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sexta-feira, 23 de janeiro 2009
M. chega em tempo recorde ao ventilador
Há uma avalanche de notícias das primeiras 72 horas de Obama: ordem executiva decretando o fechamento de Guantánamo em um ano, reinstalação do Manual do Exército (que não admite tortura) como parâmetro para qualquer interrogatório, ordem de fechamento das prisões secretas da CIA fora do país, amplas medidas de aumento da transparência e possibilidade de escrutínio da Casa Branca (de site novo), uma boa nomeação para o Oriente Médio (George Mitchell), entre outras.
Mas não pode passar batida a entrevista de Russell Tice a Keith Obermann, na qual Tice, ex-analista da National Security Agency, bota a boca no trombone acerca do programa de espionagem da administração Bush, que foi pior do que qualquer um imaginava.
O resumo da ópera é que todo mundo estava sendo espionado: uma giganteca e orwelliana teia de escuta e leitura ilegal de telefonemas, emails e faxes cobria todas as comunicações do país, mesmo as que se davam entre “americanos normais”. Até as comunicações daqueles que jamais se relacionaram com o exterior eram monitoradas.
Tice sofreu pressões durante o governo Bush e já nos primeiros dias de Obama resolveu dar com a língua nos dentes. Entre os grupos especialmente visados, ele mencionou os jornalistas. Já dá para imaginar quais seriam alguns dos outros (árabe-americanos, por exemplo). Não está claro neste momento se haverá condições político-jurídicas de processar os responsáveis. Obama está lá, caladinho, o que é do seu feitio.
Escrito por Idelber às 16:44 | link para este post
| Comentários (25)
#1
Isso deve ser só uma pontinha do imenso iceberg de lama criado pelo bushinho!
aiaiai em janeiro 23, 2009 5:34 PM
#2
Idelber, uma perguntinha fácil: fechada Guantanamo, o que fazer com os que estão presos lá?
Cassio em janeiro 23, 2009 6:06 PM
#3
Cassio, a única resposta até agora é: estudar caso por caso (imagina!). E aí decidir se acusa ou não. Se acusar, tem que tramitar um processo normal. Se não acusar, tem que soltar.
Idelber em janeiro 23, 2009 7:01 PM
#4
Idelber, há a possibiliade de Bush ser processado?
Leandro Fortes em janeiro 23, 2009 8:46 PM
#5
Leandro, a minha leitura no momento é: se se criarem condições jurídico-políticas para que alguém como Bush (ou Cheney) seja processado por um corpo independente da atual administração, eu acho que Obama não se oporia. Mas não acho que Obama -- ou alguém do executivo -- vá, jamais, tomar a iniciativa.
Mais do que isso, agora, acho difícil especular. Abraços.
Idelber em janeiro 23, 2009 8:50 PM
#6
Idelber, concordo com vc. O problema é que é praticamente impossível que a situação dos prisioneiros seja analisada, caso a caso, dentro dos 12 meses prometidos pelo Obama. Fechada Guantanamo, e ainda havendo pendências, para onde levar os prisioneiros? Para alguma prisão em solo americano? É certo que não. E mesmo no caso daqueles prisioneiros que decidam processar, onde eles ficarão aguardando julgamento?
Minha opinião: perto do fim dos 12 meses o Obama vai prorrogar o prazo.
Cassio em janeiro 23, 2009 11:42 PM
#7
Idelber, meu caro! Mesmo fora da rede, por muito tempo, por motivo de férias deste bicho do mato, com pouco acesso à internet, que lhe escreve, acompanhei na medida do possível a onda toda. Primeiramente, parabéns pela cobertura solidária de mais um massacre cometido pelo Estado de Israel contra o povo palestino, mostrando que dá pra ter uma posição justa, sem o maniqueísmo de que lhe acusaram, mas tomando posição. Como sabemos, não se trata de posição anti-semita, ou coisas desse tipo, mesmo porque árabes são semitas (com outra história) e há judeus contra isso que fazem contra os palestinos.A falta de comentários equívocos ou fdp neste blog só lhe (nos) poupou aquele tipo de coisa que a gente já espera.
Também acho que Obama começou bem, com firmeza e elegância. E cuidado, porque o negócio é barra pesada, tanto aqui quanto nos EUA...
Tomemos posição sempre, sabendo qualé!
Abraços do
Jair
Jair Fonseca em janeiro 24, 2009 12:07 AM
#8
Não sei se isso acontece com vocês (o "vocês" inclui Idelber, o responsável pelo Biscoito Fino e todos os seus frequentadores) mas, quanto a mim, não aguento mais essa conversa de "terrorismo" e "terroristas", que os EUA e as grandes potências ocidentais gostam de regurgitar.
Tivesse eu algum poder de repercussão junto a esses donos do mundo, ao ouvir essa cantilena rebateria de bate-pronto: "Defina terrorismo", "defina terrorista".
Esses termos viraram um mantra. uma espécie de palavra-coringa que serve para qualificar seja lá quem for e seja lá o que for, desde que signifique algo contrário aos interesses "deles" ("the powers that be").
Na época da Guerra Fria, a torto e a direito (principalmente torto, bem torto), ouvia-se o mantra de então, "Comunista", ouvido aqui também, no Brasil, nos tempos da Redentora, acompahado de "subversivo".
Foram o "terrorismo" e os "terroristas" que deram uma sobrevida ao governo (sic) de Bush Segundo, que, sem aquela tábua de salvação, jamais teria sido reeleito.
O pior é como a mídia brasileira repete, qual papagaio ensinado, esse lugar comum que já se espalhou de tal forma que já existe agora, como categoria rigorosamente precisa, o "suspeito de terrorismo".
Além de não conseguir dar uma explicação satisfatória sobre o que venha a ser "terrorismo" o governo e a mídia americana são incapazes de apontar o dedo para os verdadeiros terroristas do fim do século XX e começo deste século _ principalmente quando se trata de Estados terroristas.
jairo em janeiro 24, 2009 12:44 AM
Paula Coruja em janeiro 24, 2009 2:13 AM
#10
Jairo,
Comigo também, igualzinho. Aliás, faço minhas as suas palavras, se me permites.
Eduardo do E S Prado em janeiro 24, 2009 5:05 AM
#11
"Obama está lá, caladinho, o que é do seu feitio."
Será que Obama é um político mineiro?
André Egg em janeiro 24, 2009 9:58 AM
#12
Idelber, perdoe o off, mas a matéria está imperdível...
O ex-governador mineiro Newton Cardoso é, sem dúvida, um personagem peculiar. Na semana passada, Newtão, como é conhecido, reagiu com fúria a uma reportagem de VEJA sobre seu processo de divórcio. A revista revelou que sua mulher, a deputada Maria Lúcia Cardoso (PMDB-MG), o acusa de violência doméstica. Segundo ela, o ex-marido a agrediu com unhadas, puxões de cabelo e bofetões. O trecho que mais incomodou o político mineiro, porém, foi o que tratou de seu patrimônio, em boa parte sob suspeita de ter sido amealhado em prejuízo da coletividade do estado. Em 2006, o ex-governador declarou à Justiça Eleitoral ter um patrimônio de 12,7 milhões de reais. Cinco anos antes, um levantamento feito por VEJA em cartórios e juntas comerciais havia apurado um montante muito superior: 150 milhões de reais. No processo de divórcio, sua mulher diz que a fortuna do marido poderia alcançar 2,5 bilhões de reais. Enfurecido, o ex-governador convocou uma entrevista para desmentir a reportagem. Era de esperar que ele interpretasse o papel costumeiro de homem público ofendido. Surpresa! No encontro, Newtão encarnou uma combinação de Suharto, Idi Amin e Papa Doc para demonstrar, com rara franqueza, as dimensões de sua fortuna. "A revista escondeu meu patrimônio. Minha fortuna é muito maior que o que eles falaram."
Na entrevista, Newtão confirmou ser dono de todos os bens que VEJA lhe atribuiu e relacionou outros mais. De acordo com a reportagem, o ex-governador possuiria 25 carros. Ele disse que são 150. VEJA afirmou que o ex-governador é dono de setenta fazendas. Ele se vangloriou de ter o dobro: "Não tenho só essa m... de setenta fazendas. São 145, sendo que em uma delas foram encontrados dois poços de petróleo". Newtão declarou que não é dono só de um, mas de dois apartamentos nos Estados Unidos. Um fica em Nova York. O outro, em São Francisco. Na Europa, possui não apenas um apartamento e um hotel em Paris, mas também um refúgio em Roma. Na Bahia, tem uma praia. No Rio de Janeiro, uma ilha em Angra dos Reis.
A reação do marido surpreendeu os advogados da deputada Maria Lúcia, que imaginavam que teriam um trabalhão para provar a extensão do patrimônio privado do homem público. Depois da entrevista de Newtão, sua tarefa ficou mais fácil. Newtão gritou, chorou, falou palavrões e deu socos na mesa. Disse que Maria Lúcia perdeu o juízo e que os jornalistas de VEJA são "jumentos" e "imbecis" – provavelmente, por terem subestimado o tamanho da riqueza que um político de resultados pode juntar impunemente em uma vida pública dedicada prioritariamente aos interesses financeiros e patrimoniais pessoais. Que belo currículo... 145 fazendas, uma ilha, dois poços de petróleo, um hotel em Paris, 150 carros... de fazer inveja a Suharto, Idi Amin e Papa Doc.
Clines em janeiro 24, 2009 10:21 AM
#13
Oi Idelber, tudo bem?
Tenho lido com bem mais freqüência o blog, e gostado bastante. Já o tenho entre as (poucas) referências confiáveis na net. Especialmente para assuntos políticos, tema no qual minha ignorância é razoalvelmente grande...
E falando em ignorância, estou curiosa sobre a origem do nome do seu blog. De onde veio "o biscoito fino e a massa"? Tem alguma metáfora, culinária ou não, implícita nesta expressão? Não que seja uma questão relevante... é só curiosidade mesmo...
um beijo,
Bel
Bel Botter em janeiro 24, 2009 12:39 PM
#14
Idelber, foi sensacional seus posts sobre o massacre israeleiano contra os palestinos, mas nessa fase "Obama" voce está ainda melhor.
Grande blog e muita honestidade e verdade!
Um abração!
HRP MAN! em janeiro 24, 2009 12:47 PM
#15
Pois é, Jairo: o uso indiscriminado do rótulo de "terrorista", basicamente, serve para enterrar uma das liberdades de base do liberalismo burguês:a de que ninguém pode ser criminalizado por suas convicções políticas, e que todo estado democrático tem o dever de dar asilo a quem é perseguido politicamente. Veja-se, por exemplo, o caso Battisti: numa Itália dos anos 1970, onde os democristãos tinham o monopólio da formação dos gabinetes num esquema mafioso, e onde a Extrema Direita era financiada e armada pela CIA ("Gládio") para a eventualidade do PCI ganhar o poder em eleições, a Extrema Esquerda reagiu pelo desespero apelando para a ação direta - um erro político que, no entanto, explica-se pela ausência de alternativas. Depois de uma crise de legitimidade da democracia liberal, a Itália burguesa, aproveitando-se do eclipse da Esquerda pós-muro de Berlim. conseguiu reconstruir-se de uma forma ainda mais atrasada, com o governo abertamente mafioso e filo-fascista do Cavalieri Berlusconi - o qual passa a perseguir ex-militantes da luta armada dos anos '70 como escarmento. E não é que a imprensa brasileira adota como seu o script do Governo Berlusconi , caracterizando um militante político como assassino comum? Na verdade, trata-se de uma preview do sonho da Direita Brucutu (um troglodita de uma HQ antiga) : a restauração da ditadura militar e a criminalização de toda e qualquer forma de resistência - como se vê nos regulares ataques histéricos da mesma imprensa ao MST.
Carlos em janeiro 24, 2009 1:03 PM
#16
Por aqui, um dos argumentos para se execrar as escutas LEGAIS de investigados poderosos por crimes prováveis é a liberdade do cidadão, cuja representação máxima são os EUA. Mirem-se no American Way of Life e no Estado mínimo, dizem. Economia e política é uma coisa só por lá, defendem - tudo é regido pelos direitos democráticos individuais.
Sei...
Zezolin em janeiro 24, 2009 1:12 PM
#17
O governo Neocon, ou melhor, Neofascista, de Bush só poderia dar nisso, mesmo, ou seja, a violação de todos os direitos, liberdades e garantias dos cidadãos norte-americanos ou que vivem nos EUA.
Espero que as informações a respeito destas violaçoes sejam amplamente disseminadas e que os responsáveis por tais ilegalidades sejam julgados e condenados por isso.
Marcos D. em janeiro 24, 2009 2:33 PM
#18
Boa tarde, pessoal. Bel, o nome do blog vem de uma famosa frase do poeta, romancista, ensaísta e bon vivant paulistano Oswald de Andrade: "a massa ainda comerá do biscoito fino que fabrico". É uma confiante afirmação da possibilidade de se combinar textos de qualidade com uma postura inclusiva, que alcance o maior número possível de pessoas -- o que é um horizonte, um objetivo permanente para este blog.
"A Massa", claro, também é o apelido da torcida de futebol mais fanática do mundo.
Idelber em janeiro 24, 2009 3:19 PM
#19
Idelber,
O artigo do Robert Fisk "Obama continua errando (em Gaza)", veiculado pelo Azenha em seu blog põe um pouco de água fria na euforia gerada com a vitória do Obama. Pelo menos no que tange ao Oriente Médio. Em seu discurso de posse, uma condenação genérica à morte de inocentes sem qualquer menção ao massacre em Gaza. Ao referir-se às guerras, justificou-as, dizendo expressamente: "o país está em guerra contra uma ampla rede de violência e ódio", sem esquecer do "vamos derrotar vocês". O concorrente vencido teria dito o mesmo. Nos primeiros dias de governo falou sobre o direito que Israel tem de garantir a sua segurança, sem mencionar a segurança dos "fortemente armados" palestinos. Ligou para o Presidente da Autoridade Nacional Palestina, segundo muitos um poder fantasma. Mas não foi, no Hamas que os palestinos votaram? Ou esse grupo vai continuar não servindo pq não agrada e é terrorista?
No trato com o resto do mundo estendeu a mão, mas afirmou, ainda no discurso de posse: "estamos prontos para liderar mais uma vez". Algum sinal nesta expressão do bom e desejado multilateralismo, de uma relação mais equilibrada com os demais países? Ou será um "vamos retornar ao comando, embora mais polidos"?
Reconheço ser muito cedo para uma avaliação consistente. Mas por essas e outras, meu entusiasmo foi abalado. Torço para que o tempo prove o meu equívoco.
Maria em janeiro 24, 2009 4:06 PM
#20
Maria, li o artigo do Fisk. Ele está, claro, no papel dele, de dizer as verdades pouco palatáveis e pouco agradáveis. Imagino, mesmo, que a ausência dos termos "Israel" e "Palestina" no discurso inaugural tenha sido sentida, como ele disse, pelos palestinos de Damasco, por exemplo. Mas fico pensando: "o que Obama poderia dizer que não piorasse a situação ou tornasse ainda mais longínqua uma possível solução mediada por ele?" É uma sinuca, claro. Uma coisa é um blogueiro de extrema-esquerda, ou mesmo um premiado jornalista do Independent, dizer as verdades sobre a ocupação. Outra coisa bem diferente é a a única pessoa no mundo em condições de mediar uma solução abrir a boca na hora errada. A nomeação de George Mitchell me agrada muito mesmo. Não vou me cegar ante erros ou omissões, mas estou disposto a ter paciência com Obama nesse assunto.
Idelber em janeiro 24, 2009 4:12 PM
#21
Idelber, pelo menos o ruralito esse ano, hein? Faz favor...
Cassio em janeiro 24, 2009 4:29 PM
#22
Anos atrás falava-se em mandar os presos de Guantánamo para prisões militares no Sul.
Andre Kenji em janeiro 24, 2009 6:00 PM
#23
"Leandro, a minha leitura no momento é: se se criarem condições jurídico-políticas para que alguém como Bush (ou Cheney) seja processado por um corpo independente da atual administração, eu acho que Obama não se oporia."
Acho que Obama vai quietinho deixar a questão de lado. Isso criaria conflitos desnecessários com os republicanos e considerando a quantidade de governadores presos recentemente(Don Siegelman, no Alabama, Jon Rowland no Connecticut e George Ryan, em Illinois) nunca se sabe o que pode acontecer.
Andre Kenji em janeiro 24, 2009 6:05 PM
#24
Eu imaginei mesmo que houvesse (no nome do blog) alguma referência que eu desconhecia... obrigada por me esclarecer.
Quanto à torcida mais fanática do mundo, será que chega a ser ainda mais fanática do que a famigerada "Fiel"? Morando perto do estádio do Pacaembu e acompanhando, sobretudo pelo barulho que faz, a torcida do Corinthians, prefiro nem imaginar o que seria um grupo de torcedores ainda mais fanáticos e apaixonados...
Ótimo domingo para vc!
Bel Botter em janeiro 25, 2009 10:17 AM
#25
Tudo muito bem...tudo muito bom! Estou aguardando o indiciamento de Bush, Cheney, Rice e Rumsfeld referente a crimes contra a humanidade. No mais, tudo muito bem, tudo muito bom. Palavras, apenas palavras.
Paulo em janeiro 26, 2009 9:02 PM