O Biscoito Fino e a Massa começa hoje a publicar um glossário macabro da ocupação: uma análise de como as palavras são usadas para mascarar, distorcer, esconder. A primeira escolhida é o termo “conflito”.
Ao definir “conflito”, Houaiss usa os sinônimos “choque” e “enfrentamento”. Certamente, podem existir conflitos entre fortes e fracos. A simetria perfeita de forças não é um requisito para a aplicabilidade do termo. Mas se você vir um garoto de 15 anos sendo espancado por cinco brutamontes, você dificilmente usará a palavra “conflito” para descrever o que acontece.
Pode ser, caro leitor, que em algum momento da história catastrófica que se inicia em 1948, a palavra “conflito” possa ter tido algum grau de aplicabilidade. Mas observar as cenas de Gaza, o massacre de civis, as bombas de fósforo branco contra crianças, o bombardeio de escolas e o enjaulamento de 1,5 milhão de pessoas realizado pelo exército israelense, e ainda assim falar de “conflito israelo-palestino” é de um cinismo inominável ou de uma distração imperdoável.
O nome correto é matança. Chacina. Carnificina. Promovida por uma ocupação militar. Jornalistas, por favor, dêem o nome correto às coisas.