O escalão superior do Hamas em Damasco, no entanto, concordou em considerar um cessar-fogo em Gaza desde que Israel prometesse não atacar e permitisse a entrega de ajuda humanitária aos cidadãos palestinos.
Depois de extensas discussões, os líderes do Hamas também aceitaram qualquer acordo de paz que pudesse ser negociado entre os israelenses e o presidente da Autoridade Palestina, Mahmoud Abbas, que também lidera a OLP, desde que fosse aprovado pela maioria dos palestinos em um referendo ou por governo de unidade eleito.
Uma vez que éramos apenas observadores, não negociadores, passamos a informação aos egípcios e eles buscaram uma proposta de cessar-fogo. Depois de cerca de um mês, os egípcios e o Hamas nos informaram que a ação militar dos dois lados e os foguetes iam parar em 19 de junho, por um período de seis meses, e que a ajuda humanitária seria restaurada ao nível normal que existia antes da retirada de Israel em 2005 (cerca de 700 caminhões por dia).
Fomos incapazes de confirmar isso em Jerusalém por causa da decisão de Israel de não admitir qualquer negociação com o Hamas, mas os lançamentos de foguetes logo pararam e houve aumento na entrega de comida, água, remédios e combustível. Ainda assim o aumento foi para cerca de 20% do nível original [de 700 caminhões]. E esse cessar-fogo frágil foi parcialmente rompido em 4 de novembro, quando Israel lançou um ataque em Gaza (fonte em português; original em inglês aqui).
Nesse ataque, Israel assassinou sete palestinos. A posição do Biscoito Fino e a Massa é de que jamais houve “trégua” nenhuma, pois não se pode falar de trégua quando uma população vive enjaulada, sem ter sequer o direito de recolher seus impostos ou controlar suas fronteiras. Mas mesmo que usemos o termo “trégua” no sentido em que a mídia, em geral, utiliza-o para se referir à Palestina Ocupada -- ou seja, “trégua” consiste em que os palestinos continuem vivendo calados, como escravos, nas suas próprias terras --, mesmo assim, o fato, a verdade, é que a trégua foi rompida por Israel, quando invadiu Gaza no dia 04 de novembro e assassinou sete palestinos, depois de meses inteiros em que o Hamas não havia lançado rojões Qassam sobre território israelense.
Stephen Zunes, especialista da Universidade de San Francisco, disse com todas as letras: foi uma enorme, enorme provocação, e agora me parece que o objetivo era mesmo fazer com que o Hamas rompesse o cessar-fogo. Amigo leitor: nada, nada, nada disso foi relatado pela mídia ocidental. É como se a invasão do 04 de novembro não tivesse acontecido.
Por que Israel escolheu o dia 04 de novembro para romper a trégua? Ora, caro leitor, lembre-se do que acontecia nos EUA no dia 04 de novembro. Não é difícil adivinhar. O obviedade é gritante.