Meu Perfil
Um blog de esquerda sobre política, literatura, música e cultura em geral, com algum arquivo sobre futebol. Estamos na rede desde 28/10/2004.
Sim, são-paulinos chatos, eu também sei o que é torcer para um time que ganha sempre. Desfruto dessa maravilhosa sensação desde 1990, torcedor que sou dos North Carolina Tar Heels, nesse que deve ser o mais eletrizante-emocionante-espírita dos esportes, o basquete universitário americano. Este post é uma explicação sobre o que faço atualmente enquanto não estou assistindo aos Campeonatos Estaduais do Brasil no satélite gringo da Globo, que eu decidi que já não vale mais a pena pagar (o Campeonato Mineiro começou como sempre, com pênalti roubado para os Perrella).
Nós, brasileiros, gostamos de tirar onda com europeus e argentinos porque o Campeonato Brasileiro pode ser, teoricamente, vencido por 10 a 12 times sem que isso seja zebra. O torneio nacional universitário dos EUA, que reúne os 64 melhores do basquete em março -- depois do fim dos amistosos e das ligas regionais, que se jogam de outubro a fevereiro --, pode ser vencido por 20, 25, 30 equipes sem grandes surpresas. É o torneio mais sensacional que eu conheço, pau a pau com a Liga dos Campeões européia. As zebras sempre acontecem, claro, porque o torneio se joga no mata-mata. Vença seis jogos seguidos e você é campeão nacional.
A Universidade da Carolina do Norte, primeira universidade pública dos EUA, é o esquadrão que mais venceu jogos nesse torneio nacional. Foi dirigido, durante décadas, por um técnico que é uma lenda viva e figura histórica na luta contra o racismo no sul dos EUA. Do alto dos seus 1,60 e pouco, Dean Smith acompanhou muitos negros a protestos em lanchonetes.
Carolina é pentacampeão americano (1924/57/82/93 e 2005), segundo time que mais chegou entre os semifinalistas nessa grande festa que é a Final Four e potência hegemônica na liga regional mais forte do país, a Atlantic Coast Conference. É, sem dúvida, junto com Kentucky e UCLA, o programa mais legendário do college basketball. Nele jogou um certo Michael Jordan, que no seu primeiro ano de faculdade foi campeão nacional acertando o jumper decisivo. Jordan, para quem não sabe, estudou português na UNC. Aqui, o arremesso do título nacional de 1982:
Chapel Hill é um caso único de uma cidade de 55 mil habitantes que tem uma arena esportiva para 22 mil pessoas que lota todos os jogos. Você, que mora na BH de 3 milhões e vê 2 mil almas penadas irem ao Mineirão numa quarta-feira depois da novela para ver Atlético e Ituiutaba, imagina o que é uma cidade de 50 mil levar 20 mil ao ginásio duas vezes por semana? Esse é o eletrizante basquete que se vive todo ano, de outubro ao começo de maio, em Chapel Hill. É realmente uma pena que os canais de TV a cabo no Brasil não transmitam. É muito mais interessante que a temporada regular da NBA.
Até agora, vamos com 17 vitórias e 2 derrotas. Ontem, outra típica vitória de Carolina: em Tallahassee, o time de Florida State – traumatizado por ter perdido 20 dos últimos 23 jogos contra os Tar Heels – liderou até o final em casa, mas entregou o ouro, levando a cesta decisiva com 1 segundo:
Seria de mau agouro eu dizer que somos favoritos para chegar à Final Four, mas digamos que o melhor jogador do basquete universitário do ano passado – Tyler Hansbrough --- já poderia estar na NBA ganhando milhões. Só voltou a Carolina para jogar seu último ano de faculdade porque quer o caneco. Nosso último título nacional – o regional a gente ganha todo ano -- foi em 2005:
O site do ESPN transmite jogos, caso alguém se interesse. Em todo caso, combinemos que eu vou dando notícias da temporada do basquete universitário e vocês me avisam se acontecer algo fora do normal nos Campeonatos Estaduais – além da existência de um campeonato onde não há times da capital.
Grande Idelber! Não sou muito fã de basquete, mas já vi uns jogos do camp. universitário na ESPN e acho bem legal aquela festa, assim como no futebol americano. Os jogos antes do Halloween são impagáveis. Mas essa coisa de lotar estádio é algo que invejo dos EUA, os Stellers (por acaso estou torcendo por eles domingo!) lotam o estádio em todos os jogos fazem mais de 20 anos...
E vc vai torcer pra quem?
Grande abraço!
ps: aqui por enquanto só o Fluminense que já empacou e o Lula deu uma ótima entrevista para a ESPN Brasil, falou que o governo não vai dar dinheiro para construir estádio, espero que isso não mude, abraço!
Ja virou palhaçada essa roubalheira para os Perrelas.
Quanto a roubalheira deles ninguém falou mais nada. Depois de uma reportagem de página central no caderno de Esportes do Estado de Minas, nunca mais se viu nem ouviu nada. Também, o Aécio (que é da curriola) é quem manda na imprensa mineira...
Me junto ao Gui Lossila na torcida pelo Steelers no próximo domingo. Aliás, sou fã a mais de 20 anos, acompanhei a "travessia do deserto" de títulos...
E a ESPN está passando um jogo do basquete universitário por semana, geralmente às quartas-feiras, quando não há outro evento coincidindo no horário.
Aqui em São Paulo, vamos ter um campeonato fora do normal esse ano. A novidade fica por conta do fato de que ao mesmo tempo que os quatro grandes estão com equipes fortes - que ainda por cima começaram a temporada em um ritmo impressionante -, os times pequenos e médios parecem que não vão dar muito trabalho.
Estamos falando de um estadual que ao longo da década teve várias surpresas, tanto pela competência dos times de baixo quanto pelo fato dos grandes disputarem ele com uma malemolência desdenhosa.
Esse ano não. O São Paulo manteve o time campeão brasileiro e ainda o reforçou com Washington que já está aí na briga pela artilharia; o Santos acertou em manter a base da boa equipe que tinha - e que não sei por quais cargas d'água foi tão no Brasileirão - e trouxe bons nomes (em especial, Luis Bolaños, campeão da Libertadores com a LDU ano passado); o Palmeiras reformulou quase totalmente o elenco com bons jovens jogadores e surpreende pela maneira bastante segura como começou a temporada; o Corinthians manteve o bom time campeão da Série B e vice da Copa do Brasil e ainda terá Ronaldo.
Dos outros, o que nessas três rodadas me pareceu mais regular foi o Barueri, que jogará a Série A do Brasileirão esse ano - e é um clube tão artificial quanto um certo Ipatinga, mas iniciou bem a temporada. O São Caetano e o Guarani devem ficar na parte alta da tabela, mas não brigam. A Portuguesa com seu amadorismo crônico corre o risco de cair aqui também. A Ponte não me empolgou muito. O Guaratinguetá e o Noroeste até jogaram bem, mas não acho que cheguem tão longe esse ano. O Santo André (que também jogará a série A) é time para meio de tabela e se não tomar cuidado, cai no Brasileiro.
Enfim, pelos os clássicos e a fase final devem pegar fogo.
Neste mês de janeiro, a ESPN passou 8 jogos da NCAA. Parou de passar por causa do Australian Open de tênis. O mais interessante desses jogos, são que eles são muito mais táticos do que técnicos, diferente na NBA. Os jogadores seguem a risca o que técnico pede, é mais coletivo do que individual. Espero que a ESPN volte a passar os jogos da NCAA em fevereiro.
No domingão, não sei pra quem torcer: de um lado Kurt Warner e de outro o técnico Mike Tomlim. Vou com cara dos dois.
Se eu começar a acompanhar o basquete universitário, minha mulher me larga. Já fica de cara feia quando eu tento seguir os jogos dos Nuggets (que andam fazendo um belo campeonato, por sinal, com o brasileiro Nenê em sua melhor temporada desde que veio para os States).
Mas o maior desafio nos EUA é tentar assistir a jogos de beisebol. Não consegui entender a lógica daquilo até hoje. Na verdade, acho que é o verdadeiro Calvinbol...
Com todo o respeito, o melhor jogador da NCAA atende pelo nome de Blake Griffin, e tem tudo para carregar o fardo de melhor Power Forward na proxima década da NBA.
Legal saber que de vez em quando passam os NCAA aí na TV a cabo brasileira. Confesso que nunca consegui achar, ao longo dos meses que passo todo ano aí. É verdade que é um jogo mais coletivo que o da NBA -- e mais compacto também.
Marcelo, verdade que Duke também é um programa lendário (a rivalidade Duke-Carolina talvez seja a mais amarga de todos os esportes americanos), mas acho que anda ainda um degrau abaixo de UCLA, que ganhou dez títulos, e de Carolina e Kentucky, que já ganharam mais de 1.900 jogos nesse torneio -- e vêm ganhando há mais de cinco décadas. Duke se consolidou mesmo nos anos 80. Se continuar nesse ritmo, alcança, sim, os Bruins, os Heels e os Wildcats no panteão dos programas lendários.
Hugo, eu adoraria ver o Santo André rebaixado no Brasileirão... Não há a menor necessidade de haver um time azul do interior de São Paulo na Série A :-)
Fã de Basquete, também. Eu estou aqui em Capão da Canoa e consegui acompanhar alguns jogos. Ano passado a ESPN transmitiu todo o March Madness.
O basquete nacional vai fraquinho. Ontem assisti um dos primeiros jogos da NBB (a última tentativa) e achei bem ruim. Além da torcida do Flamengo ser um nojo (nem olha o jogo), em termos táticos achei repetitivo.
Idelber, tu sabias que eu treino uma equipe de basquete?
Ihhh... sem essa Idelber, e meu xará acima! Que título o Cruzeiro já ganhou com ajuda da arbitragem?
Se deixarem a paixão louca pelo Galo em segundo plano, e pensarem bem, vão descobrir que tanto Cruzeiro quanto o Atlético foram extremamente prejudicados ao longo da história...
Já no que tange aos estaduais - sempre há erros para um lado ou para o outro, mas jamais (acompanho futebol de perto desde 1990) houve um campeonato mineiro incontestavelmente colocado sob suspeita... erros há, os árbitros são ruins mesmo.
Ô Idelber, tadinho do Santo André hehehe mas pra falar a verdade, vou torcer pelo rebaixamento dele no Brasileirão também - não por ele ser azul hehehe, mas pelo fato dele ser um clube sem muita expressão mesmo e que não agrega muito ao campeonato, ainda que tenha subido como todos os méritos (mas secar os outros não é crime no futebol, no fundo, só uma maldadezinha...)
Mas só um lembrete: Os municípios de Santo André e de Barueri que sediam os clubes homônimos não ficam no interior, mas sim na Região Metropolitana de São Paulo. Esse ano não teremos novamente nenhuma equipe do interior na Série - a única equipe de fora da Região Metropolitana vai ser o Santos.
PS: A última sentença do meu comentário anterior ficou meio mascada, na verdade seria "Enfim, pelo menos os clássicos e a fase final devem pegar fogo" e não "Enfim, pelos os clássicos e a fase final devem pegar fogo".
Pelo que você acerta nos palpites (estaduais passados, copa américa, galo etc.), acho que o seu time está condenado à derrota. Se você virasse hoje um Proud Friend of Israel, amanhã de manhã Jersualém seria a capital do estado palestino independente...
Idelber,
Faz um tempo que não acompanho com afinco o basket universário americano, mas é bem legal. Duke é o que vc escreveu, mas eles tem um técnico fantástico, apesar que eu não gosto do time, prefiro Kentucky e Kansas.
Mas, UCLA apesar dos 10 títulos lembra um pouco o Santos de uns tempos atrás, vive das glórias do passado e não é um programa que revela muitos jogadores para NBA em comparação UNC, Kentucky, Duke e Kansas.
Mas, de basquete nacional vale a pela dar uma olhada no draftbrasil, eles são um fórum(que participo) e também tem o site de notícias, que passou a cobrir o torneio nacional de basket, a liga sul-americana, e o campeonato paulista (que já acabou).
Como assisto muitos jogos da liga profissional americana este site que muitos devem conhecer vale a pena, atdhe - é só escrever depois ponto net como no draftbrasil e vc terá uma infinidade de eventos esportivos até que a censura baixe, aí é encontrar outro.
O que eu havia comentado é que você tocou num assunto que é um tabu na imprensa: a nefasta influência dos perrelas na arbitragem (eu poderia acrescentar na confecção da tabela), mas certamente a blindagem dos linguiceiros na imprensa se explique pelos favores que jornalistas devem a eles. No torneio de verão no Uruguai, alguns jornalistas viajaram a convite do cruzcredo. Até mesmo o repórter Odilon Amaral, que estava lá a serviço da Globo, viajou para Punta del Este com a delegação palestrina e ainda levou a esposa. Pode-se esperar imparcialidade?
Quanto aos times do interior de SP, discordo de vc. Com a proximidade de SP, a Massa vai invadir e os jogos lá nem poderão ser considerados no campo do adversário.
Lincoln.
Lincoln Pinheiro Costa em fevereiro 1, 2009 2:20 PM
Dê uma olhadinha nos arquivos da imprensa do começo de 2008 para ver se era moleza apostar em Obama então. Falavam em "fracasso certo". Fazer Monday morning quarterbacking é fácil.
E na Copa América ninguém, ninguém apostava no Brasil. Falava-se em goleada argentina.
Sua descrição dos Tar Heels me inspirou a escrever um texto sobre o fracasso de público que entendo ser o campeonato brasileiro (considerando seu potencial). Cito como exemplo as médias de Cruzeiro e Atlético no ano passado em comparação com outros times e esportes, e gostaria de convidá-lo a ler e comentar.
SOBRE O POST do sr. Lincoln Pinheiro Costa em fevereiro 1, 2009 2:20 PM: "No torneio de verão no Uruguai, alguns jornalistas viajaram a convite do cruzcredo. Até mesmo o repórter Odilon Amaral, que estava lá a serviço da Globo, viajou para Punta del Este com a delegação palestrina e ainda levou a esposa. Pode-se esperar imparcialidade?"
RESPOSTA: A ida a Punta del Este foi uma promoção da organização do Torneio. O Atlético, assim como o Cruzeiro, também foi convidado, mas o técnico da época não permitiu a ida dos jogadores. Minha esposa, jornalista, também foi a convite da Tenfield. A equipe da Rede Globo que acompanhou a viagem o fez por motivos jornalísticos. O alegado "passeio" rendeu três matérias no Globo Esporte.