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terça-feira, 09 de dezembro 2008
Ladainhas da mídia: A suposta decepção da esquerda com Obama
Os memes da mídia se repetem com tediosa previsibilidade. Enquanto no Brasil as Folhas e Globos tentam desesperadamente – e cada vez com menos sucesso -- fabricar algo que atinja Lula, nos EUA o meme da vez na grande mídia é a “decepção” da esquerda com os nomes escolhidos por Obama para compor seu ministério. É impossível ligar a televisão ou abrir um jornal sem topar com a ladainha de que a esquerda estaria decepcionada com um gabinete recheado de centristas. O curioso é que essa versão da realidade nunca chega pela boca de alguém realmente de esquerda. Na maioria das vezes, são os mesmos que, há dois meses, nos apresentavam Obama como um perigoso esquerdista. Não é sensacional?
Esmiucemos a história. Quem vem repercutindo o meme da “decepção” da esquerda com Obama? Wall Street Journal, National Review, Politico, Pat Buchanan: a fina flor da direita americana. Nas incontáveis histórias acerca da tal “decepção”, invariavelmente, nenhuma figura de esquerda é citada, a não ser algumas poucas vozes que já eram antagonistas do projeto de Obama desde o começo, como, por exemplo, a turma do Counterpunch.
Esses memes vão criando vida própria e, de tanto serem repetidos, começam a influir na realidade que a princípio apenas falsificavam. Um alto assessor de Obama, Steve Hildebrand, chegou a escrever um artigo para acalmar a esquerda. Ele não cita um único desses supostos críticos progressistas que estariam nervosos com o presidente eleito. A vagueza e a condescendência da acusação acabaram, aí sim, gerando um monte de críticas entre a esquerda.
No mundo real, quais são os fatos? 89% dos democratas apoiamos a transição e as escolhas feitas pelo presidente eleito. Não há a menor semelhança entre a organizada e metódica transição de Obama e o caos dos primeiros meses de Clinton. Quem se lembra de 1992 sabe disso. O Media Matters, um grupo de observação dos meios de comunicação de massa, compilou um extenso material e concluiu que a tal “decepção” da esquerda com Obama é uma pura invenção. Trata-se da mesma mídia que, durante meses, insistiu no “problema” de Obama com os trabalhadores brancos, com as mulheres e com os latinos, enquanto nós aqui no Biscoito, desde março, avisávamos que os níveis de apoio de Obama entre esses setores eram iguais ou maiores aos historicamente conseguidos pelos candidatos democratas. O resultado foi o que se viu: votação recorde, inclusive entre as mulheres.
Entre os que participamos da campanha desde o primeiro momento, ninguém tinha a ilusão de que Obama fosse um Miguel Rossetto gringo. Ao longo das primárias, ele repetiu insistentemente que aproveitaria talento de vários lados. Já em 2005, na época da confirmação do juiz conservador John Roberts no Senado, Obama adotou uma estratégia pragmática e deu-se ao trabalho de ir ao Daily Kos – o maior coletivo de esquerda da internet americana – para explicar sua posição. É esse tipo de atitude que alimenta minha admiração por Obama: a convicção de que pragmatismo, ponderação e bipartidarismo não são sinônimos de traição aos próprios valores. Obama é, acima de tudo, um centrista que entende que o centro não é estático. O centro do espectro político americano se moveu para a direita durante três décadas e, no último ano, ele vem no movimento oposto. “Regular Wall Street”, por exemplo, há alguns anos seria uma bandeira que identificaria seu defensor como alguém de esquerda. Hoje trata-se quase de um consenso no país.
Hillary Clinton é uma magnífica escolha para a Chancelaria. Depois de oito anos de desprezo pela ONU, o representante americano na Organização terá estatuto de ministro e a escolhida para o cargo é a notável Susan Rice. A opção por manter Robert Gates no Ministério de Defesa revela um presidente que tem confiança no seu taco. Ele aposta que o trânsito de Gates no Pentágono será importante para que se implemente a política que ele, Obama, estabeleceu como promessa de campanha. Não há nada que indique que ele não cumprirá essas promessas – por exemplo, a de uma saída do Iraque ao longo de 16 meses, mais ou menos, com os detalhes dependendo das condições reais no país.
Se essas promessas não forem cumpridas, eu serei o primeiro a criticar. Mas não vou sair desse time aos cinco minutos do primeiro tempo, muito menos antes do jogo começar. Os Babás e os João Fontes, que romperam com o governo Lula logo depois do apito inicial, estão hoje na lata de lixo da história, enquanto o sapo barbudo surfa nos seus 70% de aprovação.
PS 1: Fiquem à vontade se quiserem usar esta caixa para comentar também os últimos memes da mídia brasileira, especialmente o meme da “crise”.
PS 2: Enquanto isso, o Almirante descobre uma importante certidão de nascimento.
Escrito por Idelber às 03:32 | link para este post
| Comentários (81)
#1
o Meme da imprensa brasileira é o "Mas". Tipo:
• "Pib brasileiro tem crescimento recorde MAS vai chover amanhã em araçatuba"
• "Desmatamento é a causa das enchentes em Santa Catarina MAS Lula deveria ter feito alguma coisa"
• "Número de brasileiros na classe média dobra em cinco anos MAS número de brasileiros na classe alta continua o mesmo"
aqui, toda manchete tem seu lado B.
Radical Livre em dezembro 9, 2008 7:12 AM
#2
Miguel Rossetto gringo foi óóótemo!!! De fato, Idelber, essas notícias do "esquerdismo" frente a Obama andam enchendo. Mas tem uma coisa que me assusta, que é o sionismo heavy e irracional da Hilary Clinton. Eu temo por isso, ainda que saiba que ela será subordinada ao presidente e que a agenda da chancelaria seja menos impregnante do que a atual, dada a magnitude dos problemas internos aos EUA.
Katarina em dezembro 9, 2008 7:31 AM
#3
ladainhas e kaozinhos, niguem quer ver o melhor pro coletivo, somente pra si, pois isso tantas mentiras
hugo perpetuo em dezembro 9, 2008 9:42 AM
#4
Sobre isso, a única manifestação que li de alguém que pode ser chamada de esquerda foi na Folha, que publicou uma entrevista com o Chomsky sobre um suposto desapontamento dele com o Obama, mas na entrevista, reproduzida no Vermelho ele deixa claro que nunca teve ilusões sobre ele e que, como parece concordar o Idelber, ele seria um "democrata familiar de centro, mais ou menos no molde de Bill Clinton". Mas as diferenças entre ele e Clinton não foram abordadas.
Leo Vidigal em dezembro 9, 2008 9:44 AM
#5
Lembrar do começo do governo Clinton e diferenciar a concepção de centro entre os presidentes democratas são intervenções muito adequadas e precisas.
O que acho interessante que a mídia brasileira instituiu alguns mantras e depois esquece. O mais forte era o que o Bolsa Família era o "mensalinho" do governo lula. Tem gente que ainda repete isso, mas na mídia caiu em desuso.
Anselmo em dezembro 9, 2008 9:48 AM
#6
Idelber, concordo com tudo o que vc diz a respeito da transição. A mim, de longe, também parece que está sendo organizada de uma forma que eu nunca vi nos EUA. Só tenho uma ressalva, concordando com a Katarina, sobre o sionismo de H. Clinton. Mas devo dizer que no debate McCain e Obama concordavam totalmente quanto aos elogios a Israel. Ou seja, sem ilusões desse lado. Se ele tentar ao menos minorar um pouco o sofrimento dos palestinos (será que é pedir muito?), apesar da comunidade judaica americana...
agora, quanto à pancada de lado no PSOL devo dizer que esse é o primeiro partido ao qual me filiei na vida (não tenho muito gosto por filiações), por puro desencanto com o governo Lula. Desencanto, diga-se, que começou na "Carta aos Brasileiros". Eu sou economista e já sabia o que aquilo queria dizer em termos de compromisso com o grande capital. Chorei vendo as pessoas na rua na posse, não de alegria, mas olhando o brilho no rosto dessas pessoas e pensando em tudo o que - eu já intuía - não ia ser feito. E...surfar nos 70%? Pobre povo brasileiro, que nunca teve acesso a cidadania de verdade e acha que o Bolsa Família é o máximo a que se pode aspirar...o Perón tb tinha essa aprovação toda, o Jango era a coisa mais progressista que o Brasil tinha conhecido. O coronel Miguel Arraes no Recife foi um avanço fantástico. Eu queria mais prá gente.
Renata
Renata L em dezembro 9, 2008 10:10 AM
#7
Grande Almirante, só fazendo piada mesmo! Impressionante que ainda tenha gente debatendo a sério uma bobagem dessas.
Te em dezembro 9, 2008 10:26 AM
#8
Ótimo post, pra variar. Eu já imaginava isso, porque só quem fala da suposta decepção da esquerda com Obama são os anti-obamistas.
Marcus em dezembro 9, 2008 11:50 AM
#9
Aqui no Brasil a torcida demo-tucana pela crise está produzindo efeitos hilários. Título na Folha, comentado pelo blog do Nassif: “Vale paralisa 2 unidades no ES. Dow Chemical demite 5.000”. Só lá dentro ficamos sabendo que os 5 mil da Dow são em todo o mundo. No Brasil, que deve ter pouco mais de duas dezenas de funcionários, ninguém será demitido. Hoje, o mesmo jornal levanta a bola para Serra rebater crítica do PT, que cola a crise no PSDB e DEM. Diz o vampiro: "O PSDB saiu do governo em 2002. Então tem um poder extraordinário". Só que a notícia original, que a Folha não cita, é de um discurso político do secretário nacional de comunicação do PT, feito no domingo, que faz total sentido. Diz ele: “A crise tem pai e mãe. Ela é uma crise do modelo neoliberal, daqueles que no Brasil defenderam as idéias de desregulamentação do Estado, ou seja, o PSDB e o DEM. E esse debate o PT vai fazer. Os neoliberais perderam”.
A mídia tucana vai ter um orgasmo quando fotografarem uma fábrica fechada no Brasil.
Jurandir Paulo em dezembro 9, 2008 12:15 PM
#10
Decepcionarei-me com Obama se, tão logo assumir, Guantánamo não seja imediatamente fechada e os prisioneiros transferidos para território continental americano.
Paulo em dezembro 9, 2008 12:43 PM
#11
Muito interessante a tua percepção de quanto a grande mídia tenta colar alguma coisa no presidente Lula. O pior é que, por mais histéricos que eles sejam, mais a popularidade do presidente cresce. Isso deixa a grande mídia desesperada.
Arnaldo em dezembro 9, 2008 1:04 PM
#12
Só indo ao mirante do Nelson para entender esse mundo maluco! kkkkkkkkk
aiaiai em dezembro 9, 2008 1:43 PM
#13
O Brasil sempre aparece como "top" na lista dos países mais corruptos do mundo, mas essa do governador de Illinois abrir leilão para a vaga de senador do Barack Obama, obviamente em benefício do próprio bolso, extrapolou - nunca tinha visto coisa igual.
Vera Borda em dezembro 9, 2008 2:15 PM
#14
Em relação especificamente a essa "decepção" da esquerda com Obama, a FSP publicou, semana passada, entrevista com o Chomsky com esse viés.
carcamano em dezembro 9, 2008 2:36 PM
#15
Olá, Professor.
Quero somente deixar registrada minha total concordância com o comentário da Renata (#4).
Renata, eu também chorei; aliás, em alguns momentos ainda tenho vontade de chorar.
Quanto a indicação de Obama como um governo de "centro" - um centro que se move: ó uma observação: não aceito muito a idéia de "centro" no espectro político-ideológico - ou centro-esquerda ou centro-direita. "Centro", no final das contas significaria equidistância?
Forte abraço professor. Como sempre seus posts levam ao debate, o que é muito bom.
Marilda
Marilda S. Costa em dezembro 9, 2008 2:36 PM
#16
Pois é, Vera. Essa prisão do governador de Illinois foi simplesmente inacreditável. Faz a instituição da suplência parecer muito mais civilizada que a legislação americana para escolher o senador substituto.
Se a imprensa quer realmente "atingir" Lula, por que ninguém repercutiu (alem da minoria de sempre, como PHA e Janio de Freitas) a sem-vergonhice que foi Lula mudar a lei para criar a BrOi? O presidente muda a lei para ajudar a maior doadora de sua campanha e o maior investidor da empresa de seu filho (ficarão com mais de 70% do mercado de telefonia fixa do Brasil), e a imprensa dita golpista fica pianinho, pianinho? Tucanos e petistas só se digladiam nos blogues. DD uniu-os na cumplicidade em relação a todas safadezas ocorridas na telefonia. O resto, para usar uma metáfora lulista, é marolinha entre esses grupos.
Cesar em dezembro 9, 2008 2:55 PM
#17
off-topic, mas divertido: nosso querido Pedro Dória se meteu numa polêmica com Olavo de Carvalho. É sobre a possível não-nacionalidade americana do Obama. Virou zona...
Radical Livre em dezembro 9, 2008 3:29 PM
#18
Boa tarde, pessoal. Sobre o sionismo: me preocupa, sim. É o único tema acerca do qual Obama deu uma declaração que me pareceu politiqueira no pior sentido (a famosa frase sobre a indivisibilidade de Jerusalém na AIPAC).
A situação na Palestina hoje é tão desesperadora, o desrespeito de Israel pelas leis internacionais é tão flagrante, a catástrofe humanitária é tão revoltante, que talvez não seja má idéia dar um voto de confiança à estratégia que Obama parece ter escolhido, que é a de encarar o problema com um time de credenciais sionistas impecáveis para, a partir daí, tentar uma negociação. Se uma equipe liderada por Obama, contando com Hillary Clinton e Rahm Emanuel, desembarcar em Tel Aviv e não conseguir pelo menos encaminhar uma resolução futura da coisa, é porque as saídas diplomáticas se esgotaram mesmo.
A alternativa, como sabemos, é a barbárie, com consequências incalculáveis.
Idelber em dezembro 9, 2008 3:41 PM
#19
Eu havia lido a entrevista do Chomsky na Folha e é bom saber que ela está disponível na internet (obrigado, Leo). O que me parece incrível é que Chomsky não consiga ver nenhuma diferença entre o "centrismo" de Clinton e o "centrismo" de Obama. Trata-se de duas concepções completamente diferentes, opostas mesmo, acerca do que significa o "centro", o que é negociação política, como lidar com as diferenças.
Ou alguém acha que se a presidente-eleita fosse Hillary Clinton nós estaríamos falando de fechar Guantánamo no dia 20 de janeiro? Não há comparação entre os dois "centrismos". Que uma pessoa com a inteligência de Chomsky não consiga ver isso é preocupante.
Idelber em dezembro 9, 2008 4:04 PM
marcosb em dezembro 9, 2008 4:37 PM
#21
Sobre o Chomsky, às vezes eu acho que mesmo intelectuais de trajetória impecável e lucidez comprovada deviam se aposentar antes que suas idéias, como as articulações da coluna, se ressentissem com a passagem do tempo e se tornassem rígidas demais.
Vera Borda em dezembro 9, 2008 4:38 PM
#22
Idelber, olá.
Sem querer ser chato, mas... e o Ethnic cleansing of Palestine?
Saiu da agenda?
Abraço
Jasão em dezembro 9, 2008 4:46 PM
#23
Mas Vera...
como saber quando parar? como perceber que suas contribuições estão embaçadas pela velhice e pelas cataratas?
Dizem que as grandes contribuições de um físico ou um matemático acontecem até no máximo os trinta e poucos anos de idade - depois, raramente aparece alguma coisa original. Vale também para as outras áreas de conhecimento?
Radical Livre em dezembro 9, 2008 4:47 PM
#24
Jasão: pensei nisso outro dia. Vamos fazer, sim, prometo. Não vou mais esperar o Pedro. Façamos aqui mesmo. Mas o movimento em blogs cai muito em dezembro. Esperemos o fim das festas, e lá para meados de janeiro eu coloco o livro em discussão. Pode ir lendo por aí, porque haverá debate sobre ele. Eu prometo.
Idelber em dezembro 9, 2008 4:52 PM
#25
Concordo plenamente contigo Idelber
Izabella em dezembro 9, 2008 4:55 PM
#26
Extra, extra!
O governador de Illinois, Rod Blagojevich, citado aí acima, foi preso hoje de manhã, por leiloar, solicitar propina e basicamente tentar vender o assento deixado vago por Obama no Senado. Aqui, o vídeo.
E parece que foi a equipe de Obama quem alertou o FBI para a falcatrua. O inacreditável é a ingenuidade do cabra. Até meus alunos sabiam que os telefones de Blagojevich já estavam grampeados há tempos.
Como sabem, eu sou muito crítico dos EUA em vários aspectos. Mas há que se reconhecer uma coisa: nenhum Gilmar Mendes soltará Blagojevich amanhã à tarde. Isso eu garanto.
Idelber em dezembro 9, 2008 4:59 PM
#27
Não dá para levar a sério o Chomsky, há algum tempo.
O debate sobre o livro do Pappé tá mais do que em tempo.
João Paulo Rodrigues em dezembro 9, 2008 5:28 PM
#28
idelber:
sempre que ouço alguém dizer que as ideologias
acabaram,que não há mais esquerda e direita,o
alguém é de direita.a direita brasileira,como você disse bem,não nos deixa a oportunidade de dizer que o lula andou pro outro lado.o tempo todo ela nos confirma isso.conhecemos as táticas dessa gente.
romério
romério rômulo em dezembro 9, 2008 5:47 PM
#29
Como saber quando parar? Pois é, Radical Livre ... Quem sabe quando o cara começa a se repetir, a não se surpreender com coisa alguma, a achar que tudo já foi visto ou dito ... Se puder se dar conta a tempo, sei lá ...
Vera Borda em dezembro 9, 2008 7:03 PM
Gui Losilla em dezembro 9, 2008 7:19 PM
#31
Idelber,
Eu ainda consigo me espantar com a sua parcialidade pueril, imperdoável num homem de 40 anos. Os que se recusaram a participar da aventura petista-lulista simplesmente não passam de "lixo", tanto que na sua opinião já estão na lata de lixo da História. Você, fagueiramente, responde a quase todos os comentários favoráveis, mas ignora os que trazem contestações pertinentes à imagem que você vende do "presidente lula", como o #6, da Renata, e o #16, do Cesar.
Essa história de uma popularidade altíssima dever calar a boca de qualquer crítico é de rara indigência intelectual. Nem vou dizer que Hitler e Stalin eram popularíssimos, seria demais, prefiro lembrar que por tal critério, o maior escritor da língua portuguesa seria Paulo Coelho, pois este já vendeu mais livros do que Eça de Queiroz e Machado de Assis juntos.
Luiz Candido em dezembro 9, 2008 7:20 PM
#32
Sobre o Chomsky, eu tenho outra teoria, que não tem nada a ver com a idade.
Foi extremamente difícil ser uma voz discordante numa sociedade como a americana, que esteve durante tempos num consenso letárgico, no qual todos os veículos de mídia repetiam a mesma história. Vocês não imaginam o que eram, por exemplo, os telejornais em 2002/03, na véspera da invasão americana ao Iraque. Eram veículos de propaganda da mentirada de Bush.
Num contexto assim, ser uma voz de extrema-esquerda requer uma tremenda atenção, uma notável vigilância, porque como você está fora do consenso, tudo o que você denuncia é imediatamente ridicularizado como "teoria da conspiração". E aí você começa a ver mesmo conspiração onde não existe, ou começa a se recusar a reconhecer diferenças realmente existentes (como a diferença entre Clinton e Obama, que Chomsky se recusa a ver).
Isso aconteceu com Chomsky, que chegou a dizer que as vítimas dos EUA no Afeganistão poderiam ser contadas em sete dígitos (sete, ou seja, mais de um milhão de pessoas) ou com Michael Moore, que fez -- e ainda faz -- muitas denúncias sensatas e corretas, mas que também fez um filme meio maluco, onde a justaposição de imagens sugeria que os ataques de 11 de setembro haviam sido planejados pelo governo Bush.
Por isso é importante não perder o contato com o centro. Não para repetir o centro, mimetizá-lo para ganho eleitoral (essa seria a estratégia Clinton), mas para manter a possibilidade de conversar com esse centro, entender sua língua, fortalecer canais de interlocução (a estratégia Obama).
Eu tento me pautar por essa ética. Converso com vários blogueiros de centro e de direita que julgo serem interlocutores que valem a pena. Alguns dos meus amigos de esquerda dizem "não entendo por que você dedica tempo a essas porcarias". Mas o resultado vale a pena.
O arco da interlocução é importante. Senão você corre o risco de perder o pé na realidade que -- distorcida ou não -- é habitada pela maioria.
Idelber em dezembro 9, 2008 7:30 PM
#33
Luiz Candido: eu já perdi a conta de quantas vezes debati com o Cesar -- que é meu amigo -- aqui no blog, acerca das críticas dele ao governo Lula, muitas das quais eu compartilho. Com a Renata, com quem já conversei muito aqui também, eu compartilho o desejo de que "queria mais" desse governo.
Você, que já chamou a política de comentários do blog de "stalinista", poderia talvez dar uma olhada nos arquivos de 2005, por exemplo, e ver qual foi o tratamento que o episódio do mensalão recebeu por aqui. E aí depois me aponte algum blog de esquerda que tenha tratado do tema tão abertamente.
Eu não chamei de "lixo" os que "se recusaram a participar da aventura lulista-petista". Eu disse que aqueles que estavam dentro do projeto e saíram aos cinco minutos do primeiro tempo condenaram-se à lata de lixo da história que, como você, que se gaba de já "ter estudado muito Stalin", lembrar-se-á, foi uma expressão usada por Trotsky para designar aqueles que "perderam o bonde" da história, perderam a oportunidade de nela intervir. Não é um ataque moral. Não estou chamando ninguém de "lixo", apesar de já ter sido chamado por você, aqui, neste espaço, de "stalinista".
Quer que eu resuma minha discordância com o Cesar? Aí vai: acho que há infiltrações lamentáveis de Dantas e cia. no PT? Acho. Eu me desfiliei do PT em 2004, Luiz, e muita coisa que começou a aparecer na imprensa em 2005, eu denunciei publicamente no Hotel Glória, do Rio de Janeiro, no dia 30 de agosto de 1997, no décimo-primeiro Encontro Nacional do PT.
Concordo com o Cesar que isso faz de petistas e tucanos duas faces da mesma moeda? De jeito nenhum. E 70% dos brasileiros concordam comigo.
PS: Hitler venceu a eleição de 1933 com uma pluralidade, não com uma maioria. Depois disso, sua popularidade passou a ser impossível de auferir.
PS 2: É impossível saber se Stalin era popular ou não.
PS 3: Continuo acusado de só responder os comentários favoráveis?
PS 4: Em discussões de internet, quem cita Hitler, perde.
Idelber em dezembro 9, 2008 7:45 PM
#34
Errrr, trolando um pouco.
As críticas não se restringem a direita(Na verdade, muitos elogiaram a escolha, tirando Eric Holder). O Village Voice criticou a escolha de Napolitano para a Segurança Doméstica:
http://www.villagevoice.com/2008-11-26/news/janet-napolitano-homeland-futility-mexico-border/
Também há críticas de blogs como o OpenLeft e mesmo dentro da Salon, e há um certo mal-clima dentro de algumas lideranças hispânicas pelo fato de Bill Richardson ter sido preterido ao cargo de Secretário de Estado.
Embora controlar o Partido Democrata, em especial a ala Daily Kos é fundamental.
Andre Kenji em dezembro 9, 2008 7:47 PM
Idelber em dezembro 9, 2008 7:54 PM
#36
Idelber
Aliás, você vota no Segundo distrito, de William Jefferson, não é? O tal de Joseph Cao vai ser o terceiro republicano em cargo eleitivo oriundo de uma minoria, não é?(Junto com Mel Martinez e Jindal)
Andre Kenji em dezembro 9, 2008 8:26 PM
#37
Eu votei no Cao :-)
Era importante tirar o Jefferson de lá. Em 2010 a gente recupera o assento para o Partido Democrata.
Idelber em dezembro 9, 2008 8:29 PM
#38
"E, aliás, onde foi parar o comentário -- educado, polido -- que eu havia feito ao segundo post linkado acima? "
Desculpas, mas eu havia deletado por engano o banco de dados SQL do blog inteiro. Pude recuperar de um backup de julho e os posts via cachê de Google, mas os comentários foram para o espaço.
Desculpas se transpareceu outra coisa.
Andre Kenji em dezembro 9, 2008 8:35 PM
#39
Beleza, beleza, é sempre bom saber o que aconteceu :-)
Idelber em dezembro 9, 2008 8:37 PM
#40
Idelber,
Sem dúvida é cedo para "sair do time" de um governo que sequer começou. Mas de forma alguma isso quer dizer que não se possa apontar algumas (poucas) escolhas duvidosas feitas por Obama até aqui. Em especial, creio que o time de economistas não é exatamente o que a heterodoxia econômica esperava. Paul Krugmann (que não é de esquerda, mas que frente à crise tem defendido posições bastante heréticas e corajosas) tem escrito em seu blog sobre o conservadorismo do staff econômico. De fato, Paul Volcker e Larry Summers são nomes que põe sobre suspeita a necessária ousadia econômica que muitos de nós esperamos do governo Obama. É bom lembrar (eu já havia comentado aqui) que o primeiro foi o grande responsável pela "quebradeira" da América Latina no início dos anos 80, que deixou nosso setor público de joelhos e tantas mazelas que daí se seguiram. O segundo, como Secretário do Tesouro de Clinton, foi um dos maiores promotores do liberalismo financeiro que desaguou na atual crise e que antes dela tolheu gravemente a autonomia das políticas macroecnômicas das nações subdesenvolvidas.
É evidente que isso não significa que os dois repetirão seus papeis sob Obama. Pelas declarações recentes do presidente eleito (diz-se até que proporá um banco central internacional) não parece que estará contido pela ortodoxia pretérita de seus reluzentes auxiliares. Oxalá irmão.
Quanto aos memes nativos, acho que o mais bizarro das últimas semanas foi o do tal empréstimo da Caixa Federal à Petrobrás. Não me recordo de tanta bobagem em tão pouco tempo. Na CBN, Sardemberg batendo bola com M. Leitão, como se a república estivesse em apuros. Tudo por causa de uma operação DE MERCADO que "ainda por cima serviu para comprar diesel com elevada concentração de enxofre!!!" Recomendo a peça, no site da CBN.
Marcelo Manzano em dezembro 9, 2008 8:39 PM
#41
Idelber,
Sou um dos que aprovam o governo Lula.
Mas concordo com o Cesar. Aliás, concordo sempre com esse Cesar.
E, se permite, o Brasil está muito bem representado em New Orleans e Chicago com os professores idelber e Cesar.
Abs.Rodrigo-Uberlândia
Rodrigo Eduardo em dezembro 9, 2008 8:41 PM
#42
Perfeito, Marcelo. A política econômica mereceria um post à parte, mas devo que dizer que tenho muito mais restrições ao Lawrence Summers, por questões de postura, que vão além da economia. No caso da nomeação dele, eu recebi ponderações contraditórias de economistas que respeito. Um deles dizia: "esse National Economic Council não serve para nada, não formula política, é um cargo decorativo. Summers não terá voz". Torço para que ele esteja certo. Vou procurar a pérola da CBN que você cita.
Rodrigo, meu caro, obrigado pelo elogio, mas não entendi muito bem como é possível aprovar o governo Lula e concordar com o Cesar ao mesmo tempo....
Idelber em dezembro 9, 2008 8:49 PM
#43
Obama sabe que ele foi eleito em grande parte por causa da crise e que ele foi eleito pelas graças de um eleitorado de centro. Também deve saber que a ala mais à esquerda do partido democrata sempre foi perigosa para candidatos eleitos ou não. Clinton e Carter sofreram com isso, mas quase todos os candidatos de Humphrey para cá sofreram com isso numa escala maior ou menor.
Usar a base netroots para vencer a nomeação e depois controlar a mesma netroots é uma boa jogada. Mas acho que Holder é uma escolha ruim, que deixa qualquer um preocupado com direitos civis angustiado e Clinton para o Departamento de Estado é terrível. Napolitano me parece A vice-presidente ideal, mas entendo quem fica preocupado com sua nomeação.
E acho que não é muito inteligente montar um gabinete com senadores ou potenciais senadores. É uma reprise do que Clinton fez. A escolha de Bentsen para o Tesouro deu uma cadeira para os republicanos no Senado, e Bruce Babbit, que foi para o Interior, poderia ter ganho uma cadeira no senado pelo Colorado...
Andre Kenji em dezembro 9, 2008 8:52 PM
#44
Idelber,
E não é que o Blagojevich pagou fiança (até pequena, $4.500) e já está solto?
Luiz em dezembro 9, 2008 9:03 PM
#45
Idelber,
É bem simples. O governo Lula tem qualidades e defeitos. As qualidades são um tantinho maiores. Motivo da aprovação. E também porque gosto do Lula, em especial, quando ele fala coisas como o "sifú". Que é muito melhor do que o pedantismo do "fi-lo porque qui-lo", do Jânio. Concordo com o Cesar porque acho que a BROI é a reedição da privatização tucana, com pequenas variações de personagens, mas com o mesmo ATOR principal. E penso também que PT e PSDB são doidinhos pelo DVD. É só perguntar ao Delúbio ou ao Ricardo Sérgio. É isto.
abs.Rodrigo.
PS. Tá começando CAPITU na Globo. Vou ver.
Rodrigo em dezembro 9, 2008 9:17 PM
#46
Idelber,
A crise aqui tá feia mesmo.
O PIB cresceu 6,8% no terceiro trimestre em relação ao ano passado.
Para variar, os "analistas" subestimaram o crescimento do PIB brasileiro.
Fernando em dezembro 9, 2008 10:07 PM
#47
Idelber, vamos lá:
Independentemente de você ser amigo do peito do César e da Renata, o fato é que você não respondeu aos seus comentários deste post, enquanto que agradecia a quase todos os comentários favoráveis. O blog é seu, eu sei, e nele você faz o que quer, mas é muito chato para um leitor, mesmo eventual como eu, ver tanta parcialidade. Não vale me dizer "Então pare de ler o blog!".
Você insiste em divulgar a "lenda urbana" de que eu chamei seu blog ou sua "política de comentários" ou coisa que o valha, de "stalinista". O que eu disse e repito é que você se comporta como um intelectual do partido, como nos tempos de Stalin. Não importa o que o "presidente lula" faça ou deixe de fazer, ele é sempre bem-avaliado e defendido no final. Desta forma, as suas eventuais críticas acabam perdendo todo o sentido, não adianta nada exibi-las, pois estas não definem uma posição de fato independente. Como se diz aqui no Rio, bronca é arma de otário.
Eu sei perfeitamente a origem da expressão "lata de lixo da História". Depois que eu a li no "Profeta Armado", proferida por Trotsky, numa situação histórica extremamente grave, também entendi que não se deve usá-la em qualquer situação. No meu entender, quem perdeu a oportunidade de intervir na História foi exatamente o "presidente lula". Ele foi eleito, inclusive por mim, para mudar a nossa História, para iniciar um processo virtuoso onde o povo brasileiro fosse realmente o foco de todos os esforços. Ele nos deu mais do mesmo. Bem, sei que para muitos neste blog o "bolsa-família" e a satisfação de ter um "presidente-operário" é mais do que o bastante. Nem discuto mais isso...
PS1: Não falei sobre Hitler ou Stalin, eu disse claramente que não era o caso de comparar o "presidente lula" a tais personagens. Agora, é mais do que óbvio que no final dos anos 1930, o ditador era popularíssimo. O fato de não haver pesquisas de opinião não obscurece este fato, por constrangedor que possa ser.
PS2: Stalin era quase que um tipo de religião, algo que atinge o nível a irracionalidade.
PS3: Sim, eu estou certo que na maior parte das vezes que forem realizadas críticas factuais ao "presidente lula", será necessário lhe cobrar algum tipo de resposta à altura.
PS4: Você saiu do PT em 2004, sete anos após fazer sérias denuncias? Incrível! Calma, Valente... Tamanha é a sua complacência ante os feitos e desfeitos do "presidente lula" que me ocorre uma pergunta: Qual a sua "dead line"? O que ele pode fazer para que você diga "Basta!"? Qual o motivo do apito do juiz que pode fazê-lo abandonar o jogo?
Luiz Candido em dezembro 9, 2008 10:33 PM
#48
Em primeiro lugar, maravilha de resposta, Luiz Candido, e cheia de conteúdo.
A referência que você fez a "stalinismo" na caixa, agora, sim, está entendida, embora eu não concorde com ela. É que quando foi feita me pareceu bem agressiva. Não vou buscar a citação original, não importa.
Agora, sim, entendo melhor seu ponto de vista e o desconforto com certas opções minhas sobre o que responder e quando. É só que eu acho que às vezes é melhor, como dizem por aqui, simplesmente agree to disagree. Deixar os comentários diferentes aí mesmo, para que cada leitor faça a justaposição. Além da questão prática do tempo, claro, que eu lhe mencionei numa resposta anterior. Muitas dessas questões, para serem respondidas a contento, demandam tempo que não há aqui -- elas acabam virando post depois.
Sobre o PS4, só para que você tenha todos os fatos: "sair do PT", no meu caso, é muito mais complexo que parece. Para todos os efeitos saí em 1990, quando me mudei do Brasil. Mas continuava filiado, e me considerando "membro", sim, do partido (além do que passo bom tempo por ano no Brasil, graças ao calendário letivo gringo). Optei por desfiliar-me em 2004, não por "denúncias graves" de 1997 -- eu não tinha em 1997 denúncia de ninguém se corrompendo, por exemplo. Eu observava que um certo modelo de "profissionalização" de campanha impulsado por Zé Dirceu e cia. ia levar necessariamente a muitas das coisas que se revelariam depois, em 2005. Foi isso o que eu quis dizer com "denunciei o que aconteceria depois".
Mas como lhe disse, agora tenho mais clareza do seu ponto de vista e muito do que se conversa aqui vira post depois. Já lhe adianto que acho um delírio dizer que Lula "perdeu a chance de intervir na história". Estou vendo uma baita intervenção na história aí: 20 milhões virando classe média, meu caro, pode não ser tudo, mas não se pode dizer que não é nada. Voltarei ao tema da parcialidade. Abraços.
Idelber em dezembro 10, 2008 2:04 AM
#49
Perfeito, Rodrigo, entendi o seu também e contigo concordo em quase tudo.
E também amo o "sifu" :-) Abração.
PS: Preciso voltar a Uberlândia e sei que vou me assustar com o tamanho da danada. Como cresceu.
Idelber em dezembro 10, 2008 2:10 AM
#50
É, parece que o Olavão quer mesmo derrubar o Obama com essa tal certidão...
Depois de depor o Obama, o Olavão poderia se ocupar de derrubar o Dunga! Basta mostrar aquele documento dizendo que o Dunga espancava o Soneca e que era aliado à Bruxa, a representante comunista que intentava matar a Branca de Neve, que por sua vez é a líder da elite branca, paulista e golpista!
Abraço
Lelec em dezembro 10, 2008 3:31 AM
#51
É, parece que o Olavão quer mesmo derrubar o Obama com essa tal certidão...
Depois de depor o Obama, o Olavão poderia se ocupar de derrubar o Dunga! Basta mostrar aquele documento dizendo que o Dunga espancava o Soneca e que era aliado à Bruxa, a representante comunista que intentava matar a Branca de Neve, que por sua vez é a líder da elite branca, paulista e golpista!
Abraço
Lelec em dezembro 10, 2008 3:31 AM
#52
Olá Idelber!
Gostaria de expressar minha opinião sobre este post muito bem elaborado. De fato, eu tendo a concordar com mais de 90% do que você escreveu. Um detalhe, no entanto, me parece ser relevante - a atual crise não é um meme. Ela foi um meme até alguns bons meses atrás. Infelizmente por tanto ser repetida, acabou se tornando algo bem maior do que deveria ser, dada a alteração das expectativas dos agentes econômicos.
Agora temos toda a movimentação em torno do grupo que estará no poder, bem como em torno dos projetos que serão implementados para a recuperação da economia. O que eu posso dizer é - se as expectativas se alterarem já neste ano e os mercados retomarem uma trajetória positiva, a crise foi apenas de média intensidade. No entanto, se o rumo positivo não for retomado, creio que temos algo bem feio pela frente!
Flávio Souza em dezembro 10, 2008 4:16 AM
#53
Idelber, só um adendo ao comentário anterior: apesar de filiada ao PSOL, eu travo uma briga interna (por enquanto perdida, mas com muitos outros adeptos) de que, após a diferenciação necessária no primeiro momento (e, insisto, o que motivou a saída - não-voluntária, se vc lembrar - da Heloísa Helena não foi o mensalão e sim a escabrosa proposta de reforma da previdência, que ela, fiel às origens do PT, se recusou a votar), eu defendo a posição de que deve-se trabalhar na contradição existente no governo Lula, onde há um espectro que vai do centro-direita personificado pelo Meirelles até a esquerda mesmo. E que, como diz você sobre Obama, não acrescenta nada dizer que Lula é igual a FHC. Porque não é.
Renata L em dezembro 10, 2008 6:37 AM
#54
defendo a posição de que deve-se trabalhar na contradição existente no governo Lula.
Temos a mesma leitura da realidade brasileira, Renata, e eu jamais diria que todo o PSOL, ao escolher romper, estava se condenando ali à irrelevância histórica. Eu não diria isso. Mas acho que o perigo existe. Tenho muitos amigos no PSOL e emprestei minha assinatura para a legalização do partido. Mas tenho sérias restrições a uma figura como Heloísa Helena (a moralização do discurso de esquerda, a absurda posição sobre o aborto, a maluquice de "construir mais prisões" para resolver a violência etc.). Na última eleição paulistana, discordei vigorosamente da posição que acabou prevalecendo, de não apoiar Marta nem Kassab. Esse tipo de decisão, por exemplo, acaba condenando o partido a ver a história pela janela mesmo. Chico insistir na candidatura no RJ foi outra decisão que achei equivocada (impunha-se um apoio à Jandira, dada o quadro geral da coisa).
Dito tudo isso, mantenho interlocução com muita gente no PSOL e acompanho o partido com interesse :-)
Abração.
Idelber em dezembro 10, 2008 7:02 AM
#55
Isso é intriga da oposição.
Rafael Salin em dezembro 10, 2008 7:10 AM
Pax em dezembro 10, 2008 7:45 AM
#57
" 20 milhões virando classe média, meu caro, pode não ser tudo, mas não se pode dizer que não é nada."
Certíssimo, Idelber. Só tenho receio de que vossa senhoria vá fundo e tente explicar as causas dessa indiscutivelmente virtuosa migração, pois creditá-las apenas ao atual governo é foda...
Kbção em dezembro 10, 2008 8:17 AM
#58
Idelber,
Vai ser muito bem vindo a Uberlândia. Com direito a tomar umas BOHEMIAS bem geladinhas. abs.Rodrigo
Rodrigo em dezembro 10, 2008 8:24 AM
#59
Já tá lido! Vou reler e anotar aqui...
abraço
Jasão em dezembro 10, 2008 8:54 AM
#60
Idelber,
Não tenho tempo para um longo debate, mas seria muito bom conferir melhor essa história de "20 milhões virando classe média". Que parâmetros foram usados para tal conclusão? Provavelmente foi o do consumo: milhões comprando a prestação alguns eletrodomésticos e mobiliários de má qualidade nas Casas Bahia (onde Mama Africa trabalha como empacotadeira...) e congêneres, maior consumo de biscoitos e cerveja, coisas assim. Tudo graças ao crédito abundante devido à situação favorável da economia mundial, fator que acaba de acabar, e, em parte, ao "bolsa família".
Classe média é outra coisa. Tem consumo, sim, mas não se define por isso. Há o padrão educacional, a qualificação no trabalho, certas faixas de proventos, uma base construída ao longo de gerações que não se perde facilmente. Se o sujeito mora num casebre, não tem educação nem acesso a bens culturais, se o seu trabalho é de baixo nível de especialização e sua empregabilidade é precária, ele pode ter uma TV a plasma de 42" e uma geladeira biplex cheia de cerveja, que não será realmente da classe média, embora algumas estatísticas assim o classifiquem.
O tal "processo virtuoso" a que me referi anteriormente abrangeria necessariamente, para começar, a inclusão pela educação pública de qualidade para todos. Após uma geração ou duas, todos os nossos problemas, inclusive o das quotas, estariam resolvidos ou muito bem encaminhados, e o Brasil seria um país de classe média de verdade. Mas, com é de conhecimento geral, o estadista pensa na próxima geração e o politiqueiro pensa na próxima eleição. Nós só temos politiqueiros, do ex-presidente, o douto FHC, ao possível futuro presidente Serra (não terá o meu voto), passando pelo atual "presidente lula".
Luiz Candido em dezembro 10, 2008 9:13 AM
#61
O que eu penso do Governo Lula se aproxima bastante do que o Idelber coloca. Obviamente, tal governo foi eleito em um momento no minímo assustador, onde mesmo os poucos avanços do Governo FHC pareciam estar se esvaindo, o que, junto com as reivindicações históricas dos movimentos sociais e das esquerdas acabou culminando em um clima de messianismo puro e simples - o que naquele momento ajudou pacas Lula, mas nos dois anos seguintes foi a sua grande pedra no sapato; diante de tantas expectativas, todo tipo de decepção era possível.
Acho que o primeiro mandato foi marcado por uma série de erros na área política, em grande parte porque porque Lula cometeu o grave erro de dar muito poder para figuras como Dirceu e Palocci, que em poucos meses já pareciam estar fazendo campanha para 2010 - Dirceu, talvez, já estivesse fazendo para 2006...
Outro ponto miserável, sem dúvida, é a questão da representação parlamentar feita mediante um péssimo sistema eleitoral, o que leva a uma paralisia violenta dos governos de Collor até Lula, passando por FHC - e, por conseguinte, toda sorte de "negociações".
Ainda assim, o Governo teve a capacidade de conseguir retomar a estabilidade monetária que estava se perdendo, realizar a mais bem feita política de comércio exterior da história brasileira por meio da expansão severa das exportações via aumento de mercados, aumentou o salário minímo, criou programas sociais como PROUNI, Bolsa Família, aumentou o número de vagas nas Universidades Federais e transformou a PF numa organização funcional. Ao mesmo tempo, tropeçava na política e o crescimento econômico era medíocre.
Em um resumo econômico do primeiro mandato, tivemos um primeiro ano bem moroso, outro seguido de bom crescimento econômico e dois outros de crescimento moderado; do lado político as constantes crises que nós bem sabemos. Confesso, naquele momento que eu também era um dos grandes decepcionados com esse governo, mais votei nele, diante da existência de um não-candidato de um não-partido do outro lado.
Lula está conseguindo fazer o que poucos líderes conseguiram: Ser bem melhor no segundo mandato do que no primeiro. As nomeações de Dilma e Guido para, respectivamente, a Casa Civil e a Fazenda foram extremamente positivas, eles são discretos e trabalham muito bem; o PAC foi uma evolução respeitável e já trouxe resultados - mesmo com a manutenção da política de freio de mão puxado do COPOM - e aprovação da política de cotas para as federais. Pesam contra ele a ambuguidade no caso Dantas, essa política pró-exportação de Etanol que eu não engulo entre outras coisinhas.
Diante da correlação de forças na política brasileira, nada me leva a crer que o PSDB tenha algo a oferecer que represente um avanço nesse quadro, nada. Diante dos anos pré-FHC e dos anos FHC, esse é sim disparadamente o melhor momento da Nova República.
Hugo Albuquerque em dezembro 10, 2008 10:26 AM
#62
Quanto ao tema do post, acho que uma coisa precisa ser dita. Idelber, para defender sua tese não precisa selecionar fatos. Ao contrário do que dizes, não só a mídia filo-republicana tem abordado a tal decepção de certa parte dos democratas com o centrismo radical do Obama. O NYT e a CNN, por exemplo, insuspeitos de simpatizarem com os republicanos, também já trouxeram análises a respeito. A entrevista do Chomsky é emblemática. Sei que tudo aindsa é prematuro e também que analisar um difuso sentimento de decepção cai num subjetivismo incompatível com uma discussão mais objetiva. Aliás, tanto aqueles que apontam a decepção quanto os que a contestam, como vossa senhoria, navegam ainda em mares de subjetivismo, o que aliás foi o to da campanha Obamista. Não há dúvida que houve uma mudança metafísica, no campo das emoções, das crenças. No entanto, OBJETIVAMENTE, não há nada de novo. Até mesmo alguns pontos levantados, como Guantânamo e a Guerra do Iraque, recebem críticas também dos paleo-conservadores, talvez até mais ácidas. E não custa nada lembrar que a futura Secretária de Defesa apoiou a invasão ao país de Sadam Hussein. Na verdade, ainda é muito cedo pra qualquer opinião definitiva, esperemos pois os primeiro meses de governo. Agora, repito, OBJETIVAMENTE, a escalação do time do Obama indica que dificilmente haveráuma mudança brusca de rumos, como ficou implícito na campanha e nas discussões em torno da eleição.
Kbção em dezembro 10, 2008 10:43 AM
#63
Ah, antes que me esqueça, memes da crise? Poupe-me. A crise é real, queiram ou não. Na verdade, começam a proliferar os memes da não-crise, incompatíveiscom a realidade...
Kbção em dezembro 10, 2008 10:45 AM
#64
Totalmente de acordo com relação à Heloísa Helena. (Desnecessário dizer que levo muita pancada por isso tb...)
Renata L em dezembro 10, 2008 12:33 PM
#65
O que ouvi de um dos panfletos televisivos (Jornal Passamal, Mau Dia, Pindorama) é que esses 6,8% de crescimento são prova incontestável de que a crise é muito pior do que se imaginava.
Marcelo em dezembro 10, 2008 3:52 PM
Hugo Albuquerque em dezembro 10, 2008 6:22 PM
#67
Lula é uma espécie de Reagan à esquerda e mais popularesco. É por isso que ele é popular: ele é extremamente otimista, enquanto a oposição é negativa demais. As vezes a disputa de Alckmin com Lula lembrava Reagan e Mondale...
Andre Kenji em dezembro 10, 2008 8:23 PM
#68
O Brasil vai ser afetado pela crise de uma forma de outra, em especial pelo mercado de commodities. Mas o fato é que a economia está bem sólida que nos anos 90, quando qualquer crise no Conchistão do Norte causava pânico aqui.
Aquele panfleto petista, o Wall Street Journal, está relativamente otimista com relação ao país.
Andre Kenji em dezembro 10, 2008 8:28 PM
#69
"Temos a mesma leitura da realidade brasileira, Renata, e eu jamais diria que todo o PSOL, ao escolher romper, estava se condenando ali à irrelevância histórica. Eu não diria isso. Mas acho que o perigo existe."
Em Jundiaí, amigos meus de esquerda riam abertamente do candidato do PSOL à prefeitura da cidade. Desconfio que o país tem partidos de esquerda em excesso.
Andre Kenji em dezembro 10, 2008 8:31 PM
#70
Mas é porque o Brasil tem partidos em excesso, ponto :-)
Idelber em dezembro 10, 2008 8:51 PM
#71
Mesmo assim. A esquerda brasileira corre o risco de ficar parecida com a esquerda francesa...
Andre Kenji em dezembro 10, 2008 8:59 PM
#72
André Kenji,
Quanto a crise, ela vai nos afetar sim, mas numa escala muito menor do que em relação às demais economias grandes; se havia tucanos cruzando os dedos para essa crise fazer o que até agora eles não conseguiram - varrer Lula -, talvez essa venha a ser, no fim das contas, a grande vitória petista.
Ademais, não acho que a esquerda brasileira corra o risco de ficar parecida com a esquerda francesa, até pelo fato de que a delimitação do espaço de debate político nacional estar bem mais à esquerda do que lá; você pega os nossos dois principais partidos e um deles faz às vezes de centro-direita - só que mais pro centro do que pra direita - e o outro é de centro-esquerda - sim, o PT.
O fato é que a esquerda-esquerda se presta ao ridículo de um divisionismo jocoso e de um discurso ultrapassado, daí o fato de existirem tantas siglas e do fracasso eleitoral dela - o PSOL não ameaça o PT nem em sonho, ao contrário, colabora para o segundo aglutinar mais ainda as forças de esquerda mesmo fazendo por vezes um política moderada.
Hugo Albuquerque em dezembro 11, 2008 6:41 AM
#73
a TV Globo e os demais integrantes do PIG não dão tregua..alardeiam a "crise" até no programa esportivo (que vi agora a pouco no salão do restaurante ja que os estabelecimentos do genero entendem que somos todos viciados nessa porcaria)..
só faltam incluir nos desenhos com o picapau ou o homer simpson se queixando da crise do "Lula".
Enfim a Miriam Leitão e seus suinos amestrados nao descansam nuncA...
Chiquita Bacana em dezembro 11, 2008 11:54 AM
#74
André, acho que a questão não é com quem a gente vai ficar parecidos. A gente infelizmente não teve uma revolução francesa aqui pra trazer os ideais de igualdade, liberdade, fraternidade. Eu estava em Genebra na década de 70 (criança, fique claro...) e tive a sorte de pegar o welfare state ainda em pleno funcionamento (já disse isso aqui mas vou continuar dizendo porque a memória da galera é curta). Cidadania pra todos é o que eu, paradoxalmente, vivi naquele país apontado como o símbolo do capitalismo financeiro (e é, né, eles só produzem - fora grana - relógios, chocolate e queijo...sem as vacas tavam ferrados...). A gente chegou lá fugidos da ditadura e, sem ter permis de séjour (o green card local) nem apê fixo, pode frequentar (eu e meus irmãos) a escola. Que, por sua vez, nos deu direito a alugar um apê.
Diga-se, a escola pública não tinha luxo nenhum. Mas era de verdade pra todo mundo (como em Cuba...). Na França, mesma coisa. A gente aqui nunca teve isso: escola pública, saúde pública de verdade. O Brasil, a mim, lembra o sistema de castas indiano. Raças não: castas. Quem é pobre é que nem os dalit indianos. Intocável. Lá fica. Porque não tem escola, não tem saúde, não tem dignidade. Eu esperava mais do PT. Esperava uma tentativa de trazer a cidadania plena pra todos. Não esse arremedo de políticas compensatórias focalizadas, tão a gosto do Banco Mundial. Panos quentes. Não ameaça. Por isso o PSOL. Sem nenhuma certeza. Mas eu sigo sendo de esquerda. O PT não. Abraços, Renata
Renata L em dezembro 11, 2008 3:33 PM
#75
Renata L,
Tenha dó, o sistema brasileiro não pode ser comparado ao sistema de castas indiano. Não mesmo. E, acredite, o motivo é bem simples: O Brasil é mais desigual do que a Índia, bem mais; enquanto o nosso índice de Gini - que vem caindo nesse governo, ressalte-se - ainda é maior do que 0.50, o da Índia gira na casa dos 0.35, o que faz uma baita diferença.
Também não compartilho de uma visão tão positiva em relação à Revolução Francesa. Por mais que ela tem implicado em avanços e ter gerado idéias basilares para a formação da Democracia contemporanêa, não podemos esquecer dos absurdos que ocorreram nela, o tortuoso processo revolucionário e um término não menos tenebroso com a ditadura napoleônica - e depois a volta do absolutismo e por fim uma França moderna que já teve cinco repúblicas e há quem fale numa sexta.
Sobre alguma comparação Brasil/França, mesmo que eles ainda estejam bem a nossa frente, não há como negar que nos últimos vinte anos o Brasil progrediu mais em termos sociais e políticos do que a França; a França de hoje pode não ser mais o país dos sans-culottes, mas é o país dos sans-papiers e dos netos e filhos de magrebinos que são tão franceses quanto qualquer Le Pen da vida, ainda que na prática sua citoyenneté seja considerada de segunda categoria pela respeitável sociedade local.
Repito, é óbvio que os franceses estão a nossa frente, mas a "direita" francesa, seja com um Le Pen da vida ou com um Sarko é bem pior do que o PSDB; a "esquerda" deles também não é grande coisa, na verdade, ela bate mais cabeça que a nossa.
Sobre o governo Lula, mesmo com todos os seus defeitos e contradições, há que se ponderar a época em que nós vivemos, onde vemos uma severa limitação do espaço de debate político que hoje se resume àquele espaço que fica entre a centro-direita e a centro-esquerda - tendo por exceção, claro, a própria França, cujo espaço vai da extrema-direita até a centro-esquerda e em um nível mais escandaloso, os Estados Unidos. Diante de tudo isso, somado a situação em que o Brasil se encontrava em 2002, eu que já fui mais pessimista em relação a esse governo não consigo mais sê-lo.
O PSOL que me desculpe, tenho muitos amigos lá e já fui em reuniões dele aqui na cidade onde eu vivo, entretanto, por mais que ele tenha bons quadros - Plínio, Ivan Valente e mesmo HH - ele tem de pensar na adoção de posicionamento mais propositivo e mais realista em relação ao tempo em que vivemos em vez de ficar preocupado em decidir qual é a "corrente" - sim, lá dentro tem várias - que "vai dar linha" e resumir a política à ética.
Hugo Albuquerque em dezembro 11, 2008 4:49 PM
#76
O cara merece estar nesse cargo, estudou muito e ralou, ao contrário de nosso lula...
Rafael em dezembro 11, 2008 6:56 PM
#77
PARA O IG, LULA É O PRIMEIRO ANALFABETO FUNCIONAL DO MUNDO!
Pois é, e o IG chama Lula de primeiro “analfabeto funcional do mundo”.
tá lá ... alguém quer ver?
então acesse e veja as páginas. Acredite, se quiser!
http://osamigosdopresidentelula.blogspot.com/
Alex em dezembro 12, 2008 1:36 PM
#78
Oi Hugo! Acho que a gente concorda muito mais do que vc acredita...se não, vejamos:
1. Sobre o sistema de castas, é a primeira vez que eu testo isso em público - e, claro, tem um quê de provocação aí. Eu não acredito que o Brasil seja igual à India (e, como bem diz você, é mais desigual). Mas acredito, sim, que a observação do sistema de castas lá (ou, vá lá, das sociedades estamentais da idade média, e qualquer uma onde o nascimento já define o que vc vai ser) ajuda mais do que a tentativa de copiar as políticas afirmativas americanas. A gente tem muito a aprender com essa observação.
Quanto à França, a gente concorda... olha só, eu tava falando da década de 70. Depois da União Européia (que, pra quem é economista heterodoxo, tem um viés extremamente recessivo em sua construção)aquilo foi inacreditavelmente desmantelado, e sim, hoje é "sans-papiers", "sans-culotte", "avec Le Pen" e tudo isso aí que vc falou. Eu tive a sorte de conhecer o antes, quando era outra coisa. É claro que eles não resolveram todos os problemas naquele período: a criação dos HLM - blocos de moradia para gente de baixa renda -, que deram origem às malfadadas cités - espécie de favelas verticais locais povoadas basicamente de magrebinos; a demora em conceder nacionalidade pelo direito do território e não do sangue, que criou toda uma geração de "apátridas funcionais" nascidos e criados na França mas tratados como cidadãos de segunda categoria... mas o olhar era outro e era inclusivo.
Quanto à Rev. Francesa, eu só tava falando da herança em termos de valores republicanos que criou a escola "publique, laïque, gratuite". Pra todos. Não do processo histórico...
Perdão pelo megapost, Idelber.
Renata L em dezembro 13, 2008 6:54 AM
#79
Renata L,
Sem dúvida, concordamos mais discordamos, obrigado pela tabelinha.
Abraços.
Hugo Albuquerque em dezembro 14, 2008 4:53 PM
#80
Caro Idelber,
Gostei muito do blog e já virei seu leitor!
Olha, acho que é preciso qualificar a esquerda que está com um pé atrás em relação ao Obama. Citaram aí o Chomsky. Vou dar outro nome: a Judith Butler http://www.indybay.org/newsitems/2008/11/05/18549195.php
Acho que a vitória dele foi incrível, mas temos de pensar que o Obama não é um representante dos liberais da Nova Esquerda dos anos 60. É um cara de centro. Nesse sentido, acho que alguns ativistas mais radicais devem estar apreensivos sim.
Abraço,
Rapha
Raphael Neves em dezembro 16, 2008 5:04 PM
#81
Idelber,
Pelo jeito não é só a mídia de direita q é tendenciosa, né? Qdo vc diz q ela tem menos sucesso nas suas investidas, e de fato tem, cita um blog de uma indiana da qual nem se sabe a profissão, q diz essa pérola logo no primeiro parágrafo: Que Lula tem 70% de aprovação mesmo qdo a América Latina é duramente atingida pela crise. Ora, faça-me o favor! A mulher é desinformada e vc quer dar valor ao q ela fala? Ora, o Brasil sequer sentiu os reflexos mais profundos da crise até agora. Só se o país sentir é q saberemos como ficará a aprovação de Lula. Parece, meu caro, q manipulação não é só coisa da chamada mídia reacionária.
cético em dezembro 16, 2008 6:58 PM