Já são mais de 700 mortos palestinos.

Preciso dar algum link para confirmar? Palestinas, as mortes essas que se medem às centenas ou aos milhares, com o filistinismo calculando qual era a porcentagem de "civis" entre os cadáveres, como se existissem militares numa nação que não tem estado.
Neste momento, de verdade, em que só vejo a mídia calcular qual porcentagem desses mortos "eram civis", só consigo pensar em um possível cadáver, só um.
Ibi, minha amiga de Gaza, sumiu da internet. Evidentemente. Já não há água nem luz em Gaza, quanto mais internet. Ainda não pude averiguar se Ibi está morta ou viva. Eu gostava, gosto muito dela. Nenhuma das nossas divergências internéticas tinha a ver com o Hamas. Eu e ela coincidíamos, sempre, na avaliação do que é positivo e do que é negativo no Hamas, e também na avaliação do pouco que essa organização islamista-nacionalista-palestina tem a ver com o genocídio atual perpetrado por Israel. Tudo isso, Jennifer já explicou.
Eu e Ibi saíamos na porrada mesmo sobre Tears for Fears. Ela gostava de Tears for Fears. Eu insistia em que ela ouvisse Joy Division com mais atenção. O retrato que você, leitor, recebe de Gaza pela mídia é absolutamente incapaz de imaginar isso: eu, 40, brasileiro-americano; Ibi, 21, moderna, árabe, inteligente, poliglota, secular e fã do Tears for Fears.
Se houver confirmação da morte -- ou da vida -- da minha amiga Ibi, eu aviso aqui.
PS: O que é absurdamente comovente nesses momentos é ver os amigos palestinos de Hebron, Ramalá, Nablus, Jerusalém Oriental Ocupada, etc. preocupando-se -- eles, que estão vivendo em situação tão difícil -- com o fato de que eu (que estou, obviamente, em situação bem confortável) possa ter perdido uma amiga.