos,
tanto é repulsivo o feitor que escraviza, quanto o escravo que quer se fazer de feitor. Quem não vê assim é um eunuco mental.
Simões em dezembro 22, 2008 3:29 PM
#50
Simôes: Você está lendo na frase o que quer ler. O escravo da frase tem simplesmente de escapar do feitor, ponto. O que ele vai fazer depois não vem ao caso. Sua argumentação é a daqueles que querem defender a ditadura fazendo futurologia do passado: já que se a resistencia triunfasse teríamos um regime stalinista, então a ditadura era justificada. Só que este futuro hipotético jamais aconteceu - e sim um passado em que um bando de milicos direitistas desequilibrados atentou contra o regime democrático (burguês) vigente.
Carlos em dezembro 22, 2008 4:18 PM
#51
Carlos, eu abomino ditaduras. Ponto. Se são de esquerda ou de direita, pouco importa. Você pode dizer o mesmo?
Em resumo: que merda que os golpistas de direita ganharam. E que ótimo que os golpistas de esquerda perderam.
Simões em dezembro 22, 2008 5:12 PM
#52
É isso Carlos, são duas afirmacões diferentes. Melhor, na frase de Trotsky citada por você, há o verbo 'reagir', que tem um significado bem distinto da frase "quer se fazer de feitor".
E é real, esse exercíco de 'futurologia afeta não só o passado mas principalmente o presente. Como se pode ver.
Mas o que realmente importa é que ninguém tem o direito de alterar um processo legítimo porque lhe parece conveniente, ou inconveniente. Arrisco dizer que a continuação disso é o que estamos vendo com GM. Passa a ser natural alguém sempre interferir.
Mas o que me invoca é o fato desses tipos atacarem quem se defende contra as ditaduras e não atacarem os usurpadores da democracia.
fm em dezembro 22, 2008 5:15 PM
#53
Terrorismo é uma dessas palavras ideológicamente carregadas, e que como tal, sempre foram empregadas sistemáticamente por uma parte do espectro político contra a outra. Assim, se um palestino se explode em uma lanchonete de Jerusalém, cheia de mulheres e crianças, ele é terrrorista. Já se um piloto de helicóptero Apache israelense (ou um cruzador classe Aegis estadunidense) explode, com um míssil, uma ambulância (ou um avião de passageiros) cheia de mulheres e crianças, aí é um ato de guerra, ou um desses maravilhosos eufemismos militares: dano colateral.
É contudo, no mínimo discutível, se, do ponto de vista das vítimas de ambas as ações, há alguma diferença entre ser feito em pedaços por uma bomba artesanal, ou por uma industrial.
A distância histórica, a identidade/nacionalidade dos protagonistas, assim como o resultado final de suas ações, também possuem efeitos maravilhosos sobre o julgamento das ditas ações.
Senão vejamos, uma ação hipotética: aprox. 150 homens divididos em 3 grupos, tomam de assalto 3 embarcações, navios, fundeados num porto, dominam-os e jogam a carga ao mar, tudo como forma de protesto político. Ora, o que temos aí? Pirataria, invasão de propriedade privada, esbulho, destruição de propriedade, vandalismo, etc. Crimes, não é? Bom se os navios são graneleiros ancorados em Paranaguá, carregados com soja transgênica da Monsanto, e os homens que os tomam de assalto são do MST, muitos iriam além e não hesitariam em classificar a ação como terrorista (apesar de ninguém ter se ferido no processo) certo?
Well, então recuemos no tempo e coloquemos a ação há exatos 235 anos, no porto de Boston, com colonos ingleses da América do Norte como protagonistas e what we have? The Boston Tea Party!
Interessante não?
[]'s
Eneraldo
P.S.: Se alguém quiser saber quando foi que um helicóptero Apache israelense explodiu uma ambulância, cheia de mulheres e crianças, e um crusador classe Aegis estadunidense derrubou um avião de passageiros, leia: A grande guerra pela civilização de Robert Fisk
Eneraldo Carneiro em dezembro 22, 2008 5:58 PM
#54
Achei totalmente o contrário de você. Imagine, você, presidente do STF, ter que responder a perguntas tendenciosas como a da jornalista da Folha. Pq o sr. deferiu habeas corpus para Daniel Dantas? Se fosse para um pobre, o sr. também iria deferir? Não parece tão lógico a atitude de Gilmar Mendes? Talvez pra quem não entende nada de Direito, não. Talvez para os mais leigos no Direito parece um absurdo um 2 habeas corpus para um banqueiro. Os juristas tem que lidar com isso todos os dias, tentar explicar para pessoas indignadas o motivo de suas decisões. E mesmo assim continuam indignados... acho que uma hora isso deve ser irritante, principalmente vindo de uma jornalista, não? Só que não dá para explicar em 30 segundos o que eles (nós) aprendemos 5 anos e mais uma porrada de aulas de especialização. O que sempre irrita é o senso comum achar que o jurista está errado, sempre por motivos idiotas como o rico e o pobre, preto ou prostituta. Qualquer um que estivesse lá e ouvisse aqueles tipos de pergunta, e tivesse conhecimento juridico suficiente pra entender que muita gente fala bobagem e isso é perigoso demais para um Estado de Direito, faria a mesma coisa. Imagina se além da opinião pública os jornalistas começam a fazer uma propaganda em peso contra decisões judiciais pelo simples fato de achar um absurdo que uma pessoa receba um habeas corpus (na maioria das vezes sem saber o fundamento jurídico da decisão). Todo mundo se volta contra o judiciário e, ai, pronto, irão todos trabalhar pela opinião pública ao invés de trabalhar pelo direito. Isso é muito perigoso.. e, em certo ponto, bastante irritante. Mas entendo o lado dela também... em partes.
Pedro Cunha em dezembro 22, 2008 7:25 PM
#55
Aah. quanto a questão do irmão de Gilmar Mendes, me pareceu claro que ele não foram a julgamento porque nenhum juiz aceitou a denúncia... o que é um direito do mesmo... Mesmo que não aceite, iria para um desembargador que poderia aceitá-la. Pelo visto, não aceitou. Então pq dessa pergunta.. se são 30 ações, é quase impensável que teríamos 30 juízes corruptíveis e mais 30 desembargadores idem. Aliás, também achei essa pergunta, assim como as da Catanhede, meio tendenciosa e nada a ver com nada. Se vc tivesse o presidente da república sentado sendo entrevistado perguntaria o que ele acha do caso do filho dele ou faria algo mais útil?
pedro Cunha em dezembro 22, 2008 7:32 PM
#56
Simões
1-) O Aurélio nem o Houaiss são donos da Língua Portuguesa. Não é porque lá diz alguma coisa que lá vai valer de forma absoluta. E enciclopédia é coisa que a gente consulta sobre assuntos que não tem forte conhecimento. Se você sua grande fonte de informação são as enciclopédias, bem, sinto muito.
E não falei mal de dicionários, embore considere a obsessão doentia do brasileiro por dicionários prejudicial.
2-) Tentar enquadrar os argumentos alheios numa lista de sofismas fisgada da Wikipedia é coisa mais loser ainda.
3-) Meu ponto é que a esquerda armada brasileira(Que no fundo era formada por um grupo de filhinhos de papai sem noção de suas ações) não fez coisa mais violenta que os founding fathers(E eu tenho *profunda* admiração por Thomas Jefferson, Washington, Madison e cia). Se o que a esquerda armada fez na época era terrorismo não há ação militar que não seja. Na prática, o termo perde o sentido.
Tanto que pelos jornais da época não se vê tanta menção aos tais terroristas, e quase ninguém da época cita os tais grupos(Compare com a leitura de artigos e livros sobre o final dos anos 60 nos EUA, em que a menções a atentados e aos Panteras Negras são comuns). Uai, uma das intenções de um grupo terrorista é causar pânico na população. Se a esquerda armada de fato teve essa intenção(E repito, o único suposto ataque alvejando um grande número de civis era o RioCentro) foi um fracasso.
Andre Kenji em dezembro 22, 2008 8:18 PM
#57
Pedro cunha, que tipo de argumento é esse, 'O que sempre irrita é o senso comum achar que o jurista está errado, sempre por motivos idiotas como o rico e o pobre, preto ou prostituta.'?
Oras, 'esses motivos idiotas' são os 'motivos' nos quais se constituem a sociedade.E deveria ser por esses 'motivos idiotas' pelos quais os juristas deveriam trabalhar
Gilmar Mendes estava no programa por livre escolha, e exatamente para responder às perguntas.
Creio que ele sabia da natureza do programa, e sem dúvida sabia da natureza das perguntas.
Ou você acha que ele estava ali para falar do seu wisk querido, do cachorro ou outras coisas idiotas que o senso comum responde em 30 segundos?
Que ele usasse o tempo que lhe fosse necessário, mas que tentasse pelo menos.
Afinal ele não foi ao programa para julgar ninguém, só estava lá para explicar atitudes já consideradas.
Portanto seu argumento de que, 'não dá para explicar em 30 segundos o que eles (nós) aprendemos 5 anos e mais uma porrada de aulas de especialização', não é aceitável. A menos que você ache que um ministro do supremo tribunal federal não se deva ao trabalho.
Por outro lado, como ele pode resumir muito bem toda sua bagagem de tantos anos em estudos jurícos, e em tão poucas horas, para deferir os habeas corpus para daniel dantas, inclusive em um, o primeiro, em tempo recorde, e não pode explicar 'seu gesto' em alguns minutos?
fm em dezembro 22, 2008 8:26 PM
#58
comunidade jurídica em peso contra Gilmar não vi. Que me lembre, houve quase unanimidade no STF. Ou todos são como vc alega que Gilmar é ou Gilmar estava certo....O Faustou é um violador de direitos individuais ao autorizar escustas sem critério contra qualquer um.Somente os leigos não veem isso.
DANTAS em dezembro 22, 2008 9:34 PM
#59
André,
I)Ampliação indevida: Levar a afirmação do adversário para além de seus
limites e exagerá-la. Não dei valor exagerado a dicionários ou enciclopédias, embora não os despreze como fonte de conhecimento; aliás, não desprezo nenhum meio que possa trazer um fiapo a mais que seja de informação - afinal, nãso sou André Kenji, que de tudo nasceu sabendo...;
II)Máxima leninista: "Acuse-os do que você faz, xingue-os do que você é." Poderia ter compaixão e lhe dizer quem foi o pensador que dissecou o tipo de argumentação falaciosa que você usa, mas...pesquise no Google se quiser, não vou lhe tirar seu prazer...
III)Paternaliza os guerrilheiros (não tinham noção que faziam), mais um non sequiturzinho básico...
E vc ainda se fia nos jornais da época? Em plena ditadura, com a censura comendo solta? Jamais tais grupos e seus atos seriam citados com freqüência nos jornais, porque isso significaria propaganda para eles, é lógico. A comparação com a imprensa de uma democracia (EUA nos 60's) é mais descabida ainda.
O que sei é que não justifico um erro (luta armada) em razão de outro erro (ditadura). Os fins não justificam os meios, e os fins dos guerrilheiros eram outra ditadura. Ditaduras (de todos os matizes) e terroristas merecem estar juntos na lata de lixo da história.
Simões em dezembro 22, 2008 9:54 PM
#60
Fugindo ao debate da ditadura - porque, cá entre nós, eu prefiro a ditamole -, que absurdo esse Roda Viva com o Protógenes, hein? Mais parece o Tribunal do Santo Ofício...E quem disse a edição com o Gilmar não foi o enterro do programa estava certo: Ele aconteceu hoje.
Hugo Albuquerque em dezembro 22, 2008 10:00 PM
#61
Simões
1-) Uai, por que diabos a censura iria censurar cobertura negativa sobre os inimigos do regime? Se a Veja deu capa a prisão do Congresso da UNE porque não daria capa aos tais terroristas? E eu não comparo com a imprensa da época apenas, cito os livros e artigos sobre a época também. Isso fica patente mesmo em livros de liberais, como o Closed Chambers do Edward Lazarus.
2-) Você cria um castelo de cartas para esconder o nada, mas o problema é que comparar gente que sequestra um embaixador de forma festiva com gente que coloca bombas de pregos numa pizzaria ou coloca explosivos plásticos num Boeing 747 é que você vulgariza os últimos.
Ao invés do terrorismo ser o tipo de ação odiosa que associamos a Lockerbie ou a Mumbai vira todo tipo de crime comum, um qualquer coisa.
Andre Kenji em dezembro 22, 2008 10:40 PM
#62
Protógenes acaba de trucidar, com elegância, a bancada dantesca no Roda Viva
Ricardo Petrucci Souto em dezembro 22, 2008 10:45 PM
#63
Arrasou mesmo. Vou fazer um breve comentário.
Idelber em dezembro 22, 2008 11:03 PM
#64
O engraçado foi ver os comentários dos internautas que eram feitos simultaneamente: Todos perceberam a farsa, uma pena, era um ótimo programa.
Hugo Albuquerque em dezembro 22, 2008 11:13 PM
#65
André, encerro a polêmica contigo por aqui, não quero monopolizar o espaço do Idelber.
Agora, "sequestro de forma festiva" é demais pro meu visual, hein? Daqui a pouco teremos estupro feito de forma sensual, homicídio carinhoso, etc.
Depois dessa vou tomar uns birinaites.
Simões em dezembro 22, 2008 11:21 PM
#66
O Simões, que parte de uma "citação" falsa de Lenin feita por um conhecido jornalista direitista com fumaças de respeitabilidade intelectual, poderia prestar um pouco de atenção à argumentação de Trotsky em "A Nossa Moral e a Deles" (trad. inglesa, Pathfinder Press, 1973, pgs.19/20):
"A ordem dos Jesuítas [...] nunca ensinou [...] que quaisquer meios, mesmo que criminosos do ponto de vista da moral católica, fossem permissíveis se levassem ao 'fim', i.e., ao triunfo do Catolicismo. [...] Os teólogos jesuítas, de fato, ensinaram que o meio em si mesmo pode ser indiferente, mas que a justificação ou condenação dos meios decorriam do fim. Atirar com uma arma, em si mesmo, é indiferente; atirar num cão raivoso que ameaça uma criança - uma virtude; atirar para violar e matar - um crime".
Sequestrar um embaixador para livrar pessoas da tortura e salvar suas vidas, assim, é algo que deve ser, "jesuiticamente", ser tido como moralmente bem diverso de prender arbitrariamente, violar, torturar e matar para sustentar um regime constitucionalmente ilegítimo, associado desde sua origem aos interesses de oligarcas, exploradores e latifundiários - ou será que me engano?
Carlos em dezembro 23, 2008 6:17 AM
#67
Simões
Se você não percebeu, o "sequestrar de forma festiva" é uma ironia que diminui o trabalho dos sequestradores, não aumenta.
Meu ponto é que quem conhece as ações de grupos de esquerda da época, seja na Europa, seja nos EUA, seja na América Hispânica - sabe que as ações da esquerda armada no Brasil era coisa de criança.
Mas se você insiste, ué....
Andre Kenji em dezembro 23, 2008 8:57 PM
#68
Uma das teses mais interessantes que li, do blog do Alon Feuerwerker (05/08/2008):
"Endossar o ponto de vista de que os responsáveis pela prática de tortura devem ser levados a julgamento, independentemente da circunstância do ato criminoso, coloca o defensor da idéia em posição moralmente superior, o que acaba se transformando em poderosa arma na luta política. Quem pode, moralmente falando, opor-se a que a tortura praticada no nosso período militar, um crime hoje insuscetível de anistia, leve seus autores ao banco dos réus para que haja justiça? Acho que ninguém.
A situação dos militantes da tese revisionista fica ainda mais confortável quando o outro lado recorre aos inevitáveis argumentos jurídicos. Por exemplo, à constatação de que nossa legislação sobre tortura é posterior ao período dos governos autoritários no Brasil (1964-1985). Aí é que o caldo entorna definitivamente para quem resiste a reabrir o assunto. Está cada vez mais na moda a idéia de que os direitos e garantias individuais e o respeito estrito às leis operam aqui em última instância como vetores de estímulo à impunidade. Assim, interpretar a Lei de Anistia amplamente, o que implica reconhecer que foram anistiados os chamados crimes conexos, seria deixar crimes bárbaros impunes.
É portanto bastante compreensível que caia em solo fértil a posição, nascida do governo federal, de que os torturadores na ditadura não devem ser alcançados pela Lei de Anistia. Até porque, repito, a tortura é capitulada como crime inanistiável na Constituição de 1988. E não é o único. Ao incluir esse tópico, os constituintes deixaram para a legislação infraconstitucional a definição de crimes adicionais que poderiam ser classificados como hediondos, e, portanto, “inafiançáveis e insuscetíveis de graça ou anistia” (Art. 5º, inciso XLIII).
Dois anos mais tarde, o então presidente Fernando Collor sancionou a Lei 8.072, que no artigo 1º, inciso IV, inclui a “extorsão mediante seqüestro” entre os crimes hediondos, antes de reafirmar, no artigo imediatamente seguinte, o princípio constitucional de que “os crimes hediondos, a prática da tortura, o tráfico ilícito de entorpecentes e drogas afins e o terrorismo” são insuscetíveis de anistia, graça, indulto e fiança.
O problema das idéias é que elas nunca vêm sozinhas, mas encadeadas. Nossos vizinhos colombianos enfrentam há tempos um quadro de guerra de guerrilhas. Nos últimos anos, as organizações guerrilheiras têm recorrido ao seqüestro como meio para financiar-se. Ou seja, se as Farc (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia) fossem as “Farb”, brasileiras, a lei proibiria a qualquer governo do Brasil fazer com a guerrilha acordo político que incluísse a anistia aos membros da organização, inclusive à cúpula.
Ou seja, se as Farc fossem as Farb o governo brasileiro estaria legalmente impedido de executar aqui o que reiteradamente defende em palavras e atos para o país vizinho: a tese (plenamente defensável) de que a pacificação da Colômbia passa pelo fim da guerrilha, no contexto de um amplo entendimento que desarme definitivamente as diversas organizações hoje à margem da lei e as incorpore ao jogo político-eleitoral pacífico e democrático.
Até porque, convenhamos, será difícil imaginar um pacto que só ofereça às Farc escolher entre duas opções: ou a cova ou apodrecer em alguma cadeia colombiana, ou norte-americana. Eu aposto que se o Brasil fosse hipoteticamente chamado por Álvaro Uribe a mediar um acordo de paz no país vizinho, acordo baseado nas premissas generosas do parágrafo anterior, aceitaria imediatamente a missão e colocaria todo o talento da nossa diplomacia para trabalhar. Atitude que mereceria o endosso firme e decidido dos brasileiros amigos da paz e da concórdia.
Ou seja, para o governo brasileiro parece haver situações em que a conveniência política pode deixar em segundo plano considerações que no terreno puramente moral (e mesmo legal, sensu strictu) seriam irremovíveis. Por sinal, qualquer governo age assim. Daí que desperte imediata desconfiança quando governantes vêm a público vender conveniências embaladas em papel de presente pintado com princípios morais.
Em resumo, a tese do imperativo (que se impõe sem discussão possível, segundo o Houaiss) moral não basta para que o governo Luiz Inácio Lula da Silva lance o Brasil num debate sobre a limitação do alcance da Lei de Anistia. O governo precisa esclarecer qual é a conveniência de fazer isso aqui e agora, enquanto no vizinho conflagrado defenderíamos exatamente o contrário, ampliar a cobertura da anistia, se fôssemos chamados a opinar."
Adhemar Santos em dezembro 25, 2008 12:14 PM
#69
Revista VEJA e a Retrospectiva de 2008
Às vésperas de 2009, a revista VEJA faz uma retrospectiva do ano que passou. A única página dedicada à Satiagraha critica duramente Protógenes Queiróz. Nenhuma questão sobre Daniel Dantas. Nenhuma palavra sobre Gilmar Mendes.
Apenas Protógenes, "à sombra da ilegalidade".
O seguinte trecho merece destaque: "No comando da operação Satiagraha, destinada a investigar supostos crimes financeiros do banqueiro Daniel Dantas, o delegado cometeu tantas ilegalidades e desvarios que acabou por facilitar a defesa do investigado e colocar a si próprio, e aos seus excessos, em primeiro plano."
Tão rápida em condenar seus adversários, para a revista VEJA os crimes de Daniel Dantas são "supostos"; as "ilegalidades" de Protógenes são fato consumado.
http://capitao-obvio.blogspot.com/2008/12/revista-veja-e-retrospectiva-de-2008.html
Capitão Óbvio em dezembro 29, 2008 9:19 PM
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